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METROLOGIA-2003 – Metrologia para a Vida

Sociedade Brasileira de Metrologia (SBM)


Setembro 01−05, 2003, Recife, Pernambuco - BRASIL

COMPARAÇÃO ENTRE MODOS DE CALIBRAÇÃO DE MÁQUINAS DE


MEDIÇÃO POR COORDENADAS

Tiago Leite Rolim 1,Carlos Alberto Schneider2, João Bosco Aquino Silva3,André Roberto Sousa3, ...
1
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, Brasil
2
Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil
3
Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil
4
Centro Federal de Ensino Tecnológico, Florianópolis, Brasil

Resumo: Disponíveis no mercado há mais de três décadas, seu funcionamento e suas características de universalidade,
as máquinas de medição por coordenadas, MMCs, são os flexibilidade e automatização na realização de medições,
sistemas de medição para controle dimensional mais não sendo ainda praticável calibrar uma MMCs para todas
avançados atualmente. Suas características vantajosas de uso as possíveis tarefas de medição que podem ser realizadas no
como universalidade, flexibilidade, automatização e seu volume de trabalho [2– 4].
confiabilidade das medições as tornam sistemas de medição
Os métodos propostos em normas internacionais [5-9] para
adequados para o controle da manufatura atual. Como
ensaios nas MMCs, descrevem testes de desempenho como
qualquer sistema de medição, as MMCs devem apresentar
meio de comprovação das características de performance
rastreabilidade metrológica comprovada através de
especificadas pelos fabricantes para garantias contratuais de
calibrações periódicas. Devido à complexidade dos sistemas
compra e venda.
mecânicos, elétricos, óticos e eletrônicos envolvidos no seu
funcionamento, estas máquinas são sistemas de medição Documentos elaborados por comitês internacionais que
complexos e de difícil avaliação metrológica. Várias estudam maneiras de calibração das MMCs, indicam três
técnicas de ensaio e padrões metrológicos têm sido modos possíveis de avaliação dos erros nestas máquinas
propostos e usados nos últimos anos para avaliação dos [10-12]: Primeiro – Princípio do Comparador – Aplicado
erros envolvidos nas operações de medição com as MMCs pela medição de um objeto de referência rastreado e de uma
no intuito de se chegar a resultados de calibrações. Cada peça com características dimensionais e geométricas
método proposto utiliza padrão metrológico e procedimento próximas as do objeto, sendo que ao ser feita a comparação
próprio fazendo com que, para uma máquina que seja entre a medida do padrão e da peça, são eliminados os
calibrada por vários métodos, possam ocorrer diferenças possíveis erros da máquina, pois fazem parte das duas
significativas tanto nos aspectos metrológicos, quanto ao medições; deste modo a MMCs é reduzida a um
custo e tempo gasto para execução da calibração. Neste comparador, só podendo ser utilizada para medição de peças
trabalho foi desenvolvida uma sistemática capaz de fazer com mesma geometria do padrão e também com tolerâncias
indicação do método mais adequado para calibração de estreitas, sendo na maioria dos casos não exeqüível, pois os
MMCs, tipo ponte móvel com tamanho pequeno e médio, padrões não existem ou, não estão ao alcance do usuário.
considerando aspectos metrológicos e operacionais Segundo – Realização da Tarefa de Medição - Feita pela
relacionados aos tempos e custos envolvidos. aplicação dos chamados métodos indiretos de calibração,
onde artefatos mecânicos calibrados são utilizados para
Palavras chave: medição por coordenadas, calibração
avaliação do comportamento metrológico da máquina no seu
MMCs, métodos de calibração
volume de trabalho, resultando em uma expressão para
incerteza da medição de comprimento, sem conhecimento
1. INTRODUÇÃO individual das parcelas dos erros envolvidos. Terceiro –
Levantamento dos Erros Paramétricos - Consiste na medição
A utilização de instrumentação adequadamente calibrada das 21 componentes destes erros, que são medidos pela
juntamente com cuidados específicos em outros fatores aplicação dos chamados métodos diretos onde a incerteza de
metrológicos envolvidos nas operações de medição,
medição no volume de trabalho da máquina pode ser
asseguram boa confiabilidade metrológica nos resultados calculada pela aplicação de técnicas matemáticas e
obtidos nas calibrações. No rigor metrológico o conceito de estatísticas.
calibração, conforme Vocabulário Internacional de
Metrologia, está atrelado à correção de erros e avaliação das A indicação de um método para fazer calibração em uma
incertezas determinadas considerando os fatores que afetam máquina de medição por coordenadas apresenta alto grau de
a medição [1]. A calibração das MMCs é realizada de complexidade tendo em vista a existência dos diversos tipos
maneira diferente da instrumentação convencional. Isto de máquina, a variada gama de métodos disponíveis e
ocorre devido à complexidade dos sistemas envolvidos no também a própria finalidade da informação gerada na
calibração [13]. As calibrações para atendimento das informações no banco de dados referente aos métodos de
exigências dos sistemas da qualidade são realizadas por calibração considerados no trabalho até então, resultando
laboratórios credenciados junto aos órgãos competentes, que num quadro final com o(s) método(s) indicado(s).
fazem auditorias nestes laboratórios analisando métodos
empregados, os quais são elaborados e desenvolvidos
baseados nas normas de especificação e critérios próprios.
Desconhecendo-se uma forma adequada capaz de fazer
comparação entre os diversos métodos credenciados
praticados na calibração das MMCs, de modo que seja
apontado aquele que melhor atenda as necessidades do
usuário, levando-se em consideração aspectos metrológicos
relacionados as características da máquina e das peças a
serem medidas, como também realize avaliação nos itens
custo e tempo de execução, este trabalho apresenta uma
sistemática capaz de realizar comparações entre métodos de
calibração credenciados, indicando aquele que apresente
maior benefício para o usuário no caso da calibração de
MMCs tipo ponte móvel de pequeno e médio porte.
A sistemática desenvolvida funciona a partir da realização
de análises metrológicas e operacionais utilizando-se as
características dos métodos de calibração armazenadas em
um banco de dados que foi levantado pela aplicação de
vários métodos de calibração em uma máquina de medição
por coordenadas do tipo ponte móvel de tamanho médio,
instalada em ambiente laboratorial, com resultados possíveis Fig. 1. Estrutura geral da sistemática
de aplicação em máquinas de pequeno porte pela
determinação de expressões que envolvem o comprimento
de medição dos eixos. Do funcionamento da sistemática 2.1.Dados de Entrada
resulta um quadro com o(s) método(s) mais indicados para
calibração de uma MMCs, contendo informações relativas a Constituem-se nos dados de entrada as seguintes
custo, tempo de execução e característica metrológica. informações: comprimentos dos eixos de medição da
máquina, incerteza de medição especificada na última
Pretende-se com a sistemática desenvolvida dispor de uma calibração que pode ser segundo eixos ou diagonais
ferramenta capaz de atender três segmentos diretamente espaciais, comprimento máximo e tolerância mais estreita
relacionados as MMCs: os laboratórios credenciados das peças a serem medidas e necessidades do usuário.
independentes, que poderão oferecer aos usuários o método
de calibração com confiabilidade assegurada realizada no 2.2.Banco de Dados com Características dos Métodos
menor tempo e com menor custo; os grandes fabricantes de Considerados na Sistemática
máquinas de medição por coordenadas, os quais seguindo
uma tendência natural, estão montando laboratórios O banco de dados criado para funcionamento da sistemática
credenciados, de modo que neste segmento a aplicação da contém informações sobre métodos de calibração
sistemática desenvolvida atinge os moldes de uso nos credenciados que usam padrões corporificados (padrão
laboratórios credenciados independentes e por último os escalonado, placa com esferas) e laser interferométrico,
usuários que dispõem de um grande número de MMCs, que disponíveis no laboratório de medição por coordenadas da
poderão usufruir da sistemática desenvolvida exigindo do Fundação CERTI (Centros de Referência em Tecnologia
laboratório credenciado, métodos que tragam maior Inovadoras) – Florianópolis – Santa Catarina – Brasil. Os
vantagem de aplicação. métodos citados foram aplicados na calibração de uma
máquina tipo ponte móvel com funcionamento automatizado
e comprimentos dos eixos: Lx = 800 mm, Ly = 1600 mm e
Lz = 600 mm. O banco de dados formado dispõe ainda de
informações relativas ao método de calibração que usa um
2. ELEMENTOS FORMADORES DA SISTEMÁTICA
conjunto de blocos padrão como padrão de comprimento
PARA INDICAÇÃO DE MÉTODO PARA
com algumas informações estimadas a partir do método de
CALIBRAÇÃO DE MMCs
calibração que usa o padrão escalonado. Das calibrações
realizadas foram obtidos os seguintes parâmetros que
formam o banco dados: identificação, parâmetro
A estrutura geral idealizada para sistemática está mostrada
metrológico, aplicações de uso, operacionalidade, tempo
na figura 1 com apresentação dos seus elementos principais.
gasto na calibração e custo de execução.
A descrição de cada um deles é feita na seqüência. O
funcionamento ocorre a partir dos dados de entrada, quando a – Identificação – Consta do nome do método a ser
então são realizadas etapas de análises buscando aplicado, o qual coincide com padrão a ser aplicado.
b – Parâmetro Metrológico – Refere-se à incerteza de Dentro da sistemática desenvolvida são realizadas quatro
calibração do padrão a ser utilizado, a qual deverá constar análises, pela aplicação de critérios metrológicos e
no seu certificado de calibração, ficando assim assegurada à operacionais, as quais executam comparações entre dados de
garantia da rastreabilidade do padrão. Este parâmetro tem entrada e as características dos métodos de calibração
grande importância dentro da sistemática proposta, pois é presentes no banco de dados. A primeira e segunda análise
comparado em análises posteriores, com o valor da incerteza tratam da relação entre o valor da incerteza de um sistema
fornecido nos dados de entrada e também utilizado no de medição e a faixa de tolerância especificada para
orçamento final da incerteza de calibração. fabricação de uma peça e, do valor da relação entre a
incerteza de um sistema de medição padrão e um sistema de
c – Aplicação de Uso – Esta característica refere-se à
medição a ser calibrado, respectivamente. A magnitude
capacidade do método em atender as necessidades do
desta relação é um dos aspectos de maior importância na
usuário constantes nos dados de entrada.
metrologia e, deverá ser utilizado de forma adequada para
d – Operacionalidade – Diz respeito à compatibilidade de cada situação de aplicação ponderando-se entre o que
aplicação do método no tocante ao tamanho das MMCs que realizável e o que é necessário. Valores desta relação não
podem ser atendidas pelo mesmo. são únicos, a norma NBR ISO 10012-1 [14] recomenda não
usar uma relação menor que 1/3 e sugere uso da relação de
e- Tempo – Considera o tempo que a máquina ficará 1/10. Outras normas internacionais consideram suficiente o
disponível para realização da calibração. Consta de duas
valor de 1/4 para esta relação [15-16].
parcelas: primeira, que independe do tamanho da máquina,
refere-se ao tempo de preparação (montagem, desmontagem Na primeira análise caso o valor desta relação seja maior
do padrão e periféricos, estabilização térmica, que 10, é um indicativo de que a máquina tem qualidade
processamento dos dados); segunda: leva em conta a acima das necessidades e, que por suas características,
realização das medições propriamente dita e deverá ser calibrada por um método sofisticado caro e
reposicionamentos do padrão dentro do volume de trabalho, demorado. Nesta situação, será definido para aplicação da
cujo valor dependerá do tamanho da máquina. sistemática um valor de referência para incerteza de medição
da máquina como sendo o valor da faixa de tolerância das
f – Custo - Para consideração deste item, foi aplicado um peças dividido por 10. Assim, o método indicado para
modelo de composição de custos sendo obtido o valor em
calibração da máquina será compatível com a característica
unidade monetário por hora para cada método de calibração de tolerância das peças a serem medidas sendo mais simples
participante do banco de dados. Os parâmetros considerados trazendo benefícios de custo e redução de tempo. A figura 2
foram: custos iniciais do padrão e periféricos, depreciação
ilustra a concepção desta primeira análise.
anual, remuneração anula do capital investido, custo anual
com pessoal técnico, custo administrativo anual (guarda,
emissão de certificados e outros afins), gasto anual com
manutenção e calibração e horas trabalhadas por ano. A
equação 1 foi utilizada para cálculo do custo por hora de
cada método considerado.
5

∑ ci
C= i =1
(1)
T1
Onde:
C – custo por hora, R$/h;
ci – parcelas anuais de custo referentes a: depreciação da
instrumentação, remuneração do capital, custo com pessoal,
gasto com calibração e manutenção e custo administrativo,
R$/ano;
T1 – número de horas trabalhadas no ano, h.
A composição acima serve como referência para
composição do custo da calibração, ficando o preço final
ainda sujeito a parcela referente ao lucro o qual é definido
por critérios de cada laboratório. Custos operacionais
(deslocamentos e seguro) não foram considerados, pois
dependem dos deslocamentos necessários até o local da
calibração.

2.3.Análises Metrológicas e Operacionais na Sistemática Fig. 2. Realização da primeira análise


A segunda análise utiliza o valor de incerteza de medição da indicação de métodos para medição de erros paramétricos
máquina que será calibrada e o valor da incerteza de conforme necessidade do usuário. A figura 5 mostra o
calibração do padrão associado a cada um dos métodos que processamento da quarta análise, terminando com o(s)
constam no banco de dados, calcula a relação entre eles e método(s) indicado(s) para atender a necessidade do usuário.
seleciona aqueles que satisfazem a condição de maior que
1/3. Figura 3 apresenta esquema de realização desta análise.

Na terceira análise os métodos selecionados anteriormente


serão agora avaliados quanto às dimensões dos padrões
utilizados, no sentido da verificação operacional em relação

Fig. 4. Estrutura de funcionamento da terceira análise

.
Fig. 3. Seleção de padrões na segunda análise

ao tamanho da máquina que será calibrada. O critério


adotado foi de que o comprimento do padrão deve
corresponder no mínimo a 75% do comprimento do maior
eixo da máquina que será calibrada. No caso do método que
usa placa de esferas como padrão, o critério adotado foi que
o comprimento do maior eixo da máquina deve ser coberto
por até duas concatenações da placa. Estes critérios são
utilizados nos procedimentos de calibração dos métodos
credenciados. A figura 4 apresenta a estrutura desenvolvida
para esta análise.

A quarta e última análise da sistemática trata da verificação


entre os métodos selecionados até a terceira análise, aqueles
que possam atender a necessidade do usuário quanto as suas
aplicações de uso. Até o momento a sistemática está
implementada e funcionando para atendimento de
solicitações referentes aos métodos de calibração para
MMCs com determinação da incerteza da medição de
comprimento, segundo eixos, U1d, e, incerteza da medição
de comprimento no volume de trabalho da máquina, U3d. Fig. 5. Realização da quarta análise e apresentação do quadro
Está em andamento uma versão da sistemática que fará decisório
O(s) método(s) indicado(s) na quarta análise atende(m)
exigências metrológicas e operacionais. A partir de então, a
sistemática desenvolvida apresenta uma tabela onde constam
valores referentes a custo, tempo de execução e relação entre
a incerteza de medição da máquina a ser calibrada e a
incerteza de calibração do padrão usado em cada método
indicado na seleção. A tabela 1 mostra o modelo da
apresentação final para os métodos indicados pela
sistemática.

Tabela 1. Métodos de Calibração Indicados pela Sistemática

Métodos Custo, R$ Tempo de Relação entre


Selecionados Execução, h Incertezas

A
Fig. 7. Indicação da atual incerteza de medição de comprimento no
B espaço da máquina a ser calibrada
C

2.4.Automatização da Sistemática
Para fins de aplicações práticas e rapidez no sentido de
funcionamento e execução de testes, a sistemática
desenvolvida foi implementada em um programa
computacional. A simplicidade das inferências realizadas e a
necessidade de armazenar informações referentes a cada
método de calibração considerado num banco de dados de
fácil acesso, apontaram para sua implantação numa primeira
versão em ambiente do Visual Basic. O funcionamento
automatizado da sistemática ocorre pelo preenchimento das
informações referentes aos dados de entrada nas interfaces
gráficas desenvolvidas. O processamento é efetuado e
mostrado num quadro final com os padrões indicados para
calibração da MMCs em consideração. As interfaces
Fig. 8. Indicação da atual incerteza de medição de comprimento no
gráficas utilizadas são apresentadas na seqüência espaço da máquina a ser calibrada
.

Fig. 6. Tela de abertura da sistemática Fig. 9. Indicação do parâmetro a ser calibrado


Fig. 10. Tela para especificação da faixa de tolerância das
peças medidas pela MMCs a ser calibrada
Fig. 13. Quadro final com métodos selecionados, para
calibração da MMCs2
Nas figuras 12 e 13 estão as indicações dos métodos para
calibração das máquinas MMCs1 e MMCs2, tipo ponte
móvel, cujas características estão apresentadas na tabela 2.

Tabela 2.Características das MMCs a serem calibradas

Parâmetros \ Máquinas MMCs1 MMCs2


Eixo X, mm 800 400
Eixo Y, mm 1500 600
Eixo Z, mm 600 300
Comp. Máx. de Peça, mm 1100 400
Tolerância das Peças, µm 25 18
Fig. 11. Tela para verificação e confirmação dos dados Incerteza de Medição, U3d, µm 12,7 5,2
fornecidos

O funcionamento da sistemática para indicação do melhor


método de calibração para uma MMCs, tipo ponte móvel
nos tamanhos pequeno e médio no tocante a incerteza da
medição de comprimento no seu volume de trabalho, pode
ser demonstrado nas figuras 12 e 13, as quais resultaram do
processamento individual das características de duas
máquinas e suas condições de trabalho, com respeito as
peças por elas medidas, conforme apresentadas na tabela 2.
Para os métodos considerados no banco de dados da
sistemática, a indicação dos métodos de calibração que usam
laser interferométrico e placa de esferas está bastante
coerente para aplicação na MMCs1. Os métodos que usam
padrão escalonado e blocos padrão não foram indicados pela
limitação de suas dimensões. A decisão mais favorável para
esta máquina seria mesmo o método que usa o laser por
razões de custo, tempo e da relação entre incertezas. Valores
elevados de custo e tempo para uso do método que usa placa
de esferas ocorreram em função do tamanho da máquina,
que necessitaria de concatenações.
Para a MMCs2, considerada de tamanho pequeno, a
Fig. 12. Quadro final com métodos selecionados, para sistemática indica vários métodos que satisfazem a
calibração da MMCs1 necessidade do usuário no sentido de terem sido apontados
com critérios metrológicos e operacionais coerentemente [3] H.N. HANSEN, L. De Chiffre, "An industrial comparison of
aplicados. Na decisão final cabe o balizamento entre o custo coordinate measuring machines in Scandinavia with focus an
o tempo para realização e a influência do valor da relação uncertainty statements", Precision Engineering, vol. 23, pp
entre as incertezas da máquina e padrão nos resultados das 185-195, 1999.
medições a serem realizados com a máquina objetos da [4] S. D. Phillips, "Traceability, calibration and measurement
calibração. issues regarding coordinate measuring machines and other
complex instruments", International Dimensional Workshop,
Knoxville, 2000.
3. CONCLUSÃO
[5] ISO 10360-2 GEOMETRIC Product Specifications (GPS),
A presença crescente das MMCs no contexto dos processos ″Acceptance test and reverification test for coordinate
de manufatura atuais como elemento decisivo para aceitação measuring machines (CMM)″, Draft International Standard,
ou rejeição de peças fabricadas, faz com que a calibração 1999.
destas máquinas seja tão importante quanto a sua própria [6] VDI / VDE 2617, ″Accuracy of Coordinate Measuring
especificação inicial para compra. Vários métodos de Machines″, Part 1, Part 2.1 and Part 3, 1995.
calibração credenciados são disponíveis e aplicados sem
[7] B89.1.12M ANSI/ASME, ″An American National Standard
conhecimento ainda de uma ferramenta capaz de fazer methods for performance evaluation of coordinate measuring
indicação daquele que melhor atenda ao usuário. machines″, 1985.
Neste trabalho foi desenvolvida uma sistemática capaz de [8] JIS B74440, Japanese Industrial Standard, 1987.
fazer a indicação do(s) método(s) mais adequado(s) para
calibração de uma MMCs. As principais conclusões podem [9] CNOMO, Machines a mesurer tridimednsionnelles.
Reception et verifications Periodiques, E40.69.130.N, 1994.
ser citadas:
[10] EAL – G17 – European Cooperation for Accreditation of
- a sistemática é uma ferramenta viável para aplicação em Laboratories – Coordinate Measuring Machine Calibration,
laboratórios independentes credenciados, podendo também 1995.
ser bem utilizada por usuários de MMCs de modo que a
partir de então será comprado o serviço de calibração mais [11] D. A. Swyt, The international standard of length,
″Coordinate Measuring Machines and Systems″, in: Bosch,
adequado para sua necessidade;
J.A., New York, Marcel Dekker, Inc, 1995.
- simplicidade de funcionamento pela introdução de [12] R. M. M. Orrego, ″Método de Calibração Direta para
parâmetros de fácil obtenção, tanto referente à máquina Máquina de Medir a três Coordenadas″, Tese de Doutorado,
quanto as peças a serem medidas; USP, São Carlos, 1999.
- facilidade para inclusão de novos métodos de calibração no [13] T. L. Rolim, A. R. Sousa e J. B. A. Silva, ″Aspectos
banco de dados, bem como alteração dos dados referentes Metrológicos e Operacionais das Técnicas de Calibração
aqueles já existentes; para Máquinas de Medição por Coordenadas″, II Congresso
Nacional de Engenharia Mecânica, João Pessoa, PB, 2002.
- possibilidade de realização de novas análises envolvendo
parâmetros que possam surgir pela sua aplicação; [14] ISO / ABNT NBR 10012-1 – Requisito de garantia da
qualidade para equipamentos de medição – Parte 1: Sistema
- a sistemática proposta poderá ser estendida a outros tipos de Comprovação Metrológica para Equipamento de Medição
de MMCs, sendo necessário simplesmente a montagem do – ABNT -,Rio de Janeiro, 1993.
banco dados experimentais referentes a calibração destas [15] U.S. ARMY MISSILE COMAND, ″Calibration Systems
máquinas usando métodos credenciados. Requirements Military Standart″, MIL – STD –
45662A,USA, 1998.
AGRADECIMENTOS
- A Fundação Centros de Referência em Tecnologias Tiago Leite Rolim, Doutorando, Departamento de Engenharia
Inovadoras, Fundação CERTI, em Florianópolis, SC, pela Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco,
disponibilidade de toda estrutura necessária para realização tlr@labmetro.ufsc.br
do trabalho e colaboração dos seus técnicos na execução das Carlos Alberto Schneider, Prof. Dr. Ing., Departamento de
calibrações. Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa
Catarina, cas@certi.org.br
- A CAPES, através do programa PICDT da Universidade
Federal de Pernambuco, pelo apoio financeiro. João Bosco Aquino Silva, Prof. PH.D, Departamento de
Engenharia Mecânica da Universidade Federal da Paraíba,
jbosco@ct.ufpb.br
REFERÊNCIAS
André Roberto Sousa, Prof. Dr., Centro Federal de Ensino
[1] INMETRO VIM, Vocabulário Internacional de Termos Tecnológico de Santa Catarina, Gerência Metal Mecânica,
Fundamentais e Gerais de Metrologia, INMETRO / DIMCI, ars@certi.org.br
52p. Rio de Janeiro, 1995.
[2] F. Wäldele, k. Busch and H. Kunzmann, "Calibartion of
coordinates measuring machines, ", Precision Engineering,
vol. 4, no. 3, pp. 139-144, 1995.