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Massa popular legitima-se e toma as ruas de assalto.

Quando no Irão de Amadinejad a fraude eleitoral foi denunciada pelo povo nas ruas,
assistiu-se a muito mais do que a uma contestação e condenação de uma fraude eleitoral.
A opressão fez-se representar pelos clássicos bastões dos guardiões do regime e os cida
dãos interligados globalmente puderam dar o seu contributo na oposição a esta , ou pel
o menos a sua atenção a uma questão supostamente alheia aos seus interesses quotidiano
s( mesmo quando já tinha caducado o prazo de validade mediática e sido retirado o te
ma da grelha dos noticiários).
A surpresa foi geral, as mulheres sem véu manifestaram-se na rua em plena
teocracia persa contemporânea. No entanto, o poder manteve-se inabalado e foi proc
urando legitimar-se pelo espectáculo do desafio a Obama e da basófia nuclear.
Muitos deram como perdida a ideia da cidadania global, tendo em conta a dificuld
ade com que se deparavam os Foruns Sociais Mundiais em manter o ritmo da aderência
global. De facto, a quebra foi evidente mas, não terá ficado o espírito que agora se
manifesta no continente africano ? O espírito da alternativa na política, da criativ
idade e coragem cívica, da participação política popular. Serão ideias mortas?
Entre o Setembro moçambicano e o Janeiro magrebino a juntar-se as ruas da Grécia, d
o Reino Unido, de Caracas, da França e os jovens de França; o que dizer desta transição
de século? Aos que tinham desprezado a legitimidade das contestações que os subúrbios le
varam a cabo e apontado para uma ausência de consciência política; o que vos digo ago
ra? É tão democrático tomar a bastilha, como denunciar o ostracismo da urbanização contem
porânea – essa escola de exclusão física e psicológica - ; como o é tomar a rua para nela s
exigir a democracia e a alternância no poder. Ao estilo de Abril mas em 2011 e ai
nda mais a Sul.
O que se passa na Tunísia? Os militares percebem o povo e lembram-se de quem são enq
uanto humanos, e ponderam , tal como na Turquia ou no Níger, servir de guardiões de
um outro regime? Esse que trará mais liberdade e laicidade. Será? Veremos.
E o sistema político internacional, como responde? Ninguém estará surpreendido com a p
osição da China (variável estruturalista nesta análise sistémica). Mas que efeito terá , na
sua defesa de valores humanistas, o facto de um país passar a pertencer ao Conselh
o de Segurança das N.U.?
Veremos que medidas serão usadas de novo para África. Essa África na qual, par
a além de pulularem tiranos, repetem-se genocídios sem que as N.U. ou a U.A. manifes
tem – pela acção – alguma vontade de humanizar o Globo. Não! O negócio fala mais alto. 10 K
logramas de peso no Ruanda ou no Sudão não são a mesma coisa que 10 kilogramas de peso
nos EUA ou em Auschvitz. O destino do dinheiro roubado aos cofres de Estado, es
se poderá ser o mesmo: um paraíso fiscal.
Por isso, consentia-se a ditadura na Tunísia, no Egipto, na Arábia Saudita; mas não n
o Iraque nem no Irão! Por isso democraticamente temos Berlusconi, Isaltinos, Felgu
eiras e Cavacos, Bushistas enraivecidos, Viktor Orban , Sarkozy, entre outras ma
ravilhas do Norte. Destas podemos ter a certeza do que será de esperar enquanto ex
emplos democráticos e defensores da democracia dentro e fora do Ocidente. Estas re
ferências ocidentais percebem de contabilidade e de fiscalidade. Sem dúvida! E de Li
berdade? E de democracia?
Mas o que há de comum entre o cidadão africano e o cidadão europeu? A vivência do result
ado de uma taxa de desemprego em ascensão? O resultado de pacotes de políticas de au
steridade de inspiração Bretton Woods? O FMI? Não será a precariedade, esta questão transv
ersal a vários regimes? Não será este o legado dos últimos 20 ou 30 anos de política globa
l? É coisa para se dizer : precários os quiseram, rebeldes os tiveram! E já agora: qua
l é a nacionalidade do desemprego? É residente ou nacional? Será a mesma do capital?
Mas permanece a dúvida, o que resultará das revoltas magrebinas? Em Maputo recuou-se
em certas políticas e o governo suspirou de alívio, assim como em Tripoli. Na Tunísia
ficou um vazio de governo que não sabemos como será preenchido. O que acontecerá a Mu
barak? Quem será o senhor que se segue? Será este o momento para se ensaiar uma inte
rnacional anti-capitalista a sul da U.E.? Haverá espaço para uma sincronia das civil
izações para o progresso? Haverá um aliado á esquerda no Magrebe?Vários?
Haverá a contradição da solução liberalista nesta contestação popular libertadora?
Conselho para revolucionários do século XXI, tirem um curso de comunicações, de redes e
de programação. A variável dependente no estudo da reacção institicional na transição de sé
inquestionavelmente a técnica de bloqueio da tecnologia que alimenta as redes soci
ais. A democracia hoje defende-se neste campo www.