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OBRAS SOBRE SOLOS MOLES E SUAS

RESPECTIVAS SOLUÇÕES: UM EXEMPLO


PRÁTICO DA OBRA DE UM COMPLEXO DE
VACINAS EM SANTA CRUZ, RJ

Roberto Gaui Filho

Rio de Janeiro
Agosto, 2017
OBRAS SOBRE SOLOS MOLES E SUAS
RESPECTIVAS SOLUÇÕES: UM EXEMPLO
PRÁTICO DA OBRA UM COMPLEXO DE VACINAS
EM SANTA CRUZ, RJ

Roberto Gaui Filho

Projeto de Graduação apresentado ao Curso de


Engenharia Civil da Escola Politécnica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, como
parte dos requisitos necessários à obtenção do
título de Engenheiro.

Orientadores: Alessandra Conde

Elaine Vazquez

Rio de Janeiro
Agosto, 2017
OBRAS SOBRE SOLOS MOLES E SUAS RESPECTIVAS
SOLUÇÕES: UM EXEMPLO PRÁTICO DA OBRA DE UM
COMPLEXO DE VACINAS EM SANTA CRUZ, RJ

Roberto Gaui Filho

PROJETO DE GRADUAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO CURSO DE


ENGENHARIA CIVIL DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO CIVIL.

Examinada por:

__________________________________________________

Alessandra Conde de Freitas


__________________________________________________

Elaine Garido Vazquez


__________________________________________________

Leonardo de Bona Becker

RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL


AGOSTO DE 2017

iii
Gaui Filho, Roberto
Obras sobre solos moles e suas respectivas soluções: um
exemplo prático Da obra de um Complexo de Vacinas em
Santa Cruz, RJ/ Roberto Gaui Filho. – Rio de Janeiro: UFRJ/
Escola Politécnica, 2017.
XIII, 151 p.: il.; 29,7 cm.
Orientadores: Alessandra Conde
Elaine Vazquez
Projeto de Graduação – UFRJ/ Escola Politécnica/ Curso
de Engenharia Civil, 2017.

Referências Bibliográficas: p. 124.
1. Introdução. 2. Revisão Bibliográfica 3. Aplicação do
Estudo. 4. Considerações Finais e recomendações para
trabalhos futuros. I. Conde, Alessandra; Vazquez, Elaine. II.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica,
Curso de Engenharia Civil. III. Obras sobre solos moles e
suas respectivas soluções: um exemplo prático da obra de um
Complexo de Vacinas em Santa Cruz, RJ.

iv
AGRADECIMENTOS

Primeiramente, gostaria de agradecer aos meus pais, Roberto Gaui e Marcia

Moraes Silveira Gaui, por todo o apoio e amor incondicional que me deram ao longo da

minha vida. Com certeza, vocês estarão sempre por trás das minhas conquistas.

À minha segunda família, meus amigos queridos, que fazem parte do meu dia a

dia e estão sempre dispostos a me ajudar em qualquer situação. Vocês todos fazem parte

de mim.

Aos professores da UFRJ, por terem me passado enorme conhecimento ao longo

do curso, em especial às minhas orientadoras Alessandra Conde de Freitas e Elaine

Garrido Vazquez e o professor Leonardo De Bona Becker.

Aos engenheiros Ricardo Muller, Thiago Peixoto, Vinicius Bonfim e Gustavo

Dias, pela paciência e apoio na minha primeira experiência profissional em obra.

“Happiness only real when shared”


– Alexander Supertramp”

v
Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/UFRJ como parte dos

requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro Civil.

OBRAS SOBRE SOLOS MOLES E SUAS RESPECTIVAS SOLUÇÕES:

UM EXMEPLO PRÁTICO DA OBRA DE UM COMPLEXO DE

VACINAS EM SANTA CRUZ, RJ

Roberto Gaui Filho

Agosto/2017

Orientadores: Alessandra Conde

Elaine Vazquez

Curso: Engenharia Civil

O presente trabalho apresenta uma aplicação prática de obras sobre solos moles.
Nela, serão estudadas as soluções geotécnicas e as particularidades da obra do Complexo
de Vacinas, localizado em Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Como embasamento teórico
para esse estudo prático será apresentada inicialmente uma revisão bibliográfica acerca
dos seguintes assuntos: solos moles; soluções para obras sobre solos moles;
caracterização geotécnica; instrumentação geotécnica e “Efeito Tschebotarioff”. A
aplicação prática tem como objetivo geral descrever soluções para obras sobre solos
moles em 3 etapas correlacionadas: apresentação dos métodos construtivos de aterros
sobre solos moles, análise dos dados obtidos nos ensaios de caracterização geotécnica e
descrição dos tipos de instrumentação utilizados para avaliação do desempenho de obras
desse tipo. Adicionalmente, foi estudado um aspecto importante que pode influenciar no
comportamento de estacas utilizadas em obras desse tipo, o efeito de sobrecarga
assimétrica (“Efeito Tschebotarioff”). Como resultado, o trabalho destaca a importância
do uso de diferentes tipos de instrumentação como placas de recalque, piezômetros e
inclinômetros na avaliação do desempenho desse tipo de obra.

Palavras-chave: Solos moles, Aterros, Investigação geotécnica, Instrumentação


geotécnica, Sobrecarga assimétrica.

vi
Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/UFRJ as a partial fulfillment of

the requirements for the degree of Engineer.

CONSTRUCTION ON SOFT SOILS AND THEIR RESPECTIVE

SOLUTIONS: A PRACTICAL EXAMPLE OF THE CONSTRUCTION OF

A VACCINE COMPLEX IN SANTA CRUZ, RJ

Roberto Gaui Filho

August/2017

Advisor: Alessandra Conde

Elaine Vazquez

Course: Civil Engineering

The present work presents a practical application of construction works on soft


soils. In it, will be studied the geotechnical solutions and the peculiarities of the
construction of a Complex of Vaccines, located in Santa Cruz, in Rio de Janeiro. As a
theoretical basis for this practical study, initally it will be presented a bibliographical
review on the following subjects: soft soils; solutions for works on soft soils; geotechnical
characterization; geotechnical instrumentation and "Tschebotarioff Effect". The practical
application has as general objective to describe solutions for works on soft soils in three
correlated stages: presentation of the construction methods of landfills on soft soils,
analysis of the data obtained in the geotechnical characterization tests and description of
the types of instrumentation used to evaluate the performance of construction works such
as this type. Additionally, an important aspect that may influence the behavior of
foundation piles used in contruction on soft soils, the asymmetric load effect
("Tschebotarioff Effect"), has been studied. As a result, the work highlights the
importance of the use of different types of geotechnical instrumentation as settlement
cells, piezometers and inclinometers in the evaluation of the performance of this type of
work.

Keywords: Soft soils, Geotechnical Investigation, Embankments, Geotechnical


instrumentation, Asymmetrical Load.

vii
SUMÁRIO

......................................................................................................................... I
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................................................ X
LISTA DE TABELAS .......................................................................................................................... XIII
1 INTRODUCÃO..............................................................................................................................14
1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ..................................................................................................................14
1.2 OBJETIVOS............................................................................................................................................15
1.3 METODOLOGIA ....................................................................................................................................15
1.4 JUSTIFICATIVA .....................................................................................................................................16
1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO ...............................................................................................................16
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ......................................................................................................18
2.1 SOLOS MOLES.......................................................................................................................................18
2.2 DESCRIÇÃO DAS SOLUÇÕES PARA OBRAS SOBRE SOLOS MOLES...................................................20
2.2.1 APLICAÇÃO DE SOBRECARGAS TEMPORÁRIAS ................................................................................22
2.2.2 BERMAS DE EQUILÍBRIO ....................................................................................................................24
2.2.3 ATERRO REFORÇADO COM GEOSSINTÉTICOS..................................................................................24
2.2.4 SUBSTITUIÇÃO (TOTAL OU PARCIAL) DO SOLO MOLE ...................................................................24
2.2.5 DRENOS VERTICAIS.............................................................................................................................25
2.2.6 ATERRO ESTAQUEADO .......................................................................................................................26
2.2.7 ATERRO LEVE ......................................................................................................................................27
2.2.8 SONDAGEM À PERCUSSÃO ASSOCIADA AO SPT ..............................................................................33
2.2.9 PIEZOCONE ..........................................................................................................................................33
2.2.10 ENSAIO DE PALHETA (VANE TEST) ...........................................................................................37
2.2.11 ENSAIO DE ADENSAMENTO OEDOMÉTRICO..............................................................................40
2.2.12 ENSAIOS TRIAXIAIS .......................................................................................................................41
2.2.13 ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO COMPLETA ..............................................................................42
2.3 INSTRUMENTACÃO GEOTÉCNICA .....................................................................................................43
2.3.1 INCLINÔMETRO ...................................................................................................................................45
2.3.2 PIEZÔMETROS .....................................................................................................................................48
2.3.3 PLACA DE RECALQUE..........................................................................................................................49
2.5 EFEITO DE SOBRECARGA ASSIMÉTRICA EM ESTACAS DE FUNDAÇÃO........................................50
2.5.1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................50
2.5.2 MÉTODO DE DE BEER E WALLAYS ( 1969 E 1972) ..................................................................56
2.5.2.1 CASO A: MÉTODO PROPOSTO PARA O CASO EM QUE AS TENSÕES CISALHANTES NO SOLO
SÃO SUFICIENTEMENTE MENORES DO QUE OS VALORES DE RUPTURA.......................................................56
2.5.2.2 CASO B: MÉTODO PROPOSTO PARA O CASO EM QUE AS TENSÕES CISALHANTES NO SOLO SE
APROXIMAM DOS VALORES DE RUPTURA ........................................................................................................59

3 EXEMPLO PRÁTICO ..................................................................................................................60


3.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS .................................................................................................60
3.2 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA ....................................................................................63
3.2.1 SONDAGENS À PERCUSSÃO ................................................................................................................63

viii
3.2.2 PIEZOCONE ..........................................................................................................................................66
3.2.3 ENSAIO DE PALHETA (VANE TEST).................................................................................................71
3.2.4 ENSAIOS DE LABORATÓRIO...............................................................................................................74
3.3 SOLUÇÕES GEOTÉCNICAS ADOTADAS NA OBRA .......................................................76
3.3.1 SOBRECARGA TEMPORÁRIA ..............................................................................................................80
3.3.2 GEODRENOS VERTICAIS ASSOCIADOS A SOBRECARGAS TEMPORÁRIAS ......................................81
3.3.3 BERMA DE EQUILÍBRIO ......................................................................................................................87
3.4 INSTRUMENTAÇÃO ..............................................................................................................89
3.4.1 LOCAÇÃO DA INSTRUMENTAÇÃO GEOTÉCNICA ..............................................................................89
3.4.2 APRESENTAÇÃO DOS DADOS: PLACAS DE RECALQUE ...................................................................95
3.4.3 APRESENTAÇÃO DOS DADOS: PIEZÔMETROS .................................................................................97
3.4.4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS: INCLINÔMETROS .............................................................................99
3.5 EFEITO DE SOBRECARGA ASSIMÉTRICA EM ESTACAS DE FUNDAÇÃO ........... 102
3.5.1 CONTEXTUALIZAÇÃO E ANÁLISE PRÉVIA ..................................................................................... 102
3.5.2 EXEMPLO PRÁTICO DA ANÁLISE PELO MÉTODO DE DE BEER E WALLAYS (1969 E 1972)110
3.5.3 EXTENSÃO DA ANÁLISE PARA AS DEMAIS ESTACAS DO PRÉDIO 18 ......................................... 114
3.5.4 ANÁLISE DO EFEITO “SOMBRA” .................................................................................................... 114
3.6 RESULTADOS E CONCLUSÕES........................................................................................ 118
3.6.1 CARACTERIZAÇÃO GEOTÉCNICA .................................................................................................... 118
3.6.2 SOLUÇÕES DE OBRAS SOBRE SOLOS MOLES ................................................................................. 119
3.6.3 COMPARAÇÃO ENTRE OS DOIS MÉTODOS DE CRAVAÇÃO DE GEODRENOS ( ESTÁTICO E
VIBRATÓRIO) .................................................................................................................................................... 119
3.6.4 INSTRUMENTAÇÃO GEOTÉCNICA ................................................................................................... 120
3.6.5 EFEITO DE SOBRECARGA ASSIMÉTRICA EM ESTACAS DE FUNDAÇÃO....................................... 120
3.6.6 EFEITO “SOMBRA” NAS ESTACAS DE FUNDAÇÃO ........................................................................ 121
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS......... 122
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................. 124
APÊNDICE A ....................................................................................................................................... 130
APÊNDICE B ....................................................................................................................................... 140
ANEXO A – BOLETIM DA SONDAGEM À PERCUSSÃO SPT-163 ........................................ 141
ANEXO B – LOCALIZAÇÃO DOS ENSAIOS DE PIEZOCONE E PALHETA ........................... 143
ANEXO C – ENSAIOS DE DISSIPAÇÃO – CPTU – 163 .............................................................. 144
ANEXO D – GRÁFICOS DO PIEZOCONE – CPTU – 163 ........................................................... 145

ix
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Modelos de ruptura em aterros sobre solos moles (ALMEIDA, 1996) ........ 21
Figura 2 – Soluções para solos moles (ALMEIDA e MARQUES, 2010) ..................... 22
Figura 3 – Aceleração de recalques com sobrecarga temporária ( ALMEIDA e
MARQUES, 2010) ................................................................................................. 23
Figura 4 – Esquema do método de instalação de geodrenos ( ALMEIDA e MARQUES,
2010) ....................................................................................................................... 26
Figura 5 – Características geotécnicas do depósito de argila mole: Ilha de investigação
em depósito da Barra da Tijuca, RJ (CRESPO NETO, 2004) ............................... 30
Figura 6 – Detalhe da sonda do piezocone: (A) medida de poropressão em dois pontos;
(B) detalhe da poropressão atuando na ponta (ALMEIDA e MARQUES, 2010) . 35
Figura 7 – Equipamento de palheta: (A) componentes; (B) detalhe da sapata de proteção
(ALMEIDA e MARQUES, 2010) .......................................................................... 38
Figura 8 – Seção esquemática de um projeto de monitoramento sobre solos moles
(ALMEIDA e MARQUES, 2010) .......................................................................... 45
Figura 9 – Detalhe esquemático de um inclinômetro: (A) e (B) tubo inclinométrico e
sonda inclinométrica; (C) sonda inclinométrica; (D) detalhe das leituras
(ALMEIDA e MARQUES, 2010) .......................................................................... 47
Figura 10 – Fases de instalação do tubo guia de inclinômetro (GEORIO, 2000) .......... 47
Figura 11 – Esquema de piezômetros: (A) Casagrande; (B) Elétrico ou de corda vibrante
(ALMEIDA e MARQUES, 2010) .......................................................................... 48
Figura 12 – Detalhe de uma placa de recalque (ALMEIDA e MARQUES, 2010) ....... 50
Figura 13 – Casos do efeito de sobrecarga assímetrica em estacas de fundação
(VELLOSO e LOPES, 2011) ................................................................................. 51
Figura 14 – Efeito “sombra” (ALONSO, 1989) ............................................................. 55
Figura 15 – Tensão horizontal Ph nas estacas no caso de sobrecarga uniforme (DE
BEER e WALLAYS, 1969) ................................................................................... 57
Figura 16 – Método de De Beer e Wallays (De Beer e Wallays, 1969) ......................... 58
Figura 17 – Método de De Beer e Wallays (De Beer e Wallays, 1969) ......................... 59
Figura 18 – Localização do empreendimento................................................................. 61
Figura 19 – Vista aérea da localização do terreno do empreendimento ......................... 61
Figura 20 – Localização da sondagem SPT 163 no prédio 18 ....................................... 65
Figura 21 – Câmara para saturação da pedra porosa do piezocone (BERTIN, 2014) .... 67
Figura 22 – Hastes e sondas do piezocone (BERTIN, 2014) ......................................... 67
Figura 23 – Detalhe da cravação da sonda do piezocone (BERTIN, 2014) ................... 68
Figura 24 – Cravação do equipamento no solo para a realização do ensaio (BERTIN,
2014) ....................................................................................................................... 68
Figura 25 – Em (a) Resultados dos ensaios de dissipação de piezocone e em (b) Valores
de referência de ensaios de dissipação para argilas brasileiras de acordo com
Ortigão (2007) ........................................................................................................ 69
Figura 26 – (A) Posicionamento das patolas do equipamento para execução do ensaio;
(B) Cravação da palheta do solo (BERTIN, 2014) ................................................. 71
Figura 27 – Síntese dos dados obtidos para Su e Sua (ORTIGÃO,2016)......................... 73
Figura 28 – Perfil de LL, LP e w e perfil de peso específico (γ) – Complexo de Vacinas
- Santa Cruz, RJ (ORTIGÃO,2016). ...................................................................... 75
Figura 29 – Perfil de σ’vm, eo e CR – Complexo de Vacinas - Santa Cruz, RJ
(ORTIGÃO, 2016). ................................................................................................ 75

x
Figura 30 – Planta de isoespessura da camada de solo mole (DE-3-000-C-10603-R0,
2016). ...................................................................................................................... 76
Figura 31 – Áreas de tratamento..................................................................................... 78
Figura 32 – (DE-3-000-C-10608, 2016) ......................................................................... 79
Figura 33 – Espessurras das camadas de sobrecarga temporária (DE-3-000-C-10622-R0,
2016) ....................................................................................................................... 80
Figura 34 – Espessuras de camada de colchão drenante (DE-3-000-C-10625-R1, 2016)
................................................................................................................................ 81
Figura 35 – Localização dos drenos e tempo de espera para estabilização de recalque
(DE-3-000-C-10623, 2016) .................................................................................... 81
Figura 36 – Malha de geodrenos e camada de colchão drenante: (A) Equipamento de
pré-furo; (B) Equipamento de cravação de geodreno (O AUTOR, 2017) ............. 82
Figura 37 – Localização em planta do trecho fotografado (O AUTOR, 2017) .............. 82
Figura 38 – Divisão do terreno da obra em subáreas ..................................................... 83
Figura 39 – Máquina de pré-furo (escavadeira adaptada) .............................................. 84
Figura 40 – Detalhe da sapata no mandril Figura 41 – Sapata de ancoragem
................................................................................................................................ 85
Figura 42 – Cravação pelo método estático Figura 43 – Máquina de cravação ... 85
Figura 44 – (A) Máquina de cravação (B) Execução do geodreno pelo método vibratório
................................................................................................................................ 86
Figura 45 – Localização da berma de equilíbrio ( O AUTOR, 2017) ............................ 88
Figura 46 – Berma de equilíbrio; declividade do talude de 1,0V:2,0H (O AUTOR,
2017) ....................................................................................................................... 88
Figura 47 – Berma de equilíbrio (O AUTOR, 2017) ..................................................... 89
Figura 48 – Disposicão das placas de recalque (adaptada de DE-3-000-C-10627-R2,
2016) ....................................................................................................................... 90
Figura 49 – Localização dos piezômetros e inclinômetros............................................. 91
Figura 50 – Seção transversal da instalação do tubo guia do inclinômetro (IN) e dos
piezomêtros (PE-A, PE-B e PE-C) (DE-3-000-C-10628-R1, 2016) ...................... 92
Figura 51 – Piezômetro e inclinômetro na região do prédio 18 (O AUTOR, 2017) ...... 93
Figura 52 – (A)Instalacão do tubo guia do inclinômetro; (B) Tubo guia instalado ....... 93
Figura 53 – Medição do inclinômetro ............................................................................ 94
Figura 54 – Colocação do inclinômetro no tubo guia .................................................... 94
Figura 55 – Leitura de dados do piezômetro elétrico ..................................................... 94
Figura 56 – Leitura de dados do piezômetro .................................................................. 94
Figura 57 – Dados obtidos - PR-08 (31/05/2016 a 16/05/2017) (RIBEIRO, 2017) ....... 95
Figura 58 – Dados obtidos - PR-10 (31/05/2016 a 16/05/2017) (RIBEIRO, 2017) ....... 96
Figura 59 – Localização das placas de recalque (PR-08, PR-09 e PR-10) (DE-3-000-C-
10627-R2, 2016) ..................................................................................................... 96
Figura 60 – Curvas poropressões (kPa) versus tempo (meses) - (profundidade =
13,45m) (RIBEIRO, 2017) ..................................................................................... 97
Figura 61 – Gráfico obtido após leitura de dados do piezômetro (profundidade =
10,45m) (RIBEIRO, 2017) ..................................................................................... 98
Figura 62 – Gráfico obtido após leitura de dados do piezômetro (profundidade = 7,45m)
(RIBEIRO, 2017) ................................................................................................... 99
Figura 63 – Localização do tubo guia do inclinômetro (IN-01) e a posição dos eixos B+
e A+ (RIBEIRO, 2017)......................................................................................... 100
Figura 64 – Curvas de Deslocamento Incremental e Acumulado versus Profundidade -
Inclinômetro IN-01 (RIBEIRO, 2017) ................................................................. 101
Figura 65 – Localização do prédio 18 no terreno da obra (O AUTOR, 2017) ............. 102

xi
Figura 66 – Sistema de eixos utilizados ....................................................................... 103
Figura 67 – Seção transversal considerada na análise de estabilidade de talude – Saída
gráfica do software Slope-W (LIMA, 2017) ........................................................ 105
Figura 68 – Resultado da análise de estabilidade do talude com superfície crítica de
ruptura (LIMA, 2017) ........................................................................................... 107
Figura 69 – Situação real no talude adjacente ao prédio 18 (O AUTOR, 2017) .......... 107
Figura 70 – Planta do prédio 18 com divisão de áreas feita pela consultora geotécnica
(GEO-740-15-005-04, 2016) ................................................................................ 109
Figura 71 – Teoria de De Beer e Wallys (De Beer e Wallays, 1969) .......................... 111
Figura 72 – Efeito “sombra” (ALONSO, 1989) ........................................................... 115
Figura 73 – Linhas de estacas avaliadas ....................................................................... 116
Figura 74 – Características do aterro de sobrecarga ..................................................... 131
Figura 75 – Posição do ponto “A” e definição de Zd.................................................... 133
Figura 76 – Configuração adotada para a estaca no programa “ftool” ......................... 134
Figura 77 – Momento máximo na estaca...................................................................... 134
Figura 78 – Características do aterro de sobrecarga ..................................................... 136
Figura 79 – Posição do ponto “A” e definição de Zd.................................................... 138

xii
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Consistência da argila em função do índice de consistência ........................ 19


Tabela 2 – Consistência da argila em função do NSPT .................................................... 19
Tabela 3 – Consistência da argila em função da resistência à compressão simples ....... 20
Tabela 4 – Classificação das argilas quanto à sensibilidade (adaptado de ALMEIDA e
MARQUES, 2010) ................................................................................................. 39
Tabela 5 – Critérios para classificação da qualidade das amostras ............................... 41
Tabela 6 – Quantitativo de serviços realizados na obra até Abril de 2017 .................... 62
Tabela 7 – Dados e resultados obtidos - Ensaios de piezocone...................................... 66
Tabela 8 – Dados dos ensaios de palheta: Su = Resisência não-drenada; Sua =
Resistência não-drenada amolgada; St = Sensibilidade da argila ........................... 72
Tabela 9 – Perfil de resistência não-drenada .................................................................. 73
Tabela 10 – Resumo dos resultados obtidos nos ensaios de laboratório ........................ 74
Tabela 11 – Resultado dos ensaios de permeabilidade.................................................. 75
Tabela 12 – Características das regiões – AT (áreas de tratamento) .............................. 77
Tabela 13 – Quantitativo de instrumentos instalados até o final de abril de 2017 ......... 92
Tabela 14 – Características geométricas e estruturais dos perfis metálicos ................. 103
Tabela 15 – Parâmetros, das camadas de solo, utilizados na análise de estabilidade
global (LIMA, 2017) ............................................................................................ 106
Tabela 16 – Efeito “sombra” para o perfil W250x38,5 ................................................ 117
Tabela 17 – Efeito “sombra” para o perfil HP310x125 ............................................... 117

xiii
1 INTRODUCÃO
1.1 Considerações iniciais

Os engenheiros geotécnicos enfrentam vários desafios ao projetar estruturas sobre

solos moles. Estes incluem recalques intoleráveis ao tipo de construção, grandes

movimentos e pressões laterais, e instabilidade global ou local (HAN, 2002).

Solos moles são caracterizados geralmente como solos argilosos saturados, com

baixíssima resistência ao cisalhamento, baixa permeabilidade e alta compressibilidade.

Com isso, quando carregados, apresentam tempo de adensamento muito elevado, que

pode compreender em anos ou, até mesmo, décadas. Como consequência, esse efeito pode

comprometer o prazo requirido para o término do projeto e/ou gerar problemas futuros

associados a recalques. A partir disso, fez-se necessário, dentro da engenharia geotécnica

de se estudar diferentes técnicas construtivas que possam vir a minimizar ou, até evitar

por completo esse fenômeno.

A escolha do método construtivo mais adequado está associada a diversas

questões: características geotécnicas dos depósitos; utilização da área, incluindo

vizinhança; prazos construtivos e custos envolvidos (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Para tomada de decisão quanto ao método construtivo a ser utilizado para cada

caso, é imprescindível a obtenção correta dos parâmetros geotécnicos de modo que se

possa prever adequadamente o comportamento de uma obra de aterro sobre solos moles.

Tais parâmetros são estimados através de investigações geotécnicas (preliminares e

complementares).

Posteriormente a fase de projeto, faz-se necessário o monitoramento da obra e

avaliação do seu desempenho. Para isso, são utilizados equipamentos de instrumentação

geotécnica na fase de construção, podendo ser útil também na fase operacional do

empreendimento.

14
1.2 Objetivos

Esse trabalho tem como objetivo geral descrever soluções para obras sobre solos

moles em três etapas correlacionadas: apresentação dos métodos construtivos de aterros

sobre solos moles, análise dos dados obtidos nos ensaios de caracterização geotécnica e

descrição dos tipos de instrumentação utilizados para avaliação do desempenho de obras

desse tipo. Mais do que isso, a intenção do trabalho é demonstrar através de um exemplo

prático como essas três estapas são implantadas na obra e qual ordem executiva foi

seguida, além de destacar a importância das mesmas para um bom desempenho da obra,

seja durante a fase execução ou após a entrega do empreendimento.

Adicionalmente, será estudado outra particularidade de obras sobre solos moles:

a influência da sobrecarga assimétrica, devido ao aterro executado, nas estacas instaladas

nas proximidades do mesmo. Esse estudo tem como objetivo destacar a importância de

considerar as solicitações horizontais geradas pelo efeito de sobrecarga assimétrica no

dimensionamento de estacas de fundação.

1.3 Metodologia

Primeiramente será apresentada uma revisão bibliográfica (item 2) acerca de todos

os conceitos que serão abordados no exemplo prático desse trabalho (item 3). Nesse

exemplo, será estudada a obra de um Complexo de Vacinas, localizado no bairro de Santa

Cruz, no Rio de Janeiro. Dentro desse estudo serão descritas as diversas soluções de obras

sobre solos moles utilizadas no empreendimento, tendo sido enfocado os aspectos

executivos de cada solução. Além disso, serão apresentados os diferentes tipos de

investigações geotécnicas realizadas e intrumentação instaladas na obra.

Adicionalmente, para o trecho específico do Prédio 18 da referida obra, será

avaliada a influência da sobrecarga assimétrica, devido ao aterro executado, nas estacas

15
instaladas na proximidade do mesmo. Nessa avaliação será utilizado o método de De Beer

e Wallays (1972) para as estacas adjacentes ao aterro.

1.4 Justificativa

Solos moles são bastante recorrentes ao longo da costa brasileira. Além disso, as

regiões de solos competentes, com boa capacidade de suporte, estão cada vez menos

disponíveis, principalmente em áreas de grande ocupação urbana como o Estado do Rio

de Janeiro. O motivo da escolha desse tema foi a participação do autor desse trabalho

cmo estagiário de engenharia civil na obra de um Complexo de Vacinas, no bairro de

Santa Cruz, RJ. A região do empreendimento consiste em uma área de 540.000m2 de

aterros sobre solo mole e a fase inicial do projeto executivo foi dividida em dois contratos:

Terraplenagem e Estaqueamento.

1.5 Estrutura do trabalho

O presente trabalho é organizado em quatro capítulos: Introdução, Revisão

Bibliográfica, Exemplo Prático e Consideracões Finais.

O primeiro capítulo pretende apenas apresentar e descrever sucintamente o

contexto do trabalho, seus objetivos e metodologia empregada.

O segundo capítulo serve como embasamento teórico dos assuntos que serão

abordados no terceiro capítulo. Nele, são apresentados: a definição de solos moles, as

soluções para execução de aterro sobre esses solos, os procedimentos de caracterização

geotécnica, equipamentos de monitoramento geotécnico e os métodos de análise do efeito

de sobrecarga assimétrica em estacas de fundação.

O terceiro capítulo apresenta a aplicacão do estudo na obra de Terraplenagem e

Estaqueamento de um Complexo de Vacinas, em Santa Cruz, RJ. Dentro dele, são

16
apresentados todos os dados obtidos nos ensaios de caracterização geotécnica, bem como

a análise dos mesmos. Em seguida, são descritas as soluções geotécnicas adotadas na obra

(sobrecarga temporária, geodrenos verticas e berma de equilíbrio) e os tipos de

instrumentação utilizados (placas de recalque, piezômetros e inclinômetros). Para

concluir o caso de estudo, é feita uma análise prática do efeito de sobrecarga assimétrica

nas estacas do prédio 18 do empreendimento. Finalmente, são expostas as pricipais

conclusões acerca dos resultados obtidos e métodos utilizados na obra estudada.

O quarto capítulo trata das considerações finais do trabalho e recomendações para

trabalhos futuros.

Por final, esse trabalho é complementado por apêndices, anexos e referências

bibliográficas.

17
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 Solos moles

Por definição, solos moles são geralmente solos de origem sedimentar, em geral

saturados e predominantemente argilosos. Esse tipo de solo possui baixa capacidade de

suporte, baixa permeabilidade e elevada compressibilidade. Tais características implicam

em um comportamento do solo que quando submetido à variação de tensões efetivas

(Δσ’), função da execução de, por exemplo, um aterro sobre a camada, pode apresentar

grandes deformações (ΔL/Lo >10%, sendo Lo a espessura da camada de solo argiloso

saturado e ΔL o recalque da mesma devido à sobrecarga). O critério citado anteriormente

para definir-se o cenário de grandes deformações encontra-se em Martins e Abreu (2002).

Tais recalques ocorrem em um longo período de tempo, uma vez que a baixa

permeabilidade desses materiais fazem com que a dissipação do excesso de poropressão

gerada pelo carregamento seja lenta.

De acordo com PINTO (2006), os critérios para os solos serem classificados como

moles são:

Índice de consistência (IC) < 0,5:

𝐿𝐿 − 𝑤
𝐼𝐶 = (1)
𝐿𝐿 − 𝐿𝑃

Onde:

LL = Limite de Liquidez

w = teor de umidade

LP = Limite de Plasticidade

A Tabela 1 apresenta a classificação adotada usualmente.

18
Tabela 1 – Consistência da argila em função do índice de consistência

Índice de Consistência
consistência da argila
< 0,5 Mole
0,5 a 0,75 Média
0,75 a 1 Rija
>1 Dura

(adaptado de PINTO, 2006)


NSPT < 5:

O NSPT é um parâmetro que mede a resistência do solo à penetração. Ele consiste

no número de golpes aplicados necessários para cravar 30 cm do amostrador padrão, após

15 cm iniciais (PINTO,2006). A Tabela 2 apresenta a classificação dos solos argilosos de

acordo com a respectiva consistência.

Tabela 2 – Consistência da argila em função do NSPT

Consistência da
NSPT
argila
<2 Muito mole
3a5 Mole
6 a 10 Consistência média
11 a 19 Rija
>19 Muito rija

(adaptado de PINTO, 2006)

Resistência a compressão simples ≤ 50 kPa:

A resistência a compressão simples é a carga necessária para levar o corpo de

prova à ruptura, dividida pela área da seção transversal desse corpo (PINTO, 2006). A

Tabela 3 apresenta a classificação adotada usualmente.

19
Tabela 3 – Consistência da argila em função da resistência à compressão simples

Resistência (kPa) Consistência da argila


<25 Muito mole
25 a 50 Mole
50 a 100 Consistência média
100 a 200 Rija
200 a 400 Muito rija
> 400 Dura

(adaptado de Pinto, 2006)

2.2 Descrição das soluções para obras sobre solos moles

Para o caso de obras sobre solos moles, surgem incertezas sobre o comportamento

real da obra devido à variabilidade do perfil geotécnico e às dificuldades na previsão

acurada da dissipação do excesso de poro-pressão como também dos deslocamentos que

ocorrem na camada de argila.

Um fator de grande relevância nos estudos do comportamento dos aterros e obras

sobre solos moles corresponde às análises de suas condições de estabilidade interna

(aterro), estabilidade externa (fundacão) e estabilidade global (aterro + fundação) cujos

modelos de ruptura são ilustrados na Figura 1 (ALMEIDA, 1996; SILVA e PALMEIRA,

1998).

20
Figura 1 – Modelos de ruptura em aterros sobre solos moles (ALMEIDA, 1996)

Diversas técnicas têm sido desenvolvidas ou aperfeiçoadas nestas últimas décadas

com a finalidade de eliminar ou minimizar os problemas originados pela elevada

compressibilidade e baixa permeabilidade dos solos moles.

Para escolha do método construtivo devem ser avaliados os seguintes aspectos:

características geotécnicas dos depósitos; utilização da área, incluindo a vizinhança;

prazos construtivos e custos envolvidos (ALMEIDA e MARQUES, 2010). A Figura 2

apresenta um resumo dos métodos construtivos de aterros sobre solos moles.

A seguir, são descritos, de forma sucinta, alguns destes processos utilizados em

projetos de obras sobre solos moles:

21
Figura 2 – Soluções para solos moles (ALMEIDA e MARQUES, 2010)

2.2.1 Aplicação de sobrecargas temporárias

Essa técnica consiste na execução do aterro convencional com sobrecarga

temporária (Figura 2.m). Essa sobrecarga tem dois objetivos principais: a

aceleração dos recalques por adensamento primário e a compensação dos

recalques compressão secundária (ALMEIDA e MARQUES, 2010). Após

estabilização dos recalques, retira-se essa sobrecarga, que pode ser transferida

para outro local da obra ou lançado em bota-fora, conforme indicado na Figura 3.

22
Figura 3 – Aceleração de recalques com sobrecarga temporária ( ALMEIDA e

MARQUES, 2010)

A Figura 3 exemplifica a o uso de sobrecarga temporária. Para o caso sem

sobrecarga (linha tracejada), os recalques seriam estabilizados quando fosse

atingido o valor ∆hf. Já para o caso com sobrecarga temporária (linha cheia), os

recalques tendem a estabilizar quando atingirem o valor ∆hfs. Esse método

consiste em colocar a sobrecarga no instante t = 0 e mantê-la até o instante em que

os recalques atinjam o valor ∆hf, que na Figura 3 corresponde à t = t1. Em seguida,

a sobrecarga é retirada. Dessa forma, o valor do recalque para o aterro sem

sobrecarga, no tempo infinito, já foi atingido de forma antecipada e,

consequentemente os recalques cessam.

Esse processo possui duas grandes desvantagens: o prazo para

estabilização dos recalques é elevado, em função da baixa permeabilidade dos

solos moles, e grande volume de material associado a empréstimo e bota-fora.

23
Com isso, é comum na prática o uso concomitante com outros

procedimentos capazes de acelerar globalmente o processo de adensamento da

camada de solo.

2.2.2 Bermas de Equilíbrio

Bermas de equilíbrio são elementos utilizados para garantir a estabilidade

global do conjunto formado pelo solo mole e pelo aterro, de modo que a estrutura

compense os momentos instabilizantes com, consequente aumento do fator de

segurança (Figura 2b).

Cabe salientar que restrições de espaço e de material disponível podem

inviabilizar o uso de bermas de equilíbrio.

2.2.3 Aterro reforçado com geossintéticos

Essa técnica consiste na inclusão de materiais poliméricos na base do

aterro (Figura 2a). Esses materiais possuem elevada resistência e rigidez e tem

como objetivo maximizar o fator de segurança do sistema em termos da

estabilidade global e distribuir melhor as tensões (ALMEIDA e MARQUES,

2010).

2.2.4 Substituição (total ou parcial) do solo mole

A substituição do solo mole (parcial ou total, conforme Figura 2i e Figura

2j, respectivamente) consiste na retirada desse solo através do uso de dragas ou

escavadeiras e na imediata colocação de aterro em substituição ao solo mole

(ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Inicialmente é feita a execução de um aterro de conquista para permitir o

acesso de máquinas e equipamentos e, em seguida é feita a dragagem e escavação

do solo mole. Posteriormente é feito o preenchimento do local escavado com

24
material de aterro (ALMEIDA e MARQUES, 2010). Existem exemplos de uso

dessa técnica em Massad (1998).

2.2.5 Drenos verticais

Os primeiros drenos verticais eram de areia, porém atualmente é muito

difundido o uso de drenos pré-fabricados, conhecidos como geodrenos ou drenos

fibroquímicos. Eles consistem em um núcleo de plástico com ranhuras em forma

de canaletas envolto em um filtro de geossintéticos de baixa gramatura (Figura

4.A) (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

A utilização de drenos verticais (Figura 2l) tem a funcão de acelerar o

processo de adensamento do solo através da combinação da drenagem radial com

a drenagem vertical, promovendo uma redução no caminho percorrido pelas

partículas de água durante o processo de fluxo, sem alteração no valor final do

recalque (HAUSMANN, 1990; ALMEIDA et al, 1999).

Inicialmente, executa-se sobre a camada de solo mole uma camada

drenante que serve também como aterro de conquista, seguida da cravação dos

drenos e execução do corpo de aterro.

O processo de cravação consiste no posicionamento do dreno no interior

de uma haste vazada vertical, denominada mandril. O geodreno é, então,

conectado a uma âncora ou sapata de ancoragem na ponta do dreno que garante o

seu “engaste” no fundo da camada, quando o mandril é retirado (Figura 4B) e é

perdida durante a cravação (Figura 4C) (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Cumpre salientar que a sapata de ancoragem também serve para evitar a

penetração de solo no interior do mandril.

Normalmente, a instalação de geodrenos está associada à aplicação de

sobrecargas temporárias.

25
Figura 4 – Esquema do método de instalação de geodrenos ( ALMEIDA e MARQUES,

2010)

2.2.6 Aterro estaqueado

Esse método tem como princípio a introdução de elementos de estacas.

Essas estacas atuam como elementos rígidos capazes de absorver uma parcela

elevada das cargas aplicadas ao solo e transmití-las às camadas mais resistentes

do subsolo (Figura 2.h). O aterro estruturado pode ser apoiado sobre estacas ou

colunas dos mais variados materiais.

A distribuição das cargas para as estacas pode ser feita através da

utilização de capitéis, geogrelhas ou lajes presentes no topo das estacas, entre o

solo mole e o aterro. Esse tipo de solução minimiza ou até mesmo, elimina os

recalques, além de melhorar a estabilidade do aterro. Além disso, possui a grande

vantagem de possibilitar o alteamento do aterro em uma só etapa, minimizando o

tempo de execução do mesmo (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

26
Essa metodologia executiva também pode ser utilizada com base no uso

de colunas granulares que, além de produzirem menores deslocamentos

horizontais e verticais do aterro em comparação ao aterro convencional ou sobre

drenos, também promove a dissipação do excesso de poropressão por drenagem

radial, acelerando os recalques e aumentando a resistência ao cisalhamento da

massa de solo de fundação (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

2.2.7 Aterro leve

A magnitude dos recalques primários dos aterros sobre camadas de solos

moles é função do acréscimo de tensão vertical causado pelo aterro construído

sobre a camada de solo mole. Logo, a utilização de materiais leves no corpo de

aterro reduz a magnitude desses recalques. Essa técnica, denominada aterro leve

(Figura 2e), tem como vantagem adicional a melhoria das condições de

estabilidade desses aterros, permitindo também a implantação mais rápida da

obra, diminuindo ainda os recalques diferenciais (ALMEIDA e MARQUES,

2010).

O material mais utilizado para esse método tem sido o EPS (VAN DORP,

1996), pois, comparado aos demais materiais, é o de menor pese específico (15 a

30 kgf/m3) e combina alta resistência (70 a 250 kPa) e baixa compressibilidade

(módulo de elasticidade de 1 a 11 MPa). O tipo de EPS a ser utilizado depende do

uso do aterro e das cargas móveis atuando nele (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

O quadro abaixo (Quadro 1) resume as metodologias construtivas apresentadas

nesse capítulo e suas principais características, com indicações bibliográficas de

aplicações das mesma no Brasil

27
Quadro 1 – Métodos construtivos para obras sobre solos moles e suas respectivas aplicações no Brasil

Metodologias
Características Experiências brasileiras
Construtivas
Remoção da camada Eficaz, rápido, grande impacto ambiental; necessária sondagem para Vargas (1973); Cunha e Wolle (1984);
mole total ou parcial definir quantidade do solo remanescente. Barata (1977)
Expulsão de solo com Utilizado para depósitos de pequena espessura e depende de
ruptura controlada experiência no local; necessária sondagem para definir quantidade Zayen et al. (2003)
(aterro de ponta) do solo remanescente.
Aterro Convencional Estabilização lenta de recalques. Pinto(1994)
Normalmente utilizado com a associação de drenos verticais; é
Almeida, Davies e Parry(1985); Almeida
Construção em etapas necessário o monitoramento do ganho de resistência; longo período
et al.(2008b)
de tempo necessário.
Almeida et al.(2001); Sandroni e
Drenos verticais e Sobrecarga temporária utilizada para acelerar recalques; depende
Bedeschi (2008); Almeida, Rodrigues e
sobrecargas com aterros dos custos do bota-fora.
Bittencourt(1999)
Bermas de equilíbrio Frequentemente adotada; pode haver restrição de espaço e Palmeira e Fahel (2000); Magnani,
e/ou reforço resistência à tração do reforço deve ser testada in situ. Almeida e Ehrlich (2009)
Sandroni (2006b); Lima e Almeida
Uso de materiais leves Ideal para prazos curtos; possui custos relativamente elavados.
(2009)
Ideal para prazos curtos; podem ser utilizados diversos tipos de Almeida et al.(2008a); Sandroni e Deotti
Aterros sobre estacas
materiais e layouts. (2008)
Recalques acelarados devido à natureza drenante do material
Colunas granulares Mello et al.(2008); Garga e Medeiros
utilizado; geogrelhas podem ser utilizadas acima das estacas
(estacas granulares) (1995)
granulares.
Pode substituir parcialmente a sobrecarga temporária por pressão
Pré-carregamento por
hidrostática; deslocamentos horizontais são muito menores que os Marques e Leroueil (2005)
vácuo
carregamentos convencionais.
(Adaptado de Almeida e Marques, 2010)

28
A primeira etapa do projeto de uma obra geotécnica consiste na programação das

investigações geotécnicas e sua realização. A programação inicia-se com o

reconhecimento inicial do terreno por meio de mapas geológicos e pedológicos,

fotografias aéreas e levantamento do banco de dados das investigações realizadas em

áreas próximas. As fases posteriores consistem na execução de investigações preliminares

e complementares.

As investigações preliminares visam principalmente à determinação da

estratigrafia da área de estudo, nessa fase são realizadas sondagens a percussão e ensaios

de caracterização.

As investigações complementares são realizadas posteriormente às preliminares,

podendo serem executadas em campo e em laboratório. Elas possuem o objetivo de

definir os parâmetros geotécnicos e do modelo geomecânico do depósito de solo mole e

da obra, para que os mesmo sejam utilizados nos cálculos de estabilidade e recalques.

A realização de investigações geotécnicas em verticais próximas umas das outras

(ilhas de investigação) permite a visão e análise conjuntas de todos os resultados de

ensaios de campo e laboratório. Esse método possibilita um melhor entendimento do

comportamento geomecânico das camadas do depósito de solo mole nas quais foram

ensaiadas e, também, avalia a coerência nos resultados de diferentes ensaios, conforme a

Figura 5.

29
Figura 5 – Características geotécnicas do depósito de argila mole: Ilha de investigação

em depósito da Barra da Tijuca, RJ (CRESPO NETO, 2004)

É imprescindível a obtenção correta dos parâmetros geotécnicos de modo que se

possa prever adequadamente o comportamento de uma obra de aterro sobre solos moles.

De acordo com Almeida e Marques (2010), os seguintes procedimentos e técnicas são

recomendados para determinação dos parâmetros geotécnicos de argilas moles (Quadro

2).

30
Quadro 2 – Procedimentos recomendados para determinação de parâmetros de argilas moles

Principais parâmetros Outros


Ensaio Tipo Objetivo do ensaio Observacões e recomendações
obtidos parâmetros
Caracterização geral do solo; Recomenda-se a determinação do
Caracterização wn, wL, wp, Gs, curva Estimativa de
interpretação dos demais teor de matéria orgânica em solos
completa granulométrica compressibilidade
ensaios muito orgânicos e turfa
Essencial para cálculo da
Laboratório

Cálculo de recalques e magnitude e velocidade dos


Adensamento Cc, Cs, σ'vm, cv, e0 Eoed, Cα
gráfico Recalque x Tempo recalques; pode ser substituído
pelo ensaio contínuo CRS
Cálculos de estabilidade (Su É mais afetado pelo amolgamento
Triaxial UU Su
é afetado pelo amolgamento) do que o ensaio CU
Cálculos de estabilidade;
Ensaio CAU (adensamento
Triaxial CU parâmetros para cálculos de Su, c', ϕ' Eu
anisotrópico) é o mais indicado
deformabilidade 2D (MEF)
Essencial para determinação da
Palheta Cálculos de estabilidade Su, St OCR
resistência não drenada da argila
Estratigrafia; recalques x
Estimativa do perfil de Su, Perfil de OCR, K0, Ensaio recomendado devido a
Piezocone (CPTu) tempo ( a partir do ensaio de
ch e cv Eoed, St relação custo/beneício favorável
dissipação)
Campo

Não requer correção de


Tbar Resistência não drenada Estimativa do perfil de Su poropressão; mais comumente
usado em offshore
Dilatômetros Ensaio complementar, em Menos comum em argilas muito
Su, OCR, K0 ch, Eoed
(DMT) geral moles
Ensaio complementar, em Menos comum em argilas muito
Pressiômetro Su, G0 ch
geral moles

(adaptado de ALMEIDA e MARQUES, 2010)

31
Nesse quadro os parâmetros apresentados são:

wn = teor de umidade natural in situ;

wL = limite de liquidez;

wP = limite de plasticidade;

Cc = índice de compressão;

CR = índice de recompressão;

σ’VM = tensão de sobreadensamento;

cv = coeficiente de adensamento para drenagem (fluxo) radial;

e0 = índice de vazios inicial da amostra em laboratório;

Eoed = módulo oedométrico (ou módulo confinado);

Cα = coeficiente de compressão secundária;

Su = Resistência não-drenada;

c’ = coesão efetiva;

ϕ’ = ângulo de atrito efetivo do solo;

Eu = módulo de elasticidade (módulo de Young) na condição não drenada;

St = sensibilidade da argila;

OCR = razão de sobreadensamento;

ch = coeficiente de sobreadensamento para drenagem (fluxo) horizontal;

K0 = coeficiente de empuxo no repouso;

G0 = módulo cisalhante a pequenas deformações (ou Gmáx)

A seguir será descrita, de forma sucinta, parte dos ensaios citados anteriormente.

Foi dada ênfase aos ensaios realizados na obra a ser estudada no exemplo prático do

presente trabalho.

32
2.2.8 Sondagem à percussão associada ao SPT

Visando a definição dos tipos de solos, profundidades de ocorrência dos mesmos

e posição do nível d’água de modo que se possa obter o perfil estratigráfico, é feita a

investigação preliminar do terreno que consiste essencialmente na realização de ensaios

de sondagens de simples reconhecimento com SPT, cujo procedimento de ensaio é

normalizado pela NBR 6484 (ABNT, 2001).

A principal informação nessa fase de investigação é a definição da espessura das

camadas de argila mole, do aterro superficial, das camadas intermediárias com outras

características e do solo subjacente. As curvas de isoespessuras de camadas são muito

úteis para a fase de avaliação dos métodos construtivos a serem adotados em cada área

da obra (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

2.2.9 Piezocone

O ensaio de penetração de cone in situ é realizado com base em procedimentos

recomendados pela Norma Brasileira de Ensaio de Cone, MB 3406 (ABNT, 1990).

O ensaio de piezocone ( CPTu) consiste na cravação no terreno de uma ponteira

cônica de 60º de ápice a uma velocidade constante de 20mm/s. A ponta cônica apresenta

normalmente seção transversal com área de 10 cm2.

A padronização da velocidade de cravação é importante visto que o valor da

resistência varia cerca de 10% por ciclo logarítmico da velocidade de cravação

(LEROUEIL e MARQUES, 1996; CRESPO NETO, 2004).

O piezocone apresenta células de carga que medem a resistência de ponta (qc),

atrito lateral (fs) e a poropressão (u) (Figura 7.A) (LUNNE, ROBERTSON e POWELL,

1997; SCHNAID, 2008).

33
As principais aplicações do piezocone são: determinar a estratigrafia do subsolo

e identificar os materiais correspondentes; estimar parâmetros geotécnicos; fornecer

parâmetros para uso direto em projeto.

Os resultados dos ensaios de Piezocone são muito úteis na estimativa do

comportamento típico dos solos, definição do perfil contínuo de resistência não drenada

(de forma indireta a partir da resistência de ponta do cone corrigida, qt, e do fator de cone

Nkt) e obtenção dos coeficientes de adensamento do solo a partir do ensaio de dissipação

(ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Os resultados de ensaio são, em geral, apresentados em forma de gráficos,

conforme o Quadro 3, a seguir:

Quadro 3 – Dados obtidos pelo a sonda do piezocone

Gráficos obtidos através do piezocone


Resistencia de ponta corrigida (qt) versus Profundidade
Poro pressão (U) versus Profundidade
Resistência por Atrito lateral (fs) versus Profundidade;
Parâmetro de poropressão (Bq) versus Profundidade
Razão de atrito (Rf) versus Profundidade

As medidas de resistência são realizadas continuamente com a penetração do cone

no terreno. Nos ensaios do piezocone as medidas de resistência são corrigidas devido a

forma desigual na qual a poropressão atua na geometria da ponta do instrumento (Figura

6.B) (ALMEIDA e MARQUES, 2010). As medidas registradas de “qc” são corrigidas

para a obtenção de valores “qt” segundo a expressão (JAMIOLKOWSKY, 1985):

𝑞𝑡 = 𝑞𝑐 + (1 − 𝑎 )𝑢2 (2)

Onde:

qt = Resistência de ponta corrigida;

34
qc= Resistência de ponta medida;

a = Relação dependente da área do cone, obtido por calibração do aparelho;

u2 = Poropressão medida na base do cone.

Figura 6 – Detalhe da sonda do piezocone: (A) medida de poropressão em dois pontos;


(B) detalhe da poropressão atuando na ponta (ALMEIDA e MARQUES, 2010)

A resistência não drenada (Su) obtida indiretamente a partir de dados obtidos no

ensaio de piezocone pode ser estimada a partir de diversas equações (LUNNE,

ROBERTSON e POWELL, 1997; SCHNAID, 2008). No entanto, os ensaios de Palheta

são mais comumente utilizados para finalidade de estimar a resistência não drenada

(ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Corresponde a razão entre o atrito lateral e a resistência de ponta do cone, em

porcentagem:

𝑓𝑠
𝑅𝑓 = 𝑥 100
𝑞𝑐 (3)

35
Com essa relação é possível determinar o tipo de solo ensaiado. Valores baixos

estão associados a altos valores de “qt” que representam materiais arenosos, de

comportamento drenado. Por outro lado, valores altos de “Rf” estão associados a baixos

valores de “qt” e representam solos de materiais argilosos de baixa consistência (argilas

moles). Existem diversas propostas (gráficos) para identificação do material que podem

ser utilizados para essa finalidade (ROBERTSON e CAMPANELLA, 1983).

O ensaio de dissipação do excesso de poropressões geradas durante a cravação do

piezocone no solo pode ser interpretado para estimativa do coeficiente de adensamento

horizontal (ch). Por meio deste é possível determinar o coeficiente de adensamento

vertical (cv), corrigido em função das diferentes condições de contorno existentes no

campo e no laboratório (estado de tensões distintos). Esse ensaio consiste em interromper-

se a cravação do piezocone em profundidades preestabelecidas, até atingir-se, no mínimo,

50% de dissipação do excesso de poropressão (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

O método de estimativa de ch mais utilizado atualmente é o de Houlsby e Teh

(1988), que leva em conta o índice de rigidez do solo (IR), com o fator tempo definido da

seguinte maneira:

𝑐ℎ × 𝑡
𝑇∗ = (4)
𝑅 2 × √𝐼𝑅

Onde:

R = raio do piezocone;

t = tempo de dissipação;

IR = índice de rigidez (G/Su);

G = módulo de cisalhamento do solo (em geral, usa-se G = Eu/3, sendo Eu o módulo de

Young não drenado obtido no ensaio CU, usualmente obtido para 50% da tensão desvio

máxima).

36
2.2.10 Ensaio de Palheta (Vane Test)

O ensaio de palheta in situ deve ser realizado conforme procedimentos descritos

pela norma NBR 10905/1989 MB 3122 (ABNT, 1989). Este é o ensaio mais utilizado

para determinação da resistência ao cisalhamento na condição não drenada (Su) do solo

mole, consistindo na rotação constante, com velocidade de 6o por minuto, de uma palheta

em forma de cruz em profundidades predefinidas (Figura 7.A) (ALMEIDA e

MARQUES, 2010).

O valor de Su é influenciado pelos seguintes fatores, segundo Chandler, 1988: (i)

Atrito ao longo da haste; (ii) Amolgamento durante a inserção da palheta; (iii) Tempo

decorrido entre a inserção da palheta e o início da rotação; (iv) Velocidade de rotação; (v)

Geometria da palheta.

É necesssária a padronização do tempo de espera entre a cravação e a rotação da

palheta, sendo estipulado por norma em 1 minuto, para que o valor de Su não seja

superestimado em função da drenagem que pode ocorrer em tempos mais elevados

(ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Durante a cravação, a palheta fica, normalmente, protegida por uma sapata (Figura

7.B).

37
Figura 7 – Equipamento de palheta: (A) componentes; (B) detalhe da sapata de proteção

(ALMEIDA e MARQUES, 2010)

A medida do torque, T, versus rotação no ensaio permite a determinação dos

valores dos valores da resistência não drenada (Su) do solo natural e amolgado (Sua).

As hipóteses adotadas para o cálculo de Su são: (i) Nenhuma drenagem durante o ensaio;

(ii) Isotropia e homogeneidade; (iii) Superfície de ruptura cilíndrica; (iv) Diâmetro de

cisalhamento; (v) Inexistência de ruptura progressiva; (vi) Não há amolgamento; (vii) As

tensões cisalhantes são uniformemente distribuídas na superfície.

Com base nessas hipóteses e a partir da razão H/D=2 (altura/diâmetro da palheta)

é possível estimar o Su a partir da equação apresentada a seguir, prescrita pela NBR

(ABNT, 1989).

38
𝑇
𝑆𝑢 = 0,86
𝜋𝐷3 (5)

Onde:

T = Torque máximo obtido no ensaio;

D = diâmetro da palheta.

A equação acima é utilizada também para o cálculo da resistência amolgada da

argila (Sua). Ela consiste em, depois de atingido o torque máximo, girar a palheta em 10

revoluções completas, de forma a amolgar o solo e, em seguida proceder para a medida

da resistência amolgada. O intervalo entre as duas fases do ensaio não pode ser maior que

5 minutos (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

A sensibilidade da argila (St) é dada pela equação:

𝑆𝑢
𝑆𝑡 = (6)
𝑆𝑢𝑎

Onde:

Sua = Resistência não drenada para o solo amolgado.

As argilas são classificadas quanto à sensibilidade de acordo com a Tabela 4, a

seguir.

Tabela 4 – Classificação das argilas quanto à sensibilidade

Tipo de solo St (Sensibilidade)


Argilas insensíveis 1
Argilas de baixa sensibilidade 1a2
Argilas de média sensibilidade 2a4
Argilas sensíveis 4a8
Argilas com extra sensibilidade >8
Argilas com excepcional sensibilidade (quick-clays) > 16

(adaptado de ALMEIDA e MARQUES, 2010)

39
Segundo citado por Almeida e Marques (2010), as argilas brasileiras têm

sensibilidade na faixa de 1 a 8, com valores médios entre 3 a 5 (SCHNAID, 2009).

Entretanto, valores de sensibilidade até 10 têm sido observados em argilas do Rio de

Janeiro, bem como nas de Juturnaíba (COUTINHO, 1986) e nas da Barra da Tijuca

(MACEDO, 2004; BARONI,2010).

2.2.11 Ensaio de Adensamento Oedométrico

O ensaio de adensamento, realizado em laboratório, é essencial para estimativa de

parâmetros que permitem o cálculo da magnitude do recalque total e sua evolução com o

tempo. O ensaio de adensamento convencional de carregamento incremental, descrito

pela NBR 12007 (ABNT, 1990), é usualmente realizado. Para a melhor determinação da

tensão de sobreadensamento, por vezes realizam-se estágios intermediários de carga.

Esses ensaios normalmente tem duração de cerca de duas semanas, em particular no caso

de inclusão de um ciclo de descarregamento, para avaliação da magnitude dos recalques

secundários (ALMEIDA e MARQUES, 2010). Os resultados do ensaio de adensamento

dependem muito da qualidade da amostra. Lunne, Berre, Strandvik (1997) propuseram

um critério para avaliação da qualidade de amostras relativamente mais restritivo do que

as recomendações de Coutinho (2007) e Sandroni (2006b) para argilas brasileiras,

conforme indicado na Tabela 5. Essas recomendações baseiam-se na obtenção do índice

Δe / evo, onde Δe é a variação do índice de vazios desde o início do ensaio até a tensão

vertical efetiva in situ correspondente à σ’vo e evo é o índice de vazios inicial . Baroni

(2010) utilizou o critério proposto por Coutinho (2007) para as argilas do Rio de Janeiro

e observou que, apesar de todos os cuidados tomados na amostragem, para estas argilas,

83% das amostras foram boas ou regulares.

A razão de sobreadensamento (OCR) pode ser calculada através da equação a

seguir:

40
σ’𝑣𝑚
𝑂𝐶𝑅 = (7)
σ’𝑣𝑜

Onde:
σ’vm = tensão de sobreadensamento;

σ’vo = tensão vertical efetiva in situ

Tabela 5 – Critérios para classificação da qualidade das amostras

Δe / evo
Boa a Muito
OCR Muito boa a excelente Ruim
regular ruim
Critério de LUNNE, BERRE e STRANDVIK (1997)
0,04 -
1-2 <0,04 0,07 - 0,14 > 0,14
0,07
0,03 -
2-4 < 0,03 0,05 - 0,10 > 0,10
0,05
Critério de SANDRONI (2006b)
0,03 -
<2 < 0,03 0,05 - 0,10 >0,10
0,05
Critério de COUTINHO (2007)
1 - 2, 0,05 -
< 0,05 0,08 - 0,14 > 0,14
5 0,08

(adaptada de ALMEIDA e MARQUES, 2010)

A razão de compressão (CR) é dada pela fórmula a seguir:

𝐶𝑐
𝐶𝑅 = (8)
1 + 𝑒0

2.2.12 Ensaios Triaxiais

Os valores de resistência e módulo medidos em ensaios triaxiais não adensados

com ruptura não drenada,UU (unconsolidated undrained) sofrem influência no processo

de alívio de tensões e do amolgamento. Entretanto, considerando o custo relativamente

pequeno de sua execução, servem como dado adicional para a obtencão do perfil de

resistência não drenada (Su) de projeto (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

41
Os ensaios triaxiais de adensamento isotrópico com ruptura drenada, CIU

(consolidated isotropic undrained), são pouco realizados na prática brasileira. Em alguns

casos de obras especiais, realizam-se ensaios de adensamento anisotrópico com ruptura

não drenada, CAU (consolidated anisotropic undrained). Esses ensaios demandam maior

tempo, equipamentos e procedimentos não correntes e, em geral, são realizados por

laboratórios especializados.

2.2.13 Ensaios de Caracterização Completa

Os ensaios de caracterização fazem parte da fase preliminar e incluem a

determinação da umidade natural e dos limites de Atterberg ( Limite de Liquidez = wL e

Limite de Plasticidade = wP) (NBR 6459 e NBR 7180, respectivamente; ABNT, 1984a,

1984c).

O procedimento para a medida de umidade é de baixo custo e permite a correlação

com parâmetros do solo. Para a sua obtenção, a amostra é coletada na parte inferior do

amostrador SPT (bico) e deve ser adequadamente escolhida de forma a não ser

influenciada pelo procedimento de avanço, realizados na maioria das vezes com trépano

e água. Além disso, a amostra coletada deve ser imediatamente colocada em saco plástico

e armazenada em caixa de isopor, protegida do sol (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

O Quadro 4, a seguir, resume as vantagens e desvantagens entre os ensaios

realizados em campo e os ensaios elaborados em laboratório.

42
Quadro 4 – Vantagens e desvantagens de ensaios de laboratório e de campo

Tipo de
Vantagens Desvantagens
ensaio
Amolgamento em solos argilosos
Condições de contorno bem definidas durante a amostragem e na
Laboratório

moldagem
Pouca representatividade do volume
Condições de drenagem controladas
de solo ensaiado
Trajetórias de tensões conhecidas É, geralmente mais caro que o
durante o ensaio ensaio de campo
Natureza do solo identificável
Condições de contorno mal
Solo ensaiado em seu ambiente natural
definidas
Medidas contínuas com a Condições de drenagem
Campo

profundidade (CPT, piezocone) desconhecidas


Maior volume de solo ensaiado Grau de amolgamento desconhecido
Geralmente mais rápido do que o Natureza do solo não identificada,
ensaio de laboratório exceto sondagem à percussão

(adaptado de ALMEIDA, 1996)

2.3 Instrumentacão Geotécnica

Existem duas categorias gerais de equipamentos utilizados na instrumentação de

obras geotécnicas. A primeira categoria é usada para a determinação in situ das

propriedades do solo ou da rocha, como resistência, compressibilidade, e permeabilidade,

normalmente utilizada na fase de projeto, conforme citado anteriormente (item 2.3). A

segunda categoria é utilizada para o monitoramento da obra e avaliação de seu

desempenho. Esta última é utilizada normalmente durante a fase de construção, podendo

ser útil, também, na fase operacional do empreendimento. Pode envolver a medição das

poropressões, deformações, carregamentos e tensões nas camadas de solo ou rocha

(DUNNICLIFF, 1998).

Os principais objetivos do monitoramento de um aterro sobre solos moles são: (i)

verificar as premissas de projeto; (ii) auxiliar o planejamento da obra, principalmente

43
relativo à sua segurança nas fases de carregamento e descarregamentos e (iii) garantir

integridade de obras vizinhas (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Para atingir esses objetivos, o projeto de instrumentação proposto deve atender aos

seguintes critérios: (i) Ter conhecimento da grandeza da medida que o instrumento

fornecerá e a faixa de variação esperada; (ii) As análises devem ser feitas logo após as

leituras, a fim de que haja tempo adequado para decisões com relação à obra; (iii) A

especificação técnica da instrumentação deve informar como os instrumentos serão

instalados, sua locação e profundidade, a periodicidade das leituras e de que forma as

medidas serão realizadas. Além disso, também deve ser informado o prazo para a

apresentação das análises, os valores de alerta e as decisões associadas a esses valores;

(iv) A locação dos instrumentos deve ser feita por coordenadas e altimetria. Eles devem

ser instalados, de preferência, próximos a locais onde foram realizadas sondagens e

demais ensaios (ALMEIDA e MARQUES, 2010).

As leituras podem ser feitas com base no uso de equipamentos mecânicos (leitura

é realizada pelo operador) ou equipamentos que se utilizam de sensores elétricos

associados à sistema de aquisição de dados (as medidas, em geral contínuas, são obtidas

por meio dos sensores elétricos, cujos valores são avaliados pelo operador). A primeira é

mais propicia para locais onde não é necessária a instalação de grande quantidade de

sensores. Já as leituras obtidas por instrumentos eletrônicos, são caracterizadas pela

rapidez com que as informações são obtidas, podendo-se fazer uma interpretação e análise

mais rápida e de forma contínua (VALLEJO et al., 2002).

A seguir, encontra-se um detalhe típico de instrumentação de aterro sobre solos

moles (Figura 8).

44
Figura 8 – Seção esquemática de um projeto de monitoramento sobre solos moles

(ALMEIDA e MARQUES, 2010)

Dunnicliff (1998) apresenta detalhadamente os diferentes tipos de instrumentação

geotécnica e suas respectivas recomendações. Nos itens a seguir serão apresentados os

tipos de instrumentação utilizados na obra estudada no presente trabalho ( Aplicação do

estudo – Capítulo 3):

2.3.1 Inclinômetro

O inclinômetro é o principal equipamento para medida de deslocamentos

horizontais através de sondas. As principais aplicações desse tipo de instrumentação

referem-se à determinação da região mobilizada no caso de possibilidade de ruptura

global, monitoramento de movimentos horizontais e monitoramento de deformações

dos muros, fundações estaqueadas sujeitas ao efeito de sobrecarga assimétrica em

superfície e outros (DUNNICLIFF, 1998).

O tubo guia do instrumento é instalado ao longo de uma vertical. Por ocasião das

leituras, o sensor (torpedo) é introduzido no tubo guia e é possível, após tratamento

dos dados, obter-se os deslocamentos horizontais, por meio da medida do desvio do

tubo com relação a vertical. Esse tubo inclinométrico (tubo guia) é instalado no solo

até uma camada indeslocável (Figura 9.A e Figura 10), possui ranhuras ao logo do

45
seu comprimento (Figura 9.B) e pode ser feito de material metálico ou de PVC. Já a

sonda (torpedo – Figura 9.C) é composta por rodas retráteis. Ao ser introduzida no

tubo guia as rodas garantem o alinhamento ao longo da sua passagem no interior do

tubo. Essas ranhuras também possuem a função de indicar a direção das leituras em

relação à obra (Figura 9.B). Nos casos de obras sobre solos moles, os tubos devem

ser instalados de forma que as ranhuras estejam perpendiculares ao pé do aterro, o

que garante que os maiores deslocamentos sejam lidos na mesma direção (AA),

conforme indicado na Figura 9.B. Independentemente disso, as leituras devem ser

realizadas também na direção perpendicular (BB) e caso julgue-se necessário,

calcula-se a resultante do vetor dos deslocamentos das direções AA e BB (ALMEIDA

e MARQUES, 2010).

Na Figura 9D são apresentados os desvios (na horizontal) acumulados medidos

(em relação à vertical) por uma sonda inclinométrica passando dentro do tubo, que

permitem o cálculo dos deslocamentos acumulados. As leituras são realizadas com

intervalos constantes (de 0,5 em 0,5 metros), em movimento ascendente.

46
Figura 9 – Detalhe esquemático de um inclinômetro: (A) e (B) tubo inclinométrico e

sonda inclinométrica; (C) sonda inclinométrica; (D) detalhe das leituras

(ALMEIDA e MARQUES, 2010)

Figura 10 – Fases de instalação do tubo guia de inclinômetro (GEORIO, 2000)

47
2.3.2 Piezômetros

As medidas de poropressões são realizadas por piezômetros dos mais diversos

tipos. O piezômetro mais utilizado em aterros sobre solos moles é o de Casagrande

(de ponta aberta – Figura 11.A). Localizado na ponta do piezômetro (profundidade de

instalação), há um filtro composto de um tubo em PVC perfurado envolto em geotêxtil

para minimizar a colmatação (ALMEIDA E MARQUES, 2010).

Já os piezômetros elétricos e os de corda vibrante (Figura 11.B), embora mais

onerosos, apresentam menor tempo de resposta do que o de Casagrande, visto que,

neste último, é necessário que o tubo piezométrico seja preenchido de água para

realizar a leitura. Além disso, permitem as medidas de poropressões negativas que

ocorrem no pré-carregamento por vácuo. Por outro lado, é possível realizar o ensaio

de permeabilidade in situ no piezômetro Casagrande, o que não ocorre com o elétrico

(ALMEIDA e MARQUES, 2010).

Figura 11 – Esquema de piezômetros: (A) Casagrande; (B) Elétrico ou de corda

vibrante (ALMEIDA e MARQUES, 2010)

48
2.3.3 Placa de recalque

As placas de recalque são os instrumentos mais simples que compõem um Projeto

de Instrumentação de aterro sobre solo mole e têm por objetivo possibilitar a medida dos

deslocamentos verticais. Elas são compostas por placas metálicas quadradas unidas a

hastes que possuem roscas nas pontas de modo que permitam o prolongamento do

conjunto de hastes de acordo com o alteamento do aterro (Figura 12). Para o

monitoramento das placas é necessário que haja uma referência indeslocável (benchmark)

nas proximidades para que seja usada pela equipe de topografia (ALMEIDA e

MARQUES, 2010).

As placas de recalque devem ser instaladas previamente ao lançamento do

material de aterro, para que não se perca nenhum registro de recalques dessa fase.

Para evitar danos nas placas, é utilizado um cercado de proteção rudimentar no

seu entorno, que é retirado durante ao alteamento do aterro. A função do cercado é manter

a integridade do equipamento visto que equipamentos de compactação estarão passando

constantemente nas proximidades. É recomendado utilizar o sapo mecânico para

compactacão do solo em torno da placa. Utiliza-se também, um tubo PVC (Figura 12)

que minimiza o atrito entre o solo do aterro e a haste.

A periodicidade das leituras depende do cronograma executivo do aterro e da

velocidade de lançamento de material. Geralmente são feitas leituras duas vezes por

semana, diminuindo-se a frequência de leituras para uma vez por semana após o término

de construção do aterro. Além disso, as placas podem ser utilizadas para auxiliar na

estimativa de volumes de terraplenagem, que não podem ser medidos por nivelamento

topográfico devido aos recalques ocorridos durante a execução do aterro (ALMEIDA e

MARQUES, 2010).

49
Figura 12 – Detalhe de uma placa de recalque (ALMEIDA e MARQUES, 2010)

2.5 Efeito de Sobrecarga Assimétrica em Estacas de Fundação

2.5.1 Introdução

Toda sobrecarga unilateral aplicada diretamente sobre o solo de fundação induz

pressões e deslocamentos no interior da massa de solo, tanto na direção vertical como na

horizontal.

No caso de haver estacas nas proximidades da área carregada, estas se constituirão

num impedimento à deformação do solo e, consequentemente, absorverão as cargas

provenientes desta restrição. As cargas atuantes nas estacas serão tão maiores quanto

maiores forem as limitações das deformações impostas pela presença das mesmas

(DANZIGER, 2016).

Exemplos de situação de sobrecarga unilateral em superfície aplicada próximo às

estacas (estacas adjacentes) são apresentados na Figura 13. Nesta figura, em (a) é

apresentado um armazém estaqueado perifericamente, em (b) um reservatório de líquido

estaqueado, também, perifericamente, em (c) uma estrutura de contenção estaqueada e

em (d) um encontro de ponte.

50
(a) (b)

(c) (d)

Figura 13 – Casos do efeito de sobrecarga assímetrica em estacas de fundação

(VELLOSO e LOPES, 2011)

Para a análise e determinação dos esforços de flexão que atuam sobre as estacas

deve-se distinguir duas situações distintas conforme o Quadro 5, a seguir:

Quadro 5 – Situações distintas para a análise dos esforços de flexão sobre estacas

Estacas cravadas em solos predominantemente arenosos, fofos


Deformações que ocorrem nesse caso devido à uma sobrecarga assimétrica
são pequenas. Com isso, as tensões de flexão agindo nas estacas podem ser
desprezadas, uma vez que são muito baixas.
Estacas cravadas em solos moles
O efeito da sobrecarga assimétrica em solos argilosos moles os tornam
susceptíveis ao adensamento. Dessa forma, haverão deslocamentos
horizontais que causarão efeitos consideráveis nas estacas.

(DANZIGER, 2016)

51
No segundo caso (estacas cravadas em solos moles), esses efeitos podem causar

danos graves às estacas, caso não tenham sido dimensionadas de modo a atender a estas

solicitações. Tendo em vista isso, é preferível e mais favorável executar a instalação das

estacas posteriormente a execução e compactação do aterro caso esse venha a causar um

carregamento assimétrico (DANZIGER, 2016).

É interessante notar que nestes casos, de acordo com Danziger (2016), como

primeira tentativa para minimizar o problema, é comum se estudar a viabilidade de se

afastar a causa ou diminuir ao máximo seus efeitos, conforme o Quadro 6:

Quadro 6 – Métodos utilizados para minimizar o efeito da sobrecarga assimétrica

Métodos
Remoção do trecho em argila mole (quando não muito espesso)

Pré-carregamento do aterro, com ou sem emprego de drenos para


acelerar os recalques, com consequente melhoria da resistência ao
cisalhamento do material de fundação. Esta solução é empregada
especialmente quando se deseja aumentar o fator de segurança à
ruptura global

Diminuição do valor da sobrecarga com utilização de material de


aterro com pequeno peso específico, ou seja, alta porosidade

Utilização de estacas que produzam pequenos deslocamentos


quando da sua cravação, como perfis metálicos e estacas tubulares,
de modo a reduzir o amolgamento e a indução de pressões neutras

Utilização de estacas com adequada resistência à flexão e orientadas


com o seu eixo de maior inércia normal à direção do movimento;

Encamisamento das estacas no trecho sujeito aos maiores


deslocamentos.

(DANZIGER, 2016)
Pode-se destacar os seguintes fatores que mais influenciam a distribuição de

pressões laterais que atuam sobre estacas: (i) Altura e peso específico do material de

aterro ou do material armazenado; (ii) Características da camada compressível; (iii)

52
Rigidez das estacas; (iv) Geometria do estaqueamento; (v)Distância das estacas à

sobrecarga; (vi) Interação das sucessivas linhas de estacas e o terreno; (vii) Tempo.

Considerando o último dos fatores acima, convém ressaltar que a situação

existente após a realização do aterro pode não ser necessariamente a pior. Ao longo do

tempo, embora haja um acréscimo de resistência devido ao adensamento, resultando

numa influência favorável, por outro lado, as deformações também aumentam, resultando

num fator desfavorável. Não é possível, portanto, prever de um modo geral, qual dessas

influências irá comandar o comportamento conjunto. É possível que a fundação seja

estável durante certo período de tempo e que, apenas depois de alguns meses ou anos,

haja sinais de ruína (DANZIGER, 2016).

De acordo com Velloso e Lopes (2011), Tschebotarioff, engenheiro civil russo,

foi o primeiro a descrever detalhadamente o efeito em profundidade de sobrecarga

assimétrica em superfície em 1962 e, por isso o mesmo é conhecido como “Efeito

Tschebotarioff”. No entanto, diversas pesquisas foram conduzidas sobre esse assunto

gerando diferentes critérios ou métodos de projeto, que foram desenvolvidos com base

nos resultados das instrumentações realizadas. No quadro (Quadro 7) a seguir, estão

enumeradas, em ordem cronológica, as diversas contribuições acerca desse efeito.

53
Quadro 7 – Contribuições científicas para o efeito da sobrecarga assimétrica

Contribuições
1 Testes realizados em Amsterdã (HEYMAN e BOERSMA, 1962)
2 Muros de arrimo em estacas (TSCHEBOTARIOFF, 1962)
3 Ensaios em modelo (WENZ, 1963)
4 Testes em Sidmar, Zelzate (PIEUX, 1963)
5 Testes no norte da Alemanha (LEUSSINK e WENZ, 1969)
6 Método de De Beer E Wallays (1969, 1972)
7 Registros coletados por Aoki (1970)
8 Pesquisa em Allamuchy, New Jersey (TSCHEBOTARIOFF, 1970)
9 Registros coletados por Marche E Lacroix (1972)
10 Método de Poulos
11 Método de Bigot, Bourges, Frank, Guegan
12 Registros coletados por Velloso e Grillo
13 Método de Ratton

Aoki (1970) evidenciou a presença de problemas em três pontes ao longo da BR-

101 Norte, onde os aterros unilaterais nos encontros das referidas pontes geraram grandes

solicitações de flexão nas estacas, as quais não haviam sido projetadas para este tipo de

solicitação, comprometendo sua utilização em serviço.

A magnitude da ação desse efeito na estaca depende de dois fatores: a posição

relativa da sobrecarga em relação às estacas e o efeito de “sombra” entre as mesmas.

O efeito “sombra” faz com que haja uma diminuição da intensidade do

carregamento horizontal, em profundidade, ao longo das estacas alinhadas com a direção

do carregamento. Desse modo, a pressão atuante (Ps) na segunda linha de estacas é

inferior à pressão que atua na primeira linha (Ph) conforme indicado na Figura 14, a

seguir:

54
Figura 14 – Efeito “sombra” (ALONSO, 1989)

O cálculo de Ps, indicado Figura 14, é feito com base nas equações apresentadas

a seguir e nas incógnitas presentes na Figura 14 :

𝐷 1 (9)
0 ≤𝑦 ≤ → 𝑃𝑠 = 𝑃𝑠(𝑚á𝑥.) = 𝑒 × 𝑃ℎ
2 1 + 2𝐷

𝐷 𝐷+𝑒 𝑦 − 𝐷⁄2 (10)


≤𝑦 ≤ → 𝑃𝑠 = 𝑃𝑠(𝑚á𝑥.) × (1 − 𝑒⁄ )
2 2 2

𝐷+𝑒 (11)
𝑦 ≥ → 𝑃𝑠 = 0
2

Polido, França e Nichio (2015) realizaram um estudo na Vila dos Atletas, no Rio

de Janeiro com o objetivo de analisar o comportamento de estacas pré-moldadas de

concreto submetidos a esforços laterais, decorrentes de sobrecarga assimétrica por meio

de aterro instrumentado. Os resultados evidenciaram o efeito “sombra” combinado com

o efeito de afastamento da borda do aterro no comportamento das estacas. As estacas da

55
segunda fileira apresentaram deflexões 40% menores do que as da primeira fileira, e as

estacas da terceira fileira cerca de 60% inferiores ao da primeira fileira.

2.5.2 Método de De Beer e Wallays ( 1969 e 1972)

Nesse trabalho será utilizado no caso de estudo (Capítulo 3) o Método de De Beer-

Wallays (1969 e 1972) para estimativa dos esforços horizontais em profundidade que

atuam nas estacas. Tal método empírico é bastante difundido na prática de engenharia e

considera a posição relativa da sobrecarga em relação às estacas e, também, o efeito de

“sombra” entre as mesmas.

Com base nos resultados das pesquisas procedidas em Amsterdã (HEYMAN e

BOERSMA, 1962) e no norte da Alemanha (LEUSSINK e WENZ, 1969) e visando a

previsão, com segurança, dos esforços de flexão atuantes nas estacas, aqueles autores

distinguiram dois casos: (i) Caso A: as tensões cisalhantes no solo são suficientemente

menores do que os valores de ruptura; (ii) Caso B: as tensões cisalhantes se aproximam

dos valores de ruptura.

2.5.2.1 Caso A: Método proposto para o caso em que as tensões

cisalhantes no solo são suficientemente menores do que os

valores de ruptura.

Quando a sobrecarga atuante é uniforme (Figura 15), a tensão horizontal Ph nas

estacas, na camada sujeita às deformações horizontais, é igual a sobrecarga atuante (q),

ou seja:

𝑃ℎ = 𝑞 (12)

56
Figura 15 – Tensão horizontal Ph nas estacas no caso de sobrecarga uniforme (DE

BEER e WALLAYS, 1969)

Quando a sobrecarga lateral é não uniforme, por exemplo, limitada por um

talude (Figura 16), utiliza-se um fator de redução f:

𝑃ℎ = 𝑓 × 𝑞 (13)

No qual:

𝛼 − 𝜑 ′ /2
𝑓= 𝜋 (14)

2 − 𝜑 /2

Na expressão anterior 𝛼 é o ângulo de um talude fictício, dado em radianos,

definido na Figura 16 e 𝜑′ é o ângulo de atrito efetivo do solo.

Na Figura 16, “h” é altura do aterro real, “hf” é a altura do aterro fictício e “γ” é

o peso específico do material de aterro. A altura do aterro fictício pode ser estimada de

acordo com a seguinte expressão:

ℎ× 𝛾
ℎ𝑓 = (15)
(18 𝐾𝑁/𝑚3 )

57
Figura 16 – Método de De Beer e Wallays (De Beer e Wallays, 1969)

Vale lembrar que o método proposto só é seguro quando existe uma ampla

margem de segurança contra a ruptura global. De Beer e Wallays (1972) ressaltam que

as análises dos dados das pesquisas realizadas por diversos autores descritas na

bibliografia indicam que este método só deve ser aplicado quando o fator de segurança

global, desprezando a presença das estacas for superior a 1,4 (ALONSO, 1989). Danziger

(2016) sugere, no entanto, a adoção de fator de segurança contra a ruptura global de 1,6.

De forma a possibilitar o cálculo dos momentos fletores, os autores propõem as

condições de contorno indicadas na Figura 17.

De Beer e Wallays (1972) ressaltam que o método semi-empírico proposto é

aproximado. Seu único objetivo é a obtenção de uma estimativa do valor máximo do

momento fletor. O método, segundo os autores, não sugere o estabelecimento da variação

do momento fletor ao longo da estaca. Portanto, por razão de segurança, as estacas devem

ser reforçadas ao longo de todo o seu comprimento para o máximo momento calculado.

58
Mmáx= (Ph x h2) / 8

Figura 17 – Método de De Beer e Wallays (De Beer e Wallays, 1969)

2.5.2.2 Caso B: Método proposto para o caso em que as tensões

cisalhantes no solo se aproximam dos valores de ruptura

No caso em que as tensões cisalhantes do solo se aproximam dos valores de

ruptura, o que acontece quando o fator de segurança de ruptura global é baixo, as estacas

estarão submetidas a um carregamento muito maior do que o indicado pelo método

indicado anteriormente.

Nessa situação, De Beer e Wallays (1972) e De Beer (1972) recomendam que o

carregamento horizontal máximo atuante na estaca seja calculado com base no trabalho

de Brinch Hansen (1961), considerando uma região de influencia para cada estaca três

vezes o seu diâmetro.

59
3 EXEMPLO PRÁTICO

3.1. Considerações iniciais

A aplicacão do estudo refere-se a contrução do empreendimento designado “Novo

Centro de Processamento Final de Vacinas”, localizado no Distrito Industrial de Santa

Cruz, no Rio de Janeiro (Figura 18). O objetivo do empreendimento é ampliar as ofertas

de vacinas e biofármacos para programas públicos de saúde no Brasil.

O presente trabalho trata especificamente das fases de terraplenagem e

estaqueamento da obra. Neste capítulo serão abordados os seguintes assuntos: (i) Ensaios

de caracterização geotécnica realizados; (ii) Soluções adotadas de obras sobre solos

moles; (iii) Tipos de instrumentação geotécnica adotados; (iv) Adicionalmente, será

avaliado o efeito em profundidade da sobrecarga assimétrica em estacas instaladas

adjacentes ao aterro, na referida obra (Prédio 18).

Com relação ao empreendimento, a área edificada prevista é de cerca de 220 mil

m2, a ser construída em um terreno de 570 mil m2 (Figura 18 e Figura 19) em Santa Cruz,

no Rio de Janeiro. Santa Cruz é um extenso e populoso bairro da zona oeste da cidade do

Rio de Janeiro. De acordo com dados do Censo Demográfico de 2010, a região tem uma

população estimada de 217 mil habitantes.

60
Figura 18 – Localização do empreendimento

Figura 19 – Vista aérea da localização do terreno do empreendimento

61
A fase inicial do empreendimento contempla dois contratos diferentes:

estaqueamento e terraplenagem. O contrato e serviços de estaqueamento foram iniciados

em 26/05/2015, tendo sido finalizados em 30/06/2017. Já a terraplenagem iniciou no dia

07/12/2015 e a finalização está prevista para 09/04/2018. A Tabela 6, a seguir, resume os

quantitativos executados para cada frente de serviço, até abril de 2017.

Tabela 6 – Quantitativo de serviços realizados na obra até Abril de 2017

Frente de Realizado até


Total da obra
serviço Abril/17 (%)
Estaqueamento 90.0% 6300 estacas
Terraplenagem
36.0% 1.500.000,00 m3
(Saibro)
Terraplenagem
35.0% 210.000 m3
(Areia)
Geodreno 25.0% 50.000 furos

O empreendimento contará com cerca de 50 edificações, incluindo áreas

administrativas, de produção, de qualidade e apoio. Foram previstas, também, a execução

de restaurante, auditório, salas de reunião e demais estruturas que incluem áreas de lazer

e conforto para os futuros funcionários.

Uma das principais premissas do projeto do complexo industrial, prevista desde a

concepção do projeto conceitual, é ser um empreendimento sustentável. Com isso, foram

consideradas diversas iniciativas a fim de reduzir os impactos ao meio ambiente, inclusive

durante a obra. Pode-se citar como exemplo, o reuso da água (Prédio de Reuso de Águas).

Além disso, cumpre salientar que os gestores do empreendimento pretendem obter

a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), desenvolvida

pela USGBC (organização United States Green Building Council) para edificações

consideradas sustentáveis.

62
Adicionalmente, para que a supressão vegetal fosse autorizada, foi determinado

pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) uma medida compensatória com

o plantio de 30 mil árvores. O plantio das referidas mudas já foi realizado no entorno do

empreendimento.

3.2 Caracterização Geotécnica

3.2.1 Sondagens à percussão

Ao todo, foram executados 233 furos de sondagem a percussão associadas ao SPT

ao longo de todo o terreno do empreendimento. A localização das sondagens se encontra

em anexo. A Figura 20 apresenta a localização de uma parte dos ensaios realizados.

Um exemplo de um boletim de ensaio da obra (SP-163), localizada conforme a

Figura 20, é apresentado em anexo.

De acordo com o ensaio SP-163, pode-se observar que o perfil estratigráfico é

composto por uma camada de 0,54m de aterro de conquista silto arenoso (da cota

+2,345m à cota +1,80m) sobrejacente à camada de 1,08m de espessura de argila arenosa

mole a muito mole (da cota +1,80m à +0,72m). Subjacente a esta última camada há

presença de camada de 2,90m de espessura de areia média fofa a pouco compacta, que

por sua vez é sobrejacente à camada de argila orgânica muito mole de 7,47m de espessura.

Abaixo da camada anterior há presença de camada de 10,57 m de espessura de material

arenoso medianamente compacto, até a profundidade de cerca de 23m abaixo do nível do

terreno. Na sequência observa-se camada de argila arenosa dura de 5,95m de espessura

sobrejacente à camada de areia grossa muito compacta de 3,93m de espessura. A

sondagem foi limitada à profundidade de 32,45m (cota de -30,10m) e o nível d’água foi

observado na cota de +1,43m.

63
Cumpre salientar que nas demais sondagens associadas ao SPT realizadas na área

do Prédio 18, a camada de argila orgânica muito mole variou de 7,47m (SP-163) a 11,62m

(SP-157) de espessura. Ainda na área destinada ao Prédio 18, a posição do nível d’água

variou de 0,66m (cota de 1,69m) a 0,92m (cota de 1,43m) abaixo do nível do terreno.

Em toda a obra a espessura máxima da camada mole foi de cerca de 14m e a

mínima de 2,44m.

Posteriormente, durante a cravação das estacas no prédio 18, verificou-se que a

profundidade de cravação atingida pelas estacas foi, em média, 35,00m. Como o prédio

18 encontra-se na cota +2,80m, a cota média atingida pelas estacas foi de -32,20m,

totalizando um embutimento de 35m.

64
100m

PRÉDIO 18

SP 163

Figura 20 – Localização da sondagem SPT 163 no prédio 18

65
3.2.2 Piezocone

Os ensaios de Piezocone e de Palheta foram realizados em locais próximos às

sondagens previamente realizadas a fim de criar ilhas de investigação, conforme

conceituado no item 2.3. A planta de localização desses ensaios se encontra em anexo.

Foram realizados 8 perfis de piezocone, totalizando 128,92 m de trecho ensaiado,

e 15 ensaios de dissipação. Os dados, incluindo coordenadas e profundidade atingida nos

ensaios, cota do topo do aterro e ch (coeficiente de adensamento horizontal) encontram-

se na Tabela 7, a seguir:

Tabela 7 – Dados e resultados obtidos - Ensaios de piezocone.

Coordenadas Profundidade
Profundidade
do ensaio de ch Cota
Sondagem dos ensaios
dissipação (m2/ano) (m)
(m)
(m)
Norte Leste
5,00 83.00
6,50 50.00
CPTU 17 7469879.37 630979.34 16,54 1,74
8,0 15.00
9,5 21.00
CPTU 52 7469873.99 631140.55 17,94 9,0 12.00 1,89
CPTU 84 7469797.92 631325.76 16,04 9,0 8.00 2,17
CPTU 95 7469.848.22 631443.72 15,66 6,0 17.00 2,11
10,0 15.00
CPTU 163 7469780.07 630928.45 17,16 2,35
11,5 52.00
CPTU 176 7469752.13 631011.42 14,8 9,0 38.00 1,87
7,0 64.00
CPTU 195 7469588.59 631106.59 15,64 2,39
12,0 46.00
4,0 5.00
CPTU 210 7469575.99 631324.32 15,14 6,0 6.00 1,97
9,0 27.00

66
A nomenclatura (CPTU 17) significa que o referido ensaio de Piezocone foi

realizado no mesmo ponto em que a sondagem à percussão SP-17 foi executada,

conforme apresentado na planta em anexo. As figuras apresentadas a seguir (Figura 21,

Figura 22, Figura 23 e Figura 24) ilustram alguns aspectos relativos aos ensaios

realizados. Os dados obtidos nos ensaios de dissipação e piezocone são apresentados em

forma de gráficos conforme anexo.

Figura 21 – Câmara para saturação da pedra porosa do piezocone (BERTIN, 2014)

Figura 22 – Hastes e sondas do piezocone (BERTIN, 2014)

67
Figura 23 – Detalhe da cravação da sonda do piezocone (BERTIN, 2014)

Figura 24 – Cravação do equipamento no solo para a realização do ensaio (BERTIN,


2014)

A Figura 25 apresenta os resultados dos ensaios de dissipação de piezocone (a) e

em (b) a comparação dos valores obtidos na obra estudada com valores de referência de

ensaios de dissipação para argilas brasileiras de acordo com ORTIGÃO (2007).

68
(a)

(b)

Figura 25 – Em (a) Resultados dos ensaios de dissipação de piezocone e em (b) Valores

de referência de ensaios de dissipação para argilas brasileiras de acordo com Ortigão

(2007)

69
Os dados dos ensaios de piezocone e de dissipação foram analisados, do ponto de

vista geotécnico, tendo sido obtidas as seguintes conclusões, conforme o Quadro 8, a

seguir:

Quadro 8 – Conclusões acerca dos dados obtidos pelos ensaios de piezocone

Conclusões
Com exceção dos ensaios CPTU 163 e CPTU 176 todos os ensaios
1
apresentam perfis geotécnicos bastante similares.

 perfil geotécnico da área do empreendimento pode ser resumido na


2
seguinte sequência:

Camada superficial de argila orgânica (turfa), com espessura média de


2a
2m;

2b Argila mole até 11m de profundidade;


2c Camada de areia siltosa até 16 m de profundidade.

Os CPTU’s 163 e 176 indicam uma camada de areia siltosa, que se


estende até 5m de profundidade, em seguida uma camada de argila
3
mole até 13m de profundidade e por final, uma camada de areia siltosa
até o final dos ensaios (17 metros).

Os valores do parâmetro de poropressão Bq são da ordem de 0,6 na


4
argila e muito baixos nas lentes de areia ou camadas mais arenosas.

Os dados obtidos nos ensaios de dissipação, expostos na tabela 10,


apresentam valores de ch (coeficiente de adensamento horizontal)
5 com pouca variação (mesma ordem de grandeza), entre 5 a 83
m2/ano. Esses valores são característicos de uma argila com
permeabilidade muito baixa.

70
3.2.3 Ensaio de Palheta (Vane Test)

Os ensaios foram executados em 8 verticais, no total de 43 ensaios de palheta. Os

dados obtidos, incluindo coordenadas, profundidade dos ensaios, Su (resistência ao

cisalhamento na condição não-drenada de carregamento), Sua (resistência não-drenada

amolgada), St (sensibilidade da argila) encontram-se na Tabela 8.

A nomenclatura (VANE 1 / SP 17) significa que o referido ensaio de Palheta foi

realizado em local próximo à sondagem à percussão SPT-17, conforme apresentado na

planta de locação de sondagens em anexo. A Figura 26(A) ilustra o posicionamento das

patolas do equipamento utilizado como reação na realização dos ensaios. Já a Figura

26(B) apresenta um dos ensaios sendo executado. Os valores de Su e Sua foram estimados

através do uso da equação 5 (item 2.3.3), sendo o diâmetro (D) da palheta igual a 63mm.

Para o cálculo da sensibilidade da argila (St) foi utilizada a equação 6 (item 2.3.3).

(A) (B)

Figura 26 – (A) Posicionamento das patolas do equipamento para execução do ensaio;

(B) Cravação da palheta do solo (BERTIN, 2014)

71
Tabela 8 – Dados dos ensaios de palheta: Su = Resisência não-drenada; Sua =
Resistência não-drenada amolgada; St = Sensibilidade da argila

Coordenadas Profundidade
Su Sua Cota
Sondagem dos ensaios (KPa) (KPa) St
(m)
(m)
Norte Leste
5,0 17.50 4.00 4.38
6,0 22.00 5.50 4.00
VANE 1 / 7,0 21.50 4.50 4.78
7469879.37 630979.34 1,74
SP 17 8,0 24.00 5.00 4.80
9,0 22.50 5.50 4.09
10,0 22.50 5.20 4.33
3,0 22.00 5.00 4.40
4,0 12.20 3.50 3.49
5,0 12.20 2.20 5.55
VANE 2 / 6,0 14.50 3.50 4.14
7469873.99 631140.55 1,89
SP 52 7,0 17.00 3.90 4.36
8,0 16.50 4.20 3.93
9,0 22.50 8.00 2.81
10,0 21.50 6.50 3.31
3,0 32.00 5.00 6.40
VANE 3 /
7469797.92 631325.76 4,0 16.00 2.50 6.40 2,17
SP 84
5,0 17.00 4.50 3.78
3,0 16.00 3.00 5.33
VANE 4 / 4,0 22.00 3.50 6.29
7469.848.222 631443.72 2,11
SP 95 5,0 23.00 3.50 6.57
6,0 22.00 4.80 4.58
8,0 28.00 7.00 4.00
VANE 5 / 9,0 33.00 7.00 4.71
7469780.07 630928.45 2,35
SP 163 10,0 26.00 8.00 3.25
11,0 30.20 4.80 6.29
7,0 32.00 5.50 5.82
VANE 6 / 8,0 32.50 6.50 5.00
7469752.13 631011.42 1,87
SP 176 10,0 32.50 5.50 5.91
11,0 35.20 6.00 5.87
4,0 13.60 2.00 6.80
5,0 20.00 5.00 4.00
6,0 25.50 5.20 4.90
VANE 7 / 7,0 24.00 5.00 4.80
7469588.59 631106.59 2,39
SP 195 8,0 22.00 4.50 4.89
9,0 27.50 4.50 6.11
10,0 26.50 6.00 4.42
11,0 39.00 12.50 3.12
6,0 61.00 9.00 6.78
VANE 8 / 7,0 23.00 5.00 4.60
7469575.99 631324.32 1,97
SP 210 8,0 23.00 5.80 3.97
9,0 28.50 5.50 5.18

72
Os valores de St, nos ensaios de palheta, variaram de 2,81 até 6,80, sendo

coerentes com os valores típicos para as argilas brasileiras (faixa de 1 a 8), conforme

conceituado no item 2.3.3 do presente trabalho.

Para a definição do perfil de resistência não drenada de projeto (Perfil de Projeto)

adotado no empreendimento foram sintetizados todos os dados obtidos nos ensaios de

palheta de acordo com a Figura 27.

Com isso, foi possível definir o seguinte critério para a definição do perfil de Su,

conforme a Tabela 9, a seguir :

Tabela 9 – Perfil de resistência não-drenada

Profundidade Perfil de Su
< 3 metros Su = 10kPa
> 3 metros Su = 10 + 1,67 × (z-3); z = profundidade (m), Su (KPa)

Figura 27 – Síntese dos dados obtidos para Su e Sua (ORTIGÃO,2016)

73
3.2.4 Ensaios de Laboratório

A Tabela 10, a seguir, resume os resultados obtidos nos ensaios de laboratório:

Tabela 10 – Resumo dos resultados obtidos nos ensaios de laboratório

Valor Desvio
Propriedade Símbolo Unidade
Médio Padrão
Limite de Liquidez LL % 50 0,71
Limite de Plasticidade LP % 29 4,95
Índice de Plasticidade IP % 21 4,24
Umidade w % 72 1,41
Teor de argila (%< 60µm) % 53 5,66
Peso específico γ kN/m3 15,2 0,71
Coef. de compressão Cc 0,71 0,22
Índice de vazios e0 1,76 0,08
Razão de compressão CR % 24 6,62

(adaptada de Ortigão, 2016)

A Figura 28 ilustra os perfis de LL, LP e teor de umidade (w) bem como o perfil

de peso específico (γ). Já a Figura 29 apresenta resultados dos ensaios oedométricos (σ’vm

= tensão de sobreadensamento; σ’vo = tensão vertical efetiva in situ). Convém dizer que

os ensaios apresentaram bastante dispersão em toda a camada, por isso a equipe de

geotecnia prefere estimar os assentamentos de acordo com os dados obtidos nos ensaio

de piezocone.

74
Figura 28 – Perfil de LL, LP e w e perfil de peso específico (γ) – Complexo de

Vacinas - Santa Cruz, RJ (ORTIGÃO,2016).

Figura 29 – Perfil de σ’vm, eo e CR – Complexo de Vacinas - Santa Cruz, RJ

(ORTIGÃO, 2016).

Foram executados 6 ensaios de permeabilidade com carga variável com o objetivo

de estimar o coeficiente de permeabilidade (K) da camada de solo argiloso. Os resultados

dos ensaios encontram-se na Tabela 11, a seguir.

Tabela 11 – Resultado dos ensaios de permeabilidade

Localização Profundidade (m) K (10-7 × cm/s)

SP 17 6,0 1,2

SP 52 6,0 5,1

SP 84 7,0 3,4

SP 176 7,0 3,1

SP 195 9,0 3,0

SP 210 9,0 3,7

Os ensaios foram realizados de acordo com a NBR14545 (ABNT, 2000),

utilizando-se o permeâmetro de parede flexível pelo método A de acordo com a

NBR14545. Nesse método, é utilizada a contrapressão, o que assegura uma efetiva

75
saturação do corpo de prova, e, portanto o seu uso é o mais recomendável, uma vez que

o coeficiente de permeabilidade decresce com o aumento da quantidade de ar presente no

material.

As argilas moles são constituídas, predominantemente por argilo-minerais que

possuem um coeficiente de permeabilidade muito baixo, na ordem de grandeza entre

10-7 a 10-8 cm/s, coerente aos valores encontrados na Tabela 11.

3.3 Soluções geotécnicas adotadas na obra

Com base nas investigações geotécnicas realizadas, foi possível elaborar uma

planta de isoespessuras de camadas de solo mole (Figura 30) (DE-3-000-C-10603, 2016).

100m

Figura 30 – Planta de isoespessura da camada de solo mole (DE-3-000-C-10603-R0,

2016).

No projeto de terraplenagem tomou-se como premissa a divisão da área total do

terreno, cerca de 570 mil m2, em 38 áreas de tratamento diferentes denominadas AT-01

76
a AT-38, conforme a Tabela 12. Posteriormente, a área AT-13 foi dividida em duas

regiões AT-13A e AT-13B.

Tabela 12 – Características das regiões – AT (áreas de tratamento)


REGIÃO ÁREA (m2) AT20 12445.97
AT1 36726.98 AT21 627.61
AT2 9801.63 AT22 1065.84
AT3 10467.08 AT23 6643.16
AT4 18829.18 AT24 7584.43
AT5 8813.78 AT25 10250.01
AT6 12493.16 AT26 7327.87
AT7 9712.19 AT27 4611.86
AT8 15612.37 AT28 34812.54
AT9 14158.11 AT29 54429.41
AT10 13739.41 AT30 3282.98
AT11 6599.46 AT31 9276.21
AT12 11965.2 AT32 9539.2
AT13B 10531.47
AT33 19513.71
AT13A 17442.51
AT34 18727.43
AT14 2641.45
AT35 8205.24
AT15 3391.18
AT36 32132.6
AT16 7165.63
AT37 20040.88
AT17 3173.11
AT38 60293.72
AT18 2834.64
AT19 2230.87 TOTAL 539140.08

Assim, a concepção do projeto de terraplenagem baseou-se na configuração

arquitetônica apresentada no desenho (Figura 32), de acordo com o projeto DE-3-000-C-

10608, (lay-out fornecido pelo cliente). Essa configuração apresenta um eixo longitudinal

em cota elevada para garantir escoamento/drenagem (indicado na Figura 32) na cota

+5,30m. A partir deste eixo, o terrapleno segue com declividade de 0,2% para as laterais

(norte e sul) do terreno.

Cumpre salientar que no projeto foi prevista a execução de aterro de conquista, com

objetivo de complementar a topografia até a cota +3,0m. Este aterro foi executado com

espessura média de 1m, tendo atingido a espessura máxima de 2m e a mínima de 0,50m

em determinados trechos.

77
Sem escala

Figura 31 – Áreas de tratamento

78
Eixo longitudinal na cota +5,30

Eixo longitudinal na cota +5,30

Aterro de fechamento

100m

Edificações futuras As setas indicam a direção e sentido


da declividade do terreno de 0,2% –
Direção Norte e Sul do terreno

Figura 32 – Lay-out do terreno da obra

79
3.3.1 Sobrecarga Temporária

No Projeto de Terraplenagem, foram previstas sobrecargas temporárias de aterro

com alturas variando de 0,80m até 1,40m, conforme apresentado na Figura 33, em função

das condições geológico-geotécnicas e definidas de acordo com as áreas AT-01 a AT-38

(Figura 31).

100m

Figura 33 – Espessurras das camadas de sobrecarga temporária (DE-3-000-C-10622-R0,

2016)

Nas áreas AT-01, AT-02, AT-03 e na área futura (área destinada às edificações

futuras) não foi previsto o uso de drenos fibro-químicos. Nesses locais a camada de

colchão drenante é de 0,40 metros conforme detalhado no projeto DE-3-000-C-10625-

R1, ilustrado na Figura 34, a seguir. Nas áreas nas quais foi previsto o uso de geodrenos,

considerou-se camada de colchão drenante é de 0,50 metros de espessura.

80
100m

Figura 34 – Espessuras de camada de colchão drenante (DE-3-000-C-10625-R1, 2016)

3.3.2 Geodrenos verticais associados a sobrecargas temporárias

Para as demais áreas, adotou-se a solução de sobrecarga temporária associada a

inclusão de geodrenos através da camada de argila mole presente no subsolo local

conforme projeto DE-3-000-C-10623. A Figura 35, a seguir, apresenta as regiões em que

se utilizou geodrenos. Nesses locais, foi adotada uma camada de colchão drenante de

areia de 0,50 metros (Figura 36).

100m

Figura 35 – Localização dos drenos e tempo de espera para estabilização de recalque

(DE-3-000-C-10623, 2016)

81
Camada Geodreno instalado
(B) drenante (malha quadrangular
(0,50m de de 2x2m)
espessura)
(A)

Figura 36 – Malha de geodrenos e camada de colchão drenante: (A) Equipamento de

pré-furo; (B) Equipamento de cravação de geodreno (O AUTOR, 2017)

O local registrado na figura anterior (Figura 36) está indicado pelo círculo

vermelho na Figura 37, abaixo.

Sem escala

Figura 37 – Localização em planta do trecho fotografado (O AUTOR, 2017)

82
A malha de geodrenos foi dimensionada com um espaçamento de 2,0 x 2,0m

(malha quadrada) e foi estimado um tempo para estabilização dos recalques de 8 a 13

meses, após a conclusão da terraplenagem (aterro convencional + sobrecarga temporária),

conforme exposto na Figura 35 e no projeto, DE-3-000-C-10623, em anexo.

Após o alteamento do terreno até a cota final da sobrecarga temporária (máxima

de +6,40), será dada continuidade às leituras das placas de recalque, que servirão como

base para a estimativa do tempo total de estabilização dos recalques. Com isso, poderá

ser feita uma estimativa mais precisa de quando a sobrecarga deverá ser retirada.

Nas áreas onde não está prevista a construção de edificação no curto prazo (área

futura e AT-01, AT-02 e AT-03), não foi prevista a inclusão de geodrenos. Foi estimado

um tempo de espera de 3 a 4 anos após a conclusão dos serviços de terraplenagem (aterro

convencional + sobrecarga temporária).

Para efeito de estudo, a área da obra foi dividida em 5 subáreas, conforme a Figura

38, a seguir:

Sem escala

Figura 38 – Divisão do terreno da obra em subáreas

83
A instalação de geodrenos foi feita majoritariamente pelo método estático (áreas

A, B e C) e também pelo método vibratório (área D). O primeiro requer a execução de

um pré-furo que foi realizado por uma escavadeira adaptada com uma broca na ponta da

mesma, como visto na Figura 39.

O método estático consiste no posicionamento do dreno no interior de uma haste

metálica vazada vertical, chamada de mandril (Figura 40). Em seguida o geodreno é

conectado a uma âncora (sapata de cravação), que é perdida após a instalação do geodreno

(Figura 40 e Figura 42). O equipamento de cravação está ilustrado na Figura 42 e na

Figura 44.

Figura 39 – Máquina de pré-furo (escavadeira adaptada)

84
Figura 40 – Detalhe da sapata no mandril Figura 41 – Sapata de ancoragem

Figura 42 – Cravação pelo método estático Figura 43 – Máquina de cravação

85
No projeto, as profundidades de cravação dos geodrenos variam entre 13 e 17

metros e os pré-furos variam de 3 a 5 metros, de acordo com a resistência das primeiras

camadas de solo. Nessa obra, uma única máquina conseguiu cravar uma média de 150

furos em uma jornada de 8 horas, levando em conta os problemas mecânicos no

equipamento, que são, em geral, frequentes, dependendo das condições do terreno. Com

isso, conclui-se que a produtividade de uma máquina varia entre 2000 a 2500 metros por

dia, considerando a variação da profundidade do furo. Houve dias de pico de

produtividade em que uma máquina conseguiu executar 300 furos, no entanto, ao longo

da execução dos serviços, a máquina diminuiu a produtividade média devido ao tempo

parado para manutenção da mesma.

A cravação pelo método vibratório (Figura 44) precisou ser avaliada pela equipe

geotécnica de modo que se tivesse certeza que esse método atendesse plenamente aos

requisitos de projeto. Foram analisados os dados das placas de recalque da área D (PR16,

PR-17, PR-24, PR-27, PR-51, PR-52, PR-53 e PR-54) e concluiu-se que o

comportamento observado ao longo dos 8 meses de monitoramento foi compatível com

as premissas de projeto no que diz respeito à evolução dos recalques.

(A)

(B)

Figura 44 – (A) Máquina de cravação (B) Execução do geodreno pelo método vibratório

86
Os estudos foram realizados a partir da interpretação das leituras das placas de

recalque considerando a extrapolação dos resultados pelo método ASAOKA (1978) e

também publicações internacionais como, por exemplo, SAYE (2001) nas quais são

apresentados casos de obras que utilizaram o método vibratório.

Com isso, liberou-se a cravação pelo método vibratório, desde que fosse utilizado

um mandril com área transversal máxima de 72 cm2 (60mm x 120mm), para minimizar

amolgamento do solo. Os comprimentos de cravação dos geodrenos (Lmín) atenderam os

seguintes valores mínimos: (i) Área A23: Lmín = 15m; (ii) Área A24: Lmín = 14m; (iii)

Área A25 e A26: Lmín = 16m; (iv) Área A27: Lmín = 18m.

Esses comprimentos foram estimados a partir da avaliação das sondagens

realizadas no local e foi considerado sempre o pior caso (maior espessura de argila mole).

Com isso, garante-se que o geodreno atravesse toda a camada de solo mole.

O equipamento utilizado no método vibratório é semelhante ao utilizado no

método estático. No entanto, a vibração da máquina permite que o mandril penetre com

mais facilidade no solo, não sendo necessária a execução do pré-furo. Com isso, a

produtividade tende a aumentar, embora a variação da mesma tenha sido significativa na

obra estudada em função de problemas no equipamento.

3.3.3 Berma de equilíbrio

A berma de equilibrio foi disposta de acordo com a Figura 45. As bermas possuem

taludes com declividade de 1:2, conforme ilustrado nas fotos a seguir (Figura 46 e Figura

47) e largura de 30m.

A localização da berma de equilíbrio está hachurada em vermelho na Figura 45.

Na mesma figura a seta em preto indica local (direção e sentido) em que foram realizadas

as fotos apresentadas a seguir (Figura 46 e Figura 47).

87
100m

Figura 45 – Localização da berma de equilíbrio ( O AUTOR, 2017)

30m

Figura 46 – Berma de equilíbrio; declividade do talude de 1,0V:2,0H (O AUTOR,

2017)

88
Figura 47 – Berma de equilíbrio (O AUTOR, 2017)

3.4 Instrumentação

3.4.1 Locação da instrumentação geotécnica

Para o monitoramento da obra de aterros sobre solos moles foram instaladas

placas de recalque, piezômetros e inclinômetros. Ao todo foram especificados 12

piezômetros (4 colunas diferentes com 3 instrumentos em cada), 4 inclinômetros e 84

placas de recalque espalhadas pelo terreno da obra.

As placas de recalque foram dispostas no terreno da obra de acordo com a Figura

48 e a planta de localização dos inclinômetros e piezômetros encontra-se na Figura 49.

89
100m

Figura 48 – Disposicão das placas de recalque (adaptada de DE-3-000-C-10627-R2, 2016)

90
Sem escala

Figura 49 – Localização dos piezômetros e inclinômetros

91
Ao final de abril de 2017, já haviam sido instalados os seguintes instrumentos

(Tabela 13):

Tabela 13 – Quantitativo de instrumentos instalados até o final de abril de 2017

Quatitativo Quantitativo Instalado


Instrumento
previsto instalado (%)
Placas de Recalque 84 42 56
Piezômetros 12 12 100
Inclinômetros 4 4 100

Inicialmente, foram efetuadas as leituras “zero” de todos os intrumentos. Durante

a construção do aterro as leituras de todos os instrumentos devem ser executadas duas

vezes por semana. Quando não houver alteamento do aterro, deve ser feita apenas uma

leitura semanal.

O inclinômetro e piezômetros (em três profundidades) foram instalados na região

do prédio 18 de acordo com o projeto (Figura 50) e a Figura 51.

Piezômetro

Tubo guia do
inclinômetro

Figura 50 – Seção transversal da instalação do tubo guia do inclinômetro (IN) e dos

piezomêtros (PE-A, PE-B e PE-C) (DE-3-000-C-10628-R1, 2016)

92
Figura 51 – Piezômetro e inclinômetro na região do prédio 18 (O AUTOR, 2017)

A seguir encontram-se as imagens relativas às fases de instalação e de medição

dos piezômetros e dos inclinômetros (Figura 52, Figura 53, Figura 54, Figura 55 e Figura

56):

(A) (B)

Figura 52 – (A)Instalacão do tubo guia do inclinômetro; (B) Tubo guia instalado

93
Figura 53 – Medição do inclinômetro Figura 55 – Leitura de dados do

piezômetro elétrico

Figura 54 – Colocação do inclinômetro Figura 56 – Leitura de dados do

no tubo guia piezômetro

94
3.4.2 Apresentação dos dados: Placas de recalque

Os dados obtidos com base nas placas de recalque são apresentados em forma de

curvas do tipo recalque versus tempo (ou data) como exemplificado, para as placas de

recalque PR-08 e PR-10, na Figura 57 e Figura 58. As placas de recalque PR-08 e PR-10

situam-se próximas ao Prédio 18 (administração), conforme Figura 59. A Placa PR-09,

prevista para ser instalada na parte central do Prédio 18, até 31 de julho de 2017 ainda

não havia sido instalada.

Figura 57 – Dados obtidos - PR-08 (31/05/2016 a 16/05/2017) (RIBEIRO, 2017)

95
Figura 58 – Dados obtidos - PR-10 (31/05/2016 a 16/05/2017) (RIBEIRO, 2017)

100m

Figura 59 – Localização das placas de recalque (PR-08, PR-09 e PR-10) (DE-3-000-C-

10627-R2, 2016)

96
3.4.3 Apresentação dos dados: Piezômetros

A seguir são apresentados os resultados obtidos (poropressão em kPa versus

tempo em meses) com base nos piezômetros instalados, em 3 profundidades dinstintas,

na região do prédio 18 (Figura 60, Figura 61, Figura 62) (PZ-01).

Figura 60 – Curvas poropressões (kPa) versus tempo (meses) - (profundidade =

13,45m) (RIBEIRO, 2017)

97
Figura 61 – Gráfico obtido após leitura de dados do piezômetro (profundidade =

10,45m) (RIBEIRO, 2017)

98
Figura 62 – Gráfico obtido após leitura de dados do piezômetro (profundidade = 7,45m)

(RIBEIRO, 2017)

3.4.4 Apresentação dos dados: Inclinômetros

A localização do inclinômetro IN-1 (prédio 18) e a posição relativa dos seus eixos

(“A+” e “B+”) é ilustrada na Figura 63. Os dados obtidos com base em leituras, realizadas

de fevereiro a abril de 2017 encontram-se na Figura 64.

99
100m

Figura 63 – Localização do tubo guia do inclinômetro (IN-01) e a posição dos eixos B+

e A+ (RIBEIRO, 2017)

100
Figura 64 – Curvas de Deslocamento Incremental e Acumulado versus Profundidade - Inclinômetro IN-01 (RIBEIRO, 2017)

101
3.5 Efeito de Sobrecarga Assimétrica em Estacas de

Fundação

3.5.1 Contextualização e análise prévia

Um dos objetivos do presente trabalho, além de apresentar a caracterização

geotécnica, as soluções de obras sobre solos moles e a instrumentação adotada na obra

do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde, é, para o caso específico do prédio

18 (Figura 65), avaliar o efeito de sobrecarga assimétrica na superfície do terreno (“Efeito

Tschebotarioff”) nas estacas próximas ao referido aterro.

Cumpre ressaltar que, posteriormente, esta análise foi estendida para todos os

demais prédios da obra, os quais foram avaliados pela equipe de geotecnia da obra.

Sem escala

Figura 65 – Localização do prédio 18 no terreno da obra (O AUTOR, 2017)

Durante a fase de terraplenagem e de execução das fundações em estacas cravadas

(finalizadas em 30/06/2017), que ocorreram simultaneamente, foram executadas 6.300

102
estacas metálicas com os seguintes tipos de perfis (Tabela 14) fabricados pela empresa

GERDAU. O sistema de eixos adotado na Tabela 14 está ilustrado na Figura 66.

Tabela 14 – Características geométricas e estruturais dos perfis metálicos

σadm E d bf A’s Ix Wx Iy Wy
Perfil
(kgf/cm2) (MPa) (mm) (mm) (cm2) (cm4) (cm3) (cm4) (cm3)
W250x38,5 262 147 38,8 6057 462 594 81
W310x52,0 317 167 54,3 11909 751 1026 123
2221 200000
HP310x79,0 299 306 82,3 16316 1091 5258 344
HP310x125,0 312 312 140,9 27076 1736 8823 566

Onde (de acordo com a Figura 66):

σadm = tensão admissível;

E = módulo de Elasticidade;

d = altura da seção transversal do perfil;

bf = largura da mesa do perfil;

A’s = área útil da seção transversal do perfil (reduzido da camada de corrosão);

Ix = momento de inércia no eixo X-X da seção transversal da estaca;

Wx = módulo resistente no eixo X-X da seção transversal da estaca;

Iy = momento de inércia no eixo Y-Y da seção transversal da estaca;

Wy = módulo resistente no eixo Y-Y da seção transversal da estaca.

Figura 66 – Sistema de eixos utilizados

103
De acordo com o relatório intitulado: “Análise de deslocamento de estacas –

Predio 18” elaborado pela executora no início de 2017, bem como pela nota técnica GEO-

740-CT-057-R01 de 8 de março de 2017 elaborada pela equipe de geotecnia,

inicialmente, os Projetos Executivos de Terraplenagem e de Fundações foram definidos

considerando-se como premissa de cálculo a seguinte ordem cronológica para a execução

das obras do complexo (Quadro 9):

Quadro 9 – Sequência executiva da obra previamente planejada

Etapas executivas


Conclusão das obras de Terraplenagem
Adensamento do solo mole
Início das obras de fundações.

No entanto, com o objetivo de manter o prazo requerido para execução da obra,

evitando atrasos na entrega do empreendimento, o cliente optou por alterar o cronograma

proposto em projeto, sugerindo a seguinte sequência de execução (Quadro 10):

Quadro 10 – Sequência executiva escolhida pelo cliente

Etapas executivas

↓ Início das obras de fundações / início das obras de terraplenagem


Adensamento do solo mole

Considerando essa decisão do cliente, foi necessária a avaliação das possíveis

consequências provenientes das diferentes cotas de aterro do projeto, que resultam em

um fenômeno chamado “Efeito Tschebotarioff”, decorrente dos carregamentos

assimétricos na superfície do terreno, visto que houve inversão da sequência executiva.

Este aspecto foi tratado no item 2.5 da revisão bibliográfica do presente trabalho.

Com isso, fez-se necessária uma nova análise para verificar se os esforços

adicionais (decorrentes do carregamento assimétrico) seriam aceitáveis para as estacas

104
previamente dimensionadas. Essa análise foi feita para todos os outros prédios do

complexo e resultou em relatórios individuais para cada um desses prédios.

Neste trabalho é utilizado o caso específico do prédio 18 como exemplo para

estudo do “Efeito Tschebotarioff” e suas implicações. Algumas soluções propostas são

apresentadas.

Para efeito de cálculo, adotou-se a seção típica indicada na Figura 67, que conta

com camada superficial de 2m de aterro de conquista, seguido de no máximo 14m de

argila mole (situação crítica). Considerou-se o alteamento da cota +3,00m até a cota

+5,20m (aterro convencional ou básico), seguido de aterro de sobrecarga temporária com

altura de 1,20m (até a cota de +6,40m). Adicionalmente, adotou-se a atuação de

sobrecarga adicional q=10kPa em uma faixa de 10,0m de largura, de forma a simular a

presença de equipamentos no trecho próximo à crista do talude. A Tabela 15 resume os

parâmetros geotécnicos utilizados.

11 Área em que as estacas 11


10 10
9 Q= 10kPa foram executadas 9
8 8
7 7
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1
Elevação

0 0
-1 -1
-2 -2
-3 -3
-4 -4
-5 -5
-6 -6
-7 -7
-8 -8
-9 -9
-10 -10
-11 -11
-12 -12
-13 -13
-14 -14
-20 -19 -18 -17 -16 -15 -14 -13 -12 -11 -10 -9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45

Distância

Figura 67 – Seção transversal considerada na análise de estabilidade de talude –

Saída gráfica do software Slope-W (LIMA, 2017)

105
Tabela 15 – Parâmetros utilizados na análise de estabilidade global
nat c'
Material Cor ' Su (kPa)
(kN/m³) (kPa)
Aterro compactado (básico) 18 28° 15 ---
Aterro compactado (sobrecarga) 18 28° 15 ---
Aterro lançado (pré-existente) 18 25° 10 ---
Argila orgânica (sedimentos marinhos) –
até 3m 15 - --- 13
(considerado ganho de resistência – ver a seguir)
Argila orgânica (sedimentos marinhos) –
13 + 1,67*(z-
após 3m 15 - ---
3)
(considerado ganho de resistência – ver a seguir)
Solo de fundação 20 30° 20 ---

(LIMA, 2017)

Para a camada de argila de argila orgânica foi necessário considerar o processo de

adensamento na modelagem. Com isso, de acordo com LIMA (2017), foi estimado um

ganho de resistência não drenada (Su) de (ΔSu/Δσ’) = 0,22.

Considerando que os ensaios de palheta (Vane-test) foram realizados em Março

de 2014, estimou-se um ganho de resistência de pelo menos 3kPa, equivalente a um aterro

de conquista com altura mínima de 1,0m e grau de adensamento de U=75% ao longo de

2 anos a 3 anos, para os níveis de tensões aplicadas pelo aterro de conquista.

O resultado da análise de estabilidade está indicado na Figura 68, que apresenta a

superfície crítica de ruptura com fator de segurança de 1,51. Portanto, para as condições

de carregamento e premissas supracitadas, o método empírico de De Beer é representativo

para estimativa do “Efeito de Tschebotarioff” (FS  1,40), conforme dito no item 2.5.3.1

desse trabalho. A situação real em obra é exibida na Figura 69.

106
1.512

11 11
10 10
9 9
8 8
7 7
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1
Elevação

0 0
-1 -1
-2 -2
-3 -3
-4 -4
-5 -5
-6 -6
-7 -7
-8 -8
-9 -9
-10 -10
-11 -11
-12 -12
-13 -13
-14 -14
-20 -19 -18 -17 -16 -15 -14 -13 -12 -11 -10 -9 -8 -7 -6 -5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45

Distância

Figura 68 – Resultado da análise de estabilidade do talude com superfície crítica de

ruptura (LIMA, 2017)

Figura 69 – Situação real no talude adjacente ao prédio 18 (O AUTOR, 2017)

107
Para análise do efeito da sobrecarga assimétrica, a região do prédio 18 foi separada

em 6 áreas com cores diferentes (verde, amarela, azul, vermelha, rosa e laranja) conforme

exposto no projeto (GEO-740-15-005-04) anexado nesse trabalho e, também, na Figura

70. Considerando-se o fato de que os esforços horizontais são reduzidos conforme as

estacas vão se distanciando da sobrecarga assimétrica e devido ao efeito de “sombra”

(item 2.5.1) liberou-se inicialmente a cravação dos perfis localizados nas regiões centrais

dos prédios, denominadas de “Área Verde” e “Área Amarela”.

Para as estacas localizadas nas regiões periféricas dos prédios denominadas “Área

Azul”, “Área Vermelha” e “Área Rosa” foram realizados estudos criteriosos para as

estacas submetidas ao efeito de Tschebotarioff. Nessa análise, que será abordada no item

a seguir, foi utilizado o método de De Beer e Wallays (1969 e 1972), conceituado no item

2.5.2.

108
Figura 70 – Planta do prédio 18 com divisão de áreas feita pela consultora geotécnica (GEO-740-15-005-04, 2016)

109
3.5.2 Exemplo prático da análise pelo método de De Beer e

Wallays (1969 e 1972)

Inicialmente, a equipe de geotecnia analisou diferentes métodos para análise do

efeito de sobrecarga assimétrica em estacas de fundação. Com essa análise, concluiu-se

que o método de De Beer e Wallays (1969 e 1972), conceituado no item 2.5.2, se

adequava ao caso estudado.

Adicionalmente, para a estimativa dos momentos fletores na estaca, admitiu-se

que a mesma seja birrotulada (condição crítica). Para o caso de camadas compressíveis

espessas (Figura 71), os autores (De Beer e Wallays) consideram que as deformações não

ocorrem em toda a profundidade de camada mole. Com isso, limita-se a profundidade de

atuação de Ph àquela em que a pressão efetiva do solo (antes do lançamento do aterro)

nesse ponto seja igual à sobrecarga aplicada no nível do aterro (q=Δσ). Adicionalmente,

para o cálculo dos momentos, recomenda-se que o trecho de estaca abaixo da

profundidade 5.zd (sendo zd igual a profunidade de atuação da carga Ph), conforme Figura

71, seja desconsiderada, quando esta profundidade ainda de situar dentro da camada

compressível.

A partir do cálculo dos momentos fletores nas estacas, deve-se então fazer a

verificação estrutural dos perfis metálicos para condição de flexo-compressão, a partir da

seguinte equação:

𝑁 𝑀𝑥 𝑀𝑦
𝜎𝑚á𝑥. = + +
𝐴′𝑠 𝑊𝑥 𝑊𝑦
(16)

Onde:

σmáx. = tensão atuante no perfil;

110
N = carga axial;

A’s = área útil da seção transversal do perfil (reduzido da camada de corrosão);

De acordo com sistema de eixos da Figura 66:

Ix = momento de inércia no eixo X-X da seção transversal da estaca;

Wx = módulo resistente no eixo X-X da seção transversal da estaca;

Iy = momento de inércia no eixo Y-Y da seção transversal da estaca;

Wy = módulo resistente no eixo Y-Y da seção transversal da estaca.

A tensão máxima (σmáx.) atuando no perfil deverá ser inferior à tensão admissível

do material (aço) do perfil metálico da estaca analisada:

𝑘𝑔𝑓⁄
𝜎𝑚á𝑥. ≤ 2121 𝑐𝑚2
(17)

Figura 71 – Teoria de De Beer e Wallys (De Beer e Wallays, 1969)

Como exemplo da aplicação desse método, foi feita a análise para a fundação

(bloco de coroamento com 4 estacas) de um pilar específico do prédio 18 (pilar I-7,

conforme a Figura 70). O desenvolvimento do raciocínio encontra-se no Apêndice A.

111
A análise foi feita para dois tipos de perfil (W310x52,0 e HP310x125,0),

conforme as características presentes no Quadro 11, a seguir:

Quadro 11 – Características das estacas, aterro de conquista e camada de argila mole

utilizados para a análise do efeito de sobrecarga assimétrica

Características das estacas


W310x52,0 HP310x125,0
D = 0,317m D = 0,312m
A’s = 54,3 cm2 A’s = 140,9 cm2
Wx = 751 cm3 Wx = 1736 cm3
Wy = 123 cm3 Wy = 566 cm3
Características do aterro de conquista existente
Espessura = 1,7m
γaterro = 18KN/m3
Características da camada de argila mole
Espessura = 10m
γargila = 15KN/m3
ϕ’ = 10

O momento máximo atuante na estaca é o mesmo independentemente do tipo de

perfil. De acordo com o Apêndice A, foi encontrado um momento máximo igual a

803000cm.kgf.

Primeiramente, fez-se a análise para o perfil W310x52,0. Nesse caso, foi feita a

verificação para o eixo de menor inércia (Eixo Y- situação mais desfavorável - My =

803000cm.kgf; Wy = 123cm3) e o momento no eixo X é considerado inexistente. De

acordo com o projeto de estruturas, o perfil metálico foi projetado para receber uma carga

de compressão, N = 35tf = 35000kgf. Logo, pela equação 16:

𝑁 𝑀𝑥 𝑀𝑦
𝜎𝑚á𝑥. = + +
𝐴′𝑠 𝑊𝑥 𝑊𝑦

35000𝑘𝑔𝑓 803000𝑐𝑚. 𝑘𝑔𝑓


𝜎𝑚á𝑥. = +
54,3𝑐𝑚2 123𝑐𝑚3

Pela Equação 17:

112
𝑘𝑔𝑓⁄ 𝑘𝑔𝑓⁄
𝜎𝑚á𝑥. = 7173 𝑐𝑚2 > 2121 𝑐𝑚2

Com isso, a tensão de compressão atuante na estaca (7173 kgf/cm2) é maior que a

tensão máxima admissível do aço (2121 kgf/cm2). Logo, conclui-se que essa estaca não

atende às solicitações atuantes, não apresentando segurança quanto à sua integridade.

Deste modo, a alteração do perfil adotado deve ser feita. Como o momento

máximo atuante na estaca não muda de acordo com o perfil, a análise foi feita de maneira

análoga à anterior. Foi feita a verificação para o eixo de menor inércia (Eixo Y- situação

mais desfavorável - My = 803000cm.kgf; Wy = 566cm3) e o momento no eixo X é

considerado inexistente. De acordo com o projeto de estruturas, o perfil metálico foi

projetado para receber uma carga de compressão, N = 35tf = 35000kgf. Logo, pela

equação 16:

𝑁 𝑀𝑥 𝑀𝑦
𝜎𝑚á𝑥. = + +
𝐴′𝑠 𝑊𝑥 𝑊𝑦

35000𝑘𝑔𝑓 803000𝑐𝑚. 𝑘𝑔𝑓


𝜎𝑚á𝑥. = +
140,9𝑐𝑚2 566𝑐𝑚3

Pela Equação 17:

𝑘𝑔𝑓⁄ 𝑘𝑔𝑓⁄
𝜎𝑚á𝑥. = 1667 𝑐𝑚2 < 2121 𝑐𝑚2

Com isso, a tensão de compressão atuante na estaca (1667 kgf/cm2) é menor que

a tensão máxima admissível do aço (2121 kgf/cm2). Logo, conclui-se que essa estaca

atende às solicitações atuantes.

Deste modo, a alteração do perfil adotado (W310x52) para o perfil HP310x125,0

deve ser feita no pilar analisado (I-7) para que a estaca atenda às especificações de projeto

e apresente segurança quanto à sua integridade.

113
3.5.3 Extensão da análise para as demais estacas do prédio 18

O método aplicado no item 3.5.2, para as estacas do pilar I-7, foi replicado para

as demais estacas instaladas nas regiões indicadas pelas cores “Rosa”, “Vermelho” e

“Azul”, conforme a Figura 70. Estas regiões periféricas encontram-se mais próximas do

aterro (sobrecarga unilateral), sendo, portanto, consideradas áreas críticas.

Essa análise obteve as seguintes soluções: (i) As estacas indicadas nas áreas

vermelhas (Figura 70) estão liberadas para cravação desde que os perfis sejam

rotacionados em 90o; (ii) As estacas indicadas nas áreas indicadas pela cor rosa (Figura

70) estão liberadas para cravação, desde que os perfis sejam substituídos conforme

indicado no Quadro 12, a seguir.

Quadro 12 – Soluções propostas para o prédio 18

RESUMO DOS RESULTADOS


Pilar Estacas Solução Recomendada
A.9-1 E1 a E2A Rotacionar em 90º as 4 estacas HP310x79,0
G.-1 E24 e E25 Substituir 2 estacas HP310x79,0 por 2 estacas HP310x125,0
E160A a
I-7 Substituir 4 estacas W310x52 por 4 estacas HP310x125,0
E162
- E202 a E203 Rotacionar em 90 as 2 estacas HP310x79,0
J-7 E207 a E213 Substituir 4 estacas HP310x79,0 por 4 estacas HP310x125,0
- E211 a E213 Rotacionar em 90 as 3 estacas HP310x79,0
E259A a
A-8C Substituir 4 estacas HP310x79,0 por 4 estacas HP310x125,0
E261
G9-8C E289 a E290 Substituir 2 estacas HP310x79,0 por 2 estacas HP310x125,0

3.5.4 Análise do Efeito “Sombra”

O efeito “sombra” faz com que haja uma diminuição da intensidade do

carregamento horizontal, em profundidade, ao longo das estacas alinhadas com a direção

do carregamento. Desse modo, a pressão atuante (Ps) na segunda linha de estacas é

inferior à pressão que atua na primeira linha (Ph) conforme indicado na Figura 72.

114
Inicialmente, a análise do efeito “sombra” foi realizada para todos os tipos de

perfis metálicos. No entanto, chegou-se a conclusão que a diferença era pouca entre os

perfis e tomou-se a decisão de fazer apenas para os extremos, como por exemplo o perfil

W250x38,5 e o perfil HP310x125, sendo este último no prédio 18.

A verificação do efeito “sombra” (Figura 72) foi feita para a segunda, terceira e

quarta fileira de estacas, a partir da primeira linha (mais próxima ao talude). Vale ressaltar

que no item anterior estimou-se Ph de 28,76 kN/m2, no entanto, adotou-se Ph de 2,7 tf/m2.

Figura 72 – Efeito “sombra” (ALONSO, 1989)

115
2ª linha de estacas
1ª linha de estacas

Figura 73 – Linhas de estacas avaliadas

O cálculo de Ps, indicado na Figura 72, é feito com base nas equações apresentadas

no item 2.5.1 e reproduzidas a seguir. O desenvolvimento do raciocínio encontra-se no

Apêndice B.

𝐷 1
0 ≤𝑦 ≤ → 𝑃𝑠 = 𝑃𝑠(𝑚á𝑥.) = 𝑒 × 𝑃ℎ
2 1 + 2𝐷

𝐷 𝐷+𝑒 𝑦 − 𝐷⁄2
≤𝑦 ≤ → 𝑃𝑠 = 𝑃𝑠(𝑚á𝑥.) × (1 − 𝑒 )
2 2 ⁄2

𝐷+𝑒
𝑦 ≥ → 𝑃𝑠 = 0
2

Os resultados obtidos encontram-se resumidos na Tabela 16 e na Tabela 17, a

seguir.

116
PERFIL W250x38,5
Parâmetros D = 0,147m e = 1,00m
a
Ph = 2,7 tf/m2 1 a linha
Entre a 1
linha e 2a linha Ps(max.) = 0,61 tf/m2 2a linha
Equivalente a 22,7% da carga da 1 a linha

a
Ph = 0,61 tf/m2 2a linha
Entre a 2
linha e 3a linha Ps(max.) = 0,14 tf/m2 3a linha
Equivalente a 5,2% da carga da 1a linha
a
Ph = 0,14 tf/m2 3a linha
Entre a 3
linha e 4a linha Ps(max.) = 0,03 tf/m2 4a linha
Equivalente a 1,2% da carga da 1a linha

Tabela 16 – Efeito “sombra” para o perfil W250x38,5

PERFIL HP 310x125
Parâmetros D = 0,312m e = 1,00m
a
Ph = 2,7 tf/m2 1 a linha
Entre a 1 linha
e 2a linha Ps(max.) = 1,04 tf/m2 2a linha
Equivalente a 38,4% da carga da 1 a linha

a
Ph = 1,04 tf/m2 2a linha
Entre a 2 linha
e 3a linha Ps(max.) = 0,40 tf/m2 3a linha
Equivalente a 14,8% da carga da 1 a linha
a
Ph = 0,40 tf/m2 3a linha
Entre a 3 linha
e 4a linha Ps(max.) = 0,15 tf/m2 4a linha
Equivalente a 5,7% da carga da 1 a linha

Tabela 17 – Efeito “sombra” para o perfil HP310x125

117
3.6 Resultados e conclusões

3.6.1 Caracterização geotécnica

Ao todo, foram executados 233 furos de sondagem a percussão associadas ao SPT

ao longo de todo o terreno do empreendimento. Em toda a obra a espessura máxima da

camada mole foi de cerca de 14m e a mínima de 2,44m.

Foram realizados 8 perfis de ensaio de piezocone, totalizando 128,92 m de trecho

ensaiado, e 15 ensaios de dissipação. Com exceção dos ensaios CPTU 163 e CPTU 176

todos os ensaios apresentaram perfis geotécnicos bastante similares. O perfil geotécnico

da área do empreendimento pode ser resumido na seguinte sequência: (i) Camada

superficial de argila orgânica (turfa), com espessura média de 2m; (ii) Argila mole até

11m de profundidade e (iii) Camada de areia siltosa até 16 m de profundidade.

Os CPTU’s 163 e 176 indicaram uma camada de areia siltosa, que se estende até

5m de profundidade, em seguida uma camada de argila mole até 13m de profundidade e

por final, uma camada de areia siltosa até o final dos ensaios (17 metros).

Os dados obtidos nos ensaios de dissipação apresentaram valores de ch

(coeficiente de adensamento horizontal) com pouca variação, entre 5 a 83 m2/ano. Esses

valores são característicos de uma argila com permeabilidade muito baixa.

Os ensaios de palheta foram executados em 8 verticais, no total de 43 ensaios em

profundidades distintas. A partir dos dados obitdos nesses ensaios, foi possível definir o

seguinte critério para a definição do perfil de Su: (i) Profundidade < 3m: Su = 10kPa; (ii)

Profundidade > 3m: Su = 10 + 1,67 × (z-3); z = profundidade (m), Su (KPa).

Os valores de St, nos ensaios de palheta, variaram de 2,81 até 6,80, sendo

coerentes com os valores típicos para as argilas brasileiras (faixa de 1 a 8), conforme

conceituado no item 2.3.3 do presente trabalho.

118
3.6.2 Soluções de obras sobre solos moles

As soluções adotadas foram: (i) aterro convencional com sobrecarga temporária,

(ii) aterro convencional com sobrecarga temporária associada ao uso de geodrenos e (iii)

aterro convencional com sobrecarga temporária associada ao uso berma de equilíbrio.

Nas áreas onde não havia a necessidade de acelerar os recalques (AT-01, AT-02,

AT-03 e na área futura), uma vez que não existe previsão para a construção de edificações,

não foi previsto o uso de geodrenos, sendo exclusivo o uso de sobrecarga temporária.

Nessas áreas a camada de colchão drenante foi de 0,40 metros.

Nas demais áreas onde foi previsto o uso de geodrenos (malha quadrangular de

2m x 2m) associado a sobrecarga temporária, considerou-se camada de colchão drenante

é de 0,50 metros de espessura.

A berma de equilíbrio foi projetada para aumentar o fator de segurança global à

ruptura uma vez que o aterro adjacente subiu rapidamente para a cota +5,20. A berma

possue taludes com declividade de 1:2 e largura de 30m.

3.6.3 Comparação entre os dois métodos de cravação de

geodrenos ( estático e vibratório)

A instalação de geodrenos foi feita majoritariamente pelo método estático e

também pelo método vibratório.

O primeiro requer a execução de um pré-furo uma vez que a máquina em si não

consegue perfurar as primeiras camadas de solo que são mais resistentes e melhor

compactadas.

Nessa obra, a produtividade de uma única máquina do método estático foi de uma

média de 150 furos por jornada de 8 horas trabalho, levando em conta os problemas

mecânicos no equipamento. Com isso, conclui-se que a produtividade de uma máquina

variou entre 2000 a 2500 metros por dia. Houve dias de pico de produtividade em que

119
uma máquina conseguiu executar 300 furos, no entanto, ao longo da execução dos

serviços, a máquina diminuiu a produtividade média devido ao tempo parado para

manutenção da mesma.

O método vibratório não necessita da execução do pré-furo, uma vez que o

equipamento vibratório consegue perfurar facilmente as primeiras camadas de solo mais

resistentes o que aumenta a produtividade do equipamento. Além disso, o equipamento

vibratório garante que a profundidade prevista em projeto do geodreno seja atingida uma

vez que o método estático interrompe sua cravação quando seu equipamento não tem

mais capacidade de penetração no solo. No entanto, o método vibratório deve ser

estudado devido ao amolgamento do solo.

3.6.4 Instrumentação geotécnica

Para o monitoramento da obra de aterros sobre solos moles foram instaladas

placas de recalque, piezômetros e inclinômetros. Ao todo foram especificados 12

piezômetros (4 colunas diferentes com 3 instrumentos em cada), 4 inclinômetros e 84

placas de recalque espalhadas pelo terreno da obra.

Os dados obtidos pelas placas de recalque foram utlizados para estimar o tempo

de estabilização dos recalques através do método de ASAOKA (1978) e os dados obtidos

pelos inclinômetros foram utilizados para avaliar deslocamentos horizontais que possam

afetar as estacas próximas.

3.6.5 Efeito de sobrecarga assimétrica em estacas de fundação

Inicialmente, o Projeto Executivo da obra iria seguir a seguinte ordem

cronológica:

 Conclusão das obras de Terraplenagem → Adensamento do solo mole → Início

das obras de fundações.

120
No entanto, com o objetivo de evitar atrasos na entrega da obra mantendo o prazo

requerido, o cliente optou pela seguinte sequência executiva:

 Início das obras de fundações / início das obras de terraplenagem → adensamento

do solo mole.

O método de De Beer e Wallays (1969 e 1972) foi aplicado para todas as estacas

nas regiões consideradas como críticas do prédio 18 e resultou em modificações nas

posições dos perfis (rotação de 90o em torno do eixo do perfil) e no tamanhos dos perfis

(de W310x52,0 para HP310x125). Com isso, garantiu-se que as estacas atenderiam com

segurança às solicitações atuantes (verticais e horizontais).

3.6.6 Efeito “sombra” nas estacas de fundação

Finalmente, foi feita a análise do efeito “sombra”, conforme conceituado no item

2.5.2. Essa análise foi realizada inicialmente para todos os tipos de perfis metálicos. No

entanto, chegou-se a conclusão que a diferença era pouca entre os perfis e tomou-se a

decisão de fazer apenas para os extremos, como por exemplo o perfil W250x38,5 e o

perfil HP310x125.

Essa análise concluiu que as cargas transmitidas para cada perfil são:

 W250x38,5:

2a linha – 22,7% da carga da 1a linha;

3a linha – 5,2% da carga da 1a linha;

4a linha – 1,2% da carga da 1a linha.

 HP310x125:

2a linha – 38,4% da carga da 1a linha;

3a linha – 14,8% da carga da 1a linha;

4a linha – 5,7% da carga da 1a linha.

121
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
PARA TRABALHOS FUTUROS

Solos moles são caracterizados geralmente como solos argilosos saturados, com

baixíssima resistência ao cisalhamento, baixa permeabilidade e alta compressibilidade.

Esse tipo de solo é bastante recorrente ao longo da costa brasileira. Além disso, as regiões

de solos competentes, com boa capacidade de suporte, estão cada vez menos disponíveis,

principalmente em áreas de grande ocupação urbana como no Estado do Rio de Janeiro.

No caso de obras sobre solos moles, surgem incertezas sobre o comportamento

real da obra devido à variabilidade do perfil geotécnico e às dificuldades na previsão

acurada da dissipação do excesso de poro-pressão como também dos deslocamentos que

ocorrem na camada de argila.

Com isso, o presente trabalho destacou, através de um exemplo prático, a

importância da obtenção correta dos parâmetros geotécnicos de modo que se possa prever

adequadamente o comportamento de uma obra de aterro sobre solos moles. Tais

parâmetros foram estimados através de investigações geotécnicas (preliminares e

complementares).

Além disso, a realização da investigação geotécnica em verticais próximas umas

das outras (ilhas de investigação), permite uma visão e análise conjunta dos ensaios de

campo e laboratório. Isso possibilita a complementação dos dados obtidos nos ensaios de

campo e laboratório tendo em vista um melhor entendimento do comportamento

geotécnico do solo, e também avaliar a coerência nos resultados dos diferentes ensaios.

Posteriormente a fase de projeto, faz-se necessário o monitoramento da obra

através do uso de instrumentação geotécnica (placas de recalque, piezômetros e

inclinômetros), com o objetivo de buscar maior segurança. Durante a fase de projeto,

pode não ser possível identificar a heterogeneidade das camadas e, ao mesmo tempo, há

122
dificuldade na determinação do coeficiente de adensamento vertical de projeto. Com isso,

o monitoramento permite a verificação dos critérios de projeto e a proposição de

eventuais ajustes.

Os dados obtidos nas leituras dos instrumentos são essenciais para avaliação do

desempenho da obra e, mais especificamente, da previsão do tempo de estabilização dos

recalques. Esse último é utilizado para avaliar o tempo de retirada da sobrecarga

temporária nas diferentes áreas.

Adicionalmente, no caso de obra sobre solos moles, deve-se ficar atento às

particulades que podem gerar efeitos negativos na qualidade e desempenho da obra. Uma

dessas particularidades é o efeito de sobrecarga assimétrica (conceituado no item 2.5

deste trabalho), conhecido como “Efeito Tschebotarioff” responsável por gerar

deslocamentos e pressões horizontais no interior da massa de solo. Na hipótese da

presença de estacas de fundação próximas a essa sobrecarga assimétrica, é de suma

importância avaliar os esforços horizontais atuando nessas estacas. Para isso, existem

diversos métodos e contribuições científicas, conforme exposto no item 2.5.1

Por fim, o autor recomenda como tema para trabalhos futuros, uma análise técnica

profunda acerca do método vibratório de cravação de geodrenos. Esse método tem

potencial para atingir uma produtividade maior que o método estático, no entanto deve

ser estudado para cada situação diferente, devido ao amolgamento do solo.

123
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Apêndice A

Verificação da fundação do pilar I-7 pelo método de De Beer-

Wallays(1972)

130
- Características da estaca (W310x52,0)

d = 0,317 m

A’s = 54,3 cm2

Wx = 751 cm3

Wy = 123 cm3

- Características do aterro de conquista existente

Espessura = 1,7 m

γaterro = 18 kN/m3

- Características da argila mole

Espessura = 10 m

γargila = 15 kN/m3

ϕ’ = 10o

- Características do aterro convencional e de sobrecarga temporária (Figura 74)

Figura 74 – Características do aterro de sobrecarga

γ = 18 kN/m3;

Distância entre a estaca e o pé do aterro = 1,0m;

Comprimento do talude = 6,8 e inclinação do talude = 1:2;

Cota de implantação do topo do aterro de conquista: +3,00m (topo do bloco das estacas);

131
Altura média do aterro convencional = 2,20m (cota +5,20m);

Altura média de aterro de sobrecarga = 1,20m (cota +6,40m);

Altura do talude = 6,40m – 3,00m = 3,40m

Carregamento (tensão):

𝑞 = ∆𝜎 = 3,4 × 𝛾𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜 = 3,4𝑚 × 18 𝐾𝑁⁄𝑚3

𝑞 = ∆𝜎 = 61,2 𝐾𝑁⁄𝑚2 (18)

De acordo com a equação 14:

3,4𝑚 × 18 𝐾𝑁/𝑚3
ℎ𝑓 =
(18 𝐾𝑁/𝑚3 )

ℎ𝑓 = 3,4 𝑚 (altura fictícia do aterro)

Por trigonometria:

3,40𝑚
α = tan−1
1,00𝑚 + 6,80𝑚

α = 23,6°

- Cálculo de Ph, tensão horizontal

Usando a equação 14:

𝛼 − 𝜑 ′ /2 23,6° − 10°/2
𝑓= 𝜋 => 𝑓 = 𝜋

2 − 𝜑 /2 2 − 10°/2

𝑓 = 0,219

Adotando-se um fator de segurança de 2,15:

𝑓 = 0,219 × 2,15 = 0,470

Finalmente, chega-se à:

𝑃ℎ = 𝑓 × ∆𝜎

𝑃ℎ = 0,470 × 61,2 𝐾𝑁⁄𝑚2

𝑃ℎ = 28,76 𝐾𝑁⁄𝑚2

132
Para o cálculo da carga distribuída atuando no perfil metálico (qdistribuída), foi utilizada a

equação 19, a seguir:

𝑞𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢í𝑑𝑎 = 𝑃ℎ × 𝑑 (19)

𝑞𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢í𝑑𝑎 = 28,76 𝐾𝑁⁄𝑚2 × 0,317𝑚

𝑞𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢í𝑑𝑎 = 9,1 𝐾𝑁⁄𝑚

sendo d = 0,317mm a espessura do perfil adotado, conforme Tabela 14.

- Cálculo de Zd

Tensão efetiva no ponto A da Figura 75 (limite de atuação da carga Ph), antes da

aplicação da sobrecarga, deve ser igual à variação de tensão provocada pela aplicação da

sobrecarga, (q=Δσ), calculada na equacão 18. Levou-se em consideracão o N.A no início

da camada compressível e um aterro de conquista existente de 1,7m de espessura,

conforme a Figura 75.

𝜎𝐴 = 1,7𝑚 × 𝛾𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡. − 𝑍𝑑 × 𝛾á𝑔𝑢𝑎 + 𝑍𝑑 × 𝛾𝑎𝑟𝑔𝑖𝑙𝑎.

𝜎𝐴 = 1,7𝑚 × 18𝐾𝑁/𝑚3 − 𝑍𝑑 × 10 𝐾𝑁/𝑚3 + 𝑍𝑑 × 15𝐾𝑁/𝑚3

𝜎𝐴 = 30,6 + 5 × 𝑍𝑑

𝐶𝑜𝑚𝑜 𝑞 = ∆𝜎 = 61,2 𝐾𝑁⁄𝑚2 = 𝜎𝐴 = 30,6 + 5 × 𝑍𝑑

=> 𝑍𝑑 = 6,12𝑚

Figura 75 – Posição do ponto “A” e definição de Zd

133
- Cálculo dos momentos atuantes na estaca

A estaca foi considerada como bi-apoiada com a configuração simplificada,

conforme a Figura 76. Em seguida, foi utilizado o programa “ftool” para o cálculo do

momento máximo, utilizando os dados de Zd, Ph e qdistribuída, de acordo com a Figura 77.

Figura 76 – Configuração adotada para a estaca no programa “ftool”

Figura 77 – Momento máximo na estaca

𝑀𝑚á𝑥. = 80,3 𝐾𝑁. 𝑚 = 803000 𝑐𝑚. 𝑘𝑔𝑓

- Verificação à flexo-compressão do perfil metálico

Nesse caso, foi feita a verificação para o eixo de menor inércia (Eixo Y- situação

mais desfavorável - My = 803000cm.kgf; Wy = 123cm3) e o momento no eixo X é

134
considerado inexistente. De acordo com o projeto de estruturas, o perfil metálico foi

projetado para receber uma carga de compressão, N = 35tf = 35000kgf. Logo, pela

equação 16:

𝑁 𝑀𝑥 𝑀𝑦
𝜎𝑚á𝑥. = + +
𝐴′𝑠 𝑊𝑥 𝑊𝑦

35000𝑘𝑔𝑓 803000𝑐𝑚. 𝑘𝑔𝑓


𝜎𝑚á𝑥. = +
54,3𝑐𝑚2 123𝑐𝑚3

Pela Equação 17:

𝑘𝑔𝑓⁄ 𝑘𝑔𝑓⁄
𝜎𝑚á𝑥. = 7173 𝑐𝑚 2 > 2121 𝑐𝑚2

Com isso, a tensão de compressão atuante na estaca (7173 kgf/cm2) é maior que

a tensão máxima admissível do aço (2121 kgf/cm2). Logo, conclui-se que essa estaca não

atende às solicitações atuantes, não apresentando segurança quanto à sua integridade.

Deste modo, a alteração do perfil adotado deve ser feita. Esta modificação será

apresentada no anexo B (Verificação da fundação do pilar I-7 com o novo perfil de estaca

adotado – HP310x125,0), visto que o perfil original (W310x52) não atende aos critérios

de projeto. Os resultados obtidos para esta fundação e para as demais estacas serão

apresentados no próximo item.

- Características da estaca (HP310x125,0)

d = 0,312 m

A’s = 140,9 cm2

Wx = 1736 cm3

Wy = 566 cm3

- Características do aterro de conquista existente

Espessura = 1,7 m

γaterro = 18 kN/m3

135
- Características da argila mole

Espessura = 10 m

γargila = 15 kN/m3

ϕ’ = 10o

- Características do aterro convencional e de sobrecarga temporária (Figura 78)

Figura 78 – Características do aterro de sobrecarga


γ = 18 kN/m3;

Distância entre a estaca e o pé do aterro = 1,0m;

Comprimento do talude = 6,8 e inclinação do talude = 1:2;

Cota de implantação do topo do aterro de conquista: +3,00m (topo do bloco das estacas);

Altura média do aterro convencional = 2,20m (cota +5,20m);

Altura média de aterro de sobrecarga = 1,20m (cota +6,40m);

Altura do talude = 6,40m – 3,00m = 3,40m

Carregamento (tensão):

𝑞 = ∆𝜎 = 3,4 × 𝛾𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜 = 3,4𝑚 × 18 𝐾𝑁⁄𝑚3

𝑞 = ∆𝜎 = 61,2 𝐾𝑁⁄𝑚2

De acordo com a equação 14:

3,4𝑚 × 18 𝐾𝑁/𝑚3
ℎ𝑓 =
(18 𝐾𝑁/𝑚3 )

ℎ𝑓 = 3,4 𝑚 (altura fictícia do aterro)

136
Por trigonometria:

3,40𝑚
α = tan−1
1,00𝑚 + 6,80𝑚

α = 23,6°

- Cálculo de Ph, tensão horizontal

Usando a equação 13:

𝛼 − 𝜑 ′ /2 23,6° − 10°/2
𝑓= 𝜋 => 𝑓 = 𝜋

2 − 𝜑 /2 2 − 10°/2

𝑓 = 0,219

Adotando-se um fator de segurança de 2,15:

𝑓 = 0,219 × 2,15 = 0,470

Finalmente, chega-se à:

𝑃ℎ = 𝑓 × ∆𝜎

𝑃ℎ = 0,470 × 61,2 𝐾𝑁⁄𝑚2

𝑃ℎ = 28,76 𝐾𝑁⁄𝑚2

Para o cálculo da carga distribuída atuando no perfil metálico (qdistribuída), foi utilizada a

equação 18, a seguir:

𝑞𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢í𝑑𝑎 = 𝑃ℎ × 𝑑 (18)

𝑞𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢í𝑑𝑎 = 28,76 𝐾𝑁⁄𝑚2 × 0,312𝑚

𝑞𝑑𝑖𝑠𝑡𝑟𝑖𝑏𝑢í𝑑𝑎 = 9,0 𝐾𝑁⁄𝑚

sendo d = 0,312mm a espessura do perfil adotado, conforme Tabela 14.

- Cálculo de Zd

137
Tensão efetiva no ponto A da Figura 75 (limite de atuação da carga Ph), antes da

aplicação da sobrecarga, deve ser igual à variação de tensão provocada pela aplicação da

sobrecarga, (q=Δσ), calculada na equacão 17. Levou-se em consideracão o N.A no início

da camada compressível e um aterro de conquista existente de 1,7m de espessura,

conforme a Figura 75.

𝜎𝐴 = 1,7𝑚 × 𝛾𝑎𝑡𝑒𝑟𝑟𝑜 𝑒𝑥𝑖𝑠𝑡. − 𝑍𝑑 × 𝛾á𝑔𝑢𝑎 + 𝑍𝑑 × 𝛾𝑎𝑟𝑔𝑖𝑙𝑎.

𝜎𝐴 = 1,7𝑚 × 18𝐾𝑁/𝑚3 − 𝑍𝑑 × 10 𝐾𝑁/𝑚3 + 𝑍𝑑 × 15𝐾𝑁/𝑚3

𝜎𝐴 = 30,6 + 5 × 𝑍𝑑

𝐶𝑜𝑚𝑜 𝑞 = ∆𝜎 = 61,2 𝐾𝑁⁄𝑚2 = 𝜎𝐴 = 30,6 + 5 × 𝑍𝑑

=> 𝑍𝑑 = 6,12𝑚

Figura 79 – Posição do ponto “A” e definição de Zd

- Cálculo dos momentos atuantes na estaca

O cálculo do momento máximo foi feito com o auxílio do programa “ftool” , do

mesmo método descrito no item 3.5.2 desse trabalho, exposto na Figura 76 e Figura 77.

Os mesmo valores (Zd, Ph e qdistribuída) para foram adotados visto que a única diferença de

entre os dois perfis (W310x52 e HP310x125) é de qdistribuída (9,1KN/m para 9,0KN/m)

devido à mudança do diâmetro “d” (de 0,317m para 0,312m) e considerou-se a favor da

segurança adotar 9,1KN/m. Portanto:

𝑀𝑚á𝑥. = 803000 𝑐𝑚. 𝑘𝑔𝑓

- Verificação à flexo-compressão do perfil metálico

Nesse caso, foi feita a verificação para o eixo de menor inércia (Eixo Y- situação

mais desfavorável - My = 803000cm.kgf; Wy = 566cm3) e o momento no eixo X é

considerado inexistente. De acordo com o projeto de estruturas, o perfil metálico foi

138
projetado para receber uma carga de compressão, N = 35tf = 35000kgf. Logo, pela

equação 16:

𝑁 𝑀𝑥 𝑀𝑦
𝜎𝑚á𝑥. = + +
𝐴′𝑠 𝑊𝑥 𝑊𝑦

35000𝑘𝑔𝑓 803000𝑐𝑚. 𝑘𝑔𝑓


𝜎𝑚á𝑥. = +
140,9𝑐𝑚2 566𝑐𝑚3

Pela Equação 17:

𝑘𝑔𝑓⁄ 𝑘𝑔𝑓⁄
𝜎𝑚á𝑥. = 1667 𝑐𝑚 2 < 2121 𝑐𝑚2

Com isso, a tensão de compressão atuante na estaca (1667 kgf/cm2) é menor que

a tensão máxima admissível do aço (2121 kgf/cm2). Logo, conclui-se que essa estaca

atende às solicitações atuantes.

Deste modo, a alteração do perfil adotado (W310x52) para o perfil HP310x125,0

deve ser feita no pilar analisado (I-7) para que a estaca atenda às especificações de projeto

e apresente segurança quanto à sua integridade.

139
Apêndice B

Verificação da fundação do pilar I-7 pelo método de De Beer-

Wallays(1972)

Perfil W 250x38,5 (2a linha de estacas)

e = 1,0 m

“D” da Figura 72 = bf daTabela 14 = 0,147 m

Ph = 2,7 tf/m2

1
𝑃𝑠 = 𝑃𝑠(𝑚á𝑥.) = 𝑒 × 𝑃ℎ
1 + 2𝐷

1 1
𝑆𝑒𝑛𝑑𝑜: 𝑒 = = 0,2272
1 + 2𝐷 1,0𝑚
1 + 2 × 0,147

𝑡𝑓⁄
𝐸𝑛𝑡ã𝑜: 𝑃𝑠 = 0,2272 × 𝑃ℎ 𝑚2

𝑡𝑓⁄
𝑃𝑠 = 0,61 𝑚2

Perfil HP 310x125 (2a linha de estacas)

e = 1,0 m

D = bf da Tabela 14 = 0,312 m

1
𝑃𝑠 = 𝑃𝑠(𝑚á𝑥.) = 𝑒 × 𝑃ℎ
1 + 2𝐷

1 1
𝑆𝑒𝑛𝑑𝑜: 𝑒 = = 0,3842
1 + 2𝐷 1,0𝑚
1 + 2 × 0,312

𝐸𝑛𝑡ã𝑜: 𝑃𝑠 = 0,3842 × 𝑃ℎ 𝐾𝑁⁄𝑚2

𝑡𝑓⁄
𝑃𝑠 = 1,04 𝑚2

Este mesmo raciocínio foi utilizado para as terceiras e quartas fileiras de estacas.

140
ANEXO A – BOLETIM DA SONDAGEM À PERCUSSÃO
SPT-163

Boletim da sondagem à percussão SPT-163 (BERTIN, 2014)

141
Boletim da sondagem à percussão SPT-163 (BERTIN, 2014)

142
ANEXO B – LOCALIZAÇÃO DOS ENSAIOS DE PIEZOCONE E PALHETA

100m

143
ANEXO C – ENSAIOS DE DISSIPAÇÃO – CPTU – 163

Resultados do ensaio de dissipação CPTU -163 na profundidade de 10,00 m (a) e de 11,50m (b) (BERTIN, 2014).

144
ANEXO D – GRÁFICOS DO PIEZOCONE

Boletim do CPTU – 17 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

145
Boletim do CPTU – 52 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

146
Boletim do CPTU – 84 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

147
Boletim do CPTU – 95 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

148
Boletim do CPTU – 163 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

149
Boletim do CPTU – 176 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

150
Boletim do CPTU – 195 – Gráficos: qt versus Profundidade; U versus Profundidade; fs versus Profundidade; Bq versus Profundidade; Rf versus

Profundidade (BERTIN, 2014)

151