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Sobre as escolas privadas com contrato de associação: a posição de

MEP

Um grupo de escolas privadas autodesignado movimento SOS-


Educação tem vindo a promover um conjunto de protestos contra os
cortes no financiamento dos contratos de associação que estabelece
com o Ministério da Educação. O Movimento Escola Pública
manifesta-se contra o primado do negócio e em defesa das
instituições que asseguram serviço público. Assim, defendemos:
1) A existência de contratos de associação – verbas que o Estado
atribui a escolas privadas para que estas garantam turmas com ensino
gratuito - só se justifica nos locais onde a rede pública de ensino é
insuficiente para assegurar a frequência de todos os alunos. A portaria
1324-A/2010 não apresenta critérios objectivos para estabelecer quais
as zonas “carecidas de rede pública” e que justificam a celebração de
contratos de associação, pelo que se exige que o Governo esclareça,
imediatamente, onde e quando é que a oferta pública não responde às
necessidades das populações.
2) O custo estimado pelo governo de uma turma nas escolas públicas
não corresponde ao financiamento necessário para garantir um ensino
de qualidade para todos os alunos, situação que se veio agravar com
as medidas aprovadas no âmbito do Orçamento de Estado e do
Conselho de Ministros e que claramente prejudicam o combate ao
insucesso e ao abandono escolares.
3) Os cortes nos contratos de associação, feitos a meio do ano lectivo
e sem uma ponderação global dos que se justificam e dos que não se
justificam, foram aplicados com o único objectivo de reduzir a despesa
ao abrigo das medidas de austeridade, e não por critérios de justiça e
igualdade, dado que o poder político sempre foi conivente com a
proliferação destes negócios, alguns deles de utilidade pública muito
duvidosa, que florescem mesmo ao lado de escolas públicas sem que
estas tenham esgotado a sua capacidade.
4) São totalmente inaceitáveis as pressões, perseguições,
despedimentos ou mudanças de local de trabalho perpetradas pelas
direcções de algumas escolas privadas - ligadas a grupos económicos
relevantes e/ou à Igreja - que atacam o elo mais fraco para conseguir
manter as suas margens de lucro. Os abusos aos trabalhadores
destas instituições já vêm de há muito tempo e devem merecer toda a
atenção e intervenção por parte da ACT e da Inspecção do Ministério
da Educação.
5) Para cumprir a Constituição, qualquer Governo tem de assegurar o
direito ao ensino público a todos os(as) alunos(as), incluindo aqueles e
aquelas cujas escolas actuais desejem quebrar os contratos de
associação. Verifica-se que em algumas destas escolas já se
sondaram as famílias para o eventual pagamento individual de uma
prestação mensal avultada.
6) Finalmente, o Movimento Escola Pública denuncia a hipocrisia do
governo. Não podemos acreditar na apresentação destas medidas em
nome de uma espécie de defesa da centralidade da Escola Pública,
ao mesmo tempo que se corta a direito no orçamento e nos recursos
humanos das escolas públicas, pondo na verdade em causa o direito
de todos a um ensino de qualidade.
Movimento Escola Pública, 1 de Fevereiro de 2011

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