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<P Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

CNBB

Ele está
no meio de nós

Roteiros Homiléticos
do Tempo Comum:
setembro, outubro, novembro
Ano À

Queremos Ver Jesus


Caminho, Verdade e Vida

EB. PAULUS
1º edição — 2008

Capa: Ilustração de Dom Ruberval Monteiro, osb


(Mosteiro da Ressurreição — Ponta Grossa — PR)

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O Pia Sociedade Filhas de São Paulo — São Paulo, 2008
Apresentação

“A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” é o


Fr

tema do Sínodo dos Bispos, em outubro deste ano. Certamen-


te, um tema central para nosso seguimento de Jesus. Somos
discipulos(as) missionários(as) desta Palavra eterna do Pai, a
qual se fez corpo e sangue, alimento de salvação, Pão da Vida
para a vida do mundo. De uma maneira própria e sacramental,
isso acontece na liturgia: “Tomai e comer”. Na mesa da Palavra
e na mesa da Eucaristia está posto o mesmo e único Pão: Jesus
Salvador (cf. Dei Verbum, n. 21).
Em seu discurso inaugural da Conferência do Episcopado
Latino-Americano e Caribenho em Aparecida, o Papa Bento XVI
ressaltou que o anúncio e a acolhida da Palavra são fundamen-
tais para a vida e a missão da Igreja e ocupam lugar central na
liturgia. À luz desse ensinamento, as novas Diretrizes Gerais da
Ação Evangelizadora (2008-2010) da Igreja no Brasil completam:
“Á proclamação da Palavra na liturgia torna-se para os fiéis a
primeira e fundamental escola da fé. Por 1sso, é essencial que
pastores e fiéis se empenhem para que a Palavra seja claramente
anunciada nas celebrações ao longo do ano litúrgico, e seja co-
mentada e refletida com homilias cuidadosamente preparadas e
encarnadas na vida” (n. 62).
Tornam-se cada vez mais insistentes as recomendações
de nossos Pastores para que à Liturgia da Palavra seja dada a
importância que lhe é devida, valorizando ao máximo a procla-
mação e a meditação orante da Palavra de Deus (cf. Sacramentum
Caritatis, nn. 43-46). Temos no Apóstolo Paulo um exemplo
para isso. Neste Ano Paulino, a recordação de São Paulo suscite
em nós, ministros da Palavra e evangelizadores, e em nossas
comunidades um renovado impulso missionário em benefício

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de toda a humanidade. A celebração da Palavra e a celebração
da Eucaristia, particularmente aos domingos, manifestem que
realmente a celebração da liturgia é fonte e cume da vida e da
missão da Igreja (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 10).
Os roteiros homiléticos que estamos apresentando, pre-
parados com muito carinho pela liturgista Maria de Lourdes
Zavarez e pela biblista Maria do Carmo, certamente contribuirão
muito para que possamos preparar não somente as homilias mas
também a proclamação, a recepção e a meditação da Palavra na
conclusão deste Ano Litúrgico.
Acompanhando o Evangelho de Mateus, queremos animar
nossa vocação de discípulos missionários. Estaremos evangeli-
zando quando nós, cristãos, mostrarmos aos que não o são que
nossa vida é plena de sentido quando nossas comunidades cristãs
viverem relações de amor com Deus e com os irmãos.
A conclusão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizado-
ra, no número 216, afirma o seguinte: “Maria Mãe do Senhor,
primeira evangelizada e primeira evangelizadora, invocada no
Brasil com o título de Nossa Senhora Aparecida, icone da Igreja
em missão, nos inspire com seu exemplo de fidelidade e disponi-
bilidade incondicional ao Reino de Deus e nos acompanhe com
sua materna Intercessão”.

t Dom Fernando Panico, msc


Bispo de Crato, CE
Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia

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23º Domingo do Tempo Comum.
7 de setembrode 2008 |
Dia da Pátria; Grito dos Excluídos
Leituras: Ezequiel 33,7-9; Salmo 94(95),1-2.6-7.8-9;
Romanos 13,6-10; Mateus 18,15-20 (entre irmãos)

Onde dois ou três estiverem


reunidos em meu nome,
eu estou aí, no meio deles

1. Situando-nos brevemente

Neste domingo renovamos a certeza da presença do Senhor


na assembléia de irmãos, reunidos para celebrar a Páscoa. Hoje
sua Palavra nos educa para o diálogo de ajuda e correção fraterna,
em fidelidade ao mandamento do amor mútuo, “única dívida que
devemos ter uns com os outros”.
“A Palavra de Deus, durante todo o ano, tem lugar signifi-
cativo na liturgia. Neste mês, a equipe de liturgia deve promover
e aperfeiçoar ainda mais os ritos da Palavra: sua proclamação,
escuta, resposta, vivência... na celebração dominical, na leitura
orante da Bíblia, no Ofício Divino” (AposTOLADO LITÚRGICO,
Agenda litúrgica 2008).
Como povo brasileiro, celebramos o Grito de Independên-
cia que deu início ao processo de liberdade, de autonomia e de
co-responsabilidade na construção de nossa história, para sermos
uma Pátria unida, feliz e libertada, segundo nosso direito de filhos
de Deus e cidadãos do mundo. Reconhecemos agradecidos nossos

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inúmeros valores: a diversidade de povos e culturas que tecem
nossa identidade brasileira, a beleza e a riqueza dos variados bio-
mas que constituem nossa amada terra e o dinamismo crescente
do povo que, com trabalho, arte, criatividade e alegria, procura
soluções para os problemas e contradições, sempre frequentes
em seu dia-a-dia.
Neste dia, também assumimos, como comunidade cristã,
o grito ainda abafado de uma multidão incontável de excluídos,
que lutam por respeito, dignidade, igualdade e cidadania, valores
que o sistema social, político e econômico injusto e opressor
desumanamente lhes tem negado em nosso país. “As condições
de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua
miséria e dor contradizem o projeto do Pai e nos desafiam, como
cristãos, a um maior compromisso a favor da cultura da vida
[...); eles são sujeitos da evangelização e da promoção humana
integral” (Documento de Aparecida, nn. 358.397.398).
Toda essa realidade, que ainda clama por reconciliação,
ganha sentido e força no mistério da Páscoa do Senhor que cele-
bramos, como Corpo de Cristo, pela Palavra e pela Eucaristia. Aos
quarenta anos da IL Assembléia do CELAM, em Medellin, lembra-
mos que, a partir dessa importante Conferência, a liturgia como
memorial da Páscoa está identificada com os sinais de libertação
na vida dos pobres, recuperando a relação entre liturgia e vida.

2. Recordando a Palavra

Os Evangelhos são fruto da vivência de fé das comuni-


dades cristãs. Mateus deixa transparecer as exigências de vida
para quem segue Jesus. As primeiras palavras de Jesus neste
Evangelho são: “Pois convém que realizemos toda a justiça”
(Mt 3,15). Jesus exige de seus seguidores e seguidoras uma prá-
tica da justiça perfeita: “Se a justiça de vocês não superar a dos

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doutores da lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do
céu” (5,20). E ele exigiu: “Busquem em primeiro lugar o Reino
de Deus e sua justiça” (6,33a). A Palavra de Deus que ouvimos
hoje é um claro exemplo das relações e da experiência eclesial
da comunidade de Mateus.
O capítulo 18, chamado de Sermão da Comunidade, mostra
como os seguidores de Jesus devem viver a justiça do Reino den-
tro da comunidade, na fidelidade a seu projeto: superar a compe-
tição, tornando-se como uma criança; evitar o contratestemunho,
mesmo que seja necessário cortar mão, pé ou arrancar o olho para
manter-se no seguimento de Jesus; cuidar dos pequeninos, Ir atras
da ovelhinha perdida, acolher e fazer festa pelo encontro.
O Sermão da Comunidade começa com uma pergunta dos
discípulos que provocou o ensinamento de Jesus: “Quem é o maior
no Reino dos céus?”. Jesus toca em uma realidade dificil das rela-
ções humanas e muito exigente para quem quer ser sua discípula
ou seu discípulo. Como agir com alguém da comunidade que
saiu da caminhada e é infiel à sua condição de seguidor de Jesus?
Ser discípulo de Jesus exige uma conduta determinada; o Reino,
coração da mensagem de Cristo, acarreta exigências éticas. Em
atitude profética, a comunidade é responsável pela fidelidade de
seus membros à vontade do Pai. Se houve ofensa, a comunidade se
engaja em um processo de reintegração do pecador à comunidade:
admoestação a sós, correção fraterna com mais um ou dois Irmãos
como testemunhas; se quem errou não der atenção, deve-se infor-
mar à comunidade; se nem assim houver mudança, considerá-lo
pagão e coletor. O que nos parece estranho é que Jesus conviveu
e chamou para seu seguimento “pagão e coletor de impostos”. A
excomunhão é uma atitude que nos choca. Mas esse passo drástico
é a última cartada para despertar a consciência do ofensor e levá-lo
à reconciliação. Esse procedimento tem como base Deuteronômio
19,15: “Uma só testemunha não é suficiente contra alguém, seja
qual for o caso de crime ou pecado. Em todo pecado que alguém

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tiver cometido, o processo será aberto pelo depoimento pessoal
de duas ou três testemunhas”.
A atribuição de “ligar/desligar” e a palavra sobre “onde
dois ou três estiverem reunidos em nome de Jesus” referem-se
ao ministério da reconciliação oferecido a toda a comunidade.
Ministério exigente que deve ser iluminado pela presença do
Ressuscitado no meio dela. O acordo da comunidade reunida em
oração será aceito por Deus, porque ele está presente, de maneira
especial, na oração e na atitude de amor exigente.
Conforme a Palavra de Deus através de Ezequiel, Deus
nomeia sua sentinela; ele, o profeta, tem que avisar os perversos
a respeito de sua conduta, para que não se percam. Deus cobrará
dele esse serviço. À responsabilidade do profeta é grande. Porém,
em sua bondade, Deus até atrasará a execução da sentença para
dar tempo à mudança de vida do pecador.
A Carta aos Romanos sintetiza o decálogo que está em Exodo
20 e Deuteronômio 5. O amor é o cumprimento máximo de toda a
lei da comunidade cristã. Onde existe amor não pode existir mal.
O Salmo 94(95) mistura louvor e denúncia profética. É
um convite insistente para louvarmos a Deus: vinde, exultemos,
aclamemos, caminhemos, celebremos, adoremos, prostremos,
ajoelhemos diante de Deus, que nos criou, porque ele nos conduz
como Pastor. Mas somos denunciados porque nós, seu povo, seu
rebanho, suas ovelhas, fechamos nosso coração e provocamos a
Deus, apesar de termos visto sua obra. Esse salmo nos exorta a
ouvir hoje a voz de nosso Deus.

3. Atualizando a Palavra

O Evangelho exige o dialogo na comunidade, a correção


fraterna, o perdão, a oração comunitária que nos anime a traba-
lhar pelo Reino de Deus. Jesus ensina os passos da vivência da

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misericórdia e do amor fraterno em nossas relações cotidianas.
Se alguém da comunidade cometeu alguma falta grave contra
seu irmão, o diálogo é fundamental. Quem foi ofendido não vai
fazer-se de vítima, nem fazer comentários, fofocas para que toda a
comunidade fique sabendo, nem denunciar indiscriminadamente.
À primeira e a mais dificil atitude é perdoar: ir procurar o irmão
em particular, conversar, mostrar onde está o erro e convidá-lo
a reintegrar-se ao seguimento de Jesus.
Quem ofendeu um membro da comunidade rompeu com a
comunidade toda. O Evangelho nos convida a fazer de tudo, apelar
a toda a criatividade para que reme entre nós o jeito de ser de Jesus.
Mas, “se não lhe der ouvidos”, convide uma ou duas pessoas para
ajudar no diálogo. Se mesmo assim não houver reconciliação, só
depois de muitas tentativas é que se recorre à comunidade, que age
em nome de Jesus, ajudando nos conflitos e nas necessidades dos
irmãos. Parece até que estamos pressionando o irmão, mas como
se trata da justiça do Reino, precisamos fazer de tudo para que o
irmão não se perca, não saia da caminhada da comunidade, do
seguimento fiel a Jesus e volte-se para as exigências evangélicas.
E se nada der resultado satisfatório? Só aí a comunidade tomará
conhecimento do erro e será chamada a tomar uma decisão: “Caso
não der ouvidos, comunique à Igreja”.
Com a certeza da presença do Ressuscitado no meio da co-
munidade, somos convidados a agir como Deus age. Neste mundo
de competição, ganância, mentira e acumulação, a comunidade
deve ser um espaço alternativo de solidariedade, fraternidade, prá-
tica da justiça, da verdade e do perdão. Temos dado a importância
necessária à lei cristã do amor, ao perdão, à correção fraterna, ao
diálogo na vida familiar e na comunidade”? A prática da caridade,
nos diz Paulo, é “o pleno cumprimento da Ler”.
Pelo Batismo somos nomeados sentinelas por Deus. Temos
denunciado o erro ou corremos o risco de Deus nos pedir contas
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por não termos alertado os perversos e injustos, nem os ajudado
a mudarem de conduta?
Que mudanças no relacionamento a Palavra de Deus nos
propõe hoje? Quais os problemas que atualmente temos em nossas
comunidades que são questionados pela Palavra de Deus, hoje?
Oxalá ouçamos a voz do Senhor!

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


Quando nos reunimos para celebrar, nós nos constituimos
Corpo de Cristo. O espaço celebrativo, ao abrigar esse Corpo vivo
do Senhor, que é a comunidade de irmãos reunida em seu nome,
torna-se sacrário vivo. Cada membro, com sua realidade pessoal e
única, acolhido como parte viva desse corpo, manifesta a presença
do Ressuscitado e deve ser considerado seu verdadeiro simbolo.
E mais: “Somos incessantemente chamados a contemplar, nos
rostos sofredores de nossos irmãos, o rosto de Cristo, que nos
convoca a servi-lo neles” (Documento de Aparecida, n. 393).
Participando da mesa eucarística, somos mais estreitamen-
te irmanados e fortificados no amor solidário, sempre aberto à
reconciliação, como rezamos hoje na oração sobre as oferendas:
“Fazei que nossa participação na Eucaristia reforce entre nós os
laços da amizade”.
O abraço fraterno nos ritos de comunhão, mais do que
simples saudação ou um gesto expressando cordialidade entre
amigos e conhecidos, sinaliza e nos prepara para receber, na
comunhão, o que realmente somos: o corpo eclesial de Cristo,
como já no IV século dizia Santo Agostinho.
A Palavra hoje evidencia a comunhão e o amor fraterno na
comunidade eclesial e também na oração, na correção amorosa,
na mútua amizade. Nisso realizamos a união com Cristo para

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sempre, como rezamos na oração final deste dia, e nos tornamos
comunidade cristã, sacramento de salvação para o mundo.
A Eucaristia nos faz discípulos missionários: exige que per-
maneçamos firmes e constantes no bem, na dedicação aos irmãos
e na permanente busca de reconciliação, vencendo o egoísmo, a
alienação e o pecado, que rompem a comunhão com o Pai.

5. Sugestões para a celebração


1. Preparar o espaço celebrativo, como sacrário vivo do Senhor,
destacando, com igual dignidade, a mesa da Palavra e a mesa
da Ceia.
Dar atenção especial aos ritos iniciais, cujo sentido é con-
gregar os irmãos, constituindo com Cristo seu corpo vivo e
ressuscitado. A acolhida bem fraterna a quem chega e o nto de
incensação da assembléia, neste domingo, podem evidenciar
a reunião de irmãos como presença do Ressuscitado.
. Logo após a saudação de quem preside, dar o sentido da ce-
lebração, tornando presente a realidade de nossa Pátria, com
suas conquistas e desafios, alegrias e tragédias. Lembrar espe-
cialmente dos excluídos, porque somos parte deles ou porque
com eles nos unimos no “grito” por dignidade e melhores
condições de vida.
. Iniciar o nto da Palavra com um refrão apropriado, trazendo o
Lecionário ou a Biblia para o lugar de onde serão proclamadas
as leituras e cantado o salmo. Mais do que valorizar o livro, é
importante destacar o serviço de quem proclama as leituras,
como sinal sacramental do Cristo que fala a seu povo reunido.
Dai a necessidade de preparar as leituras e o canto do salmo,
bem como exercer bem os ministérios de leitor e salmista,
com atitude espiritual de discípulos e servidores.

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- Nas preces, ter presente a realidade dos excluidos e de nossa
Pátria, cujos municípios vivem, neste tempo, o processo elei-
toral.
. À luz do Evangelho de hoje, motivar, antes do rito eucarístico,
o abraço de reconciliação e paz, como sinal sensível de unidade
que nos prepara para a participação na Ceia e que oferecemos
ao mundo para a reconciliação da humanidade.
. Cantar o prefácio e seu diálogo inicial, com a saudação: O
Senhor esteja convosco! Ele está no meio de nós! O prefácio
do Tempo Comum IV, que realça a salvação em Cristo, e a
Oração Eucarística X, para a missa com crianças II, com seu
prefácio, são bem apropriados para hoje.
Neste mês dedicado à Bíblia, fazer a bênção final com o livro
da Palavra de Deus e as palavras da bênção biblica (cf. Nm
6,24-26), indicada pelo Missal Romano para o Tempo Co-
mum.
Amanhã, dia 8 de setembro, festa da Natividade de Nossa
Senhora.

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24º Domingo do Tempo Comum
|4 de setembro de 2008
Exaltação da Santa Cruz

Leituras: Números 21,4b-9; Salmo 77(78),1-2.34-35.36-37.36;


Filipenses 2,6-11; João 3,13-17

Deus amou tanto o mundo,


que entregou o seu Filho Unico

1. Situando-nos brevemente

Celebramos, neste domingo, a Exaltação da Santa Cruz.


Entre os cristãos orientais, ela constitui uma solenidade seme-
lhante à da Páscoa. Desde o século IV no Oriente e o século VII
no Ocidente, o povo cristão celebra, nesta data, o triunfo da cruz,
instrumento e sinal de salvação.
As igrejas/basilicas que ficam em Jerusalém — no Gólgota
e no sepulcro do Ressuscitado — foram consagradas em 13 de
setembro de 335. No dia seguinte, mostrando o que restava do
lenho da cruz do Salvador, era lembrado ao povo o significado
profundo das duas igrejas. Daí a origem histórica dessa festa no
dia 14 de setembro.
O símbolo da cruz — braços abertos, unindo céu e terra
— sacralizou todos os cantos da Terra e todas as experiências
sociais e pessoais da humanidade.
Hoje, exaltamos a cruz, como sinal que manifesta, para
sempre e para todos, o amor de Deus por nós, levado até as úl-
timas consequências por Jesus, o Filho amado, na entrega total

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de sua vida. A celebração eucarística é memorial desse grande
mistério, que nos faz voltar para os verdadeiros crucificados de
hoje: os excluídos, os explorados, os doentes... e tantos que,
carregando em sua vida as chagas da dor, aguardam esperançosos
serem descidos da cruz como ressuscitados. Na cruz de Cristo
está nossa vida e ressurreição.

2. Recordando a Palavra

A palavra que ouvimos no Evangelho de hoje faz parte da


conversa entre Jesus e Nicodemos. Jesus lhe fala do Filho do Ho-
mem, personagem simbólico, identificado na tradição judaica ao
Messias davídico (cf. Ez 2,1; Dn 7,13-14; Mt 8,20; 26,64; Jo 9,35;
Ap 1,13). É expressão usada uma centena de vezes pelo profeta
Ezequiel. Filho do Homem pode significar a pequenez da pessoa
humana, incapaz de manter-se de pé, diante da grandeza de Deus.
Em Daniel é um homem individual, indivisível, profundamente
humano. É o filho da humanidade oposto aos animais que sobem
do mar, símbolo do mal, reconhecidos como os impérios que são
contra o projeto de Deus. É uma referência simbólica, usada na
apocalíptica judaica pós-exilica para indicar um ser misterioso,
realizador dos desígnios divinos nos tempos escatológicos; possui
autoridade judicial e régia; o filho do homem tem como atributos
a majestade e a transcendência. O Filho do homem vem sobre as
nuvens, o que significa que é relacionado ao divino. Essa vinda
é evocada várias vezes por Jesus, como expressão de sua própria
esperança.
Jesus faz alusão também à serpente de bronze erguida por
Moisés no deserto, que curou os doentes que a contemplavam,
conforme ouvimos hoje (cf. Sb 16,6-10). O símbolo da serpente
enrolada em uma haste lembra algum culto antigo a um deus que
cura, muito frequente na antiguidade. O relato de Números pode
ser uma tentativa de eliminar elementos estranhos à fé de Israel

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e testemunhar que é o Senhor Deus quem oferece a cura a seu
povo e salva sua vida. O uso litúrgico da cruz, próxima ao altar,
evoca a figura bíblica da serpente de bronze que Moisés elevou
no deserto: olhando-a, os hebreus mordidos pelas serpentes eram
curados.
Assim, o Filho do Homem será levantado, diz Jesus a
Nicodemos, para que quem nele crer tenha vida plena (cf. Jo
10,10). Jesus declara que Deus enviou seu Filho ao mundo para
sua salvação e não para o julgamento. Jesus será levantado na
cruz, que se tornará o sinal de sua glorificação. Na presença de
Jesus, especialmente de sua cruz, acontece o julgamento para
quem não crê e a salvação para quem aceita sua proposta.
Em Filipenses 2, temos um hino litúrgico (aramaico ou
grego) dos primeiros tempos da Igreja. Esse hino cristológico,
dirigido a Jesus e por ele ao Pai, cantado pelos primeiros cristãos,
possui duas partes. À primeira fala do Filho de Deus que se torna
o filho do homem, profundamente humano, rebaixa-se, torna-se
servo, obediente até o extremo da cruz, paixão e morte. Jesus
escolheu na Terra o serviço, a humildade e a obediência ao pro-
jeto do Pai. Despojou-se, esvaziou-se (ekénosen). Essa quênose,
aniquilamento, não significa que Jesus deixe de ser Filho de Deus
ou de ser a imagem do Pai: é em seu próprio rebaixamento total
que ele revela o jeito de ser e o amor de Deus Pai.
Tornou-se obediente até a morte de cruz. Chegou ao fundo
da miséria humana, pois morrer na cruz significava pertencer
ao grupo dos marginais, dos contra a lei vigente, ser tido como
bandido. Há uma repetição intencional que Jesus é humano, re-
alisticamente vulnerável à humilhação, à condenação, à morte
na cruz.
“Morte de cruz” — “Se Paulo acrescentou essa frase a um
hino já existente, deve ela valer como um comentário destinado a
seus leitores filipenses. Em uma cidade romana, para os ouvidos

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de cristãos que certamente se sentiam orgulhosos de pertencer a
uma colônia romana (cf. At 16,12), essa menção da cruz devia soar
como algo horrível e repugnante. Com efeito, a morte na cruz era
reservada aos escravos e às pessoas de classe social inferior. Ora, O
Senhor da Igreja consentiria em terminar sua vida em um patíbulo
romano e, assim, no modo de ver dos judeus, morrer sob o peso da
condenação divina” (MARTIN, R. P Philippians. Grand Rapids, 1982.
pp. 99-100, citado por GourcuEs, M. Os hinos do Novo Testamento.
São Paulo, Paulus, 1995. p. 70, Cadernos Bíblicos, n. 66).
A primeira parte do hino exalta, portanto, a figura do Mes-
sias como o “Servo de Deus” mediador da salvação. A segunda
celebra sua glorificação, como solene entronização e adoração
do Senhor de todo o universo. O Reinado cósmico do Senhor
sobre mortos e vivos começa na ressurreição e estende-se até a
parusia. Conferir um nome é atribuir não apenas um título mas
também uma nova identidade, uma dignidade autêntica. Aqui se
trata do nome Senhor, que é a palavra grega (Kyrios) para exprimir
o nome impronunciável de Deus. O senhorio de Deus revela-se
em Jesus, em sua extrema humilhação.
Hoje cantamos o Salmo 77(78), lembrando parte da his-
tória do povo de Deus. Esse salmo recorda os grandes feitos de
Deus em favor de seu povo, aos quais o povo responde sempre
com infidelidade. Mas Deus é o libertador, o aliado fiel que não
falha, tem compaixão das fraquezas e perdoa os erros de seu
povo. Jesus nos ensina a fidelidade à Aliança com o Pai, benigno
e compassivo.

3. Atualizando a Palavra

“E necessário que o Filho do Homem seja levantado” para


que se mostre o amor de Deus, que quer a salvação da humani-
dade, ouvimos no Evangelho. Jesus aniguilou-se, entregou-se

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como verdadeiro Servo Sofredor, e Deus premiou sua fidelidade,
exaltou-o e o fez Senhor. Esse estranho amor de Deus provoca,
muitas vezes, crise em nossa fé e nos questiona em nossa fideli-
dade a Jesus crucificado e ressuscitado.
Jesus escolheu o caminho do despojamento, da fragilidade,
do serviço, e nós, muitas vezes, preferimos suntuosidade, sucesso,
glória. Hoje, a Palavra nos ensina a compreender quem é Jesus,
aprender a segui-lo em seu caminho e ter coragem para tanto,
assumir a atitude de total despojamento e aniquilamento até
chegar à total solidariedade com a pessoa desfigurada. Estamos
exaltando a santa cruz nas pessoas crucificadas de hoje, pelo
compromisso de solidariedade”?
A cruz foi instrumentalizada no mundo capitalista e virou
um material de consumo para muitos que se dizem cristãos. É
estranho exaltar um instrumento de tortura, a cruz, ou o “pau-
de-arara” da paixão e morte de muitos perseguidos. À cruz que
salva nos convida a sermos, com Jesus, agentes de salvação. O
que se exalta na cruz é a salvação, a entrega total de Jesus, e não
a tortura e a morte.

Quando competimos para manter nossos cargos e nossas


posições, às vezes passando por cima de outras pessoas, estamos
usando a cruz como um amuleto. Ela não estará ligada à ação
salvadora de Jesus, mesmo que esteja em nossos templos, nos
terços, em nosso pescoço ou em nossas paredes. “A cruz de Jesus
Cristo deve ser nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição;
foi ele que nos salvou e libertou” É preciso que tenhamos os
mesmos sentimentos de Cristo Jesus.
“O símbolo da cruz deverá nos levar aos crucificados de
hoje, servos sofredores: pobres, doentes, idosos, explorados,
crianças... São eles os mais dignos de serem colocados ao vivo
perto dos altares em nossas missas. A salvação só virá a nós
através deles, para os quais é sempre válida a palavra do Evan-

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gelho: “Tive fome... tive sede...” (Mt 25)” (Missal Dominical,
p. 1.355). Nenhum sofrimento nos deve aniquilar. A cruz já é
vitoriosa em Jesus Ressuscitado. Levemos aos crucificados de
hoje essa palavra de esperança, de confiança inabalável: a vida
vence a dor, a cruz e a morte! Essa é nossa fé!

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


Agradecidos, acolhemos a maior prova do amor de Deus
por nós dada na cruz, que hoje exaltamos como sinal de salvação.
Tocados por esse amor, livres e conscientes, nós nos assimnalamos
no início da celebração, renovando nossa consagração batismal, que
nos introduziu amorosamente no mistério da Páscoa do Senhor.
Participamos da mesa da Palavra e da Ceia Eucarística,
fazendo memória desse grande mistério pelo qual passamos da
morte para a vida. Recebemos o dom da salvação que nos põe
em atitude pascal e de fraterna solidariedade junto aos torturados
deste mundo. Por isso rezamos depois da comunhão: “Senhor
Jesus Cristo, alimentados em vossa santa ceia, vos pedimos leveis
à glória da ressurreição os que salvastes pela árvore da cruz que
nos trouxe vida”.
Com a bênção final, novamente nos marcamos com esse si-
nal, animados a prolongar na vida, como corpo eclesial de Cristo,
junto aos crucificados de hoje, os frutos dessa árvore bendita.

5. Sugestões para a celebração


1. O simbolo a ser destacado hoje é a cruz. A cor litúrgica é o
vermelho. Trazer na procissão de entrada uma cruz enfeitada
com fiores ou pano vermelho. Colocá-la em lugar de destaque,
onde possa ser incensada por quem preside e beijada por toda
a assembléia durante a profissão de fé ou no final. Onde for

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possível, colocar, no espaço celebrativo ou mesmo junto à cruz,
símbolos ou fotos de mártires de ontem e de hoje, que deram
testemunho de sua fé, no seguimento radical de Jesus.
. O canto de entrada deve expressar a exaltação da cruz.: Nossa
glória é a cruz (Hinário Liturgico 2, p. 163); Bendita e louvada
seja (Hinário Liturgico 2, p. 121); Vitória, tu reinarás (Hinário
Litúrgico 2, p. 199) ou outro conhecido pela comunidade.
. Osinal-da-cruz deve ser feito, no início e no final da celebração,
com atenção ao sentido teológico e atitude espiritual correspon-
dentes a esse gesto ritual, que nos reveste de Cristo e nos faz
participantes do mistério de sua Páscoa. Pode ser cantado.
. Às leituras deverão ser bem proclamadas, especialmente o
Evangelho, que pode ser cantado.
. À profissão de fé, a semelhança da Vigília Pascal, pode ser
dialogada, com a renovação das promessas batismais e o rito
da aspersão acompanhado do canto: Eu vi, eu vi, vi foi água
a manar (Hinário Litúrgico 2, p. 83) e do bego da cruz.
. Nas preces dos fiéis, a assembléia cante ou reze uma destas
respostas: “Pela vossa santa cruz, salvai- nos, Senhor!” (pre-
ces dirigidas a Cristo) ou “Olhai, ó Pai, para a face de vosso
Cristo, olhas, nosso pedido escutar!”.
. Todo o rito eucarístico, o memorial que atualiza para nós o
maior ato de amor que Deus realizou para toda a humanidade,
através de Jesus na força de seu Espirito, deve ser ressaltado.
Devem ser cantados o prefácio (próprio), o Santo, as aclama-
ções e a doxologia com o Amém final.
. Deve-se destacar o gesto da fração do pão durante o canto do
Cordeiro de Deus, que torna presente a doação total de Jesus
na cruz e, com a dele, a nossa, para tirar o pecado do mundo e
fazer de nós uma humanidade fraterna, livre e reconciliada.
. Amanhã, dia 15 de setembro, memória de Nossa Senhora das
Dores.

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A glória e a exaltação de Cristo é a cruz
(Das homilias de Santo André de Creta, bispo, século VII
mn Liturgia das Horas, v. IV, pp. 1.269s)

Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são


repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e
junto com o Crucificado somos levados para o alto para
que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos
os céus. À posse da cruz é tão grande e de tão imenso
valor que seu possuidor tem um tesouro. Chamo com
razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os
bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele
reside toda a nossa salvação, e é restituída a seu estado
original.
Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado.
Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho
com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brota-
riam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água
que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do
pecado, não teriamos sido declarados livres, não teriamos
provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraiso.
Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e o
inferno não teria sido derrotado.
É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande, sim,
porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto
maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo,
mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa
também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão,
pela morte voluntária nessa mesma paixão; e vitória por-
que o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim,
arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se
tornou a comum salvação de todo o mundo.

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É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação
de Cristo. Vemo-la como o cálice desejável e o termo dos
sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a
glória de Cristo, escuta-o a dizer: “Agora, o Filho do homem
é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará”
(Jo 13,31-32). E de novo: “Glonfica-me tu, Pai, com a glória
que tinha junto de ti antes que o mundo existisse” (Jo 17,5).
E repete: “Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu
uma voz: “Glorifiquei-o e tornarei a glorificar” (Jo 12,28),
indicando aquela glória que então alcançou na cruz.
Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta ao
que ele próprio diz: “Quando eu for exaltado, atrairei então
todos a mim” (Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e
a exaltação de Cristo.

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25º Domingo do Tempo Comum.
21 de setembro de 2008

Leituras: Isaias 55,6-9; Salmo 144(145),2-3.8-9. 17-18;


Filipenses 1,20c-24.27a; Mateus 20,1-16 (operários da vinha)

Você está com ciúme porque estou


sendo generoso?

1. Situando-nos brevemente

Neste domingo, o Pai, o mais justo e bom “patrão”, nos


chama a viver o sentido profundo de sua Aliança conosco. Essa
Aliança é dom gratuito de seu amor, selada em Jesus Cristo, por
sua morte e ressurreição.
Esse mistério manifesta-se em tantas pessoas que hoje
superam dificuldades, ultrapassam barreiras na convivência,
procuram se abrir fraternalmente a todos, com atenção carinhosa
aos mais fracos.
Recordamos hoje o apóstolo e evangelista Mateus, que,
neste ano À, marca a liturgia católica, sobretudo neste Tempo
Comum do Ano Litúrgico.
Amanhã, inicia a primavera. Toda a natureza irrompe
exuberante, sinalizando a força da vida gerada no periodo som-
brio, mas fecundo, do inverno. Ela também “aguarda ansiosa a
manifestação dos filhos e filhas de Deus”.

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2. Recordando a Palavra

Mateus nos conta a parábola da videira que é a imagem


tradicional de Israel. A parábola revela a situação de desemprego
existente na Palestina no tempo de Jesus. A jornada costumava
ser de sol a sol e era paga diariamente. Os últimos são pessoas
necessitadas, sem trabalho e sem salário. A Primeira Aliança ensina
que o salário de um trabalhador não deve permanecer nas mãos do
patrão até o dia seguinte (cf. Dt 24,15; Lv 19,13), o ensinamento
de Jesus ultrapassa significativamente essa lei. Suas advertências
e sua promessa incluem a todos, primeiros e últimos.
A parábola do bom patrão mostra que Jesus estava muito
engajado e por dentro da vida e do sofrimento de seu povo. Mostra
também que ele é um profeta, porque, do cotidiano da vida, ele
arranca a novidade de sua mensagem, indo além da realidade.
Com essa parábola, Jesus nos revela quem é Deus: Pai bondoso
que age além da justiça e da compreensão humana. O importante é
que todos tenham o necessário para viver bem e serem felizes. Na
justiça do Remo de Deus, não há lugar para discriminações.
Desde o versículo 1, o profeta Isaías fala com o povo
como arauto, pregoeiro, um vendedor ambulante que oferece
uma “mercadoria” abundante e de excelente valor: água e pão
do primeiro êxodo, leite da terra prometida, vinho do banquete,
gordura do sacrifício de comunhão oferecido no templo, a vida
e a renovação de uma Aliança perpétua (cf. Is 55,1-5). O profeta
pronunciou palavras tão magníficas que chegam a ser incríveis.
O Senhor tem um modo de planejar e agir diferente do nosso. A
perspectiva da humanidade está rente ao chão, mas o plano e o
pensamento de Deus vão muito além. Os nossos caminhos não são
os caminhos de Deus... O caminho de Deus é cheio de ternura e
ele é pródigo em perdoar. “Venha o meu Senhor conosco, ainda
que sejamos um povo teimoso; perdoa nossas culpas e pecados,
e toma-nos como tua herança” (Ex 34,9).

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O capítulo 55 de Isaias é o final do Dêutero-Isaias, em que
ele insiste na conversão dos obstinados, na confiança, na ternura
e no perdão de Deus, pois sua sabedoria ultrapassa a nossa, e
sua Palavra não decepciona. É uma palavra de esperança para O
povo que está no exílio. Deus tem uma lógica diferente da nossa,
não pensa como nós. À lógica de Deus é a lógica do amor que
sempre acha um jeito de nos dar mais do que merecemos. Entre a
proximidade e a distância de Deus, medeia sua Palavra encarnada
em Jesus de Nazaré, o esperado Messias.
Paulo está preso e correndo o perigo de morte. Sua refle-
xão é: “Uma só coisa importa: Viver à altura do Evangelho de
Cristo!”. Para ele a vida é importante devido à sua missão, e a
morte é atraente pela fé no encontro com a bondade e a ternura de
Deus. Morrer é estar com Cristo! A grande escolha é viver bem,
ser uma força positiva no mundo, ter uma vida que faça sentido
e seja anúncio da Boa Notícia de Jesus Cristo. A norma de vida
aqui não é ditada pela pólis grega, mas sim pelo Evangelho.
No Salmo 144(145) que hoje rezamos, o Senhor é grande,
merece louvor, por sua imensa misericórdia, paciência, compai-
xão, bondade e justiça! Sua ternura abraça toda criatura! O Senhor
é justo em seus caminhos e fiel em todas as suas obras. Ele está
perto de quem o invoca com lealdade. Louvemos o Senhor nosso
Deus pelos sinais do Reino, criando raízes em nossas Igrejas e
na sociedade atual!

3. Atualizando a Palavra

Para melhor compreensão da parábola do patrão justo, é


bom ler Mateus de 19,30 até 20,16. Existe uma moldura para
essa parábola: “Muitos primeiros serão últimos e últimos serão
primeiros” O versículo inicial anuncia a inversão de valores, e o
final explica a relação correta entre Deus e a humanidade. E no

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trabalho cotidiano que Deus se revela e nós demonstramos nosso
empenho pela justiça. Na parábola, o trabalhador reclama da “in-
Justiça” do patrão, porque tem uma idéia da justiça distributiva,
matemática. Orienta-se pela idéia de direitos e méritos que geram
inveja e mesquinhez. A real justiça baseia-se na necessidade
pessoal e na generosidade do “patrão”. Deus não é injusto ao ser
generoso. À bondade de Deus ultrapassa os critérios humanos.
Jesus vem revelar a partilha e ensina a repartir de acordo com
a generosidade do Pai. A frase que fecha a parábola aplica-se a
judeus e cristãos em relação ao Reino. Alerta-nos para que não
sejamos parte dos primeiros que se refugiam em suas próprias
ações, em seus serviços prestados à Igreja desde cedo.
Sejamos dos que reconhecem e confiam na generosidade
de Deus. Tudo dele recebemos! Tudo é graça! Seu dom é sem
medida e todos podem receber e participar da comunhão com
ele, não por merecimento pessoal, mas gratuitamente por sua
graça e bondade.
Nossa missão e nosso empenho não são trabalho forçado,
mas participação. Eles não são motivados por moralismo ou
temor, mas por graça, gratidão e alegria por sermos convidados,
ainda que tarde. O que importa não é o quanto fazemos, mas o
como fazemos. Facilmente julgamos que as pessoas não se es-
forçam, não se engajam, não fazem o suficiente para participar
do Reino. É necessário valorizar a boa vontade e o desejo de
participação dos que sempre ficaram à margem, excluidos na
Igreja e na sociedade: as mulheres, os pobres, as crianças...
A Palavra de Deus que nos vem por Isaías descortina, diante
de nossos olhos, o porquê da ação desconcertante que Jesus narra
na parábola. Deus ultrapassa todas as nossas limitações e o nosso
jeito de entender a vida. Tanto quanto as nuvens estão longe de
nosso chão, assim são os planos de Deus com relação à nossa
estreiteza de visão e de projetos. Mas Deus se deixa encontrar,

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PNE - QV] - CVV nº 47
está em nossos caminhos para transformá-los em caminhos de
Deus. Isaías nos revela que Deus nos convida a abandonar nossas
maquinações e assumir a generosidade de Deus.
Uma só coisa Importa para quem segue Jesus Cristo: viver
à altura do Evangelho, uma vida que supõe luta, têmpera e intei-
reza. Em Jesus os caminhos de Deus aproximaram-se de nossos
caminhos. Assumindo o projeto de Jesus, nossos caminhos se
aproximarão do caminho do único “Patrão” que devemos ter.
“Patrão” que é o Pai de Jesus, Pai nosso!

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


O Pai, justo e fiel, cheio de bondade e misericórdia, renova
conosco a Aliança, dom gratuito de seu amor. Ele não nos trata
mesquinhamente, conforme nossa eficiência, mas na proporção
da imensa ternura de seu coração. Por isso, todos, indistintamente,
somos convidados a ouvir sua Palavra e a participar do banquete
da vida, por ele preparado e oferecido generosamente.
Essa atitude de Deus enche-nos de gratidão e abre-nos hu-
mildemente para experimentarmos a bondade que ele demonstra a
todos. Não fazemos favor nenhum a ele por estarmos celebrando.
É sempre dele a iniciativa de nos convocar, nos reunir, propor
continuamente sua Aliança, fazendo-nos entrar na comunhão de
sua vida, ao nos enviar em missão. Ele promete estar sempre perto
de todos os que o invocam, como cantamos no salmo, fazendo
eco à primeira leitura: “Procurai o Senhor enquanto ele se deixa
encontrar. Invocai-o, enquanto está perto”.
Sua preferência pelos pobres, pelos humildes, pelos últimos
nos enche de confiança e nos coloca em atitude permanente de
oração, de atencioso e solidário amor para com as pessoas que, em
nossa convivência diária, são também consideradas pela lógica do
mercado os sem vez e sem voz, os descartáveis, “massa sobrante”.

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PNE - QV] - CVY nº 47
Especialmente hoje, nossa oração e nosso compromisso
voltam-se para “os últimos”, os primeiros do Reino, que, na atua-
lidade, “surgem com novos rostos sofredores”, como afirmam
as atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da CNBB,
n. 143, que nos convidam a “dar acolhida e a acompanhar essas
pessoas excluídas nas esferas respectivas” (Documento de Ápa-
recida, n. 275).

5. Sugestões para a celebração


L. Desde o início da celebração, manifestar, por meio de uma
acolhida pessoal e muito carinhosa a todos que se aproximam
— particularmente aos considerados fracos, impotentes, mar-
ginalizados —, a bondade gratuita de Deus.
. Continuar dando especial destaque à mesa da Palavra. Preparar
o ambiente com mais flores, lembrando o início da primave-
ra.
. Nosritos iniciais, após a saudação, fazer a recordação da vida
trazendo os fatos que são manifestações da Páscoa do Senhor
na vida ou se pode fazê-la no início da Liturgia da Palavra,
antes de ouvir a Palavra que Deus fala pela Bíblia, quando
a comunidade abre-se para ouvir a Palavra dele na vida. A
equipe pode criativamente ajudar a comunidade a recordar
acontecimentos, pessoas em que se reconheça hoje a passagem
libertadora de Deus.
Cuidar que todos os textos bíblicos, inclusive o canto do
salmo, sejam bem preparados e proclamados como proposta
de Aliança que Deus faz, “acontecimento de salvação” para
a comunidade reunida.
. Fazer com que a comunidade assuma um compromisso bem
concreto, decorrente da Palavra proclamada e atualizada. Uns
instantes de silêncio, após a homilia, uma breve partilha ou

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mesmo uma proposta feita por quem preside podem ajudar. A
profissão de fé deixa assim de ser a repetição de uma fórmula
decorada e passa a ser expressão comunitária do compromisso
que a assembléia faz, a partir da Palavra ouvida, entendida e
aceita.
. Cantar e acompanhar as preces com um gesto de súplica,
como mãos erguidas (Na palma da tua mão, acolhe nossa
oração).
. Nas celebrações da Palavra, após o rito da Palavra, cantar a
louvação Elogio a Palavra, que o Hinário Litúrgico 3 (p. 74)
oferece oportunamente para o mês de setembro.
. Para o canto de comunhão, o Hinário Litúrgico 3 (pp. 256-
257.387.393) apresenta propostas relacionando a mesa da
Eucaristia com a mesa da Palavra deste domingo. Em ambas
é o mesmo Pão da Vida que nos é oferecido.
Onde for possível, saudar as pessoas presentes, com o abraço
da paz, entregando-lhes uma flor, sinal da vida nova que o
amor faz gerar.

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26º Domingo do Tempo Comum .
28 de setembro de 2008
Dia da Bíblia

Leituras: Ezequiel 18,25-28; Salmo 24(25),4bc-5.6-7.8-9;


Filipenses 2,1-11; Mateus 21,28-32 (os dois filhos diferentes)

Eu garanto a vocês:
os cobradores de impostos
e as prostitutas vão entrar antes de
vocês no Reino de Deus

1. Situando-nos brevemente

A Páscoa semanal que hoje celebramos, neste “domingo


dos dois filhos”, nos motiva a dar graças ao Pai, por Jesus, o Filho
que “humilhou-se e foi obediente até a morte, e morte de cruz.”.
Exaltado pelo Pai por isso, tornou-se fonte de vida e salvação
para os que aceitam entrar em seu caminho.
Neste dia da Biblia para nós católicos, celebramos a Páscoa
de Jesus Cristo que se revela nas pessoas que procuram viver O
discipulado, obedientes à Palavra de Deus. Além da Liturgia da
Palavra, parte integrante da liturgia cristã e constituindo com o
rito eucarístico um só ato de culto (cf. Sacrosanctum Concilium,
n 56), toda a celebração como memorial do mistério pascal de
Jesus no hoje de nossa vida está inserida no conjunto da História
da Salvação, da qual a Bíblia dá incomparável testemunho.
No próximo dia 30, festa de São Jerônimo, estudioso da
Bíblia, entramos em comunhão com as comunidades judaicas

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PNE - QV) - CVV nº 47
que celebram o Rosh há shaná, primeiro dia da festa de ano-novo
judaico.

2. Recordando a Palavra

Jesus encontra-se em Jerusalém e seu tempo está cada


vez menor. Aumenta a hostilidade daqueles que rejeitam sua
mensagem. A parábola dos dois filhos é simples e questiona-
dora. Antes de fazer sua comparação, Jesus pede a opinião de
seus ouvintes, eles mesmos vão decidir. As traduções da Biblia
as vezes divergem quanto ao filho que diz “sim” e ao que diz
“não”. O assunto não é cronológico. O que está em jogo é algo
muito profundo e permanente na vida de quem tem fé: fazer a
vontade de Deus.
O Evangelho conta a parábola do filho que diz “não”, mas
se arrepende e vai trabalhar na vinha do Pai; e do outro filho que
diz “sim, senhor” ao pai, mas não vai. Jesus pergunta quem fez a
vontade do pai. Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo dizem
que é o filho que disse “não”, mas cumpriu a ordem do pai. Jesus
completa dizendo que os cobradores de impostos e as prostitutas
vão preceder no Reino de Deus os chefes que não acreditaram na
pregação de João Batista e no caminho de justiça que ele ensinou.
O relato é sóbrio, não se dão as razões dos dois comportamentos;
eles simplesmente são descritos. Só palavras de nada valem; é
preciso a ação concreta, conforme o projeto de Deus. Fazendo
o que Deus espera, quem é pecador torna-se justo; não fazendo,
quem se considera justo torna-se pecador. Os dois filhos podem
representar diversos personagens: o povo de Israel histórico, a
geração do momento, os seguidores de Jesus de todos os tempos,
nós, que ouvimos hoje essa palavra.
A primeira leitura está no contexto do Exílio da Babilônia.
O povo acusa Deus de injusto e de agir incorretamente. Entre o

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povo havia a idéia de que o pecado marcava para sempre a vida
e a descendência de quem pecava. Não é uma fatalidade, nem
Deus é o culpado da morte do pecador. O profeta, como porta-
voz de Deus, mostra que a salvação de uma pessoa não depende
de seus antepassados e parentes. O que importa é a disposição
do coração no momento presente. Deus nos julga conforme o
que somos hoje. Nunca é tarde para nos arrependermos, porque
Deus quer a vida para todos.
Filipos, comunidade dividida por causa do espírito de
competição e egoismo, foi a primeira cidade da Europa a re-
ceber a mensagem cristã, entre os anos 55-57. Por isso, Paulo,
na Carta aos Filipenses apresenta Jesus como modelo de filho
fiel e obediente que se torna servo e convida os que se dizem
seguidores dele a terem “o mesmo sentimento que existe em
Cristo Jesus”.
O Salmo 24(25) é uma súplica de uma pessoa com bastante
idade que pede duas coisas: perdão dos seus desvios na juventude
e libertação das mãos dos inimigos. Recorda a Aliança com várias
palavras: caminho, direito, amor e verdade, aliança, preceitos...
Deus é o aliado do pobre explorado e oprimido. O salmista tem
muita confiança em pedir e certeza de ser atendido, porque o
Senhor é piedade, misericórdia e bondade sem limites.

3. Atualizando a Palavra

Somos daqueles que pensam que basta dizer: “Senhor,


Senhor” para entrar no Reino de Deus? Daqueles que se aco-
modam a formalidades, a títulos religiosos e não se esforçam
na prática da justiça? Seguir Jesus repercute em nossa prática,
é ela que decide o destino diante de Deus. O fazer comprova ou
desmente o dizer. A pergunta de Jesus exige discernimento: qual
fez a vontade do Pai?

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Hoje ouvimos uma das frases mais duras de Jesus: “Os co-
bradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de
Deus”. Aqueles que pretendem ser perfeitos, bons observadores
da lei serão antecipados no Reino por aqueles que eles julgam
e condenam como os maiores violadores das leis, pecadores
públicos. A lei que Jesus exige é colocar em prática a vontade
do Pai que ama toda pessoa e, em especial, os mais necessitados
e desprezados.
Jesus nos ensina a reconhecer a justiça das pessoas que não
têm boa fama, mas praticam a justiça. Ensina-nos a denunciar,
para o bem delas e de todos que sofrem sua influência, as que
têm boa fama, os considerados santos, mas não praticam a jus-
tiça, conforme o projeto do Pai. Jesus é o Filho que diz “sim” e
faz o que o Pai decidiu. Todas as pessoas que acolhem e seguem
concretamente Jesus cumprem a vontade do Pai. Será que temos
ficado apenas nas palavras?
Ezequiel nos fala em praticar o direito e a justiça, nos
convertermos constantemente. Essa atitude julga nossa vida.
Julgar que somos “justos” é uma cegueira pessoal que faz se-
mear dúvidas sobre a conduta e as crenças de quem é diferente
de nós. Para fazermos a vontade do Pai, a Carta aos Filipenses
nos mostra o caminho assumido por Jesus: “Esvaziou-se a si
mesmo assumindo a condição de servo”. Jesus deixou de lado
todo privilégio. O fato de sermos cristãos, de exercermos um
ministério na Igreja, não deve ser motivo de elogios, de prepo-
tência, de nos sentirmos mais e melhores que outras pessoas.
É motivo sim de solidariedade, de espírito de comunhão e
serviço; de um permanente processo de encarnação no mundo
dos excluídos.
O hino litúrgico da Carta aos Filipenses nos lembra que
o esvaziar-se de qualquer orgulho é o caminho de quem deseja
seguir Jesus até as últimas consequências.

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4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica
A Palavra de Deus que hoje nos faz mergulhar em nossa
fragilidade humana nos leva também a experimentar a bondade
sempre fiel do Senhor que nos propõe mudança de vida e acredita
em nossa conversão. Ele, porém, não se contenta em que apenas
o invoquemos, repetidamente: “Senhor, Senhor!”
Mais do que palavras, preces, aclamações e cânticos,
liturgia é ação. Eucaristia é ação de graças, é entrega de nossa
vida ao Pai, com Cristo, o Filho fiel que provou sua obediência
na cruz. Com ele passamos da morte para a vida, seu Espírito
é derramado sobre nós, infundindo-nos o mesmo sentimento
e a prontidão para doarmos com ele a vida, para que os outros
vivam.
Essa ação deve ser testemunhada no cotidiano de nossas
lidas e lutas pela realização da vontade do Pai, o Reino de jus-
tiça, amor e paz a ser estabelecido, o quanto antes, entre nós.
A Palavra e a confissão dos lábios tornam-se ação e gesto das
mãos, com o testemunho, “cuidando cada um não só do que é
seu, mas também do que é dos outros” (cf. segunda leitura).
“A missão não é tarefa opcional, mas parte integrante
da identidade cristã” (Documento de Aparecida, n. 144). Con-
siste em compartilhar a experiência do encontro com Cristo,
testemunhá-lo e anunciá-lo, tornando “visível o amor misericor-
dioso do Pai, especialmente para com os pobres e pecadores”
(Documento de Aparecida, nn. 145.147).

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PNE - QV] - CVY nº 47
5. Sugestões para a celebração
1. Cuidar para que o espaço celebrativo seja acolhedor. Neste
dia da Bíblia, dar maior destaque à mesa da Palavra.
2. Sugestão para a saudação inicial:
Dirigente: Saúdo-vos irmãos e irmãs, em nome do Senhor
presente entre nós. Desejo-vos que a palavra viva do Senhor
seja lâmpada para os vossos pés, luz para os vossos caminhos,
força e alimento na caminhada de seguir Jesus, Caminho,
Verdade e Vida.
Todos: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
3. Dar especial atenção a toda a Liturgia da Palavra, sobretudo
ao canto do salmo e à proclamação do Evangelho, que pode
ser cantado.
4. Na profissão de fé, a assembléia estende a mão direita em
direção à mesa da Palavra e renova sua adesão à Palavra pro-
clamada, meditada e aceita. Outra sugestão é cantar a profissão
de fé, conforme o texto a seguir sugerido. Uma pessoa ergue
o livro da Palavra, enquanto a assembléia canta o refrão, le-
vantando o braço direito:
Dirigente: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador
da terra e do céu.
Todos: Esta é a nossa fé, bendita seja a Palavra de Deus!
Dirigente: Creio em um só Senhor, Filho eterno do Pai, que
por amor de nós se fez homem.
Todos: Esta é a nossa fé, bendita seja a Palavra de Deus!
Dirigente: Creio no Espirito Santo, Fonte de graça e vida, que
do pai procede e do Filho.
Todos: Esta é a nossa fé, bendita seja a Palavra de Deus!
Dirigente: Creio na Santa Igreja, Povo de Deus, em marcha,
sob a guia de seus pastores.

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PNE - QV) - CVY nº 47
Todos: Esta é a nossa fé, bendita seja a Palavra de Deus!
Dirigente: Creio na vida eterna, quando o senhor vier, pra
julgar os vivos e os mortos.
Todos: Esta é a nossa fé, bendita seja a Palavra de Deus!
. Na celebração da Palavra, após o rito da Palavra, cantar a
louvação Elogio à Palavra, conforme sugestão Já feita nos
domingos anteriores.
. Cantar o prefácio com o Santo, as aclamações e o Amém final
da Oração Eucaristica. Em harmonia com a segunda leitura,
escolher o prefácio do Tempo Comum VII, que enaltece a
obediência de Cristo.
. No Hinário Litúrgico 3 (pp. 256-257), encontra-se um canto
para a comunhão relacionado ao Evangelho deste domingo.
Nas pp. 144-145, encontra-se a melodia para o salmo respon-
sorial e, na p. 127, uma proposta para o canto de abertura.
. À bênção final pode ser cantada e feita com o livro da Palavra
de Deus.
. Amanhã, dia 29 de setembro, festa dos Arcanjos São Miguel,
São Gabriel e São Rafael. Dia 1º de outubro, memória de Santa
Teresinha do Menino Jesus. Dia 4 de outubro, memória de São
Francisco de Assis.

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PNE - QV) - CV nº 47
27º Domingo do Tempo Comum
5 de outubro de 2008

Leituras: Isaías 5,1-7; Salmo 79(80),9.10.13-14.15-16.19-20;


Filipenses 4,6-9; Mateus 21,33-43 (parábola dos vinhateiros)

Eles vão respeitar o meu filho

1. Situando-nos brevemente

Celebrando, neste Dia do Senhor, nossa Páscoa semanal,


fazemos memória do Senhor, a videira verdadeira e fecunda,
parceiro fiel do Pai no cuidado de seu povo.
Lo.
Duda Mesmo percebendo nossas infidelidades e nossa mesquinha
pretensão em tomarmos posse de sua vinha, ele nos convida para
renovar com ele a Aliança, que traz vida e realização plena a todos
os que procuram fazer o que lhe agrada. Em seu amor de Pai, ele
sempre nos concede mais do que merecemos e pedimos.
oração do dra
gerado. Lembramos, neste dia, todos os que, em qualquer âmbito,
ibé= têm por ministério o cuidado da vinha. Durante este mês “a
Igreja procura redescobrir a missão que o Senhor está lhe dando
no campo e na cidade, dentro e fora do país, “para que todos te-
nham vida”? (ApostOLADO LirTÚRGICO, Agenda Litúrgica, 2008).
“Discipulado e missão são como duas faces da mesma moeda”
(Documento de Aparecida, n. 146).

2. Recordando a Palavra
A Palavra de Deus que nos é dita hoje é sequência do
domingo anterior e completa-lhe o significado. Essa perícope

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PNE - QV) - CVV nº 47
retoma a primeira leitura de hoje. O cântico da vinha, uma das
poesias mais belas da Bíblia, é uma parábola típica do Primeiro
Testamento, encontrada em vários profetas e também nos salmos.
É canção de amor que descreve a vinha querida, porém ingrata.
Lembra a relação amorosa entre Deus e seu povo, vinha amada,

Deus esperava a justiça, mas houve sangue derramado; esperava


retidão de conduta, mas surgiram exploração e grito de socorro de
pessoas maltratadas. Tanto Jesus como seus ouvintes conheciam
muito bem o profeta Isaías e identificavam a vinha com o povo
da Primeira Aliança, “casa de Israel”.
O “proprietário” ama a vinha e espera dela os frutos de
fidelidade à Aliança. A vinha designa não o povo histórico mas
sim o Reino de Deus; os vinhateiros, portanto, são não apenas os
chefes mas sim todoo povo infiel. O Reino de Deus será tirado
dos vinhateiros homicidas e confiado a um povo que produza
frutos. Em Mateus a importância maior é dada aos “frutos de
justiça”. o
A parábola tem uma introdução, depois descreve a desi-
lusão do senhor da vinha com a falta de frutos verdadeiros. Ele
envia seus servos que correspondem às várias fases da história da
salvação que Deus faz com seu povo: missão reiterada e muitas
vezes frustrada dos profetas. Por fim o envio do filho, sua morte
violenta e a vocação dos pagãos. Deus abrirá as portas a um
povo novo: pecadores, cobradores de impostos, pagãos, mulhe-
res, doentes... Umagtração nova)de crentes que dêem frutos
como a prática da justiça e a obediência à vontade de Deus e à
sua Aliança.
Essa parábola é colocada na boca de Jesus, o qual se preocu-
pa com a sorte da vinha. A tradição pré-sinótica das comunidades
primitivas tinha sua atenção centrada na sorte do Filho enviado
pelo Pai. O Filho que fala vai ser morto, mas ressuscitará. Quem

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PNE - QV) - CVV nº 47
não quiser ser esmagado pela pedra angular deve declarar-se a
favor dele.
À imagem da vinha aplicada ao povo aparece mais de dez
vezes na Bíblia. Exprime a Aliança de Deus com seu povo, como
uma união conjugal, pois a vinha é também símbolo do amor. O
cântico de Isaías é, em sua origem, umpoema
de amor, transfor-
mado em parábola de julgamento. O bem-amado trata da terra,
escolhe a melhor cepa, edifica uma torre para cuidar de sua vinha,
cava um lagar... Com tanto carinho, esperava uvas boas, mas a
vinha deu somente uvas más. Os habitantes de Jerusalém e de
Judá são chamados a serem juizes entre o amado e sua vinha.
A Carta aos Filipenses recomenda que não é necessário
inquietar-se, mas sim entregar a Deus as necessidades e preocu-
par-se em praticar tudo o que merece louvor e foi ensinado por
Jesus Cristo. Assim a paz de Deus estará conosco.
O Salmo 79(80) é uma súplica coletiva à necessidade
de
o povo ser restaurado por Deus. À imagem da vinha volta nova-
mente neste salmo, demonstrando a estreita ligação entre Deus e
seu povo muitas vezes dominado e pisado por nações poderosas.
A videira é propriedade do Senhor, mas são aliados. O povo está
oprimido e somente o Senhor pode mudar sua sorte.

3. Atualizando a Palavra

etoma o texto de Isaías, mas não coloca a culpa na


vinha por sua falta de bons frutos, e sim nos meeiros que deviam
cuidar dela. Além de impedir que os bons frutos cheguem ao
dono da vinha, ainda são violentos com seus enviados. É uma
crítica muito séria que Jesus faz aos que se consideram donos
da religião e senhores da fé do povo. Apropriam-se da relação
entre Deus e seu povo, desorientam aquilo que permite o povo
ligar-se a seu Senhor.

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PNE - QV] - CVV nº 47
Muitas vezes certas lideranças religiosas impedem que o
povo seja Povo de Deus para ser povo dos anciãos, dos escribas,
dos sacerdotes, de fulano, de tal movimento... O povo vira jo-
guete nas mãos dos chefes religiosos que há muito buscam seus
interesses e não o Reino de Deus. É isso que Jesus critica, mesmo
que sua denúncia profética lhe cause a morte.
Que frutos se esperam da vinha plantada e cuidada com
tanto carinho? O Senhor esperava dela o direito e a justiça.
Estabelecer o direito e a justiça é uma exigência de Deus como
expressão da fidelidade à Aliança entre Deus e seu povo. Nosso
Deus, que é Deus da vida e do amor, quer que, em nosso meio,
reine a justiça, respeite-se o direito de todos, em especial dos
mais pobres.
A Palavra de Deus nos lembra que, por não estarmos vi-
vendo a justiça e o direito, há, entre aqueles que se dizem crentes
em Deus, assassinatos, gritos devido aos maus tratos. Na Bíblia
a opressão contra os mais pobres é considerada um homicídio.
Os vinhateiros são homicidas não só porque matam os enviados,
inclusive o filho, mas também porque despojam o pobre, violam
o direito, não dão os frutos da justiça que pede o Senhor. Por ser
assim, o Reino de Deus vai ser entregue a outras pessoas.
Em nossa vida diária não há algum tipo de cumplicidade
com os vinhateiros homicidas? O que temos feito na prática pelo
estabelecimento da justiça e do direito no mundo atual”
A Palavra de Deus de hoje nos questiona muito. Qfatode
sermos cristãos nã scolhidos
los par:
para
KM
sermos sinal do amor,
amor, da misericórdia €e da salvação dede 1 Deus. É
NreCISO PIOV C utos e ações concretas
de justiça e direito. Que frutos estamos produzindo para a realiza-
ção» do Reinado de Deus? Ser cristão é dar a vida. Se colocarmos
em prática o Evangelho, o Deus da paz vai estar conosco e dessa
paz seremos testemunhas no mundo em que vivemos.
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PNE - QV] - CVV nº 47
4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica
Como assembléia litúrgica, somos a vinha fecunda do Pai,
regada pelo sangue de Cristo, seu filho amado e fiel.
Escutando a parábola dos trabalhadores que se apossaram
indevidamente da vinha do Senhor, reconhecemos também nossas
incoerências e infidelidades na realização de seu projeto. Confian-
do em sua paternal prodigalidade, suplicamos na oração inicial:
“Derramai sobre nós sua misericórdia, perdoando o que nos pesa
na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir”.
Acolhendo sua Palavra, renovamos com novo ardor a aliança
com ele e suplicamos, nas preces, que ele nos dê firme decisão de
sempre corresponder a seu chamado. Que seu Espírito nos mante-
nha abertos, vivendo a catolicidade, a universalidade do amor.
Enxertados em Cristo, pelo mistério de sua morte e ressur-
reição atualizado na celebração, somos fortalecidos para produzir
os frutos que o Pai deseja e espera de nós. E o fruto que o Pai
espera de nós é o que rezamos depois da comunhão: “Possamos
[...] saciar-nos do vosso pão e inebriar-nos do vosso vinho para
que sejamos transformados naquele que agora recebemos”.
“A fecundidade da comunhão que vem de Deus nos im-
pulsiona para a vida em comunidade e para a transformação da
sociedade”, nos lembram as Diretrizes Gerais da Ação Evange-
lizadora da CNBB, n. 151, citando Puebla n. 327.

5. Sugestões para a celebração


1. A equipe de acolhida, incluindo quem preside, recebe as pes-
soas que vão chegando, saudando-as cordialmente.
2. O ensaio de cantos com a assembléia, seguido de um momento
de silêncio e oração pessoal, ajuda a criar um clima alegre e
orante para a celebração.

42
PNE - QV) - CVWV nº 47
. Após a saudação inicial, apresentar o sentido da celebração,
abrindo para a recordação da vida, com acontecimentos que
marcaram a semana que passou, fatos tristes e alegres da
comunidade, do país e do mundo.
. À vinha, símbolo do povo de Deus, nos leva a dar atenção
especial, para a comunidade reunida em assembléia, como
Corpo de Cristo, a vinha do Pai, chamada a produzir frutos
de justiça, santidade e paz.
. À Liturgia Eucarística, marcada pela sentido de unidade do
novo povo de Deus, pode valorizar, neste domingo, os sinais
sensíveis do pão e do vinho (fruto da videira) para todos.
. Entre os prefácios do Tempo Comum, escolher o VIII, que
expressa a Igreja reunida pela unidade da Santíssima Trinda-
de ou a Oração Eucarística para Diversas Circunstâncias 1: A
Igreja a caminho da unidade, com seu prefácio próprio.
. Para o canto de comunhão, o Hinário Liturgico 3 (pp. 258-
259) traz uma sugestão bem apropriada, retomando o pão da
palavra: O Pai, somos nôs esta vinha.
. Para a bênção final, como envio em missão, usar o texto da
bênção para o Tempo Comum II, que retoma a segunda leitura
de hoje.

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Leituras: Ester 5,1b-2; 7,2b-3;
Salmo 44(45), 11-12a.12b-13.14-150.15b.16;
Apocalipse 12,1.5.13a.15-16a; João 2,1-11 (Bodas de Cana)

Façam tudo o que ele lhes disser

1. Situando-nos brevemente

Hoje fazemos memória da Páscoa de Jesus, celebrando


Nossa Senhora Aparecida, que em 1930 foi proclamada, pelo
Papa Pio XI, a padroeira do Brasil, “para promover o bem espi-
ritual dos fiéis e aumentar cada vez mais a devoção à Imaculada
Mãe de Deus”.
Sua imagem colhida por três pescadores, em outubro de
1717, quando lançavam suas redes no rio Paraíba, é hoje venerada
no Santuário Nacional em Aparecida do Norte por multidões de
peregrinos e peregrinas de todas as partes do Brasil.
Toda a liturgia de hoje é marcada pelo pedido de intercessão
a Maria, padroeira de nossa Pátria, junto de Deus. Ao pedirmos
bênçãos para a Pátria, nos dispomos também a sermos instru-
mentos daquilo que pedimos, no empenho incansável por uma
Nação melhor, mais justa, mais fraterna e feliz, mais conforme
o projeto de Jesus.
Lembremos também hoje todas as crianças, na comemo-
ração de seu dia, e do início da resistência indígena na América
Latina, com a chegada da expedição de Cristóvão Colombo.

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PNE - QV) - CVY nº 47
2. Recordando a Palavra

Uma festa de casamento em uma aldeia sustenta e unifica


um grande número de ações simbólicas. Momento que costuma
reunir muitas pessoas, o matrimônio é, no Primeiro Testamento,
simbolo frequente do amor do Senhor pela comunidade. Na
Segunda Aliança, é símbolo da união do Messias com a Igreja.
O vinho é dom do amor e se anuncia como dom messiânico e
simbolo do Espirito.
No Evangelho de João, o “terceiro dia” refere-se ao tercel-
ro dia depois da promessa feita a Natanael, sete dias depois do
testemunho de João Batista, em Betânia, perto do Rio Jordão. O
sinal em Canã passa-se no sétimo dia, como releitura da primeira
semana do livro do Gênesis. É a primeira manifestação da glória
de Jesus. O versículo 4 demonstra a diferença de planos entre
Jesus e Maria. O uso da palavra “mulher” não é um tratamento
ofensivo, mas um costume grego existente na época. O versículo
6, ao falar das seis talhas de pedra, traz à tona a necessidade de
mudança de uma religião que já não tem um vinho novo para
oferecer, principalmente para os mais pobres. Cada vasilha de
água continha de setenta a cem litros, conforme nos diz a Bíblia
do Peregrino. A tradução da TEB diz quarenta litros. Seja como
for, o vinho novo trazido por Jesus é uma quantidade bem con-
siderável! É abundância! João considera os atos de Jesus como
gestos simbólicos (Csinais”, em grego seméion), característicos
dos tempos messiânicos. É o primeiro sinal, encabeçando, no
Evangelho de João, uma série de sete sinais.
Qual é o papel de Maria nesse casamento”? Ela está pre-
sente, mas não é dito que ela seja uma simples convidada. Sua
presença é importante, pois possui autoridade de circular entre
os criados e de dar-lhes a ordem de obedecer a seu filho Jesus.
Ela sabe o que acontece e tem conhecimento da necessidade do
vinho. Como esse casamento é simbólico do casamento messiâ-

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PNE - QV) - CW nº 47
nico, Maria é a Mãe do Noivo (“Filhas de Sião, saí para admirar
o rei Salomão com a coroa com que sua mãe o coroa no dia
de seu casamento: no dia em que ele é todo alegria [Ct 3,111).
Jesus retira-se com Maria para Cafarnaum. É uma notícia que
precisamos aprofundar. Jesus e Maria são, além de mãe e filho,
companheiros de caminhada!
O livro de Ester, um relato muito didático e lido durante
a alegre festa de Purim, narra a libertação do povo que está no
exílio, na terra estrangeira da Pérsia, sob o imperador Xerxes
(486-465 a.C), o qual, na história (meguilot), toma o nome de As-
suero. Ester, jovem judia, é tomada como esposa pelo imperador.
O povo é condenado à morte por Amã e ela atua como mediadora,
intercede junto ao rei, inverte a situação e salva seu povo.
O Salmo 44(45) é um salmo real, celebrando o casamento
do rei. À princesa apronta-se para o casamento e nada diz. Suas
vestes é que “falam”. Nós, cristãos, rezamos esse salmo pensando
em Jesus como rei ou em Maria como esposa.
O Apocalipse 12 começa falando de um grande sinal que
apareceu no céu: uma mulher vestida de sol, pisando sobre a lua,
coroada de doze estrelas. Deu à luz um filho menino, pastor com
vara de ferro, arrebatado para junto de Deus. O dragão persegue
a mulher. Surge a serpente que vomita um rio para arrastar a
mulher em sua correnteza, mas a terra ajudou a mulher engolindo
a água. A mulher é a matriarca fecunda de Isaias 66,7-14. Essa
mulher simboliza a comunidade cristã que luta para dar à luz um
mundo novo, manifestação da Aliança com Deus, espaço de festa
e vinho para todas as pessoas.

3. Atualizando a Palavra

O primeiro sinal que Jesus realiza acontece no terceiro dia,


lembrando o dia da ressurreição, da nova criação, da transfor-

46
PNE - QV] - CYV nº 47
mação da situação de menos vida para uma vida plena e cheia
de alegria. A mãe de Jesus é parte integrante da realização desse
sinal. Ela ocupa o lugar central. Nela se manifesta o povo simples
e pobre que espera a chegada do reino do Amor, a plenitude da
salvação. A função de Maria não está determinada apenas pelo
fato de ser a mãe física de Jesus, mas sua figura e sua atuação
devem ser entendidas em termos do seguimento, do discipulado
de Jesus e de seu projeto.
Maria de Nazaré surge como intermediária entre a realida-
de dos pobres e Jesus como Messias. Por um lado, ela avisa seu
filho sobre a necessidade dos noivos e dos convidados. Ela nada
pede, mas faz uma iInsinuação gentil, sutil. Jesus não reconhece
ser aquele o momento que o Pai escolheu para ser “sua hora”.
A mãe não insiste com o filho, mas muda de relação, passando
para o nível da fé. O amor profundo e sua comunhão com ele
expressam-se nas palavras dirigidas aos servidores: “Fazei tudo
o que ele vos disser”. O clima transforma-se: ela indica o cami-
nho do encontro com o enviado pelo Pai; é momento de escuta
e de confiança na Palavra de Jesus. Maria é a Mãe que se põe a
serviço do Reino.
A hturgia de hoje nos convida a contemplar a mãe de Jesus
como uma mulher maravilhosa que não acompanha os projetos
deste mundo, mas luta para que se realize o que Deus sonhou para
a humanidade. Maria é simbolo dessa humanidade que realiza o
projeto de Deus e faz o “que Jesus mandou”.
Nossas comunidades se parecem com a Maria do Evange-
lho, com a mulher do Apocalipse, com Ester que luta pela vida
de seu povo?
Deus pode se encantar com nossa Igreja, vestida de justiça,
conforme cantamos no Salmo 44(45), Deus continua nos amando:
“Foi amada quando era feia, para não permanecer feia. Cristo
tirou-lhe a fealdade e deu-lhe a beleza”, diz Santo Agostinho.

47
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Maria, Mãe de Jesus, nos ensina a beleza da fidelidade à Nova
Aliança realizada por seu Filho e nosso Senhor, Jesus, o Messias
enviado pelo Pai.

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


Lembrando Maria, Aparecida na rede de pobres pescado-
res e trazendo a cor negra, bendizemos o Senhor da Vida e sua
predileção pelos pequenos e sofredores.
Unimos nossa voz ao clamor de todo o povo pobre, pere-
grino em busca de melhores condições de vida, força e alento
para vencer suas dificuldades. Que o Senhor renove nosso desejo
de optar sempre e, em primeiro lugar, pela vida.
Fazendo o que ele nos mandou, com Maria participamos
do banquete da vida pela palavra e pela Eucaristia. Saboreamos
do vinho novo que nos alegra, nos torna atentos às necessidades
dos outros e nos encoraja na luta para que não falte a alegria na
festa da vida, sobretudo para as crianças, os povos Indigenas e
afro-descendentes.
“Contemplando hoje Maria, Mãe do Senhor, primeira
evangelizada e primeira evangelizadora, invocada no Brasil
com o título de Aparecida, icone da Igreja em missão, sejamos
inspirados com seu exemplo de fidelidade e disponibilidade
incondicional ao Reino de Deus” (Diretrizes Gerais da Ação
Evangelizadora, n. 216).

5. Sugestões para a celebração


1. Colocar, em destaque, no espaço celebrativo, a imagem de
Maria, que pode ser incensada nos ritos iniciais, juntamente
com o altar, a mesa da Palavra e a assembléia, símbolos do
Cristo Ressuscitado.

48
PNE - QV] - CVV nº 47
. Fazer a procissão de entrada com pessoas que tenham os nomes
com que costumamos invocar Maria. Valorizar, neste dia, a
participação das mulheres nos vários ministérios litúrgicos.
Dar destaque também a participação das crianças.
. Onde for possível, cantar o Evangelho.
By

. Fazer as preces em forma litânica ou com resposta cantada.


. Na preparação das oferendas, trazer “vinho abundante” numa
Dn

jarra, para que toda a comunidade possa participar também da


comunhão no Sangue do Senhor. Se for celebração da Palavra,
após a louvação, a assembléia pode receber um suco de uva
abençoado.
. Cantar o que está previsto na Oração Eucarística ou, pelo
ON

menos, o prefácio, que é próprio, as aclamações, a doxologia


e o Amém final. À Revista de Liturgia, n. 74, p. 21, oferece
uma louvação inspirada no prefácio, para ser cantada nas
celebrações da Palavra. Segue o texto adaptado:

É bom cantar um bendito!/ Um canto novo, um louvor!


A Ti, ó Deus santo e grande/ Es nosso Deus Criador!
A Ti, O Pai que pr'o Filho/ U”a Santa Mãe preparou!
A Ti, que maravilhas fizeste/ Naquela que acreditou!
A Ti, que na Aparecida/ O povo pobre encontrou!
O Povo todo em festa/ Te bendiz e louva, é Senhor!...
Santo, Santo, Santo...

. Para os cantos, o Hinário Liturgico 4 apresenta sugestões nas


pp. 168-227.
. Integrar à bênção final, que é própria, uma bênção especial
para as crianças, que, neste dia, podem receber um agrado no
final da celebração.

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PNE - QV) - CVV nº 47
Nossa Senhora Aparecida
(Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, n. 216)
Maria Mãe do Senhor, primeira evangelizada e pri-
meira evangelizadora, invocada no Brasil com o titulo de
Nossa Senhora Aparecida, icone da Igreja em Missão, nos
inspire com seu exemplo de fidelidade e disponibilidade
incondicional ao Remo de Deus e nos acompanhe com sua
materna Intercessão.

50
PNE - QV] - CVV nº 47
2% Domingo do Tempo Comum |
* I9de outubro de 2008 | Ç
— Dia das Missões

Leituras: Isaias 45,1.4-6; Salmo 95(96), 1.3.4-5.7-104;


1 Tessalonicenses 1,1-5b; Mateus 22,15-21 (O que é de César
eo que é de Deus)

Mestre, sabemos que tu és verdadeiro

1. Situando-nos brevemente

Neste domingo, dia Mundial das Missões, celebramos


a Páscoa de Jesus realizada em seu enfrentamento com as
autoridades de seu tempo e hoje prolongada nas pessoas e
comunidades que permanecem firmes em sua opção por Deus
e pela vida, mesmo enfrentando tentações, dificuldades e até
ameaças.
Louvamos ao Pai que deu forças a Jesus e hoje nos dá a
mesma coragem, para sermos capazes de vencer as armadilhas
maldosas, os planos falsos e enganosos que ameaçam nossa vida
e contrariam seu projeto.
Nesta celebração, pedimos ao Pai sabedoria para nunca
perdermos de vista nosso lugar e nossa missão no mundo, e que
o Espírito Santo nos faça reconhecer sempre a presença do Reino
que, muitas vezes, supera nossa compreensão e vai além daquilo
tudo que fazemos.
Suplicamos especialmente por tantos missionários e mis-
sionárias que, deixando sua Pátria, abrem-se, na alegria da fé e
do compromisso evangélico, para a missão evangelizadora em
tantas partes do mundo.
51
PNE - QV) - CVV nº 47
Hoje se realiza em todo o mundo a coleta para as Missões,
da qual uma porcentagem adequada será destinada às Missões
na Africa e 10% para a Infância Missionária.

2. Recordando a Palavra

O Evangelho nos fala de fariseus e herodianos que se


dirigem a Jesus e, após palavras de elogio, chamando-o de
verdadeiro e dizendo que ele ensinava o caminho de Deus,
interrogam-no se é lícito pagar o imposto a César. Os herodia-
nos não eram um partido, nem seita religiosa, mas sustentavam
Herodes no poder. Este sim, era amigo dos romanos. Os fari-
seus consideravam a presença romana como castigo de Deus.
Servem-se, porém, dos herodianos para apanharem Jesus em
uma situação de subversão política. A pergunta toca a vertente
econômica da política, na qual entra em jogo a lealdade e a
submissão ao poder imperial de Roma. Há, porém, uma cono-
tação religiosa, porque na moeda estava escrito: “Tibério, filho
do divino Augusto, Augusto”. O imposto era o maior sinal de
dominação. Recordava o domínio de um povo pagão sobre o
povo escolhido. Fariseus e zelotes consideravam esse imposto
uma questão religiosa. Se Jesus respondesse “sim” estaria
contra os fariseus e o povo; se dissesse “não” os herodianos o
acusariam de subversivo. Ele manda devolver a César o que é
de César, e a Deus o que é de Deus.
Jesus é muito hábil em sua resposta, que denuncia a hi-
pocrisia, desfaz a armadilha que lhe prepararam e oferece um
ensinamento acima do nível proposto pelos inimigos: se eles
possuem a moeda, é porque aceitaram as condições impostas
pelo império, estavam comprometidos com o sistema. A imagem
do imperador na moeda transgredia o primeiro mandamento (cf.
Ex 20,4; Dt 6,4).

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PNE - QV)- CVV nº 47
Jesus afirma que acima de qualquer poder humano está
Deus e seu povo, criado à sua imagem e semelhança. Não se
trata de devolver uma vil moeda, mas sim de devolver a Deus
seu povo, o qual não deve se submeter a nenhum poder humano
que se faça passar por divino.
À primeira leitura nos fala que Deus é livre de escolher
quem ele quer para agir em seu nome. O termo hebraico mes-
sias, em grego khristos, significa “aquele-que-ê-ungido” pelo
Senhor. A unção com óleo era sinal da penetração do Espírito
de Deus, investindo uma pessoa para a missão que podia ser de
rei, de sacerdote ou de profeta. Ciro era rei dos persas. Derrubou
o império babilônico e permitiu que o povo de Deus voltasse
à sua terra e reconstruísse o templo e a cidade de Jerusalém.
Esse rei pagão, vencendo a Babilônia e dando liberdade ao
povo exilado, está sendo escolhido por Deus para estabelecer
a justiça na história. Ao dar uma espécie de anistia pelo decre-
to conhecido como edito de Ciro, em 538 a.€., ele é saudado
como o enviado e ungido do Senhor para libertar seu povo. Está
devolvendo a Deus o que lhe pertence — o povo sofrido, centro
das atenções de Deus.
O Salmo 95(96), que rezamos hoje, é um convite a festejar
a realeza serena e universal do Senhor. Insiste em que o Senhor
é merecedor de um canto novo, porque é criador, libertador e
governa toda a terra com retidão, justiça e fidelidade.
A Carta aos Tessalonicenses é o primeiro escrito do Se-
gundo Testamento, elaborada pelos anos 50-51 depois de Cristo.
Paulo anuncia o Evangelho e forma, em Tessalônica, um pequeno
grupo. Ele ficou aí poucas semanas, pois teve que fugir, persegui-
do que estava. A Palavra despertou a fé; a força de Deus esteve
presente e aí se formou um povo eleito. A comunidade de Tessa-
lônica torna-se exemplo de caminho a ser seguido pela “atuação
da fé, esforço da caridade e firmeza da esperança”.

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PNE - QV) - CVV nº 47
3. Atualizando a Palavra

Ha quem use a Palavra do Evangelho de hoje para manter a


religião longe da política. Essa maneira de pensar já é uma opção
política que serve aos interesses dos que têm poder e exploram
o povo.
Hoje, tempo de tanta corrupção, podemos reconhecer vá-
rios poderosos que se colocam como deuses. O poder político
coloca-se como valor absoluto. Pessoas, regimes ou estruturas
que impedem a humanidade de ser “imagem de Deus” na hber-
dade e na justiça. Roubam de Deus o que pertence unicamente
a ele: o povo.
A política e a economia devem ser simples instrumentos
para a realização da justiça, do direito e da vida, conforme a
vontade de Deus. O dinheiro domina a pessoa de tal forma que
fica completamente perdida a noção de dignidade, de direito, de
justiça e de respeito. Essa é uma questão mal resolvida dentro
de cada um de nós, na sociedade e na política.
Os cristãos que se engajam na política não são fiéis a Deus
se se comprometem com o sistema que oprime. Estarão a serviço
do povo e não do próprio enriquecimento. Quando forem capazes
de renunciar à riqueza, então poderão ser fiéis a Deus, a quem
devem devolver o povo que lhe roubaram,
O imposto cobrado deve ser revertido em benefício do bem
comum e não desviado para algum “caixa dois”. Jesus condena
a transformação do povo em mercadoria que enriquece domina-
dores e fortalece a dominação tanto interna como estrangeira.
Jesus chama de hipócritas os grupos que o elogiam, mas
sustentam a injustiça sobre o povo. Ele manda devolver para Deus
o que é de Deus — o povo libertado. Traduzir a fé em atos de
amor. O nome do amor hoje é política, solidariedade.

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A Deus não temos como pagar, pois tudo a ele pertence.
O tributo que podemos pagar a Deus é a entrega de nossa vida,
compromisso com o projeto que Jesus nos ensinou, no amor
fraterno e na justiça. Ligamos fé, política e economia, conse-
guindo romper com a dominação do dinheiro, do consumismo,
da adoração à moeda estrangeira, do poder e do sucesso? Na
Igreja, na comunidade, como nos organizamos para ficar livres
da ganância do poder e do dinheiro?

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


Como cidadãos do mundo, nos reunimos, filhos do mesmo
Pai, em assembléia de irmãos para a partilha do Pão da vida,
na Palavra e na Eucaristia. Com Jesus nos entregamos ao Pai.
Damos assim a ele, na liberdade de filhos, o que realmente lhe
pertence e lhe pedimos, que nos guarde como a pupila dos olhos
e nos abrigue à sombra de suas asas, como nos inspira hoje a
antifona de entrada.
Sua Palavra nos possibilita maior discernimento e nos
fortalece para que nossas opções não sejam determinadas pelo
projeto “de César”, mas pelo projeto de seu Reino, único absoluto
a ser buscado no cotidiano de nossa caminhada de discípulos
MmISSIONÁTIOS.
A participação no mistério de sua Páscoa nos dá a graça
de estarmos sempre atentos e disponíveis para o serviço de seu
Reino e de sua justiça, com seus valores eternos, como suplica-
mos nas orações de hoje.
O testemunho de tantos missionários e missionárias, que
fazem do mundo sua Pátria, comprometendo-se com a missão
além-fronteiras, em outras regiões e ambientes, motivam-nos ao
louvor e à súplica por “fé atuante, caridade abundante e esperança
perseverante”, como nos estimula a segunda leitura de hoje.

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PNE - QV) - CVV nº 47
5. Sugestões para a celebração
LÊ. Onde for costume, preparar o espaço celebrativo com um
painel ou cartaz missionário. Destacar a mesa da Palavra com
fitas nas cores dos cinco continentes: o verde, lembrando a
África; o vermelho, a América; o amarelo, a Ásia; o azul, à
Oceania; o branco, a Europa.
. Após a saudação, que pode ser inspirada na segunda leitu-
ra, lembrar o sentido e os motivos da celebração, trazendo
presente nomes de pessoas conhecidas que estão em ação
missionária, em áreas além-fronteiras.
Na celebração da Palavra, realizar o ato penitencial após a
homilia, expressando reconciliação entre fé e política, provo-
cada pela Palavra de Deus proclamada.
A profissão de fé, motivada a partir dessa reconciliação, pode
ser dialogada.
Nas preces, lembrar de tantos missionários e missionárias que
se dedicam ao trabalho missionário junto aos mais pobres e
necessitados, em nosso país e além-fronteiras.
Quem preside pode aproveitar algumas orações indicadas para
a Celebração pela “Evangelização dos Povos”, apresentada
pelo Missal Romano (cf. Missas para Diversas circunstâncias,
I4A e B).
. Oenvio em missão, nos ritos finais, deve motivar a comunida-
de a assumir com maior entusiasmo sua Vocação missionária
dentro e fora da Igreja.
. Para a bênção final, segue sugestão:
A comunidade é convidada a voltar-se para a porta de saída
ou na direção dos quatro pontos cardeais, abrangendo todas
as direções, enquanto quem preside faz a oração:

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PNE - QV] - CVV nº 47
Dirigente: O Senhor esteja convosco.
Todos: Ele está no meio de nós!
Dirigente: O Deus Pai, que em Jesus manifestou a solida-
riedade e a caridade, vos faça mensageiros do Evangelho e
testemunhas de seu amor no mundo.
Todos: Amém!
Dirigente: O Senhor Jesus, que prometeu à sua Igreja estar a
seu lado até o fim dos tempos, dirija vossos passos e confirme
vossas palavras.
Todos: Amém!
Dirigente: O Espirito Santo esteja sobre vós, para que,
percorrendo os caminhos do mundo, possais evangelizar os
pobres, dar vista aos cegos e curar os corações humilhados
e contritos.
Todos: Amém!
Dirigente: Abençoe-vos o Deus...
Todos: Amém!

Oração Missionária 2008


Senhor, nosso Deus,
Enviastes ao mundo vosso Filho
Como luz para todos os povos.
Nós vos bendizemos pelos missionários e missionárias
Que proclamam o Evangelho da Vida.
Derramai sobre eles vosso Espírito de amor,
Para que permaneçam fiéis no ardor missionário,
Até que em todas as nações
se consolide um novo céu e uma nova terra.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

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PNE - QV] - CVY nº 47
30º Domingo do Tempo Comum
26 de outubro de 2008

Leituras: Êxodo 22,20-26; Salmo 17(18),2-4.47.51;


1 Tessalonicenses 1,5c-10; Mateus 22,34-40 (o maior mandamento)

Ame ao Senhor seu Deus


com todo o seu coração,
com toda a sua alma e
com todo o seu entendimento

1. Situando-nos brevemente

Nesta Páscoa semanal, recordamos o jeito mais concre-


to de Jesus viver o amor total e a solidariedade para conosco,
entregando-se e indo até o fim na opção pela vida.
Celebrando o memorial que atualiza esse gesto supremo de
amor do Filho de Deus, nós nos reunimos dando graças ao Pai,
que nos chama como filhos a participar de seu plano de amor e
salvação.

Jesus nos confia hoje seu único mandamento, síntese da


Lei e dos Profetas e que se expressa de duas maneiras interde-
pendentes: na comunhão amorosa com Deus e na alegria da
comunhão fraterna.
Celebramos hoje também o Dia Nacional da Juventude,
tendo presentes os desafios e perspectivas pastorais apontados no
documento sobre a Evangelização da Juventude e retomados nas
atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, n. 123: “Torna-

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PNE - QV] - CVV nº 47
se urgente renovar a opção afetiva e efetiva de toda a Igreja pela
juventude na busca conjunta de propostas concretas [...] entre
elas: processos de educação e amadurecimento na fé, com atenção
a espiritualidade, formando, de maneira gradual, os jovens para
a missão, a ação política e a transformação do mundo”.

2. Recordando a Palavra

Jesus encarna a posição de Deus a favor dos pequenos e


isso incomoda alguns grupos de poderosos de seu tempo. No
Evangelho de hoje tentam fazer outra armadilha a Jesus com uma
pergunta sobre a Lei. Os fariseus contavam 613 preceitos da lei:
365 proibições do que não se pode fazer e 248 mandamentos que
precisavam ser realizados. Era necessário conhecer e praticar to-
dos eles. Em casos de confiito, era necessário também estabelecer
uma hierarquia entre os mais e os menos importantes. Os rabi-
nos afirmavam que todos tinham a mesma importância. Alguns
diziam que a observância do sábado era a síntese de toda a Lei.
O profeta Miquéias diz: “Foi-te dado a conhecer o que é bom, o
que o Senhor exige de ti: nada mais que respeitar o direito, amar
a fidelidade e aplicar-te a caminhar com teu Deus” (6,8).
O povo pobre não tinha acesso às informações da religião
elitizada. Para os chefes da religião, o povo era impuro, pecador.
Eles esperavam que Jesus respondesse que todos os mandamen-
tos são igualmente importantes, excluindo assim os pobres da
prática religiosa. Jesus vive no meio do povo, não participa da
vida das elites que se incomodam com seus ensinamentos que
promovem os pobres. Questionado pelos fariseus sobre qual seria
o maior mandamento, Jesus responde unindo Deuteronômio 6,5
com Levítico 19,18, que falam dos dois amores fundamentais a
Deus e ao próximo. A Leie os Profetas significam toda a Sagrada
Escritura e são resumidos no amor a Deus, como entrega total
de si mesmo e amor aos irmãos como a si mesmo. Esses dois

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PNE - QV) - CVV nº 47
mandamentos são a expressão da vontade de Deus. São o resumo
de toda a Biblia.
A primeira leitura nos fala dos mandamentos que foram
elaborados quando o povo saiu da “casa da escravidão”, numa
tentativa de organização de vida e convivência de acordo com
o projeto de Deus: não oprimas, nem maltrates o estrangeiro;
não faças mal à viúva nem ao órfão; não sejas usurário ao
emprestar algum dinheiro; devolve antes do pôr-do-sol o que
tomares como penhor. Se algum pobre ou oprimido clamar a
Deus contra ti, Deus ouvirá porque é misericordioso. É uma
lei de liberdade que garante a vida para todos, especialmente
aos mais desprotegidos: migrantes, viúvas, órfãos, endividados,
pobres. O Deus de Israel não aceita a opressão e é defensor dos
fracos e oprimidos.
O Salmo 17(18) é uma poesia que desperta em nós a cons-
ciência política e a cidadania. Ajuda-nos a rever nossa posição
em relação ao poder e às autoridades.
São Paulo lembra que muitas foram as tribulações que os
primeiros cristãos sofreram ao acolher a Palavra do Evangelho.
Foram opressões e repressões por parte dos poderosos para redu-
zir a força do testemunho dos seguidores de Jesus, para não abalar
as estruturas injustas da época. Os cristãos serviam a Deus vivo
no compromisso com Jesus Cristo, manifestando na história sua
ação libertadora. Davam seu testemunho mantendo a esperança
da mudança das estruturas do mundo.

3. Atualizando a Palavra

A Palavra que Deus nos diz hoje é um alerta contra uma


religião que separa a relação com Deus da vivência cotidiana
e das relações humanas. Religião intimista e personalista sem
compromisso com os irmãos. Jesus deixa claro que não existe

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PNE - QV) - CVV nº 47
um amor a Deus e outro ao próximo. Amar a Deus de todo o
coração, de toda a alma e de todo o entendimento nos faz amar
o próximo com a mesma intensidade.
Jesus está muito bem amparado pela tradição, pela Escri-
tura e pela caminhada de fé de seu povo; não precisa inventar
uma resposta. Apenas cita o que o doutor da Lei já sabe. É na
vivência do segundo mandamento que se comprova a fidelidade
ao primeiro e fundamental mandamento. É de amar que se trata
em primeiro lugar, não de usar títulos, nem de realizar cerimônias
ou de cumprir regulamentos. Tudo pode ser muito bom, mas o
essencial é a comunhão amorosa e fiel com Deus e a atenção
permanente às pessoas. São dois momentos de uma mesma ati-
tude amorosa — Deus e o próximo —, é o mesmo amor, vindo
da mesma fonte e a ela voltando.
No Evangelho de João, Jesus diz: “Fu vos dou um manda-
mento novo: amai-vos uns aos outros. Assim como eu vos amei,
deveis vos amar uns aos outros” (Jo 13,34; 15,12). “Assim como
o Pai me amou, também eu vos amei: permanecei no meu amor.
Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu
amor, como, observando os mandamentos de meu Pai, eu perma-
neço em seu amor” (Jo 15,9). Jesus e o Pai nos amam de modo
extraordinário. E amar o próximo “como a si mesmo” é amar com
a mesma intensidade com que fomos e somos amados.
Não é possível ser fiel a Deus sem fidelidade
ao povo. Os
fariseus, às vezes, até desprezavam o povo. Jesus, o Mestre da
justiça no Evangelho de Mateus, garante que é necessário pôr-se
diante de Deus e diante das pessoas, sem estabelecer priorida-
des ou graus de valor. E recomendável ler 1 João 4,7-21, onde
encontramos: “Se alguém disser: “Amo a Deus”, e odeia seu
irmão é um mentiroso. Com efeito, quem não ama seu irmão,
a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. E este é o

61
PNE - QV) - CVY nº 47
mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus ame
também a seu irmão”.
Nosso amor a Deus será uma ilusão se não for uma partici-
pação em seu amor e não se expressar no serviço à humanidade,
como se revelou em seu filho Jesus: Deus é amor total que se
entrega à humanidade. “Em verdade eu vos declaro, todas as
vezes que o fizestes a um destes mais pequeninos, que são meus
irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40.45).
Deus não quer um amor etéreo e volátil. Ele nos garante,
por meio das atitudes de Jesus, o Filho, que lhe ser fiel é sentir
com o povo que sofre, ama e espera. É viver como Jesus viveu,
entregue ao bem dos mais espezinhados e excluídos. Como vi-
vemos essa Palavra no dia-a-dia?

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


A reunião htúrgica é a expressão do amor terno e miseri-
cordioso de Deus Pai para conosco. E nós, seus filhos amados,
unidos fraternalmente entre nós e em Cristo, manifestamos nosso
amor a ele, na total entrega de nossa vida aos irmãos.
Celebramos porque amamos! Mais do que uma obrigação,
a liturgia é exigência do amor gratuito, expressão de ternura e
amorosa cumplicidade.
O Pai nos tira da dispersão e nos reúne num só Corpo em
Cristo. Amorosamente, ele nos entrega seu Espírito, na Palavra
e na Eucaristia, fazendo-nos passar da morte para a vida. E nós,
num só coração e numa só alma, acolhemos sua proposta, reno-
vando em ação de graças e na alegria do Espírito uma aliança
de amor e compromisso, como rezamos na oração sobre as ofe-
rendas: “Seja para a vossa glória a celebração que realizamos”.
Na celebração encontram-se e realizam-se os dois movimentos
do único mandamento do Amor.
62
PNE - QV] - CVV nº 47
Suplicamos que seu Espirito nos fortaleça para cumprirmos
esse mandamento do amor, no meio de tantos conflitos e tensões
em nosso dia-a-dia. “Que os vossos sacramentos produzam em
nós o que significam, a fim de que um dia entremos na posse do
mistério que agora celebramos”, rezamos na oração depois da
comunhão.

5. Sugestões para a celebração


Ê. Fazer uma acolhida bem afetuosa aos jovens e adolescentes da
comunidade, os quais podem, neste dia, participar dos vários
ministérios.
. Orefrão meditativo Deus é amor, arrisquemos viver por amor.
Deus é amor, ele afasta o medo é bem apropriado, hoje, para
criar um clima orante no início da celebração.
. Fazer a procissão de entrada com a participação dos jovens
presentes.
. Um abraço fraterno de acolhida pode, neste domingo, ser
realizado nos ritos iniciais, congregando os irmãos no amor
de Cristo.
. Cuidar para que todas as leituras sejam bem proclamadas,
sobretudo o Evangelho, ponto alto da Liturgia da Palavra.
. Após a homilia, quem preside pode convidar a comunidade a
fazer um rito de adesão à Palavra. Quem preside faz uma breve
oração, seguida de um gesto como o beijo na Escritura ou a
passagem do livro pela assembléia, enquanto se canta o Salmo
119, com o refrão: Lei soberana do Senhor, livre eu serei se
praticá-la com amor (cf. GUIMARÃES, M.; CARPANEDO, P. Dia
do Senhor; guia para as celebrações das comunidades. Tempo
Comum, Ano A. São Paulo, Paulinas/Apostolado Litúrgico,
2001.
p. 260).

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PNE - QV] - CVV nº 47
Ressaltar toda a Liturgia Eucarística, memorial do gesto
maior de Jesus, vivendo até o fim a entrega de sua vida por
amor à humanidade, em obediência amorosa ao Pai. Quem
preside faça, “na inteireza do ser”, todos os gestos e ações
rituais, dando muita unção às orações, sobretudo à Oração
Eucarística e aos ritos de comunhão, possibilitando que toda a
assembléia viva cada rito como um ato autêntico de amor.
Cantar as aclamações, o Amém final da Oração Eucarística
e o Pai-Nosso.
Realizar com especial atenção o gesto da fração do pão e
permitir que toda a assembléia o acompanhe, cantando o
Cordeiro de Deus.
10. O Hinário Liturgico 3 (pp. 258-259.370) faz indicações para
o canto de comunhão, retomando o conteúdo do Evange-
lho.
11. Antes da bênção final, os jovens podem cantar um hino mais
ligado à sua realidade e a seu estilo.
12. À bênção final, como envio de toda a comunidade em missão,
pode ser cantada, atingindo particularmente os jovens, “para
que sejam protagonistas na evangelização” (Documento de
Aparecida, n. 336; CNBB, Evangelização da juventude,
n. 5)
13. Dia 28 de outubro, festa dos Apóstolos São Simão e São
Judas Tadeu. Dia 1º de novembro, Solenidade de Todos os
Santos.

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PNE - QV) - CVV nº 47
Leituras (Missa HI): Sabedoria 3,1-9;
Salmo 41(42),2.3.Sbcd; 42(43),3.4.5;
Apocalipse 21,1-5.6b-7; Mateus 5,1-12

Felizes os pobres em espírito,


porque deles é o Reino do Céu

1. Situando-nos brevemente

Conforme antiga tradição da Igreja, hoje celebramos, de


modo especial, os nossos mortos. Fazemos essa memória no
Mistério da Páscoa de Jesus, que venceu definitivamente a morte.
Todos os que pelo Batismo são incorporados a Cristo, com ele res-
suscitarão dentre os mortos à semelhança de sua ressurreição.
Essa dimensão fortemente pascal da comemoração lhe
permite, em sintonia e prolongamento da solenidade de Todos
os Santos, ocupar neste ano, com liturgia própria, o lugar do 31º
Domingo do Tempo Comum.
O Missal Romano e o Lecionário Dominica! apresentam
três propostas diferentes para a liturgia de hoje. De acordo com as
necessidades pastorais, a comunidade celebrante faz sua escolha.
Optamos aqui pelos textos da Terceira Missa.
Nesta celebração, damos graças ao Pai porque experi-
mentamos em nossa realidade esse mistério da vida que passa
pela morte e podemos viver em comunhão com tantas pessoas

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PNE - QV) - CV nº 47
queridas que vivem agora a plenitude da vida partilhada conosco,
precedendo-nos no caminho da fé.
Já nos últimos domingos do ano litúrgico, celebramos a
vocação escatológica de toda a humanidade, chamada à vida
plena e à felicidade completa na Jerusalém celeste, onde não
haverá morte, nem luto, nem clamor, nem dor.

2. Recordando a Palavra

No Sermão da Montanha (cf. Mt 5-7,27), Mateus reúne a


nova justiça trazida por Jesus. As bem-aventuranças abrem esse
sermão, anunciando a felicidade verdadeira de ser merecedor do
Reino. São proclamações de salvação para aqueles que aderem à
comunidade dos seguidores de Jesus Cristo. Existe o texto para-
lelo de Lucas 6,20-26. São duas formulações da palavra de Jesus.
Em Mateus, são oito bem-aventuranças e mais uma a se realizar
com quem segue Jesus; em Lucas são quatro bem-aventuranças e
quatro infelicidades. Esse gênero (ashré em hebraico) é frequente
nos salmos e na poesia sapiencial. São mandamentos como o
decálogo do Sinai. Revelam uma felicidade quase que humana-
mente incompreensível. Reúnem promessas de bens excelentes
e exigências extraordinárias.
Mateus fala em “pobres em espírito”; é uma noção que
vem do profeta Sofonias. São os anawim, os que buscam Deus e
a justiça, que mantêm viva a Aliança na espera do Messias. Esse
espirito não é a inteligência ou o Espirito Santo, mas é o centro,
o coração, a totalidade da pessoa. Essa expressão, de acordo
com a mentalidade bíblica, significa dinamismo, sopro, força
vital. Esses pobres são os que, por seus sofrimentos e carências,
aprenderam a confiar somente em Deus e contar com seu socorro.
“Em espírito” indica a interioridade consciente: sabem que são
pobres e também rejeitam a cobiça e a ganância. O Reinado de

66
PNE - QV) - CVV nº 47
Deus é para eles. À evangelização dos pobres foi o sinal dado
por Jesus aos discípulos de João Batista, para reconhecerem que
ele era o Messias.
A palavra da Sabedoria gira em torno do confiito justo
versus injustos, chamados de insensatos. O conflito ocorria
pela hostilidade e perseguição advindas de pessoas da cultura
grega contra a fé e a cultura do povo judeu, que habitava em
Alexandria do Egito, por volta dos anos 50 a.€. Para não serem
marginalizados e perseguidos, muitos deixavam os costumes e
até a fé, perdendo a própria identidade de povo escolhido. Além
disso, a crença na “teologia da retribuição” estava em crise. A
realidade mostrava o contrário. Os corruptos e injustos viviam
sossegados por longos anos. Os justos eram atribulados, perse-
guidos, mortos na juventude. Para superar essa crise, a sabedoria
afirma com toda a convicção: “As almas (as vidas) dos justos
estão nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá [...|.
Os justos estão em paz [...). Os justos, no dia do julgamento,
brilharão como fagulhas no meio da palha” e governarão as
nações, submetendo os povos, participando com o Senhor do
senhorio da história. Deus e os justos são aliados inseparáveis
e, mesmo que venha a morte por causa da luta pela justiça, os
justos continuarão vivendo.
O Salmo 41(42)/42(43) expressa uma saudade imensa de
Deus e mantém nossa esperança de voltar a nos encontrarmos com
ele. Deus se faz presente na vida em forma de ausência sentida.
Para falar da ausência, é usada a imagem da corça bramindo de
sede. Todo ser sem Deus seca e morre. Cantemos este salmo na
certeza de que Deus atende nossa sede profunda.
Hoje ouvimos três versículos do Apocalipse com uma
revelação preciosa: “Pronto! Está feito! Acabou! Eis que faço
novas todas as coisas! [...]. Eu sou o começo e o fim. O vencedor
receberá a herança!”. Quando tudo parecer acabado, novas coisas

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PNE - QV) - CVY nº 47
surgirão, e quem se manteve fiel receberá sua herança. Será tudo
novo, sem dor, sem choro, sem luto. Nem morte havera.

3. Atualizando a Palavra

A Palavra de Deus é um apelo para sermos pobres em


espírito e nos propõe o aspecto dinâmico do ser humano: bus-
car a Inteireza do ser. Expressa muita exigência e não apenas
desprendimento dos bens materiais. Ser pobre “em espírito”
nos leva a transformar a referência de uma situação econômica
e social em uma atitude para aceitar a Palavra de Deus. Esse é
um tema central das Sagradas Escrituras, o qual nos convida
a viver em total disponibilidade a vontade de Deus e fazer
dela nosso alimento. É uma atitude de filhos e filhas, irmãos
e irmãs dos demais filhos de Deus; ser pobre em espírito é
ser discípulo de Cristo. O discipulado exige abertura ao dom
do amor de Deus e solidariedade preferencial com os pobres
e oprimidos.
As demais bem-aventuranças referem-se a outras atitudes
do discípulo, do pobre: bom trato, aflição pela ausência do Senhor,
fome e sede de justiça, misericórdia, coerência de vida, constru-
ção da paz, perseguição por causa da justiça. Elas enriquecem e
aprofundam a primeira bem-aventurança.
Neste dia de esperança, de comunhão com quem amamos
e continuamos amando, mesmo sem a presença física, a Ressur-
reição de Jesus é uma luz cintilante para nossa fé na vida. Temos
certeza de que todo o mal já foi vencido e somos aguardados
por um futuro onde a morte não existirá mais. É essa também a
certeza que temos quanto a nossos pais, irmãos, amigos e todos
os que adormeceram no Senhor.
Temos que construir o novo céu e a nova terra durante o
tempo de nossa história, mas temos a confiança de que quem

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PNE - QV) - CVY nº 47
morreu tendo guardado a fidelidade a Jesus Cristo já pode usufruir
do novo céu e nova terra sem fim.

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


Damos graças ao Pai, Santo e fonte de toda a santidade,
participando do memorial da morte e ressurreição do Cristo, o
bem-aventurado do Pai, o Alfa e o Ômega, Princípio e Fim, que nos
oferece, gratuitamente, a fonte de água viva, seu Espirito Santo,
Antecipamos nossa participação na assembléia celeste com
todos os Irmãos e irmãs que partiram, os santos e santas que en-
toam incessantemente a Deus o louvor pascal e que resplandecem
como faíscas luminosas, provados como o ouro no cadinho.
Suplicamos ao Pai, na certeza da ressurreição, que nossos
falecidos gozem da imortalidade, da alegria plena prometida.
Nesta Eucaristia, retomando nosso Batismo, o Espírito
Santo realiza também em nós essa esperança, participando da
vitória pela qual Cristo nos faz continuamente com ele reviver.

5. Sugestões para a celebração


1. Asflores e as cores (roxa, preta, hlás, amarela) dão ao conjunto
da celebração um caráter de sobriedade e esperança. Lembram
que a liturgia dos finados é uma mistura de alegria e dor, de
presença e ausência, de festa e saudade.
2. Prever um lugar adequado para que, no início da celebração,
as pessoas possam acender velas na lembrança de seus mortos.
À luz é um simbolo a ser valorizado nesta celebração.
3. Após a saudação inicial, quem preside lembra o sentido pascal
desta celebração. O rito de bênção e aspersão, nos ritos Iniciais,
nos ajuda a renovar o Batismo pelo qual com Cristo morremos
e ressurgimos continuamente, até nossa Páscoa definitiva.

69
PNE - QV)- CW nº 47
No momento das preces da comunidade, cantar ou rezar a
ladainha de todos os santos. É este um dos momentos rituais
indicados para rezarmos pelos nossos falecidos, caso sejam
feitas as preces.
O prefácio é próprio. O canto do Santo, seguido da moti-
vação no final do prefácio: “Por isso, com todos os Anjos e
Santos proclamamos a vossa glória, cantando numa só voz”,
é o momento ritual privilegiado de comunhão com nossos
irmãos e irmãs falecidas. Entramos no louvor perene que
eles, sem cessar, entoam a Deus. E muito pouco, portanto,
nos contentarmos com uma simples leitura de seus nomes
no início da celebração!
O Hinário Litúrgico 2 (p. 103) traz uma louvação em melodia
popular, inspirada no prefácio de hoje, que pode ser cantada
nas celebrações da Palavra.
Na Oração Eucarística, durante a lembrança dos falecidos,
quem preside convida a comunidade a falar em voz alta os
nomes de seus entes queridos. Este é outro momento ritual
previsto para isto. Seria bom evitar fazer leitura, as vezes
friamente, no início da celebração, quando há momentos tão
adequados, propostos pela liturgia!
Para os cantos, o Hinário Litúrgico 4 (pp. 143-155) apre-
senta sugestões para os vários momentos. Eles podem ser
escolhidos conforme os textos litúrgicos da Missa.
A bênção final, conforme o Missal Romano, é também pró-
pria para esta celebração.
10. Primeira missa: João 6,37-40; Jó 19,1.23-27; Salmo 26(27);
Romanos 5,5-11.
Segunda missa: Mateus 25,31-46; Isaías 25,6a.7-9; Salmo
24(25); Romanos 8,14-23.

70
PNE - QV] - CVV nº 47
Leituras: Ezequiel 47,1-2.8-12; Salmo 45(46),2-3.5-6.8-9;
1 Coríntios 3,9c. 16-17; João 2,13-22

Não transformem a casa de meu pai


em um mercado

1. Situando-nos brevemente

Neste domingo, celebramos a festa da Dedicação da Ba-


sílica do Latrão. Trata-se da primeira catedral dedicada a São
João Batista e a São João Evangelista, no morro do Latrão, em
Roma no século IV; foi durante muito tempo a igreja do bispo
de Roma, o Papa.
Para nós, católicos do ocidente, esta festa quer ser sinal da
comunhão de todas as nossas Igrejas, que reconhecem na Igreja
de Roma, a “presidência da caridade”. Gerada na Comunhão Tri-
nitária, a Igreja é destinada a ser no mundo sinal e instrumento,
sacramento da comunhão de todos os povos com Deus e entre si
(cf. Lumen Gentium, nn. 1.48).
Na II Conferência do Episcopado Latino-Americano,
realizada na cidade de Puebla, no México, há quase trinta anos,
nossos bispos consagraram a expressão “comunhão e participa-
ção” como 1deal a ser buscado sempre por nossa Igreja.
Trata-se de comunhão de esforços, de intenções, de co-
rações e participação de todos na construção de uma Igreja de

71
PNE - QV) - CVV nº 47
irmãos, servidora, numa sociedade inteiramente nova. “Uma
comunidade insensível às necessidades dos irmãos e à luta para
vencer as injustiças é um contratestemunho e celebra indignamen-
te a própria hturgia” (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora,
n. 178). “A Igreja latino-americana é chamada a ser sacramento
de amor, de solidariedade e de justiça entre nossos povos” (Do-
cumento de Aparecida, nn. 395-396).
A festa de hoje é uma festa do “Senhor”! O Verbo, fazen-
do-se carne, armou sua tenda entre nós (cf. Jo 1,14). O Cristo
Ressuscitado está presente em sua Igreja e é dela a Cabeça! A
igreja-edifício, lugar da reunião, é um sinal dessa presença.

2. Recordando a Palavra

A Palavra de hoje nos fala do templo, que é como o cora-


ção do povo e simbolo da religião. Em Jerusalém, no tempo de
Jesus, o templo era o lugar onde o povo de Israel oferecia seus
sacrifícios, com oferendas e dons que vinham de todo o país.
A celebração da Páscoa consumia grande quantidade de reses,
bois, ovelhas e pombas. Com licença das autoridades do templo,
um átrio convertia-se em estábulo ou mercado. Para o tributo
do templo ou para oferendas voluntárias, o povo que vinha de
outros países tinha que trocar dinheiro. Os cambistas prestavam
esse serviço e faziam seus negócios. Jesus chega a Jerusalém
por ocasião da festa de Páscoa e expulsa do templo os abusos, o
roubo, a ganância e também os próprios animais que serviriam
ao sacrifício. Simbolicamente, ele expulsou o culto ali praticado
(cf. Zc 14,21).
“O zelo por tua casa me devora”, diz Jesus tomando as
palavras do Salmo 68(69),10. Jesus quer purificar o templo que
se transformara em lugar de comércio, de troca de moeda, de ex-
ploração do povo pobre e de enriquecimento da classe sacerdotal.

72
PNE - QV) - CVV nº 47
A ação de Jesus podia ser interpretada por seus contemporâneos
na linha dos protestos proféticos contra a profanação da casa de
Deus. Purificar, limpar aquele templo era o sinal de que a era
messiânica havia chegado. A ação de Jesus era grave, porque o
templo era o centro econômico, político e ideológico do judaísmo
daquela época. Jesus estava atacando a raiz da estrutura social.
Os chefes quiseram saber com que autoridade Jesus agira
daquela forma. A comunidade cristã entendeu a purificação
como anúncio da morte de Jesus. Depois da ressurreição eles se
lembraram da atitude de Jesus e a interpretaram à luz do Salmo
68(69). O zelo pelo templo, isto é, o conjunto da missão de Jesus,
como manifestação da presença de Deus tornando este mundo
seu templo, provocará sua morte.
Os contemporâneos de Jesus entenderam sua ação de pa-
lavra como destruição material do templo, o que foi feito pelo
Império Romano no ano 70 d.C. Jesus falava de destruição e
reconstrução. Jesus falava do templo messiânico. Falava de seu
corpo morto e ressuscitado.
Ezequiel, no Exílio da Babilônia, longe de Jerusalém e do
templo que fora destruido por Nabucodonosor, sonha com um
novo e perfeito templo que será uma fonte de água, de vegetação,
frutos e folhas que curarão tudo e todos. No templo antigo, residia
a Glória de Deus (cf. Ex 40,34). O templo era uma instituição
venerada e respeitada (cf. Jr 7; 26; Mt 21,12-16; Jo 2,13-22; At
21,28-40). O templo é a presença de Deus no meio do povo,
trazendo-lhe o dom da vida, que é abundante. As águas vivificam
toda a terra deserta e tornam saudável o Mar Morto, simbolo do
povo pecador, estéril.
O Salmo 45(46) é um cântico triunfal que dá graças a Deus
pela proteção concedida a Jerusalém, morada da Arca da Aliança,
durante o tempo em que ficou cercada pelos inimigos. Apresenta

13
PNE - QV] - CVY nº 47
um rosto magnífico de Deus — aliado fiel, refúgio, força e for-
taleza, capaz de manter inabalável a confiança do povo.
Na segunda leitura, é-nos revelado que o novo templo não é
uma casa e sim a comunidade cristã, consagrada, porque nela re-
side o Espírito. É o campo e o edifício de Deus construído sobre o
alicerce de Jesus. O Espirito de Deus e Jesus Cristo habitam nesse
templo. A comunidade é santa porque Deus a consagrou para ser
uma no Espírito de Jesus Cristo, seu alicerce e fundador.

3. Atualizando a Palavra

A expulsão dos vendilhões do Templo é uma ação sim-


bólica que Jesus realiza. O templo era o centro espiritual de
todos os judeus da Palestina e da diáspora. Os cristãos, porém,
já compreendiam que a Igreja é o corpo de Cristo, novo templo
da presença de Deus no mundo.
Jesus substitui o templo de pedra por seu próprio corpo e, a
partir daí, o verdadeiro templo de Deus passa a ser a pessoa. Em
Jesus nasce o novo centro do culto, nele contemplamos a glória
do Pai e o adoramos em Espirito e verdade.
A festa de hoje refere-se aos templos de pedras vivas e ao
templo que é o corpo de Cristo, o ressuscitado. A salvação vai fluir
do novo templo que é Cristo e sua comunidade, como água liber-
tadora para toda a humanidade. Nosso serviço pastoral está edifi-
cando a comunidade, corpo de Cristo, templo de pedras vivas?
Que sentido tem o templo material? Ele não é apenas um
lugar onde a comunidade se reúne para rever, celebrar e projetar
a vida e a ação que vai realizar a partir do compromisso com o
projeto de Deus revelado em Jesus. Seu grande significado vem
da palavra de Jesus: “Onde dois ou três estiverem reunidos em
meu nome, eu estarei no meio deles!”.

74
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4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica
A celebração litúrgica é sempre memorial da Páscoa do
Senhor, que veio armar sua morada entre nós e estabelecer uma
nova relação entre Deus e toda a humanidade, relação esta baseada
no amor sem medida.
Ao reunir-se fraternalmente, respondendo à convocação do
Pai, cada comunidade cristã é unificada e dotada pelo Espírito
Santo com dons e ministérios, tornando-se, com Cristo-cabeça,
seu Corpo Ressuscitado. Torna-se “templo espiritual”, onde,
como sacerdócio santo, oferece “sacrifícios espirituais” e adora
Deus em “Espirito e verdade”.
Assim, o próprio espaço celebrativo, com os irmãos reu-
nidos, a mesa da Palavra, a mesa da Ceia e a cadeira de quem
preside, torna-se sinal da presença de Cristo: é ele quem aí fala,
dá-se em alimento, preside a comunidade reunida em oração,
nos faz passar da morte para a vida e “permanece conosco para
sempre” (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 7).
Participando realmente do Corpo do Senhor pela Ceia
Eucarística, na bênção e na fração do pão eucarístico, somos
conduzidos à comunhão com ele e entre nós. Todo corpo com
ele alimentado e a ele ligado pelas juntas e ligaduras cresce até
que chegue à completa plenitude de Deus (cf. C1 2,19; Ef 3,19),
construindo a Jerusalém celeste da qual é imagem, como rezamos
na oração inicial e na depois da comunhão desta festa.
Hoje, toda a liturgia nos leva a reforçar nossos compro-
missos batismais, de discípulos missionários, com a comunhão
e a participação de todos em nossa Igreja, sendo sinal da nova
humanidade e instrumento a serviço da fraternidade, da solida-
riedade, da justiça e da paz universal.
À procissão inicial e a bênção final, com o envio em missão,
expressam nossa vocação de peregrinos e nos apontam para o futuro,
para a assembléia definitiva de todos os povos na Casa do Pai.
75
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5. Sugestões para a celebração
L. A cor htúrgica desta festa é o branco. Destacar no espaço
celebrativo a fonte batismal juntamente com o círio.
. Toda a comunidade reúne-se fora da Igreja, onde se entoa o
refrão: Onde reina o amor, fraterno amor (Cantos de Taize,
n. 4). Todos entram em procissão, acompanhando os acólitos
com a cruz processional, velas e incenso, o leitor(a) com o
Lecionário e outros ministros, cantando: O Pai, somos nós
o povo eleito (Hinário Liturgico 3, p. 410) ou um dos hinos
de abertura, indicados pelo Hinário Litúrgico 4 (cf. pp. 158-
159).
. Como “santuário de Deus”, templo de pedras vivas, sacra-
mento do Ressuscitado, a assembléia é incensada, juntamente
com a cruz, o altar, a mesa da Palavra e todo o edifício.
Após a saudação, quem preside dá o sentido da celebração,
abre para a recordação da vida e convida para a mvocação a
Cristo:
Dirigente: Invoquemos a compaixão de Cristo, cabeça da
Igreja, a qual somos todos nós.
Senhor, Filho de Deus, nosso Salvador, tende piedade de
nós!
Todos: Senhor, tende piedade de nós!
Dirigente: Cristo, habitação da glória do Pai, tende piedade
de nós!
Todos: Cristo, tende piedade de nós!
Dirigente: Senhor, nosso Mestre e Pastor, tende piedade de nós!
Todos: Senhor, tende piedade de nós!
Dirigente: Tende compaixão do vosso povo, Senhor, e acolhei
agora nosso hino de louvor. (Segue o hino de louvor.)

76
PNE - QV] - CVY nº 47
. À profissão de fé pode incluir o rito de bênção da água e a
aspersão da assembléia, habitação de Deus, e também da
igreja-edifício que a abriga. O canto: Eu vi, eu vi, vi foi água
amanar (Hinário Litúrgico 3, p. 83) cabe bem durante o gesto
da aspersão.
. Nas preces, ter presentes as necessidades concretas da Igreja
local, da Igreja do Brasil e da América Latina, com suas co-
munidades e pastores em comunhão com a Igreja Universal.
A resposta pode ser cantada: Toda a Igreja eleva o clamor,
escutai nossa prece, Senhor!
. O prefácio é próprio. Hoje pode ser cantado, assim como toda
a Oração Eucarística, dando atenção especial ao momento das
intercessões.
. Valorizar o abraço da paz e a fração do pão, rito que expressa
a comunhão de todos no Corpo do Senhor. Para acompanhar
este rito, cantar: Nós somos muitos, mas formamos um só
corpo, que e o corpo do Senhor, sua Igreja, pois todos nós
participamos do mesmo pão da unidade que é corpo do Se-
nhor, a comunhão (Hinário Litúrgico 3, p. 300).
. O Hinário Litúrgico 4 (pp. 157-165) sugere cantos para a
Dedicação de uma Igreja que podem ser aproveitados.

ff
PNE - QV) - CVV nº 47
“Vós sois o Templo de Cristo!”
(Ritual da Dedicação de Igreja, introdução, nn. 1-3)

Por sua morte e ressurreição, Cristo tornou-se o


verdadeiro e perfeito templo da Nova Aliança e reuniu o
povo adquirido. Esse povo santo, reunido pela unidade do
Pai, do filho e do Espirito Santo, é a Igreja ou templo de
Deus, construido de pedras vivas, onde o Pai é adorado em
espirito e verdade. Com muita razão, desde a antiguidade
deu-se o nome de “igreja” também ao edifício no qual a
comunidade cristã se reúne, a fim de ouvir a Palavra de
Deus, rezar em comum, frequentar os sacramentos, celebrar
a Eucaristia.
Por ser um edifício visível, essa casa aparece como
sinal peculiar da Igreja peregrina na terra, e imagem da
Igreja habitante nos céus. Convém pois que, ao erigir um
edifício única e estavelmente destinado à reunião do povo
de Deus e à celebração das ações sagradas, seja essa igreja
dedicada ao Senhor em rito solene, segundo antiquissimo
costume.

Como pede sua natureza, a igreja terá de ser adequada


as celebrações sacras, bela, resplandecente de nobre for-
mosura, e não de mera suntuosidade, e verdadeiramente
sinal e símbolo das realidades celestes. A disposição geral
do edificio deve manifestar de algum modo a imagem do
povo reunido e permitir uma ordem inteligente, bem como
a possibilidade de se exercerem com decoro os diversos
ministérios.

78
PNE - QV) - CVV nº 47
Leituras: Proverbios 31,10-13.19-20.30-31;
Salmo 127(128),1-2.3.4-Sab;
1 Tessalonicenses 5,1-6; Mateus 25,14-30
(os talentos recebidos e restituidos)

Muito bem, empregado bom e fiel!

1. Situando-nos brevemente

Aproximamo-nos do final do ano, a hturgia destes últimos


domingos do Tempo Comum, com forte tom de esperança, nos
propõe assumir, na transitoriedade da vida, nossa vocação de pere-
grinos, nossa missão escatológica, a realização definitiva do Reino
como dom e responsabilidade entregues a toda a humanidade.
Celebramos a Páscoa de Jesus, fonte de nossa esperança
e de nossa fé na ressurreição, com a qual o mundo e a história
entram na plenitude dos tempos.
Recebemos do Senhor, neste “domingo dos talentos”, a
força para vencermos o medo, a covardia e a acomodação para
produzirmos boas obras na espera de sua vinda.
“A morte já foi vencida e carregamos em nós a semente
da imortalidade.”

2. Recordando a Palavra

Mateus 25 tem o enfoque do Reino de Deus. É chamado


discurso escatológico. A Palavra que Deus nos fala hoje enfoca

79
PNE - QV) - CVV nº 47
o mundo da economia e nos ajuda a entender o mistério de
seu Reinado. A expectativa e a vigilância convertem-se em
responsabilidade pela transformação do mundo. Manter-se
vigilante é sentir-se responsável pelo Reino. A responsabili-
dade é proporcional ao “talento” recebido para pôr a serviço.
O servo infiel não produz fruto por medo e pela idéia errada
que ele tem de Deus. O medo leva ao fatalismo e à omissão.
A imagem de um Deus severo, cruel e castigador paralisa a
pessoa.
Jesus apresenta Deus como misericórdia e bondade. O
servo mau pertence ao reino da esterilidade, e seus talentos per-
manecem na escuridão. Ele não é sábio, procura a segurança em
lugar errado, é um conservador, não enfrenta os desafios da luta
pela transformação.
A espera do “patrão” se dá no serviço, no dinamismo, na
fidelidade ativa, e não no comodismo. A parábola dos talentos
fala não da parusia, mas sim do prazo que nos é dado para fazer
frutificar o que recebemos de Deus.
A primeira leitura é parte de um poema acróstico, com
cada um dos vinte e dois versículos começando com uma letra
do alfabeto hebraico. Bom seria ler o poema todo. É o elogio de
uma mulher, exemplo de pessoa sábia ideal: sua administração
e sabedoria são completas. É sabedoria em ação; o homem de-
pende dela; tem capacidade para os negócios; ela é o contrário
da pessoa preguiçosa, Insensata e sem responsabilidade de que
o Evangelho nos fala. O versículo 26, que não está especificado
para a liturgia de hoje, diz que o ensinamento da mulher reúne a
sabedoria e a amabilidade, a misericórdia, que é o conceito cen-
tral da teologia da Aliança nos Profetas. O capítulo 31 é mistura
de ensinamento e exortação profética. O marido e os filhos são
discípulos da sabedoria, aceitam os ensinamentos da Lei, dos
Profetas e dos Sapienciais.

80
PNE - QV) - CVV nº 47
O Salmo 127(128) é um texto sapiencial. Traz uma pro-
posta concreta de felicidade e de bênção. Apóia-se nas bênçãos
de Levítico 26 e Deuteronômio 28. Mostra o sentido da vida e
em que consiste a felicidade.
O 1 Tessalonicenses nos diz que o dia do Senhor virá como
um ladrão, de noite, de repente, como as dores de parto, e ninguém
poderá escapar dele. Mas os cristãos não estão nas trevas e não
serão surpreendidos pelo dia do Senhor. Não devemos dormir,
mas permanecer vigilantes e sóbrios.

3. Atualizando a Palavra

O patrão da parábola é o próprio Deus. Ele nos confiou seus


bens, a cada um conforme sua capacidade. A um deu cinco, a
outro dois e ao outro um talento. Quais são os talentos que Deus
nos confiou? O grande tesouro a nós confiado foi o Reino de
Deus para que o façamos frutificar. A parábola de hoje nos quer
mostrar como devem agir os que receberam a responsabilidade
do Reino da justiça trazido por Jesus.
Na hora do acerto não há discriminação em graus de pre-
mação. Quem lucrou dois e quem lucrou cinco recebem a mesma
resposta: “Muito bem, servo bom e fiel! [...]. Venha participar da
minha alegria!”. Quem luta pela justiça do Reino é servo bom e fiel!
Mas um servo tem medo do patrão. O medo de arriscar nos paralisa
e expressa a idéia que se tem de Deus: “És severo, pois colhes onde
não plantaste e ceifas onde não semeaste. Por 1sso, fiquei com medo e
escondi o teu talento no chão, para guardá-lo. Eis o que te pertence”.
Esse medroso fez uma imagem de Deus como patrão cruel, um ídolo.
A resposta do “patrão” a esse servo foi: “Servo mau, preguiçoso,
imprestável!”. Os dois primeiros enfrentaram o risco e este último
tornou inútil os bens de Deus. “Deus é amor! Arrisquemos viver por
amor! Deus é amor, ele afasta o medo!”.

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PNE - QV] - CVY nº 47
A parábola mostra a grandeza e a fragilidade de Deus. Sua
grandeza está em nos entregar seus bens. Nada retém para si.
Tudo é entregue. Sua fragilidade é confiar em nós, que podemos
desperdiçar toda a sua riqueza. Deus arrisca perder confiando em
nós. Sua fragilidade ressalta sua grandeza e bondade.
A Palavra de Deus hoje nos convida a viver como filhos
da sabedoria, da luz e do dia. Impele-nos a entrar na luta com
coragem e responsabilidade para que o Reino de Deus cresça
neste mundo. Não desperdicemos os talentos, que são de Deus,
a nós entregues em confiança.

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


Como assembléia litúrgica, acolhemos o convite do Senhor
para “participar de sua alegria”, da vitória da vida que vence a
morte.

Hoje, em sua Palavra, o Senhor vem nos sacudir da apatia,


da preguiça e do desânimo, levantar nossas cabeças e renovar nos-
sa capacidade de entrega, de doação. Ele nos convida a retomar o
ânimo e a esperança que brotam da ressurreição: “Todos somos
filhos da luz, do dia [...|; não somos da noite, das trevas”.
Por 1sso, suplicamos que nosso trabalho, realizado com
“a diligência da mulher virtuosa”, seja para nós instrumento de
hbertação e de encontro, não de opressão e de sofrimento.
O pão e o vinho, frutos da natureza e do trabalho humano,
apresentados em ação de graças ao Pai, tornam-se sacramentos de seu
incansável amor por nós. A Eucanstia nos renova no compromisso
de frutificar, em nosso dia-a-dia, como fiéis, diligentes e dedicados
trabalhadores de seu Reino, aplicando, com amorosa responsabilida-
de, os talentos recebidos, na edificação de um futuro mais sorridente,
mesmo entre oposições e aflições, como “dores de parto”.


PNE - QV) - CVV nº 47
Em cada celebração litúrgica, ao mesmo tempo em que
desejamos e suplicamos a proximidade da vinda do Senhor e de
seu Reino (“Vem, Senhor Jesus”, “Venha a nós o vosso Reino”),
já, antecipadamente, a experimentamos no encontro com os 1r-
mãos, em sua Palavra e na Ceia Eucarística.

5. Sugestões para a celebração

1, A acolhida fraterna, o ensaio de cantos com a assembléia e


um breve silêncio, seguido ou não de um refrão meditativo no
início da celebração, ajudam a criar um clima orante, simples
ce alegre para que se possa realizar um encontro amoroso tanto
entre Deus e a comunidade como das pessoas entre si e com
Deus.
. À procissão de entrada, como expressão de um povo pere-
grino que caminha com Cristo rumo à casa do Pai, pode ser
acompanhada com um dos cantos de abertura indicados no
Hinário Litúrgico 3 (pp. 130.313) ou Hinário Liturgico 1
(p. 76).
. À equipe de celebração procure criar um ambiente favorável
à participação da assembléia, cuidando que cada ministério
seja bem exercido e tenha a devida preparação.
. Valorizar os talentos que a comunidade recebeu de Deus em
cada pessoa que se dedica faz crescer e produzir frutos na
comunidade e na sociedade. Isso pode ser feito em forma
de preces, no final da Liturgia da Palavra, ou de motivos de
louvor, antes da Oração Eucarística.
. Proclamar bem as leituras e o canto do salmo que, com o con-
junto das orações, trazem a dimensão escatológica de nossa
vida e missão cristã.

83
PNE - QV) - CVV nº 47
À luz do Evangelho, a comunidade renove, após a homilia,
sua disposição de produzir frutos de justiça, santidade e paz,
em sua vida através do trabalho e da vida cotidiana.
A resposta às preces pode ser: “Deus dos peregrinos, acom-
panhai o vosso povo!”.
Toda a Oração Eucarística seja bem participada pela as-
sembléia, com atitude de louvor e de oferenda de sua vida
e talentos, com Cristo, ao Pai. O Amém final seja vibrante,
cantado e acompanhada pelo gesto das mãos em oferta.
O prefácio do Tempo Comum VI ou a Oração Eucarística
para Diversas Circunstâncias II trazem também tônica esca-
tológica, afinada ao conjunto da liturgia deste domingo.
10. Para o canto de comunhão ligado com o Evangelho, o Hinário
Litúrgico 3 (pp. 260.390.396) apresenta sugestões. A melodia
do salmo responsorial encontra-se nas pp. 148-149.

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PNE - QV) - CVV nº 47
Leituras: Ezequiel 34,11-12. 15-17; Salmo 22(23),1-2a.2b-3.5-6;
1 Coríntios 15,20-26.28; Mateus 25,31-46 (o último julgamento)

Todos os povos da terra serão


reunidos diante dele

1. Situando-nos brevemente

Instituida pelo Papa Pio XI, em 1925, esta festa surgiu,


pelo contexto da época, com um caráter marcadamente militante
e social. Inspirada pela espiritualidade da Ação Católica, buscava
a restauração do Reinado de Cristo para restabelecer e revigorar
a paz no mundo.
A reforma litúrgica transferiu esta festa do último do-
mingo de outubro para o último Domingo do Tempo Comum,
dando-lhe novo significado, em sintonia com a perspectiva
própria do final do ano, imediatamente antes do Advento.
Sublinhando a dimensão mais transcendente e escatológica
do Reinado de Cristo, esta solenidade encerra o ano litúrgico.
Jesus Cristo Rei surge então como a meta a que tendem o ano
litúrgico e todo o peregrinar da humanidade, na linha da Gau-
dium et Spes, n. 45.
Proclamamos Cristo centro e Senhor da história, desde o
começo até sua consumação: “O Alfa e o Omega, o Primeiro e
o Ultimo, o Princípio e o Fim” (Ap 22,12-13).

85
PNE - QV] - CVY nº 47
Podemos dizer que o sentido da liturgia desta festa está
presente em cada celebração dominical no decorrer do ano li-
túrgico: ao proclamar Jesus Ressuscitado, exalta seu senhorio e
soberania, provados no ato supremo de amor ao dar a vida.
Hoje também é o dia do leigo, chamado pela consagração
batismal à missão profética, sacerdotal e régia para transformar
o mundo no Reino de Deus. Iniciamos também, hoje, em todo o
Brasil, a Campanha para a Evangelização.

2. Recordando a Palavra

O Evangelho de hoje é uma descrição profética do juizo


final. O Filho do Homem chega em sua glória, como rei, para
julgar todos os povos e confirmar seu modo de viver conforme a
misericórdia praticada com os excluídos, os pobres. Ele, como
Pastor, separará as ovelhas dos cabritos e dirá: “Vinde, bendi-
tos de meu Pai, recebei o Reino como herança! Porque eu tive
fome, sede, era estrangeiro, estava nu, doente, preso [...] e fostes
solidários comigo e eu vos declaro: Todas as vezes que fizestes
a um destes mais pequeninos, que são meus irmãos, foi a mim
que o fizestes”.
Ele identifica-se com cada necessitado, seu irmão. O Res-
suscitado julgara “todas as nações” sem distinção: os que creram
serão julgados pelo cumprimento do Evangelho; os que não são
cristãos, pela fidelidade à ética, à verdade e à justiça. O critério
da separação é a prática da justiça, do direito e da misericórdia.
A lei maior é o amor ao próximo. A sentença faz-se em forma
de bênção e de maldição; a aprovação será “herdar o Reino”. O
castigo, o “fogo eterno”: lembrança do mal e de suas inevitáveis
consequências.
Dentro da situação de exílio, Ezequiel é profeta da espe-
rança e porta-voz do Deus libertador, que busca e cuida de seu

86
PNE - QV] - CVV nº 47
rebanho todo e de cada ovelha em particular. O texto hebraico
diz no versículo 16b: “Mas a ovelha gorda, a ovelha forte, eu a
vigiarei; farei meu rebanho pastar segundo o direito”. Os versi-
culos 17-22 tratam das relações de igualdade entre as ovelhas.
Deus-pastor cuida para que haja justiça e direito na sociedade
a ser construída. Deus fará justiça entre uma ovelha e outra. O
Senhor toma conta de suas ovelhas.
O salmista vê em Deus o pastor que o leva a descansar em
verdes prados, conduz para águas refrescantes, guia por caminhos
direitos e o protege de todos os males. Cada palavra do salmo
encontrou em Jesus seu pleno cumprimento.
Jesus é primogênito e primícias. As primícias eram ofereci-
das no primeiro dia depois do sábado da Páscoa. “Se apresentas
ao Senhor uma oferenda de primícias, é na forma de espigas
tostadas ao fogo, esmagadas, de grão novo, que deves trazer a
oferenda das tuas primícias” (Lv 2,14). As primícias da colheita
pertencem por direito ao Senhor, na mesma perspectiva que os
primogênitos. As palavras “primícias” e “prrmogênitos” têm
a mesma raiz. Cristo, grão novo, esmagado e oferecido, mas
ressuscitado, é chamado de primícias. À antítese entre o grão-
velho-Adão e o grão-novo-Cristo se dá não apenas no plano
material — morte e ressurreição corporais —, mas também no
Homem-integral: morte do pecado e vida eterna na justiça. Pela
ressurreição de Cristo, tudo lhe é submetido.

3. Atualizando a Palavra

Jesus fala das obras de misericórdia ensinadas pelo ju-


daísmo: dar de comer aos famintos, dar de beber aos que têm
sede, acolher o estrangeiro, vestir os nus, visitar os doentes,
acrescentando a visita aos prisioneiros; não menciona, porém, a
educação dos órfãos e o sepultamento dos mortos, que também

87
PNE - QV) - CVV nº 47
faziam parte das recomendações. Quem não praticou essas obras
perdeu a oportunidade de fazer isso ao próprio Jesus presente
nos necessitados. Se ele está nos irmãos, ele está no meio de nós
em todos os lugares e momentos.
O Reino de que Jesus fala é um reino não de poder, mas
sim de serviço: “O Filho do homem não veio para ser servido.
Ele veio para servir” (Mt 20,28). Esse é o critério do julgamen-
to. Entrar no Reino supõe que os discípulos tenham seguido os
passos do pastor, do mestre a serviço de todos, especialmente
dos mais necessitados.
Neste domingo, celebrando a realeza de Jesus, ressuscitado
pela justiça e misericórdia de Deus, somos julgados pelos po-
bres mais pequeninos. É possível proclamar a realeza de Cristo
enquanto seus irmãos prediletos são excluídos da liberdade e
do direito à vida digna? Chamá-lo de Cristo Rei e deixá-lo com
fome, com sede, sem casa, nu, doente, aprisionado, sem direito à
educação em nosso meio? “Entre nós está, e não o conhecemos,
entre nós está e nós o desprezamos”.

4. Ligando a Palavra com a ação litúrgica


A celebração litúrgica é o encontro com o Senhor, nosso pas-
tor, rei e juiz que nos julga, nos purifica e nos faz participantes de
sua realeza. Hoje o contemplamos identificado com os pequeninos,
pobres e fracos e na total doação de sua vida para reconciliar toda
a humanidade e todo o universo com Deus e entre s1.
Experimentamos por antecipação o Reino que seu amor
misericordioso nos preparou, “Reino da verdade e da vida, Rei-
no da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz”,
como rezamos no prefácio deste dia.
Sua Palavra hoje faz cair nossas máscaras, desmontando
os mecanismos de poder, ambição e auto-suficiência que estão

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PNE - QV] - CVV nº 47
dentro de nós, de nossa Igreja e da sociedade. Ela nos leva a
buscar nossa verdadeira identidade na vivência da misericórdia
para com todos, particularmente, com os pobres e excluidos.
Eles são sacramento de Deus, “a coroa de nosso Rei”. O amor
concreto a eles será o critério do julgamento final.
A Eucaristia que celebramos ja é o início deste julgamento
e desta realeza.

5. Sugestões para a celebração


L. Preparar o espaço celebrativo, destacando o círio pascal, a
fonte batismal, além da mesa da Palavra e da Eucaristia. À
cor litúrgica desta festa é o branco.
Para criar um clima orante, reunindo os corações, cantar o re-
frão: Cristo ontem, Cristo hoje, Cristo para sempre. Amém!
O acendimento do círio também pode ser seguido de uma
aclamação a Cristo: Jesus Cristo ontem, hoje e sempre! Ontem,
hoje e sempre, Áleluia!
Após a saudação inicial, lembrar o sentido da celebração e re-
cordar os acontecimentos que marcaram o ano litúrgico que hoje
termina, ligando-os com o mistério celebrado e identificando
neles os sinais do Reinado de Cristo já presentes entre nós.
Recordando o Batismo pelo qual participamos na missão
profética, sacerdotal e régia (serviço) de Jesus, fazer o rito
da bênção da água e aspersão, acompanhado de um canto
apropriado, em substituição ao ato penitencial.
A oração dos fiéis seja a súplica da comunidade que deseja e
espera que o Reino se estabeleça no mundo. À resposta pode
ser cantada: Senhor, venha a nós, o vosso Reino! ou Venha
o teu reino, Senhor, a festa da vida recria! À nossa espera e
a dor, transforma em grande alegria! ou outra à escolha da
comunidade.

89
PNE - QV) - CVY nº 47 |
7. Antes do prefácio ou da louvação, retomar os sinais mais
fortes do Reino de Jesus presentes em nossa realidade e que
foram expressos no Início da celebração.
Cantar o prefácio, que é próprio. O Hinário Liturgico 3 (p.
76) traz uma louvação no estilo de bendito popular, própria
para esta festa, que pode ser cantada na celebração da Palavra,
pois possibilita a participação alegre da assembléia neste
momento.
Cantar de mãos dadas o Pai-Nosso e erguendo-as durante o
pedido: “Venha a nós o vosso Reino”.
10. Motivar o abraço da paz com sentido de reconciliação e
comunhão entre as pessoas, como expressão do Reino.
11. O Hinário Litúrgico 3 apresenta indicação de cantos para os
vários momentos: abertura, pp. 390.392; salmo de resposta,
pp. 148-149; aclamação ao Evangelho, p. 220; comunhão,
pp. 261.372.

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PNE - QV] - CVV nº 47
Campanha para a Evangelização CNBB — 2008
“Acolhamos o Principe da Paz”
Cristo Rei — 22 e 23 de novembro
(Após as preces da comunidade e
antes da apresentação das oferendas)

Leitor(a): Jesus Cristo é o “Cordeiro imolado! Ele é


digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força
e a honra”.
Assembléia: Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre!
Ontem, hoje e sempre! Aleluia! (cantado)
Leitor(a): “Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa
alegria; segui-lo é uma graça; transmitir esse tesouro aos
demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou, ao nos cha-
mar e nos escolher”, afirma o Documento de Aparecida.
Assembléia: Ide anunciar minha paz! Ide sem olhar
para trás! Estarei convosco e serei vossa luz na missão!
(cantado)
Leitor(a): Estamos iniciando no dia de hoje a
Campanha para a Evangelização, que nos apresenta como
lema: “Acolhamos o Principe da Paz”. Todos nós, Igreja
de Jesus Cristo, somos convocados a participar ativamente
desta Campanha.
Assembléia: Vem, Senhor, vem nos salvar! Com teu
povo, vem caminhar! (cantado)
Presidente: Irmãos e irmãs, rezemos juntos para que
a Campanha para a Evangelização atinja seus objetivos.
Oração: Senhor Jesus Cristo, vós nos deixastes a
missão de evangelizar. Ajudai-nos a sentir a beleza de crer
em vós. Despertai em nós a consciência da grandeza da

91
PNE - QV)] - CVY nº 47
missão. Renovai o ardor e a responsabilidade dos cristãos
na participação da obra da Evangelização. Dai-nos um
coração generoso para colaborar espiritual e material-
mente na missão. Com nossa oferta, feita com alegria,
testemunhemos a alegria de sermos vossa Igreja, discípula
missionária. Amém!
Mensagem final (para antes da bênção, no momento
dos avisos):
O Evangelho deve chegar a todos os corações a fim de
transformá-los com sua força para que todos contribuam na
edificação do Reino de Jesus na história. Somos cidadãos do
Reino de Jesus e comprometidos com ele. A Campanha para
a Evangelização é um poderoso instrumento na edificação
do Reino de Deus, pois garante os recursos necessários para
este grande empreendimento da Igreja. Nossa generosidade
vai criar condições para que a Igreja atue em nosso país e
para que, dessa atuação, novas pessoas se tornem discípulos
e missionários de Jesus e de seu Reino.

Participe da coleta da Campanha


para a Evangelização!
Coleta para a evangelização: 13 e 14 de dezembro de 2008 —
3º Domingo do Advento — em todas as igrejas.

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PNE - QV) - CVV nº 47
Sumário

Apresentação... rear eee ee ras cina een aea rear ea enea arara esa nenerr era cereanoa 5

23º Domingo do Tempo Comum — 7 de setembro de 2008 — Dia da Pátria;


Grito dos Excluídos
(Ez 33,7-9; S1 94/95]; Rm 13,8-10; Mt 18,15-20)..... 7

24º Domingo do Tempo Comum — 14 de setembro de 2008 — Exaltação da Santa Cruz


(Nm 21,4b-9; 81 77/78]; F12,6-11, JO 3, 13-17)... 15

25º Domingo do Tempo Comum — 21 de setembro de 2008


(Is 55,6-9; SI 144[145]; F1 1,200-24.27a; Mt 20,1-16)..........nn em 24

26º Domingo do Tempo Comum — 28 de setembro de 2008 — Dia da Bíblia


(Ez 18,25-28; S1 24/25]; F12,1-11; Mt 21,28-32) ...... eira 31

27º Domingo do Tempo Comum — 5 de outubro de 2008


(Is 5,1-7; S1 79[80]; F1 4,6-9; Mt 21,33-43).......nnn eta 38

Solenidade de N. S. Aparecida — 12 de outubro de 2008


(Est 5,1b-2; 7,2b-3; Sl 44[45]; Ap 12,1.5.13a.15-16a; Jo 241-11)...................... 44

29º Domingo do Tempo Comum — 19 de outubro de 2008 — Dia das Missões


(Is 45,1.4-6; S1 95/96]; 1Ts 1,1-5b; Mt 221521)... een 51

30º Domingo do Tempo Comum — 26 de outubro de 2008


(Ex 22,20-26; S1 17/18]; ITs 1,5c-10; Mt 22,34-40).............en 58

31º Domingo do Tempo Comum — 2 de novembro de 2008 — Comemoração


de todos os fiéis defuntos — Finados
(Sb 3,1-9; S1 41[42]/42[43]; Ap 21,1-5.6b-7; Mt S,I-1D)......e 65

32º Domingo do Tempo Comum — 9 de novembro de 2008 — Dedicação


da Basílica do Latrão
(Ez 47,1-2.8-12; S1 45/46]; 1Cor 3,90.16-17; J0 2,13-20).... es A
33º Domingo do Tempo Comum — 16 de novembro de 2008
(Pr 31,10-13.19-20.30-31; S1 127(128]; 1Ts 5,1-6; Mt 25,14-30).......................,

34º Domingo do Tempo Comum — 23 de novembro de 2008 — Nosso Senhor


Jesus Cristo, Rei do Universo
(Ez 34,11-12.15-17; S122/23]; 1Cor 15,20-26.28; Mt 25,31-46) ...........i....

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