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RELAÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS I

CRESCIMENTO ECONÔMICO DA URSS NO ENTRE GUERRAS

Uberlândia
2018
RELAÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS I
CRESCIMENTO ECONÔMICO DA URSS NO ENTRE GUERRAS

Discentes
José Ronaldo Naves Botelho
José Victor Soares Gontijo Brandão
Mario Henrique Oliveira Andrade
Saymon Gutierrez Gomes
Docente
Pedro Henrique Evangelista Duarte

Uberlândia
2018
O período dos anos entre a Primeira e a Segunda Guerra Mundial foi de bastante
agitação e desenvolvimento na região da Rússia, devido a concretização de uma revolução
que acabou por tirar o imperador denominado de Czar do poder e deu início a transformações
estruturais no país em diversos aspectos econômicos e sociais. Nesses anos houve a formação
da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, com a chegada de líderes comunistas ao
governo como Lênin.
Para entender como ocorreu a Revolução Russa é importante compreender os aspectos
do modelo de governo que a antecedeu e como o mesmo foi formado. O território era
ocupado por tribos, onde a principal era dos povos eslavos. Com a chegada dos Vikings, tem
se o primeiro ensaio de uma Aristocracia e tem se a formação do principado de Kiev. O
território era bastante extenso o que contribuiu para várias ocupações e disputas territoriais,
inclusive uma ocupação pelo exército mongol que criou um pequeno Estado sobre o território
Russo. No século XIV o Duque Daniel começou uma política de extensão territorial, aliança
com a Igreja Católica e em 1480 expulsa os mongóis do território. Aqui já pode se identificar
as primeiras características da formação de um Estado Czarista e tentativa de unificação
nacional, um processo complicado devido à grande extensão territorial e as várias
nacionalidades.
A unificação da civilização russa se deu no século XVI com base em uma monarquia
nacional e centralizada. Czar é o nome dado aos imperadores e deriva do nome César. O
governo Czar era semelhante ao absolutismo, tinha um poder de governo absoluto e atuação
política para aumentar o império. A Rússia era uma sociedade agrária e a grande extensão
territorial dividia entre grandes proprietários e pequenos proprietários de terras, as comunas
rurais.
As comunas rurais, cuja criação foi imposta em 1861, eram aldeias ocupadas por
camponeses. As comunas organizavam os serviços fiscais e garantiam a ordem pública. Cada
comuna era representada por membros das famílias, e esses membros de cada comuna
elegiam membros para formar um grupo que discutiam assuntos com o governo central. Havia
choque de interesses entre os camponeses e os senhores das terras e quem intermediava era o
Estado Czarista, logo era de se esperar que as ações do Estado iriam beneficiar os senhores de
terras.
Foi criada uma lei que obrigava as comunas a comprarem as terras que os senhores
fossem vender, porém as terras eram de baixa qualidade e o preço era imposto pelos senhores
das terras. O Estado financiava a compra, mas os camponeses tinham que pagar com
prestações altas e ainda tinham que trabalhar para os senhores. Além deste problema,
começou a surgir certa diferenciação de classes dentro da comuna devido as diferenças das
qualidades de terra. O favorecimento de alguns camponeses e o grande aumento da população
agravou o sistema.
Não havia grande interesse que a comuna se acabasse. O Estado gostava da ordem que
estas proporcionavam, os camponeses mais ricos se beneficiavam da situação, os pobres
tinham esperanças de ganhar terra e os senhores das terras lucravam muito com o sistema, por
isso foi um processo de lenta dissolução desse sistema.
Podemos destacar como características importantes do regime Czarista a forte
exploração do camponês, condições arcaicas, rendimentos baixos e doenças. Não só os
camponeses sofriam com o sistema. Os senhores de terra também perderam poder. Eles
estavam perdendo espaço para o capitalismo.
Apesar de a Rússia ter sido um império no período que antecedeu a Revolução, havia
outros grupos políticos com ideais diversos, alguns com a intenção de tomar o governo, como
acabou se concretizando mais tarde. O grupo que viria ser o mais importante na Revolução
Russa os bolcheviques eram liderados por Lenin, que ficou conhecido historicamente como
ícone do movimento, o grupo tinha uma ideologia socialista e já gozava de prestígio no meio
das classes operárias. Havia um grupo mais radical os anarquistas, os outros não eram adeptos
da teoria marxista, porém fora aqueles que defendiam a manutenção do Czar, havia ainda sim
setores que criticavam o absolutismo e o Império Russo.
Apesar da insatisfação com o regime Czarista ter durado por um bom tempo, não foi
só fatores internos que contribuíram para a Revolução Russa, a Primeira Guerra Mundial teve
importância fundamental. A Alemanha era a principal interessada na guerra visto que
necessitava de mais territórios para ampliar sua economia que era uma das mais dinâmicas da
época, e o Império Russo por possuir dimensões continentais sofria ameaça, sem contar em
ganhos de territórios e indenizações que poderiam vir caso os Aliados (grupo de países do
qual a Rússia fazia parte) vencessem a guerra.
No entanto de início o exército Russo sofreu várias baixas e não conseguia se impor
em relação aos soldados e armamentos alemães. A situação interna agravou ainda mais os
problemas, na época a industrialização já havia chegado ao país, porém apenas em grandes
metrópoles, o território em si era predominantemente agrário e o desenvolvimento industrial
havia atingido poucas regiões. Com a guerra ocorre um desabastecimento de insumos
necessários para o campo, e isso não só provoca um descontentamento do setor rural, como
também afeta a indústria já que produtos provindos da terra necessários a manufatura não
chegariam nas fábricas. Além desses problemas que vieram com a Primeira Guerra Mundial,
o governo czarista não aceitou interferência tanto dos setores populares, quanto dos setores
representados pela elite russa, para resolver seus problemas internos isso gerou uma
insatisfação geral na população.
A tomada do poder pelos bolcheviques comandados por Lênin e Trotsky, juntamente
com a deposição do Czar ocorreu em fevereiro de 1917 como resultado das insatisfações, e do
período conturbado tanto nos aspectos sociais quanto econômicos que vivia a Rússia na época
tanto internamente quanto no setor externa devido as perdas com a guerra.
Lênin propõe a adoção de políticas relacionadas ao que ele chamou de “capitalismo de
Estado”, onde o governo seria o detentor e organizador dos meios de produção. Porém
conforme apurou Vizentini (1989, p 53, 54 e 55) as soluções adotadas são mais radicais e
profundas nos diferentes setores da economia. Na parte da indústria, que passou a ser
comandada totalmente por parte do Estado, as fábricas passaram a ser administradas por
operários eleitos pelos próprios trabalhadores. No campo tentou-se aplicar uma agricultura de
produção de larga escala, porém essa ideia não avança e medidas foram tomadas para
favorecer uma agricultura de subsistência em que o governo seria o responsável por comprar
os produtos agrícolas e repassar a população, vale lembrar que o preço desses alimentos era
definido pelos próprios governantes. No setor de comércio e transporte de mercadorias
também foram adotadas medidas para fortalecer o controle do Estado. O governo seria o
responsável por repassar as mercadorias aos cidadãos e esses deveriam trabalhar para ganhar
as chamadas “cotas” e assim obter os produtos necessários, cada serviço tinha direito a um
determinado número de cotas.
Essas medidas fizeram parte do que ficou conhecido como “comunismo de guerra” e
que foi responsável por grande parte da recuperação econômica da União Soviética investindo
em indústria, ferrovia dentre outros setores. Ainda assim esse sistema acabou por sofrer
diversas críticas e não conseguiu se sustentar nos anos posteriores a revolução devido a essa
situação e a questão econômica da Rússia que ainda não havia sido resolvida. Muitos
problemas ainda assolavam o país e foi necessário por parte do governo repensar suas
políticas de recuperação.
Durante o inverno de 1920-1921, debilitada pela guerra a revolução sobreviveu, mas
não sem casualidades. O povo soviético estava aos frangalhos; produções paralisadas,
população debilitada, camponeses descontentes e um cenário geral de ruína. A situação da
URSS em 1921 era calamitosa. Baixíssimos índices de produção em várias frentes da
economia, como a alimentar, de geração de eletricidade e metalúrgica estabeleceram uma
completa estagnação econômica. Em função disso e das invasões causadas pela guerra, a fome
se alastrou causando milhões de mortes e ajudou a provocar surtos de tifo e cólera que
acabaram por desenvolver ainda mais óbitos.
Não bastassem essas ocorrências, no que tange a guerra, ocorreram ainda muitas
casualidades, como os milhões de mortos além de outros milhões de mutilados. Sucederam
também independências de países como Polônia, Lituânia, Letônia, Estônia e Finlândia que
representaram a perda de quase um milhão de km² de território fértil e produtivo e de 30
milhões de habitantes.
Em relação à sua força operária, que antes contava com 3 milhões de trabalhadores
qualificados, a URSS viu esse número desabar para apenas um sexto do total em função da
guerra civil. Emigrações e realocações também causaram uma mudança drástica nos
indicadores populacionais, criando guerrilhas e rebeliões (com diferentes objetivos, como por
exemplo sanar a fome local) e demais conflitos dentro do território soviético.
Em meio a todo esse caos, congregou-se o X Congresso do Partido Comunista em
março de 1921. Vendo o quão afetada sua nação sofria, Lenin e demais dirigentes do partido
bolchevique optaram por abandonar o comunismo de guerra em função da NEP – Nova
Política Econômica – que era baseada em objetivos pontuais; explorações agrícolas,
industriais e comerciais à iniciativa privada, de modo a recuperar a União Soviética, fazendo
com que ela saísse da crise em que se encontrava.
A NEP recuperou algumas características do capitalismo, de acordo com Lenin, esse
movimento consistia num “recuo tático”, caracterizado pela reestruturação da livre iniciativa e
da pequena propriedade particular, admitindo o apoio de financiamentos estrangeiros.
Outras características-chave da NEP foram a reintrodução da moeda e
consequentemente do sistema bancário, a volta do trabalho assalariado, a volta da
hereditariedade da propriedade, o imposto em substituição de requisições, o comércio, interno
privado, a possibilidade de privatização de empresas com menos de 20 funcionários e de
abertura de empresas de capital misto no país.
Muito em função da frustração causada pelo comunismo de guerra, as ideias de
Trotsky em relação a assuntos econômicos (como a militarização dos sindicatos, a utilização
do exército da economia, etc.) foram rejeitadas pela população em favor de Lenin, o que
causou a aprovação da proibição da formação de grupos de oposição ao Partido, concentrando
ainda mais o poder. Nesse contexto, Stalin foi eleito secretário-geral do Partido, posição que
manejou com vigor.
Em 1922, com o desmantelamento dos remanescentes movimentos
contrarrevolucionários, foi criada oficialmente em 30 de dezembro a União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas. Formada à época por 15 repúblicas, 22 repúblicas autônomas, 9 regiões
autônomas e 12 distritos nacionais para povos menores, a URSS se tornou o maior Estado
socialista da história. Devido a suas dimensões continentais, a União era muito influente e
poderosa nos campos de relações exteriores, defesa e comunicações, com destaque para o
aparato militar, considerado um dos mais eficientes do mundo.
Favorecendo a população camponesa visando a rápida reestruturação da economia
com base na produção agrícola, a NEP agiu de maneira localizada e precisa. Em poucos anos,
a produção de variedades alimentícias consideradas essenciais – como batatas, carne e leite –
alcançou os níveis pré-guerra, enquanto culturas industriais (como beterraba, algodão e
açucareira) regrediram em detrimento.
Em função desse novo “status” da produção agrícola, o capitalismo começou a ocorrer
de maneira mais acentuada nesse meio. Os kulaks, camponeses ricos o suficiente para possuir
uma fazenda e contratar mão de obra, emergiram após a emancipação dos servos no século
XIX, e resistiram à coletivização forçada de Stalin, resultando em milhões presos, servindo
regimes de trabalho forçado, exilados ou mortos.
Mesmo não representando um dos focos principais do regime, o ensino básico teve um
fortíssimo aumento, com a construção de milhares de escolas e com a instauração do ensino
gratuito até os 12 anos. No entanto, não ocorreu significativo avanço na educação de nível
médio e superior. Houve avanços no campo médico-sanitário, o que resultou em uma grande
recuperação demográfica. A população soviética em 1927 superou a de 1914, com uma taxa
de crescimento de 3 milhões ao ano.
Por sua base agrária de fortes características capitalistas, a NEP foi reconhecida por
uma grande parcela das nações ocidentais como uma volta ao capitalismo. Isso criou um
conflito interno na URSS, onde em determinado período era possível uma revolução
capitalista ou socialista. Em 1927 essa situação escalonava-se em tal nível que houve uma
forte tensão entre o campo e a cidade, o que escancarou os problemas da Nova Política
Econômica.
Com uma recuperação insipiente da indústria (a produção industrial não havia atingido
ainda os níveis pré-guerra), uma produção de alimentos insuficiente onde 6% dos
proprietários controlavam 60% da produção de cereais e 5% dos camponeses (produtores
agrícolas) detendo 40% das terras, a NEP atingiu seu ponto limite, o que proporcionou
caminho pavimentado para uma ofensiva da burguesia rural.
Em 1922, Lênin já com uma saúde debilitada em função dos ferimentos provenientes
de um atentado à sua vida ocorrido em 1918, viu sua condição se acentuar muito em função
também do stress causado pelo excesso de trabalho. Em 1923 ocorre então uma batalha pela
sucessão do poder no Partido Soviético.
Um grupo de oposição à NEP liderado por Trotsky, declarando assim uma oposição ao
demasiado foco na economia agrária causado por ela. Do outro lado da disputa de sucessão, o
grupo liderado por Stalin defendia a chamada “Pureza leninista”, uma espécie de joguete de
Stalin, que visava tornar a figura de Lenin uma espécie de mártir, criando assim um processo
de “santificação” da figura de Lenin, tornando o comunismo um dogma, quase uma religião a
ser seguido pelo povo soviético.
Com forte apoio da população, Stalin viu seu nome ascender a um patamar que
Trotsky jamais havia alcançado. Em janeiro de 1924 Lenin morre, e Stalin assume o poder
enquanto paralelamente assume cada vez mais poder dentro do partido. Uma de suas
primeiras ações como novo governante da URSS, foi ordenar uma caça aos oposicionistas do
regime e aos anti-stalinistas. Sofrendo sua segunda rejeição popular (a primeira sendo em
favor de Lenin) Trotsky foi novamente derrotado e subsequentemente exilado e assassinado à
mando de Stalin após a instauração do XV Congresso do Partido Comunista.
Mesmo tendo ideias contrarias Stalin transforma o partido comunista em um dogma e
tornando a figura de Lenin semelhante a um Deus, ele chegou a embalsamar seu corpo e o
colocou em exposição na cidade de São Petersburgo. Somente apenas em 1927 acontece o
decimo congresso do partido comunista e Stalin oficialmente chega ao poder, e começa um
regime de caça a quem era contra seu regime.
Entre o período do fim da NEP e o início da segunda guerra mundial ficou conhecido
como revolução russa (revolução dentro da revolução), entre os anos 1924 até o final de 1930.
Foi um tempo de rápida industrialização e coletivização das terras, tudo isso em um contexto
bastante complicado, pois havia muitas pessoas contrárias a revolução, ocorre então já no
final da década de 30 a crise de 1929, e a preparação pra segunda guerra mundial.
Os projetos do novo governo vão ser implementados com base em três planos
quinquenais no qual o terceiro foi interrompido pela segunda guerra mundial. Os planos
foram executados pelo comando de Stalin que era conhecido internacionalmente como um
grande ditador, pois as pessoas que se opuserem e não quiseram oferecer seu trabalho ao
regime eram exiladas e na maioria das vezes assassinadas.
Situação ao longo dos anos 20 tanto externa quanto interna era complicada. No
cenário interno tinham dificuldade do avanço da industrialização e o problema da
coletivização das terras. Do ponto de vista externo tinham um conjunto de problemas, porque
desde que a revolução se consolidou em 1917 haviam posicionamentos antirrevolucionários
ou antissoviéticos de outros países, principalmente dos países da Europa que faziam fronteira
com a URSS. Esses países chegaram a entrar em guerra com eles na guerra civil com o apoio
de opositores internos. No entanto as nações que tinham acabado de sair da Primeira Guerra
Mundial não tinham muito interesse em outro conflito e apenas se mantinham contrários ao
regime de Stalin apenas de forma diplomática, não permitindo relações econômicas ou
investimentos com a Rússia.
Começa a se pensar em um movimento no qual todos os países do mundo deveriam se
tornar comunista, a exemplo dos ideais que se espalharam durante a Revolução Russa, porém
o que ocorreu foi no sentido contrário e os países ao redor começaram adotar filosofias
relacionadas ao regime capitalista, além disso o único país que tinha o interesse de manter
relações diplomáticas e econômicas com a URSS era a Alemanha, e passa a deixa de manter
essas parcerias devido o Tratado de Versalhes e a punição imposta pelos países vencedores da
Primeira Guerra Mundial.
Com um ambiente totalmente desfavorável no ponto de vista externo e interno, o
governo ainda teve que se preocupar com a revolta do kulaks, que eram proprietários de terra
e latifundiários opositores ao regime. Com todos esses problemas o partido comunista decide
realizar uma virada radical fundadas nas necessidades do país para garantir as bases
estruturais do socialismo, a partir daí foi criado os primeiros mecanismos do primeiro plano
quinquenal que foi implementado entre 1928 e 1932.
O primeiro plano quinquenal teve dois principais instrumentos, o primeiro foi a
coletivização das terras e o segundo esteve relacionado ao planejamento econômico. Para
realizar o primeiro princípio existiam os kulaks (tinham o poder da produção) e os
comerciantes privados (poder da distribuição desses bens), interessados em fazer uma crise
para se contrapor ao regime, esses setores começaram a paralisar suas operações de comércio,
transporte e produção. Para resolver essa situação o governo expulsou os kulaks de suas terras
e os enviou para trabalhar nas fábricas comandadas pelo Estado, em regiões poucas povoadas
e com carência de mão de obra.
As terras passaram para posse do Estado e foram divididas para os pequenos
camponeses denominados Kolklozes. Esses novos agricultores por sua vez produziam, metade
ficavam com eles para replantar, a outra metade era destinada ao governo garantindo assim a
acumulação primitiva de capital. Essa desapropriação do kulaks não foi feita de forma fácil e
houve bastante resistência, os agricultores destruíram a maior parte de sua colheita e do gado,
o que gerou uma falta alimentos por alguns anos, mas o governo conseguiu atingir seus
objetivos e a classe do kulaks foi extinta consequentemente ampliou-se as fazendas estatais.
O segundo aspecto do primeiro plano quinquenal diz respeito ao planejamento
econômico, com a ideia de que o Estado tem que manter total controle sobre as atividades,
teve que se decidir quais eram os setores prioritários e como seriam alocados os recursos com
os benefícios que recebiam.
Havia uma percepção de que o Estado deveria ser o motor do processo de recuperação
econômica para que assim o mesmo pudesse promover um desenvolvimento equilibrado e
controlado. O planejamento econômico deveria ter papel fundamental no avanço da estrutura
produtiva e com isso promover melhorias sociais necessárias a população russa. Era
importante também que as estruturam fossem controladas pelo Estado, pelo fato de uma
inexistência de uma classe empresarial.
Uma das principais ações do primeiro plano Quinquenal ligadas ao setor industrial, foi
a criação dos trusts da indústria pesada, que está ligada aos setores da siderurgia, máquinas e
equipamentos. A segunda ação estava relacionada a altos investimentos em mineração e
exploração do petróleo, com o objetivo de se tornar autossuficiente em recursos energéticos.
Finalizando o terceiro fator estava ligado ao investimento em infraestrutura. Com os
principais problemas que a URSS possuía era necessário recursos que possibilitassem o
acesso à tecnologia para a indústria pesada, e aumento da mão de obra especializada.
O segundo plano quinquenal (1933-937) tinha como objetivo corrigir as falhas do
primeiro e atingir metas menos ambiciosas consequentemente mais possíveis de serem
conseguidas. Possuía objetivos como obter 50% de aumento na produção agraria e 100% na
indústria. Com o apoio das juventudes comunista e com o fenômeno stakhanovista foi
possível obter os resultados previstos. Além de que com a recuperação produtiva para
consumo interno, permitiu-se um desenvolvimento do comercio interno.
O terceiro plano quinquenal (1938-1942), tinha como objetivo melhorar a gestão da
produtividade do trabalho, da eficiência do transporte e da técnica agrícola. Por motivos
relacionados a Segunda Guerra Mundial o terceiro plano será totalmente interrompido e
apenas haverá melhorias nos setores de transportes ferroviário e fluvial.
A URSS em 1940 conseguira se tornar a terceira maior potência do mundo, ficando
atrás dos EUA e Alemanha. Para exemplificar, em comparação de 1913 com 1940 houve um
aumento no setor elétrico de 1,9 para 48,3 bilhões de Kwh, em cereais a produção aumentou
de 860 para 955 milhões de quintais, outros setores também cresceram e foram altamente
beneficiados. Também foi possível notar uma diminuição de importância do setor agrícola,
passando 75% para 54% do total da economia russa, dando maior destaque para o setor
industrial e o setor terciário.
A alteração mais visível nessas transformações foram; o crescimento das cidades e a
criação de outras zonas urbanas onde nem se quer existia vilas. Estimulam-se que entre 1926
e 1939, 23 milhões de camponeses migraram para o setor urbano. O que levou as cidades
crescerem, porém, as mesmas ruralizaram-se, pois, os camponeses não eram acostumados
com o formato de trabalho das indústrias e com uma jornada de trabalho fixa.
A nova vida na cidade apesar de tantos problemas e adaptações, apresentava condições
melhores que o setor rural, pois os problemas eram enxergados como defeitos do sistema e
não uma ordem natural das coisas. Além disso as mulheres nas cidades possuíam um papel
fundamental, contribuíram para que o analfabetismo desaparecesse, e com o pleno emprego.
As mulheres no mercado de trabalho e oficialização do aborto foram fatores que contribuíram
para que a taxa da natalidade caísse pela primeira vez na história da Rússia.
Entre os ganhos da revolução econômicos e sociais existia um grande paradoxo, pois
Stalin reprimiu as vanguardas intelectuais dos anos 20, enquanto que a educação e a cultura
eram estendidas ao conjunto da sociedade. Outra característica era que com o avanço dos
serviços gratuitos e a inexistência do direito à herança, diminuiu-se cada vez mais as
desigualdades sociais, mantando a única diferença no maior poder de compra dos dirigentes e
técnicos. Somados a formação de uma ampla camada burocrática, porem uma burocracia com
falta de legitimidade, isso tudo resultou em falta de segurança, e vários expurgos no Partido e
no Estado.
Em 1933 com o sucesso do plano Quinquenal, a guinada diplomática soviética levou a
buscar novas alianças externas, contudo foram normais os expurgos e as repressões feitos a
quem se opusera a seu governo. No entanto, as pessoas se sentiam confortável vendo pessoas
com alto privilégios sendo assassinadas, como por exemplo em dois anos 75% do comitê
central foram assassinados, o governo tinha amplo apoio da população, especialmente de
setores populares.
Aliado a isso Stalin tinha uma popularidade muito alta e sua imagem preservada.
Tamanha popularidade era explicada como culto à personalidade, que o próprio Stalin utilizou
do símbolos e próprios cultos para difundir suas ideias e se consolidar no poder. Como é
percebido a base social do stalinismo era a nova classe operaria, intelectual e burocrática.
A Revolução pelo Alto trouxe consequências bastantes contraditórias e negativas,
como em um primeiro momento gerou um avanço na sociedade, foram criados mecanismos
que impediram o desenvolvimento posterior. Outro fato marcante da revolução foi o legado
deixado pelo terror na caça de opositores, assassinatos e medo de se opor ao regime.
Entre 1938 e 1941 a URSS começou a se preparar para guerras e com resultado
Revolução pelo Alto foi possível vencer a guerra contra os nazistas. As questões sociais
Russas foram respondidas pelo stalinismo de forma relativamente eficaz para resolver os
problemas internos, no entanto com resultados bastantes negativos aos valores passados para
o movimento comunista ao redor do mundo, isso devido a todas as repressões que foram
feitas pelo regime soviético, a vivência de uma fase histórica sem partidos políticos e sem
uma democracia, o que levou a muitas dificuldades para quem lutava pela liberdade de
expressão e opinião em relação a fatores econômicos e sociais no território Russo, pois todas
as ações que iam na direção oposta aos ideais do regime de Stalin eram anuladas.
A Alemanha perdeu a guerra principalmente devido a interferência dos russos e dos
americanos, que apesar de rivais ideológicos no momento histórico em que o nazismo
ameaçava a Europa se “uniram” para derrota-lo. Mais à frente em um período posterior a
Segunda Guerra Mundial a União soviética emergiu juntamente com os Estados Unidos,
como uma das principais potências mundiais, essas duas nações foram responsáveis por
polarizações no campo ideológico durante quase cinco décadas, competindo em diversos
campos; econômico, bélico, espacial, dentre outros. É importante destacar que a revolução foi
a grande responsável pela transformação da Rússia de um país atrasado e predominantemente
agrário a uma superpotência em diversos setores.
Em 1989 com a queda do muro de Berlin que dividia a Alemanha Oriental da
Alemanha Ocidental, ocorre praticamente a desintegração da ideologia socialista por parte da
União Soviética, e a polarização entre URSS e EUA começa a se desfazer. No final do ano de
1991 ocorre a dissolução da união entre as Repúblicas Socialistas Soviéticas. Porém há ainda
partidos em diversas nações que defendem ideais similares aos que levaram os socialistas a
governarem a Rússia, além disso planos de recuperação industrial e econômica similares aos
que ocorreram na União Soviética foram utilizados em diversos momentos históricos por
diferentes nações, muitas das quais capitalistas.
REFERÊNCIAS

FILHO, Daniel Aarão Reis. A revolução russa 1917-1921. 4ª ed. São Paulo, SP: Editora
Brasiliense, 1989. 7-114 p.

VIZENTINI, Paulo Fagundes; RIBEIRO, Luiz Dario T. A revolução soviética 1905-45: O
Socialismo Num Só País. Porto Alegre, RS: Editora Mercado Aberto, 1989. 1-160 p.

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