Você está na página 1de 428

MARCELO ANDRÉ DE AZEVEDO

ALEXANDRE SALIM

DIREITO PENAL
PARTE ESPECIAL -D O S CRIMES CONTRA
AINCOLUMIDADE PÚBLICA AOS CRIMES
CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

revista
82 atualizada
Edição ampliada

2020

ED ITO R A
>sPODIVM
www.editorajuspodivm.cxjm.br
EDITORA
>PODIVM
www.editorajuspodivm.com.br

Rua Território Rio Branco, 87 - Pituba - CEP: 41830-530 - Salvador - Bahia


Tel: (71) 3045.9051
• Contato: https://www.editorajuspodivm.com.br/sac

C o p y rig h t: Edições JusPODIVM

Conselho Editorial: Dirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie Didier Jr., José Henrique Mouta,
José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Távora, Robério Nunes Filho, Roberval Rocha Ferreira Filho,
Rodolfo Pam plona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha.

Diagramação: Luiz Fernando Romeu (lfnando_38@hotmail.com)

Capa: Ana Caquetti

ISBN: 978-85-442-3333-7

Todos os direitos desta edição reservados à Edições A/sPODIVM.


É term inantem ente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer m eio ou processo, sem a
expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais caracteriza crim e descrito
na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.
Coleção Sinopses
para Concursos

A Coleção Sinopses para Concursos tem por finalidade a preparação para


concursos públicos de modo prático, sistematizado e objetivo.
Foram separadas as principais matérias constantes nos editais e chamados
professores especializados em preparação de concursos a fim de elaborarem,
de forma didática, o material necessário para a aprovação em concursos.
Diferentemente de outras sinopses/resumos, preocupamos em apresentar
ao leitor o entendimento do STF e do STJ sobre os principais pontos, além de
abordar temas tratados em manuais e livros mais densos. Assim, ao mesmo
tempo em que o leitor encontrará um livro sistematizado e objetivo, também
terá acesso a temas atuais e entendimentos jurisprudenciais.
Dentro da metodologia que entendemos ser a mais apropriada para a
preparação nas provas, demos destaques (em outra cor) às palavras-chaves,
de modo a facilitar não somente a visualização, mas, sobretudo, à compreen­
são do que é mais importante dentro de cada matéria.
Quadros sinóticos, tabelas comparativas, esquemas e gráficos são uma
constante da coleção, aumentando a compreensão e a memorização do leitor.
Contemplamos também questões das principais organizadoras de concur­
sos do país, como forma de mostrar ao leitor como o assunto foi cobrado em
provas. Atualmente, essa "casadinha" é fundamental: conhecimento sistemati­
zado da matéria e como foi a sua abordagem nos concursos.

Esperamos que goste de mais esta inovação que a Editora Juspodivm


apresenta.
Nosso objetivo é sempre o mesmo: otimizar o estudo para que você consi­
ga a aprovação desejada
B o n s e s tu d o s !

L e o n a rd o G a rc ia
leo nardo@ leonardogarcia.com .br
w w w .leo nardo garcia.co m .br
Instagram : @ leom garcia
.
Guia de leitura
da Coleção

A Coleção foi elaborada com a metodologia que entendemos ser a mais


apropriada para a preparação de concursos.
Neste contexto, a Coleção contempla:

• DOUTRINA OTIMIZADA PARA CONCURSOS

Além de cada autor abordar, de maneira sistematizada, os assuntos triviais


sobre cada matéria, são contemplados temas atuais, de suma importância para
uma boa preparação para as provas.

Falsificação de documento público e estelionato. Existem quatro


orientações: a) há concurso m aterial (pois são ofendidos bens ju ríd i­
cos - fé pública e patrimônio - distintos); b) há concurso formal
(muitas decisões do STF vêm nesse sentido: HC 98526, j. 29/06/2010;
RHC 83990, j. 10/08/2004); c) 0 delito de falso absorve 0 estelionato
(pois é mais grave); d) 0 crime de estelionato absorve a falsificação
de documento público. A última posição tem sido m ais cobrada nos
concursos públicos, inclusive por refletir posicionamento sumulado
do STJ: "Quando 0 falso se exaure no estelionato, sem mais potencia­
lidade lesiva, é por este absorvido" (Súmula 17).

• ENTENDIMENTOS DO STF E STJ SOBRE OS PRINCIPAIS PONTOS

"Considerando os princípios da segurança jurídica, da proteção


da confiança e da isonom ia, nos term os do art. 927, § 40, do Código
de Processo Civil, afetou-se recurso especial para fins de revisão
da tese fixada no REsp n. 1.112.74 8 /ro (representativo da controvér­
sia) - Tema 157 (Relator Ministro Felix Fischer, DJe 13/10/2009), a fim
d e a d e q u á -la a o e n t e n d im e n t o e x t e r n a d o p e la S u p re m a C o rte , no
sentido de co nsid erar 0 parâm etro fixado nas P o rtarias n. 75 e 130/
MF - R$ 20.000,00 (vinte mil reais), para aplicação do princípio da
insignificância aos crim es tributários federais e de descam inho" (3*
Seção, ProAfR no REsp 1709029, DJe 0 1/12/2017).
8 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

• PALAVRAS-CHAVES EM OUTRA COR

As palavras mais importantes (palavras-chaves) são colocadas em outra cor


para que 0 leitor consiga visualizá-la e memorizá-la mais facilmente.

Por outro lado, caso se entenda que 0 resultado descrito no


tipo é a própria vantagem indevida, e não 0 ato de ofício, 0 crime
é form al nas condutas de solicitar e aceitar promessa, mas se trata
de crime m aterial na conduta de receber. Isso porque a consumação
ocorrerá com 0 recebimento da vantagem.

• QUADROS, TABELAS COMPARATIVAS, ESQUEMAS E DESENHOS

Com esta técnica, o leitor sintetiza e memoriza mais facilmente os principais


assuntos tratados no livro.

Art. 259. Difundir doença ou praga que possa causar dano


a floresta, plantação ou animais de utilidade econômica:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

Parágrafo único. No caso de culpa,


Forma
a pena é de detenção, de um a seis
culposa
meses, ou multa.

• QUESTÕES DE CONCURSOS NO DECORRER DO TEXTO

Através da seção "Como esse assunto foi cobrado em concurso?" é apresentado


ao leitor como as principais organizadoras de concurso do país cobram o assunto
nas provas.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2010 - MP-SE - P ro m o to r de Justiça) Foi co n sid e rad a incorreta
a seguinte alternativa: "Para que 0 crim e de incêndio se consum e, é
n ecessário que haja ao m enos lesão corporal leve em uma d as vítim as".
Sumário

cap ítu lo I ► CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA......................................................... 33

1. CRIMES DE PERIGOCOMUM........................................................................................................ 33
1 .1 . INCÊNDIO............................................................................................................................... 33
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 34
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 34
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 34
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 35
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 36
6. Form as m ajo ra d a s (§ 1 ° ) ......................................................................................... 37
7. Forma c u lp o s a ........................................................................................................... 40
8. Form as m ajo rad as (art. 258)............................................................................... 40
9. Ação p e n a l................................................................................................................... 40
1. 2 . EXPLOSÃO.............................................................................................................................. 41
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 41
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 41
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 41
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 42
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 42
6. Forma p riv ile g ia d a .................................................................................................. 43
7. Form as m a jo ra d a s.................................................................................................... 43
8. Forma c u lp o s a ........................................................................................................... 44
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 44
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 45
1.3. USO DE GÁS TÓXICOOU ASFIXIANTE................................................................................ 45
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 45
2. S u je ito s ....................................................................................................... ,................ 45
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 45
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 46
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 46
6. Forma c u lp o s a ........................................................................................................... 46
7. Form as m a jo ra d a s.................................................................................................... 46
8. D istin çã o ...................................................................................................................... 47
9. Ação p e n a l................................................................................................................... 47
1.4. FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS
OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE.................................................................................... 47
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 47
2. S u je ito s ................................... 47
3. Tipo o b je tivo ................................... 48
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 48
10 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 48


6. D istin çã o ....................................................................................................................... 48
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 49
1.5. INUNDAÇÃO.......................................................................................................................... 49
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 49
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 49
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 49
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 50
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 50
6. Form a c u lp o s a ........................................................................................................... 50
7. D istin çã o ....................................................................................................................... 50
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 50
1.6 . PERIGO DE INUNDAÇÃO..................................................................................................... 51
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 51
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 51
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 51
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 52
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 52
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 52
1.7. DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO........................................................................ 52
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 53
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 53
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 53
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 53
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 53
6. Form a c u lp o s a ........................................................................................................... 54
7. D istin çã o ....................................................................................................................... 54
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 54
1.8. SUBTRAÇÃO, 0 CULTAÇÃ0 OU INUTILIZAÇÃO DE MATERIAL DE SALVAMENTO........ 55
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 55
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 55
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 55
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 56
5. Consum ação e ten tativa......................................................................................... 56
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 56
1.9. DIFUSÃO DE DOENÇA OU PRAGA...................................................................................... 56
1. Revogação t á c it a ...................................................................................................... 56
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 57
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 57
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 57
5. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 57
6. Consum ação e tentativa......................................................................................... 57
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 57
1.10. MAJORANTES NOS CRIMES DE PERIGO COMUM.......................................................... 58
1. Causas de aum ento de pena nos crim es dolosos de perigo com um .... 58
2. Causas de aum ento de pena nos crim es culposos de perigo comum 58

2. CRIMES CONTRA A SEGURANÇA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E TRANSPORTE E OU­


TROS SERVIÇOS PÚBUCOS............................................................................................................. 59
2.1. PERIGO DE DESASTRE FERROVIÁRIO............................................................................... 59
Sumário 11

í. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 59


2. S u je ito s ......................................................................................................................... 59
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 59
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 60
5. Consum ação e ten tativa.................. 60
6. Desastre fe rro viário p reterd o lo so ...................................................................... 60
7. Desastre fe rro viário c u lp o s o ................................................................................ 61
8. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 61
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 61
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 61
2.2. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE TRANSPORTE MARÍTIMO, FLUVIAL
OU AÉREO............................................................................................................................. 62
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 62
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 62
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 62
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 63
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 63
6. Forma q u a lific a d a ..................................................................................................... 63
7. Prática do crim e com 0 fim de lu c ro ............................................................... 63
8. Forma c u lp o s a ........................................................................................................... 63
9. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 64
10. D istin çã o ...................................................................................................................... 64
1 1 . Ação p e n a l................................................................................................................... 64
2.3. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE OUTRO MEIO DE TRANSPORTE................... 64
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 64
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 64
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 65
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 65
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 65
6. Form a q u a lific a d a ..................................................................................................... 65
7. Form a c u lp o sa ........................................................................................................... 65
8. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 66
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 66
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 66
2.4. ARREMESSO DE PROJÉTIL.................................................................................................. 66
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 66
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 66
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 66
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 67
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 67
6. Form as q u a lific a d a s ................................................................................................ 67
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 68
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 68
2.5. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA............... 68
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 68
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 69
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 69
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 69
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 69
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 69
12 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

7. D istin çã o ...................................................................................................................... 70
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 70
2. 6 . INTERRUPÇÃO OU PERTURBAÇÃO DE SERVIÇO TELEGRÁFICO OU TELEFÔNICO.... 7O
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 70
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 71
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 71
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 71
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 71
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 72
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 72
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 72

3. CRIMES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA.......................................................................................... 73


3 .1. EPIDEMIA............................................................................................................................... 73
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 73
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 73
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 73
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 74
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 74
6. Forma m ajo rada (h e d io n d e z)............................................................................. 74
7. Forma c u lp o sa ........................................................................................................... 75
8. Prisão te m p o rá ria .................................................................................................... 75
9. Ação p e n a l................................................................................................................... 75
3.2. INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA PREVENTIVA............................................................ 76
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 76
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 76
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 76
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 76
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 77
6. Form as m a jo ra d a s.................................................................................................... 77
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 77
3.3. OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA......................................................................... 78
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 78
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 78
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 78
4. T ip o s u b j e t iv o ............................................................................................................................. 79
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 79
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 79
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 79
3.4. ENVENENAMENTO DE ÁGUA POTÁVEL OU DE SUBSTÂNCIA ALIMENTÍCIA OU MEDI­
CINAL ..................................................................................................................................... 80
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 80
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 80
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 80
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 81
5. Forma e q u ip a ra d a .................................................................................................... 81
6. Consum ação e tentativa........................................................................................ 81
Sumário 13

7. Forma c u lp o sa ........................................................................................................... 82
8. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 82
9. H edio nd ez.................................................................................................................... 82
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 82
3.5. CORRUPÇÃO OU POLUIÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL............................................................ 82
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 82
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 82
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 83
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 83
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 83
6. Forma c u lp o sa ........................................................................................................... 83
7. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 83
8. D istin çã o ...................................................................................................................... 83
9. Ação p e n a l................................................................................................................... 83
10. Revogação t á c it a ...................................................................................................... 84
3.6. FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE SUBSTÂNCIA OU
PRODUTOS ALIMENTÍCIOS.................................................................................................. 84
1. Bem ju ríd ic o .............................. 85
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 85
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 85
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 85
5. Figuras e q u ip a ra d a s ................................................................................................ 85
6. Forma c u lp o sa ........................................................................................................... 86
7. Consum ação e tentativa........................................................................................ 86
8. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 86
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 86
10. Ação p e n a l.................................................................................................................. 86
1 1 . P e n a ............................................................................................................................... 87
3.7. FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO DESTI­
NADO A FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS............................................................... 87
1. H ediondez.................................................................................................................... 88
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 88
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 88
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 88
5. Figuras e q u ip a ra d a s ................................................................................................ 88
6. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 91
7. Form a c u lp o sa .................................................................................................... 91
8. Consum ação e tentativa........................................................................................ 91
9. Form a m a jo ra d a ................................................................. 92
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 92
3.8. EMPREGO DE PROCESSO PROIBIDO OU DE SUBSTÂNCIA NÃO PERMITIDA............. 92
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 92
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 92
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 92
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 93
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 93
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 93
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 93
8. D istin çã o ....................................................................................................................... 93
14 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3.9. INVÓLUCRO OU RECIPIENTE COM FALSA INDICAÇÃO.................................................. 94


1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 94
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 94
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 94
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 94
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 94
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 95
7. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 95
8. Ação p e n a l.................................................................................................................. 95
3.10. PRODUTO OU SUBSTÂNCIA NAS CONDIÇÕES DOS DOIS ARTIGOS ANTERIORES..... 95
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 95
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 95
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 96
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 96
5. Consum ação e tentativa.......................................................................................... 96
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 96
7. Form a m a jo ra d a ....................................................................................................... 96
8. Ação p e n a l.................................................................................................................. 97
3 .11. SUBSTÂNCIA DESTINADA À FALSIFICAÇÃO..................................................................... 97
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 97
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 97
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 97
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 97
5. Consum ação e ten tativa.......................................................................................... 98
6. Form a m a jo ra d a ....................................................................................................... 98
7. Ação p e n a l.................................................................................................................. 98
3.12. OUTRAS SUBSTÂNCIAS NOCIVAS Â SAÚDE PÚBLICA.................................................... 98
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 98
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 98
3. Tipo objetivo ............................................................................................................... 98
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 99
5. Consum ação e tentativa.......................................................................................... 99
6. Form a c u lp o sa ........................................................................................................... 99
7. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 99
8. D istin çã o ...................................................................................................................... 100
9. Ação p e n a l.................................................................................................................. 100
3.13. MEDICAMENTO EM DESACORDO COM RECEITA MÉDICA........................................... 100
1. Bem ju ríd ic o .............................................. 100
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 100
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 100
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 101
5. Consum ação e ten tativa.......................................................................................... 10 1
6. Form a c u lp o sa ........................................................................................................... 10 1
7. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 101
8. D istin çã o ...................................................................................................................... 101
9. Ação p e n a l.................................................................................................................. 102
3.14. EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA.................. 102
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 102
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 102
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 102
Sumário 15

4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 104


5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 104
6. Forma qu alificad a (fim de lu c ro )....................................................................... 104
7. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 104
8. D istin çã o ...................................................................................................................... 104
9. Ação p e n a l.................................................................................................................. 104
3.15. CHARLATANISMO................................................................................................................. 105
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 105
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 105
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 105
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 106
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 106
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 106
7. Distinção com 0 art. 282 do Código P e n a l..................................................... 106
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 106
3.16. CURANDEIRISMO................................................................................................................. 107
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 107
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 107
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 107
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 108
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 108
6. Forma q u alificad a (m ediante rem u n eraçã o )................................................ 108
7. Form a m a jo ra d a .................................................................. 108
8. Ação p e n a l.................................................................................................................. 108

Capítulo II ► CRIMES CONTRA A PAZ PÚBLICA............................................................................. 109

1. INCITAÇÃO AO CRIME.................................................................................................................... 109


1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 109
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 109
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 110
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 111
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 111
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 111
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 11 2

2. APOLOGIA DE CRIME OU CRIMINOSO........................................................................................ 11 2


1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 11 2
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 112
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 113
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 113
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 114
6 . D istin çã o ...................................................................................................................... 114
7. Concurso de c rim e s................................................................................................. 114
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 115

3. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA.............................................................................................................. 115


1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 115
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 116
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 117
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 120
16 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 120


6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 122
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 123
8. Prisão p ro v is ó ria ...................................................................................................... 123
9. Delação p r e m ia d a .................................................................................................... 124
10. Concurso de c rim e s ................................................................................................. 125
1 1 . Ação p e n a l.................................................................................................................. 125

4. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA........................................................................................ 126


1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 126
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 127
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 127
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 129
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 129
6. Ação penal e circunstâncias da p e n a .............................................................. 130

Capítulo III ► CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA.............................................................................. 13 1

1. MOEDA FALSA................................................................................................................................. 13 1
1.1. MOEDA FALSA...................................................................................................................... 13 1
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 132
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 132
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 132
4. Tipo subjetivo.-........................................................................................................... 133
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 134
6. Forma e q u ip a ra d a .................................................................................................... 134
7. Forma p r iv ile g ia d a .................................................................................................. 135
8. Forma qu alificad a (§ 30)........................................................................................ 136
9. Forma qu alificad a (§ 40) ........................................................................................ 136
10. Princípio da in sig n ificâ n cia ................................................................................... 137
1 1 . Co m p etên cia............................................................................................................... 138
12. D istin çã o ...................................................................................................................... 138
13. Ação p e n a l.................................................................................................................. 138
1.2. CRIMES ASSIMILADOS AO DE MOEDA FALSA................................................................ 138
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 139
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 139
3. Tipo o b je tivo .............................................................................................................. 139
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 139
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 139
6. Form a q u a lific a d a ..................................................................................................... 140
7. Ação penal e co m p etência................................................................................... 140
1.3. PETRECHOS PARA FALSIFICAÇÃODE MOEDA.................................................................. 140
1. Bem ju ríd ic o ..... ;......................................................................................................... 140
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 14 1
3. Tipo o b je tivo .............................................................................................................. 141
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 142
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 142
6. Ação penal e co m p etência................................................................................... 142
1.4. EMISSÃO DE TÍTULO AO PORTADOR SEM PERMISSÃO LEGAL................................... 143
1 . Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 143
Sumário 17

2. S u je ito s ......................................................................................................................... 143


3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 143
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 143
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 144
6 . Forma p r iv ile g ia d a .................................................................................................. 144
7. Ação p e n a l.................................................................................................................. 144

2. FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS............................................................. 144


2 . 1. FALSIFICAÇÃO DE PAPÉIS PÚBLICOS............................................................................... 144
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 145
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 145
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 145
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 146
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 146
6. Uso de p a p é is públicos eoutras condutas eq u ip a ra d a s (§ 1 ° ) .............. 146
7. Supressão de sinal indicativo de inutilização de p a p é is públicos
(§ 20).............................................................................................................................. 147
8. Uso de p a p é is públicos com inutilização sup rim id a (§ 3 ° ) .................... 147
9. Restituição à circulação (form a p rivileg iad a - § 40) .................................. 148
10. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 148
1 1 . D istin çã o ...................................................................................................................... 148
12. Ação p e n a l.................................................................................................................. 149
2.2. PETRECHOS DE FALSIFICAÇÃO........................................................................................... 149
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 150
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 150
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 150
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 150
3. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 150
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 15 1
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 15 1
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 15 1

3. FALSIDADE DOCUMENTAL.............................................................................................................. 15 1
3 .1. FALSIFICAÇÃO DE SELO OU SINAL PÚBLICO................................................................... 152
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 152
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 152
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 152
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 153
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 153
6 . Forma e q u ip arad a (§ i ° ) ....................................................................................... 153
7. Forma m ajo rada (§ 2 ° ) ........................................................................................... 153
8 . Ação penal e co m p etência................................................................................... 154
3.2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO....................................................................... 154
1. C aracterísticas dos crim es de fa lsid ad e d ocum ental................................. 155
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 155
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 155
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 156
5. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 159
6 . Consum ação e tentativa........................................................................................ 159
7. Forma m ajo rada (§ i ° ) ........................................................................................... 160
8. Forma e q u ip arad a - alteração legislativa (§§ 30 e 40) .............................. 160
18 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

9. Concurso de c rim e s................................................................................................. 163


10. Distinção........................................................................................................................ 164
1 1 . Ação p e n a l................................................................................................................... 164
3.3. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR................................................................ 165
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 165
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 165
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 165
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 167
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 167
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 167
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 168
3.4. FALSIDADE IDEOLÓGICA OU INTELECTUAL..................................................................... 168
1. Distinção entre fa lsid ad e m aterial e fa lsid ad e id e o ló g ic a ...................... 168
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 169
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 169
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 169
5. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................. 172
6. Consum ação e tentativa......................................................................................... 172
7. Form as m a jo ra d a s.................................................................................................... 173
8. Sim u lação ..................................................................................................................... 174
9. D istin çã o ....................................................................................................................... 174
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 175
3.5. FALSO RECONHECIMENTO DE FIRMA OU LETRA........................................................... 175
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 175
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 176
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................................ 176
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 176
5. Consum ação e ten tativa......................................................................................... 176
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 177
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 177
3.6. CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO.................................................... 177
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 177
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 178
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................................ 178
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................. 179
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 179
6. Falsidade m aterial de atestado ou certid ão (§ 1 ° ) .................................... 179
7. Form a q u a lific a d a ..................................................................................................... 179
8. D istin çã o ....................................................................................................................... 180
9. Ação p e n a l................................................................................................................... 180
3.7. FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO................................................................................... 180
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 180
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 180
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................................ 181
4. Tipo su b je tiv o .................................................................... 182
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 182
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 182
7. D istin çã o ....................................................................................................................... 183
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 183
Sum ário 19

3.8. REPRODUÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE SELO OU PEÇA FILATÉLICA............................. 183


1. R e vo g açã o .................................................................................................................. 184
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 184
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 184
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 184
5. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 184
6. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 185
7. Forma e q u ip a ra d a .................................................................................................... 185
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 185
3.9. USO DE DOCUMENTO FALSO............................................................................................. 185
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 185
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 185
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 186
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 188
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 188
6. Uso de docum ento falso e e stelio n ato ........................................................... 188
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 189
8. Ação penal e co m p etência................................................................................... 190
3.10. SUPRESSÃO DE DOCUMENTO............................................................................................ 19 1
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 19 1
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 19 1
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 19 1
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 192
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 192
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 192
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 192

4. OUTRAS FALSIDADES..................................................................................................................... 193


4.1. FALSIFICAÇÃO DO SINAL EMPREGADO NO CONTRASTE DE METAL PRECIOSO OU
NA FISCALIZAÇÃO ALFANDEGÁRIA, OU PARA OUTROS FINS....................................... 193
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 193
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 193
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 193
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 194
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 194
6. Forma p r iv ile g ia d a .................................................................................................. 194
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 194
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 194
4.2. FALSA IDENTIDADE............................................................................................................... 195
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 195
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 195
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 195
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 196
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 196
6. D istin çã o ....................................................................................................................... 196
7. Falsa id en tid a d e e a u to d e fe s a ........................................................................... 197
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 198
4.3. USO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIA.............................................................. 198
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 198
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 198
20 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 198


4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 199
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 199
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 200
4.4. FRAUDE DE LEI SOBRE ESTRANGEIRO............................................................................. 200
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 200
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 200
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 200
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 201
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 201
6. Atribuição de falsa q u alid a d e a estran g e iro ................................................ 201
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 202
4.5. FALSIDADE EM PREjUÍZO DA NACIONALIZAÇÃO DE SOCIEDADE.............................. 202
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 202
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 202
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 202
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 203
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 203
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 203
4.6. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR.............................. 203
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 204
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 204
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 204
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 205
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 205
6. Form a m ajo ra d a (crim e funcional - § i ° ) ........................................................ 205
7. Form a e q u ip arad a (§ 2 ° ) ....................................................................................... 205
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 206

5. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO.................................................................. 206


5.1. FRAUDES EM CERTAMES DE INTERESSE PÚBLICO........................................................ 206
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 206
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 207
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 207
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 208
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 209
6. Form a eq u ip arad a (§ 1 ° ) ....................................................................................... 209
7. F o r m a q u a lif ic a d a ( § 2 ° ) ...................................................................................................... 209
8. Forma m ajo rada (§ 30) ........................................................................................... 209
9. 'Cola e le trô n ic a '....................................................................................................... 209
10. D istin çã o ...................................................................................................................... 210
11. Ação p e n a l................................................................................................................... 210

c ap ítu lo IV ► CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.................................................... 2 11

l. INTRODUÇÃO.................................................................................................................................. 211
1.1 . SISTEMATIZAÇÃO NO CÓDIGO PENAL.............................................................................. 211
1.2. CRIMES FUNCIONAIS........................................................................................................... 212
1.3. CONCURSO DE PESSOAS..................................................................................................... 212
1.4. CONCEITO DE FUNCIONÁRIOPÚBLICO............................................................................... 213
Sumário 21

1.4 .1. S ervid o r p ú b lic o .................................................................................................. 214


1.4.2. Sentido a m p lo ....................................................................................................... 215
1.4.3. Munus público....................................................................................................... 215
1.4.4. Funcionário público po r e q u ip a ra ç ã o ......................................................... 216
1.4.5. Abrangência do conceito para efeitos de sujeito p a s s iv o ................ 218
1.4.6. Funcionário público estran geiro .................................................................... 219
1.4.7. Causa de aum ento ............................................................................................... 219
1.5. EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA.................................................................. 221
1.6. REPARAÇÃO DO DANO PARA PROGRESSÃO DEREGIME................................................ 221
1.7. EFEITO DA CONDENAÇÃO.................................................................................................... 222
1.8 DOSIMETRIA DA PENA E PREJUÍZO.................................................................................. 223
1.9 PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNICA ...................................................................................... 223

2. CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIO PÚBLICO CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM


GERAL................................................................................................................................................ 225
2 .1. PECULATO.............................................................................................................................. 225
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 225
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 225
3. M o dalid ad es t íp ic a s ................................................................................................ 226
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 226
4.1. P e c u la to -a p ro p ria ç ã o .................................................................................. 227
4.2. P eculato -d esvio ............................................................................................... 228
4.3. P e cu la to -fu rto ................................................................................................. 230
4.4. Peculato de uso (" p e cu lato -u so ").......................................................... 232
4.5. Peculato na legislação e s p e c ia l............................................................... 232
5. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 233
6. Consum ação e tentativa........................................................................................ 233
7. Princípio da insignificância e p e c u la to ........................................................... 234
8. Peculato c u lp o s o ...................................................................................................... 235
9. Ação penal e d estaqu es relativos à com petência e à p en a .................... 237
2.2. PECULATO MEDIANTE ERRO DE OUTREM ("PECULATO-ESTELIONATO").................. 238
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 238
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 238
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 238
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 239
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 239
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 239
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 239
2.3. INSERÇÃO DE DADOS FALSOS EM SISTEMA DE INFORMAÇÕES
("PECULATO ELETRÔNICO")............................................................................................... 240
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 240
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 240
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 241
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 241
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 241
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 242
7. D istin çã o ....................................................................................................................... 242
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 242
2.4. MODIFICAÇÃO OU ALTERAÇÃO NÃO AUTORIZADA DE SISTEMA DE
INFORMAÇÕES...................................................................................................................... 242
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 242
Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

2. S u je ito s ............................................................................................................. 243


3. Tipo o b je tivo ................................................................................................... 243
4. Tipo su b je tiv o ................................................................................................. 243
5. Consum ação e tentativa............................................................................. 243
6. Forma m ajo rada (art. 313-B, parágrafo ú n ic o )................................. 244
7. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 ° ) .............................................................. 244
8. Ação p e n a l....................................................................................................... 244
EXTRAVIO, SONEGAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO...... 244
1. Bem ju ríd ic o ..................................................................................................... 244
2. S u je ito s ............................................................................................................. 245
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................... 245
4. Tipo su b je tiv o ................................................................................................. 245
5. Consum ação e tentativa............................................................................. 246
6. D istin çã o ........................................................................................................... 246
7. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 ° ) .............................................................. 246
8. Ação p e n a l....................................................................................................... 246
EMPREGO IRREGULAR DE VERBAS OU RENDAS PÚBLICAS............................. 247
1. Bem ju ríd ic o ..................................................................................................... 247
2. S u je ito s ............................................................................................................. 247
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................... 247
4. Tipo su b je tiv o ................................................................................................. 248
5. Consum ação e tentativa............................................................................. 248
6. Estado de necessid ad e ou in exigibilidade de conduta d iversa 248
7. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 ° ) .............................................................. 248
8. Ação p e n a l....................................................................................................... 248
CONCUSSÃO E EXCESSO DE EXAÇÃO................................................................... 249
1. Bem ju ríd ic o ..................................................................................................... 249
2. S u je ito s ............................................................................................................. 249
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................... 250
4. Tipo su b je tiv o ................................................................................................. 252
5. Consum ação e tentativa............................................................................. 252
6. Excesso de e x a ç ã o ....................................................................................... 253
7. Form a m ajo rada (art. 327, § 20).............................................................. 254
8. D istin çã o ........................................................................................................... 254
9. Ação penal e d osim etria da p e n a ........................................................ 255
CORRUPÇÃO PASSIVA.............................................................................................. 256
1. Bem ju ríd ic o .................................................................................................... 256
2. S u je ito s ............................................................................................................. 257
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................... 257
4. Tipo su b je tiv o ................................................................................................. 2 61
5. Consum ação e tentativa............................................................................. 26l
6. Forma m ajo rada (art. 317, § 1 ° ) .............................................................. 263
7. Forma m ajo rada (art. 327, § 2»).............................................................. 263
8. Forma p rivileg iad a (art. 317, § 2®).......................................................... 263
9. D istin çã o ........................................................................................................... 264
10. Ação p e n a l....................................................................................................... 264
FACILITAÇÃO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.......................................... 265
1. Bem ju ríd ic o ..................................................................................................... 265
2. S u je ito s ............................................................................................................. 265
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................... 266
Sumário 23

4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 266


5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 267
6. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 °) ......................................................................... 267
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 267
8. Ação penal e co m p etência................................................................................... 267
2.10. PREVARICAÇÃO..................................................................................................................... 267
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 268
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 268
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 268
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 269
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 270
6. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 ° ) ......................................................................... 270
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 270
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 271
2 .1 1. PREVARICAÇÃO IMPRÓPRIA OU ESPECIAL..................................................................... 271
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 271
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 271
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 272
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 273
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 274
6. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 ° ) ......................................................................... 274
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 274
2.12. CONDESCENDÊNCIA CRIMINOSA....................................................................................... 274
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 274
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 274
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 275
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 275
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 276
6. Form a m ajo ra d a (art. 327, § 2 ° ) ......................................................................... 276
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 277
2.13. ADVOCACIA ADMINISTRATIVA........................................................................................... 277
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 277
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 277
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 278
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 278
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 279
6. Form a m ajo rada (art. 327, § 2®).......................................................................... 279
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 279
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 280
2.14. VIOLÊNCIA ARBITRÁRIA...................................................................................................... 280
1. R e vo g açã o ................................................................................................................... 280
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 280
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 280
4. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 281
5. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 281
6. Consum ação e tentativa........................................................................................ 281
7. Forma m ajo rada (art. 327, § 2 ° ) .......................................................................... 281
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 281
2.15. ABANDONO DE FUNÇÃO..................................................................................................... 282
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 282
24 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

2. S u je ito s ......................................................................................................................... 282


3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 282
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 283
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 283
6. Forma qu alificad a em razão do prejuízo (art. 323, § i« )........................... 283
7. Forma qu alificad a em razão do locus delicti (art. 323, § 2 °).................... 284
8. Form a m ajo ra d a (art. 327, § 20).......................................................................... 284
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 284
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 284
2.16. EXERCÍCIO FUNCIONAL ILECALMENTE ANTECIPADO OU PROLONGADO................... 284
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 284
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 285
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 285
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 285
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 285
6. Form a m ajo ra d a (art. 327, § 2 ° ) .......................................................................... 286
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 286
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 286
2.17. VIOLAÇÃO DE SIGILO FUNCIONAL.................................................................................... 286
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 286
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 287
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 287
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 287
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 288
6. Figuras p en ais acrescentad as pela Lei n. 9.983/00..................................... 288
7. Form a q u alificad a (art. 325, § 2 °) ........................................................................ 288
8. Forma m ajo ra d a (art. 327, § 2 ° ) .......................................................................... 288
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 288
10. Ação p e n a l................................................................................................................... 289
2.18. VIOLAÇÃO DO SIGILO DE PROPOSTA DE CONCORRÊNCIA........................................... 290
1. R e vo g açã o ................................................................................................................... 290
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 290
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 290
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 290
5. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 291
6. Consum ação e tentativa........................................................................................ 291
7. Ação p e n a l.................................................................................................................. 291

3. CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO EM GERAL........... 291


3.1. USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA................................................................................... 291
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 291
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 291
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 292
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 292
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 292
6. Form a q u a lific a d a ..................................................................................................... 292
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 292
3.2. RESISTÊNCIA.......................................................................................................................... 293
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 293
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 293
Sumário 25

3. Tipo o b jetivo ..................................................................................................... 294


4. Tipo su b je tiv o .................................................................................................. 295
5. Consum ação e ten tativa.............................................................................. 295
6. Forma q u a lific a d a ........................................................................................... 296
7. Concurso de c rim e s....................................................................................... 296
8. Ação p e n a l........................................................................................................ 297
DESOBEDIÊNCIA.......................................................................................................... 297
1. Bem ju ríd ic o .............................................................................. ....................... 297
2. S u je ito s ............................................................................................................... 297
3. Tipo o b je tivo ..................................................................................................... 298
4. Tipo su b je tiv o .................................................................................................. 303
5. Consum ação e tentativa.............................................................................. 303
6. D istin çã o ............................................................................................................ 304
7. Ação p e n a l........................................................................................................ 304
DESACATO.................................................................................................................... 305
1. Bem ju ríd ic o ...................................................................................................... 305
2. S u je ito s ............................................................................................................... 305
3. Tipo o b je tivo ..................................................................................................... 306
4. Tipo su b je tiv o .................................................................................................. 30 7
5. Consum ação e tentativa.............................................................................. 308
6. D istin çã o ............................................................................................................ 308
7. Ação p e n a l........................................................................................................ 308
8. Recepção, controle de co nvencio nalid ad e e d escrim in alização 309
TRÁFICO DE INFLUÊNCIA.......................................................................................... 312
1. Bem ju ríd ic o ...................................................................................................... 312
2. S u je ito s ............................................................................................................... 312
3. Tipo o b jetivo ..................................................................................................... 312
4. Tipo s u b je tiv o .................................................................................................. 313
5. Consum ação e tentativa.............................................................................. 3U
6. Forma m a jo ra d a ............................................................................................. 314
7. D istin çã o ............................................................................................................ 314
8. Ação p e n a l........................................................................................................ 315
CORRUPÇÃO ATIVA................................................................................................... 315
1. Bem ju ríd ic o ...................................................................................................... 315
2. S u je ito s .............................................................................................................. 315
3. Tipo o b jetivo .................................................................................................... 316
4. Tipo s u b je tiv o .................................................................................................. 319
5. Consum ação e tentativa.............................................................................. 319
6. Forma m a jo ra d a ............................................................................................. 319
7. D istin çã o ............................................................................................................ 319
8. Ação p e n a l....................................................................................................... 320
DESCAMINHO............................................................................................................ 320
1. Bem ju ríd ic o ...................................................................................................... 321
2. S u je ito s ............................................................................................................. 321
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................... 321
4. Tipo su b je tiv o ................................................................................................. 323
5. Consum ação e tentativa............................................................................. . 323
6. Princípio da in sig n ificân cia........................................................................ 324
7. Figuras e q u ip a ra d a s (§ 1 ° ) ........................................................................ 326
26 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

8. Form a m ajo ra d a (§ 3®)........................................................................................... 32 7


9. D istin çã o ....................................................................................................................... 327
10. Ação penal e co m p etência................................................................................... 327
3.8. CONTRABANDO..................................................................................................................... 328
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 328
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 329
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 329
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 329
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 330
6. Princípio da in sig n ificân cia................................................................................... 330
7. Figuras e q u ip a ra d a s (§ 1» ) ................................................................................... 331
8. Forma m ajo rada (§ 3®)........................................................................................... 331
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 331
10. Ação penal e co m p etência................................................................................... 332
3.9. IMPEDIMENTO, PERTURBAÇÃO OU FRAUDE DE CONCORRÊNCIA............................. 332
1. R e vo g açã o ................................................................................................................... 332
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 332
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 333
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 333
5. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 333
6. Consum ação e tentativa........................................................................................ 334
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 334
3.10. INUTILIZAÇÃO DE EDITAL OU DE SINAL.......................................................................... 334
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 334
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 334
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 334
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 335
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 335
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 335
3 .11 . SUBTRAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE LIVRO OU DOCUMENTO....................................... 335
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 335
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 335
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 336
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 336
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 336
6. D istin çã o ...................................................................................................................... 336
7. A ç ã o p e n a l..................................................................................................................................... 337
3.12. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA....................................................... 337
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 338
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 338
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 338
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 339
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 340
6. Extinção da p u n ib ilid a d e (§ 1®)........................................................................... 340
7. Perdão ju d ic ia l ou ap licação d a pena de m ulta (§ 2®).............................. 342
8. Princípio d a in sig n ificân cia................................................................................... 342
9. Forma m in o rad a (§ 3®)........................................................................................... 343
10. Lançamento d e fin itivo ............................................................................................ 343
1 1 . Ação penal e co m p etência................................................................................... 343
Sum ário 27

4. CRIMES PRATICADOS POR PARTICULAR CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTRAN­


GEIRA................................................................................................................................................. 344
4 . 1. CORRUPÇÃO ATIVA EM TRANSAÇÃO COMERCIAL INTERNACIONAL........................... 344
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 344
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 344
3. Tipo o b jetivo ................................................................................................................ 344
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 345
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 345
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 346
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 346
4.2. TRÁFICO DE INFLUÊNCIA EM TRANSAÇÃO COMERCIAL INTERNACIONAL................. 346
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 346
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 346
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................................ 347
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 347
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 347
6. Form a m a jo ra d a ....................................................................................................... 348
7. Ação p e n a l.................................................................................................................. 348

5. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA................................................................... 348


5 .1. REINGRESSO DE ESTRANGEIRO EXPULSO........................................................................ 348
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 348
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 348
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................................ 348
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 349
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 349
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 350
5.2. DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA................................................................................................ 350
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 350
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 350
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................................ 350
4. Tipo su b je tiv o .............................................................................................................. 353
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 354
6. Form a m ajo ra d a (§ i ° ) ........................................................................................... 354
7. Forma m in o rad a (§ 2 ° ) ........................................................................................... 355
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 355
9. D istin çã o ...................................................................................................................... 356
5.3. COMUNICAÇÃO FALSA DE CRIME OU DE CONTRAVENÇÃO......................................... 356
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 356
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 356
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................................ 357
4. Tipo s u b je tiv o .............................................................................................................. 358
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 358
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 359
5.4. AUTOACUSAÇÃO FALSA....................................................................................................... 359
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 359
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 359
3. Tipo o b je tivo ................................................................................................................ 359
4. Tipo s u b je tiv o .............................................................................................................. 360
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 361
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 361
28 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

5.5. fa lso t e s t e m u n h o ou FALSA PERÍCIA......................................................................... 361


1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 361
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 361
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 363
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 364
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 364
6. Form a m ajo ra d a (§ 1 » ) ........................................................................................... 366
7. Retratação (§ 2 °) ....................................................................................................... 367
8. Ação penal e p e n a .................................................................................................. 368
5.6. CORRUPÇÃO ATIVA DE TESTEMUNHA, PERITO, CONTADOR, TRADUTOR OU INTÉR­
PRETE..................................................................................................................................... 369
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 369
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 369
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 370
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 371
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 371
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 371
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 372
5.7. COAÇÃO NO CURSO DO PROCESSO.................................................................................. 372
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 372
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 372
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 372
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 373
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 374
6. Concurso de c rim e s................................................................................................. 374
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 374
5.8. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO DAS PRÓPRIAS RAZÕES.......................................................... 374
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 374
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 374
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 374
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 376
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 376
6. Concurso de c rim e s................................................................................................. 376
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 377
8. Ação p e n a l.................................................................................................................. 377
5.9. SUBTRAÇÃO OU DANO DE COISA PRÓPRIA EMPODER DE TERCEIRO........................ 377
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 378
2. S u je it o s ............................................................................................................................................ 378
3. Tipo o b je tivo .............................................................................................................. 378
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................. 378
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 378
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 378
5.10. FRAUDE PROCESSUAL.......................................................................................................... 379
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 379
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 379
3. Tipo o b jetivo .............................................................................................................. 379
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................. 380
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 380
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 380
Sumário 29

7. D istin çã o ...................................................................................................................... 381


8. Ação p e n a l.................................................................................................................. 381
5 .1 1. FAVORECIMENTO PESSOAL................................................................................................. 382
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 382
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 382
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 382
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 384
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 384
6. Forma p rivileg iad a (§ 1 ° ) ....................................................................................... 384
7. Escusa abso lutó ria (§ 2»)....................................................................................... 384
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 385
5 .12. FAVORECIMENTO REAL....................................................................................................... 385
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 386
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 386
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 386
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 387
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 387
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 387
3.13. FAVORECIMENTO REAL IMPRÓPRIO................................................................................. 387
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 388
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 388
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 388
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 389
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 390
6. Ação p e n a l.......................... 390
5.14. EXERCÍCIO ARBITRÁRIO OU ABUSO DE PODER.............................................................. 390
1. R e vo g açã o .................................................................................................................. 390
5.15. FUGA DE PESSOA PRESA OU SUBMETIDA A MEDIDA DE SEGURANÇA.................... 391
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 391
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 391
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 391
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 392
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 392
6. Forma q u alificad a (§ 1 ° ) ........................................................................................ 393
7. Forma q u alificad a (§ 3 °) ........................................................................................ 393
8.
Forma culposa (§ 40) ................................................................................................ 393
9. Concurso de crim es (§ 2 ° ) .................................................................................... 393
10. Ação p e n a l.................................................................................................................. 393
5.16. EVASÃO MEDIANTE VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA..................................................... 394
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 394
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 394
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 394
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 395
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 395
6. Concurso de c rim e s................................................................................................. 395
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 396
5.17. ARREBATAMENTO DE PRESO............................................................................................. 396
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 396
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 396
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 396
30 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 397


5. Consum ação etentativa.......................................................................................... 397
6. Concurso de c rim e s................................................................................................. 397
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 397
5.18. MOTIM DE PRESOS.............................................................................................................. 397
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 397
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 398
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 398
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 398
5. Consum ação e ten tativa.......................................................................................... 399
6. Concurso de c rim e s................................................................................................. 399
7. Ação p e n a l.................................................................................................................. 399
5.19. PATROCÍNIO INFIEL. PATROCÍNIO SIMULTÂNEO OU TERGIVERSAÇÃO.............................. 399
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 399
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 399
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 400
3 .1. Patrocínio in fie l............................................................................................... 400
3.2. Patrocínio sim ultâneo ou terg iversaçã o ............................................... 400
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 400
5. Consum ação e tentativa.......................................................................................... 401
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 401
5.20. SONEGAÇÃO DE PAPEL OU OBJETO DE VALOR PROBATÓRIO...................................... 401
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 401
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 401
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 402
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 402
5. Consum ação e ten tativa.......................................................................................... 402
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 403
5.21. EXPLORAÇÃO DE PRESTÍGIO.............................................................................................. 403
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 403
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 403
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 403
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 405
5. Consum ação e tentativa.......................................................................................... 405
6. Forma m a jo ra d a ....................................................................................................... 405
7. D istin çã o ...................................................................................................................... 406
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 406
5 .2 2 . VIO LÊN CIA OU FRAUDE EM ARREM ATAÇÃO JU D IC IA L......................................................... 406
1. Vigência......................................................................................................................... 406
2. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 407
3. S u je ito s ......................................................................................................................... 407
4. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 407
5. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 407
6. Consum ação e tentativa.......................................................................................... 408
7. Concurso de c rim e s................................................................................................. 408
8. Ação p e n a l................................................................................................................... 408
5.23. DESOBEDIÊNCIA A DECISÃO JUDICIAL SOBRE PERDA OU SUSPENSÃO
DE DIREITO............................................................................................................................. 408
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 408
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 408
Sumário 31

3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 409


4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 409
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 409
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 409

6. CRIMES CONTRA AS FINANÇAS PÚBLICAS................................................................................ 410


6 .1. CONTRATAÇÃO DE OPERAÇÃO DE CRÉDITO................................................................... 410
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 4 11
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 4 11
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 4 11
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 4 11
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 412
6. Forma e q u ip a ra d a .................................................................................................... 412
7. Ação p e n a l................................................................................................................... 413
6 . 2 . INSCRIÇÃO DE DESPESAS NÃO EMPENHADAS EM RESTOS A PAGAR.............................. 413
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 413
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 414
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 414
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 415
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 415
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 415
6.3. ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÃO NO ÚLTIMO ANO DO MANDATO OU LEGISLATURA...... 415
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 415
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 415
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 416
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 416
5. Consum ação e ten tativa........................................................................................ 417
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 417
6.4. ORDENAÇÃO DE DESPESA NÃO AUTORIZADA................................................................ 417
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 418
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 418
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 418
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 419
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 419
6. Ação p e n a l.................................................................................................................. 419
6.5. PRESTAÇÃO DE GARANTIA GRACIOSA.............................................................................. 419
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 419
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 420
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 420
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 420
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 421
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 421
6.6. NÃO CANCELAMENTO DE RESTOS A PAGAR................................................................... 421
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 421
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 421
3. Tipo o b je tivo ............................................................................................................... 422
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 422
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 423
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 423
32 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

6.7. AUMENTO DE DESPESA TOTAL COM PESSOAL NO ÚLTIMO ANO DO MANDATO OU


LEGISLATURA......................................................................................................................... 423
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 423
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 423
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 424
4. Tipo su b je tiv o ............................................................................................................ 425
5. Consum ação e tentativa......................................................................................... 425
6. Ação p e n a l................................................................................................................... 425
6.8. OFERTA PÚBLICA OUCOLOCAÇÃO DE TÍTULOS NO MERCADO.................................... 425
1. Bem ju ríd ic o ................................................................................................................ 426
2. S u je ito s ......................................................................................................................... 426
3. Tipo o b jetivo ............................................................................................................... 426
4. Tipo s u b je tiv o ............................................................................................................ 427
5. Consum ação e tentativa........................................................................................ 427
6. Ação p e n a l.................................................................................................................. 427

DISPOSIÇÕES FINAIS.............................................................................................................................. 429

1. LEGISLAÇÃO ESPECIAL.................................................................................................................... 429

2. VIGÊNCIA.......................................................................................................................................... 429
Capítulo I

Crimes contra a
incolumiddde pública

DOS CRIMES CONTRA


A INCOLUMIDADE PÚBLICA

Dos c rim e s de Dos c rim e s c o n tra a se gu rança Dos c rim e s co n tra


perigo com um d o s m e io s de com un icação e a sa ú d e pú blica
(arts. 250 a 259) t ra n sp o rte e o u tro s se rv iç o s (arts. 267 a 285)
p ú b lico s (arts. 260 a 266)

l. CRIMES DE PERIGO COMUM

1.1. INCÊNDIO

Art. 250. Causar incêndio, expondo a perigo a vid a , a inte­


gridade física ou 0 patrim ônio de outrem:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

§ i° . As penas aum entam -se de um terço:


I - se 0 crim e é com etido com intuito de
obter vantagem p e cun iária em proveito
próprio ou alheio ; II - se 0 incêndio é: a)
em casa habitada ou d estinada a habita­
ção; b) em edifício público ou destinado
a uso público ou a obra de assistência
Form a
social ou de cultura; c) em em barcação,
m a jo ra d a
a e ro n ave , com boio ou veículo de tra n s­
porte coletivo; d) em estação fe rro viária
ou aeród rom o ; e) em estaleiro, fábrica
ou oficina; f) em depósito de explosivo,
com bustível ou inflam ável; g) em poço
petrolífico ou galeria de m ineração; h)
em lavoura, pastagem , m ata ou floresta.

Form a __ § 2 °. Se culpo so 0 in cê n d io , é pe na de
c u lp o sa d ete nção , de s e is m e se s a d o is anos.
34 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

1. Bem jurídico
0 tipo penal visa a proteger a incolumidade pública, ou seja, a segurança de
um número indeterminado de pessoas.

2. Sujeitos
Sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum), inclusive o proprietário
do bem incendiado.
Sujeito passivo é a coletividade, bem como as pessoas que tiveram sua vida,
sua integridade física e seu patrimônio expostos a perigo.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - P re fe itu ra de C a ie ira s-S P - A ssesso r Ju ríd ico /P ro c u ra d o r-C e ra l) Foi
co nsid erad a correta a seguinte a lternativa: "Quanto aos crim es contra a Incolum idade
Pública (Título VIII, CP), po d e-se a firm a r que: (...) São crim es com uns quanto aos s u je i­
tos ativo e passivo".

3. Tipo objetivo
A conduta típica consiste em causar incêndio, ou seja, provocar combustão
de forma a expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de um
número indeterminado de pessoas.
Crime deforma livre: o delito de incêndio admite qualquer meio de execução,
inclusive a forma omissiva. Ex.: o agente coloca fogo em objetos localizados
na sua garagem; depois, com as chamas já altas e prestes a atingir a casa do
vizinho, nada faz para apagá-las. Atenção: basta a combustão (por meio de fogo,
de gás inflamável etc.), não sendo necessário que o incêndio provoque chamas.
Crime de perigo concreto: se o agente atear fogo em casa situada em local
ermo e isolado, onde não há vizinhos e nem outras residências, não haverá
crime de incêndio, podendo ser caso de delito de dano (art. 163, par. único, II, do
CP) em face do direito individual atingido. 0 art. 250 do CP exige a comprovação,
no caso concreto, de que pessoas ou coisas sofreram 0 risco de ser incendiadas.
Crim e de perigo comum ou coletivo: e x p õ e a p e r ig o um n ú m e r o in d e t e r m in a d o
de pessoas.
Nesse sentido: "É consabido que 0 crime de incêndio, previsto no artigo 250
do Código Penal, é um delito de perigo concreto, bastando, para sua configu­
ração, que o fogo tenha a potencialidade de colocar em risco os bens jurídicos
tutelados: a incolumidade pública, a vida, a integridade física ou 0 patrimônio de
terceiros - 0 que ocorreu no caso, uma vez que 0 fogo não se alastrou para os
prédios vizinhos devido a pronta intervenção do corpo de bombeiros impediu
essa ocorrência. Cumpre assinalar, ainda, que 0 delito em questão é um crime de
perigo comum, sendo prescindível que a conduta seja dirigida a determinadas
vítimas" (STJ, 5a T., AgRg no HC 192.574, j. 25/06/2013).
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 35

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-SC - 2010 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"C ausar incêndio expondo a perigo o patrim ônio de outrem é tipo penal classificado
como crim e de perigo abstrato".
(FCC - 2010 - TRT8 - A nalista Judiciário) "M ário, revo ltado com os su cessivo s defeitos
de seu velh o carro , levo u-o até um lugar erm o e d esab itad o e ateou fogo no veículo,
d estru in do -o . M ário: a) com eteu o crim e de incêndio culposo; b) com eteu o crime
de incêndio , em seu tipo fundam ental; c) com eteu o crim e de incêndio, em seu tipo
qu alificad o ; d) não cometeu crim e de incêndio, porque era o p ro p rietário da coisa
in ce n d ia d a ; e) não com eteu crim e de incêndio , porque tratan d o -se de local erm o e
d e sab itad o , o fato não ocasionou perigo comum e concreto". G ab arito : E.
(CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alter­
nativa: " 0 crim e de incêndio é de perigo abstrato. Dessa m an eira, é típica a conduta
do agente que cause incêndio em uma casa em ru ínas, in ab itad a e lo calizad a em local
so litário ".

4. Tipo subjetivo
0 a rt. 250 d o C ó d ig o P e n a l e x ig e 0 d o lo , o u s e ja , a v o n t a d e d e p r o v o c a r 0
in c ê n d io , d e v e n d o 0 a g e n te e s t a r c ie n te d e q u e s u a c o n d u ta ir á e x p o r a p e rig o
a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a ou 0 p a t rim ô n io d e o u tra s p e s s o a s . Na fo rm a s im p le s
(caput) n ã o há p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l o u d o lo e s p e c ífic o .
A p r o p ó s it o :" (...) 4- No c a s o , a p ó s 0 té rm in o d a in s tru ç ã o c rim in a l, fo i re c o n h e c id a
a p rá tic a d o c rim e d e in c ê n d io , p o r t e r 0 o ra p a c ie n te e x p o sto a p e rig o 0 p a trim ô n io
d a s v ítim a s , s e n d o d e s n e c e s s á ria a c o m p ro v a ç ã o d o risco à h ig id e z fís ic a , no s te rm o s
d o d e fe n siv o n a s ra z õ e s d a im p e tra ç ã o . Em v e r d a d e , 0 a rt. 250, cap u t, d o CP tip ifica
a co n d u ta d e c a u s a r in c ê n d io , e x p o n d o a v id a , a in te g ra lid a d e físic a ou 0 p a trim ô n io
É exigível para a configuração do crime tão somente 0 dolo
d a s v ítim a s a p e rig o . 5.
de perigo, independentemente de qualquer finalidade específica, s e n d o b a sta n te a
c o n sciê n c ia d a p o s s ib ilid a d e d e p r e ju d ic a r te rc e iro , a ss im co m o a c o m p ro v a ç ã o d o
e fe tivo risco d e e x p o r a v id a , a in te g ra lid a d e fís ic a e 0 p a trim ô n io d o o fe n d id o a
p e rig o " (STJ, 5a T., HC 437468, j. 19 /0 6 /20 18 ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2015 -T J-S C - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lternativa: "Os
crim es de perigo comum exigem elem ento subjetivo específico".

D ig a m o s q u e 0 a g e n te , d e p r im id o p o rq u e s u p u n h a t e r s id o a b a n d o n a d o p e la
m u lh e r a m a d a , d e c id a c o lo c a r fo go n a p r ó p r ia r e s id ê n c ia . Sem s a b e r, a n a m o r a d a
já h a v ia re g r e s s a d o , e e s t a v a e s c o n d id a p r e s t e s a f a z e r -lh e u m a s u r p r e s a . N e sse
c a s o , n ã o h a v e n d o d o lo d irig id o a e x p o r a p e rig o a v id a , a in t e g r id a d e fís ic a ou o
p a t rim ô n io d e o u tre m , im p õ e -s e c o n c lu ir p e la a t ip ic id a d e d o fa to .

Concurso d e crim es com o hom icídio doloso: c a s o a in t e n ç ã o d o a g e n te s e ja ,


u t iliz a n d o 0 fo g o , m a t a r a lg u é m , h a v e r á c rim e d e h o m ic íd io (a rt. 1 2 1 , § 2 °, III,
d o C P ). N e sta h ip ó t e s e , 0 a u t o r re s p o n d e ta m b é m p e lo d e lit o d o a rt. 250 s e o
in c ê n d io c a u s a d o e x p u s e r a p e r ig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a o u 0 p a t rim ô n io
36 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

d e o u t ra s p e s s o a s . H a v e r á c o n c u rs o f o rm a l im p r ó p r io d ia n t e d o s d e s íg n io s
a u tô n o m o s , ou s e ja , s o m a m -s e a s p e n a s .

Crim e d e perigo individual: c a s o o in c ê n d io s e ja p r o v o c a d o v is a n d o a um


n ú m e ro c e rto d e p e s s o a s , p o d e c a r a c t e r iz a r a p e n a s c rim e d e p e r ig o p a r a a v id a
ou s a ú d e d e o u tre m (a rt . 13 2 d o CP).

Crim e de dano qualificad o: s e a in t e n ç ã o d o a g e n te fo r c a u s a r d a n o a


um im ó v e l d a v ít im a e , p a r a is s o , u t iliz a r u m a s u b s t â n c ia in f la m á v e l, p o d e r á
r e s p o n d e r p e lo a rt. 16 3 , p a r. ú n ic o , II, d o CP ( c rim e d e d a n o q u a lif ic a d o ) , d e s d e
q u e s u a c o n d u ta n ã o v e n h a a e x p o r a p e r ig o a v id a , a s a ú d e e 0 p a t rim ô n io
d e o u tre m . S e , a lé m d o d a n o in d iv id u a l, c a u s a r p e rig o c o m u m , n ã o r e s p o n d e r á
p e lo c rim e d e d a n o q u a lif ic a d o p o r d is p o s iç ã o e x p r e s s a d e le i, já q u e c o n s ta
a c lá u s u la d e s u b s id ia r ie d a d e ("se 0 fato não constitui crime mais grave"). Ou
s e ja , 0 fa to s e a m o ld a r á a p e n a s no t ip o p e n a l d e m a io r g r a v id a d e (a rt . 250, § i ° ) .

In c ê n d io e estelionato: e n t e n d e m o s q u e h a v e r á c o n c u rs o d e c r im e s e n tre os
a rtig o s 250 e 171, § 20, V se 0 a g e n te , a o d e s t r u ir c o is a p r ó p r ia , co m 0 in tu ito d e
h a v e r in d e n iz a ç ã o ou v a lo r d e s e g u ro , u t iliz a r a lg u m m e io q u e c a u s e in c ê n d io ,
e , p o r c o n s e g u in t e , p e r ig o c o m u m . No c a s o , 0 e s t e lio n a t o p ro te g e 0 b e m ju r íd ic o
in d iv id u a lpatrimônio d a s e g u r a d o r a , a o p a s s o q u e 0 a rt. 250 tu te la 0 b e m ju r í­
d ic o incolumidade pública, d e s o rt e q u e n ã o h á bis in idem.
Fim político: s e 0 a g e n te c a u s a r in c ê n d io p o r in c o n fo rm is m o p o lític o , h a v e r á a
a p lic a ç ã o d a Lei d o s C rim e s C o n tra a S e g u ra n ç a N a cio n a l (a rt. 20 d a Lei n ° 7 .17 0 /8 3 ).

5. Consumação e tentativa
O c o rre a co nsum ação no m o m e n to em que 0 in c ê n d io cau sad o expõe
e f e t iv a m e n t e a p e rig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a ou 0 p a t rim ô n io d e o u tre m . Ou
s e ja , é in d is p e n s á v e l q u e um o b je t o e s p e c ífic o s e ja e x p o s to a p e rig o d e d a n o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2015 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa: "0
crim e de incêndio , po r se r de perigo comum, pode se co nsum ar com a provocação do
m ero perigo de incêndio , indep endentem ente de expo r diretam ente a risco à vid a ou
à integrid ade física ou patrim ônio de outrem ".
(CESPE - 2010 - MP-SE - Pro m oto r de Justiça) Foi c o n s id e r a d a incorreta a s e g u in t e a lt e r ­
n a t iv a : "Para q u e o c r im e d e in c ê n d io s e c o n s u m e , é n e c e s s á r io q u e h a ja a o m e n o s
le s ã o c o r p o r a l le v e e m u m a d a s v ít im a s " .

Perícia. É n e c e s s á r ia a r e a liz a ç ã o d e e x a m e p e r ic ia l, c o n fo rm e d is p o s iç ã o do
art. 173 do CPP: "No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e 0 lugar em que
houver começado, 0 perigo que dele tiver resultado para a vida ou para 0 patrimônio
alheio, a extensão do dano e 0 seu valor e as demais circunstâncias que interessarem
à elucidação do fato". N e sse s e n t id o : "1. C o n fo rm e e n te n d im e n to d e s ta C o rte
S u p e rio r, a p e n a s é p o s s ív e l a s u b s titu iç ã o d o la u d o p e r ic ia l p o r o u tro s m e io s de
p ro v a s e 0 d e lito n ã o d e ix a r v e s tíg io s , s e e s t e s t iv e re m d e s a p a r e c id o o u, a in d a ,
s e a s c ir c u n s t â n c ia s d o c rim e n ã o p e rm itire m a c o n fe cç ã o d o la u d o . 2. 0 d e lito d e
in c ê n d io d e ix o u v e s tíg io s e n ã o h o u v e 0 d e s a p a re c im e n to d e le s , p o is , c o n fo rm e
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 37

a firm a d o p e lo p r ó p rio a g ra v a n te , h o u v e le v a n ta m e n to fo to g rá fic o d o lo c a l. S e n d o


a s s im , s e fo i p o s s ív e l t ir a r fo to s d o lo c a l, ta m b é m s e r ia p o s s ív e l a r e a liz a ç ã o d e
la u d o té c n ic o . 3. Em c a s o s c o m o 0 p re s e n te , e s ta C o rte S u p e r io r s e p o s ic io n a no
s e n tid o d e a b s o lv e r 0 a c u s a d o , s e n d o in v iá v e l a d e te r m in a ç ã o d e p e r íc ia n e ste
m o m e n to , a té m e sm o p o rq u e é im p ro v á v e l q u e 0 lo c a l d o c rim e , q u e é a c a s a d a
v ítim a , te n h a p e r m a n e c id o in to c a d o p o r m a is d e 4 a n o s, s e n d o m o d ific a d o a té
m e s m o p e la a ç ã o n a tu ra l d o te m p o " (STJ, 6a T., AgRg no REsp 16 319 6 0 , j. 14 /0 2 /2 0 17 ).

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é a d m is s ív e l a tentativa: ap ó s d e r­
r a m a r g a s o lin a s o b r e 0 c a r ro d o v iz in h o d o q u a l p r e t e n d e s e v in g a r, 0 a g e n te é
s u r p r e e n d id o r is c a n d o 0 fó sfo ro .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2015 - TJ-SC - ju iz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "Os
crim es de perigo comum não adm item form a tentada".

Crim e im possível: c a s o 0 a g e n te s u p o n h a e s t a r u t iliz a n d o c o m b u s t ív e l p a r a a


p r á t ic a d o in c ê n d io , q u a n d o n a v e r d a d e s e tra ta d e m e io in id ô n e o ( h a v ia á g u a
no p o te d e á lc o o l, p o r e x e m p lo ), in c id ir á 0 a rt. 1 7 d o C ó d ig o P e n a l.

Tentativa a b a n d o n a d a : se a p ó s a p r o v o c a ç ã o d o in c ê n d io , m a s a n t e s q u e
s e ja e x p o s to a p e r ig o à v id a , à in t e g r id a d e f ís ic a ou a o p a t rim ô n io d e o u tre m , 0
s u je it o , a r r e p e n d id o , d e c id a v o lu n t a r ia m e n t e a p a g a r 0 fo g o , in c id ir á 0 a rt. 15 d o
C ó d ig o P e n a l, d e v e n d o e le r e s p o n d e r p e lo s a to s já p r a t ic a d o s . No c a s o , d u ra n te
a fa s e e x e c u tó ria , p o d e r á t e r p r a t ic a d o 0 c rim e d e d a n o (a rt . 16 3 d o CP).

6. Formas majoradas (§ i°)


No § i ° d o a rt ig o 250 d o C ó d ig o P e n a l e s tã o d is p o s t a s c a u s a s e s p e c ia is q u e
a u m e n t a m a p e n a d o caput (fo rm a s im p le s d o c rim e d e in c ê n d io ) d e 1 / 3 . S ão e la s :

I - Se 0 c r im e é c o m e t id o c o m in tu ito d e o b t e r v a n t a g e m p e c u n iá r ia em
p r o v e it o p r ó p r io o u a lh e io . É 0 c a s o d o a g e n te q u e , d e s e ja n d o d e s t r u ir 0 títu lo
q u e m a t e r ia liz a d ív id a q u e p o s s u i co m t e r c e ir o , p õ e fo go no e s c r it ó r io o n d e 0
d o c u m e n to e s tá a r m a z e n a d o . N ão h á n e c e s s id a d e q u e 0 s u je it o e fe t iv a m e n t e
o b t e n h a o lu c ro b u s c a d o , s e n d o s u fic ie n t e a p r o v a d e q u e a g iu co m e s t e fim .
Atenção: s e 0 a u t o r in c e n d e ia c o is a p r ó p r ia v is a n d o a o b t e r in d e n iz a ç ã o d e v a lo r
d e s e g u ro , e s t a r á c a r a c t e r iz a d o e s t e lio n a t o (a rt. 1 7 1 , § 2 V, d o C P ), e n ã o in c ê n ­
d io , d e s d e q u e d o fa to n ã o d e c o r r a p e rig o c o m u m .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(TJ-AP - 2 0 11 - Titu lar de Serviço s de Notas e de Registros) "Pedro ateou fogo em sua
loja de tecidos, com a fin alid ad e de obter 0 respectivo seguro, colocando em risco os
im óveis vizinhos. Em razão dessa conduta, Pedro resp o nd erá po r crim e de: a) perigo
para a vid a ou saú d e de outrem ; b) incêndio culposo; c) estelionato q u alificad o pela
fraud e para recebim ento de inden ização ou v a lo r de seguro; d) incêndio doloso qu a­
lificado pelo intuito de obter vantagem econôm ica em proveito p róp rio; e) estelionato
sim p les". G abarito : D.
38 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

II - Se 0 in c ê n d io é:

a ) e m c a s a h a b it a d a o u d e s t in a d a a h a b it a ç ã o . Casa habitada é a q u e la q u e
fu n c io n a s e r v in d o d e m o r a d ia a a lg u é m , a in d a q u e n ã o t e n h a e s te fim
e s p e c ífic o (c o m o o f u n c io n á r io q u e , t e n d o s id o d e s p e ja d o d a s u a c a s a ,
é a u t o r iz a d o p e lo p a t r ã o a d o r m ir n a e m p r e s a d u ra n t e c e rto te m p o ).
Já a c a s a d e s t in a d a a h a b it a ç ã o é a q u e la q u e fo i c o n s t r u íd a p a r a e s ta
f in a lid a d e , a in d a q u e n ã o e s t e ja s e n d o h a b it a d a p o r q u a lq u e r p e s s o a no
m o m e n to d o in c ê n d io . A p r o p ó s it o : " ( ...) 6. Q u a n to à c a u s a d e a u m e n to d o
a rt. 250, § i ° , II, 'a ', im p õ e -s e a in c id ê n c ia d a r e f e r id a m a jo r a n t e a in d a q u e
a r e s id ê n c ia n ã o e s t iv e s s e d e s o c u p a d a no m o m e n to d a p r á t ic a d e lit u o s a ,
p o is 0 texto le g a l m e n c io n a 'c a s a h a b it a d a ou d e s t in a d a a h a b it a ç ã o '" (STJ,
5a T., HC 437468, j. 19 /0 6 /2 0 18 ).

b ) em e d ifíc io p ú b lic o ou d e s t in a d o a u so p ú b lic o ou a o b r a d e a s s is t ê n c ia


s o c ia l o u d e c u lt u r a . Edifício público é u tiliz a d o p e lo E s ta d o , a in d a q u e este
n ã o s e ja 0 se u p r o p r ie t á r io . Edifício destinado a uso público é 0 q u e , e m b o ra
d e p r o p r ie d a d e p r iv a d a , p e rm ite 0 a c e s s o d o p ú b lic o em g e ra l, d e fo rm a
o n e ro s a ou g ra tu ita (c in e m a s , te a tro s , re s t a u ra n t e s , ig re ja s ). Há ta m b é m
os edifícios destinados a obras de assistência social ou de cultura, com o os
h o s p it a is e o s m u s e u s , re s p e c tiv a m e n te .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2014 - C â m a ra M unicipal de São José dos Cam pos-SP - A nalista Legislativo -
Advogado) " 0 crim e de incêndio , do caput do art. 250 do CP, tem expressa p revisão de
aum ento de pena de um terço se 0 incêndio: a) o corre durante 0 repouso noturno, b)
causa interrupção dos serviço s públicos de água, luz, gás ou telefo nia, c) é praticado
po r vingança ou com 0 fim de receb er indenização secu ritária . d) resulta em comoção
so cial, como grande núm ero de ferid o s ou d esa lo jad o s, e) é em edifício público ou
d estinado a uso público ou a obra de assistência so cial ou de cultura". G ab arito : E.

c) em e m b a r c a ç ã o , a e r o n a v e , c o m b o io ou v e íc u lo d e t r a n s p o r t e c o le t iv o .
T r a t a -s e d e v e íc u lo s d e s t in a d o s a o t ra n s p o r t e d e p e s s o a s , in c id in d o a
m a jo r a n t e a in d a q u e n ã o e s t e ja m o c u p a d o s p o r p e s s o a s ou c o is a s .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FEPESE - 2014 - MP-SC - Prom otor de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alter­
nativa: "Constitui causa de aum ento da pena do crim e de incêndio , previsto no Código
Penal B rasileiro , ação de co lo car fogo em balsa que transporta veícu lo s na travessia
de um rio que liga dois m unicípios do m esmo Estado."

d ) e m e s t a ç ã o f e r r o v iá r ia o u a e r ó d r o m o . P o r e x p r e s s a d is p o s iç ã o le g a l,
a cau sa de a u m e n to não p o d e r á in c id ir p a r a o s p o rt o s e e s t a ç õ e s
r o d o v iá r ia s .

e ) em e s t a le ir o , f á b r ic a ou o f ic in a . Estaleiro é 0 lo c a l d e s t in a d o à c o n s tru ç ã o
Oficina é o n d e s e
n a v a l. F á b ric a é e s t a b e le c im e n t o in d u s t r ia l. e x e rc e o fício
o u a r t e . N ão h á n e c e s s id a d e d e q u e e x is ta m p e s s o a s no m o m e n to d o
in c ê n d io p a ra a in c id ê n c ia d a m a jo ra n t e .
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 39

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz de D ireito) " C o n s t it u i c a u s a d e a u m e n t o d e p e n a 0 fa to d e 0
c r im e d e in c ê n d io s e r p r a t ic a d o : a ) m e d ia n t e u t iliz a ç ã o d e e x p lo s iv o s ; b ) e m s it u a ç ã o
d e v io lê n c ia d o m é s t ic a o u f a m ilia r c o n tr a a m u lh e r ; c ) e m e s t a le ir o , f á b r ic a o u o fic in a ;
d ) e m c a n t e ir o d e o b r a s e m á r e a d e g r a n d e d e n s id a d e d e m o g r á f ic a e p o p u la c io n a l;
e ) p o r m o t iv o fú til o u t o r p e " . G ab arito : C.

f) em d e p ó s ito d e e x p lo s iv o , c o m b u s tív e l ou in fla m á v e l. Exemplos: d in a m ite e


p ó lv o ra (e x p lo s iv o ), c a r v ã o , le n h a e p a lh a (c o m b u s tív e l), á lc o o l e p e tró le o
(in fla m á v e l). Atenção: 0 Estatuto d o D e s a rm a m e n to (a rt. 16 , p a rá g ra fo
ú n ic o . III, d a Lei n. 10 .8 26 /0 3) c rim in a liz a a co n d u ta d a q u e le q u e " e m p re g a r
a rte fa to e x p lo s iv o ou in c e n d iá rio , se m a u to riz a ç ã o ou em d e s a c o rd o com
d e te r m in a ç ã o leg a l ou re g u la m e n ta r" . V e ja -s e , p o rta n to , q u e 0 Estatuto
d o D e s a rm a m e n to se s a tis fa z com 0 perigo presumido, já q u e n ã o exige a
e x p o s iç ã o a p e rig o (c o n cre to ) d a v id a , d a in te g rid a d e fís ic a ou d o p a trim ô n io
d e o u tre m .

g) em p o ç o p e t r o líf e r o ou g a le r ia d e m in e r a ç ã o . A ju s t if ic a t iv a d o a u m e n to
r e s id e n a e n o rm e d if ic u ld a d e d e c o n tro le e e x tin ç ã o d o fo g o , u m a v e z
in ic ia d o o in c ê n d io .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(Inst. Acesso - 2 0 19 - PC -ES - Delegado de Polícia) Foi c o n s id e r a d a incorreta
a s e g u in te a lt e r n a t iv a : "N o c rim e d e in c ê n d io , a u m e n t a -s e a p e n a em d o is
t e rç o s s e 0 d e lito fo r p r a t ic a d o em g a le r ia d e m in e r a ç ã o " .

h) em la v o u r a , p a s t a g e m , m a t a ou f lo r e s t a . D e v e -s e a t e n t a r p a r a 0 princípio
da especialidade, p o is a c o n d u ta d e " p r o v o c a r in c ê n d io em m a ta ou
f lo r e s t a " é c r im e a m b ie n t a l, p r e v is t o no a rt. 4 1 d a Lei n. 9 .6 0 5 /9 8 . A s s im ,
a q u e s t ã o s e r á r e s o lv id a a p a r t ir d a e x p o s iç ã o d o b e m ju r íd ic o t u t e la d o a
p e r ig o c o m u m : s e 0 in c ê n d io n ã o o c a s io n a r p e r ig o à c o le t iv id a d e , 0 fa to
c a r a c t e r iz a r á c rim e a m b ie n t a l, d e v e n d o in c id ir 0 a rt. 4 1 d a le i e s p e c ia l.
Atenção: a s e le m e n t a r e s lavoura e pastagem n ã o e s t ã o p r e v is t a s na Lei
d o s C r im e s A m b ie n t a is , d e fo rm a q u e 0 in c ê n d io n e la s p r o v o c a d o , s e
o c a s io n a r p e r ig o c o le t iv o , s e r á e n q u a d r a d o no a rt . 250, § 1 ° , II, h, d o
C ó d ig o P e n a l.

► Importante:

A conduta de " s o lta r balões que possam provo car incêndio s nas flo restas e dem ais
form as de vegetação, em á re a s urban as ou q u alq u er tipo de assentam ento humano",
é crim e am b iental, previsto no art. 42 da Lei n. 9.605/98, punido com pena de detenção
de um a três anos ou m ulta, ou am bas as penas cum ulativam ente. Obs.: 0 referido
delito se consum a indep end en tem en te da cau sação do incêndio . Por outro lado, se ao
so ltar 0 balão 0 agente tiver assu m id o 0 risco de c a u sar incêndio , expondo a perigo
a v id a , a integridade física ou 0 patrim ônio de outrem , re sp o n d erá pelo crim e do art.
250 do Código Penal, co nsid erando 0 dolo eventual.
40 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

7. Forma culposa
De a c o r d o co m 0 § 2° d o a rt. 250 d o C ó d ig o P e n a l, há p r e v is ã o d a m o d a lid a d e
c u lp o s a d o c rim e d e in c ê n d io , s e n d o p r e v is t a p e n a d e d e te n ç ã o d e 6 m e s e s a 2
a n o s . T r a t a -s e , p o rta n to , d e in f ra ç ã o d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o .

P e n s e m o s no c a s o d o p a s s a g e ir o q u e , d u ra n t e 0 v o o , v a i a té 0 b a n h e ir o e
a c e n d e um c ig a rro . V e n d o q u e s e r á d e s c o b e rt o p o r t e r fu m a d o em lo c a l p r o ib id o ,
c o lo c a 0 c ig a r r o no c e s to d e p a p é is , d e ix a n d o 0 lo c a l r a p id a m e n t e . P o u c o d e p o is
a s c h a m a s to m a m c o n ta d o b a n h e ir o , e co m m u ito e s fo rç o s ã o c o n t id a s p e la
t rip u la ç ã o .

Atenção: a s m a jo r a n t e s d o § 10 s o m e n te s ã o a p lic a d a s a o in c ê n d io d o lo s o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "Acerca dos crim es contra a incolum idade pública: 0 crim e de incêndio não
adm ite a m o d alid ad e culposa".
(FCC - 2015 -T J -S C -J u iz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa: "Os
crim es de perigo comum não adm item form a culposa".
(VUNESP - 2015 - P refeitu ra de C a ie ira s-S P - A sse sso r Ju ríd ico /P ro cu ra d o r G eral) Foi
co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "0 crim e de incêndio som ente adm ite a
form a dolosa e a p reterd o lo sa".
(CESPE - 2010 - MP-SE - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lte r­
nativa: "Não se pune 0 incêndio culposo, a m enos que 0 sujeito ativo possua 0 d ever
legal de e vitar 0 perigo".

8. Formas majoradas (art. 258)


0 a rt . 258 d o C ó d ig o P e n a l p r e v ê o u t ra s h ip ó t e s e s d e a u m e n t o d e p e n a .

Se 0 in c ê n d io é doloso e d e le re su lta le s ã o c o rp o ra l d e n a tu re z a g ra v e , a p e n a é
a u m e n ta d a d e m e ta d e ; s e re su lta m o rte , a p e n a é a p lic a d a em d o b ro . T ra ta -s e , nos
d o is c a so s, d e c rim e p re te rd o lo s o (d o lo no a n te c e d e n te + c u lp a no c o n s e q u e n te ).
Se 0 re s u lta d o m a is g ra v e fo r d e s e ja d o p e lo a g e n te , n ã o h a v e rá c rim e d e p erig o
(in c ê n d io ), m a s sim d e d a n o (le s ã o g ra v e ou m o rte , c o n fo rm e 0 caso ).

Se o in c ê n d io é c u lp o s o e d e le re s u lt a le s ã o c o r p o r a l, a p e n a é a u m e n t a d a
d e m e t a d e ; s e re s u lt a m o rte , a p lic a -s e a p e n a c o m in a d a a o h o m ic íd io c u lp o s o ,
a u m e n t a d a d e 1 /3 .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2015 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa: "To­
dos os crim es de perigo comum adm item form a q u alificad a pelo resultado".

9. Ação penal
P ú b lic a in c o n d ic io n a d a . 0 d e lito d e in c ê n d io c u lp o s o é in f ra ç ã o p e n a l d e
m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o (Lei n. 9 .0 9 9 /9 5).
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 41

1.2. EXPLOSÃO

Art. 251. Expor a perigo a vid a , a integridade física ou 0 patrim ônio


de outrem , m ediante explosão, a rrem esso ou sim ples colocação de
engenho de dinam ite ou de substância de efeitos análogos:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.

§ i ° . Se a su b stân cia u tiliza d a não é d inam ite


Form a ou exp lo sivo de e feito s análogos:
p riv ile g ia d a
Pena - re clu sã o , d e um a qu atro ano s, e multa.

§ 2o. As p e n a s a u m e n tam -se de um terço , se


o co rre q u a lq u e r d a s h ip ó te se s p re v ista s no §
Form a
1®, I, do artigo ante rio r, ou é v is a d a ou a tingi­
m a jo ra d a
da q u a lq u e r d a s c o isa s e n u m e ra d a s no n ° II
do m esm o p arágrafo .

§ 3 o- No caso d e culp a, se a e xp lo sã o é de
d in am ite ou su bstân cia d e e feito s análogos,
Form a
a pe na é d e d ete nção , de se is m e ses a dois
cu lp o sa
ano s; nos d e m a is ca so s, é de d ete n çã o , de
três m e ses a um ano.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e , c o m o no c rim e d e in c ê n d io , a in c o lu m id a d e p ú b lic a .

2. Sujeitos
T r a t a -s e d e c rim e c o m u m , p o rta n to q u a lq u e r p e s s o a p o d e s e r s u je it o a tiv o
d o d e lito d e e x p lo s ã o .

C o m o s e e s tá d ia n t e d e d e lito d e p e rig o c o m u m , s u je it o p a s s iv o é a s o c ie d a d e
em g e ra l. Atenção: s e n in g u é m ( v id a , integridade física ou patrimônio de outrem)
fo r e x p o s to a p e r ig o co m a c o n d u ta d o a g e n te , n ã o h a v e r á c rim e d e e x p lo s ã o .

3. Tipo objetivo
0 d e lito c o n s is t e e m e x p o r a perigo a vida, a integridade física ou 0 patrimônio
de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de di­
namite ou de substância de efeitos análogos.

> Im portante:
A d iferen ça com 0 crim e de incêndio está no m eio de execução.
> Incêndio: 0 m eio utilizado é 0 fogo.
> Explosão: 0 m eio utilizado é a explosão, 0 arrem esso ou a colocação de engenho
de d inam ite ou de substância de efeitos análogos.
42 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Crim e d e perigo comum ou c o le tiv o : d e v e a lc a n ç a r um n ú m e r o in d e t e r m in a d o


d e p e s s o a s ou c o is a s . Atenção: a u s e n t e o p e r ig o c o le t iv o , h a v e r á o u tro d e lito
(c o m o , p o r e x e m p lo , d a n o q u a lif ic a d o - a rt. 16 3 , p a rá g ra f o ú n ic o , II).
Crim e d e perigo concreto: d e v e f ic a r d e m o n s t r a d o no c a s o c o n c re to q u e a
c o n d u ta d o a g e n te e x p ô s a p e r ig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a o u 0 p a t rim ô n io
d e o u tre m .
Crim e d e fo rm a vin cu lad a: a o c o n t rá r io d o c rim e d e in c ê n d io (q u e é d e fo rm a
liv r e ) , 0 d e lit o d e e x p lo s ã o é d e fo rm a v in c u la d a , já q u e 0 p r ó p r io t ip o p e n a l
in d ic a a fo rm a p e la q u a l p o d e r á s e r p r a t ic a d o .
In terp retação an aló gica: 0 t ip o p e n a l u t iliz a u m a f ó rm u la c a s u ís t ic a ou
e x e m p lif ic a t iv a (e n g e n h o de d in a m it e ) s e g u id a de um a f ó rm u la g e n é ric a
(s u b s t â n c ia d e e fe it o s a n á lo g o s , c o m o 0 trin itro to lu e n o , e x p lo s iv o c o m u m e n te
c o n h e c id o c o m o TNT).

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e r ig o , o u s e ja , a v o n t a d e d e p e r p e t r a r a e x p lo s ã o , d e c a u s a r
0 a r r e m e s s o ou d e c o lo c a r e n g e n h o d e d in a m it e o u d e s u b s t â n c ia d e e fe it o s
a n á lo g o s , d e m o d o a p r o v o c a r p e r ig o c o le t iv o .

É p r e v is t a , c o m o v e r e m o s , a m o d a lid a d e c u lp o s a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2010 - MP-SE - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lte r­
nativa: "Tratando-se de crim e de explosão, se a substância utilizada não fo r d inam ite
ou explosivo de efeitos análogos, 0 agente será m enos severam en te punido".

No q u e ta n g e a o c o n c u rs o d e c rim e s co m 0 h o m ic íd io d o lo s o , 0 e s te lio n a to
e 0 d a n o q u a lific a d o , re m e te m o s 0 le it o r a o s c o m e n tá rio s r e a liz a d o s q u a n d o d a
a n á lis e d o c rim e d e in c ê n d io .

5. Consumação e tentativa
0 d e lito d o a rt. 2 5 1 d o CP c o n s u m a -s e no m o m e n to em q u e a e x p lo s ã o , 0
a r r e m e s s o o u a s im p le s c o lo c a ç ã o d e e n g e n h o d e d in a m it e ou d e s u b s t â n c ia d e
e fe it o s a n á lo g o s e x p u s e r a p e rig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a o u 0 p a t rim ô n io
d e o u tre m .
A te n ç ã o : a e x p lo s ã o n ã o é e s s e n c ia l à c o n fig u ra ç ã o d o c rim e , já q u e o tip o
ta m b é m p u n e a to s a n t e r io r e s a e la , c o m o 0 m e ro arrem esso ou a s im p le s
colocação d a d in a m it e .
A t e n t a t iv a s e r á p o s s ív e l n a s d u a s p r im e ir a s m o d a lid a d e s (explosão e
arrem esso). A s im p le s colocação de dinam ite d if ic ilm e n te a c e it a r á a fo rm a te n t a d a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2018 - ABIN - Oficial de Inteligência) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alter­
nativa: "Situação hipotética: No intuito de provo car explosão de grandes proporções,
João a d q uiriu substância explosiva sem licença da a u to rid ad e com petente. 0 m aterial
acabou send o ap re e n d id o antes que fosse m ontado 0 d ispo sitivo explosivo. Assertiva:
Nessa situação, a conduta de João é atípica".
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 43

6. Forma privilegiada

De a c o r d o co m o § 1 ° , a p e n a s e r á m e n o r ( r e c lu s ã o d e 1 a 4 a n o s , e m u lta ) s e
a s u b s t â n c ia u t iliz a d a n ã o é d in a m it e ou e x p lo s iv o d e e f e it o s a n á lo g o s .

A ju s t if ic a t iv a e s t á no m e n o r p o t e n c ia l d e d a n o c a u s a d o p e la e x p lo s ã o , p e lo
a r r e m e s s o ou p e la c o lo c a ç ã o d a s u b s t â n c ia e x p lo s iv a .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


Foram co n sid e ra d a s corretas as seguintes afirm ativas:
(CESPE - 2010 - MP-SE - Pro m oto r de Justiça) "Tratando-se de crim e de explosão, se a
substância utilizada não for d inam ite ou explosivo de efeitos análogos, 0 agente será
m enos severam ente punido".
(CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) "0 crim e de explosão é m ais severam ente
punido se a substância utilizada para a explosão fo r dinam ite".

7. Formas majoradas
0 § 2 ° p r e v ê 0 a u m e n to d e 1 / 3 d a p e n a s e o c o r re re m a s h ip ó t e s e s d e s c r it a s
no § i ° d o a rt. 250. R e m e te m o s 0 le ito r, p o rta n to , a o s c o m e n tá rio s r e a liz a d o s
q u a n d o d a a n á lis e d o c rim e d e in c ê n d io . O b s.: t a is m a jo r a n t e s n ã o s e a p lic a m à
fo rm a c u lp o s a .

0 a rt. 258 d o C ó d ig o P e n a l p r e v ê o u t ra s h ip ó t e s e s d e a u m e n to d e p e n a , c o n ­
fo rm e r e f e r id o no ite m a n t e rio r.

EXPLOSÃO DE CAIXA ELETRÔNICO PARA SUBTRAÇÃO DE VALORES


> Antes d a Lei n° 13.654/2018: discutia-se se havia um só delito (furto qualificado pelo
rompimento de obstáculo) ou concurso formal de crimes (furto sim ples ou qualificado por
outra circunstância + explosão). A propósito: "(...) 3. Demonstrado que a conduta delituosa
expôs, de forma concreta, 0 patrimônio de outrem decorrente do grande potencial des­
truidor da explosão, notadamente porque 0 banco encontra-se situado em edifício des­
tinado ao uso público, ensejando a adequação típica ao crime previsto no art. 251 do CP,
incabível a incidência do princípio da consunção. 4- Infrações que atingem bens jurídicos
distintos, enquanto 0 delito de furto viola 0 patrimônio da instituição financeira, 0 crime
de explosão ofende a incolum idade pública" (STj, 6a T., REsp 1647539/SP, j. 21/11/20 17 ).
> Depois d a Lei n°. 13.6 54/2018: com a nova legislação, prevaleceu a tese do delito
único, já que 0 crim e-m eio (explo são ) é abso rvid o pelo crim e-fim (furto). Nesse se n ­
tido 0 § 4 °-A do artigo 155 do Código Penal: "A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10
(dez) anos e m ulta, se houver em prego de explosivo ou de artefato análogo que cause
perigo comum".

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"Situação hipotética: Um hom em , em 3 1/12 /2 0 18 , po r volta d as cinco horas da m ad ru­
gada, com a intenção de obter vantagem p e cu n iária, explodiu um caixa eletrônico
situado em um posto de com bustível. A ssertiva: De acordo com 0 STJ, ele respo nd erá
crim inalm ente po r furto qualificado em concurso form al im p ró prio com 0 crim e de
explosão m ajo rada".
44 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

(MP-RS - 2017 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Tem sido frequente a subtração de dinh eiro de caixas eletrônicos de agências bancá­
ria s com a utilização de dinam ites ou explosivos de efeitos análogos. Sob 0 ponto de
vista penal, a explosão de grandes proporções, que não raro destró i, além d os caixas,
parte d as instalaçõ es d as agências, expondo a perigo concreto a integrid ade física e
0 patrim ônio d as pesso as dos prédio s vizinhos, não pode s e r co n sid era d a sim ples
rom pim ento de obstáculo à subtração dos va lo res, m as crim e autônom o de explosão
em concurso form al com 0 delito patrim onial".

8. Forma culposa

C o n fo rm e 0 § 3 ° d o a rt. 2 5 1 , no c a s o d e c u lp a , s e a e x p lo s ã o é d e d in a m it e ou
s u b s t â n c ia d e e fe it o s a n á lo g o s , a p e n a é d e d e te n ç ã o , d e 6 m e s e s a 2 a n o s ; no s
d e m a is c a s o s , é d e d e te n ç ã o , d e 3 m e s e s a 1 a n o .

O b s e r v e -s e q u e s o m e n te a d m ite a m o d a lid a d e c u lp o s a a c o n d u ta d e causar


explosão; já o s a to s d e arrem essar e colocar dinam ite d e v e m s e r p r o v o c a d o s
d o lo s a m e n t e .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - P refeitu ra de C a ie ira s-S P - A sse sso r Ju ríd ico /P ro c u ra d o r G eral) Foi
co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "0 crim e de explosão, pela sua natureza
e form as de execução, não adm ite form a culposa".
(CESPE - 2 0 11 - DPE-MA - D efensor Público) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alter­
nativa: "Em relação aos d elito s de incêndio e explosão, não se adm ite a m o dalidade
culposa, send o a paz pública, nesses crim es, 0 bem ju ríd ico penalm ente tutelado".

9. Distinção
• E x p lo sã o c a u s a d a co m fim p o lític o : a rt. 20 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 (Lei d o s C rim e s
C o n tra a S e g u ra n ç a N a cio n a l).

• P e sca m e d ia n te a u tiliz a ç ã o d e e x p lo s iv o s ou s u b s t â n c ia s q u e , em co n ta to com


a á g u a , p ro d u z a m e fe ito s e m e lh a n t e : a rt. 3 5 , 1, d a Lei n. 9.605/98 (Lei d o s C rim e s
A m b ie n ta is).

• Q u e im a d e fo g o s d e a rtifíc io : a rt. 28, par. ú n ic o , d a LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

• E m p re g o de a rte fa to e x p lo s iv o ou in c e n d iá r io , se m a u t o riz a ç ã o ou em
d e s a c o rd o co m d e te r m in a ç ã o le g a l ou re g u la m e n ta r: a rt. 16 , par. ú n ic o . III, d a
Lei n. 10 .8 26 /0 3. E n q u a n to 0 a rt. 2 5 1 d o CP tra z c rim e d e p e rig o c o n c re to , 0 a rt.
16 , par. ú n ic o , III, d o Estatu to d o D e s a rm a m e n to tra z c rim e d e perigo p re su m id o
(n ã o h á n e c e s s id a d e d e d e m o n s t ra ç ã o , no c a s o c o n c re to , d e ris c o p a ra a v id a ,
in t e g rid a d e fís ic a ou p a trim ô n io d e o u tre m ). •

• T e rro ris m o : " S ão a to s d e t e rro ris m o : I - u s a r ou a m e a ç a r u sa r, tra n s p o rta r,


g u a rd a r, p o rt a r ou t r a z e r co n sig o explosivos, g a s e s tó x ic o s, v e n e n o s , c o n te ú d o s
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 45

b io ló g ic o s , q u ím ic o s , n u c le a re s ou o u tro s m e io s c a p a z e s cie c a u s a r d a n o s ou
p r o m o v e r d e s t ru iç ã o em m a s s a " (a rt. 2 °, § 1 ° , I, d a Lei n. 13 .2 6 0 /16 ).

10. Ação penal

0 c rim e d e e x p lo s ã o é d e a ç ã o p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . A m o d a lid a d e c u lp o s a


é in f ra ç ã o d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o .

T a n to a fo rm a p r iv ile g ia d a (§ i ° ) q u a n to a fo rm a c u lp o s a (§ 30) a c e it a m a
s u s p e n s ã o d o p r o c e s s o (a rt . 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5).

1.3. USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE

Art. 252. Expor a perigo a vid a , a integridade física ou 0


patrim ônio de outrem , usando de gás tóxico ou asfixiante:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é culpo so :


Form a
Pena - d ete nção , de trê s m e ses a um
c u lp o sa
ano.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , is to é , a v id a , a in t e g r id a d e fís ic a e 0
p a t rim ô n io d e um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

2. Sujeitos
T r a t a -s e d e c rim e c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 tip o p e n a l n ã o e x ig e d o s u je it o
a tiv o q u a lq u e r c o n d iç ã o ou q u a lid a d e e s p e c ia l.

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l. C a s o 0 a g e n te u t iliz e g á s tó xico


ou a s fix ia n t e co m a f in a lid a d e d e e x p o r a p e r ig o a v id a ou a s a ú d e d e p e s s o a
e s p e c ífic a , e s t a r á c a r a c t e r iz a d o 0 d e lito p r e v is t o no a rt. 13 2 d o CP, q u e é d e
p e rig o in d iv id u a l.

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a é e x p o r a p e r ig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a ou 0 p a t rim ô n io
d e o u t re m , u s a n d o d e g á s tó x ic o ou a s fix ia n t e .

Crim e d e fo rm a v in c u la d a : s o m e n te p o d e s e r p r a t ic a d o p o r m e io d a fo rm a
p r e v is t a em le i (u s o d e g á s tó x ic o ou a s f ix ia n t e ). C a s tóxico é 0 q u e c a u s a
e n v e n e n a m e n t o ; gás asfixiante é 0 q u e c a u s a s u fo c a ç ã o .

G ás m ortal: n ã o é n e c e s s á r io , ou s e ja , 0 g á s u t iliz a d o p e lo a g e n te n ã o p r e c is a
p r o v o c a r a m o rte d a v ít im a .
46 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Crim e d e perigo comum ou coletivo: a c o n d u ta d o a g e n te d e v e e s t a r d ir ig id a a


um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e in d iv íd u o s , m e s m o q u e , no c a s o c o n c re to , a p e n a s
u m a p e s s o a te n h a s id o e x p o s ta a p e rig o . Atenção: s e o a u t o r d e s e ja e x p o r a
p e r ig o p e s s o a ( s ) d e t e r m in a d a ( s ) , e s t a r á c a r a c t e r iz a d o o c rim e d o a rt. 13 2 d o CP.

C r im e d e p e r ig o c o n c re to : a s it u a ç ã o d e p e rig o d e v e s e r d e m o n s t r a d a no
c a s o c o n c re to .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e r ig o , ou s e ja , a v o n t a d e d e c o m e t e r a c o n d u ta d e s c r it a no tip o
p e n a l. 0 c rim e p o d e ta m b é m s e r p r a t ic a d o m e d ia n t e d o lo e v e n t u a l.

É p r e v is t a a m o d a lid a d e c u lp o s a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - Câ m ara M unicipal de Itatiba-SP - Advogado) Foi co n sid era d a incorreta
a seguinte alternativa: "0 crim e de uso de gás tóxico ou asfixiante, previsto no art. 252
do Código Penal, som ente é punível na m o d alid ad e dolosa".

5. Consumação e tentativa

0 d e lito s e c o n s u m a no m o m e n to em q u e 0 u s o d e g á s tó x ic o ou a s fix ia n t e
e x p u s e r a p e r ig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a ou 0 p a t rim ô n io d e o u tre m . T r a t a n d o -
s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é a d m is s ív e l a te n t a t iv a .

Crim e im possível: se 0 a g e n te u t iliz a r g á s q u e n ã o p o s s a p r o v o c a r p e rig o


a t e r c e ir o s , 0 fa to em t e s e s e r á a típ ic o p e la in e f ic á c ia a b s o lu t a d o m e io d e
e x e c u ç ã o (a rt. 1 7 d o CP).

6. Forma culposa
De a c o r d o co m 0 p a rá g ra fo ú n ic o , é p o s s ív e l a p r á t ic a do c rim e por
im p r u d ê n c ia , n e g lig ê n c ia ou im p e r íc ia .

7. Formas majoradas
As c a u s a s d e a u m e n to d e p e n a p r e v is t a s no a rt. 258 d o C ó d ig o P e n a l in c id e m
em re la ç ã o a o d e lito d e u so d e g á s tó x ic o ou a s fix ia n t e (v . c o m e n t á r io s a o c rim e
d e in c ê n d io ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alter­
nativa: "No crim e de uso de gás tóxico ou asfixiante, se 0 agente, em bora não q u e re n ­
do 0 resultad o m orte, o casion á-lo culposam ente, resp o nd erá pelos dois crim es: uso
de gás tóxico ou asfixiante e hom icídio culposo, em concurso form al".
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 47

8. Distinção

• 0 a g e n te v is a a e x p o r a p e rig o n ú m e ro d e te r m in a d o d e p e s s o a s : a rt. 13 2 d o CP.

• 0 a g e n te p ro v o c a , a b u s iv a m e n te , a e m is s ã o d e fu m a ç a , v a p o r ou g á s, q u e
p o s s a o f e n d e r ou m o le s t a r a lg u é m : a rt. 38 d a LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

• 0 a g e n te c a u s a p o lu iç ã o d e q u a lq u e r n a tu re z a em n ív e is t a is q u e re s u lte m ou
p o s s a m r e s u lt a r em d a n o s à s a ú d e h u m a n a , ou q u e p ro v o q u e m a m o rta n d a d e
d e a n im a is ou a d e s t ru iç ã o s ig n ific a tiv a d a flo ra : c rim e a m b ie n ta l (a rt. 54 d a Lei
n. 9.605/98).

• C o n stitui c rim e fa z e r uso d e a rm a s q u ím ic a s ou re a liz a r, no B ra sil, a tiv id a d e q u e


e n v o lv a a p e s q u is a , p ro d u ç ã o , e sto ca g e m , a q u is iç ã o , tra n s fe rê n c ia , im p o rta ç ã o
ou e x p o rta ç ã o d e a rm a s q u ím ic a s ou d e s u b stâ n c ia s q u ím ic a s a b ra n g id a s p e la
CPAQ com a fin a lid a d e d e p ro d u ç ã o d e ta is a rm a s ; b em c o m o c o n trib u ir p a ra ta is
c o m p o rta m e n to s (a rt. 4°, I e II, d a Lei n. 11.2 5 4 /0 5 ).

• T e rro ris m o : " S ão a to s d e t e rro ris m o : I - u s a r ou a m e a ç a r u sa r, tra n s p o rta r,


g u a rd a r, p o rt a r ou t r a z e r c o n sig o e x p lo s iv o s , gases tóxicos, v e n e n o s , c o n te ú d o s
b io ló g ic o s , q u ím ic o s , n u c le a re s ou o u tro s m e io s c a p a z e s d e c a u s a r d a n o s ou
p r o m o v e r d e s t ru iç ã o em m a s s a " (a rt. 20, § 1 ° , I, d a Lei n. 13 .2 6 0 /2 0 16 ).

9. Ação penal
T r a t a -s e d e c rim e p ro cessad o po r ação p e n a l p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . A
m o d a lid a d e c u lp o s a é in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o f e n s iv o , d e v e n d o
in c id ir o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s d a Lei n. 9.09 9/95.

É p o s s ív e l 0 sursis p r o c e s s u a l, ta n to na m o d a lid a d e d o lo s a q u a n to na
m o d a lid a d e c u lp o s a .

1.4. FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS


OU CÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE
r --------------------------------------------------^
Fabrico, forneci­ Art. 253. Fabricar, fornecer, adquirir, po ssuir ou tra n s­
mento, aquisição portar, sem licença da auto ridade, substância ou en-
posse ou transporte „ genho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou m aterial
de explosivos ou gás destinado à sua fabricação:
tóxico, ou asfixiante Pena - detenção, de se is m eses a d o is anos, e multa.
k________________________ á

1. Bem jurídico
0 b e m ju r id ic a m e n t e p ro te g id o no a rt. 253 d o C ó d ig o P e n a l é a in c o lu m id a d e
p ú b lic a .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .
48 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

T r a t a n d o -s e d e d e lit o d e p e r ig o c o m u m , s u je it o p a s s iv o s e r á a s o c ie d a d e
em g e r a l.

Crim e vago: a q u e le q u e te m c o m o s u je it o p a s s iv o e n te d e s p r o v id o d e
p e r s o n a lid a d e ju r íd ic a (c o m o a c o le t iv id a d e ) .

3. Tipo objetivo
0 d e lit o c o n s is te em fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem
licença da autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou
m aterial destinado à sua fabricação. E s ta m o s d ia n t e d e tipo misto alternativo, q u e
t r a z c r im e s d e a ç ã o m ú ltip la ou d e c o n t e ú d o v a r ia d o : s e o a g e n te p r a t ic a r v á r ia s
d a s c o n d u ta s n u c le a r e s p r e v is t a s e m le i, e s t a r á c o m e t e n d o um ú n ic o d e lito .

0 e le m e n t o n o rm a tiv o d o t ip o c o n s u b s t a n c ia d o n a e x p r e s s ã o " s e m lic e n ç a d a


a u t o r id a d e " in d ic a q u e , h a v e n d o a a u t o r iz a ç ã o , 0 fa to s e r á c o n s id e r a d o a típ ic o .
0 d e s c o n h e c im e n t o a c e r c a d a n e c e s s id a d e d a lic e n ç a p o d e r á c a r a c t e r iz a r e rro
d e tip o .
D errogação do tipo p en al: d e a c o r d o co m 0 a rt. 16 , p a rá g ra f o ú n ic o . III, d o
E sta tu to d o D e s a rm a m e n t o (Lei n. 10 .8 2 6 /0 3 ), p r a t ic a c rim e a q u e le q u e "possuir,
detiver, fab ricar ou em pregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização
ou em desacordo com determ inação legal ou regulamentar". C o m o s e v ê , h o u v e a
d e r r o g a ç ã o (re v o g a ç ã o p a r c ia l) d o a rt. 253 d o C ó d ig o P e n a l.

Crim e de perigo ab strato : é d e s n e c e s s á r ia a s u p e r v e n iê n c ia d e ris c o e fe tiv o


à c o le t iv id a d e , já q u e 0 p e rig o é p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e p r a t ic a r o s e le m e n to s o b je tiv o s d o tip o . 0 agente
d e v e t e r c iê n c ia d e q u e s u a c o n d u ta c a u s a rá p e rig o p a ra a in c o lu m id a d e p ú b lic a .

N ão h á p r e v is ã o d e f in a lid a d e e s p e c ia l ( e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l d o tip o
o u d o lo e s p e c ífic o ) e n e m d e m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 d e lito p re v is t o no a rt. 253 c o n s u m a -s e co m a p r á t ic a d o s v e r b o s n u c le a re s
d o tip o . É d e s n e c e s s á r ia a c o m p ro v a ç ã o d e ris c o c o n c re to à c o le t iv id a d e (tra ta -
s e , c o m o d ito , d e crime de perigo abstrato).
A te n t a t iv a é d e d ifíc il o c o r r ê n c ia p o r s e t r a t a r d e c rim e d e a ç ã o m ú ltip la .

6. Distinção
• F o rn e ce r, v e n d e r ou e n t re g a r g á s tó xico ou a s fix ia n te a m e n o r: a rt. 242 d o ECA
(Lei n. 8.069/90).

• P ro d u zir, r e c a r r e g a r ou re c ic la r, se m a u t o riz a ç ã o le g a l, ou a d u lt e ra r , d e
q u a lq u e r fo rm a , m u n iç ã o ou e x p lo s iv o : a rt. 16 , par. ú n ic o , IV, d o Estatu to do
D e s a rm a m e n to .
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 49

• P ro d u zir, p ro c e s s a r, f o rn e c e r ou u s a r m a te ria l n u c le a r se m a n e c e s s á ria


a u t o riz a ç ã o ou p a ra fim d iv e r s o d o p e rm itid o em le i (a rt. 20), ou p o ssu ir,
a d q u irir , tra n s fe rir, tra n s p o rta r, g u a r d a r ou t r a z e r co n sig o m a te ria l n u cle a r, se m
a n e c e s s á r ia a u t o riz a ç ã o (a rt. 22): in c id ê n c ia d a Lei n. 6 .4 5 3 /77, q u e d is p õ e
s o b re a r e s p o n s a b ilid a d e c iv il p o r d a n o s n u c le a re s e a r e s p o n s a b ilid a d e
c rim in a l p o r a to s re la c io n a d o s co m a t iv id a d e s n u c le a re s .

• Se 0 e n g e n h o e x p lo s iv o fo r p riv a t iv o d a s Fo rç a s A r m a d a s , p o d e r á in c id ir a Lei
d o s C rim e s C o n tra a S e g u ra n ç a N a c io n a l: a rt. 12 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .

7. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . É p o s s ív e l a in c id ê n c ia d a s c a u s a s d e
a u m e n to p r e v is t a s no a rt. 258 d o C ó d ig o P e n a l.

T r a t a -s e , n a fo rm a s im p le s , d e in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o ,
d e v e n d o s e r a p lic a d a s a s r e g ra s d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 . É p o s s ív e l a s u s p e n s ã o
c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o .

1.5. INUNDAÇÃO

Art. 254. Causar inundação, expondo a perigo a vida, a inte­


gridade física ou 0 patrimônio de outrem:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa, no caso de dolo,
ou detenção, de seis m eses a d o is anos, no caso de culpa.

1. Bem jurídico
P r o t e g e -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , e m fa c e d o p e r ig o c o m u m q u e a d v ê m d a
c o n d u ta p r o ib id a .

2. Sujeitos
0 s u je it o p a s s iv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a (c rim e c o m u m ).

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 c rim e é causar inundação, e x p o n d o a p e r ig o a v id a , a in t e g r id a d e fís ic a ou
0 p a t rim ô n io d e o u tre m .

Crim e de perigo concreto: a e x p o s iç ã o a p e rig o d a v id a , d a in t e g r id a d e fís ic a


ou d o p a t rim ô n io d e um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s d e v e r á s e r c o m p r o ­
v a d a no c a s o c o n c re to . A s s im , é im p r e s c in d ív e l q u e o e x tr a v a s a m e n t o d a s á g u a s
s e ja e m q u a n t id a d e s u fic ie n t e p a r a o c a s io n a r ris c o à c o le t iv id a d e .
50 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2010 - MP-SE - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "0 crim e de inund ação é punido m esmo que a v id a , a integridade física ou
0 patrim ônio de outrem não sejam expostos a perigo".

Crim e d e perigo comum ou c o le t iv o : c o lo c a e m r is c o um n ú m e r o in d e t e r m i­


n a d o d e p e s s o a s . S e n ã o h o u v e p e r ig o c o m u m , a in u n d a ç ã o p o d e r á c o n f ig u r a r
u s u r p a ç ã o d e á g u a s ( a r t . 1 6 1 , § 1 ° , I, d o CP) ou m e s m o d a n o ( a r t . 16 3 d o C P ).

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , o u s e ja , a v o n t a d e d e r e a liz a r o s e le m e n t o s o b je t iv o s d o t ip o . 0
d e lito p o d e s e r p r a t ic a d o p o r d o lo e v e n t u a l, q u a n d o 0 a g e n te a s s u m e 0 ris c o d e
c a u s a r in u n d a ç ã o , e x p o n d o a s o c ie d a d e a p e r ig o c o m u m .

É p u n id a a m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o co m a s u p e r v e n iê n c ia d o p e r ig o c o m u m , ou s e ja ,
q u a n d o o c o r r e r 0 a la g a m e n t o p r o v o c a d o p e la s a íd a d e á g u a d o s s e u s lim it e s ,
c a u s a n d o r is c o (p e r ig o c o n c re to ) à c o le t iv id a d e .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é a d m is s ív e l a fo rm a t e n t a d a .

6. Forma culposa
F o g e -s e à re g ra g e r a l, já q u e n ã o h á um tip o e s p e c ífic o p a r a a m o d a lid a d e
c u lp o s a .

A p r e v is ã o e s t á , e x c e p c io n a lm e n t e , no p r ó p r io p r e c e it o s e c u n d á r io : "Peno -
reclusão, de três a seis anos, e multa, no caso de dolo, ou detenção, de se is m eses
a dois anos, no caso de culpa".

7. Distinção
• Se 0 a g e n te n ã o q u e r 0 a la g a m e n to e n em a s s u m e 0 ris c o d e p ro d u z i-lo : p o d e rá
c a r a c t e r iz a r p e rig o d e in u n d a ç ã o (a rt. 255 d o CP).

• Se n ã o h o u v e r p e rig o co m u m ou c o le tiv o : p o d e r á c a r a c t e r iz a r u s u rp a ç ã o d e
á g u a s (a rt. 1 6 1 , § 1 ° , I, d o CP) ou d a n o (a rt. 16 3 d o CP).
• No c a s o d e d e v a s t a ç ã o q u e a te n te c o n tra a s e g u ra n ç a n a c io n a l: a rt. 20 d a Lei
n. 7 -17 0 /8 3 .
• In u n d a ç ã o co m o fim d e c a u s a r a m o rte d e a lg u é m : h a v e rá h o m ic íd io q u a lific a d o
(a rt. 1 2 1 , § 2o. III, d o CP), em fa c e d a asfixia.

8. Ação penal
T r a t a -s e d e c rim e p r o c e s s a d o p o r a ç ã o p e n a l p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

Na fo rm a c u lp o s a 0 rito é s u m a r ís s im o (Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), p o r s e t r a t a r d e c rim e


d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o .
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 51

1.6. PERIGO DE INUNDAÇÃO

Art. 255. Remover, d estru ir ou inutilizar, em prédio próprio


ou alheio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou 0
patrim ônio de outrem , obstáculo natural ou obra d estinada
a im p e d ir inundação:
Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.

1. Bem jurídico
P r o t e g e -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , ou s e ja , 0 p e r ig o c o m u m q u e a d v ie r d a
c o n d u ta in c r im in a d o r a p r e v is t a em le i.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o im e d ia t o é a c o le t iv id a d e . As p e s s o a s q u e tê m s u a v id a ,
in t e g r id a d e fís ic a ou p a t rim ô n io e x p o s to s a p e r ig o s ã o v ít im a s m e d ia t a s .

3. Tipo objetivo
0 c rim e c o n s is te em rem o ver, destruir ou inutilizar, em p r é d io p r ó p rio ou a lh e io ,
e x p o n d o a p e rig o a v id a , a in t e g rid a d e fís ic a ou 0 p a trim ô n io d e o u tre m , o b s tá c u lo
tipo misto alternativo,
n a tu ra l ou o b ra d e s t in a d a a im p e d ir in u n d a ç ã o . T ra ta -s e d e
que p re vê um crime de ação múltipla ou de conteúdo variado: h a v e rá um só d e lito
m e sm o q u e p ra tic a d o s , no m e sm o co n texto fá tic o , to d o s o s v e r b o s n u c le a re s .
Obstáculo n a t u r a l: é a q u e le c r ia d o p e la n a t u re z a .
Obra d estin ad a a im p ed ir a inundação: é a q u e la c r ia d a p e lo h o m e m , c o m o
a s b a r r a g e n s e c o m p o rt a s .

Crim e de perigo concreto: d e v e s e r d e m o n s t r a d o no c a s o c o n c re to , ou s e ja ,


n ã o é p r e s u m id o p e lo le g is la d o r. Atenção: 0 p e r ig o n ã o d e c o r r e d a e fe t iv a in u n ­
d a ç ã o , c o m o no d e lit o a n t e r io r (a rt . 254), m a s d o ris c o d e in u n d a ç ã o q u e a d v ê m
co m a p r á t ic a d a s c o n d u ta s d e s c r it a s no tip o .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2008 - MP-PE - Pro m oto r de Justiça) "Sobre 0 crim e de perigo de inundação,
previsto no Código Penal, é correto afirm ar: a) 0 elem ento subjetivo é tanto 0 dolo
quanto a culpa em sentido estrito; b) Só se consum a com a efetiva inundação ; c) Trata-
-se de crim e de perigo concreto, exigindo a causação de risco para a incolum idade
pública; d) Sujeito ativo do delito é a p en as 0 prop rietário do im óvel em que se encon­
tra 0 obstáculo ou a obra d estinada a im p e d ir inundação ; e) Para sua caracterização
basta a o corrência de perigo eventual". G ab arito : C.

Superveniência d a inundação. Se 0 a g e n te q u is e r d e s t r u ir o b s t á c u lo d e
c o n te n ç ã o d e á g u a s e a c a b a r c a u s a n d o in u n d a ç ã o (q u e é p r e v is t a , m a s n ã o
d e s e ja d a ) : e n t e n d e m o s q u e h a v e r á c o n c u rs o f o rm a l e n t re perigo de inundação
(a rt. 25 5 ) e inundação culposa (a rt . 254, 2a p a rt e d o p r e c e it o s e c u n d á r io ) .
52 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e re m o v e r, d e s t r u ir ou in u t iliz a r o b s t á c u lo n a t u ra l ou o b ra d e s t in a d a
a im p e d ir a in u n d a ç ã o , e s t a n d o o a u t o r c ie n te d e q u e c a u s a r á , co m s u a c o n d u ta ,
p e rig o c o m u m ou c o le t iv o .

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) e n e m d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

C a s o o d o lo d o a g e n te e s t e ja v o lt a d o a c a u s a r in u n d a ç ã o , e s t a r á c a r a c t e r iz a ­
d o 0 d e lit o d o a rt. 254 d o C ó d ig o P e n a l.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 20 14 - SAAE-SP - P ro c u ra d o r Jurídico) "0 crim e de perigo de inundação (CP,
art. 255) a p en as está caracterizad o se: a) 0 agente age dolosam ente, b) a inundação
efetivam ente o corre, c) a rem oção de obstáculo se dá em obra pública, d) 0 auto r do
fato tinha 0 d e ve r de e vitar 0 resultado, e) ocorre dano efetivo à vid a , integridade
física ou patrim ônio de outrem ". G ab arito : A.

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o co m a p r á t ic a d e q u a lq u e r d a s c o n d u ta s p r e v is t a s
no t ip o , ou s e ja , co m a e fe t iv a re m o ç ã o , d e s t r u iç ã o o u in u t iliz a ç ã o d e o b s tá c u lo
n a t u ra l ou o b ra d e s t in a d a a im p e d ir in u n d a ç ã o , d e s d e q u e a d v e n h a p e r ig o p a ra
a v id a , in t e g r id a d e f ís ic a o u p a t rim ô n io d e o u tre m .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , a t e n t a t iv a é, a o m e n o s e m te s e ,
p e r fe it a m e n t e p o s s ív e l. No e n ta n to , h á a u t o re s q u e n ã o a a c e it a m (B ite n c o u rt,
D a m á s io , C a p e z ).

6. Ação penal
A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . C o m o a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um
a n o , c a b e s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o (a rt. 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5).

É p o s s ív e l a in c id ê n c ia d a s c a u s a s d e a u m e n to p r e v is t a s n a p r im e ir a p a rt e d o
a rt. 258 d o C ó d ig o P e n a l.

1.7. DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO

Art. 256. C a u sa r desabam ento ou desm oronam ento, ex­


pondo a perigo a vida, a integridade física ou 0 patrim ônio
de outrem:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é culposo:


Form a
cu lp o sa Pena - d ete n çã o , de s e is m e ses a um
ano.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 53

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a .

2. Sujeitos
C o m o o t ip o p e n a l n ã o e x ig e q u a lq u e r c o n d iç ã o ou q u a lid a d e e s p e c ia l d o
a u t o r ( c rim e c o m u m ), o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta p r o ib id a é c a u s a r desabam ento ou desmoronamento, e x p o n d o a
p e rig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a ou o p a t rim ô n io d e o u tre m .

Desabamento: e s tá r e la c io n a d o à c o n s tru ç ã o (c a s a , e d if íc io e tc.).

Desm oronam ento: e s tá r e la c io n a d o a o s o lo , à ro c h a , à t e r r a etc.

D esab am ento/d esm oronam ento p a rcia l: n ã o d e s c a r a c t e r iz a o c r im e , d e s d e


q u e d e c o r r a , d a c o n d u ta d o a g e n t e , p e rig o co m u m e c o n c re to .

Perigo comum ou coletivo: e x p õ e a ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e


p esso as.

Perigo concreto: d e v e s e r c o n c re ta m e n t e d e m o n s t r a d o , ou s e ja , n ã o é
p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

Crim e de form a livre: p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r m e io d e e x e c u ç ã o . Em


c a s o d e u t iliz a ç ã o d e e x p lo s iv o , o d e lito s e r á o d o a rt. 2 5 1 (e x p lo s ã o ).

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e c a u s a r p e r ig o c o m u m . Está p r e v is t a a m o d a lid a d e c u lp o s a no
p a rá g ra f o ú n ic o (e le m e n t o n o rm a tiv o d o tip o ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - P refeitu ra de Ca ieira s-SP - A ssesso r Ju ríd ico /P ro c u ra d o r G eral) Foi
co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa: "0 crim e de desabam ento ou d esm o ro ­
nam ento som ente adm ite a form a culposa".

5. Consumação e tentativa

A c o n s u m a ç ã o é a lc a n ç a d a q u a n d o 0 a g e n te , co m a p r o d u ç ã o d o d e s a b a m e n t o
ou d e s m o r o n a m e n t o , e x p õ e a p e r ig o a v id a , a in t e g r id a d e f ís ic a ou 0 p a t rim ô n io
d e o u tre m .

Se o a g e n te , te n d o in ic ia d o o s a to s e x e c u tó rio s , n ã o c o n s e g u ir c o n s u m a r 0
c rim e p o r c ir c u n s t â n c ia s a lh e ia s à s u a v o n t a d e , e s t a r á c a r a c t e r iz a d o 0 conatus.
54 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Sa/im

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - P refeitu ra de C a ie ira s-S P - A sse sso r Ju ríd ico /P ro cu ra d o r-G e ral) Foi
co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "0 crim e de desabam ento previsto no
artigo 256, CP, co nsum a-se com a produção do resultad o (m orte ou lesão co rp o ral a
um núm ero indeterm inado de pessoas)".

6. Forma culposa

De acordo com o parágrafo único, se o crime é culposo a pena é de detenção


de 6 meses a 1 ano.

Tratando-se de crime praticado por imprudência, negligência ou imperícia,


não se admite a modalidade tentada.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 20 12 - TJ-BA - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Não é prevista a m o d a lid a d e culposa para 0 crim e de desabam ento".

7. Distinção

• ■ Se 0 p e rig o c r ia d o p e lo a g e n te te m o fim d e a tin g ir b e n s, e n ã o p e s s o a s : c rim e


d e d a n o (a rt. 16 3 d o CP).

• ■ Se 0 a g e n te , se m c r ia r p e rig o c o m u m , p r o v o c a r 0 d e s a b a m e n t o d e c o n stru ç ã o
o u , p o r e rro no p ro je to ou n a e x e c u ç ã o , d a r -lh e c a u s a : a rt. 29 d a LCP (D e c re to -
Lei n. 3 .6 8 8 /4 1).

• ■ Se 0 s u je it o a tiv o o m it e a p r o v id ê n c ia r e c la m a d a p e lo e s t a d o r u in o s o d e
c o n s t r u ç ã o q u e lh e p e r t e n c e o u c u ja c o n s e r v a ç ã o lh e in c u m b e : a rt . 30 d a
LCP (D e c r e t o -L e i n . 3 .6 8 8 /4 1).

8. Ação penal

T r a t a -s e d e c rim e p r o c e s s a d o p o r a ç ã o p e n a l p ú b lic a in c o n d ic io n a d a , s e n d o
p o s s ív e l, n a fo rm a s im p le s , 0 sursis p r o c e s s u a l (a rt . 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5).

A m o d a lid a d e c u lp o s a é in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o , e s t a n d o
s u b m e t id a a o rito s u m a r ís s im o d o J u iz a d o E s p e c ia l C r im in a l.

É p o s s ív e l a in c id ê n c ia d a s m a jo r a n t e s p r e v is t a s no a rt. 258 d o C ó d ig o P e n a l.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alter­
nativa: "Acerca dos crim es contra a incolum idade pública: 0 delito de desabam ento ou
desm oronam ento é m ajo rado quando praticado com a intenção de obter vantagem
pecun iária".
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 55

1.8. SUBTRAÇÃO, OCULTAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE MATERIAL DE SALVAMENTO

Art. 257. Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incên­


Subtração, dio, inundação, naufrágio, ou outro d esastre ou calam idade.
ocultação ou ap are lh o , m aterial ou qu alq ue r meio destinado a serviço de
inutilização de com bate ao perigo, de socorro ou salvam ento; ou im p e d ir ou
material de dificultar serviço de tal natureza:
salvamento Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

í. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a .

2. Sujeitos

T r a t a n d o -s e d e c rim e c o m u m , o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ,
in c lu s iv e o p r o p r ie t á r io d o a p a r e lh o , m a t e ria l o u m e io d e s t in a d o a o c o m b a t e a o
p e r ig o , d e s o c o rr o ou s a lv a m e n to .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 t ip o p e n a l é d iv id id o e m d u a s p a rt e s :

a) i a figura típica: subtrair, ocultar ou inutilizar, p o r o c a s iã o d e in c ê n d io ,


in u n d a ç ã o , n a u frá g io , ou o u tro d e s a s t r e ou c a la m id a d e , a p a r e lh o , m a t e ria l
ou q u a lq u e r m e io d e s t in a d o a s e r v iç o d e c o m b a te a o p e r ig o , d e s o c o rr o
ou s a lv a m e n t o . É n e c e s s á r io , p o rta n to , q u e e x is ta u m a situação de fato
expondo a incolumidade pública a perigo, se m a q u a l h a v e r á o u tro c rim e
(fu rto , d a n o e tc .).

b) 2a figura típica: im pedir ou dificultar serviço de combate ao perigo, de so co rro


ou salvam ento. T a is c o n d u ta s d e v e m s e r c o m e t id a s d u ra n t e o in c ê n d io ,
A forma é livre,
in u n d a ç ã o , n a u frá g io ou o u tro d e s a s t r e ou c a la m id a d e .
aceitando-se inclusive o emprego de violência ou a fraude (H u n g ria c ita ,
p o r e x e m p lo , a f a ls a in d ic a ç ã o d o lo c a l d o s in is t ro ).

Crim e de perigo ab strato: p e la d e s c r iç ã o d o s e le m e n t o s d o t ip o , t r a t a -s e d e


c rim e d e p e rig o a b s t ra t o , d e m o d o q u e o p e r ig o é in e r e n t e à a ç ã o e d is p e n s a s e r
c o m p r o v a d o ( n e s s e s e n t id o : Lu iz R. P ra d o , M ira b e t e , N ucci, M a s s o n ). Em s e n t id o
c o n t r á r io , R o g é rio G re c o s u s t e n t a q u e s e t ra ta d e c rim e d e p e r ig o c o n c re to ,
n e c e s s it a n d o , a s s im , a c o m p ro v a ç ã o d e q u e um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e
p e s s o a s te n h a s id o e f e t iv a m e n t e e x p o s to a p e rig o ( Curso de Direito Penal, V o l.
IV, 9a e d ., p . 57).
56 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e p r a t ic a r o s e le m e n t o s o b je t iv o s d o t ip o . A
e s p e c ífic a f in a lid a d e d o a g e n te é ir r e le v a n t e , d e s d e q u e e le t e n h a c iê n c ia q u e ,
co m s u a c o n d u ta , e s t a r á e x p o n d o a p e r ig o a in c o lu m id a d e p ú b lic a .

N ão h á p r e v is ã o d e m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
O c o rre a c o n s u m a ç ã o , n a p r im e ir a m o d a lid a d e , q u a n d o o a g e n te s u b t r a i,
o c u lta ou in u t iliz a o m a t e r ia l. Na s e g u n d a f o r m a , c o n s u m a -s e q u a n d o o a g e n te
p r a t ic a a lg u m c o m p o rt a m e n t o q u e im p e d e ou d ific u lta o s e r v iç o .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é a d m is s ív e l a te n t a t iv a .

6. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . F a z -s e p o s s ív e l a in c id ê n c ia d a s c a u s a s
d e a u m e n to d e p e n a d is p o s t a s n a p r im e ir a p a rt e ( c rim e d o lo s o ) d o a rt. 258 d o
C ó d ig o P e n a l.

1.9. DIFUSÃO DE DOENÇA OU PRAGA

Art. 259. Difundir doença ou praga que possa ca u sar dano


a floresta, plantação ou anim ais de u tilidad e econôm ica:
Pena - reclusão, de d o is a cinco anos, e multa.

P a rá g ra fo único. No caso de culp a, a


Form a
pe na é de d ete nção , de um a se is m e­
cu lp o sa
se s, ou m ulta.

1. Revogação tácita
E n te n d e m o s q u e 0 a rt. 6 1 d a Lei d o s C r im e s A m b ie n t a is re v o g o u ta c ita m e n te
0 a rt. 259 d o C ó d ig o P e n a l. No m e s m o s e n t id o : R e g is P ra d o , N ucci, R o g é rio G re c o ,
M a ss o n e D e lm a n to .

Código Penal Lei n. 9.605/98

Art. 259 - D ifu n d ir d o e nça ou p raga que possa Art. 6 1 - D isse m in a r d o e nça ou p raga ou e sp é ­
c a u s a r d an o a flo resta, pla n ta çã o ou a n im a is c ie s que p o ssam c a u s a r d an o à agricu ltu ra , à
d e u tilid a d e e co nô m ica: p e n a - re clu sã o , de p e c u á ria , à fa u n a , à flo ra ou a o s e co ssiste m as:
d o is a cinco ano s, e m ulta. pe na - re c lu sã o , de um a qu atro ano s, e m ulta.
P a rá g ra fo único - No ca so d e culp a, a p e n a é
d e d ete n çã o , d e um a se is m e ses, ou m ulta.

O b s e rv e -s e q u e a Lei n. 9.605/98 c a r a c t e r iz o u -s e , n e ste p a rtic u la r, c o m o no vatio


legis in mellius, já q u e a p e n a é m e n o r e n ã o h á p r e v is ã o d a fo rm a c u lp o s a . Im p õ e -
-s e , p o rta n to , a a p lic a ç ã o d o p r in c íp io d a r e t ro a tiv id a d e .
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 57

2. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a .

3. Sujeitos
T r a t a n d o -s e d e c rim e c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ,
in c lu s iv e 0 p r o p r ie t á r io d e f lo r e s t a , p la n ta ç ã o o u a n im a is d e u t ilid a d e e c o n ô m ic a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e .

4. Tipo objetivo
0 c rim e é difundir d o e n ç a ou p ra g a q u e p o s s a c a u s a r d a n o a f lo re s t a ,
p la n ta ç ã o ou a n im a is d e u t ilid a d e e c o n ô m ic a .

D oença: p r o c e s s o p a to ló g ic o q u e c o n d u z a o e n f ra q u e c im e n t o o u m o rte d e
p la n ta s ou a n im a is . P r a g a : s u rt o m a lé fic o r e p e n t in o e p a s s a g e ir o a p la n ta s ou
a n im a is .

Floresta: t e rre n o c o n s tit u íd o p o r f o rm a ç ã o d e n s a d e á r v o r e s . P lantação:


t e rre n o c u lt iv a d o , c o n s tit u íd o s p o r p la n ta s co m u t ilid a d e e c o n ô m ic a . Anim ais de
utilid ad e econôm ica: a q u e le s q u e in t e rfe re m n a a t iv id a d e e c o n ô m ic a , d o m é s t ic o s
(e x .: c a v a lo s ) ou n ã o (e x .: p a c a s ).

5. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e d if u n d ir d o e n ç a ou p r a g a , d e v e n d o 0 a g e n te
e s t a r c ie n te d e q u e c a u s a r á p e r ig o c o m u m . N ão há p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o
( e le m e n t o a n ím ic o d o tip o ).

0 C ó d ig o Penal pune a fo rm a c u lp o s a . Atenção: com o re f e r id o a c im a ,


e n t e n d e m o s q u e 0 a rt. 6 1 d a Lei n. 9.6 0 5/9 8 re v o g o u t a c it a m e n t e 0 a rt. 259 d o CP,
te n d o o c o r r id o abolitio criminis e m re la ç ã o à m o d a lid a d e c u lp o s a .

6. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o co m a d if u s ã o d a d o e n ç a ou p ra g a q u e e x p o n h a
a p e r ig o f lo r e s t a , p la n ta ç ã o ou a n im a is d e u t ilid a d e e c o n ô m ic a . B a s ta 0 p e rig o ,
s e n d o d e s n e c e s s á r ia a e fe t iv a c a u s a ç ã o d e d a n o a o s r e f e r id o s b e n s.

C o m o s e e s tá d ia n te d e d e lit o p lu r is s u b s is t e n te , é p o s s ív e l a te n ta tiv a .

7. Ação penal
P ú b lic a in c o n d ic io n a d a .
58 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

1.10. MAJORANTES NOS CRIMES DE PERIGO COMUM

A rt. 258. Se do crim e d olo so de perigo com um re su lta lesão c o rp o ­


ra l de natureza g rave , a pe na p riva tiva d e lib e rd a d e é a um e n tad a
de m e tade ; se re su lta m orte, é a p lic a d a em d o b ro . No caso de
culp a, se do fato resulta le sã o c o rp o ra l, a pe na a u m e n ta-se de
m e ta d e ; se re su lta m orte, a p lic a -s e a pena co m in a d a ao h o m icídio
culp o so , au m e n tad a de um terço.

1. Causas de aumento de pena nos crimes dolosos de perigo comum


De a c o r d o c o m a p r im e ir a p a r t e d o a r t . 258 d o C ó d ig o P e n a l, "se do
crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena
privativa de liberdade é aumentada de metade; se resulta morte, é aplicada
em dobro".
T r a t a -s e d e c r im e p r e t e r d o lo s o o u p r e t e r in t e n c io n a l, no q u a l h á d o lo no
fa to a n t e c e d e n t e e c u lp a no r e s u lt a d o c o n s e q u e n t e ( le s ã o c o r p o r a l g r a v e ou
m o rt e ).

Exemplo: 0 a g e n te c a u s a in c ê n d io d e fo rm a v o lu n t á r ia ( d o lo s a m e n t e ) , s e n d o
q u e d a s u a c o n d u ta re s u lt a a m o rte c u lp o s a d e a lg u é m ( r e s u lt a d o p r e v is ív e l, m a s
n ã o p e r s e g u id o ) . Na t e r c e ir a fa s e d o c r it é r io t rif á s ic o d e fix a ç ã o d a p e n a , o ju iz
d e v e r á f a z e r in c id ir a m a jo r a n t e , a p lic a n d o em d o b ro a s a n ç ã o p e n a l.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2016 -TJ-A M - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"Som ente 0 dolo qualifica os crim es contra a incolum idade pública, se estes resultam
em lesão co rpo ral ou m orte de pessoa".

C a s o , no e n ta n to , o s u je ito a tu e co m d o lo em re la ç ã o a o in c ê n d io e ta m b é m à
m o rte d a v ítim a , e s ta rá c a ra c te riz a d o o concurso formal imperfeito ou impróprio
de crimes (a rt. 70, caput, cúmulo material
2a p a rte , d o CP), a p lic a n d o -s e o s is te m a d o
(a s p e n a s s e r ã o s o m a d a s ).

2. C a u s a s d e a u m e n to d e p e n a n o s c r im e s c u lp o s o s d e p e rig o co m u m

"No caso de culpa, se do


D is p õ e a s e g u n d a p a rt e d o a rt. 258 d o C ó d ig o P e n a l:
fato resulta lesão corporal, a pena aumenta-se de metade; se resulta morte, aplica-
se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço".
V e r if ic a -s e , p o rt a n t o , q u e o d is p o s it iv o s o m e n te v a le r á p a ra o s c rim e s
c u lp o s o s d e p e rig o c o m u m , v a le d iz e r : in c ê n d io (a rt . 250, § 20), e x p lo s ã o (a rt.
2 5 1 , § 3 °)/ u s o d e g á s tó x ic o ou a s f ix ia n t e (a rt. 25 2, p a r á g r a f o ú n ic o ), in u n d a ç ã o
(a rt . 254) e d e s a b a m e n t o ou d e s m o ro n a m e n t o (a rt . 256, p a r á g r a f o ú n ic o ).
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 59

2. CRIMES CONTRA A SEGURANÇA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO E TRANS­


PORTE E OUTROS SERVIÇOS PÚBLICOS

2.1. PERIGO DE DESASTRE FERROVIÁRIO

Art. 260. Im pedir ou p e rturb ar serviço de estrada de ferro:


I - d estruindo, danificando ou d esarran jand o , total ou par­
cialm ente, linha férrea, m aterial rodante ou de tração, obra-
-d e -a rte ou instalação; II - colocando obstáculo na linha; III
- transm itindo falso aviso acerca do movim ento d os veículos
ou interrom pendo ou em baraçando o funcionam ento de telé ­
grafo, telefone ou radiotelegrafia; IV - praticando outro ato de
que possa resultar desastre:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

D e sa stre § i° . Se do fato re su lta d e sa stre :


fe rro v iá rio
Pena - re clu sã o , de qu atro a d o ze anos
(Fo rm a
e m ulta.
q u a lific a d a )

í. Bem jurídico
0 t ip o p e n a l v is a a p r o t e g e r a in c o lu m id a d e p ú b lic a , ou s e ja , a s e g u ra n ç a d o s
m e io s d e t r a n s p o r t e , d e c o m u n ic a ç õ e s e o u tro s s e r v iç o s p ú b lic o s .

2. Sujeitos
T r a t a -s e d e c rim e c o m u m , r a z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r
pesso a.

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 n ú c le o d o tip o p r e v ê a s c o n d u ta s im p e d ir e p e r tu r b a r s e r v iç o d e e s t r a d a
d e fe rro .
E s t r a d a d e ferro: q u a lq u e r v ia d e c o m u n ic a ç ã o em q u e c irc u le m v e íc u lo s d e
tra ç ã o m e c â n ic a , em trilh o s (co m o o tre m ) ou p o r m e io d e c a b o a é re o (co m o o
b o n d in h o d o P ã o -d e -A ç ú c a r). A d e fin iç ã o v e m d is p o s ta no a rt. 260, § 3°, d o C ó d ig o
P e n a l.

Os incisos I, II e III d o a rt. 260 in d ic a m 0 m e io p e lo q u a l 0 c rim e em e s tu d o


p o d e s e r p r a t ic a d o : I - d e s t r u in d o , d a n if ic a n d o ou d e s a r r a n ja n d o , to ta l ou
60 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

p a r c ia lm e n t e , lin h a f é r r e a , m a t e ria l ro d a n t e o u d e t r a ç ã o , o b ra d e a r t e ou
in s t a la ç ã o ; II - c o lo c a n d o o b s t á c u lo n a lin h a ; III - t r a n s m it in d o fa ls o a v is o a c e r c a
d o m o v im e n to d o s v e íc u lo s ou in t e r r o m p e n d o ou e m b a r a ç a n d o o fu n c io n a m e n to
d e t e lé g ra fo , t e le fo n e ou r a d io t e le g r a fia .

0 inciso IV d is p õ e q u e o im p e d im e n t o ou a p e r t u r b a ç ã o d o s e r v iç o d e e s t r a d a
d e fe rro p o d e o c o r r e r p e la p r á t ic a d e " o u tro a to d e q u e p o s s a r e s u lt a r d e s a s t r e " .
Ou s e ja , t o rn a 0 c rim e d e fo rm a liv r e . C o m o b e m a rg u m e n ta Lu iz R egis P ra d o , em
ra z ã o d a s u a a m p lit u d e , o s d e m a is in c is o s p e r d e m a u t ilid a d e ( Curso de Direito
Penal, V o l. 3, p . 1 1 2 ) .

Crim e de perigo comum: e x p õ e a ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

Crim e de perigo concreto: o p e r ig o d e v e s e r d e m o n s t r a d o no c a s o c o n c re to ,


ou s e ja , n ã o e s t á p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

D esastre: p u n e -s e (n o caput ) 0 p e rig o d e d e s a s t r e f e r r o v iá r io , e n ã o o


d e s a s t r e p r o p r ia m e n t e d ito , 0 q u a l e s tá d is p o s t o n o s § § i ° e 2 ° d o m e s m o a rtig o
260.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2012 - TJ-BA - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"Não integram 0 tipo penal perigo de d esastre ferro viário os veícu lo s de tração m e­
cânica po r m eio de cabo aéreo ".

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e r ig o , ou s e ja , a v o n t a d e d e p r a t ic a r o s e le m e n t o s o b je t iv o s d o
t ip o , c ie n te 0 a g e n te d e q u e p o d e r á a c a r r e t a r d e s a s t r e f e r r o v iá r io .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e c o n s u m a -s e co m a o c o r rê n c ia d a s itu a ç ã o d e p e rig o , ou s e ja , no e x ato
m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a a lg u m a d a s c o n d u ta s t íp ic a s e e x p õ e a p e rig o
um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , a t e n t a t iv a é a d m is s ív e l.

O b s.: a s m o d a lid a d e s p reterdolosa e culposa (§ § 1 ° e 2 °, a n a lis a d o s a s e g u ir)


n ã o a c e it a m a t e n t a t iv a .

6. Desastre ferroviário preterdoloso


Se d o fa to re s u lt a d e s a s t r e , a p e n a a p lic a d a a o a g e n te , o r ig in a lm e n t e d e 2 a
5 a n o s d e re c lu s ã o (e m u lta ), p a s s a a s e r d e 4 a 1 2 a n o s d e re c lu s ã o (e m u lta ).

0 § 10 d o a rt. 260 d o CP c a r a c t e r iz a -s e , c o m o s e v ê , c o m o c rim e q u a lif ic a d o


p e lo r e s u lt a d o , d e fin id o c o m o p r e t e r d o lo s o , já q u e 0 a g e n te a tu a co m dolo
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 61

q u a n to a o p e r ig o d e d e s a s t r e f e r r o v iá r io e culpa q u a n to a o re s u lt a d o ( d e s a s t r e
em s i).

7. Desastre ferroviário culposo


0 § 2 ° d o a rt. 260 d o CP p r e v ê p e n a m e n o r (6 m e s e s a 2 a n o s ) no c a s o d e
c u lp a , o c o r re n d o d e s a s t r e .

No e n ta n to , d a a n á lis e d o t ip o d e p r e e n d e -s e q u e a m o d a lid a d e c u lp o s a
s o m e n te se rá p u n id a se s o b r e v ie r 0 e fe tiv o d e sa stre . T r a t a -s e de c rim e
c o n d ic io n a d o p e lo r e s u lt a d o .

8. Forma majorada
qualquer dos crimes previstos nos arts. 260
De a c o r d o co m 0 a rt. 26 3, "Se d e
a 262, no caso de desastre ou sinistro, re su lta lesão corporal ou morte, aplica-se
0 disposto no art. 258". R e m e te m o s 0 le it o r a o s c o m e n t á r io s t e c id o s q u a n to a o s
c r im e s d e p e r ig o c o m u m .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IBADE - 20 17 - PC-AC - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "Acerca dos crim es contra a incolum idade pública: caso o corra, no crim e
de perigo de d esastre ferro viário , resultado m orte in d e se ja d o pelo agente, existirá
concurso de crim es com 0 delito de hom icídio culposo".

9. Distinção

• S a b o ta g e m co m fim p o lític o : a rt. 15 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .

• A g en te q u e a tu a co m dolo de dano, c o m o no c a s o d a s a b o ta g e m d e trilh o s d o


tre m p a ra m a ta r d e te r m in a d o p a s s a g e iro : d e v e r á r e s p o n d e r p o r h o m ic íd io . No
c rim e p re v is to no a rt. 260 0 dolo é de perigo.

• In t e r r o m p e r ou p e r t u r b a r s e r v iç o t e le g r á f ic o ou t e le f ô n ic o : a rt . 266 d o CP.
No e n t a n t o , s e 0 e m b a r a ç o f o r p r a t ic a d o c o m 0 fim d e im p e d ir o u p e r t u r b a r
s e r v iç o d e e stra d a de fe rro , e sta rá c a r a c t e r iz a d o 0 c r im e p r e v is t o no
a r t . 260, III, d o CP.

10. Ação penal


Os c r im e s s ã o d e a ç ã o p e n a l p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . A m o d a lid a d e c u lp o s a
é in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o , e s t a n d o s u je it a à s d is p o s iç õ e s d a
Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 . A c o m p e t ê n c ia é d a Justiça Estadual (STJ, CC 45.6 52/SP, 3a S e ç ã o ,
j. 22 /0 9 /2 0 0 4 ).
62 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

2.2. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE TRANSPORTE MARÍTIMO, FLUVIAL


OU AÉREO
Art. 26 1. Expor a perigo em barcação ou ae ron ave , própria
ou alh e ia , ou praticar qu alq ue r ato tendente a im p e d ir ou
dificultar navegação m arítim a, fluvial ou aérea:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos.

*---------------------------------------- ^

Atentado
contra
a segurança
de transporte
marítimo, fluvial
ou aéreo
L__________________________ A

§ 3°. No caso de culpa, se ocorre 0 s i­


Form a nistro:
cu lp o sa Pena - detenção, de se is m eses a d o is
anos.

1. Bem jurídico

0 b e m ju r íd ic o p r o t e g id o é a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em e s p e c ia l a s e g u ra n ç a
d o s m e io s d e t r a n s p o r t e c o le t iv o d e n a t u re z a m a r ít im a , f lu v ia l e a é r e a .

2. Sujeitos

A le i n ã o ex ig e q u a lq u e r c o n d iç ã o ou q u a lid a d e e s p e c ia l d o a u t o r (c rim e
c o m u m ), r a z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( c rim e v a g o ).

3. T ip o o b je t iv o

0 n ú c le o d o tip o é fo rm a d o p o r d u a s c o n d u ta s : a ) e x p o r a perigo em barcação


ou aeronave, própria ou alh eia; b) praticar qualquer ato tendente a im pedir ou
dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea.

Crim e de ação livre: p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r m e io d e e x e c u ç ã o .


Transporte coletivo, em funcionam ento ou n ão: a e m b a r c a ç ã o ou a e r o n a v e
d e v e s e d e s t in a r a o t ra n s p o r t e c o le t iv o , e n ã o p r e c is a e s t a r n e c e s s a r ia m e n t e em
v ia g e m (e m v o o ). C a s o o m e io d e t r a n s p o r t e c o le t iv o e s t e ja a n c o r a d o (o u te n h a
p o u s a d o ) , ta m b é m p o d e r á o c o r r e r o c rim e (e x .: s ã o f u r t a d a s p e ç a s n e c e s s á r ia s
a o fu n c io n a m e n to d o a v iã o , q u e s e e n c o n t ra em s o lo ).
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 63

Crim e d e perigo comum: c o lo c a em ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e


p esso as.

Crim e d e perigo concreto: d e v e s e r d e m o n s t r a d o no c a s o c o n c re to (n ã o v e m


p r e s u m id o p e lo le g is la d o r ) .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e rig o , co n siste n te na v o n ta d e d e p r a t ic a r o s e le m e n to s o b je tiv o s do
tip o , cie n te 0 a g e n te q u e c o lo c a rá em p e rig o um n ú m e ro in d e te rm in a d o d e p e s s o a s .

É p r e v is t a a m o d a lid a d e c u lp o s a , c o m o v e r e m o s a se g u ir.

5. Consumação e tentativa
C o m o s e e s tá d ia n t e d e c rim e d e p e rig o co m u m e c o n c re to , a c o n s u m a ç ã o
é a lc a n ç a d a q u a n d o 0 a g e n te p r a t ic a a c o n d u ta , e x p o n d o a p e r ig o um n ú m e ro
in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

A te n ta tiv a é a d m is s ív e l, já q u e s e tra ta d e d e lito p lu ris s u b s is te n te .

Obs.: a s m o d a lid a d e s preterdolosa (§ i° ) e culposa (§ 3 °) n ã o a d m ite m a fo rm a


te n t a d a .

6. Forma qualificada
De a c o r d o co m 0 § i ° , s e d o fa to re s u lt a n a u frá g io , s u b m e r s ã o o u e n c a lh e d e
e m b a r c a ç ã o ou q u e d a ou d e s t r u iç ã o d e a e r o n a v e , 0 a g e n te é p u n id o p e la fo rm a
q u a lif ic a d a d o c rim e . A p e n a , q u e o r ig in a lm e n t e e r a d e 2 a 5 a n o s d e re c lu s ã o ,
p a s s a p a r a 4 a 1 2 a n o s d e re c lu s ã o .

T r a t a -s e , p o rta n to , d e crime preterdoloso: h á dolo no fa to a n t e c e d e n t e


(cau sação in t e n c io n a l d e u m a s it u a ç ã o de p e rig o d e d e s a s t r e ) e culpa no
re s u lt a d o c o n s e q u e n te (n a u frá g io , s u b m e r s ã o ou e n c a lh e d e e m b a r c a ç ã o ou
q u e d a ou d e s t r u iç ã o d e a e r o n a v e ) .

7. Prática do crime com 0 fim de lucro


0 § 2 ° p r e v ê a p lic a ç ã o c u m u la t iv a d e m u lta no c a s o d e 0 a g e n te c o m e t e r 0
d e lito co m in tu ito d e o b t e r v a n t a g e m e c o n ô m ic a , p a r a s i o u p a ra o u tre m .

O b s e r v e -s e q u e a e fe t iv a o b t e n ç ã o d a v a n t a g e m é d e s n e c e s s á r ia , b a s t a n d o
q u e o a g e n te a tu e co m e s s e p r o p ó s it o .

8. Forma culposa
C o n fo rm e 0 § 3 °, s e o c o r re 0 s in is t r o em fa c e d a c o n d u ta c u lp o s a d o a g e n te ,
a p e n a é d e d e te n ç ã o d e 6 m e s e s a 2 a n o s .

T ra ta -s e d e crime condicionado pelo resultado, p o is a m o d a lid a d e c u lp o sa


s o m e n te e x is tirá no c a s o d e e fe tiv a m e n te o c o r re r 0 s in is tro .
64 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

9. Forma majorada
De a c o r d o co m 0 a rt. 263, "Se d e qualquer dos crimes previstos nos arts. 260
a 262, no caso de desastre ou sinistro, resulta lesão corporal ou morte, aplica-se
0 disposto no art. 258". R e m e te m o s 0 le it o r a o s c o m e n t á r io s t e c id o s q u a n to a o s
c r im e s d e p e r ig o c o m u m .

10. Distinção
• S a b o ta g e m co m fim p o lític o : a rt. 15 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .

• D e s tru iç ã o d a e m b a r c a ç ã o ou a e r o n a v e p o r m e io d e in c ê n d io ou e x p lo s ã o :
a rt. 250, § 1 ° , II, c, d o CP ou a rt. 2 5 1 , § 2 °, d o CP, c o n fo rm e 0 c a s o .

• Entregar-se, na p rática d a a v ia ç ã o , a a cro b a c ia s ou a v o o s baixos, fo ra d a zo n a em


q u e a le i 0 p erm ite, ou fa z e r d e s c e r a e ro n a v e fo ra d o s lu g are s d e stin a d o s a esse
fim : art. 35 d a LCP (D ecreto-Lei n. 3.688/41).

11. Ação penal


Os crimes são de ação penal pública incondicionada. A modalidade culposa
é infração penal de menor potencial ofensivo, estando sujeita às disposições da
Lei n. 9-099/95-

2.3. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE OUTRO MEIO DE TRANSPORTE

Art. 262. Expor a perigo outro meio de transporte público,


im pedir-lh e ou dificultar-lhe 0 funcionam ento:

r------------------------- ^ Pena - detenção, de um a dois anos.

Atentado
contra
Form a __ § 1 °. Se do fato re su lta d e s a stre , a pena
a segurança
q u a lific a d a é d e re clu sã o , de d o is a cinco anos.
de outro meio
de transporte
^ Á
§ 2o. No caso de culp a, se o co rre d e -
Form a __ sastre:
c u lp o sa Pena - d ete nção , de trê s m e ses a um
ano.

1. Bem jurídico
0 b e m ju r íd ic o p r o t e g id o é a in c o lu m id a d e p ú b lic a , e s p e c ia lm e n t e a s e g u ra n ç a
d o s m e io s d e t r a n s p o r t e q u e n ã o e s t ã o r e f e r id o s n o s a rtig o s a n t e r io r e s .

2. Sujeitos
T r a t a n d o -s e d e c rim e c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e e m g e ra l ( c rim e v a g o ).
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 65

3. Tipo objetivo
0 t ip o p r e v ê d u a s m o d a lid a d e s d e c o n d u ta : a ) e x p o r a p e rig o o u tro m e io d e
t r a n s p o r t e p ú b lic o ; e b ) im pedir ou dificultar 0 fu n c io n a m e n t o d e o u tro m e io d e
t r a n s p o r t e p ú b lic o .

Outro m eio de tran sp orte público: q u a lq u e r m e io de tra n sp o rte não


r e la c io n a d o no a rt. 2 6 1 d o CP, c o m o 0 ô n ib u s e a e m b a r c a ç ã o la c u s t re .

Transporte público: e x e rc id o p e lo E sta d o ou e x p lo r a d o p o r e m p r e s a p a r t ic u la r


m e d ia n t e c o n c e s s ã o d o p o d e r p ú b lic o .

Crim e de perigo comum e concreto: e x p õ e a ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o


d e p e s s o a s , d e v e n d o s e r d e m o n s t r a d o no c a s o c o n c re to (n ã o é p r e s u m id o p e lo
le g is la d o r ) .

4. Tipo subjetivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e r e a liz a r o s e le m e n t o s d o t ip o ,
e x p o n d o a ris c o a s o c ie d a d e em g e ra l (0 a g e n te d e v e t e r c iê n c ia q u e s u a c o n d u ta
c a u s a r á p e r ig o c o m u m ).

N ão s e e x ig e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l d o t ip o . É p r e v is t a a m o d a lid a d e
c u lp o s a , c o m o s e r á v is to a d ia n t e .

5. Consumação e tentativa

0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o q u a n d o 0 a g e n te p r a t ic a r q u a lq u e r d a s c o n d u ta s
p r e v is t a s no t ip o , v in d o e f e t iv a m e n t e a e x p o r a p e rig o a c o le t iv id a d e .

T r a t a n d o -s e d e d e lit o p lu r is s u b s is t e n t e , a t e n t a t iv a é p o s s ív e l.

O b s.: a s m o d a lid a d e s preterdolosa (§ i ° ) e culposa (§ 2 °) n ã o a d m ite m a fo rm a


te n t a d a .

6. Forma qualificada

De a c o r d o co m 0 § 1 ° , s e d o fa to re s u lt a d e s a s t r e , a p e n a é d e re c lu s ã o d e 2 a
5 a n o s . T r a t a -s e d e c r im e preterdoloso, p o is 0 a g e n te a tu a co m dolo em re la ç ã o
a o fa to ( e x p o s iç ã o a p e r ig o c o le t iv o d e o u tro m e io d e t r a n s p o r t e p ú b lic o ) e culpa
em re la ç ã o a o r e s u lt a d o ( d e s a s t r e ) .

7. Forma culposa
No c a s o d e c u lp a ( im p r u d ê n c ia , n e g lig ê n c ia ou im p e r íc ia ) , s e o c o r re d e s a s t r e ,
a p e n a é d e d e te n ç ã o d e 3 m e s e s a 1 a n o .

0 c rim e é condicionado pelo resultado, p o is s o m e n te e x is t irá a m o d a lid a d e


c u lp o s a q u a n d o e f e t iv a m e n t e o c o r r e r 0 d e s a s t r e .
66 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

8. Forma majorada
De a c o r d o co m o a rt. 26 3, "Se d e qualquer dos crimes previstos nos arts. 260
a 262, no caso de desastre ou sinistro, resulta lesão corporal ou morte, aplica-se
0 disposto no art. 258". R e m e te m o s 0 le it o r a o s c o m e n t á r io s t e c id o s q u a n to a o s
c r im e s d e p e r ig o c o m u m .

9. Distinção
• S a b o ta g e m co m fim p o lític o : a rt. 15 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .

• Impedir ou dificultar 0 funcionamento de instalação nuclear ou 0 transporte de


material nuclear: art. 27 da Lei n. 6.453/ 77-

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - Câ m ara M unicipal de Itatiba-SP - Advogado) Foi co nsid erad a incorreta
a seguinte a lternativa: "0 arrem esso de projétil contra veículo em m ovim ento, d e sti­
nado ao transporte público po r terra, configura crim e de atentado contra a segurança
de outro m eio de transpo rte". Obs.: v. art. 264 do CP.

10. Ação penal


Os crimes são de ação penal pública incondicionada. A modalidade culposa
é infração penal de menor potencial ofensivo, estando sujeita às disposições da
Lei n. 9 -099/ 95-

2.4. ARREMESSO DE PROJÉTIL

Art. 264. Arremessar projétil contra veículo, em movimento, desti­


nado ao transporte público por terra, por água ou pelo ar:
Pena - detenção, de um a seis meses.

P a rá g ra fo único. Se do fato re su lta le sã o


Forma c o rp o ra l, a pe na é de d ete n çã o , de se is m e­
qualificada se s a d o is a n o s; se re su lta m orte, a pe na é
a do art. 1 2 1 , § 3°, au m e n tad a de um terço.

1. Bem ju ríd ico

0 b e m ju ríd ic o p ro te g id o é a in c o lu m id a d e p ú b lic a , e s p e c ia lm e n te a s e g u ra n ç a
d o s m e io s d e tra n s p o rte p ú b lic o p o r t e rra , á g u a ou m ar.

2. S u je it o s

S u je ito a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ( c rim e c o m u m ).


S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( c rim e v a g o ).

3. T ip o o b je t iv o

0 n ú c le o d o t ip o c o n s is t e em arrem essar (atirar, lançar de forma violenta)


projétil.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 67

Projétil: q u a lq u e r o b je to s ó lid o a p to a c a u s a r d a n o (c o m o d a r d o s , p e d r a s ,
g a r r a f a s e tc .). D e s s a f o rm a , o la n ç a m e n to d e o v o s ou t o m a t e s , ou m e s m o d e
líq u id o s c o r r o s iv o s , n ã o s e e n q u a d r a no a rt. 264 d o CP.

Veículo em m ovimento: é im p r e s c in d ív e l q u e 0 p r o jé t il s e ja a r r e m e s s a d o
c o n tra v e íc u lo em m o v im e n to , s e n d o ir r e le v a n t e a v e lo c id a d e em que se
e n c o n t ra t ra fe g a n d o .

Veículo destinado ao transporte público: s e rv iç o e x e rc id o p e lo Estad o ou p o r


e m p re s a p a rtic u la r m e d ia n te c o n c e s s ã o d o p o d e r p ú b lico .

Crim e de perigo abstrato: n ã o é n e c e s s á ria a c o m p ro v a ç ã o d o p e rig o , q u e v e m


p r e s u m id o p e lo le g is la d o r. 0 im p o rta n te é q u e 0 p ro jé til la n ç a d o s e ja id ô n e o p a ra
p ro d u z ir d a n o em p e s s o a s ou c o is a s.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e r ig o , c a r a c t e r iz a d o p e la c o n s c iê n c ia e v o n t a d e d e p r a t ic a r o s
e le m e n t o s d o t ip o , c ie n te 0 a g e n te q u e p o d e r á c a u s a r d a n o à in c o lu m id a d e
p ú b lic a .

N ão h á e x ig ê n c ia d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l d o tip o e n e m d e m o d a lid a d e
c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
C o n s u m a -s e co m 0 la n ç a m e n to d o p r o jé t il em d ir e ç ã o a o v e íc u lo em m o ­
v im e n t o . C o m o s e t ra ta d e c rim e d e p e r ig o a b s t ra t o , n ã o é n e c e s s á r io q u e 0
v e íc u lo s e ja a tin g id o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2008 - ABIN - Agente de Inteligência) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte
alternativa: "Flávia arrem esso u projétil em ônibus d estinado ao transporte público,
enquanto 0 ônibus estava em m ovim ento e com p assageiro s em seu interior. Nessa
situação, a conduta de Flávia som ente será co n sid era d a crim e se tiv e r resultad o em
lesão corporal ou m orte; caso co ntrário, será co nsid erad a a p en as ilícito civil".

D ive rg e a d o u trin a a c e rc a d a p o s s ib ilid a d e d e tentativa. P a ra a lg u n s a u to re s


é p o s s ív e l 0 fra c io n a m e n to d a fa s e e x e c u tó ria , d e s o rte a p e r m it ir a te n ta tiv a
(R o g é rio G re c o , M ira b e te , M a sso n , N ucci). Em s e n tid o c o n t rá r io , s u s t e n t a -s e q u e s e
tra ta d e c rim e u n is s u b s is te n te , e , c o m o ta l, n ã o a d m ite a fo rm a te n t a d a (F ra g o so ,
Lu iz R. P ra d o , D a m á s io , D e lm a n to ). P e rfilh a m o s a p r im e ir a p o s iç ã o .

6. Formas qualificadas

De a c o r d o co m 0 p a r á g r a f o ú n ic o , "se do fato resulta lesão corporal, a pena


é de detenção, de 6 m eses a 2 anos; se resulta morte, a pena é a do art. 121, § 3°,
aum entada de um terço".
68 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

E s ta m o s d ia n t e d e figuras preterdolosas, p o is o a g e n te q u e r c a u s a r u m a
s it u a ç ã o d e p e rig o (la n ç a m e n to d o p r o jé t il c o n tra v e íc u lo em m o v im e n to ), m a s
a c a b a p r o v o c a n d o o re s u lt a d o m a is g ra v e ( le s ã o c o r p o r a l ou m o rte ), q u e lh e é
im p u t a d o c u lp o s a m e n t e .

7. Distinção
• A g en te a tu a co m d o lo d e d a n o (la n ç a o p ro jé til p a ra m a t a r ou f e rir): re s p o n d e
p o r h o m ic íd io ou le s ã o c o rp o ra l, c o n fo rm e o c a s o .

• D is p a r a r a rm a d e fo go ou a c io n a r m u n iç ã o em lu g a r h a b ita d o ou em s u a s
a d ja c ê n c ia s , em v ia p ú b lic a ou em d ire ç ã o a e la , d e s d e q u e e s s a c o n d u ta
n ã o t e n h a c o m o f in a lid a d e a p rá tic a d e o u tro c rim e : a rt. 15 d a Lei n. 10 .826 /0 3
(E statu to d o D e s a rm a m e n to ).

• A r r e m e s s a r ou d e r r a m a r em v ia p ú b lic a , ou em lu g a r d e u so c o m u m , ou d e
u so a lh e io , c o is a q u e p o s s a o fe n d e r, s u ja r ou m o le s t a r a lg u é m : a rt. 37 d a LCP
(D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IBADE - 20 17 - PC-AC - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lte r­
nativa: "Acerca dos crim es contra a incolum idade pública: há a rrem esso de projétil
quando alguém realiza d isp a ro s de arm a de fogo contra um ô nibus em andam ento".

8. Ação penal

A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

T r a t a -s e , ta n to n a fo rm a s im p le s (caput) q u a n to na fo rm a q u a lif ic a d a com


re s u lt a d o le s ã o c o r p o r a l ( p a r á g r a f o ú n ic o , i a p a rt e ), d e in f r a ç ã o p e n a l d e m e n o r
p o t e n c ia l o fe n s iv o , s u b m e t id a a o rito s u m a r ís s im o d a Lei n. 9.09 9/95.

2.5. ATENTADO CONTRA A SEGURANÇA DE SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA

1. Bem jurídico
0 b e m ju r íd ic o t u t e la d o é a in c o lu m id a d e p ú b lic a , e s p e c ia lm e n t e 0 r e g u la r
fu n c io n a m e n t o d o s s e r v iç o s p ú b lic o s d e á g u a , lu z , fo rç a ou c a lo r, e n tre o u tro s .
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 69

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta p r o ib id a é a te n ta r c o n tra a s e g u ra n ç a o u o fu n c io n a m e n t o d e
s e r v iç o d e á g u a , lu z, fo rç a ou c a lo r, ou q u a lq u e r o u tro d e u t ilid a d e p ú b lic a .

Crim e d e perigo ab strato: n ã o h á n e c e s s id a d e d e d e m o n s t ra ç ã o d o p e rig o


no c a s o c o n c re to , p o is e le é p r e s u m id o p e lo le g is la d o r. A s s im , o s e r v iç o p ú b lic o
n ã o p r e c is a s e r p a r a lis a d o , s u b s is t in d o o d e lito co m o m e ro a te n t a d o à s u a
s e g u ra n ç a ou fu n c io n a m e n t o .

S e rv iç o s p ú b lic o s : a q u e le s p r e s t a d o s p e lo E s ta d o ou p o r e m p r e s a s p a r t ic u la r e s
m e d ia n t e c o n c e s s ã o d o p o d e r p ú b lic o .

Q ualquer outro serviço de utilidade pública: o le g is la d o r v a le -s e d a in t e rp re t a ç ã o


a n a ló g ic a , t ra z e n d o u m a fó rm u la c a s u ís tic a ou e x e m p lific a tiv a (" s e rv iç o d e á g u a ,
lu z, fo rç a ou c a lo r " ) s e g u id a d e u m a fó rm u la g e n é ric a ( " q u a lq u e r o u tro s e rv iç o d e
u t ilid a d e p ú b lic a " , c o m o o s e rv iç o d e g á s ou d e lim p e z a ).

Crim e de form a livre: p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r m e io d e e x e c u ç ã o .


Atenção: s e o a g e n te u t iliz a r fo g o ou e x p lo s iv o , e s t a r á c a r a c t e r iz a d o o d e lito d o
a rt. 250 ou d o a rt . 2 5 1, c o n fo rm e 0 c a s o .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e a t e n t a r c o n tra a s e g u ra n ç a ou 0 fu n c io n a m e n to
d e q u a lq u e r s e r v iç o d e u t ilid a d e p ú b lic a , c ie n te 0 a g e n te d e q u e s u a c o n d u ta irá
c r ia r p e r ig o c o m u m ou c o le t iv o .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l ou m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa

A c o n s u m a ç ã o é a lc a n ç a d a co m a p r á t ic a d e a lg u m a to q u e a te n te c o n tra a
s e g u ra n ç a o u 0 fu n c io n a m e n t o d e q u a lq u e r s e r v iç o d e u t ilid a d e p ú b lic a . C o m o
s e e s t á d ia n t e d e d e lito d e p e r ig o a b s t ra t o ( p r e s u m id o ) , n ã o h á n e c e s s id a d e d e
d e m o n s t r a ç ã o d a e fe t iv a p o s s ib ilid a d e d e d a n o .

E m b o ra d e d ifíc il c o n fig u ra ç ã o , e n t e n d e m o s p o s s ív e l a fo rm a te n t a d a , d e s d e
q u e 0 a g e n te , te n d o in ic ia d o o s a to s e x e c u tó rio s , n ã o c o n s ig a c o n s u m a r 0 c rim e
p o r c ir c u n s t â n c ia s a lh e ia s à s u a v o n t a d e .

6. Forma majorada

De a c o r d o co m 0 p a rá g ra f o ú n ic o , "aum entar-se-á a pena de um terço até


a metade se 0 dano ocorrer em virtude de subtração de m aterial essencial ao
funcionamento dos serviços".
70 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

A in c id ê n c ia d a c a u s a e s p e c ia l d e a u m e n to d e p e n a s o m e n te o c o r r e r á q u a n d o
a d v ie r d a n o a o s s e r v iç o s em fa c e d a s u b tr a ç ã o d e m a t e r ia l e s s e n c ia l a o se u
fu n c io n a m e n to .

7. Distinção

• Se 0 a g e n te a tu a co m m o tiv a ç ã o p o lític a : a rt. 15 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .

• Se 0 a te n ta d o c o n tra a s e g u ra n ç a ou 0 fu n c io n a m e n to d e s e rv iç o p ú b lic o se
d á co m 0 e m p re g o d e fogo ou e x p lo s ã o : 0 a g e n te re s p o n d e r á p e lo s c rim e s d e
in c ê n d io (a rt. 250 d o CP) ou e x p lo s ã o (a rt. 2 5 1 d o CP), c o n fo rm e 0 c a s o .

• Se 0 a te n ta d o o c o r r e r c o n tra a s e g u ra n ç a ou 0 fu n c io n a m e n to d e s e rv iç o d e
á g u a , lu z, fo rç a ou a c e s s o , ou q u a lq u e r o u tro d e u t ilid a d e , em e d ifíc io ou o u tro
lu g a r s u je ito à a d m in is t ra ç ã o m ilita r: a rt. 287 d o C ó d ig o P e n a l M ilitar.

• Im p e d ir ou d if ic u lt a r 0 fu n c io n a m e n to d e in s t a la ç ã o n u c le a r ou 0 tra n s p o rt e
d e m a t e ria l n u c le a r: a rt. 27 d a Lei n. 6 .453 / 7 7 -

8. Ação penal

A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A fo rm a s im p le s (caput) a d m ite a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o (a rt. 89


d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), já q u e a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

2 .6 . INTERRUPÇÃO OU PERTURBAÇÃO DE SERVIÇO TELEGRÁFICO OU TELEFÔNICO

1. Bem jurídico
0 bem ju r íd ic o t u t e la d o é a in c o lu m id a d e p ú b lic a , o u s e ja , 0 r e g u la r
fu n c io n a m e n t o d o s s e r v iç o s te le g rá fic o s , r a d io t e le g r á fic o s e t e le fô n ic o s .
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 71

2. S u je it o s

0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l (c rim e v a g o ).

3. T ip o o b je t iv o

H á d u a s m o d a lid a d e s d e c o n d u ta s p r o ib id a s no a rt. 266 d o C ó d ig o P e n a l: a )


interrom per ou perturbar s e r v iç o t e le g rá f ic o , r a d io t e le g r á fic o ou te le fô n ic o ; e b )
im pedir ou dificultar 0 re s t a b e le c im e n t o d e s e r v iç o t e le g rá f ic o , ra d io t e le g r á fic o
ou te le fô n ic o .

Rol taxativo: n ã o p o d e m s e r in s e r id o s o u tro s s e r v iç o s q u e n ã o a q u e le s


e x p r e s s a m e n t e p r e v is t o s em le i, s o b p e n a d e c a r a c t e r iz a r -s e a a n a lo g ia in malam
partem.

Telégrafo, rad io telég ra fo e telefone: "telégrafo é to d a in s t a la ç ã o que


p o s s ib ilit a a c o m u n ic a ç ã o d o p e n s a m e n t o ou d a p a la v r a m e d ia n t e t r a n s m is s ã o
à d is t â n c ia d e s in a is c o n v e n c io n a is . C o m p r e e n d e 0 t e lé g ra f o e lé t r ic o ( t e r r e s t r e
ou s u b m a r in o ) ou s e m a f ó r ic o . Radiotelégrafo é 0 te lé g ra fo s e m f io , f u n c io n a n d o
p o r m e io d e o n d a s e le t r o m a g n é t ic a s ou 'o n d a s d ir ig id a s '. T e le fo n e é a in s t a la ç ã o
q u e p e r m it e à d is t â n c ia a p a la v r a f a la d a ou o u tro s o m " (HUNGRIA, N é ls o n .
Com entários ao Código Penal, v o l. 9, 2* e d .. R io d e J a n e iro : F o re n s e , 19 5 9 , p. 88).

Crim e de perigo comum ou coletivo: é 0 q u e e x p õ e a p e r ig o um n ú m e ro


in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s . Q uem im p e d e a c o m u n ic a ç ã o ou c o n v e r s a ç ã o e n tre
d u a s p e s s o a s p r a t ic a 0 d e lito p r e v is t o no a rt. 1 5 1 , § i®, 111, d o CP.

Crim e de perigo ab strato: n ã o h á n e c e s s id a d e d e d e m o n s t r a ç ã o d o p e r ig o no


c a s o c o n c re to , p o is e le é p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

Crim e de fo rm a livre: p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r m e io d e e x e c u ç ã o .

4. Tipo subjetivo
É o d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e p r a t ic a r o s e le m e n t o s o b je t iv o s d o tip o .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l e n em d e m o d a lid a d e
c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o c o m a p r á t ic a d e u m a d a s c o n d u ta s t íp ic a s , ou
s e ja , no m o m e n to em q u e 0 a u t o r in t e r r o m p e ou p e r tu rb a q u a lq u e r d o s s e r v iç o s
d e s c rit o s no t ip o , o u q u a n d o im p e d e ou d ific u lt a 0 s e u r e s t a b e le c im e n t o . C o m o
s e e s tá d ia n t e d e d e lit o d e p e rig o a b s t ra t o , n ã o h á n e c e s s id a d e d e d e m o n s t ra ç ã o
d a e fe t iv a p o s s ib ilid a d e d e d a n o .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a fo rm a te n t a d a .
72 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

6. Forma majorada
De a c o r d o co m o p a r á g r a f o ú n ic o , a p lic a m -s e a s p e n a s em d o b ro s e o c rim e
é c o m e t id o p o r o c a s iã o d e c a la m id a d e p ú b lic a . J u s tific a -s e o a u m e n to d a p e n a
p o rq u e o a g e n te s e v a le u d e m o m e n to d e d e s g ra ç a c o le t iv a p a r a a p r á t ic a do
d e lit o , 0 q u e a u m e n ta a s u a r e p r o v a b ilid a d e .

Co m o s e e stá d ia n te d e m a jo ra n te e s p e c ia lm e n te d e sig n a d a no tip o , n ã o h a v e rá


a in c id ê n c ia d a a g ra v a n te p re v ista no art. 6 1, II, j, d o CP.

7. Distinção
• In te rru p ç ã o ou p e r tu rb a ç ã o d e c o m u n ic a ç ã o e n tre p e s s o a s d e t e r m in a d a s : a rt.
1 5 1 , § 10, III, d o CP.

• In s ta la ç ã o ou u tiliz a ç ã o d e te le c o m u n ic a ç õ e s : " C o n stitu i c rim e p u n ív e l co m a


p e n a d e d e te n ç ã o d e 1 a 2 a n o s , a u m e n t a d a d a m e ta d e s e h o u v e r d a n o a
t e rc e ir o , a in s t a la ç ã o ou u tiliz a ç ã o d e te le c o m u n ic a ç õ e s , se m o b s e rv â n c ia d o
d is p o s to n e sta Lei e n o s re g u la m e n to s " : a rt. 70 d a Lei n. 4 .1 1 7 /6 2 . A d e m a is ,
"0 a rt. 70 d a Lei 4 -11 7 /6 2 não foi revogado pelo art. 183 da Lei 9.472/97, já que
as condutas neles descritas são diversas, sendo que no primeiro pune-se 0
agente que, ap esar de autorizado anteriormente pelo órgão competente, age
de forma contrária aos preceitos legais e regulamentos que regem a matéria,
e no segundo, aquele que desenvolve atividades de telecomunicações de forma
clandestina, ou seja, sem autorização prévia do Poder Público" (STJ, 3a S e ç ã o , CC
9 4 - 570 / j- 0 5 /12 /2 0 0 8 ). A in d a : " 0 a rt. 70 d a Lei n. 4 .1 1 7 /1 9 6 2 in s titu iu c o m o c rim e
a in s t a la ç ã o ou u tiliz a ç ã o d e te le c o m u n ic a ç õ e s se m a u t o riz a ç ã o . T r a t a -s e d e
c rim e fo rm a l d e p e rig o a b s tra to , c o n s u m a n d o -s e co m a s im p le s in s t a la ç ã o ou
u tiliz a ç ã o d o s e rv iç o d e t e le c o m u n ic a ç ã o c la n d e s t in o " (ST), 5a T., AgRg no AREsp
8 43-972, j- 14 /0 3 /2 0 17 ).

► H A B IT U A LID A D E

"II - As d uas Turm as que integram 0 col. STF já d ecid iram que '[...] a conduta tip ifica­
da no art. 70 do antigo Código B rasileiro de Telecom unicações d ife re n cia-se d aq u e ­
la prevista no art. 183 da nova Lei de Telecom unicações po r força do req uisito da
h a b it u a lid a d e ' (H C 12 0 6 0 2 , P r im e ir a T u r m a , DJe d e 1 8 / 3 / 2 0 1 4 ) . A s s im , a n t e a p a t e n ­
te ha b itu a lid a d e descrita na denúncia, im p ro cede 0 pleito d esclassificató rio " (HC n.
128.567/M G, Segunda Turm a, Rei. Min. Teori Zavascki, DJe de 23/9/2015). Ill - No caso
dos autos, restou consignado que 0 recorrente "é p ro p rietário da Rádio Com unitária
de Saracuruna FM 100,1 Mhz há dois anos e que não possui outorga da ANATEL para
funcionam ento, po ssuindo conhecim ento da situação de irre g u larid ad e " (fl. 26), 0
que caracteriza a h ab itualid ad e da conduta a ele a trib uíd a" (STJ, 5a T., AgRg no REsp
1546 511, j. 16/02/2016).

8. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . Na fo rm a s im p le s (caput) o a g e n te fa z
ju s à s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o , n a fo rm a d o a rt. 89 d a Lei n. 9 .09 9/95.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 73

3. CRIM ES CONTRA A SAÚDE PÚBLICA

3.1. EPIDEMIA

Art. 267. C a u sa r e pid em ia, m ediante a propagação de ger­


m es patogênicos:
Pena - reclusão, de d ez a quinze anos.

Form a
m a jo ra d a

Form a
cu lp o sa

1. Bem jurídico
P r o t e g e -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em e s p e c ia l a s a ú d e d e t o d a s a s p e s s o a s
a f e t a d a s p e la p r á t ic a d o c rim e .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-PR - 2017 - Pro m oto r de ju stiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Sobre crim es contra a saú de pública previstos no Código Penal: 0 bem ju ríd ico pro­
tegido é a saú de pública".

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( d ir e t a m e n t e ) e a s p e s s o a s q u e fo re m
e v e n t u a lm e n t e in f e c t a d a s (v ít im a s m e d ia t a s ou in d ir e t a s ).

3. Tipo objetivo
0 c rim e é cau sar epidem ia, mediante a propagação de germ es patogênicos.

Epidem ia: s u rt o d e u m a d o e n ç a a c id e n t a l e t r a n s it ó r ia , q u e a ta c a um g ra n d e
n ú m e ro d e in d iv íd u o s , a o m e s m o te m p o , em d e t e r m in a d o p a ís ou re g iã o (B en to
d e F a ria , Código Penal brasileiro comentado, v . 6, p . 253).
G erm es patogênicos: m ic ro o rg a n is m o s q u e p r o d u z e m d o e n ç a s in f e c c io s a s .
Crim e de fo rm a vin cu lad a: s o m e n te pode ser p r a t ic a d o por m e io da
p r o p a g a ç ã o d e g e rm e s p a to g ê n ic o s .
Crim e de perigo concreto: d e v e h a v e r a e fe t iv a d e m o n s t r a ç ã o d o p e r ig o no
c a s o c o n c re to , ou s e ja , a d if u s ã o d a e p id e m ia .
Pand em ia: a d is s e m in a ç ã o d a d o e n ç a s e d á em n ív e l m u n d ia l.

Endem ia: a in fe c ç ã o lim ita -s e a lo c a lid a d e c e rta , na q u a l s e in s ta la e p e rm a n e c e .


74 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e r ig o , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r o p a g a r o s g e rm e s
p a t o g ê n ic o s , d e m o d o a c a u s a r e p id e m ia (ris c o a um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e
p e sso a s).

Se 0 d o lo d o a g e n te fo r d e d a n o ( d e s e ja a c o n t a m in a ç ã o d e p e s s o a c e rta ),
h a v e r á o u tro c rim e : p e r ig o d e c o n tá g io d e m o lé s t ia g ra v e (a rt . 1 3 1 d o CP).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(TJ-DFT - 2007 - Juiz de D ireito) "Assinale a alternativa correta: a) 0 delito de ep id em ia ,
basicam ente, é caracterizad o como hediondo, b) Na ep id em ia , não se co nsid era que
a conduta do agente está vo ltada a pesso as d eterm inadas, ou se ja , som ente a alguns
in d ivíd u o s, ain da que se im ponha, na definição do delito, a d eterm inação de lugar,
c) No delito de e p id em ia não há se fa la r em form a culposa e q u alificad a pelo resul­
tado. d) 0 delito de e p id em ia é classificado dou trin ariam en te como crim e de perigo
concreto, porquanto se consum a quando v á ria s pesso as são infectadas pelo germ e
patogênico, 0 que caracteriza a difusão da m oléstia, não adm itindo, portanto, a form a
tentada". G abarito : B.

5. Consumação e tentativa
0 a g e n te a lc a n ç a r á a c o n s u m a ç ã o q u a n d o o c o r r e r a e fe t iv a p r o p a g a ç ã o d a
e p id e m ia , ou s e ja , no m o m e n to em q u e um g r a n d e n ú m e r o d e p e s s o a s re s t a r e m
in f e c t a d a s p e lo s g e rm e s p a to g ê n ic o s .

C o m o 0 d e lito é p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l 0 f ra c io n a m e n t o d o it e r c rim in is,


p o s s ib ilit a n d o , a s s im , a fo rm a te n t a d a .

6. Forma majorada (hediondez)


De a c o r d o co m 0 § i ° , s e d o fa to re s u lta m o rte , a p e n a é a p lic a d a e m d o b ro .
B a s ta a m o rte d e u m a s ó p e s s o a p a r a 0 a u m e n to d a p e n a .

► Im portante:
A e p id em ia com resultad o m orte é crim e hediondo, conform e d isp o sição do art. 1°,
VII, da Lei n. 8.072/90.

T r a t a -s e , p o r o u tro la d o , d e delito preterdoloso, p o is h á d o lo no fa to a n t e c e ­


d e n t e ( c a u s a ç ã o d a e p id e m ia ) e c u lp a no r e s u lt a d o c o n s e q u e n te (m o rte ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-PR - 2017 - Pro m oto r de ju stiça) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"Sobre crim es contra a saú d e pública previstos no Código Penal: há a p en as d o is c ri­
m es hed io nd o s (Lei n» 8.072/90), no caso a e p id em ia com resultad o morte e a falsifi­
cação, corrup ção , adulteração ou alteração de produto d estinado a fins terapêuticos
ou m edicinais".
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 75

7. Forma culposa
A c a u s a ç ã o d e e p id e m ia ta m b é m p o d e s e d a r c u lp o s a m e n t e : "§ 2 ° - No caso
de culpa, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se resulta morte, de dois
a quatro anos".

Na p r im e ir a p a rt e d o d is p o s it iv o a e p id e m ia d e c o r r e d a in o b s e r v â n c ia d o
d e v e r d e c u id a d o o b je t iv o e x ig id o p e la s c ir c u n s t â n c ia s d o c a s o c o n c re to , o c a s iã o
em q u e 0 a g e n te p r o p a g a o s g e rm e s p a to g ê n ic o s p o r im p r u d ê n c ia , n e g lig ê n c ia
ou im p e r íc ia .

Já n a s e g u n d a p a rt e t e m -s e um c rim e q u a lif ic a d o p e lo r e s u lt a d o , em q u e h á
c u lp a no fa to p r e c e d e n t e ( c a u s a ç ã o d a e p id e m ia ) e c u lp a no e v e n to c o n s e q u e n te
(m o rte ).

8. Prisão temporária
De a c o rd o co m 0 a rt. 1 ° , III, i, da Lei n. 7.960/89, é p o s s ív e l a d e c re t a ç ã o
d a p r is ã o t e m p o r á r ia d e a g e n te q u e p r a t iq u e epidemia com resultado morte,
d e s d e q u e p r e s e n t e s o s d e m a is r e q u is it o s p r e v is t o s n a r e f e r id a n o rm a .

N e sse c a s o , p o r s e t r a t a r d e crime hediondo, a p r is ã o t e m p o r á r ia t e r á 0 p ra z o


de 30 dias, p r o r r o g á v e l p o r ig u a l p e r ío d o em c a s o d e e x tre m a e c o m p r o v a d a
n e c e s s id a d e (a rt . 2 °, § 4 °, d a Lei n. 8 .0 72/9 0 ).

9. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A e p id e m ia c a u s a d a c u lp o sa m e n te , se m re s u lta d o m o rte , é in fra ç ã o p e n a l d e


m e n o r p o te n c ia l o fe n siv o , e s ta n d o s u b m e tid a a o rito s u m a rís s im o d a Lei n. 9.099/95.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCV - 2019 - P re feitu ra de Salvad o r-B A - Agente de Fiscalização M unicipal) 0 Código
Penal, em seu Título VIII da Parte Especial, traz os cham ados Crim es contra a Incolum i­
d ad e Pública, que podem se r de perigo comum; contra a segurança dos m eios de co­
m unicação e transporte e outros serviço s públicos; ou crim es contra a saú de pública.
Dentre os crim es contra a saú d e pública d estaca-se 0 crim e de ep id em ia. Em relação
ao crim e de ep id em ia , assin a le a afirm ativa correta.
a) Poderá s e r praticad o na form a dolosa e, caso resulte m orte a título de culpa, po ­
d erá a pena s e r a p licad a em dobro.
b) É classificado pela doutrina como próp rio em relação ao sujeito ativo, som ente
podendo se r praticado por pessoas com determ inadas características.
c) É punível a p en as na form a dolosa, não havendo tipificação da conduta de cau sar
e p id em ia de form a culposa, ou se ja , a p artir de vio lação do d e ve r objetivo de cui­
dado.
d) Restará configurado com a transm issão de q u alq u er m oléstia, ain da que não in ­
fecciosa.
e) Tem como sujeito passivo pesso a d eterm inada.
G abarito : A.
76 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3.2. INFRAÇÃO DE MEDIDA SANITÁRIA PREVENTIVA

Art. 268. infringir determ inação do p o d e r público, destina­


da a im p e d ir introdução ou propagação de doença con­
tagiosa:
Pena - detenção, de um m ês a um ano, e multa.

P a rá g ra fo único. A pe na é a um e n tad a
de um terço , se 0 agente é fu ncio nário
Form a
da sa ú d e pú blica ou exerce a pro fissão
m a jo ra d a
de m éd ico, fa rm acê utico , d en tista ou
e n fe rm e iro .

1. Bem jurídico
P r o t e g e -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em e s p e c ia l a s d e t e r m in a ç õ e s d o P o d e r
P ú b lic o d e s t in a d a s a im p e d ir in t ro d u ç ã o ou p r o p a g a ç ã o d e d o e n ç a s c o n t a g io s a s .

2. Sujeitos
0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ( c rim e c o m u m ).

0 s u je it o p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( c rim e v a g o ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2018 - P ro c u ra d o r Autárquico) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Os crim es de infração de m edida san itá ria preventiva e de om issão de notifica­
ção de doença são p róp rios do m édico".

3. Tipo objetivo
0 c rim e é infringir d e t e r m in a ç ã o d o p o d e r p ú b lic o , d e s t in a d a a im p e d ir
in t ro d u ç ã o ou p r o p a g a ç ã o d e d o e n ç a c o n ta g io s a .

Norm a penal em branco: 0 tip o penal e s tá in c o m p le to , devendo ser


c o m p le m e n ta d o p e la " d e t e rm in a ç ã o d o p o d e r p ú b lic o " (le i, d e c re t o , p o rt a ria e tc.).

Exemplo: Lei n. 7.6 4 9 /8 8 , q u e e s t a b e le c e a o b r ig a t o r ie d a d e d o c a d a s t ra m e n t o


d o s d o a d o r e s d e s a n g u e b e m c o m o a r e a liz a ç ã o d e e x a m e s la b o r a t o r ia is no
s a n g u e c o le t a d o , v is a n d o a p r e v e n ir a p r o p a g a ç ã o d e d o e n ç a s . No s e u a rtig o 9 °,
d is p õ e q u e "a in o b s e rv â n c ia das normas desta Lei configurará 0 delito previsto no
art. 268 do Código Penal".

Crime de perigo abstrato: p a ra a c a r a c t e riz a ç ã o d o d e lito é d e s n e c e s s á r ia a


e fe tiv a in tro d u ç ã o ou p ro p a g a ç ã o d e d o e n ç a c o n ta g io sa .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo v o lt a d o a in frin g ir d e t e r m in a ç ã o d o P o d e r P ú b lic o , d e s t in a d a a
im p e d ir a in t ro d u ç ã o ou p r o p a g a ç ã o d e d o e n ç a c o n ta g io s a .
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 77

N ã o h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l e n e m d e m o d a lid a d e
c u lp o s a .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2010 - CRM-DF - Advogado) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa: "0
agente que com eter q u alq u er dos crim es contra a saú de pública po d erá s e r punido
po r dolo ou po r uma d as m o d alid ad es da culpa, qual se ja , negligência, im p erícia ou
im p rud ência".

5. Consumação e tentativa

0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o co m a m e ra in f ra ç ã o d a d e t e r m in a ç ã o d o P o d e r
P ú b lic o . C o m o s e e s tá d ia n t e d e c rim e d e p e r ig o a b s t ra t o ou p r e s u m id o , n ã o há
n e c e s s id a d e d a p r o p a g a ç ã o d a d o e n ç a c o n t a g io s a .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a fo rm a t e n t a d a .

6. Formas majoradas

De a c o rd o co m o p a rá g ra f o ú n ic o , a p e n a é a u m e n t a d a d e um terço se
o a g e n te é f u n c io n á r io d a s a ú d e p ú b lic a o u e x e rc e a p r o f is s ã o d e m é d ic o ,
f a r m a c ê u t ic o , d e n t is t a ou e n f e r m e ir o .

A c a u s a e s p e c ia l d e a u m e n to d e p e n a s o m e n te t e r á in c id ê n c ia q u a n d o o
s u je it o d e s c u m p r ir o d e v e r e s p e c ífic o que lh e in c u m b ia em ra zã o da sua
p r o f is s ã o , ju s t if ic a -s e o a u m e n to em fa c e d a m a io r r e p r o v a b ilid a d e a p u r a d a
n a s c ir c u n s t â n c ia s , já q u e o d e lit o é p r a t ic a d o p o r a g e n te q u e te m e s p e c ia l
c o n h e c im e n to t é c n ic o -c ie n t íf ic o n a á r e a d a s a ú d e .

P o r o u tro la d o , d is p õ e o a rt. 28 5: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crimes


previstos neste Capítulo , s a /v o quanto ao definido no art. 267".

► Com o e sse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2012 - TJ-RJ - Juiz de D ireito) "0 crim e de infração de m edid a san itária
preventiva tem pena aum entada de um terço se 0 agente: I. é funcionário da saúde
pública; II. praticou 0 ato com intenção de lucro; III. exerce profissão de m édico, far­
m acêutico, dentista ou enferm eiro . Com pleta adeq uadam en te a proposição o que se
afirm a a p en as em a) I. b) II. c) III. d) I e IM". G ab arito : D.

7. Ação penal

A ç ã o p e n a l p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . T r a t a -s e , ta n to n a fo rm a s im p le s (caput)
q u a n to n a fo rm a m a jo r a d a ( p a rá g ra f o ú n ic o ), d e in f ra ç ã o penal de m enor
p o t e n c ia l o f e n s iv o , r a z ã o p e la q u a l in c id e m o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s d a
Lei n. 9 .09 9/95.
78 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3.3. OMISSÃO DE NOTIFICAÇÃO DE DOENÇA

Art. 269. Deixar 0 m édico de d en un ciar à auto rid ad e pública


doença cuja notificação é com pulsória:
Pena - detenção, de seis m eses a dois anos, e multa.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em e s p e c ia l o c u id a d o q u e d e v e r e c a ir
s o b r e a s a ú d e p ú b lic a .

2. Sujeitos
E s ta m o s d ia n t e d e c r im e p r ó p r io , já q u e o s u je it o a tiv o s o m e n te p o d e s e r
m é d ic o . C o m o n ã o s e a c e it a a n a lo g ia in m a la m p a rte m em D ire ito P e n a l, se
um e n f e r m e ir o ou f a r m a c ê u t ic o d e ix a r d e d e n u n c ia r d o e n ç a c u ja n o tific a ç ã o é
c o m p u ls ó r ia , o fa to s e r á a típ ic o .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( c rim e v a g o ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-PR - 2017 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Sobre crim es contra a saú d e pública previsto s no Código Penal: quanto ao agente
ativo do crim e, nenhum d e le s é esp ecial próprio".

3. Tipo objetivo
0 c rim e é deixar o m é d ic o d e denunciar à a u t o r id a d e p ú b lic a d o e n ç a c u ja
n o tific a ç ã o é c o m p u ls ó r ia .

0 art. 7o da Lei n° 6.259/75, d is p õ e q u e s ã o d e n o tific a ç ã o c o m p u ls ó r ia


à s a u t o r id a d e s s a n it á r ia s o s c a s o s s u s p e it o s ou c o n f ir m a d o s : I - d e d o e n ç a s
q u e p o d e m im p lic a r m e d id a s d e is o la m e n t o ou q u a r e n t e n a , d e a c o r d o co m
0 R e g u la m e n to S a n it á r io In t e r n a c io n a l; II - d e d o e n ç a s c o n s ta n te s d e re la ç ã o
elabo rada pelo M inistério da Saúde, para cada Unidade da Federação, a ser
a t u a liz a d a p e r io d ic a m e n t e .
A Portaria de Consolidação n° 4/2017 e a Portaria n° 204/2016, a m b a s do
M in is t é rio d a S a ú d e , tra ta m d a Lista N a c io n a l d e N o tific a ç ã o C o m p u ls ó ria d e
d o e n ç a s , a g r a v o s e e v e n t o s d e s a ú d e p ú b lic a n o s s e r v iç o s d e s a ú d e p ú b lic o s e
p r iv a d o s em to d o 0 t e r r it ó r io n a c io n a l.

A rt. 15 4 d o CP: a o n o t ific a r a d o e n ç a , 0 m é d ic o n ã o e s t a r á c o m e t e n d o 0


c rim e d e v io la ç ã o d e s e g re d o p r o f is s io n a l (a rt. 15 4 ), p o is e s te e x ig e 0 e le m e n to
n o rm a tiv o "sem justa causa".

Crim e de perigo ab strato: n ã o h á n e c e s s id a d e d e c o m p ro v a ç ã o d o ris c o no


c a s o c o n c re to , já q u e e le v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 79

Crim e om issivo puro: o d e lito e s t a r á c a r a c t e r iz a d o c o m um s im p le s n ã o fa z e r,


ou s e ja , co m a m e ra a b s t e n ç ã o d a c o n d u ta , in d e p e n d e n t e m e n t e d e q u a lq u e r
re s u lt a d o p o s te rio r.

4- Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la vo n ta d e de não d e n u n c ia r à a u t o r id a d e
c o m p e te n te d o e n ç a c u ja n o tific a ç ã o é c o m p u ls ó r ia .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l e n e m de m o d a lid a d e
c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e t e r m in a r 0 p r a z o p a ra 0
a g e n te (m é d ic o ) c o m u n ic a r à a u t o r id a d e p ú b lic a d oen ça c u ja n o tific a ç ã o é
c o m p u ls ó r ia . In e x is tin d o p razo e s t ip u la d o em le i ou a to a d m in is t r a t iv o , a
c o n s u m a ç ã o o c o r r e r á q u a n d o 0 m é d ic o p r a t ic a r a to in c o m p a t ív e l co m 0 d e v e r
d e n o t ific a r a d o e n ç a à a u t o r id a d e c o m p e te n te .

C o m o o s c r im e s o m is s iv o s p u ro s ou p r ó p r io s n ã o a c e it a m a t e n t a t iv a (s ã o
u n is s u b s is t e n t e s ) , n ã o s e p o d e f a la r em co n a tu s no art. 269.

6. Forma majorada
De a c o r d o co m 0 a rt. 285, "Aplica-se 0 disposto no art. 258 a o s crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267”.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2010 - CRM-DF - Advogado) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Com exceção do crim e de Epid em ia, descrito no artigo 267 do Código Penal, os outros
crim es contra a saú de pública se resulta lesão co rpo ral de natureza grave, a pena
privativa de lib erd a d e é aum entada de 1/2 (m etade); se resulta m orte, é a p licad a em
dobro".

7. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m o a p e n a m á x im a , n a m o d a lid a d e s im p le s , n ã o u lt r a p a s s a d o is a n o s , s e
e s tá d ia n t e d e in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o te n c ia l o f e n s iv o (Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ). É
p o s s ív e l a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o , já q u e a p e n a m ín im a n ã o é s u ­
p e r io r a um a n o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-PR - 2017 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Sobre crim es contra a saú de pública previstos no Código Penal: co n sid era d o 0 re ­
quisito objetivo de com inação de pena, alguns d e le s são de com petência do juizado
esp ecial crim inal".
80 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3.4. ENVENENAMENTO DE ÁGUA POTÁVEL OU DE SUBSTÂNCIA ALIMENTÍCIA OU


MEDICINAL

Art. 270. Envenenar água potável, de uso comum ou par­


ticular, ou substância alim entícia ou m edicinal destinada
a consumo:
Pena - reclusão, de d ez a quinze anos.

§ 1 °. Está su je ito à m esm a pena quem


Form a __ entrega a consum o ou tem em d e p ó si-
e q u ip a ra d a to, p a ra 0 fim d e s e r d istrib u íd a , a água
ou a su b stâ n cia e n v e n e n a d a .

§ 2°. Se 0 crim e é culpo so :


Forma
Pena - d ete n çã o , d e s e is m e se s a d o is
culpo sa
anos.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a , in c lu s iv e 0
p r o p r ie t á r io d a á g u a p o t á v e l ou d a s u b s t â n c ia a lim e n t íc ia ou m e d ic in a l d e s t in a d a
a co nsum o .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l.

3. Tipo objetivo
0 c rim e c o n s is te em e n v e n e n a r á g u a p o t á v e l, d e u so c o m u m ou p a rt ic u la r, ou
s u b s t â n c ia a lim e n t íc ia ou m e d ic in a l d e s t in a d a a c o n s u m o .

Água potávelI, de uso comum ou particular: é a q u e la u t iliz a d a p a ra a


a lim e n t a ç ã o , a in d a q u e n ã o s e ja p u ra .

Substancia alimentícia destinada ao consumo: é a s u b s t â n c ia , líq u id a ou


s ó lid a , u t iliz a d a p a r a u s o a lim e n ta r.

Substância medicinal destinada ao consumo: é a s u b s t â n c ia , líq u id a ou s ó lid a ,


u t iliz a d a n a p r e v e n ç ã o o u c u ra d e d o e n ç a s .

Crime de perigo comum: a c o n d u ta d o a g e n te d e v e c r ia r u m a s it u a ç ã o d e ris c o


p a r a um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

Crime de perigo abstrato: n ã o h á n e c e s s id a d e d e q u e um n ú m e ro s ig n ific a tiv o


d e p e s s o a s v e n h a a in g e r ir a á g u a ou s u b s t â n c ia e n v e n e n a d a , p o is o ris c o é
p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 81

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la vo n ta d e de envenenar água p o tá v e l ou
s u b s t â n c ia a lim e n t íc ia ou m e d ic in a l d e s t in a d a a c o n s u m o , c ie n te 0 a g e n te q u e
e s t a r á c r ia n d o p e r ig o co m u m (ris c o a um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s ) .
C a b e ta n to 0 d o lo d ir e t o q u a n to 0 d o lo e v e n t u a l.

A c o n d u ta t íp ic a " t e r em d e p ó s it o , p a r a 0 fim d e s e r d is t r ib u íd a , a á g u a ou
a s u b s t â n c ia e n v e n e n a d a " (§ 1 ° ) e x ig e , a lé m d o d o lo , um e le m e n t o s u b je t iv o
e s p e c ia l (d o lo e s p e c ífic o ) , c o n s is t e n t e n a f in a lid a d e d e d is t r ib u ir à s o c ie d a d e em
g e ra l a á g u a ou s u b s t â n c ia e n v e n e n a d a .

É p r e v is t a , c o m o v e r e m o s , a m o d a lid a d e c u lp o s a .

Obs.: se 0 a g e n t e e n v e n e n a r á g u a p o t á v e l d e u s o p a r t ic u la r c o m 0 fim d e
m a t a r p e s s o a determ inada , d e v e r á r e s p o n d e r p o r h o m ic íd io ( a r t . 1 2 1 , § 2 °, III,
d o C P ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-PR - 2017 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Sobre crim es contra a saú de pública previstos no Código Penal: adm item prática d o ­
losa (dolo d ireto e eventual) e culposa".

5. Forma equiparada
E stá p r e v is t a no § i ° : "Está sujeito à m esm a pena quem entrega a consumo
ou tem em depósito, para 0 fim de se r distribuída, a água ou a substância
envenenad a".

P u n e -s e 0 t e r c e ir o , q u e n ã o 0 r e s p o n s á v e l p e lo e n v e n e n a m e n t o , p e la e n tre g a
ou m a n u te n ç ã o em d e p ó s it o d a á g u a ou s u b s t â n c ia e n v e n e n a d a .

0 a u to r d o e n v e n e n a m e n t o r e s p o n d e r á s e m p r e p e lo c a p u t , a in d a q u e p r a t iq u e
a s c o n d u ta s p o s t e r io r e s p r e v is t a s no § i ° , a s q u a is d e v e r ã o s e r t o m a d a s c o m o
fa to p o s t e r io r im p u n ív e l e le v a d a s em c o n s id e r a ç ã o no m o m e n to d a fix a ç ã o d a
p e n a -b a s e (c ir c u n s t â n c ia s ju d ic ia is n e g a t iv a s ).

6. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to d o e n v e n e n a m e n t o d a á g u a p o tá v e l
ou d a s u b s t â n c ia a lim e n t íc ia o u m e d ic in a l d e s t in a d a a c o n s u m o . C o m o s e e s tá
d ia n t e d e c rim e d e p e rig o a b s t ra t o ou p r e s u m id o , n ã o h á n e c e s s id a d e d e
q u a lq u e r r e s u lt a d o le s iv o s u p e r v e n ie n t e , c o m o a e fe t iv a in t o x ic a ç ã o ou m o rte
d e e v e n t u a is v ít im a s .

Já n a s f o rm a s e q u ip a r a d a s (§ i ° ) , a c o n s u m a ç ã o o c o r re q u a n d o 0 a g e n te
o fe re c e a o p ú b lic o o u g u a r d a co m e s s e fim a á g u a ou s u b s t â n c ia e n v e n e n a d a .
N ão é n e c e s s á r ia , c o m o d ito , a e fe tiv a d is t r ib u iç ã o d a s u b s t â n c ia .

Co m e x c e ç ã o d a fo rm a c u lp o s a , a c e it a -s e a te n t a t iv a .
82 Direito Penai - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

7. Forma culposa
De a c o rd o co m o § 2 °, c a s o o c rim e s e ja p ra tic a d o c u lp o s a m e n te (p o r im p ru d ê n c ia ,
n e g lig ê n c ia ou im p e ríc ia ), a p e n a s e rá d e d e te n ç ã o d e s e is m e s e s a d o is a n o s.

8. Forma majorada
C o n fo rm e o a rt. 28 5, "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos neste
Capítulo , salvo quanto ao definido no art. 267".

9. Hediondez
O rig in a lm e n te , 0 d e lit o t ip ific a d o no a rt . 270, q u a n d o t iv e s s e re s u lt a d o
m o rte (a rt. 28 5 ), e r a c o n s id e r a d o h e d io n d o . O c o rre q u e a Lei n. 8 .9 30 /9 4 d eu
n o v a r e d a ç ã o à Lei d o s C r im e s H e d io n d o s (L e i n. 8 .0 72/9 0 ), e x c lu in d o -o d o ro l e
r e n u m e r a n d o o s r e s p e c t iv o s in c is o s .

P o rta n to , 0 c rim e d e e n v e n e n a m e n t o d e á g u a p o t á v e l o u d e s u b s t â n c ia
a lim e n t íc ia ou m e d ic in a l, a in d a q u e co m re s u lt a d o m o rte , n ã o é m a is c o n s id e r a d o
h e d io n d o .

10. Ação penal


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A m o d a lid a d e c u lp o s a s e g u e 0 rito s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 , p o is se


c a r a c t e r iz a c o m o in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o .

3.5. CORRUPÇÃO OU POLUIÇÃO DE ÁGUA POTÁVEL

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l.
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 83

3. Tipo objetivo
0 c rim e é c o rro m p e r ou poluir á g u a p o t á v e l, d e u so c o m u m ou p a rtic u la r,
t o r n a n d o -a im p r ó p r ia p a r a c o n s u m o ou n o c iv a à s a ú d e . T r a t a -s e d e d e lito
s e m e lh a n t e à q u e le a n a lis a d o no ite m a n t e r io r (a rt . 270 ), e m b o ra a q u i 0 o b je to
m a t e r ia l s e ja a p e n a s a á g u a p o t á v e l c o r r o m p id a ou p o lu íd a p e lo a g e n te .

Crim e de perigo comum: c o lo c a em ris c o um n ú m e ro in d e t e rm in a d o d e p e s s o a s .


Crim e de perigo ab strato : n ã o p r e c is a s e r d e m o n s t r a d o no c a s o c o n c re to , já
q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2013 - CRA-SC - Advogado) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"É conduta tip ificad a como crim e, p o lu ir água potável, de uso comum ou particular,
to rnando -a im p ró pria para consum o ou nociva à saú de."

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e c o r r o m p e r ou p o lu ir á g u a p o tá v e l,
c ie n te 0 a g e n te d e q u e ir á e x p o r a p e r ig o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .
N ão h á p r e v is ã o d e f in a lid a d e e s p e c ífic a (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l).

A fo rm a c u lp o s a , c o m o v e re m o s , e stá d is p o s ta no p a rá g ra fo ún ico .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to e m q u e 0 a g e n te c o r r o m p e r ou p o lu ir
a á g u a p o t á v e l, t o r n a n d o -a im p r ó p r ia p a r a c o n s u m o ou n o c iv a à s a ú d e . N ão há
n e c e s s id a d e d a s u p e r v e n iê n c ia d e d a n o ou p e r ig o c o n c re to p a r a a s a ú d e d e um
n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s ( c rim e d e p e r ig o a b s t ra t o ).

T r a t a -s e d e d e lito p lu r is s u b s is t e n t e , ra z ã o p e la q u a l s e a d m ite a te n t a t iv a .

6. Forma culposa
De a c o rd o co m 0 p a r á g r a f o ú n ic o , s e 0 c rim e é c u lp o s o a p e n a s e r á d e d o is
m e s e s a um a n o .

7. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 285: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 a o s crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".

8. Distinção
• Se a p o lu iç ã o h íd r ic a t o r n a r n e c e s s á r ia a in t e rru p ç ã o d o a b a s te c im e n to p ú b lic o
d e á g u a d e u m a c o m u n id a d e : a rt. 54, § 2 °, III, d a Lei n. 9.605/98.

9. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .
84 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

A m o d a lid a d e c u lp o s a s e g u e o rito s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 , p o is se


c a r a c t e r iz a c o m o in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o .

10. Revogação tácita


E m b o ra 0 a s s u n to s e ja c o n t ro v e rt id o , h á p o s iç ã o (Lu iz R egis P ra d o , p o r e x e m ­
p lo ) no s e n t id o q u e 0 a rt. 54 d a Lei n. 9.605/98 revogou tacitamente 0 a rt. 2 7 1 d o
C ó d ig o P e n a l, já q u e a p r e s e n t a e le m e n t o s d o tip o m a is a m p lo s , o s q u a is a b r a n ­
g em a fig u ra t íp ic a d o a rt. 2 7 1.

Art. 271 do Código Penal Art. 54, caput, da Lei n. 9.605/98

C o rro m p e r ou p o lu ir água p o tável, d e uso co­ C a u sa r p o luição d e q u a lq u e r natureza em n í­


mum ou particular, to rn a n d o -a im p ró p ria para v e is tais que resultem ou po ssam re su lta r em
consum o ou no civa à sa ú d e : d an o s à sa ú d e h u m an a, ou que pro vo qu em a
Pena - re c lu sã o , d e d o is a cinco anos. m o rta n d ad e de a n im a is ou a d estru içã o sig n i­
fica tiva da flora:
Pena - re clu sã o , de um a quatro a n o s, e m ulta.

De a c o rd o co m e s s e p o s ic io n a m e n to , a Lei n. 9.605/98 c a r a c t e r iz a -s e co m o
novatio legis in m e lliu s- a p e n a , q u e e r a d e 2 a 5 a n o s , p a s s a a s e r d e 1 a 4 a n o s - ,
d e v e n d o h a v e r a re t ro a tiv id a d e em fa v o r d o ré u .

3.6. FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE SUBSTÂNCIA


OU PRODUTOS ALIMENTÍCIOS

Art. 272. Co rro m p er, ad u lte ra r, fa lsific a r ou a lte ra r su b s­


tância ou produto alim e n tício d e stin a d o a consum o,
to rn a n d o -o nociva à sa ú d e ou re d u zin d o -lh e 0 v a lo r
nutritivo:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.

§ i°-A . Inco rre nas p e nas deste artigo


quem fa b ric a , v e n d e , expõe à ve n d a .
Falsificação, Form a im p o rta , tem em d ep ó sito p ara v e n -
corrupção, e q u ip a ra d a d e r ou' de Q u alq uer fo rm a , d istrib u i
adulteração ou entrega a consum o a su b stân cia a li­
ou alteração m entícia ou 0 produto fa lsifica d o , cor­
de substância ro m p id o ou a d u lte ra d o .
ou produtos
alimentícios
§ i ° . Está su je ito à s m e sm as p e nas
B e b id a s — quem pratica a s açõ e s p re vista s neste
artigo em re lação a b e b id a s, com ou
sem te o r alco ó lico .

§ 2 °. Se 0 crim e é culpo so :
Form a
cu lp o sa Pena - d ete nção , d e 1 (um ) a 2 (d o is)
a n o s, e m ulta.
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 85

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o o c rim e é c o m u m , o s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 n ú c le o do t ip o é c o rro m p e r, adulterar, falsificar o u alterar s u b s t â n c ia
ou p r o d u to a lim e n t íc io d e s t in a d o a c o n s u m o , t o r n a n d o -o n o c iv a à s a ú d e ou
r e d u z in d o -lh e o v a lo r n u tritiv o .

Tipo misto alternativo: o a rt. 2 7 2 d e s c r e v e c rim e d e a ç ã o m ú ltip la ou d e


c o n te ú d o v a r ia d o . A s s im , s e 0 a g e n te p r a t ic a r m a is d e um v e r b o no m e sm o
c o n te xto fá tic o , e s t a r á c o m e te n d o um ú n ic o d e lito .

Objeto material: a s c o n d u ta s d e s c r it a s no t ip o d e v e m r e c a ir s o b r e s u b s t â n c ia
ou p r o d u t o a lim e n tíc io d e s t in a d o a c o n s u m o , t o r n a n d o -o n o c iv o à s a ú d e ou
r e d u z in d o -lh e 0 v a lo r n u tritiv o .

Bebidas alcoólicas: e s tã o in c lu íd a s no c o n c e ito d e s u b s t â n c ia a lim e n t íc ia , d e


a c o r d o co m 0 § i ° d o a rt . 2 7 2 d o CP.

Crime de perigo comum: a s u b s t â n c ia ou p r o d u to a lim e n t íc io d e v e s e d e s t in a r


a o c o n s u m o d e um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

Crime de perigo concreto: 0 ris c o à c o le t iv id a d e d e v e s e r c o m p r o v a d o no


c a s o c o n c re to , já q u e n ã o v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo d e p e r ig o , ou s e ja , a v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o , c ie n te
0 a g e n te q u e s u a c o n d u ta ir á e x p o r a c o le t iv id a d e a p e r ig o c o m u m . N ão há
p r e v is ã o e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l d o tip o .

A m o d a lid a d e c u lp o s a , d is p o s t a no § 2 °, s e r á a n a lis a d a a d ia n t e .

5. F ig u r a s e q u ip a r a d a s

De a c o r d o co m 0 § i° - A , "incorre nas penas deste artigo quem fabrica, vende,


ex p õ e à venda, importa, tem em depósito para vender ou, d e qualquer forma,
d is trib u i ou entrega a consumo a substância alim entícia ou 0 produto falsificado,
corrompido ou adulterado".

C a s o u m a d a s r e f e r id a s c o n d u ta s s e ja p r a t ic a d a p e lo a u t o r d a c o rru p ç ã o ,
a d u lt e r a ç ã o , f a ls if ic a ç ã o o u a lt e r a ç ã o d a s u b s t â n c ia ou p r o d u t o a lim e n tíc io
d e s t in a d o a c o n s u m o , n ã o h a v e r á d o is c r im e s , m a s s o m e n te a q u e le d o caput.
86 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

s e r v in d o o d is p o s t o no § i ° - A c o m o c ir c u n s t â n c ia n e g a tiv a no m o m e n to d a fix a ç ã o
d a p e n a -b a s e .

6. Forma culposa
C o n fo rm e o § 2 °, s e o c rim e é c u lp o s o , a p e n a a p lic a d a é d e d e te n ç ã o d e 1
a 2 a n o s , e m u lta .

E n te n d e m o s q u e o v e r b o n u c le a r falsificar s o m e n te p o d e s e r p r a t ic a d o a
títu lo d e d o lo , já q u e a id e ia d e f r a u d e ( f a ls if ic a ç ã o ) n ã o s e c o m p a t ib iliz a co m a
im p r u d ê n c ia , n e g lig ê n c ia ou im p e r íc ia .

7. Consumação e tentativa
No caput, 0 c rim e e s ta rá c o n su m a d o no m o m en to em q u e 0 agente p ra tic a r
0 co m p o rta m e n to típ ico , c o rro m p e n d o , a d u lte ra n d o , fa lsific a n d o ou a lte ra n d o
su b stâ n c ia ou p ro d u to a lim e n tíc io d e stin a d o a co n su m o , te n d o a c iê n cia d e q u e
su a co n d u ta irá e x p o r a p erig o um n ú m e ro in d e te rm in a d o d e p e s s o a s . N ão há
n e c e s s id a d e d e q u e a su b stâ n c ia ou p ro d u to v e n h a e fe tiv a m e n te a s e r co n su m id o
ou c o m e rc ia liz a d o .

As fo rm a s e q u ip a r a d a s a lc a n ç a m a c o n s u m a ç ã o co m a p rá tic a d a s c o n d u ta s
d e s c rita s no § i° - A d e s d e q u e c o lo q u e m em ris c o um n ú m e ro in d e t e rm in a d o de
p e s s o a s (c rim e d e p e rig o co m u m e c o n c re to ).
Os v e r b o s e x p o r à venda e t e r em depósito para venda c a r a c t e r iz a m crime
permanente (a c o n s u m a ç ã o s e p ro lo n g a no t e m p o ), p e r m it in d o a p r is ã o em
f la g ra n t e a q u a lq u e r te m p o .

A te n t a t iv a é s e m p r e p o s s ív e l, p o is s e e s tá d ia n t e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e .

8. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 28 5: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo , salvo quanto ao definido no art. 267".

9. Distinção
• Se 0 a g e n te n ã o c o lo c a r em p e rig o a in c o lu m id a d e p ú b lic a , 0 fato p o d e r á s e r
e n q u a d r a d o n a Lei d o s C rim e s C o n tra a E c o n o m ia P o p u la r: a rt. 2 °, III e V, d a Lei
n. 1 .5 2 1 /5 1 .

• C o n stitu i c rim e c o n tra a s r e la ç õ e s d e c o n s u m o v e n d e r, t e r em d e p ó s it o p a ra


v e n d e r ou e x p o r à v e n d a o u, d e q u a lq u e r fo rm a , e n t re g a r m a t é r ia -p r im a ou
m e r c a d o r ia , em c o n d iç õ e s im p r ó p r ia s a o c o n s u m o : a rt. 7 °, IX, d a Lei n ° 8 .13 7 /9 0 .

10. Ação penal


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m o a fo rm a c u lp o s a é in f ra ç ã o d e m e n o r p o t e n c ia l o f e n s iv o , s e g u e o rito
s u m a r ís s im o d a Lei n. 9.09 9/95.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 87

l i . Pena
C o m a r e d a ç ã o d a d a p e la Lei n. 9.6 77, d e 0 2 /0 7 /19 9 8 , p a s s o u ta m b é m a s e r
c rim e a c o n d u ta v o lt a d a a " r e d u z ir 0 v a lo r n u tr it iv o " , c u ja p e n a c o m in a d a é d e
re c lu s ã o d e 4 a 8 a n o s e m u lta . S e g u n d o a lg u n s a u t o r e s , c o m o R o g é rio G re c o ,
a p e n a m o s t r a -s e d e s p r o p o r c io n a l p a ra a g r a v id a d e d a le s ã o a o b e m ju r íd ic o
t u t e la d o .

3 .7 . FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO


DESTINADO A FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS
88 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

1. Hediondez
De acordo com o art. 1° VII-B, da Lei n. 8.072/90, 0 delito em análise é conside­
rado hediondo em todas as suas formas (caput e § 1°, § i°-A e § i°-B).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-PR - 2017 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Sobre crim es contra a saú de pública previsto s no Código Penal: há a p en as d o is cri­
m es hed io nd o s (Lei n° 8.072/90), no caso a e p id em ia com resultad o m orte e a falsifi­
cação, corrup ção , adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos
ou m edicinais".

2. Bem jurídico
Tutela-se a incolumidade pública, em geral, e a saúde pública, em especial.

3. Sujeitos
Como 0 crime é comum, 0 sujeito ativo poderá ser qualquer pessoa.
Sujeito passivo é a coletividade em geral (crime vago).

4. Tipo objetivo
0 crime é falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais.
Objeto m aterial: produto destinado à prevenção ou cura de doenças.

Produtos com fin s terapêuticos ou m edicinais p o r e q u ip a ra çã o (§ i°-A): me­


dicamentos, matérias-primas, insumos farmacêuticos, cosméticos, saneantes e
aqueles de uso em diagnóstico.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2015 - Câ m ara M unicipal de Itatiba-SP - Advogado) Foi co n sid era d a incorreta
a seguinte alternativa: "Para os efeitos penais, os cosm éticos não são incluídos entre
os produtos sujeito s à punição em caso de falsificação, corrup ção , adulteração ou
alteração , crim e previsto no art. 273 do Código Penal".

Crim e de perigo ab strato: 0 risco não precisa ser efetivamente demonstrado


no caso concreto, pois vem presumido pelo legislador.
Ofensa à p ro p o rcio n alid ad e: a falsificação de produto de beleza (cosmético)
recebe pena mínima de 10 anos de reclusão, muito superior à do homicídio
simples (6 anos de reclusão).

5. F ig u r a s e q u ip a r a d a s

De acordo com 0 § 1°, "nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe
à venda, tem em depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 89

consumo o produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado". C a so um a d a s


re fe rid a s c o n d u ta s s e ja p ra tic a d a p e lo a u to r d a c o rru p ç ã o , a d u lte ra ç ã o , fa lsific a ç ã o
ou a lt e ra ç ã o d o p ro d u to d e s tin a d o a fin s te ra p ê u tic o s ou m e d ic in a is , n ã o h a v e rá
d o is c rim e s , m a s s o m e n te a q u e le d o cap u t, s e rv in d o o d is p o s to no § 1 ° co m o
c ircu n s tâ n c ia n e g a tiva no m o m e n to d a fix a çã o d a p e n a -b a s e .

A d e m a is , c o n fo rm e o § i ° - B , e s tá s u je it o à s p e n a s c o m in a d a s q u e m p r a t ic a
a s a ç õ e s p r e v is t a s no § 1 ° em re la ç ã o a p r o d u t o s e m q u a lq u e r d a s s e g u in t e s
c o n d iç õ e s : I - s e m re g is tro , q u a n d o e x ig ív e l, no ó rg ã o d e v ig ilâ n c ia s a n it á r ia
c o m p e t e n t e ; II - e m d e s a c o r d o co m a fó rm u la c o n s ta n te d o re g is tro p r e v is t o no
in c is o a n t e r io r ; III - s e m a s c a r a c t e r ís t ic a s d e id e n t id a d e e q u a lid a d e a d m it id a s
p a r a a s u a c o m e r c ia liz a ç ã o ; IV - co m re d u ç ã o d e s e u v a lo r t e r a p ê u t ic o o u d e s u a
a t iv id a d e ; V - d e p r o c e d ê n c ia ig n o r a d a ; o u VI - a d q u ir id o s d e e s t a b e le c im e n t o
se m lic e n ç a d a a u t o r id a d e s a n it á r ia c o m p e te n te .

P erícia: s e g u n d o o STJ, p a r a a c o n fig u ra ç ã o d o c rim e é s u f ic ie n t e a a u s ê n c ia


d e a u t o r iz a ç ã o le g a l p a r a a c o m e r c ia liz a ç ã o d o p r o d u to , n ã o s e n d o e x ig ív e l a
p e r íc ia té c n ic a p a r a a t e s t a r s e a s u b s t â n c ia s e r ia c a p a z d e p r o d u z ir d a n o s à v id a
ou à s a ú d e h u m a n a ( n e s s e s e n t id o : 6* T., HC 217 .9 4 4 , j. 1 8 /1 0 /2 0 1 2 ) . Na h ip ó t e s e
d o in c is o I, b a s ta a " a u s ê n c ia d e re g is tro n a ANVISA, o b rig a tó rio n a h ip ó t e s e d e
in s u m o s d e s t in a d o s a fin s t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is . R e f e rid a s c a r a c t e r ís t ic a s
d o s p r o d u t o s p o d e m s e r a t e s t a d a s p o r fis c a l té c n ic o d a A g ê n c ia , c o n h e c e d o r d a s
n o rm a s d e r e g u la ç ã o e q u e , no e x e rc íc io d o s e u m iste r, te m fé p ú b lic a " (STJ, 5a T.,
HC 177 -9 72 , j. 2 8 /0 8 /2 0 12 ). Em s e n t id o c o n t r á r io : " M e s m o q u e 0 d e lito t ip ific a d o no
a rt. 27 3 , § i ° - B , d o CP s e ja d e p e rig o a b s t ra t o , a s u a c o n fig u ra ç ã o n ã o s e m a n ife s ta
p e la só a u s ê n c ia d e re g is tro d e m e d ic a m e n t o n a ANVISA, h a v e n d o , ig u a lm e n t e ,
a n e c e s s id a d e d e p o t e n c ia lid a d e le s iv a , a b s t r a t a m e n t e c o n s id e r a d a , à s a ú d e
p ú b lic a " (STJ, 6a T., AgRg no R Esp 15 9 9 228 , j. 12 /0 9 /2 0 1 7 ). A in d a : "N o q u e c o n c e r n e a o
c rim e p r e v is t o no a rt. 273 d o C ó d ig o P e n a l - F a ls if ic a ç ã o , c o r r u p ç ã o , a d u lt e r a ç ã o
ou a lt e r a ç õ e s d e p r o d u to d e s t in a d o s a f is io t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is -, a
ju r is p r u d ê n c ia d e s t a C o rte f ir m o u -s e no s e n t id o d e s e r d is p e n s á v e l a c o n fe c ç ã o
d e la u d o p e r ic ia l p a ra a c o m p r o v a ç ã o d a m a t e r ia lid a d e d e lit iv a " (STJ, 5a T., Aglnt
no R Esp 17 4 7 14 5 , J. 0 2 /0 4 /2 0 19 ).

Com petência: "Em q u e p e s e 0 fa to d e o m e d ic a m e n t o t e r o rig e m e s t r a n g e ir a , o


e n t e n d im e n t o c o n s o lid a d o p e la T e r c e ira S e ç ã o é no s e n t id o d e q u e a c o m p e t ê n c ia
s e r á d a Ju stiç a F e d e r a l p a r a p r o c e s s a r e ju lg a r a p r á t ic a d o d e lito t ip ific a d o no a rt.
a rt. 27 3 , § i ° - B , d o CP a p e n a s n o s c a s o s em q u e r e s t a r e v id e n c ia d a a p a r t ic ip a ç ã o
d o a c u s a d o n a in t ro d u ç ã o d o s m e d ic a m e n t o s d e p r o c e d ê n c ia e s t r a n g e ir a no
p a ís . P r e c e d e n t e s " (STJ, 3a S e ç ã o , CC 14 8 .3 15 , j. 1 4 /1 2 /2 0 1 6 ) .

Pena com inada, princípio da p ro p o rcio n alid ad e e ap lica çã o da pen a do tráfico


de drogas: " (...) 3. A C o rte E s p e c ia l d o S u p e r io r T rib u n a l d e Ju stiç a , no ju lg a m e n to
d a A rg u iç ã o d e In c o n s t it u c io n a lid a d e no HC 2 3 9 .3 6 3 /P R (R e i. M in is tro SEBASTIÃO
REIS JÚNIOR, DJe 1 0 /4 /2 0 1 5 ) , c o n s id e r o u s e r in c o n s t it u c io n a l 0 p r e c e it o s e c u n d á r io
d o a rt. 27 3 , § i ° - B , in c is o V, d o C ó d ig o P e n a l. 4. Em c o n s e q u ê n c ia , f ir m o u -s e
e n t e n d im e n t o no s e n t id o d e a p lic a r , em s u b s t it u iç ã o , 0 p r e c e it o s e c u n d á r io
90 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

p r e v is t o p a r a o c rim e d e t rá fic o d e d ro g a s , p r e v is t o no a rt . 33 d a Lei 11.3 4 3 /2 0 0 6 ,


a o s c a s o s em q u e 0 a c u s a d o é c o n d e n a d o p e lo c rim e p r e v is t o no a rt. 27 3 , §
i ° - B , d o C ó d ig o P e n a l, te n d o em v is t a q u e a m b o s s ã o c o n s id e r a d o s h e d io n d o s ,
d e p e rig o a b s t ra t o e v is a m a p r o t e ç ã o d a s a ú d e p ú b lic a " (STJ, 5a T., HC 438746, j.
2 4 /0 5 /2 0 1 8 ). Id e m : STj, 5a T., AgRg no A R Esp 14 3 4 16 4 , j. 11 /0 4 /2 0 1 9 .

Incidência da m inorante do tráfico privilegiado: i a posição (não incide): "A ju r is ­


p r u d ê n c ia d o S u p e r io r T rib u n a l d e Ju stiça, e s tá fix a d a no s e n tid o d e q u e [...] n ã o é
c a b ív e l, p o r a u s ê n c ia d e p r e v is ã o le g a l, a a p lic a ç ã o d a m in o ra n te p r e v is t a no § 40
d o a rt. 33 d a Lei n ° 11.3 4 3 /0 6 no s c rim e s p re v is to s no a rt. 273, § i ° - B , d o CP, m e sm o
n a s h ip ó te s e s em q u e s e te n h a u tiliz a d o 0 p re c e ito s e c u n d á rio d o c rim e d e trá fic o
d e d ro g a s " (STj, 6 a T., AgRg no REsp 175 70 3 5 , j- 14 /0 5 /2 0 19 ). 2a posição (incide): "1.
A C o rte E s p e c ia l d e s te S u p e r io r T rib u n a l d e Ju stiça, no ju lg a m e n to d a A rg u iç ã o d e
In c o n s titu c io n a lid a d e no H a b e a s C o rp u s n. 23 9 .36 3/P R , d e c la ro u a in c o n s titu c io n a li-
d a d e d o p re c e ito s e c u n d á r io d o a rtig o 273, § i° - B , d o C ó d ig o P e n a l, a u t o riz a n d o a
a p lic a ç ã o a n a ló g ic a d a s p e n a s p r e v is t a s p a ra 0 c rim e d e trá fic o d e d ro g a s . 2. A n a ­
lis a n d o 0 re f e r id o ju lg a d o , e s ta c o le n d a Q uinta T u rm a firm o u 0 e n te n d im e n to de
q u e , d ia n t e d a a u s ê n c ia d e re s s a lv a em s e n tid o c o n t rá r io , é p o s s ív e l a a p lic a ç ã o
d a c a u s a d e d im in u iç ã o p re v is ta no § 40 d o a rtig o 33 d a Lei 11.3 4 3 /2 0 0 6 no cá lcu lo
d a p e n a d o s c o n d e n a d o s p e lo d e lito p re v is to no a rtig o 273, § i° - B , d o Estatuto
R e p re s s iv o . P re c e d e n te s " (STJ, 5a T., HC 488299, j. 2 1/0 3 /2 0 19 ).

Princípio d a insignificância: " ( ...) 3. E m b o ra s e ja p e q u e n a a q u a n t id a d e


d e c o m p r im id o s a p r e e n d id o s em p o d e r d o ré u , a ju r is p r u d ê n c ia d e s t a C o rte
S u p e r io r é f ir m e em a s s e v e r a r n ã o s e r a p lic á v e l a o d e lito e m c o m e n to 0 p r in c íp io
d a in s ig n if ic â n c ia . P re c e d e n te s " (STJ, 6a T., HC 4 12 .8 8 8 , j. 2 7 /1 1 /2 0 1 8 ) .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?

(FGV - 2019 - P refeitu ra de Salvador-B A - Agente de Fiscalização M unicipal) Caio, pro­


prietário de um a farm ácia, com 0 intuito de a u ferir lucro, a d q uiriu de Gilberto produtos
cosm éticos a d u lterad o s e os colocou à ven d a em seu estabelecim ento. Considerando
os fatos acim a, acerca do crim e de falsificação, corrup ção , adulteração ou alteração
de produto d estinado a fins terapêuticos ou m edicin ais, assin a le a afirm ativa correta:
a) Gilberto po d erá resp o n d e r pelo crim e em questão, m as não Caio, uma vez que foi
a q u e le o ú n ic o r e s p o n s á v e l p e la a d u lt e r a ç ã o d o p r o d u t o .

b) Caio e Gilberto p o d erão re sp o n d e r pelo crim e em questão, am bos na m o dalidade


dolosa, sendo a p licável, além da pena privativa de lib e rd a d e , pena de m ulta.
c) Caio e Gilberto não p o d erão s e r punidos pelo crim e, pois os produtos adulterad o s
não se destinavam a fins terapêuticos ou m edicinais.
d) Caio e Gilberto p o d erão resp o n d e r pelo crim e, send o 0 p rim eiro na m o dalidade
culposa e 0 segundo na m o d alid ad e dolosa.
e) Gilberto, ao re a liza r a ven d a para Caio, praticou 0 crim e em questão, m as Caio
a p en as resp o nd erá pelo m esmo delito se algum cliente a d q u irir 0 produto adulterado
de seu estabelecim ento.
G abarito : B.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 91

(FUNDATEC - 2018 - PC-RS - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a correta a seguinte
alternativa: "Na farm ácia de M alaquias, durante fiscalização , foi constatado que havia
m edicam entos em depó sito , para ve n d a, de procedência ignorada. Nesse caso, Ma­
la q u ia s po d eria s e r enq uad rad o em crim e contra a saú de pública, porém de acordo
com 0 Sup erio r Tribunal de Justiça, a pena prevista para esse crim e, reclusão de dez
a quinze anos e m ulta, se ria d esp ro p o rcio nal e, portanto, não p o d eria se r aplicad a".
(TRF3 - 2016 - Juiz Fed e ra l) "Sabendo que Caio, b rasileiro , foi flagrado retornando ao
país, portando m edicam entos sem registro no órgão de vigilân cia san itá ria com peten­
te, diga qual posicionam ento resta incongruente com a lei, a doutrina e precedentes
ju d ic ia is existentes: a) A situação se q u e r ense jaria reflexão penal, d ado que a falta de
registro im plica a p e n a s resp o n sa b ilid a d e a dm inistrativa; b) Por força do princípio da
p ro p o rcio n a lid a d e, tendo em vista que 0 bem ju ríd ico tutelado é a saú d e pública, há
fundam entos para a p lic a r a Caio a pena prevista para 0 crim e de tráfico de drogas; c)
Por força do princípio da p ro p o rcio n alid ad e, tendo em vista que 0 bem ju ríd ico tute­
lad o é a saú de pública, se pequena a qu an tid ad e de m edicam entos, há fundam entos
para a p lic a r a Caio as m edid as previstas para 0 porte de droga para uso próp rio; d)
A conduta de Caio pode se r a n a lisa d a à luz do delito de descam inho". G abarito : A.

6. Tipo subjetivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r u m a d a s c o n d u ta s d e s c r it a s
no t ip o , c ie n te o a g e n te q u e e x p o rá a p e r ig o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e
p esso as.

Co m e x c e ç ã o d a m o d a lid a d e te r em d e p ó s ito ( " p a r a v e n d e r " ) , n ã o s e ex ig e


e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l d o t ip o .

7. Forma culposa

De a c o r d o co m o § 2 °, s e o c rim e é c u lp o s o a p e n a é d e d e te n ç ã o d e 1 a 3
a n o s , a lé m d e m u lta .

C o n fo rm e r e f e r im o s no d e lit o p r e c e d e n t e , a fo rm a c u lp o s a n ã o a lc a n ç a 0
v e r b o falsificar, q u e s ó p o d e s e r p r a t ic a d o d o lo s a m e n t e .

8. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to e m q u e 0 a g e n te f a ls ific a r, c o rro m p e r,
a d u lt e r a r ou a lt e r a r p r o d u to d e s t in a d o a f in s t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is . C o m o
s e e s tá d ia n t e d e d e lito f o rm a l e d e p e r ig o a b s t ra t o , n ã o h á n e c e s s id a d e q u e
0 p r o d u to s e ja c o m e r c ia liz a d o o u c o n s u m id o . A p r o p ó s it o : " 1 . Os t ip o s p e n a is
d e f a ls if ic a ç ã o , c o r r u p ç ã o , a d u lt e r a ç ã o ou a lt e r a ç ã o d e p r o d u t o d e s t in a d o a
fin s t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is , c u jo b e m ju r íd ic o t u t e la d o é a s a ú d e p ú b lic a ,
s ã o d e p e rig o a b s t ra t o , o s q u a is n ã o e x ig e m a c o m p ro v a ç ã o d e ris c o e fe tiv o
d e c o rre n te d a u t iliz a ç ã o in d e v id a d o p r o d u t o f a ls if ic a d o , c o r r o m p id o , a d u lt e r a d o
ou a lt e r a d o . 2. P a ra a c o n fig u ra ç ã o d o d e lito d o a rt. 273 d o C ó d ig o P e n a l, b a s ta
a c o m p ro v a ç ã o d e q u e a a q u is iç ã o d a s u b s t â n c ia o u d o p r o d u to o c o r re u d e
92 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

fo rm a c la n d e s t in a , t a l c o m o n a e s p é c ie , im p o s s ib ilit a n d o a a v e r ig u a ç ã o a c e r c a
d a s e g u ra n ç a e d a e f ic á c ia d a s u b s t â n c ia (n o c a s o , d a to x in a b o t u lín ic a d o tip o
"A", v e n d id a s o b o n o m e c o m e r c ia l Fin e Tox). 3. R e c u rs o e s p e c ia l p r o v id o , p a ra
r e s t a b e le c e r a s e n t e n ç a q u e c o n d e n o u 0 ré u p e la p r á t ic a d o c rim e d o a rt. 27 3 , §
2 °, d o C ó d ig o P e n a l" (STJ, 6a T., R Esp 13 8 8 18 5 , j. 18 /0 9 /2 0 1 8 ).

Co m e x c e ç ã o d a m o d a lid a d e c u lp o s a , a d m it e -s e a fo rm a te n t a d a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-SC - 2010 - Pro m oto r de Justiça) Foi c o n s id e r a d a c o r r e t a a s e g u in t e a lt e r n a t iv a :
" F a ls if ic a r , c o r r o m p e r , a d u lt e r a r o u a l t e r a r p r o d u t o d e s t in a d o a f in s t e r a p ê u t ic o s o u
m e d ic in a is é c r im e f o r m a l" .

9. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 285: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".

10. Ação penal


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A fo rm a c u lp o s a a d m it e 0 sursis processual (a rt. 89 d a Lei n ° 9 .0 9 9 /9 5 ), já q u e


a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

3.8. EMPREGO DE PROCESSO PROIBIDO OU DE SUBSTÂNCIA NÃO PERMITIDA

A rt. 274. Em pregar, no fa b rico d e pro du to d e stin a d o a


Emprego
consum o, re ve stim e n to , g a se ificação a rtificia l, m atéria
de processo
co ran te , su b stâ n cia a ro m á tica , antissé p tica , c o n se rv a d o ­
proibido ou
ra ou q u a lq u e r outra não e xp ressa m e n te p e rm itid a pela
de substância
leg islação sa n itá ria :
não permitida
Pena - re clu sã o , de 1 (um ) a 5 (cinco) ano s, e multa.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e ra l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 c rim e é empregar, no fa b ric o d e p r o d u to d e s t in a d o a c o n s u m o , re v e s t im e n to ,
g a s e if ic a ç ã o a r t if ic ia l, m a t é r ia co ra n te , s u b s t â n c ia a r o m á t ic a , a n t is s é p t ic a .
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 93

c o n s e r v a d o r a o u q u a lq u e r o u tra n ã o e x p re s s a m e n t e p e r m it id a p e la le g is la ç ã o
s a n it á r ia .

Produto destin ado a consum o: n ã o n e c e s s a r ia m e n t e s e tra ta d e p ro d u to


c o m e s t ív e l, p o d e n d o a b r a n g e r o u tro s , c o m o , p o r e x e m p lo , o s d e h ig ie n e p e s s o a l.
P o ré m , o s p r o d u t o s d e v e m s e r r e g u la d o s p e la le g is la ç ã o s a n it á r ia .

Crim e de perigo comum: c o lo c a em ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e


p esso as.

Crim e de perigo ab strato: n ã o h á n e c e s s id a d e d e o ris c o s e r d e m o n s t ra d o


no c a s o c o n c re to , já q u e p r e s u m id o p e lo le g is la d o r. R o g é rio G re c o , e m p o s iç ã o
m in o r it á r ia , s u s te n ta s e t r a t a r d e c rim e d e p e r ig o c o n c re to ( Curso de Direito
Penal, V o l. IV, p . 15 3 ).

Norm a p en al em branco: 0 t ip o em a n á lis e d e v e s e r c o m p le m e n t a d o p e la


le g is la ç ã o s a n it á r ia .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o . N ão há
p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l e n e m d e fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te e m p r e g a r p r o c e s s o
p r o ib id o ou s u b s t â n c ia n ã o p e r m it id a p e la le g is la ç ã o s a n it á r ia . C o m o s e e s tá
d ia n t e d e d e lito d e p e r ig o a b s t r a t o o u p r e s u m id o , a c o n s u m a ç ã o in d e p e n d e d e
u m a s it u a ç ã o c o n c re ta d e ris c o à in c o lu m id a d e p ú b lic a .

A t e n t a t iv a é a d m is s ív e l, p o is 0 c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e .

6. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 28 5: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".

7. Ação penal
P ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A m o d a lid a d e s im p le s a d m ite a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o , já q u e a
p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

8. Distinção
• A c o n d u ta d e e x p o r à v e n d a ou v e n d e r m e rc a d o ria ou p ro d u to a lim e n tíc io ,
c u jo fa b ric o h a ja d e s a t e n d id o a d e te r m in a ç õ e s o fic ia is , q u a n to a o p e s o e
c o m p o s iç ã o s e a m o ld a a o a rt. 2 °, III, d a Lei n. 1 .5 2 1 /5 1 .
94 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3 .9 . INVÓLUCRO OU RECIPIENTE COM FALSA INDICAÇÃO

r ^

9
1
Art. 275. Inculcar, em invó lucro ou re cip ie n te de produtos
Invólucro ou
alim e n tício s, te ra p ê u tic o s ou m e d icin a is, a existên cia de
recipiente
su b stân cia que não se e ncontra em seu con teú do ou que
com falsa
n e le existe em q u a n tid a d e m e n o r que a m e n cio n ad a:
indicação
Pena - re clu sã o , de 1 (um ) a 5 (cinco) a n o s, e m ulta.
1._____________ d

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 a rt . 275 d o CP n ã o e x ig e q u a lq u e r c o n d iç ã o ou q u a lid a d e e s p e c ia l d o
a u t o r ( c rim e c o m u m ), 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 c rim e é inculcar, em in v ó lu c ro o u r e c ip ie n t e d e p r o d u t o s a lim e n t íc io s ,
t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is , a e x is t ê n c ia d e s u b s t â n c ia q u e n ã o s e e n c o n t ra em
s e u c o n t e ú d o ou q u e n e le e x is te em q u a n t id a d e m e n o r q u e a m e n c io n a d a .

Inculcar: s ig n ific a e s t a m p a r, a p o n ta r, in d ic a r , d iv u lg a r.

Objeto m a t e r ia l: in v ó lu c ro ou r e c ip ie n t e d e p r o d u t o s a lim e n t íc io s , t e r a p ê u t ic o s
ou m e d ic in a is . A s s im , e v e n t u a l p r o p a g a n d a e n g a n o s a em fo lh e t o s a v u ls o s n ã o
c a r a c t e r iz a 0 c rim e d o a rt. 275 , m a s sim f r a u d e no c o m é r c io (a rt . 17 5 d o CP) ou
d e lito c o n tra 0 c o n s u m id o r (a rt . 66 d o CDC - Lei n. 8 .0 78/90 ).

Crim e d e perigo ab strato : n ã o h á n e c e s s id a d e d e q u e 0 ris c o s e ja d e m o n s t ra d o


no c a s o c o n c re to , já q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É o d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e p r a t ic a r o n ú c le o d o t ip o . O c rim e p o d e s e r
p r a t ic a d o p o r d o lo e v e n t u a l.

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l ( d o lo e s p e c ífic o ) ou d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to e m q u e o a g e n te in c u lc a r, em
in v ó lu c ro o u r e c ip ie n t e d e p r o d u t o s a lim e n t íc io s , t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is ,
a e x is t ê n c ia d e s u b s t â n c ia q u e n ã o s e e n c o n t ra em s e u c o n t e ú d o ou q u e n e le
e x is te em q u a n t id a d e m e n o r q u e a m e n c io n a d a .
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 95

C o m o s e e s tá d ia n t e d e c rim e d e p e r ig o a b s t r a t o ou p r e s u m id o , a c o n s u m a ç ã o
in d e p e n d e d e q u a lq u e r o u tro re s u lt a d o le s iv o .

0 d e lito é p lu r is s u b s is t e n t e , ra z ã o p e la q u a l é a d m it id a a fo rm a te n t a d a .

6. Distinção
• F a lsa in d ic a ç ã o em p r o s p e c to s d e p r o p a g a n d a , a n ú n c io s ou o u tro s fo lh e to s:
a rt. 17 5 d o CP.

• F a z e r a firm a ç ã o f a ls a ou e n g a n o s a , ou o m it ir in fo rm a ç ã o r e le v a n t e s o b re a
n a t u re z a , c a r a c t e rís t ic a , q u a lid a d e , q u a n t id a d e , s e g u ra n ç a , d esem p en h o ,
d u r a b ilid a d e , p re ç o ou g a ra n tia d e p ro d u to s ou s e r v iç o s : a rt. 66 d o CDC (Lei n.
8.0 78/90 ).

• In d u z ir 0 c o n s u m id o r ou u s u á rio a e r r o , p o r v ia d e in d ic a ç ã o ou a firm a ç ã o
f a ls a ou e n g a n o s a s o b re a n a t u re z a , q u a lid a d e d o b e m ou s e r v iç o , u t iliz a n d o -
s e d e q u a lq u e r m e io , in c lu s iv e a v e ic u la ç ã o ou d iv u lg a ç ã o p u b lic it á r ia : a rt. 7 °,
VII, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

7. Forma majorada

É p r e v is t a no a rt . 28 5: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos


neste Capítulo , salvo quanto ao definido no art. 267".

8. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

3.10. PRODUTO OU SUBSTÂNCIA NAS CONDIÇÕES DOS DOIS ARTIGOS ANTERIORES

Produto ou
Art. 276. Vender, expor à ve n d a, ter em depósito para ve n ­
substância nas
d e r ou, de qu alq ue r form a, entregar a consumo produto nas
condições dos
condições dos arts. 274 e 275.
dois artigos
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa.
anteriores

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).
96 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3. Tipo objetivo
0 c rim e é vender, expor à venda, ter em depósito para vend er ou, de qualquer
forma, entregar a consumo produto nas condições dos arts. 274 e 275.
Tipo misto alternativo: 0 c rim e é cie a ç ã o m ú ltip la ou d e c o n te ú d o v a r ia d o ,
ra z ã o p e la q u a l h a v e r á d e lito ú n ic o m e s m o q u e 0 a g e n te p r a t iq u e v á r io s v e r b o s
n u c le a r e s no m e s m o co n te x to fá tic o .

Crime de perigo abstrato: não há n e c e s s id a d e d e q u e 0 risco s e ja d e m o n s tra d o


no caso co n c re to , já q u e v e m p re s u m id o p e lo le g isla d o r.

Fato posterior im punível: se a s c o n d u ta s p r e v is t a s no a rt. 276 fo ra m p r a t ic a d a s


p e lo a u t o r d o c rim e p r e v is t o no a rt. 274 ou no a rt. 275 (e x .: d e p o is d e in s e r ir
no r e c ip ie n t e d e p r o d u to a lim e n t íc io s u b s t â n c ia q u e n ã o s e e n c o n t ra e m se u
c o n t e ú d o , 0 a g e n te e x p õ e à v e n d a 0 m e s m o p r o d u t o ), h a v e r á s o m e n te e s te
ú ltim o (a rt . 274 ou a rt. 2 7 5 ), s e r v in d o 0 p r im e ir o (a rt. 276 ) c o m o c ir c u n s t â n c ia
ju d ic ia l n e g a tiv a .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o . N ão há
p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) , s a lv o em re la ç ã o à
m o d a lid a d e t e r em depósito ( " p a r a v e n d e r " ) .

In a d m it e -s e a fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a rá c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a r u m a d a s
c o n d u ta s n u c le a re s p r e v is t a s no tip o p e n a l, in d e p e n d e n t e m e n te d a c o m e r c ia liz a ç ã o
ou d o c o n s u m o d o p ro d u to (c rim e d e p e rig o a b s tra to ou p r e s u m id o ).

A s m o d a lid a d e s exporá venda e terem depósito d e n o ta m crimes permanentes,


c u ja c o n s u m a ç ã o s e p r o t r a i no te m p o .

T r a t a n d o -s e d e d e lit o p lu r is s u b s is t e n t e , é a d m is s ív e l a te n t a t iv a .

6. Distinção
• V e n d e r, t e r em d e p ó s it o p a ra v e n d e r ou e x p o r à v e n d a o u , d e q u a lq u e r fo rm a ,
e n tre g a r m a t é r ia -p r im a ou m e rc a d o ria , em c o n d iç õ e s im p r ó p r ia s a o c o n su m o :
a rt. 70, IX, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

• E x p o r à v e n d a ou v e n d e r m e rc a d o ria ou p ro d u to a lim e n tíc io , c u jo fa b ric o h a ja


d e s a t e n d id o a d e te r m in a ç õ e s o fic ia is , q u a n to a o p e s o e c o m p o s iç ã o : a rt. 2 °, III,
d a Lei n. 1 .5 2 1 /5 1 .

7. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt . 285: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 97

8. A ção p e n a l

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . Na m o d a lid a d e s im p le s é p o s s ív e l o
su rsis p r o c e s s u a l ( a r t . 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), p o is a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a
um a n o .

3 .11. SUBSTÂNCIA DESTINADA À FALSIFICAÇÃO

Art. 277. V end er, exp o r à v e n d a , te r em d ep ó sito ou c e d e r


su b stân cia d e stin a d a à fa lsifica çã o de pro du to s a lim e n tí­
cios, te ra p ê u tic o s ou m e d icin a is:
Pena - re clu sã o , de 1 (um ) a 5 (cinco) ano s, e m ulta.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e r a l (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 c rim e é v e n d e r, e x p o r à v e n d a , te r e m d e p ó s it o ou c e d e r s u b s t â n c ia
d e s t in a d a à f a ls if ic a ç ã o d e p r o d u t o s a lim e n t íc io s , t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is .

Tipo misto altern ativo: 0 c rim e é d e a ç ã o m ú ltip la ou d e c o n t e ú d o v a r ia d o ,


ra z ã o p e la q u a l h a v e r á d e lito ú n ic o m e s m o q u e 0 a g e n te p r a t iq u e v á r io s v e r b o s
n u c le a r e s no m e s m o co n te x to fá tic o .

Objeto m aterial: s u b s t â n c ia d e s t in a d a à f a ls if ic a ç ã o d e p r o d u t o s a lim e n t íc io s ,


t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is . Tal s u b s t â n c ia p o d e s e r v ir u n ic a m e n te p a r a a p rá tic a
d a f a ls if ic a ç ã o ou s e r e v e n t u a lm e n t e u t iliz a d a co m e s s e fim .

Crim e de perigo comum: a s u b s t â n c ia d e v e s e r d e s t in a d a a um n ú m e ro


in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

Crim e de perigo ab strato : n ã o h á n e c e s s id a d e d e q u e 0 ris c o s e ja d e m o n s t ra d o


no c a s o c o n c re to , já q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É o d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e v e n d e r , e x p o r à v e n d a , t e r em
d e p ó s it o ou c e d e r s u b s t â n c ia d e s t in a d a à f a ls if ic a ç ã o d e p r o d u t o s a lim e n t íc io s ,
t e r a p ê u t ic o s ou m e d ic in a is . 0 a g e n te d e v e t e r c iê n c ia d e q u e ta l s u b s t â n c ia s e r á
d e s t in a d a à f a ls if ic a ç ã o , b e m c o m o d o p e r ig o c o m u m c r ia d o co m s u a c o n d u ta .

N ão h á p r e v is ã o d e m o d a lid a d e c u lp o s a .
98 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e o a g e n te p r a t ic a r o n ú cle o
d o t ip o , in d e p e n d e n t e m e n t e d e q u a lq u e r re s u lt a d o le s iv o ( c rim e d e p e rig o
a b s t ra t o ). 0 d e lito é p e r m a n e n t e n a s m o d a lid a d e s e x p o r à venda e ter em
depósito, r a z ã o p e la q u a l a c o n s u m a ç ã o s e p ro lo n g a no te m p o .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

6. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 28 5: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".

7. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . Na m o d a lid a d e s im p le s é p o s s ív e l 0
sursis p r o c e s s u a l (a rt. 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), p o is a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a
um a n o .

3.12. OUTRAS SUBSTÂNCIAS NOCIVAS À SAÚDE PÚBLICA

Art. 278. Fabricar, vender, expor à ve n d a, te r em depósito


para ve n d e r ou, de qu alq ue r form a, entregar a consumo
coisa ou substância nociva à saú de , a in da que não desti­
Outras nada à alim entação ou a fim m edicinal:
substâncias Pena - detenção, de um a três anos, e multa.
nocivas à
saúde pública
P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é culposo:
Form a
cu lp o sa Pena - d ete n çã o , de d o is m e se s a um
ano.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e ra l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o o c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo

0 c rim e é fabricar, vender, expor à venda, te r em depósito para vender ou, de


qualquer form a, entregar a c o n s u m o c o is a o u s u b s t â n c ia n o c iv a à s a ú d e , a in d a
q u e n ã o d e s t in a d a à a lim e n t a ç ã o o u a fim m e d ic in a l.
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 99

Tipo misto altern ativo: o c rim e é d e a ç ã o m ú ltip la o u d e c o n t e ú d o v a r ia d o ,


ra z ã o p e la q u a l h a v e r á d e lito ú n ic o m e s m o q u e o a g e n te p r a t iq u e v á r io s v e r b o s
n u c le a r e s no m e s m o co n te x to fá tic o .

Crim e de perigo comum: a c o is a ou s u b s t â n c ia d e v e s e r d e s t in a d a a um


n ú m e ro in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

Objeto m aterial: c o is a ou s u b s t â n c ia n o c iv a à s a ú d e , a in d a q u e n ã o d e s t in a d a
à a lim e n t a ç ã o ou a fim m e d ic in a l (c o m o p e r fu m e s , e s m a lt e s , c ig a r r o s , b r in q u e d o s ,
r o u p a s , m a m a d e ir a s e tc .).

Crim e de perigo ab strato: n ã o h á n e c e s s id a d e d e q u e o ris c o s e ja d e m o n s t r a d o


no c a s o c o n c re to , já q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , ou s e ja , a v o n t a d e d e f a b ric a r, v e n d e r , e x p o r à v e n d a , t e r em
d e p ó s it o p a r a v e n d e r o u , d e q u a lq u e r f o rm a , e n t r e g a r a c o n s u m o c o is a ou
s u b s t â n c ia n o c iv a à s a ú d e . N ão é e x ig id o d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o
e s p e c ia l) , e x ce to n a m o d a lid a d e te r em depósito ( " p a r a v e n d e r " ) .

É p r e v is t a , c o m o v e r e m o s , a fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a r 0 n ú c le o d o
t ip o , in d e p e n d e n t e m e n t e d a p r o d u ç ã o d e q u a lq u e r o u tro re s u lt a d o le s iv o (c rim e
d e p e r ig o a b s t ra t o ).

Há c rim e p e r m a n e n t e (a c o n s u m a ç ã o s e p r o t ra i no t e m p o ) n a s m o d a lid a d e s
e x p o r à v e n d a e t e r em depósito.

C o m o s e está d ia n te d e d e lito p lu rissu b siste n te , a te n ta tiv a é a d m iss ív e l.

6. Forma culposa

De a c o r d o co m 0 p a rá g ra f o ú n ic o , s e 0 c rim e é p r a t ic a d o co m im p r u d ê n c ia ,
n e g lig ê n c ia ou im p e r íc ia , a p e n a s e r á d e d e te n ç ã o d e 2 m e s e s a 1 a n o .

Na m o d a lid a d e c u lp o s a n ã o s e a d m ite a fo rm a t e n t a d a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2013 - CRA-SC - Advogado) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"Ter em depósito para vender, substância nociva à saú de, ain da que não destinada
à alim entação ou a fim m edicinal, é conduta tip ificad a como crim e que adm ite a m o­
d a lid a d e culposa".

7. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 28 5: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".
10 0 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

8. Distinção
• O m itir d iz e r e s ou s in a is o s te n s iv o s s o b re a n o c iv id a d e ou p e r ic u lo s id a d e d e
p ro d u to s , n a s e m b a la g e n s , no s in v ó lu c ro s , r e c ip ie n t e s ou p u b lic id a d e : a rt. 63
d o CDC (Lei n. 8.078/90).

• D e ix a r de c o m u n ic a r à a u t o r id a d e c o m p e te n te e aos c o n s u m id o re s a
n o c iv id a d e ou p e r ic u lo s id a d e d e p ro d u to s c u jo c o n h e c im e n to s e ja p o s t e r io r à
s u a c o lo c a ç ã o no m e rc a d o : a rt. 64 d o CDC (Lei n. 8.078/90).

• P ro d u zir, p ro c e s s a r, e m b a la r, im p o rta r, e x p o rta r, c o m e r c ia liz a r, fo rn e c e r,


tra n s p o rta r, a rm a z e n a r , g u a rd a r, t e r em d e p ó s it o ou u s a r p ro d u to ou s u b s tâ n c ia
tó x ic a , p e rig o s a ou n o c iv a à s a ú d e h u m a n a ou a o m e io a m b ie n te , em d e s a c o rd o
co m a s e x ig ê n c ia s e s t a b e le c id a s em le is ou no s s e u s re g u la m e n to s : a rt. 56 d a
Lei d o s C rim e s A m b ie n ta is (Lei n. 9.605/98).

9. Ação penal
P ú b lic a in c o n d ic io n a d a . C o m o a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um ano, 0
a g e n te d e v e s e r b e n e fic ia d o co m a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o , d e s d e
q u e p r e s e n t e s o s d e m a is r e q u is it o s d o a rt. 89 d a Lei n. 9 .09 9/95.

A fo rm a c u lp o s a c a r a c t e r iz a -s e c o m o in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o te n c ia l
o fe n s iv o , d e v e n d o s e g u ir 0 rito s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 .09 9/95.

3.13. MEDICAMENTO EM DESACORDO COM RECEITA MEDICA

Art. 280. Fornecer substância m edicinal em desaco rdo com re ­


ceita m édica:
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa.

Form a P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é culpo so :


c u lp o sa Pena - d ete n çã o , d e d o is m e se s a um ano.

1. Bem jurídico

T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e r á s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).

3. Tipo o b je tivo

0 c rim e é fornecer substância m edicinal em desacordo com receita médica.

Objeto m a te ria l: s u b s t â n c ia m e d ic in a l, ou s e ja , a q u e la usada p a ra


p r e v e n ç ã o ou c u ra d e d o e n ç a s . É ir r e le v a n t e q u e a s u b s t â n c ia t e n h a p r e ç o ou
Cap. I • Crimes contra a incolumidade pública 10 1

q u a lid a d e s u p e r io r à p r e s c r it a p e lo m é d ic o , p o is o q u e a n o rm a q u e r e v it a r é
a a r b it r a r ie d a d e d o fo r n e c im e n t o d a s u b s t â n c ia m e d ic in a l p e lo f a r m a c ê u t ic o
ou o u t ra p e s s o a .

R e c e ita m édica: p r e s c r iç ã o ou in d ic a ç ã o r e a liz a d a p o r m é d ic o . 0 t ip o n ã o


a lc a n ç a a s r e c e it a s r e a liz a d a s p o r o u tro s p r o f is s io n a is d a s a ú d e , c o m o o d e n t is t a .

Crim e de perigo comum ou coletivo: e x p õ e a ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o


de p esso as.

Crim e de perigo ab strato : n ã o h á n e c e s s id a d e d e q u e o ris c o s e ja d e m o n s t ra d o


no c a s o c o n c re to , já q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo de p e r ig o , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f o r n e c e r s u b s t â n c ia
m e d ic in a l em d e s a c o r d o co m a re c e ita m é d ic a .

C a s o 0 a g e n te a tu e co m d o lo d e d a n o ( q u e r m a t a r o u f e r ir d e t e r m in a d a
v ít im a ), d e v e r á r e s p o n d e r p o r h o m ic íd io o u le s ã o c o r p o r a l, c o n fo rm e 0 c a s o .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a r 0 n ú c le o d o
tip o , ou s e ja , q u a n d o fo rn e c e a s u b s t â n c ia m e d ic in a l em d e s a c o r d o co m re c e ita
m é d ic a . C o m o s e tra ta d e d e lito d e p e rig o a b s t ra t o , n ã o h á n e c e s s id a d e q u e a
s u b s t â n c ia s e ja u t iliz a d a .

T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , é a d m is s ív e l a te n t a t iv a .

6. Forma culposa
De a c o r d o co m 0 p a r á g r a f o ú n ic o , s e 0 c rim e é p r a t ic a d o co m im p r u d ê n c ia ,
n e g lig ê n c ia ou im p e r íc ia , a p e n a s e r á d e d e te n ç ã o d e 2 m e s e s a 1 a n o .

Na m o d a lid a d e c u lp o s a n ã o s e a d m ite a fo rm a t e n t a d a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2013 - CRA-SC - Advogado) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lternativa: "For­
necer substância m edicin al em d esaco rdo com receita m édica é conduta tipificada
como crim e que adm ite a m o d alid ad e culposa".

7. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 285: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo , salvo quanto ao definido no art. 267".

8. Distinção
• P re s c re v e r ou m in is tra r, c u lp o s a m e n t e , d ro g a s , s e m q u e d e la s n e c e s s ite 0
p a c ie n te , ou f a z ê -lo em d o s e s e x c e s s iv a s ou em d e s a c o rd o co m d e te r m in a ç ã o
le g a l ou re g u la m e n ta r: a rt. 38 d a Lei d e D ro g a s (Lei n. 11.3 4 3 /0 6 ).
10 2 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

9. Ação penal
A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . C o m o a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um
a n o , 0 a g e n te d e v e s e r b e n e fic ia d o co m a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o ,
d e s d e q u e p r e s e n t e s o s d e m a is r e q u is it o s d o a rt. 89 d a Lei n. 9 -0 99 / 9 5 -

A fo rm a c u lp o s a c a r a c t e r iz a -s e c o m o in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o te n c ia l
o fe n s iv o , d e v e n d o s e g u ir 0 rito s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 .09 9/95.

3.14 . EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA, ARTE DENTÁRIA OU FARMACÊUTICA

Art. 282. Exercer, a in da que a título gratuito, a profissão de


m édico, dentista ou farm acêutico, sem autorização legal
ou excedendo-lhe os lim ites:
E xe rcício ilegal
Pena - detenção, de se is m eses a d o is anos.
d a m e d icin a ,
a rte d e n tá ria
ou fa rm a c ê u tic a P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é p raticad o
Fim
com 0 fim d e lucro , a p lic a -s e tam bém
de lucro
m ulta.

1. Bem jurídico

T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , e m g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos

S u je ito a tiv o : q u a lq u e r p e s s o a ( c rim e c o m u m ) n a m o d a lid a d e "sem autorização


legal"; s o m e n te 0 m é d ic o , 0 d e n t is t a e 0 f a r m a c ê u t ic o ( c rim e p r ó p r io ) na
m o d a lid a d e " e x c e d e n d o -lh e o s lim ite s " .

S u je ito p a s s iv o : a c o le t iv id a d e em g e ra l (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo

0 c rim e é exercer, a in d a q u e a títu lo g ra tu ito , a p r o f is s ã o d e m é d ic o , d e n tis ta


ou farm acêutico, sem autorização legal ou excedendo-lhe os limites.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2018 - P ro c u ra d o r Autárquico) Foi co n sid era d a correta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "0 crim e de exercício ilegal da m edicina, arte d en tária ou farm acêutica restará
configurado ain d a que 0 exercício d as profissões se ja a título gratuito".
(CESPE - 2013 - TRT8 - A nalista Judiciário) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "É isenta de pena a conduta de quem pratica, gratuitam ente, a m edicina, ainda
que exceda os lim ites de autorização legal."

Sem au to riza çã o legal: é e le m e n t o n o rm a tiv o d o t ip o . 0 a g e n te n ã o p o s s u i


0 títu lo (o u e s te n ã o e s t á re g is t r a d o ) q u e lh e p e r m it a 0 e x e rc íc io d a p r o f is s ã o .
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 10 3

Excedendo-lhe os lim ites: t r a t a -s e d e n o rm a p e n a l e m b r a n c o , p o is há


n e c e s s id a d e d e c o m p le m e n t a ç ã o d o tip o co m a s d is p o s iç õ e s ( le is , d e c re t o s ,
p o r t a r ia s e tc .) q u e re g u la m e n t a m a s p r o f is s õ e s d e s c r it a s no a rt. 282 d o CP.

De a c o rd o co m o STJ, "N o q u e c o n c e r n e a o c rim e d e e x e rc íc io ile g a l d a


m e d ic in a , a u s e n t e c o m p le m e n t a ç ã o d a n o rm a p e n a l em b r a n c o , p o r a u s ê n c ia d e
re g u la m e n t a ç ã o a c e r c a d o e x e rc íc io d a acupuntura, a c o n d u ta é a t íp ic a " (6a T.,
RHC 6 6 .6 4 1, j. 0 3 /0 3 /2 0 16 ).

Crim e de perigo comum e ab strato : c o lo c a em ris c o um n ú m e ro in d e t e r m in a d o


d e p e s s o a s , n ã o h a v e n d o n e c e s s id a d e d e q u e 0 p e r ig o s e ja d e m o n s t r a n d o no
c a s o c o n c re to , já q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

Crim e habitual: e x ig e , p a r a a s u a c o n s u m a ç ã o , d a p r á t ic a r e it e r a d a e u n ifo rm e


d e a to s q u e d e n o te m um e s t ilo o u m o d o d e v id a d o a g e n te . Um ú n ic o a to ,
is o la d o , c o n s titu i fa to a típ ic o .

Concurso com 0 tráfico de drogas: s e 0 a g e n te , a o e x e r c e r ir r e g u la r m e n t e a


m e d ic in a , a in d a p r e s c r e v e d ro g a , e s t a r á c a r a c t e r iz a d o , em t e s e , 0 c o n c u rs o fo r­
m a l e n tre 0 a rt. 282 d o C ó d ig o P e n a l e 0 a rt . 33, cap u t, d a Lei n ° 1 1 .3 4 3 /0 6 . N e sse
s e n t id o : STJ, 5a T., HC 13 9 .6 6 7, j. 1 7 /1 2 /2 0 0 9 .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCV - 2019 - Prefeitu ra de Salvador-BA - Agente de Fiscalização M unicipal) Hugo, estu­
dante de enferm agem , com 0 conhecim ento já adquirido no curso, presta, em deter­
m inada data, atendim ento m édico a um casal de m oradores da com unidade em que
re sid ia, realizando diagnóstico e receitando m edicam entos. Para garantir a confiança do
casal, Hugo esclareceu que tinha conhecim entos em razão de cursos na área da saúde,
mas adm itiu que era a prim eira vez que praticava conduta típica do exercício da m edici­
na. Adem ais, informou que não cobraria q ualquer va lo r do casal, já que seu objetivo era
verificar se teria p razer em re a liza r atendim entos a pessoas com problem as de saúde.
Considerando apenas as inform ações expostas, assinale a afirm ativa correta:
a) Não foi praticado crim e de exercício ilegal da m edicina, tendo em vista que 0 fato
foi praticad o a título gratuito.
b) Foi praticado crim e de exercício ilegal da m edicina, já que d isp e n sá ve l a intenção
de lucro, que, se presente, a p en as perm ite que seja tam bém a p licad a pena de multa.
c) Som ente restará praticado 0 crim e de exercício ilegal da m edicina, se a conduta do
agente cau sar dano d ireto às pesso as atendidas.
d) Foi praticado crim e de exercício ilegal da m edicina, que poderá s e r tipificado a
parte de conduta d olosa ou culposa do agente.
e) Não foi praticado crim e de exercício ilegal da m edicina, que exige a presença de
ha b itu a lid a d e para sua tipificação.
G abarito : E.
(IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a correta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Acerca dos crim es contra a incolum idade pública: 0 exercício ilegal da m edicina,
arte d entária ou farm acêutica é dou trin ariam en te classificado como crim e habitual e
de perigo abstrato".
10 4 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

4. Tipo subjetivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e e x e r c e r a p r o f is s ã o d e m é d ic o ,
d e n t is t a ou f a r m a c ê u t ic o , s e m a u t o r iz a ç ã o le g a l ou e x c e d e n d o -lh e o s lim ite s .

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o ou e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l. No e n ta n to ,
s e 0 c rim e é p r a t ic a d o co m o fim de lucro, a p lic a -s e ta m b é m a p e n a d e m u lta ,
c o n fo rm e d is p o s iç ã o d o p a rá g ra fo ú n ic o .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e s e c o n s u m a co m o e x e rc íc io h a b itu a l e re it e ra d o d a p r o fis s ã o d e m é d ic o ,
d e n tis ta ou fa r m a c ê u t ic o , se m a u t o riz a ç ã o le g a l ou e x c e d e n d o -lh e o s lim ite s .

C o m o 0 d e lito é habitual, n ã o é a c e it a a fo rm a t e n t a d a : ou o a g e n te p ra tic a


um ú n ic o a to , e e s te é a t íp ic o , ou r e it e r a a c o n d u ta , e o c rim e e s t a r á c o n s u m a d o .

6. Forma qualificada (fim de lucro)


Está no p a r á g r a f o ú n ic o : s e o c rim e fo r p r a t ic a d o co m o in tu ito d e lu c ro ,
a p lic a -s e ta m b é m m u lta .

É ir r e le v a n t e q u e o a g e n te lo g re ê x ito em a lc a n ç a r o lu c ro v is a d o , d e v e n d o ,
is s o s im , a t u a r co m ta l p r o p ó s it o .

7. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt. 285: "Aplica-se o disposto no art. 258 aos crim es previstos
neste Capítulo , salvo quanto ao definido no art. 267".

8. Distinção
• 0 m é d ic o , d e n tis ta ou fa rm a c ê u tic o c o n tin u a e x e rc e n d o a p r o fis s ã o d e p o is d e
s u s p e n s ã o ou p r iv a ç ã o p o r d e c is ã o ju d ic ia l: a rt. 359 d o CP.

• E x e rc e r p ro fis s ã o o u a t iv id a d e e c o n ô m ic a ou a n u n c ia r q u e a e x e rc e , se m
p r e e n c h e r a s c o n d iç õ e s a q u e p o r le i e s tá s u b o r d in a d o 0 se u e x e rc íc io : a rt. 47
d a LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2013 - TRT8 - A nalista Judiciário) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "A pessoa que exerce a profissão de farm acêutico, sem autorização legal, incide
em charlatanism o."

9. Ação penal
A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . T r a t a -s e , d e s d e q u e n ã o h a ja a in c id ê n c ia
d o a rt. 285 d o C ó d ig o P e n a l, d e in f r a ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o ,
d e v e n d o in c id ir o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s d a Lei n. 9 .09 9/95.
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 10 5

A p e n a c o m in a d a é d e 6 m e s e s a 2 a n o s , se m p r e v is ã o d e m u lta .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2010 - CRM-DF - Advogado) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"Ao agente que exerce, ainda que a título gratuito, a profissão de médico, dentista ou
farmacêutico, sem autorização legal ou exercendo os limites, será aplicada a pena de
detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos e multa".

3.15. CHARLATANISMO

Art. 283. Inculcar ou anu nciar cura p o r m eio secreto ou in­


falível:
Pena - detenção, de três m eses a um ano, e multa.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?

(FCC - 2019 - MP-MT - Pro m oto r de Justiça) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "Tanto 0 charlatanism o (art. 283), quanto 0 curand eirism o (art. 284), são
classificado s no Código Penal como crim es contra a fé pública".
(VUNESP - 2015 - C â m a ra M unicipal de Itatiba-SP - Advogado) Foi co n sid era d a incorreta
a seguinte alternativa: "Aquele que inculcar ou an u n ciar cura po r m eio secreto ou
infalível pratica 0 crim e de curand eirism o ".
(CESPE - 2013 - TRT8 - A nalista Ju diciário ) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lternati­
va : "Exerce 0 curand eirism o a pessoa que anuncia cura po r m eio secreto ou infalível."

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e ra l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

2. Sujeitos

0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ( c rim e c o m u m ), s e ja 0 m é d ic o ou
o le ig o .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e ra l ( c rim e v a g o ).

3. T ip o o b je t iv o

0 c rim e é inculcar ou anunciar cura por meio secreto ou infalível.

Inculcar: s ig n ific a e s t a m p a r, a p o n t a r , in d ic a r , d iv u lg a r.

C u ra secreta ou in falível: 0 a g e n te in c u lc a ou a n u n c ia c u ra p o r m e io s e c re to
(m é t o d o n ã o c o n h e c id o p e la s c iê n c ia s m é d ic a s ) ou infalível (m e io to ta lm e n te
e fic a z ). Isso s ig n ific a q u e a m e ra p r o m e s s a d e c u ra n ã o c a r a c t e r iz a 0 c rim e d o
a rt. 28 3, m a s p o d e s e c o n f o r m a r no d e lito a n te rio r.
106 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Crim e de perigo comum e ab strato: c o lo c a em ris c o um n ú m e r o in d e t e r m in a d o


d e p e s s o a s , n ã o h a v e n d o n e c e s s id a d e d e q u e o p e rig o s e ja d e m o n s t r a n d o no
c a s o c o n c re to , já q u e v e m p r e s u m id o p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e in c u lc a r ou a n u n c ia r c u ra p o r m e io
s e c re t o ou in f a lív e l, e s t a n d o o a g e n te c ie n te d a f a ls id a d e .

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o a n ím ic o d o tip o ) e n em d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa

A c o n s u m a ç ã o s e d á co m a p r á t ic a d o n ú c le o d o t ip o , s e n d o d is p e n s á v e l
q u e 0 a g e n t e c o n s ig a c o n v e n c e r a lg u é m d o s s e u s m é t o d o s d e c u ra ( c r im e d e
p e r ig o a b s t r a t o ) .

E n te n d e m o s d is p e n s á v e l a h a b it u a lid a d e , d e m o d o q u e um ú n ic o a to já é
s u fic ie n t e p a r a a c a r a c t e r iz a ç ã o d o d e lito .

C o m o s e e s tá d ia n t e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , a d m it e -s e o co natu s.

6. Forma majorada

É p r e v is t a no a rt. 285: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crim es previstos


neste Capítulo, salvo quanto ao definido no art. 267".

7. Distinção com 0 art. 282 do Código Penal

0 charlatanismo é u m a e s p é c ie d e f r a u d e , p o is 0 a g e n te p r o m e t e c u ra
e x p lo r a n d o a b o a -fé d a c o m u n id a d e em g e r a l, a o p a s s o q u e no c rim e d e
exercício ilegal da medicina, arte dentária ou farmacêutica 0 a g e n te , em te s e ,
a c r e d it a no tra ta m e n t o p o r e le re c o m e n d a d o .

8. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . T r a t a -s e , d e s d e q u e n ã o h a ja a in c i­
d ê n c ia d o a rt. 285 d o C ó d ig o P e n a l, d e in f r a ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o f e n s i­
v o , d e v e n d o in c id ir o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s d a Lei n. 9 .09 9/95.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2014 - PC-SP - Delegado de Polícia) "Dentre os crim es listad o s a seguir, a q u e ­
le que foi revogado do Código Penal é: a) curand eirism o . b) charlatanism o , c) bigam ia,
d) sedução , e) sim ulação de casam ento". G abarito : D.
Cap. I . Crimes contra a incolumidade pública 10 7

3.16. CURANDEIRISMO

A rt. 284. Exercer 0 c u ra n d e irism o : I - p re scre ve n d o , m in is­


tra n d o ou a p lic a n d o , h a b itu alm e nte , q u a lq u e r su b stâ n ­
cia ; II - u sand o gestos, p a la v ra s ou q u a lq u e r outro m eio;
III - fa ze n d o d iagnó stico s:
Pena - d ete nção , de s e is m e ses a d o is anos.

Pena P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é p ra tica d o


de m ulta — m e d ia n te re m u n e ra ção , 0 agente fica
tam bém su je ito à m ulta.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a in c o lu m id a d e p ú b lic a , em g e r a l, e a s a ú d e p ú b lic a , em e s p e c ia l.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - MP-MT - Pro m oto r de Justiça) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "Tanto 0 charlatanism o (art. 283), quanto 0 curand eirism o (art. 284), são
classificado s no Código Penal como crim es contra a fé pública".

2. Sujeitos
C o m o 0 c rim e é c o m u m , 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a q u e n ã o
te n h a c o n h e c im e n t o s m é d ic o s .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e em g e r a l (c rim e v a g o ).

3. Tipo objetivo
0 c rim e é e x e rc e r 0 curandeirism o.

Cu ran d eirism o : é 0 e x e rc íc io d a a rt e d e c u r a r p o r q u e m n ã o te m a n e c e s s á r ia
h a b ilit a ç ã o p r o f is s io n a l, p o r m e io s n ã o c ie n tífic o s (B ite n c o u rt).

M o d alid a d es: p o d e s e r p r a t ic a d o p e lo s m e io s e s p e c if ic a d o s n o s in c is o s d o
a rt. 284: I - p r e s c r e v e n d o , m in is t r a n d o o u a p lic a n d o , h a b it u a lm e n t e , q u a lq u e r
s u b s t â n c ia ; II - u s a n d o g e s to s , p a la v r a s o u q u a lq u e r o u tro m e io ; ou III - fa z e n d o
d ia g n ó s tic o s .
Crim e de perigo comum e abstrato: a lé m d e a tin g ir um n ú m e ro in d e t e r m in a d o
d e p e s s o a s , a s itu a ç ã o d e p e rig o n ã o p r e c is a s e r d e m o n s t ra d a no c a s o c o n c re to ,
p o is v e m p r e s u m id a p e lo le g is la d o r.
Crim e habitual: e x ig e , p a r a a s u a c o n s u m a ç ã o , d a p r á t ic a r e it e r a d a e u n ifo rm e
d e a to s q u e d e n o te m um e s t ilo o u m o d o d e v id a d o a g e n te . Um ú n ic o a to ,
is o la d o , c o n s titu i fa to a típ ic o .
C o n c u rs o de crim es: " E m b o ra 0 c u r a n d e ir is m o s e ja p r á t ic a d e lit u o s a t íp ic a
d e p e s s o a ru d e , s e m q u a lq u e r c o n h e c im e n t o t é c n ic o -p r o f is s io n a l d a m e d ic in a
e q u e s e d e d ic a a p r e s c r e v e r s u b s t â n c ia s ou p r o c e d im e n t o s co m 0 fim d e c u r a r
d o e n ç a s , n ã o s e p o d e d e s c a r t a r a p o s s ib ilid a d e d e e x is t ê n c ia d o c o n c u rs o e n tre
108 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

ta l c rim e e o d e e x e rc íc io ile g a l d e a rt e f a r m a c ê u t ic a , s e o a g e n te ta m b é m n ã o
te m h a b ilit a ç ã o p r o f is s io n a l e s p e c ífic a p a ra e x e r c e r ta l a t iv id a d e " (ST], 5* T., HC
36.244, j. 2 2 /0 2 /2 0 0 5 ).

4- Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la vo n ta d e de e x e rc e r, r e it e r a d a m e n t e , 0
c u r a n d e ir is m o , m e d ia n t e u m a d a s c o n d u ta s d e s c r it a s no t ip o p e n a l.

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o ou e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l. No
e n ta n to , s e 0 c rim e é p r a t ic a d o mediante remuneração, a p lic a -s e ta m b é m a
p e n a d e m u lta , c o n fo rm e d is p o s iç ã o d o p a r á g r a f o ú n ic o .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e s e c o n s u m a co m 0 e x e rc íc io h a b it u a l e r e it e r a d o d o s a to s c it a d o s no s
in c is o s d o a rt. 284.

C o m o 0 d e lito é h a b it u a l, n ã o é a c e it a a fo rm a t e n t a d a : ou 0 a g e n te p r a t ic a
um ú n ic o a to , e e s te é a típ ic o , ou r e it e r a a c o n d u ta , e 0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o .

6. Forma qualificada (mediante remuneração)


Está no p a r á g r a f o ú n ic o : s e 0 c rim e fo r p r a t ic a d o m e d ia n t e re m u n e r a ç ã o ,
a p lic a -s e ta m b é m m u lta .

0 c u r a n d e ir o d e v e e f e t iv a m e n t e t e r r e c e b id o a r e m u n e r a ç ã o , q u e p o d e , ou
n ã o , s e r p e c u n iá r ia .

7. Forma majorada
É p r e v is t a no a rt . 285: "Aplica-se 0 disposto no art. 258 aos crimes previstos
neste Capítulo , salvo quanto ao definido no art. 267".

8. Ação penal
A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . T r a t a -s e , d e s d e q u e n ã o h a ja a in c id ê n c ia d o
a rt. 285 d o C ó d ig o P e n a l, d e in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o , d e v e n ­
d o in c id ir o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s d a Lei n. 9 .09 9/95.

► C o m o esse assunto foi c o b ra d o e m c o n cu rso ?

(PCR - 2008 - P ro c u ra d o r d a República) "Leite ad u lterad o com água oxigenada e soda


cáustica provoca p rob lem as intestinais em d ezenas de pesso as e a m orte de três
d elas. A p uro u-se que 0 autor intelectual da a d ulteração foi 0 gerente da em presa
d istrib uid o ra, visand o a prolongar 0 acondicionam ento sem d eterio ra çã o do produto.
Ele respo nd e crim inalm ente: a) pelo crim e de falsificação, corrup ção , adulteração de
substância ou produtos alim entícios em concurso com crim es de lesão corporal e de
hom icídio; b) pelo crim e de falsificação, corrupção, adulteração de substância ou pro­
dutos alim entícios em concurso com 0 crim e contra relação de consum o previsto no
art. 70, IX da Lei n. 8.137/90 (ve n d e r ou entregar m e rcad o ria, em co ndições im p ró p ria s
ao consum o); c) pelo crim e contra as relaçõ es de consum o q u alificad o pelo resultado;
d) pelo crim e contra a saú d e pública qualificado pelo resultado". G abarito : D.
Capítulo

Crimes contra
a paz pública

DOS CRIMES CONTRA


A PAZ PÚBLICA

i 1 1 i

Incitação Apologia de crim e A sso ciação C o n stituição de


ao crim e ou crim inoso crim in o sa m ilícia p riv a d a
(art. 286) (art. 287) (art. 288) (art. 288-A)

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2018 - ABIN - Agente de Inteligência) Foi c o n s id e r a d a correta a s e g u in ­
te a lt e r n a t iv a : "Os t ip o s p e n a is d e f in id o s c o m o in c it a ç ã o a o c rim e e a p o lo g ia
d e c rim e s ã o e s p é c ie s d e c r im e s c o n tra a p a z p ú b lic a " .

1. INCITAÇÃO AO CRIME

Art. 286. Incitar, publicam ente, a prática de crim e:


Pena - detenção, de três a se is m eses, ou multa.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a p a z p ú b lic a .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e ( c rim e v a g o ).
110 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em in c ita r; publicamente , a prática de crime.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(NUCEPE - 2010 - SEJUS-PI - Agente) "LUIZ DAMASCENO, sind icalista m ilitante, durante
um m ovim ento grevista, instigou publicam ente os sócios do sindicato de tra b a lh a d o ­
res em estabelecim entos p risio n ais a danificarem os equip am ento s de inform ática
dos seus lo cais de trabalho , com 0 intuito de p re ssio n a r 0 G overnado r do Estado a
aten d er às reivind icaçõ es da categoria. Além, da infração adm inistrativa, é CORRETO
afirm a r que 0 sind icalista com eteu: a) apologia de crim e (art. 287 do Código Penal); b)
form ação de q u ad rilh a (art. 288 do Código Penal); c) danos (art. 163 do Código Penal);
d) incitação ao crim e (art. 286 do Código Penal); e) nenhum crim e". G abarito : D.

Incitar: s ig n ific a e s t im u la r , a ç u la r, in s tig a r, in d u z ir.


Publicam ente: a in c ita ç ã o d e v e s e r r e a liz a d a em p ú b lic o , p e r m it in d o a lc a n ç a r
um n ú m e ro in d e t e rm in a d o d e p e s s o a s . P o d e s e r d irig id a a u m a ú n ic a p e s s o a , m as
s e p r a t ic a d a n a p r e s e n ç a d e v á r ia s p e s s o a s r e a liz a -s e o e le m e n to " p u b lic a m e n te " .
P o r o u tro la d o , a p r e s e n ç a d e v á r ia s p e s s o a s , p o r si só , n ã o sig n ific a q u e h a ja
p u b lic id a d e (ex.: a in s tig a ç ã o fe ita no in t e r io r d e r e s id ê n c ia , a in d a q u e p re s e n te s
v á r ia s p e s s o a s , n ã o c o n fig u ra d o d e lito , já q u e n ã o h á o fe n s a à p a z p ú b lic a ).
Crim e: c o m o o t ip o p e n a l c o n té m a p e n a s a e le m e n t a r c rim e , e s tá e x c lu íd a a
contravenção penal. A s s im , e s t im u la r p u b lic a m e n t e p e s s o a s a fim d e q u e s e a p r e ­
s e n te m e m e s t a d o e s c a n d a lo s o d e e m b ria g u e z (a rt . 62 d a LCP), n ã o c o n fig u ra 0
d e lito d o a rt. 286 d o C ó d ig o P e n a l.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Constitui crim e incitar terceira pesso a a p ratica r conduta punida pela lei como con­
travenção penal".

Fato determ inad o: a in c it a ç ã o d e v e s e r d e c rim e d e t e r m in a d o . S e r ia o c a s o ,


p o r e x e m p lo , d e 0 a g e n te in c it a r p u b lic a m e n t e q u e s e d a n if iq u e 0 c a r r o p a r t i­
c u la r d o p r e fe it o . P o d e a in d a s e d a r a in c it a ç ã o a c r im e s , m a s d e s d e q u e s e ja m
d e t e r m in a d o s . Ex.: in c ita r, p u b lic a m e n t e , a d e s t r u iç ã o d o c a r r o p a r t ic u la r d o p r e ­
fe ito , d a s e d e d a p r e fe it u r a e ta m b é m a p r á t ic a d e le s õ e s c o r p o r a is c o n tra o s
v e r e a d o r e s d a c id a d e . Se 0 fa to f o r g e n é ric o o u in d e t e r m in a d o n ã o c o n fig u ra 0
d e lito . N as p a la v r a s d e F ra g o s o , " p o r fa to d e t e r m in a d o e n t e n d e -s e , p o r e x e m ­
p lo , um c e rto h o m ic íd io o u um c e rto r o u b o , e n ã o ro u b o s ou h o m ic íd io s in g e n e -
re " (L iç õ e s d e D ire ito P e n a l, V o l. II, p . 27 5 ). A d e m a is , p a r a 0 fa to s e r d e t e r m in a d o
n ã o s ig n ific a q u e a v ít im a s e ja e s p e c ific a d a .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2 0 11 - TJ-ES - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"0 delito de incitação ao crim e co nfigura-se indep end en tem en te de a incitação se r
d irigida à prática de d eterm inada infração penal, estando configurado 0 crim e com a
m era incitação genérica".
Cap. II • Crimes contra a paz pública 111

Concurso de p e sso a s: se a p e s s o a in s t ig a d a v ie r a p r a t ic a r o c rim e , o a g e n te


d o a rt. 286 d o C ó d ig o P e n a l d e v e r á r e s p o n d e r ta m b é m p e lo c rim e c o m e tid o .
S e g u n d o N ucci, s e 0 d e s t in a t á r io d a in s t ig a ç ã o f o r ú n ic o , a p e s a r d e t e r s id o r e a li­
z a d a p u b lic a m e n t e , 0 a rt. 286 é a b s o r v id o . Se fo re m v á r io s d e s t in a t á r io s , h a v e r á
c o n c u rs o f o rm a l d e c r im e s . A n o s s o v e r, s e m p r e o c o r r e r á c o n c u rs o d e c rim e s ,
d e v e n d o 0 a g e n te r e s p o n d e r p e lo s d o is d e lito s .

Crim e de fo rm a livre: p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r m e io d e e x e c u ç ã o
( p a la v r a s , m a n ife s t o s e s c rit o s , g e s to s e tc .).

Crim e de perigo com um e ab strato: a lé m d e a tin g ir um n ú m e ro in d e t e rm in a d o


d e p e s s o a s , a s itu a ç ã o d e p e r ig o n ã o p r e c is a s e r d e m o n s t ra d a no c a s o c o n c re to ,
p o is v e m p r e s u m id a p e lo le g is la d o r.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e in c ita r, p u b lic a m e n t e , a p r á t ic a
d e c rim e , te n d o 0 a g e n te c iê n c ia q u e s u a c o n d u ta s e d irig e a um n ú m e ro
in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l (d o lo e s p e c ífic o ) e n em d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c r im e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to e m q u e a in c it a ç ã o p r a t ic a d a p e lo
a g e n t e f o r p e r c e b id a p o r um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s . C o m o s e
e s tá d ia n t e d e c r im e f o r m a l, é ir r e le v a n t e q u e 0 d e lit o in c it a d o v e n h a a s e r
p r a t ic a d o .

A t e n t a t iv a s e r á p o s s ív e l n a m o d a lid a d e p lu r is s u b s is t e n t e ( in c it a ç ã o p o r v ia
e s c rit a ), e in a d m is s ív e l na m o d a lid a d e u n is s u b s is t e n t e ( in c it a ç ã o p o r p a la v r a ) .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2015 - TCM-RJ - P ro c u ra d o r da P ro c u ra d o ria Especial) "A respeito do art. 286
do Código Penal: incitar, publicam ente, a prática de crim e, co nsid ere: I. 0 incitam ento
genérico para d e lin q u ir não caracteriza 0 crim e em questão; II. É in d isp en sável que
0 agente faça referência ao m eio para executar 0 delito; III. A d efesa de tese sobre
a p o ssib ilid a d e da prática da e utan ásia configura 0 crim e em questão; IV. 0 crim e se
consum a com a prática do delito pelas pesso as que foram instigadas. Está correto 0
que se afirm a APENAS em: a) III e IV; b) I e III; c) II e IV; d) l; e) II". G abarito : D.

6. Distinção
• In citar, d ire t a e p u b lic a m e n te , a lg u é m a c o m e te r q u a lq u e r c rim e d e g e n o c íd io :
a rt. 3 ° d a Lei n. 2.889/56.

• In c ita r (I) à s u b v e r s ã o d a o rd e m p o lític a ou s o c ia l, (II) à a n im o s id a d e e n tre a s


Fo rç a s A r m a d a s ou e n tre e s ta s e a s c la s s e s s o c ia is ou a s in s titu iç õ e s c iv is , (III)
112 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

à lu ta co m v io lê n c ia e n tre a s c la s s e s s o c ia is ou (IV ) à p rá tic a d e q u a lq u e r d o s


c rim e s p re v is to s n a Lei d e S e g u ra n ç a N a c io n a l: a rt. 23 d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .

• In d u z ir ou in s tig a r a lg u é m a s u ic id a r -s e ou p r e s t a r -lh e a u x ílio p a ra q u e o faça :


a rt. 12 2 d o CP.

• In d u z ir a lg u é m a s a t is f a z e r a la s c ív ia d e o u tre m : a rt. 227 d o CP.

• In d u z ir ou a t r a ir a lg u é m à p ro s titu iç ã o ou o u tra fo rm a d e e x p lo ra ç ã o s e x u a l,
f a c ilit á -la , im p e d ir ou d ific u lt a r q u e a lg u é m a a b a n d o n e : a rt. 228 d o CP.

• In d u z ir ou in c it a r a d is c rim in a ç ã o ou p re c o n c e ito d e ra ç a , cor, e tn ia , re lig iã o ou


p r o c e d ê n c ia n a c io n a l: a rt. 20 d a Lei d e R a c ism o (Lei n. 7 .7 16 /8 9 ).

• In d u zir, in s t ig a r ou a u x ilia r a lg u é m a o uso in d e v id o d e d ro g a : a rt. 33, § 2°, d a Lei


d e D ro g a s (Lei n. 11.3 4 3 /0 6 ).

• In c ita r à d e s o b e d iê n c ia , à in d is c ip lin a ou à p rá tic a d e c rim e m ilita r: a rt. 15 5 d o


C ó d ig o P e n a l M ilitar.

7. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m o a p e n a m á x im a n ã o u lt r a p a s s a d o is a n o s , c a r a c t e r iz a -s e c o m o in fra ç ã o
p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o , d e v e n d o in c id ir o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s
d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 , c o m o a t r a n s a ç ã o p e n a l e a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o .

2 . APOLOGIA DE CRIM E OU CRIMINOSO

Art. 287. Fazer, publicam ente, apologia de fato crim inoso ou


de autor de crim e:
Pena - detenção, de três a seis m eses, ou multa.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a p a z p ú b lic a .

2. Sujeitos
O c rim e é c o m u m , r a z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"Funcionário público que fiz e r apologia de fato crim inoso praticará, na form a q u alifi­
cad a, delito de apologia de crim e ou crim inoso".

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e , is to é , um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e p e s s o ­
a s ( c rim e v a g o ).
Cap. II • Crimes contra a paz pública 113

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is te em fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou
de autor de crime.

Fazer apologia: s ig n ific a lo u v a r, a p ro v a r, e x a lta r, e lo g ia r, d e fe n d e r.

Publicamente: a c o n d u ta d o a g e n te d e v e s e r p e r c e b id a p o r um n ú m e ro
in d e t e r m in a d o d e p e s s o a s .

Fato criminoso: n ã o a b r a n g e a s c o n t ra v e n ç õ e s p e n a is . D is c u t e -s e s e 0 fato


c rim in o s o d e v e s e r a lg o q u e a c o n t e c e u c o n c re ta m e n t e o u , a o c o n t r á r io , s e p o d e
s e r a lg o a p o n t a d o a b s t r a t a m e n t e . Há d u a s p o s iç õ e s : a ) 0 fa to c rim in o s o d e v e s e r
c e rto e t e r e f e t iv a m e n t e o c o r r id o (N o ro n h a , D a m á s io , M ira b e t e , R e g is P ra d o , B i-
t e n c o u rt, C a p e z ); b ) a e le m e n t a r " fa to c rim in o s o " d iz r e s p e it o a fa to já o c o r rid o
e ta m b é m a fa to q u e p o d e v ir a o c o r r e r (H u n g ria , R o g é rio C re c o ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2011 - Tj-ES - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"0 delito de apologia de crim e ou de crim inoso só se configura se praticado publica­
m ente, não abrangendo 0 fato contravencional ou im oral, m as 0 fato culposo".

Autor de crime: a f a s t a -s e , n o v a m e n t e , 0 a u t o r d e c o n t ra v e n ç ã o p e n a l. D is ­
c u t e -s e s e h á n e c e s s id a d e d e c o n d e n a ç ã o ir r e c o r r ív e l d o d e lin q u e n t e e lo g ia d o ,
h a v e n d o d u a s p o s iç õ e s : a ) a u t o r d e c rim e é q u e m fo i c o n d e n a d o , co m t râ n s ito
em ju lg a d o , p e la p r á t ic a d e d e lit o (B ite n c o u rt, D e lm a n to ); b ) n ã o s e e x ig e a c o n ­
d e n a ç ã o ou m e s m o a e x is t ê n c ia d e a ç ã o p e n a l c o n tra 0 c rim in o s o e n a lt e c id o
(H u n g ria , F ra g o s o , N o ro n h a , D a m á s io , C a p e z ).

Crime de forma livre: p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r m e io d e e x e c u ç ã o


( p a la v r a , e s c rit o s , g e s to s e tc.).

Crime de perigo comum e abstrato: a lé m d e a t in g ir um n ú m e r o in d e t e r m in a d o


d e p e s s o a s , a s it u a ç ã o d e p e r ig o n ã o p r e c is a s e r d e m o n s t r a d a n o c a s o c o n c re to ,
p o is v e m p r e s u m id a p e lo le g is la d o r .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o , d e v e n d o
0 a g e n te e s t a r c ie n te q u e s u a c o n d u ta a tin g e um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e
pessoas e que há uma instigação im plícita de crime ou de autor de crime.
N ão h á e x ig ê n c ia d e d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) e n em
p r e v is ã o d e fo rm a c u lp o s a .

Defesa da legalização das drogas: " P o r e n t e n d e r q u e 0 e x e rc íc io d o s d ir e it o s


f u n d a m e n t a is d e r e u n iã o e d e liv r e m a n if e s t a ç ã o d o p e n s a m e n t o d e v e m s e r
g a r a n t id o s a t o d a s a s p e s s o a s , 0 P le n á rio ju lg o u p r o c e d e n t e p e d id o f o rm u la d o
em ADPF p a r a d a r, a o a rt. 287 d o CP, co m e fe ito v in c u la n t e , in t e r p r e t a ç ã o c o n fo rm e
a CF, d e fo rm a a e x c lu ir q u a lq u e r e x e g e s e q u e p o s s a e n s e ja r a c r im in a liz a ç ã o
114 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

d a d e fe s a d a le g a liz a ç ã o d a s d ro g a s , ou d e q u a lq u e r s u b s t â n c ia e n t o rp e c e n t e
e s p e c ífic a , in c lu s iv e a t r a v é s d e m a n if e s t a ç õ e s e e v e n t o s p ú b lic o s " (STF, T rib u n a l
P le n o , ADPF 18 7 , j. 1 5 /0 6 /2 0 1 1 ) . In f o rm a t iv o n. 6 3 1 d o STF.

Caso. Em outubro de 2019 alguns sites divulgaram v íd e o s de um professo r falando de


torturas e execuções que teria feito quando ain da trab alh ava como policial militar.
Análise dos autores. Se 0 agente, explícita ou im plicitam ente, exalta e defende fatos
crim inosos concretos, tendo ciência que sua conduta atinge um núm ero in d eterm in a­
do de p esso as, em tese, pode caracte rizar 0 crim e do art. 287 do Código Penal. Por
outro lado, havendo animus jocandi, 0 fato será atípico.

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e um n ú m e ro in d e t e r m in a d o
d e p e s s o a s p e r c e b e r a a p o lo g ia d e c rim e o u c rim in o s o . C o m o s e e s tá d ia n t e
de crime formal e de perigo abstrato, a c o n s u m a ç ã o in d e p e n d e d a e fe tiv a
p e rtu rb a ç ã o d a paz.

A t e n t a t iv a s e r á p o s s ív e l n a m o d a lid a d e p lu r is s u b s is t e n t e (e x .: 0 a p o lo g is t a
é p r e s o no m o m e n to em q u e s e p r e p a r a v a p a r a f ix a r c a r t a z e s e n a lt e c e n d o 0
c rim in o s o ); n a m o d a lid a d e u n is s u b s is t e n t e (e x .: a p o lo g ia p o r p a la v r a ) é in c a b ív e l
0 conatus.

6. Distinção
• In cita çã o (a rt. 286): in c e n tiv o d ire to ou e x p líc ito à p ra tic a d e crim e .

• A p o lo g ia (a rt. 28 7): in c e n tiv o in d ire t o ou im p líc ito à p r á t ic a d e c rim e .


• Fazer, em p ú b lic o , p r o p a g a n d a d e q u a lq u e r d o s c rim e s p re v is to s n a Lei d e
S e g u ra n ç a N a c io n a l: a rt. 22, IV, d a Lei n. 7 .17 0 /8 3 .
• D iv u lg a r, p o r q u a lq u e r m e io , in c lu s iv e p o r m e io d e c o m u n ic a ç ã o d e m a s s a
ou s is t e m a d e in fo rm á t ic a o u t e le m á t ic a , fo to g ra fia , v íd e o ou o u tro re g is tro
a u d io v is u a l q u e fa ç a a p o lo g ia o u in d u z a à p r á t ic a d e e s t u p r o o u d e e s t u p r o d e
v u ln e r á v e l: a rt. 2 1 8 -C , caput, d o C ó d ig o P e n a l ( in c lu íd o p e la Lei n ° 1 3 .7 1 8 /1 8 ) .

7. Concurso de crimes
N ão h a v e r á c rim e ú n ic o s e 0 a g e n te , no m e s m o co n te x to fá t ic o , f iz e r a p o lo g ia
d e v á r io s fa to s c rim in o s o s ou d e v á r io s a u t o r e s d e c r im e s . A q u e s tã o d e v e se
r e s o lv e r co m 0 concurso form al de delitos (a rt . 70 d o C ó d ig o P e n a l).
H a v e rá c rim e ú n ic o , p o r o u tro la d o , s e 0 s u je it o a tiv o f iz e r a p o lo g ia d e um
ú n ic o fa to c rim in o s o e d o s e u r e s p e c t iv o a u to r.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) Foi considerada incorreta a seguinte alter­
nativa: "Com relação ao delito de apologia de crime ou criminoso, previsto no CP, há
crime único se 0 agente, em um mesmo contexto fático, faz apologia de vários crimes
ou de vários autores de crimes".
Cap. II . Crimes contra a paz pública 115

8. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m o a p e n a m á x im a n ã o u lt r a p a s s a d o is a n o s , c a r a c t e r iz a -s e c o m o in fra ç ã o
p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o , d e v e n d o in c id ir o s in s titu to s d e s p e n a liz a d o r e s
d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 , c o m o a t r a n s a ç ã o p e n a l e a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o .

3. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA

Art. 288. A sso ciare m -se 3 (três) ou m a is p e sso a s, p a ra 0


fim e sp e cífico de co m ete r crim es:
Pena - re clu sã o , d e 1 (um ) a 3 (três) ano s.

P a rá g ra fo único. A pe na a u m e n ta-se
Form a — até a m etade se a a sso cia çã o é a rm a d a
m a jo ra d a ou se ho u ve r a p a rticip a çã o de criança
ou a d o lescen te .

A Lei n. 12 .8 5 0 , d e 02 d e a g o s to d e 2 0 13 ( p u b lic a d a no d ia 0 5 /0 8 /2 0 13 e
co m vacatio legis d e 45 d ia s ) , d e fin iu o r g a n iz a ç ã o c r im in o s a , d is p ô s s o b r e a
in v e s t ig a ç ã o c r im in a l, o s m e io s d e o b te n ç ã o d a p r o v a , in f r a ç õ e s p e n a is c o r r e la t a s
e 0 p r o c e d im e n t o c r im in a l; a lt e ro u o s a rt ig o s 288 e 342 d o C ó d ig o P e n a l, b em
c o m o re v o g o u a Lei n. 9.034, d e 03 d e m a io d e 1995.

No q u e ta n g e a o a rt. 288 d o C ó d ig o P e n a l, a lt e r o u 0 n o m e d o d e lito d e


q u a d r ilh a o u b a n d o p a r a a s s o c ia ç ã o c r im in o s a e d e u n o v a r e d a ç ã o a o tip o
p e n a l.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a p a z p ú b lic a .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(NC-UFPR - 2019 - TJ-PR - Titu lar de Serviço s de Notas e de Registros) "0 conceito de
bem ju ríd ico é bastante recente no Direito Penal, apo ntan do -se 0 século XIX como
0 ponto de partida. (RANGEL; BACILA, 2015). Bem juríd ico , portanto, é um interesse
relevante tutelado pelo direito . É um bem ju ríd ico tutelado no delito de Associação
Criminosa previsto no artigo 288 do Código penal:
a) fé pública.
b) patrim ônio público.
c) costum es.
d) paz pública.
e) incolum idade pública.
G ab arito : D.
116 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

2. S u je it o s

0 c rim e é c o m u m , r a z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

Crime de concurso necessário ou plurissubjetivo: 0 tip o p e n a l e x ig e no m ín im o


t rê s p e s s o a s p a ra a c o n fig u ra ç ã o d o c rim e .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2018 - P ro c u ra d o r Autárquico) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alter­
nativa: "No crim e de asso ciação crim ino sa, haverá concurso facultativo de agentes".

Integrantes que se agregam ou de'ixam a a s s o c ia ç ã o c r im in o s a : q u a n d o 0 c r i­


m e s e p ro lo n g a p o r m u ito te m p o , n ã o h á a lt e r a ç ã o d a t ip ic id a d e . N e sse s e n t id o :
"A a s s o c ia ç ã o c r im in o s a p r e v is t a no a rt. 288 d o C ó d ig o P e n a l, c u jo a n tig o n o m e
e r a 'fo rm a ç ã o d e q u a d r ilh a ou b a n d o ', é d e c o n c u rs o n e c e s s á r io . Q u a n d o a a s ­
s o c ia ç ã o s e p r o t ra i p o r m u ito te m p o , é p o s s ív e l q u e um ou m a is in t e g ra n te s s e
a g re g u e m ou d e ix e m 0 ó rg ã o c rim in o s o se m a lt e r a r a t ip ic id a d e d a c o n d u ta " (STJ,
C o rte E s p e c ia l, EDcl n a APn 70 2, j. 0 4 /1 1 /2 0 1 5 ) .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"0 crim e de asso ciação crim inosa caracte riza-se pela união de d uas ou m ais pesso as
com 0 fim específico de com eter crim es".

Inimputáveis: os m e n o re s d e 18 a n o s e o s d o e n te s m e n t a is s ã o in c lu íd o s no
n ú m e r o le g a l. A s s im , s e 0 a u t o r a s s o c ia r -s e co m o u tro s t rê s a d o le s c e n t e s , p a r a 0
fim d e c o m e t e r c r im e s , e s t a r á in c o r r e n d o n a s s a n ç õ e s d o a rt. 288 d o CP.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2 0 11 - DPE-MA - D efensor Público) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lte r­
nativa: "Para a configuração do delito de q u ad rilh a, verifica d o 0 núm ero m ínim o de
agentes previsto em lei, basta que um dos integrantes seja im putável".
(CESPE - 2008 - PC-TO - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lte r­
nativa: "Fernando, Cláudio e M aria, penalm ente im p utáveis, a sso cia ra m -se com G era l­
do, de 17 anos de id a d e , com 0 fim de com eter estelionato. Alugaram um apartam ento
e adquiriram os equipam entos necessários à prática d elituosa, chegando, em conluio,
à concretização de um único crim e. Nessa situação, 0 grupo, com exceção do a d o le s ­
cente, resp o nd erá a p e n a s pelo crim e de estelionato, não se caracterizan do 0 delito
de qu ad rilha ou bando, em face da necessid ad e de asso ciação de, no m ínim o, quatro
pesso as para a tipificação d esse delito, to das penalm ente im putáveis".

Agente não identificado: também é computado no número legal. Observe-se


a seguinte decisão do Superior Tribunal de Justiça: "Consoante jurisprudência
desta Corte, para a caracterização do crime de quadrilha ou bando não é im­
prescindível que todos os coautores sejam identificados, bastando elementos
que demonstrem a estabilidade da associação para a prática de crimes" (STJ, 6a
T., HC 145765, j- 10/11/2009).
Cap. II • Crimes contra a paz pública 117

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2013 - TRF2 - Juiz Fed e ra l) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Nos autos de interceptação telefônica jud icialm en te auto rizad a na form a da lei, fo­
ram identificado s e processad o s crim inalm ente três entre quatro indivídu o s que se
com unicavam constantem ente para p la n e ja r a prática de v á rio s crim es de falsificação
de carteira de trabalho e da p revid ência so cial. Nessa situação, em bora com provada
a asso ciação estável e perm anente para a prática de crim es, não se po d erá co nden ar
po r crim e de q u ad rilha os três in d ivíd u o s identificado s, d evid o à ausência da id en ti­
ficação do quarto com parsa".

Agente que tem extinta sua punibilidade: e v e n t u a l e x tin ç ã o d a p u n ib ilid a d e


d e um d o s s u je it o s a tiv o s n ã o in t e rfe re n a c a r a c t e r iz a ç ã o d a fig u ra t íp ic a , q u e
s u b s is t e . A e x tin ç ã o é d a p e n a , ou d a p u n ib ilid a d e , e n ã o d o c rim e .

Agente absolvido: se a p a r t ic ip a ç ã o de um dos s u je it o s a t iv o s não é


d e m o n s t r a d a n o s a u t o s , v in d o e le a s e r a b s o lv id o , 0 d e lito d e a s s o c ia ç ã o
c r im in o s a e s t a r á d e s c a r a c t e r iz a d o , a n ã o s e r q u e a in d a re s te m o u t ra s trê s
p e s s o a s q u e 0 in te g re m .

Agentes que não se conhecem: 0 fa to de o s in t e g ra n te s da a s s o c ia ç ã o


c r im in o s a n ã o s e c o n h e c e re m , ou m e s m o d e n ã o r e s id ir e m n a m e s m a lo c a lid a d e ,
em n a d a in t e r f e r e n a t ip ific a ç ã o d o a rt. 288 d o CP, já q u e o s a c o r d o s p o d e m s e r
e n t a b u la d o s p o r e m is s á r io s , p o r t e le fo n e ou p e la in t e rn e t . A p r o p ó s it o : "No
c rim e d e q u a d r ilh a o u b a n d o p o u c o im p o rt a q u e o s s e u s c o m p o n e n t e s n ã o se
c o n h e ç a m re c ip r o c a m e n t e , q u e h a ja um c h e fe ou líd e r, q u e t o d o s p a rt ic ip e m
d e c a d a a ç ã o d e lit u o s a ou q u e c a d a um d e s e m p e n h e u m a t a r e fa e s p e c ífic a ,
b a s t a n d o q u e 0 fim a lm e ja d o s e ja 0 c o m e tim e n to d e c r im e s p e lo g ru p o " (STF,
P le n o , AP 4 8 1, j. 0 8 /0 9 /2 0 1 1).

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e , ou s e ja , um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e
p e s s o a s ( c rim e v a g o ).

3. T ip o o b je t iv o

A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em associarem-se 03 (três) ou mais pessoas, para 0


fim específico de cometer crimes. Na redação antiga, 0 tipo exigia, no mínimo, 04
(quatro) pessoas. A n o v a le i s e m o s t r a m a is s e v e r a n e s s e p o n to , u m a v e z q u e
p a r a a c o n f ig u r a ç ã o d o d e lito b a s t a r á a r e u n iã o d e t r ê s p e s s o a s . A n te s , a a s s o ­
c ia ç ã o d e tã o s o m e n te t rê s p e s s o a s p a ra 0 fim d e c o m e t e r c r im e s e r a c o n d u ta
a t íp ic a , s a lv o em c a s o s e s p e c ífic o s , c o m o 0 a rt. 35 d a Lei d e D ro g a s ( a s s o c ia ç ã o
p a ra o t rá fic o ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2014 - TJ-SP - Juiz de D ireito) A ssinale a opção v e rd a d e ira . No Direito b ra si­
leiro posto, é elem ento do tipo penal da A ssociação Crim inosa: a) Vo ltar-se à prática
de d elito s cuja pena m áxim a su p era cinco anos. b) Possuir ao m enos três pessoas, c)
Estruturação hie ra rq u izad a, com d ivisão de tarefas entre os seus m em bros, d) Possuir
ao m enos quatro p esso as. G ab arito : B.
118 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

(UESPI - 20 14 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a correta a seguinte alter­
nativa: "Como a nova red ação do tipo penal previsto no art. 288 do Código Penal
b rasileiro exige a asso ciação de a p en as três p esso as, esta se caracteriza como norma
m ais severa e, assim , irretro ativa neste aspecto".

Associação estável ou permanente: é o q u e d if e r e n c ia o d e lito d e a s s o c ia ç ã o


c r im in o s a d a a s s o c ia ç ã o o c a s io n a l p a r a a p r á t ic a d e d e lit o s . A p r o p ó s it o : " (...)
P a ra c a r a c t e r iz a ç ã o d o d e lito d e a s s o c ia ç ã o c r im in o s a , in d is p e n s á v e l a d e m o n s ­
t r a ç ã o d e e s t a b ilid a d e e p e r m a n ê n c ia d o g ru p o fo r m a d o p o r trê s ou m a is p e s ­
s o a s , a lé m d o e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l c o n s is te n te no a ju s t e p r é v io e n t re o s
m e m b ro s co m a f in a lid a d e e s p e c ífic a d e c o m e t e r c rim e s in d e t e r m in a d o s . A u s e n ­
te s t a is re q u is it o s , r e s t a r á c o n fig u ra d o a p e n a s o c o n c u rs o e v e n t u a l d e a g e n te s ,
e n ã o 0 c rim e a u tô n o m o d o a rt . 288 d o C ó d ig o P e n a l" (STJ, 6a T., RHC 90897, j.
18 /0 9 /2 0 1 8 ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lte r­
nativa: "No crim e de q u ad rilh a , é necessário que ocorra e stab ilid ad e da asso ciação e
que haja o rganização estruturad a, com hiera rq u ia entre os m em bros ou com papéis
previam ente definido s para cada um ". Obs.: 0 tipo não exige organização estruturada.

Para 0 fim específico de c o m e te r crimes: a a s s o c ia ç ã o c r im in o s a d e v e r e u n ir -


-s e p a ra a p r á t ic a d e c r im e s ou u m a q u a n t id a d e in d e t e r m in a d a d e c r im e s , d e
m o d o a r e v e la r a e s t a b ilid a d e e p e r m a n ê n c ia . Se a a s s o c ia ç ã o o c o r r e r p a r a 0 co -
m e tim e n to d e um ú n ic o d e lito ou u m a q u a n t id a d e d e t e r m in a d a d e c r im e s , h a v e ­
rá c o a u t o r ia ou p a r t ic ip a ç ã o no c rim e p r a t ic a d o (c o n c u rs o e v e n t u a l d e p e s s o a s ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2018 - ABIN - Agente de Inteligência) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "No caso de três ou m ais pesso as asso cia re m -se com a intenção de com eter
um único assalto a banco, estará configurado 0 crim e de asso ciação crim inosa".
(CESPE - 2012 - TJ-BA - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Co nsidere que João, Pedro, Antônio e Joaquim , todos m aio res de id a d e , asso ciem -se
com a fin alid ad e de falsificar um único ingresso de evento espo rtivo. Nessa situação,
a conduta d os agentes se am olda ao crim e de q u ad rilha".
(VUNESP - 2008 - TJ-SP - Juiz de D ireito) Em qual situação 0 crim e de bando ou qu a­
drilha (CP, art. 288), não se tip ifica? a) Quando um d os integrantes do bando é sem i-
-im p utável. b) Quando é im p o ssível a identificação civil de um dos integrantes efetivos
do bando, c) Quando a ficion ad os de futebol, asso ciad o s em 'torcida o rganizad a', em ­
preen dem , perio d icam en te, in va sõ es às d ep en d ên cias do clube e prom ovem d e p re ­
dações de suas instalaçõ es físicas para exigir a m udança da d ireto ria, d) Quando é
descontinuada a participação de um dos m eliantes nas ações do bando crim inoso.
G abarito : C.

C o n tra v e n ç õ e s penais: s e a re u n iã o fo r p a ra a p rá tic a d e c o n t ra v e n ç õ e s p e n a is ,


n ã o in c id e 0 a rt. 288 d o CP.
Cap. II • Crimes contra a paz pública 119

Crimes culposos e preterdolosos: e n t e n d e m o s q u e é im p o s s ív e l a a s s o c ia ç ã o


c r im in o s a p a r a a p r á t ic a d e delitos culposos e preterdolosos, p o is é in v iá v e l
b u s c a r um re s u lt a d o q u e n ã o s e d e s e ja .

Crime continuado: n ã o o b s t a n te p r a t ic a d o s v á r io s d e lit o s e m c o n d iç õ e s s e ­


m e lh a n t e s d e t e m p o , lu g a r e m o d o d e e x e c u ç ã o , o le g is la d o r , p o r f ic ç ã o le g a l,
o s r e ú n e e m um s ó c r im e ( a r t . 7 1 d o CP). A s s im , s e q u a t r o a g e n t e s a s s o c ia m -s e
p a r a , d e fo r m a r e it e r a d a e e s t á v e l, p r a t ic a r in ú m e r o s f u rt o s , n a d a im p e d e 0
r e c o n h e c im e n t o d o d e lit o d e a s s o c ia ç ã o c r im in o s a m e s m o d ia n t e d a c o n t in u i­
d a d e d e lit iv a .

Delitos de obstáculo (crimes-obstáculo): e x is te m q u a n d o a le i p e n a l in c r im i­


n a d e fo r m a a u t ô n o m a c o m p o r t a m e n t o s a n t e r io r e s a o in íc io d a e x e c u ç ã o , p u ­
n in d o , p o rt a n t o , a to s p u r a m e n t e p r e p a r a t ó r io s . E x e m p lo d is s o é a a s s o c ia ç ã o
c r im in o s a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"0 crim e de asso ciação crim inosa co nfigura-se como crim e obstáculo; 0 de falsid ad e
docum ental para com etim ento de estelionato é crim e de atitude pessoal".

Obs.: 0 erro está na segunda parte da assertiva. No crim e de atitud e p esso al ou de


tend ência é necessário v e rific a r 0 ânim o do agente para re alização do d elito . 0 toque
do ginecologista na vagina da paciente pode refletir m ero agir profissio nal ou configu­
ra r crim e de natureza sexual, a d e p e n d e r da tendência do agente.

(FCC - 2018 - DPE-RS - D efensor Público) Em cum prim ento a m andado de busca e
a p reen sã o em galpão m antido po r João, G eraldo e Cleo do m ir - que inclusive se en­
contravam em reun ião no local quando da ação p o licial - , foram a p re e n d id o s d iverso s
cad erno s em que os três p reparavam a abertura e a co ntab ilid ad e de uma central de
jogos de azar, bem como panfletos de propaganda d as a tivid a d e s que ali se iniciariam
em uma sem ana, além de m ais de 20 m áquinas caça-n íq u eis. Nesse caso, a conduta
dos agentes:

a) configura a prática de form ação de q u ad rilha (art. 288 do CP).

b) não é penalm ente relevante.

c) configura a prática da contravenção penal de exploração de jogos de a za r (art. 50


do Decreto-lei n ° 3.688/41)
d) configura as práticas de form ação de q u ad rilh a (art. 288 do CP) e da contravenção
penal de explo ração de jogos de a za r (art. 50 do Decreto-lei n° 3.688/41).
e) configura a prática da contravenção penal de exploração de jogos de azar (art. 50
do Decreto-lei n° 3.688/41), em sua forma tentada.
G ab arito : B. Obs.: não houve início de ato executório em relação à contravenção penal
de exploração de jogos de a zar; a d em ais, não se pune tentativa de contravenção (art.
4° da LCP).
(CESPE - 2 0 11 - TJ-ES - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"No crim e de q u ad rilh a, os agentes podem te r como propósito a prática de crim es
d oloso s, culposos ou preterdo lo so s".
12 0 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r o n ú c le o d o tip o . 0 a rt . 288
d o C ó d ig o P e n a l e x ig e e x p r e s s a m e n t e um e le m e n t o s u b je t iv o (d o lo e s p e c ífic o ),
já q u e 0 d e lito é p e r p e t r a d o " p a r a o fim d e c o m e t e r c rim e s " .

P o r o u tro la d o , " P a ra a c a r a c t e riz a ç ã o d o c rim e d e s c rit o no a rt. 288 d o C ó d ig o


P e n a l, é n e c e s s á rio , e n tre o u tro s , 0 elemento subjetivo do tipo, c o n s is te n te no
â n im o d e a s s o c ia ç ã o d e c a r á t e r e s t á v e l e p e r m a n e n t e . Do c o n t rá r io , s e r ia um m e ro
c o n c u rs o d e a g e n te s p a ra a p rá tic a d e c rim e s " (STJ, 6a T., HC 217000 , j. 16 /0 8 /2 0 16 ).
A in d a : "As c o n d u ta s d e s c rit a s p e lo P a rq u e t d e n o ta m 0 c o n c u rs o d e a g e n te s na
p rá tic a d e litu o s a e n ã o 0 d e lito d e a s s o c ia ç ã o c rim in o s a (a rt. 288 d o CP), c u ja
tip ific a ç ã o ex ig e a d e m o n s t ra ç ã o d a e x is tê n c ia d e v ín c u lo e s t á v e l e p e r m a n e n t e
d o s a g e n te s, v is a n d o à p rá tic a d e c rim e s " (STJ, 6a T., HC 258.696, j. 0 7 /0 3 /2 0 17 ).
N ão é p r e v is t a a fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
C o m o s e e s tá d ia n t e d e delito de perigo abstrato, a c o n s u m a ç ã o o c o rre
co m a s im p le s a s s o c ia ç ã o d e t rê s p e s s o a s co m a f in a lid a d e d e c o m e t e r c rim e s ,
s e n d o d e s n e c e s s á r io q u e e s t e s e f e t iv a m e n t e o c o r ra m . N e s s e s e n t id o : " P a ra
a c o n fig u ra ç ã o d o d e lito d o a rtig o 288 d o C ó d ig o P e n a l n ã o s e fa z n e c e s s á r ia
a e fe tiv a p r á t ic a d e o u t ro s c r im e s a q u e a q u a d r ilh a s e d e s t in a v a , b a s ta a
c o n v e rg ê n c ia d e v o n t a d e s r e la c io n a d a s a o c o m e tim e n to , em te s e , d e c rim e s ,
in d e p e n d e n t e m e n t e d o re s u lt a d o " (STJ, 6a T., AgRg no R Esp 1 0 1 1 7 9 5 , j. 1 7 /0 3 /2 0 1 1 ) .

A d e m a is , " T ra ta n d o -s e d e crime formal, é su ficie n te p a ra a c o n fig u ra ç ã o d o


d e lito d e fo rm a ç ã o d e q u a d rilh a (a tu a l a s s o c ia ç ã o c rim in o s a ), no s te rm o s d o art.
288 d o C ó d ig o P e n a l - CP (n a re d a ç ã o a n tig a , v ig e n te à é p o c a ), a a s s o c ia ç ã o d e m a is
d e trê s p e s s o a s , em q u a d rilh a ou b a n d o , p a ra 0 fim d e c o m e te r c rim e s , n ã o s e n d o
n e c e s s á ria a e fe tiv a p rá tic a d e d e lito s " (STJ, 6a T., AgRg no AREsp 747868, j. 2 7 /10 /2 0 15 ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2018 - P ro c u ra d o r Autárquico) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alter­
nativa: "0 crim e de asso ciação crim ino sa, para configuração, exige a prática de pelo
m enos um crim e".
(CESPE - 2017 - TRE-PE - Analista Judiciário) Foi considerada incorreta a seguinte alternati­
va: "Antônio e m ais três pessoas, todas d esem pregadas, reun iram -se no intuito de pla­
nejar e executar crim es de roubos arm ados a carros-fortes. Nessa situação hipotética,
a conduta de Antônio: só poderá se r caracterizada como crim e de associação crim inosa
se os outros agentes forem m aiores de id ad e ou praticarem pelo m enos um roubo".
(FUNDEP - 2014 - DPE-MC - D efensor Público) "0 art. 288 do Código Penal, com a re­
dação d ad a pela Lei n° 12.805/2013, define o crim e de asso ciação crim inosa como
asso cia re m -se 3 (três) ou m ais p esso as, para 0 fim específico de com eter crim es.
A consum ação de tal delito o correrá: a) quando 0 grupo in icia r suas ativid a d e s c ri­
m inosas. b) quando 0 grupo p ratica r ao m enos d o is delito s, c) quando, in d ep en ­
dentem ente da prática de q u alq u er crim e é dem o nstrada a p e n a s a pretensão de
h ab itu alid ad e. d) quando 0 grupo, realizand o os atos p rep arató rio s de um único fato
crim inoso, denota animus socii". G abarito : C.
Cap. II • Crimes contra a paz pública 12 1

(FCV - 20 12 - PC-MA - Delegado de Polícia) "No tocante ao crim e de q u ad rilh a , assinale


a afirm ativa correta: a) Basta a união de m ais de três pesso as para a prática de crime
determ inado para a configuração do tipo respectivo, b) 0 delito se consum a no mo­
m ento em que se verifica a efetivação da a sso ciação , indep endentem ente da prática
de q u alq u e r crim e po r parte dos seus m em bros, c) Para a configuração do crime
de q u ad rilh a pode s e r co nsid erad o no núm ero m ínim o a presen ça de inim putável,
certo, porém , que todos os agentes devem se r identificado s, d) Não pode s e r reco­
nhecida a form a q u alificad a quando a p en as um dos seus m em bros esteja arm ado,
e) Segundo a jurisp ru d ê n cia m ajo ritária dos Tribunais S uperio res, não é possível o
reconhecim ento do crim e de q u ad rilh a e roubo m ajo rado pelo concurso de agentes".
G ab arito : B.
(CESPE - 2012 - MP-RR - Pro m oto r de Justiça) "No que d iz respeito aos crim es contra a
paz pública, assin a le a opção correta à luz do disposto no CP bem como do entend i­
mento dou trin ário e jurisp ru d e n cial: a) Para a caracterização do crim e de q u ad rilha
ou bando arm ad o , é ind isp e n sá ve l que todos os integrantes estejam portando arm as
(p ró p ria s ou im p ró p ria s), sob pena da d escaracterização do delito e da re sp o n sa ­
bilização ind ivid u al dos integrantes do grupo, b) Para a caracterização do crim e de
q u ad rilha ou bando, é in d isp en sável a existência de m ais de três pesso as asso ciad as
de form a perm anente e estável e com o esp ecial fim de agir para a prática de crim es,
sendo, tam bém , im p rescin d íveis a identificação e a cap acid a d e dos agentes, c) De
aco rdo com a ju risp ru d ê n cia dos tribun ais sup e rio re s, é ve d ad o , po r configurar bis in
idem , o concurso dos crim es de form ação de q u ad rilha ou bando arm ad o com delito
de roubo q u alificad o pelo concurso de pesso as e uso de arm as, d) 0 crim e de q u ad ri­
lha, delito de perigo comum e abstrato, co nsum a-se com a sim p les asso ciação de m ais
de três pesso as para a prática de crim es, não se exigindo que o grupo efetivam ente
pratique qu alq uer crim e, e) A form a q u alificad a do crim e de form ação de qu ad rilha
ou bando é delito hedio ndo ". G abarito : D.
Obs.: a resp o sta está co rre ta segundo a re d açã o antiga d a lei.

D e p o is d a c o n s titu iç ã o d a a s s o c ia ç ã o c rim in o s a (m ín im o d e trê s p e s s o a s p a ra


o fim e s p e c ífic o d e c o m e te r c rim e s ), m e s m o q u e um d o s in te g ra n te s a b a n d o n e v o ­
lu n ta ria m e n te o s d e m a is , o d e lito já e s t a rá c o n s u m a d o , d e v e n d o to d o s o s a g e n te s
r e s p o n d e r p e lo c rim e d o a rt. 288 d o CP.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2 0 11 - TJ-ES - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Co nsidere que quatro agentes se associem em q u ad rilha para 0 fim de com eter cri­
m es e, antes de praticarem q u alq u e r infração penal, um de seus integrantes ab an d o ­
ne vo luntariam ente 0 grupo. Nesse caso, a p lic a -se 0 instituto da desistência voluntária
ao agente dissidente".

P o r o u tro la d o , s e e stá d ia n te d e crime permanente, fa z e n d o co m q u e s u a


c o n s u m a ç ã o se p ro tra ia no te m p o . C o m o c o n s e q u ê n c ia , a d m ite -s e a p r is ã o em fla ­
g ra n te a q u a lq u e r m o m e n to . P a ra fin s d e n o va d e n ú n c ia p e lo c rim e d e a s s o c ia ç ã o
c rim in o s a , c o n s id e r a -s e c e s s a d a a p e r m a n ê n c ia co m o re c e b im e n to d a d e n ú n c ia .
N esse s e n tid o : " C o n q u a n to a fo rm a ç ã o d e q u a d rilh a s e ja c rim e p e rm a n e n te , t e m -s e
p o r c e s s a d a a s u a p e rm a n ê n c ia co m 0 re c e b im e n to d a d e n ú n c ia . A ssim , é p o s s ív e l
q u e 0 a g e n te s e ja n o v a m e n te d e n u n c ia d o ou a té m e sm o p re s o em fla g ra n te , c o m o
12 2 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

in c a su , s e p e r s is t ir n a m e s m a a tiv id a d e c rim in o s a se m q u e is s o co n fig u re d u p la


im p u ta ç ã o p e lo m e sm o fato . 0 q u e se v ê n e s s a s h ip ó te s e s é a e x istê n c ia d e o utro
fa to e, c o n s e q u e n te m e n te , d e n o vo c rim e q u e n ã o p o d e rá , p o r ó b v io , s e r c o m p re ­
e n d id o na a c u s a ç ã o a n t e r io r (STJ, 5a T., HC 123.76 3/R J, j. 03/0 9/20 09).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2007 - TJ-TO - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"C o n sid era-se cessad a, com a denúncia, a perm anência do delito de q u ad rilh a , para
0 efeito de se adm itir, sem que se in co rra, po r isso, em bis in idem, a legitim idad e, em
tese, de nova acusação pela prática de crim e d esse m esmo tipo".

A te n ta tiv a é in a d m is s ív e l, já q u e 0 le g is la d o r, e x c e p c io n a lm e n te , e s tá p u n in d o
a to s m e ra m e n te p r e p a r a t ó r io s .

6. F o rm a m a jo r a d a

De a c o rd o co m 0 p a r á g r a f o ú n ic o , a p e n a a u m e n t a -s e a t é a m e t a d e s e a
a s s o c ia ç ã o é a r m a d a ou s e h o u v e r a p a r t ic ip a ç ã o d e c r ia n ç a ou a d o le s c e n t e .
T r a t a -s e d a r e d a ç ã o d a d a p e la Lei n. 1 2 .8 5 0 /1 3 . A n o v a le i é m a is b e n é fic a no
q u e ta n g e a o quantum d o a u m e n t o . A n te s a p e n a s e a p lic a v a e m d o b r o , a g o r a o
a u m e n t o é d e a té a m e t a d e . A p r o p ó s it o : " C o m 0 a d v e n t o d a Lei n. 12 .8 5 0 /2 0 13 ,
fo i d a d a n o v a r e d a ç ã o a o a rt. 288 d o CP (fo rm a ç ã o d e q u a d r ilh a ) , 0 q u a l p a s s o u
a d e n o m in a r -s e c rim e d e a s s o c ia ç ã o c r im in o s a , r e d u z in d o -s e , a in d a , 0 a u m e n to
d o p a r á g r a f o ú n ic o d o d o b ro à m e t a d e , ra z ã o p e la q u a l d e v e 0 n o vo r e g ra m e n t o ,
m a is b e n é fic o , re tro a g ir, p a r a a lc a n ç a r o s d e lit o s p r a t ic a d o s a n t e r io r m e n t e à s u a
v ig ê n c ia " (STJ, 6a T., HC 28 5.530, j. 1 4 /0 2 /2 0 1 7 ) .

No e n ta n to , fo i in s e r id a n o v a h ip ó t e s e , q u a l s e ja , a participação de criança ou
adolescente. N e s s e p o n to a le i é ir r e t r o a t iv a . P o r o u tro la d o , c o m o s e t ra ta d e
um c rim e p e r m a n e n t e , s e a a s s o c ia ç ã o a tin g iu a v ig ê n c ia d a n o v e l le i, e s t a s e rá
a p lic a d a , a in d a q u e m a is s e v e r a (S ú m u la 7 1 1 d o STF).

A a rm a p o d e s e r própria ( c o n c e b id a p a ra a t a c a r ou d e fe n d e r, c o m o 0 r e v ó lv e r )
ou im própria ( c o n c e b id a co m o u tro fim , e m b o ra p o s s a s e r u t iliz a d a p a r a a t a q u e
ou d e fe s a , c o m o 0 m a c h a d o ). A c a u s a d e a u m e n to s u b s is t e a in d a q u e a p e n a s um
dos integrantes da associação crim inosa esteja arm ado, e independe de porte
o s te n s iv o ou e fe t iv a u t iliz a ç ã o d a a r m a (b a s t a a s u a p o s s e ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"No crim e de asso ciação crim ino sa, incide causa de aum ento de pena 0 fato de a a s­
so ciação se r arm ad a ou h a ve r participação de criança ou de adolescente".
(CESPE - 20 14 - PCE-BA - P ro c u ra d o r do Estado) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte
alternativa: "A a sso ciação , de três ou m ais p esso as, para 0 fim específico de com eter
crim es, configura q u ad rilh a ou bando, devendo a pena im posta ao condenado com
base nesse tipo penal s e r aum entada até a m etade quando tom arem parte da a sso ­
ciação criança, ado lescente, idoso ou pesso as com deficiência".
Cap. II • Crimes contra a paz pública 12 3

7. Distinção
• S e rá d e trê s a s e is a n o s d e re c lu s ã o a p e n a p r e v is t a no a rt. 288 d o C ó d ig o P e n a l
q u a n d o s e t r a t a r d e c rim e s h e d io n d o s , p r á t ic a d a to rtu ra ou t e rro ris m o : a rt. 8°
d a Lei d o s C rim e s H e d io n d o s (Lei n. 8 .0 72/90 ).

• A s s o c ia re m -s e d u a s ou m a is p e s s o a s p a ra 0 fim d e p ra tic a r, re it e ra d a m e n te
ou n ã o , q u a lq u e r d o s c rim e s p re v is to s no s a rts . 33, caput e § i ° , e 34 d a Lei d e
D ro g a s: a rt. 35 d a Lei n. 11.3 4 3 /0 6 .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2017 - PC-AP - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a in co rre ta a seguinte a lte r­
nativa: "Sobre 0 crim e de asso ciação para fins de tráfico de drogas: é necessária a
e stab ilid ad e do vínculo entre 3 ou m ais pesso as".

• A s s o c ia re m -s e m a is d e 3 (trê s ) p e s s o a s p a ra p rá tic a d e c rim e s d e g e n o c íd io :


a rt. 2 ° d a Lei n. 2.889/36.

• organização criminosa a associação


Nos te rm o s d a Lei n. 12 .8 5 0 /13 , " c o n s id e r a -s e
de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela
divisão d e tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou
indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações
penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de
caráter transnacional" (a rt. 1 ° , § 1 °) . P a sso u a s e r c rim e : "Promover, constituir,
financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização
crim in o sa : P en a - re c lu s ã o , d e 3 (trê s ) a 8 (o ito ) a n o s , e m u lta , se m p re ju íz o d a s
p e n a s c o rre s p o n d e n t e s à s d e m a is in fra ç õ e s p e n a is p r a t ic a d a s " (a rt. 2 °).

• Constituir, org anizar, integrar, m a n te r ou c u s te a r o rg a n iz a ç ã o p a ra m ilita r, m ilícia


p articu lar, grup o ou e s q u a d rã o com a fin a lid a d e d e p ra tic a r q u a lq u e r d o s crim es
p re v isto s no C ó d igo Penal: a rt. 288-A d o CP.

• In tegrar ou m a n te r a sso c ia ç ã o , p a rtid o , co m itê, e n tid a d e d e c la sse ou g rup am en to


q u e te n h a p o r o b je tivo a m u d a n ça do re g im e vigente ou d o Estado d e D ireito, p o r
m e io s vio le n to s ou com 0 em p re g o d e g ra ve a m e a ç a : art. 16 d a Lei d e Segurança
N acio nal (Lei n. 7.170/8 3).

• C o n stitu ir, in t e g ra r ou m a n te r o rg a n iz a ç ã o ile g a l d e tip o m ilita r, d e q u a lq u e r


fo rm a ou n a tu re z a a r m a d a ou n ã o , co m ou se m fa rd a m e n to , co m f in a lid a d e
c o m b a tiv a : a rt. 24 d a Lei d e S e g u ra n ç a N a c io n a l (Lei n. 7 .17 0 /8 3 ).

• P ro m o v e r, co nstituir, in te g ra r ou p r e s t a r a u x ílio , p e s s o a lm e n te ou p o r in te rp o sta


p e s s o a , a o rg a n iz a ç ã o te rro ris ta : a rt. 30 d a Lei d e T e rro ris m o (Lei n. 13 .26 0 /16 ).

8. Prisão provisória
P risã o tem p o rária. C o n fo rm e o a rt. 1 ° , III, I, d a Lei n. 7.9 6 0 /8 9 , é p o s s ív e l a
d e c r e t a ç ã o d e p r is ã o t e m p o r á r ia s e p r a t ic a d o o c rim e d e q u a d r ilh a o u b a n d o
(a g o ra associação criminosa), d e s d e q u e p r e s e n t e s o s d e m a is r e q u is it o s e x ig id o s
12 4 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

p e la r e f e r id a le g is la ç ã o . A p r is ã o , no c a s o , t e r á o p r a z o d e 5 d ia s , p r o r r o g á v e l
p o r ig u a l p e r ío d o em c a s o d e e x tre m a e c o m p r o v a d a n e c e s s id a d e .

Prisão preventiva para diminuir ou interromper as atividades do grupo.


D e c id iu 0 STJ: " ( ...) 3. S o b re 0 t e m a , v a le a p e n a le m b r a r q u e a o r ie n t a ç ã o d o
c o l. P re tó rio E x ce lso é no s e n t id o d e q u e 'a n e c e s s id a d e d e s e in t e r r o m p e r ou
d im in u ir a a tu a ç ã o d e in t e g ra n te s d e o r g a n iz a ç ã o c r im in o s a , e n q u a d r a -s e no
c o n c e ito d e g a ra n tia d a o rd e m p ú b lic a , c o n s tit u in d o fu n d a m e n t a ç ã o c a u t e la r
id ô n e a e s u fic ie n t e p a r a a p r is ã o p r e v e n t iv a ' (H C n.95.024/SP, P r im e ir a T u rm a , R e la.
M in a. C á rm e n L ú cia , D je d e 2 0 /2 /2 0 0 9 ). N e ssa lin h a d e ra c io c ín io , a ju r is p r u d ê n c ia
d e s t a C o rte , a c o m p a n h a n d o 0 e n t e n d im e n t o d o S u p r e m o T rib u n a l F e d e r a l, é
a s s e n t e n a p e r s p e c t iv a d e q u e s e ju s t if ic a a d e c r e t a ç ã o d e p r is ã o d e m e m b ro s
d e a s s o c ia ç ã o ou o r g a n iz a ç ã o c r im in o s a c o m o fo rm a d e d im in u ir ou in t e r r o m p e r
a s a t iv id a d e s d o g ru p o , in d e p e n d e n t e m e n t e d e s e t r a t a r d e b a n d o a r m a d o ou
n ã o . P re c e d e n te s " (STJ, 5a T., RHC 7 9 10 3 , j. 0 4 /0 4 /2 0 17 ).

9. D e la ç ã o p r e m ia d a

• Nos c r im e s c o n tra 0 s is t e m a f in a n c e ir o n a c io n a l, c o m e t id o s e m quadrilha


(a g o ra associação crim inosa) o u c o a u t o r ia , 0 c o a u t o r ou p a r t íc ip e q u e a t r a v é s
d e c o n f is s ã o e s p o n t â n e a r e v e la r à a u t o r id a d e p o lic ia l o u ju d ic ia l t o d a a
t ra m a d e lit u o s a t e r á a s u a p e n a r e d u z id a d e um a d o is te rç o s : a rt. 25 , § 2 °,
d a Lei n. 7.4 9 2/8 6 .

• Nos c rim e s c o n tra a o rd e m t rib u t á ria , e c o n ô m ic a e c o n tra a s r e la ç õ e s d e


c o n s u m o , c o m e tid o s em quadrilha (a g o ra associação criminosa ) ou c o a u t o ria , 0
c o a u to r ou p a rt íc ip e q u e a t r a v é s d e c o n fis s ã o e s p o n t â n e a r e v e la r à a u t o rid a d e
p o lic ia l ou ju d ic ia l to d a a tra m a d e litu o s a t e rá a s u a p e n a re d u z id a d e um a
d o is te rç o s : a rt. 16 , p a r. ú n ic o , d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

• Nos c rim e s h e d io n d o s e e q u ip a r a d o s , 0 p a rtic ip a n te e 0 a s s o c ia d o q u e d e n u n c ia r


à a u t o rid a d e 0 bando ou quadrilha (a g o ra a sso c ia ç ã o criminosa), p o s s ib ilita n d o
seu d e sm a n te la m e n to , te rá a p e n a re d u z id a d e um a d o is te rço s: art. 8°, par.
ún ico , d a Lei n. 8.072/90.

• Art. 4 o d a Lei n. 12 .8 5 0 /1 3 (organização criminosa): " 0 ju iz p o d e r á , a re q u e rim e n to


d a s p a rte s , c o n c e d e r 0 p e r d ã o ju d ic ia l, r e d u z ir em a té 2 /3 a p e n a p r iv a t iv a d e
lib e r d a d e ou s u b s t it u í-la p o r re s t ritiv a d e d ire it o s d a q u e le q u e te n h a c o la b o ra d o
e fe tiv a e v o lu n t a ria m e n t e co m a in v e s tig a ç ã o e co m 0 p ro c e s s o c rim in a l, d e s d e
q u e d e s s a c o la b o ra ç ã o a d v e n h a um ou m a is d o s s e g u in te s re s u lt a d o s : I - a
id e n tific a ç ã o d o s d e m a is c o a u to re s e p a rt íc ip e s d a o rg a n iz a ç ã o c rim in o s a e d a s
in fra ç õ e s p e n a is p o r e le s p r a t ic a d a s ; II - a r e v e la ç ã o d a e s tru tu ra h ie r á r q u ic a e
d a d iv is ã o d e ta r e fa s d a o rg a n iz a ç ã o c rim in o s a ; III - a p r e v e n ç ã o d e in fra ç õ e s
p e n a is d e c o rre n te s d a s a t iv id a d e s d a o rg a n iz a ç ã o c rim in o s a ; IV - a re c u p e ra ç ã o
to ta l ou p a rc ia l d o p ro d u to ou d o p ro v e ito d a s in fra ç õ e s p e n a is p r a t ic a d a s
p e la o rg a n iz a ç ã o c rim in o s a ; V - a lo c a liz a ç ã o d e e v e n tu a l v ítim a co m a su a
in t e g rid a d e fís ic a p r e s e r v a d a ."
Cap. II • Crimes contra a paz pública 125

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-MA - D efensor Público) Sobre 0 crime de associação criminosa é
correto afirmar que:
a) dem anda a asso ciação de 4 ou m ais pesso as estruturalm ente o rd en ad a e caracte­
rizada pela d ivisão de tarefas com 0 objetivo de p ratica r crim es.
b) exige a d em onstração do elem ento subjetivo esp ecial consistente no ajuste prévio
entre os m em bros com a fin alid ad e específica de com eter crim es indeterm inado s.
c) tem c aráte r hed io nd o , a d espeito de ter pena m enor do que a asso ciação para 0
tráfico, que não é eq u ip arad o ao hediondo.
d) exige para sua configuração 0 concurso de agentes e a prática de infraçõ es penais
cujas penas m áxim as sejam su p e rio re s a 4 (quatro) anos.
e) admite a colaboração premiada com redução de até 1/3 da pena, desde que ao
menos um agente com cargo político seja delatado.
G ab arito : B.

10. Concurso de crimes


N ão h á u n a n im id a d e a c e r c a d a p o s s ib ilid a d e d e c u m u la ç ã o d o c rim e d e
a s s o c ia ç ã o c r im in o s a co m o u tro d e lit o q u a lif ic a d o ou m a jo r a d o p e lo c o n c u rs o d e
p e s s o a s . P e n s e m o s n a s e g u in te h ip ó t e s e : t r ê s in d iv íd u o s s e a s s o c ia m p a r a 0 fim
e s p e c ífic o d e p r a t ic a r fu rto s . H a v e r á s o m e n te o s re s p e c t iv o s fu rto s q u a lif ic a d o s
(p e lo c o n c u rs o de a g e n te s ) o u , a o c o n t r á r io , e x is t irã o o s c r im e s d e fu rto
q u a lif ic a d o e a s s o c ia ç ã o c r im in o s a ?

i a p osição (Rogério Greco): h á bis in idem, já q u e a re u n iã o d e p e s s o a s e s t a rá


s e r v in d o , d u a s v e z e s , p a ra a p u n iç ã o d o s a u t o re s .

2a p osição (Regis P rad o , Capez): n ã o h á bis in idem, p o is a f o rm a ç ã o d e


a s s o c ia ç ã o c r im in o s a in d e p e n d e d o u lt e r io r c rim e . Ou s e ja : no m o m e n to em q u e
0 d e lito v is a d o fo i p r a t ic a d o (n o e x e m p lo , fu rto ), 0 d e lito d e a s s o c ia ç ã o c rim in o s a
já e s t a v a c o n s u m a d o . A d e m a is , o s b e n s ju r íd ic o s o f e n d id o s s ã o d is t in t o s (paz
pública n a a s s o c ia ç ã o c r im in o s a e 0 b e m ju r íd ic o d o c rim e v is a d o , s e n d o , no
e x e m p lo , 0 patrim ônio ). É a n o s s a p o s iç ã o .

De a c o r d o co m 0 S u p e r io r T rib u n a l d e Ju stiç a , "não há bis in idem na


apuração do crime de associação criminosa e roubo qualificado pelo uso de
arma e concurso de agentes, p o is o s d e lit o s s ã o a u t ô n o m o s , a p e r f e iç o a n d o -s e 0
p r im e ir o in d e p e n d e n t e m e n t e d o c o m e tim e n to d e q u a lq u e r c rim e s u b s e q u e n t e .
A d e m a is , o s b e n s ju r íd ic o s p r o t e g id o s p e la s n o rm a s in c r im in a d o r a s s ã o d is t in t o s
- no c a s o d o c rim e d e a s s o c ia ç ã o c rim in o s a , a p a z p ú b lic a e d o r o u b o , 0
p a t rim ô n io , a in t e g r id a d e fís ic a e a lib e r d a d e d o in d iv íd u o " (STJ, 5a T., RHC 4 9 719 ,
j. 2 5 /0 8 /2 0 15 ). No m e s m o s e n t id o , e m b o ra s o b a é g id e d a le i a n t e r io r (a n tig o
c rim e d e q u a d r ilh a o u b a n d o ), d e c id iu 0 STF: 2a T., HC 1 1 3 4 1 3 , j. 1 6 /1 0 /2 0 1 2 .

11. Ação penal


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .
126 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Na fo rm a s im p le s (a rt. 288, c a p u t, d o C P ), 0 a g e n te fa z ju s a o s u r s is p r o c e s s u a l
(a rt . 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), já q u e a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2019 - TJ-SC - Titu lar de S erviço s de Notas e de Registro) Acerca do delito de
asso ciação crim inosa, do art. 288 do Código Penal, é correto afirm ar:
a) Sua configuração exige a asso ciação de m ais de três pesso as para 0 fim específico
de com eter crim es, co nsum an do -se indep endentem ente de prévia co ndenação de
q u aisq u e r de seus m em bros pela prática de q u aisq u e r dos crim es para os quais a
asso ciação foi estab elecid a.
b) Sua configuração exige a asso ciação de m ais de três pesso as para 0 fim específico
de com eter crim es e a co ndenação de ao m enos um de seus m em bros por, no m íni­
mo, um d esses crim es para os quais a asso ciação foi e stab elecid a, ain da que não se
com prove a reiteração crim inosa.
c) Sua configuração exige a asso ciação de três ou m ais pesso as para 0 fim específico
de com eter crim es e a condenação de ao m enos um de seus m em bros por, no m íni­
mo, um d esses crim es para os q u ais a asso ciação foi estab elecid a, ain da que não se
com prove a reiteração crim inosa.
d) Sua configuração exige a asso ciação de três ou m ais pesso as para 0 fim específico
de com eter crim es, consum ando-se indep endentem ente de p révia condenação de
q u aisq u e r de seus m em bros pela prática de q u aisq u e r dos crim es para os q u ais a
asso ciação foi estab elecid a.
G abarito : D.
(MP-RS - 2017 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Crim e de perigo abstrato, a asso ciação crim inosa, diferentem ente do crim e de m ilícia
p riva d a , exige 0 ajuntam ento m ínim o de três p esso as, ain da que nem todas se conhe­
çam reciprocam ente, para 0 fim específico de com etim ento de crim es, no p lu ral, em ­
bora não seja necessário que estes efetivam ente ocorram . 0 abandono ou voluntário
recesso de q u alq u er asso ciad o não 0 exim irá de pena, e se a sua retirad a fizer d escer
0 quorum m ínim o, cessa rá a perm anência, mas não se apagará 0 crim e, devendo to ­
d os os asso ciad o s resp o n d e r pelo delito. A tentativa é inadm issível".

4. CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA

Art. 288-A. Constituir, o rganizar, integrar, m a n te r ou cu ste a r


o rganização p a ra m ilita r, m ilícia particular, grupo ou e sq u a ­
d rão com a fin a lid a d e d e p ra tic a r q u a lq u e r d os crim es
p re visto s neste Código:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a p a z p ú b lic a .

0 c rim e d e constituição de milícia privada fo i c r ia d o p e la Lei de Extermínio de


Seres Humanos, a q u a l ta m b é m a c r e s c e n t o u a o h o m ic íd io (a rt . 1 2 1 , § 6 °) e à le s ã o
c o r p o r a l (a rt . 12 9 , § 7 °) n o v a s c a u s a s e s p e c ia is d e a u m e n to d e p e n a .
Cap. II . Crimes contra a paz pública 12 7

2. Sujeitos
0 d e lit o é comum, p o d e n d o o s u je it o a t iv o s e r q u a lq u e r p e s s o a . T r a t a -s e ,
a d e m a is , d e crime plurissubjetivo ou de concurso necessário, r a z ã o p e la q u a l
re m e t e m o s o le it o r à s o b s e r v a ç õ e s t e c id a s q u a n to a o d e lit o a n t e r io r ( a r t . 288
d o C P ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UESPI - 20 14 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "0 crim e de constituição de m ilícia p riva d a caracteriza-se como delito p lurissub ­
jetivo ou de concurso necessário".

A n o s s o v e r, p a r a a c o n fig u ra ç ã o d o c rim e p r e v is t o no a rt . 28 8-A d o C ó d ig o


P e n a l é n e c e s s á r io um m ín im o d e t r ê s p e s s o a s , a e x e m p lo d o q u e o c o r re co m 0
d e lito s im ila r a s s o c ia ç ã o crim inosa, p r e v is t o no a rt. 288 d o CP. T r a t a -s e d e inter­
pretação sistemática, já q u e o s d o is c rim e s o fe n d e m a p a z p ú b lic a .

S u je ito p a s s iv o é a c o le t iv id a d e , ou s e ja , um n ú m e r o in d e t e r m in a d o d e
p e s s o a s (c rim e v a g o ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a correta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "A conduta de constituir, organizar, integrar, m anter ou custear o rganização pa-
ram ilitar, m ilícia particular, grupo ou e sq u ad rã o com a fin alid ad e de p ratica r q ualquer
dos crim es previstos no CP configura crim e contra a paz pública, sendo co nsid erada
como crim e vago, uma vez que 0 sujeito passivo é a co letivid ad e".

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e e m constituir, organizar, integrar, manter ou custear
o r g a n iz a ç ã o p a r a m ilit a r , m ilíc ia p a rt ic u la r, g ru p o ou e s q u a d r ã o co m a f in a lid a d e
d e p r a t ic a r q u a lq u e r d o s c r im e s p r e v is t o s no C ó d ig o P e n a l.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2015 - TJ-PB - ju iz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"A conduta de custear m ilícia p riva d a para a prática de hom icídios é tip ificad a como
crim e de asso ciação crim inosa".

Tipo p e n a l ab erto: a Lei n. 1 2 .7 2 0 /1 2 n ã o d e fin iu 0 q u e é 'o rg a n iz a ç ã o


p a r a m ilit a r ', 'm ilíc ia p a r t ic u la r , 'g ru p o ' e 'e s q u a d r ã o ', d e ix a n d o t a l t a r e fa p a ra
0 in t é r p r e t e .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UESPI - 20 14 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a correta a seguinte altern a­
tiva: "0 art.288-A do Código Penal b rasileiro constitui um tipo penal aberto, posto que
0 legislad o r deixara de d efin ir 0 que se pode entend er po r 'organização param ilitar',
'm ilícia p articu lar', 'grupo' e 'esquad rão'".
12 8 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Organização paramilitar: é a a s s o c ia ç ã o c iv il q u e a g e a o a r r e p io d a le i e
p o s s u i o r g a n iz a ç ã o e e s t ru t u r a s e m e lh a n t e s à m ilit a r ( a rm a m e n t o , h ie r a r q u ia ,
t é c n ic a s d e c o m b a t e , e tc.).

Milícia particular: c a r a c t e r iz a -s e c o m o g ru p o a r m a d o d e p e s s o a s q u e , d ia n t e
d a o m is s ã o d o E s ta d o , s o b re t u d o n a á r e a d a s e g u ra n ç a , o c u p a d e t e r m in a d o
t e r r it ó r io s o b o p re te x to d e z e la r p o r a q u e la c o m u n id a d e , q u e d e p o is p a s s a a
s e r c o a g id a e e x to rq u id a .

Grupo: a Lei n. 1 2 .7 2 0 /1 2 , a o a c r e s c e n t a r a n o v a m a jo ra n t e a o c rim e d e


h o m ic íd io (a rt . 1 2 1 , § 6 °, d o CP), fa z re f e r ê n c ia e x p r e s s a a " g ru p o d e e x te r m ín io " .
A s s im , a p a r t ir d e u m a in t e r p r e t a ç ã o s is t e m á t ic a , e n t e n d e m o s q u e a e le m e n t a r
g ru p o s e r e f e r e a g ru p o s d e e x t e r m ín io .

Esquadrão. Tem 0 m e s m o s ig n if ic a d o d e grupo: n ã o é s e m ra z ã o q u e a lg u n s


'g ru p o s d e e x te r m ín io ' s ã o c o n h e c id o s c o m o 'e s q u a d r õ e s d a m o rte '. P o d e s e r
d e fin id o c o m o a a s s o c ia ç ã o d e t rê s o u m a is p e s s o a s c o n s tit u íd a p a r a a p r á t ic a
de m o rte s g e n e r a liz a d a s ( e lim in a ç ã o , e x te r m ín io , c h a c in a s ) , em e s p e c ia l d e
p e s s o a s a p o n t a d a s c o m o r e s p o n s á v e is p e lo s m a is d iv e r s o s p r o b le m a s s o c ia is
(m e n d ig o s , m o r a d o r e s d e ru a , e g re s s o s d o s is t e m a p r is io n a l) , r o t u la d a s c o m o
p e r ig o s a s e d e s v ia n t e s . T r a t a -s e d a la m e n t á v e l e t n iz a ç ã o d a p o b r e z a .

Com a finalidade d e praticar qualquer dos crimes previstos no Código Penal:


é 0 d o lo e s p e c ífic o ou e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l. N ossa crítica: s e d e t e r m in a d a
o r g a n iz a ç ã o p a r a m ilit a r r e ú n e -s e p a r a 0 fim d e p r a t ic a r g e n o c íd io , n ã o h a v e r ia
in c id ê n c ia d o a rt. 28 8 -A , n ã o o b s ta n te a g r a v id a d e d o fa to , já q u e 0 c rim e d e
g e n o c íd io n ã o e s tá no C ó d ig o P e n a l. T r a t a -s e d e in ju s t if ic a d a o m is s ã o le g is la t iv a .

Associação estável ou permanente: t a l q u a l 0 c r im e s im ila r d e a s s o c ia ç ã o


criminosa, e n t e n d e m o s n e c e s s á r ia a e s t a b ilid a d e o u p e r m a n ê n c ia d a o r g a n iz a ­
ç ã o p a r a m ilit a r , m ilíc ia p a r t ic u la r , g ru p o o u e s q u a d r ã o , p o is é e x a t a m e n t e is to
q u e d if e r e n c ia r á 0 c r im e d o a rt . 2 8 8 -A d o c o n c u rs o o c a s io n a l p a r a a p r á t ic a
d e d e lit o s .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FMP - 2017 - MP-RO - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alter­
nativa: "Em que pese 0 fato de 0 tipo penal não exigir um núm ero m ínim o de p arti­
c ip a n t e s , t a m p o u c o o s r e q u is it o s d a e s t a b ilid a d e e d a p e r m a n ê n c ia , a d o u t r in a e a
ju risp ru d ê n cia têm sustentado que a qu an tid ad e m ínim a de 3 (três) p esso as, além
da e stab ilid ad e e da perm anência, são req uisito s ínsitos ao tipo do artigo 288-A do
Código Penal, tal como sucede em relação ao artigo 288 do m esmo diplom a legal".

Contravenções penais: se a re u n iã o fo r p a r a a p r á t ic a d e c o n t r a v e n ç õ e s p e ­
n a is , n ã o in c id e 0 a rt . 28 8-A d o CP.

Crimes culposos e crimes preterdolosos: e n t e n d e m o s q u e é im p o s s ív e l a a s ­


s o c ia ç ã o em o r g a n iz a ç ã o p a r a m ilit a r , m ilíc ia p a rt ic u la r, g ru p o o u e s q u a d r ã o p a ra
a p r á t ic a d e delitos culposos ou m e s m o d e delitos preterdolosos (d o lo n a c o n d u ta
a n t e c e d e n t e + c u lp a no r e s u lt a d o c o n s e q u e n te ), p o is é in v iá v e l b u s c a r um r e s u l­
t a d o q u e n ã o s e d e s e ja .
Cap. II • Crimes contra a paz pública 12 9

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FMP - 2017 - MP-RO - Pro m oto r de Justiça) Foi considerada in co rre ta a seguinte alter­
nativa: "Em relação ao crime de constituição de milícia privada (artigo 288-A do Código
Penal): é possível haver esse tipo de associação criminosa para a prática de crimes
preterdolosos".

4. Tipo subjetivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o .

É n e c e s s á r io , a in d a , 0 dolo específico ou elemento subjetivo especial,


d is p o s t o n a e x p r e s s ã o "com a finalidade de praticar qualquer dos crim es previstos
neste Código". N ão o b s ta n te a le i fa ç a re f e r ê n c ia a " q u a lq u e r " d o s c rim e s
p r e v is t o s no CP, d e v e -s e e n t e n d e r d e m o d o r e s t ritiv o , ou s e ja , d e lit o s v in c u la d o s
à a t iv id a d e p r ó p r ia d e m ilíc ia p r iv a d a ( h o m ic íd io , le s ã o c o r p o r a l, e x to rs ã o e tc.).
Se a s s im n ã o fo s s e , e s t a r ia m in c lu íd o s ta m b é m o s c rim e s c u lp o s o s ou m e s m o o s
p r e t e r d o lo s o s , 0 q u e s e m o s tra im p e n s á v e l, c o n fo rm e c o m e n ta m o s a c im a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FMP - 2017 - MP-RO - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "Em relação ao crim e de constituição de m ilícia p riva d a (artigo 288-A do
Código Penal): a fin a lid a d e consiste na prática de crim es previstos no Código Penal e
na legislação penal extravagante, para a subsunção ao artigo 288-A do Código Penal".
(UESPI - 2014 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alter­
nativa: "0 crim e de constituição de m ilícia p riva d a não exige, para sua configuração,
um elem ento subjetivo e sp ecial, podendo a prática re ca ir so bre q u alq u er crim e pre­
visto no ordenam ento ju ríd ico b rasileiro ".

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em trê s ou m a is p e s s o a s (n o s s a
p o s iç ã o ) c o n s titu i, o rg a n iz a , in t e g ra , m a n té m ou c u s t e ia o r g a n iz a ç ã o p a ra m ilit a r,
m ilíc ia p a rt ic u la r, g ru p o ou e s q u a d r ã o , co m a f in a lid a d e d e p r a t ic a r q u a lq u e r d o s
c r im e s p r e v is t o s no C ó d ig o P e n a l, a te n ta n d o , a s s im , c o n tra p a z p ú b lic a . C o m o 0
d e lito é permanente, a c o n s u m a ç ã o s e p ro lo n g a no te m p o , a d m it in d o a p r is ã o
em f la g ra n t e a q u a lq u e r m o m e n to .

A d e m a is , t r a t a n d o -s e d e crime de perigo abstrato, é d e s n e c e s s á r io q u e o s


a g e n te s e f e t iv a m e n t e v e n h a m a p r a t ic a r q u a lq u e r d o s c r im e s q u e fo ra m o b je to
d a re u n iã o em m ilíc ia p r iv a d a .

A t e n t a t iv a é in a d m is s ív e l, já q u e s e e s tá d ia n t e d e m e ro s a to s p r e p a r a t ó r io s ,
q u e s ã o e x c e p c io n a lm e n t e p u n id o s p e lo le g is la d o r no a rt. 28 8-A d o CP.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FMP - 2017 - MP-RO - Pro m oto r de Justiça) F o i c o n s id e r a d a incorreta a s e g u in t e a l­
t e r n a t iv a : "A c o n s u m a ç ã o e x ig e a e f e t iv a p r á t ic a d e c r im e s p o r p a r t e d e o r g a n iz a ç ã o
p a r a m ilit a r , m ilíc ia p a r t ic u la r , g r u p o o u e s q u a d r ã o " .
13 0 Direito Penal - Vol. 3 > Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

6. Ação penal e circunstâncias da pena


A ação penal é pública incondicionada.
Decidiu 0 STJ que "Não há falar em ilegalidade na majoração da pena-base,
quanto ao delito de constituição de milícia privada (art. 288-A do Código Penal),
amparada em fundamentação concreta, consistente na formação de um grupo
armado de cerca de 100 (cem) milicianos que, por mais de 15 (quinze) anos,
impuseram 'verdadeiro regime de terror entre moradores e comerciantes' da
comunidade, tendo 0 recorrente, como líder do grupo, praticado todos os verbos
do tipo penal em tela" (STJ, 6a T., REsp 1497490/RJ, j. 09/06/2015).
Capítulo

Crimes contra
a fé pública

DOS CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

f I \ I }
Da m oeda Da fa lsid a d e de Da fa ls id a d e De o u tra s D as fra u d e s em
fa lsa títulos e outros d ocum ental fa lsid a d e s certa m e s de
(arts. 289 p a p é is públicos (arts. 296 (arts. 306 in te re sse públicos
a 292) (arts. 293 a 295) 0 305) a 3 11) (art. 311-A)

1. MOEDA FALSA

1.1. MOEDA FALSA

Art. 289. Falsificar, fabricando-a ou alterand o-a, m oeda metálica


ou papel-m o ed a de curso legal no país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.

§ í». Nas m esm as p e nas incorre quem , por


Form a conta p ró pria ou alh e ia , im porta ou exporta,
e q u ip a ra d a ad q u ire, ve n d e , troca, cede, em presta, guarda
ou introduz na circulação m oeda falsa.

§ 2°. Quem , ten do re ce b id o de b o a -fé , com o


v e rd a d e ira , m o eda falsa ou a lte ra d a , a re s-
Form a titui à circu la çã o , d e p o is d e c o n h e ce r a fa ls i­
p riv ile g ia d a d ad e , é p u nido com d ete n çã o , de s e is m e ses
a d o is ano s, e multa.

§ 3°. É punido com reclusão , d e três a quinze


anos, e m ulta, o fu ncio nário público ou d ire ­
tor, gerente, ou fiscal de banco de em issão
Form a
que fa b rica , em ite ou auto riza a fabricação
q u a lific a d a
ou em issã o : I - de m o eda com título ou peso
in fe rio r ao d ete rm in ado em lei; II - de p a p e l-
-m o e da em q u antid ad e su p e rio r à auto rizad a.

Form a
§ 4°. Nas mesmas penas incorre quem desvia
e faz circular moeda, cuja circulação não es­
q u a lific a d a
tava ainda autorizada.
132 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a c o n fia n ç a q u e d e v e p a ir a r s o b r e a
c ir c u la ç ã o d a m o e d a no P a ís.

Obs.: 0 STJ d e n o m in o u o c rim e d e m o e d a f a ls a d e p lu r id im e n s io n a l, u m a v e z


q u e , a lé m d e p r o t e g e r p r e p o n d e r a n t e m e n t e a fé p ú b lic a , d e fo rm a m e d ia ta
a s s e g u r a o p a t rim ô n io p a r t ic u la r e a c e le r id a d e d a s r e la ç õ e s e m p r e s a r ia is e c iv is
(STJ, 5a T., HC 210 76 4 , j. 2 1 /0 6 /2 0 16 ) .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u jeito p a s s iv o im e d ia to ou d ire to é o E sta d o ; d e fo rm a m e d ia ta ou in d ire ta


ta m b é m p o d e s e r v ítim a a p e s s o a fís ic a ou ju ríd ic a p r e ju d ic a d a p e la co n d u ta do
autor.

3. Tipo objetivo
A c o n d u t a t íp ic a c o n s is t e em falsificar, f a b r ic a n d o -a ou a lt e r a n d o -a , m o e d a
m e tá lic a o u p a p e l-m o e d a d e c u rs o le g a l no p a ís o u no e s t ra n g e iro .

Falsificação , m ediante fa b ric a ç ã o ou a ltera çã o : n a p r im e ir a m o d a lid a d e o


a g e n te p r o d u z a m o e d a (é a c h a m a d a contrafação ); n a s e g u n d a , e le m o d ific a
m o e d a v e r d a d e ir a .

Objeto m a t e r ia l: m o e d a m e t á lic a ou p a p e l-m o e d a d e c u rs o le g a l no P a ís ou


no e s t ra n g e iro .

Falsificação de v á r ia s m o ed as no m e sm o contexto fático: h á c rim e ú n ic o , d e ­


v e n d o a q u a n t id a d e d e m o e d a s s e r v a lo r a d a c o m o c ir c u n s t â n c ia ju d ic ia l n e g a ­
t iv a q u a n d o d a fix a ç ã o d a p e n a -b a s e . N e sse s e n t id o : STJ, 5a T., AgRg no AR Esp
10 8 3 9 4 1, j. 2 4 /1 0 /2 0 1 7 .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(PCR - 20 12 - P ro c u ra d o r d a República) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lternati­
va: "A falsificação de v á ria s m oedas, na m esma ocasião , configura crim e continuado".

Atribuição de m a io r v a lo r à m oeda existente: se 0 a g e n te a lt e r a s in a is d a


c é d u la , já e x is te n te , d e fo rm a a m a n te r -lh e ou d im in u ir -lh e 0 v a lo r, n ã o h a v e r á
0 c rim e d o a rt. 289 d o CP. S u a c o n d u ta e q u iv a le r ía a o a to d e jogar fora ou rasgar
d in h e ir o (H u n g ria ).

M oeda em circu lação : se a m o e d a q u e fo i o b je t o d e f a ls if ic a ç ã o já d e ix o u d e


c ir c u la r, in e x is t e 0 c rim e d o a rt. 289 d o CP.

Fa lsificação g ro sse ira (crim e im p o ssível - art. 1 7 do CP): p a r a c o n f ig u r a r 0


d e lit o a c é d u la f a ls a d e v e s e a s s e m e lh a r co m a v e r d a d e ir a e, a s s im , t e r a p t id ã o
d e e n g a n a r t e r c e ir o s ( imitativo veri). C a s o c o n t r á r io n ã o t r a r á o fe n s a à fé p ú b li­
c a , n ã o c o n fig u ra n d o 0 c r im e d o a rt . 289 d o CP. No e n t a n t o , p o d e o c o r r e r q u e a
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 133

f a ls if ic a ç ã o s e ja g r o s s e ir a e in a p t a , d e m o d o g e r a l, p a r a e n g a n a r t e r c e ir o s , m a s ,
no c a s o c o n c re to , t e n h a s id o o m e io f r a u d u le n t o u t iliz a d o p a r a e n g a n a r d e t e r ­
m in a d a p e s s o a . N e ste c a s o , p o d e r á c o n f ig u r a r c rim e p a t r im o n ia l ( e s t e lio n a t o ) ,
n o s te rm o s d a Súmula 73 do STJ.
A p r o p ó s it o : " 1 . H ip ó te s e n a q u a l 0 la u d o p e r ic ia l a p o n t a a m á q u a lid a d e d a
m o e d a f a ls if ic a d a e a s c ir c u n s t â n c ia s d o s a u to s in d ic a m q u e e la n ã o p o s s u i a c a ­
p a c id a d e d e lu d ib r ia r t e r c e ir o s . 2. 'A u t iliz a ç ã o d e p a p e l m o e d a g ro s s e ir a m e n t e
f a ls if ic a d o c o n fig u ra , em te s e , 0 c rim e d e e s t e lio n a t o , d a c o m p e t ê n c ia d a Ju stiça
E s t a d u a l' (S ú m u la n. 73/STJ). 3 - C o m p e t ê n c ia d a ju s t iç a E s t a d u a l, 0 s u s c it a d o " (STJ,
3a S e ç ã o , CC 13 5 3 0 1 , j. 0 8 /0 4 /2 0 15 ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 - TCE-RO - P ro c u ra d o r do M inistério Público de Contas) Foi co nsid erada
incorreta a seguinte a lternativa: "A utilização de p ap el-m o ed a gro sseiram ente falsifi­
cado configura crim e de m oeda falsa; adm ite-se, no entanto, a ap licação do princípio
da insignificância caso sejam gro sseiram ente falsificad as céd u las de pequeno valo r".
(MP-MS - 2018 - Pro m oto r de Justiça) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"Funcionário público estadual com intuito de obter vantagem patrim o nial para si,
utilizand o-se de p a p el-m o ed a gro sseiram ente falsificado para efetuar pagam ento de
com pras de elevad o v a lo r em lo jas com erciais, com ete crim e a ssim ilad o ao de m oeda
falsa".
(PCR - 2015 - P ro c u ra d o r da República) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"A utilização de p ap el-m o ed a gro sseiram ente falsificad o configura, em tese, 0 crim e
de estelionato".
(CESPE - 2015 - TJ-PB - Juiz de D ireito) "Foi Gustavo, funcionário público estadual,
com 0 objetivo de obter vantagem patrim onial ilícita para si, utilizou p ap el-m o ed a
grosseiram ente falsificad o para efetuar pagam ento de co m p ras de alto v a lo r em um
sup erm ercad o. Em face d essa situação hipotética, assin ale a opção co rrespo ndente à
figura típica do delito praticado po r Gustavo: a) estelionato ; b) m oeda falsa; c) crim e
a ssim ilad o ao de m oeda falsa; d) fraud e no com ércio; e) concussão". G ab arito : A.
(FUNDEP - 2015 - TCE-MG - A u d ito r/C o n selh eiro Substituto do Tribunal de Contas) Foi
co n sid era d a correta a seguinte alternativa: "Segundo 0 entendim ento do Sup erio r Tri­
bunal de Justiça, a utilização de p ap el-m o ed a grosseiram ente falsificad o não configura
0 crim e de introdução na circulação de m oeda falsa (artigo 289, § 1 °, do Código Penal),
podendo configurar, em tese, 0 crim e de estelionato (artigo 17 1 do Código Penal)".

4. Tipo subjetivo
É o d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f a ls if ic a r a m o e d a , f a b r ic a n d o -a ou
a lt e r a n d o -a . 0 a g e n te d e v e t e r c iê n c ia d o c u rs o le g a l d a m o e d a e ta m b é m d e
q u e 0 o b je to d a f a ls if ic a ç ã o s e r á c o lo c a d o em c ir c u la ç ã o , e x p o n d o a ris c o a fé
p ú b lic a .

É p o r is s o q u e e v e n t u a l f a ls if ic a ç ã o d e m o e d a co m a in t e n ç ã o d e e x ib iç ã o d e
h a b ilid a d e a r t ís t ic a ou té c n ic a n ã o c o n s titu i 0 c rim e .

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o ( e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) e n e m d e
fo rm a c u lp o s a .
13 4 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UESPI - 2014 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "0 crim e de m oeda falsa não prevê q u alq u er m o d alid ad e culposa".

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e o a g e n te c o n c lu ir a f a ls if ic a ç ã o ,
f a b r ic a n d o ou a lt e r a n d o a m o e d a ( b a s t a q u e s e ja f a ls if ic a d a u m a ú n ic a m o e d a ).

N ão h á n e c e s s id a d e de que o o b je to d a f a ls if ic a ç ã o s e ja c o lo c a d o em
c ir c u la ç ã o , e n em q u e h a ja d a n o a t e r c e ir o s (crime formal). A liá s , c o n v é m f r is a r
q u e a c o lo c a ç ã o em c ir c u la ç ã o d a m o e d a f a ls if ic a d a p o r p a rt e d o p r ó p r io a u t o r
d a c o n t ra fa ç ã o r e p r e s e n t a r á fa to p o s t e r io r im p u n ív e l (e x a u r im e n t o d o c rim e ),
d e v e n d o p e s a r n e g a t iv a m e n t e q u a n d o d a fix a ç ã o d a p e n a -b a s e (c ir c u n s t â n c ia
ju d ic ia l d e s f a v o r á v e l) .

N e s s e s e n t id o : "0 crime de moeda falsa (CP, art. 289, c a p u t e § i° , do Código


Penal) é formal e de perigo abstrato, te n d o em v is t a q u e a m e ra e x e c u ç ã o d a
c o n d u ta t íp ic a p r e s u m e a b s o lu t a m e n t e 0 p e r ig o a o b e m ju r íd ic o t u t e la d o , s e n d o
p r e s c in d ív e l a o b te n ç ã o d e v a n ta g e m ou p r e ju íz o a t e r c e ir o s p a r a a c o n s u m a ç ã o "
(STJ, 5* T., HC 210 76 4 , j. 2 1 /0 6 /2 0 16 ) .
A tentativa é p le n a m e n te a d m is s ív e l, já que se e s tá d ia n t e de d e lito
p lu r is s u b s is t e n t e .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(PGR - 2012 - P ro c u ra d o r da República) Foram co n sid e ra d a s corretas as seguintes a l­
ternativas: "0 crim e de m oeda falsa, previsto no art. 289, caput, do CP, co nsum a-se no
lugar e no m omento em que se conclui a falsificação, em q u alq u er de suas m o d a lid a ­
des, indep end en tem en te de se r colocada de m odo efetivo em circulação "; "G uard ar
m oeda falsa, sem s e r 0 pro p rietá rio , ciente da fa lsid a d e , constitui crim e in d e p e n d en ­
tem ente de sua intenção de colo cá-la em circulação".
(CESPE - 2 0 11 - TRF3 - Juiz Fed eral) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"0 crim e de m oeda falsa é form al e, p o r isso, não adm ite tentativa".

Em c a s o d e desistência voluntária, 0 a g e n te p o d e r á r e s p o n d e r p e lo c rim e d e


petrechos para falsificação de moeda (a rt . 2 9 1 d o CP).

6. Forma equiparada
0 § i ° r e f e r e : "Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia,
importa ou exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na
circulação m oeda falsa".
tipo misto altern ativo: 0 § 1 ° p r e v ê c rim e s d e a ç ã o m ú ltip la ou d e c o n te ú d o
v a r ia d o , ou s e ja , a in d a q u e 0 a g e n te p r a t iq u e v á r io s v e r b o s d o n ú c le o d o tip o ,
0 c rim e s e r á um só .

Sujeitos: c o m o no caput, 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ; s u je it o s


p a s s iv o s s ã o 0 E s ta d o ( p r in c ip a l) e 0 o fe n d id o q u e fo i le s a d o co m a c o n d u ta
c r im in o s a ( s e c u n d á r io ) .
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 13 5

P o s t fa c t u m im p u n iv e l: s e a s c o n d u ta s d o § i ° fo re m c o m e t id a s p e lo p r ó p rio
f a ls if ic a d o r , h a v e r á e x a u rim e n t o d o c rim e , s u b s is t in d o a p e n a s a p u n iç ã o p e lo
c a p u t d o a rt. 289. A c o lo c a ç ã o em c ir c u la ç ã o , n e s s e c a s o , d e v e r á p e s a r c o m o
c ir c u n s t â n c ia ju d ic ia l n e g a tiv a (a rt . 59 d o CP) q u a n d o d a fix a ç ã o d a p e n a -b a s e .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?

(CESPE - 2016 - Polícia Científica-PE) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"A conduta do agente que fabrica notas de real, po r m eio da falsificação de p apel-
-m oed a, é a p en a d a com m ais gravid ade que a conduta do agente que introduz a
m oeda falsa em circulação".
(PGR - 20 12 - P ro c u ra d o r da República) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Se 0 autor da falsificação da m oeda no estrangeiro a trouxer para 0 Brasil re s ­
po nd erá pelos crim es de falsificação e de circulação de m oeda falsa, em concurso".

C o n s u m a ç ã o : 0 c rim e e s t a rá c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a u t o r p r a t ic a r 0
n ú cle o d o tip o . 0 v e rb o guardar d e n o ta p e rm a n ê n c ia , ra z ã o p e la q u a l a c o n s u m a ç ã o ,
q u a n to a e le , se p ro tra i no te m p o .

T e n t a tiv a : a d m is s ív e l, já q u e s e e s tá d ia n t e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e .

7. Forma privilegiada
De a c o r d o co m 0 § 2 °, "Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira,
moeda falsa ou alterada, a restitui à circulação, depois de conhecer a falsid ade, é
punido com detenção, de seis m eses a dois anos, e multa".

0 C ó d ig o P e n a l p u n e co m m e n o r rig o r a c o n d u ta d a q u e le q u e , e s t a n d o d e
b o a -fé , re c e b e e m o e d a f a ls a e a re s t it u i à c ir c u la ç ã o , m e s m o d e p o is d e t o m a r
c o n h e c im e n to d a c o n t ra fa ç ã o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?

(CESPE - 2015 -T R F i - Juiz Fed e ra l) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lternativa: "Júlio
recebeu de boa-fé m oeda falsa em transação com ercial e, apó s sa b e r da fa lsid ad e e
visan d o e vitar preju ízo, restituiu a m oeda à circulação ao re a liza r com pras em um su­
p erm ercado . Nessa situação, ao fazer pagam ento de suas co m p ras com m oeda falsa,
Júlio praticou crim e punido com pena de detenção".
(MP-SP - 2012 - Pro m oto r de Justiça) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"Quem, tendo recebido de boa-fé, como v e rd a d e ira , m oeda falsa ou a lte ra d a , a re s­
titui à circulação, d ep o is de conhecer a falsid ad e , pratica 0 crim e de m oeda falsa na
form a p rivileg iad a (art. 289, § 2°, CP)".
(VUNESP - 20 14 - TJ-PA - A u xilia r Judiciário) "Aquele que recebe de boa-fé, como v e rd a ­
d e ira , m oeda falsa ou a lterad a m as, m esmo d ep o is de d e sco b rir a falsid ad e a restitui
à circulação : a) com ete crim e punível com reclusão de três a doze anos, e m ulta, b) só
será penalm ente re sp o n sab ilizad o se p ratica r a conduta na q u alid a d e de funcionário
público, c) com ete crim e punível com detenção de seis m eses a dois anos, e multa,
d) não m erece s e r punido pois, afinal de contas, agiu de boa-fé ao receb er a m oeda
falsa, e) com ete crim e punível a p en as com m ulta". G abarito : C.
13 6 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

(FCC - 20 14 - TRF4 - A nalista Judiciário) "A respeito do crim e de m oeda falsa, tal como
tipificado no Código Penal (art. 289): a) há duas hipóteses de condutas culposas,
uma d elas de m enor potencial ofensivo, b) há um a hipótese de conduta culposa de
m enor potencial ofensivo, c) há uma hipótese de conduta dolosa de m enor potencial
ofensivo, d) há uma hipótese de conduta culposa, m as nenhum a de m enor potencial
ofensivo, e) todas as hipóteses são de condutas d olosas, m as nenhum a de m enor
potencial ofensivo". G ab arito : C.

Dolo direto: e x ig e -s e q u e o a g e n te te n h a c e rt e z a p le n a a c e r c a d a f a ls if ic a ç ã o ,
ra z ã o p e la q u a l o t ip o p r iv ile g ia d o s o m e n te s e c a r a c t e r iz a r á co m d o lo d ire t o .
N ão é a c e ito o d o lo e v e n t u a l.

M á-fé: c a s o 0 s u je it o t e n h a a g id o d e m á -fé ab initio, ou s e ja , t e n h a c iê n c ia d a


f a ls if ic a ç ã o d a m o e d a d e s d e o m o m e n to em q u e a r e c e b e u , d e v e r á r e s p o n d e r
p e lo § i ° .

Consum ação e tentativa: a fo rm a p r iv ile g ia d a e s t a r á c o n s u m a d a no m o m e n to


em que a m oeda f a ls a é c o lo c a d a em c ir c u la ç ã o . T r a t a n d o -s e de d e lito
p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a te n t a t iv a .

8. Forma qualificada (§ 30)


D is p õ e 0 § 3 °: "É punido com re c lu sã o , de três a quinze anos, e multa, 0
funcionário público ou diretor, gerente, ou fiscal de banco de em issão que fabrica,
emite ou autoriza a fabricação ou em issão: I - de moeda com título ou peso inferior
ao determ inado em lei; II - de papel-m oeda em quantidade superior à autorizada".

Crim e p róprio: 0 d e lito d o § 30 s o m e n te p o d e s e r p r a t ic a d o p e lo s a g e n te s


a p o n t a d o s no tip o q u a lif ic a d o . 0 c o n c e ito d e funcionário público e s tá no a rt . 327
d o CP.

Título: é a p r o p o r ç ã o q u e d e v e e x is t ir e n tre 0 m e ta l fin o e a lig a m e tá lic a


e m p r e g a d o s n a c o n fe c ç ã o d a m o e d a (D a m á s io d e Je su s, Direito Penal, v o l. 4, São
P a u lo : S a r a iv a , 20 10 , p . 50).

Produção de m oeda m etálica em quantid ad e su p e rio r à a u to riza d a: fa to


a típ ic o (la c u n a le g is la t iv a ) , já q u e n ã o s e a d m ite a n a lo g ia in malam partem em
s e d e d e D ire ito P e n a l.

Consum ação e tentativa: 0 t ip o q u a lif ic a d o e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to


em q u e 0 a g e n te r e a liz a 0 n ú c le o d o tip o , n ã o s e n d o n e c e s s á r ia a p r o d u ç ã o d e
q u a lq u e r re s u lt a d o u lt e r io r ( c rim e f o rm a l). É p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

9. F o rm a q u a lif ic a d a (§ 4 0)

De a c o r d o co m 0 § 4 °, "N a s m e s m a s p e n a s in c o r r e q u e m d e s v ia e fa z c ir c u la r
m o e d a , c u ja c ir c u la ç ã o n ã o e s t a v a a in d a a u t o r iz a d a " .

Sujeitos: 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a (c rim e c o m u m ); s u je it o


p a s s iv o é 0 E s ta d o .
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 13 7

Objeto m aterial: é a m o e d a v e r d a d e ir a . 0 d is p o s it iv o v e r s a s o b r e m o e d a
v e r d a d e ir a e f a b r ic a d a le g it im a m e n t e , m a s q u e é c o lo c a d a em c ir c u la ç ã o a n te s
d a a u t o r iz a ç ã o c o m p e te n te .

Consum ação e tentativa: a c o n s u m a ç ã o o c o r re no m o m e n to em q u e o a g e n te


c o lo c a a m o e d a em c ir c u la ç ã o , s e n d o ir r e le v a n t e q u e v e n h a a o b t e r q u a lq u e r
p r o v e it o co m e s s a c o n d u ta . A te n t a t iv a é p o s s ív e l, já q u e s e e s tá d ia n t e d e
c rim e p lu r is s u b s is t e n t e (e x .: o s u je it o é im p e d id o p e la a u t o r id a d e q u a n d o e s ta v a
p r e s t e s a c o lo c a r a m o e d a em c ir c u la ç ã o ).

10. Princípio da insignificância


N ão in c id e no c rim e d e m o e d a f a ls a , a in d a q u e a c o n t ra fa ç ã o c o m p o rte
c é d u la s d e p e q u e n o v a lo r ou o c o r ra a a p r e e n s ã o d e p e q u e n a q u a n t id a d e .
Isso p o rq u e o p r in c ip a l b e m t u t e la d o é a fé pública ( c r e d ib ilid a d e d o s is t e m a
f in a n c e ir o e c o n fia n ç a q u e d e v e e x is t ir n a c ir c u la ç ã o d e m o e d a no P a ís ), e não o
patrimônio. A p r o p ó s it o :

• STF: "A m b a s a s T u rm a s do S u p re m o T rib u n a l F e d e ra l já c o n s o lid a ra m o


e n te n d im e n to d e q u e é 'in a p lic á v e l o p r in c íp io d a in s ig n ific â n c ia a o s c rim e s d e
m o e d a fa ls a , em q u e o b je to d e tu te la d a n o rm a a fé p ú b lic a e a c r e d ib ilid a d e
d o s is t e m a fin a n c e iro , n ã o s e n d o d e te rm in a n te p a ra a t ip ic id a d e o v a lo r po sto
em c irc u la ç ã o " ' ( i a T., HC 10 8 19 3 , j- 19 /0 8 /2 0 14 ). A in d a : " D e s c a b e c o g ita r d a
in s ig n ific â n c ia d o a to p r a t ic a d o u m a v e z im p u ta d o 0 c rim e d e c irc u la ç ã o d e
m o e d a fa ls a " ( i a T., HC 126 28 5 , j. 13 /0 9 /2 0 16 ).

• STJ: "N ão s e c o gita a a p lic a ç ã o d o p r in c íp io d a in s ig n ific â n c ia a o c rim e s d e


m o e d a fa ls a , p o is 0 b em ju r íd ic o p ro te g id o d e fo rm a p r in c ip a l é a fé p ú b lic a ,
ou s e ja , a s e g u ra n ç a d a s o c ie d a d e , s e n d o ir r e le v a n t e 0 n ú m e ro d e n o ta s, 0 seu
v a lo r ou 0 n ú m e ro d e le s a d o s " (5a T., HC 439958, j. 26 /0 6 /2 0 18 ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(Q uadrix - 2017 - CFO-DF - P ro c u ra d o r Jurídico) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte
a lternativa: "Segundo 0 entendim ento co nsolid ado do STJ, é ap licáve l 0 princípio da
insignificância ao crim e de m oeda falsa, d esd e que 0 va lo r ou a qu an tid ad e de céd u­
las a p re e n d id a s seja in fe rio r ao salário m ínim o".
(PGR - 2015 - P ro c u ra d o r da República) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Ambas as Turm as do Suprem o Tribunal Federal já co nsolid aram 0 entendim ento de
que é in a p licável 0 princípio da insignificância aos crim es de m oeda falsa, em que
objeto de tutela da norm a a fé pública e a c re d ib ilid ad e do sistem a fin an ceiro , não
send o determ inante para a tip icid a d e 0 v a lo r posto em circulação".
(TRT16 - 2015 - Juiz do Trab alho) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lternativa: "É
ap licável 0 Princípio da Bagatela no Crim e de Moeda Falsa (Art. 289 do CP)".
(CESPE - 2013 - TRF2 - Juiz Fed e ra l) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"Aquele que fa b rica r uma nota de cinco re a is sim ila r à v e rd a d e ira não po d erá se r
beneficiado pela incidência do princípio da insignificância, ain d a que seja prim ário e
de bons antecedentes".
138 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

11. Competência
De a c o r d o co m o a rt. 16 4 d a C o n s titu iç ã o F e d e r a l, a c o m p e t ê n c ia p a r a e m it ir
m o e d a é d a U n iã o , e s e r á e x e rc id a e x c lu s iv a m e n t e p e lo B a n c o C e n tr a l, a u t a r q u ia
f e d e r a l in te g ra n te d o S is te m a F in a n c e iro N a c io n a l.
P o rta n to , h a v e n d o in t e r e s s e d a U n iã o e d a p r ó p r ia e n t id a d e a u t á r q u ic a
(B C), a c o m p e t ê n c ia p a r a p r o c e s s a r e ju lg a r 0 c rim e d e m o e d a f a ls a é a Ju stiça
F e d e r a l, a t e o r d o a rt. 10 9 , IV, d a CF.
N e sse s e n t id o : " 1 . A p o t e n c ia lid a d e le s iv a d a c é d u la f a ls a é e le m e n t o t íp ic o
d o c rim e d e m o e d a f a ls a , d a c o m p e t ê n c ia d a Ju stiça F e d e r a l. 2. 0 b e m a r e c la m a r
a tu t e la ju r is d ic io n a l é d a c o m p e t ê n c ia d a Ju stiç a F e d e r a l, p o rq u a n t o 0 c rim e d e
m o e d a f a ls a e v id e n c ia , n e s te m o m e n to p r o c e s s u a l, le s ã o a b e n s , s e r v iç o s ou
in t e r e s s e s d a U n iã o ou d e s u a s e n t id a d e s a u t á r q u ic a s ou e m p r e s a s p ú b lic a s "
(STJ, 3a S e ç ã o , CC 13 5 .4 6 1, j. 2 8 /0 6 /2 0 17 ).
Obs.: n o s te rm o s da s ú m u la 73 do STJ, "A u t iliz a ç ã o de papel m oeda
g r o s s e ir a m e n t e f a ls if ic a d o c o n fig u ra , em te se , 0 c rim e de e s t e lio n a t o , da
c o m p e t ê n c ia d a Ju stiça E s t a d u a l" .

12. Distinção
• R e c u s a r-s e a re c e b e r, p e lo se u v a lo r, m o e d a d e c u rs o le g a l no p a ís : a rt. 43 d a
LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

• Usar, c o m o p r o p a g a n d a , d e im p re s s o ou o b je to q u e p e s s o a in e x p e rie n t e ou
rú stic a p o s s a c o n fu n d ir co m m o e d a : a rt. 44 d a LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

13. Ação penal


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A f ig u r a p r iv ile g ia d a (§ 2 °) c o n s titu i in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o fe n s iv o
(p e n a m á x im a n ã o s u p e r io r a d o is a n o s ), s u b m e t e n d o -s e a o rito s u m a r ís s im o d a
Lei n. 9 .09 9/95.

1.2. CRIMES ASSIMILADOS AO DE MOEDA FALSA

A rt. 290. Fo rm ar cé d u la , nota ou bilh ete re p re se n ta tivo de m oe­


d a com fragm en to s de c é d u la s, notas ou b ilh ete s v e rd a d e iro s;
su p rim ir, em nota, céd u la ou bilh ete re c o lh id o s, p a ra 0 fim de
re stitu í-lo s à circu la çã o , sin a l in d ica tivo de su a in u tilizaçã o ; re sti­
tu ir à circu la çã o cé d u la , nota ou bilh ete em ta is co n d içõ e s, ou já
Crim es re co lh id o s p ara 0 fim d e in u tilização :
assim ilad o s Pena - re clu sã o , de d o is a oito ano s, e m ulta.
ao de moeda
falsa P a rá g ra fo único. 0 m áxim o d a re clu sã o é
e le v a d o a d oze ano s e m ulta, se o crim e é
Form a ___ com etid o p o r fu n cio n á rio que tra b a lh a na re -
q u a lific a d a p artição o nd e o d in h e iro se a ch a va re co lhido ,
ou n e la tem fácil in gresso, em ra zã o do cargo.
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 13 9

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a c o n fia n ç a q u e d e v e p a ir a r s o b r e a
c ir c u la ç ã o d a m o e d a no P a ís.

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .
Em s e t r a t a n d o d e funcionário público , q u e t r a b a lh a n a r e p a r t iç ã o o n d e o d in h e ir o
s e a c h a v a r e c o lh id o , ou n e la te m fá c il in g re s s o , em ra z ã o d o c a rg o , h á m a jo ra ç ã o
d a p e n a r e c lu s iv a e d a m u lta (a rt . 290, p a r. ú n ic o , d o CP).

S u je ito p a s s iv o im e d ia to ou d ire to é 0 E stad o ; d e fo rm a m e d ia ta ou in d ire ta


ta m b é m p o d e s e r v ítim a a p e s s o a físic a ou ju ríd ic a p r e ju d ic a d a p e la co n d u ta d o
autor.

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e e m form ar c é d u la , no ta o u b ilh e te r e p r e s e n t a t iv o d e
m o e d a co m f ra g m e n to s d e c é d u la s , n o ta s ou b ilh e te s v e r d a d e ir o s ; suprimir, em
n o ta , c é d u la ou b ilh e te r e c o lh id o s , p a ra 0 fim d e r e s t it u í-lo s à c ir c u la ç ã o , s in a l
in d ic a t iv o d e s u a in u t iliz a ç ã o ; restituir à c ir c u la ç ã o c é d u la , n o ta ou b ilh e te em t a is
c o n d iç õ e s , ou já r e c o lh id o s p a r a 0 fim d e in u t iliz a ç ã o .

Objeto m aterial: é a c é d u la f a ls if ic a d a , s u p r im id a ou r e c o lh id a p a r a in u t iliz a ç ã o .


Tipo misto alternativo: h á p r e v is ã o d e c rim e d e a ç ã o m ú ltip la ou d e c o n te ú d o
v a r ia d o . A ssim , s e 0 a g e n te p r a t ic a r m a is d e u m a m o d a lid a d e t íp ic a (ex.: 0 a u to r
fo rm a a c é d u la e d e p o is a c o lo ca em c irc u la ç ã o ), d e v e r á r e s p o n d e r p o r c rim e ún ico .

M odalidades: a) formação de cédulas: com p e d a ç o s d e p a p e l-m o e d a v e rd a d e iro ,


0 a g e n te c ria o u tra c é d u la , q u e a p a re n ta s e r v e r d a d e ir a ; b) supressão de sinal
indicativo de inutilização: 0 p a p e l-m o e d a n ã o e stá m a is s e n d o u s a d o , m a s 0 agente
re tira 0 s in a l in d ic a tiv o d e s u a in u tiliz a ç ã o p a ra 0 fim d e re s titu í-lo à c irc u la ç ã o ; c)
restituição à circulação: 0 su je ito a tiv o re stitu i à c irc u la ç ã o a m o e d a n a s c o n d iç õ e s
a p o n t a d a s n a s le tra s a e b, ou já re c o lh id a p a ra 0 fim d e in u tiliza çã o .

Potencial lesivo: é im p re s c in d ív e l q u e a co n d u ta d o a g e n te , n a s trê s m o d a lid a d e s


típ ic a s , te n h a p o te n c ia lid a d e le s iv a , isto é, s e ja id ô n e a p a ra a p rá tic a d a fra u d e .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o tip o .

Na s e g u n d a m o d a lid a d e t íp ic a ( s u p r e s s ã o d e s in a l in d ic a t iv o d e in u t iliz a ç ã o ) ,
a lé m d o d o lo , e x ig e -s e 0 e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l ( d o lo e s p e c ífic o ), q u e v e m
r e p r e s e n t a d o p e la e x p r e s s ã o "para 0 fim de restituir à circulação".

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te f o r m a r o p a p e l-
m o e d a , s u p r im ir s in a l ou r e s t it u ir à c ir c u la ç ã o . N as m o d a lid a d e s form ação e
supressão n ã o h á n e c e s s id a d e q u e a c é d u la s e ja c o lo c a d a em c ir c u la ç ã o .
14 0 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Crim e m utilado ou atrofiad o de dois atos (ou tipo im perfeito de d o is a to s ):


0 a g e n te p r e te n d e um re s u lt a d o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) q u e d e v e s e r
a lc a n ç a d o , p o r a ç ã o p r ó p r ia , p o s t e r io r m e n t e à r e a liz a ç ã o d a c o n d u ta t íp ic a . No
c rim e a s s im ila d o a o d e m o e d a f a ls a (CP, a rt. 290), 0 s u je it o a tiv o p r a t ic a u m a
p r im e ir a c o n d u ta (suprimir, em nota, sinal indicativo de sua inutilização), p a ra
0 fim d e p r a t ic a r u m a c o n d u ta p o s t e r io r (restituir a nota à circulação). 0 c rim e
e s t a r á c o n s u m a d o co m a p r im e ir a c o n d u ta (suprim ir), in d e p e n d e n t e m e n t e d a
p r á t ic a d a c o n d u ta p o s t e r io r (restituir à circulação).

A t e n t a t iv a é p o s s ív e l n a s t rê s f o rm a s , p o is 0 c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e .

6. F o rm a q u a lif ic a d a

R e fe re 0 a rt . 290, p a r. ú n ic o , d o C ó d ig o P e n a l: " 0 máximo da reclusão é


elevado a doze a n o s e multa, se 0 crime é cometido por funcionário que trabalha
na repartição onde 0 dinheiro se achava recolhido, ou n e la tem fácil ingresso, em
razão do cargo".
Trata-se de c r im e p r ó p r io , p o is 0 s u je it o a tiv o d e v e s e r f u n c io n á r io p ú b lic o
(a rt . 327 d o CP) q u e e x e rc e s u a s fu n ç õ e s no lo c a l o n d e a q u a n tia e s tá a r m a z e n a d a ,
o u , em fa c e d o s e u c a rg o , te m fá c il a c e s s o a e le .

A m u lta n ã o p o d e m a is s e r fix a d a c o n fo rm e c o n s ta no a lu d id o p a rá g ra f o
ú n ic o , já q u e 0 v a lo r d e s s a p e n a p e c u n iá r ia , co m a Lei n. 7.20 9 /8 4 , p a s s o u a s e r
c a lc u la d o em d ia s -m u lt a . A s s im , a in d a h a v e r á a p lic a ç ã o c u m u la t iv a d a p e n a d e
m u lta co m a p e n a r e c lu s iv a , m a s d e a c o r d o co m a s r e g ra s t r a ç a d a s no a rt. 49 d o
C ó d ig o P e n a l.

7. A ç ã o p e n a l e c o m p e t ê n c ia

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . A c o m p e t ê n c ia p a ra p r o c e s s a r e ju lg a r
0 fa to é d a ju s t iç a F e d e r a l, c o n fo rm e o b s e r v a ç õ e s t e c id a s e m re la ç ã o a o c rim e
d o a rt. 289 d o C ó d ig o P e n a l.

1.3. PETRECHOS PARA FALSIFICAÇÃO DE MOEDA

Art. 29 1. Fabricar, a d q u irir, fo rnecer, a título o n e ro so ou


Petrechos para gratuito, p o ssu ir ou g u a rd a r m a q uin ism o , a p a re lh o , in s­
falsificação trum ento ou q u a lq u e r objeto e sp e cia lm e n te d e stin a d o à
de moeda fa ls ific a ç ã o d e m o e d a :
Pena - re c lu sã o , de d o is a se is ano s, e m ulta.

1. Bem ju r íd ic o

T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a c o n fia n ç a q u e d e v e p a ir a r s o b r e a c ir c u ­
la ç ã o d a m o e d a no P a ís.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(PCR - 2015 - P ro c u ra d o r da R epública) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lternati­
va: "Fabricar petrechos para falsificação de m oeda é crim e m ais grave do que fab ricar
p ap el-m o ed a falso".
Cap. Hi . Crimes contra a fé pública 14 1

2. Sujeitos
0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ( c rim e c o m u m ).

0 s u je it o p a s s iv o é o E s ta d o .

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em fabricar, adquirir, fornecer, a títu lo o n e ro s o ou
g ra tu ito , p o s s u ir o u g u a r d a r m a q u in is m o , a p a r e lh o , in s t ru m e n t o ou q u a lq u e r
o b je to e s p e c ia lm e n t e d e s t in a d o à f a ls if ic a ç ã o d e m o e d a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2 0 11 - DPE-MA - D efenso r Público) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a l­
ternativa: "Caracteriza o delito de m oeda falsa a fab ricação de instrum ento ou de
q u alq u er objeto especialm ente destinado à falsificação de m oeda".

Ato p re p a ra tó rio : o c rim e p a s s a p o r q u a t ro e t a p a s : i°) cogitação; 2°) p rep ara­


ção; 3a) execução; 4a) consum ação. A c o g ita ç ã o é a e t a p a em q u e o a u t o r e la b o r a
in t e rn a m e n t e s e u p la n o d e lit iv o , p r o p o n d o o s m e io s q u e u t iliz a r á p a r a c o n s e g u ir
o fim p r o p o s t o . A s im p le s c o g ita ç ã o n ã o é p u n id a , p o is n ã o h á o fe n s a a o b e m
ju r íd ic o . Na p r e p a r a ç ã o o a u t o r p r o c u r a o s m e io s e s c o lh id o s co m v is t a s a c r ia r
a s c o n d iç õ e s p a r a a tin g ir o fim p r o p o s t o . T a m b é m n ã o h á p u n iç ã o , s a lv o q u a n d o ,
e x c e p c io n a lm e n t e , o le g is la d o r c ria um t ip o a u tô n o m o , e e s te n ã o s e ja a b s o r v id o
p e lo c rim e -f im . 0 a rt. 2 9 1 d o CP é um e x e m p lo em q u e 0 c o m p o rt a m e n t o é um
a to p r e p a r a t ó r io (d o d e lito d o a rt. 289 d o C P ), m a s q u e 0 le g is la d o r o p to u p o r
c r ia r um c rim e a u tô n o m o .

►Atenção:
Também na Lei de T erro rism o 0 legislad o r pune atos p rep arató rio s como crim e a u ­
tônomo:
"R ealizar atos p rep arató rio s de terro rism o com 0 propósito inequívoco de consum ar
tal delito: Pena - a co rrespo ndente ao delito consum ado, d im inuída de um quarto até
a m etade" (art. 5° da Lei n. 13.260/16).

Delitos de obstáculo ( c rim e s -o b s t á c u lo ): e x is te m q u a n d o a le i p e n a l in c rim in a


d e fo rm a a u tô n o m a c o m p o rt a m e n t o s a n t e r io r e s a o in íc io d a e x e c u ç ã o , p u n in d o ,
p o rta n to , a to s p u ra m e n te p r e p a r a t ó r io s . E x e m p lo d is s o é 0 c rim e d e p e tre c h o s
p a ra f a ls if ic a ç ã o d e m o e d a (a rt. 2 9 1 d o CP).

► C o m o esse assunto foi cobrado e m concurso?

(CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"0 crim e de uso de docum ento falso co nfigura-se como crim e rem etido; e 0 de uso de
petrechos para falsificação de m oeda, como crim e obstáculo".

Tipo misto altern ativo : 0 a rt. 2 9 1 p r e v ê um c rim e d e a ç ã o m ú ltip la ou d e


c o n t e ú d o v a r ia d o . Isso s ig n ific a q u e h a v e r á c rim e ú n ic o m e s m o q u e 0 a g e n te , no
m e s m o co n te x to fá tic o , p r a t iq u e m a is d e um v e r b o n u c le a r (e x .: 0 a u t o r fa b ric a
e d e p o is g u a rd a m á q u in a d e s t in a d a à f a ls if ic a ç ã o d a m o e d a ).
14 2 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Princípio da consunçõo: s e f ic a r d e m o n s t r a d o q u e o a u t o r d a f a ls if ic a ç ã o d a
m o e d a , a n t e s d a c o n t ra fa ç ã o , fa b ric o u m a q u in á r io d e s t in a d o a e s s a p r á t ic a , o
c rim e d o a rt. 2 9 1 s e r á a b s o r v id o p o r a q u e le d o a rt. 289 (fa to a n t e r io r im p u n ív e l).

Objeto e s p e c ia lm e n te destin ado à fa lsifica çã o de m oeda: t r a t a -s e d e c lá u s u la


g e n é ric a q u e c o n d u z à in t e r p r e t a ç ã o a n a ló g ic a . A s s im , in c lu e m -s e ta m b é m o s
o b je t o s t id o s c o m o a d e q u a d o s à p r á t ic a d a c o n t ra fa ç ã o , a in d a q u e n ã o te n h a m
e s s e fim e s p e c ífic o (e x .: p la c a s , m o ld e s , lâ m in a s e tc .). C o n fo rm e d e c id id o p e lo
STJ, é s u f ic ie n t e a p o s s e co m 0 fim d e c o n t ra fa ç ã o d a m o e d a , s e n d o p r e s c in d ív e l
q u e 0 m a q u in á r io s e ja d e u so e x c lu s iv o p a ra ta l fim , d e m o d o q u e "A e x p re s s ã o
especialm ente destinado n ã o d iz r e s p e it o a u m a c a r a c t e r ís t ic a in t r ín s e c a ou
in e r e n t e d o o b je to . Se a s s im f o s s e , só 0 m a q u in á r io e x c lu s iv a m e n t e v o lt a d o
p a r a a f a b r ic a ç ã o ou f a ls if ic a ç ã o d e m o e d a s c o n s u b s t a n c ia r ia 0 c rim e , 0 q u e
im p lic a r ia a a b s o lu t a in v ia b ilid a d e de sua consum ação ( c rim e im p o s s ív e l) ,
p o is n em m e s m o 0 m a q u in á r io e in s u m o s u t iliz a d o s p e la C a s a d e M o e d a s ã o
d ir e c io n a d o s e x c lu s iv a m e n t e p a r a a f a b r ic a ç ã o d e m o e d a . 3. A d ic ç ã o le g a l e s tá
r e la c io n a d a a o u s o q u e 0 a g e n te p r e te n d e d a r a o o b je t o , ou s e ja , a c o n s u m a ç ã o
d e p e n d e d a a n á lis e d o e le m e n t o s u b je t iv o d o tip o ( d o lo ), d e m o d o q u e , s e 0
a g e n te d e té m a p o s s e d e im p r e s s o r a , a in d a q u e m a n u f a t u r a d a v is a n d o a o uso
d o m é s t ic o , m a s co m 0 p r o p ó s it o d e a u t iliz a r p r e c ip u a m e n t e p a ra c o n tra fa ç ã o
d e m o e d a , in c o r r e no re f e r id o c r im e " (STJ, 6a T., R Esp 175 8 9 58 , j. 1 1 /0 9 /2 0 1 8 ) .
Posse de m aquinário verd ad eiro destinado à fab ricação da m oeda: ig u a lm e n te
c a r a c t e r iz a 0 c rim e d o a rt. 2 9 1 d o CP. Ex.: 0 s u je it o a tiv o , d e p o is d e fu rt a r
p e t re c h o s d o B a n co C e n tr a l, g u a r d a -o s em c a s a , o c a s iã o em q u e é s u r p r e e n d id o
p e la a u t o r id a d e p o lic ia l.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o , c ie n te 0
a g e n te q u e 0 o b je t o e f e t iv a m e n t e s e d e s t in a à f a ls if ic a ç ã o d a m o e d a .

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) e n e m d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a rá c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te r e a liz a o c o m p o rta m e n to
típ ic o , fa b ric a n d o , a d q u ir in d o , fo rn e c e n d o , p o s s u in d o ou g u a rd a n d o o b je to
d e s t in a d o à fa ls ific a ç ã o d a m o e d a . N as m o d a lid a d e s guardar e possuir 0 delito é
permanente, ra z ã o p e la q u a l a c o n s u m a ç ã o s e p ro lo n g a no te m p o .
T r a t a n d o -s e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e , f a z -s e p o s s ív e l 0 conatus. N ão há
u n a n im id a d e : B ite n c o u rt e N ucci, p o r e x e m p lo , n ã o a c e it a m a fo rm a te n t a d a
re f e r in d o q u e s e e s tá d ia n t e d e a to s m e ra m e n te p r e p a r a t ó r io s . P o r o u tro
la d o , 0 v e r b o fornecer d if ic ilm e n te a c e it a r á a t e n t a t iv a , já q u e , a o fo rn e c e r, 0
a g e n te a n t e r io r m e n t e f a b ric o u , a d q u ir iu , p o s s u iu ou g u a rd o u 0 o b je to ( c rim e d e
c o n s u m a ç ã o in s t a n t â n e a ).

6. Ação penal e competência


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 14 3

A c o m p e tê n c ia é, em re g ra , d a ju s tiç a F e d e ra l (STj, 3a S e ç ã o , CC 30147, j. 24/08/2005).


No e n ta n to , " s e o s p e tre c h o s ou in s tru m e n to s a p r e e n d id o s n ã o s e p re sta m a p e n a s
p a ra a c o n tra fa ç ã o d a m o e d a , já q u e p o d e m s e r u tiliz a d o s p a ra a p rá tic a d e o u tra s
fra u d e s , co m o , p o r e x e m p lo , 0 'co n to d o p a c o ', a c o m p e tê n c ia p a ra c o n h e c e r d a
a ç ã o p e n a l é d a Justiça E s ta d u a l" (STJ, 3a S e çã o , CC 7682, j. 16 /0 6 /19 9 4 ).

1.4. EMISSÃO DE TÍTULO AO PORTADOR SEM PERMISSÃO LEGAL

Art. 292. Emitir, sem p e rm issã o legal, nota, b ilh ete , ficha, v a le ou títu­
lo que contenha pro m e ssa d e pagam ento em d in h e iro ao p o rtad o r
ou a que falte in d ica çã o do nom e d a p e sso a a quem d e v a s e r pago:
Pena - d ete nção , de um a se is m e ses, ou m ulta.

P a rá g ra fo único. Quem re ce b e ou u tiliza com o d i-


Form a n h e iro q u a lq u e r d os d ocum entos re fe rid o s neste
p riv ile g ia d a artigo in co rre na pe na de d ete nção , de quinze
d ia s a trê s m eses, ou m ulta.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e m e s p e c ia l a c o n fia n ç a q u e d e v e p a ir a r s o b r e a
c ir c u la ç ã o d a m o e d a no P a ís.

2. Sujeitos
0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a (c rim e c o m u m ).

0 s u je it o p a s s iv o é 0 E s ta d o .

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em emitir, s e m p e r m is s ã o le g a l, n o ta , b ilh e te , fic h a ,
v a le o u títu lo q u e c o n te n h a p r o m e s s a d e p a g a m e n to em d in h e ir o a o p o r t a d o r ou
a q u e fa lte in d ic a ç ã o d o n o m e d a p e s s o a a q u e m d e v a s e r p a g o .

Emitir: c o lo c a r em c ir c u la ç ã o . Isso s ig n ific a q u e p a r a a c a r a c t e r iz a ç ã o d o


c rim e n ã o é s u fic ie n t e a m e ra c ria ç ã o d o d o c u m e n to in d ic a d o no t ip o , s e n d o
ig u a lm e n t e n e c e s s á r io la n ç á -lo à c ir c u la ç ã o .

Objeto m aterial: é a n o ta , b ilh e te , fic h a , v a le ou títu lo q u e c o n te n h a p r o m e s s a


d e p a g a m e n to em d in h e ir o a o p o rt a d o r, ou a q u e fa lte in d ic a ç ã o d o n o m e d a
p e sso a a quem d e va s e r pago.
Sem p erm issã o legal: é 0 e le m e n t o n o rm a tiv o d o t ip o . H a v e n d o p e r m is s ã o
le g a l, o fa to s e r á a típ ic o .
Norm a p en al em branco: a " p e r m is s ã o le g a l" e n c o n t r a -s e fo ra d o t ip o . Ex.: Lei
n. 6 .4 0 4 /76 , q u e d is p õ e s o b r e a s s o c ie d a d e s p o r a ç õ e s .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o , d e v e n d o
0 a g e n te e s t a r c ie n te d a a u s ê n c ia d e p e r m is s ã o le g a l p a r a a c ir c u la ç ã o d o títu lo .
144 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to d a e m is s ã o d o títu lo a o p o rta d o r.
C o m o s e e s t á d ia n t e d e d e lito f o rm a l, b a s ta a e n tre g a d o d o c u m e n to a t e r c e ir o ,
in d e p e n d e n t e m e n t e d e q u a lq u e r re s u lt a d o u lte rio r.

A t e n t a t iv a é p o s s ív e l, já q u e o c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e .

6. Forma privilegiada
De a c o r d o co m o p a r á g r a f o ú n ic o d o a rtig o 29 2, "Quem recebe ou utiliza
como dinheiro qualquer dos documentos referidos neste artigo incorre na pena de
detenção , de quinze dias a três m eses, ou multa".
P u n e -s e d e m a n e ir a m e n o s s e v e r a a c o n d u ta d a q u e le q u e re c e b e 0 títu lo , b em
c o m o d o q u e 0 u tiliz a c o m o d in h e ir o . 0 a g e n te d e v e t e r c iê n c ia d a in e x is t ê n c ia
d e p e r m is s ã o le g a l p a ra a e m is s ã o .

7. Ação penal
A ação penal é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . As d u a s m o d a lid a d e s , s im p le s e
p r iv ile g ia d a , c a r a c t e riz a m -s e c o m o in fra ç ã o d e m e n o r p o te n c ia l o fe n s iv o . A ssim , 0
p ro c e d im e n to é 0 s u m a rís s im o d a Lei n. 9.099/95.

2. FALSIDADE DE TÍTULOS E OUTROS PAPÉIS PÚBLICOS

2.1. FALSIFICAÇÃO DE PAPÉIS PÚBLICOS

Art. 293. Falsificar, fa b ric a n d o -o s ou a lte ra n d o -o s: I - se lo d e stin a d o a


co n tro le trib u tário , p a p e l se la d o ou q u a lq u e r p a p e l de e m issã o legal
d e stin a d o à a rre c a d a ç ã o de tributo; II - p a p e l de cré d ito público que
não se ja m o eda d e curso legal; III - v a le po stal; IV - caute la d e penhor,
c a d e rn e ta de d ep ó sito de caixa eco nô m ica ou d e outro estab e le cim en to
m an tido p o r e n tid a d e de d ire ito pú blico ; V - talã o , recibo , guia, a lv a rá
ou q u a lq u e r outro docum ento re lativ o a a rre c a d a ç ã o d e re n d a s p ú b licas
ou a d ep ó sito ou caução p o r que 0 p o d e r público se ja re sp o n sá v e l; VI -
b ilh ete , p asse ou conhecim ento de e m p re sa de tra n sp o rte a d m in istra d a
pela U nião, p o r Estado ou p o r M unicípio:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

§ i ° . Inco rre na m esm a pena quem : I - u sa, g u ard a,


po ssu i ou d etém q u a lq u e r d os p a p é is fa lsifica d o s a
que se re fe re este artigo; II - im p o rta , exporta, a d q u i­
re , v e n d e , troca, ced e , e m p re sta , g u a rd a , fo rnece ou
restitui à c ircu la çã o selo fa lsifica d o d e stin a d o a con­
tro le trib u tá rio ; III - im p o rta , expo rta, a d q u ire , ve n d e ,
Forma expõe à v e n d a , m antém em d ep ó sito , g u a rd a , troca,
equiparada ced e , e m p re sta , fo rne ce, po rta ou, de q u a lq u e r fo r­
m a, utiliza em p ro ve ito p ró p rio ou a lh e io , no e xercício
de a tiv id a d e c o m ercial ou in d u stria l, produto ou m e r­
c a d o ria : a ) em que tenha sid o a p lic a d o se lo que se
d estin e a con tro le trib u tá rio , fa lsifica d o ; b) sem selo
o ficial, nos ca so s em que a leg islação trib u tá ria d e te r­
m ina a o b rig a to rie d a d e de su a a p lica çã o .
Cap. ill • Crimes contra a fé pública 14 5

§ 5°. E q u ip a ra -se a a tiv id a d e co m ercial, para


o s fin s do inciso III do § i ° , q u a lq u e r form a de
Norm a
— com ércio irre g u la r ou cla n d e stin o , in clu sive o
e x p lica tiva
e xe rcid o em v ia s, p ra ç a s ou o utro s lo g rad o u ­
ro s p ú b lico s e em re sid ê n c ia s.

í. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a le g it im id a d e d e títu lo s e o u tro s p a p é is
p ú b lic o s .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .
C a s o o d e lito s e ja p r a t ic a d o p o r funcionário público, q u e a g e s e p r e v a le c e n d o d o
c a rg o , a p e n a é a u m e n t a d a d e s e x ta p a rt e (a rt. 295 d o CP).

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o .

3. T ip o o b je t iv o

A c o n d u ta t íp ic a c o n s is te em falsificar p a p é is p ú b lic o s , f a b r ic a n d o -o s ou
a lt e r a n d o -o s .

Objeto m aterial: v e m d e s c rit o n o s in c is o s I a VI d o caput d o a rt. 29 3: I - s e lo


d e s t in a d o a c o n tro le t r ib u t á r io , p a p e l s e la d o ou q u a lq u e r p a p e l d e e m is s ã o
le g a l d e s t in a d o à a r r e c a d a ç ã o d e t rib u t o ; II - p a p e l d e c ré d it o p ú b lic o q u e n ã o
s e ja m o e d a d e c u rs o le g a l; III - v a le p o s t a l; IV - c a u t e la d e p e n h o r, c a d e r n e t a d e
d e p ó s it o d e c a ix a e c o n ô m ic a ou d e o u tro e s t a b e le c im e n t o m a n tid o p o r e n t id a d e
14 6 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

d e d ir e it o p ú b lic o ; V - t a lã o , re c ib o , g u ia , a lv a r á ou q u a lq u e r o u tro d o c u m e n to
re la t iv o a a r r e c a d a ç ã o d e r e n d a s p ú b lic a s ou a d e p ó s it o ou c a u ç ã o p o r q u e o
p o d e r p ú b lic o s e ja r e s p o n s á v e l; VI - b ilh e te , p a s s e ou c o n h e c im e n t o d e e m p r e s a
d e t r a n s p o r t e a d m in is t r a d a p e la U n iã o , p o r E s ta d o ou p o r M u n ic íp io .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FUNDATEC - 2015 - PCE-RS - P ro c u ra d o r do Estado) Foi co n sid era d a correta a seguinte
alternativa: "Falsificar, m ediante fab rico ou alteração , selo d estinado a controle tri­
butário é crim e de falsificação de papel público (art. 293, CP), e não falsificação de
docum ento público (art. 297, CP)".

V a le p o s t a l: e q u iv a le a o títu lo d e c ré d it o e m it id o p e lo s c o r r e io s . 0 inciso III foi


revogado pelo art. 36 da Lei dos Serviços Postais (Lei n. 6.538/78).
C a u t e la d e p e n h o r : é um títu lo d e c ré d it o q u e , m e d ia n t e p a g a m e n to , a u t o riz a
a r e t ir a d a d a c o is a e m p e n h a d a .

B ilh e te : é 0 títu lo q u e a s s e g u r a a o s e u p o r t a d o r f a z e r d e t e r m in a d o p e r c u rs o
em v e íc u lo d e t ra n s p o r t e d e p e s s o a s . P a s s e : é 0 d o c u m e n to , g ra tu ito o u o n e ro s o ,
e m it id o p o r e m p r e s a d e t ra n s p o r t e d e p e s s o a s . C o n h e c im e n t o : é 0 d o c u m e n to
q u e d e m o n s t ra a e n tre g a d e d e t e r m in a d a m e r c a d o r ia p a r a 0 t ra n s p o r t e .

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f a ls if ic a r o s p a p é is p ú b lic o s d e s c rit o s
no tip o p e n a l. 0 § 2 °, c o m o v e r e m o s , e x ig e um e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l (d o lo
e s p e c ífic o ), c o n s is t e n t e n a e s p e c ia l f in a lid a d e d e t o r n a r o s p a p é is p ú b lic o s
n o v a m e n t e u t iliz á v e is .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te f a ls if ic a r 0 p a p e l
p ú b lic o , f a b r ic a n d o -o o u a lt e r a n d o -o . N ão h á n e c e s s id a d e d e d a n o a t e r c e ir o s ou
q u a lq u e r o u tro re s u lt a d o u lt e r io r ( c rim e f o rm a l).

T r a t a n d o -s e d e d e lit o p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

6. Uso de papéis públicos e outras condutas equiparadas (§ 1°)


A Lei n° 11.035/04 c rio u n o v a s fig u ra s d e lit u o s a s , a fir m a n d o q u e in c o r r e na
m e s m a p e n a d o caput ( r e c lu s ã o d e 2 a 8 a n o s , e m u lta ) q u e m : I - u s a , g u a rd a ,
p o s s u i ou d e té m q u a lq u e r d o s p a p é is f a ls if ic a d o s a q u e s e r e f e r e e s te a rtig o ;
II - im p o r t a , e x p o rt a , a d q u ir e , v e n d e , t ro c a , c e d e , e m p r e s t a , g u a r d a , fo rn e c e
o u re s t it u i à c ir c u la ç ã o s e lo f a ls if ic a d o d e s t in a d o a c o n tro le t r ib u t á r io ; e III -
im p o rt a , e x p o rt a , a d q u ir e , v e n d e , e x p õ e à v e n d a , m a n té m em d e p ó s it o , g u a rd a ,
tro c a , c e d e , e m p r e s t a , fo rn e c e , p o rt a o u , d e q u a lq u e r f o rm a , u t iliz a em p ro v e ito
p r ó p r io ou a lh e io , no e x e rc íc io d e a t iv id a d e c o m e r c ia l ou in d u s t r ia l, p ro d u to
ou m e r c a d o r ia : a ) em q u e t e n h a s id o a p lic a d o s e lo q u e s e d e s t in e a c o n tro le
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 14 7

t r ib u t á r io , f a ls if ic a d o ; b) s e m s e lo o f ic ia l, n o s c a s o s e m q u e a le g is la ç ã o t r ib u t á r ia
d e t e r m in a a o b r ig a t o r ie d a d e d e s u a a p lic a ç ã o .

S e a s c o n d u ta s d o § 1 ° fo re m p r a t ic a d a s p e lo p r ó p r io r e s p o n s á v e l p e la
f a ls if ic a ç ã o , e la s s e r ã o c o n s id e r a d a s fa to p o s t e r io r im p u n ív e l ( p r in c íp io da
c o n s u n ç ã o ), d e v e n d o o a g e n te r e s p o n d e r a p e n a s p e lo caput.

0 STJ d e c id iu q u e : " 0 b e m ju r íd ic o p ro te g id o no c rim e p r e v is t o no a rt. 293, § 1 ° ,


III, " b " , d o C ó d ig o P e n a l é a fé p ú b lic a , c u ja c o n s u m a ç ã o o c o r re q u a n d o 0 a g e n te ,
e n tre a s v á r ia s c o n d u ta s t íp ic a s p r e v is t a s no c ita d o d is p o s it iv o le g a l, v e n d e ou
e x p õ e à v e n d a p r o d u t o ou m e r c a d o r ia , no e x e rc íc io d e a t iv id a d e c o m e r c ia l, se m 0
s e lo d e c o n tro le d o IPI - Im p o s to s o b r e P ro d u to s In d u s t r ia liz a d o s - , d is p e n s a n d o ,
p a ra s u a c a r a c t e r iz a ç ã o , a c o n s tit u iç ã o d e fin it iv a d o c ré d it o t r ib u t á r io " (6a T.,
R Esp 13 0 0 13 9 /E S , j. 1 3 /1 2 /2 0 1 6 ) .

De a c o r d o co m 0 § 5 °, "Equípara-se a atividade com ercial, para os fins do inciso


III do § 1 °, qualquer form a de comércio irregular ou clandestino, inclusive 0 exercido
em vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências". V e ja -s e q u e ,
p a ra fin s p e n a is , o s e m p r e s á r io s s ã o e q u ip a r a d o s a o s c a m e lô s .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2016 - Polícia Científica-PE) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa: "0
indivídu o que falsifica, para p o sterio r utilização, bilhete ou passe de trânsito concedi­
do po r em presa de transporte coletivo m unicipal pratica os crim es de falsificação de
docum ento público e de uso de docum ento falso".

7. Supressão de sinal indicativo de inutilização de papéis públicos (§ 20)


0 § 20 tra z o u t ra fig u ra t íp ic a : "Suprimir, em qualquer desses papéis, quando
legítimos, com 0 fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo
de sua inutilização: Pena - re c lu sã o , de um a quatro anos, e multa".

C o m o n ã o s e p o d e fa ls ific a r 0 q u e já é o b je to d e f ra u d e , a c o n d u ta d o a g e n te
in c id e , a g o ra , s o b re documento verdadeiro. E x ig e -se , a lé m d o d o lo d e p r a t ic a r 0
n ú cle o d o tip o , u m a finalidade especial do agente (e le m e n to s u b je tiv o e s p e c ia l ou
d o lo e s p e c ífic o ), r e p re s e n t a d a p e la e x p re s s ã o "com 0 fim de torná-los novamente
utilizáveis".

A c o n s u m a ç ã o s e d á co m a e fe t iv a s u p r e s s ã o d o c a r im b o ou s in a l in d ic a t iv o
d e in u t iliz a ç ã o , in d e p e n d e n t e m e n t e d o m é to d o u t iliz a d o p e lo a g e n te (c rim e d e
fo rm a liv r e ) . T r a t a n d o -s e d e d e lit o p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

8. Uso de papéis públicos com inutilização suprimida (§ 30)


D is p õ e 0 § 3 °: "Incorre na mesma pena quem u sa , depois d e alterado, qualquer
dos papéis a que se refere 0 parágrafo anterior".

Se 0 u so é fe ito p o r a q u e le q u e su p rim iu 0 c a rim b o ou s in a l d e in u tiliz a ç ã o do


p a p e l p ú b lic o , a co n d u ta p u n ív e l é so m e n te a d o § 2°, re p re s e n ta n d o 0 § 30 fato
p o s te rio r im p u n ív e l (p rin c íp io d a co n su n çã o ).
14 8 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

A c o n s u m a ç ã o o c o r re co m o e fe tiv o u so d o p a p e l p ú b ic o co m in u t iliz a ç ã o
s u p r im id a . C o m o 0 d e lito é u n is s u b s is t e n t e , n ã o s e a d m ite a fo rm a t e n t a d a (o
p r im e ir o a to d e u so já c o n s u m a o c rim e ).

9. Restituição à circulação (forma privilegiada - § 40)


De a c o r d o co m 0 § 40, "Quem usa ou restitui à circulação, em bora recibo de boa-
-fé, qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem este artigo e o
seu § 20, depois de conhecer a falsid ad e ou alteração, incorre na pena de detenção,
de seis m eses a dois anos, ou multa".

0 C ó d ig o P e n a l p u n e co m m e n o r rig o r a c o n d u ta d a q u e le q u e , e s t a n d o d e
b o a -fé , u s a ou re s t it u i à c ir c u la ç ã o p a p é is f a ls if ic a d o s , m e s m o d e p o is d e t o m a r
c o n h e c im e n t o d a c o n tra fa ç ã o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


Foram co n sid e ra d a s incorretas as seguintes alternativas:
(CESPE - 20 12 - TJ-BA - Juiz de D ireito) "Suponha que M aria, de dezenove anos de
id a d e , receba, de boa-fé, de um desco nhecido passe falso de transporte de em presa
a d m inistrad a pelo governo e 0 utilize im ediatam ente apó s s e r alertad a, po r seu ir­
m ão, da fa lsid ad e do bilhete. Nessa situação, a conduta de M aria caracte riza-se como
atípica".
(CESPE - 2009 - PC-PB - Delegado de Polícia) "É atípica a conduta do agente que restitui
à circulação, m esmo tendo recebido de boa-fé, papel falsificado pela su p ressã o de
sinal indicativo de sua inutilização, da qual tomou po sterior conhecim ento".

Do/o direto: e x ig e -s e q u e 0 a g e n te te n h a c e rte z a p le n a a c e r c a d a f a ls id a d e ou


a lt e r a ç ã o , ra z ã o p e la q u a l o tip o p r iv ile g ia d o s o m e n te s e c a r a c t e r iz a r á co m d o lo
d ire t o . N ão é a c e ito o d o lo e v e n tu a l.

M á-fé: c a s o 0 s u je it o t e n h a a g id o d e m á -fé ab initio, ou s e ja , te n h a c iê n c ia d a


f a ls id a d e ou a lt e r a ç ã o d o s p a p é is d e s d e o m o m e n to em q u e o s r e c e b e u , d e v e r á
r e s p o n d e r p e lo § 3 °.

Consum ação e t e n t a t iv a : a fo rm a p r iv ile g ia d a e s t a r á c o n s u m a d a no m o m e n to


em q u e o s p a p é is f a ls if ic a d o s s ã o u s a d o s ou re s t it u íd o s à c ir c u la ç ã o . A te n t a t iv a
é p o s s ív e l n a fo rm a p lu r is s u b s is t e n t e (c o n d u ta restituir) e im p o s s ív e l n a fo rm a
u n is s u b s is t e n t e (c o n d u ta usar).

10. Forma majorada


Está no a rt. 295: "Se 0 agente é funcionário público, e co m ete 0 crime prevalecendo-
se do cargo, aum enta-se a pena de sexta parte". 0 c o n c e ito d e funcionário público
v e m d is p o s t o no a rt. 327 d o CP.

11. Distinção
• " C o n stitu i c rim e c o n tra a o rd e m t rib u t á ria s u p r im ir ou r e d u z ir trib u to , ou
c o n trib u iç ã o s o c ia l e q u a lq u e r a c e s s ó r io , m e d ia n te a s s e g u in te s c o n d u ta s : (...)
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 14 9

III - fa ls if ic a r ou a lt e r a r nota fis c a l, fa tu ra , d u p lic a ta , nota d e v e n d a , ou q u a lq u e r


o u tro d o c u m e n to re la t iv o à o p e ra ç ã o t rib u tá v e l" : a rt. i ° . III, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

• " F a ls ific a r, fa b ric a n d o ou a d u lt e ra n d o , s e lo , o u tra fó rm u la d e fra n q u e a m e n to ou


v a le -p o s t a l: P e n a - re c lu s ã o , a té o ito a n o s , e p a g a m e n to d e cin co a q u in z e d ia s -
m u lta . P a rá g ra fo ú n ic o - In c o rre n a s m e s m a s p e n a s q u e m im p o rta ou e x p o rta ,
a d q u ir e , v e n d e , tro c a , c e d e , e m p re s t a , g u a rd a , fo rn e c e , u tiliz a ou re s titu i à
c irc u la ç ã o , s e lo , o u tra fó rm u la d e fra n q u e a m e n t o ou v a le -p o s t a l fa ls ific a d o s " :
a rt. 36 d a Lei n. 6 .538 /78.

• " S u p rim ir, em s e lo , o u tra fó rm u la d e f r a n q u e a m e n t o ou v a le - p o s ta l, q u a n d o


le g ítim o s , co m 0 fim d e t o rn á -lo s n o v a m e n te u t iliz á v e is ; c a rim b o ou s in a l
in d ic a t iv o d e s u a u tiliz a ç ã o : P en a - re c lu s ã o , a té q u a tro a n o s, e p a g a m e n to d e
c in co a q u in z e d ia s -m u lt a . § i ° - In c o rre n a s m e s m a s p e n a s q u e m u s a , v e n d e ,
fo rn e c e ou g u a rd a , d e p o is d e a lt e ra d o , s e lo , o u tra fó rm u la d e fra n q u e a m e n t o
ou v a le -p o s t a l. § 2® - Q uem u s a ou re s titu i a c irc u la ç ã o , e m b o ra re c e b id o d e b o a
fé, s e lo , o u tra fó rm u la d e fra n q u e a m e n t o ou v a le -p o s t a l, d e p o is d e c o n h e c e r a
f a ls id a d e ou a lt e ra ç ã o , in c o r re n a p e n a d e d e te n ç ã o , d e trê s m e s e s a um a n o ,
ou p a g a m e n to d e trê s a d e z d ia s -m u lt a " : a rt. 37 d a Lei n. 6 .538 /78.

• " F a b ric a r, a d q u irir , fo rn e c e r, a in d a q u e g ra tu ita m e n te , p o s s u ir, g u a rd a r, ou


c o lo c a r em c irc u la ç ã o o b je to e s p e c ia lm e n te d e s t in a d o à fa ls ific a ç ã o d e s e lo ,
o u tra fó rm u la d e f r a n q u e a m e n t o ou v a le -p o s t a l" : a rt. 38 d a Lei n. 6 .538 /78.

• " R e p ro d u z ir ou a lt e r a r s e lo ou p e ç a fila t é lic a d e v a lo r p a ra c o le ç ã o , s a lv o


q u a n d o a r e p ro d u ç ã o ou a a lt e ra ç ã o e s t iv e r v is iv e lm e n t e a n o ta d a n a fa c e ou
no v e r s o d o s e lo ou p e ç a : P e n a - d e te n ç ã o , a té d o is a n o s , e p a g a m e n to d e
trê s a d e z d ia s -m u lt a . P a rá g ra fo ú n ic o - In c o rre n a s m e s m a s p e n a s , q u e m ,
p a ra fin s d e c o m é rc io , fa z u so d e s e lo ou p e ç a fila t é lic a d e v a lo r p a ra c o le ç ã o ,
ile g a lm e n te re p r o d u z id o s ou a lt e ra d o s " : a rt. 39 d a Lei n. 6 .538 /78.

12 . A ção p e n a l

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

Os § § 2 ° e 3 ° a d m ite m a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o (a rt . 89 d a Lei n.
9 .0 9 9 /9 5 ), já q u e a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

0 § 4 ° é in f ra ç ã o penal de m e n o r p o t e n c ia l o f e n s iv o , s e g u in d o 0 rito
s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 .09 9/95.

2.2. PETRECHOS DE FALSIFICAÇÃO

Art. 294. Fabricar, a d q u irir, fo rnecer, p o ss u ir ou g u a rd a r


o bjeto e sp e cia lm e n te d e stin a d o à fa lsifica çã o de q u a lq u e r
d o s p a p é is re fe rid o s no artigo an te rio r:
Pena - re clu sã o , de um a três ano s, e m ulta.
15 0 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

1. B em ju r íd ic o

T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e m e s p e c ia l a le g it im id a d e d e tít u lo s e o u tro s p a p é is


p ú b lic o s .

2. S u je it o s

0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .
C a s o 0 d e lito s e ja p r a t ic a d o p o r funcionário público , q u e a g e s e p r e v a le c e n d o do
c a rg o , a p e n a é a u m e n t a d a d e s e x ta p a rte (a rt . 295 d o CP).

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o .

3. T ip o o b je t iv o

A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar


o b je to e s p e c ia lm e n t e d e s t in a d o à f a ls if ic a ç ã o d e q u a lq u e r d o s p a p é is r e f e r id o s
no a rtig o a n te rio r.
Atos p re p a ra tó rio s: ta l q u a l 0 a rt. 2 9 1 d o C ó d ig o P e n a l, 0 le g is la d o r v o lta a
p u n ir, e x c e p c io n a lm e n t e , a to s p u ra m e n te p r e p a r a t ó r io s .

Princípio da su b sid ia rie d a d e: d a m e s m a fo rm a q u e 0 a rt. 2 9 1, q u e é s u b s id iá r io


e m re la ç ã o a o a rt. 289, 0 c rim e d e petrechos de falsificação é s u b s id iá r io em
re la ç ã o a o a rt. 293. D e s s a f o rm a , 0 d e lito d o a rt. 294 só e s t a r á c a r a c t e r iz a d o se
0 s u je it o a tiv o n ã o p a r t ic ip a r d a f a ls if ic a ç ã o .

Objeto m aterial: é 0 o b je to e s p e c ia lm e n t e d e s t in a d o à f a ls if ic a ç ã o d e p a p é is
p ú b lic o s ( a q u e le s m e n c io n a d o s no a rt. 293 d o CP). N ão h á n e c e s s id a d e q u e 0
p e tre c h o s e d e s t in e , d e fo rm a e x c lu s iv a , à f a ls if ic a ç ã o .

Tipo misto altern ativo: p r e v ê c r im e s d e a ç ã o m ú ltip la ou d e c o n t e ú d o v a r ia d o .


A s s im , s e 0 a g e n te p r a t ic a r, no m e s m o co n te x to fá tic o , m a is d e um v e r b o n u c le a r,
0 d e lito s e r á um só .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - MP-MT - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lte r­
nativa: "Fabricar, adq uirir, fornecer, p o ssuir ou g u ard ar objeto especialm ente d e stin a ­
do à falsificação de q u alq u er papel público constitui contravenção penal".

4. Tipo sub je tivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o , d e v e n d o 0
a g e n te e s t a r c ie n te q u e 0 o b je t o s e d e s t in a à p r á t ic a d a f a ls if ic a ç ã o .

N ão h á n e c e s s id a d e de d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) e
t a m p o u c o p r e v is ã o d e m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consum ação e ten ta tiva

0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o n o m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a u m a d a s
c o n d u ta s p r e v is t a s no tip o p e n a l. As m o d a lid a d e s possuir e guardar d e n o ta m
c rim e p e r m a n e n t e .
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 151

C o m o a le i, d e fo rm a e x c e p c io n a l, a lç a m e ro a to p r e p a r a t ó r io à c o n d iç ã o
de d e lito a u tô n o m o , que a d m ite o fra c io n a m e n t o do ite r criminis (c rim e
p lu r is s u b s is t e n t e ) , é p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

6. Forma majorada

Está no a rt. 29 5: "Se 0 agente é funcionário público, e comete 0 crime prevalecendo-


se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte". 0 c o n c e ito d e funcionário público
v e m d is p o s t o no a rt . 327 d o CP.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2017 - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) "0 crim e denom inado 'petrechos
de falsificação' (CP, art. 294) tem a pena aum entada, de acordo com 0 art. 295 do CP,
se: a) praticado com intuito de lucro, b) com etido em detrim ento de órgão público ou
da adm inistração indireta, c) a vítim a for m enor de id a d e, ido sa ou incapaz, d) cau sar
expressivo prejuízo à fé pública, e) 0 agente for funcionário público e com eter 0 crim e
p revalecen d o -se do cargo". G abarito : E.
(VUNESP - 2012 - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário) "0 crim e de 'petrechos de fa lsi­
ficação' (CP, art. 294), p o r expressa d ispo sição do art. 295 do CP, tem a pena aum en­
tada de sexta parte se 0 agente: a) é funcionário público, b) é funcionário público,
e com ete 0 crim e p revalecen d o -se do cargo, c) tem intuito de lucro, d) confecciona
docum ento falso hábil a enganar 0 homem m édio, e) cau sa, com sua ação , prejuízo
ao erá rio público". G ab arito : B.

7. Distinção

• P e tre c h o s p a ra a fa ls ific a ç ã o d e s e lo , fó rm u la d e fra n q u e a m e n t o ou v a le -p o s t a l:


a rt. 38 d a Lei n. 6 .538 /78 .

8. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

0 c rim e , s e m a in c id ê n c ia d a m a jo ra n t e (a rt . 29 5), a d m ite 0 sursis p ro ce ssu al


(a rt. 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), já q u e a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

3. FALSIDADE DOCUMENTAL

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 -T J -S C - Juiz de D ireito) Foi co n sid e ra d a incorreta a seguinte alternativa:
"0 crim e de asso ciação crim inosa configura-se como crim e obstáculo; 0 de falsid ad e
docum ental para com etim ento de estelionato é crim e de atitude pessoal".
Obs.: 0 erro está na segunda parte da assertiva. No crim e de atitude p esso al ou de
tend ência é necessário v e rific a r 0 ânim o do agente para re alização do delito. 0 toque
do ginecologista na vagina da paciente pode refletir m ero a g ir profissio nal ou configu­
ra r crim e de natureza sexual, a d e p e n d e r da tendência do agente.
15 2 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3-1. FALSIFICAÇÃO DE SELO OU SINAL PÚBLICO

Art. 296. Falsificar, fabricand o -o s ou alterand o-o s: I - selo


público destinado a autenticar atos o ficiais da União, de
Estado ou de M unicípio; II - selo ou sinal atribuído p o r lei
—► a entidade de direito público, ou a auto ridade, ou sinal
público de tabelião:
Pena - reclusão, de d o is a se is anos, e multa.

§ i ° . Incorre nas m e sm as p e n a s: I -
quem faz uso do selo ou sin a l fa lsifi­
cado ; II - quem u tiliza in d e vid a m e n te
0 se lo ou sin a l v e rd a d e iro em prejuízo
Forma de outrem ou em p ro ve ito p ró p rio ou
equiparada a lh e io ; III - quem a lte ra , falsifica ou faz
uso in d e v id o de m arca s, logotipo s, s i­
glas ou q u a is q u e r o utro s sím b o lo s u tili­
za d o s ou id e n tific a d o re s de ó rgãos ou
e n tid a d e s da A d m in istração Pública.

§ 2 °. Se 0 agente é fu n cio n á rio p ú b li­


Forma co, e com ete 0 crim e p re v a le ce n d o -se
majorada do cargo, a u m e n ta -se a pe na de sexta
parte.

1. Bem ju r íd ic o

T u t e la -s e a fé p ú b lic a .

2. S u je it o s

0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .
Se 0 a g e n te é funcionário público, e c o m e te o c rim e p r e v a le c e n d o -s e d o c a rg o ,
a u m e n t a -s e a p e n a d e s e x ta p a rte (§ 2 °).

S u je ito p a s s iv o é o E s ta d o .

3. T ip o o b je t iv o

A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em falsificar os d o c u m e n t o s m e n c io n a d o s no tip o ,
f a b r ic a n d o -o s ou a lt e r a n d o -o s .

O b je to m a t e r ia l. A c o n d u ta d o a g e n te re c a i s o b r e : I - s e lo p ú b lic o d e s t in a d o a
a u t e n t ic a r a to s o f ic ia is d a U n iã o , d e E s ta d o ou d e M u n ic íp io ; ou II - s e lo ou s in a l
a t r ib u íd o p o r le i a e n t id a d e d e d ir e it o p ú b lic o , ou a a u t o r id a d e , ou s in a l p ú b lic o
d e t a b e liã o .

L a c u n a le g is la t iv a : a le i n ã o p r e v ê , c o m o o b je t o m a t e r ia l d o c rim e em e s tu d o ,
0 s e lo ou s in a l p ú b lic o d e s t in a d o a a u t e n t ic a r a to s o f ic ia is d o D istrito F e d e ra l
( in c is o I) e n e m 0 s e lo p ú b lic o e s t ra n g e iro . P a ra R e g is P ra d o (C u rso d e Direito
Penal, V o l. Ill, p . 3 18 ), c o m o n ã o s e a d m ite a n a lo g ia in malam partem em D ire ito
P e n a l, a f a lh a le g a l s o m e n te p o d e r á s e r s u p r id a co m a e d iç ã o d e n o v a le i.
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 15 3

re t ific a n d o o d is p o s it iv o . A n o s s o v e r, no in c is o I, t r a t a -s e d e u m a h ip ó t e s e em
q u e é c la r a a v o n t a d e d a le i d e c o n s ta r o s e n te s f e d e r a t iv o s , d e m o d o a p e r m it ir
in t e r p r e t a ç ã o e x te n s iv a e a lc a n ç a r o D istrito F e d e ra l.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o . No in c is o
I 0 a g e n te d e v e t e r c iê n c ia q u e 0 s e lo s e d e s t in a à a u t e n t ic a ç ã o d e a to s o fic ia is
d a U n iã o , d e E s ta d o ou d e M u n ic íp io .

N ão h á p r e v is ã o d e d o lo e s p e c ífic o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) e n em d e
fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to d a f a ls if ic a ç ã o , to ta l ou p a r c ia l, d o
s e lo ou s in a l p ú b lic o . N ão h á n e c e s s id a d e d e d a n o s a t e r c e ir o s ou d e q u a lq u e r
o u tro re s u lt a d o le s iv o .

C o m o s e e s tá d ia n t e d e d e lito p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

6. Forma equiparada (§ i°)


De a c o r d o co m 0 § 1 ° , "Incorre nas m esm as penas: I - quem faz uso do selo
ou sinal falsificado; II - quem utiliza indevidam ente 0 selo ou sinal verdadeiro em
prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio; III - quem altera, falsifica ou
faz uso indevido de m arcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros sím bolos utilizados
ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública".
Se 0 u s u á r io é 0 r e s p o n s á v e l p e la p r ó p r ia f a ls if ic a ç ã o , a m o d a lid a d e usar
( utilizar; fazer uso ) f ic a r á a b s o r v id a ( p r in c íp io d a c o n s u n ç ã o ).

A c o n s u m a ç ã o o c o r re q u a n d o 0 s u je it o a tiv o p r a t ic a u m a d a s c o n d u ta s
p r e v is t a s no t ip o , in d e p e n d e n t e m e n t e d e q u a lq u e r re s u lt a d o u lte rio r.

0 c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e , ra z ã o p e la q u a l s e a d m it e a t e n t a t iv a . No e n ­
ta n to , e n t e n d e m o s q u e no s im p le s u so 0 d e lito n ã o p o d e s e r f r a c io n a d o (c rim e
u n is s u b s is t e n t e ) , s e n d o im p o s s ív e l 0 conatus q u a n to a e le .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 20 16 - Polícia Científica-PE) F o i c o n s i d e r a d a c o r r e t a a s e g u in t e a l t e r n a t iv a : " 0
a g e n t e q u e f a z u s o in d e v i d o d e m a r c a s , lo g o t ip o s , s i g l a s o u s í m b o l o s i d e n t if ic a d o r e s
de ó r g ã o s d a a d m in i s t r a ç ã o p ú b l ic a co m e te c r im e d e f a l s if i c a ç ã o d e s e lo o u s in a l
p ú b lic o " .

7. Forma majorada (§ 20)


E stá d is p o s t a no § 2 °: "Se 0 agente é funcionário público, e co m ete 0 crime
prevalecendo-se do cargo, aum enta-se a pena de sexta parte". 0 c o n c e ito d e
funcionário público e s tá no a rt. 3 27 d o CP.
154 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

8. A ç ã o p e n a l e c o m p e t ê n c ia

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m p e tê n c ia . " 1 . A u t iliz a ç ã o d e s e lo s f a ls o s d o INMETRO em e x tin t o re s d e


in c ê n d io , p a r a lu d ib r ia r o s c o n s u m id o r e s em re la ç ã o à s u a a u t e n t ic id a d e , n ã o
a c a r r e t a , p o r s i só , le s ã o a b e n s , s e r v iç o s ou in t e r e s s e s d a U n iã o , d e s u a s a u t a r ­
q u ia s ou e m p r e s a s p ú b lic a s . 2. A f a ls if ic a ç ã o d e s e lo s , p r e v is t a no a rt. 296, § 1 ° ,
d o CP, q u e n ã o te n h a a tin g id o d ir e t a m e n t e b e n s o u in t e r e s s e s d a U n iã o ou d e
s u a s e n t id a d e s é d e c o m p e t ê n c ia d a Ju stiça E s t a d u a l. 3. A g ra v o im p r o v id o " (STJ,
T e r c e ira S e ç ã o , AgRg no CC 14 8 .13 5 /S C , j. 13 /0 2 /2 0 1 9 ).

3.2. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO

A rt. 297. F alsificar, no to d o o u e m p a rte , d o cu m e n to p ú b li­


co, o u a lte r a r d o c u m e n to p ú b lic o v e r d a d e ir o :
P e n a - re c lu sã o , d e d o is a s e is a n o s , e m u lta.

§ i ° . Se 0 a g e n te é fu n c io n á r io p ú b li-
F o rm a __ c o , e c o m e te 0 c r im e p r e v a le c e n d o -s e
m a jo r a d a d o c a rg o , a u m e n t a -s e a p e n a d e se x ta
p a rte .

§ 2 °. P a ra o s e fe ito s p e n a is , e q u ip a r a m -
-s e a d o c u m e n to p ú b lic o 0 e m a n a d o d e
N o rm a __ e n t id a d e p a r a e s t a t a l, 0 títu lo a o p o r-
e x p lic a t iv a t a d o r o u t r a n s m is s ív e l p o r e n d o s s o , a s
a ç õ e s d e s o c ie d a d e c o m e r c ia l, o s liv r o s
m e r c a n t is e 0 t e s ta m e n to p a rtic u la r.

§ 3 o- N as m e s m a s p e n a s in c o r r e q u e m
in s e r e o u fa z in s e r ir : l - n a fo lh a d e
p a g a m e n to o u e m d o c u m e n to d e in ­
fo r m a ç õ e s q u e s e ja d e s t in a d o a f a z e r
p ro v a p e ra n te a p r e v id ê n c ia s o c ia l,
p e s s o a q u e n ã o p o s s u a a q u a lid a d e d e
s e g u r a d o o b r ig a t ó r io ; II - n a C a r t e ir a d e
T ra b a lh o e P r e v id ê n c ia S o c ia l d o e m ­
F o rm a
p re g a d o o u e m d o c u m e n to q u e d e v a
e q u ip a r a d a
p r o d u z ir e fe ito p e r a n t e a p r e v id ê n c ia
s o c ia l, d e c la r a ç ã o f a ls a o u d iv e r s a d a
q u e d e v e r ia t e r s id o e s c r it a ; III - e m d o ­
c u m e n to c o n tá b il o u e m q u a lq u e r o u tro
d o c u m e n to r e la c io n a d o co m a s o b r ig a ­
ç õ e s d a e m p r e s a p e r a n t e a p r e v id ê n ­
c ia s o c ia l, d e c la r a ç ã o f a ls a o u d iv e r s a
d a q u e d e v e r ia t e r c o n s ta d o .

§ 4 o- N as m e s m a s p e n a s in c o r r e q u e m
o m ite , n o s d o c u m e n t o s m e n c io n a d o s
F o rm a __ no § 30, n o m e d o se g u ra d o e seus
e q u ip a r a d a d a d o s p e s s o a is , a r e m u n e r a ç ã o , a v i­
g ê n c ia d o c o n tra to d e t r a b a lh o o u d e
p r e s t a ç ã o d e s e r v iç o s .
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 155

l. Características dos crimes de falsidade documental


C o m o r e s s a lt a F ra g o s o , " é a n t ig a , na d o u t r in a , a p r e o c u p a ç ã o no s e n t id o d e
e s t a b e le c e r a s c a r a c t e r ís t ic a s g e r a is d o s c r im e s d e f a ls o . T a is c a r a c t e r ís t ic a s s ã o :
í . A im it a ç ã o ou a lt e r a ç ã o d a v e r d a d e ; 2. A p o s s ib ilid a d e d e d a n o ; e 3. 0 d o lo "
(v o l. II, p . 2 9 1). V e ja m o s :

Im itação da v e rd a d e . 0 a g e n te im ita a v e r d a d e a o f a b r ic a r 0 o b je t o m a t e ria l


(d o c u m e n t o ) s e m e lh a n t e a o v e r d a d e ir o , p o is a s s im t e r á c a p a c id a d e d e e n g a n a r.

A lt e r a ç ã o da v e rd a d e . O c o rre q u a n d o um fa to fa ls o é r e p r e s e n t a d o no d o c u ­
m e n to c o m o s e fo s s e v e r d a d e ir o . P a rte d a d o u t rin a s u s t e n t a q u e s e d a r á q u a n d o
0 a g e n te m o d ific a 0 o b je to m a t e ria l le g ítim o , ou s e ja , em d o c u m e n to q u e já e x is ­
t ia , a o p a s s o q u e n a im it a ç ã o d a v e r d a d e 0 a g e n te p r o d u z um d o c u m e n to q u e
n ã o e x is t ia . Lu iz R e g is P ra d o (v o l. 3, p. 3 1 2 ) , c it a n d o C a r r a r a , a d u z q u e f a ls id a d e
d o c u m e n t a l d e v e a p r e s e n t a r q u a t ro c r it é r io s e s s ê n c ia s : 1 ) m u ta ç ã o d a v e r d a d e ;
2) im it a ç ã o d a v e r d a d e ; 3) d a n o (e fe t iv o ou p o t e n c ia l); 4 ) d o lo . C o m e fe ito , 0
re f e r id o a u t o r r e s s a lt a q u e a a lt e r a ç ã o (m u t a ç ã o ) d a v e r d a d e p o d e o c o r r e r
p e la f a b r ic a ç ã o ( c o n t ra fa ç ã o to ta l) ou p e la f a ls if ic a ç ã o p a r c ia l ou a lt e r a ç ã o d o
d o c u m e n to p r e e x is te n te . D is c o r d a d e p a r c e la d a d o u t rin a q u e s u s te n ta q u e a
a lt e r a ç ã o d a v e r d a d e só o c o r re q u a n d o 0 a g e n te a lt e r a um d o c u m e n t o q u e já
e x is t ia . D e fe n d e q u e é p e r fe it a m e n t e p o s s ív e l a a lt e r a ç ã o d a v e r d a d e q u a n d o 0
a g e n te fa b r ic a um d o c u m e n to ex novo (a té e n t ã o in e x is t e n t e ). Ex.: f a b r ic a ç ã o d e
u m a CNH ( c o n t ra fa ç ã o to ta l). N e ste c a s o a lt e r a -s e u m a v e r d a d e , q u a l s e ja , a d e
q u e a p e s s o a n ã o é h a b ilit a d a p a r a c o n d u z ir v e íc u lo .

Poten cialid ad e de dano. 0 d o c u m e n to f a ls if ic a d o o u a lt e r a d o d e v e t e r a p t i­


d ã o p a r a c a u s a r a lg u m d a n o , ou s e ja , r e p e r c u t ir na e s f e ra d e d ir e it o s . P o r is s o ,
c o m o d it o , d e v e r e c a ir s o b r e fa to ju r id ic a m e n t e r e le v a n t e . T a m b é m n ã o te m a
p o s s ib ilid a d e d e d a n o um d o c u m e n to g r o s s e ir a m e n t e f a ls if ic a d o , p o r n ã o t e r
a p t id ã o d e e n g a n a r.

Dolo. Os c r im e s d e fa ls o s ã o d o lo s o s . Em a lg u n s t ip o s p e n a is , c o m o 0 d e f a l­
s id a d e id e o ló g ic a (a rt . 299 d o C P ), a lé m d o d o lo , e x ig e -s e um e le m e n t o s u b je t iv o
e s p e c ia l.

2. Bem jurídico

T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a a u t e n t ic id a d e d e d o c u m e n t o s p ú b lic o s .

3. Sujeitos

0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .
Se 0 a g e n te é funcionário público , e comete 0 crime prevalecend o-se do cargo ,
aum enta-se a pena de sexta p a rte (§ 1°).

Obs.: 0 p a r t ic u la r p o d e f a ls if ic a r d o c u m e n to p ú b lic o , p o is 0 t ip o p e n a l n ã o
e x ig e q u e s e ja p r a t ic a d o p o r f u n c io n á r io p ú b lic o .
15 6 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

S u je ito p a s s iv o é o E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ít im a
m e d ia ta ou in d ir e t a .

4. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em falsificar, no to d o o u em p a r t e , d o c u m e n to
p ú b lic o , o u alterar d o c u m e n to p ú b lic o v e r d a d e ir o .

Falsificar: e s tá no s e n t id o d e c o n t ra fa ç ã o (é a f o rm a ç ã o to ta l ou p a r c ia l d o
d o c u m e n to ). P o d e s e r : to ta l, q u a n d o o c o r re a c o n fe c ç ã o in t e g ra l d e d o c u m e n to
in e x is te n te (o a g e n te c r ia m a t e r ia lm e n t e um d o c u m e n to q u e n ã o e x is t ia ); ou
p a r c ia l, s e o c o r re a m o d ific a ç ã o d o d o c u m e n to v e r d a d e ir o (a p a rt e q u e se
m o d ific a p o s s u i a u t o n o m ia ju r íd ic a , ou s e ja , o d o c u m e n to p o d e s e r c in d id o ) .

A lterar: a lt e r a -s e um d o c u m e n to co m a m o d ific a ç ã o d a s le t ra s ou n ú m e ro s
e x is t e n t e s , ou co m a s u b s t it u iç ã o d a fo to g ra fia d a p e s s o a .

Objeto m aterial: é o d o c u m e n to p ú b lic o f a ls if ic a d o , no to d o ou em p a rt e , ou


0 d o c u m e n to p ú b lic o v e r d a d e ir o a lt e r a d o .

Documento: é o escrito e m a n a d o d e um autor determinado, c o n te n d o de­


claração de vontade ou exposição de fatos, p o s s u id o r e s d e relevância jurídica.
Em s e n t id o e s t rit o , é o e s c rit o co m v a lo r p r o b a t ó r io . De a c o r d o co m o a r t . 232
d o C P P , "Consideram -se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis,
públicos ou particulares. Parágrafo único: À fotografia do documento, devidam ente
autenticada, se d ará 0 mesmo valor do original".
Espécies de docum ento: a) documento público: é 0 e la b o r a d o p o r f u n c io n á r io
p ú b lic o c o m p e t e n t e , no e x e rc íc io d e s u a s a tr ib u iç õ e s , co m a o b s e r v â n c ia d a s
f o r m a lid a d e s le g a is , b) documento particular: a le i n ã o 0 d e fin e , ra z ã o p e la q u a l
s e o b té m 0 s e u c o n c e ito p o r e x c lu s ã o . É a q u e le q u e n ã o é p ú b lic o p r o p r ia m e n t e
d ito n e m p o r e q u ip a r a ç ã o le g a l. O b s.: d e a c o rd o co m 0 p a r. ú n ic o d o a rt. 298 d o
CP (in c lu íd o p e la Lei n. 1 2 .7 3 7 /1 2 ) , e q u ip a r a -s e a d o c u m e n t o p a r t ic u la r 0 c a r t ã o
d e c r é d it o ou d é b ito .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2018 - MPU - Analista) Foi considerada co rreta a seguinte alternativa: "Conside­
rando 0 entendimento firmado pelos tribunais superiores e a doutrina majoritária: Nos
crimes de falsidade documental, considera-se documento particular todo aquele não
compreendido como público, ou a este equiparado, e que, em razão de sua natureza ou
relevância, seja objeto da tutela penal - como cartão de crédito, por exemplo".
(FCC - 2017 - TRE-SP - A nalista Judiciário) Foi considerada co rreta a seguinte alternativa:
"A falsificação de um documento emanado de sociedade de economia mista federal
caracteriza 0 crime de falsificação de documento público".
(CESPE - 2016 - Polícia Científica-PE) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"A falsificação de cartão de crédito ou de débito é equiparada, para fins penais, ao
crime de moeda falsa".
(FCC - 2012 -T R T i - Juiz do Trab alho) "Para efeitos penais, NÃO se equipara a documen­
to público: a) 0 cheque, b) 0 atestado médico particular, c) a duplicata, d) as ações de
sociedade comercial, e) a letra de câmbio". G ab arito : B.
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 15 7

C lassificação do docum ento público: a) formal e substancialmente público:


é o e m it id o p o r f u n c io n á r io p ú b lic o co m c o n t e ú d o d e in t e r e s s e p ú b lic o ; b) for­
malmente público e substancialmente privado: e m it id o p o r f u n c io n á r io p ú b lic o ,
m a s co m o c o n t e ú d o p r e p o n d e r a n t e m e n t e p a rt ic u la r. Em a m b o s o s c a s o s o d o ­
c u m e n to é p ú b lic o . 0 q u e im p o rt a é o a sp e c to form al, is to é , s e r e la b o r a d o p o r
f u n c io n á r io p ú b lic o .

Documento público p o r eq u ip a ra çã o : " P a r a o s e fe it o s p e n a is , e q u ip a r a m -s e a


d o c u m e n to p ú b lic o o e m a n a d o d e e n t id a d e p a r a e s t a t a l, o títu lo a o p o r t a d o r ou
t r a n s m is s ív e l p o r e n d o s s o , a s a ç õ e s d e s o c ie d a d e c o m e r c ia l, o s liv ro s m e rc a n tis
e o t e s ta m e n to p a r t ic u la r " (a rt . 29 7, § 2 °, d o CP).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz de D ireito) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa:
"Configura crime de falsificação de documento particular 0 ato de falsificar, no todo
ou em parte, testamento particular, duplicata e cartão bancário de crédito ou débito".
(FCC - 2019 - MP-MT - Pro m oto r de Justiça) Foi considerada incorreta a seguinte alter­
nativa: "A conduta do agente que altera, em parte, testamento particular, é tipificada
como falsificação de documento particular".
(CESPE - 2018 - Polícia Fed era l - Delegado de Polícia Fed eral) Foi considerada correta
a seguinte alternativa: "Os livros comerciais, os títulos ao portador e os transmissíveis
por endosso equiparam-se, para fins penais, a documento público, sendo a sua falsi­
ficação tipificada como crime".
(CESPE - 2017 - PC-GO - Delegado de Polícia) Durante a instrução de determinado pro­
cesso judicial, foi comprovada falsificação da escrituração em um dos livros comer­
ciais de uma sociedade limitada, em decorrência da criação do chamado "caixa dois".
A sentença proferida condenou pelo crime apenas 0 sócio com poderes de gerência.
A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta:
a) A conduta praticada pelo sócio constitui crime falimentar.
b) Na situação, configura-se crime de falsificação de documento público.
c) Sendo 0 diário e 0 livro de registro de atas de assembléia livros obrigatórios da
sociedade citada, a referida falsificação pode ter ocorrido em qualquer um deles.
d) Em decorrência da condenação criminal, 0 sócio-gerente deverá ser excluído defi­
nitivamente da sociedade.
e) 0 nome do condenado não pode ser excluído da firma social, que deve conter 0
nome de todos os sócios, seguido da palavra "limitada".
G ab arito : B.
(FUNDEP - 2015 - TCE-MG - A u d ito r/C o n selh eiro Substituto do Tribunal de Contas) Foi
considerada correta a seguinte alternativa: "0 testamento particular é equiparado a
d o cu m e n to p ú b lic o p a r a f in s d e t ip i f ic a ç ã o d o c r im e d e f a l s if i c a ç ã o d e d o cu m e n to
público, previsto no artigo 297 do Código Penal".
(CESPE - 2013 - TRT5 - Juiz do Trab alho) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa:
"Aquele que apresenta à autoridade judicial carteira de trabalho com sua fotografia,
mas na qual conste 0 nome de seu irmão gêmeo, pratica 0 crime de uso de documen­
to falso particular".
(UESPI - 2009 - PC-PI - Delegado) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: "Fal­
sificar, em parte, testamento particular constitui a prática de crime de falsidade de
documento particular, que é uma espécie de falsidade material".
15 8 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Outros d o cu m en tos: a s c ó p ia s a u t ê n t ic a s , t r a s la d o s , c e r t id õ e s e f o t o c ó p ia s
c o n f e r id a s d e d o c u m e n t o s p ú b lic o s t a m b é m s ã o d o c u m e n t o s p ú b lic o s . No
e n ta n to , o d o cu m e n to p a r t ic u la r c o m r e c o n h e c im e n t o d e f ir m a r e a liz a d o
p o r t a b e liã o não tra n s fo rm a o d o c u m e n to p a r t ic u la r e m p ú b lic o , s a lv o o
e s p a ç o e m q u e c o n s ta o c a r im b o o u o s e lo . Em r e s u m o : a ) c ó p ia a u t e n t ic a d a
d e d o c u m e n t o ( p a r t ic u la r ) n ã o o t r a n s f o r m a o u o e q u ip a r a a d o c u m e n t o
p ú b lic o ; b ) c ó p ia a u t e n t ic a d a d e d o c u m e n t o p ú b lic o t a m b é m é c o n s id e r a d o
d o c u m e n t o p ú b lic o .

Fotocópia não au ten ticada: e n t e n d e m o s q u e n ã o s e e q u ip a r a a " d o c u m e n t o " ,


ra z ã o p e la q u a l n ã o p o d e s e r o b je to m a t e r ia l d o c rim e em a n á lis e . N e sse s e n t id o :
STF, HC 60984/PR ; STj, 5a T., HC 325 .74 6 , j. 2 4 /1 1 /2 0 1 5 .

Falsificação de fotocópia x fa lsifica çã o p o r m eio de fotocópia: " 1 . N ão se


d e s c o n h e c e q u e a ju r is p r u d ê n c ia d o s T r ib u n a is S u p e r io r e s f ir m o u -s e no s e n t id o
d e q u e c ó p ia s x e ro g r á f ic a s ou r e p r o g r á f ic a s , s e m a r e s p e c t iv a a u t e n t ic a ç ã o , em
p r in c íp io n ã o c o n fig u ra m d o c u m e n t o p a r a fin s p e n a is . 2. No e n ta n to , há que
se distinguir a falsificação de uma fotocópia, que não possui relevância penal,
da falsificação por meio de uma fotocópia, já que nesta segunda hipótese 0
documento, ao invés de ser adulterado por meio da impressão de um novo, é
fotocopiado, resultando numa peça distinta do original, e que pode ser apta
a produzir resultado penalmente relevante. 3. Na e s p é c ie , o s d o c u m e n to s
f a ls if ic a d o s fo ra m e f ic a z e s p a ra a p r o d u ç ã o d e re s u lt a d o p e n a lm e n t e r e le v a n t e ,
já q u e , m u ito e m b o ra a s p e s s o a s a s s is t id a s p e lo a d v o g a d o t e n h a m negado
p o s s u ir d o m ic ílio n a c a p it a l c a t a r in e n s e , a s a ç õ e s a ju iz a d a s em n o m e d e la s fo ra m
ju lg a d a s p e lo Ju iz a d o E s p e c ia l F e d e ra l lo c a l. 4- T r a t a n d o -s e d e fo to c ó p ia co m
p o t e n c ia lid a d e le s iv a c o n c re ta , p r o d u z id a p o r a d v o g a d o e u t iliz a d a e m p r o c e s s o
ju d ic ia l e le t rô n ic o , q u e e f e t iv a m e n t e fo i c a p a z d e lu d ib r ia r u m a m a g is t ra d a no
e x e rc íc io d e s u a a t iv id a d e ju r is d ic io n a l, n ã o h á q u e s e f a la r n a a t ip ic id a d e d a
c o n d u ta d o re c o rre n t e . P re c e d e n te s " (STJ, 5a T., AgRg n o s EDcl no A R Esp 9 2 9 12 3 ,
j. 2 5 /0 9 /2 0 18 ).

S u b s titu iç ã o de fotografia em c a rte ira de iden tid ad e: c o n fig u ra f a ls id a d e


d o c u m e n t a l (a rt . 29 7).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-SP - 2012 - Pro m oto r de Justiça) Foi considerada co rreta a seguinte alternativa:
"A substituição de fotografia em documento de identidade verdadeiro (cédula de
identidade) pertencente a outrem, com intenção de falsificá-lo, configura 0 crime de
falsificação de documento público (art. 297, CP)".
(FCC - 2012 - TRT20 - Juiz do Trab alho) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"A falsificação de testamento particular tipifica 0 delito de falsificação de documento
público e a de duplicata 0 crime de falsificação de documento particular".
(VUNESP - 2012 - SPTrans - Advogado Pleno) Foi considerada in co rre ta a seguinte alter­
nativa: "A cópia autenticada de documento não se equipara ao documento público".
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 15 9

P ap el escrito a lá p is: p r e d o m in a o e n t e n d im e n t o q u e n ã o c o n fig u ra d o c u ­


m e n to o p a p e l e s c rito a lá p is , em ra z ã o d e s u a p a te n te in s e g u r a n ç a d e v id o à
f a c ilid a d e d e s u a a lt e r a b ilid a d e .

Estabelecimento p a rticu la r de ensino. C o m p e t ê n c ia d a Ju stiça E s t a d u a l, n o s


te rm o s d aSúmula 10 4 do STJ: "Compete à Justiça Estadual 0 processo e julgamento
dos crim es de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento
particular de ensino".
C ad ern eta de Inscrição e Registro (CIR) ou de C a rte ira de H a b ilit a ç ã o de
A m ad or (CHA). De a c o r d o co m a Súmula Vinculante 36 do STF, " C o m p e te à Ju stiça
F e d e ra l co m u m p r o c e s s a r e ju lg a r c iv il d e n u n c ia d o p e lo s c r im e s d e f a ls if ic a ç ã o
e d e u s o d e d o c u m e n to fa ls o q u a n d o s e t r a t a r d e f a ls if ic a ç ã o d a C a d e r n e t a d e
In s c riç ã o e R e g istro (CIR) ou d e C a r t e ir a d e H a b ilit a ç ã o d e A m a d o r (CH A ), a in d a
q u e e x p e d id a s p e la M a rin h a d o B ra s il" .

► Com o esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz de D ireito) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa:
"Compete à Justiça Estadual comum processar e julgar civil denunciado pelos crimes
de falsificação e de uso de documento público falso quando se tratar de Carteira de
Habilitação de Amador, ainda que expedida pela Marinha do Brasil".
(CESPE - 2019 - TCE-RO - P ro c u ra d o r do M inistério Público de Contas) Foi considerada
correta a seguinte alternativa: "Compete à justiça federal comum processar e julgar ci­
vil denunciado pelo crime de uso de documento falso quando se tratar de falsificação
da caderneta de inscrição e registro expedida pela Marinha do Brasil".

5. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f a ls if ic a r d o c u m e n to p ú b lic o ou a lt e r a r
d o c u m e n to p ú b lic o v e r d a d e ir o , c ie n te 0 a g e n te d a ilic it u d e d a s u a c o n d u ta .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l (d o lo e s p e c ífic o ) e n e m d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

► Com o esse assunto foi cobrado em concurso?


(MPT - 2017 - P ro c u ra d o r do Trab alho) Foi considerada incorreta a seguinte alternati­
va: "0 crime de falsificação de documento público consiste em omitir, em documento
público, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração
falsa ou diversa da que devia ser escrita, com 0 fim de prejudicar direito, criar obri­
gação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante".
(CESPE - 2013 - CNJ - A nalista Ju diciário ) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte assertiva:
"Crim e de falsificação de docum ento público, quando com etido po r funcionário p ú bli­
co, adm ite a m o d alid ad e culposa - hipótese em que a pena é red uzid a".

6. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to e m q u e 0 a g e n te f a ls if ic a o u a lt e r a 0
d o c u m e n to p ú b lic o , in d e p e n d e n t e m e n t e d e p r e ju íz o o u q u a lq u e r o u tro re s u lt a d o
le s iv o .

C o m o o c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a te n t a t iv a .
160 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 - TCE-RO - P ro c u ra d o r do M inistério Público de Contas) Foi co nsid erad a
in co rre ta a seguinte alternativa: "0 crim e de fa lsid ad e m aterial de docum ento público
se consum a com a efetiva utilização do docum ento público falsificad o e a ocorrência
de prejuízo".
(CESPE - 2016 - TCE-PR - A udito r) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "0
crim e de falsificação de docum ento público é crim e m aterial e, portanto, som ente se
consum a po r o casião do dano provocado pela alu d id a falsificação".

7. Forma majorada (§ i°)


De acordo com 0 § i°, "Se o agente é funcionário público, e comete o crime
prevalecendo-se do cargo, aum enta-se a pena de sexta parte".

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2013 - CNJ - A nalista Judiciário) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Crim e de falsificação de docum ento público, quando com etido po r funcionário
público, adm ite a m o d a lid a d e culp o sa - hipótese em que a pena é red uzid a".
(CESPE - 20 12 - MP-RR - P ro m o to r de Justiça) Foi c o n sid e ra d a incorreta a seguinte
a lte rn a tiva : "A agravante p revista nos crim es de falsificaçã o de p a p é is públicos
som ente te rá in cid ê n cia so b re 0 funcio nário público cujas a tiv id a d e s estejam d i­
retam ente re la c io n a d a s com os docum entos co ntrafeitos e d e sd e que tenha e le se
p re va le cid o do cargo p a ra a prática da infração , não bastand o a sim p le s condição
de funcio nário ".
(FCC - 2012 - TRT20 - Juiz do Trab alh o) Foi co nsid erad a co rreta a seguinte a lternati­
va : "Configura causa de aum ento da pena nos d elito s de falsificação de docum ento
público e falsid ad e ideológica a circunstância de 0 agente s e r funcio nário público e
com eter 0 crim e p revalecen d o -se do cargo".
(UESPI - 20 14 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a co rreta a seguinte alte rn a ti­
va: "No crim e de falsificação de docum ento público, se 0 agente é funcio nário público
e se prevalece do cargo para com etê-lo, sua pena será aum entada em um sexto".

8. Forma equiparada - alteração legislativa (§§ 30 e 40)


A Lei n° 9.983/00, que dispõe sobre os crimes contra a Previdência Social,
acrescentou os §§ 30 e 40 ao art. 297. As condutas acrescentadas pela lei nova
estavam dispostas nas alíneas g, h e i do art. 95 da Lei n. 8.212/91 (que trata da
Seguridade Social), as quais foram revogadas.
O b s.: os crimes equiparados não correspondem à falsid ade material, objeto de
análise do art. 297, mas sim à falsidade ideológica, razão pela qual 0 acréscimo
deveria ter ocorrido ao art. 299.
Responde pelo crime, nos moldes do § 30. quem insere ou faz inserir: a) na
folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a
fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade
de segurado obrigatório; b) na Carteira de Trabalho e Previdência Social do
empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 16 1

so c ia l, d e c la ra ç ã o fa ls a ou d iv e rs a d a q u e d e v e ria t e r s id o e sc rita ; c) em d o cu m e n to
c o n táb il ou em q u a lq u e r o utro d o cu m e n to re la c io n a d o co m a s o b rig a ç õ e s d a
e m p r e s a p e r a n t e a p r e v id ê n c ia s o c ia l, d e c la r a ç ã o fa ls a ou d iv e r s a d a q u e d e v e r ia
t e r c o n s ta d o . 0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e o a g e n te in s e r e ou
fa z in s e r ir a d e c la r a ç ã o f a ls a . C o m o s e e s tá d ia n t e d e d e lito p lu r is s u b s is t e n t e , é
p o s s ív e l a fo rm a te n t a d a .

Nos te rm o s d o § 4 0, c o m e te 0 d e lito q u e m o m ite , n o s d o c u m e n t o s m e n c io n a ­


d o s no § 3 °, n o m e d o s e g u r a d o e s e u s d a d o s p e s s o a is , a re m u n e r a ç ã o , a v ig ê n c ia
d o c o n tra to d e t r a b a lh o ou d e p r e s t a ç ã o d e s e r v iç o s . T r a t a -s e d e c rim e o m is s iv o
p r ó p r io o u p u ro , ra z ã o p e la q u a l n ã o a d m ite a t e n t a t iv a . A c o n s u m a ç ã o o c o r re
no m o m e n to em q u e 0 a g e n te s e a b s té m d a c o n d u ta d e v id a ( in s e r ç ã o d a s in fo r­
m a ç õ e s n o s d o c u m e n t o s r e f e r id o s no p a rá g ra f o a n t e r io r ) .

> O STJ JÁ D ECIDIU DE MANEIRA DIVERSA SOBRE A POSSIBILIDADE DE A SIMPLES


OM ISSÃO CONFIGURAR, OU NÃO, CRIME:

> "1. Havendo no Estatuto Repressivo um tipo penal que responsabiliza criminalmente
quem deixa de anotar na carteira de trabalho 0 contrato profissional celebrado
com 0 empregado, impossível concluir que a previsão de sanções administrativas
na Consolidação das Leis do Trabalho seria suficiente para punir quem assim
procede. 2. Na espécie, a denúncia descreveu que 0 acusado mantinha 6 (seis)
trabalhadores em seu carvoeiro, por muito tempo, sem 0 devido registro, conduta
que se subsum e ao tipo previsto no § 40 do artigo 297 do Código Penal" (STJ, 5* T.,
AgRg no REsp 1569987, j. 01/09/2016).
> "A sim p les om issão de anotação na C a rte ira de Trab alh o e P revid ên cia Social
(CTPS) não co nfigura, p o r si só, 0 crim e de falsificação de docum ento público (art.
297 / § 4 o, do CP). Isso porque é imprescindível que a conduta do agente preencha
não apenas a t ip ic id a d e fo rm a l, mas antes e principalmente a t ip ic id a d e m a te ria l, ou
seja, deve ser demonstrado 0 dolo de falso e a efetiva possibilidade de vulneração
da fé pública. Com efeito, 0 crime de falsificação de documento público trata-se
de crime contra a fé pública, cujo tipo penal depende da verificação do dolo,
consistente na vontade de falsificar ou alterar 0 documento público, sabendo 0
agente que 0 faz ilicitamente. Além disso, a omissão ou alteração deve ter concreta
potencialidade lesiva, isto é, deve ser capaz de iludir a percepção daquele que
se depare com 0 documento supostamente falsificado. Ademais, pelo princípio da
intervenção mínima, 0 Direito Penal só deve ser invocado quando os demais ramos
do Direito forem insuficientes para proteger os bens considerados importantes
para a vida em sociedade. Como corolário, 0 princípio da fragmentariedade elucida
que não são todos os bens que têm a proteção do Direito Penal, m as apen as
alguns, que são os de maior importância para a vida em sociedade. Assim, uma
vez verificado que a conduta do agente é suficientemente reprimida na esfera
administrativa, de acordo com 0 art. 47 da CLT, a simples omissão de anotação
não gera consequências que exijam repressão pelo Direito Penal" (STJ, 5* T., REsp
1.252.635, j. 24/4/2014). Inform ativo n° 539.

As p e n a s s ã o a s m e s m a s d is p o s t a s p a ra a fo rm a b á s ic a (caput), ou seja, 2 a 6
anos de re clu sã o , além de multa.
162 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCV - 2017 - TRT12 - A nalista Judiciário) Caio, ao cessar suas atividades empresariais,
determina que 0 responsável por inscrever informações na Carteira de Trabalho e
Previdência Social dos funcionários inclua no documento a informação de que os
empregados foram demitidos em 01.02.2017, enquanto, na verdade, 0 vínculo empre-
gatício foi rompido em 01.05.2017. Descobertos os fatos, a Caio:
a) não poderá ser aplicada qualquer pena, já que não foi ele que inseriu a informação
na carteira de trabalho;
b) será aplicada a pena do crime de falsificação de documento público;
c) será aplicada a pena do crime de falsificação de documento particular;
d) será aplicada a pena do crime de falsidade ideológica de documento público;
e) será aplicada a pena do crime de certidão ou atestado ideologicamente falso.
G abarito : B.
(FCC -20 17 - TRE-SP - A nalista Judiciário) Foi considerada incorreta a seguinte alternati­
va: "Aquele que faz inserir na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado
declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado estará sujeito às penas co-
minadas ao crime de falsidade ideológica".
(TRT4 - 2016 - Juiz do Trab alho) Foi considerada correta a seguinte alternativa: "0
empregador que anota dolosamente, na Carteira de Trabalho e Previdência Social de
seu empregado, data de admissão diversa da verdadeira, incorre nas penas previstas
para 0 crime de falsidade ideológica".
(TRT2 - 2012 - Juiz do Trab alh o) "Macedo, proprietário da Panificadora Sonhos Ltda.,
solicitou a CTPS de seu empregado Marcos para atualizações. Entretanto, agindo com
dolo, Macedo tirou cópia reprográfica da carteira de trabalho e inseriu informações
falsas. Dias depois, houve a rescisão do contrato de Marcos. Recebendo notificação de
reclamação trabalhista movida pelo ex-empregado, Macedo juntou cópia da carteira
adulterada como documento que acompanhou a defesa da empresa ré. A conduta do
proprietário da empresa caracteriza crime de: a) falsificação de documento público;
b) falsa identidade; c) falsidade ideológica; d) sonegação de papel ou objeto de valor
probatório; e) falsificação de papéis públicos". G abarito : C.
(TRT24 - 2012 - Juiz do Trab alh o) "A contratou B para trabalhar em 1° de março de 2011.
Ao efetuar 0 registro do contrato de trabalho na Carteira de Trabalho e Previdência
Social de B, A anotou a data de início do vínculo empregatício 1° de novembro de
2011. Assinale a alternativa Correta: a) 0 ato praticado por A não constitui crime, b)
0 ato praticado por A constitui crime de supressão de informação, c) 0 ato praticado
por A constitui crim e de falsificação de docum ento particular, d) O ato praticado por
A constitui crime de falsidade ideológica, e) 0 ato praticado por A constitui crime de
falsificação de documento público". G abarito : D.
(TRT15 - 2 0 11 - Juiz do Trab alh o) "João da Boavontade anotou a carteira de trabalho e
previdência social de sua tia Maria Anunciação do Socorro, que, na verdade, jamais
trabalhou ou foi sua empregada. Passou a efetuar 0 recolhimento das contribuições
previdenciárias, tanto daquelas devidas pela empregada, quanto das devidas pelo
empregador. Pretendia, somente, permitir a irmã de sua mãe que passasse a receber
benefício previdenciário no momento a partir do qual fossem preenchidos os requisi­
tos legais. É mais correto asseverar, na hipótese tratada, que: a) João cometeu crime
de falsificação de documento particular, sendo que as características da falsificação
não interferem no exame da tipicidade; b) a pena prevista para 0 crime cometido por
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 16 3

jo ã o é a de reclusão, de 2 (do is) a 6 (seis) anos, e m ulta; c) a pena prevista para 0


crim e com etido po r João é a de detenção ou de m uita, porque 0 crim e tem m enor
potencial agressivo à previd ência so cial; d) João cometeu crim e de falsificação de d o ­
cum ento particular, contudo, cu id a n d o -se de falsificação gro sseira, facilm ente p ercep­
tível, não existe 0 delito; e) não há crim e, porque as contribuições foram quitadas".
G abarito : B.

9. Concurso de crimes

F a ls if ic a ç ã o d e d o c u m e n to p ú b lic o e e s t e lio n a t o . E x iste m v á r ia s o r ie n t a ç õ e s : a )


há c o n c u rs o m a t e ria l ( p o is s ã o o f e n d id o s b e n s ju r íd ic o s - fé p ú b lic a e p a t rim ô n io
- d is t in t o s ); b ) h á c o n c u rs o f o rm a l (m u ita s d e c is õ e s d o STF v ê m n e s s e s e n t id o :
HC 98526, j. 2 9 /0 6 /2 0 10 ; RHC 83990, j. 10 /0 8 /2 0 0 4 ); c) 0 d e lito d e f a ls o a b s o r v e 0
e s t e lio n a t o ( p o is é m a is g ra v e ); d ) 0 c rim e d e e s t e lio n a t o a b s o r v e a f a ls if ic a ç ã o
d e d o c u m e n to p ú b lic o . A ú ltim a p o s iç ã o te m s id o m a is c o b r a d a n o s c o n c u rs o s
p ú b lic o s , in c lu s iv e p o r re f le t ir p o s ic io n a m e n t o s u m u la d o d o STJ: " Q u a n d o 0 f a ls o
se exaure no e s t e lio n a t o , s e m m a is p o t e n c ia lid a d e le s iv a , é p o r e s t e a b s o r v id o "
(Súmula 17).
O b s.: no c a s o d e e x is t ir m a io r p o te n c ia l le s iv o , ou s e ja , d e a f a ls id a d e m o s ­
t r a r -s e a p ta a o u t ra s p r á t ic a s d e lit iv a s , n ã o s e r á a p lic a d a a re g ra d a c o n s u n -
ç ã o , m a s d o c o n c u rs o fo rm a l d e c r im e s . N e s s e s e n t id o : " S e n d o a f a ls id a d e m e io
p a ra 0 e s t e lio n a t o , n ã o s e e x a u r in d o n e s te , in v iá v e l a a p lic a ç ã o d o p r in c íp io
d a c o n s u n ç ã o , p o r p e r m a n e c e r a f a ls id a d e a p ta à p r á t ic a d e o u t ra s a t iv id a d e s
d e lit iv a s . A p lic a -s e , n e s t e s c a s o s , 0 c o n c u rs o f o rm a l d e c r im e s , e n ã o 0 c o n c u rs o
m a t e r ia l. ( P r e c e d e n t e s d o STF)" (STJ, 5* T., HC 1 2 5 3 3 1 , j. 0 9 /0 2 /2 0 10 ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz de D ireito) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: "Há
sempre concurso entre os crimes de falsificação de documento público e estelionato,
segundo entendimento do sumulado do Superior Tribunal de Justiça".
(FCC - 2015 - TRT23 - Juiz do Trab alh o) "Alfredo, de posse de cheque em branco do
empregador, falsifica a assinatura deste no título e 0 utiliza na compra de determina­
do bem, obtendo vantagem ilícita em prejuízo do comerciante. Na hipótese, segundo
entendimento sumulado do Superior Tribunal de Justiça, Alfredo responde por: a)
falsificação de documento público e estelionato, em concurso formal; b) estelionato,
apenas; c) falsificação de documento público e estelionato, em concurso material; d)
e s t e lio n a t o e f a ls if ic a ç ã o d e d o c u m e n t o p a r t ic u la r , e m c o n c u r s o f o r m a l; e ) f a ls if ic a ç ã o
de documento público, apenas". G abarito : B.
(FCC - 20 12 - TRT20 - Juiz do T rab alh o ) Foi considerada incorreta a seguinte alterna­
tiva: "0 estelionato se exaure no falso e é por este absorvido quando não revele
mais potencialidade lesiva, segundo entendimento sumulado do Superior Tribunal
de Justiça".

F a ls if ic a ç ã o e u so d o d o c u m e n to f a ls if ic a d o : " 0 e n t e n d im e n t o s u f ra g a d o p e la
ju r is p r u d ê n c ia d o S u p r e m o T r ib u n a l F e d e ra l é d e q u e s e 0 m e s m o s u je it o fa ls ific a
16 4 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

e, em s e g u id a , u s a o d o c u m e n to f a ls if ic a d o , re s p o n d e a p e n a s p e la f a ls if ic a ç ã o "
(STJ, 6a T., HC 70703, j. 2 3 /0 2 /2 0 1 2 ) . A in d a : "A t e o r d a ju r is p r u d ê n c ia d e s t a C o rte , o
u s o d e d o c u m e n to f a ls if ic a d o (CP, a rt. 304) d e v e s e r a b s o r v id o p e la f a ls if ic a ç ã o
d o d o c u m e n t o p ú b lic o (CP, a rt. 29 7), q u a n d o p r a t ic a d o p o r m e s m o a g e n t e , c a r a c ­
t e r iz a n d o 0 d e lito d e u s o p o st fa c tu m n ã o p u n ív e l, ou s e ja , m e ro e x a u rim e n t o
d o c rim e d e fa ls o , n ã o re s p o n d e n d o 0 f a ls á r io p e lo s d o is c r im e s , em c o n c u rs o
m a t e r ia l" (STJ, 5a T., HC 3 7 1.6 2 3 , j. 0 8 /0 8 /2 0 17 ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2012 - SPTrans - Advogado Pleno) Foi considerada incorreta a seguinte alter­
nativa: "0 sujeito ativo que falsifica e usa 0 documento é punido pelos dois crimes".

F a ls if ic a ç ã o e e s t e lio n a t o ju d ic iá r io : " 1 . A f a s t a d a a im p u t a ç ã o r e la t iv a a o c r i­
m e d e e s t e lio n a t o ju d ic iá r io , t e n d o em v is ta a fa lta d e p r e v is ã o le g a l p a r a ta n ­
to , a s s im c o m o em ra z ã o d a d is p o s iç ã o c o n s tit u c io n a l q u e a s s e g u r a à p a rt e 0
a c e s s o a o P o d e r J u d ic iá r io , p e r s is t e v á lid a a im p u t a ç ã o r e f e r e n t e à f a ls if ic a ç ã o
d e d o c u m e n to p a rt ic u la r, h a ja v is t a q u e 0 p a c ie n t e , n a q u a lid a d e d e a d v o g a d o ,
p r o p ô s a ç ã o d e r e s p o n s a b ilid a d e c iv il p o r d a n o s m o ra is e m a t e r ia is em n o m e
d e t e r c e ir a p e s s o a c o n tra 0 B a n co in t it u la d o , u t iliz a n d o -s e d e p r o c u r a ç ã o co m
a s s in a t u r a f a ls a . 2. In e x is te n te c o m o fig u ra p e n a l t íp ic a a c o n d u ta d e in d u z ir em
e r r o 0 P o d e r J u d ic iá rio a fim d e o b t e r v a n ta g e m ilíc it a , n ã o h á s e f a la r em a b ­
s o r ç ã o d e u m a c o n d u ta t íp ic a (f a ls o ) p o r o u t ra q u e s e q u e r é p r e v is t a le g a lm e n t e
( e s t e lio n a t o ju d ic iá r io ) " (STJ, 6a T., AgRg no RHC 9 8 .0 4 1, j. 2 3 /0 8 /2 0 18 ).

P r e s c r iç ã o : no c a s o d e c o n c u rso d e c rim e s , a ex tin çã o d a p u n ib ilid a d e in c id irá


s o b re a p e n a d e c a d a u m , is o la d a m e n te (a rt. 1 1 9 d o CP).

10. Distinção

• F a ls ific a ç ã o d e c h a s s i ou q u a lq u e r s in a l id e n t if ic a d o r d e v e íc u lo a u to m o to r, d e
se u c o m p o n e n te ou e q u ip a m e n t o : a rt. 3 1 1 d o CP.

• A t rib u ir -s e ou a t r ib u ir a te rc e ir o fa ls a id e n t id a d e p a ra o b t e r v a n ta g e m , em
p ro v e ito p r ó p rio ou a lh e io , ou p a ra c a u s a r d a n o a o u tre m : a rt. 307 d o CP.

• F a lsific a r, no to d o ou em p a rte , d o c u m e n to p ú b lic o , ou a lt e r a r d o c u m e n to


p ú b lic o v e r d a d e ir o , p a ra fin s e le it o r a is : a rt. 348 d o C ó d ig o E le ito ra l (Lei n.
4 7 3 7 / 65 ).

• F a lsific a r, no to d o ou em p a rte , d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rtic u la r, ou a lt e r a r


d o c u m e n to v e r d a d e ir o , d e s d e q u e 0 fa to a te n te c o n tra a a d m in is t ra ç ã o ou 0
s e rv iç o m ilita r: a rt. 3 1 1 d o CPM (D e c re to -L e i n. 1.0 0 1/6 9 ).

11. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 16 5

3.3. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR

Art. 298. Falsificar, no todo ou em parte, documento parti­


cular ou alterar documento particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.

Parágrafo único. Para fins do disposto no


Falsificação
caput, equipara-se a documento particu­
de cartão
lar 0 cartão de crédito ou débito.

1. Bem jurídico

T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a a u t e n t ic id a d e de d o c u m e n to s
p a r t ic u la r e s .

2. Sujeitos

0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ít im a
m e d ia ta o u in d ir e t a .

3. Tipo objetivo

A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em falsificar, no to d o ou em p a rt e , d o c u m e n to
p a r t ic u la r ou a lt e r a r d o c u m e n to p a r t ic u la r v e r d a d e ir o .

Condutas n u clea res: a s m e s m a s d o c rim e a n t e rio r. R e m e te m o s 0 le it o r a o s


c o m e n t á r io s t e c id o s q u a n to a o d e lito d e f a ls if ic a ç ã o ou a lt e r a ç ã o d e d o c u m e n to
p ú b lic o .

Objeto m aterial: é 0 d o c u m e n to p a r t ic u la r f a ls if ic a d o o u a lt e r a d o .

Documento p a rticu lar: é to d o a q u e le q u e n ã o c o n fig u ra documento público


s im p le s (a rt . 29 7, caput) ou p o r e q u ip a r a ç ã o (a rt. 29 7, § 2 °).

Fotocópia não au ten ticada: e n t e n d e m o s q u e n ã o s e e q u ip a r a a " d o c u m e n t o " ,


ra z ã o p e la q u a l n ã o p o d e s e r o b je to m a t e ria l d o c rim e em a n á lis e . N e s s e s e n t i­
d o : STF, HC 60984; STJ, RHC 9260.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UESPI - 2009 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi considerada in co rre ta a seguinte alter­
nativa: "A pessoa que altera fotocópia de carteira de identidade, não autenticada,
pratica 0 crime de falsidade de documento particular".

Falsificação de cartão . A Lei n . 1 2 .7 3 7 /1 2 in s e r iu um p a r á g r a f o ú n ic o a o a rt. 298


d o C ó d ig o P e n a l, co m o s e g u in te t e o r: "Para fins do disposto no caput, equipara-se
a documento particular 0 cartão de crédito ou débito".
166 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2019 - TJ-SC - Titu lar de S erviço s de Notas e de Registros) Foi considerada
a seguinte alternativa: "0 delito de falsificação de cartão de crédito, quando
in co rre ta
realizado para a prática de estelionatos, fica absorvido pelo delito do art. 171 do Có­
digo Penal, por ser crime-meio, conforme Súmula 17 do Superior Tribunal de Justiça".
(FCC - 2017 - TRE-SP - A nalista Judiciário) Foi considerada incorreta a seguinte alternati­
va: "Equipara-se a documento público para caracterização do crime de falsificação de
documento público 0 cartão de crédito ou débito".
(FCC - 2015 -TJ-GO - Juiz de D ireito) "Falsificar cartão de crédito ou débito é: a) conduta
atípica; b) crime de falsificação de documento particular; c) crime de falsa identidade;
d) crime de falsidade ideológica; e) crime de falsificação de documento público, por
equiparação". G abarito : B.
(FCC - 2014 -T R T 18 - Juiz do Trab alho) "Falsificar cartão de crédito é: a) conduta atípica,
b) falsificação de documento público, c) falsidade ideológica, d) falsa identidade, e)
falsificação de documento particular". G ab arito : E.
(A ro eira - 2014 - PC-TO - Delegado de Polícia) "A falsificação de cartão de crédito ou
de débito da Caixa Econômica Federal configura 0 crime de : a) falsificação de papéis
públicos, b) falsificação de documento público, c) falsificação de documento particular,
d) falsidade ideológica". G abarito : C.
(VUNESP - 2014 - TJ-PA - A u xilia r Judiciário) "Aquele que confecciona um cartão de
crédito falso comete 0 crime d e _______ , na modalidade equiparada. Assinale a
alternativa que preenche corretamente a lacuna do texto: a) Moeda Falsa; b) Uso de
Documento Falso; c) Falsidade Ideológica; d) Falsificação de Documento Particular; e)
Falsificação de Documento Público". G abarito : D.

Cheque devolvid o pelo banco p o r insuficiência de fundos: e m re g ra , 0 c h e q u e


é e q u ip a r a d o a d o c u m e n to p ú b lic o (§ 2 ° d o a rt. 297 d o C P ). No e n ta n to , c o m o 0
c h e q u e d e v o lv id o n ã o p o d e s e r t r a n s m it id o p o r e n d o s s o , n ã o s e r á m a is c o n s i­
d e r a d o d o c u m e n to p ú b lic o p o r e q u ip a r a ç ã o . A s s im , p o r e x c lu s ã o , s e r á to m a d o
c o m o d o c u m e n to p a rt ic u la r.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2 0 11 - INFRAERO - Advogado) "Paulo recebeu um cheque de R$ 300,00 em paga­
mento da venda de mercadoria. Depositado, 0 cheque foi devolvido por insuficiência
d e fu n d o s . N o v a m e n t e d e p o s it a d o , t o r n o u a s e r d e v o lv id o p o r in s u f ic iê n c ia d e fu n d o s .
Após seis meses, tendo ocorrido a prescrição, Paulo endossou 0 cheque e 0 transferiu
a José, que alterou 0 valor para R$ 3.000,00 e ingressou em juízo com ação monitoria
contra 0 emitente. Nesse caso, José: a) não responderá por nenhum delito porque 0
cheque estava prescrito, b) responderá por falsificação de documento particular, c)
responderá por falsificação de documento público, d) responderá por uso de docu­
mento público falso, e) responderá por uso de papel público alterado". G abarito : B.

Estabelecim ento p a rticu la r de ensino. C o m p e t ê n c ia d a Ju stiç a E s t a d u a l, no s


te rm o s d a Súmula 104 do STJ: "Compete à Justiça Estadual 0 processo e julgam en­
to dos crim es de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento
particular de ensino ".
Cap. Hi . Crimes contra a fé pública 167

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UFMT - 20 14 - MP-MT - Pro m oto r de Justiça) Foi considerada in co rre ta a seguinte alter­
nativa: "Compete à Justiça Federal 0 processo e julgamento dos crimes de falsificação
e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino".

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f a ls ific a r, no to d o ou em p a rt e ,
d o c u m e n to p a r t ic u la r ou a lt e r a r d o c u m e n to p a r t ic u la r v e r d a d e ir o .

0 a g e n te n ã o p r e c is a e s t a r m o v id o p o r um e s p e c ia l in t e r e s s e d e o b t e r
v a n ta g e m ou p r e ju d ic a r t e r c e ir o , já q u e 0 c rim e n ã o e x ig e d o lo e s p e c ífic o ou
e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l.

N ão é p r e v is t a a fo rm a c u lp o s a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MPT - 2017 - P ro c u ra d o r do Trab alh o) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"0 crime de falsificação de documento particular consiste em omitir, em documento
particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir decla­
ração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com 0 fim de prejudicar direito, criar
obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante".

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a 0 n ú c le o d o
t ip o , f a ls if ic a n d o ou a lt e r a n d o 0 d o c u m e n to p a r t ic u la r v e r d a d e ir o , no to d o ou em
p a rt e . C o m o 0 d e lit o é formal, n ã o h á n e c e s s id a d e d e u t iliz a ç ã o d o d o c u m e n to
ou d e q u a lq u e r o u tro re s u lt a d o le s iv o .

A t e n t a t iv a é p o s s ív e l, já q u e 0 c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e .

6. Distinção
• C o n stitu i c rim e c o n tra a o rd e m t rib u t á ria s u p r im ir ou r e d u z ir trib u to , ou
c o n trib u iç ã o s o c ia l e q u a lq u e r a c e s s ó r io , m e d ia n te a s s e g u in te s c o n d u ta s :
fa ls if ic a r ou a lt e r a r no ta fis c a l, fa tu ra , d u p lic a ta , no ta d e v e n d a , ou q u a lq u e r
o u tro d o c u m e n to re la t iv o à o p e ra ç ã o t rib u t á v e l: a rt. 1 ° , III, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

• C o n stitu i c rim e c o n tra a o rd e m t rib u t á ria s u p r im ir ou r e d u z ir trib u to , ou


c o n trib u iç ã o s o c ia l e q u a lq u e r a c e s s ó rio , m e d ia n te a s s e g u in te s c o n d u ta s :
e la b o ra r, d is trib u ir, fo rn e c e r, e m it ir ou u t iliz a r d o c u m e n to q u e s a ib a ou d e v a
s a b e r fa ls o ou in e x a to : a rt. 1 ° , IV, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .
• F a lsific a r, no to d o ou em p a rte , d o c u m e n to p a r t ic u la r ou a lt e r a r d o c u m e n to
p a r t ic u la r v e r d a d e ir o , p a ra fin s e le it o r a is : a rt. 349 d o C ó d ig o E le ito ra l (Lei n.
4 7 3 7 / 65 ).
• F a lsific a r, no to d o ou em p a rte , d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rtic u la r, ou a lt e r a r
d o c u m e n to v e r d a d e ir o , d e s d e q u e 0 fa to a te n te c o n tra a a d m in is t ra ç ã o ou 0
s e rv iç o m ilita r: a rt. 3 1 1 d o CPM (D e c re to -L e i n. 1.0 0 1/6 9 ).
168 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

7. Ação penal
A ç ã o p e n a l p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . C o m o a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um
a n o , é c a b ív e l o in s titu to d o sursis p r o c e s s u a l (a rt. 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 20 12 - SPTrans - Advogado Pleno) Foi considerada co rreta a seguinte alter­
nativa: "A ação penal do crime de falsificação de documento particular é de iniciativa
pública, incondicionada".

3.4. FALSIDADE IDEOLÓGICA OU INTELECTUAL

Art. 299. Omitir, em docum ento público ou particular, d e ­


claração que d ele d e v ia constar, ou nele in s e rir ou fa­
ze r in se rir d ecla raçã o falsa ou d ive rsa da que d evia se r
e scrita, com 0 fim de p re ju d ic a r direito, c ria r o brigação
ou a lte ra r a v e rd a d e so b re fato ju rid ica m e n te relevante:
Pena - re clu sã o , de um a cinco ano s, e m ulta, se 0 d ocu ­
m ento é pú blico , e re clu sã o de um a trê s a n o s, e m ulta,
se 0 d ocum ento é particular.

P arág rafo único. Se 0 agente é funcioná­


rio público, e com ete 0 crim e p re va le -
Form a — cen d o -se do cargo, ou se a falsificação ou
alte ra ção é d e assentam ento de registro
civil, aum e nta-se a pena de sexta parte.

1. Distinção entre falsidade material e falsidade ideológica

Falsidade material Falsidade ideológica

0 d ocum ento po ssu i v ício em su a form a (re fe ­ 0 d ocum ento não po ssu i v ício em su a form a
re -se à fo rm a do d ocum ento) (re fe re -se ao conteúdo do d ocum ento)

0 d ocum ento a p re se n ta d efe ito s extrínsecos Não há ra s u ra s ou su p re s sã o de p a la v ra s no


(ra su ra s, no vo s d iz e re s, su p re ssã o d e p a la ­ docum ento. A pe sso a que e la b o ra 0 d o cu m e n ­
vra s ) to po ssu i leg itim id a d e p a ra isso.

Em regra, se d em onstra p o r exam e p e ricial, mas Não há n e c e ssid a d e de p e ríc ia


pode s e r v e rific ad a p o r outros m eios d e prova

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UESPI - 20 14 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi considerada co rreta a seguinte alternati­
va: "A falsidade é material quando o vício incide sobre 0 aspecto físico do documento,
a sua forma"
(MP-SP - 20 12 - Pro m oto r de justiça) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"No crime de falsificação de documento público (art. 297, CP), a forma do documento
é verdadeira, mas seu conteúdo é falso".
(FCC - 2012 - TRT20 - Juiz do Trab alho) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"Na falsidade ideológica é fraudada a própria forma do documento, alterada no todo
ou em parte".
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 16 9

2. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , em e s p e c ia l a a u t e n t ic id a d e s u b s t a n c ia l (c o n t e ú d o ) d o s
d o c u m e n to s p ú b lic o s e p a r t ic u la r e s .

3. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .
Se 0 a g e n te é funcionário público, e c o m e te 0 c rim e p r e v a le c e n d o -s e d o c a rg o ,
a u m e n t a -s e a p e n a d e s e x ta p a rte .

Obs.: 0 s u je it o a tiv o particular d e v e t e r 0 d e v e r ju r íd ic o d e d iz e r a v e r d a d e ,


s o b p e n a d e n ã o s e c a r a c t e r iz a r 0 c rim e d e f a ls id a d e id e o ló g ic a .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ít im a
m e d ia ta o u in d ir e t a .

4. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is te em omitir, em d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rtic u la r,
d e c la r a ç ã o q u e d e le d e v ia c o n s ta r, ou n e le in s e r ir ou faze r inserir d e c la r a ç ã o
f a ls a ou d iv e r s a d a q u e d e v ia s e r e s c r it a , co m 0 fim d e p r e ju d ic a r d ir e it o , c r ia r
o b rig a ç ã o o u a lt e r a r a v e r d a d e s o b r e fa to ju r id ic a m e n t e r e le v a n t e .

Condutas típicas: a ) omitir: s ilê n c io in t e n c io n a l (0 a g e n te d e ix a d e c o n s ta r


no d o c u m e n to a d e v id a d e c la r a ç ã o ; b) inserir: o c o r re q u a n d o 0 a g e n te , p o r a to
p r ó p r io , in t ro d u z d e c la r a ç ã o f a ls a ou d iv e r s a d a q u e d e v e r ia c o n s ta r; c) fazer
inserir: o c o r re q u a n d o 0 a g e n te s e v a le d a p e s s o a c o m p e te n te p a r a in t r o d u z ir a
d e c la r a ç ã o f a ls a ou d iv e r s a d a q u e d e v e r ia c o n sta r.

Fa lsid a d e m ed iata: e s tá r e la c io n a d a à c o n d u ta faze r inserir. A q u i é p o s s ív e l


q u e 0 p a r t ic u la r s e ja a u t o r d e f a ls id a d e id e o ló g ic a em d o c u m e n to p ú b lic o .

Conteúdo v e rd a d e iro : n a d a im p e d e h a v e r f a ls id a d e id e o ló g ic a m esm o


c o n s ta n d o no d o c u m e n to c o n t e ú d o v e r d a d e ir o . É 0 q u e o c o r re q u a n d o 0 a g e n te
in s e r e ou fa z in s e r ir u m a d e c la r a ç ã o v e r d a d e ir a , p o ré m d iv e r s a d a q u e d e v e r ia
c o n s ta r.

Documento sem v a lo r p rob ató rio: 0 a rt. 299 tra ta d a f a ls id a d e id e o ló g ic a d e


d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rt ic u la r. D o c u m e n to , c o m o v is to n o s c r im e s a n t e r io r e s , é
0 instrumento com valor probatório, d e t a l fo rm a q u e s e 0 c o n te ú d o n ã o s e r v ir
p a ra p r o v a r a lg u m fa to n ã o s e r á c o n s id e r a d o d o c u m e n to . A s s im , n ã o h á c rim e
no c a s o d e r e q u e r im e n t o s , p e t iç õ e s e o u t r a s d e c la r a ç õ e s s u je it a s à a v e r ig u a ç ã o ,
já q u e , p o r si só , n ã o p ro v a m n a d a . N e sse s e n t id o : " 1 - D o c u m e n to d ig ita l q u e
p o d e t e r a s u a h ig id e z a f e r id a e, p o is , p r o d u z ir e fe it o s ju r íd ic o s , é a q u e le a s s i­
n a d o d ig it a lm e n te , c o n fo rm e a In fra e s t ru t u ra d e C h a v e s P ú b lic a s B r a s ile ir a (IC P -
-B r a s il) . 2 - 0 c u rríc u lo in s e r id o n a p á g in a d ig it a l La ttes d o CNPq n ã o é a s s in a d o
d ig it a lm e n te , m a s d e c o r r e n t e d a in s e r ç ã o d e d a d o s , m e d ia n t e im p o s iç ã o d e lo ­
gin e s e n h a , n ã o o s te n t a n d o , p o rta n to , a q u a lid a d e d e " d o c u m e n to d ig it a l" p a ra
fin s p e n a is . 3 - A lé m d is s o , c o m o q u a lq u e r c u rríc u lo , m a t e r ia l ou v ir t u a l, n e c e s s it a
17 0 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

s e r a v e r ig u a d o p o r q u e m te m n e le te m in t e r e s s e , o q u e , c o n s o a n t e c o n s a g r a d a s
d o u t rin a e ju r is p r u d ê n c ia , d e n o ta a t ip ic id a d e n a c o n d u ta d o c rim e d e f a ls id a d e
id e o ló g ic a " (STJ, 6a T., RHC 8 1.4 5 1/R J, j., 2 2 /0 8 /2 0 1 7 ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-AP - D efensor Público) Foi considerada incorreta a seguinte alter­
nativa: "Sobre 0 crime de falsidade ideológica: 0 documento para fins de falsidade
ideológica deve ser uma peça que tenha possibilidade de produzir prova de um de­
terminado fato, ainda que para tanto sejam necessárias outras verificações".
(CESPE - 2018 - PCE-PE - P ro c u ra d o r do Estado) Foi considerada in co rre ta a seguinte
alternativa: "Considerando 0 entendimento do STj: A inserção de dados falsos no cur­
rículo Lattes resulta na prática de crime de falsidade ideológica".

DECLARAÇÃO DE POBREZA
Para 0 STJ, a declaração de pobreza, com a finalidade de obter os benefícios da gra­
tuidade de justiça, possui presunção relativa de tal documento, que comporta prova
em contrário. Assim, a falsificação da declaração de pobreza é fato atípico. Nesse sen­
tido: "A presunção de pobreza, para fins de concessão dos benefícios da assistência
judiciária gratuita, ostenta caráter relativo, podendo 0 magistrado indeferir 0 pedido
de assistência se encontrar elementos que infirmem a hipossuficiência do requerente"
(STJ, 5a T., Aglnt no Aglnt no REsp 1621028, j. 05/10/2017). Ainda: "Esta Corte já decidiu
ser atípica a conduta de firmar ou usar declaração de pobreza falsa em juízo, com a
finalidade de obter os benefícios da gratuidade de justiça, tendo em vista a presunção
relativa de tal documento, que comporta prova em contrário" (STJ, 6a T., RHC 46.569,
j. 28/04/2015).
Obs.: não se pode confundir declaração de pobreza assinada pelo próprio beneficiá­
rio, ou seja, por aquele que seria beneficiado pela Justiça Gratuita, com a hipótese de
alguém falsificar a assinatura de outrem em uma declaração de pobreza. Extrai-se da
jurisprudência 0 seguinte caso: "A denúncia imputa ao ora recorrente a conduta de
falsificar a assinatura de uma declaração de pobreza. Em outras palavras, conforme
acusação, a declaração de pobreza não teria sido assinada pelo beneficiário" (STJ, 5a
T., AgRg no HC 404 232, j. 15/05/2018).

► C o m o esse assunto foi cobrado e m concurso?


(FCC - 2018 - Câ m ara Legislativa do Distrito Fed era l - P ro c u ra d o r Legislativo) Pratica 0
crime de falsidade ideológica aquele que: A) faz uso de carteira nacional de habilita­
ção falsa em abordagem policial para evitar multa administrativa. B) altera ou falsifica
documento particular verdadeiro e 0 utiliza no Brasil ou no exterior. C) atesta falsa­
mente, em razão de função pública, fato que habilite alguém a obter cargo público.
D) atribui-se falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou
para causar dano a outrem. E) omite, em documento particular, declaração que dele
devia constar com 0 fim de criar uma obrigação.
G abarito E.
(CESPE - 2017 - TRE-PE - A nalista Ju diciário ) Caracteriza crime de falsidade ideológica
a conduta consistente em:
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 17 1

a) o m itir que está em pregado ao preen ch er cad astro público para obtenção de be­
nefício social.
b) tro car a foto do docum ento de identificação p o r outra, p ró p ria, m ais recente.
c) fingir que é outra pesso a para obter algum benefício, como o ingresso em evento
privado .
d) u tilizar o título de e leito r do irm ão que se encontre em viagem para vo tar em seu
lugar.
e) a lte ra r por conta próp ria o nome que consta na carteira nacional de habilitação.
G ab arito : A.
(TRT4 - 2016 - Juiz do Trab alh o) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa: "0
tra b a lh a d o r que apresenta d eclaração de pobreza com inform ações falsas, para ob­
tenção do benefício da justiça gratuita, não com ete crim e de falsid ad e ideo ló gica nem
de uso de docum ento falso".
(TRF4 - 2016 - Juiz Fed e ra l) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "Na dicção
do S u p erio r Tribunal de Justiça, é típica a conduta de firm a r ou usa r d eclaração de
pobreza falsa em juízo , com a fin alid ad e de obter 0 reconhecim ento de seu direito à
assistência ju d ic iá ria gratuita". Obs.: "0 entendim ento do Sup erio r Tribunal de Justiça
é no sentido de que a m era d eclara ção de estad o de pobreza para fins de obtenção
dos benefícios da justiça gratuita não é co n sid era d a conduta típica, diante da p re ­
sunção relativa de tal docum ento, que com porta prova em contrário" (STJ, 6a T., HC
261074, j. 05/08/2014).

Preenchimento de papel em branco assinado por terceira pessoa. i a situação:


s e 0 a g e n te o b te v e 0 p a p e l lic it a m e n t e e fo i a u t o r iz a d o a p r e e n c h ê -lo , m a s 0
p r e e n c h e u d e m a n e ir a d if e re n t e d a c o n v e n c io n a d a , c o m e te 0 c rim e d e falsidade
ideológica ( o b s e r v e -s e q u e 0 d o c u m e n to e m a n o u d e p e s s o a c o m p e t e n t e ); 2a situ­
ação: s e 0 a g e n te o b t e v e 0 p a p e l lic it a m e n t e tã o só p a r a g u a r d a r ou p a r a o u tro s
fin s , e n ã o e s t a v a a u t o r iz a d o a p r e e n c h ê -lo , o u o b te v e ilic it a m e n te 0 d o c u m e n to ,
e v e io a p r e e n c h ê -lo , t r a t a -s e d e c rim e d e falsid ade material, v e z q u e e m a n o u
d e p e s s o a in c o m p e te n te .

Fato juridicamente relevante: a o m is s ã o ou a d e c la r a ç ã o f a ls a d e v e s e r v ir


p a r a , d e fo rm a d ir e t a o u in d ir e t a , p r e ju d ic a r d ir e it o , c r ia r o b rig a ç ã o o u a lt e r a r
a v e r d a d e s o b r e fa to ju r id ic a m e n t e re le v a n t e . D e v e , p o rt a n t o , e s t a r r e la c io n a d a
a elemento essencial d o d o c u m e n to . U m a s im p le s ir r e g u la r id a d e ou in v e r d a d e
s e m m a io r p o t e n c ia l le s iv o (o u s e ja , q u e n ã o p r e ju d iq u e d ir e it o , c r ie o b rig a ç ã o
ou a lt e r e a v e r d a d e s o b r e fa to ju r id ic a m e n t e r e le v a n t e ) n ã o t ip ific a 0 c rim e d o
a rt. 299 d o CP.

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-AP - D efensor Público) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alte rn a ti­
va : "Sobre 0 crim e de fa lsid ad e ideológica: É atíp ica, em tese, a conduta d aq uele que
faz inserir, em docum ento público, d eclaração falsa acerca do v e rd a d e iro condutor de
veículo envolvido em sinistro de trânsito uma vez que integrante do d ireito à am pla
d efesa".
17 2 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

(CESPE - 2013 -T R T 5 - Juiz do Trab alh o) Foi considerada correta a seguinte alternativa:
"De acordo com expressa previsão legal, constitui crime de falsidade ideológica a con­
duta de atestar ao juiz da execução penal a prestação de serviço para fins de remição
de pena quando, na verdade, não houve prestação de serviço pelo condenado".
(ESAF - 2012 - Receita Fed era l - A udito r Fiscal) "Sebastião, condutor e proprietário de
veículo automotor, recebe multa do órgão de trânsito estadual (DETRAN) cometida por
ele. No entanto, ao preencher 0 documento, indica que 0 condutor era Manuel. Ma­
nuel acaba recebendo três pontos na carteira em razão do preenchimento incorreto
de documento oficial do DETRAN. Com base nessa informação e na legislação penal, é
correto afirmar que há crime de: a) falsidade ideológica, b) falsificação de sinal pú­
blico. c) falsificação de documento particular, d) falsificação de documento público, e)
falso reconhecimento de firma". G abarito : A.

5. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r u m a d a s c o n d u ta s d e s c r it a s
no t ip o . A lé m d is s o , o a rt. 299 d o CP ex ig e 0 d o lo e s p e c ífic o ou e le m e n t o s u b je t iv o
e s p e c ia l, c o n s is t e n t e n a e x p r e s s ã o "com o fim d e prejudicar direito, criar obrigação
ou alterar a verdade sobre fato juridicam ente relevante".

N ão h á p r e v is ã o d e fo rm a c u lp o s a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 - TCE-RO - P ro c u ra d o r do M inistério Público de Co ntas) Foi considerada
incorreta a seguinte alternativa: "Há previsão de modalidade culposa para crime de
falsidade ideológica de documento público ou particular".
(CESPE - 20 17 - TCE-PE - A u d ito r de Controle Externo) Foi considerada correta a seguin­
te alternativa: "A omissão involuntária de despesas de campanha eleitoral quando da
prestação de contas afasta a eventual incidência do crime de falsidade ideológica".
(CESPE - 2016 - Polícia Científica-PE) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: 0

agente que insere declaração incorreta acerca de seu estado civil por desatenção e
falta de cuidado comete crime de falsidade ideológica".
(CESPE - 2015 - DPU - D efensor Público Fed era l de Segunda C ateg o ria) Foi considerada
incorreta a seguinte alternativa: "Praticará 0 crime de falsidade ideológica aquele
que, quando do preenchimento de cadastro público, nele inserir declaração diversa
da que deveria, ainda que não tenha 0 fim de prejudicar direito, criar obrigação ou
a lt e r a r a v e r d a d e s o b r e fa to ju r id ic a m e n t e r e le v a n t e " .

6. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te o m itir, em d o c u m e n to
p ú b lic o ou p a rt ic u la r, d e c la r a ç ã o q u e d e le d e v ia c o n s ta r, ou n e le in s e r ir o u fiz e r
in s e r ir d e c la r a ç ã o f a ls a ou d iv e r s a d a q u e d e v e r ia s e r e s c r it a . C o m o s e e stá
d ia n t e d e delito form al, a c o n s u m a ç ã o o c o r re in d e p e n d e n t e m e n t e d e q u a lq u e r
re s u lt a d o le s iv o u lte rio r.

A t e n t a t iv a é p o s s ív e l n a s fo rm a s c o m is s iv a s ( in s e r ir ou f a z e r in s e r ir ) , p o is 0
c rim e é p lu r is s u b s is t e n t e . A c o n d u ta omitir, p o r e v id e n c ia r d e lito o m is s iv o p u ro
ou p r ó p r io , n ã o a d m ite 0 conatus ( c rim e u n is s u b s is t e n t e ).
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 17 3

► Com o esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-AP - D efenso r Público) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Sobre 0 crim e de fa lsid ad e ideológica: É crim e m aterial, como todo falso, não
send o suficiente para sua consum ação a m era po tencialid ad e lesiva".
(MP-SP - 2012 - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"0 crim e de fa lsid ad e ideológica (art. 299, do CP) com porta as m o d alid ad es com issiva
e om issiva".

D esn ecessid ad e de p ro va p ericial: c o n fo rm e a ju r is p r u d ê n c ia d o STJ, " a f ig u r a -


-s e d e s n e c e s s á r ia a p r o v a p e r ic ia l p a r a d e m o n s t r a ç ã o d a f a ls id a d e id e o ló g ic a ,
te n d o em v is t a r e c a ir 0 fa ls o s o b r e 0 c o n t e ú d o d a s id é ia s , q u e p o d e s e r d e m o n s ­
t ra d o a t r a v é s d e o u tro s m e io s d e p r o v a " (5 a T., AgRg no Ag 1 4 2 7 1 2 1 , j. 2 0 /0 8 /2 0 13 ).
A in d a : " 0 a c ó r d ã o im p u g n a d o n ã o d is s e n t iu d a ju r is p r u d ê n c ia d e s t a C o rte , no
s e n t id o d e q u e , s e n d o a a c u s a ç ã o d e f a ls id a d e id e o ló g ic a , é desnecessária a re­
alização de perícia, u m a v e z q u e , d if e r e n t e m e n t e d o q u e o c o r re co m a f a ls id a d e
d o c u m e n t a l, a a lt e r a ç ã o é no c o n t e ú d o (e n ã o n a f o rm a ) d o d o c u m e n t o " (STJ, 5a
T., AgRg no R Esp 16 6 9 729 , j. 19 /0 6 /2 0 18 ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-AP - D efensor Público) Foi considerada incorreta a seguinte alter­
nativa: "Sobre 0 crime de falsidade ideológica: É necessária a realização de perícia,
uma vez que, a exemplo do que ocorre com a falsidade documental, a alteração é no
conteúdo do documento".

7. Formas majoradas

De a c o rd o co m 0 p a rá g ra f o ú n ic o , "Se 0 agente é funcionário público , e


comete 0 crime prevalecendo-se do cargo , ou se a falsificação ou alteração é de
assentam ento de registro civil, aum enta-se a p e n a de sexta parte".

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz de D ireito) Foi considerada correta a seguinte alternativa: "(É)
inadmissível proposta de suspensão condicional do processo no crime de falsidade
ideológica de assentamento de registro civil".
(FUNDEP - 2015 - TCE-MG - A u d ito r/C o n selh eiro Substituto do Trib unal de Contas) Foi
considerada correta a seguinte alternativa: "A pena do crime de falsidade ideológica
é aumentada da sexta parte se a falsificação ou alteração for de assentamento de
registro civil".
(PUC-PR - 2014 - TJ-PR - Juiz de D ireito) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa:
"Constitui crime de falsidade ideológica (art. 299 CP), omitir, em documento público ou
particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir decla­
ração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com 0 fim de prejudicar direito, criar
obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, sendo que a causa
de aumento prevista no parágrafo único, somente se aplica se 0 agente é funcionário
público, e comete 0 crime prevalecendo-se do cargo".
174 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

8. Simulação
A sim ulação é p r e v is t a na le i c iv il c o m o um v íc io ao n e g ó c io ju r íd ic o ,
t o r n a n d o -o n u lo . De a c o r d o co m o art. 16 7 , § 1 ° , do CC, h a v e r á s im u la ç ã o no s
n e g ó c io s ju r íd ic o s q u a n d o : I - a p a r e n t a r e m c o n f e r ir o u t r a n s m it ir d ir e it o s a
p e s s o a s d iv e r s a s d a q u e la s à s q u a is re a lm e n t e s e c o n fe re m , ou tra n s m it e m ; II -
c o n t iv e re m d e c la r a ç ã o , c o n fis s ã o , c o n d iç ã o o u c lá u s u la n ã o v e r d a d e ir a ; III - os
in s t ru m e n t o s p a r t ic u la r e s fo re m a n t e d a t a d o s , ou p ó s -d a t a d o s .

P o rta n to , s e h o u v e r in s e r ç ã o d e a fir m a ç ã o f a ls a em d o c u m e n to fo rm a lm e n te
v á lid o , co m 0 fim d e p r e ju d ic a r d ir e it o , c r ia r o b rig a ç ã o ou a lt e r a r a v e r d a d e s o b re
fa to ju r id ic a m e n t e re le v a n t e , e n t e n d e m o s q u e e s t a r á c a r a c t e r iz a d o 0 c rim e d o
a rt. 299 d o C ó d ig o P e n a l. V e ja -s e 0 e x e m p lo d e H u n g ria : n a s e p a r a ç ã o ju d ic ia l, 0
c ô n ju g e -v a r ã o , p a r a p r e ju d ic a r a m u lh e r, s im u la d ív id a s , e m it in d o p r o m is s ó r ia s
em f a v o r d e t e r c e ir o s , c o m o s q u a is s e m a n c o m u n a .

0 t e m a , no e n ta n to , é c o n t ro v e rs o .

9. Distinção
• P ro m o v e r no re g istro c iv il a in s c r iç ã o d e n a s c im e n to in e x is te n te : a rt. 2 4 1 d o CP.

• C o n stitu i c rim e c o n tra a o rd e m t rib u t á ria s u p r im ir ou r e d u z ir trib u to , ou


c o n trib u iç ã o s o c ia l e q u a lq u e r a c e s s ó r io , m e d ia n te a s s e g u in te s c o n d u ta s :
o m itir in fo rm a ç ã o , ou p r e s t a r d e c la r a ç ã o fa ls a à s a u t o r id a d e s f a z e n d á r ia s : a rt.
i ° , I, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

• F r a u d a r a fis c a liz a ç ã o ou 0 in v e s tid o r, in s e r in d o ou fa z e n d o in s e rir, em


d o c u m e n to c o m p ro b a tó rio d e in v e s tim e n to em títu lo s ou v a lo r e s m o b iliá rio s ,
d e c la r a ç ã o fa ls a ou d iv e r s a d a q u e d e le d e v e r ia c o n s ta r: a rt. 9 ° d a Lei n.
7.492/8 6 .

• O m itir, em d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rtic u la r, d e c la r a ç ã o q u e d e le d e v ia co n sta r,


ou n e le in s e r ir ou f a z e r in s e r ir d e c la r a ç ã o fa ls a ou d iv e r s a d a q u e d e v ia s e r
e s c rita , p a r a fin s e le it o r a is : a rt. 350 d o C ó d ig o E le ito ra l (Lei n. 4 .73 7/6 5 ).

• O m itir, em d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rtic u la r, d e c la ra ç ã o q u e d e le d e v ia


c o n sta r, ou n e le in s e r ir ou f a z e r in s e r ir d e c la r a ç ã o fa ls a ou d iv e r s a d a q u e
d e v ia s e r e s c rita , co m 0 fim d e p r e ju d ic a r d ire it o , c r ia r o b rig a ç ã o ou a lt e r a r a
v e r d a d e s o b re fa to ju r id ic a m e n t e re le v a n t e , d e s d e q u e o fato a te n te c o n tra a
a d m in is t ra ç ã o ou 0 s e rv iç o m ilita r: a rt. 3 12 d o CPM (D e c re to -L e i n. 1.0 0 1/6 9 ).

• F a z e r 0 f u n c io n á rio p ú b lic o a firm a ç ã o fa ls a ou e n g a n o s a , o m itir a v e r d a d e ,


so negar in fo rm a ç õ e s ou dados té c n ic o -c ie n tífic o s em p ro c e d im e n to s de
a u t o riz a ç ã o ou d e lic e n c ia m e n to a m b ie n ta l: a rt. 66 d a Lei n ° 9.605/98.

• P re s t a r in fo rm a ç ã o fa ls a s o b re p ro c e d im e n to ju d ic ia l, p o lic ia l, fis c a l ou
a d m in is t ra t iv o co m 0 fim d e p r e ju d ic a r in t e re s s e d e in v e s tig a d o : a rt. 29 d a Lei
d e A b u so d e A u to rid a d e (Lei n ° 13 .8 6 9 /2 0 19 ).
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 17 5

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2016 - TCE-PR - A udito r) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa: "0

servidor público que dolosamente faz afirmação falsa em procedimento de licencia­


mento ambiental comete 0 crime de falsidade ideológica, previsto no CP".

10. Ação penal


A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . Se 0 d o c u m e n t o é público, a p e n a
c o m in a d a é d e re c lu s ã o d e 1 a 5 a n o s , e m u lta ; s e é particular, a p e n a é d e
re c lu s ã o d e 1 a 3 a n o s , e m u lta .

A fo rm a s im p le s (caput) a d m ite a s u s p e n s ã o c o n d ic io n a l d o p r o c e s s o (a rt. 89


d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FUNCAB - 2012 - PC-RJ - Delegado de Polícia) "Entre as hipóteses a seguir consignadas,
assinale aquela que corresponde a crime de falsidade ideológica (art. 299 do CP), a) Ril-
do, desempregado, tencionando trabalhar como motorista, após obter um espelho de
Carteira Nacional de Habilitação não preenchido, embora verdadeiro, nele consigna
seus dados pessoais e imprime sua foto, passando-se por pessoa habitada para con­
duzir veículo automotor, sem de fato 0 ser. b) Aderbal, de forma fraudulenta, consigna,
na Carteira de Trabalho e Previdência Social de um empregado de sua empresa, salário
inferior ao efetivamente recebido por ele, visando a reduzir seus gastos para como
INSS. c) Magnolia, com intenção de integrar à sua família 0 filho de outrem, registra a
criança em seu nome, como se sua mãe fosse, valendo-se, para tanto, da desatenção
do funcionário do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais, que deixa de exigir a
documentação pertinente ao ato. d) Tibúrcio, funcionário público do instituto respon­
sável por manter atualizados os registros de antecedentes criminais em determinado
Estado-Membro, aproveitando-se de sua atribuição funcional, entra com sua senha no
sistema informatizado do órgão e inclui, fraudulentamente, na folha de antecedentes de
seu vizinho, crime por ele não praticado, em vingança por conta de uma rixa antiga, e)
A fim de auxiliar uma amiga a contratar financiamento para aquisição de eletrodomés­
ticos, Alberico, sócio-gerente em uma empresa têxtil, valendo-se de sua posição, assina
declaração afirmando que tal pessoa trabalha de forma remunerada naquele estabele­
cimento empresarial, 0 que não condiz com a realidade". G abarito: E.

3.5. FALSO RECONHECIMENTO DE FIRMA OU LETRA

Art. 300. Reconhecer, com o v e rd a d e ira , no e xercício de


Falso fu n ç ã o p ú b lic a , firm a ou le tra q u e o n ã o seja:
re c o n h e cim e n to
Pena - re clu sã o , d e um a cinco ano s, e m ulta, se 0 d o ­
d e firm a
cum ento é pú blico ; e d e um a trê s a n o s, e m ulta, se 0
o u le tra
d ocum ento é particular.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a c o n tra 0 re c o n h e c im e n to f a ls o d e fir m a ou le t ra p o r
q u e m e x e rc e fu n ç ã o p ú b lic a .
176 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

2. Sujeitos
0 c rim e é próprio, s o m e n te p o d e n d o s e r p r a t ic a d o p o r f u n c io n á r io p ú b lic o .
Atenção: n ã o s e tra ta d e q u a lq u e r a g e n te p ú b lic o , m a s s im d a q u e le q u e te m a
e s p e c ífic a fu n ç ã o d e re c o n h e c im e n to d e fir m a ou le t ra .

De a c o r d o co m o a rt. 30 d o CP, é p o s s ív e l a p a r t ic ip a ç ã o d e p a r t ic u la r no
c rim e .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ít im a ime­
d ia t a ou in d ir e t a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESGRANRIO - 2018 - Transp etro - Advogado) Foi considerada co rreta a seguinte alter­
nativa: " 0 crime de falso reconhecimento de firma ou letra, inscrito no Código Penal,
em relação ao sujeito ativo, é considerado crime próprio".
(CESPE - 2013 - TRT5 - Juiz do Trab alho) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"A tipificação do crime de falso reconhecimento de firma ou letra, crime próprio com
relação aos sujeitos ativo e passivo, visa tutelar a fé pública, não sendo admitida a
modalidade culposa desse crime".

3. Tipo objetivo

A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em reconhecer, c o m o v e r d a d e ir a , no e x e rc íc io d e
fu n ç ã o p ú b lic a , fir m a ou le t r a q u e 0 n ã o s e ja .

Fa lsid a d e ideológica: 0 c rim e c u id a d e c a s o e s p e c ífic o d e f a ls id a d e id e o ló g ic a


(f a ls if ic a ç ã o s u b s t a n c ia l ou in t e le c t u a l), p o is o q u e é f a ls o é o conteúdo da
d e c la r a ç ã o d o f u n c io n á r io p ú b lic o .

Reconhecer: s ig n ific a a t e s t a r a v e r a c id a d e d a fir m a ou le t ra a p o s t a no


d o c u m e n to .

Firm a é a a s s in a t u r a d a p e s s o a ; letra é 0 m a n u s c rito d e a lg u é m q u e a s s in a


0 d o c u m e n to .

4. Tipo su b jetivo

É 0 d o lo d ir ig id o a o re c o n h e c im e n to d e a s s in a t u r a ou le t ra , d e v e n d o o a g e n te
e s t a r c ie n te d a f a ls id a d e .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l (d o lo e s p e c ífic o ) e n e m d e
m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te r e a liz a 0 a to d e
r e c o n h e c im e n to , in d e p e n d e n t e m e n t e d a u t iliz a ç ã o d o d o c u m e n to ou d e e v e n t u a l
d a n o a t e r c e ir o ( c rim e fo rm a l).
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 17 7

E m b o ra n ã o e x is ta u n a n im id a d e (e m s e n t id o c o n t r á r io : N u cci), a d o u t rin a
re c o n h e c e , d e fo rm a a m p la m e n t e m a jo r it á r ia , a p o s s ib ilid a d e d a fo rm a te n t a d a
(c rim e p lu r is s u b s is t e n t e ) .

6. Distinção
• ■ R e c o n h e c er, c o m o v e r d a d e ir a , no e x e rc íc io d a fu n ç ã o p ú b lic a , firm a ou le tra
q u e o n ã o s e ja , p a ra fin s e le it o r a is : a rt. 352 d o C ó d ig o E le ito ra l (Lei n. 4 .73 7/6 3 ).

7. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a . Se 0 d o c u m e n to é público, a p e n a é d e
1 a 5 a n o s , e m u lta ; s e é particular, a p e n a é d e 1 a 3 a n o s , e m u lta .

É possível a aplicação de suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei


n. 9-099/95).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IESES - 2019 - TJ-SC - Titular de Serviços de Notas e de Registros) Foi
c o n s id e r a d a correta a s e g u in te a lt e r n a t iv a : "0 d e lito d e f a ls o re c o n h e c im e n to
d e f ir m a , t ip ific a d o no a rt. 300 d o C ó d ig o P e n a l, é c rim e p r ó p r io e q u e n ã o
a d m ite a m o d a lid a d e c u lp o s a " .

3.6. CERTIDÃO OU ATESTADO IDEOLOGICAMENTE FALSO

Art. 301. Atestar ou certificar falsam ente, em razão de função pública,


fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção
de ônus ou de serviço de caráter público, ou qu alq ue r outra vantagem :
Pena - detenção, de dois m eses a um ano.

C e r t id ã o
ou a te sta d o
id e o lo g ic a ­
m e n te fa ls o

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a d e c e r t id õ e s o u a t e s t a d o s u s a d o s p a r a h a b ilit a r a lg u é m
a o b t e r c a rg o p ú b lic o , is e n ç ã o d e ô n u s ou d e s e r v iç o d e c a r á t e r p ú b lic o , ou
q u a lq u e r o u t ra v a n ta g e m .
17 8 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

2. Sujeitos
0 c rim e é próprio , s o m e n te p o d e n d o s e r p r a t ic a d o p o r f u n c io n á r io p ú b lic o
no e x e rc íc io d a s s u a s fu n ç õ e s . De a c o r d o co m o a rt. 30 d o CP, é p o s s ív e l a
p a r t ic ip a ç ã o d e p a r t ic u la r no d e lito .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ít im a
m e d ia ta ou in d ir e t a .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(VUNESP - 2019 - TJ-RS - Outorga de delegação de se rviço s n o ta ria is e re g istra is) É
crime próprio quanto ao sujeito:
a) falsidade material de atestado ou certidão (CP, art. 301, § 10).
b) adulteração de peça filatélica (CP, art. 303).
c) falsificação de sinal público (CP, art. 296, 1).
d) atestado ideologicamente falso (CP, art. 301).
e) falsidade ideológica (CP, art. 299).
G abarito : D.

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em atestar ou certificar f a ls a m e n t e , em r a z ã o d e
fu n ç ã o p ú b lic a , fa to ou c ir c u n s t â n c ia q u e h a b ilit e a lg u é m a o b t e r c a rg o p ú b lic o ,
is e n ç ã o d e ô n u s ou d e s e r v iç o d e c a r á t e r p ú b lic o , ou q u a lq u e r o u t ra v a n ta g e m .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FEPESE - 2014 - MP-SC - A n alista) "Assinale a alternativa que indica corretamente 0 cri­
me praticado por quem atestar ou certificar falsamente, em razão de função pública,
fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de
serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: a) Falsificação de documento
público; b) Falsificação do selo ou sinal público; c) Falsidade material de atestado ou
certidão; d) Certidão ou atestado ideologicamente falso; e) Reprodução ou adultera­
ção de selo ou peça filatélica". G abarito : D.

Falsidade ideológica: ta m b é m é c a s o e s p e c ífic o d e f a ls id a d e id e o ló g ic a , e m ­


b o ra d e m e n o r g r a v id a d e .

Diferença entre certidão e atestado: a certidão te m p o r fu n d a m e n to um


d o c u m e n to g u a r d a d o em r e p a r t iç ã o p ú b lic a (o u n e la em t ra m it a ç ã o ), e n q u a n to
0 a te s t a d o c o n s titu i um t e s te m u n h o ou d e p o im e n t o p o r e s c rit o d o fu n c io n á r io
p ú b lic o s o b r e um fa to ou c ir c u n s t â n c ia (D a m á s io d e Je su s, Direito Penal, v o l. 4,
S ã o P a u lo : S a r a iv a , 2 0 10 , p . 10 4).

Pertinência à pessoa a quem se destina o documento: 0 fa to o u c ir c u n s t â n c ia


q u e s e a te s t a o u c e rt ific a d e v e e s t a r r e la c io n a d o à p e s s o a q u e é d e s t in a t á r ia d o
r e s p e c t iv o a te s t a d o ou c e rt id ã o .

Ou qualquer outra vantagem: 0 b e n e fíc io deve ser de c a r á t e r p ú b lic o


( o b t e n ç ã o d e c a rg o p ú b lic o , is e n ç ã o d e ô n u s ou d e s e r v iç o p ú b lic o e tc .).
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 17 9

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e a t e s t a r o u c e r t if ic a r f a ls a m e n t e fato
ou c ir c u n s t â n c ia q u e h a b ilit e a lg u é m a o b t e r c a rg o p ú b lic o , is e n ç ã o d e ô n u s ou
d e s e r v iç o d e c a r á t e r p ú b lic o , ou q u a lq u e r o u t ra v a n ta g e m .

Se 0 c rim e é p r a t ic a d o co m 0 fim d e lu c r o , a p lic a -s e , a lé m d a p e n a p r iv a t iv a


d e lib e r d a d e , a d e m u lta (§ 2 °).

N ão h á p r e v is ã o d e m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te c ria 0 d o c u m e n to
f a ls o , in d e p e n d e n t e m e n t e d a s u a u t iliz a ç ã o ou d e e v e n t u a l d a n o a t e r c e ir o .
D a m á s io d e je s u s , em p o s iç ã o m in o r it á r ia , e x ig e q u e 0 a te s t a d o ou c e r t id ã o fa ls a
s e ja e n t re g u e a t e r c e ir o , e n t e n d im e n t o co m 0 q u a l n ã o c o n c o rd a m o s , já q u e 0
d e lito é fo rm a l.

A t e n t a t iv a é p o s s ív e l, p o is s e e s tá d ia n t e d e c rim e p lu r is s u b s is t e n t e .

6. Falsidade material de atestado ou certidão (§ 1°)


0 § i ° p r e v ê a s e g u in t e fig u ra d e lit iv a : "Falsificar, no todo ou em parte, atestado
ou certidão, ou alterar 0 teor de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova
de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus
ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: pena - detenção, de
três m eses a dois anos".

Ao c o n t r á r io d o c rim e p r e v is t o no caput, no § i ° 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r


q u a lq u e r p e s s o a , in c lu s iv e 0 f u n c io n á r io p ú b lic o r e s p o n s á v e l p e la e x p e d iç ã o d o
d o c u m e n to (d e lit o c o m u m ).

P o r o u tro la d o , n ã o s e e s t á m a is d ia n t e d e falsidade ideológica ( caput


- c o n t e ú d o d o d o c u m e n t o ) , m a s d e falsidade material (§ 1 ° - fo r m a d o
d o c u m e n t o ).

A lé m d o d o lo , 0 c rim e d o § 1 ° ex ig e u m a e s p e c ia l f in a lid a d e d o a g e n te
(e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l ou d o lo e s p e c ífic o ) , r e p r e s e n t a d a p e la e x p r e s s ã o
"para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público,
isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem".
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to d a e fe t iv a f a ls if ic a ç ã o . C o m o s e tra ta
d e in f r a ç ã o p e n a l p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a te n t a t iv a .

7. Forma qualificada
Está p r e v is t a no § 2 °: "Se 0 crime é praticado com 0 fim de lucro, aplica-se, além
da p e n a privativa de liberdade, a de multa". 0 d is p o s it iv o é a p lic á v e l ta n to a o
caput q u a n to a o § i ° .
180 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(PUC-PR - 2014 - TJ-PR - Juiz de D ireito) Foi considerada correta a seguinte alternativa:
"Constitui crime de certidão ou atestado ideologicamente falso (art. 301 CP), atestar
ou certificar falsamente, em razão de função pública, fato ou circunstância que habi­
lite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público,
ou qualquer outra vantagem, sendo que se 0 crime é praticado com 0 fim de lucro,
aplica- se, além da pena privativa de liberdade, a de multa".

8. Distinção
• A te sta r ou c e rtific a r fa ls a m e n te , em ra z ã o d e fu n çã o , ou p ro fis sã o , fato ou
c ircu n stâ n c ia q u e h a b ilite a lg u é m a o b te r carg o , p o sto ou fu n ç ã o , ou is e n ç ã o de
ô n u s ou d e s e rv iç o , ou q u a lq u e r o u tra v a n ta g e m , d e s d e q u e o fato a te n te co ntra
a a d m in is tra ç ã o ou s e rv iç o m ilita r: a rt. 3 14 d o CPM (D e cre to -Le i n. 1.0 0 1/6 9 ).

9. Ação penal

A a ç ã o é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

Os d o is c r im e s ( caput e § 1 ° ) c a r a c t e r iz a m -s e c o m o in f r a ç ã o p e n a l d e m e n o r
p o t e n c ia l o f e n s iv o , já q u e a p e n a m á x im a n ã o u lt r a p a s s a d o is a n o s , d e v e n d o
s e g u ir 0 p r o c e d im e n t o d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 .

3.7. FALSIDADE DE ATESTADO MÉDICO

Art. 302. D ar 0 m éd ico, no e xercício d a su a p ro fissão ,


a te stad o falso :
Pena - d ete n çã o , de um m ês a um ano.

P a rá g ra fo único. Se 0 crim e é com etido


Fim
com 0 fim de lucro, a p lic a -s e tam bém
de lucro
m ulta.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , p r o c u r a n d o e v it a r q u e m é d ic o s fo rn e ç a m a t e s t a d o s
f a ls o s .

2. Sujeitos
0 c rim e é próprio, s o m e n te p o d e n d o s e r p r a t ic a d o p o r m é d ic o . De a c o rd o
co m 0 a rt. 30 d o CP, é p o s s ív e l a p a r t ic ip a ç ã o d e p a r t ic u la r no d e lito .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-AM - D efensor Público) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Com ete 0 crim e de falsid ad e de atestado m édico aquele produz atestado falso
se passando pela condição de m édico".
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 181

S u je ito p a s s iv o é o E s ta d o . A p e s s o a e v e n tu a lm e n te le s a d a s e r á v ítim a m e d ia ta
ou in d ire t a .

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em d ar 0 m é d ic o , no e x e rc íc io d a s u a p r o f is s ã o ,
a te s t a d o fa ls o .

A t e s t a d o : d e v e s e r e s c rit o , a lé m d e t e r fo rm a a u t ê n t ic a e c o n te ú d o fa ls o .

No exercício da p ro fissão : 0 a te s t a d o d e v e d iz e r re s p e it o à a t iv id a d e m é d ic a
e x e rc id a p e lo s u je it o a tiv o .

Crim e form al: n ã o h á n e c e s s id a d e d e re s u lt a d o n a t u r a lís t ic o p a r a q u e re s te


consum ado .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MPT - 2017 - P ro c u ra d o r do Trab alh o) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"0 crim e de fa lsid ad e de atestado m édico consiste em d a r 0 m édico, no exercício da
sua profissão, atestado falso".
(CESPE - 20 17 - TRE-BA - A nalista ju d ic iá rio ) A ped ido de Ronaldo, um amigo po rtado r
de doença congênita cardio vascular, a m édica Joana em itiu atestado m édico afir­
m ando que ele estava apto a praticar, sem preju ízos para sua saú de, esportes como
a co rrid a . Ronaldo, então, utilizou 0 atestado como instrum ento de prova para um
concurso público para a po lícia civil. Uma sem ana d epo is de assu m ir 0 cargo, Ronaldo
passou m al, e 0 atestado foi colocado à prova, tendo p assad o a se r objeto de in ves­
tigação crim inal. 0 perito escalad o para contestar ou rea firm a r 0 atestado concedido
pela m édica protegeu a colega de profissão e atestou que 0 problem a cardíaco de
Ronaldo, em bora congênito, pode s e r de difícil diagnóstico, 0 que justificaria suposta
falha de Joana. Ronaldo, entretanto, em sede de inquérito , confessou que havia p ed i­
do 0 atestado à m édica. 0 perito voltou atrás e retratou -se, tendo afirm ado que seria
im p o ssível a m édica não ter verifica d o a doença. A respeito d as condutas de Ronaldo,
de Joana e do perito, assin a le a opção correta:
a) Ronaldo não com eteu crim e, configurando a rrep end im ento eficaz 0 fato de ele ter
confessado em sede de inquérito.
b) A conduta de Joana configura crim e contra a adm inistração pública.
c) 0 perito não com eteu crim e, cab endo -lh e a p en as punição adm inistrativa.
d) Joana com eteu crim e de certid ão ou atestado ideologicam ente falso.
e) A conduta de Joana configura crim e de fa lsid ad e de atestado m édico.
G ab arito : E.
(TRT4 - 2016 - Juiz do Trab alh o) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lternativa: "0
dentista, 0 m édico ou 0 psicólogo que, no exercício da profissão, dão atestado falso,
incorrem nas penas previstas para 0 crim e de fa lsid ad e ideológica".
(FCC - 2015 - TRTi - Juiz do Trab alh o) "Antonio Célio, barista, faltou injustificadam ente
ao trab alho , nada com unicando ao em pregador. Por s e r reincid ente, já tendo sido
punido po r ausências anterio res, e tem endo s e r d isp en sad o po r justa cau sa, no dia
seguinte - que era d estinado a sua folga - se apro veita do com parecim ento à clínica
182 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

m édica 'Saúde Real Cop' onde m arcara consulta e, ve rifican d o a m om entânea a u sê n ­


cia de fiscalização , pega para si carim bo do m édico respo nsável pela clínica. Na saíd a,
para e lim in a r registro de sua presença, destrói a folha usada pela adm inistração da
clínica para controle dos pacientes que lá com parecem , docum ento ado tad o para
instruir os requerim entos de pagam ento po r serviço s prestado s pela clínica a vá rias
o p e ra d o ra s de plano de saú de. Em seguida, Antonio Célio va i para casa, onde elabo ra
atestado m édico que ju stificaria sua ausência ao trabalho, a ssin a -o com 0 nome do
m édico constante do carim bo, além de efetuar, ele próp rio, reconhecim ento da firm a
que in se rira no atestado. Por fim, d o is d ia s após a ausência ao trabalho , Antônio Célio
entrega 0 docum ento nos m oldes acim a ao seu em pregador, so licitando que não hou­
vesse 0 desconto de sua falta. Além de outros, caso estejam presen tes, configura-se
a existência dos seguintes tipos pen ais, praticad os po r Antônio Célio: a) sup ressão
de docum ento, falsificação de docum ento p articu lar e uso de docum ento falso; b)
falsificação de docum ento particular, falso reconhecim ento de firm a e furto; c) falso
reconhecim ento de firm a, falsid ad e de atestado m édico e uso de docum ento falso; d)
falsid ad e de atestado m édico, furto e su p ressã o de docum ento; e) furto, fa lsid ad e de
reconhecim ento de firm a e fa lsid ad e de atestado m édico". G ab arito : A.

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e e m it ir o a t e s t a d o f a ls o . Se h o u v e r
fim de lu c r o (e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c íf ic o ) , a p lic a -s e ta m b é m a m u lta
( p a r á g r a f o ú n ic o ).

N ão h á p r e v is ã o d e fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to e m q u e o s u je it o a tiv o (m é d ic o )
e n tre g a o a te s t a d o f a ls o , p o u c o im p o r t a n d o s e a o in t e r e s s a d o ou o u tra p e s s o a .
C o m o 0 d e lito é f o rm a l, n ã o h á n e c e s s id a d e d e q u a lq u e r o u tro re s u lt a d o le s iv o .

A t e n t a t iv a é p le n a m e n te p o s s ív e l ( c rim e p lu r is s u b s is t e n t e ) .

6. Forma majorada
Está no p a rá g ra f o ú n ic o ; "Se o crime é cometido com o fim de lucro, ap lica-se
também multa".
A m u lta in c id ir á in d e p e n d e n t e m e n t e d e o m é d ic o r e c e b e r a v a n ta g e m in d e v i­
d a , b a s t a n d o t e r a g id o co m e s s a in te n ç ã o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(TRT23 - 20 14 - Juiz do Trab alh o) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte alternativa:
"Joaquim , apó s 0 jogo do Brasil na copa do m undo, ficou tão d ecep cio nado que no
dia seguinte faltou ao serviço e para justificar a falta procurou um m édico solicitando
atestado. 0 m édico, po r sua vez, ao p erceb er o intuito de Joaquim se aproveitou e co­
brou pelo atestado falso. No caso, estaria caracterizad a a fa lsid ad e m aterial, pois foi
in se rid a inform ação falsa em docum ento ve rd a d e iro . Entretanto, se Joaquim tivesse
ad q u irid o 0 referido atestado da secretária do m édico, tendo ela próp ria 0 a ssin ad o
contendo ain da 0 carim bo e CRM do profissio nal, am bos incorreram no crim e de fa ls i­
d ad e ideológica po r ter sid o a lterad a a ve rd a d e em docum ento falso".
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 183

7. Distinção

• Se 0 m é d ic o fo r fu n c io n á r io p ú b lic o e 0 a te s ta d o h a b ilit a r a lg u é m a o b te r
v a n ta g e m d e c a r á t e r p ú b lic o : a te s ta d o id e o lo g ic a m e n te fa ls o (a rt. 301 d o CP).

• Se 0 m é d ic o fo r f u n c io n á r io p ú b lic o e p r a t ic a r 0 fa to co m fim d e lu c ro ,
fo rn e c e n d o a te s t a d o no e x e rc íc io d a s s u a s fu n ç õ e s : c o r r u p ç ã o p a s s iv a (a rt.
3 17 d o CP).

8. Ação penal

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A p e n a c o m in a d a é d e d e te n ç ã o d e um m ê s a um a n o ( in fra ç ã o p e n a l d e
m e n o r p o t e n c ia l o f e n s iv o ), ra z ã o p e la q u a l d e v e m s e r o fe r e c id o s a o a u t o r o s
b e n e fíc io s d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 , d e s d e q u e p r e s e n t e s o s r e q u is it o s le g a is . Se 0 c rim e
é c o m e t id o co m 0 fim d e lu c ro , a p lic a -s e ta m b é m a p e n a d e m u lta .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia) 0 crim e de fa lsid a d e de atestado m édico:
a) resta caracterizad o quando um a pessoa ad ultera um atestado ve rd a d e iro , a fim de
a m p lia r seus d ias de afastam ento do trabalho.
b) exige, em sua form a sim p les, esp ecial fim de agir
c) além de exigir um a fa lsid ad e m aterial, é classificado como crim e comum.
d) é uma form a de fa lsid ad e ideológica, tipificado de form a autônom a d evid o à es­
p ecialid a d e.
e) está a rro la d o entre os crim es contra a saú d e pública.
G ab arito : D.
(FCC - 20 17 - TRE-SP - A nalista Judiciário) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte altern a­
tiva: "0 m édico que dá, no exercício de sua função, atestado falso com 0 fim lucrativo
estará sujeito à pena privativa de lib e rd a d e co m inada ao delito de fa lsid ad e de ates­
tado m édico aum entada de m etade".

3.8. REPRODUÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE SELO OU PEÇA FILATÉLICA

A rt . 30 3. R e p r o d u z ir o u a lt e r a r s e lo o u p e ç a fila t é lic a
que tenha valor para coleção, salvo quando a reprodu­
ção ou a alteração está visivelmente anotada na face ou
no verso do selo ou peça:
Pena - detenção, de um a três anos, e multa.

Parágrafo único. Na mesma pena incor­


Forma
re quem, para fins de comércio, faz uso
equiparada
do selo ou peça filatélica.
18 4 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

1. Revogação

0 a rt. 303 d o C ó d ig o P e n a l fo i re v o g a d o p e lo a rt. 39 d a Lei n. 6 .5 3 8 /7 8 , q u e


d is p õ e s o b r e o s s e r v iç o s p o s t a is .

Art. 303 do Código Penal Art. 39 da Lei n. 6.538/78

Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica Reproduzir ou alterar selo ou peça filatélica de
que tenha valor para coleção, salvo quando a valor para coleção, salvo quando a reprodução
reprodução ou a alteração está visivelmente ou a alteração estiver visivelmente anotada na
anotada na face ou no verso do selo ou peça: face ou no verso do selo ou peça: pena - de­
pena - detenção, de um a três anos, e multa. tenção, até dois anos, e pagamento de três a
Parágrafo único - Na mesma pena incorre dez dias-multa.
quem, para fins de comércio, faz uso do selo Parágrafo único - Incorre nas mesmas penas,
ou peça filatélica. quem, para fins de comércio, faz uso de selo ou
peça filatélica de valor para coleção, ilegalmen­
te reproduzidos ou alterados.

C o m o a p e n a c o m in a d a a o a rt. 39 d a le i e s p e c ia l é m e n o r (n o va tio legis in


mellius), d e v e r á h a v e r a re t ro a tiv id a d e em fa v o r d o ré u .

2. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e s p e c ia lm e n t e o s s e lo s e a s p e ç a s fila t é lic a s .

3. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , r a z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ítim a
m e d ia ta ou in d ir e t a .

4. Tipo objetivo
A co n d u ta típ ica co n siste em reproduzir ou alterar se lo ou p eça filaté lica q u e tenha
v a lo r p a ra co le ção , sa lv o q u a n d o a re p ro d u ç ã o ou a a lte ra ç ã o está v isiv e lm e n te
a n o ta d a na face ou no v e rs o d o se lo ou p eça.

Objeto m aterial: é 0 s e lo ou a p e ç a f ila t é lic a r e p r o d u z id o ou a lt e r a d o p e lo


s u je it o a tiv o .

Elemento norm ativo do tipo: 0 t ip o p e n a l e x ig e q u e 0 s e lo o u p e ç a f ila t é lic a


" t e n h a v a lo r p a ra c o le ç ã o " , s e n d o n e c e s s á r ia a a n á lis e a x io ló g ic a p o r p a rt e d o
ju iz .

Filatelia: é a a rt e d e e s t u d a r e c o le c io n a r s e lo s p o s t a is e m a t e r ia is c o r r e la t o s .

5. Tipo subjetivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e r e p r o d u z ir ou a lt e r a r s e lo o u p e ç a
f ila t é lic a q u e te n h a v a lo r p a ra c o le ç ã o . A fig u ra b á s ic a (caput) nõo exige dolo
específico (elemento subjetivo especial).
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 18 5

Já n a fig u ra e q u ip a r a d a ( p a r á g r a f o ú n ic o ), a lé m d o d o lo h á n e c e s s id a d e d a
in t e n ç ã o e s p e c ífic a " p a r a fin s d e c o m é r c io " .

N ão h á p r e v is ã o d e fo rm a c u lp o s a .

6. Consumação e tentativa
0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e o a g e n te r e p r o d u z o u a lt e r a
o o b je to m a t e r ia l.

Em s e t ra ta n d o d e d e lito p lu ris s u b s is te n te , é p o s s ív e l a te n ta tiv a .

7. Forma equiparada
Está p r e v is t a no p a r á g r a f o ú n ic o : "Na mesma pena incorre quem , para fins d e
comércio, faz uso do selo ou peça filatélica".

C o m o d ito , a lé m d o d o lo , é im p re s c in d ív e l q u e o a g e n te a tu e " p a r a fin s d e


c o m é rc io " (d o lo e s p e c ífic o ou e le m e n to s u b je tiv o e s p e c ia l), s o b p e n a d e o uso d e
s e lo ou p e ç a filatélica n ã o r e s t a r c a ra c te riz a d o .

0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e o a g e n te u s a r o o b je to
m a t e r ia l, n ã o h a v e n d o n e c e s s id a d e q u e o c o r ra a v e n d a d o s e lo o u p e ç a f ila t é lic a
(c rim e fo rm a l). A t e n t a t iv a é p o s s ív e l ( d e lit o p lu r is s u b s is t e n t e ) .

8. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m o a p e n a m á x im a d o a rt. 39 d a Lei n. 6 .5 3 8 /7 8 n ã o u lt r a p a s s a d o is a n o s ,
d e v e s e r s e g u id o 0 rito s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 .09 9/95.

3.9. uso DE DOCUMENTO FALSO

Art. 304. Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou


alterados, a que se referem os arts. 297 a 302:
Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.

1. B em ju r íd ic o

T u t e la -s e a fé p ú b lic a , p u n in d o -s e 0 u s o d e d o c u m e n t a ç ã o f a ls a .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ítim a
m e d ia ta ou in d ir e t a .
18 6 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em fazer u s o d e q u a lq u e r d o s p a p é is f a ls if ic a d o s ou
a lt e r a d o s , a q u e s e re fe re m o s a rt s . 297 a 302.

Fa ze r uso: s ig n ific a u t iliz a r ( v a le r -s e , e m p r e g a r ) 0 d o c u m e n to c o m o s e


v e r d a d e ir o fo s s e .

Objeto m aterial: é 0 d o c u m e n to p ú b lic o ou p a r t ic u la r q u e te n h a s id o m a t e ria l


ou id e o lo g ic a m e n t e f a ls if ic a d o .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2018 - DPE-AM - D efenso r Público) Foi co nsid erad a correta a seguinte altern a­
tiva: "Com ete 0 crim e de uso de docum ento falso aquele que faz uso de docum ento
p articu lar falso".

Falsificação ap ta a enganar: " ( ...) a d o u t r in a e a ju r is p r u d ê n c ia m a jo r it a r ia -


m e n te , e n te n d e m q u e p a r a a c o n fig u ra ç ã o d o t ip o p e n a l d e u so d e d o c u m e n to
fa ls o , a f a ls if ic a ç ã o d e v e s e r a p t a p a r a ilu d ir, e n g a n a r, lu d ib r ia r . Do c o n t rá r io ,
e s tá c o n f ig u ra d a a h ip ó t e s e d e fa ls o g r o s s e ir o , c a s o em q u e n ã o h a v e r á c rim e "
(STJ, HC 384567, j. 2 0 /0 9 /2 0 18 ).

Petição a p re se n ta d a em Juízo x docum entos que instruem a petição: " (...)


Q u a n to a o c rim e d e u so d e d o c u m e n to f a ls o , já s e s e d im e n t o u n a d o u t r in a e
n a ju r is p r u d ê n c ia 0 e n t e n d im e n t o d e q u e a p e t iç ã o a p r e s e n t a d a e m Ju ízo n ã o
c a r a c t e r iz a d o c u m e n to p a r a f in s p e n a is , u m a v e z q u e n ã o é c a p a z d e p r o d u z ir
p r o v a p o r s i m e s m a , d e p e n d e n d o d e o u t ra s v e r if ic a ç õ e s p a r a q u e s u a f id e lid a ­
d e s e ja a t e s t a d a . [...] T o d a v ia , n a h ip ó t e s e , o b s e r v a -s e q u e 0 re c o r r e n t e t e r ia
s e u t iliz a d o d e p r o c u r a ç õ e s e c o m p ro v a n te s d e r e s id ê n c ia f a ls o s p a r a in g r e s s a r
co m a ç õ e s c ív e is p e r a n t e 0 J u iz a d o E s p e c ia l, s e n d o c e rto q u e t a is d o c u m e n to s
s ã o h á b e is a c a r a c t e r iz a r 0 d e lito p r e v is t o no a rtig o 304 d o E statu to R e p re s s iv o .
D o u trin a . J u r is p r u d ê n c ia " (STJ, 5* T., AgRg no R Esp 16 18 3 4 5 , j. 14 /0 8 /2 0 18 ).

P e n d a : "E ste S u p e r io r T rib u n a l te m e n t e n d id o q u e , p a ra a c o n fig u ra ç ã o d o


c rim e p r e v is t o no a rt. 304 d o C ó d ig o P e n a l, a perícia pode ser dispensada, na
h ip ó t e s e d e o u tro s e le m e n t o s s e r e m s u f ic ie n t e s p a r a e m b a s a r 0 re c o n h e c im e n to
d a f a ls id a d e d o d o c u m e n t o e d o u s o d e d o c u m e n to f a ls o " (STJ, 5a T., AgRg no
A R Esp 206656, j. 1 9 / 1 1 / 2 0 1 5 ) . Id e m : STJ, 5a T., AgRg no A R Esp 1040096, j. 1 8 /0 4 /2 0 1 7 .

D estin ação específica: é n e c e s s á r io q u e 0 d o c u m e n t o fa ls o s e ja u t iliz a d o em


s u a d e s t in a ç ã o e s p e c ífic a .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(UESPI - 2014 - PC-PI - Delegado de Polícia) Foi co nsid erad a correta a seguinte a lte rn a ­
tiva: "Para caracterização do crim e de uso de docum ento falso, é necessário que 0
docum ento falso seja efetivam ente utilizado em sua destinação específica".

Tipo p e n a l rem etido (ou crim e rem etido): 0 a rt. 304 d o CP n ã o d e fin e 0 d o ­
c u m e n to q u e fo i f a ls if ic a d o a n t e r io r m e n t e , fa z e n d o r e m e s s a a o s a rts . 297 a 302.
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 18 7

Trata-se de norma penal em branco homogênea homovitelínea, homovitelina ou


homóloga, já q u e o c o m p le m e n t o a d v é m d e le i p e n a l.
Norm a p en al em branco invertid a (ao re v é s ou ao ave sso ): o p r e c e it o s e c u n ­
d á r io d o t ip o p e n a l e s tá in c o m p le t o , p o is n ã o h á p e n a e s p e c ífic a p a r a o c rim e
d o a rt. 304 d o CP, m a s sim a a p lic a ç ã o d a q u e la " c o m in a d a à f a ls if ic a ç ã o ou à
a lt e r a ç ã o " .

Fato p o ste rio r im punível: s e q u e m u s a 0 d o c u m e n t o é 0 p r ó p r io f a ls if ic a d o r ,


0 c rim e d o a rt. 304 f ic a r á a b s o r v id o ( p r in c íp io d a c o n s u n ç ã o ) p e la c o n t ra fa ç ã o
a n t e rio r, d e s o rt e q u e n ã o h a v e r á c o n c u rs o d e c rim e s .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(CESPE - 2019 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"0 crim e de uso de docum ento falso co nfigura-se como crim e rem etido; e 0 de uso de
petrechos para falsificação de m oeda, como crim e obstáculo".
(CESPE - 2016 - TCE-PR - A udito r) Foi co nsid erad a incorreta a seguinte a lternativa: "0
agente que falsificar e posteriorm ente usa r docum ento público com eterá os crim es
de falsificação de docum ento público e uso de docum ento falso em concurso m aterial,
nos term os do CP".
(FMP - 2015 - DPE-PA - D efenso r Público) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"No crim e de uso de docum ento falso, 0 Código Penal b rasile iro em prega a técnica
de leis p en ais em branco ao revés, isto é, d aq u e la s leis p en ais que rem etem a outras
norm as in crim in ad o ras para especificação da pena".
(FCC - 20 12 - TRT20 - Juiz do Trab alh o) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte a lternati­
va: "Há concurso m aterial de infraçõ es se 0 agente, além de falsificar, tam bém usar
0 docum ento frau d ad o , consoante pacífico entendim ento dos Tribunais Superio res".

Apresentação do documento p o r exigência da autoridade: ta m b é m co n fig u ra do


crim e , s e n d o irre le v a n t e q u e 0 a g e n te te n h a fe ito uso e s p o n tâ n e o d o d o c u m e n to ou
0 te n h a a p re s e n ta d o em face d a e x ig ê n cia d a a u t o rid a d e . A rg u m e n ta -se q u e e sta - a
e x ig ê n cia d a a u t o rid a d e - é a fo rm a n o rm a l d e u tiliz a ç ã o d o d o c u m e n to . A p ro p ó sito :
"É c o p io s a a ju ris p ru d ê n c ia q u e e n te n d e q u e 'o d e lito p re v isto no a rt. 304 d o Código
P e n a l c o n s u m a -s e m e sm o q u a n d o a c a rte ira d e h a b ilita ç ã o fa ls ific a d a é e x ib id a ao
p o lic ia l p o r e x ig ê n cia d e ste , e n ã o p o r in ic ia tiv a d o a gente"' (STJ, 5a T., AgRg no REsp
1758686, j. 25 /0 9 /20 18 ).

D o cum ento encontrado em p o d er do agente durante revista pessoal: n ã o tem


s id o c o n s id e ra d o c rim e . N esse s e n tid o : " 1 . A c o n fig u ra ç ã o d o d e lito p re v is to no
a rt. 3 0 4 d o CP p r e s s u p õ e ta n to a e fe tiv a u tiliz a ç ã o d o d o c u m e n to , s p o n te p r ó p ria ,
q u a n to q u e o d o c u m e n to fa ls o s e ja a p r e s e n t a d o c o m o a u tê n tic o . N e ssa lin h a d e
ra c io c ín io , " 0 e n c o n tro c a s u a l d o d o c u m e n to fa ls o em p o d e r d e a lg u é m (co m o
o c o rre p o r o c a s iã o d e um a re v is ta p o lic ia l) n ã o é s u fic ie n te p a ra c o n fig u ra r 0 tip o
p e n a l, p o is 0 n ú cle o é c la ro : 'f a z e r u so '" (in N ucci, G u ilh e rm e d e S o u za . C ó d ig o P e­
n a l c o m e n ta d o - 15 . e d . re v ., a tu a l, e a m p l. - R io d e Ja n e iro : F o re n s e , 2 0 15 ). (...) 2.
Se 0 in v e s tig a d o , em a b o rd a g e m d e ro tin a , a firm a a o a g e n te d a P o líc ia R o d o v iá ria
F e d e ra l n ã o p o s s u ir C a rt e ira N a c io n a l d e H a b ilita ç ã o , id e n t if ic a n d o -s e p o r m e io
d e C a rt e ira d e Id e n t id a d e , e, logo em s e g u id a , 0 p o lic ia l a v is t a , em s u a c a r te ira
188 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

a b e rt a , d o c u m e n to s im ila r à CNH q u e o in v e s tig a d o lh e e n tre g a , a d m itin d o tra ta r-


-s e d e d o c u m e n to fa ls o , n ã o h á c o m o s e r e c o n h e c e r na c o n d u ta , a p r io r i, o e le ­
m e n to d e v o n t a d e (d e f a z e r uso d e d o c u m e n to fa ls o ) n e c e s s á rio à c a r a c t e riz a ç ã o
d o d e lito d o a rt. 304 d o CP, s itu a ç ã o em q u e a a p r e s e n t a ç ã o d o d o c u m e n to fa ls o
à a u t o r id a d e p o lic ia l f e d e r a l n ã o tem 0 c o n d ã o d e d e s lo c a r a c o m p e tê n c ia p a r a 0
ju lg a m e n to d a a ç ã o p e n a l p a ra a ju s t iç a F e d e ra l. 3. R e m a n e s c e , a s s im , no c a s o c o n ­
c re to , a p e n a s 0 in t e re s s e , em te s e , no p ro s s e g u im e n to d a in v e s tig a ç ã o d o d e lito
p re v is to no a rt. 297 d o C ó d ig o P e n a l (fa ls ific a ç ã o d e d o c u m e n to p ú b lic o ) q u e n ã o é
d e c o m p e tê n c ia d a Justiça F e d e ra l, p o r n ã o o f e n d e r d ire t a m e n t e b e n s, s e rv iç o s ou
in t e re s s e s d a U n iã o , d e s u a s a u t a r q u ia s ou e m p r e s a s p ú b lic a s , na m e d id a em q u e
a e m is s ã o d a C a rt e ira N a c io n a l d e H a b ilita ç ã o é in c u m b ê n c ia d e ó rg ã o s e s t a d u a is
d e t râ n s ito . 4. C o n flito c o n h e c id o , p a ra d e c la r a r c o m p e te n te p a ra 0 ju lg a m e n to do
fe ito 0 Juízo d e D ire ito d a 2a V a ra C ív e l d e C a m p o s d o s G o y ta ca z e s/R J, 0 S u s c ita d o "
(STJ, 3a S e ç ã o , CC 148 .59 2, j. 0 8 /0 2 /2 0 17 ).

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f a z e r u so d o s p a p é is fa ls if ic a d o s ou
a lt e r a d o s a q u e s e re fe re m o s a rtig o s 297 a 302 d o C ó d ig o P e n a l. 0 a g e n te d e v e
t e r c iê n c ia d a f a ls id a d e d a d o c u m e n ta ç ã o .

0 a rt. 304 n ã o e x ig e d o lo e s p e c ífic o e n e m p r e v ê fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
C o n s u m a -s e co m 0 u s o e fe tiv o d o d o c u m e n to f a ls o , n ã o h a v e n d o n e c e s s id a d e
d e o b t e n ç ã o d e v a n ta g e m o u p r e ju íz o a t e r c e ir o (crime formal). N e sse s e n t id o :
"É p a c ífic o 0 e n t e n d im e n t o n e s te S u p e r io r T rib u n a l d e Ju stiça d e q u e , t r a t a n d o -
s e d e c rim e f o rm a l, 0 d e lit o t ip ific a d o no a rtig o 304 d o C ó d ig o P e n a l c o n s u m a -
s e co m a u t iliz a ç ã o o u a p r e s e n t a ç ã o d o d o c u m e n to f a ls o , n ã o s e e x ig in d o a
d e m o n s t ra ç ã o d e e fe tiv o p r e ju íz o à fé p ú b lic a n e m a t e r c e ir o s (...)"(STJ, 5a T. AgRg
no A R Esp 6 5 6 .6 0 1, j. 2 3 /1 0 /2 0 1 8 ) .

C o m o 0 tentar usar já s e r ia u so (c rim e u n is s u b s is t e n t e ) , e n t e n d e m o s in c a b ív e l


a fo rm a t e n t a d a . Há p o s iç ã o m in o r it á r ia em c o n t rá r io ( C e z a r B ite n c o u rt e R o g é rio
G re c o , p o r e x e m p lo ).

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


Foram co n sid erad as corretas as seguintes alternativas:
(CESPE - 2013 - TC-DF - P ro cu ra d o r) "0 crim e de uso de docum ento falso é form al, con­
sum ando -se com a sim p les utilização do docum ento reputado falso, não se exigindo a
com provação de efetiva lesão à fé pública, 0 que afasta a p o ssib ilid a d e de aplicação
do princípio da insignificância, em razão do bem ju ríd ico tutelado".
(MP-SP - 2012 - Pro m oto r de Justiça) "0 crim e de uso de docum ento falso (art. 304, CP)
tra ta -se de delito unissubsistente, que não adm ite a form a tentada (art. 14, II, CP)".

6. Uso de documento falso e estelionato


R e m e te m o s 0 le it o r a o s c o m e n t á r io s t e c id o s q u a n d o d a a n á lis e d o a rt. 297 d o
CP, no ite m " c o n c u rs o d e c rim e s " .
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 18 9

Posição do STJ (frequentem ente co b ra d a em concursos): s e o u so d o d o c u ­


m e n to fa ls o c o n s titu i c r im e -m e io p a r a a p r á t ic a d o e s t e lio n a t o , o p r im e ir o r e s ­
ta r á a b s o r v id o p e lo ú ltim o . No e n ta n to , " s e a u t iliz a ç ã o d o d o c u m e n t o fa ls o n ã o
s e e x a u re n a p r á t ic a d o e s t e lio n a t o , a f a s t a -s e a a p lic a ç ã o d o e n t e n d im e n t o s e d i­
m e n t a d o no e n u n c ia d o n. 17 d a S ú m u la d o S u p e r io r T r ib u n a l d e Ju s tiç a " (STJ, 5a T.,
HC 16 240 4, j. 0 6 /1 2 /2 0 1 1 ) . A p r o p ó s it o : " Q u a n d o a c o n d u ta t íp ic a p r a t ic a d a c o m o
m e io p a r a a o b t e n ç ã o d o p r in c ip a l in te n to c rim in o s o u lt r a p a s s a o s lim it e s d e s te
ú ltim o , s e n d o a p ta a c o n t in u a r a tin g in d o ou a m e a ç a n d o 0 b e m ju r íd ic o tu t e la d o
p e la n o rm a p e n a l in c r im in a d o r a , n ã o h á f a la r -s e em a p lic a ç ã o d o p r in c íp io d a
c o n s u n ç ã o , m a s n a c o n fig u ra ç ã o d o c o n c u rs o d e c r im e s " (STJ, 5a T., HC 288349, J.
0 2 /0 6 /2 0 15 ).

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(Inst. Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia) No dia 09/07/2017, Henrique foi p a ­
rado em um a fiscalização da O peração Lei Seca. Após so licitar a Carteira Nacional de
H abilitação (CNH) de Henrique, 0 p o licial m ilitar que participava da o p eração su sp e i­
tou do docum ento a p resen tad o . Procedeu então à verificação na base de d ad os do
DETRAN e confirm ou a susp eita, não encontrando 0 núm ero de registro que constava
na CNH, em bora as d em ais inform ações (nom e e CPF), a respeito de Henrique, esti­
vessem corretas. Questionado pelo policial, Henrique confessou que havia ad q uirid o
0 docum ento com M arcos, seu vizinho , que atuava como desp achante, tendo pago
R$ 2.000,00 pelo docum ento. Afirmou ain da que se q u e r havia feito prova no DETRAN.
A crescente-se que, durante a instrução crim inal, ficou com provado que, de fato, Hen­
rique obteve 0 docum ento de M arcos, sendo este 0 autor da contrafação. Além disso,
foi verifica d o por m eio de perícia ju d icial que, no estado em que se encontra 0 docu­
m ento, e em face de sua ap a rê n cia , pode ilu d ir terceiro s como se docum ento idôneo
fosse. Logo, po d e-se afirm a r que a conduta de Henrique se am olda ao crim e de:
a) falsificação de docum ento público, previsto no caput do art. 297 do Código Penal.
b) uso de docum ento falso, previsto no art. 304 do Código Penal.
c) falsa id en tid a d e , previsto no art. 307 do Código Penal.
d) fa lsid ad e ideológica, previsto no caput art. 299 do Código Penal.
e) falsificação de docum ento particular, previsto no caput do art. 298 do Código Penal.
G ab arito : B.
(FCC - 2017 - TJ-SC - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a correta a seguinte alternativa:
"Conform e ju risp ru d ê n cia do Sup erio r Tribunal de Justiça: não há que se fa la r em
aplicação do princípio da consunção para os crim es de fa lsid ad e ideológica e de uso
de docum ento falso quando com etidos com desígnio autônom os".
(VUNESP - 2 0 11 - TJ-SP - Titu lar de Serviço s de Notas e de Registros) "0 uso de docu­
mento falso, artigo 304 do Código Penal, é a b so rvid o pelo estelionato quando: a) não
pode se r ab so rvid o , b) se exaure sem m ais po tencialid ad e lesiva , c) 0 crim e de este­
lionato não for qu alificad o , d) 0 agente é funcionário público". G abarito : B.

7. D is tin ç ã o

• A p re s e n ta r, em liq u id a ç ã o e x tr a ju d ic ia l, ou em fa lê n c ia d e in s titu iç ã o fin a n c e ira ,


d e c la r a ç ã o d e c ré d ito ou re c la m a ç ã o f a ls a , ou ju n t a r a e la s títu lo fa ls o ou
s im u la d o : a rt. 14 d a Lei c o n tra 0 S iste m a F in a n c e iro N a c io n a l (Lei n. 7.492/8 6 ).
19 0 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

• A p r e s e n t a r , em f a lê n c ia , r e c u p e r a ç ã o ju d ic ia l o u r e c u p e r a ç ã o e x t r a ju d ic ia l,
r e la ç ã o d e c r é d it o s , h a b ilit a ç ã o d e c r é d it o s ou r e c la m a ç ã o f a ls a s , ou ju n t a r
a e la s t ít u lo f a ls o ou s im u la d o : a rt . 17 5 d a Lei d e F a lê n c ia s (L e i n . 1 1 . 1 0 1 / 0 5 ) .

• C o n s t it u i c r im e c o n t ra a o r d e m t r ib u t á r ia s u p r im ir o u r e d u z ir t r ib u t o , ou
c o n t r ib u iç ã o s o c ia l e q u a lq u e r a c e s s ó r io , m e d ia n t e a s s e g u in t e s c o n d u t a s :
e la b o r a r , d is t r ib u ir , f o rn e c e r, e m it ir o u u t iliz a r d o c u m e n t o q u e s a ib a ou
d e v a s a b e r f a ls o ou in e x a t o : a rt. i ° , IV, d a Lei d o s C r im e s T r ib u t á r io s (L e i n.
8 .1 3 7 /9 0 ).

• F a z e r u s o d e q u a lq u e r d o s d o c u m e n t o s f a ls if ic a d o s ou a lt e r a d o s , a q u e se
r e f e r e m o s a rt ig o s . 348 a 3 5 2: a rt. 353 d o C ó d ig o E le it o r a l (L e i n. 4 .7 3 7 /6 5 ).

• F a z e r uso de q u a lq u e r d o s d o cu m e n to s f a ls if ic a d o s ou a lt e r a d o s por
o u t re m , a q u e s e r e f e r e m o s a r t ig o s a n t e r io r e s : a rt . 3 15 d o CPM ( D e c re t o -
Lei n. 1 .0 0 1/6 9 ).

8. Ação penal e competência

A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

Em re g ra , a c o m p e t ê n c ia é d a ju s t iç a E s t a d u a l. H a v e n d o o fe n s a a in t e r e s s e
d a U n iã o , c o n s e q u e n te m e n t e a c o m p e t ê n c ia s e r á d a Ju stiça F e d e r a l. A p r o p ó s it o :

Súmula 546 do STJ: "A c o m p e t ê n c ia p a ra p r o c e s s a r e ju lg a r 0 c rim e d e u s o d e


d o c u m e n to fa ls o é f ir m a d a em ra z ã o d a e n t id a d e ou ó rg ã o a o q u a l fo i a p r e s e n ­
t a d o 0 d o c u m e n to p ú b lic o , n ã o im p o r t a n d o a q u a lif ic a ç ã o d o ó rg ã o e x p e d id o r " .

Súmula 200 do STJ: " 0 Ju ízo F e d e ra l c o m p e te n te p a r a p r o c e s s a r e ju lg a r


a c u s a d o d e c rim e d e u so d e p a s s a p o r t e fa ls o é 0 d o lu g a r o n d e 0 d e lito s e
consum ou".

Súmula 104 do STJ: " C o m p e te à Ju stiça E s t a d u a l 0 p r o c e s s o e ju lg a m e n to


d o s c rim e s d e f a ls if ic a ç ã o e u so d e d o c u m e n to fa ls o r e la t iv o a e s t a b e le c im e n t o
p a r t ic u la r d e e n s in o " .

Súmula Vinculante 36 do STF: " C o m p e te à Ju stiça F e d e r a l co m u m p r o c e s s a r e


ju lg a r c iv il d e n u n c ia d o p e lo s c r im e s d e f a ls if ic a ç ã o e d e u so d e d o c u m e n to fa ls o
q u a n d o s e t r a t a r d e f a ls if ic a ç ã o d a C a d e r n e t a d e In s c riç ã o e R e g istro (CIR) ou
d e C a r t e ir a d e H a b ilit a ç ã o d e A m a d o r (CH A ), a in d a q u e e x p e d id a s p e la M a rin h a
d o B ra s il" .

►Como e sse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2019 - TJ-AL - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte alternativa:
"Com pete à Justiça Estadual comum p ro cessar e ju lg a r civil denunciado pelos crim es
de falsificação e de uso de docum ento público falso quando se tra ta r de C arteira de
H abilitação de Am ador, ain da que exp ed id a pela M arinha do Brasil".
(CESPE - 2019 - TCE-RO - P ro c u ra d o r do M inistério Público de Contas) Foi co nsid erada
correta a seguinte a lternativa: "Com pete à justiça fe d e ral comum p ro cessar e ju lg a r ci­
vil denunciado pelo crim e de uso de docum ento falso quando se tra ta r de falsificação
da caderneta de inscrição e registro expedid a pela M arinha do Brasil".
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 19 1

3 .10. SUPRESSÃO DE DOCUMENTO

Art. 305. Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio


ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público
ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se 0 docu­
mento é público, e reclusão, de um a cinco anos, e multa,
se 0 documento é particular.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e m e s p e c ia l a s e g u ra n ç a d e d o c u m e n to s c o m o m e io
de p ro va .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a ,
in c lu s iv e 0 t it u la r d o d o c u m e n to , d o q u a l n ã o p o d ia d is p o r.

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . A p e s s o a e v e n t u a lm e n t e le s a d a s e r á v ít im a
m e d ia ta ou in d ir e t a .

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e em destruir , suprim ir ou ocultar, em b e n e fíc io p r ó ­
p r io ou d e o u tre m , ou em p r e ju íz o a lh e io , d o c u m e n to p ú b lic o ou p a r t ic u la r v e r ­
d a d e ir o , d e q u e n ã o p o d ia d is p o r.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(Inst. Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia) Foi co n sid era d a incorreta a seguinte
a lternativa: "Aquele que dolosam ente retém docum ento de id entid ad e de terceira
pesso a resp o nd e pelo delito de sup ressão de docum ento".
(MPT - 2017 - P ro c u ra d o r do Trab alh o) Foi co nsid erad a correta a seguinte alternativa:
"0 crim e de sup ressão de docum ento consiste em destruir, su p rim ir ou ocultar, em b e­
nefício próp rio ou de outrem , ou em prejuízo alheio , docum ento público ou p articular
v e rd a d e iro , de que não podia d ispo r".

V e rb o s n u clea res: destruir ( e lim in a r ) , s u p r im ir ( f a z e r d e s a p a r e c e r , s e m , no


e n ta n to , d e s t r u ir o u o c u lt a r) e o c u lta r ( e s c o n d e r ) .

Objeto m a te ria l: é 0 d o c u m e n t o p ú b lic o ou p a r t ic u la r v e r d a d e ir o . A


c o n d u t a d o s u je it o a t iv o p o d e in c id ir s o b r e 0 d o c u m e n t o o r ig in a l o u c ó p ia
a u t e n t ic a d a .

Docum ento f a ls o : n ã o h á 0 c r im e d o a r t . 305 d o CP, m a s f u rt o ( a r t . 1 5 5 ) ,


d a n o ( a r t . 16 3 ), f r a u d e p r o c e s s u a l ( a r t . 347) o u f a v o r e c im e n t o p e s s o a l ( a r t .
348).
192 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

D isposição do docum ento: d e p r e e n d e -s e d a le it u r a d o t ip o p e n a l q u e 0 a g e n te


n ã o p o d e d is p o r d o d o c u m e n to ; s e p u d e r, e v e n t u a l d e s t r u iç ã o , s u p r e s s ã o ou
o c u lt a ç ã o d o o b je t o m a t e r ia l n ã o c a r a c t e r iz a r á o c rim e d o a rt. 305 d o CP.

4. Tipo subjetivo

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e p r a t ic a r 0 n ú c le o d o t ip o . E x ig e -s e ,
a in d a , 0 d o lo e s p e c ífic o ou e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l, d is p o s t o n a e x p r e s s ã o
" e m b e n e fíc io p r ó p r io ou d e o u tre m , ou em p r e ju íz o a lh e io " .

N ão h á p r e v is ã o d e fo rm a c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa

0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te d e s t ru ir , s u p r im ir ou
o c u lt a r 0 d o c u m e n to p ú b lic o ou p a rt ic u la r, in d e p e n d e n t e m e n t e d a o b t e n ç ã o d e
q u a lq u e r v a n ta g e m ou d a p r o d u ç ã o d e d a n o a t e r c e ir o ( c rim e f o rm a l).

T r a t a n d o -s e d e d e lito p lu r is s u b s is t e n t e , é p o s s ív e l a t e n t a t iv a .

6. Distinção

• In u tilizar, to ta l ou p a rc ia lm e n te , ou d e ix a r d e re s t it u ir a u to s, d o c u m e n to
ou o b je to d e v a lo r p r o b a t ó rio , q u e re c e b e u na q u a lid a d e d e a d v o g a d o ou
p r o c u r a d o r: a rt. 356 d o CP.

• E x tra v ia r liv ro o fic ia l, p ro c e s s o fis c a l ou q u a lq u e r d o c u m e n to , d e q u e te n h a a


g u a rd a em ra z ã o d a fu n ç ã o ; s o n e g á -lo , o u in u t iliz á -lo , to ta l ou p a rc ia lm e n te ,
a c a r r e t a n d o p a g a m e n to in d e v id o ou in e x a to d e trib u to ou c o n trib u iç ã o s o c ia l:
a rt. 3°, I, d a Lei n. 8 .13 7 /9 0 .

• D e stru ir, s u p r im ir ou o c u lt a r u rn a c o n te n d o v o to s , ou d o c u m e n to s re la t iv o s à
e le iç ã o : a rt. 339 d o C ó d ig o E le ito ra l (Lei n. 4 .7 3 7/6 5 ).

• D e stru ir, s u p r im ir ou o cu lta r, em b e n e fíc io p r ó p rio ou d e o u tre m , ou em p re ju íz o


a lh e io , d o c u m e n to v e r d a d e ir o , d e q u e n ã o p o d ia d is p o r, d e s d e q u e 0 fato
a te n te co n tra a a d m in is t ra ç ã o ou o s e rv iç o m ilita r: a rt. 3 16 d o CPM (D e c re to -L e i
n. 1.0 0 1/6 9 ).

7. Ação penal
P ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

A p e n a é d e re c lu s ã o d e 2 a 6 a n o s e m u lta s e 0 d o c u m e n to é público, e
re c lu s ã o d e 1 a 5 a n o s e m u lta s e é particular. Na ú ltim a h ip ó t e s e é c a b ív e l a
s u s p e n s ã o d o p r o c e s s o (a rt . 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ).
Cap. Ill . Crimes contra a fé pública 19 3

4. OUTRAS FALSIDADES

4.1. FALSIFICAÇÃO DO SINAL EMPREGADO NO CONTRASTE DE METAL PRECIOSO OU


NA FISCALIZAÇÃO ALFANDEGÁRIA, OU PARA OUTROS FINS

Art. 306. Falsificar, fa b ric a n d o -o ou a lte ra n d o -o , m arca


ou sin a l e m p re g a d o pe lo p o d e r público no contraste de
r i
Falsifica ção do m etal p re cio so ou na fiscalizaçã o a lfa n d e g á ria , ou u sa r
sin a l e m p re g a d o m arca ou sin a l d e ssa n atureza, fa lsifica d o p o r outrem :
no co n tra ste Pena - re clu sã o , de d o is a se is ano s, e multa.
d e m etal
p re cio so ou
P a rá g ra fo único. Se a m arca ou sinal
na fisc a liz a ç ã o
a lfa n d e g á ria , fa lsifica d o é 0 que usa a a u to rid a d e
ou p a ra p ú b lica p ara 0 fim de fiscalizaçã o s a ­
o u tro s fins Form a n itá ria , ou p a ra a u te n tic a r ou e n c e rra r
p riv ile g ia d a d e te rm in a d o s o b je to s, ou co m p ro va r 0
cum prim ento de fo rm a lid a d e legal:
Pena - re clu são ou d ete nção , de um a
trê s ano s, e m ulta.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e s p e c ia lm e n t e a s e g u ra n ç a no q u e se re fe re à
a u t e n t ic id a d e d e m a r c a s .

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o .

3. Tipo objetivo
A c o n d u ta t íp ic a c o n s is t e e m falsificar, f a b r ic a n d o -o ou a lt e r a n d o -o , m a rc a
ou s in a l e m p r e g a d o p e lo p o d e r p ú b lic o no c o n t ra s t e d e m e ta l p r e c io s o ou na
f is c a liz a ç ã o a lf a n d e g á r ia , ou u s a r m a r c a o u s in a l d e s s a n a t u r e z a , f a ls if ic a d o
p o r o u t re m .

M a r c a : d e a c o rd o co m 0 a rt. 12 2 d a Lei n. 9 .27 9 /9 6 , s ã o s u s c e t ív e is d e re g is tro


c o m o m a rc a o s s in a is d is t in t iv o s v is u a lm e n t e p e r c e p t ív e is , n ã o c o m p r e e n d id o s
n a s p r o ib iç õ e s le g a is . P a ra o s e fe it o s d a r e f e r id a le g is la ç ã o , q u e re g u la d ir e it o s e
o b rig a ç õ e s r e la t iv o s à p r o p r ie d a d e in d u s t r ia l, c o n s id e r a -s e : I - m a r c a de produto
ou serviço: a q u e la u s a d a p a ra d is t in g u ir p r o d u to ou s e r v iç o d e o u tro id ê n t ic o ,
s e m e lh a n t e ou a fim , d e o rig e m d iv e r s a ; II - m a rca de certificação : a q u e la u s a d a
p a ra a t e s t a r a c o n f o r m id a d e d e um p ro d u to ou s e r v iç o co m d e t e r m in a d a s n o rm a s
ou e s p e c ific a ç õ e s t é c n ic a s , n o t a d a m e n te q u a n to à q u a lid a d e , n a t u re z a , m a t e ria l
u t iliz a d o e m e to d o lo g ia e m p r e g a d a ; e III - m arca coletiva: a q u e la u s a d a p a ra
id e n t if ic a r p r o d u t o s ou s e r v iç o s p r o v in d o s d e m e m b ro s d e u m a d e t e r m in a d a
e n t id a d e (a rt . 12 3 ).
194 Direito Penal - Vol. 3 . Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Sinal: é d e t e r m in a d a im p r e s s ã o s im b ó lic a d o P o d e r P ú b lic o d e s t in a d a a


le g it im id a d e d o m e ta l p r e c io s o (B e n to d e F a ria , Código Penal
a u t e n t ic a r a
brasileiro comentado, v . 7, R io d e ja n e ir o : R e c o rd , 19 6 1 , p . 65).

Autor d a co n trafação : n ã o p o d e p r a t ic a r 0 c rim e d e u so d e m a r c a o u s in a l


f a ls if ic a d o , já q u e 0 t ip o e x ig e q u e 0 o b je t o m a t e r ia l s e ja " f a ls if ic a d o p o r o u tre m " .

4. T ip o s u b je t iv o

É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e f a b r ic a r ou a lt e r a r m a rc a ou s in a l, ou
d e f a z e r u s o d a q u e le o b je t o m a t e r ia l já f a ls if ic a d o p o r t e r c e ir o .

N ão h á p r e v is ã o d e e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l e n e m d e fo rm a c u lp o s a .

5. C o n s u m a ç ã o e t e n t a t iv a

0 c rim e e s t a r á c o n s u m a d o no m o m e n to em q u e 0 a g e n te p r a t ic a 0 n ú c le o d o
t ip o , in d e p e n d e n t e m e n t e d e q u a lq u e r re s u lt a d o n a t u ra lís tic o ( d e lit o f o r m a l) . Nas
m o d a lid a d e s fab ricar e alterar a c o n s u m a ç ã o o c o r re q u a n d o a c o n t ra fa ç ã o e s tá
c o m p le t a ; n a m o d a lid a d e u s a r a in f ra ç ã o s e c o n s u m a co m 0 p r im e ir o a to d e uso
d a m a r c a ou s in a l.

A t e n t a t iv a é p o s s ív e l n a fo rm a p lu r is s u b s is t e n t e (c o n d u ta s fab ricar e alterar);


a fo rm a u n is s u b s is t e n t e (c o n d u ta usar) n ã o a d m ite 0 co n atu s.

6. F o rm a p r iv ile g ia d a

Está no p a r á g r a f o ú n ic o : "Se a marca ou sinal falsificado é 0 que usa a


autoridade pública para 0 fim de fiscalização sanita'ria, ou para autenticar ou
encerrar determ inados objetos, ou com provar 0 cumprimento de form alidade legal:
pena - reclusão ou detenção, de um a três anos, e multa".

A utoridade pública: p o d e p e r t e n c e r à e s f e r a f e d e r a l, e s t a d u a l o u m u n ic ip a l.

Fisca lização s a n itá ria : e s tá r e la c io n a d a a q u e s tõ e s d e s a ú d e e h ig ie n e


p ú b lic a s .

A ltern ativid ad e e n t re reclu são ou detenção: em c a s o d e c o n d e n a ç ã o , c a b e rá


a o m a g is t ra d o , c o n fo rm e s e ja s u f ic ie n t e p a r a r e p r o v a ç ã o e p r e v e n ç ã o d o c rim e ,
e s c o lh e r e n tre a s p e n a s d e re c lu s ã o o u d e te n ç ã o .

7. D is tin ç ã o

• A d u lt e r a r ou r e m a r c a r n ú m e ro d e c h a s s i ou q u a lq u e r s in a l id e n t if ic a d o r d e
v e íc u lo a u to m o to r, d e s e u c o m p o n e n te ou e q u ip a m e n t o : a rt. 3 1 1 d o CP.

8. A ção p e n a l

P ú b lic a in c o n d ic io n a d a .
Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 19 5

0 p a rá g ra f o ú n ic o a d m ite o sursis p r o c e s s u a l (a rt. 89 d a Lei n. 9 .0 9 9 /9 5 ), já


q u e a p e n a m ín im a n ã o u lt r a p a s s a um a n o .

4.2. FALSA IDENTIDADE

Art. 307. A trib u ir-se ou a trib u ir a te rce iro fa lsa id e n tid a d e


p a ra o b ter vantagem , em p ro ve ito p ró p rio ou a lh e io , ou
p a ra c a u s a r dano a outrem :
Pena - d ete nção , de trê s m e ses a um ano , ou m ulta, se 0
fato não constitui e lem en to de crim e m a is grave.

1. Bem jurídico

T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e s p e c ia lm e n t e a id e n t id a d e p e s s o a l, p r ó p r ia e d e
t e r c e ir o .

2. Sujeitos

0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l 0 s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .

S u je ito p a s s iv o é 0 E s ta d o . E v e n tu a l p r e ju d ic a d o s e r á v ít im a s e c u n d á r ia ou
m e d ia ta .

3. Tipo objetivo
A c o n d u t a t íp ic a c o n s is t e e m atribuir-se ou a trib u ira t e r c e ir o f a ls a id e n t id a d e
p a r a o b t e r v a n t a g e m , em p r o v e it o p r ó p r io ou a lh e io , o u p a r a c a u s a r d a n o a
o u t re m .

Iden tidade: c o n ju n to d e a tr ib u t o s q u e id e n t if ic a a p e s s o a (n o m e , n a c io n a lid a d e ,


id a d e , f ilia ç ã o , s e x o , e s t a d o c iv il, p r o f is s ã o e tc .).

Princípio da su b sid ia rie d a d e e x p ressa . 0 p r e c e it o s e c u n d á r io d o a rt. 307 d o


C ó d ig o P e n a l d is p õ e : "Pena - detenção, de três m eses a um ano, ou multa, se 0 fato
não constitui elem ento de crim e m ais g rave". A s s im , h a v e n d o d e lito m a is g ra v e
( f a ls id a d e id e o ló g ic a , e s t e lio n a t o , v io la ç ã o s e x u a l m e d ia n t e f r a u d e e tc .), 0 c rim e
d e f a ls a id e n t id a d e f ic a r á a b s o r v id o .

Crim e de fo rm a liv r e : a a t r ib u iç ã o de f a ls a id e n t id a d e pode se dar


v e r b a lm e n t e ou p o r e s c rit o , ou s e ja , 0 c rim e p o d e s e r p r a t ic a d o p o r q u a lq u e r
m e io d e e x e c u ç ã o .

M e io idôneo p a ra en gan ar: a c o n d u ta d o a g e n te d e v e t e r id o n e id a d e p a ra


lu d ib r ia r . Se 0 a g e n te d iz s e r 0 a t o r B ra d Pitt, e m b o ra n ã o s e ja lo iro e n e m fa le
in g lê s , p o s s iv e lm e n t e h a v e r á c rim e im p o s s ív e l (a rt. 17 d o CP) em re la ç ã o a o
a rt. 307 d o CP.
196 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

Obtenção de vantagem (p ró p ria ou a lh eia) ou ca u sa çã o de dano a terceiro:


p o d e s e r d e c u n h o m a t e r ia l (e c o n ô m ic a ) ou m o ra l (e x .: d iz e n d o s e r o irm ã o
c o n d e n a d o , o a g e n te v a i p r e s o no lu g a r d o fa m ilia r, te n d o c o m o o b je t iv o d e ix á -
lo em lib e r d a d e ) .

► Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(Inst. Acesso - 2 0 1 9 - PC-ES - Delegado de Polícia) Foi considerada c o r r e t a a seguinte
alternativa: "No crime de Falsa Identidade, 0 agente não apresenta nenhum documen­
to de identidade para se identificar".
(FCC - 2 0 1 8 - DPE-AM - D efensor Público) Foi considerada in c o r r e t a a seguinte alter­
nativa: "Comete 0 crime de falsa identidade aquele faz uso de Carteira Nacional de
Habilitação (CNH) falsa para conduzir veículo automotor".

4. Tipo subjetivo
É 0 d o lo , c a r a c t e r iz a d o p e la v o n t a d e d e a t r ib u ir -s e o u a t r ib u ir a t e r c e ir o
f a ls a id e n t id a d e . A lé m d is s o , e x ig e -s e a e s p e c ia l f in a lid a d e (d o lo e s p e c ífic o ou
e le m e n t o s u b je t iv o e s p e c ia l) d e b u s c a r " v a n t a g e m , em p r o v e it o p r ó p r io ou
a lh e io , ou c a u s a r d a n o a o u tre m " .

N ão h á p r e v is ã o d e m o d a lid a d e c u lp o s a .

5. Consumação e tentativa
T r a t a -s e d e c rim e f o rm a l. A s s im , a c o n s u m a ç ã o o c o r re no m o m e n to em q u e
0 a g e n te p r a t ic a r o n ú c le o d o t ip o , in d e p e n d e n t e m e n t e d e a lc a n ç a r a f in a lid a d e
e s p e c ia l ( o b t e n ç ã o d e v a n ta g e m ou c a u s a ç ã o d e d a n o a o u tre m ).

A t e n t a t iv a s e r á p o s s ív e l n a m o d a lid a d e p lu r is s u b s is t e n t e (a t r ib u iç ã o d e fa ls a
id e n t id a d e r e a liz a d a p o r e s c rit o ). Na m o d a lid a d e u n is s u b s is t e n t e ( a tr ib u iç ã o
v e r b a l d e f a ls a id e n t id a d e ) é in c a b ív e l o co n atu s.

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(MP-SC - 2 0 1 9 - Pro m oto r de justiça) Foi considerada in c o r r e t a a seguinte alternativa:
"No crime de falsa identidade (art. 307 do CP), cujo tipo prevê uma hipótese de 'dolo
específico', é possível a desistência voluntária (art. 15 do CP) quando, apesar da rea­
lização da conduta, não se implementou a especial finalidade à qual estava orientada
a conduta".

6. Distinção
• R e c u s a r à a u t o r id a d e , q u a n d o p o r e s ta , ju s t ific a d a m e n t e s o lic it a d o s ou e x ig id o s,
d a d o s ou in d ic a ç õ e s c o n c e rn e n te s à p r ó p ria id e n t id a d e , e s t a d o , p ro fis s ã o ,
d o m ic ílio e r e s id ê n c ia : a rt. 68 d a LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

• Fin g ir-se fu n c io n á rio p ú b lic o : a rt. 45 d a LCP (D e c re to -L e i n. 3 .6 8 8 /4 1).

• U s u rp a r 0 e x e rc íc io d e fu n ç ã o p ú b lic a : a rt. 328 d o CP.


Cap. Ill • Crimes contra a fé pública 197

• D e ix a r d e id e n t if ic a r -s e ou id e n t if ic a r-s e fa ls a m e n t e a o p re s o p o r o c a s iã o d e
s u a c a p tu ra ou q u a n d o d e v a fa z ê -lo d u ra n te s u a d e te n ç ã o ou p r is ã o : P e n a -
d e te n ç ã o , d e 6 ( s e is ) m e s e s a 2 (d o is ) a n o s , e m u lta . P a rá g ra fo ú n ic o . In c o rre
na m e s m a p e n a q u e m , c o m o re s p o n s á v e l p o r in te rro g a tó rio em s e d e d e
p ro c e d im e n to in v e s tig a tó rio d e in fra ç ã o p e n a l, d e ix a d e id e n t if ic a r-s e a o p re s o
ou a tr ib u i a si m e sm o fa ls a id e n t id a d e , c a rg o ou fu n ç ã o (a rt. 16 d a Lei d e A b u so
d e A u to rid a d e - Lei n ° 13 .8 6 9 /2 0 19 ).

7. Falsa identidade e autodefesa


D is c u t e -s e s e 0 a g e n t e , a o a t r ib u ir -s e f a ls a id e n t id a d e p e r a n t e a a u t o r id a d e
p o lic ia l, e s t a r ia p r a t ic a n d o c rim e o u , a o c o n t r á r io , e x e r c e n d o um d ir e it o d e
d e fe s a .

0 STF, a o ju lg a r a r e p e r c u s s ã o g e ra l no RE 6 4 0 .13 9 /D F (j. 2 2 /0 9 /2 0 1 1 ) , re a firm o u


a ju r is p r u d ê n c ia d o m in a n t e s o b r e a m a t é ria p o s ta em d is c u s s ã o , no s e n t id o
de que 0 princípio constitucional da autodefesa (art. 5°, inciso LXIII, da CF/88)
não alcança aquele que atribui falsa identidade perante autoridade policial
com 0 intento de ocultar maus antecedentes, sendo, portanto, típica a conduta
praticada pelo sujeito ativo (art. 307 do CP).
Na m e s m a e s t e ir a , a S ú m u la 5 22 d o STJ: "A c o n d u ta d e a t r ib u ir -s e fa ls a
id e n t id a d e p e r a n t e a u t o r id a d e p o lic ia l é t íp ic a , a in d a q u e em s it u a ç ã o de
a le g a d a a u t o d e f e s a " .

►Como esse assunto foi cobrado em concurso?


(FCC - 2 0 1 9 - MP-MT - Pro m oto r de Justiça) Foi co nsid erad a in c o r r e t a a seguinte alter­
nativa: "Não com ete 0 delito de falsa id en tid a d e (art. 307) do Código Penal aquele
que, conduzido perante a a u to rid ad e policial, atribui a si falsa id en tid a d e com 0 intui­
to de o cultar seus antecedentes, tendo em vista 0 princípio da autodefesa".
(FCC - 2 0 1 9 - TJ-AL - Juiz de D ireito) Foi co n sid era d a in c o r r e t a a seguinte alternativa:
"(É) atípica a conduta de, em situação de autodefesa, a trib u ir-se falsa id entid ad e
perante auto rid ade policial".
(CESPE - 2 0 1 9 - TCE-RO - P ro c u ra d o r do M inistério Público de Contas) Foi co nsid erada
incorreta a seguinte a lternativa: "A conduta de atrib u ir-se falsa id entid ad e perante
auto rid ade policial em situação de autodefesa não é co nsid erad a crim inosa".
(CESPE - 2 0 1 8 - DPE-PE - Defensor Público) Foi considerada in c o r r e t a a seguinte alterna­
tiva: "A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é atípica,
mesmo quando comprovado que a ação ocorreu com 0 objetivo de autodefesa".
(Quadrix - 2017 - CFO-DF - Procurador Jurídico) Foi considerada correta a seguinte
alternativa: "Suponha-se que Pedro tenha atribuído falsa identidade perante a autori­
dade policial, em situação de autodefesa, para evitar que fosse preso. Nessa situação,
é correto afirmar que Pedro tenha praticado crime de falsa identidade".
(TRF4 -2 0 1 6 - Juiz Fed e ra l) Foi considerada c o r r e t a a seguinte alternativa: "Atualmente,
prevalece no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça 0 enten­
dimento no sentido de que 0 princípio constitucional da autodefesa não aproveita
àquele que se atribui falsa identidade, perante a autoridade policial, com 0 objetivo
de ocultar seus maus antecedentes; logo, tal conduta é penalmente típica".
19 8 Direito Penal - Vol. 3 • Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim

(CESPE - 2016 - PC-PE - Delegado de Polícia) Segundo 0 entendimento do STJ, foi con­
siderada in co rre ta a seguinte alternativa: "A conduta de atribuir-se falsa identidade
perante autoridade policial é considerada típica apenas em casos de autodefesa".
(CESPE - 2016 - TCE-PR - A udito r) Foi considerada incorreta a seguinte alternativa: "Se­
gundo 0 entendimento consolidado nos tribunais superiores, será tida como atípica a
conduta do acusado que, ao ser preso em flagrante, informar nome diverso, uma vez
que agirá em legítimo exercício de autodefesa".
(VUNESP - 2015 -TJ-SP - Juiz de D ireito) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"Segundo a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (...): A conduta
de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é atípica, ainda que em
situação de alegada autodefesa".
(CESPE - 2013 - TRF2 - Juiz Fed e ra l) Foi considerada in co rre ta a seguinte alternativa:
"Por força do princípio constitucional da ampla defesa, não responderá pelo crime
de falsa identidade aquele que se identificar com nome de outrem perante a autori­
dade policial a fim de evitar 0 cumprimento de mandado judicial de prisão expedido
contra si".

8. Ação penal
A a ç ã o p e n a l é p ú b lic a in c o n d ic io n a d a .

C o m o a p e n a m á x im a n ã o u lt r a p a s s a d o is a n o s , o c rim e d o a rt. 307 d o CP


c a r a c t e r iz a -s e c o m o in f ra ç ã o p e n a l d e m e n o r p o t e n c ia l o f e n s iv o , s e g u in d o 0 rito
s u m a r ís s im o d a Lei n. 9 -0 99 / 9 5 -

4.3. uso DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIA

Art. 308. Usar, com o p ró p rio , p a ssa p o rte , título d e eleitor,


c a d e rn e ta d e re se rv ista ou q u a lq u e r d ocum ento de id e n ­
tid a d e a lh e ia ou c e d e r a outrem , p ara que d e le se u tilize,
d ocum ento d e s sa n atureza, p ró p rio ou d e terce iro :
Pena - d ete n çã o , de qu atro m e se s a d o is ano s, e m ulta, se
0 fato não constitui e lem en to de crim e m a is grave.

1. Bem jurídico
T u t e la -s e a fé p ú b lic a , e s p e c ia lm e n t e a id e n t id a d e p e s s o a l.

2. Sujeitos
0 c rim e é c o m u m , ra z ã o p e la q u a l o s u je it o a tiv o p o d e s e r q u a lq u e r p e s s o a .