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Revisão

CÂNCER DE ESÔFAGO

1. Definição
O câncer de esôfago é uma neoplasia relativamente incomum e letal e as
neoplasias malignas esofágicas são classificados em dois principais subtipos:

• Adenocarcinoma esofágico: desenvolve-se no interior do epitélio colunar


displásico

• Carcinoma de células escamosas esofágico: derivado do epitélio estratificado


não-queratinizado, característico da mucosa normal do esôfago

2. Epidemiologia

O carcinoma de células escamosas é o mais comum dos cânceres esofágicos no


mundo inteiro e ocorre mais frequentemente em homens acima de 50 anos. É quase
seis vezes mais comum em afro-americanos do que em caucasianos. Acomete
principalmente os terços médio e inferior do esôfago. Há uma forte relação entre o
tabagismo e o alcoolismo e o desenvolvimento dessa neoplasia. Além desses, outros
fatores de risco são:

• Pobreza,
• Injúria esofágica cáustica,
• Acalásia,
• Tilose,
• Síndrome de Plummer-Vinson
• Consumo muito frequente de bebidas quentes

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Resumo de Câncer de Esôfago 2

O adenocarcinoma esofágico é mais comum em homens e apresenta um


aumento da incidência depois dos 40 anos. Existe uma forte relação entre a sua
incidência e indivíduos obesos. Surge na parte distal do esôfago na presença de
refluxo gástrico crônico e metaplasia gástrica do epitélio (Esôfago de Barret). Sua
incidência vem aumentando rapidamente em países ocidentais e não se sabe ainda
uma razão bem definida para este fenômeno.

3. Fisiopatologia

O carcinoma de células escamosas envolve a transição do epitélio escamoso


normal do esôfago para um epitélio escamoso displásico. Sua patogenia molecular
ainda é indefinida, porém sabe-se que há o envolvimento da perda de diversos genes
supressores de tumor, incluindo p53 e p16/INK4a.

A fisiopatologia do adenocarcinoma está intimamente relacionada com a


Doença do refluxo gástrico de longo termo e com o Esôfago de Barret. Estudos
sugerem que a progressão do Esôfago de Barret para o adenocarcinoma ocorre
durante um longo período suficiente para que aconteça aquisição gradual de
alterações genéticas e epigenéticas. No esôfago de Barret há uma
trasndiferenciação de um epitélio normal esofágico para o epitélio do intestino
delgado. Essa metaplasia acentua o risco de mutações e defeitos de reparo do DNA,
elevando o risco de formação do adenocarcinoma.

4. Clínica

O carcinoma de células escamosas apresenta um início insidioso. Essa patologia


tem predileção para a parte proximal à parte medial esofágica que pode levar a
sintomas de:

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• Disfagia
• Odinofagia
• Obstrução
• Dor torácica
• Sangramento gastrointestinal
• Náusea
• Vômitos
• Perda de peso
• Desnutrição

Pode haver metástases para linfonodos locais, pulmões, fígado, e ossos. Quando
descoberto em estados iniciais por mapeamento esofágico, a sobrevida dos
pacientes é de 75% em 5 anos. Em estados mais avançados esse valor cai bastante
e a sobrevida geral de pacientes com carcinoma esofágico é de 9% em 5 anos, por
conta do alto número de casos diagnosticados tardiamente.

Os adenocarcinomas se apresentam geralmente com:

• Disfagia
• Odinofagia
• Perda de peso progressiva
• Hematêmese
• Dor torácica
• Vômitos.

Quando o tumor já está causando sintomatologia, o tumor já se espalhou para


vasos linfáticos e invadiu a submucosa, diminuindo a sobrevida do paciente (em 5
anos, é inferior a 25%). Ocasionalmente são descobertos antes da sintomatologia na
avaliação da Doença do Refluxo Gastroesofágico ou na vigilância do esôfago de
Barret. Tumores descobertos na fase incial tem melhores resultados de tratamento
e os pacientes apresentam uma melhor sobrevida (em 5 anos, aproximadamente
80%).

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5. Diagnóstico

O Estudo Radiológico Contrastado Esôfago-Estômago-Duodoeno é útil para o


diagnóstico do carcinoma do esôfago por evidenciar um defeito de preenchimento
por conta da lesão na mucosa ou evidenciar um trânsito prejudicado do contraste
por conta de crescimento de massa no lúmen. Porém para realizar um diagnóstico
definitivo utiliza-se endoscopia para uma visualização direta da lesão. Uma vez vista,
realiza-se biópsia para a confirmação diagnóstica por meio de histopatologia e
imuno-histoquímica. Para a detecção de linfonodos locais utiliza-se ultrassom
endoscópica. Para análise de outros sítios de metástase pode-se utilizar Tomografia
Computadorizada de tórax e abdome ou PET-Scam.

Para o diagnóstico do adenocarcinoma esofágico utiliza-se principalmente a


endoscopia digestiva alta. Importante que ela seja realizada periodicamente de
acordo com o grau de metaplasia do paciente, para um melhor seguimento dos
pacientes que possuem alto risco para desenvolvimento dessa patologia.

6. Estadiamento
O estadiamento do câncer esofágico é baseado no sistema TNM, onde se
avalia a localização do tumor, linfonodos regionais acometidos e metástase.

Tumor:

• TX. Tumor não pode ser avaliado.


• T0. Ausência de tumor.
• Tis. Displasia de alto grau
• T1. O tumor se desenvolveu na lâmina própria, muscular da mucosa ou
submucosa.
• T1a. O tumor invade a lâmina própria ou a muscular da mucosa
• T1b. O tumor invade a submucosa
• T2. O tumor invade muscular própria.

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• T3. O tumor invade a adventícia.


• T4a. O tumor invade a pleura, o pericárdio ou o diafragma.
• T4b. O tumor invade a traqueia, aorta, espinha dorsal ou outras estruturas
importantes.
Linfonodos regionais:

• NX. Linfonodo regional não pode ser avaliado.


• N0. Ausência de linfonodo comprometido.
• N1. Até 2 linfonodos regionais comprometidos.
• N2. De 3 a 6 linfonodos regionais comprometidos.
• N3. Mais de 7 linfonodos regionais comprometidos.
Metástase:

• M0. Metástase à distância não pode ser avaliada.


• M1. Metástase à distância.

7. Tratamento
Para ambos os tipos histológicos de neoplasias do esôfago aqui citadas, o
tratamento pode ser cirúrgico ou clínico. A cirurgia é o pilar para o tratamento
curativo. Dependendo do local acometido pode ser realizado uma esofagectomia
total ou subtotal.

Dependendo do estágio do tumor, pode-se proceder com quimioterapia neo-


adjuvante (antes da operação) e/ou adjuvante (após a operação), para a obtenção
de melhores resultados.

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Referências bibliográficas

1. Goldman, L.; Schafer, AI. Goldman’s Cecil Medicine. 25th ed. Philadelphia: Elsevier
Saunders, 2016
2. COTRAN, Ramzi S.; ABBAS, Abul K.; FAUSTO, Nelson; ROBBINS, Stanley L.; KUMAR,
Vinay: Robbins e Cotran: Patologia - Bases patológicas das doenças. 8. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2010
3. Queiroga, R; Pernambuco A P: Câncer de esôfago: epidemiologia, diagnóstico e
tratamento. Revista Brasileira de Cancerologia 2006; 52(2): 173-17
4. Feres, O., & Parra, R. (2007). Abdômen agudo. Simpósio: FUNDAMENTOS EM
CLÍNICA CIRÚRGICA, 40(3), 430–436.
https://doi.org/http://dx.doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v40i3p358-367

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