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ATENDENTE e AUXILIAR DE

FARMÁCIA E DROGARIA –
Manual profissionalizante

LEONARDO DE SOUZA SILVA


JÚLIA MARTINS ULHÔA

Molecular cursos e capacitação


Goiânia GO
2015
Editora chefe
LAURA ANDRADE DA SILVA SOUZA

Conselho editorial
CATARINA JOSÉ DE LIMA SANTOS
JOÃO PAULO RODRIGUES DE MORAIS
LUCAS COUTINHO MOURA
MARIA JOSÉ DO NASCIMENTO

Capa e figura da capa


LEONARDO DE SOUZA SIVLA

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Souza Silva, Leonardo; Ulhôa, Júlia Martins

Atendente e auxiliar de farmácia e drogaria - manual


profissionalizante / Leonardo de Souza Silva e Júlia Martins
Ulhôa – Goiânia: Molecular cursos e capacitação, 2015.

Bibliografia.

ISBN 978-85-69103-00-4

1.farmácia 2.drogaria 3.atendimento 4.profissionalização

CDD 615
PALAVRAS DO AUTOR

A área farmacêutica é uma das que mais crescem e contribuem para o


fortalecimento da economia brasileira. Os profissionais que não exercem o papel de
responsável técnico, porém desempenham papel importante na farmácia e drogaria,
precisam adquirir conhecimento técnico, teórico e científico.

Situações antiéticas, políticas internas em drogarias e a banalização do uso de


medicamentos são quadros que necessitam de mudanças. É importante que todos os
profissionais da área farmacêutica aplique nos corações a vontade de exercer um papel
de educador em saúde. Tendo essa motivação em primeiro lugar, estaremos como
conseqüência, alcançando êxito financeiro nas atividades farmacêuticas.
Esse manual foi criado com o intuito de capacitá-lo e atender a demanda de
mão-de-obra qualificada que o mercado exige. Lembre-se que diferencial é um
fundamento no âmbito profissional!

LEONARDO DE SOUZA SILVA


Farmacêutico com habilitação em Análises
Clínicas pela Universidade Federal de Mato
Grosso (UFMT), Especialista em Farmacologia
Clínica pela Universidade Federal de Goiás
(UFG) e Mestre em Imunologia e Parasitologia
básicas e aplicadas pela Universidade Federal
de Mato Grosso (UFMT). Professor assistente
pela Faculdade Cambury-Goiânia.

Informações sobre a autora


JÚLIA MARTINS ULHÔA

Farmacêutica generalista pela Universidade Federal de Goiás. Especialista em


Farmacologia Clínica e Interações Medicamentosas pela Universidade Paulista-
Goiânia/GO. Atualmente é Mestranda em Ciências Farmacêuticas pela Universidade
Federal de Goiás.
Sumário

ÉTICA E PRINCÍPIOS DO ATENDIMENTO EM FARMÁCIA E DROGARIA ...................... 6

A ÉTICA NO ATENDIMENTO .............................................................................................. 6

PRINCÍPIOS DO ATENDIMENTO ........................................................................................ 7

NOÇÕES DE LEGISLAÇÃO FARMACÊUTICA .................................................................... 11

TARJAS E RÓTULOS ........................................................................................................... 11

RECURSOS HUMANOS ....................................................................................................... 14

COMERCIALIZAÇÃO E DISPENSAÇÃO DE PRODUTOS .............................................. 14

NOÇÕES BÁSICAS DEANATOMIA HUMANA .................................................................... 17

ESTUDOS DE SISTEMAS .................................................................................................... 17

SISTEMA NERVOSO ........................................................................................................ 17

SISTEMA ENDÓCRINO ................................................................................................... 17

SISTEMA CARDIOVASCULAR ...................................................................................... 17

SISTEMA RESPIRATÓRIO .............................................................................................. 18

SISTEMA DIGESTÓRIO ................................................................................................... 18

SISTEMA URINÁRIO ....................................................................................................... 18

SISTEMA IMUNOLÓGICO e LINFÁTICO ..................................................................... 18

SISTEMA REPRODUTOR ................................................................................................ 18

SISTEMA MUSCULAR..................................................................................................... 19

SISTEMA ESQUELÉTICO ................................................................................................ 19

FARMACOLOGIA BÁSICA ..................................................................................................... 19

TERMINOLOGIA FARMACOLÓGICA .............................................................................. 20

FARMACOCINÉTICA .......................................................................................................... 21

FARMACODINÂMICA ......................................................................................................... 21
ESTUDO DAS CLASSES DE MEDICAMENTOS............................................................................ 22

Medicamentos usados sobre o sistema cardiovascular........................................................ 22

Medicamentos usados sobre o sistema digestório ............................................................... 25

Medicamentos usados sobre o sistema respiratório ............................................................ 27

Medicamentos usados sobre o sistema nervoso .................................................................. 28

Anti-inflamatórios ............................................................................................................... 29

Antihistamínicos ou Antialérgicos ...................................................................................... 30

Antimicrobianos ou antibacterianos (“antibióticos”) .......................................................... 30

Antifúngicos ........................................................................................................................ 31

Antivirais ............................................................................................................................. 32

Antiparasitários ................................................................................................................... 32

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DE FARMÁCIA E DROGARIA .......................... 33

LAYOUT ................................................................................................................................ 33

CAIXA .................................................................................................................................... 35

LIMPEZA ............................................................................................................................... 35

DISPOSIÇÃO DOS MEDICAMENTOS E OTUROS PRODUTOS FARMACÊUTICOS .. 36

RECEBIMENTO DE MEDICAMENTOS ............................................................................. 36

FARMACOTÉCNICA ................................................................................................................ 38

FORMA FARMACÊUTICA .................................................................................................. 38

FORMAS FARMACÊUTICAS E VIAS DE ADMINISTRAÇÃO ....................................... 41

FÓRMULA FARMACÊUTICA ............................................................................................. 42

COMO ADMINISTRAR MEDICAMENTOS ....................................................................... 42

DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS CONTROLADOS ................................................... 44

BIBLIOGRAFIA UTILIZADA .................................................................................................. 49


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ÉTICA E PRINCÍPIOS DO ATENDIMENTO EM


FARMÁCIA E DROGARIA

O atendente/auxiliar de farmácia ou drogaria é o elo entre a empresa e o


consumidor. É a linha de frente da empresa, ou seja, é quem tem mais contato direto
com os consumidores, podendo fidelizá-los por um atendimento pautado em bons
princípios e ética, ou não.
Por isso, agir corretamente, respeitando os direitos de cada um, ser educado e prestativo
é uma forma de executar bem a função de um cuidador de saúde (que o atendente
também o é), além de ser bom financeiramente para a empresa, pois pode promover a
fidelização dos clientes.

A ÉTICA NO ATENDIMENTO
Quando o cliente entra na farmácia ou drogaria, ele está querendo solucionar um
problema, um desejo ou uma necessidade. Quanto mais o vendedor se empenhar em
encontrar uma solução para esses anseios do cliente, mais ético ele será. Isto é,
atualmente, o vendedor que prospera com ética não se interessa somente em vender
(“quanto mais melhor”) empurrando mercadoria nos clientes, pensando somente no
valor final daquela compra; o bom vendedor presta ajuda genuína para que o cliente
encontre os produtos e serviços certos para atender suas necessidades. Isso promove um
clima de confiança e de relacionamento com o cliente sendo a venda uma consequência
do processo.
Devemos orientar o paciente através da real função dos medicamentos, sem fazer
propagandas enganosas ou abusivas da boa fé do usuário. A honestidade com o cliente é
importante para que se estabeleça confiança entre vocês.
O atendente deve estar atento e somente comercializar produtos que têm
credibilidade no mercado e registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância
7

Sanitária), o que atesta que o produto é seguro e tem eficácia. Não é correto com o
consumidor vender produtos que não tem o controle de qualidade exigido, uma vez que
o produto pode até prejudicar a saúde do mesmo.
No caso de dúvidas quanto à prescrição médica, é importante entrar em contato com
o profissional prescritor quando necessário, para garantir a segurança e a eficácia do uso
do medicamento, fundamentando-se no uso racional de medicamentos.
Outra postura importante para o atendente é manter o sigilo profissional. Por meio
da receita podemos descobrir o diagnóstico da doença do paciente. Como muitas
doenças ainda são vistas com discriminação pela sociedade, o paciente pode se sentir
constrangido. É importante que ajamos com naturalidade e sejamos discretos para que a
pessoa não se sinta pior. O mesmo deve ocorrer em inúmeras outras situações como a
venda de contraceptivos, absorventes, preservativos e outros medicamentos que expõe a
vida pessoal e moral do consumidor. Respeitando essas situações você estará
valorizando antes de tudo sua profissão.

PRINCÍPIOS DO ATENDIMENTO
É importante que o atendente de farmácias e drogarias encare sua profissão com
seriedade e profissionalismo. Sua função é de dupla responsabilidade por vender
medicamentos, substâncias que podem prejudicar a saúde do consumidor se não forem
comercializadas corretamente.
Além disso, o consumidor de produtos farmacêuticos, na maioria das vezes é
obrigado a comprar; não compra por vaidade, prazer ou ambição, compra com a
expectativa de ser curado de algum mal que o aflinge. Se estiver doente pode estar mais
sensível e se sentindo frágil merecendo uma atenção especial. Por isso, o ideal é que os
atendentes gostem e queiram bem às pessoas.
O cliente espera que você seja competente para orientá-lo sobre o produto que está
comprando, por isso, é fundamental que você tenha conhecimento sobre os produtos e
saiba dar explicações sobre seu uso, benefícios e características para que se estabeleça
uma relação de confiança e credibilidade. Assim, é importante que você sempre
atualize e aprimore seus conhecimentos: conhecer produtos novos, distinguir a diferença
entre tarjas, acompanhar as mudanças da legislação farmacêutica.
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Nesse trabalho de conquistar a confiança do cliente também é de fundamental


importância proporcionar o que foi prometido com segurança e precisão. Por isso
devemos falar dos efeitos reais que conhecemos do produto. Se prometermos algo irreal,
com o uso, o cliente saberá que foi enganado e poderá perder a confiança em você
definitivamente. O relacionamento de vocês não termina no fechamento da venda,
apenas inicia.
O bom atendimento ao cliente é fundamental para toda empresa que queira
prosperar, uma vez que são os clientes que mantém as empresas. Já parou para pensar
nisso? Quem pagará seu salário e despesas da empresa são seus clientes! Quanto mais
clientes mais você e a empresa podem crescer. O sucesso no varejo está em conquistar e
manter os clientes todos os dias.
O cliente é o foco; quando é bem tratado se senti bem atendido e volta outras vezes,
além de indicar o serviço de que gostou, atraindo mais clientes.
Para isso é necessário não só atender a necessidade imediata do cliente, mas estar
sempre disponível quando solicitado para orientá-lo e informá-lo no que for possível,
conquistando assim sua simpatia.
Para estabelecer um diálogo claro e direto, para que você e o cliente se
entendam, faz-se necessário uma boa comunicação pautada no saber falar, saber calar e
saber ouvir.
Na farmácia e drogaria o bom relacionamento com os clientes, além de trazer
retorno para a empresa, pode trazer para o atendente desenvolvimento profissional e
social, por meio do aprimoramento técnico e das relações interpessoais.
Devemos ficar atentos com nossa comunicação não-verbal, o tom de voz que
usamos, a expressão facial, aparência e postura. Usar palavras adequadas como por
favor, posso ajudá-lo, grato. Quando nos atentamos a esses fatores podemos evitar que
os clientes se irritem.
Quando o cliente fica nervoso por qualquer que seja o motivo, o atendente deve
usar o bom senso e atendê-lo o mais prontamente possível. Manter a calma e ser gentil
mesmo em momentos adversos são princípios importantes de serem seguidos, até
mesmo para se desvencilhar de um cliente que gosta de atenção e quer ficar
conversando no balcão. Caso isso ocorra e o cliente esteja atrapalhando seu trabalho,
peça com educação para que ele espere até que você atenda os outros clientes.
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Mantenha a paciência e coloque o cliente em primeiro lugar, afinal seu trabalho


gira todo em torno dele e para ele.
Normalmente, a primeira pessoa que o cliente entra em contato nesses
estabelecimentos é o atendente, às vezes, é a única pessoa. Assim, além de se atender
bem, é importante que o atendente esteja com uma boa apresentação pessoal: usar
uniforme limpo e de cor clara; atentar para o aspecto das mãos e unhas, não só pela
estética, mas principalmente pela higiene que se deve ter ao manusear medicamentos.
As mãos dos atendentes estão no foco de atenção dos clientes todo tempo, portanto,
cuide delas!
Há alguns princípios que facilitam a venda e o bom atendimento. Normalmente
esperamos do atendente cortesia, exclusividade, comprometimento, competência,
solução rápida e integridade.
Ser cortês é fazer com que o cliente se sinta bem-vindo e respeitado. Atitudes
como sorrir, agradecer, pedir educadamente (“por favor”); dar preferência para atender
idosos, gestantes e deficientes; referir-se ao cliente como senhor/senhora; ser gentil com
todos; acompanhar o cliente até o setor desejado; eliminar frases negativas, como “pois
não”; despedir do cliente, fazem com que o cliente se sinta bem e goste do atendimento,
ficando mais aberto para o que você e a empresa tem para dizer e oferecer.
Quando oferecemos exclusividade aos clientes, demonstrando atenção e cuidado
individual, ele tende a querer retribuir comprando o que você oferece. As pessoas
gostam de serem tratadas com exclusividade, por isso, chame-as pelo nome; seja
prestativo; busque superar as expectativas do cliente; olhe-o nos olhos e mantenha-se
atento e interessado ao que ele diz e expressa, buscando prestar um atendimento
humanizado; se chegar outro cliente peça que ele espere até que você termine de atender
o primeiro; após o atendimento pergunte ao cliente se ele ficou satisfeito sempre que
possível.
O comprometimento com o cliente diz respeito à vontade genuína de querer
auxiliá-lo. Para isso deve-se sempre fornecer o que foi prometido com exatidão. Essa
atitude transmite confiança e respeito profissional. Se você está comprometido, as
pessoas acreditam que podem contar com você. Além de fazer diferença em sua vida,
seu comprometimento pode causar mudanças positivas na vida de outras pessoas. Por
isso, resolva o problema do cliente mesmo que não seja sua responsabilidade; auxilie
tanto os clientes quanto os colegas de trabalho; tenha iniciativa de sugerir melhorias e
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colocar ideias em ações; atenda os clientes com entusiasmo e vontade de ajudá-los;


quando tiver que passar o cliente de um setor para outro, sempre explique antes pra
pessoa do setor seguinte o problema do cliente.
A competência se reflete no conhecimento demonstrado e na habilidade em
transmitir confiança e credibilidade, o que possibilita a realização de vendas adicionais.
Devemos ser capaz de atender o cliente em qualquer solicitação ou, se precisar, saber
com quem obter ajuda. Em seu tempo livre leia catálogos, manuais, bulas, revistas da
área; use a linguagem do cliente; demonstre a ele que você tem domínio sobre o que
está falando, transmitindo-lhe segurança e confiança; seja pró-ativo oferecendo aos
clientes alternativas para a solução de seus problemas.
Os clientes esperam soluções rápidas. Por isso devemos ter disposição para
ajudar de imediato, aproveitando o impulso da compra. A competência operacional da
empresa e do atendente é determinada pela velocidade do atendimento. Demonstre ao
cliente que o tempo dele é valioso também para você; para resolver o problema, ouça o
que ele está dizendo com atenção, sem interrompê-lo com conclusões precipitadas;
envolva o cliente na solução do problema; diga ao cliente o motivo da demora se ele
tiver que aguardar; se a solução depender de outras pessoas, certifique-se que elas darão
retorno ao cliente assumindo a responsabilidade.
A integridade é baseada na honestidade, ética e sinceridade, o que deixa claro
para os clientes que eles podem contar com você, criando assim condições para fidelizá-
los. Você deixa claro para as pessoas que elas podem confiar em você. Não esconda
informações vitais para os clientes; só prometa o que poderá ser cumprido; não fale mal
de sua empresa ou colegas de trabalho, principalmente na frente de clientes; seja leal às
pessoas; dê explicações honestas e abertamente; se errar assuma, não fique arrumando
justificativas.
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NOÇÕES DE LEGISLAÇÃO FARMACÊUTICA

Existem algumas Leis que as farmácias e drogarias devem cumprir para estarem
regularizadas. Citarei aqui algumas delas para que você tenha conhecimento. Falaremos
também dos tipos de tarjas que tem nos medicamentos e os diferentes tipos de receita.

TARJAS E RÓTULOS
Os rótulos das embalagens dos medicamentos podem apresentar:
 Tarja vermelha simples - Medicamentos, produtos dietéticos e correlatos que só
podem ser vendidos sob prescrição médica devem apresentar no rótulo de sua
embalagem uma tarja vermelha em toda a sua extensão, do terço médio do rótulo e
com largura não inferior a um terço da largura total, contendo os dizeres: “VENDA
SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA”.

 Tarja vermelha controlada - Medicamentos sujeitos a controle especial, que só


podem ser comercializados sob prescrição médica, devem ter no rótulo de sua
embalagem uma tarja vermelha em toda a sua extensão contendo os dizeres:
“VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA COM RETENÇÃO DE RECEITA”.

 Tarja preta - Medicamentos que contenham substâncias entorpecentes, ou que


determinem dependência física ou psíquica; deve ter no rótulo de sua embalagem
uma tarja preta em toda a sua extensão com os dizeres: “VENDA SOB
PRESCRIÇÃO MÉDICA. O ABUSO DESTE MEDICAMENTO PODE CAUSAR
DEPENDÊNCIA”.

 Tarja amarela - A tarja amarela, destinada a medicamentos genéricos, deve


apresentar os seguintes dizeres: “MEDICAMENTO GENÉRICO DE ACORDO
COM A LEI 9787/99”, além de uma grande letra G para facilitar sua identificação.
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 Nenhuma tarja – Para medicamentos que não apresentam as restrições acima.


Medicamentos Manipulados:
O rótulo de medicamento manipulado deve apresentar:
1. Nome do paciente e do médico prescritor.
2. Número de registro, data de manipulação e validade.
3. Fórmula discriminada com os nomes dos fármacos ativos segundo a D.C.B. com
respectivas dosagens.
4. Quantidade da unidade posológica solicitada.
5. Posologia, a maneira de tomar o produto.
6. Nome, endereço, CGC e farmacêutico responsável pela farmácia.
7. Apresentação específica do produto como, solução, loção, cápsulas creme,
pomada, entre outros.
Há casos em que é necessário colocar informações complementares, como: “Agite
Antes de Usar” ou “Conserve em Geladeira”; “Mantenha ao abrigo da luz, calor e
umidade”; “Mantenha fora do alcance de crianças”; “não faça uso concomitante de
outro medicamento sem a orientação médica”; não desaparecendo os sintomas ou
ocorrendo reações colaterais, informe o seu médico”.

 A Portaria n.º 344 de 12 de maio de 1998 aprova o Regulamento Técnico


sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.
Os medicamentos e substâncias sujeitos a controle especial precisam de uma
notificação de receita ou receituário de controle especial para serem
dispensados. Esse documento padronizado notifica que o medicamento foi prescrito
e é por meio dele que se pode controlar o comércio dessas substâncias no país. A
notificação de receita será retida pela farmácia ou drogaria e tem validade de 30
dias, só podendo ser aviada dentro desse prazo, contado da data prescrita pelo
profissional habilitado.
A cada três meses devem ser realizados balanços relatando as entradas, saídas e
perdas de cada uma dessas substâncias. Além do relatório trimestral, deve-se
apresentar também o relatório anual. Falaremos mais dessa portaria no capítulo
referente à dispensação de controlados.
 A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 44, de 17 de agosto de 2009 é
uma das principais legislações farmacêuticas. Esta resolução estabelece os
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critérios e condições mínimas para o cumprimento das Boas Práticas


Farmacêuticas para o controle sanitário do funcionamento, da dispensação e da
comercialização de produtos e da prestação de serviços farmacêuticos em
farmácias e drogarias.
Para fins desta Resolução, entende-se por Boas Práticas Farmacêuticas o conjunto
de técnicas e medidas que visam assegurar a manutenção da qualidade e segurança
dos produtos disponibilizados e dos serviços prestados em farmácias e drogarias,
com o fim de contribuir para uso racional desses produtos e a melhoria da qualidade
de vida dos usuários.
Alguns dos critérios e condições mais importantes citarei aqui, a RDC na íntegra
pode ser encontrada na internet no site da ANVISA:
 O estabelecimento deve manter a Licença ou Alvará Sanitário e a Certidão
de Regularidade Técnica afixados em local visível ao público.
 As farmácias e as drogarias devem ter, obrigatoriamente, a assistência de
farmacêutico responsável técnico ou de seu substituto, durante todo o horário
de funcionamento do estabelecimento.
 Os materiais de limpeza e germicidas em estoque devem estar regularizados
junto à Anvisa e serem armazenados em área ou local especificamente
designado e identificado.
 O sanitário deve dispor de toalha de uso individual e descartável, sabonete
líquido, lixeira com pedal e tampa. O local deve permanecer em boas
condições de higiene e limpeza.
 O ambiente destinado aos serviços farmacêuticos dispor de toalha de uso
individual e descartável, sabonete líquido, gel bactericida e lixeira com pedal
e tampa.
 O conjunto de materiais para primeiros-socorros deve estar identificado e de
fácil acesso nesse ambiente.
 O procedimento de limpeza do espaço para a prestação de serviços
farmacêuticos deve ser registrado e realizado diariamente no início e ao
término do horário de funcionamento. Após a prestação de cada serviço deve
ser verificada a necessidade de realizar novo procedimento de limpeza.
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RECURSOS HUMANOS
 Os funcionários devem permanecer identificados e com uniformes limpos e
em boas condições de uso.
 O uniforme ou a identificação usada pelo farmacêutico deve distingui-lo dos
demais funcionários de modo a facilitar sua identificação pelos usuários da
farmácia ou drogaria.
 Para assegurar a proteção do funcionário, do usuário e do produto contra
contaminação ou danos à saúde, os funcionários envolvidos na prestação de
serviços farmacêuticos devem usar equipamentos de proteção individual
(EPIs).
 Os técnicos auxiliares devem realizar as atividades que não são privativas de
farmacêutico respeitando os Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) do
estabelecimento e o limite de atribuições e competências estabelecidas pela
legislação vigente, sob supervisão do farmacêutico responsável técnico ou
do farmacêutico substituto.
 Todos os funcionários devem ser capacitados quanto ao cumprimento da
legislação sanitária vigente e aplicável às farmácias e drogarias, bem como
dos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) do estabelecimento.
 Deve ser fornecido treinamento inicial e contínuo quanto ao uso e descarte
de EPIs, de acordo com o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços
de Saúde – PGRSS, conforme legislação específica.
 Nos treinamentos, os funcionários devem ser instruídos sobre procedimentos
a serem adotados em caso de acidente e episódios envolvendo riscos à saúde
dos funcionários ou dos usuários das farmácias e drogarias.

COMERCIALIZAÇÃO E DISPENSAÇÃO DE PRODUTOS


 Somente podem ser adquiridos produtos regularizados junto à Anvisa,
conforme legislação vigente.
 O nome, o número do lote e o fabricante dos produtos adquiridos devem
estar discriminados na nota fiscal de compra e serem conferidos no momento
do recebimento.
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 No momento do recebimento deverá ser verificado o bom estado de


conservação, a legibilidade do número de lote e prazo de validade a fim
de evitar a exposição dos usuários a produtos falsificados, corrompidos,
adulterados, alterados ou impróprios para o uso.
 Caso haja suspeita de que os produtos sujeitos às normas de vigilância
sanitária tenham sido falsificados, corrompidos, adulterados, alterados ou
impróprios para o uso, estes devem ser imediatamente separados dos demais
produtos, em ambiente seguro e diverso da área de dispensação, devendo
a sua identificação indicar claramente que não se destinam ao uso ou
comercialização.
 O ambiente destinado ao armazenamento deve ser mantido limpo,
protegido da ação direta da luz solar, umidade e calor, de modo a preservar a
identidade e integridade química, física e microbiológica, garantindo a
qualidade e segurança dos mesmos.
 Para aqueles produtos que exigem armazenamento em temperatura abaixo da
temperatura ambiente, deve a temperatura do local ser medida e registrada
diariamente.
 Os produtos devem ser armazenados em gavetas, prateleiras ou suporte
equivalente, afastados do piso, parede e teto, a fim de permitir sua fácil
limpeza e inspeção.
 O estabelecimento que realizar dispensação de medicamentos sujeitos a
controle especial deve dispor de sistema segregado (armário resistente ou
sala própria) com chave para o seu armazenamento, sob a guarda do
farmacêutico.
 A política da empresa em relação aos produtos com o prazo de validade
próximo ao vencimento deve estar clara a todos os funcionários e descrita no
Manual de Boas Práticas Farmacêuticas do estabelecimento.
 Os medicamentos deverão permanecer em área de circulação restrita aos
funcionários, não sendo permitida sua exposição direta ao alcance dos
usuários do estabelecimento, a não ser os medicamentos isentos de
prescrição relacionados pela ANVISA que poderão permanecer ao alcance
dos usuários para obtenção por meio de auto-serviço no estabelecimento.
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 Os medicamentos sujeitos à prescrição somente podem ser dispensados


mediante apresentação da respectiva receita.
 O prescritor deve ser contatado para esclarecer eventuais problemas ou
dúvidas detectadas no momento da avaliação da receita.
 Não podem ser dispensados medicamentos cujas receitas estiverem ilegíveis
ou que possam induzir a erro ou confusão.
 No momento da dispensação dos medicamentos deve ser feita a inspeção
visual para verificar, no mínimo, a identificação do medicamento, o prazo de
validade e a integridade da embalagem.
 O usuário deve ser alertado quando for dispensado produto com prazo de
validade próximo ao seu vencimento.
 É vedado dispensar medicamentos cuja posologia para o tratamento não
possa ser concluída no prazo de validade.
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NOÇÕES BÁSICAS DEANATOMIA HUMANA

Iniciaremos nesse tópico o estudo de anatomia e fisiologia humana. O objetivo é que


você adquira conhecimento e panorama geral sobre os sistemas que o organismo
humano possui, bem como os respectivos funcionamentos desses sistemas.

ESTUDOS DE SISTEMAS

SISTEMA NERVOSO
Função: controlar e coordenar as funções de todos os sistemas e órgãos do corpo
humano. É constituído por Encéfalo, medula espinhal e nervos. Sua unidade
funcional celular são os neurônios e as células da glia.

SISTEMA ENDÓCRINO
Função: regula as atividades do corpo produzindo e liberando, através de
glândulas, substâncias mediadoras dessas atividades: os hormônios. Dentre as
glândulas que constituem esse sistema existem a hipófise, tireoide, paratireoide,
pâncreas, adrenais e as gônadas (testículos e ovários dependendo do sexo).

SISTEMA CARDIOVASCULAR
Funções:
- Distribuir nutrientes e oxigênio para as células do corpo.
- Transportar CO2, vindo das células, que será eliminado através dos pulmões.
- Coletar excreções metabólicas e celulares.
- Entregar excreções nos órgãos excretores, como os rins.
- Transportar hormônios.
- Desempenhar um papel importante no sistema imunológico na defesa contra
infecções.
O coração, sangue e vasos sanguíneas são os componentes do sistema
cardiovascular.
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SISTEMA RESPIRATÓRIO
Função: propicia a troca de gases através da captação de oxigênio (O2) e
eliminação de dióxido de carbono (CO2). Nesse sistema observamos a presença
de cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios, pulmões, bronquíolos e
alvéolos. A troca gasosa é feita a nível de alvéolos.

SISTEMA DIGESTÓRIO
Função: metabolizar alimentos ingeridos, absorção de nutrientes provenientes da
digestão alimentar e eliminação de resíduos provenientes do metabolismo.
Aqui estão presentes a cavidade bucal, língua, dentes, faringe, esôfago,
estômago, intestino delgado, intestino grosso, fígado e pâncreas.

SISTEMA URINÁRIO
Função: formação e eliminação da urina.
As estruturas que formam o sistema urinário são os rins, ureteres, bexiga e
uretra.

SISTEMA IMUNOLÓGICO e LINFÁTICO


Função:
- remoção dos fluidos em excesso dos tecidos corporais;
- absorção dos ácidos graxos e transporte subsequente da gordura para o sistema
circulatório;
- produção de células imunes (como linfócitos, monócitos e células produtoras
de anticorpos conhecidas como plasmócitos).

SISTEMA REPRODUTOR
Função: produção de hormônios e células gaméticas.
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SISTEMA MUSCULAR
Função: principal função é propiciar movimentos ao corpo e também funções
secundárias como motilidade e funcionamento de órgãos.
Existem 3 tipos de músculos quanto ao tipo da fibra muscular: músculo estriado
esquelético (que formam os músculos esqueléticos), músculo estriado cardíaco
(presente no coração) e músculo liso (presente em vísceras e vasos sanguíneos).

SISTEMA ESQUELÉTICO
Função: esse sistema dá suporte a tecidos adjacentes, tecidos moles e protege
órgãos vitais. Auxilia também no movimento ao fornecer inserção dos músculos
esqueléticos. Promove a produção de células sanguíneas e fornece área de
armazenamento para sais minerais. Ao todo um indivíduo adulto possui 206
ossos em média.

FARMACOLOGIA BÁSICA

Por definição, farmacologia é a ciência que estuda as interações e


transformações que certas substâncias químicas realizam no organismo. Essas
substâncias químicas são chamadas de fármacos ou drogas e a administração delas no
corpo busca a obtenção de um efeito terapêutico. A história dessa ciência inicia-se desde
a antiguidade quando o homem primitivo dispunha do uso de plantas medicinais como
tecnologia terapêutica. Já na era moderna tivemos o avanço dessa área com
pesquisadores e cientistas renomados.
Especificamente, em torno de 1880, um químico alemão chamado Félix
Hoffmann é tido como o cientista que isolou um composto a partir da casca do salgueiro
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(Salix Alba). Esse composto era a salicilina. Submetendo a salicilina a reações químicas
ele conseguiu produzir o tão conhecido ácido acetilsalicílico. Veja que a farmacologia
se desenvolveu a partir dos estudos com produtos naturais, de origem vegetal, animal e
até mineral. Por exemplo, o carbonato de cálcio utilizado para tratamento de
osteoporose é um sal obtido de ostras. O bicarbonato de sódio, presente em alguns
medicamentos usados para tratar azia e má digestão, é um sal de origem mineral.

O estudo da farmacologia é divido em duas partes: farmacocinética e


farmacodinâmica. Antes de estudar essas etapas, vale a pena entendermos o a
definição de alguns termos em farmacologia.

TERMINOLOGIA FARMACOLÓGICA

Fármaco: (do grego – pharmakón) substância química conhecida e de estrutura


química estabelecida capaz de desencadear um efeito farmacológico.

Droga: qualquer substância química que altere os processo fisiológicos ou


bioquímicos e estados patológicos do organismo.

Medicamento: produto tecnicamente elaborado ou obtido, com finalidade


curativa, paliativa, preventiva (profilática) e diagnóstica. Ele é constituído por
princípio ativo e excipientes/veículos.

Princípio ativo: é a substância quimicamente ativa, presente na composição do


medicamento, que terá como finalidade a ação esperado do medicamento.

Excipientes ou veículos: são substâncias presentes no medicamento que


completam sua massa ou volume. Os excipientes são substâncias sólidas e os
veículos são substâncias líquidas. Na formulação medicamentosa podem atuar
como aglutinante, desintegrante, conservante, aromatizantes, flavorizantes, etc.
21

FARMACOCINÉTICA

O estudo da farmacocinética leva em conta o trajeto que o fármaco realiza no


organismo humano. Aqui o objetivo é entender como o fármaco transporta-se pelo
corpo desde sua entrada até sua eliminação.
A farmacocinética está estruturada em 4 etapas:

- ABSORÇÃO: trajeto que o fármaco realiza após ter sido colocado em contato
com o organismo. O destino final da absorção é a corrente sanguínea, após ter
atravessado as membranas biológicas.

- DISTRIBUIÇÃO: caminho que o fármaco faz, estando na corrente sanguínea, em


direção às células, tecidos e órgãos-alvo.

- METABOLISMO ou BIOTRANSFORMAÇÃO: conjunto de reações químicas


efetuadas no fígado por meio de um sistema enzimático (CYP 450). Em termos gerais o
metabolismo age de maneira a transformar a presente molécula e/ou estrutura química
do fármaco em outra estrutura química.

- ELIMINAÇÃO: processo de retirada do fármaco do organismo, após ter sido


metabolizado. A eliminação é realizada por meio da urina, fezes, suor, lágrimas, saliva
e leite.

FARMACODINÂMICA

A farmacodinâmica é a outra parte da farmacologia. Nela estudamos como um


fármaco realiza seu efeito. Nessa etapa estudaremos mecanismo de ação, receptores
biológicos e efeitos que os fármacos realizam no corpo.
22

ESTUDO DAS CLASSES DE MEDICAMENTOS

Após aprendizado básico, porém fundamental sobre farmacologia humana,


estudaremos algumas classes de medicamentos. Essa parte contempla os diferentes tipos
de medicamentos existentes e seus principais usos. A justificativa desse estudo é
habilitar você, futuro ou estabelecido profissional da área farmacêutica, a entender e
saber diferenciar os principais medicamentos, e assim prestar uma orientação de
excelência ao usuário de medicamentos.
Vamos dividir esse tópico de acordo com o sistema que se aplica cada classe. Ou
seja, veremos os medicamentos que atuam sobre o sistema cardiovascular, digestório,
respiratório e sistema nervoso. Depois veremos por efeito principal como: os
antialérgicos, anti-inflamatórios, antimicrobianos (conhecidos como antibióticos),
antifúngicos, antivirais e antiparasitários (anti-helmíntico e anti-protozoário).

Medicamentos usados sobre o sistema cardiovascular


Entre os medicamentos a serem listados, suas ações serão sobre o coração, vasos
sanguíneos e sangue. Lembre-se que muito desses medicamentos de uso
cardiovascular são usados em doenças crônicas, e assim o paciente terá que
utilizá-los por toda a vida. Portanto a adesão desse paciente ao medicamento
associado a eficácia e segurança do tratamento alcançam o sucesso do
tratamento.

- Glicosídeos digitálicos: são chamados de cardiotônicos, pois sua ação é sobre o


músculo cardíaco. Esses medicamentos aumentam a contratilidade do coração.
Exemplos:
* Deslanosídeo
* Digoxina
*Metildigoxina
23

- Medicamentos inotrópicos: possuem a mesma ação dos digitálicos. Contudo o


médico prescreve esses medicamentos ao paciente que não tiveram resposta com
o uso de digitálicos.
* Dobutamina
* Dopamina
* Ibopamina
* Milrinona

- Antiarrítmicos: utilizados nos quadro de arritmias. Atua controlando a


frequência do estímulo cardíaco.
* Quinidina
* Propranolol
* Amiodarona
* Procainamida

- Antihipertensivos: atuam sobre o coração ou vasos sanguíneos com o objetivo


de normalizar a pressão arterial. Dentre os tipos de antihipertensivos existe
classes: diuréticos, simpatolíticos, vasodilatadores, bloqueadores dos canais de
cálcio, inibidores de enzima conversora de angiotensina, antagonistas do
receptor de angiotensina 2.

Diuréticos: agem principalmente sobre a função renal providenciando o


aumento da diurese.
* Hidroclorotiazida
* Clortalidona
* Furosemida
* Amilorida
* Espironolactona
24

Simpatolíticos: esse nome é dado para essa classe devido ao tipo de ação que
eles realizam. Simpatolítico significa alguma substância capaz de atuar sobre o
sistema nervoso autônomo.
* Metildopa
* Clonidina
* Propranolol
* Metoprolol
* Prazosina
* Carvedilol

Vasodilatadores: atuam sobre os vasos sanguíneos diminuindo a constrição


vascular.
* Hidralazina
* Nitroprussiato

Bloqueadores dos canais de cálcio:


* Verapamil
* Diltiazem
* Nifedipina
* Anlodipina

Inibidores de enzima conversora de angiotensina (IECA):


* Captopril
* Enalapril
* Lisinopril
* Ramipril

Antagonistas do receptor de angiotensina 2 (ARA 2):


* Losartana
* Candesartana
* Irbesartana
* Valsartana
25

- Vasodilatadores coronarianos: atuam sobre as coronárias (vasos sanguíneos


que irrigam o coração). Esses medicamentos são usados na prevenção de crises
anginosas ou infartos.
* Isossorbida
* Propatilnitrato
* Pindolol

- Anticoagulantes: atuam sobre o processo de coagulação do sangue, sendo


usados como prevenção de tromboses.
* Heparina
* Varfarina
* Ácido Acetilsalicílico

 Medicamentos usados sobre o sistema digestório

- Antiácidos: neutralizam o ácido clorídrico produzido no estômago.


* Hidróxido de alumínio
* Hidróxido de magnésio
* Bicarbonato de sódio
Esses princípios ativos podem estar associados entre si. Em algumas fórmulas é
possível encontramos um antifisético associado (dimeticona ou simeticona).

- Antiulcerosos: muito utilizados em tratamento de gastrites e úlceras gástrica ou


duodenais.

Antagonistas dos receptores H2


* Cimetidina
* Ranitidina
* Famotidina
26

Inibidores da bomba de prótons


* Omeprazol
* Lansoprazol
* Pantoprazol

- Antieméticos: usados para inibir o reflexo do vômito e para tratamento de


refluxo gastroesofágico.
* Bromoprida
* Metoclopramida
* Domperidona

- Antifiséticos: modificam a tensão superficial de bolhas de ar contidas no trato


gastrintestinal. Exemplos: Dimeticona / Simeticona

- Antiespasmódicos ou espasmolíticos: reduzem o tônus e a motilidade visceral,


melhorando o quadro de cólicas.
* Atropina
* Escopolamina
* Homatropina

- Laxantes:
* Bisacodil
* Docusato de sódio
* Cáscara Sagrada fitoterápico
* Sene fitoterápico
27

- Antidiarréicos:
* Loperamida
* Racecadotrila

Medicamentos usados sobre o sistema respiratório


- Descongestionantes nasais: produz vasoconstrição na mucosa nasal
* nafazolina
* cloreto de sódio
* oximetazolina

- Antitussígenos: inibem ou suprimem o reflexo de tosse.


* Clobutinol
* Dextrometorfano
* Dropropizina
* Levodropropizina

- Expectorante e mucolíticos: favorecem a eliminação de secreção e muco;


fluidifica o muco possibilitando melhor eliminação.
* Iodeto de potássio
* Guafenesina
* Acetilcisteína
* Carbocisteína
* Bromexina
* Ambroxol

- Broncodilatadores: agem sobre a musculatura lisa dos bronquíolos.


* Efedrina
* Epinefrina
* Aminofilina
* Bamifilina
* Teofilina
* Terbutalina
28

* Brometo de ipratróprio
* Salbutamol
* Fenoterol

Medicamentos usados sobre o sistema nervoso


- Anestésicos: agem inibindo o impulso nervoso.
* Tiopental
* Propofol
* Cetamina
* Lidocaína

- Sedativos: depressão do sistema nervoso central causando sonolência, sono,


inconsciência, coma.
* Diazepam
* Clonazepam
* Midazolam
* Bromazepam
* Cloxazolam
* Nitrazepam
* Alprazolam

- Antidepressivos:
* Amitriptilina
* Clomipramina
* Imipramina
* Nortriptilina
* Fluoxetina
* Sertralina
29

- Antiepléticos:
* Carbamazepina
* Fenitoína
* Valproato / Ácido valpróico
* Fenobarbital

- Antiparkinsonianos
* Amantadina
* Biperideno
* Levodopa

Anti-inflamatórios
- Analgésicos: Paracetamol, Dipirona sódica, Ácido Acetilsalicílico.

- Não esteroides:
* Diclofenaco sódico
* Diclofenaco potássico
* Etodolaco
* Cetorolaco
* Nimesulida
* Ibuprofeno
* Naproxeno
* Cetoprofeno
* Piroxicam
* Meloxicam
* Tenoxicam
30

- Esteroidais (Glicocorticóides ou Corticosteróides)


* Dexametasona
* Betametasona
* Prednisolona
* Fluticasona
* Budesonida
* Mometasona

Antihistamínicos ou Antialérgicos
* Dexclorfeniramina
* Clemastina
* Cetirizina
* Loratadina
* Desloratadina

Antimicrobianos ou antibacterianos (“antibióticos”)

- Penicilinas
* Amoxicilina
* Ampicilina
* Benzilpenicilina benzatina
* Fenoximetilpenicilina

- Cefalosporina
1ª geração: Cefadroxila, Cefalotina
2ª geração: Cefaclor e Cefuroxima
 3ª geração: Cefotaxima, Ceftriaxona
 4ª geração: Cefepima
31

- Aminoglicosídeos: Amicacina, Gentamicina, Neomicina

- Anfenicóis: Cloranfenicol

- Lincosamidas: Clindamicina, Lincomicina

- Macrolídeos: eritromicina, azitromicina, roxitromicina

- Tetraciclinas: oxitetraciclina, doxiciclina

- Rifampicinas: rifamicina

- Sulfas: Sulfametoxazol, sulfadiazina

- Quinolonas: ciprofloxacino, Norfloxacino

Antifúngicos
Amplamente utilizados para tratamento de micoses dermatológicos, superficiais
e sistêmicas, como pitiríase versicolor (pano branco), candidíase oral,
dermatofitose (freiras), tinea corporis (impinge) entre outras:
* Cetoconazol,
* Miconazol,
* Clotrimazol,
* Terbinafina,
* Fluconazol,
* Itraconazol,
* Ciclopirox Olamina,
* Tioconazol,
* Nistatina.
32

Antivirais
São medicamentos utilizados na profilaxia (prevenção) ou tratamento de doenças
causados por vírus.
* Aciclovir,
* Estavudina,
* Lamivudina,
* Penciclovir,
* Zidovudina,
* Saquinavir,
* Ganciclovir.

Antiparasitários
- Antiprotozoários;
* Benznidazol, Metronidazol, Furazolidona, Cloroquina, Pirimetamina,
Tinidazol, Secnidazol

- Anti-helmínticos
* Mebendazol, Albendazol, Praziquantel, Tiabendazol, Levamisol, Pamoato de
pirvíneo.

Quero lembrá-lo, caro leitor e estudante, de que listamos apenas algumas classes
medicamentosas, pois existem mais de 1000 princípios ativos disponibilizados
comercialmente no Brasil. O motivo principal é familiarizá-lo com certos tipos de
nomes. Vale a pena você fazer um exercício muito importante que é associar o nome da
substância ativa à sua respectiva especialidade farmacêutica. Para isso é necessário você
dispor de um guia de remédios ou dicionário de especialidades farmacêuticas.
33

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DE FARMÁCIA E


DROGARIA

A farmácia deve estar localizada em local apropriado, ser bem ventilada e


iluminada, sem umidade. Deve ter um bom espaço para a circulação das pessoas e estar
sempre limpa e em bom estado de conservação (pisos e paredes com bom aspecto). A
limpeza previne o aparecimento de insetos, ratos e outros animais, além de ficar mais
acolhedora para o cliente. As pessoas querem se sentir bem e confortáveis nos
ambientes.
O aspecto geral da farmácia no que diz respeito à sua organização e arrumação
(disposição de mobiliário e produtos, melhor aproveitamento dos espaços) recebe o
nome de Layout.

LAYOUT
O cuidado com o Layout de uma empresa visa principalmente promover o
conforto aos clientes e agilidade nas compras, podendo ser usado como estratégia
eficiente para alavancar vendas.
As gôndolas não podem ser uma "barreira" aos clientes, impedindo sua passagem e
desestimulando as compras. A passagem entre elas deve ser fluida e organizada.
Para estabelecer o padrão de layout ideal é preciso conhecer o fluxo dos clientes
(forma como eles se movimentam pelas gôndolas e os locais mais visitados por eles).
Os itens mais procurados e cobiçados deverão estar mais distantes da entrada, fazendo
com que o cliente percorra toda a loja visualizando outros produtos que possam lhe
interessar. O mesmo vale para a balança de pesagem, que deve ser posicionada
centralmente na loja.
Observe o fluxo dos corredores e inicie a exposição com itens mais lucrativos,
deixando para o final os que são geradores de fluxo para a seção. Os lançamentos
devem ficar em local de destaque – isto indica ao consumidor que a loja se preocupa em
atendê-lo, é dinâmica e atualizada.
34

O produto deve estar disposto de forma adequada e atrativa, que respeite a


hierarquia de valores do mesmo, aliado a uma boa iluminação e organização. É
comprovado que produtos bem iluminados vendem mais.
Deve-se ter cuidado com a poluição visual, portanto o excesso de displays de
fornecedores deve ser evitado, assim como excesso de produtos numa mesma prateleira
e adesivos, caixas...
Produtos literalmente na porta tendem a não ter uma boa venda, pois em geral
não são percebidos pelos clientes. É necessário disponibilizar um espaço para que o
cliente entre e perceba o ambiente, esse espaço é chamado de Zona de Descompressão.
O preço do produto deve ser encontrado com facilidade. Isso pode ser
determinante para venda não se concretizar. É muito chato ter que perguntar para
um vendedor o preço de tudo!
Nunca deixe faltar produtos nas prateleiras. Isso fará você perder vendas. Verificação
constante!

 O ideal é dispor os produtos verticalmente e arranjados de forma sequencial:


• Colocar os produtos iguais, um acima do outro;
• Produtos para mesma finalidade, de marcas diferentes, em sequencia.
Obs.: Assim, agrupam-se categorias relacionadas, aquelas que se complementam
ou se substituem, para oferecer uma solução ao cliente.

 Produtos de tamanhos ou embalagens diferentes:


• quanto menor, mais acima deve ficar.
• quanto maior as vendas, mais frentes o produto deve ter na gôndola.
• produtos sazonais devem ter mais frentes (valorizar a exposição).
• “Faixa de ouro”: a faixa na altura dos olhos onde o cliente faz pouco esforço
para ver e pegar o produto - tende a vender mais.
• Os produtos de maior valor agregado e maior margem deverão ser posicionados
na altura dos olhos e nas prateleiras superiores, para aumentar a chance de
compra. Por sua vez, os produtos de maior giro e menor margem deverão ficar
nas prateleiras inferiores, conforme é mostrado na figura abaixo:
35

 Excelentes pontos de vendas:


• pontas de gôndolas ou cabeceiras de gôndola;
• ilhas promocionais.

Obs.: Os produtos expostos nestas áreas são melhores visualizados e geralmente


incentivam a compra por impulso, mesmo que não estejam com grandes
descontos.

CAIXA

• O check-out (caixa) deve ser posicionado na frente da loja e expor alguns


produtos de baixo valor.
• Explorar a área dos caixas com: balas especiais à base de mel ou hortelã, gomas
de mascar branqueadoras, preservativos, lâminas de barbear, pastilhas para
garganta, manteiga de cacau.
O momento de ócio do cliente precisa ser bem trabalhado para minimizar a
sensação de espera e gerar vendas.

LIMPEZA

• A limpeza, além de demonstrar aspecto de organização, é uma norma de


segurança, que deve ser rigorosamente seguida;
• Produtos sujos e parecendo velhos geralmente são deixados de lado pelos
clientes até seu prazo de validade vencer;
• Estes produtos acabam obrigando o lojista a fazer promoções para minimizar o
prejuízo.
• Controle dos prazos de validade: credibilidade e confiança do cliente.
36

DISPOSIÇÃO DOS MEDICAMENTOS E OTUROS PRODUTOS


FARMACÊUTICOS

Os medicamentos devem ser dispostos em estantes e armazenados sobre


estrados, evitando que umedeçam e fiquem diretamente em contato com o piso o que
pode facilitar alguma contaminação.
Os medicamentos injetáveis devem ser separados dos de administração por via
oral e dos de uso tópico. A seguir, classificá-los por ordem alfabética da esquerda para a
direita.
Dispor os medicamentos de acordo com a validade, isto é, os que vencem
primeiro devem ser dispostos na frente, para que sejam dispensados em primeiro lugar.
Ao recebimento de nova remessa de medicamentos sempre verificar a validade dos
mesmos com relação aos que estão nas prateleiras.
A geladeira para armazenar medicamentos termolábeis deve ser utilizada
exclusivamente com essa finalidade, nunca para guardar alimentos e bebidas. Deve-se
mantê-la limpa e arrumada; controlar e anotar a temperatura (com termômetro de
máxima e mínima) pelo menos duas vezes ao dia. Abrir a geladeira o mínimo possível;
ATENÇÃO: Quando armazenar insulina na geladeira não a deixar na prateleira próxima
ao congelador, pois poderá congelar, perdendo a atividade. A insulina pode ser
armazenada fora da geladeira.

RECEBIMENTO DE MEDICAMENTOS

Conferir com o pedido original, a descrição da nota fiscal e os volumes


efetivamente entregues. Preferencialmente, abrir os volumes na área de recebimento,
ainda na presença do fornecedor ou transportadora.
Realizam-se nessa etapa duas atividades fundamentais de conferência do
medicamento solicitado com o recebido, que envolve a checagem de especificações
administrativas:
 Documentação fiscal - os medicamentos só deverão ser recebidos
acompanhados de documentação fiscal (nota fiscal);
37

 Quantidade - a quantidade recebida deve estar em conformidade com a


quantidade solicitada.

Especificações técnicas:
• Especificações dos produtos - os medicamentos devem ser entregues em
conformidade com a solicitação: forma farmacêutica, concentração,
apresentação e condições de conservação e inviolabilidade.
• Registro sanitário do produto - os medicamentos recebidos devem apresentar
nas embalagens o número do registro no MS. Os medicamentos só podem ser
comercializados se estiverem registrados no Ministério da Saúde.
• Embalagem - os medicamentos deverão estar nas embalagens originais,
devidamente identificadas e sem apresentar sinais de violação, aderência ao
produto, umidade e inadequação em relação ao conteúdo.
• Número do lote - combinação distinta de números e/ou letras que identifica
determinado lote em seu rótulo, registros e certificados de análises. O número do
lote do medicamento recebido deverá ser o mesmo constante na Nota Fiscal.
• Validade - data limite de vida útil do medicamento expressa na embalagem e
produto. Deve ser compatível com o período médio de estocagem do produto.
Os medicamentos termolábeis, isto é, os que podem sofrer alterações por ação de
temperatura, devem ter prioridade na conferência e no armazenamento. Toda nota que
contenha medicamento controlado deve ser tirada uma cópia e armazenada. Todas as
notas do mês devem ser encaminhadas para o contador ou setor financeiro da empresa.
A não conformidade (discordância) entre o discriminado no documento enviado em
relação aos produtos entregues/recebidos deve ser registrada em formulário próprio,
anexado ao documento original e encaminhando para providências.
Anotações e observações devem ser feitas à parte do documento original, que não
pode ser rasurado. Em caso de avaria, os representantes ou fornecedores devem ser
contatados imediatamente, ou num prazo não superior a 48h. A contagem física dos
medicamentos deverá ser efetuada, no mínimo, mensalmente, e qualquer diferença entre
o saldo em estoque e o saldo na ficha de controle deverá ser imediatamente pesquisada e
esclarecida.
38

FARMACOTÉCNICA

FORMA FARMACÊUTICA
Forma farmacêutica é a forma física de apresentação do medicamento que contém uma
dose determinada e permite sua administração ao paciente.
Existem diferentes formas de apresentação dos medicamentos, como veremos a seguir:

 SÓLIDOS
 Pós: São formas farmacêuticas provenientes de drogas vegetais ou animais,
assim como substâncias químicas submetidas a um grau de divisão suficiente
para lhes assegurar homogeneidade e lhes facilitar a extração ou administração
dos princípios ativos.
A pulverização pode ser manual ou com o emprego de equipamentos
apropriados. Existem pós simples, constituídos por um tipo de substância, e os
pós compostos, resultantes da mistura de dois ou mais pós simples, todos com a
mesma tenuidade, a fim de obter uma mistura homogênea.

 Grânulos - São como os pós, porém aglutinados.

 Cápsulas - As cápsulas são receptáculos obtidos por moldagem, em geral


utilizados para ingestão de fármacos em doses pré-estabelecidas. O envólucro da
cápsula oferece relativa proteção dos agentes externos, facilita a administração
e,devido à sua alta solubilidade e digestibilidade no organismo, libera
rapidamente o fármaco de seu interior.
Há dois tipos de cápsulas:
a) amiláceas: constituídas de amido de trigo e/ou farinha de trigo – foram as primeiras
cápsulas introduzidas na terapêutica e estão em desuso atualmente;
b) gelatinosas: constituídas de gelatina. Estas podem, ainda, ser de consistência dura ou
gelatinosa – que, ao contrário das cápsulas duras, pode acondicionar soluções oleosas,
suspensões e emulsões.
39

 Comprimidos - São os pós prensados por uma máquina apropriada.

 Drágeas - São comprimidos com revestimento especial.

 LÍQUIDOS

 Soluções - São misturas de duas ou mais substâncias homogêneas. As soluções


farmacêuticas são sempre líquidas e obtidas a partir da dissolução de um sólido
ou líquido em outro líquido.

 Xaropes - São formas farmacêuticas aquosas, contendo cerca de dois terços de


seu peso em sacarose ou outros açúcares.

 Suspensões - Suspensões são formas farmacêuticas de sistema heterogêneo, cuja


fase externa ou dispersante é líquida e a fase interna ou dispersa é constituída de
substâncias sólidas insolúveis no meio utilizado. As suspensões devem ser
agitadas antes do uso.

 Emulsões - emulsão é resultado da mistura de substâncias oleosas e aquosas


com a ajuda de tensoativos (ex: cremes e loções). São sistemas dispersos
constituídos de duas fases líquidas imiscíveis (oleosa e aquosa), cuja fase
dispersa ou interna é finamente dividida e distribuída em outra fase contínua ou
externa. Temos emulsões do tipo óleo em água (O/A: fase externa aquosa) e
água em óleo (A/O: fase externa oleosa).
As emulsões podem ser pastosas ou líquidas, como as loções, destinadas ao uso
externo ou interno, devendo ser sempre agitadas antes do uso.
40

 SEMI-SÓLIDOS

 GÉIS - São preparações farmacêuticas constituídas por uma dispersão


bicoerente de fase sólida (polímero) em fase líquida. Géis hidrofílicos são
preparações obtidas pela incorporação de agentes gelificantes à água, glicerol ou
propilenoglicol. Dependendo do tipo e concentração do gelificante, temos géis
para diversos usos como: lubrificantes de catéter e instrumentos cirúrgicos, em
oftalmologia, como base dermatológica, etc.
 PASTAS - Pastas são pomadas contendo grande quantidade de sólidos em
dispersão. Em geral contêm mais de 20% de pós finamente pulverizados na
formulação. Apresentam consistência macia e firme, são pouco gordurosas e têm
grande poder de absorção de água ou de exsudados.
41

FORMAS FARMACÊUTICAS E VIAS DE ADMINISTRAÇÃO

As formas farmacêuticas foram desenvolvidas para facilitar a administração de


medicamentos a pacientes de faixas etárias diferentes ou em condições especiais, e para
permitir seu melhor aproveitamento. Para uma criança, por exemplo, é melhor engolir
gotas em um pouco de água do que um comprimido.
Além disso, a forma farmacêutica se relaciona à via de administração que vai ser
utilizada, isto é, a porta de entrada do medicamento no corpo da pessoa, que pode ser,
por via oral, retal, intravenosa, tópica, vaginal, nasal, entre outras.
Cada via de administração é indicada para uma situação específica, e apresenta
vantagens e desvantagens. Sabemos, por exemplo, que uma injeção é sempre incômoda
e muitas vezes dolorosa. No entanto, seu efeito é mais rápido. No quadro abaixo estão
relacionadas as vias de administração e as principais formas farmacêuticas existentes:

Via de Administração Via Farmacêuticas


Comprimido, cápsula, pastilhas, drágeas,
Via oral pós para reconstituição, gotas, xarope,
solução oral, suspensão
Via sublingual Comprimidos sublinguais
Via parenteral (injetável) Soluções e suspensões injetáveis
Via cutânea (pele) Soluções tópicas, pomadas, cremes, loção,
gel, adesivos
Via nasal Spray e gotas nasais
Via oftálmica (olhos) Colírios, pomadas oftálmicas
Via auricular (ouvidos) Gotas auriculares ou otológicas, pomadas
auriculares
Via pulmonar Aerosol (bombinha)
Via vagina Comprimidos vaginais, cremes, pomadas,
óvulos
Via retal Supositórios, enemas
42

FÓRMULA FARMACÊUTICA

É a relação de todos os componentes de um determinado medicamento. Uma fórmula,


em geral, deve constituir-se de princípio ativo e veículo ou excipiente. O princípio ativo
é o agente medicamentoso mais importante de uma fórmula, é o responsável pelo efeito
farmacológico.

Um exemplo de fórmula farmacêutica


Pasta D´água
Óxido de zinco ......................... 25,0 g
Talco ...................................... 25,0 g
Glicerina ................................. 25,0 g
Água destilada ......................... 25,0 ml
Conservante .............................. 0,1 g

COMO ADMINISTRAR MEDICAMENTOS

Como vimos, os medicamentos podem ser administrados através de diferentes


vias de administração. Muitos medicamentos são fabricados com diferentes doses,
tamanhos, e formas: por exemplo, a forma de apresentação do paracetamol pode ser em
supositórios de 2 tamanhos (e doses), em comprimidos de 500 mg, de 750mg e em
solução oral 200mg/ml. É preciso ter o cuidado de verificar sempre a forma de
apresentação do medicamento e dar só a quantidade (dose) que é recomendada.

Como medir medicamentos na forma líquida


Utilizar sempre instrumentos padrões para medida como seringas ou copo-medida. Uma
vez que são desenvolvidas e disponíveis junto do medicamento adquirido, tem a
importância de realizar uma aferição de volume correta.
43

Como administrar medicamentos a crianças pequenas

Cuidado: É necessário garantir que a criança esteja com a cabeça reta ou levemente
inclinada para frente ao administrar algum medicamento, para evitar que ela engasgue.
Nunca administrar os medicamentos quando a criança está deitada de costas, nem com a
cabeça inclinada para trás. Quando a criança está a dormir, tendo um ataque ou
inconsciente não se deve administrar medicamento por via oral, isso vale para todas as
idades.
Geralmente, nas crianças, a quantidade de medicamento a administrar (dose) é
recomendada em dose/kg de peso da criança. Quando não se sabe o peso, a quantidade a
administrar (dose) pode ser estimada pela idade da criança. Só se deve utilizar a idade
da criança quando não se conhece o seu peso. Nas crianças é sempre mais seguro pesar
para calcular a dose.
44

DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS CONTROLADOS


A portaria nº344 regulamenta também a venda dos medicamentos/substâncias
controladas. Para serem dispensadas, a receita deve vir acompanhada de uma
notificação de receita que são elas:
 Notificação de Receita "A" (COR AMARELA)
Listas A1 e A2– Substâncias Entorpecentes;
Lista A3 – Substâncias Psicotrópicas.

 Notificação de Receita "B" (COR AZUL)


Lista B1– Substâncias Psicotrópicas;
Lista B2 – Substâncias Psicotrópicas e Anorexígenas.

 Notificação de Receita Especial (COR BRANCA)


Lista C2 – Substâncias Retinóicas.
45

 Receita de Controle Especial em duas vias (COR BRANCA)


Lista C1 – Outras substâncias sujeitas a controle especial;
Lista C5 – Substâncias Anabolizantes.

As Notificações de Receita deverão conter todos os itens devidamente impressos e


apresentando as seguintes características:
 Sigla da Unidade da Federação (GO), impresso pela gráfica.
 Identificação numérica, fornecida pela Autoridade Sanitária competente.
46

 Identificação do emitente: nome do profissional e número de inscrição no


Conselho Regional; ou nome da instituição, endereço completo e telefone.
 Identificação do paciente: nome e endereço completos. No caso de uso
veterinário, nome e endereço completo do proprietário e identificação do animal.
 Medicamento ou substância: prescrito sob a forma de Denominação Comum
Brasileira (DCB).
 Quantidade e forma farmacêutica: quantidade necessária constando a
dosagem ou concentração por unidade posológica e forma farmacêutica.
 Posologia: quantidade que o paciente irá utilizar por dia ou hora.
 Data de emissão.
 Assinatura do emitente: Quando os dados do profissional estiverem
devidamente impressos no campo do emitente, este poderá apenas assinar a
Notificação de Receita. No caso do campo do emitente apresentar os dados de
uma Instituição, o profissional deverá identificar a assinatura mediante carimbo
próprio, contendo o número de inscrição no CRM, ou manualmente de forma
legível.

 Os campos exclusivos do fornecedor (Drogaria) que devem ser preenchidos


são:
 Identificação do comprador: nome completo, número do documento de
identificação, endereço completo e telefone do mesmo.
 Identificação completa do fornecedor: nome e endereço completo, nome do
responsável pela dispensação e data do atendimento.
 Identificação do registro: anotação da quantidade aviada e lote do(s)
medicamentos(s) no verso.

- A quantidade máxima por receita, por período de tratamento, abrangência, assim


como o nome das substâncias que integram cada lista, encontram-se no quadro
abaixo para consulta.
- Acima das quantidades prescritas pela Portaria SVS/MS nº 344/98, o prescritor
deve preencher uma justificativa, datar, assinar e entregar, juntamente com a
Notificação de Receita, ao paciente para a aquisição do medicamento em farmácia
ou drogaria.
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A cada três meses devem ser realizados balanços relatando as entradas, saídas e
perdas de cada uma dessas substâncias. Além do relatório trimestral, deve-se
apresentar também o relatório anual. Assim é de extrema importância que as
notificações sejam armazenadas e com todos os dados preenchidos, pois possíveis
divergências dos movimentos com os relatórios podem prejudicar o responsável
técnico e até a farmácia/drogaria.
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BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

DESTRUTI, A.B.C.B. Interações medicamentosas. McGraw Hill: Rio de Janeiro, 1995.


4ª ed. 57p.

DESTRUTI, A.B.C.B; ARONE, E.M.; PHILIPPI, M.L.S. Introdução a farmacologia.


Senac: São Paulo, 200. 9ªed. 112p.

HARDMAN, J.G.; LIMBIRD, L.E. Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da


Terapêutica. McGraw Hill: Rio de Janeiro, 2005. 10ª ed. 1615p.

KATZUNG, B.G. Farmacologia Básica e Clínica. Guanabara-Koogan, 10ª ed. 2007.

MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Auxiliar de farmácia. Apostila de


qualificação profissional. Catalisa: São Paulo, 2006. 437p.

MURRAY, P.R.; ROSENTHAL, K.S.; KOBAYASHI, G.S.; PFALLER, M.A.


Microbiologia Médica. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2000. 3ª ed.
50

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