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FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS DO ESTADO

DE SÃO PAULO
LUIZ FELIPE CAMPELO ELISEI RIBEIRO

A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
MICRO E PEQUENAS EMPRESAS BRASILEIRAS

CRUZEIRO-SP
2020
LUIZ FELIPE CAMPELO ELISEI RIBEIRO

A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
MICRO E PEQUENAS EMPRESAS BRASILEIRAS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado


ao Curso de Contabilidade da Faculdade de
Ciências Humanas de Cruzeiro, em
cumprimento à exigência parcial para
obtenção do título de Bacharel em
Contabilidade, sob orientação do Prof. Roney
César Cardoso.

CRUZEIRO-SP
2020
LUIZ FELIPE CAMPELO ELISEI RIBEIRO

A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL
MICRO E PEQUENAS EMPRESAS BRASILEIRAS

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado em ____ de _______ de 2020, como


requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis da
Faculdade de Ciências Humanas do Estado de São Paulo – FACIC.

Banca Examinadora:

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

___________________________________________

Orientador: Prof. Roney César Cardoso

CRUZEIRO-SP
2020
Aos meus amados avós, a quem devo
tudo que sou.
AGRADECIMENTOS

À Deus, inteligência suprema, pelo dom da vida e pelos constantes desafios, que me
possibilitou realizar este trabalho.

Ao meu orientador Prof. Roney César Cardoso.pela paciência, orientação, apoio e


atenção que me ajudaram a concluir este trabalho.

À Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro e ao Diretor Robson Bento Coutinho


pelas inúmeras oportunidades concedidas, sem as quais eu não chegaria até aqui.

Aos demais professores, pela amizade e conhecimento compartilhados.

Aos meus colegas de curso que me auxiliaram sempre que necessitei.


“A escrituração contábil é a técnica de registrar dados em livros, os quais devem ser
gerenciados por profissionais capacitados” (FERRONATO, 2015, p. 32).
RESUMO

O presente trabalho tem como tema a escrituração contábil nas micro e pequenas
empresas. O objetivo geral do trabalho é, por conseguinte, analisar o instituto da
escrituração nas pequenas empresas. Pretende-se, para tanto, levantar dados e
referências sobre o assunto supracitado, além de analisar a eficácia e o tramite das
escriturações nas pequenas empresas. A metodologia utilizada foi a pesquisa
bibliográfica. Conclui-se que a informação contábil tornou-se uma preciosa
ferramenta de auxílio à gestão dos negócios, nos variados setores da economia,
pois uma vez que bem utilizada, com base em dados verdadeiros, permite analisar a
situação econômica e financeira da empresa, identificando os passos adequados e
estratégicos para a correta tomada de decisões. A maioria das empresas busca
informações que permitam aos seus gestores continuarem no mercado cada vez
mais competitivo, e ter uma adequada visão do futuro.
Palavras-chave: Escrituração Contábil. Micro e Pequenas Empresas. Contabilidade.
Informações.
ABSTRACT

The present work has as its theme the bookkeeping in micro and small companies.
The overall objective of the paper is therefore to analyze the bookkeeping institute in
small businesses. To this end, it is intended to gather data and references on the
aforementioned subject, as well as analyze the effectiveness and progress of
bookkeeping in small businesses. The methodology used was bibliographic research.
It is concluded that accounting information has become a valuable tool to help
business management in the various sectors of the economy, since once well used,
based on true data, allows to analyze the economic and financial situation of the
company, identifying the appropriate and strategic steps for correct decision making.
Most companies seek information that will enable their managers to continue in the
increasingly competitive marketplace and to have an adequate vision of the future.
Keywords: Accounting Bookkeeping. Micro and Small Business. Accounting.
Information
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...................................................................Erro! Indicador não definido.

1 CONTABILIDADE....................................................................................................11

1.1 CONCEITO, OBJETIVO E OBJETO.....................................................................11

1.2 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL..............................................................................................16

1.3 MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL................................................................19

2 EMPRESAS.............................................................................................................24

2.1 CONCEITO................................................................................................................................24

2.2 TIPOS.........................................................................................................................................28

2.3 MICRO E PEQUENAS EMPRESAS..................................................................................32

3 A IMPORTÂNCIA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL............................................35

3.1 A QUESTÃO PELO ÂMBITO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS............35

3.2 A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL NO PROCESSO DECISÓRIO


DAS MICROEMPRESAS............................................................................................38

3.3 A CONTABILIDADE E A PEQUENA EMPRESA..................................................40

CONCLUSÃO.............................................................................................................48

REFERÊNCIAS...........................................................................................................50
9

INTRODUÇÃO

É sabido que escrituração contábil é uma técnica de registros das transações


ocorridas dentro de uma empresa e devem seguir as normas da legislação vigente.
Assim, o presente estudo tem como tema a Escrituração Contábil nas
Pequenas Empresas, que muito parece violada e esquecida pelos empresários e
sócios.
Um dos principais fatores que causam a falência das empresas está
associado a má gestão. Como consequência disso, muitas vezes encontra-se uma
Contabilidade distorcida, sem dados confiáveis e elaborada apenas para atender
aspectos fiscais.
O presente projeto parte, portanto do seguinte problema de pesquisa: a
importância das escriturações de uma pequena empresa como base para sócios e
investidores tomarem decisões.
Levanta-se a hipótese de que os donos de pequenas empresas praticamente
não fazem o uso correto da escrituração contábil, já que grande parte dos donos de
pequenas empresas não possuem conhecimento técnico sobre tal assunto, não
conseguem compreender as demonstrações.
Aventa-se também a hipótese das empresas utilizarem a escrituração em um
alto nível, porque os empresários e gestores entendem a importância da utilização
da escrituração para a empresa.
O objetivo geral do trabalho é, por conseguinte, analisar o instituto da
escrituração nas pequenas empresas. Pretende-se, para tanto, levantar dados e
referências sobre o assunto supracitado, além de analisar a eficácia e o tramite das
escriturações nas pequenas empresas.
O interesse pelo tema justifica-se pela relevância da pesquisa possui tripla
dimensão: científica, social e pessoal. No que concerne à contribuição ao
conhecimento científico, qualquer estudo que se preocupe em colocar em relevo
novas abordagens sobre as escriturações nas pequenas empresas ou que ampliem
as abordagens já existentes, é pertinente.
Em razão das lacunas ainda existentes em um amplo processo, a presente
pesquisa objetiva contribuir com os estudos sobre a escrituração contábil por meio
10

de uma abordagem metodológica qualitativa, sem que se despendam muitos


recursos financeiros, atendo-se, pois, a uma parcela maior da população.
Como o pesquisador se interessa pelo assunto e vê a importância do tal para
uma melhor gestão da empresa, a pesquisa contribuirá com informações úteis para
o mesmo.
Como metodologia adotou-se pesquisa bibliográfica. Foi realizada a leitura
crítica, a redação de resumos e paráfrases e a elaboração de fichamentos das obras
pertinentes ao enfrentamento do tema e à comprovação das hipóteses. Além da
leitura de livros pertinentes ao objeto de pesquisa e foram consultados documentos
disponíveis online, devidamente referenciados na Bibliografia.
Fundamentou-se a pesquisa em utilizadas as obras de Amorim e Silva (2017);
Atkinson, et al. (2015); Barros (2019); Coutinho, et al. (2016);Franco (2009);
Ferronato (2015); Gonçalves e Baptista (2015); Hendriksen e Breda (2016); Iudicibus
(2017); Iudicibus e Marion (2000); Hendriksen e Breda (2016); e Marion (2017);
Nascimento (2019); Padoveze (2014); Rocha (2018) e Santos e Veiga (2014).
Estruturalmente, o trabalho está dividido em três capítulos. No primeiro
capítulo, abordam-se as definições, as finalidades, o objeto e objetivo da
contabilidade.
No segundo capítulo, discorre-se sobre as empresas, abordando seus
conceitos, tipos e depois aprofundando-se nas micro e pequenas empresas.
No terceiro e último capítulo, expõe-se a importância da escrituração contábil
nas micro e pequenas empresas
Seguem, por fim, as referências e a conclusão.
11

1. CONTABILIDADE

A contabilidade é uma das profissões mais antigas e mais requisitadas do


mercado de trabalho e como tal, deve estar sempre bem regulamentada para que
não ocorram distorções financeiras nas empresas.
O profissional deve seguir as legislações vigentes através das escriturações
contábeis e suas demonstrações obrigatórias. O que exatamente são as
escriturações contábeis e como elas auxiliam não apenas ao contador, mas à
população em geral.
O que faz um bom profissional contador é o conhecimento que este possui
sobre as regulamentações que sempre estão mudando e para auxiliar nesta tarefa
tentaremos elucidar alguns pontos relevantes.
Ao longo do capítulo foram utilizadas as obras de Gonçalves e Baptista
(2015); Hendriksen e Breda (2016); Iudicibus (2017); Iudicibus e Marion (2000);
Hendriksen e Breda (2016); e Marion (2017).

1.1 CONCEITO, OBJETIVO E OBJETO

A contabilidade é definida como um sistema adaptado para classificar os


eventos econômicos que ocorrem em um negócio. Desta forma, torna-se o eixo
central da execução dos diversos procedimentos que levarão à obtenção do máximo
desempenho econômico envolvido na criação de uma empresa específica.
A contabilidade remonta a tempos muito antigos, quando o homem era
forçado a manter registros e controles de suas propriedades, porque sua memória
não era suficiente para manter as informações necessárias.
 Foi demonstrado por vários historiadores que em épocas como egípcia ou
romana, eram utilizadas técnicas contábeis derivadas de trocas comerciais:
12

O início da literatura contábil limita-se ao trabalho do franciscano Frei Luca


Paccioli, de 1494, intitulado "A soma da geometria aritmética, proporcional e
proporcional", em que o conceito de entrada dupla é considerado pela
primeira vez. Atualmente, dentro dos sistemas de informações de negócios,
a contabilidade é um dos sistemas mais notáveis e eficazes para divulgar as
diversas áreas de informações de unidades ou empresas de produção
(HENDRIKSEN; BREDA, 2016, p. 126).

 O conceito evoluiu bastante, de modo que o grau de "especialização"


dessa disciplina no ambiente de negócios está aumentando .
A contabilidade é uma técnica que lida com o registro, classificação e resumo
das operações comerciais de uma empresa, a fim de interpretar seus
resultados. Portanto, gerentes ou diretores, por meio da contabilidade, podem ser
orientados no curso de seus negócios por meio de dados contábeis e estatísticos
(IUDÍCIBUS, 2017, p. 72).Esses dados permitem conhecer a estabilidade e
solvência da empresa, a corrente de cobranças e pagamentos, as
tendênciade vendas,custos e despesas gerais, entre outros, para que se possa
conhecer a capacidade financeira da empresa.
Quanto aos objetivos da contabilidade, podem ser elencados como:
a) Fornecer informações a: proprietários, acionistas, bancos e gerentes, em
relação à natureza do valor das coisas que a empresa deve a terceiros, às coisas de
propriedade da empresa. No entanto, seu principal objetivo é fornecer informações
fundamentadas, com base em registros técnicos, das operações realizadas por uma
entidade pública ou privada. Para fazer isso, se deve executar:

Registros baseados em sistemas e procedimentos técnicos adaptados à


diversidade de operações que uma determinada entidade pode executar; e
Classificar as operações registradas como forma de obter os objetivos
propostos.
Interprete os resultados para fornecer informações detalhadas e
fundamentadas (GONÇALVES; BAPTISTA, 2015, p. 100).

No que diz respeito às informações fornecidas, devem atender a um objetivo


administrativo e financeiro:
b) Administrativo: oferecer informações aos usuários internos para fornecer e
facilitar o planejamento de gerenciamento intrínseco, a tomada de decisão e
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o controle de operações. Para isso, inclui informações históricas presentes e futuras


de cada departamento no qual a organização da empresa está subdividida; e
c) Financeiro: fornece informações aos usuários externos das operações
realizadas por uma entidade, fundamentalmente no passado, razão pela qual
também é chamada de contabilidade histórica.
A análise de seus objetivos, observa-se que a contabilidade é de grande
importância, porque todas as empresas precisam acompanhar suas negociações
comerciais e financeiras. 
Dessa forma, é possível obter mais produtividade e uso de seus ativos. Além
disso, os serviços fornecidos pela contabilidade são essenciais para obter
informações de natureza jurídica.
Considera a Contabilidade como a ciência que estuda os fenômenos
patrimoniais.
Se o assunto suscitado decorre da origem obrigacional da escrituração, é
suficiente recorrer ao disposto no art. 1.179 da Lei nº 10.406/02 do Código Civil
Brasileiro, para, por meio de simples leitura do que nele está redigido, concluir se os
contabilistas e seus clientes-empresários devem ou não preocupar-se com as
providências de que trata o presente capítulo.
Assim consta in verbis:

Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir


um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração
uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação
respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado
econômico (BRASIL, 2002, p.1).

Pela transcrição trazida a exame, comporta observar que o legislador não foi
apenas determinativo no que se refere à escrituração contábil; foi também preciso e
cristalino, ao fazer referência sobre “escrituração uniforme dos livros” e, ainda, ao
estabelecer uma indissociável correspondência com a documentação respectiva, o
que de certa forma vincula alguns contabilistas aos crimes que eventualmente
venham a ser praticados pelos clientes-empresários.
Seguindo a mesma orientação adotada pela legislação tributária federal,
relativamente ao imposto de renda e à contribuição social calculados sobre o lucro
14

presumido, quando é exigida apenas a escrituração do Livro Caixa e dispensada a


escrituração contábil completa, diga-se, exclusivamente para fins de apuração da
base de cálculo dos tributos mencionados, é importante dizer que a LC nº 123/06
conservou a exigência, conforme se depreende pela leitura do seguinte dispositivo:

Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo


Simples Nacional ficam obrigadas a:
§ 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do
disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o
livro-caixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária
(BRASIL, 2006, p. 1).

Vale observar que o Livro Caixa é um livro de escrituração contábil auxiliar,


destinado ao registro da movimentação das entradas e saídas de dinheiro na
empresa.
Porém, analisando o dispositivo acima compilado, nota-se que houve uma
inovação em relação à finalidade original, tendo sido acrescentada a parte da
movimentação bancária.
Dessa forma, pode-se concluir que não se trata de livro caixa em termos
contábeis, mas de um livro para registro da “movimentação financeira, ou seja, do
controle das disponibilidades da empresa (IUDÍCIBUS, 2017, p. 81).
As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples
Nacional, devem manter um sistema completo de escrituração contábil, podendo,
opcionalmente, adotar modelo simplificado a ser regulamentado pelo Comitê Gestor,
conforme se conclui do dispositivo da Lei Geral, abaixo transcrito:
Art. 27. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo
Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade simplificada para os
registros e controles das operações realizadas, conforme regulamentação do Comitê
Gestor (IUDÍCIBUS, 2017, p. 81).
O Comitê Gestor do Simples Nacional, conforme disposto na Resolução
CGSN nº 28/08, ao regulamentar o artigo acima, conferiu poderes ao Conselho
Federal de Contabilidade para editar resoluções disciplinando o significado de
Contabilidade Simplificada, em conformidade com as disposições previstas no
Código Civil Brasileiro.
15

A contabilidade possui como objetivo o estudo do patrimônio das entidades,


seus fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo,
registrando os fatos e atos de natureza econômico-financeira que o afetam, e
estudando suas consequências na dinâmica financeira.
Podem-se dizer ainda, que o objetivo científico da contabilidade se manifesta
na correta representação do patrimônio e na apreensão e análise das causas das
suas mutações (GONÇALVES; BAPTISTA, 2015, p. 109).
A aplicação da Contabilidade em uma empresa, busca mostrar aos usuários
informações sobre aspectos de natureza econômico-financeira e física do
patrimônio, que possui registros, demonstrações, análises, diagnósticos e
prognósticos, apresentados através de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros
meios.
O adjetivo “econômico” é empregado para designar o processo de formação
de resultado, isto é, as mudanças quantitativas-qualitativas do patrimônio, para mais
ou para menos, correntemente conhecidas como “receitas” e “despesas”. Em
contrapartida, os aspectos “financeiros” diz respeito, em última instância, aos fluxos
de caixa (IUDÍCIBUS, 2017, p. 75).
Vale também ressaltar que, na realização do objetivo central da
Contabilidade, se depara, muitas vezes, com situações nas quais os aspectos
jurídico-formais das transações ainda não estão completos.
Nesses casos, deve-se considerar o efeito mais provável das mudanças
sobre o patrimônio, quantitativa e qualitativamente, concedendo-se prevalência à
substância das transações.
Quanto aos Princípios contábeis, são os preceitos resultantes do
desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos emanados da
Contabilidade, de uso predominante no meio em que se aplicam, proporcionando
interpretação uniforme das demonstrações financeiras (IUDÍCIBUS, 2017, p. 81).
Os princípios contábeis permitem aos usuários fixar padrões de comparação
e de credibilidade, em função do reconhecimento dos critérios adotados para a
elaboração das demonstrações financeiras, aumentam a utilidade dos dados
fornecidos e facilitam a adequação entre empresas do mesmo setor.
Princípios contábeis podem ser conceituados como sendo as premissas
básicas acerca dos fenômenos econômicos contemplados pela contabilidade,
premissas que são a cristalização da análise e observação da realidade econômica.
16

O campo de atuação preferencial da contabilidade é constituído pelas


Entidades, sejam elas de finalidade lucrativa ou não, e procura captar e evidenciar
as variações ocorridas na estrutura patrimonial e financeira, em faze das decisões
da administração e também das variáveis de causas externas que escapam ao
controle e ao poder de decisão da administração.

1.2 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL

No tocante a escrituração contábil, a contabilidade é entendida como


o processo rotineiro de registro, classificação e resumo das informações de cada
uma das transações realizadas pela empresa (IUDÍCIBUS; MARION, 2010, p. 99).
Portanto, as anotações podem ser mantidas da forma mais ordenada e clara
possível.
Das diferenças entre contabilidade e escrituração contábil, a contabilidade é
responsável por: analisar e avaliar resultados econômicos; agrupar e comparar
resultados; planejar e sintetizar os procedimentos a seguir; e verificar a
conformidade com o cronograma.
Enquanto isso, a escrituração contábil lida com: coletar, registrar e classificar
as operações da empresa; narrar por escrito os fatos contábeis; executar as tarefas
de acordo com os procedimentos pré-estabelecidos. De modo que encontra-se sob
o controle e a supervisão do contador.
A forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte,
dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade, não cabendo às
repartições fiscais opinar sobre processos de escrituração, os quais só estarão
sujeitos à impugnação quando em desacordo com as normas e padrões de
Contabilidade geralmente aceitos ou que possam levar a um resultado diferente do
legítimo (Parecer Normativo CST nº 347/1970) (IUDÍCIBUS, 2017, p. 83).
A escrituração será completa, em idioma e moeda corrente nacionais, em
forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e
ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e
transportes para as margens (Art. 269 do RIR/1999), de acordo com Jochem (2011,
p. 43).
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Os registros contábeis devem ser lastreados em documentos hábeis segundo


a sua natureza ou assim definidos em preceitos legais, os quais devem permanecer
à disposição da fiscalização enquanto não prescritas eventuais ações que lhes
sejam pertinentes.
De acordo com a Resolução CFC nº 563/1983, a pessoa jurídica é obrigada a
seguir ordem uniforme de escrituração, mecanizada ou não, utilizando os livros e
papéis adequados, cujo número e espécie ficam a seu critério.
Os tipos de Livros Contábeis podem ser elencados tais como:
a) Livro Diário: de uso obrigatório, pois constitui o registro básico de toda
Escrituração Contábil;
b) Livro Razão: a pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá
manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão
ou fichas utilizadas para resumir e totalizar por conta ou subconta os lançamentos
efetuados no livro Diário, devendo sua escrituração ser individualizada, obedecendo
a ordem cronológica das operações (Art. 259 do RIR/1999);
c) Livro Registro de Inventário: o art. 1.187 do Código Civil/2002 reformulou a
função do livro Registro de Inventário, estabelecendo que na coleta dos elementos
para o inventário;
d) Livro Registro de Duplicatas: por força da Lei nº 5.474/1968, o livro Registro
de Duplicatas é de escrituração obrigatória perante a legislação comercial. Para os
efeitos do Imposto de Renda, pode ser utilizado como livro auxiliar da escrituração
comercial, desde que devidamente registrado e autenticado no Órgão de Registro do
Comércio (Parecer Normativo CST nº 127/1975);
e) Livros Facultativos: os livros auxiliares, tais como Caixa e Conta-Correntes,
que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua
autenticação, quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas,
pormenorizadamente, em livros devidamente registrados (§ 5º do art. 258 do
RIR/1999);
f) Livro Para Registro de Compras: destina-se ao registro das Notas Fiscais
correspondentes às aquisições de matérias-primas, materiais auxiliares e
mercadorias para revenda;
g) Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR): poderá ser escriturado mediante
utilização de sistema eletrônico de processamento de dados, observadas as normas
baixadas pela Secretaria da Receita Federal (Art. 18 da Lei nº 8.218/1991);
18

h) Livro Registro de Estoque de Imóveis de Empresas Imobiliárias: as pessoas


jurídicas, ou pessoas físicas a elas equiparadas, dedicadas às atividades
imobiliárias, deverão manter registro permanente de estoque para efeito de
determinação do custo dos imóveis vendidos;
i) Livro de Movimentação de Combustíveis: deve ser escriturado diariamente
pelos postos revendedores: dispensado de autenticação no Registro do Comércio ou
no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, não ficando dispensado da autenticação na
repartição fiscal estadual, conforme a legislação pertinente:
j) Livros Obrigatórios Perante a Legislação do ICMS: a pessoa jurídica
contribuinte do ICMS, além dos livros comerciais mencionados, deverá registrar os
seguintes livros, para efeitos da legislação do ICMS (Convênio SINIEF s/nº/1970).
De acordo com o art. 255 do RIR/1999, os livros comerciais e fiscais poderão
ser escriturados por sistema de processamento eletrônico de dados, em formulários
contínuos, observado o seguinte:

a) As folhas deverão ser numeradas, em ordem sequencial, mecânica ou


tipograficamente; e
b) Após o processamento, os impressos deverão ser destacados e
encadernados em forma de livro, seguindo-se a lavratura dos termos de
abertura e encerramento e a apresentação ao órgão competente para
autenticação (JOCHEM, 2011, p. 48).

A escrituração ficará sob responsabilidade de profissionais qualificados, nos


termos da legislação específica, exceto nas localidades em que não haja elementos
habilitados, quando, então, ficará a cargo do contribuinte ou de pessoa pelo mesmo
designada (Decreto-lei 486/69 art.3).
A designação de pessoa não habilitada profissionalmente não eximirá o
contribuinte da responsabilidade pela escrituração, desde que legalmente habilitado
para o exercício profissional referido neste item.
A escrituração contábil tem como objetivo controlar o Patrimônio e facilitar a
análise da situação financeira de uma empresa, sendo assim, ela torna-se
indispensável para qualquer tipo de empresa, independentemente de seu porte ou
natureza jurídica (HENDRIKSEN; BREDA, 2016, p. 132).
19

Sem a contabilidade, o empresário perde o principal instrumento para a


tomada de decisões. A obrigatoriedade da escrituração contábil tem respaldo nas
seguintes legislações:
Lei 10.406/02 – Código Civil (Art. 1.179). Lei 6.404/76 Lei das Sociedades
por Ações, Arts. 176 e 177; Lei da Falência – Decreto Lei N° 7661 de
21/06/1945, 803/96 Código de Ética Profissional do Contabilista (Art. 2° item
10.03).
Penalidade pela ausência da Escrituração Contábil: Multa de R$ 277,00 a
R$ 2.770,00. Advertência reservada, Censura reservada ou Censura
Pública (MARION, 2017, p. 88).

A escrituração contábil é uma ferramenta imprescindível a gestão de qualquer


entidade para que se tome uma decisão amparada nas demonstrações contábeis
cabendo ao administrador, sócios ou representantes programarem a escrituração de
suas empresas através de contabilistas devidamente habilitados e registrados no
CRC.
Fica dito que todo contabilista deverá fazer a escrituração contábil de seus
clientes, independente do regime de tributação, bem como a do próprio escritório.
Do contrário estarão sujeitos às penalidades previstos na legislação.
Das consequências decorrentes da ausência de escrituração para a empresa
e demais organizações, assim são elencadas:

a) A ausência de registros contábeis rouba da organização a sua identidade,


não permitindo que ela reveja o seu passado, nem o seu presente e muito
menos o seu futuro;
b) Não permite o desenvolvimento da organização, pois lhe faltam os meios,
isto é, ela é desprovida de controles econômico-financeiros permanentes
que só a Contabilidade lhe oferece, tornando-se desorganizada e
desorientada, sendo a causa principal do processo desenfreado da
sonegação fiscal;
c) Não pode ter acesso ou direito a limite de crédito, pois economicamente ela
não existe. Normalmente a empresa se torna cada vez mais pobre e o seu
titular ou seus sócios cada vez mais ricos, sem origem de riqueza
comprovada, em que mais cedo ou mais tarde, possivelmente a Receita
Federal vem e lhe tira tudo. Logo, também, não oferece segurança aos seus
proprietários e esses se tornam elementos de riscos para aqueles que lhes
oferecem crédito com base em suas riquezas, pois elas, em tese, são
falsas;
d) Em se tratando de organizações de natureza mercantil, em caso de
dificuldades financeiras, não lhe será permitido usar do instituto da
concordata para negociar as suas dívidas (JOCHEM, 2011, p. 48).
20

Por fim, observa-se que é desastrosa para qualquer organização a falta de


escrituração contábil, e, como a lei nos conferiu esta responsabilidade e somente a
nós, ou permanecemos na profissão para cumpri-la ou seremos obrigados a deixá-
la, espontânea ou compulsoriamente. Não existe meio termo.
Por tratar-se, o homem, de um ser intelectual, dotado de conhecimentos e
experiências, é que consegue superar suas deficiências, bloqueios, negatividades e
desvios.

1.3 MÉTODOS DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL

A contribuição à contabilidade se deu de várias maneiras, entre elas,


destacam-se os métodos de controles e registros dos patrimônios, sedimentando
bases para o próprio sistema financeiro propriamente dito e também as casas de
câmbio. A contribuição somente não foi maior devido aos grandes mistérios. A
ordem religiosa em questão contribuiu de maneira direta à formação, divulgação e
aperfeiçoamento das partidas dobradas.
Durante todo período da Idade Média, o acesso às informações e a à
educação sistematizada era privilegio do clero e da classe dominante. Assim, não é
de se estranhar que Luca Pacioli, nascido em berço abastado, teve acesso à
educação e cultura (GONÇALVES; BAPTISTA, 2015, p. 115).
Teve profundo relacionamento com a nova classe em ascensão, a burguesia,
formada pelos comerciantes:

A passagem do modo de produção feudal ao modo de produção capitalista,


principalmente na Europa, especialmente na Itália, era algo irreversível.
Essa profunda mudança nos fatores econômicos justifica também a
tolerância e até o incentivo por parte da Igreja para que Pacioli
desenvolvesse um método aplicável para o controle patrimonial, uma vez
que a Igreja ainda era uma das maiores forças econômicas. Certamente, o
aperfeiçoamento do Método das Partidas Dobradas contemplaria
primeiramente aos interesses das da própria Igreja e também aos interesses
dos comerciantes em expansão (MARION, 2017, p. 92).

O método das partidas dobradas se baseava em que para cada débito


deveria existir um crédito correspondente.
21

Em 1494 surge um marco divisor de águas, definindo de uma vez por todas,
as características das Partidas Dobradas através do Frei Luca Pacioli, pela obra de
Aritmética, Geometria, Proporções e Proporcionalidades, editada em Veneza,
segundo Jochem (2011, p. 56).
Trata-se de uma obra não específica de contabilidade, mas no livro Pacioli
dedica uma parte para descrever sobre Contabilidade e as partidas dobradas.
É impossível entender o que levou à publicação da obra de Pacioli e não de
outros que anteriormente haviam descoberto as Partidas Dobradas. Primeiramente,
Luca Pacioli era frei Franciscano, portanto protegido pelo manto da Igreja. Segundo
a Igreja necessitava urgentemente de métodos para controlar suas próprias riquezas
patrimoniais. Terceiro, Pacioli era matemático e nesta época a Contabilidade estava
extremamente ligada à área exata. Quarto, o surgimento da própria imprensa, onde
a obra acima descrita foi uma das primeiras depois da Bíblia, a ser impressa. E por
último, e não de menor importância, o fortalecimento do comércio (HENDRIKSEN;
BREDA, 2016, p. 139).
As partidas dobradas nasceram sob duas grandes influencias: de um lado a
preocupação da Igreja em manter seu patrimônio e de outro os industriais e
comerciantes em fazer crescer seus negócios. As forças latentes, a pressão
exercida pelo desenvolvimento do Capitalismo e o apoio do raciocínio lógico
contribuíram para o aparecimento e a divulgação do sistema das partidas dobradas.
Pode-se entender que o uso das partidas dobradas, é fruto do
desenvolvimento comercial da Idade Média.
As partidas dobradas é o método contábil utilizado para operações de registro
ou liquidar negócios feitos pela empresa. Um ou mais itens de devedor e credor são
registrados em cada assento (IUDÍCIBUS, 2017, p. 85). 
Ou seja, em cada assento há um duplo registro de itens: um ou mais
devedores e outro ou outros credores. As regras da técnica contábil chamada dupla
entrada se aplicam ao que a contabilidade chama de “Contas”.
Para tanto, utiliza-se o seguinte exemplo:
Supondo que se tenha uma empresa comercialmente relacionada a um
fornecedor de mercadorias chamado "Azul SA" Durante o mês atual, esse
fornecedor vende mercadorias para pagar alguns dias depois em dinheiro. Esta
operação é repetida várias vezes nessas condições. Portanto, seu relacionamento
comercial com esse provedor pode ser o seguinte:
22

Quadro 1: Relacionamento comercial


10/02/2019 EU COMPREI POR 1.000
10/02/2019 EU PAGUEI A ELE 300
SALDO DEVEDOR: 700
10/02/2019 EU O COMPREI POR 500
SALDO DEVEDOR: 1.200
20/10/2019 EU PAGUEI A ELE 400
EU DEVO 800
Fonte: Marion (2017, p. 94)

Essa forma de registrar as operações que a empresa realiza com a Azul SA


mostra o que se deve, de acordo com cada uma das operações realizadas. Mas
deve-se reconhecer que a mistura de adição e subtração, em um grande número de
movimentos, não é clara e pode levar a erros frequentes. 
É mais seguro e prático agrupar os movimentos de forma que os
valores sejam sempre somados. Isso é possível usando uma tabela chamada, que
em sua forma mais simples e esquemática, é dividida em duas partes: "Débito" e
"Crédito" (GONÇALVES; BAPTISTA, 2015, p. 118).
Transcreve-se as mesmas operações anteriores relacionadas a compras e
pagamentos. A exposição das transações é a seguinte:

 
Figura 1: Débito e crédito da Azul
Fone: Marion (2017, p. 95)
23

Nos dois lados da conta, adiciona-se os valores. Para saber o que você se ao


provedor, basta fazer a seguinte subtração: 1.500 - 700 = 800
Os montantes 300 e 400 são itens de débito porque liquida-se no "Débito",
enquanto 1000 e 500 são itens de crédito são registrados no "Crédito” (IUDÍCIBUS,
2017, p. 81).
Mas questiona-se: por que não anotar os 1.000 e 500 no lado esquerdo da
conta e os 300 e 400 no lado direito e o resultado final 800, não seria o mesmo?
A resposta é: o resultado seria o mesmo, mas não se pode, porque a técnica
de contabilidade de partidas dobras usa um procedimento geral baseado
na equação da equivalência patrimonial. A partir disso, foi estruturado um
mecanismo que constitui um acordo geral e imóvel (MARION, 2017, p. 97).
Antigamente, o contador era considerado um mero guardador de livros, mas,
felizmente, com o passar dos tempos, a profissão foi se transformando e se
adaptando aos novos mercados de trabalho. O contador, hoje em dia, precisa ser
um profissional inovador, proativo e comunicativo, trabalhando não apenas em sua
área específica, como também dialogando com as outras esferas dentro de uma
empresa.
A contabilidade possui como objetivo o estudo do patrimônio das entidades,
seus fenômenos e variações, tanto no aspecto quantitativo quanto no qualitativo,
registrando os fatos e atos de natureza econômico-financeira que o afetam, e
estudando suas consequências na dinâmica financeira.
A escrituração contábil tem como objetivo controlar o Patrimônio e facilitar a
análise da situação financeira de uma empresa, sendo assim, ela torna-se
indispensável para qualquer tipo de empresa, independentemente de seu porte ou
natureza jurídica. Sem a contabilidade, o empresário perde o principal instrumento
para a tomada de decisões.
24

2 EMPRESAS

O presente capítulo visa apresentar a fundamentação teórica acerca dos tipos


de empresas existentes em território brasileiro.
Nas sociedades atuais as empresas são as responsáveis pelas atividades
produtivas: utilizam trabalho, capital, tecnologia e, dependendo do ramo de
atividade, os mais diversos tipos de matérias-primas e mão-de-obra com
qualificações específicas (ROCHA, 2018, p. 1).
Cabe, portanto às mesmas a organização do processo produtivo, que pode
ser simples ou muito complexo. Estas têm como um dos principais objetivos a
lucratividade.
Todavia, essa condição às vezes é indispensável até mesmo para se
manterem no mercado, necessitando, portanto, procurar eficiência técnica e
econômica através da organização da produção.
Ao procurar cumprir os objetivos internos tornam-se num dos agentes mais
importantes para o crescimento econômico.
Ao longo do capítulo foram utilizadas as obras de Amorim e Silva (2017);
Coutinho, et al.(2016); Ferronato (2015); Padoveze (2014); Rocha (2018) e Santos e
Veiga (2014).
25

2.1 CONCEITO

A empresa é o agente económico responsável pela produção, e por essa


razão desempenha papel relevante nos sistemas económicos. A atividade
económica concretiza-se na produção de grande variedade de bens e serviços, que
são destinados a atender necessidades e satisfazer os desejos humanos.
Por outro lado, os seres humanos, dada a sua capacidade de trabalho, são os
executores e organizadores da produção.
Empresa é todo o empreendimento que procura reunir e integrar: recursos
humanos; não humanos (recursos financeiros, tecnológicos, entre outros);
competências para alcançar objetivos de auto sustentação e lucratividade através da
produção e comercialização de bens e/ou serviços (PADOVEZE, 2014, p. 199).
Eticamente as empresas, como qualquer organização ou atividade humana,
devem contribuir para o bem social.
Uma empresa é uma atividade particular, pública, ou de economia mista, que
produz e oferece bens e/ou serviços, com o objetivo de atender a alguma
necessidade humana.
As empresas podem ser individuais ou coletivas, dependendo do número de
sócios que as compõem.
Um excelente sinônimo para caracterizar o tipo de organização abordada é a
palavra empresa. Organizações são entidades que atuam num determinado
contexto, ou seja, no mercado. As organizações surgem da necessidade primária de
cooperação (FERRONATO, 2015, p. 54).
Toda a organização é formada por duas ou mais pessoas que interagem entre
si para atingirem objetivos comuns.
As organizações não colocam os seus objetivos em si mesmas: “Os objetivos
organizacionais costumam ser colocados fora das organizações, isto é, no ambiente
em que estão inseridas, na sociedade que as envolve e condiciona o seu
comportamento”, de acordo com Coutinho, Et al.(2016, p. 93).
Se a sociedade absorve e aceita o que é produzido, porque necessita desse
produto, então a organização está a exercer uma função social.
26

Os interesses do indivíduo e os das organizações complementam-se, fazendo


com que as boas organizações permaneçam no mercado e as constantes e
renováveis necessidades dos indivíduos sejam satisfeitas.
Toda a organização contém uma dinâmica:

Caso uma organização permaneça estática no contexto das mudanças


sociais, tecnológicas e políticas, ela fracassa. As organizações nunca
podem ser estáticas, já que elas são compostas por seres humanos e
voltadas para um mercado consumidor em constante mudança, além de
operarem num ambiente externo ativo (SANTOS; VEIGA, 2014, p. 87).

A evolução necessária das organizações traduz-se em uma permanente


readaptação das mesmas, para que possam responder às dinâmicas externas e
internas.
Diferença entre empresa e organização, uma organização é um conjunto de
pessoas que tem como finalidade agir para um bem maior. Pode ser um grupo de
ambos os sexos e idades, que se unam com ou sem fins lucrativos para realizar uma
atividade. Esta atividade pode ser remunerada ou não (SANTOS; VEIGA, 2014, p.
98). Pode ser por uma causa, por uma empresa ou por um investimento.
Uma empresa é o conjunto de pessoas, investimento e espaço para fins
lucrativos. Uma empresa precisa ter um espaço para funcionar e estar devidamente
registrada em Portugal e obedecer às regras de mercados (FERRONATO, 2015, p.
58).
Uma empresa não deixa de ser uma organização, pois há um grupo de
pessoas reunidas com uma finalidade maior.
As empresas podem ser de diversos tipos dependendo do capital investido e
da quantidade de pessoas que fazem parte da diretoria da mesma. Se há apenas
uma pessoa dizemos que é uma empresa individual, mas há ainda as
microempresas, empresas de pequeno porte, sociedade limitada, entre outras. As
empresas de sociedade têm o contrato social para garantir a clareza de suas
atividades.
Coutinho, Et al.(2016, p. 99), afirma que somente a partir da segunda metade
do século XVIII começou-se a impor a realidade empresarial, com o seu
desenvolvimento.
27

Durante o período antecedente, a atividade econômica centrava-se na


agricultura e no comércio, exercidos a título individual:

O regime de produção era centrado apenas em artesãos e mão-de-obra


intensiva e não qualificada. Eram as “feiras”, a única forma de se praticar a
compra e venda, ou a simples troca de produtos agrícolas e artesanais,
particularmente ativas nos séculos XII a XIV. A existência de “feiras”
originou o aparecimento de cidades comerciais, onde se combinava o
desenvolvimento dos transportes fluviais e marítimos. Esta fase,
denominada Fase Artesanal, é a primeira na história da empresa, pois
desde a antiguidade que existiram formas de trabalho organizadas e
dirigidas, só que com um desenvolvimento lento até à Revolução Industrial
(1780). A 1ª Revolução Industrial (1780) vem abrir portas a uma nova fase
na história da empresa, a Fase da Industrialização (PADOVEZE, 2014, p.
204).

Esta fase vem modificar por completo as formas de produção existentes nas
empresas, pois o carvão, uma nova fonte de energia, possibilitou um enorme avanço
tecnológico, com a introdução de máquinas nos processos produtivos.
Com esta nova energia, as empresas assumiram um enorme papel no
desenvolvimento das sociedades e dos países, pois consoante o material que se
queria produzir, eram criadas novas máquinas para cumprir os objetivos estipulados.
A 3ª fase da história das empresas é conhecida por Fase do Desenvolvimento
Industrial, e a localização no espaço temporal é entre 1860-1914, ou seja, o período
entre a 2ª e a 3ª Revolução Industrial. As grandes marcas desta fase são o aço e a
eletricidade. O aço vem substituir o ferro como fonte básica da indústria, e a
eletricidade, em conjunto com os derivados do petróleo, vêm substituir o carvão,
como fonte principal de energia (ROCHA, 2018, p. 1).
Em consequência desta alteração, inicia-se o processo de desenvolvimento
do motor de explosão e do motor elétrico, estabelecendo uma relação entre a
ciência e o avanço tecnológico das empresas.
Tudo isto permitiu o rápido desenvolvimento das relações comerciais em todo
o mundo, em virtude do grande desenvolvimento dos transportes e comunicações,
sendo que as distâncias entre as diferentes regiões eram drasticamente encurtadas.
Entre as duas grandes Guerras Mundiais, de 1914 a 1945, que as empresas
atingem enormes dimensões e proporções, passando a realizar operações de
28

âmbito internacional e multinacional. É a Fase do Gigantismo Industrial


(FERRONATO, 2015, p. 68).
Além de surgirem navios cada vez sofisticados e de enorme porte, o
automóvel e o avião tornam-se veículos cada vez mais usuais e correntes.
Com isto, houve a necessidade de se construir grandes redes viárias, auto-estradas
mais acessíveis, e ferroviárias. A tudo isto, junta-se o aparecimento da televisão,
que vai resultar num novo e maior encurtamento de distâncias.
Após o final das II Grande Guerra Mundial, tem início uma nova fase na
evolução histórica das empresas, que coincide com o desenvolvimento científico e
tecnológico das mesmas.
A Fase Moderna vem salientar, definitivamente, um enorme contraste entre os
países do norte e os países do sul:

Assim, os países do norte, mais avançados a nível tecnológico e


empresarial, começam a ser classificados por “Países Desenvolvidos”. Os
países do sul, estando menos industrializados, e mais rurais, são
classificados por “Países em vias de Desenvolvimento”. Os avanços que
ocorreram nesta fase foram apoiados pelos mais variados estudos
científicos, o que nos demonstra que a ciência está cada vez mais ligada às
empresas. Aparecem a circular novos materiais básicos, como o plástico, o
alumínio e as fibras sintéticas. E surgem também novas formas de energia,
a Nuclear e a Solar (SANTOS; VEIGA, 2014, p. 105).

Nesta fase a vida quotidiana entra num nível de qualidade de sofisticação


nunca pensado no passado, e as empresas entram numa fase de grande
dinamização através do uso de TV a cores, computador, comunicação por satélite e
os carros.
Os consumidores mudam a sua atitude drasticamente, e passam a ser mais
exigentes em termos tecnológicos, o que origina a competição das empresas,
obrigando-as à constante evolução para se superiorizarem nos mercados
internacionais e supercompetitivos. É nesta altura que se dá o aparecimento em
grande da publicidade.
É a Fase da Globalização, ou também denominada, Fase de Incerteza Pós-
Moderna. A escassez de recursos é uma realidade que as empresas têm de
conviver, e além disso, é cada vez mais difícil colocar os produtos no mercado.
29

É nesta fase, que a sociedade se encontra atualmente, e que se demonstra


estar a ser bastante difícil para as empresas, na generalidade, que existe a
necessidade de diferenciação a nível da sua atuação, no que diz respeito à
obtenção de afirmação nos mercados internacionais.

2.2 TIPOS

O tecido de negócios que move a economia é composto por muitas empresas


e organizações de características diferentes que têm pouco a ver umas com as
outras.
Cada empresa realiza uma atividade diferente, possui modelos totalmente
diferentes e está estruturada de acordo com suas necessidades.
No entanto, é necessário saber quais são os diferentes tipos de empresas e
sociedades que existem para saber como diferenciá-los e como devemos agir ao
gerenciar qualquer um deles.
Empresa tipo Limitada (LTDA). Recebe o nome de Sociedade
Limitada (ou Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada) aquela que é
formada por duas ou mais pessoas que se responsabilizam solidariamente e de
forma limitada ao valor de suas quotas pela integralização do capital social, ou seja,
a responsabilidade de cada sócio é limitada (daí o seu nome) à quantidade de cotas
que ele possui (ROCHA, 2018, p. 1).
Cotas são a parcela de contribuição do sócio no que diz respeito ao capital
social da empresa.
Atualmente, o tipo societário mais comum em território brasileiro é a
Sociedade Limitada, sendo seu elemento fundamental o contrato social. Este tipo de
sociedade surgiu em meio à complexidade das sociedades anônimas e as
responsabilidades limitadas das sociedades familiares, de acordo com Amorim e
Silva (2017, p. 43).
O formato da Ltda, uma pessoa que não faz parte da sociedade poderá ser
um dos administradores somente com o consentimento dos sócios.
30

Empresa tipo Sociedade Anônima-S/A. Chama-se sociedade anônima ou


também companhia a pessoa jurídica de direito privado que tem seu capital dividido
por ações:

Seus integrantes são chamados acionistas (devendo haver sempre dois ou


mais para que haja a sociedade anônima), e sua natureza é
eminentemente empresarial, independentemente da atividade econômica
explorada. O capital social de uma sociedade anônima é dividido em ações
de igual valor nominal, de livre negociabilidade, limitando-se a
responsabilidade do acionista ao preço de emissão das ações subscritas ou
adquiridas (FERRONATO, 2015, p. 75).

Observa-se que neste tipo de sociedade, o objetivo é a acumulação de


capitais, mais do que a atração de acionistas em si.
Corroborando o exposto, a participação do acionista no controle da empresa é
medida pela quantidade de ações que este possui.
As sociedades anônimas podem ser constituídas de duas formas, capital
aberto ou capital fechado.
Empresa tipo Companhia-CIA. É constituída necessariamente por pessoas
físicas. Há igualdade entre os seus sócios, que respondem solidária e ilimitadamente
pelas obrigações sociais.
A administração da sociedade cabe exclusivamente aos sócios, sendo
vedada a nomeação de terceiros para tal função. Seu nome comercial obrigatório é
firma ou razão social, composta pelo nome de qualquer sócio, acompanhado da
expressão & CIA (ROCHA, 2018, p. 1).
Neste tipo de sociedade não é necessário contribuir com dinheiro ou bens
para a integralização do capital social. “A contribuição poderá ser efetivada com
prestação de serviços”, segundo Amorim e Silva (2017, p. 49).
A sociedade em nome coletivo pode exercer atividade econômica, comercial e
civil, podendo ser empresário individual ou não, e responsáveis solidários pelas
obrigações sociais. A exploração de atividade econômica por esse tipo de
associação de esforços não preserva nenhum dos sócios dos riscos inerentes ao
investimento empresarial.
31

Empresa tipo Individual. A empresa individual ou empresário individual


também pode ser considerado microempresa, com a diferença de que não há
sociedade e, portanto, não há contrato social (SANTOS; VEIGA, 2014, p. 121).
Esse tipo é ideal para algumas atividades, em particular no campo de
prestação de serviços onde o profissional pode exercer individualmente a atividade
sem precisar estabelecer uma sociedade limitada com outra pessoa.
Nome Coletivo. Sociedade em nome coletivo é aquela em que todos os
sócios devem ser:

Devem ser necessariamente, pessoas físicas e respondem solidária e


ilimitadamente pelas obrigações sociais, entretanto, poderão estipular
limites de responsabilidade pelas obrigações sociais entre si, mas que não
terão quaisquer eficácias perante credores. A sociedade em nome coletivo
deve adotar firma social, não sendo permitido o uso de denominação social
(FERRONATO, 2015, p. 103).

Desse modo a administração da sociedade cabe exclusivamente aos sócios,


sendo vedada a nomeação de terceiros para tal função.
Empresa Pública e de Economia Mista As empresas públicas e as sociedades
de economia mista são empresas estatais, isto é, sociedades empresariais que o
Estado tem controle acionário e que compõem a Administração Indireta.
Empresa pública é Pessoa Jurídica de Direito Privado, constituída por capital
exclusivamente público, aliás, sua denominação decorre justamente da origem de
seu capital, isto é, público, e poderá ser constituída em qualquer uma das
modalidades empresariais (PADOVEZE, 2014, p. 213).
Sociedade de Economia Mista é Pessoa Jurídica de Direito Privado,
constituída por capital público e privado, por isso ser denominada como mista. A
parte do capital público deve ser maior, pois a maioria das ações devem estar sob o
controle do Poder Público. Somente poderá ser constituída na forma de S/A.
Ambas, como regra, têm a finalidade de prestar serviço público e sob esse
aspecto serão Pessoas Jurídicas de Direito Privado com regime jurídico muito mais
público do que privado, sem, contudo, passarem a ser titulares do serviço prestado,
pois recebem somente, pela descentralização, a execução do serviço (IUDÍCIBUS,
2017, p. 81).
32

Outra finalidade está na exploração da atividade econômica, o que será em


caráter excepcional, pois de acordo com a Constituição Federal o Estado não
poderá prestar qualquer atividade econômica, mas somente poderá intervir quando
houver: relevante interesse coletivo ou imperativos da segurança nacional.
Organizações Não Governamentais ou ONG’S. As regras da maior parte
dessas organizações são internas, dispostas em um estatuto, o que lhes dá um
cunho institucional, distinto da natureza meramente contratual das sociedades de
responsabilidade limitada, por exemplo. Os tipos societários brasileiros, em sua
maioria, são, em essência, sociedades pessoais, ou de pessoas, o que quer dizer
que gravitam em torno dos interesses das pessoas que compõem seu quadro
societário (IUDÍCIBUS, 2017, p. 81).
Em geral, as ONGs são constituídas para fins não econômicos e finalidade
não lucrativa. Nada impede, contudo, que tenham fins econômicos ou atividades de
cunho econômico, mas cumpre saber distingui-las das sociedades comerciais, cuja
característica é ter atividade econômica, produzir lucro e dividi-lo entre os sócios.
Por isso, em sua maior parte, sua natureza é civil.
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público ou OSCIP’S. São o
reconhecimento oficial e legal mais próximo do que entendo modernamente por
ONG, especialmente porque são marcadas por uma extrema transparência
administrativa. Contudo, são uma opção institucional, não são uma obrigação.
Fundações são pessoas jurídicas de direito privado, mas não são sociedades.
Sociedades nascem da vontade das pessoas em se associar, também conhecida
como AffectioSocietatis em direito clássico (ROCHA, 2018, p. 1).
De modo que ninguém se associa para fazer uma fundação. Fundações
nascem de uma doação, de um ato de doação de um instituidor que reserva certo
patrimônio e o grava para a execução de certo objetivo. Uma vez constituída a
fundação, é necessário que o instituidor lhe determine um estatuto, suas regras de
funcionamento e um grupo que irá se responsabilizar em gerir esse patrimônio
segundo seus objetivos.
Observou que de acordo com os vários tipos de empresa cada uma tem sua
forma de organização e sua forma de obtenção de lucros, algumas com vendas de
ações para constituição de capital outras com capital público e outras com capitais
próprios e vários sócios para administração e organização da companhia.
33

2.3 MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Uma microempresa é uma empresa com faturamento anual reduzido cujo


pagamento de impostos pode ser realizado de forma simplificada.
No Brasil, as microempresas e as empresas de pequeno porte podem optar
pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, conhecido como supersimples,
introduzido a partir de em 1997 pela Lei nº 9.317, de 1996 (ROCHA, 2018, p. 1).
Na atualidade, a matéria é regulada pela Lei Complementar 123, de 14 de
dezembro de 2006:

Na atual legislação, microempresa é o empresário, a pessoa jurídica, ou a


ela equiparada, que aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou
inferior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais). Já as empresas de
pequeno porte são o empresário, a pessoa jurídica, ou a ela equiparada,
que aufiram, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$
360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$
2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) (JOCHEM, 2011, p.
48).

Consiste, basicamente, em permitir que as empresas optantes recolham


os tributos e contribuições devidos, calculados sobre a receita bruta, mediante a
aplicação de alíquota única, em um único documento de arrecadação.
O atual sistema inclui necessariamente os seguintes tributos:

Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica-IRPJ; Imposto sobre Produtos


Industrializados-IPI; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido-CSLL;
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social- COFINS;
Contribuição para o PIS/Pasep; Contribuição Patronal Previdenciária- CPP
para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22
da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e
da empresa de pequeno porte que se dedique às atividades enumeradas na
lei; Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e
Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal
e de Comunicação- ICMS; Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza-
ISS (SANTOS; VEIGA, 2014, p. 126).
34

A Lei concede a simplificação de documentação, a diretriz da fiscalização


como orientação e o estabelecimento de privilégios em compras públicas como:
licitação exclusiva para microempresas e empresas de pequeno porte e um regime
especial de empate ficto, que, após a fase competitiva, permite que a
microempresas ou empresas de pequeno porte realize novo lance, aumentando a
chance de vitória destas empresas em relação às demais.
Amorim e Silva (2017, p. 57), narra que nem toda microempresa pode optar
pelo Simples Nacional, isto vai depender a atividade econômica que exerce. Como
no caso de representação comercial, se dentre as atividades exercidas estiver
representação comercial de qualquer espécie, esta não poderá exercer o direito a
optar pelo Simples Nacional. Não confundir o Simples com microempresa.
Das vantagens das microempresas e empresas de pequeno porte, a Lei
Complementar 123/2006 estabelece normas gerais relativas ao tratamento
diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de
pequeno porte no âmbito dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios.
É também chamada de “Lei Complementar do Estatuto Nacional da
Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte” (LCMEPP). Substitui,
integralmente, a partir de 01.07.2007, as normas do Simples Federal (Lei
9.317/1996), vigente desde 1997, e o Estatuto da Microempresa e da Empresa de
Pequeno Porte (Lei 9.841/1999).
Consideram-se microempresa ou empresas de pequeno porte, a sociedade
empresária, a sociedade simples e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei
10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil Brasileiro), devidamente registrados
no registro de empresas mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas,
conforme o caso, desde que:
Poderia destacar, entre as principais vantagens de uma microempresa ou
empresa de pequeno porte, as seguintes:
Tributação pelo regime de caixa; Fiscalização orientadora; Preferência nas
licitações; Obrigações trabalhistas; Representação na Justiça do trabalho;
Deliberações sociais e da estrutura organizacional; Acesso aos Juizados Especiais;
Baixa dos registros públicos; Legislação da microempresa; Desburocratização para
registro e autorização de funcionamento; Tratamento favorecido e diferenciado nas
35

licitações públicas; Acesso ao crédito; Incentivo fiscal; Inovação tecnológica e apoio


à inovação; Alvará de funcionamento provisório; Acesso à justiça; Associativismo;
Programas de capacitação empresarial e empreendedorismo (FERRONATO, 2015,
p. 54).
De modo que os empresários e empreendedores das microempresas,
empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais serão estimulados
e orientados a participarem das redes de capacitação e inovação empresarial,
recebendo tratamento especial para se posicionarem no mercado, crescerem e se
fortalecerem enquanto parte da cadeia produtiva brasileiro. Novos empreendedores,
sobretudo os jovens, poderão encontrar novas formas de buscar apoio e
atendimento diferenciado para entrada no mercado produtivo.

3 A IMPORTÂNCIA DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL

O presente capítulo visa apresentar a fundamentação teórica acerca da


escrituração contábil nas micro e pequenas empresas.
As micros e pequenas empresas, assim como as demais, necessitam manter
escrituração contábil completa, regida pelas Normas Brasileira de Contabilidade
(NBC), além da Legislação Comercial, Legislação Tributária e Legislação
Previdenciária; isto facilitará o controle patrimonial e o gerenciamento da
36

microempresa que de acordo com o Nascimento (2019, p. 1), as micro empresas


juntas geram mais de 60% dos empregos no Brasil e elas são 99,2% das empresas
existentes no mercado brasileiro. O objetivo principal deste capítulo é informar ao
microempresário a importância da contabilidade para o gerenciamento financeiro,
tributário e patrimonial da empresa.
Ao longo do capítulo foram utilizadas as obras de Amorim e Silva (2017);
Atkinson, Et al.(2015); Barros (2019); Coutinho, Et al.(2016); Franco (2009);
Nascimento (2019); e Rocha (2018)

3.1 A QUESTÃO PELO ÂMBITO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa trouxe facilidades na apuração e


recolhimento de tributos e diminuiu a burocracia no cumprimento das obrigações
acessórias ao mesmo tempo que levou a maioria dos pequenos empresários a
desconsiderar a contabilidade como ferramenta primordial para o gerenciamento e
saúde financeira da empresa.
Em dezembro de 2006, o então presidente do Brasil, Sr. Luiz Inácio Lula da
Silva, sancionou a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (Lei Complementar nº
123, de 14 de dezembro de 2006). Observa-se que embora, de acordo com Lei nº
10.406, estas empresas estejam dispensadas de escrituração contábil completa
para fins fiscais, a lei não dispensa-as das obrigações acessórias previstas na
legislação trabalhista e previdenciária conforme (ROCHA, 2018, p. 1).
Na atualidade a contabilidade mais do que nunca, é peça fundamental e
importante na vida da Microempresa que, enfrentam um cenário econômico de
oscilações frequentes de taxas de juros e carga tributária e a contabilidade irá servir
de bússola na tomada de decisões evitando assim a falência de muitas empresas.
O objetivo da contabilidade é o patrimônio financeiro, e esta informação é
formada por registros de fatos administrativos que alteram o patrimônio em valor ou
quantidade de bens da empresa. Para que haja veracidade nas informações, a
contabilidade lançará movimentos bancários, de caixa, aplicações, financiamentos,
leasing, seguros, folha de pagamento, despesas gerais, entradas e saídas de
mercadorias entre outros.
37

Estes lançamentos culminam no balanço social e demais relatórios contábeis


que virão integrar às provas fiscais e também uma real situação financeira da
empresa, dando assim, credibilidade da mesma junto ao fisco e ao mercado.
O Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66, expressa no parágrafo único do
Artigo 195, in verbis:

Art. 195 - Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e


fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão
conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes
das operações a que se refiram (BRASIL, 1966, p. 1).

A importância da manutenção da escrituração contábil, quando menciona que


os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos
lançamentos realizados, devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos
créditos tributários a que se referem.
O Comitê Gestor do Simples Nacional, na Resolução CGSN nº 10, de 28 de
junho de 2007, no Art 13-A, in verbis:

Art. 13-A. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo


Simples Nacional poderão, opcionalmente, adotar contabilidade simplificada
para os registros e controles das operações realizadas, atendendo-se às
disposições previstas no Código Civil e nas Normas Brasileiras de
Contabilidade editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (BRASIL,
2007, p. 1).

De modo que conferiu poderes ao Conselho Federal de Contabilidade para


editar resoluções disciplinando o significado de Contabilidade Simplificada, em
conformidade com as disposições previstas no Código Civil Brasileiro.
A obrigatoriedade da escrituração contábil respalda-se, inicialmente, no
Código Comercial que, entre outros aspectos, assim estabelece:

Todos os comerciantes são obrigados a seguir uma ordem uniforme de


escrituração e a ter os livros necessários para esse fim, além de encerrar
anualmente um balanço patrimonial (art. 10);
A escrituração deve ser procedida de forma regular, alcançando todas as
operações, as quais devem ser registradas no Livro Diário (art. 11) com
38

individuação e clareza (art. 12), “em forma mercantil e seguida a ordem


cronológica de dia, mês e ano, sem intervalo em branco, nem entrelinhas,
borraduras, raspaduras ou emendas” (art. 14); e
Estabelece, ainda, o Código Comercial, no art. 20, que se algum
comerciante se recusar a apresentar os seus livros quando judicialmente lhe
for ordenado, será compelido a sua apresentação debaixo de prisão
(ROCHA, 2018, p. 1).

A contabilidade fornece informações ao empresário, possibilitando a empresa


a trilhar por caminhos certos, crescendo sempre e com tranquilidade, pois se baseia
em dados reais levantados em balanços, sabendo da real situação do
empreendimento. De acordo com o SEBRAE, devido à falta de planejamento, muitas
micros e pequenas empresas encerram suas atividade antes dos cinco anos de vida.
A Lei do Simples Nacional foi criado com o objetivo de unificar a arrecadação
dos tributos e contribuições devidos pelas micro e pequenas empresas brasileiras,
nos âmbitos dos governos federal, estaduais e municipais.
O principal objetivo da Lei do Simples foi desonerar a microempresa para
acelerar o crescimento econômico do país, com abertura de novas empresas e
novas oportunidades de emprego. Foi observado um crescimento considerável de
natalidade de microempresas e também de mortalidade destas mesmas empresas,
mesmo com os benefícios do SIMPLES como mostra a pesquisa a seguir.
De acordo com Nascimento (2019. p. 1), uma empresa sem contabilidade é
uma entidade sem memória, sem identidade e sem as mínimas condições de
sobreviver ou de planejar seu crescimento. Impossibilitada de elaborar
demonstrativos contábeis por falta de lastro na escrituração, por certo encontrará
grandes dificuldades em obter fomento creditício em instituições financeiras ou de
preencher uma simples informação cadastral.
Se conhece a estrutura de uma empresa baseado em informações contábeis,
principalmente nas pequenas empresas, onde a fragilidade financeira, operacional e
gerencial é grande. Daí surge à necessidade de que a escrituração contábil seja
feita a tempo e de forma eficaz, pois como resultado dessa escrituração, serão
elaborados demonstrativos que permitirão a análise dos custos e dos resultados da
empresa.
A falta de escrituração, além de trazer sérios danos à empresa, acaba
causando outros grandes problemas, como por exemplo, estatisticamente não se
tem dados concretos da economia brasileira pelo fato de muitos trabalharem na
39

informalidade, e sem informação é impossível determinar a situação real do pais em


dados financeiros (FRANCO, 2009, p. 83).
A contabilidade é importantíssima para o sucesso de uma empresa, isto
porque, sem dados confiáveis, não é possível os gestores empresariais tomarem
decisões adequadas sobre custos, rentabilidade, retorno de investimentos e tantas
outras, que afetam diretamente o andar da carruagem dos negócios.

3.2 A RELEVÂNCIA DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL NO PROCESSO DECISÓRIO


DAS MICROEMPRESAS

A informação, no mundo de hoje tornou-se uma valiosa ferramenta nos


negócios, os decisores procuram essas informações para que os auxiliem no
momento de decisão, pois quem as possui poderá controlar o mercado e estar à
frente dos seus principais concorrentes.
Gerenciar uma empresa independente do seu porte, seja ela grande ou
pequena, exige que as pessoas que estão à frente das organizações se deparem, a
todo o momento, com escolhas, assim fica claro que as informações bem utilizadas
levarão a empresa ao sucesso (ROCHA, 2018, p. 1).
No momento de decisão, é importante que as informações sejam seguras,
que os dados sejam verdadeiros, e que propiciem alívio no processo decisório
naquele instante.
Para Nascimento (2019. p. 1), “As informações representam, para quem as
recebe, uma comunicação que pode produzir reação ou decisão, frequentemente
acompanhada de um efeito surpresa”.
A contabilidade tem este papel, de oferecer informações de natureza
quantitativa e qualitativa aos empresários e interessados, onde estes poderão
decidir, justificar, planejar, programar e demonstrar o resultado obtido através
dessas informações.
Outrossim, é importante lembrar que as informações contábeis devem ser
completas e precisas para gerar decisões, em muitos casos servirão para uma nova
decisão.
Corroborando o exposto, a contabilidade:
40

É a ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos


seus aspectos quantitativos (monetário) e qualitativo (físico) e que, como
conjunto de normas, preceitos e regras gerais, se constitui na técnica de
coletar, catalogar e registrar os fatos que nele ocorrem (COUTINHO, et al.,
2016, p. 104).

Entende-se então o acumulo o resumo e revelação de informações de suas


variações e situação, especialmente de natureza econômico-financeira.
Com o avanço da tecnologia, quem dominar as informações poderá crescer e
aumentar a competitividade através da inovação, facilitando os propósitos da
contabilidade e tornando o seu uso uma ferramenta que auxilia os procedimentos
estratégicos, desempenhando assim um papel decisivo para sobrevivência e o
desenvolvimento dos negócios (FRANCO, 2009, p. 83).
Só é possível ter uma boa gestão dispondo de informações necessárias,
devendo estas serem consideradas adequadas quando tiverem qualidade, precisão
e clareza, quando for oportuna, ocorrer no momento certo e for relevante sendo
assim útil ao tomador de decisão.
Assim sendo:

É indiscutível a importância das informações, em cada uma das fases do


processo de tomada de decisões. O fato de se poder contar com
informações adequadas e oportunas é de importância capital para o
sucesso da empresa e, em consequência, do gerente (ATKINSON; et al.,
2015, p. 184).
A informação deve ser tratada como qualquer outro produto que esteja
disponível para consumo, ou seja, consumida de acordo com a necessidade de seus
usuários, devendo esta ter como foco as necessidades dos microempresários.
Os responsáveis pela contabilidade devem fazer um estudo básico das
necessidades de informação que os pequenos empresários precisam para tomarem
decisão, pois essas informações são fontes que movem não só a empresa, mas
acompanham por toda vida.
Amorim e Silva (2017, p. 67), afirma que: “A função básica do contador é
produzir informações úteis aos usuários da Contabilidade para tomada de decisões”.
Ressalte-se, entretanto, que, no país, em alguns segmentos da economia,
41

principalmente na pequena empresa, a função do contador foi distorcida


(infelizmente), estando voltada exclusivamente para satisfazer às exigências legais.
A contabilidade bem elaborada é essencialmente importante para o
desenvolvimento da informação e principalmente, para tomada de decisão.
Explorando a contabilidade pode-se considerar como um sistema de
informação que agrupa dados de natureza econômico-financeira que refletem a
riqueza patrimonial e adequação da gestão empresarial, por isso se torna necessário
um sistema de informação contábil adequado, propiciando decisões rápidas e
seguras levando as organizações alcançarem seus objetivos (COUTINHO, et al.
2016, p. 114).
De acordo: “O objetivo principal da contabilidade (e dos relatórios dela
emanados) é fornecer informação econômica relevante para que cada usuário possa
tomar suas decisões e realizar seus julgamentos com segurança” (ROCHA, 2018, p.
1).
Elaborar as demonstrações Contábeis é consequência de uma escrituração
bem-feita e completa.
Essas informações são o caminho para o aperfeiçoamento dos processos
decisórios nas microempresas, assim estarão dando um salto de qualidade nas
relações comerciais e contábeis, promovendo o desenvolvimento almejado, não
atendendo somente as exigências fiscais, segundo Amorim e Silva (2017, p. 73).
Não adianta gerar informações que não sejam necessárias, confiáveis e que
cheguem atrasadas. As decisões precisam ser tomadas e os microempresários não
podem esperar, por isso é que as informações contábeis devem estar a todo o
momento preparada para auxiliar e contribuir para o desenvolvimento de estratégias
e indicadores, buscando a excelência empresarial.

3.3 A CONTABILIDADE E A PEQUENA EMPRESA

Para subsidiar a discussão sobre a utilização efetiva da contabilidade na


gestão da pequena empresa, analisa-se os resultados da pesquisa realizada por
Nascimento (2019. p. 1), com pequenas empresas brasileiras, que se enquadram
como pequenas empresas industriais, estabelecidas no perímetro nacional.
42

Para contrapor também é utilizada a pesquisa que elabora a contabilidade


destas pequenas empresas, também em âmbito nacional.
No tocante ao perfil do empresário, de acordo com os dados da pesquisa de
Nascimento (2019. p. 1), a maioria dos empresários das pequenas empresas possui
formação secundária. Apenas 2,3 % dos entrevistados possuem formação primária.
Desponta o número de pessoas com formação superior completa e incompleta, pois
dos entrevistados, 13,6% possuem formação superior incompleta e 31,8%, superior
completa.
Considerando tratar-se de pequena empresa, este percentual é bastante
expressivo.
Sobre a informação gerada pela contabilidade, neste sentido analisar-se o
conteúdo das informações que o empresário recebe atualmente, bem como as
informações que poderiam ser geradas pela contabilidade.
Amorim e Silva (2017, p. 81), afirma que para fins fiscais a simples
escrituração fiscal é confundida com a contabilidade. Como exposto anteriormente, a
contabilidade é um sistema de informações.
Portanto, a escrituração fiscal é apenas uma pequena parcela do que vem a
ser contabilidade.
Há um entendimento errôneo sobre o que preceitua a legislação comercial,
pois a maioria dos empresários, e também contabilistas, entendem que a elaboração
da escrituração fiscal atende ao que determina a legislação, quando esta se refere à
escrituração comercial. “Não se pode esquecer que são dois ambientes diferentes, o
tributário e o comercial”, nas palavras de Amorim e Silva (2017, p. 98).
A legislação tributária admite uma escrituração simplificada para as
pequenas empresas. A pesquisa de Barros (2019. p. 1), constatou-se que 76,8%
das empresas fazem esta escrituração fiscal, que denominam de escrituração
simplificada.
Observa-se que as empresas não estão cumprindo o que determina o Código
Comercial Brasileiro, no que diz respeito à elaboração de escrituração contábil. Não
existe, até o momento, nenhum mecanismo legal que dispense alguma pessoa
jurídica de manter escrituração comercial, ou seja, contabilidade.
A escrituração contábil completa, exigida de todas as pessoas jurídicas,
apenas é elaborada por 21,1% das empresas pesquisadas, o que vale dizer que em
43

torno de 80% das empresas não cumprem o que determina o Código Comercial
Brasileiro, expõe a obra de Barros (2019. p. 1).
No âmbito gerencial, o hiato existente entre o empresário e o contabilista
remete à hipótese de que o empresário não conheça o potencial da contabilidade
como um sistema de informação.
Com relação ao fornecimento de informações gerenciais pelo contabilista, as
mesmas são possíveis, uma vez que a maioria utiliza de uma ou de outra forma a
informática no desenvolvimento da escrituração (ROCHA, 2018, p. 1).
Estas informações são imprescindíveis para o gerenciamento racional e eficaz
por parte do empresário.
Aos demais que não fazem escrituração completa:

Representam 76,8% das empresas, não é dada sequer a oportunidade de


utilizar a contabilidade na gestão da empresa. Ocorre o pagamento de
honorários aos contabilistas, porém o empresário não aproveita as
informações geradas para a gestão empresarial NASCIMENTO (2019. p. 1).

Além dos dados para planejamento, há uma série de outras informações


gerenciais, das quais o empresário necessita para a gestão de sua empresa, que
podem ser obtidas através da contabilidade, do tipo: liquidez, endividamento,
rentabilidade e outros.
Estes indicadores gerenciais são fundamentais para o acompanhamento da
empresa, pois refletem os resultados oriundos das decisões tomadas na empresa.
A função do contabilista, principalmente nas pequenas empresas, deve ser
mais consultiva, não apenas a de elaborar uma escrituração (COUTINHO, et al.
2016, p. 118).
As empresas de maior porte possuem uma contabilidade gerencial, que supre
as lacunas deixadas pela contabilidade, elaborada para atender a legislação fiscal e
tributária.
Para fins gerenciais, os relatórios serem utilizados pelo gestor da pequena
empresa devem, segundo Amorim e Silva (2017, p. 43), observar algumas
características, tais como:
44

a) Simplicidade: as informações repassadas ao gestor devem ser de


entendimento intuitivo, ou seja, não sendo necessário um prévio
conhecimento dos princípios e das convenções contábeis em vigor, ou até
mesmo do método das partidas dobradas. As informações devem ser
elaboradas de forma que o gestor possa manipulá-las sem receio de estar
distorcendo o seu real significado;
b) Facilidade de obtenção: as informações devem ser levantadas de
maneira fácil, sem necessidade de manutenção de registros históricos ou
sistemas acumuladores complexos.
As médias e grandes empresas tem uma capacidade de suporte de
recursos humanos bem superior ao das pequenas empresas, tanto que
contratam especialistas para projetar e implementar sofisticados sistemas
de informações, enquanto na pequena empresa o proprietário-gerente tem
até dificuldades em fazer a administração de caixa;
c) Relevância: o sistema de informações da pequena empresa deve ter uma
preocupação, primeiramente com os fatos mais importantes, sob pena das
pequenas questões provocar confusão na tomada de decisão do gestor;
d) Atualidade: a contabilidade, de forma errada, é mais conhecida como
alguém que se preocupa em registrar fatos e eventos passados. A
informações geradas pela contabilidade devem estar voltados para fatos e
eventos do presente e do futuro, através da utilização de projeções
orçamentárias e outros;
e) Possibilidade de efetuar simulações: é interessante que os modelos de
informações contemplem também, a possibilidade de se efetuar simulações
em relação as variáveis principais. O gestor tendo esta ferramenta vai
auxiliá-lo na tomada de decisão; e
f) Facilidade de manipulação das informações: ideal é de que todas as
pequenas empresas dispusessem de um microcomputador para auxiliar na
gestão da empresa (AMORIM; SILVA, 2017, p. 43).

Porém sabe-se que ainda não é a realidade da maioria das pequenas


empresas, por isto torna-se necessária a participação do gestor na elaboração da
arquitetura do sistema de informações, permitindo assim, seu pleno domínio.
No que se refere a adequacidade das informações fornecidas, a contabilidade
como produtora e fornecedora de informações precisa estar atenta, para integrar-se
às exigências que se apresentam e, dessa forma, contribuir para a gestão da
empresa (ATKINSON, et al., 2015, p. 189).
Da periodicidade, para que a contabilidade possa efetivamente ser utilizada
como suporte à tomada de decisões dos empresários, é condição que o tempo
verificado entre o acontecimento do fato, seu registro e sua disponibilização de
forma sistematizada, seja mínimo, do contrário, já não mais atenderá às
necessidades do gestor.
No sistema tradicional de contabilização, os registros são feitos durante o
mês, ou seja, agrupados por mês, e divulgados através de balancetes ou outros
relatórios, somente por ocasião do fechamento do respectivo mês.
45

A pesquisa de Barros (2019. p. 1), afirma que 93,7% das empresas fazem sua
escrituração fora da empresa, ou seja, em escritório de contabilidade, e apenas
4,2% a fazem na própria empresa. As empresas que elaboram parte da
contabilidade na empresa e outra em escritório representam 2,1%.
Este aspecto da predominância da terceirização dos serviços contábeis na
pequena empresa pode vir a representar alguns pontos de estrangulamento do tipo:
disponibilidade imediata das informações necessárias para a tomada de decisão;
concorrer com outras empresas nos escritórios de contabilidade, quanto à
prioridade, entre outros.
A disponibilidade imediata das informações torna-se possível através da
interligação “online” com o escritório, passando assim a empresa, também a fazer
inclusão de informações no banco de dados, o que seria coordenado pelo
contabilista, contrariamente ao que se verifica atualmente, na maioria dos
escritórios, onde a empresa repassa todos os documentos ao escritório para
processamento.
Além do recebimento de relatórios:

Verifica-se também a quantidade de contatos que o empresário mantém


com o contabilista mensalmente. Do entendimento das informações
contábeis pelo empresário, o trabalho para elaboração da escrituração
contábil se justifica, quando as informações geradas pela contabilidade, são
efetivamente utilizadas para a gestão da empresa (COUTINHO, et al., 2016,
p. 126).

Todavia, os relatórios contábeis gerados a partir da contabilidade são de certa


forma codificados, e para que realmente possam atingir seus propósitos, é
imprescindível que estes venham acompanhados de uma análise econômico-
financeira, elaborada pelo contabilista, facilitando assim a leitura e interpretação dos
relatórios gerados pela contabilidade.
A análise econômico-financeira é um dos meios mais importantes para a
contabilidade atingir seu objetivo gerencial. Nascimento (2019. p. 1), relata que
15,9% recebem relatórios complementares que contemplam uma análise
econômico-financeira, enquanto que os demais empresários, 84,1% não recebem
nenhum relatório complementar.
46

A falta dessa análise econômico-financeira tem gerado, ao que tudo indica,


um desinteresse do empresário pelas informações contábeis, tanto que se observou,
que, dos empresários que não conhecem o potencial de informação da
contabilidade.
Considerando que a empresa é dinâmica, e que não pode esperar que sejam
criados mecanismos ou alternativas de informações para gestão, a contabilidade
deve estar estruturada de forma que possa atender às necessidades dos gestores.
Assim sendo, explana-se que:

Dos empresários que não utilizam a contabilidade para a gestão, 63,3%


gerenciam suas empresas com base em anotações e controles feitos por
eles próprios ou por seus funcionários. Também se constatou que 10% dos
entrevistados não possuem nenhum controle sobre sua empresa (BARROS,
2019. p. 1).

Além das informações internas, ou seja, controles e anotações, os


empresários também se utilizam de informações advindas de vendedores e clientes,
principalmente.
Os empresários que não utilizam nenhuma forma de controle certamente
estão predestinados a fazer parte da triste realidade brasileira da sobrevida das
pequenas empresas, onde 80% delas encerram suas atividades antes de completar
um ano de vida, segundo informações de Nascimento (2019. p. 1).
A representatividade das empresas que fazem contabilidade completa,
escrituração comercial e escrituração fiscal, é pequena, pois, mostra que apenas
21,1% dos entrevistados fazem contabilidade completa, enquanto que os demais,
76,8%, fazem contabilidade simplificada, ou seja, escrituração fiscal, relata também
Nascimento (2019. p. 1).
Quanto aos empresários que não fazem contabilidade completa, os motivos
apresentados são os mais variados, assim distribuídos:

- 26,9% não vêem utilidade;


- 28,8% consideram o custo muito alto;
- 26,9% estão desobrigados fiscalmente; e, para
- 17,3%, o contabilista informou que não seria necessário (JOCHEM, 2011,
p. 48).
47

Os dados acima apresentados causam preocupação. Os 28,8% que não


fazem contabilidade completa devido ao alto custo, não causam uma preocupação
imediata, sendo que os demais merecem uma atenção toda especial, por parte dos
contabilistas, pois isto indica que existem problemas quanto ao entendimento das
informações contábeis.
Observou-se um grau de desconhecimento dos empresários com relação à
contabilidade, uma vez que a maioria afirma que utiliza informações contábeis para
gestão, no entanto, apurou-se que são poucos os que dispõe destas informações
contábeis.
Por fim, do papel do contabilista é decisivo, para que as informações
contábeis sejam utilizadas na gestão da pequena empresa.
Quanto à composição da equipe de apoio do contabilista:

Cerca de 70% têm formação contábil completa ou estão buscando formação


contábil. No que diz respeito ao comprometimento do contabilista com o
aspecto gerencial da contabilidade, observa-se que somente 53,5% dos
contabilistas pesquisados têm como única fonte de renda a contabilidade e
46,5% possuem outra fonte de renda complementar NASCIMENTO (2019.
p. 1)

Este é um indicador desfavorável, uma vez que o exercício da atividade


contábil pode ser acessória, não recebendo a devida atenção, para o fornecimento
de um serviço de qualidade.
Outro aspecto verificado é o de que a maioria dos contabilistas estão
insatisfeitos com a remuneração que percebem pelos seus serviços, considerando
que não é justa pela responsabilidade que assumem.
Pelos dados apresentados, pode-se concluir que não há um efetivo
comprometimento do contabilista com o aspecto gerencial da contabilidade; este fato
pode estar aliado principalmente a três fatores: o número muito grande de clientes
por contabilista; insatisfação com a remuneração recebida; e o fato de a
contabilidade não ser a única fonte de renda, tornando-a algo acessório.
Os usuários da informação contábil estão cada vez mais exigentes e
sofisticados. Não desejam mais apenas receber informações fechadas de forma que
48

não possam ser manipuladas e articuladas para melhor atender suas necessidades
e especificidades do dia-a-dia.
Entra aí a questão do banco de dados, que serve de alavancador da
contabilidade como sistema de informações: ”Contribuindo no sentido de atender as
necessidades, aliadas aos objetivos e estratégias da empresa, pois as informações
precisam estar disponíveis e flexibilizadas a qualquer momento” (ROCHA, 2018, p.
1).
Considerando a velocidade em que os fatos acontecem, cada vez mais a
contabilidade deve adequar-se a este ambiente, agilizando suas informações, tanto
que as mesmas não podem ser apenas mensais.
Percebe-se que, quanto maior o grau de instrução do empresário, maior é a
utilização dada à contabilidade para gestão da empresa.
Observa-se que a maior deficiência de informações está na área de custos:

Segundo pesquisa, 63,6% das respostas contemplavam como sendo esta


informação que o empresário gostaria de receber sobre o seu negócio.
Depois de custos, por ordem de interesse estão os balancetes mensais,
com 38,6% Barros (2019. p. 1).

Esta lacuna existente sobre as informações necessárias à gestão, faz com


que o pequeno empresário acabe desistindo de administrar sua empresa através da
contabilidade.
A contabilidade pode dar sua grande e valiosa contribuição ao
desenvolvimento da pequena empresa, ao adotar uma função consultiva e preditiva,
auxiliando os empresários a especificarem suas necessidades de informação
antecipadamente, ao invés da mera função interpretativa sobre relatórios pensados
e preparados pelo contabilista, sem a participação do empresário.
No que tange à modelagem da informação contábil, esta deve estar voltada
ao atendimento das necessidades do seu usuário principal, o gestor. Para tal,
recomenda-se que se desenvolvam estudos sobre um sistema contábil, que
contemple não somente informações econômico-financeiras, mas também dados
que demonstrem o lado social e humano das empresas.
49

CONCLUSÃO

A informação contábil tornou-se uma preciosa ferramenta de auxílio à gestão


dos negócios, nos variados setores da economia, pois uma vez que bem utilizada,
com base em dados verdadeiros, permite analisar a situação econômica e financeira
da empresa, identificando os passos adequados e estratégicos para a correta
tomada de decisões. A maioria das empresas busca informações que permitam aos
seus gestores continuarem no mercado cada vez mais competitivo, e ter uma
adequada visão do futuro.
A contabilidade possui um enorme potencial de informações, pois registra e
analisa os fatos financeiros e econômicos que podem afetar a situação patrimonial
de uma empresa.
No tocante ao problema de pesquisa o cunho financeiro, a escrituração
contábil serve como lastro e instrumento para a análise de crédito junto as
instituições financeiras, determinando o menor e melhor taxa de juros na tomada de
empréstimos e acessos a demais linhas de crédito.
Da primeira hipótese, a falta de preocupação com a escrituração contábil por
parte do empresário ou do administrador, principalmente da pequena e média
empresa, acarreta uma série de desvantagens que certamente põem em risco a
rentabilidade e sobrevivência do negócio.
A respeito da segunda hipótese, a mesma mostrou-se afirmativa, Uma
empresa que não possui escrituração contábil é uma organização sem memória,
sem identidade e sem as mínimas condições de sobreviver ou de planejar seu
crescimento. As informações geradas pela Contabilidade são úteis e de interesse de
uma extensa gama de usuários, que podem ser internos (administradores em todos
os níveis) ou externos (investidores, Fisco, instituições financeiras, etc.).
As microempresas enfrentam um grande problema em relação a tomar
decisão com base nas informações geradas pelos relatórios contábeis, pois a
maioria não tem contabilizado todo o seu movimento, fazendo com que a informação
que vai ser gerada, não reflita a real situação da empresa.
50

Uma das funções do profissional contábil é poder produzir informações e


fornecer aos usuários da contabilidade, como auxílio na tomada de decisões. Mas
pode-se ressaltar que essa função, atualmente está voltada exclusivamente para
satisfazer as exigências fiscais, deixando de oferecer informações que seriam úteis
na gestão das empresas.
Percebe-se que as microempresas representam parte importante e
significativa dos mercados industrial, comercial, agrícola e de serviços, devido à
grande capacidade de gerar empregos e renda. Nota-se também a grande
dificuldade de manutenção dessas microempresas no mercado devido à alta carga
tributária, falta de planejamento, controle e diversos outros fatores que contribuem
para que a maioria feche suas portas antes mesmo de completar o primeiro ano.
Mostrou ainda os microempresários desconhecem o tipo de livro contábil que
é escriturado de sua empresa, e que a maioria não recebe nenhum tipo de
demonstração contábil de seus contadores e que também se baseiam em controles
internos para tomada de decisão, uma vez que não possui a informação contábil.
Conclui-se, então, que fatores relacionados à contabilidade incompleta uma
vez que só enviam parte da documentação para contabilidade, Os contadores
devem trabalhar para conquistar a confiança de seus clientes, convencendo-os da
importância que tem a contabilidade e as informações geradas.
51

REFERÊNCIAS

AMORIM, D. S.; SILVA, A. Gestão estratégica da informação contábil: um


enfoque no gerenciamento de micro e pequenas empresas. RIC - Revista de
Informação Contábil. v. 6, n. 1, p.39-65, 2017.

ATKINSON, A. A.; et al. Contabilidade gerencial: informação para tomada de


decisão e execução da estratégia. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2015.

BARROS, R. Como proporcionar vida longa as microempresas. 2019. Disponível


em:
<https://www.folhape.com.br/economia/economia/empreendedorismo/2019/08/24/N
WS,114461,10,1291,ECONOMIA,2373-COMO-PROPORCIONAR-VIDA-LONGA-
MICROEMPRESAS.aspx>. Acesso em: 1 de dez. 2019.

BRASIL. Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto


Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte; altera dispositivos das
Leis no 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Consolidação das Leis do
Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei n o 5.452, de 1o de maio de 1943, da Lei
no 10.189, de 14 de fevereiro de 2001, da Lei Complementar n o 63, de 11 de janeiro
de 1990; e revoga as Leis no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e 9.841, de 5 de
outubro de 1999. Diário Oficial [da] União, Brasilia, ano CXLIII, nº 240, p. 1. 15 dez.
2006. Seção 1.

______. Lei Complementar nº 155, de 27 de outubro de 2016. Altera a Lei


Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, para reorganizar e simplificar a
metodologia de apuração do imposto devido por optantes do Simples Nacional;
altera as leis nº 9.613, de 3 de março de 1998, 12.512, de 14 de outubro de 2011, e
7.998, de 11 e janeiro de 1990; e revoga dispositivo da Lei nº 8.212, de 24 de julho
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