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Direito Penal

Mas muito mais frequente é os homens serem distraídos de seus principais


interesses, mais importantes mas mais longínquos, pela sedução de
tentações presentes, embora muitas vezes totalmente insignificantes. Esta
grande fraqueza é incurável na natureza humana. (David Hume)

Crimes em espécie

Infanticídio (Art. 123)

Divergência acerca do concurso de pessoas no infanticídio


Há três orientações sobre a matéria:
a) É possível, considerando que os dados pessoais (qualidade de mãe e estado puerperal) são
elementares do crime, de sorte que se comunicam ao coautor ou partícipe, desde que seja de seu
conhecimento (CP, art. 30). Trata-se da posição dominante.
b) Não é possível, tendo em vista qúe o estado puerperal não é circunstância pessoal, mas
sim personalíssima, de sorte que não se aplica o art. 30 do CP. Assim, o partícipe ou o coautor
responde por homicídio. Era a posição sustentada por Nélson Hungria, por ele mesmo abandonada
posteriormente.
c) O agente responde por infanticídio se for partícipe. Mas se praticar ato executório
responde por homicídio.

Omissão de Socorro (Art. 135)

O crime de omissão de socorro é um crime omissivo próprio. O crime omissivo próprio tem
tipos penais específicos (art. 135 do CP), é unissubsistente, não admite tentativa, é de mera conduta,
não é crime material, não exige produção do resultado naturalístico. A partir do momento em que o
agente se omite, ou seja, ele deixa de fazer algo que a lei determina que faça, ele está praticando o
delito. Se ocorrer o resultado naturalístico, pode haver qualificadora ou aumento de pena. O fato de
haver omissão de socorro, mesmo que a vítima não tenha prejuízo grave, independe do resultado
naturalístico, o agente responde pelo art. 135, do CP.

Diferenciação entre crimes omissivos próprios e impróprios

Crime omissivo próprio: Há somente a omissão de um dever de agir, imposto


normativamente, dispensando, via de regra, a investigação sobre a relação de causalidade
naturalística (são delitos de mera conduta).

Crime omissivo impróprio: O dever de agir é para evitar um resultado concreto. Trata-se da
análise que envolve um crime de resultado material, exigindo, consequentemente, a presença de
nexo causal entre conduta omitida (esperada) e o resultado. Esse nexo, no entanto, para a maioria da
doutrina, não é naturalístico (do nada não pode vir nada). Na verdade, o vínculo é jurídico, isto é, o
sujeito não causou, mas como não o impediu é equiparado ao verdadeiro causador do resultado (é o
nexo de não impedimento).
Rixa (Art. 137)

3 ou + pessoas; Crime comum (pode ser praticado por qualquer pessoa); Plurissubjetivo de
concurso necessário; Sujeito é ao mesmo tempo ativo e passivo; Admite tentativa (ex: policial
intervém no momento que a agressão iniciaria); Admite forma Comissiva ou Omissiva (ex: policial
que assiste a rixa acontecendo e nada faz para impedir); Contato físico é dispensável (pode ser à
distância como, por exemplo, arremessando objetos)

*IMPORTANTE: briga entre torcidas não configura rixa e sim um crime específico do Estatuto do
Torcedor

Rixa qualificada: se ocorre morte ou lesão corporal grave

Violação de Segredo Profissional (Art. 154)

Violação de Sigilo Funcional: Pressupõe função pública.


Violação de Segredo Profissional: Pressupõe profissão particular.

Furto (Art. 155)

Furto qualificado

A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:


I- com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II- com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III- com emprego de chave falsa;
IV- mediante concurso de duas ou mais pessoas.

Súmula 511 do STJ: É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do artigo


155 do CP nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente,
o pequeno valor da coisa furtada e a qualificadora for de ordem OBJETIVA.

Todas as qualificadoras do furto são de ordem objetiva, exceto o abuso de confiança, que
tem natureza subjetiva.

Confiança é o sentimento de credibilidade ou segurança que uma pessoa deposita na outra.


Assim, no abuso de confiança o agente se vale da confiança, que a vítima nele depositou, para
praticar o furto.
OBS: A jurisprudência dos Tribunais Superiores vem sinalizando de forma reiterada que a
mera relação de emprego não caracteriza a qualificadora do abuso de confiança (Vide RT 571/391,
RT 550/334, RT 546/377), sendo necessário um especial vínculo de confiança entre autor e vítima.

Furto de Coisa Comum (Art. 156)

De acordo com Nucci, se a coisa comum for fungível, isto é, substituível por outra da
mesma espécie, quantidade e qualidade (como o dinheiro), e o agente subtrai uma parcela que não
excede a cota a que tem direito, não há fato ilícito. Realmente, não teria cabimento punir, por
exemplo, o coerdeiro que tomasse para si uma quantia em dinheiro encontrada no cofre do falecido,
desde que tal valor seja exatamente aquilo a que ele teria direito caso aguardasse o término do
inventário. Não cometeu crime algum, pois levou o que é somente seu. Entretanto, se o agente
subtrai coisa infungível (como uma obra de arte, por exemplo), não está acobertado pela excludente,
tendo em vista que o objeto do furto não pode ser substituído por outro de igual espécie e qualidade.
Se é único, pertence a todos, até que se decida quem vai ficar, legitimamente, com o bem.

Roubo (Art. 157)

Roubo Circunstanciado – Majorado (Art. 157 §2º)

A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:


II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para
o exterior;
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente,
possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego.
VII - se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma branca;

§ 2º-A: A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):


I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;
II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato
análogo que cause perigo comum.

§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou
proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste artigo.

SÚMULA 443 (STJ) - O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera
indicação do número de majorantes.

Extorsão (Art. 158)

No crime de roubo e no crime de extorsão, o agente pode-se utilizar dos mesmos modos de
execução, consistentes na violência ou grave ameaça. A diferença fundamental existente entre os
dois delitos consiste em que, no crime de extorsão, pretende-se um comportamento da vítima,
restando um mínimo de liberdade de escolha, enquanto que, no crime de roubo, o comportamento é
prescindível (dispensável).

Estelionato (Art. 171)

O crime de estelionato exige quatro requisitos, obrigatórios para sua caracterização:


1) obtenção de vantagem ilícita;
2) causar prejuízo a outra pessoa;
3) uso de meio de ardil, ou artimanha,
4) enganar alguém ou a levá-lo a erro.

A ausência de um dos quatro elementos, seja qual for, impede a caracterização do


estelionato.
O crime aceita apenas a forma dolosa, ou seja, que haja real intenção de lesar, não havendo
previsão forma culposa, ou sem intenção

Os crimes de Estelionato somente se procede mediante representação, salvo se a vítima for:


I – a Administração Pública, direta ou indireta;
II – criança ou adolescente;
III – pessoa com deficiência mental; ou
IV – maior de 70 anos de idade ou incapaz

Estelionato Previdenciário (Art. 171 §3º)

§ 3º – A pena aumenta-se de um terço, se o crime é cometido em detrimento de entidade de


direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência.

Há duas situações sobre a figura do delito do Estelionato Previdenciário:


Crime permanente: em que o beneficio fraudulento é na origem, ou seja, criado com ardil,
sem qualquer atendimento aos requisitos legais. Ex: fraudo a previdência como sendo eu o
beneficiário e o recebo mensalmente. Aqui se trata de crime único, porém permanente, admitindo o
flagrante a qualquer momento.
Crime Continuado: aqui o benefício é devido, porém não a pessoa que o saca, ou seja, da
que tem posse e faz uso do cartão previdenciário do benefício. Ex: após morte do beneficiário, sua
filha continua a receber os valores. Aqui se trata de crime em continuidade delitiva, sendo a conduta
renovada mês a mês com a utilização do cartão magnético para retirada dos valores.

Fraude à Execução (Art. 179)

Exige-se, destarte, o prévio ajuizamento de um processo de execução, que esteja em trâmite,


pois o executado, depois de validamente citado - com a citação aperfeiçoa-se a relação jurídica
processual - fraudulentamente desfaz-se de seus bens, com o propósito de frustrar o pagamento de
dívida representada com um titulo executivo.

O STJ, apreciando o tema sob o regime do recurso repetitivo, firmou as seguintes teses:
1) Em regra, para que haja fraude à execução, é indispensável que tenha havido a citação válida do
devedor.
2) Mesmo sem citação válida, haverá fraude à execução se, quando o devedor alienou ou onerou o
bem, o credor já havia realizado a averbação da execução nos registros públicos (art. 615-A do CPC
1973 / art. 828 do CPC 2015). Presume-se em fraude de execução a alienação ou oneração de bens
realizada após essa averbação (§ 3º do art. 615-A do CPC 1973 / § 4º do art. 828 do CPC 2015).
3) Persiste válida a Súmula 375 do STJ, segundo a qual o reconhecimento da fraude de execução
depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente.
4) A presunção de boa-fé é princípio geral de direito universalmente aceito, devendo ser respeitada a
parêmia (ditado) milenar que diz o seguinte: “a boa-fé se presume, a má-fé se prova”.
5) Assim, não havendo registro da penhora na matrícula do imóvel, é do credor o ônus de provar
que o terceiro adquirente tinha conhecimento de demanda capaz de levar o alienante à insolvência
(art. 659, § 4º, do CPC 1973 / art. 844 do CPC 2015).
Receptação (Art. 180)

O crime de receptação pode ser:


a – receptação própria -> art.180, caput do CP -> nessa hipótese, o delegado pode arbitrar
fiança de ofício, pois a pena é de reclusão, de 1 a 4 anos + multa.
b – receptação qualificada -> art.180, parágrafo 1º do CP -> quando o agente pratica o crime
em atividade comercial.
c – conduta equiparada a receptação qualificada -> art. 180, parágrafo 2º do CP → quando a
atividade comercial é exercida em residência.
d – receptação culposa -> Art.180, parágrafo 3º do CP -> quando o agente tinha capacidade
de deduzir que a mercadoria era derivada de crime.

Falsificação de Documento Público (Art. 297)

(…) É típica a conduta de uso de documento falso, consistente em passaporte expedido pela
República do Uruguai, apresentado à Polícia Federal por ocasião de abordagem realizada em
aeroporto, mediante tentativa de saída irregular do país e burla ao controle aeroportuário de
fronteiras.
O art. 297 do Código Penal não distingue procedência do documento, se emitido por
autoridade nacional ou estrangeira.

Falsidade Ideológica (Art. 299)

Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele
inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante
Se é funcionário público e se utiliza disto para cometer o delito, aumenta-se a pena em 1/6.
Documento verdadeiro com dados falsos
a) se tinha autorização para preencher, será falsidade ideológica.
b) se não tinha autorização para preencher, será falsidade documental. Ex.: Vai ao hospital e furta
bloco de receituário médico c/ carimbo e preenche para conseguir uma folga no trabalho.

Certidão ou atestado ideologicamente falso (Art. 301)

Caso o médico forneça o atestado no exercício de função pública (funcionário concursado de


hospital público, por exemplo) o médico comete este crime.

Falsidade material de atestado ou certidão (Art. 301 §1º)

Caso o particular venha a falsificar atestado ou certidão responderá por este crime

Falsidade de Atestado Médico (Art. 302)


Caso o atestado tivesse sido emitido por médico no exercício da profissão, o médico
responderia por Falsidade de atestado médico. Contudo, caso o atestado tivesse sido emitido por
profissionais como, dentista, veterinário, ou qualquer outro profissional da saúde que não seja
médico, respondera pelo Art. 299 CP. Muito criticado o dispositivo neste caso, pois pune o médico
mais brandamente por um delito mais grave que os outros profissionais.

Uso de Documento Falso (Art. 304)

Se o documento é falso, não importa se os dados são ou não verdadeiros. Teremos falsidade
documental

Falsa Identidade (Art. 307)

Súmula 522-STJ: A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é


típica, ainda que em situação de alegada autodefesa.

Fraude em Certames de Interesse Público (Art. 311 – A)

"(...) Em primeiro lugar, a fraude em certames públicos não diz respeito ao bem jurídico
tutelado pelo Título X. A fé pública, como já se disse, ocupa-se da credibilidade existente em
moedas, papéis e documentos, por força de lei (ver a nota 1 ao Título X). Os crimes que podem
afetar o referido bem jurídico dizem respeito às falsidades em geral – e não às fraudes. Estas são
capazes de afetar o patrimônio ou o interesse da administração pública, nos seus aspectos material e
moral. Logo, está deslocado este Capítulo V no Título IX. Deveria ter sido inserido no Título XI
(Dos crimes contra a administração pública), especificamente no Capítulo II (Dos crimes praticados
por particular contra a administração em geral). Ou, ainda, poderia constituir um capítulo próprio,
ao final, intitulado “Dos crimes praticados por particular e por funcionário público contra a
administração em geral”. Enfim, o bem jurídico afetado pelo delito previsto no art. 311-A não é a fé
pública, na essência, mas a administração pública, nos seus aspectos material e moral, o que
certamente abrange a lisura em certames de interesse público". (Nucci, CP Comentado, 2017.)
De fato, o objetivo do agente não é, p. ex., falsificar documentos ou provas do concurso,
mas, sim, utilizar ou divulgar o conteúdo sigiloso do certame. Não se tutelam papéis, mas a
Administração Público de forma geral, na lisura das provas aplicadas e na credibilidade das pessoas
em relação a estas.

Peculato (Art. 312)

No CP o conceito de funcionário público é ampliativo, diferente do direito administrativo


onde é restritivo.
Se o funcionário público desvia a aplicação dos recursos para outra finalidade de interesse
público, tens o crime de desvio de verbas. Caso o desvio seja para finalidade própria ou de terceiro,
tem-se o crime de peculato desvio.

PECULATO APROPRIAÇÃO: Apropriar-se de algo que tenha a posse em razão do cargo


PECULATO DESVIO: Desviar em proveito próprio ou de terceiro
PECULATO FURTO: Subtrair ou concorrer valendo-se do cargo
PECULATO CULPOSO: Concorre culposamente
PECULATO ESTELIONATO: Recebeu por erro de terceiro
PECULATO ELETRÔNICO: Insere/ facilita a inserção de dado falso OU altera/ exclui dado
verdadeiro

Inserção de dados falsos em sistema de informação (Art. 313-A)

"Crime próprio, somente o funcionário público autorizado pode figurar como sujeito ativo
do delito de inserção de dados falsos em sistema de informações, tipificado no art. 313-A do Código
Penal. Note-se, como dissemos, que a lei exige além da qualidade de funcionário público, seja ele
autorizado, isto é, tenha acesso, por meio de senha ou outro comando, a uma área restrita, não
aberta a outros funcionários e, tampouco, ao público em geral. Isso não impede, contudo, que o
funcionário público autorizado atue em concurso com outro funcionário (não autorizado), ou
mesmo um particular, devendo todos responder pela mesma infração penal, nos termos do art. 29 do
Código Penal."

Modificação ou alteração não autorizada de sistema de informação (Art. 313-B)

Crime próprio, somente o funcionário público pode ser sujeito ativo do delito de
modificação ou alteração não autorizada de sistema de informações.

Desvio de verbas (Art. 315)

Se o funcionário público desvia a aplicação dos recursos para outra finalidade de interesse
público, tens o crime de desvio de verbas. Caso o desvio seja para finalidade própria ou de terceiro,
tem-se o crime de peculato desvio.

Concussão (Art. 316)

1 – Não seria possível a ocorrência, no mesmo contexto fático, do crime de Corrupção Ativa
com o crime de Concussão. Pois se o funcionário público exige (Concussão) vantagem indevida,
não haveria a possibilidade do particular praticar o crime de corrupção ativa (Oferecer ou prometer
vantagem indevida a funcionário público). Portanto, são incompatíveis de ocorrerem no mesmo
contexto.
2 – Mesmo tratando-se de crime próprio, nada impede que um sujeito que não tenha a
qualidade de funcionário público responda pelo delito em estudo, como coautor ou partícipe, em
duas hipóteses: a) a condição de funcionário público sendo elementar do crime comunica-se aos
demais participantes que dela tenham conhecimento (tem que haver o prévio conhecimento da
condição de funcionário público para a elementar se comunicar); b) o tipo penal expressamente
permite a prática da concussão por meio de interposta pessoa, diante da expressão: "direta ou
indiretamente”
3 – Ocorre crime contra a ordem tributária e não crime de concussão quando o funcionário
público, em razão de sua qualidade de agente fiscal, exige vantagem indevida para deixar de lançar
auto de infração por débito tributário e cobrar a consequente multa.

Prevaricação (Art. 319)


É um crime funcional, isto é, praticado por funcionário público contra a Administração
Pública em geral, que se configura quando o sujeito ativo retarda ou deixa de praticar ato de ofício ,
indevidamente, ou quando o pratica de maneira diversa da prevista no dispositivo legal, a fim de
satisfazer interesse pessoal.

Advocacia Privada (Art. 321)

A infração se configura quando um funcionário público, valendo-se de sua condição


(amizade, cargo elevado, prestígio junto a outros funcionários), defende interesse alheio, legítimo
ou ilegítimo, perante a Administração Pública. Se o interesse for ilegítimo, será aplicada a
qualificadora descrita no parágrafo único.
No crime em análise, o agente pleiteia, advoga junto a companheiros ou superiores, o
interesse particular. “ Caracteriza-se a advocacia administrativa pelo patrocínio (valendo-se da
qualidade de funcionário) de interesse privado alheio perante a Administração Pública. Patrocinar
corresponde a defender, pleitear, advogar junto a companheiros e superiores hierárquicos, o
interesse particular ” (TJSP — Rel. Silva Lema — RJTJSP 13/443).

Violação de Sigilo Funcional (Art. 325)

Violação de Sigilo Funcional: Pressupõe função pública.


Violação de Segredo Profissional: Pressupõe profissão particular.

Funcionário Público (Art. 327)

No CP o conceito de funcionário público é ampliativo, diferente do direito administrativo


onde é restritivo.
Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade
paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a
execução de atividade típica da Administração Pública.

Corrupção ativa (Art. 333)

Não seria possível a ocorrência, no mesmo contexto fático, do crime de Corrupção Ativa
com o crime de Concussão. Pois se o funcionário público exige (Concussão) vantagem indevida,
não haveria a possibilidade do particular praticar o crime de corrupção ativa (Oferecer ou prometer
vantagem indevida a funcionário público). Portanto, são incompatíveis de ocorrerem no mesmo
contexto.
As condutas da corrupção passiva e da corrupção ativa são independentes e autônomas entre
si, não havendo vinculação de uma condenação com a outra, configurando, dessa forma, uma
exceção à teoria Monista, a qual é adotada pelo Código Penal Brasileiro.

Descaminho (Art. 334)

A mercadoria importada ou exportada é lícita, mas a entrada ou saída do país é realizada sem
o pagamento dos tributos devidos.
Admite o princípio da insignificância (o valor de R$ 20.000 foi unificado pelo STF e STJ).
Não admite o princípio da insignificância no descaminho cometido com habitualidade.
Pena aplica-se em dobro se o crime é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial.
Admite a suspensão condicional do processo.
Se consuma com a liberação na alfândega sem o pagamento de impostos.
Se funcionário público concorrer para o delito haverá uma exceção a teoria monista, pois ele
responderá por facilitação de contrabando ou descaminho.

Contrabando (Art. 334-A)

Aqui a mercadoria importada ou exportada é ilícita no país.


A competência para julgamento é da Justiça Federal.
Não admite o princípio da insignificância

Reingresso de estrangeiro expulso (Art. 338)

O delito de reingresso de estrangeiro expulso é classificado como delito de mão-própria,


pois somente pode ser praticado por pessoas que ostentem a condição exigida em lei, nesse caso só
pelo estrangeiro que já foi expulso. Além disso, os crimes de mão própria ou atuação pessoal, com
relação ao concurso de pessoas, admitem a participação. Contudo, é impossível a coautoria.

Denunciação caluniosa (Art. 339)

Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de


investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém,
imputando-lhe crime de que o sabe inocente.
Pessoa determinada

Comunicação falsa de crime ou de contravenção (Art. 340)

Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou de contravenção


que sabe não se ter verificado.
Pessoa indeterminada

Favorecimento pessoal (Art. 348)

Se praticado por ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso → HÁ ISENÇÃO


DE PENA.

Ordenação de despesa não autorizada (Art. 359-D)

O tipo penal não exige o efetivo prejuízo, é crime de mera conduta.


Não há que se falar em erro de proibição pelo desconhecimento da ilicitude do fato. Trata-se
de crime próprio, formal, comissivo, excepcionalmente na forma de crime comissivo por omissão,
instantâneo, de perigo abstrato (não se exige que, no caso concreto, seja provado prejuízo à
Administração Pública. O prejuízo foi presumido pelo legislador), unissubsistente, em que não se
admite a tentativa.

TABELA DE CONDUTAS – CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO

Capítulo I - Funcionário Público x Administração em Geral


Art. 316 -(Concussão): EXIGIR, para si ou para outrem... vantagem indevida.
Art. 317 (Corrupção Passiva): SOLICITAR ou RECEBER, para si ou para outrem... ou
ACEITAR vantagem indevida.
Art. 319 (Prevaricação): RETARDAR ou DEIXAR de praticar..., satisfazer interesse ou
sentimento pessoal.
art. 319-A (Prevaricação Imprópria): DEIXAR o Diretor da Penitenciária e/ou Agente Público,
de cumprir seu dever…
art. 320 (Condescendência Criminosa): DEIXAR o funcionário, por indulgência, de
responsabilizar subordinado…
art. 321 (Advocacia Administrativa): PATROCINAR, direta/indiretamente, interesse privado...
valendo-se da qualidade de funcionário.

Capítulo II - Particular x Administração em Geral


art. 332 (Tráfico de Influência): SOLICITAR, EXIGIR, COBRAR ou OBTER, para si ou para
outrem… INFLUIR ato praticado por funcionário publico.
Art. 333 (Corrupção Ativa): OFERECER ou PROMETER vantagem indevida a funcionário
público... para omitir ou retardar ato de ofício.

Capítulo III - Administração da Justiça


art. 355 (Patrocínio Infiel): TRAIR na qualidade de advogado ou procurador...
art.355 §único: (Tergiversação): ... advogado ou procurador que DEFENDE na mesma causa,
SIMULTÂNEA ou SUCESSIVAMENTE, partes contrárias.
Art. 357. (Exploração de Prestígio): SOLICITAR ou RECEBER dinheiro ou qualquer outra
utilidade… INFLUIR em juiz, jurado, órgão MP, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete
ou testemunha.

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