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Atividades Práticas Supervisionadas

Adaptação – Ciclo Básico


Mecânica Quântica

Nome: Carlos Eduardo Simplicio de Moura


RA: T9889D-8 Turma: EM7P
Sumário
Introdução......................................................................................................................3

Plano de Fundo.............................................................................................................3

A Lei de Planck.............................................................................................................4

O Efeito Fotoelétrico......................................................................................................5

Revisão Bibliográfica.....................................................................................................7

O que é a Mecânica Quântica.......................................................................................7

O Experimento de Fenda Dupla....................................................................................7

A Hipótese de Louis De Broglie....................................................................................8

Princípio da Superposição............................................................................................9

Princípio da Incerteza de Heisenberg.........................................................................11

Entrelaçamento Quântico............................................................................................12

Tunelamento Quântico................................................................................................13

Aplicações na Ciência e Tecnologia...........................................................................14

Criptografia..................................................................................................................14

Computação Quântica.................................................................................................14

Microscopia.................................................................................................................15

Transistores.................................................................................................................15

Impactos produzidos na sociedade.............................................................................16

Efeito do trabalho na Formação do Aluno..................................................................19

Conclusão....................................................................................................................21

Referências Bibliográficas...........................................................................................22

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Introdução

Plano de Fundo
A história por trás do desenvolvimento da Mecânica Quântica está
relacionada a uma pergunta para a qual físicos concordavam em ter a resposta e
entendimento corretos: “O que é a luz?”. Durante os séculos 17 e 18, através dos
trabalhos de físicos como Robert Hooke, Leonhard Euler e Thomas Young, parecia
ter-se chegado a um consenso de que a luz era uma onda, visto que as observações
realizadas em vários experimentos levavam à esta conclusão.
Este entendimento perdurou por cerca 200 anos, quando novas descobertas
começaram a colocá-lo em xeque. Novos estudos, como a descoberta de raios
catódicos por Michael Faraday em 1838, a radiação de corpos negros de Gustav
Kirchnof em 1859 e alguns outros mais realizados na época, não conseguiam ser
explicados admitindo-se que a luz era uma onda, pelo contrário, levavam a crer que
ela se comportava como uma partícula.
Especificamente este estudo sobre radiação em corpos negros, levou os
cientistas a grandes questionamentos. Admitindo-se a existência de um corpo
totalmente negro, em teoria este corpo absorveria toda a luz que recebe, irradiando
a energia absorvida de acordo. Segundo a mecânica clássica, a intensidade desta
radiação variaria de acordo com frequência. Utilizando a ideia de que a luz era uma
onda, cientistas chegaram em uma equação para obter a intensidade desta
radiação, conhecida como a lei de Rayleigh-Jeans.
Segundo esta lei, a intensidade aumentaria exponencialmente conforme o
aumento da frequência. Ela previa de forma precisa a radiação emitida obtida por
resultados experimentais, porém somente até certa ponto. Assim que as frequências
ultrapassavam 105 Ghz, entrando no campo de espectro ultravioleta, os resultados
passavam a divergir completamente, no que ficou conhecido como “Catástrofe do
Ultravioleta”.
Os resultados experimentais mostravam que em determinado ponto, para
dada frequência, a radiação emitida atingiria seu nível máximo, passando a cair
conforme a frequência continuava a aumentar. A lei de Rayleigh-Jeans, não previa
tal fato, pelo contrário, segundo ela, a emissão de radiação deveria continuar
aumentando, ocorrendo o completo oposto do que foi obtido empiricamente. Fora

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isso, se fossem somadas as contribuições de frequências cada vez mais altas para
calcular o total de energia emitida pelo corpo negro, a lei de Rayleigh-Jeans previa
que seria encontrada energia infinita, o que contradiz o princípio da conservação de
energia. Algo claramente estava errado.

Figura 1 - Comparação da divergência entre o que a mecânica clássica previa (Linha


preta) e o que era realmente encontrado em experimentos. Para frequências
maiores (ondas de amplitude menor), a radiação atingia um pico, a partir de onde
passava a cair vertiginosamente.

A Lei de Planck
O problema foi solucionado em 1900 por Max Planck. Segundo Planck, a
energia eletromagnética se dividiria em pequenos conjuntos ou elementos discretos,
partículas, chamados “quanta”, que seriam a menor divisão possível para a energia.
Seguindo sua lei, a energia contida em cada um desses elementos seria dada por:
E=hv
Onde:
 E é a energia contida em cada elemento discreto
 h é a constante de Planck, igual a 6,626 × 10 -34 J⋅s
 v é a frequência

A hipótese da existência destes elementos discretos implica que a energia


não é uma onda, algo contínuo como uma linha reta (linha preta na Figura 1) em um
gráfico cartesiano, na verdade até poderia aparentar ser em uma visão macro, mas

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ao nos aproximarmos cada vez mais desta linha, veríamos que ela na verdade é
como uma escada, com degraus de valor h, dados pela equação obtida por Planck.
Ou seja, é possível para um átomo absorver 1 quanta, 2 quanta, 200 quanta de
energia, mas nunca 1,5 quanta, ou seja, nunca meio degrau dessa escadaria.
A solução proposta por Planck explicava perfeitamente os resultados obtidos
através de experimentos, inclusive os picos obtidos a determinada frequência. Isto
parecia provar que a luz se comportava como partícula.
Os resultados obtidos por Planck causaram confusão no mundo da física, já
que batiam de frente com todos os outros experimentos que comprovavam que a luz
era uma onda. O próprio Planck considerava que sua hipótese não estava
relacionada à realidade da física e da radiação no mundo real. Ele via como um
simples arranjo que permitia expressar matematicamente os resultados obtidos
experimentalmente com a radiação de corpos negros.
Porém mais tarde, em 1905, Einstein provaria que Planck estava certo
através de seus experimentos com o efeito fotoelétrico.

O Efeito Fotoelétrico
O efeito fotoelétrico descreve o que ocorre quando um feixe de luz é emitido
sobre uma placa de metal. Ao serem irradiados com esta luz, elétrons se descolam
da placa e são captados por um coletor próximo, gerando uma corrente.
Tanto a teoria de que a luz se comportava como ondas quanto a que se
comportava como partículas eram capazes de descrever o efeito fotoelétrico. No
entanto, cada teoria tinha uma razão diferente para o porquê de isto ocorrer.
A teoria de ondas explicava que, ao aumentar a intensidade da luz sobre a
placa, aumentaria a força com que a onda eletromagnética colidiria com os elétrons.
Portanto, mais elétrons seriam expelidos da placa a uma velocidade mais alta.
Ou seja, de acordo com a teoria das ondas, a frequência não teria nenhum
efeito sobre a quantidade de elétrons expelidos, somente a intensidade do feixe
importava.
Já a teoria das partículas explica que os elétrons são expelidos ao serem
atingidos por partículas individuais, os tais elementos discretos de Planck, que mais
tarde seriam chamados de fótons. O fóton transfere sua energia para o elétron, que
é expelido da placa, e o fóton é destruído no processo.

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Para fazer com que o elétron fosse expelido, haveria uma quantidade mínima
de energia que um fóton deveria carregar, chamada de função trabalho. Se o fóton
tem menos energia que a função trabalho, ao atingir um elétron, ele não será
expelido. Se o fóton carregasse mais energia, então uma parte dessa energia seria
usada para separar o elétron da placa, enquanto o restante da energia seria
transferida para o elétron em forma de energia cinética.
Através de algumas equações, essa teoria explicava que uma variação da
frequência resultaria em uma alteração da energia do fóton, aumentando a energia
cinética do elétron expelido.
Podemos ver então as divergências entre as duas teorias, os efeitos da
intensidade e frequência sobre os elétrons a serem expelidos.
O que Einstein fez foi colocar à prova ambas as teorias. Através de seus
experimentos com o efeito fotoelétrico, Einstein buscou determinar as seguintes
questões:
 Existe uma frequência mínima para a qual os elétrons não são
expelidos do metal?
 O que acontece quando você aumenta a frequência do feixe de luz?
 Há alguma alteração da energia cinética do elétron quando se aumenta
a intensidade do feixe?
Através dos resultados de seus experimentos, Einstein comprovou que há sim
uma frequência mínima e que, ao se elevar a frequência a níveis acima, a energia
cinética dos elétrons movidos aumenta. Também comprovou que aumentar a
intensidade do feixe de luz, somente aumentava a quantidade de elétrons movidos,
mas não sua energia cinética.
Os resultados obtidos por Einstein estavam completamente de acordo com o
que era previsto segundo a teoria das partículas, comprovando que fótons realmente
existiam e que a luz se comportava como partícula.
Mas e quanto a todos os experimentos que mostravam que a luz era uma
onda? Estavam todos errados? Entender as causas dessa duplicidade onda-
partícula levou ao surgimento da Mecânica Quântica.

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Revisão Bibliográfica

O que é a Mecânica Quântica


A Mecânica Quântica é o ramo da física teórica que descreve o
comportamento de átomos e partículas subatômicas, ao contrário da física clássica,
que descreve a natureza na escala comum observável por todos nós.
Na Mecânica Quântica, conceitos como energia, momento e outras
quantidades de um sistema fechado são restritos a valores discretos, objetos tem
características tanto de partículas como ondas e há limites para a precisão para a
qual quantidades podem ser medidas.
O propósito de se ter um ramo da física específico para o estudo das
micropartículas é o fato de seu comportamento divergir do observável em escala
macroscópica.
Conforme citado na introdução, isto foi observado no comportamento da luz,
que em alguns experimentos mostrava ser uma onda e em outros, uma partícula.
O que ocorre é que a luz se comporta de ambas as formas, ela é uma onda e
um partícula ao mesmo tempo, em um fenômeno caracterizado na mecânica
quântica como Dualidade Onda-Corpúsculo.
Um experimento importante para a Mecânica Quântica, que merece ser
citado, pois seus resultados trouxeram implicações que fundaram muitos de seus
conceitos é o experimento de Fenda Dupla.

O Experimento de Fenda Dupla


Realizado pela primeira vez por Thomas Young em 1801, esse experimento
consistia em disparar uma certa quantidade de luz, primeiramente por uma pequena
fenda somente, e depois por duas fendas. Ao se disparar contra apenas uma fenda,
a luz que ultrapassava gerava uma distribuição semelhante a geometria da fenda em
uma parede posicionada atrás. Porém ao realizar o mesmo com duas fendas, o que
se percebia era a formação de um padrão de interferência característico de uma
onda.

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Figura 2 - Comparação entre os resultados obtidos com uma e duas fendas.

Tais resultados caracterizavam a dualidade onda-corpúsculo, pois, por


exemplo, se a luz é formada por fótons, como foi provado por Einstein, então como
ela podia apresentar esse comportamento? Estudar as razões para a ocorrência
destes fenômenos é o objetivo da Mecânica Quântica, e a levou a gerar alguns
conceitos.

A Hipótese de Louis De Broglie


Louis De Broglie foi um físico francês que, em 1924, em sua tese de PhD,
propôs que tal comportamento observado no experimento de duas fendas não era
característico somente dos fótons, mas que toda a matéria presente no universo
apresentaria essas características de onda.
De Broglie associou o momento de uma partícula ao comprimento de onda
que ela teria através da equação:
h
λ=
p
Onde:
 λ é o comprimento de onda gerado pela partícula
 h é constante de Planck
 p é o momento da partícula

De Broglie também sugeriu que se o experimento de duas fendas fosse


replicado com elétrons, também seria observado o mesmo comportamento de onda,
embora eles constituíssem partículas.

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Essa sugestão foi comprovada em uma experiência realizada por Davisson e
Germer em 1927, comprovando que os elétrons interagiam uns com os outros,
formando padrões de interferência próprios de ondas. Após essa confirmação de
sua teoria, De Broglie recebeu o Nobel de Física em 1929.
Contudo, anos mais tarde, cientistas foram além e posicionaram um sensor
sobre cada uma das fendas, para identificar por qual delas o elétron passaria antes
de se chocar com a parede posicionada atrás. Ao fazer isto, de forma
impressionante, os elétrons retomaram o comportamento de partícula, formando
duas fendas na parede traseira.
Ao se desligar os sensores, o comportamento de onda retorna. É como se os
elétrons “soubessem” quando estavam sendo observados e mudassem seu
comportamento. Tal comportamento levanta muitas dúvidas sobre nosso
entendimento do Universo.

Figura 3 - Ao se detectar o trajeto das partículas, seu comportamento muda.

Isto os levou aos conceitos de Superposição e de colapso da onda através da


medição.

Princípio da Superposição
Conforme visto anteriormente, De Broglie propôs que cada partícula forma
uma onda, mas o que seria esta onda exatamente? Uma onda de probabilidades.

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A mecânica Quântica associa a cada partícula uma função de onda,
normalmente designada por ψ. Esta função trata das possibilidades de uma partícula
estar presente em determinado local a uma determinada velocidade (momento), ou
seja, é a superposição (soma) das probabilidades de um elétron estar em um estado
“A”, ou em um estado “B”, ou “C” e assim por diante.
O verdadeiro estado desta partícula só é revelado após ela ser medida, e a
partir deste momento é entendido como se a função de onda ψ colapsasse, pois a
partícula sempre estará naquele estado, agora conhecido, a partir deste instante.
Como exemplo, no experimento de duas fendas, não sabemos por qual fenda
o elétron ultrapassou, então sua função de onda ψ é a superposição da
probabilidade de passar em uma ou outra fenda, por isso ela se comporta como uma
onda e forma os padrões de interferência característicos. Mas ao detectarmos sua
posição com um sensor, ela se torna conhecida, não havendo mais função de onda,
e alterando seu comportamento para uma partícula, exatamente como foi
demonstrado.
É importante ressaltar a definição de medição para a mecânica Quântica,
medição é uma interação com o ambiente que revela informação suficiente sobre o
objeto para sabermos sua localização. Por exemplo, os objetos macro que vemos
todos os dias, como uma maçã ou uma caneta, estão sempre em interação com o
ambiente, seja através dos fótons de luz que entram em contato com eles, seja
através das moléculas de ar que eles deslocam a partir de suas posições. Isso faz
com que esses objetos sejam sempre medidos e sua localização conhecida, essa é
a razão pra não presenciarmos esses estranhos acontecimentos do mundo quântico
em nosso dia-a-dia. Um elétron, por ser minúsculo, não entra em interação com o
ambiente tão facilmente, não permitindo que saibamos sua posição tão facilmente.
Isto leva a diferentes interpretações sobre o que o elétron está fazendo até
ele ser medido, pois no fundo não sabemos as razões para esse fenômeno, só
temos conhecimento da sua função de onda, mas não sabemos a razão nem como
sua função colapsa.

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Figura 4 - Funções de Onda para um átomo de Hidrogênio a diferentes níveis de
energia. A mecânica Quântica não consegue definir sua localização, somente
estimar a maior probabilidade de encontrá-lo em diferentes locais. Na figura, as
regiões mais claras representam as regiões com maior probabilidade de encontrá-lo.

Princípio da Incerteza de Heisenberg


Como estabelecido, uma função de onda ψ é o conjunto de probabilidades
quanto à posição e o momento de uma partícula.
O Princípio da Incerteza de Heisenberg diz que há um limite na precisão com
a qual conseguimos prever estas variáveis, e que, ao se aumentar a precisão com
que prevemos a posição, acabamos por diminuir a precisão para a velocidade.
Isto se dá pela equação:

Δ x i Δ pi ≥
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Onde:
 Δ x i é a incerteza correspondente à posição da partícula.

 Δ pi é a incerteza correspondente ao momento da partícula.

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 ℏ é a constante reduzida de Planck

O que podemos inferir desta equação é que o produto das duas componentes
de incerteza sempre deve ser maior que metade da constante reduzida de Planck.
Então ao diminuirmos a incerteza da posição, devemos aumentar a incerteza
referente ao momento para que seu produto continue maior que a constante, e vice-
versa.

Entrelaçamento Quântico
Entrelaçamento Quântico é um fenômeno da mecânica Quântica que ocorre
quando um grupo de partículas são geradas, interagem ou dividem uma proximidade
no espaço de forma que o estado de uma partícula não pode ser definido sem o
estado da outra, não importando o tamanho da distância que essas partículas sejam
separadas.
Por exemplo, se duas partículas, com suas respectivas funções de onda
estão entrelaçadas, ao se realizar uma medição em uma e encontrar que ela se
encontra em um estado A, instantaneamente isto obriga a segunda partícula a estar
em um estado B, oposto de A. Podemos então dizer que a medição na primeira
partícula, colapsa a função de onda da segunda partícula. Há algum tipo de
comunicação estabelecida entre as duas e que ocorre mesmo se cada uma das
partículas estiver em um local diferente no Universo.
Em 1964, John Stewart Bell realizou alguns experimentos comprovando esta
comunicação instantânea, mais rápida que a velocidade da luz.
Einstein não concordava com este fenômeno, já que ele aparentava estar em
desacordo com sua Teoria da Relatividade, já que significaria que é possível uma
informação viajar mais rápido que a velocidade da Luz, ou seja, uma das duas
teorias deveria estar errada.
Mas físicos desenvolveram o Teorema da Não-comunicação, que explica o
entrelaçamento ao mesmo tempo que mantém a validade da Teoria da Relatividade.

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Tunelamento Quântico
Este é um fenômeno onde uma partícula subatômica é capaz de ultrapassar
uma barreira potencial. É um dos principais eventos da natureza e que explica por
exemplo, a fusão nuclear que ocorre em estrelas, e o decaimento de energia de um
átomo radioativo.
Também tem muitas aplicações em tecnologia, como em diodos túnel,
computação quântica e microscopia.

Figura 5 - Tunelamento de um elétron através de uma barreira

Isso ocorre pelo fato de, como foi visto na mecânica quântica, uma partícula
pode ser descrita como uma onda de probabilidades e que o comportamento de uma
onda pode ser aplicado.
Por exemplo, um feixe de luz, ou seja, uma onda eletromagnética, emitido
através de um prisma é refratado, atravessando o prisma. O mesmo pode ocorrer
para a onda formada por uma partícula, haverá a probabilidade dessa onda
atravessar a barreira e o elétron, ao ser medido é claro, aparecer do outro lado.

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Aplicações na Ciência e Tecnologia

Criptografia
A criptografia tradicional funciona utilizando chaves: quem envia uma
mensagem usa uma chave para criptografar a informação e quem recebe utiliza
outra para decodificá-la. No entanto, é difícil remover o risco de as chaves serem
comprometidas por um interceptador.
Isto vem sendo resolvido utilizando chaves de distribuição quânticas (QKD),
que são potencialmente inquebráveis. Elas funcionam através do envio de fótons
entrelaçados cuja vibração é restrita a apenas um plano. O recebedor usa um filtro
polarizado para desvendar a mensagem. Como explicado anteriormente, a leitura de
um fóton resultaria na mudança de status do outro fóton entrelaçado a ele, isso
revelaria qualquer tentativa de se interceptar a mensagem, já que alertaria
instantaneamente para uma falha de segurança.
Empresas como Toshiba e ID Quantique utilizam desta tecnologia para criar
sistemas de rede ultra seguros. A ID Quantique desenvolveu em 2007 um sistema
de votação para as eleições na Suíça utilizando QKD.
A primeira transferência bancária utilizando esta tecnologia foi realizada na
Áustria em 2004.
Esse sistema ainda apresenta algumas limitações e não funciona a longas
distâncias, necessitando de melhorias.

Computação Quântica
Os computadores que temos disponíveis no mercado hoje em dia utilizam bits
de informação presentes em transistores, que possuem valores de 0 e 1 para
realizar seus cálculos utilizando código binário.
A computação quântica consiste em desenvolver computadores que utilizam
bits quânticos, chamados de qubits, que podem ser 1 e 0 ao mesmo tempo,
seguindo o princípio das superposições da Mecânica Quântica.
Isto permitiria que múltiplos processos de computação e cálculo fossem
realizados ao mesmo tempo, aumentando consideravelmente a performance dos
computadores.

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As aplicações para esta tecnologia seriam muitas, uma capacidade maior de
processamento nos permitiria modelar a natureza como ela realmente é, utilizando a
física quântica, pela primeira vez na história, diferente do que temos hoje, que são
aproximações. Também permitiria quebrar qualquer código de criptografia atual em
questão de horas.
Em 2019, a Google afirmou que criou um computador quântico chamado
Sycamore. Segundo a empresa, o computador, que possui apenas 54 qubits, foi
capaz de realizar em 200 segundos uma série de operações que os
supercomputadores atuais levariam cerca de 10000 anos.

Microscopia

Em 2014, um time de pesquisadores japoneses desenvolveu o primeiro


microscópio a utilizar entrelaçamento quântico para se gerar uma imagem.
O equipamento dispara dois fótons entrelaçados em uma substância e mede
o padrão de interferência criado pela sua reflexão. O padrão muda a depender se os
fótons atingem uma superfície plana ou irregular. A utilização de fótons entrelaçados
aumenta consideravelmente a quantidade de informação que um microscópio
consegue coletar.
O microscópio foi capaz de visualizar um “Q” gravado em uma superfície de
apenas 17 nanômetros com uma clareza sem precedentes.

Transistores

Além da computação quântica, que é uma tecnologia ainda em


desenvolvimento, o entendimento sobre mecânica quântica permitiu a criação de
transistores. Seus princípios se aplicam no funcionamento dos semicondutores que
estão presentes em um transistor.
Um transistor utiliza a passagem de elétrons de uma região para a outra de
forma a gerar uma corrente que é interpretada 1 e 0 no código binário.
Estas regiões onde fluem os elétrons são formadas por semicondutores como
silício, boro e fósforo. As leis da mecânica quântica foram essenciais para entender
como esses elétrons fluem entre materiais diferentes, sem as quais, não seria
possível a existência de transistores.

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Impactos produzidos na sociedade
Dada o seu impacto no desenvolvimento dos semicondutores, podemos dizer
que a Mecânica Quântica é a base da tecnologia moderna.
Graças a mecânica Quântica, somos capazes de fabricar transistores cada
vez menores, possibilitando computadores e processadores cada vez mais rápidos e
eficientes.
Para termos uma noção deste impacto, os primeiros computadores
eletrônicos construídos eram enormes e consumiam uma energia imensa. Em 1955,
um computador pesava 3 toneladas, consumia 50kW de potência e tinha um custo
de U$200000,00. Apesar disto, era capaz de realizar somente 50 multiplicações por
segundo.

Figura 6 - ENIAC, primeiro computador eletrônico a ser construído

O desenvolvimento dos transistores permite que hoje em dia, temos que


qualquer calculadora comprada em uma feira por R$5,00, seja capaz de realizar até
250 multiplicações por segundo.
A quantidade de armazenamento que temos como comum em qualquer
celular hoje em dia, como cerca de 8Gb também só foi possível graças a Mecânica
Quântica. Ela possibilitou a utilização de uma característica presente nos elétrons
chamada de momento magnético intrínseco para construir cabeças de leitura cada
vez mais sensíveis e menores.

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Figura 7 - Primeiro HD da IBM, pesava 1 tonelada e possuía apenas 5Mb de
capacidade de armazenamento

Mais recentemente, vêm se popularizando os chips SSD, que utilizam os


conceitos de tunelamento quântico e nanovolatilidade para armazenar uma grande
quantidade de dados, além de permitir uma leitura muita mais rápida que os HDs.

Ela também possibilitou avanços na área da medicina, como a criação de


máquinas de ressonância magnética e Ultrassom. Somente os computadores atuais
tem a capacidade de processamento necessária para converter os sinais recebidos
destes equipamentos e formar uma imagem da coluna vertebral de uma pessoa.

Simulações em computador, a indústria 4.0 que vem surgindo, são coisas que
só foram possíveis graças a esses avanços. A maior parte da tecnologia de
informação atual depende da Mecânica Quântica, assim como algumas partes das
áreas de processamento químico, biologia molecular, descoberta de novos materiais
e etc.

Podemos imaginar também os impactos futuros que ela nos permitirá ter,
levando em consideração todos os avanços que ainda são prometidos e estão em
desenvolvimento, como os computadores quânticos.

A mecânica quântica vem permitindo o conhecimento de como o Universo


realmente funciona, além do que conseguíamos perceber somente por nossos

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sentidos. Ela permitirá, algum dia, entendermos como nossos genes governam
nossos corpos, como podemos unificar a física à neurociência e todo tipo de coisa
que hoje só é possível em nossa imaginação ou em filmes de ficção.

Resumindo, sem a mecânica Quântica, seria como se estivéssemos vivendo


ainda em 1920. O posterior “boom” tecnológico se deve ao estudo da teoria
Quântica. Não teríamos computadores, celulares, carros eficientes, as televisões
provavelmente ainda seriam de tubo, toda a comunicação seria feita através de
cabos, não haveriam satélites, não haveria GPS, lasers e telescópios dos mais
potentes.

Com certeza, nosso conhecimento do Universo seria muito mais limitado, não
teríamos descoberto outras galáxias e planetas. Até mesmo o conhecimento do
mundo macroscópico estaria comprometido. Como exemplo, posso citar um estudo
recente sobre a fotossíntese nas plantas e outros organismos, que mostra que a
teoria quântica desempenha um papel fundamental nesse processo.

Se pensarmos que a Mecânica Quântica trata do comportamento de átomos,


que literalmente, compõem tudo que está a nossa volta e nós mesmos inclusive,
temos que concluir que ela está em todo lugar na nossa sociedade e tudo que vem
sendo desenvolvido e estudado nos dias de hoje, em qualquer área de
conhecimento, se deve aos avanços obtidos com esta teoria.

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Efeito do trabalho na Formação do Aluno

Vejo que o perfil de um engenheiro deve ser o de uma pessoa muito prática,
que procura facilitar e tornar tudo mais eficiente.

Por isso, creio que a maior parte dos engenheiros não tem motivos para
estudar a Mecânica Quântica atualmente. Em vez disto, usam as simplificações
obtidas através das fórmulas da Mecânica Clássica, que apesar de não
demonstrarem os efeitos dos fenômenos físicos com 100% de precisão, fornecem
aproximações muito boas, já que em sistemas macro, os conceitos da Mecânica
Quântica e todos os seus efeitos “estranhos” podem ser praticamente desprezados.

Mecânica Clássica:

F=ma

Mecânica Quântica:

−h2 d 2 ψ ( )
x +V (x )ψ ( x )=Eψ ( x)
2m d x2

Comparando as duas equações acima, que expressam definitivamente a


mesma coisa, como o estado de um sistema físico muda com o tempo, a diferença
na complexidade da Teoria Clássica para a Quântica. Tais fatores parecem tornar
impraticável ou pelo menos dificultar muito a utilização da Mecânica Quântica no dia-
a-dia.

No entanto, após realizar este trabalho, percebi que uma nova era parece
estar dando seus primeiros passos, onde estamos entrando em um estágio de
desenvolvimento de tecnologias quânticas, que definitivamente irá requerer um
conhecimento mais profundo desta teoria.

Essas tecnologias incluem coisas como computação quântica, comunicação


quântica, metrologia quântica e materiais quânticos.

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Figura 8 - Primeiro computador quântico comercial do mundo, produzido pela IBM.

Por exemplo, este computador quântico da imagem, atualmente ele possui 53


qubits, o que já é uma capacidade de processamento maior que qualquer
supercomputador existente, porém ele tem 2,7 metros de comprimento e para
funcionar requer um sistema de refrigeração capaz de manter os qubits a
temperaturas de quase 0K. Com certeza, muitos avanços ainda virão, assim como
ocorreu com os computadores tradicionais. Isto necessitará de muita mão-de-obra
para engenheiros que decidirem se especializar nesse ramo.

Portanto, me parece uma aposta razoável que começaremos a ver um


aumento na importância que essa teoria terá para a engenharia conforme
tecnologias mais avançadas passarem a ser desenvolvidas.

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Conclusão

Podemos concluir que a Mecânica Quântica foi desenvolvida para explicar


eventos que desafiavam o entendimento clássico que possuíamos. É a teoria de
maior sucesso na física, que descreve com extrema precisão a maior parte dos
fenômenos observados no universo.

E mesmo com tanto sucesso, vemos que ainda há muito a descobrir, como
por exemplo, o porquê do colapso da função de onda através da medição.

Após este trabalho, também se pode perceber que apesar de bem complexa
e abstrata, podemos ao menos entender seus conceitos gerais com certa facilidade.

Entender como as coisas funcionam em um nível microscópico possibilitou


incríveis avanços tecnológicos para a sociedade e com certeza promoverá muitos
outros mais como vimos com as novas tecnologias que vem sendo criadas.

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Referências Bibliográficas

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https://pt.wikipedia.org/wiki/Colapso_da_fun%C3%A7%C3%A3o_de_onda

https://pt.wikipedia.org/wiki/Princ%C3%ADpio_da_incerteza_de_Heisenberg

https://www.gta.ufrj.br/grad/07_1/quantica/PrincpiosdaMecnicaQuntica.html

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https://courses.lumenlearning.com/physics/chapter/27-3-youngs-double-slit-
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https://en.wikipedia.org/wiki/Wave%E2%80%93particle_duality

https://en.wikipedia.org/wiki/Photoelectric_effect

https://pt.wikipedia.org/wiki/Constante_de_Planck
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https://en.wikipedia.org/wiki/Rayleigh%E2%80%93Jeans_law

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https://www.smithsonianmag.com/science-nature/five-practical-uses-spooky-
quantum-mechanics-180953494/

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