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Antero de Quental

Linguagem, estilo e estrutura


O soneto
 Os Sonetos estão divididos em ciclos, sem títulos e com data.
 A forma clássica do soneto expressa a unidade ao nível do conteúdo, apresenta
simplicidade na forma e mantém uma rigorosa coerência.
 Segue o modelo camoniano e bocagiano, com recurso a personificações
maiusculadas ou a um vocabulário clássico e alatinado.

Poesia e Filosofia
 Poesia como prolongamento ou complemento da reflexão filosófica.
 Cumprida a superação romântica da dualidade entre o exterior e o interior,
entre a objetividade do mundo e a subjetividade do sujeito...
 … o homem poderá passar à filosofia, ambição maior de Antero.

A influência clássica e romântica

Clássica Romântica

Tradição clássica do soneto Romantismo visionário

Certos rasgos sentimentais O claro-escuro ou a simples gradação sombria entre o negro e o


pardacento

Cenários fantasmagóricos de Predomínio de emparelhamentos nominais (noite-dia; nevoeiro-sol)


terror crepuscular ou noturno

A obsessão da morte Recorrência de termos que figuram como personagens de um


universo cósmico (sonho, turbilhão, ilusão, ...)

Multiplicidade de Matizes adjetivais com frequentes sinais de tensão por vezes agónica
personificações ou mitificações
de maiúscula inicial (Amor,
Razão, Verdade,…)
Uso de latinismos e de certos Léxico que oscila entre os termos positivos e negativos
superlativos alatinados
(misérrimo)

Configurações do Ideal
A busca do sentido da vida

 Incessante inquietação espiritual na infinita procura de um sentido ou uma


finalidade à existência humana.
 Aspiração de um ideal sempre mais alto, um Deus por vezes suscetível de
motivar a esperança, mas que pode surgir como um pai impiedoso ou
indiferente.
 Insatisfação perante um real sentido como demasiado frustrante ou limitado.
 Irreprimível desejo de sonhar. Nesse imaginário, tudo se realiza na perfeição e
na plenitude.
 Os sonhos são “visões” fantasmáticas de um universo interior onde não é
possível encontrar paz.

A aspiração a um ideal superior

 O poeta aspira a um ideal superior, o Bem (o ponto mais alto do ser), apesar
dos ambientes sombrios de alguns poemas.
 As duas faces anterianas, a noturna e a luminosa, completam-se,
complementam-se, unificando-se no mesmo ideal.
 O poeta considera o dia, símbolo da existência, como sinónimo de mal e
sofrimento.
 A noite e a Morte proporcionam a paz que permite a identificação com o Bem e
o Absoluto.

A angústia existencial

“Uma lúcida consciência da imperfeição humana”

 O clima prevalecente na globalidade dos Sonetos é o de uma progressiva


falência da vontade humana e do seu poder.

 Pendor visionário, mas também uma espécie de tristeza congénita, motivada


por uma lúcida consciência da imperfeição humana.

 Noção de que os factos da vida terrena não nos reservam qualquer alegria.
 O triunfo dos males, do sofrimento e o fim da esperança, que culmina na
morte.

Esquema síntese do soneto “O palácio da Ventura” - pág. 292


Esquema síntese do soneto “Tormento do Ideal”- pág.294
Em falta “Oceano Nox”- pág. 296
*Analisar poemas:

 “Na mão de Deus”


 “Sonho Oriental”

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