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Loredana Vigini

AS FUNDAÇÕES DO
NOVO DIRETÓRIO
PARA A CATEQUESE

Conceitos básicos a partir do


“GUIA À LEITURA”
de Dom Rino Fisichella
(Sessão 2 – As fundamentas)

Roteiro para transmitir o conteúdo com


as ferramentas expressivas e experienciais
de Bibliodrama Pastoral

121
Estudo sobre o Novo Diretório para a Catequese
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Série
“Estudo sobre o Novo Diretório para a Catequese”, n. 2

Trieste, 29 de julho de 2020

Tradução em português do livro:


Vigini L. (2020), Le fondamenta del Nuovo Direttorio per la
Catechesi, Serie Studio sul Nuovo Direttorio per la Catechesi, n. 2.

Obra protegida com patamu.com

Título
AS FUNDAÇÕES DO NOVO DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE

Registro
133258

Licença
© Copyright – Todos os direitos são reservados

2
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO ........................................................................... 5

INTRODUÇÃO................................................................................. 7

Ferramenta experiencial: cartazes e documentos ............................... 7

1. A misericórdia............................................................................... 9

Ferramenta experiencial: pano vermelho ........................................... 9


Ferramenta experiencial: escultura com panos ................................ 10
Ferramenta experiencial: experiência corporal perceptiva.............. 11
Ferramenta experiencial: imaginação .............................................. 11
Introdução ............................................................................. 11
Imaginação............................................................................ 12
Conclusão .......................................................................................... 14

2. A mistagogia ................................................................................ 15

Ferramenta experiencial: o pano do caminho................................... 15


Ferramenta experiencial: uso de imagens......................................... 17
Ferramenta experiencial: sociometria .............................................. 17
Ferramenta experiencial: estátua corpórea ...................................... 18
Ferramenta experiencial: objetos simbólicos.................................... 20
Ferramenta experiencial: objeto ....................................................... 21
Ferramenta experiencial: ilhas.......................................................... 21

3
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Conclusão através da valorização de símbolos................................. 22

3. A via da beleza ............................................................................ 25

Ferramenta experiencial: imagem do rosto de Jesus ........................ 25


Ferramenta experiencial: visualização guiada ................................. 26
Ferramenta experiencial: compartilhamento de grupo..................... 26
Conclusão .......................................................................................... 27

4. O testemunho .............................................................................. 29

Ferramenta experiencial: o pacote de presente ................................ 29


Ferramenta experiencial: mais presentes.......................................... 30
Ferramenta experiencial: a pedra fundamental ................................ 32
Ferramenta experiencial: espelhamento com imaginação
facilitada ............................................................................................ 33
Imaginação facilitada............................................................ 33
Ferramenta experiencial: desenho .................................................... 34

Conclusão......................................................................................... 36

4
APRESENTAÇÃO

A série "Estudo sobre o Novo Diretório para a catequese"


tem como objetivo trabalhar o conteúdo deste documento que
recebemos recentemente nas mãos pelo Pontifício Conselho para a
Nova Evangelização. A metodologia de trabalho é experiencial.
É especialmente dedicada aos formadores de catequistas, na
tentativa de ajudá-los a organizar encontros de formação,
transmitindo conteúdos às vezes muito densos para pessoas muitas
vezes simples, como são os catequistas que oferecem seu tempo e
sua boa vontade para acompanharem os catequizandos no caminho
da iniciação à vida cristã.
Este segundo livreto continua a propor o "Guia à Leitura" de
Dom Rino Fisichella, que na edição italiana da San Paolo é
apresentado como uma introdução ao Novo Diretório. O conteúdo
refere-se ao segundo parágrafo, que investiga as fundações do Novo
Diretório.
O objetivo é simplesmente traduzir a riqueza dos conteúdos
expressos, tornando-os compreensíveis para todos, através de
algumas ferramentas expressivas do Bibliodrama Pastoral. Embora
apresentando ferramentas bastante simples, o Manual do
Bibliodrama Pastoral, 140 ferramentas para um encontro expressivo
e experiencial com o texto bíblico, pode ser usado como referência
para tirar o melhor proveito do que é proposto.
O conteúdo aqui expresso também pode ser encontrado
resumido no vídeo "As fundações do Novo Diretório para a
Catequese", no canal do YouTube "sementeviva2012".

5
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

6
INTRODUÇÃO

Depois de nos guiar em uma jornada histórico-cultural para


entendermos de onde vem o Novo Diretório e sua necessidade
neste momento, Dom Rino Fisichella nos convida a descobrir as
"Fundações" deste Documento1. Em particular, ele cita a Evangelii
Gaudium, do Papa Francisco, e a Evangelii Nuntiandi, de Papa Paulo
VI, destacando o quanto o primeiro, atual e atualizado para o novo
contexto cultural, está em harmonia com o último, mais antigo, mas
no qual o germe da proposta atual de catequese já estava presente.
Esta primeira parte é uma introdução ao encontro que aprofundará
as fundações do novo Diretório, compostas por quatro elementos.

Ferramenta experiencial: cartazes e documentos

O facilitador pega os dois cartazes CATEQUESE e EVANGELIZAÇÃO,


mostrados no primeiro encontro, e comenta: “No último encontro,
terminamos com esses dois elementos que são fundamentais para
entender a necessidade de um Novo Diretório: a reflexão teológica
desses últimos anos levou a Igreja a considerar a catequese não
como algo separado, mas ligado ao processo de evangelização,
dentro da evangelização".
Une os dois cartazes: "Conversamos sobre CATEQUESE
QUERIGMÁTICA, entendendo que a catequese deve trazer o
anúncio do querigma, acompanhando os catequizandos no
aprofundamento do encontro com o Senhor que dá sentido à
existência".

1
Pontifício Conselho para a Evangelização, Nuovo Direttorio per la Catechesi, Ed.
San Paolo, págs. 16-25.

7
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Coloca os dois cartazes juntos no chão, no centro da sala: “Hoje


tentaremos entender as fundações dessa catequese querigmática,
que são as fundações do próprio Diretório de catequese. E essas
fundações podem ser encontradas nas palavras do Papa Francisco:
na Apresentação do Novo Diretório, de fato, lemos que ‘O critério
que motivou a reflexão e a redação deste Diretório encontra o seu
ponto fundamental nas palavras do Papa Francisco’”.
O facilitador pega os dois documentos, Evangelii Gaudium e
Evangelii Nuntiandi (na sua falta, duas fotos da capa dos mesmos) e
apresenta: "A referência é especificamente à exortação apostólica
do Papa Francisco Evangelii Gaudium, como já consideramos na
última vez, mas esse documento está em plena harmonia, falando
de evangelização, com a Evangelii Nuntiandi de Paulo VI,
documento sobre a evangelização no mundo contemporâneo.
Colocando os dois documentos sobre os cartazes, o facilitador
conclui: “Para descobrir as fundações do Novo Diretório, portanto, e
consequentemente da nova maneira de fazer catequese, devemos
nos apoiar e aprofundar a Evangelii Gaudium, mas não parando
apenas nas palavras do Papa Francisco como novidade, mas
considerando-as em clara continuidade com o que a Igreja sempre
disse em relação à sua missão evangelizadora. Aqui, não
investigaremos especificamente o vínculo entre os dois
documentos, mas consideraremos apenas o documento Evangelii
Gaudium ao qual o novo Diretório se refere, mas faremos isso com a
consciência de que seu conteúdo se relaciona, no assunto da
evangelização, ao primeiro, fortalecendo e atualizando sua
profunda reflexão".

8
1. A misericórdia

Vamos aprofundar o primeiro dos quatro elementos que compõem


as fundações do Novo Diretório, considerando-o como um
aprofundamento e uma explicação do querigma.

Ferramenta experiencial: pano vermelho

O facilitador pega o pano vermelho usado na conclusão do


primeiro encontro: “Da última vez, concluímos com esta ideia, de
que ‘evangelizar é antes de tudo fazer com que as pessoas se
encontrem com o amor de Deus. Não é transmitir uma idéia, mas
uma Pessoa que nos ama infinitamente e nos mostra o amor
misericordioso do Pai. Através da evangelização, comunicamos o
amor de Deus, e se alguém se sente amado, começa a amar por sua
vez, e quem ama quer conhecer mais seu amado. Então a catequese
está intimamente ligada à evangelização, porque permite o
conhecimento pelo amor’2. Esse pano vermelho representava o
Amor que devemos divulgar no mundo, porque evangelizar é antes
de tudo tornar conhecido o Amor de Deus. As palavras centrais às
quais o Diretório se refere da Evangelii Gaudium, em particular os
números 164-165, retomam esse conceito e o torna explícito. Mas o
amor que devemos dar a conhecer tem uma característica essencial:
a Misericórdia. O amor do Pai não é apenas um amor qualquer, mas
é bem caracterizado: o nome dele é misericórdia.
Sob essa luz, o que é o querigma? ‘O querigma é o anúncio da
misericórdia do Pai que vai ao encontro do pecador que não é mais

2
Vigini L. (2020), A necessidade de um Novo Diretório para a catequese,
Conclusione.

9
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

considerado como uma pessoa excluída, mas como um convidado


privilegiado ao banquete da salvação, que consiste no perdão inicial
dos pecados’3”.

Ferramenta experiencial: escultura com panos

O facilitador coloca o pano vermelho próximo ou no meio dos


símbolos já colocados, dando uma forma específica decidida com
base na própria experiência: “O amor de Deus - Misericórdia tem
uma conotação, é percebido, é sentido... Nós poderemos comunicar
a Misericórdia, se a tivermos experimentado primeiro.
Pessoalmente, sinto a misericórdia como (....) e por isso coloquei
este pano vermelho aqui, ao lado dos símbolos já colocados,
indicando a forma de (...)".
O facilitador convida todos a dar uma forma, a transformar sua
experiência de misericórdia em um símbolo: “Eu dei essa forma,
porque na minha experiência a misericórdia de Deus me alcançou
dessa maneira. E você? Como você sente a misericórdia de Deus em
sua experiência? Como você simbolizaria isso? Convido vocês, neste
momento, a tomarem um pano cada um e a simbolizarem, diante
de vocês, sua experiência de Misericórdia. Porque, como
catequistas, devemos ser especialistas em comunicar o amor, mas o
amor é concreto, tem um rosto, tem um nome. Para você, que rosto
a Misericórdia de Deus tem?" (deixe todos criarem a forma com um
pano disponibilizado no momento ou solicitado antes do encontro.
Possivelmente, coloque uma música de fundo suave).
Depois que todos terminaram, o facilitador convida à experiência
atual da misericórdia: "Agora que você deu forma à misericórdia,
convido você a olhar para ela. O que desperta em você? Que
sentimento nasce?" (se o espaço e o tempo permitirem, o facilitador

3
Fisichella R., em Nuovo Direttorio per la Catechesi, Ed. San Paolo, p. 17.

10
pode propor um breve compartilhamento no grupo ou em duplas ou
em pequenos grupos).

Ferramenta experiencial: experiência corporal


perceptiva

O facilitador convida, agora, a "entrar" na misericórdia: "Agora eu


convido você a viver um gesto: entrar na misericórdia de Deus,
recebê-la agora, neste momento, em sua vida. Convido, portanto,
fisicamente a 'entrar' na escultura que você fez e que está na sua
frente. Relacione-se a ela na posição que lhe parecer mais
adequada: pode se levantar, sentar, ajoelhar-se, ficar de pé dentro
desta escultura; você pode tocá-la, abraçá-la, deitar-se ou sentar-se
nela..." (deixe um momento para cada um entrar, colocando
também uma música doce).
O facilitador convida todos a fecharem os olhos e repensarem na
sua experiência (espelhamento): “Convido você, neste momento, a
fechar os olhos... Pense agora na sua experiência... quando você
tocou com suas mãos pela primeira vez esta misericórdia que se
parecia com isso, nesta forma que você criou... Imagine, agora, que
essa misericórdia o envolva novamente; sinta-se tocado por ela,
mergulhado nela... Qual sentimento surge? O que você sente em
seu coração? ".

Ferramenta experiencial: imaginação

Introdução

O facilitador, enquanto todos ainda estão de olhos fechados,


transmite os outros conteúdos relacionados à catequese
querigmática baseada na misericórdia por meio de ferramentas de

11
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

espelhamento e imaginação: “A catequese que devemos oferecer


aos nossos meninos, aos nossos jovens, a todos os homens ou
mulheres que se aproximam e desejam aprofundar seu
relacionamento com a Igreja, deve sempre levar este anúncio... Ele
não pode ser feito apenas uma vez e nunca mais. Sempre a pessoa
deve permanecer envolvida nesse abraço que você provavelmente
também está experimentando agora... Essa experiência, talvez,
também para você aconteceu no início de sua experiência de fé...
mas com o tempo ela se fortaleceu e sua fé também cresceu
proporcionalmente... A catequese deve ajudar esse caminho, esse
percurso que não termina, que leva sempre a crescimento, sempre
novo e atual e sustenta as perguntas e os desafios de todos os
dias...".

Imaginação

"Agora imagine os meninos ou adultos que você está


acompanhando... imagine-os ao longo de uma estrada, que é a
estrada da vida, mas que também é a estrada da fé... a estrada da
história que todos devem construir com o Senhor... Imagine, em
cada um, a forma que você pensou: coloque-a nos ombros, nas
mãos ou no coração deles, ou no lugar que lhe parecer melhor para
que não se perca... Agora, imagine essas pessoas andando com essa
'misericórdia' que nunca as deixa... em tempos de dificuldade, você
vê essa misericórdia que as abraça, que as sustenta ou as empurra...
Em sua imaginação, você entende como a misericórdia age em cada
uma delas... O que você vê? O que nasce no coração delas? O que
elas expressam? Convido você a expressar em voz alta com uma
palavra o que você percebe nelas..." (deixe expressar, sem
comentários).
O facilitador introduz, na imaginação, um elemento de
descontinuidade: “Agora imagine que outra pessoa entre no meio

12
deles, alguém que você não conhece, mas você vê que ele está sem
essa presença... sem a misericórdia que apóia, que empurra, que
abraça... Como você o vê? Como você o sente? Como ele lida com a
dificuldade? O que expressa? Convido você a expressar em voz alta
com uma palavra o que você percebe nele..." (deixe expressar, sem
comentários).
O facilitador conclui com um espelhamento pessoal: “Agora volte a
pensar em sua vida. A certeza do amor de Deus levou a
consequências em sua vida concreta? (...) E, pensando nos seus
catecúmenos, está tocando concretamente a vida deles? Com base
em que você percebe isso?".
Por fim, o facilitador convida todos a abrirem os olhos e saírem da
composição, concluindo com um resumo: “Convido você, agora, a
reabrir os olhos e sair da composição... O que significa que a
catequese deve ter o querigma no centro? Não é dizê-lo, é permitir
que seja experimentado, facilitando o encontro com o Senhor da
vida. E isso não pode acontecer apenas no começo... o Senhor deve
estar presente na vida do catequizando; ele deve perceber-se
amado e amado pela misericórdia. O querigma deve estar sempre
presente, porque sua vida não deve estar cheia de idéias e
conceitos, mas cheia de apenas uma pessoa necessária: o Cristo. É
ele quem devemos apresentar. Somente assim a fé não será apenas
algo a ser lembrado apenas em momentos de necessidade, mas será
algo vital, algo que terá conseqüências na vida das pessoas”.
Voltando à imaginação vivenciada: "Como você viu, na sua
imaginação, as pessoas acompanhadas pela misericórdia? O que
tinham de diferente daquela pessoa que você imaginou no final,
sem essa Presença? Você provavelmente já entendeu a serenidade
e a alegria como características...”.

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Conclusão

“Gostaria de concluir nossa reflexão sobre esse primeiro elemento


fundamental, dizendo, com as palavras de Mons. Fisichella, que "a
catequese - assim vivida - leva a um conhecimento do amor que leva
aqueles que o aceitaram a se tornarem discípulos evangelizadores,
participando com alegria e coerência da vida o Evangelho recebido4'.
Ou seja: somente uma catequese querigmática que ajude a acolher
o amor de misericórdia fará crescer cristãos que não o são apenas
pelo nome, mas verdadeiros discípulos e evangelizadores, porque
sua alegria e seu testemunho comunicarão ao mundo que vale a
pena seguir Jesus!".

4
Fisichella R., p. 19.

14
2. A mistagogia

Aprofundamos o segundo dos quatro elementos que compõem as


fundações do Novo Diretório, que é a mistagogia como uma
introdução aos mistérios de Cristo que leva a uma vida vivida em
mistério, onde o mistério pessoal se encontra com o mistério de
Deus que, no entanto, sempre confronta fé.

Ferramenta experiencial: o pano do caminho

O facilitador retoma o significado do tecido vermelho e do tecido


que cada um ainda tem à sua frente, com o qual viveu a
experiência da Misericórdia: "Agora ainda temos, diante de nós, o
nosso tecido da Misericórdia, ao qual cada um de vocês deu uma
forma, a partir da própria experiência. Neste momento, gostaria de
dar uma nova forma a este tecido, representando o que dissemos
agora: que o amor de Deus, o querigma, deve ser apresentado e
percebido ao longo da jornada. Então eu pego este pano e o
transformo em uma estrada".
O facilitador dá ao pano a forma de uma estrada que pousa sobre
o que já estava no chão, ou seja, os cartazes com catequese e
evangelização e os dois documentos, e convida os outros a
colocarem os seus em continuidade: “Este pano vermelho agora
representa uma estrada, a estrada que é toda a vida, o caminho;
aquela estrada que todos vocês imaginaram, onde todos somos
acompanhados pelo amor misericordioso de Deus. Mas essa estrada
dura a vida inteira! É por isso que gostaria de representá-la mais
claramente, combinando todas as nossas experiências de
misericórdia. Convido, portanto, cada um, um de cada vez, a
transformar seu pano da misericórdia em uma estrada, mas

15
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

adicionando seu pedaço ao meu, formando assim um longo


caminho. Cada um cria a estrada como deseja: reta, sinuosa, com
curvas, com montanhas... todos podem acrescentar ao que já está
no centro, formando assim uma única estrada grande e longa. Mas
eu convido você, enquanto coloca sua parte de caminho, a dizer
uma palavra em voz alta, que expresse o sentimento que você sente
ao pensar nesta estrada cheia da misericórdia de Deus. Podemos
ocupar todo o espaço central" (deixe que todos possam adicionar o
próprio pedaço de estrada e convide-os a se expressarem, se não o
fizer, dizendo uma palavra...).
Quando o caminho, criado pela participação de todos, é concluído,
o facilitador introduz o segundo elemento fundamental sobre o
qual pousa o Diretório e a catequese querigmática: a mistagogia:
“Olhemos agora para essa estrada, muito longa, que, dissemos, è
cheia do amor de Deus Esta estrada nos ajuda a entrar no segundo
elemento fundativo do Novo Diretório de Catequese, que deve ser
assumido pelo nosso modo de fazer catequese: é a mistagogia. O
que é mistagogia ou, melhor, iniciação mistagógica? O Papa
Francisco escreve, na Evangelii Gaudium n. 166: ‘Outra
característica da catequese, que se desenvolveu nas últimas
décadas, é a iniciação mistagógica, que significa essencialmente
duas coisas: a necessária progressividade da experiência formativa
na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização
dos sinais litúrgicos da iniciação cristã’. Esse caminho que criamos
juntos deveria nos lembrar que a catequese deve ser uma
experiência progressiva. Não nos tornamos cristãos em um instante,
nem nos tornamos cristãos apenas por conhecermos o catecismo de
cor. Tornamo-nos cristãos numa jornada progressiva para conhecer
Jesus, através do amor, como dissemos várias vezes, mas sendo
introduzidos para perceber a presença de Jesus e, portanto, o seu
mistério, através de dois elementos importantes: a comunidade e os
sinais litúrgicos".

16
Ferramenta experiencial: uso de imagens

O facilitador simboliza a comunidade através de desenhos com


silhuetas de rostos: “Queremos entender melhor o conteúdo das
palavras profundas do Papa Francisco. Existe uma progressividade
necessária e isso já o representamos através desse caminho. Mas há
também - e é igualmente essencial - a presença da comunidade. E
eu gostaria de representá-la colocando desenhos de rostos aqui ao
longo do caminho”.
O facilitador comenta essa primeira característica: "Se o caminho, a
estrada, deve ser percorrida por todos e ninguém pode se substituir
a outro para viver o cansaço da vida, o encontro com a alegria e a
dor que todos experimentam nesse caminho, isso não significa que
neste caminho, cada um está sozinho. Na Igreja não há membros
isolados: a Igreja, que deriva da palavra ekklesia, que significa
assembléia, é acima de tudo uma comunidade. Então não é possível
criar 'cristãos isolados', educar para uma fé íntima que não é
compartilhada com os outros".

Ferramenta experiencial: sociometria

O facilitador convida a dar uma cara aos "rostos anônimos"


colocados na estrada: "Coloquei rostos nessa estrada, mas eles são
rostos anônimos, rostos que não têm nome, história, vida... Mas
quem é a comunidade? Quem é que nossos meninos encontra?
Quem é a comunidade que os acompanha, testemunha sua
experiência de fé e amor de Deus, relata seu encontro com Cristo? É
fácil descobrir... Convido todos vocês a se levantarem e ficarem
livremente na beira desta estrada, onde quiserem; importante é que
todos nos espalhemos e que estejamos de um lado e do outro lado
da estrada..." (aguarde que todos se estabeleçam, permanecendo ao
longo do caminho).

17
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Depois que todos se colocaram à beira da estrada, o facilitador


comenta: “Quem é a comunidade? Nós somos a comunidade.
Vamos olhar um para o outro... Para todos os outros, nós
representamos aqueles rostos, aquelas pessoas que se encontram
conosco, que compartilham, que participam da Eucaristia... Nossa
comunidade está ciente da responsabilidade sobre os catequizandos
que percorrem esse longo caminho?".

Ferramenta experiencial: estátua corpórea

O facilitador pega um pano rosa e o transforma em uma


personagem (mantendo-a elevada em toda a sua altura): “Você se
lembra do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, onde
representamos a mulher samaritana com este pano rosa?5... No
roteiro do livro 'Formação para uma igreja casa da iniciação à vida
cristã'6, em certo ponto, representamos o catequizando como essa
samaritana, com suas próprias ansiedades, suas próprias buscas,
seus próprios desejos... Agora eu gostaria de representar
novamente, com este pano rosa, o catequizando que vive esta longa
jornada de aprofundamento da fé... Quem encontra na jornada?...
Encontra você...".
Convida para fazer uma estátua corpórea: “Convido você a viver
uma pequena experiência... Agora, este catequizando passará por
esse caminho, que é experiência pessoal dele de encontro e
crescimento na fé, ao encontro do mistério de Cristo... Convido
você, quando ele passar perto, para fazer uma estátua corporal, ou
seja, uma estátua formada pelo seu corpo, que expresse como você
deseja acolhê-lo, acompanhá-lo... todo mundo faz o que sente, não
há necessidade de olhar para o que os outros estão fazendo... Pode

5
O bibliodrama sobre a mulher samaritana é normalmente vivido por ocasião do
Curso Básico para catequistas da Associação Semente Viva.
6
Cf Vigini L. (2019).

18
fazer a estátua enquanto ele passa perto de você, e depois
permanecer na mesma posição até o final do caminho, até que eu
lhe diga para desfazê-la... Se você quiser, uma vez que nosso
catequizando passou, você pode fechar os olhos e perceber, de
dentro, o que você sente..." (o facilitador passa segurando o pano
como personagem, como se estivesse andando pelo caminho. Se
quiser e considerar apropriado, ele também pode se colocar no lugar
do catequizando, ou pode pedir a um do grupo que o faça,
acordando-se previamente com ele. Coloca uma música adequada
para viver esse momento).
Depois de percorrer todo o caminho, enquanto todos estão na
estátua corpórea: “Convido todos a fecharem os olhos, mesmo
aqueles que ainda não o fizeram... Vocês ainda estão nesta 'estátua'
que expressa sua maneira pessoal de acolher e acompanhar os que
se aproximam da fé... O que você está sentindo agora? Que
sentimento nasce em seu coração diante dessa responsabilidade?
Você pode expressá-lo em voz alta com uma palavra" (deixe-os
expressar livremente...). “Convido você agora a pensar em sua
comunidade concreta... nas pessoas que andam com você... Sua
comunidade está acompanhando crianças, jovens, jovens ou adultos
que estão vivendo o caminho da iniciação à vida cristã? A
comunidade está viva, presente, verdadeira em acolher os
pequenos na fé? O que mais ela poderia fazer? Todos podem
responder em seu coração...".
Após um breve momento de silêncio, o facilitador convida todos a
desfazer a estátua: "Agora que refletimos sobre nosso sermos
comunidade, podemos desfazer a estátua, mas podemos continuar
ficando à beira do caminho".

19
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Ferramenta experiencial: objetos simbólicos

O facilitador introduz o terceiro elemento citado pelo Papa


Francisco em EG 166: “Escutamos que a iniciação mistagógica
requer progressividade (e a indicamos através desse caminho), uma
comunidade ativa (e estamos simbolizando isso ao longo do
caminho), mas ainda nos falta um elemento: uma "valorização
renovada dos sinais litúrgicos de iniciação à vida cristã". Vamos
tentar compreender este outro aspecto essencial... porque nossas
crianças, nossos meninos, nossos jovens compreenderão e
conseguirão viver a dimensão do mistério se viverem o encontro
com o mistério na liturgia. O Senhor primeiro é encontrado lá, e
depois continua-se a encontrá-lo na vida, continuando a viver
mergulhados nesse mistério. Mas nossos catequizandos conseguem
entrar nesse mistério? Eles são capazes de viver a liturgia como uma
experiência de encontro com o Senhor?”.
Ao longo do caminho, o facilitador coloca alguns objetos
simbólicos que lembram os símbolos litúrgicos (por exemplo, um
cálice, uma cruz, uma pequena fonte com água benta, o pão, o
vinho, a toalha de mesa, flores, etc.; se não tiver, podem-se usar
seus respectivos desenhos): “Gostaria de colocar aqui, ao longo do
caminho, alguns objetos (desenhos de objetos) que nossos meninos
encontram quando vão à igreja e participam de uma celebração...
Vamos olhar para estes... nós, adultos, catequistas, sabemos o seu
significado? E podemos passar para nossos catequizandos? E,
sabemos bem, não existem apenas objetos, mas também existem
sinais, atos, que fazem parte do ritual... nós os conhecemos ou os
‘suportamos’ e nada mais? Eles nos falam?".

20
Ferramenta experiencial: objeto

O facilitador pega um texto que é usado na catequese: “O Novo


Diretório nos convida a examinar nossos Manuais, nossos projetos
catequéticos e perguntar-nos se eles ajudam ou não para uma
renovação mistagógica. No entanto, isso não significa que todos
temos que ter um mesmo caminho. Cada comunidade, cada igreja
local pode discernir como é melhor, nessa realidade específica,
transmitir esse conhecimento e tornar essa experiência viva. Isso
deve ser feito com discernimento comunitário”.

Ferramenta experiencial: ilhas

O facilitador nos convida a sair da composição da estrada:


“Convido você, agora, a sair dessa composição, desta estrada,
retornando aos nossos lugares. Porque agora é necessário parar e
fazer um resumo..." (deixe todos voltarem para suas postagens e
continue).
O facilitador pega 6 panos e, enquanto explica, os coloca como
'ilhas' em um círculo: "Mas depois de dizer tudo isso, o que é então
o encontro da catequese? Como deve ser realizado? Podemos fazer
um resumo dos elementos necessários. Tudo essencial, nenhum
pode ser removido. Um encontro de catequese deve anunciar a
Palavra, seja querigmática, mas precisa de alguns outros
elementos".
(Coloca um pano laranja): "Precisa de uma ambientação, que não
pode ser qualquer...".
(Coloca um pano amarelo) "Precisa de uma motivação atraente, isto
é, uma razão para que os meninos venham, para dar tempo e força
para isso...".

21
L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

(Coloca um pano velado, possivelmente branco) "Precisa de


símbolos eloquentes, que sejam entendidos, que digam algo à sua
vida...".
(Coloca um pano marrom) "Precisa de um amplo processo de
crescimento progressivo...".
(Coloca um pano roxo) "E, nesta jornada, precisa de uma integração
de todas as dimensões da pessoa...".
(Coloca um pano vermelho) "E ele precisa de uma jornada feita em
comunidade, onde possa encontrar diálogo, perguntar e ouvir...".
No final, ele coloca, no centro das seis ilhas, o tecido rosa que
anteriormente representara o catequizando: “Coloco aqui, no
meio, o menino, a criança que vem à nossa catequese. Ele deveria
encontrar tudo isso. Mas será que encontra-o? Será que estamos
oferecendo isso a ele? E, olhando para esses seis elementos, qual
elemento parece estar faltando hoje em nossa catequese?".
O facilitador convida cada um a escolher uma das ilhas e a se
posicionar próximo dela: "Convido vocês a se levantarem e a se
colocarem naquela ilha que você sente mais em falta hoje em sua
realidade eclesial" (deixe todos se colocarem e, no final, comente a
'foto' que sai da sociometria do grupo, sublinhando qual recurso
parece nos faltar mais e, se houver tempo, pode ser proposto o
compartilhamento de como fazer para mudar).
Depois que a ferramenta foi aprofundada, o facilitador convida a
retornar a seus lugares: "Agora podemos voltar a sentar e
continuarmos fazendo um resumo".

Conclusão através da valorização de símbolos

O facilitador aprofunda todos os símbolos utilizados, fazendo um


resumo geral: "Vimos tudo o que é necessário para um encontro de

22
catequese, mas isso nos ajudou a descobrir a importância da
iniciação mistagógica. Entendemos, então, que esse caminho que
criamos não é um opcional, mas é um caminho obrigatório, porque
ajuda o catequizando a entrar cada vez mais no mistério que se
acredita e celebra. A primazia do mistério ajuda a não isolar a
catequese de seu contexto natural: a resposta da fé deve acolher o
mistério de Cristo para que isso ilumine o próprio mistério pessoal".
O facilitador levanta de novo a personagem do jovem simbolizado
pelo pano rosa: “Essa pessoa deve encontrar Jesus para entender
quem ele é, pois a samaritana entendeu quem ela era e suas
expectativas e esperanças no diálogo com Jesus. Mas sabemos que
esse diálogo pediu muito tempo, foi feito de pedidos, respostas,
afirmações, confirmações, também contradições e mal-entendidos.
Então é importante considerar a ideia da jornada como
fundamental. E, junto aos Padres da Igreja, chamamos esse caminho
de caminho catecumenal”.
O facilitador faz com que o jovem simbolizado com o pano refaça
sua jornada, explicando enquanto caminha e movendo o jovem
assim como o apresenta: “A pessoa encontra o Senhor, confronta-
o, entende valores, mas também os rejeita, cai, depois encontra
misericórdia, retoma a jornada, cresce, cai e se levanta e continua,
com a misericórdia de Deus e gradualmente fortalece, entende as
luzes e sombras que a habitam, entende-se mais, conhece-se,
descobre seu mistério, sua vocação, etc. A catequese querigmática
ajuda a fazer esse caminho de confronto, de crescimento pessoal,
mas tudo à luz dAquele que está sempre presente e percebido
próximo e outro, Alguém que dá alegria e fundamento à vida e pelo
qual também vale a pena caminhar em subida. Isso é o
catecumenato, onde o mistério de Cristo está sempre presente,
vivendo uma vida mistagógica".
O facilitador deixa o jovem no meio do caminho e sai da estrada:
“Entendemos como tudo isso ainda deve ser alcançado, mas por

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

isso temos que sair de dois 'laços' nos quais a catequese


permaneceu presa: o laço da escolaridade obrigatória e o laço da
mentalidade sacramental. Talvez o primeiro seja fácil de
reconhecer, onde a catequese é um rascunho de uma aula de
escola: o catequista é outro professor, a sala de catecismo é como a
sala da escola, com mesas e cadeiras. Além disso, o ano catequético
é o mesmo que o ano escolar... Se no começo e no centro deve
haver o querigma , no início deve haver a Páscoa, o anúncio da
misericórdia do Pai que enviou seu Filho para nós... Tudo muda.
Mas há outra armadilha, a da mentalidade sacramental, como se
esse caminho tivesse um fim: o sacramento. Uma vez recebido, não
há mais necessidade de fazer catequese, porque tudo já é
conhecido... Se a catequese não é mais uma questão de conhecer as
coisas, mas de viver e enfrentar continuamente o que é a doutrina
cristã, incluindo compreendê-la com a luz da maturidade da vida
(aos 8 anos é diferente que a 20 ou a 40 ou a 60...), entendemos
que a jornada nunca termina. O cristão está sempre em movimento,
numa vida que é mistagógica, ou seja, que sempre tem o sabor do
acompanhamento de Deus, de um Deus que é misericordioso, de
Jesus mestre cuja vida, cujo modo de amar e cujas escolhas nos
colocam em constante crise. Crise positiva, como um momento de
maturação, de escolha, de integração de nós mesmos".
O facilitador faz a última pergunta para o espelhamento: "Tudo
isso é o que devemos dar aos nossos catequizandos. Mas, antes de
tudo, nos perguntamos: eu, você, nós... nos sentimos primeiros
nessa jornada catecumenal? Vivemos primeiro nesta vida
mergulhada no mistério, mistério pessoal e de Deus? Porque se nós
nos achamos já chegados, significa que vivemos com a crença de
que há uma meta, um ponto de chegada. O que, no entanto,
devemos remover da mentalidade de todos: a jornada sempre
continuará, nunca há um termino. O crescimento continuará até o
final da existência. Até o fim, teremos responsabilidade por nossa
vida, por nossa fé".

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3. A via da beleza

Aprofundamos o terceiro dos quatro elementos que constituem as


fundações do Novo Diretório, que é a via da Beleza, que encontra
sua explicação em EG 167.

Ferramenta experiencial: imagem do rosto de Jesus

O facilitador introduz o terceiro elemento fundante: “Misericórdia


e mistagogia nos permitiram aprofundar a catequese ligada à
existência, como algo que toca a existência porque viver com a
presença e a percepção do amor de Deus, da sua misericórdia e seu
mistério não é o mesmo que viver sem eles. Mas ainda temos duas
características básicas, que nos ajudam a entender a novidade do
Novo Diretório de Catequese. Um deles é a Via da Beleza”.
O facilitador mostra uma bela imagem do rosto de Jesus (ou um
ícone): “O Papa Francisco, em EG 167, diz que toda catequese deve
prestar especial atenção ao caminho da Beleza, porque ‘Anunciar
Cristo significa mostrar que crer n’Ele e segui-Lo não é algo apenas
verdadeiro e justo, mas também belo, capaz de cumular a vida dum
novo esplendor e duma alegria profunda, mesmo no meio das
provações’. Em certo sentido, somos chamados a fazer 'se
apaixonar' por Jesus, a fazer perceber que não é uma idéia a seguir,
mas uma Pessoa a amar. E o encontro com o Amado dá alegria".
O facilitador coloca a imagem ao longo do caminho: "Mas como
podemos fazer as pessoas perceberem que seguir a Jesus é bonito,
que é bom para nós, que vale a pena? Nisto, a arte é útil. A beleza
que a arte transmite, em todas as suas formas, pode facilitar o

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

encontro com Deus. A arte pode ser um caminho que leva ao


encontro com Deus.

Ferramenta experiencial: visualização guiada

O facilitador convida todos a fecharem os olhos e conduz a


visualização, com um fundo musical: “Convido você, agora, a fechar
os olhos. Pense na sua igreja... no seu bairro... e concentre sua
atenção nas obras de arte que estão lá. Dentro da igreja, fora da
igreja... Quando você vir uma, pare por um momento para observá-
la... o que essa obra de arte específica transmite a você? O que ela
fala para você? Que sentimento você tem diante dela? (...) Agora
mude para outra obra e viva o mesmo processo... O que ela
transmite para você? O que você sente?" (...) (o facilitador,
dependendo do tempo disponível, pode estender esse momento
propondo a visualização de mais obras de arte, também pensando
na a cidade ou diocese) "Agora tente ir além da sua paróquia, pense
em sua cidade... sua diocese... que expressões religiosas da arte
estão próximas?" (...)

Ferramenta experiencial: compartilhamento de grupo

No final, o facilitador convida todos a reabrirem os olhos e viverem


o compartilhamento: “Fizemos uma jornada imaginária pelas
belezas artísticas de nossa cidade... O que sentimos ao vê-las? Que
sentimentos, mas também que idéia vem a nós para torná-las um
caminho que leva a Deus? Podemos compartilhar em pequenos
grupos ”(deixe um tempo para compartilhar).
Após a partilha dos grupos, o facilitador oferece uma síntese no
grupo grande: “Gostaria de ler as palavras do Papa Francisco em EG
n. 167: ‘Por isso, torna-se necessário que a formação na via

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pulchritudinis esteja inserida na transmissão da fé. É desejável que
cada Igreja particular incentive o uso das artes na sua obra
evangelizadora, em continuidade com a riqueza do passado, mas
também na vastidão das suas múltiplas expressões atuais, a fim de
transmitir a fé numa nova «linguagem parabólica». É preciso ter a
coragem de encontrar os novos sinais, os novos símbolos, uma nova
carne para a transmissão da Palavra, as diversas formas de beleza
que se manifestam em diferentes âmbitos culturais, incluindo
aquelas modalidades não convencionais de beleza que podem ser
pouco significativas para os evangelizadores, mas tornaram-se
particularmente atraentes para os outros’. À luz dessas palavras,
cada grupo pode compartilhar como poderíamos promover o uso
das artes em nossa catequese, quais novas expressões, novos
símbolos poderiam ser usados..." (dê a cada grupo um espaço para
se expressar. Se houver tempo a suficiência, no momento de
compartilhar em pequenos grupos, pode-se propor transformar o
compartilhamento em um cartaz ou cena ou algo mais, para poder
transmitir o que o grupo pensou para os outros, o que torna o
encontro ainda mais experiencial e dinâmico).

Conclusão

O facilitador conclui: “Mons. Rino Fisichella, que nos lidera na


leitura do Novo Diretório, escreve que ‘A via da Beleza poderia ter
uma forte eficácia na catequese sobretudo para permitir conhecer o
grande patrimônio de arte, literatura e música que cada Igreja
possui. Neste sentido entende-se porque o Diretório colocou-a como
uma das “fontes” da catequese (cf. n. 106-109)’. (Indicando o
documento que ainda está colocado no início do símbolo do
caminho, o facilitador conclui): Mais uma vez, podemos ver como o
Novo Diretório tem suas fundações nas palavras do Papa Francisco

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

e, em particular, neste belo e profundo documento que é a


Evangelii Gaudium'.

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4. O testemunho

Vamos nos aprofundar no quarto dos quatro elementos que


constituem os fundamentos do Novo Diretório, que é o testemunho,
que encontra sua explicação na EG 168.

Ferramenta experiencial: o pacote de presente

O facilitador pega um pacote de presente fechado, previamente


preparado (no interior, coloque a pedra usada para simbolizar, no
primeiro encontro, a pedra fundamental que é Jesus, também
embrulhado em um pacote com a inscrição ‘No valor de 2 bilhões de
reais"): "Mas ainda precisamos investigar um quarto elemento que
emerge da Evangelii Gaudium na fundação do Novo Diretório para a
Catequese. O que será?".
O facilitador oferece o pacote de presente a um dos grupos que já
foram formados anteriormente para compartilhar: "Convido vocês
a convencerem alguém dos outros grupos a receber esse pacote
como presente" (o facilitador deixa um tempo; provavelmente não
será difícil para alguém aceitar o pacote de presente oferecido pelo
grupo).
O facilitador entrevista aqueles que interagiram nessa dinâmica:
(abordando aqueles que tiveram que "presentear" o pacote de
presentes) "Como foi a experiência? Vocês tiveram dificuldades para
presentear o pacote para alguém? Por quê?" (deixe responder e
depois entreviste quem recebeu o pacote como presente, abordando
o grupo e o indivíduo) “Por que você quis receber o presente? O que
você fez para recebê-lo? Como é que você e mais ninguém o
recebeu?".

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

No final da entrevista, o facilitador faz um resumo a partir do que


foi compartilhado, destacando alguns aspectos em particular:
“Vimos como todo mundo basicamente gosta de receber um pacote
de presente... mesmo que ninguém saiba o que está lá dentro,
todos competiram por ele. Afinal, podemos dizer que era grátis. Não
havia-se nada a perder, mas apenas a ganhar... (acrescenta outros
elementos eventuais que surgiram)".

Ferramenta experiencial: mais presentes

O facilitador oferece ao grupo que recebeu o primeiro presente


dois outros "presentes", ou seja, um smartphone ou tablet com
ótimo desempenho e um vale de 10.000 reais e convida a doar um
dos três presentes a outro grupo: "Agora vocês, que receberam o
primeiro presente, também deve dar esse presente a outras
pessoas. Mas você precisa apresentar outros 2 presentes possíveis,
mas deve fazer com que o grupo escolha o pacote de presentes. Os
outros presentes são este smartphone e este vale de 10.000 reais.
Você deve tentar convencer os outros de que vale a pena escolher o
pacote de presente" (o facilitador inicia a dinâmica: provavelmente
todos os outros grupos desejarão receber os outros dois presentes e
não o pacote. Deixe o grupo decidir o que fazer e, quando
apropriado, conclua a dinâmica, mesmo que nenhum presente tenha
sido entregue a alguém).
No final, o facilitador entrevista aqueles que mais interagiram na
dinâmica: (abordando aqueles que tiveram que "presentear" o
pacote de presente) "Como foi a experiência? Você teve dificuldade
para presentear o pacote para alguém? Por quê? Por que os outros
queriam os outros dois presentes e não este? Por que você não
conseguiu convencê-los? " (deixe a resposta e, em seguida,
entreviste quem devia receber um presente, abordando o grupo e os
indivíduos) "Por que vocês escolheu esse presente? O que você fez

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para recebê-lo? Por que você não deseja receber o pacote de
presente?"....
Depois de aprofundar a primeira dinâmica, o facilitador escolhe o
grupo de antes, caso os três presentes ainda estejam com ele, ou
dá todos os três presentes ao grupo ao qual um dos outros
presentes foi dado, dando a indicação da nova dinâmica: “Agora,
eu convido você a refazer a experiência anterior, mas, antes de
tentarem convencer outras pessoas a escolherem o pacote de
presentes, convido vocês - somente você, sem mostrá-lo a mais
ninguém - para ver o que há dentro" (o grupo abre e vê o presente
com escrito ‘vale 2 bilhões de reais’; o facilitador convida para iniciar
a dinâmica) "Agora você pode fazer com que outros grupos desejem
receber o pacote de presente em vez do smartphone ou o vale de
10.000 reais" (a dinâmica começa; agora o grupo em questão será
capaz de dizer o valor do pacote, será capaz de convencer; termina
quando algum grupo escolhe o pacote ou quando todo mundo
gostaria de tê-lo ou quando é considerado apropriado).
No final, o facilitador entrevista aqueles que mais interagiram na
dinâmica: (abordando aqueles que tiveram que "dar" o pacote de
presentes) "Como foi a experiência? Você teve dificuldade para dar
a alguém o pacote? Por quê? Por que (não) conseguiu convencê-
los? Quais foram as dificuldades?" (aguarda as respostas e, em
seguida, entrevista aqueles que receberam o pacote de presente,
abordando o grupo e os indivíduos)" Por que você escolheu esse
presente? Por que você preferiu isso? O que fez você mudar de
idéia em comparação com os outros dois presentes?"....
Após aprofundar a entrevista, o facilitador faz um resumo a partir
do que foi compartilhado, destacando alguns aspectos em
particular: “Na primeira experiência, vimos que é muito mais fácil
escolher o smartphone ou o voucher de 10.000 reais do que o
pacote de presente, que era algo cujo valor era desconhecido, e
nem quem o presenteava sabia seu valor. É por isso que todos

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

queriam os outros dois e não o pacote de presente. Então, vimos


que a atitude mudou. Quem 'doou' o pacote de presente foi muito
mais convincente, por quê? " (deixe-os falar).
Resumo final: "Eles foram mais convincentes porque viram o que
havia dentro, eles sabiam o valor do que estava lá. E eles
testemunharam isso. E aqui está o último elemento fundamental, o
último elemento no qual o Novo Diretório de Catequese se baseia e
no qual nossa catequese deve se apoiar: o testemunho. O Papa
Francisco, em EG 168, diz que “relativamente à proposta moral da
catequese, que convida a crescer na fidelidade ao estilo de vida do
Evangelho, é oportuno indicar sempre o bem desejável, a proposta
de vida, de maturidade, de realização, de fecundidade, sob cuja luz
se pode entender a nossa denúncia dos males que a podem
obscurecer. Mais do que como peritos em diagnósticos apocalípticos
ou juízes sombrios que se comprazem em detectar qualquer perigo
ou desvio, é bom que nos possam ver como mensageiros alegres de
propostas altas, guardiões do bem e da beleza que resplandecem
numa vida fiel ao Evangelho".

Ferramenta experiencial: a pedra fundamental

O facilitador convida quem tiver o pacote de presente para abri-lo,


mostrando o pacote com o valor de 2 bilhões: "Mas o que há
dentro do pacote? Não podemos concluir sem descobrir! Então eu
convido você a abrir e mostrar a todos..." (deixe abrir e mostrar).
Depois, ele faz algumas entrevistas: (dirigindo-se a quem já tinha
visto antes) “O que você achou encontrando esse presente? Como
você se sentiu em doá-lo?" (deixa falar, depois dirige-se a quem
recebeu o pacote de presente) “Como você se sente agora vendo o
valor que recebeu? O que você gostaria de fazer agora?".

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Por fim, ele convida a abrir o segundo pacote, no valor de 2
bilhões: "Agora, apenas precisamos ver o que há dentro desse
pacote no valor de 2 bilhões... você pode abri-lo, por favor?".
O facilitador convida a mostrar a pedra: “Você se lembra dessa
pedra? É aquela no qual tudo foi apoiado no encontro passado... a
igreja... a nossa experiência de fé... o maior valor... A pedra
fundamental que é Jesus”.

Ferramenta experiencial: espelhamento com


imaginação facilitada

O facilitador convida todos a fecharem os olhos e a refletir,


colocando um fundo musical: “Agora convido você a fechar os
olhos... tenha em mente, à sua frente, esta pedra... O que você
sentiu em seu coração ao vê-la? Talvez você tenha ficado
decepcionado... você pensou que havia realmente uma pedra
preciosa, um vale de 2 bilhões... você não esperava a pedra...
Jesus... Então, pergunto-lhe: qual é o valor que Jesus tem para você?
Que valor ele tem na sua vida? O que vale mais do que ele para
você? (...) E se você o oferecer a outros, poderá convencê-los de que
vale mais do que qualquer coisa? Por que Jesus não está tomando o
lugar de liderança em sua vida? Afinal, você realmente
experimentou, percebeu o amor de Deus que vale mais do que
qualquer outra coisa? (...)”.

Imaginação facilitada

O facilitador convida a prestar atenção à respiração e a associar a


presença de Deus: “Convido você, agora, a começar a respirar
fundo... sinta o ar entrando, frio, e saindo quente pela boca... A
cada inspiração, perceba o símbolo do ar da vida, associe tudo o que

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

há de bom em você, o amor de Deus que chega até você... a cada


expiração, jogue fora os pensamentos negativos, os obstáculos que
sente...".
Depois, convida a descer a si mesmos, percebendo seu próprio
centro e sua identidade, lugar da presença do Espírito: “A cada
expiração, você entra a cada vez mais profundamente no centro de
você mesmo, onde você é você mesmo, sem condicionamentos...
onde o Espírito de Deus vive em você, em seu coração, em sua
alma...".
Por fim, facilita o surgimento de uma imagem: "Nesse lugar de
autenticidade, deixe uma ou mais imagens emergirem em você...
uma imagem que fala do seu relacionamento com o Senhor Jesus...
Pode ser algo que você experimentou, ou algo que você deseja, ou
uma paisagem natural ou uma imagem simbólica... Deixe que ela
saia do seu coração, não a interprete... Pode ser que mais imagens
surjam do seu coração... Não as julgue, não as interprete... receba-
as pelo que são e pela emoção que transmitem... Concentre-se na
que mais o emociona... Quando você a identifica, sinta a emoção
que lhe dá... dê um nome a essa emoção... E quando você recebeu
esta imagem e deu um nome à emoção, pode abrir os olhos,
continuando a olhar e se concentrar nessa imagem em sua
imaginação...".

Ferramenta experiencial: desenho

Depois que todos abriram os olhos, o facilitador convida a


desenhar a imagem do próprio relacionamentos com o Senhor:
“Dissemos que o testemunho é importante e também a arte é
importante como um meio que pode levar a encontro com o
Senhor. Convido você, agora, a usar a ferramenta da arte para dar
seu testemunho. Você pode desenhar a imagem que viu, que
mostra seu relacionamento pessoal com o Senhor hoje" (deixe

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tempo para viver a experiência, colocando um fundo musical que
ajude a viver o momento).
Quando os primeiros terminarem, convida para dar um título ao
desenho: "Agora que você terminou, pode olhar para seu desenho e
dar-lhe um título, escrevendo-o no próprio desenho".

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L. Vigini As fundações do Novo Diretório para a catequese

Conclusão

Depois que todos concluíram o desenho, o facilitador convida para


o momento final: “Agora chegamos ao final do nosso encontro... e
queremos fazer um resumo. Hoje vimos as fundações do Novo
Diretório, que são encontradas em particular na Evangelii Gaudium
do Papa Francisco. (Indica o pano vermelho): "O primeiro elemento
das fundações é o amor misericordioso; ao encontrá-lo e
experimentá-lo, a pessoa parte pelo caminho (indica a estrada
longa), onde entra gradualmente nos mistérios de Cristo
(mistagogia), que é o segundo elemento fundamental. Um caminho
no qual ela interage com a comunidade (indica os desenhos de
rostos) e onde compreende os símbolos litúrgicos (indica os
objetos). Nesta caminhada, ela descobre a beleza de seguir Jesus
(indica a imagem de Jesus) e, pouco a pouco, sente que pode basear
sua vida em Jesus (indica a pedra. Ele pega e coloca o pacote de
presente com a pedra dentro em algum lugar ao longo do caminho).
Ao descobrir quanta alegria esse encontro dá, ela se torna uma
testemunha alegre e seu testemunho é o que fala aos outros
homens e mulheres de seu tempo. Esta é a síntese da nossa
caminhada de hoje".
O facilitador coloca uma vela acesa no caminho: “Agora, queremos
concluir colocando tudo isso na oração. Esta vela acesa nos lembra
que tudo isso que compartilhamos não é uma idéia, mas uma
realidade, e primeiro, se estamos aqui, é porque estamos nesse
caminho...".
Convida a colocar o desenho na estrada: “E agora gostaríamos de
viver um último gesto, que é nos colocarmos nessa caminhada,
representados cada um pela sua imagem. Ela representa nosso
relacionamento com Deus, um relacionamento que ocorre nesse

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caminho em que todos nos encontramos. Porque, como dissemos
antes, é um caminho que nunca acaba. Logo, eu convido você a
colocar seu desenho onde quiser, cuidando para que nenhum dele
cubra o de outros. Como você o coloca, pode dirigir uma oração ao
Senhor, oferecendo-Lhes a experiência do encontro vivido hoje".
Depois que todos criaram seu próprio desenho, o facilitador
valoriza, pela última vez, a composição criada: "Agora nossa
composição está completa. Antes havia apenas rostos, anônimos...
agora existe vida, as nossas vidas... Olhamos para as imagens dos
outros, acolhamos o testemunho da vida e da fé dos outros...".
Por fim, o facilitador convida o grupo a concluir o encontro
rezando o Pai-Nosso: “Agora podemos concluir oferecendo nossa
oração ao Pai, pedindo-Lhe mais uma vez para abrir nossos olhos e
corações em acolher as novidades que a Igreja nos oferece e sempre
e para nos tornarmos mais, também nós, evangelizadores na
alegria! Pai nosso...".
Conclua com o sinal da cruz. No final, cada um pode retirar seu
desenho e seu próprio tecido, despedindo-se dele e dobrando-o,
assim que não seja mais o pano do caminho da misericórdia, mas
voltará a ser um pano simples.

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