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Caminhando

com Cristo
Verdades Transformadoras para a Vida Cristã

023b.106.01

Caminhando com Cristoé traduzido do livro em inglês Walking with Christ.


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Salvo disposição em contrário, os versículos das Escrituras, em Português, foram tirados da


Bíblia de Estudos, Versão Revisada de Acordo com os Melhores Textos em Hebraico e
Grego, tradução de João Ferreira de Almeida. Copyright © 1981, 1986, 1989, 1992, 1995 e
1996 por Rainbow Studies, Inc. e também da Bíblia Sagrada de João Ferreira de Almeida,
edição revista e corrigida pela Sociedade Bíblica do Brasil.
Introdução ao Cursoiii

Índice
Introdução ao Curso.....................................................................................................7

Lição 1 – Cristo: O Nosso Fundamento Sólido ........................................................13


O Que Significa Ser Crente? ..................................................................................14
Vivendo a Vida Cristã ............................................................................................23
Pensamentos Finais ................................................................................................27

Lição 2 – Nossos Recursos Sobrenaturais ...............................................................29


Nossa Vida antes de Cristo.....................................................................................30
Nossa Nova Vida em Cristo....................................................................................31
Nossos Novos Recursos..........................................................................................35
Pensamentos Finais.................................................................................................45

Lição 3 – Tornando-se Mais Como Cristo................................................................47


Crescimento em Maturidade É a Norma.................................................................48
O Caminho para a Maturidade................................................................................49
O Processo de Transformação e Crescimento na Vida do Crente..........................52
Características Definidoras da Maturidade.............................................................60
Pensamentos Finais ................................................................................................64

Lição 4 – A Nossa Alimentação Diária: Palavra de Deus .......................................97


Conhecendo a Deus Através da Sua Palavra...........................................................68
Os Propósitos da Palavra de Deus...........................................................................70
O Espírito Santo e a Palavra...................................................................................72
Os Benefícios da Palavra........................................................................................73
Mergulhando na Palavra de Deus...........................................................................74
Construa sobre a Rocha Sólida...............................................................................79
Pensamentos Finais ................................................................................................84

Lição 5 – Comunicando com Deus Através da Oração ..........................................87


A Oração É a Nossa Conexão Pessoal com Deus...................................................88
Oração É o Nosso Grande Privilégio de Acessm....................................................90
Um Convite para Nos Aproximarmos....................................................................92
Como Devemos Orar?.............................................................................................99
Obstáculos à Oração..............................................................................................101
Quando Deus Diz Não..........................................................................................102
Quando Não Conseguimos Orar...........................................................................103
Atitudes que Deus Deseja na Oração....................................................................104
Pensamentos Finais ..............................................................................................105
Lição 6 – Vivendo pela Fé ........................................................................................107
O Que ÉFé? ..........................................................................................................108
Aprendendo a Confiar em Deus............................................................................113
Testando a Fé........................................................................................................116
Fé e Dúvida...........................................................................................................121
A Recompensa da Fé ............................................................................................122
Pensamentos Finais ..............................................................................................123

Lição 7 – Caminhando com o Nosso Guia .............................................................127


A Promessa de Orientação....................................................................................128
Os Meios de Orientação........................................................................................128
Condições para Receber Orientações....................................................................137
Quando a Orientação Não Vem............................................................................138
Perguntas sobre a Orientação................................................................................139
O Papel da Escolha...............................................................................................142
Passos para Conhecer a Vontade de Deus.............................................................143
Pensamentos Finais ..............................................................................................144

Lição 8 – Vivendo como Mordomo de Deus...........................................................147


A Quem Pertence Sua Vida?.................................................................................148
Criados para Sermos Mordomos de Deus.............................................................149
O Significado de Mordomia..................................................................................149
Mordomia dos Nossos Recursos Materiais...........................................................150
Mordomia dos Nossos Corpos..............................................................................156
Mordomia dos Dons e Talentos............................................................................157
Mordomia das Experiências da Vida....................................................................159
Mordomia do Tempo............................................................................................160
Mordomia: Descrição da Nossa Tarefa.................................................................164

Lição 9 – Compreendendo o Sofrimento ................................................................167


Perspectivas Bíblicas Sobre o Sofrimento............................................................168
Seis Propósitos do Sofrimento..............................................................................172
A Nossa Resposta ao Sofrimento..........................................................................179
Pensamentos Finais...............................................................................................182

Lição 10 – Vida em Família......................................................................................185


A Comunhão dos Crentes.....................................................................................186
Características da Vida em Família.......................................................................192
As Nossas Responsabilidades na Família.............................................................197
Pensamentos Finais ..............................................................................................201
Apêndice: Uma Abordagem Bíblica para Resolver Conflitos entre Crentes........205

iv
Introdução ao Cursov

Lição 11 – Uma Vida de Ministério.........................................................................209


Serviço: Uma Plataforma para o Ministério .........................................................210
Ministério: A Responsabilidade de Cada Crente .................................................212
O Foco do Ministério............................................................................................217
Poder para o Ministério.........................................................................................225
Pensamentos Finais ..............................................................................................226

Lição 12 – Terminando a Corrida...........................................................................229


A Preparação para a Corrida.................................................................................230
Mantendo os Nossos Olhos na Meta.....................................................................231
Lançando Fora Cada Peso.....................................................................................231
A Vida do Soldado................................................................................................237
Correndo com Perseverança..................................................................................242
Resumo do Curso..................................................................................................246
Introdução ao Curso7

Introdução ao Curso
Caminhando com Cristo foi projetado para encorajá-loem sua vida cristã através da
apresentação de verdades transformadoras. Neste curso você aprenderá mais sobre o que
significa depender realmente de Jesus Cristo na sua vida diária. Confiar na pessoa de Cristo
para a nossa salvação é o primeiro passo de fé que tomamos, o qual nos coloca no caminho
da vida cristã. Este primeiro passo deve ser seguido de muitos outros passos de fé, à medida
que aprofundamos a nossa confiança em Deus e na Sua Palavra.
Quando pensamos na palavra "caminhar", pensamos em mover-nos numa certa direção. O ato
físico da caminhada também tem um significado espiritual na Bíblia. “Caminhar” representa
o conjunto de atividades humanas ou a maneira de se conduzir e viver de uma pessoa. A
Bíblia, frequentemente, contrasta a maneira como crentes e não crentes "andam", indicando
que a vida e a conduta do crente e do incrédulo devem ser claramente distintas. Como é que
essas mudanças ocorrem em nós? Como nos tornamos mais parecidos com Cristo? Neste
curso vamos explorar juntos estas questões.
Quando caminhamos, temos que movimentar os nossos pés e deixar para trás o lugar onde
estávamos a fim de avançar. É assim na vida cristã, somos convidados a levantar os pés,
deixar para trás o lugar onde estivemos e sair para enfrentar o caminho adiante de nós.
Enquanto caminhamos, cada passo nos leva para mais perto do nosso destino. É assim
também na nossa caminhada diária com Cristo: avançamos gradualmente em direção ao alvo
de nos tornarmos como Ele. Se tropeçarmos no meio do caminho, não temos que voltar ao
início da nossa jornada e começar tudo de novo. Cristo está lá para nos levantar e nos ajudar a
avançar.
Quando começamos esta caminhada com Cristo, não sabemos aonde ela vai nos levar. A
estrada é desconhecida. Mas temos a certeza de que Ele caminhará ao nosso lado a cada
passo do caminho. Na medida em que se aprofundarno estudo deste curso, nosso desejo é que
você se sinta encorajado a levantar os pés, deixando para trás o lugar onde estava e que
coloque a sua mão, todos os dias, nas mãos do Salvador, que nos convida a ir em frente e
caminhar com Ele.

Descrição do Curso
Caminhando com Cristo foi concebido para encorajá-lo em sua vida diária com Cristo. O
objetivo principal deste estudo é desenvolver um relacionamento mais profundo e íntimo com
Deus: conhecê-Lo mais e amá-Lo mais.
É necessário que cada crente tenha uma compreensão clara da obra de Jesus Cristo na nossa
salvação e em nosso crescimento espiritual. O curso começa estabelecendo este fundamento.
Além disso, o estudo explora o trabalho multifacetado do Espírito Santo na vida do crente.
Na medida em que crescemos na nossa compreensão destas verdades, cresceremos no nosso
amor a Deus e no nosso desejo de honrá-Lo e servi-Lo.
Dois grandes temas enfatizados ao longo de todo este curso são a importância da Palavra de
Deus e da oração. A Bíblia é a fonte central através da qual o Espírito de Deus nos fala e
influencia as nossas vidas. A intenção é aguçar o seu apetite pela Palavra de Deus e
familiarizá-lo com algumas habilidades básicas necessárias para se alimentar da Palavra de
Deus de forma correta e consistente.
Enquanto Deus se comunica conosco por meio das Escrituras, também temos o grande
privilégio de nos comunicarmos com Ele através da oração. Este curso oferece um ensino
prático e incentivo para desenvolver uma vida de oração mais consistente. O relacionamento
pessoal do crente com Deus consiste em ouvir Sua voz através das Escrituras de forma
consistente e através da nossa comunicação com Ele.
Outro destaque fundamental do curso é a ênfase no crescimento do caráter piedoso e da
maturidade espiritual. Cada lição é planejada para motivá-lo a pensar sobre o
desenvolvimento do caráter espiritual e incentivá-lo a analisar como está aplicando a verdade
em sua vida, pois isso o levará à sua maturidade espiritual.
Nós falamos frequentemente da semelhança com Cristo, do caráter piedoso e da
conformidade com a imagem de Cristo. O fundamento destes conceitos éa vida do próprio
Cristo e a maneira como Ele utilizou com perfeição as Suas capacidades humano-divinas, as
quais sempre se moveram em direção ao conhecimento, justiça, santidade e, acima de tudo,
ao amor. Pelo fato de termos sido criados à imagem de Deus e, porque os crentes são
habitados pelo Espírito Santo, temos capacidades semelhantes para nos movermos em direção
a essas qualidades do caráter divino, as quais refletem a imagem e o caráter de Cristo.
Além disso, este curso visa proporcionar uma clara compreensão bíblica sobre temas-chave
que são essenciais à vida do crente. Explora as questões relacionadas com os temas da fé, da
direção, da mordomia cristã, do papel do sofrimento na vida do crente, a vida da família de
Deus e o serviço a Deus e aos outros. As perguntas são formuladas de modo a direcionar o
aluno averificar passagens bíblicas chaves que se relacionam com cada uma das questões, a
fim de incentivá-lo o a pensar mais sobre as mesmas e a aplicá-las à sua vida pessoal.
A motivação do crente para andar no caminho da vida com Cristo também é abordada. A
realidade do céu e do mundo vindouro é considerada, tal como a realidade de Satanás e das
muitas táticas planejadas para impedir de caminharmos com Cristo. O objetivo deste curso é
ajudar o aluno a mover-se em direção à sua maturidade e fidelidade, à medida que usar os
recursos que Deus providenciou para lhe ajudar a viver a vida cristã.

Contribuições para o Desenvolvimento do Caráter


Ao permitirmos que o Espírito Santo dirija as nossas vidas, o resultado será o crescimento no
caráter divino. Cada lição deste curso inclui questões que o incentivarão a analisar a sua vida,
fazer escolhas orientadas por Deus e considerar a maneira como responde ao Espírito Santo.
A terceira lição se concentra mais especificamenteno desenvolvimento do caráter piedoso
como resultado do relacionamento do crente com Cristo.

Contribuições para Adquirir Habilidades Ministeriais


Várias habilidades para o ministério estão relacionadas com este curso. Oportunidades são
oferecidas e passos iniciais são introduzidos visando o desenvolvimento das seguintes
habilidades ministeriais:

8
Introdução ao Curso9

Evangelismo. O curso fornece uma explicação clara do evangelho e exige que o aluno seja
capaz de discorrer sobre o evangelho. O aluno é estimulado a pensar sobre questões que são
essenciais ao evangelho e a distinguir as questões que são periféricas, bem como aquelas que
são de natureza cultural e não bíblica. O curso o desafia a responder à Grande Comissão de
Cristo de ir e fazer discípulos de todas as nações e sugere maneiras práticas de como começar
a fazer isto no seu próprio contexto. Você será requisitado a partilhar sua fé num encontro
pessoal, bem como será incentivado a desenvolver relacionamentos que possam abrir as
portas para futuros contatos no evangelismo. O evangelismo é discutido num contexto mais
amplo de impacto nas pessoas ao seu redor.
Discipulado. Caminhando com Cristo é na realidade um manual de discipulado. Apresenta
conceitos-chave que são essenciais para cada crente viver como um discípulo de Cristo, bem
como aplicações pessoais e tarefas úteis relacionadas com o discipulado. Se trabalhar
diligentemente durante o curso, obterá um entendimento do que significa ser um discípulo de
Cristo, bem como irá adquirir algumas ferramentas úteis que poderá depois passar àqueles
que vier a discipular.

Contribuições para o Desenvolvimento de Relacionamentos


Este curso irá incentivá-lo a pensar sobre a importância dos relacionamentos, começando
com o seu relacionamento com Deus e estendendo-se até ao seu relacionamento com a
família, amigos, outros crentes e o mundo ao seu redor. Reflexões pessoais foram elaboradas
para incentivá-lo a considerar os efeitos do seu comportamento e das suas escolhas sobre os
outros e para desenvolver as áreas como cuidar, amar e servir aos outros. É fornecida ao
aluno ajuda sob a forma de ensino prático nas áreas relacionadas com o desenvolvimento de
relacionamentos, tais como habilidades de comunicação, o perdão e a resolução de conflitos.

Relacionamentos para Líderes Servos


Caminhando com Cristo apresenta Jesus Cristo como o nosso grande exemplo do que
significa ser um líder-servo e chama cada aluno a uma relação mais próxima com Ele. Muitas
das tarefas levam o aluno a analisar o modelo de Cristo, bem como os modelos de outros
homens e mulheres piedosos. À medida que os alunos desenvolvem o caráter de Cristo, o
resultado desta caminhada íntima com Jesus será um fluir natural de amor e serviço aos
outros.

Tarefas do Curso
1. Selecione uma passagem para estudar. Usando um método simples de estudo da Bíblia,
identifique o assunto e a verdade principal da passagem. Anote o que aprendeu ao estudar
a passagem.
2. Faça um plano que o ajude a crescer em áreas da vida cristã enquanto considera os
seguintes aspéctos da sua vida como discípulo: tempo usado na Palavra de Deus e na
oração, mordomia, participação na comunhão e serviço e o compartilhar de sua fé.
Procure um cristão maduro que possa incentivar o seu crescimento nestas áreas.
3. Escolha uma área de ministério relacionado com o evangelismo ou com o discipulado e
participe nesse ministério. Após a conclusão do mesmo, escreva um resumo de uma
página, descrevendo o ministério e o seu envolvimento e avalie a sua experiência.
10Caminhando com Cristo

Esboço do Curso
Lição 1 – Cristo: O Nosso Fundamento Sólido
Lição 2 – Nossos Recursos Sobrenaturais
Lição 3 – Tornando-se Mais Como Cristo
Lição 4 – A Nossa Alimentação Diária: A Palavra de Deus
Lição 5 – Comunicando com Deus Através da Oração
Lição 6 – Vivendo pela Fé
Lição 7 – Caminhando com o Nosso Guia
Lição 8 – Vivendo Como Mordomo de Deus
Lição 9 – Compreendendo o Sofrimento
Lição 10 – Vida em Família
Lição 11 – Uma Vida de Ministério
Lição 12 – Terminando a Corrida

Objetivos do Curso
Quando tiver completado este curso será capaz de:
1. Experimentar um desejo renovado de aprofundar o seu relacionamento com Deus e de
caminhar diariamente com Cristo, confiando nele para desenvolver em você um
caráter cada vez mais como o de Cristo.
2. Citar passagens bíblicas adequadas que expliquem a essência do Evangelho e como
continuar a crescer como cristão.
3. Desenvolver um plano para crescer no seu relacionamento com Deus que inclua a
Palavra de Deus, oração, mordomia, comunhão e serviço.
4. Explicar porque a fé, a direção, e a Palavra de Deus são importantes na vida cristã.
5. Explicar o papel do sofrimento como teste da nossa fé e o valor que o sofrimento tem
no nosso crescimento espiritual.
6. Defender a afirmação de que "todo o cristão é ministro" e justificar a importância do
evangelismo e do discipulado.
7. Avaliar seu crescimento nocaráter cristão ao longo do seu tempo de estudo.
8. Demonstrar progresso na aquisição das habilidades ministeriais nas áreas de
evangelismo e discipulado, realizando com sucesso as tarefas do curso.

Caminhando com Cristo em Relação aoCurrículo Todo


Caminhando com Cristo foi projetado para ser o curso fundamental do currículo da Entrust,
enfoca as verdades básicas e ensino que são essenciais para cada crente viver como um
discípulo de Cristo. O núcleo do ensino são as áreas de salvação e de santificação. A
compreensão destas verdades irá ajudá-lo a construir a sua vida sobre uma base sólida.
Recomendamos que este curso seja usado primeiro na sequência dos cursos da Entrust.
Introdução ao Curso11

Ícones

Tarefa: uma questão ou estudo que focalize o conteúdo do curso. Respostas


escritas são necessárias e devem ser registradas no caderno do aluno.

Reflexão Pessoal: instrução para refletir sobre como as verdades bíblicas,


traços de caráter ou ambos, se relacionam com a nossa caminhada com Deus. O
foco será na aplicação pessoal. Pode ser solicitada uma resposta por escrito.

Adoração: instrução para adorar ao Senhor em relação ao conteúdo da lição. O


foco está em Deus. Não é necessário resposta escrita.
1LIÇÃO

Cristo: O Nosso Fundamento Sólido


Quando Roberto foi questionado a respeito de como uma pessoa pode ir para o céu ou ganhar
a vida eterna, respondeu: "Tentar viver uma vida boa, ser gentil com os outros e fazer coisas
para ajudá-los. Ser uma pessoa honesta.” Em resposta à pergunta: " Você acha que vai para o
céu?” Ele respondeu: “Espero que sim. Acho que fiz mais coisas boas do que más na minha
vida. Dou esmolas. Nunca matei ninguém. Acho que sou tão bom como qualquer outra
pessoa."



A visão de Roberto sobre o que é preciso para chegar ao céu é uma visão amplamente
difundida. Ao iniciarmos este curso sobre a vida cristã, queremos focalizar o ensino bíblico
sobre o que significa ser cristão e como podemos chegar ao céu. Como é que uma pessoa se
torna um crente? Qual o papel que a fé e as boas obras desempenham na vida do crente? Nós
esperamos que se sinta incentivado e edificado enquanto explora as bases sólidas da fé em
Jesus Cristo.

Esboço da Lição
O Que Significa Ser Crente?
Os Primeiros “Cristãos”
Experimentando Um Encontro Pessoal com Cristo
O Obstáculo Intransponível
Entendendo a Nossa Necessidade de Salvação
A Provisão de Deus para a Nossa Salvação
A Base da Nossa Salvação
A Singularidade do Cristianismo
Recebendo o Dom da Salvação
Há Outros Caminhos que Levam a Deus?
Vivendo a Vida Cristã
Continuando a Vida Cristã Através da Fé
Livre para Servir
Pensamentos Finais

13
Objetivos da Lição
Quando tiver completado esta lição, você será capaz de:
1. Definir graça e explicar os resultados da graça na vida do crente.
2. Explicar como tornar-se um crente, usando a Bíblia para explicar
seus pontos de vista.
3. Descrever como continuar a vida cristã, incluindo o papel da fé, das
boas obras, e da graça na vida do crente.
4. Avaliar a sua própria vida em termos da sua compreensão da graça e
da aplicação destas verdades na sua experiência cristã.

O Que Significa Ser Cristão?


Muitas pessoas têm uma vaga ideia do que significa ser cristão. Muitas vezes as pessoas
assumem que ser cristão é acreditar em Deus e frequentar a igreja. O que significa ser cristão
ou viver a vida cristã?

Que pensamentos vêm à sua mente quando ouve a expressão "a vida cristã"?
Anote algumas das suas primeiras impressões.

Os Primeiros “Cristãos”
O livro de Atos descreve as atividades dos discípulos de Jesus após a sua crucificação,
ressurreição e ascensão ao céu. Em Atos 11 vemos Paulo e Barnabé numa reunião com um
grupo de novos crentes em Antioquia, na Síria, ensinando-os e fundamentando-os na sua fé.
Foi neste cenário em Antioquia (atual Turquia) que os discípulos de Jesus foram, pela
primeira vez, chamados "cristãos", o que significa "seguidores de Cristo".
Provavelmente criado por não crentes, o termo "cristão" logo se estabeleceu como o título
evidente e foi amplamente usado dentro de uma única geração. A palavra era usada para
aqueles que demonstravam um compromisso de seguir a Cristo. Quando uma pessoa dava
testemunho da sua fé em Jesus Cristo como Salvador, essa pessoa era então associada ao
nome de Cristo.
Viver uma vida cristã significa ser um seguidor de Jesus, associado com Jesus e
pertencer a Jesus.

Experimentando um Encontro Pessoal com Cristo


Como se tornar um cristão? Para passarmos a fazer parte da família de Deus, precisamos ter
um encontro pessoal com o Filho de Deus, Jesus Cristo. Enquanto Jesus viveu e ministrou na
terra, Ele se misturava e falava com as pessoas de todos os níveis da sociedade, desde o mais
proeminente ao mais rejeitado. Em muitas conversas Jesus mostrou que estava à procura
daqueles que queriam saber como encontrar a Deus e queria que eles soubessem como obter a
vida eterna.
Vejamos três desses encontros.

14
Lição 115

Encontro de Jesus com um líder religioso. No evangelho de João temos um relato de uma
conversa de Jesus com Nicodemos, príncipe dos judeus. Nicodemos era um mestre religioso
respeitado e um dos membros do conselho em Jerusalém.

Leia João 3:1-18. O que é necessário para que possamos entrar no reino de Deus,
para obter a vida eterna?

O encontro de Jesus com a mulher samaritana. No capítulo seguinte, Jesus vem do


encontro com o líder religioso judaico Nicodemos para se encontrar com uma mulher
samaritana sem nome. A colocação destes dois relatos contrastantes não é certamente um
acidente, pois João, sob a inspiração do Espírito Santo, mostra-nos o contraste entre o "líder"
justo judaico e a "imoral" mulher samaritana.
Samaritanos e judeus tinham uma relação de ódio de longa data, devido principalmente a
diferenças religiosas.1 Como uma mulher samaritana, ela seria considerada impura pelos
judeus. Como uma mulher imoral, ela era excluida da sociedade tanto por seu próprio povo
como pelos judeus.

Leia João 4:1-30, 39-42 e responda às seguintes perguntas:


1. Como é que Jesus tratou esta mulher?
2. O que é que Ele sabia sobre ela?
3. O que acha que Ele queria dizer com a expressão "água viva"?
4. Enquanto lê a história, quais as mudanças que vê na mulher samaritana?
5. Qual foi o resultado do seu testemunho na cidade?

O encontro da mulher samaritana com Jesus foi uma experiência transformadora, que trouxe
o perdão e a esperança a alguém que tinha andado à procura de amor durante toda a sua vida.
Ela descobriu que o que o seu coração verdadeiramente almejava era o amor de Deus e foi
transformada por esse amor.
O encontro de Jesus com um cobrador de impostos. No Evangelho de Mateus, o discípulo
Mateus recorda a maneira como Jesus o chamou para ser um de Seus seguidores. Como
cobrador de impostos, Mateus era uma figura odiada entre os judeus. Os fariseus, líderes
religiosos daquela época que seguiam um rigoroso código moral, queixaram-se aos discípulos
de Jesus: "Por que é que o vosso Mestre come com os publicanos e pecadores?" Eles queriam
dizer que, se Jesus fosse um homem vindo de Deus, Ele só se associaria àqueles que vivessem
uma vida boa e moral, homens como eles mesmos, por exemplo.

Leia Mateus 9:9-12 e responda às seguintes perguntas:


1. O que acha que Jesus queria dizer na sua resposta aos fariseus no
versículo 12?
2. Porque acha que os fariseus acharam tão difícil se tornar seguidores de
Cristo?
16Caminhando com Cristo

Jesus não estava dizendo aos fariseus que eles eram


justos por si mesmos e que não tinham necessidade de A condição para a
salvação, mas estava mostrando que não estavam salvação está em
conscientes dos seus próprios pecados. Assim, a reconhecer a necessidade
condição para a salvação está em reconhecer a pessoal da mesma.
necessidade pessoal da mesma.
Acabamos de ver três encontros nos quais Jesus oferece palavras de convite a três pessoas de
vários níveis sociais: Nicodemos, um respeitado líder religioso; a mulher samaritana, uma
pessoa socialmente marginalizada; e Mateus, um negociante judeu rico e odiado. O exemplo
de Jesus indica que somos todos bem-vindos ao reino de Deus.
Aos olhos de Deus não existe diferença entre judeus e não judeus, entre pessoas religiosas e
ateístas, entre as pessoas da mais alta moral e as mais degeneradas.2O fato é que todos os
seres humanos estão na mesma categoria pecaminosa (Rm. 3:22-23). Estas três pessoas
com quem Jesus se encontrou tinham duas coisas em comum – a sua condição pecaminosa e
a sua necessidade de salvação. Jesus concedeu a cada uma delas a mesma oportunidade de
um relacionamento com Deus. O convite não estava restrito a pessoas de qualquer nível
social, racial, econômico ou religioso. Estendia-se a todos.

 Acha que qualquer um destes indivíduos seria bem-vindo na sua igreja?


Por que ou porque não?
 Às vezes as pessoas evitam ir à igreja porque sentem que são muito
pecadoras e suas vidas não estão à altura dos padrões de Deus. Eles
acreditam que a igreja é um lugar para aqueles cujas vidas são santas e boas,
não para pessoas como elas. Como falaria com uma destas pessoas?

O Obstáculo Intransponível
Embora Nicodemos fosse um professor religioso respeitado na Palestina, faltava-lhe uma
importante verdade. Como muitos líderes judeus, ele havia substituído a única coisa que Deus
realmente quer: a fé Nele, por uma vida de boas obras. Os líderes judeus pensavam que
tinham que fazer boas obras e guardar toda a lei de Deus, a fim de agradar a Deus. Muitas
pessoas hoje têm a mesma ideia. Acreditam que aqueles que vivem uma vida boa merecem o
céu, enquanto aqueles que não o fazem serão mandados para o inferno.
Muitas obras de arte retratam este ponto de vista. Num mosteiro em Voronezh, na Romênia,
há uma pintura na parede representando o julgamento final. Nesta pintura é mostrada uma
alma desnudada sendo pesada numa balança. Se o saco contendo as boas obras da alma não
pesar o suficiente, ela cairá da balança direto no fogo do inferno, que é mostrado na parte
inferior da pintura. Muitas pessoas passam pela vida com esta crença, com esperança de que,
no final, as suas boas obras pesem mais do que as más e que Deus lhes permita entrar no céu.
Outra imagem que se encontra numa igreja em Suceava, na Romênia, mostra um homem
subindo uma escada para o céu. Cada um dos degraus desta escada representa uma virtude
diferente, tal como a paciência, a bondade, o autocontrole, a compaixão. Se ele errar apenas
um desses degraus, escorregará da escada e falhará na sua missão de alcançar o céu.
Lição 117

Estas obras de arte mostram a idéia generalizada de que a salvação, em última análise,
repousa sobre um destes esforços individuais. Este ponto de vista é ensinado na Bíblia? É
possível a qualquer ser humano equilibrar a balança com as boas obras?
Desde suas primeiras páginas, a Bíblia nos ensina que há um obstáculo intransponível
permanente no caminho da salvação: o problema do pecado. Embora Deus tenha criado
um mundo perfeito e colocado o homem e a mulher nele para servir como vice-reis e
mordomos da criação, eles escolheram o caminho da desobediência e rebeldia contra Deus
(Gn. 1-3).
A queda do primeiro homem e mulher teve consequências arrasadoras. Os seres humanos
tornaram-se simultaneamente sujeitos à morte física e espiritual (Romanos 5:12-21).

Leia Romanos 3:9-18, 23. O que aprendeu sobre a condição humana sob o
ponto de vista de Deus?

Nós, seres humanos, nascemos com uma inclinação perversa para seguir o nosso próprio
caminho, para vivermos a nossa vida completamente independentes de Deus. A partir destas
e muitas outras passagens, aprendemos que o problema do pecado não é assim tão pequeno
que Deus pudesse simplesmente ignorá-lo. Muitas vezes temos a tendência de nos desculpar
do pecado nas nossas vidas. É provável que já tenha ouvido alguém desculpar-se dizendo:
"Bem, ninguém é perfeito." Deus tem uma visão muito mais séria sobre o pecado do que nós.
A Bíblia descreve a nossa condição pecaminosa
usando termos como "maldade", "vileza", A nossa condição pecaminosa
"imundície" e "rebelião contra Deus."3 Em suma, apresenta um obstáculo
o pecado é rebelião contra o nosso soberano intransponível… que se
Criador e Senhor e uma afronta à Sua santidade. interpõe entre Deus e nós.
Um Deus que é absolutamente santo não pode
conviver com o pecado.
Assim, a nossa condição pecaminosa apresenta um obstáculo intransponível para qualquer ser
humano, um obstáculo que se interpõe entre Deus e nós. O nosso pecado criou uma grande
separação entre Ele e nós. Estamos alienados Dele.
18Caminhando com Cristo

Na carta aos Romanos, Paulo fala a nosso respeito como sendo inimigos de Deus. Enquanto
alguns possam pensar que é injusto que Deus nos culpe pela escolha de Adão e Eva, a Bíblia
deixa claro que não só nascemos com uma natureza pecaminosa como também escolhemos
ativamente pecar e viver as nossas vidas de forma independente de Deus.
Podemos nós superar o obstáculo que nos separa de Deus através das nossas boas obras?
Romanos 3:27-28 indica que ninguém será justificado (declarado justo diante de Deus), com
base em boas obras (obediência à lei).

Entendendo a Nossa Necessidade de Salvação


Podemos comparar nossas tentativas de agradar a Deus através das nossas boas obras com a
tentativa de atravessar a nado um oceano. Um nadador fraco pode ser capaz de nadar apenas
alguns metros. Um nadador forte e bem treinado poderá nadar uma grande distância, mas em
comparação com a vastidão do oceano, será como nada. Mesmo o nadador mais forte acabará
por sucumbir à fadiga e afundar-se sob as ondas. Assim é conosco, quando se trata de
tentarmos agradar a Deus através das nossas boas obras. Somos lastimavelmente insuficientes
e fracos, sem a mínima chance de alcançar o céu pelos nossos próprios esforços.
Para que possamos responder ao dom da salvação, temos que estar conscientes de que
precisamos dela. Um exemplo deixa isto claro. Imagine que esteja sentado em casa e um
amigo lhe oferece um colete salva-vidas. Provavelmente irá rir e colocá-lo de lado. Agora
imagine que esteja num barco no alto mar, o barco está se enchendo de água e o seu amigo
lhe entrega um colete salva-vidas. Como o seu barco está se afundando, irá agarrar este colete
salva-vidas com uma força que nem sabia que tinha, quando antes, sentado em sua sala,
contemplou o mesmo colete.
Uma vez que compreendemos quão grande é o obstáculo que nos separa de Deus, e como a
nossa situação é desesperadora, alegremente levantaremos as nossas mãos em agradecimento
Àquele que está nos oferecendo o resgate.

A Provisão de Deus para a Nossa Salvação


Deus na Sua misericórdia não nos deixou sem um colete salva-vidas. Antes da fundação do
mundo Deus tinha um plano para nos salvar. O Seu plano envolvia o envio de um substituto
digno de receber o castigo pelos nossos pecados, para que pudéssemos ser reconciliados com
Deus.
A cruz de Cristo. O ponto crucial da salvação está na cruz de Cristo, onde Deus realizou o
ato central da salvação. Deus estendeu a Sua misericórdia e graça a nós, ao enviar o Seu
próprio Filho para morrer pelos nossos pecados. Jesus morreu como um substituto por nós.
Enquanto Cristo estava pendurado na cruz, Ele levou o peso dos pecados do mundo sobre Si
mesmo, tomando a pena de nossos pecados e pagando uma dívida que nós não poderíamos
pagar.

Leia as seguintes passagens e responda às perguntas que se seguem: Isaías


53:1-9, 2 Coríntios 5:21, Colossenses 2:13-14 e 1 Pedro 2:24-25:
1. Por que é que Jesus foi crucificado?
2. Anote os detalhes da morte de Cristo na passagem
de Isaías.
Lição 119

3. O que é que a crucificação realizou?


Este ato de Deus em nosso favor foi previsto centenas
de anos antes de Cristo. O profeta Isaías escreveu sobre Aquele que aceita o
Aquele que viria como um servo sofredor, indicando sacrifício de Cristo pelo
que o plano de Deus de enviar um Salvador para levar a seu pecado recebe a
nossa punição foi cumprido em Cristo (Is. 53:1-9). justiça de Cristo como
Alguns se referem a 2 Coríntios 5:21 como o princípio um dom gratuito.
da "troca de vida". Uma troca aconteceu na cruz de
Cristo. Cristo realmente tornou-se pecado por mim e eu
realmente me tornei a justica de Cristo. Aquele que
aceita o sacrifício de Cristo pelo seu pecado recebe a justiça de Cristo como um dom gratuito.
Que troca incrível!
Martinho Lutero foi um monge do século XVI que passou o início da sua vida religiosa numa
luta desesperada para agradar a Deus através da sua própria justiça, dolorosamente consciente
das suas deficiências. Ele passou horas em confissão, e, mesmo assim continuava carregando
o peso da sua culpa e da sua incapacidade para agradar a um Deus justo.
Então, pela misericórdia de Deus, os seus olhos (focaram) posaram sobre as palavras que
mudariam a sua vida "O justo viverá pela fé" (Rm. 1:17). Ele percebeu que a justiça vem a
nós pela fé, para a qual "não trabalhamos nada, nada oferecemos a Deus, mas só recebemos e
[permitimos] que outro trabalhe em nós."4 Lutero foi profundamente mudado. O fardo de
lutar para ganhar a sua salvação foi tirado dos seus ombros.
A ressurreição de Cristo. A obra de Cristo por nós na cruz não teria significado sem a
verdade da Sua ressurreição.

Leia 1 Coríntios 15:12-23. Que argumentos apresenta Paulo sobre a


importância de crer na ressurreição de Cristo?

Alguns argumentam que Jesus foi meramente um bom homem, um grande e ético professor
que morreu heroicamente, mas que não ressuscitou de entre os mortos. Acreditar em tal
pessoa é inútil, escreve Paulo. Um Cristo morto significa que ainda estamos em nossos
pecados, pois somente aquele que ressuscitou dentre os mortos pode oferecer a libertação do
poder do pecado e a esperança da vida eterna. Somente um Cristo ressuscitado tem qualquer
poder para salvar.

A Base da Nossa Salvação


A vida cristã é, então, uma vida baseada no Cristo vivo.
A salvação é pela Somos totalmente dependentes de Deus para (SERMOS
graça de Deus e SALVOS) nos salvar. A fim de ser salvo, eu tenho que
somente através da depender de Cristo, do Seu sacrifício na cruz pelos meus
fé em Cristo. pecados e Sua ressurreição que me oferece a vida eterna. A
salvação é apenas pela graça de Deus e somente através da fé
em Cristo (Tit. 3:4-8).
20Caminhando com Cristo

A fonte da graça. Pedro fala de Deus como "o Deus de toda graça" (1 Pe. 5:10). Nas suas
páginas iniciais, a Bíblia revela Deus como um Deus de graça. Vemos a criação de um
mundo maravilhoso a partir do nada e a colocação dos Seus filhos nele para serem recipientes
da Sua graça. No jardim do Éden, Adão e Eva receberam muitas evidências maravilhosas do
amor e cuidado de Deus para com eles. Eles não fizeram nada para ganhar o seu lugar ali ou
para ganhar o amor de Deus. Deus simplesmente escolheu ser (BONDOSO) gentil, amoroso
e bom para com eles.
Desde o início, vemos que Deus derramou o Seu amor em favor da humanidade. É da
natureza de Deus amar e demonstrar bondade e compaixão. “Por isso, o SENHOR espera,
para ter misericórdia de vós, e se detém, para se compadecer de vós, porque o SENHOR é
Deus de justiça; bem-aventurados todos os que nele esperam.” (Is. 30:18).
O significado de graça. Podemos definir a graça como "bênção Deus livremente
(favor) imerecida livremente dada ao homem por Deus". 5 A
mostra bondade
palavra “favor” é frequentemente usada no Antigo Testamento
e favor a nós,
para transmitir o conceito de graça. Philip Yancey escreveu,
que nada
"Graça significa que não há nada que eu possa fazer para que
fizemos para
Deus me ame mais e nada que eu possa fazer para que Deus me
merecer.
ame menos".6 Deus livremente mostra bondade e favor a nós que
nada fizemos para merecer.
Um exemplo da graça de Deus. Talvez poucos tenham entendido a graça de Deus tão
claramente como o apóstolo Paulo. Ele se chamava Saulo e era um líder religioso judeu
e zeloso que dedicava a sua vida a extinguir o cristianismo por acreditar que o mesmo
ameaçava as verdades da fé judaica. Ele concordou com o apedrejamento de Estêvão, o
primeiro mártir de Cristo. O seu ódio aos seguidores de Cristo foi intenso; Atos 9:1o
(10)

Leia a história da conversão de Saulo em Atos 9:1-19.


É possível encontrar aqui evidências de que Saulo tivesse feito algo digno para
a sua própria salvação? Em que base Deus salvou Saulo?

Num maravilhoso gesto de graça, Deus tocou em Saulo e a sua vida sofreu uma reviravolta
dramática. Em questão de minutos, Saulo, que era cego espiritual, ficou cego fisicamente
para que os seus olhos fossem abertos à verdade – que este Jesus, a quem ele tinha perseguido
era, na realidade, o próprio Deus. Aquele que odiava a Cristo foi confrontado com o Cristo
vivo e sua vida mudou para sempre.
O custo da graça. Embora a salvação seja um dom gratuito de Deus, não significa que não
tenha um custo. "A graça não custa nada aos destinatários, mas tudo ao doador… o
preço exorbitante do Calvário”.7
O único pagamento que Deus aceitaria para o pecado seria a morte do seu próprio filho – o
Único que viveu uma vida completamente justa e cuja morte pela humanidade poderia, assim,
expiar os nossos pecados e tornar-nos justos.
Lição 121

Leia Romanos 5:6-11 e 3:21-24.


1. Como é que os versículos 6-8 descrevem a nossa condição de seres
humanos?
2. O que foi conseguido com a morte de Cristo, de acordo com os
versículos 9-10?
3. O que torna possível sermos declarados justos diante de Deus?

A morte de Cristo tornou possível a Deus declarar justa uma pessoa injusta. Deus
disponibilizou Sua perfeita justiça a cada um de nós, e estes versículos nos dizem que a
provisão da justiça é "separada da lei", ou de que se obtenha o cumprimento de seu padrão
perfeito. A Sua justiça nos é oferecida livremente, como um presente, na pessoa de Jesus
Cristo. Aquele que confia na morte de Cristo na cruz para a salvação é declarado justo diante
de Deus. Um antigo hino em inglês expressa este pensamento: "Nada trago em minhas mãos.
Simplesmente me agarro à Tua cruz".

A Singularidade do Cristianismo
Um estudioso da Bíblia fala do tempo em que um grupo de teólogos estava discutindo as
seguintes questões: Em que o cristianismo é diferente de todas as outras religiões? Existe
alguma coisa de original no cristianismo? Muitas sugestões foram oferecidas, mas nenhuma
parecia satisfatória. Nessa altura C.S. Lewis, um notável autor cristão e apologista, entrou na
sala e os outros o convidaram a participar da discussão. Quando ouviu as questões, Lewis
respondeu: "Oh, isso é fácil. É a graça".8
A graça é, de fato, aquilo que distingue o cristianismo das outras religiões do mundo.
Qualquer outra religião nos coloca num caminho infindável de obras. Somos chamados a
fazer algo, seguir algumas leis ou listas de instruções, a fim de ganharmos o amor, o favor, o
perdão ou a aprovação de Deus.
Alguém disse: "O cristianismo é a única religião que garante antecipadamente o
céu".9Qualquer religião diz: "Em primeiro lugar vejamos como é tua vida." O cristianismo
afirma que Deus oferece aos homens amor e perdão livre e incondicional, que devemos
apenas receber pela fé. O cristão não tem nada a oferecer a Deus e só pode clamar pela Sua
misericórdia e graça.
Nossa salvação depende da graça de Deus e, este fato glorifica o próprio Deus como jamais
qualquer outra coisa o faria. Não podemos reinvindicar qualquer merecimento ou que
sejamos dígnos de sequer um milímetro de nossa salvação.

Reveja esta seção e escreva a sua própria definição de graça. Quais são alguns
dos resultados da graça de Deus na sua vida?

Recebendo o Dom da Salvação


No início desta lição fizemos a pergunta: O que é um cristão?
22Caminhando com Cristo

Tendo em mente a sua leitura anterior de João 3:1-18 e Romanos 3:21-24, leia e
reflita sobre João 1:1-12; 6:28-29, Romanos 4:1-8 e Efésios 2:1-10. Identifique
o que a seu ver sejam os temas ou conceitos chaves repetidos nestes versos que
possam contribuir para responder a esta questão.

Acreditar em Jesus significa confiar Nele e na Sua obra, confiando na verdade de que a Sua
morte e ressurreição pagaram a penalidade pelo nosso pecado. Tal fé Nele tira a nossa culpa
diante de Deus e restaura nossa relação eterna com Deus – tudo sem que tenhamos de fazer
algo além de crer em Jesus Cristo.
A fé não consiste em fazer alguma coisa (boas obras), mas em acreditar em alguém: confiar
em Cristo e depender da eficácia da Sua morte e ressurreição para nos salvar.
Os cristãos são aqueles que reconhecem a sua própria
pecaminosidade e incapacidade de salvarem-se a si Os cristãos são aqueles
próprios e vão até Cristo para receber o dom gratuito que reconhecem a sua
da salvação. Aqueles que se tornarem seguidores de própria pecaminosidade e
Cristo devem crer que Jesus morreu na cruz pelos incapacidade de salvarem-
seus pecados e ressuscitou, vencendo o pecado e a se a si próprios e vão até
morte e oferecendo a vida eterna como um dom Cristo para receber o dom
gratuito àqueles que confiam Nele como Salvador. gratuito da salvação.
Esta nova vida não é possível a não ser que seja
baseada na confiança na morte de Cristo e Sua
ressurreição.
Um cristão não é uma boa pessoa que seja capaz de agradar a Deus através das boas obras,
mas aquele que confia plenamente na obra de Cristo para a salvação. Precisamos entender
que somos incapazes de agradar a Deus ou produzir a nossa própria salvação por causa da
gravidade do nosso pecado e egocentrismo que nos separam de Deus. Precisamos ir a Deus,
crendo que Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar da nossa condição pecaminosa.
O simples passo de fé em Jesus Cristo como
O simples passo de fé em Salvador é o ato de resposta à graça de Deus que
Jesus Cristo como Salvador é nos coloca na família de Deus. A nossa salvação
o ato de resposta à graça de é um dom de Deus que não merecemos; chega
Deus que nos coloca na até nós pela graça de Deus, apenas através da fé
família de Deus. em Cristo. Precisamos apenas estender as nossas
mãos e receber o dom da justiça de Cristo.
O Novo Testamento deixa claro que a vida cristã
é uma vida que está disponível para aqueles que se conscientizam da sua condição
pecaminosa e necessidade de um Salvador, e acreditam que Jesus Cristo é o Filho de Deus
que morreu para salvá-los dos seus pecados e que ressuscitou dos mortos. Não há alguém tão
pecaminoso que não possa ser alcançado pelo amor e graça de Deus.

Consegue lembrar-se de quando aceitou a oferta da salvação de Deus?


Explique o que aconteceu.
Lição 123

Dedique tempo agora para agradecer a Deus pelo Seu


grande amor por você, por lhe estender a Sua graça, e
por fazer parte da Sua família. Peça-lhe para torná-lo
consciente de como você pode fazer o Seu nome
conhecido às outras pessoas que precisam conhecê-Lo.

Imagine que esteja falando com Robert, que foi mencionado na introdução e
queira dizer-lhe de uma forma simples como se tornar um cristão. O que lhe
diria? (Apresente Escrituras que confirmam sua resposta. Esteja preparado
para fazer uma dramatização deste acontecimento).

Vimos que o amor de Deus nos é oferecido, independentemente da nossa posição na


sociedade, da nossa etnia, raça ou do quanto pecamos.

Há Outros Caminhos Que Levam a Deus?


Muitas pessoas acreditam que há muitos caminhos para Deus. O importante, segundo os
defensores desta tese, é ser sincero naquilo em que se acredita. No entanto, o próprio Jesus
ensinou que Ele é o caminho para o Pai, e que não há outro caminho (Jo. 14:6). Ele também
se descreveu como a porta pela qual entramos, a fim de sermos salvos (Jo. 10:9-10). Lucas
relata a defesa de Pedro ao ser preso e inclui esta afirmação surpreendente sobre Jesus em
Atos 4:12: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro
nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”
Existe um nome e um único nome que é digno de ser invocado para a salvação: o nome
de Jesus Cristo. Algumas pessoas acham injusto que Deus exija que todas as pessoas se
cheguem a Ele através de Jesus Cristo. Mesmo assim podemos ver a grande misericórdia e
amor de Deus, quando se dispôs a enviar o Seu próprio Filho para morrer por um mundo
pecador e para nos providenciar um caminho para nos reconciliarmos com Ele.

Vivendo a Vida Cristã


Quando os crentes respondem pela fé ao dom gracioso da salvação divina, começa um
processo de prepará-los para o céu, de torná-los mais semelhantes a Cristo. Este processo de
crescimento para nos tornarmos como Cristo é chamado de santificação. É o processo de
nos tornarmos mais santos. Alguns dos seguidores de Cristo da igreja primitiva estavam
confusos sobre este processo. Rapidamente concluiram que deviam adicionar as suas próprias
boas obras à obra de Cristo, tanto para obter a salvação como para mantê-la.

Continuando a Vida Cristã pela Fé


À medida que os discípulos espalhavam as boas novas de Jesus Cristo, encontraram muitos
que interpretavam mal a oferta da salvação pela graça. Os judaizantes eram um grupo de
judeus do primeiro século que, pelo menos exteriormente, aceitou Jesus Cristo como seu
Messias, mas começaram a insistir que os convertidos não judeus precisavam participar de
alguns dos rituais judaicos estabelecidos, tais como a circuncisão, ou observar algumas das
leis judaicas, a fim de serem salvos. Ao adicionar alguns requisitos à salvação pela fé, os
judaizantes estavam dizendo que a fé em Cristo não era suficiente. Eles acrescentaram uma
24Caminhando com Cristo

condição: diziam que há coisas que um crente deve fazer além de crer em Cristo a fim de
merecer a salvação.
Muitos gentios na Galácia aceitaram o ensino dos judaizantes e muitos ficaram confusos
sobre o papel das boas obras e à obediência à lei. Paulo escreveu às igrejas na Galácia para
abordar este falso pensamento. Ele viu que o ensino dos judaizantes estava em oposição
direta à mensagem do cristianismo. Paulo lembrou aos crentes gálatas que a salvação é um
dom de Deus para todos os que crêem.
Em Gálatas 2:19 Paulo diz aos gálatas que o crente morreu para a lei. O que significa isto?
Um autor sugere que nós morremos para a lei de duas maneiras. Primeiro, nós já morremos
para a lei como um requisito para alcançar justiça diante de Deus. Em segundo lugar,
morremos para a maldição e condenação que resultava da nossa própria incapacidade de
obedecer á lei de um modo perfeito.10
Em Gálatas 2:20-21 Paulo descreve a maneira pela qual Cristo produz a Sua vida em nós. Ele
escreve: “Já estou crucificado em Cristo, e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a
vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no Filho de Deus.”
Esta nova vida não é para ser vivida pelos nossos
melhores esforços. É para ser vivida pela fé em Esta nova vida não é para
Cristo e na Sua dependência. É uma vida na qual ser vivida pelos nossos
nosso alimento espiritual e forças são extraídos do melhores esforços. É para
nosso relacionamento com Cristo. Jesus não só nos dá a ser vivida pela fé e
vida eterna, como Ele produz a Sua própria vida em nós dependência em Cristo.
enquanto vivemos a vida cristã na dependência de Cristo.

Leia Gálatas 3:1-4. Paulo reage fortemente nestes versículos, e diz aos Gálatas:
"O que aconteceu? Quem vos enfeitiçou?" Ele os chama de "insensatos".
1. O que foi que provocou esta forte admoestação de Paulo? De acordo
com o versículo 3, em que erro tinham caído os Gálatas?
2. Como diz Paulo que os Gálatas receberam o Espírito, e de qual maneira
deviam se aperfeiçoar?
3. Quais conclusões você pode tirar?

Paulo relembra que seriam aperfeiçoados espiritualmente da mesma forma que haviam
recebido a Cristo – respondendo a Deus pela fé, não através das boas obras. Note que estes
gálatas já eram cristãos "tendo começado pelo Espírito." As questões em jogo eram as
seguintes: como a vida cristã devia ser vivida e que papel as boas obras desempenham para
completar a salvação.
Em Gálatas 5:3 Paulo argumenta ainda que, quem quiser ser declarado justo por manter parte
da lei será obrigado a guardar toda a lei. Uma pessoa que está determinada a ganhar o céu
através das boas obras deve viver uma vida perfeita, sem um pecado sequer. Ninguém além
de Cristo, jamais foi capaz de cumprir este requisito. Só Cristo cumpriu a lei de Deus e
somente Cristo pode oferecer o sacrifício perfeito pelo pecado.
Hoje muitas pessoas estão tão confusas quanto os Gálatas sobre esta questão. Ao longo dos
séculos, muitos cristãos têm caído neste mesmo pensamento. Eles acreditam que, uma vez
Lição 125

que se tornam filhos de Deus, lhes cabe ganhar o favor e o amor contínuo de Deus pelas boas
obras. A vida cristã é muitas vezes vista como uma mistura da graça de Deus e do
desempenho pessoal. O resultado deste pensamento é colocar os cristãos numa esteira
de desempenho de boas obras. "Nós pregamos a graça ao que ainda não é cristão e o dever
ao cristão."11.
O resultado é que, muitas vezes, nós, cristãos, vivemos com a palavra "dever" apontada como
uma arma para nossas cabeças. Trabalhamos sob a ótica de que devemos alcançar o padrão de
Deus diariamente, o que nos deixa temerosos e inseguros. Podemos tender a ver Deus como
um tirano cruel. Nós nunca conseguiremos saber se conseguimos ou não realizar boas obras o
suficiente para ganhar o amor e a aprovação de Deus. A tendênia (TENDÊNCIA) será
vivermos sob uma nuvem de vergonha, sentindo a desaprovação ou decepção de Deus
enquanto nós continuamente ficamos aquém dos seus padrões.
Quando pecamos, sentimos vergonha de chegar até Ele para pedir perdão, imaginando que
esteja balançando cabeça, pensando: "Outra vez, não!" Podemos imaginar que Deus
realmente não queira ver as nossas caras outra vez, principalmente quando repetimos alguns
dos mesmos pecados vezes sem conta. Talvez sintamos que não podemos nos aproximar Dele
até que tenhamos nos purificado.
A verdade é: nunca seremos capazes de nos purificar a nós mesmos. "O grande erro
cometido pela maioria do povo do Senhor é a esperança de descobrir em si mesmo aquilo que
só pode ser encontrado em Cristo."12
Se acreditarmos que, apesar de sermos salvos pela graça, temos que nos esforçar para ganhar
o amor e o favor contínuo de Deus, poderemos ter a tendência de praticar boas obras e nos
envolver em atividades cristãs com o objetivo de ganhar o amor de Deus e manter a nossa
salvação. Assim, acreditamos que a nossa salvação é pela graça, através da fé, mas a nossa
santificação, o processo de nos tornarmos santos, deve ser realizado por nossas obras
individuais. Quando pensamos assim, a nossa experiência cristã pode tornar-se como um
dever demasiado pesado.
Estão os fiéis sob a obrigação de manter sua salvação ou ganhar o amor de Deus através de
boas obras? Em muitas das suas cartas, Paulo ensina que a nossa salvação é toda baseada na graça.
Permanecemos a cada dia na mesma graça que nos salvou (Rm. 5:1-2).

Leia Filipenses 1:6 e Hebreus 7:23-25. O que estes versículos ensinam sobre
completar o processo da salvação?

Em passagens como esta, Paulo nos lembra da


nossa total dependência de Deus para todo o Não só a morte de Cristo foi
processo de salvação, do começo ao fim. Não suficiente para obtermos a
só a morte de Cristo foi suficiente para obter a nossa salvação, a Sua vida é
nossa salvação, a vida de Cristo é suficiente suficiente para mantê-la.
para mantê-la. Como nosso intercessor e
mediador perpétuo, Cristo está de pé diante do
Pai vinte e quatro horas por dia, sete dias por
semana, garantindo que Deus sempre nos vê totalmente cobertos pela Sua justiça.
26Caminhando com Cristo

Do início ao fim, o processo da nossa salvação é realizada por Cristo. "Um dos segredos mais
bem guardados entre os cristãos de hoje é este: Jesus pagou tudo". 13 Cristo não só comprou o
nosso bilhete para o céu, Ele comprou o perdão completo dos nossos pecados, a nossa
identidade como filhos de Deus, o nosso lugar permanente na família de Deus.
John Newton, que foi um comerciante de escravos e teve uma vida de corrupção moral,
converteu-se a Cristo. Mais tarde ele escreveu a letra de um dos mais famosos hinos ingleses,
"Amazing Grace" (Maravilhosa Graça), no qual ele escreve acerca de uma graça tão poderosa
“que salvou um infeliz como eu." Newton compreendeu a sua condição impotente. Numa
linha, escreve ele, "Esta graça trouxe-me seguro até agora, e ela levar-me-á ao lar celestial."
Acreditamos nisto, ou acreditamos que os nossos próprios esforços em servir e agradar a
Deus nos levarão em segurança ao lar celestial?
Anteriormente descrevemos a salvação como o estender de nossas mãos para receber o
dom da justiça de Cristo. Agora podemos descrever a santificação como dependendo
diariamente da justiça de Cristo.
Assim, enquanto vivemos a vida cristã, veremos que vivemos esta vida diária olhando para
Deus e dependendo completamente Dele para a nossa salvação e santificação. A nossa
aceitação por parte de Deus e a possibilidade de podermos permanecer diante Dele são
baseadas unicamente no mérito de Jesus Cristo. A nossa base sólida para a vida cristã é Jesus
Cristo. Qualquer outro terreno é areia movediça.

Libertos para Servir


A constatação de que o nosso relacionamento diário com Deus se baseia no mérito infinito de
Cristo e não em nosso próprio desempenho, liberta-nos para servir a Cristo por amor e
gratidão. Em última análise, a graça faz com que as pessoas sirvam a Deus com maior
liberdade e muda a nossa vida como nada mais poderia fazê-lo. As boas obras são o resultado
natural de vivermos conscientes da graça enquanto desejamos agradar Àquele que nos deu
tanto amor.
Com base na compreensão clara que Paulo tem da graça de Deus, ele exorta a todos os
seguidores de Cristo a entregarem toda a sua vida a Deus (Rm. 12:1-2). Este ato de adoração
é a resposta que brota espontaneamente do cristão como resposta à graça de Deus.

Como é que a fé, as boas obras e a graça estão relacionadas com o modo que
vivemos a vida cristã?

Anote os seus pensamentos sobre as seguintes perguntas no seu caderno de


exercícios:
 Quando imagina Deus olhando para você, qual a expressão acha que
tem em Seu rosto? Tem a sensação de que Ele esteja decepcionado?
Imagina que Ele esteja franzindo a testa? Ou vê seus olhos cheios de
prazer e deleite? Por que acha isso?
 Acha que tende a procurar o favor de Deus com base no seu
desempenho?
 Por exemplo, sente-se mais "qualificado" para ir à Sua presença se tiver
lido a Bíblia ou realizado alguma coisa bondosa ou útil? Evita falar
Lição 127

com Ele quando sabe que pecou ou não fez o que deveria? O que é que
o impede de ir até Ele?
 Tem vivido a vida cristã numa busca incessante de realizações que
parecem não ter fim, ou tem lutado com a culpa e a vergonha por causa
de seus fracassos? Como esta lição esclareceu o seu pensamento sobre
o papel da graça de Deus na vida cristã? Como é que isso afeta a sua
motivação para servir a Deus?

Quando começamos a compreender o abranger magnífico da graça de Deus nas nossas vidas,
a nossa resposta é de gratidão e adoração.

Pare um pouco e gaste alguns minutos louvando a Deus


pelo que Ele fez por você. Reflita sobre a graça que lhe
concedeu e em como deseja responder a esta graça.

Pensamentos Finais
Nós passamos a fazer parte da família de Deus através de um encontro pessoal com Jesus
Cristo ao reconhecermos a condição pecaminosa que nos separa de Deus, e colocarmos a
nossa fé na obra de Cristo na cruz por nós. A nossa vida em Cristo repousa sobre Ele e na Sua
justiça, que é completamente transferida para nós.
O processo de nos tornarmos mais como Cristo também é baseado na Sua justiça, não na
nossa. Como cristãos, devemos continuar a viver pela fé em Cristo, dependendo Dele e
extraindo (O) alimento espiritual e fortaleza do nosso relacionamento com Ele. Ele não só
nos dá a vida eterna como produz a Sua própria vida em nós. Somos levados para o Reino de
Deus pela graça, somos santificados pela graça, e, em última análise, seremos glorificados
pela graça. Não é de se admirar que esta mensagem tenha sido rapidamente chamada de "a
boa nova."
28Caminhando com Cristo

NOTAS FINAIS
2LIÇÃO

Nossos Recursos Sobrenaturais


Alena nunca falta a um culto na igreja. Ela canta no coro e ensina crianças na Escola Bíblica
Dominical. Está sempre pronta a ajudar os que precisam e serve fielmente sempre que
necessário. No entanto, no seu íntimo, Alena luta com um sentimento de culpa. O seu marido
não é crente e ela, às vezes, perde a paciência e se zanga com ele. Ela se descontrola com os
seus três filhos e diz coisas das quais depois se arrepende. Às vezes ela sabe que está servindo
a Deus sem ser de todo o coração, talvez só porque outros esperam isso dela. Parece que ela
nunca consegue atingir o que Deus quer dela. Seu marido e filhos parecem estar também
insatisfeitos com ela. Parece que ela nunca dá o suficiente, faz o suficiente ou é suficiente. Às
vezes tem dificuldade de orar porque pensa que Deus deve estar desapontado com ela. Parece
que ela confessa os mesmos pecados vezes sem conta. À noite, deitada, mas bem acordada, às
vezes ela se questiona se é verdadeiramente crente. Sua vida é uma derrota.
Alguma vez você se sentiu como Alena? Como a ajudaria a lidar com os seus sentimentos de
culpa e desapontamento com as suas ações como crente? Enquanto estuda esta lição, procure
as verdades bíblicas que poderiam ajudar Alena.



Na Lição 1 vimos a base da nossa salvação. Examinamos muitas passagens bíblicas que
ensinam que a salvação é pela graça através da fé em Jesus Cristo. Aprendemos que é
baseada totalmente na obra de Cristo – o nosso alicerce firme. Deus olha para cada um de nós
como Seus filhos santos e aceitáveis por causa da obra de Cristo na cruz. A Sua justiça
providencia o único fundamento da nossa justificação diante de Deus.
Deus não somente providenciou o meio para a nossa justificação, como também providenciou
o meio da santificação – o processo de nos tornarmos santos – e os recursos que precisamos
para viver a vida cristã. Não encontraremos esses recursos em nós mesmos, mas nEle. Nesta
lição estudaremos a nossa identidade antes de conhecermos Cristo, a nossa nova identidade
como crentes e os recursos sobrenaturais que nos foram dados para vivermos a vida cristã.

Esboço da Lição
Nossa Vida antes de Cristo
Nossa Velha Identidade
Escravos do Pecado
Nossa Nova Vida em Cristo
Um Novo Modo de Vida
Uma Nova Identidade
29
Nossos Novos Recursos
O Caminho da Santificação
A Batalha Interior
O Resgate
O Poder do Espírito Santo em Nós
O Espírito Santo É Deus
O Espírito Santo É Uma Pessoa
O Espírito Santo nos Leva a Cristo
O Espírito Santo Habita em Cada Crente
O Espírito Santo Está Ativo na Vida de Cada Crente
Pensamentos Finais

Objetivos da Lição
Quando você tiver completado esta lição, será capaz de:
1. Identificar quais são as facetas mais encorajadoras da sua identidade como crente em
Cristo.
2. Resumir as novas facetas da vida do crente.
3. Resumir sua compreensão sobre a santificação.
4. Identificar nas escrituras os atributos e atos de Deus atribuídos ao Espírito Santo.
5. Descrever a obra do Espírito Santo na vida do crente e ser capaz de identificar aqueles
que são mais significativos para si.
6. Avaliar a sua resposta ao trabalho do Espírito Santo na sua vida.

Nossa Vida antes de Cristo


Aqueles que aceitaram a oferta da salvação de Cristo ao confiarem na sua obra na cruz
experimentam uma transformação interna, uma transformação tão dramática que é descrita
como passagem do reino das trevas para o reino da luz (João 5:24; Colossenses 1:13). De
fato, os crentes recebem uma identidade completamente nova, muito diferente daquela que os
caracterizava antes.

Nossa Velha Identidade


A natureza que cada pessoa herdou de Adão é mencionada na Bíblia como a nossa “carne” 14 e
na teologia como a nossa “natureza pecaminosa,” uma natureza egoista que é inimiga de
Deus (Romanos 8:5-8). Cada pessoa nasce com esta natureza, propensa ao pecado.
Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, as crianças não vêm inocentes ao mundo.
Ninguém precisa ensinar uma criança a ser egoísta (Sl. 51:5, Rm. 3:9-18). Paulo diz em
Romanos 3:10 que “Não há um justo, nem um sequer.”

Escravos do Pecado
Nós não somente viemos ao mundo com uma natureza pecaminosa, nós também
escolhemos pecar.
O incrédulo é descrito no Novo Testamento como sendo escravo do pecado e dos poderes das
trevas (Gálatas 4:8). Muitas vezes, as pessoas são tentadas a pensar no pecado em categorias,

30
Lição 231

os quais vão desde hábitos irritantes a atos terríveis de violência. Podemos estar inclinados a
pensar que os nossos "pequenos" pecados não se enquadram na mesma categoria de pecados
tais como assassinato, estupro, adultério ou roubo. No entanto, nós aprendemos na Lição 1
que todo pecado é uma afronta à natureza santa de Deus. Embora possamos ver certos
pecados, como o orgulho ou maledicência, como mais socialmente aceitáveis, Deus vê esses
mesmos pecados como uma abominação. Não importa o quão respeitável pareçamos ou quão
religiosamente agimos, a nossa natureza permanece pecaminosa em sua essência. Não há
esperança de melhorar a nossa natureza pecaminosa ou de erradicar completamente o seu
poder.
Há muitos exemplos na Bíblia que mostram forte controle da nossa natureza pecaminosa. Considere,
por exemplo, o povo de Israel, que havia sido resgatado da escravidão no Egito (uma figura da
salvação da escravidão do pecado). Moisés narra o momento em que ele foi chamado ao monte
Sinai para receber a lei de Deus. As pessoas no vale ouviram a voz de Deus vinda da montanha, que
estava em chamas. Eles tinham evidência da presença de Deus no Monte Sinai, visível, audível e
tangível, literalmente, dentro do seu campo de visão.

Leia Êxodo 32:1-4, 19. Quando Moisés desceu da montanha em chamas com as
duas tábuas de pedra na mão, o que ele encontrou? Que conclusões você pode tirar
deste acontecimento? De que formas pode se identificar com a experiência dos
israelitas?

Mesmo tendo ao fundo a deslumbrante vista da montanha em chamas, como lembrete visual
da presença real de Deus e da Sua santidade, o povo cometeu este grande pecado. No exato
momento em que Moisés recebia os Dez Mandamentos da parte de Deus, o povo de Israel
estava desobedecendo-os lá no sopé do monte. Quando Moisés quebrou as tábuas de pedra, o
seu gesto foi simbólico pelo fato de que os mandamentos de Deus já tinham sido quebrados.
Um olhar sobre o Antigo Testamento revela que a história do povo de Israel é uma história de
um triste fracasso, tanto pessoal como (COLETIVO) corporativo, da sua incapacidade de
seguir os preceitos de Deus ou amá-Lo com um coração indivisível. O mesmo acontece com
cada ser humano na face da terra. Mesmo sendo crentes, nós continuamos a lutar para
obedecer a Deus e amá-Lo com todo o nosso coração. Felizmente, Deus providenciou para
nós alguns recursos que nos permitem viver a vida cristã.

Nossa Nova Vida em Cristo


No momento em que alguém confia em Cristo para a salvação, algumas mudanças cataclísmicas
acontecem no íntimo dessa pessoa. Algumas pessoas experimentam uma avalanche de sentimentos
de alegria e uma libertação esmagadora do pecado. Outras sentem quase nada. No entanto, as
mudanças acontecem mesmo que sejam ou não acompanhadas por sentimentos; essas mudanças
não são baseadas em emoções, mas no propósito soberano de Deus.

Leia os seguintes versos e descreva as coisas novas que são verdadeiras sobre
crente. Como estas verdades afetam a sua vida no presente?
• Colossenses 1: 13
• 2 Coríntios 5:17-19
32Caminhando com Cristo

• Filipenses 3: 20
• Romanos 6:4
• Colossenses 3:9b-10

Em Colossenses 1:27 Paulo fala de um mistério que esteve oculto por séculos e das gerações
passadas, um mistério que Deus revelou a nós como crentes. Este grande mistério é "Cristo
em vós, a esperança da glória." A presença de Cristo vivo em nós, nos dá a maior esperança,
a esperança da glória.
Em Gálatas 2:20 Paulo escreve: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas
Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual
me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Estes versículos falam de uma verdade que é
transformadora, a verdade de que o próprio Cristo está em mim e vive a Sua vida através de
mim. No meu íntimo eu sou uma nova pessoa.
O Novo Testamento não só nos ensina que Cristo está em nós, como também ensina que estamos
"em Cristo." Participamos da Sua vida e desfrutamos de benefícios tremendos que Deus derrama
sobre nós como Seus filhos.

Leia Efésios 1:3-14 e faça uma lista das bênçãos que pertencem aos que estão em
Cristo.

Quando refletimos sobre a surpreendente verdade que Cristo está em nós e sobre a verdade de
que fomos transferidos para um novo reino de luz, chegamos rapidamente à conclusão de que
um novo modo de vida é necessário. Imagine uma criança pobre que foi adotada por um rico
poderoso. Ela desonraria o novo pai se continuasse a sair diariamente para as ruas como
(MENDIGO) mendigos ou se continuasse a vestir-se de trapos. Assim é conosco. Somos
chamados para um novo estilo de vida.

Um Novo Modo de Vida


Quando nos tornamos crentes, o nosso novo desejo de agradar a Deus resultará em algumas
mudanças grandes nas nossas vidas.

Leia Colossenses 3:1-17.


1. Como Paulo descreve o nosso estilo de vida anterior?
2. Como Paulo descreve o estilo de vida do crente?
3. Que conclusões pode tirar deste texto sobre a forma como esta mudança
acontece?

O Novo Testamento ensina que nós não apenas começamos a agir de forma diferente quando
nos tornamos cristãos; nós somos diferentes. Já morremos e a nossa vida está escondida em
Cristo com Deus (Cl. 3:3). Uma nova identidade está no centro do nosso novo estilo de vida
em Cristo.
Lição 233

Uma Nova Identidade


É dito do Santo Agostinho, um pai da igreja do quarto século, que depois de se converter,
encontrou uma antiga amiga na rua. Ela o chamou várias vezes, mas ele não respondeu.
Finalmente, ela gritou: "Agostinho, sou eu!" Santo Agostinho então respondeu: "Sim, mas já
não sou mais eu."15
Como crentes, temos uma nova identidade. Nós não somos mais quem costumávamos ser, e
este fato deve ter um efeito radical na nossa maneira de viver.
Paulo fala de um aspecto da nova identidade do crente em Romanos 6:1-11. Depois de ouvir a
explicação de Paulo sobre a salvação pela graça somente, alguns crentes romanos foram tentados a
pensar que, se a salvação é totalmente pela graça, poderiam muito bem continuar a pecar, pois a
graça seria multiplicada onde o pecado fosse maior.

Leia Romanos 6:1-11. Resuma o ensinamento de Paulo nestes versículos.

A base da nossa nova identidade é a nossa relação com o Cristo ressuscitado. Os crentes
estão unidos a Cristo na Sua morte, sepultamento e ressurreição, elevados a uma nova esfera
de vida em Cristo. Nós estamos unidos a Cristo, que é imortal e eterno. Ele é a nossa vida e a
fonte da nossa nova identidade. A Sua justiça e a Sua vida nos pertencem. Não somos mais
escravos do pecado. Como crentes somos indentificados por estas verdades sobre nós.
Vivemos a partir desta nova identidade.
Muitas promessas do Novo Testamento nos lembram da nossa nova identidade e nos
encorajam a viver com uma compreensão completa da mesma. Leia a seguir os aspectos da
identidade do crente em Cristo:

Quem Eu Sou em Cristo


Eu sou filho de Deus, faço parte da Sua família (Jo. 1: 12; 1 Pe. 2:9).
Fui escolhido n’Ele, antes da fundação do mundo para ser santo e irrepreensível diante d’Ele
(Ef. 1:4).
Tenho a redenção através do Seu sangue (Ef. 1:7).
Fui perdoado e purificado de todos os meus pecados (Cl. 1: 13-14; 1 Jo. 1:9).
Fui declarado justo por Deus e tenho paz com Deus (Rm. 5:1).
Fui reconciliado com Deus (Rm. 5: 10).
Fui selado n ’Ele com o Espírito Santo da promessa (Ef. 1:13).
Faço parte do povo escolhido de Deus, o sacerdócio real, a nação santa (1 Pe. 2:9).
Fui predestinado para ser conforme a imagem de Jesus (Rm. 8: 29).
Sou co-herdeiro com Cristo (Rm. 8:17).
Passarei a eternidade na presença de Deus (Fp. 3: 20-21; Cl. 3:4).

Às vezes, lemos uma lista semelhante e somos capazes de dar um parecer mental favorável,
sem realmente compreender as implicações destas verdades para nossas vidas. Que diferença
34Caminhando com Cristo

faz aos fiéis quando eles começam a viver baseados na sua identidade em Cristo e aplicam
estas verdades às suas situações diárias.

Porque Estou em Cristo...


Sou profundamente amado mesmo quando não me sinto amado (Cl. 3: 12).
Nada pode me separar do amor de Cristo (Rm. 8: 38-39).
Sei que Ele me criou tal como sou mesmo quando não consigo me aceitar
(Sl. 139:13-15).
Deus está no processo de me conformar à imagem do Seu próprio Filho
(Rm. 8:29).
Sou perfeito n’Ele mesmo quando me sinto fraco e inadequado (Cl. 2: 10).
Ele me deu tudo o que preciso para a vida e piedade (2 Pe. 1:3).
Posso depender da Sua força (Fp. 4: 13).
Sei que Ele está sempre comigo mesmo quando me sinto só (Sl. 139:5-12).
Tenho acesso ao Pai através da oração (Hb. 10: 19).
Ele nunca me abandonará (Hb. 13:5; Sl. 27:10).
Não preciso ficar ansioso por coisa alguma e que posso ter a Sua paz mesmo
quando estou preocupado (Fp. 4:6-7).
Eu posso entregar-Lhe os meus anseios (1 Pe. 5:6-7).
Posso confiar n’Ele para cuidar de mim mesmo quando sinto medo (Sl. 91).
Ele está comigo em cada provação que enfrento (Is. 43:1-3).
Tenho poder sobre o pecado através Espírito Santo mesmo quando sou tentado a fazer o mal
(Rm. 6:14).
Posso escolher entre servir o pecado ou servir Deus (Rm. 6:1).
Sou totalmente perdoado dos pecados do passado, do presente, e do
futuro mesmo quando me sinto condenado (Cl. 2:13-14).
Eu não enfrentarei condenação (Rm. 8:1).
Eu estou debaixo da Sua misericórdia (1 Pe. 2:10).
Sei que Ele está trabalhando para que tudo dê certo na minha vida mesmo quando sinto
vontade de desistir (Rm. 8: 28).
O meu sofrimento atual não se compara com a glória que experimentarei
na Sua presença (Rm. 8:18).

A vida cristã é, então, o processo de nos conformarmos a nossa verdadeira posicao, nos
amoldarmos à nossa nova identidade e de refletirmos o novo Espírito no qual vivemos. A
verdade da nossa nova identidade precisa tornar-se uma convicção inabalável de nossos
corações. Devemos sempre lembrar-nos que já não somos quem éramos.
Esta nova identidade é agora nossa verdadeira identidade e, uma compreensão da mesma é
essencial para o crente. Um exemplo da natureza ilustra esta verdade. Um estudo sobre as folhas
revela que elas realmente não mudam de cor no outono. Em vez disso, a clorofila, que serviu como
camuflagem para a folha aos poucos desaparece, e a folha é na verdade revelada no outono na sua
verdadeira cor – vermelha, amarela ou laranja. Esta verdadeira identidade estava lá o tempo todo,
Lição 235

sem ser revelada. Do mesmo modo, há muitos crentes que vivem sem uma consciência da sua
verdadeira identidade em Cristo.

Analise as mudanças na vida do crente e encontre maneiras de compartilhá-las


com alguém como Alena. Resuma cada um destes aspectos da "nossa nova vida
em Cristo" de modo que possa compartilhar com Alena para encorajá-la.

Faça uma revisão da seção "Nossa Nova Vida em Cristo." Como é que estas
verdades afetam sua vida e suas escolhas como crente? Anote quais aspectos da
sua identidade em Cristo são mais estimulantes para você. Da seção "Porque
Estou em Cristo" identifique quais destes pensamentos servem de conforto para
você, ajudando-o a prosseguir na vida cristã.

Tome algum tempo para refletir sobre estas verdades a


respeito da sua nova vida em Cristo e da sua identidade
como um seguidor de Cristo e agradecer a Deus pelo que
Ele lhe tem dado em Cristo.

Nossos Novos Recursos


Não basta apenas nos concientizarmos da
nossa nova vida e verdadeira identidade, como
também é essencial que estejamos cientes dos
recursos que Deus nos deu para vivermos a
vida cristã. Conta-se uma história de um
mendigo que herdou um milhão de dólares de
um parente rico, mas que continuou a viver na
rua numa situação de pobreza miserável.
Embora ele tivesse agora os recursos
necessários para viver em conforto, este
homem nunca foi ao banco fazer uma única retirada da riqueza que havia sido transferida
para sua conta.
Há muitos cristãos que vivem a vida mais ou menos assim, sem compreender e apropriar-se
dos ricos recursos que nos foram dados "em Cristo" os quais nos permitem viver a vida cristã
e crescer em santidade. Este processo de crescimento em piedade é o que a Bíblia chama
de santificação.
Em 2 Pedro 1:3 Pedro diz que o poder de Deus "nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e
à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou para sua própria glória e
virtude." Este versículo nos assegura que temos todos os recursos de que precisamos para
viver uma vida piedosa. Nós estamos unidos a Cristo. Temos uma nova identidade e uma
nova vida dentro de nós. Não só isso, temos a própria pessoa de Deus habitando dentro de
nós.
Precisamos descansar em Cristo e no poder do Espírito Santo para que mais da nossa nova vida seja
revelada. Cristo diz: "Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva fluirão do seu
36Caminhando com Cristo

ventre"(Jo. 7:38). A água viva – o Espírito Santo – está dentro de nós. Nele temos uma rica fonte de
vida e força que continuamente se reabastece.

Enquanto lê o resto desta lição, observe o que aprendeu sobre a santificação: o que
é, como ela ocorre, e quem está envolvido. No final da aula faça um resumo breve
da sua compreensão de santificação.

O Caminho da Santificação
O alvo de Cristo é apresentar cada crente a Deus como santos, imaculados e irrepreensíveis (Cl.
1:22). Como podemos nos tornar santos? A Bíblia fala de dois tipos de santidade. O primeiro é a
santidade que já possuímos em Cristo pela fé. O segundo é uma santidade que aumenta dia a dia
dentro de nós enquanto crescemos no nosso amor a Deus e andamos segundo o Espírito.

Leia Hebreus 10: 10-14. O que o autor afirma sobre os crentes?

O autor fala aqui do fato de que já somos santos como


Ambos os aspectos da crentes, porque a santidade de Cristo foi imputada a nós.
santidade baseiam-se No entanto, todo crente passa por um processo de
no trabalho de Cristo crescimento em santidade. Ambos os aspectos da santidade
– o qual é a nossa baseiam-se na obra de Cristo, o qual é a nossa santidade.
santidade. Quanto mais ponderarmos sobre esta verdade, mais nos
libertaremos dos esforços próprios para agradar a Deus. Em
vez disso, vamos começar a depender mais e mais da vida
de Cristo e Sua justiça.

A Batalha Interior
Enquanto ponderamos sobre o processo da santificação, do crescimento que nos mais
semelhantes a Cristo, precisamos estar cientes de que somos incapazes de produzir o
(CARÁTER) carácter cristão em nós mesmos. Na Lição 1 imaginamos a salvação como o
ato de agarrar um colete salva-vidas que nos é oferecido. Depois de nos apropriarmos do
colete salva-vidas da salvação em Cristo, muitos de nós somos tentados a retirá-lo e tentamos
nadar por nós mesmos no imenso oceano.
Precisamos estar convencidos de que os nossos próprios recursos são totalmente inadequados,
não só para a salvação, mas também para viver a vida cristã. Podemos ter as melhores
intenções, mas a capacidade de viver esta vida de uma maneira que agrada a Deus e Lhe traz
a glória, não está em nós (Rm. 7:14-23). Muitas vezes, os crentes ficam decepcionados ao
descobrir que, apesar de terem recebido o dom divino da salvação, ainda lutam com o pecado.
Paulo trata esta questão em Romanos 6 e 7.
Leia Romanos 6:12-23. Paulo ensina nesta passagem que, embora o crente tenha morrido
para o poder do pecado, a natureza do pecado permanece indissoluvelmente ligada a este
corpo carnal. Não importa o quanto tentemos como cristãos, nunca seremos capazes de
melhorar a nossa natureza pecaminosa. A nossa carne sempre será carne. É por isso que
mesmo o cristão maduro às vezes pensa o pior ou deseja realizar ações que estão em total
Lição 237

oposição à vontade de Deus. Paulo declara que o pecado não tem domínio sobre o crente
como antes (v. 14). Nós éramos escravos do pecado, mas Deus nos libertou (vv. 16-18), e
tornamo-nos escravos da obediência, a qual conduz à justiça. Portanto, devemos apresentar
nossos corpos como escravos para a justiça (v. 19).
Em termos práticos, isto significa que agora temos a
O pecado continua a ser
opção de dizer sim ou não ao pecado. O pecado
uma grande força de
continua a ser uma grande força de oposição nas
oposição nas nossas vidas,
nossas vidas, mas o pecado não é mais o dono a quem
mas o pecado não é mais o
devemos obedecer. O senhorio do pecado sobre nós
dono a quem devemos
foi quebrado. Temos agora a opção de obedecer. A
obedecer. O senhorio do
qualquer momento podemos escolher servir o pecado
pecado sobre nós foi
ou a Deus. É impossível dedicarmo-nos a ambos, o
quebrado.
pecado e a justiça ao mesmo tempo.
Alguns têm interpretado as declarações de Paulo no
sentido de que podemos chegar a um estado tal de
santidade que jamais cometeremos pecado.

Leia 1 João 1:8-10, Tiago 3:2 e Filipenses 3:12. Como estes versos refutam a
possibilidade de perfeição na vida do crente?

Paulo fala de estarmos mortos para o pecado (Rm. 6:11), e que o senhorio do pecado sobre os
crentes foi quebrado. Ele reconhece que o poder do pecado ainda está presente em nós e que
temos de escolher constantemente nos apresentarmos a Deus para a justiça. Há diferença entre um
crente que comete um pecado e aquele que vive e se deleita no pecado.

Leia Romanos 7:14-24. Paulo narra o dilema do cristão, que agora se encontra
com um conflito interior entre a sua natureza pecaminosa e sua nova vida em
Cristo.
1. Resuma como Paulo descreve a sua luta.
2. O que se pode concluir com isto?

Paulo captou nestes versos o desânimo e a decepção que certamente todo crente enfrenta, a
consciência do desejo de fazer o bem e da forte tentação de fazer o mal. Note que nos
versículos 20-21, Paulo diz: "Ora, eu faço o que não quero, já não o faço eu, mas o pecado
que vive em mim. Acho então esta lei em mim que, mesmo querendo eu fazer o bem, o mal
está comigo."

O Resgate
Paulo conclui com um brado a sua própria desesperadora miséria diante deste dilema. "Quem
me livrará do corpo desta morte?" Ele reconhece a gravidade do problema: na realidade a
morte está nele, nos próprios membros do seu corpo. Se a carta de Paulo aos Romanos
terminasse aqui, seríamos os crentes mais miseráveis, mas Paulo continua a bradar: "Graças a
Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor!" Ele reconhece que Deus é o único que pode salvá-lo e
que esse resgate foi de fato já realizado na morte e ressurreição de Seu Filho.
38Caminhando com Cristo

O Poder do Espírito Santo em Nós


A nossa vitória sobre a penalidade e poder do pecado foi alcançada através de Cristo. Para nos
ajudar na batalha contínua contra a nossa natureza pecaminosa e contra Satanás, foi-nos dado o
recurso da própria pessoa de Deus para habitar em nós.

Leia Romanos 8:1-8.


1. O que a morte e ressurreição de Cristo realizou para o crente (vv. 1-4)?
2. Nós temos uma escolha. Qual é?

A boa notícia que contradiz esta situação desesperadora descrita em Romanos capítulo 7, é
que, apesar da guerra que se trava dentro do crente e da contínua presença da natureza do
pecado, nós, como crentes, nunca iremos enfrentar a condenação eterna. Quando Jesus
morreu, Ele levou sobre Si esta condenação e nos libertou da responsabilidade de guardar a
lei para a salvação. O crente está agora, como diz Paulo, "no Espírito," separado da esfera do
pecado e da morte. Agora podemos caminhar e crescer em santidade porque em nós habita o
Espírito Santo.
Ele nos incita a, como crentes, focarmos as nossas mentes no Espírito. Em Romanos 8:9-11
ele diz que o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dos mortos habita em nós, e que este
Espírito que habita em nós também dará vida aos nossos corpos mortais. Que verdade
surpreendente e transformadora para se contemplar, que Aquele que tinha poder para
ressuscitar o Filho de Deus de entre os mortos vive dentro de nós. Que recurso maior poderia
Deus nos dar para conseguirmos viver a vida cristã?
Ele nos deu Deus, o Espírito Santo, para viver dentro de nós, para nos dirigir e ensinar. Se o
Espírito é capaz de ressuscitar nossos corpos mortais, em estado de decomposição, quanto
mais será Ele capaz de mortificar as obras da nossa velha natureza.
Um dia seremos livres da nossa natureza pecaminosa e nossos corpos serão glorificados. Até que
chegue esse dia, continuaremos a lutar com a nossa velha natureza. No entanto, o Espírito dentro de
nós, que é vida, está sempre presente para nos ajudar.

Descreva a sua experiência ou luta com a natureza pecaminosa. Em que áreas se


identifica com Paulo quando ele diz: "Pois não faço bem que eu quero, mas o
mal que não quero, esse pratico"? Que tipo de ajuda ou incentivo para este
dilema descobriu nesta seção?

É importante que nós tenhamos uma imagem clara dos recursos poderosos que Deus tem
dado a nós como seus filhos na pessoa do Espírito do próprio Deus. O Espírito Santo tem sido
muitas vezes mal compreendido e deturpado, tanto historicamente como nos dias de hoje.
Vamos examinar o que a Bíblia ensina sobre o Espírito Santo e a Sua relação com a vida
crente.

O Espírito Santo É Deus


O Espírito Santo é descrito nas Escrituras como possuindo os atributos ou qualidades de Deus. Em
Atos 5:3-4 mentir para o Espírito Santo é igual mentir a Deus.
Lição 239

Leia estes versículos e diga qual atributo de Deus é dado ao Espírito Santo em
cada versículo:
1. Lucas 1:35; Mateus 12:28
2. Salmo 139:7-13
3. 1 Coríntios 2:9-11
4. João 16:13
5. Hebreus 9:14

Além de possuir os atributos de Deus, o Espírito Santo também recebe o crédito pela realização de
certas obras que são comumente atribuídas a Deus.

Leia os seguintes versículos e diga que ato é atribuído ao Espírito Santo em cada
versículo.
1. Gênesis 1:2
2. João 3:5-8; Tito 3:5
3. Romanos 8:11
4. 2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1:21

O Espírito Santo também está relacionado com o Pai e o Filho em vários momentos ao longo
do ministério de Jesus, sobretudo no batismo de Jesus (Mt. 3:16-17), onde o Espírito
apareceu na forma de uma pomba, enquanto a voz do Pai declarou Jesus como o Seu Filho
amado. Em várias passagens o Espírito Santo está associado ao Pai e ao Filho com base na
igualdade (Mt. 28:19-20).
Por ser plenamente divino, o Espírito Santo é digno da mesma honra e reverência devida ao
Pai e ao Filho. Infelizmente, ao longo da história e nos dias de hoje o Espírito Santo tem sido
muitas vezes mal compreendido. Várias heresias nos primeiros anos da história da Igreja Lhe
atribuiram um estatus menor do que o de Deus Pai e Deus Filho.
Precisamos ter cuidado para evitar qualquer desequilíbrio, qualquer interesse
desproporcionado a qualquer Pessoa da Trindade, em detrimento das outras. "O
relacionamento entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo é tão próximo, a união tão íntima e
indissolúvel, que é impossível desonrar o Filho sem também desonrar o Pai e o Espírito
Santo."16

O Espírito Santo É Uma Pessoa


O Espírito Santo é uma pessoa que possui todas as qualidades referentes a uma
personalidade. Ele não é apresentado como uma influência abstrata, uma força vaga, ou uma
energia. Por ser uma Pessoa, o Espírito Santo é alguém com quem podemos ter um
relacionamento pessoal.
A nossa tendência pode ser pensar sobre Cristo de forma mais pessoal do que pensamos sobre
o Espírito. É mais fácil pensar em Jesus como uma pessoa porque Ele tomou a forma de
40Caminhando com Cristo

homem. No entanto, a essência da personalidade envolve emoções, intelecto e vontade.


Podemos ter um relacionamento pessoal com o Espírito Santo da mesma forma que podemos
ter um relacionamento pessoal com Cristo.

O Espírito Santo nos Leva a Cristo


Jesus ensinou que o Espírito Santo tem um papel fundamental na conversão de cada crente.
Sem a obra do Espírito Santo, que convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo.
16:8-11), ninguém jamais seria convertido. Na Lição 1 vimos o encontro de Jesus com
Nicodemos, um Líder religioso judeu. Jesus deixou claro que o renascimento espiritual é um
evento sobrenatural e que o Espírito Santo é o agente (Jo. 3:5-6; Rm. 5:5).
A implicação disto é que precisamos invocar o Espírito Santo e confiar nele para convencer os nossos
entes queridos da sua necessidade de salvação e de abrir os seus olhos para a verdade do amor de
Deus por eles.

Como você tem dependido do Espírito Santo ao orar para que outros venham a
Cristo e como os evangeliza?

O Espírito Santo Habita em Cada Crente


No final do ministério terreno de Jesus, ao se reunir com seus discípulos no cenáculo na noite
antes de ser crucificado, Ele os confortou com estas palavras: "E eu rogarei ao Pai, e ele vos
dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; O Espírito da verdade, que o
mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque
habita convosco, e estará em vós." (Jo. 14:16 -17).
Jesus prometeu aos Seus seguidores que Ele enviaria o Espírito Santo para realmente habitar
neles. Jesus, no Seu corpo terreno não podia estar em todos os lugares, assim, sua influência
era externa e limitada ao ambito dos locais onde estava. Quando Jesus subiu ao céu, Ele disse
aos discípulos que esperassem a vinda do Espírito Santo, o qual lhes daria o poder para serem
suas testemunhas (At. 1:4-8). Esta promessa foi cumprida no dia de Pentecostes, quando os
cento e vinte discípulos receberam o Espírito Santo. Pedro pregou um sermão naquele dia ao
qual responderam três mil pessoas com arrependimento e fé e elas também receberam o
Espírito.
Quando uma pessoa responde ao dom de Cristo da salvação pela fé, essa pessoa recebe o
perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo ao mesmo tempo. A presença do Espírito é o
sinal de que uma pessoa pertence a Cristo (Rm. 8:9). Cada crente possui o Espírito Santo em
si mesmo, um recurso interno que excede em muito a presença limitada de Cristo.

O Espírito Santo Está Ativo na Vida de Cada Crente


Depois que passa a residir dentro de nós, o Espírito Santo começa a Sua obra de tornar-nos
santos. A presença ativa do Espírito Santo na vida do crente é o poder que traz a
transformação e o crescimento no carácter cristão. Do início ao fim o Espírito Santo está
ativo no processo da nossa salvação.
Além do Seu papel como agente de regeneração, o Espírito continua a Sua obra dentro de
nós. Ele nos ajuda a superar os nossos hábitos pecaminosos e produz em nós um conjunto de
Lição 241

qualidades que são referidas coletivamente como o "fruto do Espírito" (Gl. 5:22-23). Estas
qualidades são resultado da obra sobrenatural do Espírito em nós.
A influência e o impacto do Espírito Santo na vida do crente podem ser vistos nas muitas atividades
que Lhe são atribuídas.

Leia os seguintes versículos e descreva a atividade ou o papel do Espírito na vida


do cristão. Como você experimentou o Espírito Santo trabalhando em sua vida em
cada uma das seguintes áreas?
1. João 14:26
2. João 15:26
3. João 16:13
4. Atos 1:8
5. Atos 9:31
6. Romanos 5:3-5
7. Romanos 8:13-14
8. Romanos 8:15-17
9. Romanos 8:26
10. Romanos 15:13
11. 1 Coríntios 2:9-13
12. 1 Coríntios 12:7-11
13. 2 Coríntios 1:22; Efésios 4:30

Estes ministérios na vida do crente são essenciais para o processo da santificação. O Espírito
Santo é aquele que traz a nossa santificação. A vida em Cristo é chamada de vida no Espírito.
O andar no Espírito. Qual é a nossa responsabilidade ao vivermos a vida cristã? Em muitas
passagens do Novo Testamento, como Romanos 8:1-17, Gálatas 5:16-26 e Efésios 5:15-21,
Paulo ensina a verdade que nós, os crentes, não estamos mais no reino da carne, mas no reino
do Espírito (Rm. 8:9). Esta verdade leva Paulo a nos exortar: “Agora, vivamos como ele.
Andemos no Espírito.”
Andar no Espírito é o processo diário de escolher, fazer e pensar nas coisas que estão em
harmonia com o Espírito, ao invés da carne. Ao fazermos isso, damos provas da presença e
poder do Espírito dentro de nós. E ao optarmos por andar no Espírito, crescemos em
maturidade espiritual, permeados com aquilo que é piedoso e santo – o caráter do Espírito.
Impedir o Espírito Santo (entristecer e extinguir o Espírito). Paulo deixa claro que
podemos impedir o ministério do Espírito Santo nas nossas vidas. Duas palavras no Novo
Testamento descrevem como pode ocorrer este (EMPECILHO) impecílio: "entristecer" (Ef.
4:30) e "extinguir" (1 Ts. 5:19). Extinguir é como abafar ou subjulgar. Assim, podemos
reprimir o Espírito Santo nas nossas vidas e impedi-lo de trabalhar.
42Caminhando com Cristo

Quando o crente diz não a algo que o Espírito está dizendo sim, fica evidenciada a extinção do
Espírito. Quando o crente contraria a Palavra de Deus, dizendo sim a algo que a Palavra diz não,
entristece o Espírito. Podemos fazer escolhas que entristeçam ou apagar o Espírito, ou podemos
fazer escolhas que permitem que Ele trabalhe em e através de nós.

Pense em algumas escolhas que fez e que podem ter impedido ou apagado a ação
do Espírito Santo na sua vida.
Anote-as no seu caderno. Anote algumas escolhas que permitiram que Ele
trabalhasse em e através de você.

O Selo do Espírito Santo no Crente. O Novo Testamento ensina que o crente é selado com o Espírito Santo. O conceito de um selo é uma

metáfora comercial, proveniente de transações comerciais no mundo antigo. No primeiro século um selo era muitas vezes colado em

documentos ou objetos. Muitas vezes, um carimbo ou logotipo gravado era feito em cera, que ostentava um desenho ou selo do proprietário

ou do remetente. No que diz respeito à lei, um selo validava um documento ou garantia a sua autenticidade. A presença de um selo mostrava

autenticidade e propriedade.17

Leia 2 Coríntios 1:21-22 e Efésios 1:13-14.


Como Paulo descreve os crentes? Como o Espírito Santo é descrito nestas
passagens?

Nestas duas passagens e em Efésios 4: 30 Paulo indica que o Espírito Santo é dado aos
crentes como penhor ou sinal de sua redenção final. O Espírito Santo é o selo, pelo qual Deus
marca e reinvindica cada crente como sendo Seu. Deus os confirma, selando-os com o
Espírito Santo como garantia do um futuro seguro. O Espírito é quem garante que o crente
vai completar todo o processo de salvação – da justificação à santificação até à glorificação
final.
Ao dar o Espírito Santo, Deus se compromete a cumprir o
Seu contrato, a Sua aliança com os crentes. Este contrato O Espírito Santo é
começa com a salvação e terminará quando os crentes quem garante que o
receberem os seus corpos glorificados. Os seres humanos crente vai completar
podem quebrar um contrato, porém Deus nunca quebra a todo o processo da
aliança com o Seu povo. Portanto, a nossa glorificação futura salvação.
está segura. Que garantia maior poderíamos ter do que
possuir o Espírito do próprio Deus?
O Espírito leva o crente em segurança para casa. Os
ensinamentos de Jesus frequentemente tranquilizavam os discípulos quanto à natureza eterna
da salvação.
Em João 14:16-17 Jesus disse que o Consolador que Ele enviaria estaria conosco para
sempre. Habitando em nós perpetuamente e selando-nos até que nossa salvação seja
completa, o Espírito Santo garante que nunca nos afastaremos ou escaparemos das mãos de
Deus.
A Bíblia ensina que, como crentes, podemos estar seguros sabendo que pertencemos a Deus e
somos membros permanentes da Sua família. Algumas pessoas nos acham presunçosos ou
Lição 243

arrogantes por afirmarmos saber que estamos eternamente salvos. Na verdade, seria arrogante se
tivéssemos alguma coisa a ver com a garantia da nossa salvação. Mas lembre-se que em Efésios 2:8-
9 Paulo diz: "ninguém se glorie." Por quê? O ato de auto gloriar-se está excluído porque a nossa
salvação é totalmente um dom de Deus e não se baseia nos nossos próprios esforços (Romanos 4:1-
5).

Leia 1 João 5:11-13 e João 5:24. O que estes versículos adicionam à sua
compreensão da salvação?

Note que João diz: "Você pode saber que tem a vida eterna." Ele não diz: "Pode ter
esperança" ou "Pode estar mais ou menos certo." As palavras "não entrará em condenação"
em João 5: 24 nos diz, com efeito, que "não é possível de maneira alguma ser condenado."
Que maravilhosa garantia João dá aos crentes nestas duas passagens: "Quem tem o Filho tem
a vida" e "passou da morte para a vida." Os crentes não têm que esperar ou ter mais ou menos
a certeza de que já têm a vida eterna. João diz que é uma posse presente!
Encontramos esta mesma verdade expressa em Romanos 8:1: "Portanto, agora, nenhuma
condenação há para os que estão em Cristo Jesus." Isto significa que os crentes nunca irão à
presença de Deus para serem julgados no que diz respeito ao seu direito de entrar no céu ou à
adequação da justiça de Cristo como seu fundamento para a salvação. Como crentes
estaremos diante do tribunal de Cristo, onde as nossas obras serão avaliadas para determinar a
natureza da nossa recompensa no céu, mas as obras não irão desempenhar qualquer papel
quanto à nossa entrada no céu. Essa passagem foi pré-paga pelo próprio juiz, Jesus Cristo.
É importante para os crentes entenderem esta verdade e lembrar-se dela sempre que surgirem
dúvidas. De fato, as verdades bíblicas apresentadas nesta lição são verdades chaves que
Satanás quer distorcer ou confundir nas nossas mentes. Satanás quer que duvidemos da
provisão eterna de Deus para nossa salvação. Ele também quer desencorajar os fiéis,
lembrando-nos frequentemente da velha identidade e convencendo-nos de que estamos
aquém dos padrões de Deus e de que devemos nos esforçar mais para (AGRADÁ-LO)
agradar-Lo.
Outra maneira de ataque diz respeito aos recursos para nosso crescimento em santidade. Satanás
continuamente lança pensamentos que sugerem estarmos sozinhos, que não é possível mudar nossa
maneira de ser e que nunca seremos bons o suficiente. Estes pensamentos não são os pensamentos
de Deus a nosso respeito. Devemos estar firmemente enraizados nas verdades sobre nossa nova
identidade em Cristo e sobre nosso novo poder, pois, somente assim poderemos usar estas verdades
como uma arma espiritual para repelir os ataques do diabo.

Quais ataques de Satanás você tem enfrentado em uma ou mais das áreas
mencionadas acima? Como poderia mudar seu pensamento em relação às
verdades apresentadas nesta lição?

Leia João 10: 27-29 e Romanos 8:38-39. Quais garantias encontra nestes
versículos?
44Caminhando com Cristo

As palavras de Cristo são muito reconfortantes. Podemos estar seguros da nossa salvação,
sabendo que não só somos selados com o Espírito que em nós habita, mas que estamos nas
mãos firmes tanto do Filho quanto do Pai. Note que Cristo diz que nunca pereceremos. A
vida que Ele nos dá é eterna e flui da vida do próprio Cristo, tem valor infinito, não só para
nos salvar, mas para nos impedir de cair.
Estamos agora permanentemente revestidos com a justiça de Cristo e podemos nos aproximar
de Deus com base no sangue de Cristo, que nos limpou de todo pecado e na justiça de Cristo,
que nos permite estar na presença de Deus. Haveria algo que pudéssemos fazer para tornar
melhor este sacrifício perfeito ou para impedir que o mesmo seja dissipado?
Muitos cristãos têm dificuldade em crer nesta verdade e se preocupam achando que Deus os
rejeitará toda vez que pecam. Este medo está baseado na má compreensão da graça de Deus,
da natureza do sacrifício de Cristo e da vida ressurreta que o crente possui.
A vida eterna é eterna. Se acreditarmos que perdemos a salvação quando pecamos, estamos
dizendo logo de início, que o sangue de Jesus não foi suficiente para cobrir todos os nossos pecados.
Quando continuamos tentando pagar pela nossa salvação, mostramos o quão pouco nós
compreendemos a respeito da graça e do amor incondicional. Isto é equivalente a ir ao banco e
tentar fazer um pagamento de um empréstimo que já foi carimbado como "Totalmente Pago." Deus
quer que experimentemos a liberdade e a alegria que resulta do reconhecimento de que nossa
dívida foi completamente paga.

Decore dois versículos que irão ajudá-lo a ter confiança sobre a natureza
eterna da sua salvação.

Reveja a obra do Espírito Santo na vida do crente, e gaste algum tempo


para analisar o seu relacionamento com o Espírito Santo. Enquanto avalia
a sua atual percepção da presença e poder Dele na sua vida, anote no seu
caderno as respostas para as seguintes perguntas:
1. Você acha que o Espírito Santo é uma pessoa? Em quais
aspectos?
2. Você costuma ouvir a Sua voz e confiar Nele para guiá-lo e
trabalhar na sua vida, ou assume o controle total sem dar atencao
ao Seu toque? Como poderia melhorar na área de ceder o controle
ao Espírito Santo?
3. Medite sobre o ministério do Espírito Santo na sua vida e
identifique as áreas de pecados não confessados ou aquelas nas
quais não este disposto a entregar o controle a Deus. O que
precisa fazer sobre essas áreas?
4. Está tentando produzir obediência sem depender do Espírito
Santo?
Lição 245

Dedique alguns momentos para agradecer a Deus pelos


recursos sobrenaturais que Ele tem-lhe dado para que
possa viver a vida cristã, e pela verdade de que Ele vai
levá-lo em segurança para casa, completando o processo
da salvação. Agradeça-lhe pelos muitos ministérios do
Espírito Santo na sua vida.

Pensamentos Finais
Deus tem-nos dado os recursos que necessitamos para viver a vida cristã. Como crentes foi-
nos dada uma nova vida que se deleita com as coisas de Deus. Temos também uma nova
identidade como filhos de Deus e uma nova posição de justiça permanente diante dEle. Nós
não somos mais escravos do pecado, mas somos capazes de escolher obedecer, pelo novo
poder que habita dentro de nós – o Espírito Santo. Ao permitirmos que o Espírito de Deus nos
controle, escolheremos fazer coisas que agradam a Deus, resultando num novo modo de vida.
A santidade pessoal não pode ser produzida sem (O) Espírito de Deus. O processo da nossa
salvação está nas mãos de Deus do começo ao fim. Na próxima lição, vamos abordar o fruto
do Espírito na vida do crente e no processo de crescimento para a maturidade.
46Caminhando com Cristo

NOTAS FINAIS
3LIÇÃO

Tornando-se Mais Como Cristo


Samuel é crente desde menino. Seus pais começaram a levá-lo à igreja ainda bebê. Um dia,
na Escola Dominical, ele compreendeu que Cristo morreu pelos seus pecados e pediu a Jesus
que o salvasse. Mas o pastor sempre fala sobre uma mudança de vida nos novos crentes, mas
a vida de Samuel não mudou muito. Aos 28 anos ele sente-se distante de Deus e acha que é
difícil realmente amar a Deus. A sua mãe diz que ele deve ler mais a Bíblia, mas, quando ele
tenta, (ELA) parece seca e difícil de entender. Outras pessoas parecem animadas com a sua
fé, mas Samuel não quer ser chamado de fanático. "Talvez eu deva participar de um estudo
Bíblico", pensa ele, mas o estudo bíblico é sempre na noite em que ele joga futebol com seus
amigos.
Que decisões fez Samuel que o impediram de crescer na maturidade cristã? Como é que sua
maneira de pensar afetou as suas ações? Alguma vez já experimentou alguns destes
sentimentos?



Nas Lições 1 e 2 lançamos os alicerces da vida cristã. Vimos que a nossa salvação depende
inteiramente de Cristo, do início ao fim. O crente é declarado justo porque Jesus pagou o
preço pelos seus pecados. Não só a nossa justificação é baseada na Sua justiça, como também
o processo da nossa santificação se apoia na Sua justiça e na Sua vida as quais nos foram
transmitidas.
Na Lição 2 nós vimos os recursos sobrenaturais que Deus deu a cada crente para nos permitir
viver a vida cristã. O crente está "em Cristo" e tem uma nova identidade e um novo coração
que se delicia com as coisas de Deus. O Espírito Santo habita em cada crente e sela cada um
eternamente como alguém que pertence a Cristo, um dos "Seus." Ele trabalha em todos os
fiéis, ensinando-os, orientando-os e capacitando-os a escolher os caminhos de Deus.
Na Lição 3, veremos o processo do crescimento espiritual o alvo da vida cristã. Deus tem um
plano para cada crente, enquanto vivemos sob o senhorio de Jesus Cristo e usamos os
recursos sobrenaturais que Ele nos deu para que cresçamos.

47
Esboço da Lição
Crescimento em Maturidade É a Norma
O Caminho para a Maturidade
A Meta: Tornar-se Semelhante a Cristo
Uma Vida Inteiramente Dedicada a Deus
Uma Descrição de um Crente Maduro
O Processo de Transformação e Crescimento na Vida do Crente
Desenvolvendo uma Íntima Relação com Deus
O Nosso Papel para Crescermos em Maturidade
Características Definidoras da Maturidade
Crescimento do Amor
Agindo com Graça
Humildade Crescente
Serviço
Pensamentos Finais

Objetivos da Lição
Quando tiver completado esta lição, será capaz de:
1. Estabelecer o objetivo da vida cristã e avaliar o seu progresso em direção a esse
objetivo.
2. Definir o senhorio de Cristo.
3. Avaliar o seu temor a Deus, o seu amor e desejo por Deus.
4. Explicar o processo de crescimento (1) no que se refere ao papel de Deus e (2) no que
se refere ao papel do crente.
5. Criar um plano para crescer na área de um ou mais dos frutos do Espírito.
6. Descrever as "características definidoras da maturidade" e explicar como elas se
relacionam entre si e com a maturidade.

Crescimento em Maturidade É a Norma


Uma menina recém-nascida aconchegada nos braços de sua mãe é uma linda imagem. Este
bebê não faz nada por si mesmo. Ele não toma decisões, em nada contribui para o seu
cuidado e não dá nada a ninguém a não ser os seus doces sorrisinhos. Ele depende
completamente da existência e do cuidado dos outros, oferecendo apenas a sua presença
gostosa como compensação por todas as suas exigências. Mas ninguém se importa. Todos
esperam que os bebês sejam assim.
Por outro lado, uma menina de vinte e um anos de idade, sentada no colo da sua mãe,
tomando uma mamadeira, seria uma visão lamentável. Por quê? Não se espera que pessoas de
vinte anos de idade atuem como bebês. O desenvolvimento normal de um bebê envolve
crescimento até à maturidade. O bebê cresce para se tornar um adulto e cada vez mais assume
a responsabilidade por si mesmo, aprendendo a alimentar-se e a cuidar das suas próprias
necessidades. No devido tempo, deverá ser capaz de contribuir para o cuidado e bem-estar
dos outros.

48
Lição 349

O desenvolvimento normal de um ser humano é uma boa analogia para o processo do


crescimento espiritual. Em relação aos humanos usamos a palavra "maturidade" para
descrever o grau em que um indivíduo se torna um membro responsável da sociedade. Vamos
olhar mais de perto o termo "maturidade" e ver como se aplica à vida espiritual de um crente.

O Caminho para a Maturidade


O objetivo da vida cristã é atingir a
Maturidade pode ser definida como maturidade. A maturidade pode ser definida
a demonstração consistente da como a demonstração consistente da
imagem de Cristo no caráter do imagem de Jesus Cristo no caráter do
crente, o que é possível pela crente, o que é possível pela influência do
influência do Espírito Santo. Espírito Santo. No Novo Testamento, a
expressão mais comum para a maturidade
pessoal é "maduro", "completo" e
"perfeito".18

A Meta: Tornar-se Semelhante a Cristo


Para nos ajudar no processo de crescimento como cristão, Deus providenciou-nos o melhor exemplo
a seguir: o Seu Filho, que viveu uma vida perfeita e se sacrificou por nós (1 Pe. 2:21-25).

Leia Colossenses 1:28-29. Como é que Paulo expressou o seu alvo para os fiéis
de Colossos?

O adjetivo "completo" não carrega o significado de " sem pecado" nesta passagem, mas sim
de "maduro". Note que o objetivo de Paulo era apresentar cada crente maduro, completo em
Cristo. Embora Paulo tivesse o coração de um evangelista, ele também foi cuidadoso ao
discipular os novos convertidos em todas as regiões que ele visitava. O seu padrão era
permanecer no local durante vários meses ou anos de ensino intenso, a fim de levar os
convertidos em cada região até a maturidade. Quanto tempo leva o processo de atingir a
maturidade?
A partir de estudos das viagens missionárias de Paulo, sabemos que ele primeiro visitou
Corinto cerca do ano 50 D.C. e passou ali cerca de dezoito meses (At. 18:11, 18). A primeira
carta que escreveu a Corinto está datada em meados dos anos 50. 19 Daí, podemos concluir
que Paulo esperava encontrar certa maturidade nos crentes de Corinto depois de os ter
ensinado por vários anos. Infelizmente, vemos que os cristãos de Corinto estavam desviados
por muitos problemas e pelo falso ensino, de tal modo que eles não conseguiram progredir na
sua vida espiritual como deveriam (1 Cor. 3:1-3).
Escrevendo aos crentes em Corinto, Paulo diz que eles deveriam ser capazes de comer a carne da
Palavra de Deus, mas ainda estavam bebendo leite. Eles ainda estavam vivendo de acordo com a sua
natureza pecaminosa. Mais tarde, em 1 Coríntios 14:20, Paulo os admoestou a serem maduros no
seu modo de pensar. Aqui vemos que o crescimento para a maturidade começa na mente do crente
ao passo em que o Espírito Santo usa a Palavra de Deus para influenciar a mesma. Vamos estudar
mais sobre este tema na Lição 4.
50Caminhando com Cristo

Leia Efésios 4:13-16. Quais são os aspectos da maturidade que Paulo estabelece
nestes versículos?

Quando Paulo fala da "plenitude de Cristo", ele está falando de sermos à semelhança de
Cristo. A sua meta para cada crente era que se tornassem cada vez mais como o próprio Jesus
Cristo, demosntrando o caráter e a vontade de Cristo.
Em 2 Coríntios 3:18 Paulo diz que estamos sendo transformados à imagem de Cristo na medida em
que olhamos para a Sua glória. Nós vemos a glória de Cristo, principalmente na Palavra. À medida
que gastamos tempo com a Palavra de Deus, o Espírito Santo torna-nos cada vez mais conscientes
do caráter de Cristo e dos motivos de Cristo e dá-nos um aprofundado desejo de nos tornarmos
como Ele.

Leia 1 João 3:2-3.


1. Que evento é descrito no versículo 2?
2. O que será verdade para o crente quando isto acontece?
3. O que é que João incentiva cada crente a fazer na base nesta
esperança?

Enquanto Jesus ensinava os Seus discípulos, Ele


O alvo da vida cristã é que enfatizava a verdade de que o seguidor de Cristo
cada crente cresça em deve tornar-se cada vez mais como o Mestre.
maturidade e que essa Vemos então que o alvo da vida cristã é que cada
maturidade seja à imagem de crente cresça em maturidade e que essa
Cristo. maturidade seja à imagem de Cristo. Este
processo de crescimento, como aprendemos na
Lição 2, é o processo da santificação.
Tornar-se um crente maduro que reflita a imagem de Cristo é possível pela presença e poder
do Espírito Santo na vida do crente. Usando os recursos sobrenaturais que Deus lhe deu, o
cristão deve crescer em piedade, tornando-se mais e mais como Jesus Cristo. Quanto mais
nos tornamos semelhantes a Cristo, mais glória rendemos ao seu nome. O diagrama abaixo
ilustra este processo do crescimento na vida do crente.
Lição 351

Se o alvo da vida cristã é ser como Cristo, isto quer dizer que se ganha um ponto se viver
uma vida sem pecado? O cristão maduro nunca é apresentado no Novo Testamento como
alguém que tenha deixado de pecar. Pelo contrário, o cristão maduro é retratado como alguém
que desenvolveu uma consciência muito maior à sua possível tendência para pecar e uma vigilância
humilde e sóbria quanto à tentação.

Defina o alvo da vida cristã, usando as Escrituras para apoiar as suas


conclusões. Personalize este alvo para incluir algumas alterações que gostaria
de ver no seu caráter e nas suas ações (por exemplo, "O meu alvo como cristão
é... evidenciado por...").

Uma Vida Inteiramente Dedicada a Deus


O que está claro no Novo Testamento é a importância de
dedicarmos toda a nossa vida a Deus. Tal como os objetos no O caminho para a
tabernáculo foram separados por serem santos dedicados aos maturidade começa
propósitos de Deus, assim acontece com os crentes que devem pela dedicação da
separar as suas vidas completamente para cumprir os nossa vida a Deus.
propósitos de Deus. O caminho para a maturidade começa pela
dedicação da nossa vida a Deus. Quando tomamos esta
decisão, permitimos que Deus nos use para os Seus propósitos
e para a Sua glória.
Leia Romanos 12:1-2. Nestes versículos, é nos ordenado que nos apresentemos como
sacrifício vivo ao Senhor. É como se Paulo estivesse olhando para os primeiros onze
capítulos de Romanos, dizendo: "Olhem para o que Cristo fez por vocês, agora, entreguem-se
inteiramente a Ele".
Algumas pessoas apresentam as suas vidas num compromisso total ao Senhor no momento
das suas conversões. Outras assumem este compromisso mais tarde. Contudo, acontece que
Paulo incentiva que todos os crentes vivam toda a sua vida completamente devotada a Ele.
Em qualquer momento da experiência cristã o crente pode perceber que alguma área de sua vida
não está totalmente comprometida com Cristo. Cada crente passará pela experiência de
conscientização de alguma área de desobediência que não tenha submetido ao senhorio de Cristo.
Essa percepção vai levar o crente comprometido ao Senhor em confissão, arrependimento e numa
atitude renovada de compromisso ao senhorio de Cristo.

O que queremos dizer quando falamos do senhorio de Cristo?


Leia Lucas 6:46-48 e observe o que diz sobre o senhorio de Cristo.

Cristo enfatizou a inconsistência de O chamarmos de "Senhor", que significa "mestre", mas


ignorarmos os Seus mandamentos. Reconhecer o senhorio de Cristo implica que os crentes se
submetam voluntariamente aos mandamentos de Cristo nas suas vidas e as construam com base na
Palavra de Deus. Uma definição de senhorio é a seguinte: tudo o que sou e tudo o que tenho
pertence a Jesus Cristo. Esta definição abrange todas as áreas da nossa vida: o nosso tempo, as
nossas habilidades, os nossos bens, os nossos relacionamentos, o nosso dinheiro, os nossos planos.
52Caminhando com Cristo

O que é que o senhorio de Cristo significa para você? Já tomou a decisão de


permitir que Cristo seja o Senhor da sua vida? À luz da definição acima do
senhorio de Cristo, existem áreas da sua vida que diria que não Lhe estão
submetidas?

Dedique tempo agora para falar com Deus sobre essas


áreas e expressar o seu desejo de que Deus tenha o
primeiro lugar na sua vida.

Como pode o “senhorio” relacionar-se com os sentimentos e as dúvidas que


Samuel experimentou? (Volte a ler o exemplo do início da aula).

Uma Descrição de Um Crente Maduro


Observamos acima que Paulo repreendeu os cristãos de Corinto pela sua falta de maturidade.
Muitas passagens do Novo Testamento deixam claro que alguns crentes não crescem até à
maturidade ou ficam estagnados no seu crescimento espiritual por um período de tempo. Podemos
compará-los com um adolescente que ainda é alimentado por colher pela sua mãe.

Leia as seguintes passagens: Hebreus 5:11-6:1, Filipenses 3:7-15, Tiago 3:2.


1. Liste três características de um cristão imaturo.
2. Liste pelo menos seis características positivas do cristão maduro.

Vemos nestas passagens que o padrão normal para os crentes é o aumento da maturidade para
serem capazes de se alimentar da Palavra de Deus, para serem capazes de compreender e aplicar
um ensino mais profundo e para experimentarem um relacionamento mais profundo e mais íntimo
com Deus.

Enquanto lê as características de um crente imaturo, bem como as características


do crente maduro, como você se classifica? Quais destas características se
aplicam a você?

O Processo de Transformação e Crescimento na Vida do Crente


Como é que o crescimento ocorre na vida do crente? Se Romanos 12:1 enfatiza permitir que
Cristo tenha o senhorio da nossa vida, Romanos 12:2 enfatiza o processo contínuo de
mudança e crescimento que deverá resultar dessa decisão. O mandamento no versículo 2 é
para que nós, os crentes, sejamos transformados pela contínua renovação da nossa mente.
Lição 353

Este versículo é um dos muitos que mostram uma clara conexão entre nossa conduta e caráter
e o modo como nós pensamos. Paulo apresenta a vida cristã como um processo de
crescimento e transformação contínuos, com o alvo final da maturidade espiritual sob o
senhorio de Cristo.

A visão bíblica da maturidade Em resumo, a visão bíblica da maturidade


enfatiza o crescimento consistente do enfatiza o crescimento consistente do
crente que acontece ao longo da crente que acontece ao longo da vida,
vida, enquanto os crentes se enquanto os crentes se apropriam
apropriam adequadamente do poder adequadamente do poder do Espírito Santo
do Espírito Santo para a construção para a construção do caráter de Cristo nas
do caráter de Cristo nas suas vidas. suas vidas.
Ao longo deste caminho rumo à
maturidade, pode haver algumas crises que
levam a um surto de crescimento na nossa
vida espiritual. Embora estas crises possam nos estimular à busca de uma santidade renovada,
não nos (CONDUZEM A) catapultam para a perfeição. A vida cristã é um processo de
crescimento constante em direção à maturidade. Embora alguns avancem mais rapidamente
do que outros, a meta para todo o crente é tornar-se mais e mais como Cristo.
Até mesmo um olhar superficial sobre a vida de Jesus Cristo revela o elevado caráter moral e
a integridade que ele demonstrou em cada momento. Não é uma simples carreira que Ele
coloca diante de nós; pede que sejamos como Ele. Em 1 Pedro 1:14-16 Pedro exorta os fiéis a
serem santos em todo o seu comportamento, "como é santo Aquele que vos chamou".
Humanamente falando, nós somos incapazes de sermos santos. No entanto, na Lição 2, fomos
lembrados dos recursos que Ele nos deu; temos um manancial de água viva dentro de nós que
nos dá tanto o desejo como a força para prosseguir rumo à santidade.
A nossa fonte de poder pode ser encontrada no próprio Cristo e no nosso relacionamento com
Ele.

Desenvolvendo Uma Íntima Relação com Deus


A relação que temos com Deus terá uma grande
“A prática da santidade é, influência sobre os nossos atos e atitudes. "A prática
antes de tudo, o cultivo de da santidade é, antes de tudo, o cultivo de uma
uma relação com Deus e relação com Deus e como resultado, o cultivo de uma
como resultado, o cultivo vida agradável a Deus".20
de uma vida agradável a Do Gênesis ao Apocalipse a Bíblia revela o desejo de
Deus.” Deus de um relacionamento íntimo com a Sua
criação. Vemos isso nas primeiras páginas das
Escrituras, onde está registrado que Deus colocou
Adão e Eva no Jardim do Éden e o próprio Deus
vinha todos os dias caminhar com eles pelo frescor da noite, para desfrutar da comunhão
pessoal com eles.
Nas páginas finais da Bíblia, João descreve a visão da Nova Jerusalém que descia do céu e
ouve a voz de Deus dizendo: "Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com
eles.” (Ap. 21:3). O desejo de Deus é estar conosco. Jesus foi chamado de "Emanuel", que
54Caminhando com Cristo

significa "Deus conosco." Tal como os pais amorosos têm um grande desejo de ter um
relacionamento vital e próximo com seus filhos, de igual modo Deus deseja que esta relação
íntima conosco se torne possível através do Seu Filho.
O caráter de Deus nasce da nossa relação com Cristo. Em João 15, temos as palavras ditas
por Jesus aos seus discípulos poucas horas antes dele ser preso e levado para ser interrogado e
crucificado. Jesus usou uma alegoria com a qual os Seus discípulos poderiam facilmente identificar-
se, porque eles andaram com frequência pelas vinhas da Judeia. Os Seus ensinamentos sobre a
videira e os ramos não são apenas uma imagem pastoral agradável para o cristão. Precisamos sentir
a urgência que está por trás destas palavras, como a sombra difusa da cruz, e Jesus está consciente
de que tem pouco tempo para transmitir alguns pensamentos significativos e finais aos Seus
queridos amigos. O que vai fortalecê-los, o que vai mantê-los nas horas confusas e trágicas dos dias
seguintes?

Leia João 15:1-17.


1. Enquanto considera a imagem da videira e dos ramos, que verdade central
acha Jesus queria comunicar aos discípulos?
2. Pensando nesta alegoria, o que aprendemos sobre frutos na vida do
crente?
3. No versículo 11, como Jesus caracteriza aqueles que permanecem
intimamente ligados a Ele?
4. Quais foram alguns dos objetivos mais importantes de Jesus para os seus
discípulos, evidenciados nos versículos 12-17?
5. Será que uma vinha ou uma árvore tem que se esforçar para produzir
frutos? Que conclusão você pode tirar disto?

Esta passagem enfatiza a natureza essencial da relação íntima entre o crente e Deus, pois é desta
relação que o caráter de Deus é reproduzido no crente.

Enquanto considera esta passagem, como você vive em Cristo e como


Ele vive em você? Quais são algumas das opções que você pode fazer
para desenvolver este relacionamento “duradouro” com Cristo?
Lição 355

Aprofundemos o nosso relacionamento com Deus. Vários elementos estão envolvidos num
relacionamento profundo e duradouro com Deus: o temor a Deus, o amor a Deus e o desejo
por Deus. Algumas pessoas pensam que o Antigo Testamento enfatiza o temor de Deus e que
o Novo Testamento enfatiza o nosso amor por Deus, mas o temor de Deus não é apenas um
conceito do Antigo Testamento.21
O temor de Deus. Em Jeremias 32:40, vemos que uma das bênçãos da nova aliança é a
implantação no coração dos crentes do temor do Senhor. "Farei com eles uma aliança
eterna… e porei o meu temor no seu coração para que não se apartem de mim."
O termo “temor de Deus” é usado de duas maneiras nas Escrituras. O primeiro tipo de temor
de Deus refere-se a um temor ansioso que normalmente é ligado a pensamentos do
julgamento iminente de Deus. Este tipo de temor resulta num maior distanciamento de Deus,
tal como Adão que se escondeu de Deus no jardim do Éden, por causa do medo, após comer
do fruto proibido.
O segundo tipo de temor é reverência a Deus. Este tipo de temor de Deus é aquele que
Provérbios chama "o princípio da sabedoria", pois aproxima-nos de Deus. Charles Spurgeon,
o grande pregador Inglês do século XIX, disse: "O medo não regenerado leva-nos para
longe de Deus; o temor gracioso nos conduz até Ele."22
O Antigo Testamento contém muitos exemplos de homens piedosos que foram motivados
pela sua reverência a Deus. Em Gênesis 39 encontramos a história da sedução de José pela
mulher de Potifar. A razão pela qual José resistiu a ela não foi porque ele temia que o seu
senhor descobrisse a sua infidelidade e mandasse matá-lo. Nós vemos o pensamento de José
no versículo 9: “Como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus?” A principal
motivação de José foi o seu desejo de agradar a Deus através da sua vida porque ele tanto
respeitava quanto amava a Deus.
O relacionamento do crente com Deus deve ser caracterizado pela reverência e pelo temor a
Deus. O temor de Deus que conduz a um caráter divino é o reconhecimento da santidade,
glória e poder de Deus. Uma das recentes tendências em círculos cristãos tem sido enfatizar o
amor de Deus, quase excluindo a santidade de Deus. Para termos um temor correto a
Deus, precisamos ter uma imagem clara do caráter de Deus e da santidade geral que
permeia o Seu caráter.
Amor a Deus. O temor de Deus deve levar-nos naturalmente a uma compreensão do amor de
Deus. Ao contemplar a santidade de Deus e a Sua ira contra o pecado, podemos entender, de
maneira mais profunda, o amor que O levou a
A consciência do cristão enviar o Seu único Filho para pagar pelos nossos
sobre o amor de Deus deve pecados a fim de que pudesse nos reconciliar com
ser pessoal. Em algum o Pai.
momento na nossa vida, Em 1 Timóteo 1:15 Paulo descreve-se a si mesmo
cada um de nós tem que ter como o pior dos pecadores. Paulo não se compara
sido tomado pela verdade com outros ao seu redor, mas com a norma santa e
que "Deus me ama." justa de Deus. A sua conclusão foi maravilhar-se
com o amor de Deus que o salvou do seu estado
pecaminoso. O amor do crente por Deus cresce à
medida que a aumenta a sua consciência sobre o
56Caminhando com Cristo

amor e a graça de Deus. João escreveu: "Nós amamos, porque ele nos amou primeiro"(1 Jo.
4:19).
O cristão deve ter uma consciência pessoal do amor de Deus. Em algum momento na nossa
vida, cada um de nós tem que ter sido completamente tomado pela verdade que "Deus me
ama”. Precisamos estar convencidos de que os nossos fracassos espirituais não mudam o
amor de Deus para conosco.
O nosso amor por Deus cresce à medida que caminhamos com Ele no caminho da vida e
entendemos cada vez mais sobre o Seu caráter. Paulo orou em Efésios 3:17-19 para que os
crentes estivessem arraigados e alicerçados em amor para que pudessem "… compreender
perfeitamente , com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento e a altura, e a
profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo e entendimento, para que sejais
cheios de toda a plenitude de Deus." O amor do crente por Deus é baseado num entendimento
crescente da profundidade do amor de Deus. A consciência que Paulo tinha do amor de Cristo
foi o fator que o impulsionou na sua vida.
Muito tem sido escrito sobre o tema do amor do cristão por Deus. Ao pensarmos sobre o
relacionamento saudável de uma criança com o seu pai, podemos ver várias características
deste relacionamento. Primeiro, a criança tem uma confiança absoluta no seu pai. Ela sabe
que o seu pai vai cuidar dela e protegê-la. Em segundo lugar, a criança goza desta relação
profundamente. Ela deleita-se em simplesmente estar com o pai. Em terceiro lugar, a criança
quer agradar ao seu pai. Ela procura a sua aprovação e o seu sorriso.
Estes são pensamentos simples, no entanto fazem-nos lembrar da relação que Deus quer ter
com os Seus filhos: uma relação caracterizada pela nossa confiança, pelo nosso prazer em
estar com Ele, pela nossa alegria em fazer as coisas que O agradam.
O nosso amor a Deus será evidenciado pelo nosso amor por outras pessoas. João escreveu
que um crente que não ama os outros crentes, não pode amar a Deus (1 João 4:20). Cristo fez
uma ligação íntima entre o mandamento de amar a Deus acima de tudo e do mandamento de
amar ao próximo como a nós mesmos. O amor genuíno pelos outros nasce do nosso amor por
Deus.
Desejo por Deus. Uma terceira característica de uma relação profunda com Deus é o nosso desejo
de conhecer Deus.

Leia o Salmo 42:1-2a. Como é que o salmista descreve o seu anseio por Deus?

Aqui temos a imagem de um veado que talvez tenha fugido dos caçadores ou vagueie por
áreas desoladas onde não há água. Finalmente, ele atinge as correntes de água da qual bebe
profundamente, satisfazendo a sua sede completamente. O salmista que escreveu estas
palavras compreendeu a verdade que Jesus quis inculcar aos seus discípulos em João 15. Sem
o nosso relacionamento com Ele a nossa vida espiritual será totalmente murcha e inútil.
Somente quando recorremos a Ele para obtermos uma vida e forças renovadas é que a Sua
vida poderá fluir através de nós para produzir frutos. Quando apreciarmos esta estreita
relação com Ele, o fruto será o resultado automático da Sua vida em nós.
Lição 357

Davi, que foi chamado de "um homem segundo o coração de Deus", experimentou esta proximidade
com Deus.

Leia Salmos 27:4-8.


1. Qual a única coisa que Davi desejava?
2. No versículo 8, como é que ele expressa o seu foco?

Davi procurou a presença de Deus para sua vida acima de todas as coisas. Concentrou-se no caráter
de Deus (a Sua beleza) e sobre sua relação com Ele na sua vida (Sl. 27:4-8).

Leia o Salmo 73:25, 28.


1. Como é que Asafe manifestou a proximidade do seu relacionamento com
Deus?
2. No versículo 28 o que ele conclui sobre qual é o maior bem de sua na
vida?

Asafe tinha aprendido a verdade que cada um de nós deve aprender: Deus é suficiente. O
nosso relacionamento com Deus é uma relação que é verdadeiramente capaz de nos
satisfazer.
Deus nos convida a ir ter com Ele para experimentá-Lo desta maneira, para experimentar que Ele é
suficiente. Em Isaías 55:1 Deus diz: "Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas…". Precisamos
desenvolver uma sede por Deus, um desejo de ir frequentemente ao manancial de Cristo e beber
profundamente dessa fonte. É a única fonte que satisfará.

 Que tipo de temor de Deus você experimenta com mais frequência?


 Como é que a sua reverência a Deus é uma motivação para a santidade
na sua vida?
 Como tem o seu amor por Deus mudado durante a sua vida cristã?
 Quão próximo e íntimo é o seu relacionamento com Deus?
 Quão forte é o seu desejo por Deus?
 Com que frequência olha para Ele para obter força e alimento espiritual
e encher a alma das Suas fontes de água viva?
 Você O busca porque O deseja, ou porque acha que deve?
 O que o ajudaria a aproximar-se mais dEle?
 Quais são algumas das escolhas que pode fazer para ajudá-lo a crescer
nestas áreas?
58Caminhando com Cristo

Pare por alguns momentos para adorar o


Senhor. Louve-O pelo Seu amor e agradeça-
Lhe o Seu desejo de ter um relacionamento
com você. Peça-Lhe para lhe dar uma maior
reverência por Ele, um maior amor e um
desejo de procurar o Seu rosto e estar feliz
com a Sua presença.

O Nosso Papel para Crescermos em Maturidade


Uma das marcas de um crente maduro é a santidade crescente. A nossa vocação primária
como crentes é glorificar a Deus através de nos tornar mais e mais como Jesus. A vida do
crente deve ser uma expressão visível da natureza santa de Deus enquanto o crente cresce
mais e mais à imagem de Cristo. O nosso caráter piedoso aponta para Deus como fonte e
alvo.
Deus não vai produzir frutos nas nossas vidas contra a nossa vontade. Ele pede a
colaboração dos crentes, que devem perseguir ativamente a santidade e permitir que o Espírito
Santo trabalhe nas suas vidas.

Leia Filipenses 2:12-13. O que estes versículos indicam sobre o papel do cristão e
de Deus no nosso crescimento até a maturidade?

Note que Paulo não está dizendo aos filipenses para trabalharem para obter a sua salvação,
mas para participar do desenvolvimento da sua salvação: as ações e atitudes visíveis que
mostram evidências da sua regeneração interior. Tanto o crente quanto Deus desempenham
um papel neste processo, à medida que Deus interage com a nossa vontade para produzir o
Seu caráter em nós.
Revestindo-nos do caráter de Cristo. Ao confiarmos no Espírito Santo para convencer,
orientar, ensinar mais sobre Cristo e nos capacitar a tornarmo-nos semelhantes a Ele, não
devemos ser passivos nesse processo. Somos instados a buscar a santidade, a fazer escolhas
que nos levarão para mais perto de Deus e a refletir mais e mais sobre o caráter de Cristo.
Muitos versículos nas Escrituras enfatizam o papel
ativo que o crente deve ter neste processo. Dizem Somos estimulados a
para seguirmos a justiça (2 Tm. 2:22) e buscarmos buscarmos a santificação,
a santificação (Hb. 12:14). Pedro diz, em 2 Pedro fazermos escolhas que nos
1:5-8, para aplicarmos toda a diligência para trazem mais perto de
desenvolvermos a excelência moral, o Deus, e refletirmos mais e
conhecimento, o auto-controle, a perseverança, a mais o caráter de Cristo.
piedade, a bondade fraternal e o amor. Paulo disse,
"avançando... prossigo para o alvo pelo premio
da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus "
(Fp. 3:13-14)
Lição 359

Em várias passagens-chave os cristãos são convidados a se despojarem ou a se despirem do


"velho eu” e se revestirem do novo. Paulo usa estes termos em Efésios 4:20-24 e Colossenses
3:8-14.
O que lhe sugerem as frases “despojarmo-nos", "despirmo-nos", e " revestirmo-nos"? É quase
como se Paulo estivesse sugerindo uma mudança de roupa. Certamente ele está indicando que
a nossa vontade está envolvida. Nós precisamos estar cientes de que tipo de “vestimenta de
caráter” é adequada a nós, como Seus filhos e seus embaixadores, e escolher os acessórios.
Paulo não está falando apenas em escolher as ações externas ou atividades, mas também da
escolha das nossas atitudes.
Em Romanos 13:14 Paulo diz que devemos revestirmo-nos do Senhor Jesus Cristo. As nossas
atitudes, as nossas ações, as nossas escolhas e os nossos pensamentos devem ser como os de Cristo,
pois estamos nEle.

Leia Colossenses 3:1-17.


1. De acordo com os versículos 1-4, qual deve ser o nosso foco como
seguidores de Cristo?
2. Descreva a diferença radical na vida da pessoa que foi salva por Cristo.
Com base nesta passagem de Colossenses faça um mapa com os títulos
abaixo e faça o contraste entre o comportamento e as características que
pertencem à nossa velha natureza com o comportamento e características
que pertencem à nossa nova vida em Cristo.

Velho “Eu” Novo “Eu”

Ao olhar o seu mapa, pode ver que muitas mudanças ocorrem na pessoa que foi liberta por Cristo.

Leia Colossenses 2:9-14. Explique como essas mudanças foram possíveis.

Dependendo do Espírito Santo para produzir frutos. No Salmo 1, encontramos um retrato


de uma árvore que é plantada junto a correntes de água e produz frutos na época certa. Cristo
diz sobre os Seus seguidores: "Pelos seus frutos os conhecereis", e enfatizou que uma boa
árvore daria bons frutos. Paulo falou do caráter de Deus como o "fruto do Espírito",
reconhecendo que a origem deste caráter é o Espírito Santo na vida do crente.
Na Lição 2, vimos que o Espírito Santo é o nosso recurso permanente. Como Aquele que
aponta para Cristo, o Espírito Santo é Aquele que nos ajuda a focarmo-nos em Cristo e a
tornarmo-nos mais como Ele. O fruto do Espírito é exatamente isso; é o Seu fruto, o resultado
do Seu trabalho em nós.
Várias passagens falam do fruto que o Espírito Santo desenvolve na vida do crente: Gálatas 5:22-23,
Efésios 4:2-3, 32, Tiago 3:17 e 2 Pedro 1:5-7.
60Caminhando com Cristo

Leia estas passagens e liste os traços de caráter que o Espírito Santo desenvolve na
vida do cristão que é sensível a Ele.

 Como o seu comportamento mudou quando se converteu?


 Se você se converteu muito cedo, de que forma tem visto Deus mudar o seu
caráter?
 Quais as características da velha natureza com as quais ainda está lutando?
 Tem visto mudanças quando se despoja destas características?
 Tem visto crescimento na sua vida através do desenvolvimento das
características da nova natureza?
 Como o Espírito Santo trabalhou na sua vida para trazer este crescimento?
 Qual a área da sua vida em que Deus está trabalhando atualmente?

Tome algum tempo para agradecer a


Deus pelas mudanças que Ele tem feito
em você. Peça-Lhe que continue a
mudar o seu coração e a torná-lo mais e
mais como Cristo.

Resuma o papel de Deus e do crente no crescimento espiritual.

A seção "Dependendo do Espírito Santo para Produzir Frutos" apresenta as


seguintes características: humildade, alegria, gratidão, gozo, santidade,
autocontrole, fidelidade, paz, longanimidade, mansidão, bondade, perdão,
misericórdia e amor. Escolha um traço que sinta ser uma área frágil na sua vida.
Se tiver uma concordância disponível, procure versículos sobre este traço de
caráter. Pode ser útil procurar os versículos que enfatizem a característica oposta,
por exemplo, se escolher a humildade, veja também os versículos que lidam com
orgulho, o oposto.
Peça a Deus para lhe mostrar em que precisa mudar e para ajudá-lo a fortalecer-se
nEle para fazer a mudança. Quais coisas você pode fazer para ajudá-lo a crescer
nesta área? O que precisa "pôr de lado" a fim de "colocar" de novo esta
característica na sua vida? Esteja preparado para compartilhar na próxima sessão
algum aspecto do que Deus tem-lhe ensinado.

Características Definidoras da Maturidade


O crescimento no caráter cristão é progressivo. Nós nunca vamos chegar a um ponto em que
possamos afirmar ser completamente semelhantes a Cristo. No final de sua vida, Paulo ainda
Lição 361

estava procurando alcançá-lo, mas não hesitou em expor o objetivo de ver os seus discípulos
alcançarem a medida da estatura da plenitude de Cristo.
Ao lermos os Evangelhos e as cartas do Novo Testamento, vemos o profundo interesse, tanto
de Cristo como dos apóstolos, de ver os seguidores de Cristo continuarem a crescer em amor
e santidade. Vejamos várias evidências do crescimento espiritual.

Crescimento do Amor
Jesus disse aos seus seguidores: "Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos
amardes uns aos outros" (Jo. 13:35).
A característica que define o cristão é o amor. Paulo, sob a inspiração do Espírito Santo,
descreve este amor sobrenatural em 1 Coríntios 13, usando termos muito diferentes do nosso
conceito atual de amor, que se baseia quase exclusivamente nas emoções.

Leia I Coríntios 13:1-8.


1. Escreva as coisas que o amor faz e as coisas que o amor não faz (vv. 4-8).
Como é que Paulo descreve o crente que não tem amor (v. 2)?
2. Que valor estas outras atividades têm sem amor (v. 3)?
3. Quais conclusões pode tirar disto?

Nos seus ensinos Jesus enfatizou o amor a Deus como o maior mandamento e o amor ao próximo
como o segundo, intimamente relacionado ao amor a Deus (Mt. 22:40). No ambiente cristão muitas
vezes sentimos mais ênfase na obediência do que em nos amarmos uns aos outros. Por que acha
que Jesus enfatizou o amor em vez da obediência?

Leia João 14:15. Como este versículo relaciona amor e obediência?

O nosso amor por Cristo não é apenas a


característica definidora do cristão, é a motivação
O nosso amor por Cristo
correta para as ações e atitudes piedosas. Em
não é apenas a característica
essência, Jesus estava ensinando que a obediência
definidora do cristão, é a
flui do amor. "Todos os outros mandamentos
motivação correta para as
dependem da motivação do amor para a sua
ações e atitudes piedosas.
realização".23
Paulo escreveu que o amor cumpre a lei (Rm.
13:10). Quando amamos a Deus, naturalmente vamos fazer as coisas que nos são ordenadas
pela Palavra de Deus. Quando Jesus declarou que o amor a Deus era o maior mandamento,
Ele estava ensinando que, se amamos a Deus e ao próximo, não vamos cometer adultério com
a esposa do nosso vizinho. Se amamos o nosso inimigo, não vamos difamá-lo. Se amamos o
nosso patrão, nao o enganaremos trabalhando menos do que devemos. Se amamos o
comerciante, não vamos responder-lhe rudemente. Assim, a verdadeira ética cristã é uma
consequência e uma medida do nosso amor por Cristo e do nosso desejo de honrá-Lo.
62Caminhando com Cristo

Se o amor é o maior mandamento, então ações sem amor estão entre os maiores pecados.
Quantas vezes nós colocamos um assassinato na categoria de pior do que o ódio, mas ambos
têm a sua origem na falta de amor. O receio das consequências pode impedir-nos de cometer
atos exteriores de homicídio ou adultério, mas só o amor vai nos impedir de cometer estes
pecados nos nossos coracões.24
Em 1 Tessalonicenses 4:9-10 Paulo elogiou os Tessalonicenses pelo amor que haviam mostrado aos
seus irmãos, na Macedônia. No entanto, ele os exortou a terem um amor ainda maior. Assim, a
nossa oração deve ser para que possamos crescer no amor diariamente.

Gaste alguns momentos louvando a Deus por


Ele o amar e, ao experimentar o Seu amor,
possa aprender a amar como Cristo amou.
Deus irá responder a uma oração como esta:
"Senhor, ensina-me a amar. Faz-me ciente das
minhas ações e pensamentos que não provem
de amor." Gaste agora alguns momentos nesta
oração.

As circunstâncias e relacionamentos melhoram sempre quando amamos os


outros como deveríamos? Podemos garantir que a outra pessoa vai
corresponder? Como podemos continuar a amar quando não há resposta?

Agindo com Graça


Pedro encorajou os fiéis a "crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador
Jesus Cristo" (2 Pe. 3:18). Visto que crescer na graça envolve o nosso crescimento no caráter
cristão, um autor sugere que o significado primário é "crescer continuamente na nossa
compreensão da graça de Deus, especialmente no que se aplica a nós pessoalmente, para nos
tornarmos progressivamente mais conscientes da nossa contínua falência espiritual e do
favor, sem preço e imerecido, de Deus."25
Num certo sentido, tornamo-nos "doadores de graça," espalhando a outros a graça que temos
recebido de Deus. Este tipo de vida, caracterizada pelo amor e pela graça, constrói uma plataforma a
partir da qual podemos comunicar o evangelho num mundo sem graça de uma forma que atraia os
outros a Cristo.

Você é um doador da graça? Pode pensar em alguém que tenha sido um


modelo nesta área? Como essa pessoa o motivou a fazer o mesmo: conceder
graça a outros? Peça a Deus para transformá-lo num doador da graça.

Humildade Crescente
Outra marca do cristão maduro é a humildade. Ao longo da Bíblia, Deus promete
repetidamente exaltar os humildes. Enquanto o mundo muitas vezes nos encoraja a sermos
agressivos, a corrermos para frente, a pisar nos outros para chegar ao topo, o homem ou a
mulher a quem Deus abençoa são caracterizados pela humildade (Mq. 6:8).
Lição 363

O melhor exemplo de humildade é o próprio Cristo. Leia Filipenses 2:5-11. Aqui somos
lembrados de que Cristo assumiu a forma de servo e se humilhou a si mesmo até à morte. A
morte por crucificação era uma das formas mais terríveis de execução, reservada aos piores
criminosos. Assim, Cristo teve uma morte ignominiosa que acrescentou vergonha
incalculável ao Seu sofrimento físico. Porque Ele estava disposto a humilhar-se desta forma
por nós, Deus o exaltou à mais alta posição e Lhe deu um nome que está acima de todo nome,
um nome que fará com que cada pessoa na face da terra se curve diante dEle, quer nesta vida
quer na que está por vir.
Este é o exemplo de humildade que devemos seguir. Deus não procura falsa humildade, a
qual se mostra em auto-humilhação e espera que Deus e os outros aplaudam sua auto-
negação. A verdadeira humildade submete-se ao senhorio de Cristo. Ela não procura
reconhecimento, respeito ou recompensa. Ela não faz exigências aos outros, mas serve e ama.
Para o crente, a humildade anda de mãos dadas com a compreensão da graça de Deus,
reconhecendo a nossa condição de verdadeiramente necessitados da maravilhosa graça que
nos tem sido dada em Cristo.
Paulo lembra-nos em Romanos 12:3 que não pensemos de nós mais do que deveríamos, mas que
tenhamos uma visão precisa de nós mesmos. O que acha que significa ter uma visão precisa de si
mesmo?

Por que acha que Deus valoriza tanto a humildade? Como a falta de humildade é
prejudicial para o nosso crescimento em Cristo? Examine-se diante de Deus e
peça-lhe para ensinar-lhe a humildade.

Serviço
A marca final dos crentes é que as suas vidas são oferecidas para servir a Deus e aos outros. Nós,
muitas vezes, tendemos a pensar na vida cristã como uma vida de serviço, mas talvez foquemos
demasiadamente nas atividades e muito pouco nas atitudes. O verdadeiro serviço surge do nosso
amor a Deus e tem como alvo agradar e honrar a Deus. Colossenses 3:17 diz: "E, quanto fizerdes por
palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai".

Leia a história de Jesus quando lavou os pés dos discípulos em João 13:1-16.
1. Como Jesus ensina os discípulos acerca do serviço?
2. Como o serviço está relacionado com a humildade?

Nesta cena final antes da sua crucificação Jesus demonstrou humildade, serviço e amor. Os
discípulos devem ter recuado diante da visão do seu mestre abaixando-se diante deles para
lavar os seus pés sujos. Podemos imaginar o impacto que aquela noite teve na sua vida futura.
Podemos imaginar a vergonha que ardia dentro deles enquanto lembravam os argumentos que
Jesus tinha ouvido quando pouco antes debatiam quem era o maior entre eles. Jesus os deixou
com a mais vívida imagem de humildade e serviço que nunca tinham visto: o Rei dos reis e
Senhor dos senhores rebaixando-se para lavar a sua imundície.
Como o Filho de Deus, Cristo encarnou tudo o que Ele nos pede para nos tornarmos. Ele nos pede
para amarmos, para mostrarmos graça aos outros e para sermos servos humildes. À medida que
64Caminhando com Cristo

avançamos na nossa caminhada com Deus, dependendo do seu Espírito, Ele irá incutir em nós um
caráter à semelhança de Cristo, que fará com que os outros O magnifiquem.

Descreva suscintamente cada uma das "marcas de maturidade" que estudou na


lição: amor crescente, agindo com graça, humildade e serviço. Explique como se
relacionam entre si. Dê um exemplo de como já viu uma ou mais destas marcas na
vida de outro crente ou quando experimentou ou demonstrou uma ou mais delas
na sua própria vida.

Pensamentos Finais
Vimos que o crescimento em maturidade é a norma para o cristão. Deus quer que dediquemos
toda a nossa vida a Ele, separando-nos para o Seu serviço e para sermos usados para a Sua
glória. O nosso crescimento no caráter de Cristo acontece à medida que desenvolvemos uma
relação próxima com Deus, gastando tempo com Ele na oração, na Palavra e na resposta à
voz do Seu Espírito. Deus quer que assumamos um papel ativo na busca da santidade,
fazendo escolhas que nos irão levar para mais perto dEle e desenvolvendo o hábito de confiar
no seu Espírito nas nossas vidas diárias. À medida que aprofundamos a nossa relação com
Cristo, Ele produzirá em nós o fruto do amor crescente por Deus e pelos outros, crescimento
no caráter cristão e compromisso em servi-Lo.
Lição 365

NOTAS FINAIS
4LIÇÃO

A Nossa Alimentação Diária:


Palavra de Deus
Ana acordou assustada quando um ruído interrompeu o seu sono profundo. Correndo para
fora de seu quarto, ela viu que o seu filho de quatro anos, tinha derrubado uma planta na sala,
espalhando terra em cima do tapete. Quando teria tempo para limpá-lo, indagou-se?
Uma sensação de peso e incompetência tomou conta dela. O bebê chorava e precisava ser
alimentado. Ela tinha que fazer o café para a família e levar as crianças à escola. Quando
começou a fazer o café, olhou para a sua Bíblia sobre a pequena mesa. "Talvez quando o
bebê adormecer eu consiga ter algum tempo para ler," pensou. Mas parecia que algo sempre
surgia que precisava da sua atenção. Ela mal conseguia lembrar-se da última vez em que
tinha estado a sós com Deus. Quando as crianças finalmente foram para a cama, estava
exausta demais para se concentrar.
Consegue ver alguma relação entre você e Ana e a sua atarefada agenda? Como a Palavra de
Deus pode influenciar suas escolhas diárias e tornar-se cada vez mais parte do seu
pensamento? Como ela podia encontrar tempo no meio das exigências e atividades da vida
para tornar a Palavra de Deus uma prioridade em sua vida?



Como um crente pode desenvolver um relacionamento com Deus? Esta esfera da nossa vida
cristã poderia ser chamada de “a nossa vida interior,” uma vez que tem a ver com o ato de
cultivar a comunhão pessoal com o Deus vivo. Embora seja verdade que a experiência de
uma pessoa com Deus será diferente da de outra devido a fatores como personalidade e
cultura, a experiência de cada cristão é baseada em alguns elementos comuns: a interação
com a Palavra de Deus, a oração e um compromisso em viver pela fé.
A Bíblia é a fonte central através da qual o Espírito de Deus influencia a nossa vida. O
objetivo da Lição 4 é aguçar o seu apetite pela Palavra de Deus para o familiarizar com a
habilidade necessária para uma alimentação correta e consistente dela. Vamos apresentar uma
abordagem simples para o estudo bíblico diário e para a concentração em aplicar as
verdades bíblicas à sua vida.

67
Esboço da Lição
Conhecendo a Deus Através da Sua Palavra
Os Propósitos da Palavra de Deus
Encontrar Deus na Sua Palavra
Alimentar-se espiritualmente
O Espírito Santo e a Palavra
O Espírito Santo Fala a Nós
O Espírito Santo Aplica a Palavra de Deus
Os Benefícios da Palavra
Mergulhando na Palavra de Deus
Escolha a Palavra
Use a Palavra
Medite no Significado
Aplique a Palavra
Memorize a Palavra
Ame a Palavra
Construa sobre a Rocha Sólida
Gaste Tempo Diário com a Palavra de Deus
Leia a Palavra de Deus para Crescer
Um Método Simples de Estudo Bíblico
Pensamentos Finais

Objetivos da Lição
Quando tiver completado esta lição, você será capaz de:
1. Identificar e avaliar como o estudo da Palavra ajuda a desenvolver uma relação íntima
com Cristo.
2. Identificar como o Espírito Santo o levou através da Palavra a praticar uma ação ou
fazer uma mudança na sua vida e avaliar a sua resposta a esta ação.
3. Avaliar como você se apropriou dos benefícios da Palavra de Deus: (a) a importância
da mesma para você, (b) os obstáculos em conseguir ter tempo para estudá-la, e (c) as
escolhas que pode fazer para conseguir mais tempo para a Palavra de Deus.
4. Olhar para as cinco características de um bom método de estudo bíblico e avaliar as
suas próprias práticas em relação a ele.
5. Desenvolver um hábito pessoal de tempo diário com a Palavra de Deus.
6. Desenvolver o amor pela Palavra de Deus e o desejo de lê-la regularmente e aplicar
seus princípios à vida diária.

Conhecendo a Deus Através da Sua Palavra


Na Lição 1 discutimos o que significa ser cristão. Ser cristão significa ter um relacionamento
com Deus que se torna possível através do sacrifício de Seu Filho, Jesus Cristo, pelos nossos
pecados. Quando aceitamos o precioso dom gratuito de Deus colocando a nossa confiança no
Seu Filho para a salvação, entramos pela porta estreita que nos coloca no caminho que é a
vida cristã.
68
Lição 469

Assim como marido e mulher não sabem tudo que o há para saber um sobre o outro no dia do
seu casamento, assim o nosso conhecimento de Deus está longe de ser abrangente no
momento da conversão. Se pensarmos no relacionamento de um bom casamento, percebemos
que cada ano de união traz uma intimidade mais profunda. Um casal cresce junto à medida
que compartilha mais e mais experiências. Cada parceiro aprende mais do caráter do outro e
torna-se mais seguro do amor do outro. Experiências compartilhadas são um fator importante
na união cada vez mais profunda de um casal.
Assim é a nossa relação com Deus. Embora o dia da nossa salvação seja certamente o dia
mais importante da nossa vida, é apenas o começo da nossa vida com Deus. Passamos a
conhecer a Deus cada vez mais à medida que passamos pelas experiências da vida juntamente
com Ele e compreendemos mais do Seu caráter.
A vida de muitos personagens bíblicos lembra-nos da natureza crescente da relação com Deus.
Moisés tinha andado com Deus durante muitos anos quando foi convocado para ir ao Monte Sinai,
para o seu encontro mais pessoal com o Todo-poderoso. O desejo de Moisés em conhecer a Deus de
uma forma mais profunda encontra-se expresso na sua oração: "Agora, pois, se achei graça aos teus
olhos, rogo-te que me faças saber o teu caminho para que eu te conheça…" (Êx. 33:13). Em Êxodo
33:18, ele orou: "Mostra-me a tua glória." O Senhor honrou o seu pedido, fazendo com que a Sua
glória passasse por Moisés enquanto ele estava abrigado na fenda de uma rocha.

Leia Êxodo 34:5-7 e 34:28-29.


1. Como Deus se revelou a Moisés?
2. Como Deus descreve a si mesmo?
3. Quais os efeitos que este encontro tiveram em Moisés?

Podemos apenas imaginar a forma como esse encontro fantástico com o Deus vivo mudou a
vida de Moisés. Em Números 12:3 lemos que Moisés foi o mais humilde dos homens sobre a
face da terra. Homens e mulheres da Bíblia que tiveram um encontro pessoal com Deus se
humilharam ao reconhecer a Sua glória e poder e tinham o desejo de conhecê-lo ainda mais.
Paulo era um seguidor de Cristo há muitos anos, quando escreveu as palavras de Filipenses
3:10, expressando o seu profundo desejo de conhecer a Cristo. A relação, iniciada num ponto
da estrada de Damasco, tinha ficado cada vez mais profunda, mais forte e doce enquanto
Paulo caminhava com Cristo.
Conhecer a Cristo tinha se tornado a força
O nosso objetivo na vida
impulsionadora na vida de Paulo. O seu principal
cristã é ter uma maior
objetivo na vida não era ser o melhor evangelista
intimidade com Cristo, para
ou teólogo ou ensinar a Bíblia, mas estudar mais
que possamos refleti-lo e
para conhecer a Cristo de forma ainda mais
trazer glória ao Seu nome.
profunda. O nosso objetivo na vida cristã é ter mais
intimidade com Cristo, para que possamos refletí-
Lo e trazer glória ao Seu nome.
Deus tem-nos dado o que precisamos para tornar esta intimidade possível. Para nos habilitarmos a
conhecê-Lo, temos o privilégio de O conhecer através da Sua Palavra e da oração. A Bíblia foi dada
como a palavra escrita de Deus, a Sua palavra para nós, a Sua comunicação conosco, capacitando-
70Caminhando com Cristo

nos para O conhecer. Deus tomou a iniciativa de se fazer conhecido a nós. Claro que podemos ver o
Seu poder e divindade revelados na natureza; o céu, o mar, as montanhas, as vastas florestas e
desertos, todos falam Dele. Mas Deus quis que nós soubéssemos muito mais sobre Ele do que é
possível pela natureza. Assim como ele se revelou a Abraão, Moisés, Davi e Paulo, Ele quer revelar-
se a nós, e Ele faz isto principalmente através da Sua Palavra.

Leia Hebreus 1:1-5. Como Deus disponibilizou um maior conhecimento de Si


próprio a nós?

O Filho de Deus é referido como a Palavra, Aquele


O alvo da leitura da
que nos fala e faz a comunicação entre o Pai e nós
Palavra de Deus é
(Jo. 1:1-5). Enquanto nos focamos na Palavra de
conhecer a Palavra viva de
Deus nesta lição, precisamos lembrar de que o alvo
Deus, Jesus Cristo.
da leitura da Palavra de Deus é conhecer a Palavra
viva de Deus, Jesus Cristo.
Quanto mais conhecemos Jesus, mais conhecemos do
Pai, porque Jesus disse que qualquer um que O vê, vê o Pai (Jo. 14:9). Começar a conhecer a
Deus de uma maneira mais profunda deve ser prioridade nas nossas mentes quando sentamos
para abrir a Bíblia. Devemos abordar a leitura com a atitude: "Senhor, o que tens para me
dizer? Mostra-me mais de Ti e dos Teus caminhos."
Muitas vezes os crentes caem no hábito de se aproximar da Palavra de Deus mecanicamente, como
se uma mera leitura pudesse automaticamente torná-los santos. Ler a Palavra de Deus não é uma
boa ação obrigatória de uma lista de coisas a fazer. Os fariseus liam o Antigo Testamento
diligentemente, só falharam porque não conseguiram desenvolver um relacionamento pessoal com
o Autor das suas páginas e não reconheceram a Cristo como o Salvador prometido (João 5:39).
Satanás aparentemente sabe e pode até citar as Escrituras, no entanto, abomina Aquele que é
proclamado nas suas páginas. Corremos o risco de perder este elemento essencial na construção do
relacionamento com Deus quando transformamos o estudo da Escritura num exercício seco e sem
vida.

Agradeça a Deus pela Sua Palavra que torna pos sível


conhecê-Lo de uma maneira mais profunda. Quando se
aproximar da Palavra de Deus hoje, peça que lhe mostre
mais de Si mesmo e dos Seus caminhos.

Os Propósitos da Palavra de Deus


Deus nos deu Sua Palavra por muitas razões. A mais importante delas é o Seu desejo de que
viéssemos a conhecê-Lo, aprofundássemos a nossa relação com Ele, e nos tornássemos mais
como Cristo. Conhecer as razões por que Deus deu a Sua Palavra pode nos motivar a estudá-
la.

Encontrar Deus na Sua Palavra


Lição 471

Moisés encorajou o povo de Deus a buscar o Senhor com todo o seu coração e de toda a sua
alma (Dt. 4:29). Deus quer que O busquemos, e fica satisfeito conosco quando nos
aproximamos da Sua Palavra com o desejo de O encontrar e conhecer. Podemos chegar à
Sua Palavra, a Sua comunicação para nós, esperando que Ele venha ao nosso encontro e se
revele a nós.
João nos diz que o objetivo principal de ler o Seu evangelho é que o leitor creia que Jesus é o
Cristo e desfrute a vida eterna n’Ele (Jo. 20:30-31). Esse pensamento é repetido por todo o
Novo Testamento (cf. Rm. 10:17; 2 Tm. 3:15, I Jo. 5:13). Podemos concluir que um dos
propósitos de Deus, ao inspirar os autores do Novo Testamento para escreverem, foi que
proclamassem a verdade sobre o Seu Filho, Jesus Cristo, para que a reação das pessoas fosse
crer nEle.

Alimentar-se Espiritualmente
Outro propósito da Palavra de Deus, pode ser visto nos versículos seguintes:

Leia os seguintes versículos. Indique a finalidade da Bíblia para cada versículo.


Versículo (s) Propósito
Mateus 4:4
João 17:17
2 Timóteo 2:15
2 Timóteo 3:16-17
1 Pedro 2:2

Estes versículos indicam que a Palavra de Deus foi planejada para nos nutrir a fim que
possamos crescer em santidade. A Palavra de Deus não só fornece o que precisamos para nos
trazer à salvação, como também fornece o que precisamos como crentes para crescer em
maturidade e nos tornarmos mais e mais como Cristo.
Muitas pessoas contentam-se em conhecer a Cristo como seu Salvador, mas não têm desejo
de ir para um nível mais profundo no conhecimento sobre Ele. Voltando à nossa analogia do
casamento, isto é equivalente a casar-se dizendo ao seu marido ou esposa, "Bem, nós agora
estamos casados, eu sei tudo o que há para saber sobre você, então não há necessidade de
mais comunicação entre nós." Tal afirmação é ridícula, porque sabemos que a comunicação é
essencial para que um casal cresça em união. Do mesmo modo, Deus deseja continuar a
comunicação conosco. Ele tem um baú do tesouro da verdade sobre si mesmo e Seu filho
que Ele quer compartilhar conosco, o qual ajudará a nossa relação, tornando-a cada vez
mais forte ao longo dos anos.
A Bíblia contém "leite" para alimentar o crente recém-nascido, de modo que possa ser
solidamente alicerçado na fé, mas a Bíblia tem muito mais do que o leite para oferecer. Ela
também contém a "carne", que é o ensino mais profundo e mais difícil de entender e digerir.
Assim como um bebê começa a vida com o alimento líquido e, gradualmente, é capaz de
digerir alimentos sólidos, assim o jovem crente deve avançar para o ensino mais sólido.
72Caminhando com Cristo

A Palavra de Deus nos ajuda a crescer na vida cristã. Em 2 Timóteo 3:16, vemos que a
Escritura é proveitosa para nos ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em
justiça. Estes quatro aspectos abrangem a totalidade do que precisamos saber sobre Deus e
nosso relacionamento com Ele. A Bíblia está cheia de ensinamento rico sobre o caráter e as
obras de Deus, o Seu plano de salvação, e a revelação do Seu Filho, Jesus Cristo. A Escritura,
não só nos ensina sobre Deus e revela o Seu plano de salvação em Cristo, como também nos
dá a instrução na justiça, mostrando-nos como viver uma vida que agrada a Deus.
A Bíblia também é boa para a repreensão e correção, que na verdade são as duas faces da
mesma moeda. "Reprovação" significa que a Bíblia nos mostra quando estamos errados, tanto
no nosso entendimento como na vida prática. Não só isso, a Bíblia mostra o caminho certo
também. A "correção" é o que nos coloca novamente no caminho certo.
Podemos resumir os dois propósitos da Palavra de Deus da seguinte maneira: Deus deseja nos dar a
nossa salvação e o crescimento em santidade. A Palavra de Deus escrita – ensinada e pregada – é o
principal instrumento que Deus usa para realizar estes fins.

Como você tem experimentado os dois propósitos da Palavra de Deus na sua


vida? Como sua intimidade com Deus foi aprofundada através do estudo da
Bíblia?

O Espírito Santo e a Palavra


Há uma ligação muito estreita entre a Palavra de Deus e nosso recurso sobrenatural na pessoa
do Espírito Santo. A fim de realizar a Sua obra no mundo, o Espírito usa a Palavra de Deus.

O Espírito Santo Fala a Nós


Em 2 Pedro 1:21 aprendemos que o Espírito Santo inspirou e guiou os escritores bíblicos enquanto
eles escreviam a Escritura. Pelo fato de ter sido Aquele que inspirou os escritores bíblicos, o Espírito
Santo é capaz de nos ajudar a compreender de maneira singular a Palavra de Deus. Uma vez que é
na Palavra que Deus revela como as pessoas se relacionam com Ele, a Bíblia torna-se o meio pelo
qual o Espírito abre os nossos corações e mentes para as maravilhas do Senhor Jesus. Sem o
Espírito, as pessoas, não podem ter essa percepção.

Leia 1 Coríntios 2:11-16. Como explicaria o relacionamento entre o Espírito e a


nossa compreensão da verdade espiritual?

O Espírito Santo revela os pensamentos de Deus, ajudando-nos a entendê-los. Deus deseja


que todas as pessoas sejam salvas e Ele inspirou os autores das Escrituras para comunicar a
verdade, quase sempre de forma clara e simples para entendermos. O Espírito Santo está
pronto a responder a quem genuinamente quer saber a verdade.
Vemos que o Espírito interage conosco através da Palavra, abrindo os nossos olhos para ver
Jesus Cristo como Filho de Deus. Não só isso, como aprendemos na Lição 2, é o Espírito que
nos leva a obedecer-lhe, convencendo-nos da nossa desobediência, e é o Espírito que nos
orienta sobre como devemos viver para agradar a Deus. A Palavra de Deus e a obra do
Espírito Santo são inseparáveis.
Lição 473

O Espírito Santo Aplica a Palavra de Deus


Na Lição 2 vimos que o Espírito Santo trabalha em nossas vidas de várias maneiras. Vejamos
um exemplo de como Ele trabalha através da Palavra de Deus.
Por exemplo, podemos ler uma passagem como Efésios 4:32 que fala sobre o perdão e
sermos conscientizados de que o estilo de vida cristão deve ser caracterizado pelo perdão. Ao
aceitarmos esta verdade e começarmos a pensar sobre as suas implicações, o Espírito Santo
nos torna conscientes de uma situação em que não estamos dispostos a perdoar. Ele continua
trabalhando em nós até que respondamos à Sua orientação para perdoar essa pessoa.
O Espírito Santo usa a Palavra de Deus para nos tornar conscientes do pecado em nossas
vidas e nos ajudar a erradicá-lo. Deus projetou as Escrituras para dar uma orientação moral às
pessoas que vivem em qualquer cultura, em qualquer idade e em qualquer ambiente moral.
As orientações morais encontradas na Bíblia refletem o caráter de Deus. Quando vemos uma
ordem específica, o Espírito lança luz sobre ela, ajuda a nossa consciência a ser reorientada e,
em seguida, nos dá entendimento sobre como aplicá-la à nossa situação.
Por exemplo, 1 Coríntios 6:18 diz aos crentes para fugirem da imoralidade sexual. O Espírito trabalha
em nós para nos dar uma compreensão mais profunda do que constitui o pecado sexual e da nossa
necessidade de fugir dele. Ele nos convence de onde falhamos e nos mostra maneiras de aplicar este
mandamento. Começamos a ver que este mandamento afeta tudo o que vem à nossa mente. Para
obedecer-lhe, devemos aplicá-lo naquilo que lemos, vemos e pensamos, assim como no que
fazemos. O Espírito convence-nos sobre estas áreas, enquanto meditamos na Palavra de Deus.
Quanto mais meditarmos sobre ela, mais teremos a mente de Cristo nesta referida área. Na medida
em que aceitarmos à orientação do Espírito, a Escritura se tornará cada vez mais influente na
formação do nosso comportamento.

Como você tem experimentado o Espírito Santo interagindo com a Palavra de


Deus na sua vida? Como tem respondido às orientações do Espírito Santo?

Os Benefícios da Palavra
A Bíblia é um tesouro maravilhoso que é nosso para apreciar e explorar. A vida não é
suficientemente longa para explorarmos as suas riquezas. Quando olhamos para as
Escrituras, encontramos inúmeras bênçãos ou benefícios oferecidos a quem está disposto a tomar
tempo para buscar a Deus enquanto Ele se revela nas páginas da Sua Palavra.

Leia os seguintes versículos. Que benefícios ou bênçãos você encontrou ao estudar


cada versículo?

Versículo (s) Benefício

Salmo 17:4; 119:11, 101-102


Salmo 19:8; 119:111
Salmo 19:11
Salmo 119:9
74Caminhando com Cristo

Salmo 119:50
Salmo 119:98-99, 130
Salmo 119:105; 25:4-5
Salmo 119:165
Provérbios 6:23
Romanos 15:4

Leia a lista de novo. Quais destes benefícios da Palavra de Deus são


importantes para você? Como pode experimentá-los cada vez mais?

Tire algum tempo para agradecer a Deus pelos


benefícios da Sua Palavra acima listados e pelas
maneiras como a Sua Palavra o mantém no caminho
certo.

Os maiores benefícios da Palavra de Deus são o resultado de estarmos sempre interagindo


com ela de várias maneiras.

Mergulhando na Palavra de Deus


Como diz o provérbio popular: "Podemos levar um cavalo à água, mas não podemos obrigá-
lo a beber." Esta é uma escolha que o cavalo deve fazer por si mesmo. Assim é com o
alimento espiritual. Há muitas maneiras pelas quais podemos tentar levar as pessoas à fonte
da Palavra de Deus, mas beber será sempre a decisão delas. Como cristãos, temos que fazer
a escolha de ler a Palavra.
Quando não arranjamos
Escolha a Palavra
tempo para a Palavra de Deus
Muitos dizem: “Mas eu não tenho tempo para
no nosso programa diário, nós
estudar a Bíblia." Quantas vezes enchemos a
ficamos completamente
nossa agenda diária de atividades, muitas vezes
famintos espiritualmente.
aceitando fazer mais do que realmente podemos
num dia. No final do dia percebemos que não
gastamos nenhum tempo com a Palavra de Deus.
Muitas coisas que nós escolhemos são boas, mas o bom pode ser o inimigo do melhor.
Quando não arranjamos tempo para a Palavra de Deus no nosso programa diário, ficamos
completamente famintos espiritualmente e os resultados serão evidentes em nossa experiência
infrutífera e seca da vida cristã.
Estudo sério da Bíblia é tão essencial para o cristão quanto comer. Assim como encontramos
tempo para comer, dormir, trabalhar, conviver e desfrutar de atividades de lazer, temos
também que conseguir tempo para estudar a Bíblia, programando em nossa vida diária como
um hábito regular.
Mas, como vamos ler a Palavra de Deus? No seu livro, “Shaped by the Word” (Moldado pela
Palavra), Robert Mulholland faz uma distinção entre leitura “formativa” e
“informativa.”26Enquanto na leitura informativa a tarefa do leitor é dominar o texto, o
Lição 475

proposito da leitura formativa é que o texto domine o leitor. 27Isso requer uma abordagem
completamente diferente de leitura da Bíblia. “Em vez da abordagem analítica e crítica da
leitura informativa, a leitura formativa requer uma abordagem humilde, neutra, disposta e
amorosa.”28 Nesta abordagem os leitores estão abertos para serem formados e moldados por
aquilo que lêem.
Às vezes nos aproximamos da leitura da Bíblia como mais uma tarefa diária obrigatória. Rapidamene
fechamos a Bíblia quando terminamos o texto do dia, tratando a Palavra de Deus como mais um
dever cumprido da lista de afazeres diários. Podemos encarar a leitura da Bíblia apenas como mais
uma realização espiritual e rapidamento passarmos para as nossas tarefas do dia. Pastores e líderes
têm a tendem a ler a Bíblia visando ensiná-la aos outros. No entanto, os escritores bíblicos tinham
uma perspectiva diferente em relação à Palavra de Deus.

Leia todo o Salmo 119. Que temas repetidos encontrou neste Salmo?

Neste salmo o autor exalta o valor da Palavra de Deus. Talvez em nenhum outro lugar nas Escrituras
encontremos um catálogo tão extenso das riquezas da Bíblia. Observe algumas das escolhas pessoais
que o autor deste salmo registrou para nós nos versículos abaixo.

Leia cada um dos versículos abaixo e anote as escolhas do autor:


Versículo (s) Escolha
Salmo 119:1-2
Salmo 119:30
Salmo 119:44
Salmo 119:59-60
Salmo 119:101
Salmo 119:147-8

No versículo 133 o salmista ora, “Firma os meus passos na tua Palavra e não deixes que alguma
iniquidade domine sobre mim.” Esta é a oração de um homem que colocou seu o caminho e a
Palavra de Deus perante si como sendo a âncora da sua vida.

Reveja as escolhas registradas pelo salmista:


 Quais escolhas o autor fez com respeito à palavra de Deus?
 Você tem dado à Palavra de Deus um lugar predominante na sua vida?
 Que coisas tendem a impedi-lo de tornar prioritária a Palavra de Deus na
sua vida?

Pare agora para agradecer a Deus porque Ele nos tem


dado a Sua Palavra e peça-Lhe que o ajude a ansiar pela
Sua Palavra como o escritor do Salmo 119 o fez.
76Caminhando com Cristo

Use a Palavra
O Salmo119 providencia um modelo de como podemos usar a Palavra de Deus nas nossas vidas.

No Salmo 119 procure os seguintes versículos. Como é que o autor interagiu


com a Palavra de Deus à medida que a lia? Repare como ele aplica a Palavra de
Deus à sua vida.
Versículo (s) Aplicação
Salmo 119:10
Salmo 119:18, 27
Salmo 119:25
Salmo 119:29
Salmo 119:33-34, 73
Salmo 119:36
Salmo 119:116
Salmo 119:125

É claro que o salmista passou muito tempo com a Palavra de Deus, lendo-a, estudando-a,
pensando no seu significado e procurando aplicá-la diariamente à sua vida.
É necessário termos cautela com a forma como usamos as Escrituras. Muitos crentes têm a
tendência de tratar a Bíblia como um horóscopo. Abrem a Bíblia ao acaso e esperam que
Deus lhes dê conselhos específicos da passagem que lêem. O perigo desta abordagem é que
os leitores tendem a perder o verdadeiro ensinamento de uma passagem porque a filtram
através da tela das suas necessidades e circunstâncias pessoais. Na nossa ânsia de
encontrar um versículo que nos ajude ou que nos dirija, podemos usar mal a Bíblia. Ao
lermos a Palavra, Deus, às vezes, nos fala com franqueza sobre um problema ou situação de
nossa vida. Mas, devemos ter cuidado para não insistir em que a Bíblia diga o que nós
queremos, em vez daquilo que ela realmente diz.

Medite no Significado
Temos falado sobre a importância da leitura da Palavra de Deus e do papel do Espírito Santo
de abrir os nossos olhos para as verdades que lemos. Também é importante meditar sobre o
que lemos para permitir que a Palavra de Deus e o Seu Espírito trabalhem em nós.
O que a meditação não é. A palavra "meditação" tem assumido algumas implicações
negativas nos últimos anos. Meditação, como estamos usando a palavra, não é um ritual ou
uma técnica religiosa. Muitas religiões usam uma forma de meditação, que é uma abordagem
que envolve técnicas de relaxamento, como respiração profunda. Estas pessoas meditam
voltando a sua atenção para dentro de si mesmas, treinando suas mentes para filtrarem
pensamentos, concentrando-se na sua respiração, enquanto cantam uma simples palavra ou
frase. O objetivo de tal “meditação” é alcançar a “harmonia interior” através da limpeza da
mente. Isto não é o que os escritores bíblicos tinham em mente quando falam em meditar na
Palavra de Deus. Na verdade, esvaziar a sua mente e cantar um mantra pode ser um perigoso
convite aos poderes demoníacos para ocuparem o lugar vazio.
Lição 477

O que a meditação é. Meditar sobre as Escrituras é claramente um hábito de uma pessoa piedosa.
Davi meditava frequentemente nas Escrituras e o conteúdo da sua meditação foi preservado para
nós nos seus salmos. No Salmo 63:6-8, ele escreveu: “No meu leito de ti me recordo e em ti medito,
durante a vigília da noite. Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das Tuas asas eu canto de alegria.
A minha alma apega-se a Ti: a Tua destra me sustenta.”

Leia Josué 1:7-9.


1. Que responsabilidade Deus deu a Josué nestes versículos?
2. Porque isto era importante para o novo líder?

A meditação, tal como a entendemos em tais versículos, é simplesmente pensar em Deus e


na Sua Palavra, concentrando a nossa atenção Nele e no Seu caráter e sobre as verdades
da Sua Palavra. Ao lermos um versículo ou passagem, podemos considerar o significado e a
aplicação do que lemos. Ao tomarmos tempo para pensar sobre Deus, podemos lembrar-nos
das verdades sobre o Seu caráter, as Suas promessas, as Suas obras, o Seu desejo para nós.
Pensar em Deus e na Sua Palavra nos ajuda a preencher a lacuna entre o que lemos e como
vivemos. Ajuda-nos a aplicar a Sua Palavra às situações diárias que estamos enfrentando e a
fazer pedidos pessoais específicos das verdades que lemos. Uma das coisas mais importantes
que podemos fazer para sermos formados e moldados pela Palavra de Deus é refletirmos
sobre nela.

Aplique a Palavra
Deus não deseja apenas que leiamos, reflitamos e meditemos na Sua Palavra, Ele deseja que
obedeçamos a ela.

Leia Tiago 1:22-25. Contraste as duas respostas nestes versiculos com a Palavra
de Deus.

Tiago diz que a pessoa que olha intencionalmente para a Palavra de Deus determinada a obedecê-la
será abençoada. Ele adverte-nos: “Tornai-vos pois praticantes da Palavra e não apenas ouvintes,
enganando-vos a vós mesmos.” O propósito é que a nossa vida seja mudada pela leitura e estudo da
Bíblia. Deus deseja que cresçamos até à maturidade e nos tornemos mais e mais como Cristo. A
medida em que lemos, meditamos e aplicamos a Palavra de Deus à nossa vida diária, começaremos
a ver as mudanças que ocorrem dentro de nós.

 Como você tem crescido na área da meditação sobre o significado da


Palavra de Deus?
 Como você põe a Palavra de Deus em prática na sua vida?
 Que mudanças você pode ver em sua vida como resultado de ler, meditar
e aplicar a Palavra de Deus às situações?

Memorize a Palavra
78Caminhando com Cristo

Memorizar a Palavra de Deus é uma excelente maneira de introduzí-la na sua vida de modo
que seja facilmente acessível quando precisar dela. O salmista escreveu: “Guardo a tua palavra
no meu coração, para não pecar contra Ti” (Sl. 119:11). Jesus usou palavras decoradas das Escrituras
como Sua defesa quando enfrentou as tentações de Satanás. Podemos valer-nos do mesmo recurso
usado pelo Salvador.

Tome tempo para memorizar o Salmo 1 antes da próxima reunião. Trabalhe num
versículo em cada dia, decore-o e medite no seu significado. Adicione um novo
versículo e tente repetir todos os versículos juntos a cada dia. Então, parafraseie
todo o salmo com suas próprias palavras.

Enquanto decora versículos, certifique-se de que medita sobre a passagem inteira, talvez o
capítulo inteiro, para ter certeza de que compreendeu o versículo corretamente de acordo com
seu contexto. Caso contrário, corre o risco de mal-entendidos e, assim, dar uma má aplicação
do versículo à sua vida.

Ame a Palavra
Os escritores da Bíblia foram, por vezes, movidos a expressar o que a Palavra de Deus significava
para eles.

Leia os seguintes versículos. Qual o valor que a Palavra de Deus teve para o autor
destes versículos? Como eles descrevem a Palavra ou o seu sentimento sobre ela?
Versículos(s) Descrição do Autor sobre a Palavra
Jó 23:12
Salmo 119:20, 24
Salmo 119:97
Salmo 119:131
Jeremias 15:16

 Como acha que os salmistas chegou a ter esse amor apaixonado pela
Palavra de Deus?
 Qual é o papel que a Palavra de Deus tem na sua vida?
 Que passos práticos você pode tomar para que a Palavra de Deus tenha um
maior impacto na sua vida?

Peça a Deus para lhe dar amor pela Sua palavra, para
que possa pensar nele como o “deleite do seu coração” e
anseie por mais tempo com Ele.
Lição 479

Construa sobre a Rocha Sólida


Quando escolhemos a Palavra de Deus e a usamos diariamente, aplicando as suas verdades às
nossas vidas, estamos construindo as nossas vidas sobre a Palavra de Deus.

Leia Mateus 7:24-27. Qual é o fundamento de que Jesus fala, e qual o papel que
este fundamento tem em tempos de angústia?

Em cada situação podemos recorrer à Palavra de Deus e verificamos que ela é o fundamento
sólido. Uma mulher que enfrentou uma grande tragédia em sua vida escreveu: “A Palavra de
Deus foi uma âncora para mim no meio da pior tempestade que já enfrentei. Sem esta âncora
na minha vida, eu teria afundado sob as ondas do medo e da tristeza. Através da Sua Palavra
Deus falou-me de paz, e me deu tranquilidade em vez de pânico, à medida que me lembrava
da bondade de Deus, da Sua presença comigo e do Seu amor eterno por mim”.
Para se construir sobre este fundamento, precisamos estar convencidos de que podemos
depender da Bíblia como uma bússola confiável que nos guia na vida. Este fundamento é
confiável?
Vemos várias passagens, tais como 2 Timóteo 3:16 e 2 Pedro 1:20-21, que mostram que a
Bíblia afirma ser a Palavra inspirada de Deus. A Palavra de Deus é eterna, um guia infalível
que Deus deu para guiar nossos passos enquanto caminhamos neste mundo no caminho para
o céu. Outros guias podem parecer confiáveis, mas, em última instância falharão. A Palavra
de Deus é o único padrão em que podemos confiar como nosso guia ao longo da vida. É a
linha de prumo, a norma de fé, pela qual medimos tudo em que acreditamos e tudo o que
fazemos.
Alguns podem, naturalmente, duvidar de que a Bíblia seja a Palavra de Deus, inspirada por
Ele. Quando temos tais dúvidas, Deus nos convida a provar a autenticidade da Sua Palavra.
Use tempo para ler a Bíblia, uma leitura com uma mente aberta, com uma disposição de
considerar as suas alegações. Peça a Deus que lhe mostre se ela é verdadeiramente a Sua
Palavra.

Gaste Tempo Diário com a Palavra de Deus


Tal como alimentamos o nosso corpo físico com o alimento e a bebida diárias, também a
nossa natureza espiritual necessita de uma nutrição diária. Nós não pensamos em passar fome
80Caminhando com Cristo

deliberadamente quando o alimento está disponível, mas muitas vezes os cristãos não
reconhecem a necessidade e o prazer de alimentar o seu espírito com a Palavra de Deus.
Quando o povo de Israel foi liberto da escravidão e conduzido para fora do Egito, Deus
proveu as suas necessidades de alimento através de uma substância misteriosa chamada
maná. O maná caía diariamente e o povo de Deus só tinha que sair das suas tendas e recolhê-
lo diariamente. Foi-lhes instruido que não colhessem mais do que pudessem comer nem
tentassem guardá-lo para o outro dia. Se o fizessem, criaria larvas (Êx. 16:13-31). Este maná
é uma figura de Cristo, o pão da vida, e a história ensina a necessidade de alimentação diária
em Cristo. O nosso tempo diário com a Palavra de Deus é como o maná para nós.
Ao consideramos as nossas necessidades espirituais, vemos que o hábito da alimentação
diária da Palavra é essencial para nos tornar fortes e nos ajudar a aprender a depender
de Deus para o que precisamos a cada dia. Quando os discípulos pediram a Jesus para os
ensinar a orar, a oração que Jesus lhes ofereceu como modelo incluiu as palavras: “Dá-nos
hoje o pão nosso de cada dia.” A implicação dessa frase é que nós oramos diariamente,
pedindo a Deus para preencher as nossas necessidades para aquele dia específico.
Nós vemos que este hábito de festejar diariamente a Palavra de Deus é um privilégio que
Deus nos deu para nosso benefício, para nos tornar fortes e prosperarmos. Ele nos dá o que
precisamos para o nosso alimento espiritual, mas Ele quer que venhamos até Ele diariamente
para recolhermos este alimento espiritual. O maná da semana passada não nos sustentará no
meio das situações de hoje.

Leia a Palavra de Deus para Crescer


Muitos crentes ao longo dos séculos têm dado conselhos específicos sobre como ler a Bíblia
de forma eficaz e devocionalmente. Martinho Lutero recomendou ler algumas passagens das
Escrituras imediatamente antes de ir dormir para que elas preenchessem os seus pensamentos
durante a noite. John Wesley escreveu: “Se deseja ler as Escrituras de tal modo que possa
mais eficazmente responder para este fim, não seria aconselhável separar um pouco de
tempo, se puder, todas as manhãs e todas as noites
para esse fim?”29 Ele sugeriu a leitura de um capítulo O propósito de gastar
do Velho e outro do Novo Testamento, ou uma parte tempo diariamente com a
de um capítulo, lendo “com um olhar focado, para Bíblia é conhecer melhor a
conhecer toda a vontade de Deus, e uma resolução Deus e aprofundar a nossa
firme de a cumprir.” Ele também encorajou os fiéis a relação com Ele
orar antes e depois da leitura da Palavra de Deus,
“para que o que lermos possa ser escrito nos nossos
corações."30
O propósito de gastar tempo diariamente com a Bíblia é conhecer melhor a Deus e
aprofundar a nossa relação com Ele enquanto Ele fala conosco através da Sua Palavra.
Embora seja importante aprender a estudar cuidadosa e exaustivamente as Escrituras, não é
esse o objetivo principal do nosso tempo diário com Deus. O estudo detalhado da Bíblia é
muito importante e pode produzir resultados ricos, mas, a não ser que o nosso estudo vá além
da aquisição de informação, ele será inútil.
Existem centenas de estudiosos que conhecem mais sobre o contexto e os detalhes da Bíblia
do que a maioria de nós nunca vai saber e, no entanto, eles estão espiritualmente mortos. O
mero estudo da Bíblia nunca mudará a vida de uma pessoa. Os líderes cristãos podem
Lição 481

cair num padrão de estudo da Palavra de Deus com o fim de apresentarem um grande sermão
ou para não ficarem envergonhados quando ensinam. Existe o perigo de se tornar um
aprendiz especialista que pode não ser pessoalmente aberto à voz de Deus. Estudar a Palavra
de Deus de uma forma puramente acadêmica pode tornar-nos insensíveis e sem resposta à
obra do Espírito em nossas vidas. O objetivo do nosso tempo diário com Deus não é fazer
trabalhos acadêmicos mas conhecer a Cristo mais intimamente e ouvir Deus falar conosco
através da Sua Palavra.
Se quiser ler a Palavra de Deus para ouvir a Sua voz e crescer, é importante ter tão poucas distrações
quanto possível. Eliminar distrações e manter um tempo regular são elementos importantes na
manutenção de uma boa vida devocional. Outro fator que contribui para um tempo devocional
efetivo é encontrar um lugar apropriado. É importante ter um espaço tranquilo onde possa ir
regularmente para ficar a sós com o Senhor. Isto é especialmente verdadeiro se tiver filhos
pequenos ou se viver em condições de superlotação.

Responda a estas perguntas para o ajudarem a avaliar o seu empenho em dialogar


com Deus através da Sua Palavra.

1. Para onde vai para passar tempo com o Senhor? É um lugar calmo, com
poucas distrações? Se não, pode encontrar um lugar mais adequado?
2. Com que frequência gasta tempo com a Palavra de Deus?
3. Se for difícil, o que pode fazer para torná-la uma prioridade?
4. Que atividades poderiam ser omitidas para ter o tempo que preciso?

Um Método Simples de Estudo Bíblico


Um método simples de estudo ajuda-nos a pensar sobre o que temos lido e a aplicá-lo à nossa
vida diária. Uma vida transformada é o resultado da interação com as Escrituras. Num outro
curso, apresentamos um método mais extenso de estudo bíblico chamado estudo indutivo. O
estudo indutivo leva o leitor a uma maior interação pessoal com a Bíblia. O aluno estuda uma
passagem ou um livro inteiro da Bíblia, utilizando três etapas: observação, interpretação e
aplicação.
Outra abordagem para o estudo da Bíblia é ler a Bíblia do começo ao fim. Se ler quatro
capítulos por dia, vai cobrir toda a Bíblia em cerca de nove meses. Esta abordagem oferece
uma imagem geral de toda a Escritura, escrita durante um período de cerca de 1600 anos.
Poderá ver as surpreendentes inter-relações das várias partes da Bíblia.31
Embora estes métodos sejam valiosos para um estudo mais intensivo da Bíblia, o nosso
propósito nesta lição é apresentar um método simples e condenssado de estudo da Bíblia que
pode ser utilizado num estudo devocional de qualquer passagem da Escritura e que enfatiza a
aplicação dos princípios bíblicos à vida.

Características de um bom método de estudo diário da Bíblia.


Várias características de um bom método de estudo diário da Bíblia são incluídas aqui. Considere o
método que está usando atualmente e veja se ele cobre estes critérios.
82Caminhando com Cristo

1. Simples. Um jovem cristão, uma vez, pediu a um amigo para lhe mostrar como estudar a
Bíblia. Para seu espanto, foi-lhe dado um método de estudo da Bíblia de cinco páginas no
qual é preciso seguir mais de cem passos. Determinado a experimentar este método, o
jovem passou duas horas frustrantes nos dois primeiros passos. Desesperado, desistiu e
resignou-se ao fato de que ele nunca seria capaz de estudar a Bíblia por si mesmo. Temos
de nos perguntar quão bom um método é se as pessoas nunca o usam. O melhor método
para o estudo devocional diário é aquele que é simples o suficiente para qualquer crente o
usar.
2. Ser suficientemente profundo para produzir conhecimento real da passagem e conduzir a
uma interpretação correta. É importante estudar uma passagem da Escritura em vez de
olhar para cada versículo fora do seu contexto. Um grande perigo de fazer um estudo
devocional curto está em não olhar para uma passagem com suficiente atenção e
pormenor a fim de a compreender com precisão. Isso geralmente resulta em má
interpretação e má aplicação. É muito fácil para as pessoas verem numa passagem o que
elas querem ver e não o que realmente a Bíblia diz. Um bom método fará as perguntas
corretas para expandir o significado da passagem.
3. Aplicável. O objetivo do nosso tempo com a Palavra de Deus é compreender o que a
Bíblia diz e obedecê-la. Isto é o que torna a Bíblia viva para nós e para aqueles a quem
ministramos. Não podemos ser todos estudiosos da Bíblia, mas todos nós podemos
entender a Bíblia suficientemente bem para aplicá-la em nossas vidas. Deus fica muito
mais satisfeito com uma pessoa simples que entende só um pouco, mas que pratica o que
entende, do que com o acadêmico sofisticado que conhece a Bíblia exaustivamente mas
coloca em prática muito pouco dela.
4. Gaste um tempo mínimo. Um bom método de estudo da Bíblia deve ser curto o suficiente
para que sejamos capazes de usá-lo de forma consistente. As pessoas geralmente não
usam um método de estudo diário que exija mais do que vinte a trinta minutos. A maioria
das pessoas está ocupada e tem dificuldade em encontrar muito tempo para estudo
pessoal.
5. Transferível. Devemos ser capazes de ensinar este método aos outros. Uma das maneiras mais
práticas de ajudar as pessoas a crescer é mostrar-lhes como estudar a Bíblia por si mesmas. O
melhor método para fins de ensino é aquele que nós mesmos conhecemos e utilizamos, aquele
que podemos recomendar como experiência pessoal. Um bom método deve poder ser
transmitido de tal maneira que outras pessoas possam usá-lo facilmente sem a nossa ajuda.

Pense no seu método atual de ler a Palavra de Deus:


1. Como você o faz?
2. Como estas 5 características fazem parte do seu estudo bíblico?
3. Que mudanças precisam ser feitas no modo como você estuda a Palavra
de Deus?

Orientações para o seu estudo diário. Algumas diretrizes irão ajudá-lo a começar. Um bom
lugar para começar é no Novo Testamento, talvez com um dos quatro evangelhos. Escolha
um livro para estudar e comece lendo uma seção ou capítulo. Muitas traduções já dividiram o
Lição 483

livro em parágrafos ou seções. Leia uma passagem até perceber que o assunto mudou e um
novo assunto está sendo introduzido.
Enquanto reflete sobre a passagem, faça a si mesmo estas perguntas:
 Qual é o assunto principal desta passagem? É a fé, a oração, ou o perdão? (Olhe para
ver quem está envolvido, o que está acontecendo e quando e onde os eventos
ocorreram).
 Qual é a ideia central ou o ponto principal comunicado nesta passagem?
 O que posso aprender sobre Deus nesta passagem? Sobre o Seu caráter, as Suas
promessas, os Seus planos para mim?
 O que acho que Deus quer que eu faça como resultado da leitura desta passagem?
 Que medidas concretas posso fazer para aplicar esta passagem à minha vida hoje?

Pratique lendo Marcos 6:30-44 e responda às orientações e perguntas que se


seguem.
1. Anote em uma única frase o assunto principal da passagem e a principal
verdade que Deus quer comunicar através dela.
2. O que acha que Deus está lhe ensinando sobre Ele mesmo nesta passagem?
3. O que acha que Deus quer que faça como resultado da leitura desta
passagem?
4. O que pode fazer para aplicar esta passagem à sua vida hoje?
5. Quanto tempo levou para ler a passagem e para responder às perguntas?

Algumas outras questões que podem ser úteis ao estudar uma passagem são:
 Existe uma promessa que posso reivindicar?
 Há um exemplo para eu seguir?
 Existe um aviso para eu prestar atenção?
 Existe um mandamento ao qual devo obedecer?
 Existe um pecado que devo evitar ou confessar?
 Existe um encorajamento que possa levar a sério?
 Existem palavras de louvor que eu possa repetir?
 Existe alguma nova lição sobre Deus a qual eu possa agradecer-lhe?32
Enquanto continua com este curso, utilize este método diário de estudo bíblico ou um método
semelhante. À medida em que ganhar experiência com este método simples e observar os seus
resultados na sua vida, pense sobre como compartilhar esse método com outro crente.

Como o estudo da Palavra de Deus afeta o seu relacionamento com os que estão
ao seu redor? Como a Palavra de Deus se relaciona com as suas ações e atitudes
84Caminhando com Cristo

numa situação específica ou geral?

Pensamentos Finais
Temos visto o maravilhoso recurso que Deus nos deu, a Sua Palavra. Através das suas
páginas temos a oportunidade de entrar numa relação com Ele, através de Jesus Cristo, para
conhecer a Cristo mais intimamente, para crescer em nossa vida espiritual e nos tornarmos
mais como Cristo, para colher inúmeros benefícios, tais como sabedoria, paz e força, e para
nos tornarmos solidamente alicerçados na rocha firme de Cristo e Sua Palavra. Na Palavra de
Deus inúmeros cristãos ao longo dos séculos têm encontrado resistência, paz e sabedoria de
Deus, O qual lhes deu esperança e os sustentou até mesmo nas maiores tempestades da vida.
Que privilégio é o nosso de possuir a Palavra de Deus e nos alimentarmos com as Suas
verdades diariamente.
Lição 485

NOTAS FINAIS
5LIÇÃO

Comunicando com Deus


Através da Oração
Tomás serve na sua igreja e desenvolveu o hábito de orar e ler a Bíblia diariamente. No
entanto, se ele for honesto, verá que o seu tempo de oração é muitas vezes tediante. Ele
mantém uma lista de pedidos de oração e ora por estes motivos regularmente. Viu algumas
respostas às suas orações, mas muitas vezes parece que Deus não responde. As pessoas da
sua vida não parecem mudar como resultado da sua oração. Ele sabe que precisa orar mais,
mas muitas vezes o desejo de orar é inexistente.
Quais são os obstáculos à oração que Tomás enfrenta? O que reforçaria a sua vida de oração
e o incentivaria a um compromisso mais profundo com a oração?



Na última lição aprendemos sobre a importância da Palavra de Deus na vida do crente e


edificar as nossas vidas sobre as verdades da Bíblia. Além da Sua Palavra, Deus nos deu
outro grande recurso para desenvolvermos o nosso relacionamento com Ele: o recurso da
oração.

Esboço da Lição
A Oração É a Nossa Conexão Pessoal com Deus
Oração É o Nosso Grande Privilégio de Acessm
Um Convite para Nos Aproximarmos
Como Devemos Orar?
Ofereça a Deus o Seu Louvor
Agradeça a Deus pelas Suas Bênçãos
Confesse os Seus Pecados a Deus
Leve os Seus Pedidos a Deus
Obstáculos à Oração
Razões por que Não Oramos
Razões por que Deus Não Responde as Nossas Orações
Quando Deus Diz Não
Quando Não Conseguimos Orar
Confiando em Tempos de Escuridão
O Espírito Intercede por Nós
Atitudes que Deus Deseja na Oração

87
Coração Humilde e Submisso
Desejo de Obedecer
Confiar como a Criança
Compromisso para Orar
Pensamentos Finais

Objetivos da Lição
Quando tiver completado esta lição, será capaz de:
1. Explicar a importância da oração como expressão da nossa relação com Deus e como
o acesso a Deus foi possível através de Cristo.
2. Descrever os quatro elementos da oração apresentados nesta lição.
3. Avaliar a sua vida de oração pelo equilíbrio dos vários elementos da oração e pelas
atitudes que acompanham as suas orações.
4. Explicar o que pode fazer quando Deus parece distante ou se sente incapaz de orar.
5. Planejar e implementar um tempo de oração consistente e começar um diário de
oração.

A Oração É a Nossa Conexão


Pessoal com Deus
A oração é, em primeiro lugar, a expressão de nosso
relacionamento com Deus. É o que nos liga ao Pai no dia- A oração é, em
a-dia. Entrar em conversa com alguém, inicia e promove o primeiro lugar, a
relacionamento. Quando duas pessoas se encontram, elas expressão de nosso
começam a conversar, inicialmente num nível muito relacionamento com
superficial, mas gradualmente a relação aprofunda-se Deus. É o que nos liga
enquanto ambos se abrem e compartilham mais e mais os ao Pai no dia-a-dia.
seus pensamentos e sentimentos. Deus providenciou uma
maneira de nos conectarmos com Ele num relacionamento
cada vez mais profundo. Oração é, essencialmente, falar
com Deus, dizendo-Lhe o que está no nosso coração, convidando-O a ser uma parte
importante das nossas vidas.
Uma vez que a oração é a expressão da nossa relação com Deus, a oração nunca pode ser periférica
na vida cristã. Orar é essencial para a nossa vida espiritual. Quando olhamos para a vida de Cristo
nos Evangelhos, vemos que a oração era uma prioridade para Jesus.

Leia Marcos 1:29-38. Descreva este dia atarefado na vida de Jesus e anote as
escolhas que Ele fez, apesar disso (v. 35).

A vida de Jesus estava centrada no ministério e serviço aos outros, no entanto, sempre foi
equilibrada por momentos de oração intensa. Frequentemente, ele retirou-se para um lugar
solitário para orar. Se Jesus precisava deste tempo a sós com Seu Pai, quanto mais nós.
Nenhuma outra coisa pode realmente tomar o lugar do tempo a sós com Deus. Deus
criou-nos com um profundo desejo por Ele. Nós fomos criados para ter comunhão com o

88
Lição 589

nosso Criador, e sem esta comunhão sentimos um vazio interior. Agostinho, um dos pais da
igreja primitiva, escreveu nas suas confissões: “Tu fizeste-nos para Ti mesmo e os nossos
corações não encontram nenhuma paz enquanto não repousarem em ti”.33
Desde a criação Deus sempre teve um desejo de comunhão com os Seus filhos. O cenário
ideal para o jardim do Éden incluía, sem dúvida, uma comunhão doce e sem obstáculos entre
Adão e Eva e o Senhor. O Senhor alegrava-se em passar tempo com eles, talvez falando sobre
os acontecimentos do dia como um pai faz com os seus filhos.
Mais tarde, após a queda do homem, Deus demonstrou o Seu desejo contínuo de ter
comunhão com a Sua criação. Ele falou com indivíduos como Abraão, Jacó, Noé, Moisés.
Ele Se revelava cada vez mais ao povo de Israel para que eles pudessem conhecê-Lo. No
Sinai, Ele ordenou ao povo de Israel que construísse o tabernáculo para que Ele pudesse
morar com eles. A Sua presença na tenda era representada por uma coluna de fogo e uma
nuvem, que falavam da Sua glória e santidade. Este tabernáculo foi montado no meio do
acampamento dos israelitas como um lembrete visível da presença de Deus com o povo (Êx.
40:36-38).
O desejo de Deus para restaurar a nossa comunhão íntima com Ele foi o que O levou a enviar
o Seu único Filho para estar conosco, para se identificar conosco na nossa humanidade. O
próprio Cristo foi chamado Emanuel (“Deus conosco”), e Ele foi enviado para nos reconciliar
com Deus (2 Co. 5:18-19, Rm. 5:10).
Quando uma pessoa se reconcilia com alguém, as linhas de comunicação abrem-se
novamente. Que coisa linda é quando se realiza a reconciliação e os muros que separam as
pessoas vêm abaixo. O próprio Deus tomou a
iniciativa de nos reconciliar com Ele por meio Oração é o meio pelo qual nos é
do sacrifício do Seu próprio Filho. dada uma possibilidade de
acesso com Ele de um modo
Assim, vemos que Deus nos fez com uma
pessoal, um modo que satisfaz o
necessidade interior por Ele, que Ele deseja
desejo da nossa alma por uma
comunhão conosco e que a tornou possível. A
comunhão com o nosso
oração é a avenida que Deus nos deu para
Criador.
manter contato com Ele de maneira pessoal, que
irá satisfazer os anseios da nossa alma para a
comunhão com nosso Criador.
Tanto no Antigo como no Novo Testamento nos é ordenado que oremos. Muitos
versículos nos admoestam a orar (Ef. 6:18). Na verdade, nos é ordenado que oremos
sem cessar (1 Ts. 5:17). Mas o dever por si só não será uma motivação suficientemente forte para
desenvolvermos uma vida de oração.

Leia o Salmo 27:4-8.


1. O que é que Davi ansiava?
2. O que você acha que levou Davi a focar-se unicamente neste único alvo
de estar na presença de Deus?

Quando Davi estava na presença de Deus ele experimentou: a beleza do Senhor, o sentimento de
segurança e refúgio e força renovada. Davi experimentou comunhão com uma pessoa real, uma
90Caminhando com Cristo

comunhão profunda que fortaleceu e encorajou a sua alma. Ele descobriu uma fonte que
continuamente refrescava o seu espírito e o levava a querer voltar a beber continuamente. Esta é a
vida de oração.

O que o motiva a orar? A oração é prioritariamente um dever para você? Sente-se


atraído a estar na presença de Deus? Anseia por isso? Tem aquele tipo de
relacionamento com Deus no qual pode dizer-Lhe tudo o que vai no seu coração?
Se não, como pode começar a cultivar este relacionamento?

Agradeça a Deus pelas muitas expressões em que Ele


mostra o Seu desejo de estar com o Seu povo. Peça-Lhe
que o ensine mais sobre Ele enquanto estuda esta lição
sobre oração.

Oração É o Nosso Grande Privilégio


de Acesso a Deus
No período do Antigo Testamento o povo tinha muito medo de ir à presença de Deus.
Quando Moisés foi chamado para se encontrar com Deus no Monte Sinai, o povo foi
advertido para não tocar nem chegar perto da montanha, sob pena de morte. Neste episódio, e
em muitos outros, vemos que é uma experiência incrível entrar na presença do Deus vivo,
que é absolutamente santo. Fazê-lo sem a preparação adequada significava morte certa.
Quando o povo de Israel saiu do Egito, Deus deu a Moisés instruções detalhadas para a
construção do tabernáculo, uma tenda de culto portátil com todas as suas partes e mobiliário.
Este tabernáculo era uma figura terrena da realidade celestial. Todas as práticas de adoração
de Israel no Antigo Testamento apontavam para algo melhor que estava por vir, algo mais
real. Sob a lei mosaica apenas os sacerdotes judeus podiam entrar na tenda e só o sumo-
sacerdote poderia entrar no lugar mais sagrado do tabernáculo, onde a glória de Deus
aparecia. Havia uma cortina pesada a proteger esta área, que foi chamada de “santo dos
santos”.

Acesso a Deus através de Cristo


Embora o acesso à presença de Deus no período do Velho Testamento fosse restrito, o nosso
acesso a Deus como crentes tem sido permanentemente assegurado através do sacrifício de
Cristo. Como Filho de Deus, Cristo não tinha pecado e, assim, era o único que poderia dar a
sua vida para pagar o preço dos nossos pecados. Ele é chamado o Cordeiro de Deus, o único
sacrifício perfeito que poderia tirar de nós o pecado e comprar a nossa salvação eterna
(Jo.1:29). Hebreus 9:12 diz: “pelo seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo
efetuado eterna redenção.”
Jesus Cristo não é apenas o sacrifício perfeito, Ele é também o nosso perfeito sumo-
sacerdote. Hebreus 9:6-7 descreve as funções dos sacerdotes do Velho Testamento, que
entravam na tenda uma vez por ano para espargir o sangue do sacrifício de animais para
expiar os pecados do povo. Uma vez que o próprio sumo-sacerdote era um pecador e que os
sacrifícios eram imperfeitos, ele precisava repetir este sacrifício todos os anos (He.9:25;
10:3-4).
Lição 591

Em contraste, Cristo é o sacerdote perfeito como o autor de Hebreus mostra. Enquanto que os
sacerdotes terrenos deviam ministrar diariamente oferecendo sacrifícios repetidamente, que nunca
tiravam os pecados, Cristo ofereceu um sacrifício pelos pecados de todos os tempos e em seguida
sentou-se à direita de Deus (Hb. 10:12). Assim, “Pode também salvar, perfeitamente, os que por ele
se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb. 7:24-25). A Sua intercessão por
nós acontece vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, enquanto Ele permanece como
mediador entre nós e Deus, para que possamos ter acesso contínuo ao Pai. Que verdade
extraordinária!

Leia Hebreus 10:10-14 e 10:19-22.


1. O que é que o sacrifício de Cristo conseguiu para o crente?
2. Tendo como base o sacrifício de Cristo, o que o versículo 22 nos encoraja
a fazer?

Um Convite para Nos Aproximarmos


As ações que nos são requeridas são simples: Ele nos convida a ir a Ele com coração sincero,
pela fé, com plena certeza de que vamos ser aceitos com base no sacrifício do Seu Filho. As
implicações destas passagens são tremendas. Como crentes, temos um privilégio incrível, um
privilégio negado a todos, exceto ao sumo-sacerdote no Antigo Testamento: o privilégio de
entrar no Santo dos Santos, a presença real de Deus. Somos convidados a entrar sabendo que
os nossos corações foram purificados da má consciência e o corpo lavado com água pura.
Este acesso a Deus foi dramática e simbolicamente proclamado na morte de Cristo, pelo rasgar do
espesso véu do templo que isolava o santo dos santos. Nenhuma mão humana tocava nessa cortina.
Foi rasgada de cima para baixo pelo Pai enquanto Ele abria o livre acesso ao Seu trono, através da
morte e ressurreição do Seu Filho, o sacrifício perfeito para o pecado (Mt. 27:51).

Leia Romanos 5:1-2 e Efésios 2:11-18. Como é que o sacrifício de Cristo afetou o
crente? (A palavra “ambos” em Efésios refere-se a judeus e gentios.)

Por que concentramos tanto a atenção sobre estas


Temos de perceber que o
verdades quando o nosso tema é oração? Temos de
nosso privilégio de acesso
perceber que o nosso privilégio de acesso a Deus foi
a Deus foi forjado pelo
forjado pelo maior sacrifício jamais imaginável.
maior sacrifício jamais
Como é importante compreender o dom imenso que
imaginável.
foi derramado sobre nós e responder como Deus
deseja: “achegados a Ele.”
Paulo escreve em Efésios 3:12 que temos “livre
acesso e confiante” a Deus através da nossa fé em Jesus Cristo. Entrar ousadamente não
significa arrogância (porque Cristo é que tornou possível o nosso acesso), mas entrar como
uma criança entra na presença do seu pai, segura do amor e da aceitação por parte dele. Nós
pertencemos à família de Deus se aceitamos o Seu Filho como nosso sacrifício.
92Caminhando com Cristo

Conta-se uma história do presidente americano Abraão Lincoln, que estava numa importante
reunião do seu gabinete de conselheiros. Ele, supostamente, tinha deixado ordem de que não
devia ser perturbado. No entanto, no meio da reunião, a porta abriu-se e o filho do presidente
correu para dentro da sala. Algumas pessoas na sala ficaram, sem dúvida, irritadas por esta
interrupção, quando o menino correu para o pai. É bem provável que os membros do gabinete
ficaram surpresos ao verem que o presidente parou o que estava fazendo e, pacientemente,
tomou tempo para ouvir o seu filho, enquanto eles esperavam.34
Esta história ilustra o acesso imediato que temos ao Pai como Seus filhos. Ele nunca está ocupado
demais, somos sempre bem-vindos. Somos simplesmente convidados a entrar. A nossa motivação
para orar é baseada no nosso amor para com o Pai, no nosso sentimento de privilégio como Seus
filhos e no desejo de uma íntima comunhão com Ele.

Dedique alguns minutos refletindo sobre as verdades


apresentadas nesta seção: o grande sacrifício em nosso
favor, que tornou possível o acesso a Deus, o convite
para se aproximar e a intercessão diária de Cristo por
você. Dê graças a Deus pelo dom da sua salvação e
aproxime-se do seu amoroso Pai Celestial.

Explique brevemente a importância da oração como uma expressão do nosso


relacionamento com Deus e como o acesso a Deus foi possível através de Cristo.

Como Devemos Orar?


Muitas vezes tratamos a oração como se fosse uma lista de pedidos que queremos trazer à
atenção de Deus. Certamente a oração é mais do que este limitado e por vezes auto-orientado
método de orar. O que é que a Escritura nos ensina sobre como orar?

Ofereça a Deus o Seu Louvor


Quando estamos verdadeiramente conscientes do grande privilégio dos crentes de chegar a Deus
em oração, dificilmente podemos deixar de adorar e louvar Aquele que tornou possível a
nossa salvação. Na verdade, enquanto pensamos falar com o Santo, o Criador do céu e
da terra, o nosso primeiro pensamento deve ser sempre para O louvar e adorar. Quando
Jesus ensinou os seus discípulos a orar, Ele começou com as palavras: “Pai-nosso que estás
nos céus, santificado seja o teu nome.” O primeiro pensamento de Jesus na oração era
abordar o Pai amado e louvar a majestade e a glória de Deus, levantando bem alto o nome de
Deus como digno. “Santificado seja o teu nome” significa que Deus deve ser reconhecido
como santo e Ele deve receber toda a honra e glória que lhe são devidas.
Nós fomos criados para nos alegrarmos nas obras e na pessoa de Deus. A Bíblia inteira é
intercalada com explosões de louvor a Deus. Muitos dos salmos são hinos de louvor a Deus
com foco no Seu caráter e nas Suas obras. No Novo Testamento vemos que muitas pessoas
que experimentaram o toque curador e purificador de Jesus romperam espontaneamente em
louvor (Mc. 2:12, Lc. 18:43, At. 2:46-47, 3:8, 11:18).
Lição 593

O Catecismo Menor de Westminster define “o fim principal do homem” como “para glorificar a
Deus e gozá-Lo para sempre.” Podemos pensar em louvor como a expressão do nosso gozo em
Deus. Um dos maiores valores do louvor é que ele exige uma mudança de nosso foco de nós para
Deus. Não se pode louvar a Deus sem renunciar ao nosso próprio eu.

Leia um dos seguintes Salmos de louvor: Salmo 8, 33, 77, ou 115 (outros Salmos
de louvor são 29, 48, 67, 68, 71, 95-100, 103, 104,107, 111-113, 116, 136, 146-
150).
1. Repare no motivo sobre o que o salmista louva a Deus.
2. Quais atributos particulares de Deus o levam a louvá-lo hoje?
3. Por que esse atributo tem significado para você?

Gaste algum tempo agora para orar, concentrando-se


sobre quem é Deus e o que Ele fez no passado. Louve-O
por aspectos específicos do Seu caráter, tais como
fidelidade, bondade, a Sua natureza imutável e por todas
as obras poderosas que já experimentou.

Agradeça a Deus pelas Suas Bênçãos


Outro elemento importante da oração é agradecer a Deus pelas Suas bênçãos. Dar graças
deve ser a nossa resposta natural ao que Deus fez por nós. Embora o louvor e a adoração
estejam intimamente ligados à ação de graças, há uma distinção. Ação de Graças é uma
resposta a Deus pelas bênçãos recebidas, enquanto que louvor e adoração são dirigidos à
pessoa de Deus e Sua obra.
Alguém já disse bem: “Gratidão introduz Deus no nosso pensamento.” 35 Como é fácil
esquecer de agradecer a Deus. Muitas vezes vemos respostas específicas à oração, mas
deixamos de agradecer a Deus pela maneira como Ele tem trabalhado em nosso benefício.
Quando Jesus curou os dez leprosos, apenas um voltou para agradecer-Lhe aquela cura
maravilhosa!
Podemos ser críticos dos outros nove, mas quantas vezes somos como eles? Precisamos
desenvolver um espírito de gratidão, procurando as muitas bênçãos que Deus nos dá
diariamente e agradecer-Lhe por estas bênçãos e respostas à oração. Jesus deu um modelo de
agradecimento em oração (Lc. 10:21, Jo. 6:11, 11:41, Mt. 26:27).
Gratidão também está intimamente ligada à humildade. Aqueles que são orgulhosos têm
dificuldade em reconhecer a bondade de Deus. Quando as coisas vão bem, achamos ser mais
fácil agradecer a Deus por tantas bênçãos. No entanto, podemos agradecer a Deus não só nos
momentos bons, mas também no meio dos tempos difíceis, sabendo que Ele permitiu que
estes eventos nos tocassem.
Mateus, um crente que lutou com câncer terminal por mais de um ano, tinha o hábito de
agradecer a Deus diariamente pelas bênçãos que ele experimentou, mesmo no meio de grande
sofrimento que se estendeu por longos meses de tratamento. Em alguns dias ele agradecia
94Caminhando com Cristo

pela enfermeira que foi capaz de colocar a agulha no seu braço sem causar dor excessiva ou
que fez um determinado procedimento que correu bem.
Muitos, nas mesmas circunstâncias, veriam apenas o lado negativo, mas Mateus escolheu ver a mão
de Deus nas menores bênçãos. Ele iluminou a vida de inúmeros enfermeiros e médicos com o seu
espírito alegre. Por causa do seu espírito agradecido, muitas pessoas foram atraídas a ele e foram ter
com ele para perguntar sobre a sua fé em Deus. Ele teve oportunidade de ver o seu jovem
companheiro de quarto, também um paciente com câncer terminal, vir a conhecer o Senhor antes
de morrer.

Leia um destes Salmos de louvor: Salmo 34, 116, ou 136 (outros Salmos de louvor
são 9, 118, 126, 138). O que levou o salmista a ser agradecido a Deus?

O que nos impede de termos um espírito agradecido? Quais são algumas das
maneiras que você pode desenvolver um espírito agradecido? Quais são as mais
recentes bênçãos na sua vida pelas quais está agradecido a Deus?

Pare um pouco para agradecer a Deus por estas bênçãos


e peça-Lhe que lhe dê um coração agradecido para
reconhecer as Suas bênçãos em cada situação da vida.

Confesse os Seus Pecados a Deus


Jesus também ensinou os discípulos a pedir perdão ao Pai: “Perdoa-nos as nossas dívidas
assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mt. 6:12). Confessar os nossos pecados é
um dos aspectos essenciais da oração, que muito facilmente somos inclinados a omitir.
Não pode haver uma vida de oração eficaz se o pecado mantiver a sua garra na vida do
crente (Sl. 66:18). Portanto, a confissão é essencial na nossa oração. Se o nosso pecado
torna ineficaz a oração, a confissão é a solução para o problema.

Leia o Salmo 32:1-5 e o Salmo 51:1-10.


1. O que Davi experimentou durante o tempo de pecado deliberado contra
Deus de acordo com estes salmos?
2. Alguma vez já experimentou um momento semelhante na sua vida cristã?
Descreva-o.
3. Em que estes versículos contribuem para a sua compreensão da confissão?
4. Como pôde aplicar estas verdades quando cometeu pecado?

Em João 1:9 temos a promessa maravilhosa que Deus perdoará os nossos pecados e nos
limpará de toda a injustiça se confessarmos o nosso pecado. Quando confessamos, nós
tomamos conhecimento e admitimos o nosso pecado perante Deus, pedindo-Lhe que nos
perdoe. Confissão é um aspecto contínuo da nossa vida cristã.
Lição 595

Quando vamos a Deus para confessar os nossos


pecados, experimentamos a limpeza que restaura a Quando confessamos, nós
comunhão com Deus, que foi quebrada pelo tomamos conhecimento e
pecado. Nós não precisamos ser salvos de novo admitimos o nosso pecado
cada vez que cometemos pecado; a confissão perante Deus, pedindo que
restaura o relacionamento correto com o Pai e a Ele nos perdoe.
alegria da nossa salvação. Assim como uma
criança que desobedeceu ainda faz parte da
família, do mesmo modo continuamos a pertencer a Deus mesmo quando pecamos.
Quando confessamos, obtemos o perdão paternal de Deus e a restauração da alegria da nossa
salvação. Confissão não tem nada a ver com o nosso estatus eterno diante de Deus. Devemos
querer confessar, tal como queremos limpar-nos depois de ficarmos sujos ao cavarmos o
jardim ou ao fazer trabalho árduo. A confissão liberta a nossa consciência da culpa e abre o
caminho para que Deus responda às nossas orações.
Embora a essência da confissão seja admitir o nosso pecado perante Deus, a implicação é que
vamos ter uma atitude de pesar por ter ofendido a Deus e que vamos fazer todo o possível,
pelo poder do Espírito Santo em nós, para abandonar o pecado e nunca o repetir. Devemos,
então, colocar aquele pecado para trás de nós, como Deus faz (Sl. 32:5; 103:12).
Além de confessar os nossos pecados a Deus, o crente pode procurar endireitar o que está mal com
a outra pessoa. Muitas vezes, podemos sentir a necessidade de pedir perdão a outrem ou de
perdoar alguém que nos feriu (Mt. 5:21-26). Em Efésios 4:32 Paulo exorta-nos a sermos gentis,
compassivos, perdoando-nos uns aos outros, como Deus nos perdoou em Cristo.

Que pecados na sua vida podem estar impedindo a eficácia das suas orações?
Está disposto a ir a Deus para pedir perdão e disposto a abandonar aquele pecado
particular na sua vida?
Pode pensar em alguém contra quem pecou ou contra quem guarda raiva ou
amargura? Anote o nome ou iniciais dessa pessoa no seu caderno e peça a Deus
para ajudá-lo a abordar esta pessoa e a buscar o perdão ou a tentativa de
reconciliação.

Tome tempo para confessar os seus pecados. Admita


perante Deus os pecados que sabe que cometeu e peça ao
Espírito Santo que sonde o seu coração para lhe revelar
qualquer pecado do qual não está ciente. Agradeça a
Deus pelo Seu perdão.

Leve os Seus Pedidos a Deus


Pedir a Deus por coisas específicas é uma parte importante da oração. Às vezes, estes pedidos
são pessoais, como quando pedimos pelas nossas próprias necessidades específicas ou
quando necessitamos de ajuda. Jesus ensinou os seus discípulos a orar: "O pão-nosso de cada
dia nos dá hoje." (Mt. 6:11). Em outras ocasiões os nossos pedidos são de intercessão,
implorando pelas necessidades dos outros.
96Caminhando com Cristo

Petição, fazer pedidos a Deus, é na sua essência a expressão


Petição, fazer pedidos da nossa dependência de Deus. Algumas pessoas hesitam
a Deus, é na sua em pedir algo a Deus, mas Ele tem prazer em que nos
essência a expressão cheguemos a Ele com tudo o que está no nosso coração. Ele
da nossa dependência age respondendo às orações do Seu povo. Através da
de Deus. oração, nós participamos com Deus, de um modo que não
entendemos completamente, ao fazer com que os Seus
propósitos divinos se cumpram.
Vejamos algumas novas instruções sobre como pedir a Deus.
Deus quer que nós peçamos. Podemos levar todos os nossos pedidos a Deus, porque Deus quer
que peçamos e porque Ele quer responder os nossos pedidos.

Leia Mateus 7:7-11; João 15:1-7; 16:22-27.


1. O que aprendeu sobre a oração nestas passagens?
2. Por que é que não pedimos? Quais são algumas razões que nos impedem
de levar os nossos pedidos a Deus?

Jesus ensinou os seus discípulos a levar os seus pedidos a Deus: "Pedi e dar-se-vos-á; buscai
e encontrareis, batei e abrir-se-vos-á." (Mt. 7:7). Como crentes podemos ir a Deus com todos
os nossos pedidos, grandes ou pequenos, que sejam consistentes com a Sua natureza revelada.
Nada é demasiado complicado ou trivial para levar perante Ele. Ele Se deleita quando vamos
até Ele e espera que nos cheguemos a Ele para pedir.
Às vezes aproximamo-nos de Deus em oração como se tivéssemos de torcer o Seu braço para
nos dar algo que Ele não estaria disposto a dar. Jesus disse: “Se vós, pois, sendo maus, sabeis
dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus, dará bens aos que
lhos pedirem?” (Mt. 7:11). Assim como um pai gosta que os seus filhos venham até ele com
os seus pedidos, Deus gosta que vamos até Ele. Quando Lhe levamos os nossos pedidos,
podemos demonstrar a nossa dependência dEle e o nosso reconhecimento de que somente Ele
é a fonte de todas as coisas boas.
Deus não é relutante na resposta às nossas orações. A nossa atitude enquanto nos chegamos a Deus
em oração é fortemente influenciadas pela forma como vemos Deus. Nós realmente O vemos como
Pai amoroso, esperando levar-nos nos seus braços e ouvir as nossas preocupações, ou O vemos
como um pai distante, severo, ou irritado, que reluta em conceder qualquer coisa que nos possa
trazer alegria?

Você tem sido relutante em chegar-se a Deus com os seus pedidos? Se assim for,
por que acha que isto é verdade? Como podem as verdades expressas acima
ajudá-lo a superar a sua relutância?

Peça com fé. A oração eficaz depende da fé. O que significa pedir com fé? A fé, como a
Bíblia a apresenta, não é simplesmente a crença sincera em alguma coisa. Não é um conceito
abstrato. A fé na Bíblia está ligada a uma pessoa – a pessoa do próprio Deus. É confiança em
Deus, expressa por uma vontade de nos entregarmos a Deus sem reservas.
Lição 597

Fé, na sua essência, vincula-se a Deus, crendo


Pedir com fé não significa que
que Ele pode fazer além do que pedimos ou
devemos acreditar com toda
pensamos (Ef. 3:20) e que tudo o que Ele faz é
força que Deus vai fazer o que
bom. Pedir com fé não significa que devemos
pedimos, mas significa confiar
acreditar com toda força que Deus vai fazer o
que Deus é bom e que Ele fará
que pedimos, mas significa confiar que Deus é
o que é melhor para nós.
bom e que Ele fará o que é melhor para nós.
Quando nos chegamos a Deus em oração, Ele
quer que nós confiemos nele, creiamos que Ele
é bom e que Ele fará o que é melhor para nós na situação.
Muitos crentes ficam confusos e alguns até se afastam de Deus quando Ele não responde a
uma oração da maneira que desejam. Muitas vezes não compreendemos a fé e vêmo-la como
uma mercadoria que trocamos por respostas à oração. Como o personagem ficcional de Ali
Babá e os Quarenta Ladrões, podemos acreditar que a porta do céu se abrirá em resposta a
uma fórmula mágica que nós pronunciamos. No entanto, o propósito da oração não é que a
nossa vontade seja satisfeita no céu, mas conseguir que a vontade de Deus seja cumprida na
terra.
Alguns crentes têm a ideia de que precisam produzir fé suficiente para que Deus responda à
sua oração da maneira que desejam. Se Deus não responde às suas orações da maneira que
querem, assumem que não tiveram fé suficiente. Nem sempre é a vontade de Deus responder
a cada pedido da maneira que desejamos. Como um pai terreno, Deus às vezes responde com
um não. Em outras ocasiões Ele nos pede para esperarmos um pouco e Ele permite-nos
desenvolver mais paciência, perseverança e fé acerca da Sua bondade e do tempo certo para
responder.
Peça em nome de Cristo. Quando oramos, chegamos a Deus através de Cristo. Usar o nome de
Jesus não é uma fórmula mágica que garanta que Deus tem de responder.

Leia Mateus 7:21-23.


1. O que disse Jesus sobre alguns que profetizaram e realizaram milagres “em
Seu nome”?
2. Que conclusões pode tirar disto?

Na realidade estes homens usaram o nome de Jesus, mas não tinham qualquer relacionamento
com Ele. Simplesmente atribuir o nome de Jesus (a) à uma ação, não garante que Ele faz
parte da mesma.
Ao utilizar o Seu nome, nós lembramos a nós mesmos as "razões do [nosso] direito de entrar
na presença de Deus."36Nosso acesso e autoridade em nos aproximarmos de Deus o Pai,
são possíveis por causa do trabalho e autoridade de Cristo.
Peça pelos motivos corretos. Às vezes, os crentes aproximam-se de Deus com uma lista de
compras, por assim dizer, das coisas que eles querem que Deus lhes dê. Acha que é assim que
Deus quer que nos aproximemos dEle? A oração não é um botão mágico que pressionamos
para forçar Deus a fazer algo que queremos. Quando oramos, estamos pedindo uma resposta
de um Pai amoroso e confiando que Ele fará o melhor.
98Caminhando com Cristo

Tiago escreve: “Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites”
(Tg. 4:3). Ao chegarmos a Deus em oração, precisamos examinar os motivos dos pedidos.
Eu realmente quero o que agradaria a Deus nesta situação? Os meus motivos são corretos? Os
meus desejos são puros, ou essencialmente egoístas, voltados para o prazer pessoal? A coisa
que eu estou pedindo é algo que eu realmente preciso, algo que honra a Deus?
Peça de acordo com a vontade de Deus. Jesus ensinou a seus discípulos que orassem de
modo que a vontade de Deus seja cumprida. “Seja feita a Tua vontade” não é uma fórmula de
oração, mas uma atitude. Esta expressa a nossa vontade de admitir que o conhecimento do
Pai é mais completo do que o dos Seus filhos e que a Sua vontade é a melhor. Como uma
criança que confia no seu pai, aprendemos a querer o que Deus dá.
Quando Maria foi informada por um anjo de que seria a mãe de Jesus, surgiram muitas
dúvidas que ela teve de enfrentar, incluindo a questão do que os outros pensariam de uma
jovem não casada, mas grávida. A sua resposta ao anjo foi: “Faça-se em mim a Tua vontade.”
(Lc. 1:38). Apesar das suas dúvidas, ela colocou a sua vida nas mãos do seu Pai celestial e
expressou a sua disponibilidade de ver a Sua vontade feita na sua vida.
No jardim do Getsêmane Jesus agonizou sob a sombria possibilidade da cruz e perguntou ao
Pai se poderia haver alguma maneira pela qual Ele pudesse evitar de beber o cálice da
amargura e do julgamento que estava diante dEle. Após a angústia destas horas em oração,
Ele submeteu a Sua vontade à vontade do Pai Celestial. Quando nos submetemos a Deus
dizendo: “Seja feita a Tua vontade”, estamos concordando com Deus que os Seus propósitos
divinos são os corretos.
Não temos necessidade de incluir esta frase
em cada oração. Quando parecer adequada Pedir segundo a vontade de Deus
devemos usá-la. O mais importante é que é pedir de acordo com o que o
Deus vê a atitude que ela representa. Deve ser caráter e o plano de Deus
expressa de forma muito simples; pedir ditariam como sendo correto em
segundo a vontade de Deus é pedir de acordo qualquer momento.
com o que o caráter e o plano de Deus
ditariam como sendo correto em qualquer
momento.
Quantas vezes queremos dizer a Deus o que Ele deveria fazer, ao invés de nos submetermos à
Sua vontade nas nossas vidas. Precisamos nos lembrar de que Deus está no controle e que a
Sua sabedoria excede em muito a nossa. Deus pode optar por atender ao nosso pedido da
maneira que desejamos, ou pode optar por responder de uma forma completamente diferente.
Orai sem cessar. Quando lemos os Evangelhos, vemos que a oração permeou o ministério de
Jesus. Antes de escolher os discípulos Ele separou tempo para orar. Ele não permitiu que
nada interferisse com o seu tempo de oração, independentemente da inconveniência da hora
ou da pressão das atividades diárias.
Esta lição o tem desafiado a seguir o exemplo de Cristo no desenvolvimento de uma vida de oração
consistente? Este foi um desafio que Paulo, no seu ensino, muitas vezes estendeu aos crentes:
Lição 599

Leia Romanos 12:12, Colossenses. 4:2 e 1 Tessalonicenses 5:17. Qual é o tema


recorrente de Paulo nestas passagens? Para muitas pessoas, 1 Tessalonicenses 5:17
parece impossível. O que acha que Paulo quer dizer com a expressão “sem cessar”?

Quando estamos comprometidos com a oração, nós desenvolvemos um hábito contínuo de falar
com Ele. Este hábito de oração pode ser o que Paulo tinha em mente quando disse aos crentes de
Tessalônica para orarem sem cessar (1 Ts. 5:17). Quando o nosso relacionamento com Deus atinge o
nível de intimidade, vamos querer manter uma conversa constante com Ele, partilhar os nossos
pensamentos e sentimentos mais íntimos durante todo o dia. Ele convida-nos para esta relação; a
decisão de nos aproximarmos dEle a cada novo dia é nossa.

Pense sobre a forma como pede a Deus. O que o impede de levar as suas
preocupações a Deus? Quais são os seus motivos quando ora? Tem levado os
seus pedidos fiel e consistentemente a Deus em oração? Enquanto considera o
equilíbrio de louvor, gratidão, confissão e pedidos, anote algumas áreas onde a
sua vida de oração precisa mudar.

Obstáculos à Oração
Ao examinarmos a nossa vida de oração, pode ser útil considerar fatores que nos impedem de
orar, bem como as razões por que Deus não responde as nossas orações.

Razões por que Não Oramos


Há muitas razões por que não oramos. Vamos olhar algumas mais comuns nesta seção.
Muitas pessoas dizem que simplesmente estão demasiado ocupadas para orar. Nós podemos
levar uma vida movimentada e estar envolvidos em atividades que parecem importantes e
mesmo valiosas na edificação do reino de Deus, mas estas não devem impedir-nos de edificar
o nosso relacionamento com Deus. Se olharmos para as nossas atividades semanais, podemos
ver que costumamos achar tempo para as coisas que realmente queremos fazer. Assim,
podemos optar por colocar a oração na nossa lista de prioridades diárias e incluí-la nas nossas
vidas durante o decorrer do nosso dia.
Uma segunda razão por que não oramos tem a ver com o pecado nas nossas vidas. Se não
estamos dispostos a mudar, vamos ter pouca vontade de orar. Podemos sentir o Espírito de
Deus a convencer-nos do pecado, mas resistimos ao Seu apelo e sentimo-nos desconfortáveis
na Sua presença.
Talvez já tenhamos experimentado uma relação desgastada ou quebrada com um amigo ou
membro da família e a necessidade de confessarmos o nosso pecado e procurar a
reconciliação com essa pessoa. Pedro pode ter tido este pensamento em mente quando ele
exortou os maridos a tratarem suas esposas com honra e compreensão, para que as suas
orações não fossem prejudicadas (1 Pe. 3:7).
Às vezes podemos ficar longe de Deus porque temos um falso sentimento de culpa ou
desmerecimento. Pensamos que somos indignos de ir à Sua presença, ou que Deus não pode
perdoar-nos porque continuamos a lutar com o pecado. Embora tenhamos confessado os
100Caminhando com Cristo

nossos pecados inúmeras vezes, é difícil acreditar que somos verdadeiramente perdoados.
Nós temos vergonha de ir a Deus vezes sem conta com os nossos pecados e concluímos que
Ele deve estar cansado das nossas confissões ou desgostoso pelos nossos repetidos fracassos.
É exatamente assim que Satanás quer que pensemos. Quando tais pensamentos surgem,
precisamos lembrar-nos do convite pessoal de Deus para nos aproximarmos dEle, e nos
concentrarmos na verdade de que somos Seus filhos, plenamente aceitos por Ele e declarados
justos na base da obra de Cristo e não nas nossas próprias obras.
Nós nunca seremos dignos, através de nossas próprias obras, de ir até Ele. O nosso acesso é
um privilégio que nos pertence como Seus filhos, salvos por Sua graça e declarados santos e
perdoados. Ele não se cansa das nossas confissões, mas alegra-se ao ver o nosso coração
terno e o nosso desejo de restaurar o nosso relacionamento com Ele.
Se formos honestos, uma outra razão por que muitas vezes não oramos é que nós pensamos
que não fará qualquer diferença. Talvez nós tenhamos orado por alguém por muito tempo
sem resultados e é fácil perdermos a esperança e concluirmos que a oração não resolve nada,
ou que aquela pessoa com quem nos preocupamos nunca irá mudar.
Quando oramos por outra pessoa, precisamos lembrar que a vontade dessa pessoa também
está envolvida. No entanto, Deus deseja que você continue fiel na oração e que não perca a
esperança.
Mona, uma mulher libanesa, tinha orado por mais de 30 anos pela conversão do seu marido Franz.
Após a morte súbita e inesperada de um amigo que abalou a ambos, ela decidiu falar com o marido
mais corajosamente sobre Cristo. “Eu estava tão ansiosa para falar com ele que mal podia esperar
que ele chegasse em casa do trabalho naquela noite. Orava fervorosamente para que o Senhor me
desse outra chance de falar com ele.” Naquela noite, esperou-o à porta de casa e lhe disse: “Não
quero que morra sem o Senhor.” Quando ele viu quão séria ela estava, comoveu-se pelo seu amor e
preocupação. Sentaram-se e conversaram, e, finalmente, ele aceitou a Cristo como seu Salvador. As
orações fiéis da sua esposa e a sua vida coerente como crente certamente desempenharam um
papel importante na sua decisão de vir a Cristo. Quão fácil teria sido ela perder a esperança!

Pensa que Deus ouviu Mona desde a primeira vez que ela orou por Franz? Se crê
que Ele a ouviu:
1. Quais podem ser as possíveis razões por que Deus não
respondeu imediatamente?
2. Como acha que esta experiência afetou Mona?
3. E se Franz não tivesse se convertido? Como é que isso
afetaria a sua compreensão sobre a oração?

Razões por que Deus Não Responde as Nossas Orações


A Bíblia nos dá algumas razões específicas para a oração não respondida. Tiago 4:1-3 nos dá
duas razões fundamentais: A primeira, no versículo 2, é muito simples: “Não tem porque não
pede.” Se nós queremos que Deus responda às nossas orações, devemos pedir.
Lição 5101

Tiago completa este pensamento no capítulo 4:3, dizendo que pedir não é suficiente; quando
pedimos, devemos pedir pelos motivos corretos. Ele não vai responder as orações que são
para os nossos prazeres egoístas e pecaminosos.
Leia a lista seguinte e veja outras razões por que Deus não responde as nossas orações:

Pecado não confessado (Sal. 66:18)


Orgulho e Egoísmo (Lc. 18:10-14)
Oração não sincera, com uma pretensão de espiritualidade, mas o que na verdade deseja é o
louvor dos outros (Mt. 6:5)
Desobediência deliberada (1 Sm. 15:11; Jr. 11: 10-11)
Descrença de que Deus vai fazer algo em resposta à minha oração (Mt. 17:19-20)
Ritualismo vazio na oração (Mt. 15:8-9)
Opressão de outros (Mq. 3:1-4)
Tapar os ouvidos ao choro dos pobres (Pv. 21:13)
Apego aos ídolos no nosso coração (Ez. 14:3-4)
Falha em perdoar alguém (Mc. 11:25)
Dúvida (Tg. 1:5-7)

Enquanto examina a sua vida de oração, qual dos fatores apresentados acima o
têm impedido de orar? Que decisões precisa tomar para superar estes obstáculos?
Anote as suas decisões no seu caderno. Qual dos pecados listados acima podem
estar impedindo as respostas de Deus às suas orações? Está disposto a confessar
e abandoná-los?

Quando Deus Diz Não


Não importa o quão próximo o nosso relacionamento esteja com o Senhor, haverá momentos
em que a resposta de Deus às nossas orações será não ou mesmo em que Ele não responde
mas pede que esperemos. Qual é a nossa atitude em tais ocasiões? Está Deus respondendo a
nossa oração quando Ele diz não ou espera?
Num nível humano, sabemos que nem sempre é bom um pai dizer sim a cada pedido do seu
filho. Da mesma forma, muitas vezes, é bom que nós não obtemos o que pedimos a Deus.
Mais tarde, iremos ver que não teria sido bom para nós.
Muitas vezes não nos apercebemos de outras vidas que foram afetadas pelas nossas orações.
Por exemplo, uma noiva pode orar fervorosamente por um dia ensolarado no dia do seu
casamento, enquanto os agricultores da região estão pedindo a Deus para trazer chuva para
suas sequiosas plantações. Deus na Sua sabedoria diz não a alguns pedidos, e seria arrogância
insistirmos em que Deus deva responder às nossas orações da maneira que desejamos. Se a
nossa confiança está verdadeiramente num amoroso Pai celestial, iremos aprender a confiar
102Caminhando com Cristo

que o que Ele nos dá, não importa o quão difícil seja entender, é para o nosso bem e que Ele,
afinal, vai usar isso para os Seus propósitos divinos.

Quando Não Conseguimos Orar


Já alguma vez experimentou momentos em que parecia impossível orar? Se assim for, não
está sozinho. Muitos crentes admitiram que às vezes eles não foram capazes de orar. O que
podemos fazer quando nos sentimos imobilizados?

Confiando em Tempos de Escuridão


Há momentos em que uma pessoa se sente subjugada pelas circunstâncias que ameaçam
esmagá-la emocional ou espiritualmente. Nós podemos experimentar tais momentos de
angústia da alma, ou como alguns dizem “uma noite escura da alma”. As causas do
sofrimento da alma variam de pesar profundo à angústia pelo nosso pecado ou pelo pecado
dos outros, da perseguição à doença grave. Nestes tempos de intenso sofrimento, físico ou
emocional, por vezes, uma pessoa experimenta uma sensação de desespero e tristeza
profunda.
Muitas das petições nos Salmos são proferidas em circunstâncias de grande dor emocional e de
pesar por si mesmo e pelos outros. Os autores desses salmos lutaram com profunda perda pessoal,
confusão, angústia física e mental. Às vezes os crentes lutam com a sensação de que Deus não está
presente, que Ele não os ouve, ou que Ele não se importa. Apesar dos nossos sentimentos de
desespero, Deus é imutável. Ele está na escuridão mesmo quando não sentimos a Sua presença. A
escuridão e a luz são iguais para Ele. Isaías, escrevendo a pessoas em tal situação, exorta-as a
“confiar no nome do Senhor” (Is. 50:10).

Leia um dos seguintes Salmos que lidam com o sofrimento da alma: Salmo 5, 41,
57 ou 144 (ver também 4, 10, 17, 20, 28, 59, 70, 124, 132).
1. Que Salmo leu?
2. Que expressão de angústia encontrou nele?
3. Que experiência de conforto e de refúgio encontrou?

Embora os autores de muitos salmos tenham-se encontrado no meio de circunstâncias


esmagadoras, vemos uma linha que atravessa estes salmos: o escritor volta-se para Deus
em busca de refúgio em meio à sua dor e tristeza. Ele procura o conforto de Deus como o
doador e sustentador da vida. Ele corre para o Senhor com as suas mágoas e encontra refúgio,
força para resistir e refrigério para a sua alma. Em Provérbios 18:10 aprendemos que o nome
do Senhor é como uma torre forte e que os justos correm para o Senhor. Esta torre forte é
uma imagem de segurança e refúgio.
Charles Colson, um autor cristão bem conhecido, experimentou uma noite escura da alma
quando dois dos seus filhos foram diagnosticados com (CÂNCER) cancer. Após um intenso
período de dificuldade em compreender por que Deus tinha permitido que isso acontecesse,
Colson, escreveu: “Entendi que não precisava compreender as agonias que tenho de suportar,
ou ouvir uma resposta clara... A fé torna-se mais forte quando estamos sem consolação e
caminhamos na escuridão em completo abandono... O dom da fé é mais real quando
confiamos mesmo quando toda a realidade exterior nos diz que não há razão para o fazer. "37
Lição 5103

O Espírito Intercede por Nós


Em tempos de extrema dor e fraqueza, por vezes, não sabemos como orar, o que dizer, ou
mesmo como formular os nossos pensamentos. Os propósitos de Deus estão escondidos de
nós. Como é confortante saber que Deus nos deu Aquele que irá interceder por nós em
oração, o Espírito Santo. Ele intercede por nós com gemidos inexprimíveis ou
impronunciáveis. Esta intercessão do Espírito é entendida somente por Deus, que perscruta os
corações (Rm. 8:27).
Quando o Espírito intercede por nós, Ele o faz sempre de acordo com a vontade de Deus. Ele leva em
conta a profunda preocupação do crente e a mescla com os planos divinos de Deus. O resultado é a
bela promessa de Romanos 8:28 que “Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o
bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu decreto.” Porque o
Espírito está sempre de plantão, experimentamos, por vezes, respostas inesperadas à oração. O
Espírito alinha as necessidades e as preocupações com o plano e o horário de Deus.

Se Deus parece distante, ou se está sobrecarregado por causa das suas


circunstâncias, o que você pode fazer? E qual é a provisão de Deus?

Quando enfrentou uma noite escura na alma, como se voltou para Deus? Como
experimentou o Seu conforto e força nesses momentos? Pense sobre partilhar
uma experiência com o grupo na sua próxima reunião.

Fale com Deus agora, agradecendo pelo ministério do


Espírito Santo que nos ajuda quando não sabemos como
orar. Louve-O pela Sua provisão.

Atitudes que Deus Deseja na Oração


Nós já sabemos que Deus nos aceita total e completamente porque estamos em Cristo.
Sabemos que somos sempre bem-vindos a Ele. O Seu deleite é quando nos chegamos
verdadeiramente a Ele desejando ter atitudes que O honrem e agradem.

Coração Humilde e Submisso


No “Pai-nosso”, Jesus enfatizou a submissão à vontade do Pai. Como o nosso Senhor,
devemos aprender a dizer ao Pai: “Todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua”,
confiando que o nosso Pai amoroso sabe o que faz e submetendo-nos ao trabalho que
está fazendo em e através das nossas vidas. A oração que Deus responde é sempre oferecida
com uma atitude de humildade.

Leia a parábola do fariseu e do publicano em Lucas 18:9-14, que descreve dois


homens orando. Observe os contrastes entre as suas atitudes, a ênfase que cada
uma delas parecia ter e que conclusões pode daí extrair.

Desejo de Obedecer
104Caminhando com Cristo

A oração de um justo é poderosa e eficaz, isto é, em parte, porque está vinculada a um


compromisso de obedecer à Palavra de Deus. Oração e obediência estão estreitamente
ligadas. Em Lucas 6:46 Jesus repreendeu alguns dos seus ouvintes: “E por que me chamais de
Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” Quando oramos, o nosso coração deve estar
aberto e disposto a obedecer ao que Deus nos mostra através de Seu Espírito Santo.
Quando oramos sobre uma circunstância específica, precisamos estar dispostos a
envolvermo-nos também. Por exemplo, podemos fazer um esforço para testemunhar à pessoa
pela qual estamos orando para que Deus a salve. Podemos ser capazes de dar dinheiro à
pessoa e ao mesmo tempo pedir a Deus que envie a Sua provisão. Quando oramos para
entender a Bíblia, podemos aplicar-nos mais profundamente no seu estudo. Quando oramos, a
nossa atitude deve ser: “Senhor, mostra-me os Teus caminhos. Mostra-me como Tu queres
que eu responda nesta situação. Ajuda-me a obedecer ao que ensinas na Tua Palavra sobre
esta situação.”

Confiar como a Criança


Quando oramos, chegamos a Deus numa base
pessoal, como um filho a um pai. Jesus começou a
Sua oração-modelo com as palavras “Pai Nosso”.
Aqui Ele usou o termo aramaico “Abba”, pelo qual
Ele se dirigiu ao Deus Todo-Poderoso em termos
íntimos, envolventes e confiantes como um filho
com o seu pai. Em Romanos 8:15 e Gálatas 4:6
somos informados de que também nós podemos
clamar: “Abba! Pai!” Chegamos a Deus como uma
criança a um Pai amoroso e cuidadoso, que deseja uma relação íntima conosco e que vai nos ouvir.
Estamos seguros no Seu amor e sabemos que podemos confiar que o nosso Pai vai fazer o que é
melhor.

Considere as atitudes que Deus deseja na oração: submissão, humildade,


obediência e confiança. Peça a Deus para lhe revelar qualquer área em que
precisa crescer e peça ao Espírito Santo que trabalhe dentro de você a fim de
alcançar esse crescimento.

Compromisso para Orar


Se a sua vida de oração tem sido inexistente, esporádica, ou seca, talvez tenha sido desafiado a
renovar o seu compromisso de orar. O convite está feito para você se chegar a Deus hoje. Considere
o seguinte desafio de se comprometer a tornar-se um homem ou uma mulher de oração.

1. Assuma um compromisso de gastar pelo menos vinte minutos por dia em


oração. Dê uma olhadela na sua agenda diária para ver onde e como pode
conseguir vinte minutos de momentos serenos, tranquilos com Deus todos os
dias. Escolha um lugar onde não será distraído por ruídos ou perturbações
visuais.
Lição 5105

2. Procure oportunidades para fazer orações breves durante o dia.


3. Comece a manter um Diário de Oração onde escreverá algumas das suas
orações. Este é um registro muito pessoal da sua hora íntima com Deus. Pode
também anotar as respostas às suas orações ou as lutas que enfrenta em tempos
de sequidão.
4. Para se lembrar de como orar, anote as categorias “Louvor”, “Ação de Graças”,
“Confissão” e “Pedidos” no início do seu caderno de anotações.

Manter um diário de oração pode ser um registro maravilhoso da sua jornada espiritual com
Deus e das respostas de Deus à oração; um lembrete da Sua fidelidade que você pode reler
durante muitos e muitos anos.

Pensamentos Finais
Vimos que Deus nos deu o grande privilégio da oração, do acesso a Ele, da nossa íntima
aproximação com Ele, da parceria com Ele em cumprir os Seus propósitos no mundo. O
próprio Cristo é o nosso intercessor junto ao Pai, e Ele nos deu o Espírito Santo para
interceder por nós em oração. Esperamos que tenha sido desafiado a orar e a aprofundar a sua
vida de oração e a comprometer-se em se tornar um homem ou uma mulher de oração.
106Caminhando com Cristo

NOTAS FINAIS
6LIÇÃO

Viver pela Fé
Há cerca de um ano Lili conheceu o Senhor através de um estudo bíblico evangelístico na
casa de uma amiga. Ela entendeu que Cristo pagou a penalidade pelos seus pecados e abriu
um caminho para que ela tivesse a vida eterna. No início, tudo era novo e maravilhoso. No
entanto, já neste ano, tudo parecia ter-se desmoronado. Primeiro, seu marido perdeu o
emprego e está sem trabalho há meses. Depois sua irmã foi diagnosticada com uma doença
terminal. Os membros da sua família não entendem sua nova fé e ela recebe pouco apoio
deles. Muitas vezes ela fica desanimada e deprimida emocionalmente. “Não é assim que um
crente deve agir,” ela pensa. Esforça-se para confiar em Deus, acredita que Ele é bom e que
realmente se importa com ela. As suas orações para que Deus cure sua irmã e traga seu
marido e os seus filhos para a fé nEle parecem não ser respondidas. “Se Deus me desse algum
sinal tangível de que Ele existe,” pensa, “seria mais fácil acreditar.”
Alguma vez já ficou ansiosa por uma prova tangível de que Deus existe? O que acha que a
Lili pode aprender sobre Deus neste tempo de prova da sua fé? Como outros poderiam
encorajá-la e ajudá-la a lidar com as suas dúvidas?



Nas lições 1 e 2 vimos que a nossa salvação repousa apenas sobre a obra de Cristo, que não
podemos trazer nada extra para oferecer a Deus em termos de boas obras, serviços, atos
especiais ou orações que possam acrescentar algo ao que Cristo realizou por nós. A nossa
salvação é completamente baseada na Sua morte sacrificial por nós, pois foi Ele que viveu
uma vida perfeita, e a nossa esperança de vida eterna está fundamentada na Sua ressurreição
dos mortos. Deus providenciou a salvação ao enviar o Seu Filho, tornando assim possível esta
salvação para cada um de nós. A salvação exige uma resposta de fé em Jesus Cristo como
Filho de Deus e nosso Salvador. Efésios 2:8-9 diz: “Porque pela graça sois salvos, por meio
da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras, para que ninguém se glorie.”
Este versículo fala muito sobre a graça de Deus ao providenciar a salvação e da nossa
resposta de fé.
Uma vez que tenhamos dado este importante passo de fé, como poderemos então viver como
crentes em Cristo? Em Gálatas 5:3-5, vimos que não só começamos a vida cristã pela fé, mas
também continuamos a vivê-la pela fé. Em Hebreus 10:38, encontramos as palavras: “O
JUSTO VIVERÁ PELA FÉ.” Esta grande verdade é expressa por diversas vezes na Bíblia.
Aquele que é justo deve viver pela fé. Nesta lição vamos falar sobre o que significa viver
pela fé.

107
Esboço da Lição
O Que É Fé?
Definição de Fé
Em Quem Confiamos?
Fé Como de Uma Criança
O Que a Fé Não É
Aprendendo a Confiar em Deus
Crescendo na Fé
Lições sobre a Fé
Testando a Fé
A Primeira Tempestade
A Segunda Tempestade
A Maior Prova da Fé
O Resultado da Prova
Fé e Dúvida
A Recompensa da Fé
Pensamentos Finais

Objetivos da Lição
Quando tiver completado esta lição, será capaz de:
1. Descrever a importância da confiabilidade de Deus.
2. Dar uma definição de fé bíblica e avaliar o seu conceito de fé.
3. Explicar três maneiras como podemos fortalecer a nossa fé.
4. Relacionar ilustrações bíblicas de fé e de dúvida com a sua vida.
5. Descrever como Jesus testou a fé dos discípulos, as formas como somos provados e os
resultados das provas.
6. Estudar a fé de um personagem bíblico.

Revisão para Reflexão: Analise o tempo gasto em oração e na Palavra


desde a última vez que o grupo se reuniu. Aumentou a consistência
destes tempos? Pode ver como estes hábitos têm mudado a sua vida
diária?

O Que É Fé?
Se pedisse a várias pessoas que conhece para definirem o que é fé, teria uma grande
variedade de respostas. Este é um daqueles conceitos que pensamos compreender, mas
achamos difícil de explicar. Afinal o que é a fé? Vejamos algumas definições de fé.

Definição de Fé
“Fé” não é um termo exclusivamente cristão, nem é necessariamente um termo religioso. O
dicionário define “fé” como “a confiança ou crença numa pessoa ou coisa.” 38 Por exemplo, as
pessoas têm fé no seu cônjuge, no seu médico ou no seu carro.

108
Lição 6109

Como termo cristão, a fé bíblica, a fé que salva, tem sido definida como “a atitude pela qual
um homem abandona toda a confiança nos seus próprios esforços para obter a salvação… É a
atitude de total confiança em Cristo, de dependência só Nele quanto a tudo o que a salvação
significa.”39
Outra definição da fé salvífica é “uma exclusiva confiança de todo o coração, um total
abandono de si para colocar inteira confiança na misericórdia de Deus… A fé abandona a
esperança nas realizações do próprio homem, deixando para trás todas as obras, e vindo a
Cristo sozinho e de mãos vazias, para lançar-se na Sua misericórdia.”40

Leia Romanos 4:1-8.


1. Do seu ponto de vista, qual o principal ponto que o apóstolo Paulo
apresenta nesta passagem no que diz respeito a Abraão e a Davi?
2. Como você tem dependido de determinadas boas obras, adicionando-as à
sua fé?

Estas definições de fé têm em comum os elementos de confiança, de se colocar toda a nossa


confiança em Deus. Confiar em Cristo para a salvação é o primeiro passo que devemos tomar
para iniciar a vida cristã.

Em Quem Confiamos?
A coisa mais importante sobre a fé, em termos bíblicos, é a fidedignidade Daquele em quem
confiamos. Jesus deixou isto bem claro quando disse que só precisamos da fé do tamanho de
um grão de mostarda para mover uma montanha. É claro que não é a nossa fé que move a
montanha. Você pode ter toda a fé do mundo na sua própria capacidade para mover aquela
montanha ou na habilidade do seu amigo para mover tal montanha, e, ainda assim, a
montanha não se moverá. Só Deus pode mover uma montanha. A fé genuína é a fé que foca
sobre a pessoa certa: o Deus Todo-Poderoso, que é o único que pode mover a montanha. A
fé bíblica é o resultado de uma reflexão sobre a confiabilidade de Deus. Como crentes
devemos colocar a nossa fé em Alguém que é totalmente confiável.
“Ter fé” por si só não produz nada. A diferença está na pessoa em quem se confia. Por
exemplo, suponha que tenha sofrido um acidente de automóvel e está deitado na estrada com
ferimentos graves. Dois homens se aproximam de você, um com um saco de ferramentas de
carpinteiro e o outro com uma mala de médico, e, ambos se oferecem para ajudá-lo. Se
aceitar a oferta do carpinteiro, toda a fé que colocar nele provavelmente não o ajudará muito
nessa situação. Provavelmente colocaria imediatamente a sua confiança no médico confiando
nos seus cuidados. Podemos ver que é o fato de ele ser médico, e não a sua fé, que vai
resolver o seu problema. O que a fé fez foi colocá-lo em contato com o médico.
Outra ideia fundamental associada com a fé na Bíblia é a
O cristão é chamado a crença no testemunho. O cristão é chamado a crer não
crer não apenas no apenas no carácter de Deus, mas nas Suas palavras. A fé é
caráter de Deus, mas uma decisão de crer e responder à Palavra de Deus.
nas Suas palavras. Este aspecto da confiança na palavra do outro pode ser
facilmente visto no âmbito das nossas relações humanas.
Construímos relações de confiança, em parte, baseadas na
110Caminhando com Cristo

confiança no que a outra pessoa diz. Quando um amigo lhe pede para se encontrar com ele
em algum lugar, você confia que ele vai estar lá, porque lhe deu a sua palavra. Baseado no
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