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VI SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GARNDE DO NORTE


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

A Modernização da Cidade Setecentista: O Contributo das Culturas Urbanísticas


Francesa e Inglesa
Ivone Salgado1

O padrão arquitetônico e urbanístico da cidade setecentista brasileira colonial


sofrerá transformação substancial durante o oitocentos. Em paralelo a uma arquitetura que
antes apresentava-se como predominantemente barroca, passando a incorporar princípios
de composição neoclássicos; a cidade também se transforma no Império. Para esta nova
configuração urbana irão contribuir duas culturas urbanísticas: a francesa e a inglesa. Estas
contribuições todavia apresentam-se com caracteres bastante distintos. A cultura
urbanística francesa seria veiculada na colônia através das relações institucionais com
Portugal e as academias francesas onde um quadro de profissionais, engenheiros, arquitetos
e médicos, seriam aos protagonistas principais destas relações. Quanto à cultura urbanística
inglesa, que veicularia no Brasil durante o século XIX, assistimos a uma transmissão
sobretudo através da própria colônia inglesa, comerciantes na sua maioria, que imigram
para as principais cidades portuárias carregando consigo seus hábitos e costumes.
Entre o final do século XVIII e início do XIX, as principais cidades brasileiras, Rio
de Janeiro, Recife e Salvador, encontravam-se em condições sanitárias precárias. O debate
ocorrido no seio da administração envolvendo médicos e engenheiros visava uma
intervenção para alterar as condições de salubridade destas cidades e será marcado por forte
intercâmbio cultural com a Europa. As teorias médicas e urbanísticas desenvolvidas
especialmente na França serão uma referência para o debate que se instaura no Brasil tendo
como principal fundamentação a teoria miasmática. Apesar das dificuldades de colocar em
prática algumas das propostas veiculadas pelos médicos e engenheiros para a transformação
da cidade, devido tanto a questões econômicas – algumas destas propostas implicavam
investimentos vultuosos – como por questões culturais, como as alterações de hábito que
modificariam sobretudo as cerimônias religiosas e todo o culto religioso do mundo católico,
observamos que as cidades passariam por grandes transformações consolidando um novo
padrão urbanístico.
As relações culturais no seio das categorias profissionais em questão – médicos e
engenheiros - estariam marcadas no período por um intercâmbio intenso com a França. A
teoria miasmática fundamentava as propostas de intervenção na cidade. Um dos tratados,
no campo da medicina, que muito marcou o debate sobre a referida teoria é o de Vicq
d’Azir, , doutor em medicina, membro da Académie Francaise e da Academie de Sciences e
secretário da Société Royale de Médicine. Em um tratado médico de grande amplitude, com
mais de 20 volumes, estaria incluído o seu Essai sur les lieux et les dangers des sepultures,
publicado em 1778 2. Defende em sua obra a necessidade de distanciar as sepulturas dos
lugares habitados pelos homens baseado nos danos aos quais eles estariam expostos pelas
emanações dos cadáveres. Vicq d’Azir procura demonstrar, pela convicção de provas
físicas, os perigos das inumações nas igrejas e no interior das áreas amuralhadas da cidade,
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desenvolvendo os princípios da teoria miasmática que fundamentava as propostas sobre o


lugar adequado na cidade para os edifícios que exalavam mal cheiro. Na teoria miasmática,
segundo Vicq d’Azir, a fermentação era um movimento próprio às substâncias vegetais e
animais, nas quais a experiência havia demonstrado que estas degenerariam cedo através da
putrefação se uma força orgânica, cuja natureza era desconhecida, não interrompesse os
efeitos dela. À medida que a fermentação avançava, o ar elementar se espalharia, sua livre
comunicação com o ar da atmosfera lhe transmitiria todas as suas propriedades se
dissolvendo e se tornando cada vez mais rarefeito, ele diminuiria a aderência das partes dos
corpos nos quais se faria este trabalho; e, ao se desprender, ele levaria consigo as
moléculas, as mais sutis, sejam oleosas, sejam inflamáveis, que ficariam em suspensão na
atmosfera. O ar assim carregado de emanações pútridas, se tornaria necessariamente mortal,
se as exalações diversas que emanam de certos corpos não corrigissem estes diferentes
vícios, e se os ventos não dissipassem aos princípios de sua corrupção. Se o ar infectado
ficasse parado e não se renovasse jamais e, principalmente, se ele fosse respirado por muito
tempo, conseqüências danosas poderiam ser esperadas. Para Vicq d’Azir, se estivéssemos
convencidos destes princípios, compreenderíamos facilmente porque todos os lugares
subterrâneos, baixos, pantanosos e cercados de montanhas e densas florestas, seriam pouco
salubres; porque as doenças seriam tão freqüentes e quase todas malignas nos lugares onde
o ar estaria impregnado por partículas fétidas.3
Vicq d’Azir descreve vários casos de morte e de epidemias em situações onde o ar
se encontrava fétido, como o resultado de gazes, devido a corpos em putrefação. Conclui
que , por estes motivos, intencionava demonstrar a evidência da necessidade indispensável
de localizar os cemitérios públicos fora das cidades. Estaria aqui a fundamentação para uma
intervenção radical na cidade que, atribuindo lugares específicos para a instalação de
edifícios que pudessem conter matéria orgânica em putrefação e condenando áreas úmidas
e pantanosas, conduziriam a práticas de intervenção na cidade que alterariam o seu padrão
urbanístico vigente no período.
Vamos encontrar no mundo luso-brasileiro o debate sobre estas mesmas questões no
período entre o final do século XVIII e todo o século XIX. A circulação da tratadística
sobre a cidade, quer na literatura médica, quer na literatura do corpo de engenheiros,
sobretudo quanto às medidas necessárias para a reformulação da cidade, serão marcadas
também pelas teorias miasmáticas desenvolvidas nas academias francesas.
A primeira obra sobre o assunto publicada em português de que temos notícia é
atribuída ao Brasileiro Vicente Coelho de Seabra Silva Teles, tendo sido publicada em
Lisboa em 1800, pela Officina da Casa Litteraria do Arco do Cego, trata-se da Memoria
sobre os prejuisos causados pelas sepulturas dos cadaveres nos templos, e methodo de os
prevenir. 4
Os objetivos expressos de Silva Telles com a sua publicação seriam o de concorrer
para o bem público, procurando mostrar não só que a sepultura nos templos é nociva, mas
ensinar os meios de remediar os seus maus efeitos observando que “seria desnecessária a
presente Memória se as Luzes das Sciencias Naturaes estivessem assas espalhadas entre
nós”.5
Depois de descrever sobre os efeitos físicos e químicos da putrefação dos cadáveres,
Telles discorre sobre os meios de evitar, ou diminuir os maus efeitos das sepulturas fora e
dentro dos templos e propõe quatro maneiras de tratar os cadáveres: I – destruindo-os
imediatamente após a morte (esta proposta implicaria uma incineração e era a mais
eficiente segundo o autor); II – sepultando-os de tal forma e em tal sítio que as suas
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emanações pútridas fossem logo diluídas pelos ventos e águas (esta é a proposta que mais
nos interessa pois remete a uma localização diferenciada dos cemitérios na cidade, proposta
esta também considerada válida pelo autor); III – extraindo as terras infeccionadas das
sepulturas dentro dos templos e substituindo-lhes por outras sadias e puras (proposta esta
considerada de remediação pelo autor, assim como a quarta proposta, mas que o mesmo se
dispõe a desenvolver na medida em que os costumes dificultariam a implantação das
propostas anteriores); IV – lançando nas novas sepulturas, ou nas renovadas, substâncias
que neutralizassem ou destruíssem a má qualidade das emanações podres.
Ao desenvolver a segunda proposta Telles sugere que se façam grandes e espaçosos
cemitérios fora das povoações, em sítios que “possam ser bem lavados dos ventos, e
humedecidos pelas chuvas, cujo terreno seja barrento, ou misturado com alguma arêa, ou
terra calcarea e fazer as sepulturas fundas ao menos de 7 palmos... por este modo os corpos
apodrecem logo, e as emanações nocivas se dissolvem e se diluem de tal sorte pelo ar, e
água, que se tornão nullas”.6
Telles lembra que este era um meio já bem usado na Europa na época e pelo qual os
maus efeitos das emanações dos cadáveres eram evitados. Já nas cidades coloniais
brasileiras o enterro fora das igrejas, em campos de sepultamento ensolarados, era
reservado aos escravos, acatólicos, protestantes judeus e muçulmanos.
A publicação inaugural sobre o assunto no Brasil, de que temos conhecimento, é a
obra de José Corrêa Picanço intitulada Ensaio sobre o perigo das sepulturas nas cidades e
nos seus contornos,7 ela foi publicada pela Imprensa Régia em 1812, contendo 114 páginas.
Esta sua obra seria uma tradução da já mencionada obra de Vicq d’Azir publicada em Paris.
Esta por sua vez seria uma versão da publicação italiana de Scipião Piatolli de 1774 –
Saggio in torno al luogo del seppellire.8
Embora a obra de Picanço não faça menção à obra de Telles, ambos se referem a
Vicq d’Azir. No final de sua obra Telles comenta, a título de advertência, que após ter
escrito a sua memória teve a satisfação de ler o Ensaio sobre os lugares, e os perigos das
sepulturas, que teria sido traduzido do italiano por Vicq d’Azir em 1778. Observa que a
referida obra descreve os problemas relativos ao sepultamento, como epidemias e outras
desgraças; fatos históricos ocorridos em função de tais práticas; e, ainda, sábias leis e
regulamentos, tanto civis como eclesiásticos, publicados na Alemanha, França e Itália, para
prevenir tão grandes danos causados à humanidade.
Vicq d’Azir, por sua vez, apesar de reconhecer o mérito da obra italiana que ele
traduzira, observa que já se havia escrito na França sobre o assunto, antes da obra de
Scipion Piatolli, alegando que esta contém trechos traduzidos das obras dos médicos
franceses Haguenot e Maret. Segundo Vicq d’Azir, Haguenot, que foi doutor e professor
em medicina da Universidade de Montpellier, onde formou-se Picanço, teria sido o
primeiro entre os modernos que condenara o hábito do enterro nas igrejas; e Maret, também
doutor em medicina e secretário da Academia de Dijon, desenvolvera na sequência a idéia
dos perigos de tal prática. A obra de Maret foi publicada em Dijon em 1773 e intitulava-se
Mémoire sur l’usage où l'on est d'enterrer les morts dans les églises et dans l’enceinte des
villes.9 Seu discurso, impregnado de preocupações sobre a aeração das cidades é totalmente
laico, insensível aos aspectos religiosos. Para Maret, não se poderiam localizar os
cemitérios nas cidades sem expor seus habitantes ao perigo que representava respirar um ar
carregado de vapores animais pútridos. Esse perigo deveria levar à proibição do uso do
interior das igrejas para a realização dos enterros. Ele recomenda que se renuncie a este
hábito e que se localizem os cemitérios fora da cidade, ao ar livre, em lugares que não
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fossem nem muito úmidos, nem muito expostos ao vento, de tal forma que os vapores
infectados não se propagassem na cidade.
O debate presente no seio desta categoria profissional – médicos – também estará
presente entre os arquitetos e engenheiros do século XVIII na França , pois cabia a eles
pensar a intervenção na cidade. As propostas veiculadas para as cidades brasileiras estarão
marcadas pelo mesmo discurso, quer junto aos médicos, quer junto aos engenheiros.
Um dos tratados de arquitetura de maior repercussão na França na segunda metade
do século XVIII foi a obra de Pierre Patte que sintetiza as reflexões do período e
sistematiza, talvez pela primeira vez, as possíveis respostas aos problemas que a cidade
insalubre do século XVIII coloca. Pierre Patte publica em 1765 Monuments érigés en
France à la Gloire de Louis XV e em 1769 Mémoires sur les objets les plus importants de
l’Architecture. 10 Trata-se de duas obras precursoras enquanto propostas de intervenção
planejada na cidade, nas quais se destacam: a dimensão estética como fundamento para as
novas remodelações e a dimensão técnica como princípio de intervenção. Patte se propõe
em seu Mémoires a apresentar as medidas necessárias para dispor uma cidade, destacando
quais os meios de operar sua salubridade; a distribuição adequada de suas ruas para evitar
todo tipo de acidente; a maneira mais vantajosa de localizar seus esgotos e repartir suas
águas; a melhor forma de construir casas visando protegê-las dos incêndios; bem como
apresenta uma teoria sobre o transbordamento dos rios e propõe uma zonificação da cidade,
excluindo para os fauxbourgs as atividades ruidosas, rudes e mal cheirosas (matadouros,
triparias, cutelarias, curtumes, etc...) cujos edifícios eram focos de propagação de doenças.
Esta preocupação revela a sintonia das propostas de Patte com a teoria médica do período –
a teoria miasmática – na qual a purificação do ar é uma premissa. Neste contexto, Patte
propôs ainda a eliminação da prática de enterramento nas igrejas e recomendou que os
cemitérios e hospitais fossem construídos em áreas distantes da cidade. Suas propostas para
a intervenção na cidade, assim como as encontradas em outros tratados de arquitetura e
engenharia do século XVIII, são as mesmas preconizadas pelo corpo médico.
Para Pierre Patte, a localização da cidade no território deveria se pautar em critérios
de salubridade do lugar e acessibilidade em relação às rotas comerciais (fluviais, marítimas
e terrestres). A proximidade de um rio permitiria uma melhor circulação do ar e da água na
cidade. Preocupações como estas, que implicam na relação do sítio urbano com os recursos
hídricos da região aliadas à recomendação de construção de canais para abastecimento de
água da cidade, colocam Patte como precursor das teorias de planificação territorial do
século XIX.
Analisada no seu conjunto, a proposta de Patte apresenta princípios de um
zoneamento urbano. A cidade já não seria mais cercada por muralhas e sim por grandes
boulevards que separariam funções distintas entre a área interna aos boulevards e a área
externa – os fauxbourgs – que deveriam abrigar todos os edifícios com funções insalubres e
ruidosas.
Segundo Patte, a cidade deveria ser cercada no seu entorno com quatro fileiras de
árvores, formando um grande arruamento para os veículos e duas alamedas laterais para
servirem de passeios. Do outro lado destas fileiras de árvores se formaria os fauxbourgs,
para onde seriam deslocados todos os ofícios rudes e as construções que produzem mal
cheiro e muito barulho, tais como os curtumes, as triparias, as cutelarias, as lavanderias, as
estalagens onde se guardavam os veículos públicos. O matadouro dos açougueiros, assim
como seus estábulos seriam também relegados a estes lugares a fim de que suas tropas de
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gado não fossem obrigadas a atravessar constantemente a cidade, o que ocasionaria


transtorno.
O aumento do adensamento da população urbana no século XVIII na Europa,
sobretudo nas grandes cidades, exigiu uma luta contra a insalubridade das mesmas. O
século cultiva um espírito higienista que considera a aeração como meio eficaz de expulsar
das cidades os miasmas e doenças. Com o objetivo de prevenir as epidemias, tão temerosas
como mortais, médicos e administradores denunciam a presença dos cemitérios no interior
das cidades. Pierre Patte será um dos protagonistas deste debate com a teoria da localizaçào
dos cemitérios fora da cidade: “para além dos fauxbourgs, seriam localizados os cemitérios
e os hospitais em locais elevados e bem aerados, pois o que exala destes lugares infecta o ar
e as águas. Embora esta infecção não seja perceptível num primeiro momento, ela não
deixa de molestar a saúde levando nossos corpos a contrair pouco a pouco maus elementos,
que atribuímos impropriamente a outras enfluências”.11
A transferência dos cemitérios para fora da cidade contribuiria para a salubridade do
ar. Estes deveriam ser implantados a pelo menos um quarto de légua da sua extremidade.
Deveriam ser escolhidos locais bem aerados e contornados por muralhas de cerca de vinte
pés de altura; assim os vapores elevando-se à atmosfera, não poderiam causar nenhuma
infecção ao ar.
Sensíveis a estas idéias, as autoridades civis solicitam relatórios do corpo médico
através de questionários que levantassem in loco as condições sanitárias. A reação do clero
é imediata pois percebem as mudanças que tais atitudes poderiam ter sobre os tradicionais
cultos dos mortos.12
Ao analisar a circulação das teorias miasmáticas no Brasil e, sobretudo, como foram
as intervenções propostas para a cidade pelos médicos e engenheiros, encontramos José
Corrêa Picanço e Manoel Vieira da Silva como os mais importante protagonistas no debate
sobre as condições sanitárias das cidades.
Em ato de 1765, o Governador da Capitania de Pernambuco, D. Antonio Francisco
de Paula Manoel de Souza e Menezes, o Conde de Vila-Flor, nomeia José Corrêa Picanço 13
Cirurgião-mór que aos 21 anos se tornará o responsável dos membros do Corpo Avulso de
Oficiais de Ordenanças das Estradas e Reformados. Picanço segue para Lisboa onde se
matricularia na Escola de Cirurgia do Hospital São José obtendo o título de licenciado em
Cirurgia . Em seguida viaja para Paris onde obteve o título de Officier de Santé em 1768.
Foi aluno dos notáveis mestres franceses Desault, Morand e Sabatier.14 Exerceu clínica na
capital francesa e, em 1772, volta a Portugal, instalando consultório em Lisboa e sendo
nomeado no mesmo ano, pelo Marquês de Pombal, para lecionar na Universidade de
Coimbra.
Apesar de dedicado ao ensino e à clínica, sentiu-se desprestigiado pelos colegas de
congregação por não possuir o Gráu de Doutor em Medicina, pois os títulos adquiridos não
lhe conferiam o alto grau de competência sanitária.
Picanço volta à França e na Universidade de Montpellier realiza o Curso Médico e
defende tese perante a Congregação da Faculdade de Medicina de Paris, obtendo o
almejado título de Doutor.
Reassumindo o ensino de anatomia em 1779, na Universidade de Coimbra inovou o
ensino dessa matéria, pois era então de caráter eminentemente teórico e nas poucas aulas
práticas ministradas eram utilizados carneiros ou animais semelhantes. Introduziu o ensino
em anfiteatros e em cadáveres humanos, tornando-se um inovador do ensino médico em
Portugal. Obteve vários títulos e honrarias, entre eles, o de membro da Academia das
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Ciências de Lisboa, jubilando-se em 1790, com todas as prerrogativas do cargo de lente


catedrático da Universidade de Coimbra.
Gozando de grande prestígio social e científico, Corrêa Picanço é nomeado para o
cargo de Primeiro Cirurgião da Real Câmara e Posteriormente Cirurgião-Mór do Reino e
com a Junta do Proto-Medicato, instituída por Dona Maria I, em 1782, passou a ter a
função de deputado e membro nato da nova instituição, que cuidava dos interesses médicos
do Reino e das Colônias.
Quando as guerras napoleônicas ameaçaram o Reino de Portugal em 1807, e o então
Regente D. João VI ao decidir transferir a corte para o Brasil, chegando na Bahia, em 24
de janeiro de 1808, José Corrêa Picanço, consegue homologar a criação do ensino médico
no Brasil, através da Carta Régia, datada de 18 de fevereiro de 1808, pelo Príncipe Regente.
Estava fundada a primeira escola de Medicina do Brasil, na Bahia de Todos os Santos,
localizada no edifício do Colégio dos Jesuítas, no Terreiro de Jesus, sede do Hospital
Militar.
A Corte mudou-se para o Rio de Janeiro, e ali, o mesmo Corrêa Picanço propôs e
foi aceita a criação de nova escola médica, a segunda do Brasil, na cidade de São Sebastião
do Rio de Janeiro, a 5 de novembro de 1808, localizada também num colégio Jesuíta, sede
do Hospital Militar, no Morro do Castelo.
No mesmo ano de 1808, D. João VI expediria alvarás restabelecendo no Brasil os
cargos de Cirurgião-mór dos Exércitos e de Physico-mór do Reino, que eram as principais
autoridades sanitárias da organização administrativa de Portugal antes de ser criada a Junta
do Proto-Medicato por Dona Maria I.
Para o cargo de Cirurgião-mór dos Exércitos do Reino foi nomeado José Corrêa
Picanço; para o de Physico-mór do Reino, Domínios e Conquistas Ultramarinas foi
nomeado o Dr. Manoel Vieira da Silva, também médico e primeiro Cirurgião da Real
Câmara e depois Barão de Alvaezer. Estes dois cargos reunidos englobavam a principal
estrutura médica do Reino.
Ao Cirurgião-mór do Exércitos estavam subordinados os demais cirurgiões, juizes
comissários, seus delegados nas capitanias, que superintendiam no que era relativo ao
ensino e exercício da cirurgia, aos sangradores, parteiras, dentistas, aos que se ocupavam de
aplicar bichas e ventosas, aos que locavam ossos deslocados (algebristas), aos hospitais,
médicos e serviços médicos.
Ao Physico-mór do Reino e aos seus delegados nas capitanias competia tudo o que
se referia ao ensino de medicina, às questões entre médicos e clientes, ao exercício da
farmácia, a boticários, droguistas, curandeiros, a cirurgiões que tratassem de moléstias
internas, à profilaxia das moléstias epidêmicas e ao saneamento da cidade.
Pouco depois foram nomeados juizes comissários do Cirurgião-mór dos Exércitos
na Bahia, em Sergipe, em Pernambuco, no Pará, no Rio Negro, em São Paulo, nas Alagoas,
em Goyaz, no Maranhão , no Rio Grande do Sul, em Minas Geraes, no Espírito Santo, no
Rio de Janeiro, na Ilha Grande, em Montevidéo; ao mesmo tempo foram criados os lugares
de delegados do Physico-mór em Minas Geraes, com sede em Villa Rica, na Bahia, no Rio
Grande do Sul, com sede em Porto Alegre, em São Paulo, etc...
O Regimento do Cirurgião-mór dos Exércitos, de 12 de dezembro de 1631, então
ainda em vigor, apesar de ser a Junta do Proto-Medicato a organização sanitária existente
em Portugal, estabelecia que o Physico-mór tinha as mesmas regalias e privilégios que o
Cirurgião-mór. O regimento pelo qual se regulava o exercício destes cargos, o de 25 de
fevereiro de 1521, proibia terminantemente o exercício da arte de curar sem a investidura
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legal, que era pelo menos uma provisão pela chancelaria do Physico-mór do Reino e
Cirurgião-mór dos Exércitos.
Restabelecidos no Brasil os cargos de Cirurgião-mór dos Exércitos e Physico-mór
do Reino, o príncipe regente regulamentou o exercício deles por alvará de 23 de novembro
de 1808.
Em Portugal, por essa época vigorava ainda como organização sanitária
administrativa a Junta de Proto-Medicato, criada por D.Maria I em 17 de junho de 1782, a
qual se compunha de sete deputados amovíveis de 3 em 3 anos, com seus juizes
corregedores. Esta junta, porém, foi extinta por alvará de 7 de janeiro de 1809, por
influência de contestações suscitadas no Brasil. O príncipe regente expediria tal alvará com
força de lei no qual justificava que “tendo nomeado Physico-mór e Cirurgião-mór dos
Exércitos do Reino, Estados e Domínios Ultramarinos, por decreto de 7 de fevereiro de
1808, aos Doutores José Corrêa Picanço e Manoel Vieira da Silva ... não é coherente com
esta nova creação a existência da Real Junta do Proto-Medicato, não só porque foi erigida
para substituir os referidos empregos do Physico-mór e Cirurgião-mór dos Exércitos do
Reino, como também porque erão estes deputados natos daquelle tribunal, cuja falta torna
impraticável que elles prosigam em suas funções, sem detrimento do Meu Serviço”15
Pouco depois o Príncipe Regente, por Decreto de 28 de julho de1809, criou o lugar
de Provedor-mór da Saúde da Côrte e do Estado do Brasil, encarregando o Physico-mór,
Dr. Manoel Vieira da Silva, de fazer o regimento no qual deveria caber ao Provedor-mór
cuidar da conservação da saúde pública fiscalizando o estado da saúde das equipagens das
embarcações que vinham de diversos portos, e obrigando-se a dar fundo em mais distância
as que haviam saído dos portos que eram suspeitos de peste ou moléstias contagiosas, e a
demorar-se por algum tempo os que nelas haviam se transportado, e de se afastarem do uso
e mercado comum os comestíveis e generos corrompidos ou com princípio de podridão.
O Regimento organizado pelo Physico-mór Dr. Manoel Vieira da Silva foi aprovado
em 22 de janeiro de 1810 e previa no seu primeiro item: “Estando proximamente abertos
pelas minhas reaes ordens os portos deste Estado ao comercio das nações Estrangeiras, que
estão em paz com a Portuguesa; para que se não communiquem enfermidades contagiosas
das suas embarcações, equipagens e mercadorias, deverá construir-se um Lazareto, onde
façam quarentena, quando houver suspeita, ou certeza de infecção. E enquanto se não
edifica e estabelece com a regularidade e forma convem, far-se-ha a quarentena no sítio da
Boa-Viagem, onde provisoriamente se farão as accomodações precisas, e ahi deverão
ancorar as embarcações impedidas pelos officiaes da Saude”. 16
Como cabia ao Physico-mór cuidar do saneamento da cidade, o príncipe regente
ordena a Manoel Vieira da Silva que investigue e escreva sobre as causas, próximas ou
remotas, das doenças que acometiam os habitantes do Rio de janeiro e quais opiniões já
haviam sido emitidas pelos médicos sobre o assunto, assim como de que maneira se poderia
remediá-las, pois na época as moléstias eram funestas a muitos habitantes da cidade. O
médico responderá através de um relatório. O mesmo seria publicado em 1808, pela
Imprensa Régia, no Rio de Janeiro, o que seria o primeiro trabalho médico impresso no
Brasil, Reflexões sobre alguns dos meios propostos por mais conducentes para melhorar o
clima da cidade do Rio de Janeiro.17 Nesta obra aponta como uma das grandes causas da
insalubridade do Rio de Janeiro era a estagnação das águas, pois a cidade estava cercada
por todos os lados de lugares pantanosos, onde observa: “nós sabemos que ali estão em
digestão e dissolução substâncias animaes e vegetaes, as quaes na presença dos grandes
calores, entrando em putrefação, dão origem a pestíferos gazes, que devem levar a todos os
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viventes os preliminares da morte, já pela sua acção immediata na periferia do corpo, e


continuação das suas membranas, já pela entrada nos orgãos da respiração”.18
Mais uma vez, podemos observar a presença da teoria miasmática explicando a
propagação das doenças, daí as propostas para combatê-las resultar na idéia de eliminação
de tudo o que produzisse gazes mal cheirosos.
Vieira da Silva propõe que se aterrassem todos os lugares pantanosos através da
canalização das águas para valas, tantas quantas necessárias, sendo que este sistema deveria
estar articulado com as marés. Esta canalização dizia respeito a uma drenagem superficial
e não à utilização de canos subterrâneos. Argumenta ainda que o estado deveria determinar
os lugares onde deveriam ser edificadas as casas, com respectivas alturas das suas portas de
entrada, para que os particulares, junto com o Estado, pudessem participar do aterro das
novas ruas. Dever-se-ia, ainda, demarcar a direção e a largura das ruas. Talvez este seja o
primeiro tratado sobre urbanismo publicado no Brasil.
Vieira da Silva condenará o enterro dentro das igrejas lembrando que esta prática
merecia a reprovação de todas as sociedades illuminadas e que deveria ser especialmente
observada no Rio de Janeiro em razão do calor athmosférico e da pouca largura das ruas.
Criticava o fato de que o sepultamento no Cemitério da Misericórdia do Rio de Janeiro
deixava quase expostos os corpos ao calor, donde se seguia a produção de gazes
suffocadores da vida.
Para Vieira da Silva não poderia haver dúvida que seria necessário estabelecer
cemitérios nas extremidades da cidade. Como o Cemitério da Misericórdia já se encontrava
nesta situação, propõe que o mesmo fosse aproveitado através de uma ampliação, pois
dessa maneira se poderia economizar nos gastos que seguramente seriam menores do que o
que se empregaria com a formação de um novo. Todavia, se o seu plano de reforma não
fosse considerado e se resolvesse formar um outro cemitério nesta área da cidade,
recomendava que o Estado devesse corrigir as suas despesas, que seriam melhor
empregadas na edificação de outros cemitérios nas demais extremidades da cidade, onde
havia a falta de Polícia.
Lembrando que os danos causados pelo Cemitério da Misericórdia eram bem
conhecidos, propõe-lhe uma reforma que consistiria na ampliação do mesmo, pois
argumentava que o seu defeito encontrava-se no fato do mesmo ser muito pequeno. “O
meio de remediar este único defeito, he, o aproveitar-se da contiguidade do Cemitério à
cerca do Hospital Militar, fazendo unir huma porção deste terreno àquelle, e duplicando
deste modo, ou triplicando a sua extensão”.19 O aproveitamento do Cemitério da
Misericórdia se justifica pela sua localização ideal, fora da cidade pois “todos sabem, que
na proximidade d’hum Hospital deve haver hum Cemitério, não só para evitar as despesas
no modo de enterrar os defuntos, mas até para livrar os habitantes da cidade dos
incommodos, que deveriam resultar da continuada passagem de defuntos pelas ruas della”.
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Vieira da Silva condenará também a falta de controle sobre os navios que chegavam
nos portos, carregados de pretos, sugerindo que dali poderiam provir os germes de
moléstias epidêmicas e sugere que se construa lazaretos onde se desembarque os pretos e
fação quarentena.
Outra preocupação da Vieira da Silva é a relativa ao trânsito de manadas na cidade
que iam em direção aos matadouros ou que se alojavam em currais quando se tratava de
gado utilizado para o auxílio no transporte de mercadorias. Propondo que, para recuperar
suas forças, o gado fosse alojado em lugar próprio na vizinhança da cidade. Se preocupa
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ainda com o transporte de carnes na cidade e com a falta de asseio dos matadouros onde a
demora dos excrementos, sangue, ourinas, e differentes partes dos animaes, produz a
putrefação, e opõe-se diretamente à salubridade da atmosfera. Sugere que se mude a
localização dos matadouros para a entrada da cidade de tal forma que se evite inundar a
athmosfera dos péssimos gazes que se formão. Para os açougues sugere que sejam mudados
para as extremidades da cidade também.
Outra obra de caráter urbanístico geral é aquela publicada em 1815 por José
Joaquim de Santa Ana, capitão do Real Corpo de Engenheiros e Architetos do Rio de
Janeiro. Esta publicação, editada pela Imprensa Régia, seria uma segunda edição de similar
publicada em 1811, e que se intitulava Memória sobre o enxugo geral desta cidade do Rio
de Janeiro 21 , onde se propõe a fazer o enxugo geral da cidade para que se evitem
prejuízos causados aos moradores com as inundações motivadas pelas grandes e freqüentes
chuvas. No seu plano, Santa Anna defende a boa distribuição dos declives das calçadas,
evitando a utilização das valas, pois estas seriam de pouco efeito na medida em que eram
prejudiciais à saúde pública, por serem depósitos das mesmas águas, que com o efeito do
sol acarretava “huma evaporação tão nociva á saúde publica, por engrossar a athmosfera
com particulas humidas e de corrupção; além de que, nas occasiões das grandes chuvas
ellas não dão o despejo, que he necessário”. 22
Em substituição às valas, Santa Ana propõe que o enxugo se faça por cima das
calçadas, cujas águas desembocariam na praia através das diferentes ruas. Para tal se
rebaixariam um pouco as suas extremidades para aumentar-lhes o declive. Comenta que a
cidade encontra-se em área rebaixada e que a solução por meio de aquedutos não seria
adequada pois as suas bocas dariam nas praias tão baixas que logo seriam entupidas de
areia. Lembra ainda que a cidade e seus subúrbios estava cercada de uma cadeia de montes
que jogavam os seus despejos na planície. Como seria recomendável que cada uma das ruas
principais possuíssem grandes aquedutos que receberiam as águas dos demais conclui que
não se poderia dar maior declive aos aquedutos do que aquele que se conseguiria para as
próprias ruas. Lembrando também das despesas que implicariam a construção de
aquedutos, conclui que a melhor solução seria fazer escoar as águas pelas ruas, dando-lhes
a necessária declividade.
Dentre as vantagens que o enxugo proporcionaria à cidade, Santa Anna destaca:
purificar-se o ar por meio das partículas salinas, que se evaporão no fluxo e refluxo das
marés. Ainda sugere a construção de um canal que deveria cruzar a cidade desde a Ponte
de pão, nas costas da cidade nova, até a praia fronteira à ilha das cobras, com uma largura
aproximada de 40 palmos, devendo ser de “hum e outro lado guarnecido de huma arcada, a
fim de haver hum passeio coberto de 12 a 15 palmos de largo, para beleza e serventia do
dito canal, e pontes nos lugares que cruzam as ruas Direita, da Quitanda, e da valla, e outras
que seguem esta mesma direção, na frente das quaes apenas he preciso que as casas que
estivessem no lugar por onde passar o canal, se lhes roubem as lojas, conservando-se-lhes
porém o resto sobre hum arco de largura do dito canal, e dous mais pequenos hum de cada
lado para serventia dos passeios, e embarque dos gêneros, que se quizerem conduzir por
elle”. 23
Santa Anna considera ainda que para que a cidade fosse mais saudável e fresca que
não se deveria consentir que se abrissem ruas com larguras menores a 60 palmos, de tal
forma que se pudessem entrar na cidade grandes colunas de ar.
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Na legislação do Império encontraremos a consolidação destas idéias sobre as


intervenções de caráter sanitário nas cidades, idéias estas que estavam em curso no Brasil
desde as últimas décadas do período colonial
A estrutura relativa à prática da medicina no Brasil estabelecida quando da vinda da
família real vigorou até 1827. Quando já independente o Brasil-Império, o deputado pela
Província do Rio Grande do Sul e farmaceutico Xavier Ferreira propôs a extinção dos
cargos de Physico-mór e de Cirurgião-mór do Império, alegando os abusos praticados ou
consentidos por essas autoridades. A moção do deputado rio-grandense foi sancionada por
decreto de 30 de agosto de 1828, determinando a abolição dos referidos cargos e atribuindo
às câmaras municipais, através de seus regimentos, as respectivas funções.
Em 1 de outubro de 1828 o Imperador sancionava e mandava executar o decreto
legislativo em que se estabelecia a forma das eleições dos membros das câmaras municipais
das cidades e vilas do Império e marcava as suas funções e a dos empregados respectivos.
Nesta lei orgânica das câmaras municipais deveria estar incluído o primeiro Código de
Posturas do período, cujas recomendações relativas ao assunto estariam incluídas nos
artigos 66 a 73 da mesma lei e eram denominadas Posturas Policiais. Nestas estava
estabelecido que as câmaras das cidades e vilas deveriam ter a seu cargo os seguintes
objetos: “alinhamento, limpeza, illuminação, e desempachamento das ruas, cães, e praças,
conservação e reparos de muralhas feitas para segurança dos edifícios, e prisões publicas,
calçadas, pontes, aqueductos, chafarizes, poços, tanques, e quaesquer outras construções em
benefício commum dos habitantes, ou para decoro, e ornamento das povoações”. A lei
prescrevia ainda : “Sobre o estabelecimento de cemitérios fora do recinto dos templos,
conferindo a esse fim com a principal autoridade ecclesiastica do lugar, sobre o
esgotamento de pantamos, e quaesquer estagnação de agoas infectas; sobre a economia e
asseio dos curraes, e matadouros publicos, sobre a collocação de cortumes, sobre o
deposito de immundicias, e quanto possa alterar, e corromper a salubridade da
atmosphera”. 24
Estas Posturas Policiais deveriam ainda prescrever regulamentações a cerca do
transito do gado de consumo diário na cidade e prover sobre os lugares onde o mesmo
pudesse pastar e descansar quando o conselho não tivesse o seu próprio curral. Determinava
ainda que só nos matadouros públicos ou nos particulares com licença das Câmaras as rezes
poderiam ser matadas e esquartejadas.
Em Salvador as Posturas Municipais foram organizadas pela Câmara Municipal e
aprovadas pelo Conselho Geral da Província na sessão de 21 de julho de 1829.
As posturas prescreviam: “He absolutamente prohibido o enterrarem-se corpos
dentro das Igrejas, e nos seus adros...”. 25 Esta postura só deveria entrar em vigor, todavia,
somente dois anos depois da sua publicação, quando as Confrarias e Parochos deveriam
estabelecer seus Cemiterios em lugares aprovados pela Camara, fora da Cidade”. As
Posturas prescreviam ainda que: “os hospitaes ou casa, em que se recebão doentes para
serem tractados de suas enfermidades só poderão ser estabelecidos fora do recinto da
Cidade” e que as “babricas de curtir coisas, salgal-as, e fazzer colla” não poderiam ser
levantadas na cidade e povoados.
O trânsito dos animais na cidade também será regulamentado pela legislação que
recomendava que os mesmos descansassem na Campina da cidade destinada a este fim e
que fossem conduzidos ao matadouro público somente no dia anterior da matança.
Quando nos terrenos particulares da cidade e subúrbios atravessassem valas e
riachos, caberia aos proprietários ou locatários mantê-las limpas e desimpedidas assim
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como dessecar os terrenos com pântanos e águas estagnadas. Proibia-se ainda o despejo de
imundícies das casas nas ruas obrigando-se a despeja-las no mar, à noite, em vasilhas
cobertas. Para os lixos e entulhos das casas a Câmara deveria designar por editais os lugares
em que se poderiam depositá-los.
A mesma legislação estabelecerá parâmetros para as construções prescrevendo que
as novas edificações deveriam respeitar o alinhamento que era determinado por prospecto,
feito público por edital, para cada rua. Estas e as estradas que de novo se abrissem, e as
existentes susceptíveis de amplo melhoramento teriam pelo menos seis braças de largura e
os cais de desembarque oito. Ficariam proibidas por esta lei os balcões ou sacadas na frente
das casas na cidade.
No Rio de Janeiro as Posturas seriam organizadas pela Câmara Municipal da Côrte
em 4 de outubro de 1830 e aprovadas por lei imperial em 28 de janeiro de 1832.
No capítulo sobre a Saúde Pública a lei trata Sobre cemitérios e enterros
prescrevendo: “Fica absolutamente prohibido enterrarem-se corpos dentro das Igrejas, ou
sachristias, clautros dos Conventos, em quaesquer outros lugares nos recintos dos
mesmos...”.26 Esta disposição também só deveria ter seu efeito depois de estabelecidos os
cemitérios fora da cidade , ou de ter sido designado pela Câmara Municipal os lugares em
que se fariam os enterros.
A mesma lei trata do Esgotamento de pantanos, e aguas infectadas, e tapamentos de
terrenos abertos determinando que “aquelle, que tiver algum terreno pantanoso, onde se
estagnem aguas, será obrigado a aterral-o”.
As prescrições relativas à Economia e asseio dos curraes, e matadouros, açougues
publicos ou talhos, proibiam, entre outros, que se matasse ou esquartejasse rezes para
consumo público sem ser nos matadouros públicos ou particulares que tivessem licença da
Câmara; aquelas relativas aos hospitaes, e casas de saude, e molestias contagiosas
estabeleciam que “os hospitaes publicos, ou de irmandades, que se acham actualmente
nesta cidade, serão conservados, até que se possam ser transferidos para lugares mais
apropriados. Nenhum particular, ou corporação poderá estabelecer em qualquer parte mais
hospitaes, ou casas, em que se recebam doentes a tratar sem licença da Câmara”.
A mesma legislação regulamenta, ainda, Sobre a collocação de cortumes, e sobre
quaesquer estabelecimentos de fabricas, e manufacturas, que possam alterar, e corromper
a salubridade da atmosphera, e sobre deposito de immundicies, proibindo o
estabelecimento de curtumes na cidade e nos seus arrabaldes e vedando também dentro da
cidade os fornos de cozer, ou torrar tabaco, “ou quaesquer outras fabricas de sebo e sabão,
azeites, oleos, ou outras, em que se trabalhe com ingredientes, que exhalam vapores, que
alteram e corrompem a salubridade da atmosphera, as quaes não se poderão estabelecer sem
licença da Câmara”. Caberia à Câmara também determinar os lugares próprios para o
depósito de “immundicies”. A lei prescreve também sobre differentes objetos, que
corrompem a atmosphera, e prejudicam a saude publica como por exemplo a proibição de
criação de porcos em quintais.
As Posturas Policiais, contidas no corpo da referida lei, prescrevia, entre outras
questões, Sobre o alinhamento de ruas, e edificação. Segunda ela a Câmara deveria
levantar planos, segundo os quais seriam formadas as ruas, praças e edifícios na cidade e
seu termo, e caberia aos arruadores alinhar e perfilar o edifício regulando sua frente
conforme o plano adotado pela Câmara. Todas as ruas, estradas ou travessas que se
abrissem na cidade e seu termo deveriam ter pelo menos 60 palmos de largura, devendo os
rocios, praças e largos formarem quadrados perfeitos sempre que o terreno permitisse.
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Muitas das recomendações prescritas nas Posturas Policiais do final da década de


trinta serão paulatinamente incorporadas nas práticas dos engenheiros responsáveis pelas
intervenções nas cidades. Observaremos, por exemplo, que os sepultamentos deixariam de
ser no chão e nos pátios das igrejas e passariam a realizar-se em áreas abertas, nos
chamados campos santos ou cemitérios secularizados. O enterro fora das igrejas, em
campos de sepultamento ensolarados, que antes eram reservados aos acatólicos,
protestantes, judeus, muçulmanos, escravos e condenados, foram prescritos por lei,
inspirada na correlação que se fez entre transmissão de doenças e miasmas concentrados
nas naves e criptas. 27
As medidas adotadas referentes à prática do enterramento foram precedidas de
debates e resistências, visto que eram consideradas práticas profanas. Uma das formas mais
temidas da morte era aquela sem enterramento adequado, pois era indispensável repousar
em solo sagrado e perto de casa. Para os luso-brasileiros, até pelo menos a metade do
oitocentos, esse lugar ainda era a igreja. Esta representava uma espécie de portal do paraíso.
Ao mesmo tempo era o lugar perfeito e desejável para se aguardar a ressureição no dia do
Juízo Final, concepção amplamente difundida no mundo católico desde a Idade Média. Em
1764, em Salvador, os irmãos negros de Santa Ifigênia protestaram contra a maneira
desrespeitosa como eram sepultados os cadáveres dos pretos pela Santa Casa de
Misericórdia, pondo em perigo a imortalidade de suas almas e a futura ressurreição de
seus corpos. A doutrina da imortalidade da alma no Inferno e a ressurreição do corpo
penetrara o pensamento dos irmãos negros, associada à idéia de sepultura adequada.28
As mudanças de hábito talvez tenham sido facilitadas pela prática dos protestantes
ingleses que dispunham de seus próprios cemitérios, em geral fora do perímetro urbano. As
cidades do Rio de Janeiro, Recife e Salvador terão os seus cemitérios ingleses, sempre
muito arborizados em áreas afastadas da cidade, bastante aeradas.
Os cemitérios dos ingleses no Brasil foram certamente dos mais antigos que se
construíram no sistema de inumação em terreno ensolarado. Foram eles instalados a partir
do segundo quartel do século XIX, amparados por permissão de Carta Régia de D. João VI.
No Rio de Janeiro trata-se do cemitério da Gamboa; no Recife, do Cemitério Anglicano de
Santo Amaro, situado entre Recife e Olinda; e, em Salvador, do Cemitério dos Ingleses que
se instalaria numa área de promontório, na encosta do mar.
Em 29 de setembro de 1832, Maria Graham visitou o cemitério dos ingleses no Rio
de Janeiro, localizado na Praia da Gamboa: “Fui hoje a cavalo ao cemitério dos ingleses, na
Praia da Gamboa , que julgo um dos lugares mais deliciosos que jamais contemplei,
dominando lindo panorama, em todas as direções”. 29 Maria Graham destaca ainda as
árvores magníficas ali presentes expressando seu conforto em encontrar algo familiar no
mundo dos trópicos: “Na minha doença, muitas vezes entristecia-me por não conhecer este
cemitério. Estou agora satisfeita, se a fraqueza, que ainda me resta, atirar-me aqui, os muito
poucos que vierem ver onde jaz a amiga não sentirão o aborrecimento da prisão”. Esta
descrição contrasta com a narrativa lacônica que faria do cemitério da Santa Casa da
Misericórdia: “é tão pequeno que chega a ser desagradável e, segundo creio, insalubre para
a vizinhança”. 30
Em Recife, após a abertura dos portos , nos primeiros anos marcados pelo início da
imigração inglesa, não havia cemitérios públicos e os cadáveres eram inumados nas igrejas
e conduzidos em procissões noturnas de um lúgubre aspecto. Esse uso era privativo dos
católicos, de sorte que os protestantes, fora dessa comunhão, eram sepultados em lugares
profanos, sem respeito tributado aos mortos. A pressão da colônia inglesa para que se
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pudesse fazer o sepultamento adequado dos seus membros assim como para que se tivesse a
liberdade de culto fez com que fosse estabelecido no “Tratado de Navegação e
Commercio”, celebrado entre Portugal e Inglaterra, firmado em 19 de fevereiro de 1810,
cláusulas relativas ao assunto. Assim, através do artigo 12 do tratado, o governo português
permitiria enterrar os vassalos britânicos em lugares convenientes. Em virtude desta
concessão, representou ao governo o embaixador inglês residente na côrte do Rio de
Janeiro contra a “a pratica indecente que existia em Pernambuco de serem enterrados nas
praias os vassalos britânicos de religião protestante que falleciam na capitania, e nos
mesmos lugares em que eram sepultados os negros africanos não baptisados” , e requereu
que se lhe destinasse um terreno para o estabelecimento do dito cemitério. O terreno
escolhido seria o de Santo Amaro das Salinas, entre Recife e Olinda.
No mesmo tratado se assegura aos súditos britânicos nas possessões portuguesas a
liberdade de consciência e de religião “para assistirem e celebrarem o serviço divino... ,
quer seja dentro de suas casas particulares, quer nas suas particulares igrejas e capellas”
lhes concedendo “a permissão de edificarem e manterem dentro dos seus domínios,
contanto porem, que as sobreditas igrejas e capellas serão construidas de tal modo que
externamente se assemelhem a casas de habitação; e tambem que o uso dos sinos lhe não
seja permitido para o fim de annunciarem publicamente as horas do serviço divino”. Fica
clara a preocupação por parte da coroa portuguesa com a possível propagação da igreja
protestante no Brasil. Estes templos anglicanos seriam construídos com uma linguagem
arquitetônica neoclássica e foram instalados em área abertas, geralmente praças, nos
arredores das cidades, como é o caso do templo construído em Salvador.
Segundo Sérgio Buarque de Holanda, o século XIX, sobretudo em sua primeira
metade, foi, no Brasil, o século inglês por excelência, e tudo teria começado com a chegada
da família real portuguesa, devendo-se aos ingleses “a introdução do gosto pela residência
em casas isoladas, por jardins bem tratados, e longe do centro da cidade, freqüentemente
em contato direto com a natureza agreste.31
Maria Graham ao comentar um período de tensão na cidade do Recife, em 1821,
quando a população necessitou se prevenir de um possível ataque, descreve o hábito dos
ingleses morarem em áreas afastadas do centro: “Muita gente, com suas mulheres e
famílias, deixou as casas nos arredores da cidade e refugiou-se junto aos ingleses. Os
últimos que, na maior parte, dormem pelo menos em casas de campo das vizinhanças,
chamados sítios, abandonaram-na e concentraram-se nos escritórios junto ao porto”.32
Segundo Pereira da Costa, o viajante inglês, Henrique Koster, depois de dois anos
de ausência, voltando a Pernambuco no início do século XIX, descreve o diferente aspecto
da cidade, marcado pela presença destes ingleses: “as novas e elegantes construções
urbanas, de par com as campestres com seus jardins e pomares, as carruagens substituindo
os vetustos palanquins ou cadeirinhas”.33
Contudo será Gilberto Freire 34quem brilhantemente chamaria atenção para a
introdução do gosto inglês nos novos hábitos de morar. O historiador observaria que das
relações com o Oriente e a África desenvolvera-se entre nós a predominância dos estilos e
modas asiáticas ou africanas, como, entre outros, o palanquim como meio de transportes;
os móveis de estilo indiano em algumas casas mais fidalgas; a arquitetura das casas, cheia
de reminiscências orientais ; os hábitos de higiene pública e doméstica. “E ingleses que se
foram estabelecendo no Rio passaram a residir em casas em cuja arquitetura havia muita
reminiscência do Oriente: de longe algumas deviam dar aos europeus já conhecedores da
China a impressão de pagodes. As gelosias, arrancadas tão repentinamente e violentamente
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das melhores casas das principais cidades brasileiras, não eram, afinal, o único traço do
Oriente na arquitetura ou na decoração doméstica no Brasil. Também o eram os azulejos, os
leões ou dragões de louça nos umbrais dos portões, as telhas côncavas, os telhados
acachapados, as esteiras, as colchas”. 35
Segundo Gilberto Freire os ingleses se tornariam no Rio de Janeiro, na Bahia e em
Pernambuco dos princípios do século XIX os descobridores dos melhores e mais saudáveis
recantos de residência. Sob a influência dos hábitos britânicos de conforto e de higiene
doméstica, se alteraria no Brasil o gosto da casa burguesa, marcado pela preferência dos
ingleses às casas isoladas e não aos sobrados um junto ao outro. As escolhas dos ingleses
para local de moradia dariam origem aos novos bairros burgueses, nas áreas suburbanas das
cidades antes ocupadas por chácaras e sítios. Ao escolherem estes locais para moradia,
aliados à substituição do meio de transporte, do palanquim ou cadeirinhas, para a
carruagem, também introduzidas pelos ingleses, assistiríamos a uma das principais
transformações no padrão urbanístico das cidades do Império. Antes, no período colonial, a
cidade configurava-se como uma área extremamente adensada, onde as residências, coladas
umas às outras formavam o panorama arquitetônico característico do período. As áreas
próximas das cidades, não se configuravam como urbanas, eram ocupadas por sítios e
chácaras. A partir das escolhas dos ingleses em transformar estas casas rurais em suas
residências, lembrando que os ingleses eram essencialmente comerciantes e não sitiantes,
possuindo sua loja de comércio na cidade e para lá afluindo diariamente, utilizando para tal
suas carruagens como transporte, se formariam os subúrbios, que se constituiriam mais
tarde, nos bairros burgueses das cidades. Os ingleses ao dar preferência às residências
isoladas entre arvoredos no lugar dos sobrados foram dando origem a estes novos bairros
burgueses: “como na Tijuca (Rio ) ou na Vitória (Bahia); perto dos rios como em Apipucos,
no Monteiro, no Poço da Panela (Pernambuco); à beira-mar como em Botafogo e Olinda.
Velhos casarões isolados, antigas chácaras e até casas-grandes de engenho, com puxadas ou
telheiros semelhantes a pagodes chineses e onde se fazia farinha ou se abrigavam cavalos,
foram por eles adaptados aos seus gostos e o mais possível incorporados ao espaço urbano
das capitais. Um gosto bem diverso do luso-brasileiro, o britânico, quanto a lugar de
residência burguesa. Entre os portugueses e seus descendentes brasileiros a moda era a
gente das cidades morar em sobrados um junto do outro, sem árvores, por muito tempo
sem vidraças – só com urupemas ou gelosias de sabor oriental; as alcovas no centro das
casas. Apenas iam os grandes burgueses “passar as festas” em chácaras nos arredores das
cidades. Os britânicos fizeram desses arredores pontos de residência e não de simples
passamento de festas. Em 1821, Maria Graham informa que era em casas de sítio que seus
compatriotas do Recife residiam ou pelo menos, passavam as noites, mantendo nas cidades,
perto do porto, as “couting-houses”, isto é , as casas comerciais. Um ou outro residia nos
próprios sobrados comerciais.”36
Para Giberto Freire, “esta foi sem dúvida uma das revoluções mais significativas
causadas ou operadas pelos britânicos nos hábitos ainda coloniais e meio mouriscos, ou
antes, orientais, do Brasil: o deslocamento – que se verificou lentamente – das residências
mais nobres de habitantes das cidades, de sobrados situados no centro, para subúrbios que
passaram a ser elegantes, tornando-se deselegante para o burguês fino e rico residir no
centro comercial. Pois o exemplo inglês foi imitado por brasileiros e portugueses: os
anúncios de jornais da época indicam a valorização das casas de sítio ou das chácaras para
residências – e não apenas para passamento de festas”.37
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Na cultura urbanística inglesa do século XVIII se estabelece uma relação com a


natureza que marcará as novas tipologias urbanísticas. Além das novas concepções de
moradia, com a residência isolada nos lotes nas áreas suburbanas e os cemitérios rurais
protestantes em áreas arborizadas, os parques botânicos aliam o desejo do desenvolvimento
científico à oportunidade de realização de grandes áreas verdes próximas ao tecido urbano.
Com D. João VI, temos inclusive a criação do Jardim Botânico no Rio de Janeiro, além da
introdução das primeiras medidas de caráter sanitário no Brasil.

1
Professora Dra. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo / Pontifícia Universidade Católica de Campinas
2
VICQ D’AZIR, Essai sur les lieux et les dangers des sepultures , in: “Oevres de Vicq d’Azir”, Paris, L.
Duprat-Duverger, 1805, tome sizième. Trata-se de um tratado de medicina com 6 volumes cujo exemplar
consultado encontra-se no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro.
3
VICQ D’AZIR, op. cit., página 78.
4
TELLES, Vicente Coelho de Seabra Silva, “Memória sobre os prejuisos causados pelas sepulturas dos
cadaveres nos templos, e methodo de os prevenir”, Lisboa, Officina da Casa Litteraria do Arco do Cego,
1800. Silva Telles era natural da Província de Minas Gerais, onde nascera no ano de 1764, em Congonhas do
Campo, e fora abastado fazendeiro. Era formado em Filosofia pela Universidade de Coimbra. Indagando sem
descanso tudo quanto de novo e adiantado havia na ciência, desenvolveu uma aplicação tal que ainda
estudante escreveu um compêndio de química, cujo primeiro volume foi publicado antes de sua formatura e
foi nesta ocasião que foi admitido como sócio na Academia Real das Sciencias de Lisboa. A seu turno, a
universidade, conhecendo avaliando seu mérito, conferiu-lhe o lugar de lente substituto de zoologia, botânica,
mineralogia e agricultura na Universidade de Coimbra.
5
TELLES, Vicente Coelho de Seabra Silva, op.cit. página 2.
6
TELLES, Vicente Coelho de Seabra Silva, op.cit. página 24.
7
PICANÇO, José Corrêa , “Ensaio sobre o perigo das sepulturas nas cidades e nos seus contornos”, Rio de
Janeiro, Imprensa Régia, 1812.
8
PIATOLLI, Scipião, “Saggio in torno al luogo del seppellire”, 1774.
9
MARET, “Mémoire sur l’usage où l'on est d'enterrer les morts dans les églises et dans l’enceinte des villes”,
Dijon, 1773.
10
PATTE, Pierre, “Mémoires sur les objets les plus importants de l’Architecture”, Genève, Minkoff Reprint,
1973. Pierre Patte escreve ainda duas obras, dentre outras, de caráter urbanístico: em 1766, “De la manière la
plus avantageuse d’éclairer les rues d’une ville pendant la nuit, en combinant ensemble la clarté, l’économie
et la facilité du service”; e, em 1799, “De la translation des cimitières hors de Paris”.
11
PATTE, Pierre, “Mémoires....”, página 25.
12
SOLON, J – F. “Sources d’Histoire de la France Moderne”, Paris, 1972, p
13
Filho de cirurgião barbeiro Francisco Corrêa Picanço, nasceu no dia 10 de novembro de 1745, na Vila de
Goiana, Província de Pernambuco, onde aprendeu as primeiras letras e concluiu o curso primário. Com a
transferência do seu genitor para a cidade do Recife, já mostrando pendor para a profissão paterna, iniciou o
aprendizado e logo em seguida veio a substituir o pai no exercício da cirurgia, clinicando na capital da
Província.
14
FREITAS, Geraldo Gomes de, “Discurso do Professor Geraldo Gomes de Freitas de Posse na Academia
Pernambucana de Medicina”, Recife, Academia Pernambucana de Medicina, 1983, página 9. Picanço
cultivou grande amizade com Sebatier, casando-se com sua filha Catarina.
15
BARBOSA, Plácido e REZENDE, Cassio Barbosa, “Os Serviços de Saude Publica no Brasil –
Especialmente na Cidade do Rio de Janeiro 1808-1907 (esboço Histórico e Legislação)”, Rio de Janeiro,
Imprensa Nacional, 1909, página 6.
16
BARBOSA, Plácido e REZENDE, Cassio Barbosa, op.cit. página 7.
17
VIEIRA DA SILVA, Manoel, “Reflexões sobre alguns dos meios propostos por mais conducentes para
melhorar o clima da cidade do Rio de Janeiro”, Rio de Janeiro, Imprensa Régia, 1808.
18
VIEIRA DA SILVA, Manoel, op. cit. , página 11.
19 VIEIRA DA SILVA, Manoel, op. cit. , página 14.
20
VIEIRA DA SILVA, Manoel, op. cit. , página 13.
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16

21
SANTA ANA , Joaquim, “Memória sobre o enxugo geral desta cidade do Rio de Janeiro”, Rio de Janeiro,
Imprensa Régia, 1811.
22
SANTA ANA , Joaquim, op. cit. Página 7.
23
SANTA ANA , Joaquim, op. cit. Página 21.
24
Lei de 1 º de outubro de 1828, in “Collecção das Leis do Império do Brasil”, Rio de Janeiro, Thpographia
Nacional, 1878.
25
“Posturas approvadas pelo Conselho Geral de Província em sessão de 21 de julho de 1829”(organizadas
pela Camara Municipal de Salvador), Salvador, Livro de Posturas (119.5) 1829 – 1859, Arquivo Público
Municipal, Fundação Gregório de Mattos.
26
“Collecção das Leis do Império do Brasil”, Rio de Janeiro, Typographia Nacional, 1878.
27
VALLADARES, Clarival do Prado, “Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros”, Rio de Janeiro/Brasília,
Imprensa Nacional, 1972.
28
REIS, João José , O cotidiano da morte no Brasil oitocentista, in “História da vida privada no Brasil”, São
Paulo, Companhia das Letras, 1997, v. 2, página 96 e 141.
29 GRAHAM, Maria, “Diário de uma viagem ao Brasil, e de uma estada neste país durante parte dos anos

1821, 1822 e 1823”, São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1956, página 347.
30
GRAHAM, Maria, op. cit. , página 366.
31
HOLANDA, Sérgio Buarque de, “História geral da civilização brasileira”, Rio de Janeiro, Editora Bertrand
Brasil, 1993, Tomo 2.
32
GRAHAM, Maria, op. cit. , página 107.
33
PEREIRA DA COSTA, F. A, op. cit. , página 527.
34
FREYRE, Gilberto, “Ingleses no Brasil – aspectos da influência britânica sobre a vida, a paisagem e a
cultura do Brasil”, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora/MEC, 2 ª edição, 1977.
35
FREYRE, Gilberto, op. cit. , página 136.
36
FREYRE, Gilberto, op. cit. , página 136.
37 FREYRE, Gilberto, op. cit. , página 137.

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