Você está na página 1de 15

HUMANISMO

MUNDO EM MUDANÇA

• Surgimento de nova mentalidade: importância do ser humano

• Fim da Idade Média na Europa: retomada da vida nas cidades e


intensificação do comércio provoca maior interação entre as pessoas de
diferentes segmentos da sociedade.
SURGIMENTO DA BURGUESIA

• Itália – sec. XIII – cidades-Estado importantes centros comerciais e bancários:


Roma, Milão, Florença, Veneza, Mântua, Pádua, Ferrara, Bolonha e Gênova;
dominavam o comércio marítimo com o Oriente e controlavam a economia
mercantil.
• Riqueza associada ao capital decorrente do comércio e não mais à terra, como
na sociedade feudal.
• Muitos camponeses transferiram-se para os burgos, onde começaram a trabalhar
como pequenos mercadores = surgimento da burguesia
CULTURA LEIGA

• Burguesia necessitava de formação cultural mais sólida para que pudesse


administrar a riqueza acumulada.
• Burguês passa a investir em cultura (feito até então apenas pela Igreja e
grandes soberanos).
• Redescoberta de textos e autores da Antiguidade clássica (fonte de saber
acerca do homem).
HUMANISMO: NOVO OLHAR PARA O MUNDO

• Surgimento: Itália, final da Idade Média (século XIV)


• Maturidade: Renascimento
• Foco dos humanistas: ser humano
• Afastamento do teocentrismo medieval
• Visão antropocêntrica – característica da cultura greco-latina
- Antropocentrismo: atitude ou doutrina que considera o ser humano o
centro ou a medida de todas as coisas.
PROJETO LITERÁRIO DO HUMANISMO

• Transição entre o mundo medieval e moderno


• Não tem características bem definidas: velho e novo convivem, provocando uma tensão que se
evidencia na produção artística e cultural:
- Abandono da subordinação absoluta à Igreja Católica
- Resgate de valores clássicos
- Olhar mais racional para o mundo
- Busca explicação na ciência para fenômenos até então atribuídos a Deus.
• Obras de Dante Alighieri e de Francesco Petrarca são base para o desenvolvimento da literatura do
período humanista.
AGENTES DO DISCURSO

Contexto de produção: mesma do Trovadorismo (cortes e palácios)


• Função da literatura: promover a diversão e o lazer da aristocracia
• 1450 – criação da prensa por Johann Gutenberg (revolução na produção
de livros na Europa)
• Cultura oral começa a perder espaço para a cultura escrita
Contexto de circulação: escritores e poetas exploram novos recursos de
linguagem que não dependem da oralidade e da memória
HUMANISMO E O PÚBLICO

• Público das trovas e canções é o mesmo das cantigas do Trovadorismo:


nobres
• Perfil de público começa a mudar:
- investimento da burguesia na aquisição de cultura
- maior facilidade de produção e circulação do livro
- maior número de pessoas passa a ter acesso à produção literária
Mudança consolidada apenas no Renascimento
LINGUAGEM

• Adoção do soneto como forma fixa (conquista a elite por acomodar, em


uma estrutura fixa, o novo olhar indagador, analítico, que procura
explicitar racionalmente os sentimentos humanos.
• Imagens trabalhadas em poemas (partes do corpo humano – olhos e
coração – são mencionados para ilustrar os efeitos do amor: recurso
metonímico).
A PRODUÇÃO DO HUMANISMO EM PORTUGAL

• Produção poética passa por uma crise – início do reinado da Dinastia de Avis
(1385)
• Entre 1350 e 1450 – não há circulação de textos poéticos no país
• Portugal vive o apogeu da crônica historiográfica e da prosa doutrinária (manual
escrito por reis e nobres com normas e modelos de comportamento para
fidalgos da corte)
• Retorno da poesia: separada da música – reinado de D.Afonso V, no séc. XV
• Teatro de Gil Vicente – retrato vivo da sociedade portuguesa da época
FERNÃO LOPES: DESTAQUE AO POVO

• Nomeação como cronista-mor do reino (1434): início do Humanismo em Portugal


- Crônica de El-Rei D. Pedro I: compilação e crítica dos principais acontecimentos do reinado de
D. Pedro I (episódio da morte de Inês de Castro, amante do rei, assassinada a mando de D. Afonso IV,
pai de D. Pedro).
- Crônica de El-Rei D. Fernando: reconstituição do período que se inicia com o casamento de D.
Fernando com Dona Leonor Teles e encerra-se a Revolução de Avis.
- Crônica de El-Rei D. João: dividida em duas partes – 1ª começa com a morte de D. Fernando e
termina com a revolução que leva D. João I ao trono português; 2ª descreve o reinado de D. João até
1411.
A POESIA PALACIANA

• Composições coletivas, produzidas para serem apresentadas nos serões


do Paço Real, diante da corte
• Apresentavam muitas inovações em relação ao Trovadorismo:
- Tema do amor apresentado de forma menos idealizada
- Compilados pelo poeta Garcia de Resende, em 1516, sob o título
Cancioneiro geral.
FORMAS DA POESIA PALACIANA

- Exploração de versos com metro fixo, dentre as quais se destacam as redondilhas


- Formas poéticas regulares
• Trova
• Vilancete
• Cantiga
• Esparsa
- Métrica regular, estrofes com menos versos, uso de glosas que retomavam o mote
- Sem acompanhamento musical, pois a linguagem desempenhava essa função.
TEATRO DE GIL VICENTE

• 1502 – Auto da visitação (homenagem à rainha D. Maria pelo nascimento de seu


filho, D. João III.
• Peça de caráter moralizante
• Religião católica como referência
• Críticas sempre voltadas para os indivíduos, não para as instituições religiosas
• Centro do teatro: erros de ricos e pobres, nobres e plebeus
• Alegorias – representações de ideias abstratas por meio de personagens ou
objetos (ex. agiota – bolsa cheia de moedas – representa a ganância)
OBRAS DE GIL VICENTE

• Autos pastoris (éclogas): caráter religioso e profano


- Auto pastoril português.
- Auto pastoril da serra da Estrela
• Autos de moralidade:
- Auto da barca do inferno
- Auto da barca do purgatório
- Auto da barca da glória
• Farsas: crítica, personagens são tipos populares e desenvolvem-se em torno de problemas da sociedade:
- Farsa de Inês Pereira
- O velho da horta