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FACULDADE DE VETERINÁRIA

DEPARTAMENTO DE CLÍNICAS

CURSO DE LICENCIATURA EM MEDICINA VETERINÁRIA

TRABALHO DE CULMINAÇÃO DE ESTUDOS

Relatório de estágio na empresa Agro-pecuária Alberto Augusto Teixeira

Caso de Estudo: Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso.

Estudante: Ângelo Nhambo Queface Blaunde

Supervisor: Mestre Alberto Francisco Paulo Dimande

Co-supervisor: Mestre Milton Mapatse

Maputo, Junho de 2020


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

DECLARAÇÃO DE HONRA

Eu, Ângelo Nhambo Queface Blaunde, declaro por minha honra que o presente trabalho com o tema,
“Relatório de estágio na empresa Agro-pecuária Alberto Augusto Teixeira. Caso de estudo:
Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de caso” é da minha autoria e que nunca foi
apresentado para outra finalidade, para além de candidatura para a obtenção do grau de Licenciado
em Medicina Veterinária na Faculdade de Veterinária, Universidade Eduardo Mondlane.

Maputo 29 de Junho de 2020

___________________________________

(Ângelo Nhambo Queface Blaunde)

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 i


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho

Ao meu pai, Nhambo Queface Blaunde in memoria.

A minha mãe, Laurinda Braunde.

Aos meus irmãos, Mateus Blaunde e Maria Blaunde.

A minha Cunhada, Berta Faduco.

Aos meus sobrinhos, Abedenego, Laurinda, Felismina, Félix e Salomão.

Aos meus supervisores, Mestre Alberto Dimande e Mestre Milton Mapatse.

Ao meu amigo, primo, Elio Muatareque.

A todos que me deram suporte durante a realização do mesmo.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 ii


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AGRADECIMENTOS

Agradeço

A Deus, pela vida. O nascer, crescer, acordar, respirar, andar, pensar e sonhar do Homem, faz-nos
perceber que existem forças sobrenaturais independentes deste, mais sim de um ser superior.

A minha família, especialmente a minha mãe Laurinda Braunde e meu irmão Mateus Blaunde pelo
suporte durante toda minha caminhada estudantil.

Aos colegas da turma e amigos que fiz em Maputo, em especial ao Elio Muatareque, Ercílio Bila,
João Matsimbe, António Wiliamo, Jossefa Ndaremba e Tacudzua Sambudzi, pelo suporte, companhia
e partilha de todos momentos enquanto juntos, espero que a nossa amizade dure para sempre.

Aos colegas da turma do ano 2015 e finalista 2019, em especial a Paula Xerinda, Armando Milice,
Puná Banze, Diandra Nascimento, Leucina Paulo e Motivo Zano pelo suporte nesta batalha.

Aos colegas da Faculdade, dr. Luís e dr. Saraiva pela amizade.

Aos colegas da Residência Universitária Estudantil, Marcelo, Paulo, Samuel, Lávimo, Joia, Miguel,
Benjamim e Dellarubia, juntos trilhamos momentos que ficaram na memória.

Ao Mestre Alberto Dimande por ter aceite o convite para a supervisão, pela amizade, pelos
ensinamentos e suporte durante o estágio e na realização deste trabalho.

Ao co-supervisor, Mestre Milton Mapatse pelo suporte e devidas correcções durante a realização do
trabalho.

A todos os docentes e CTA da Faculdade de Veterinária pelo suporte, ensinamentos e lições da vida
transmitidas durante o curso.

A empresa Agro-pecuária Alberto Augusto Teixeira pela abertura para a realização do estágio, e aos
seus funcionários, em especial a dona Bety, André e Ndove pela companhia e ensinamento durante o
estágio, meus professores da língua changana.

A UEM pela atribuição da Bolsa de Estudos, sem a qual seria impossível essa conquista.

E a todos que directa ou indirectamente apoiaram-me nesta caminhada cheia de desafios.

Meu muito obrigado!

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 iii


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EPÍGRAFE

A teoria sem a prática de nada vale,

a prática sem a teoria é cega.

(Lenine, 1870-1924)

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 iv


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LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E SÍMBOLOS

% Percentagem
® Marca registada
°C Graus celcius
ELISA Ensaio de imunoadsorção Enzimática (Enzyme-Linked immunosorbent assay)
et al e colaboradores
Favet Faculdade de Veterinária
FAO (Organização para Agricultura e Alimentação) Food and Agriculture Organization
H Horas
IM Intramuscular
Kg Quilograma
L Litros
LA Longa acção
ml Mililitros
Mg Miligrama
Mm Milímetro
MAE Ministério de Administração Estatal
MINAG Ministério de Agricultura
MASA Ministério de Agricultura e Segurança Alimentar
MR/mi Movimentos respiratórios por minuto
n
No Número
PCR Reacção em Cadeia de Polimerase (Polymerase chain reaction)
PV Peso vivo
P/min Pulsações por minuto
QIB Queratoconjuntivite infecciosa bovina
RAS República da África do Sul
SC Subcutâneo
spp. Espécie

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 v


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LISTA DE FIGURAS

Figura I. Vaca durante a ordenha. Fonte: colecção do autor.................................................................8


Figura II. Preparação e administração da forragem. A-Trituração da forragem e B- administração da
forragem aos animais estabulados. Fonte: colecção do autor...............................................................9
Figura III. Caso de abcesso na região da escápula, a região encontra-se tumefacta (círculo). Fonte:
colecção do autor................................................................................................................................ 12
Figura IV. A-Vitelo com dermatofilose, lesões na região dorsal do pescoço e tórax (setas); B-
observação microscópica de colónias da bactéria Dermatophilus congolensis, com objectiva 100X
(setas). Fonte: colecção do actor.........................................................................................................13
Figura V. Caso de artrite séptica na articulação cárpica de um vitelo. A região encontra-se tumefacta
como indica a seta. Fonte: colecção do autor......................................................................................14
Figura VI. Caso de ferida na vulva de uma vaca (círculo). A mesma resultou de uma perfuração por
um corno. Fonte: colecção do autor....................................................................................................15
Figura VII. Vaca morta devido a escassez de alimento, observa-se a baixa condição corporal do
animal. Fonte: colecção do autor.........................................................................................................16
Figura VIII. Caso de pododermatite interdigital, depois de aplicação de sulfato de cobre (círculo).
Fonte: colecção do autor..................................................................................................................... 17
Figura IX. Papilomatose em um touro, observa-se lesões em forma de couve-flor no escroto do
animal (seta). Fonte: coleção do autor................................................................................................18
Figura X. Gesso é um vitelo com fractura no metatarso. Fonte: colecção do autor.............................19
Figura XI. Caso de sarna em um bovino, observa-se áreas de alopecia e escamas na pele na região
do pescoço (setas). Fonte: colecção do autor.....................................................................................20
Figura XII. Caso de edema da glândula mamária em vaca, observa-se o aumento do tamanho da
glândula (seta). Fonte: colecção do autor............................................................................................21
Figura XIII. Adenoma sebáceo em uma vaca Landim. A e B lesões múltiplas em formato de couve-flor
na vulva e cauda respectivamente. C-dorso do animal com lesões em forma de crostas múltiplas.
Fonte: colecção do autor..................................................................................................................... 22
Figura XIV. Bovino tomando um banho carracicida por aspersão. Fonte: colecção do autor..............23
Figura XV. Lesões da QIB em diferentes animais e estágios: A- lacrimejamento intenso e úlcera da
córnea; B- Conjuntivite e opacidade da córnea; C- Conjuntivite e queratocone. Fonte: colecção do
autor.................................................................................................................................................... 33
Figura XVI. Tratamentos de dois Bovinos com QIB. A- Terapia tópica e B- Terapia subconjuntival.
Fonte: colecção do autor..................................................................................................................... 35

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LISTAS DE TABELAS

Tabela I. Resumo das actividades realizadas durante o estágio...........................................................7


Tabela II. Resumo de casos clínicos observados durante o estágio...................................................10
Tabela III. Resultados da sensibilidade da M. Bovis aos antibióticos..................................................34

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ÍNDICE
RESUMO............................................................................................................................................... 1
1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................... 2
1.1 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE ESTÁGIO........................................................................2
1.1.1 Infra-estruturas e efectivo pecuário da unidade................................................................3
2 OBJECTIVOS................................................................................................................................ 4
2.1 Objectivo geral........................................................................................................................ 4
2.2 Objectivos específicos.............................................................................................................4
3 METODOLOGIA............................................................................................................................ 5
4 ACTIVIDADES REALIZADAS........................................................................................................7
4.1 Actividades de Rotina.............................................................................................................. 8
4.1.1 Ordenha........................................................................................................................... 8
4.1.2 Actividades no viteleiro.....................................................................................................8
4.1.3 Observação, selecção e tratamento de animais doentes.................................................9
4.1.4 Arrolamento dos animais..................................................................................................9
4.1.5 Alimentação dos animais estabulados.............................................................................9
4.2 Casos Clínicos...................................................................................................................... 10
4.2.1 Diarreia em vitelos..........................................................................................................11
4.2.2 Abcessos cutâneos........................................................................................................ 11
4.2.3 Dermatofilose em vitelos................................................................................................12
4.2.4 Artrites............................................................................................................................ 14
4.2.5 Feridas........................................................................................................................... 14
4.2.6 Erliquiose bovina............................................................................................................ 15
4.2.7 Mortalidade devido a seca..............................................................................................16
4.2.8 Pododermatite interdigital...............................................................................................16
4.2.9 Papilomatose bovina......................................................................................................17
4.2.10 Poliartrite associada a onfalite em vitelos.......................................................................18
4.2.11 Fractura de Metatarso....................................................................................................18
4.2.12 Sarna em bovinos.......................................................................................................... 19
4.2.13 Edema da glândula mamária..........................................................................................20
4.2.14 Atáxia cerebelar em um vitelo........................................................................................21
4.2.15 Adenoma sebáceo em uma vaca...................................................................................21
4.3 Outras Actividades................................................................................................................ 22
4.3.1 Banho carracicidas.........................................................................................................22
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Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

4.3.2 Desparasitação.............................................................................................................. 23
4.3.3 Diagnóstico de gestação................................................................................................23
4.3.4 Desmame....................................................................................................................... 24
4.3.5 Descorna e aparo correctivo dos cascos........................................................................24
4.3.6 Participação no abate de bovinos..................................................................................24
5 CASO DE ESTUDO: QUERATOCONJUNTIVITE INFECCIOSA BOVINA. RELATO DE CASO. 26
5.1 Revisão Bibliográfica............................................................................................................. 26
5.1.1 Etiologia......................................................................................................................... 26
5.1.2 Patogenia....................................................................................................................... 27
5.1.3 Epidemiologia................................................................................................................. 27
5.1.4 Sinais clínicos................................................................................................................ 28
5.1.5 Diagnóstico.................................................................................................................... 28
5.1.6 Diagnóstico diferencial...................................................................................................29
5.1.7 Tratamento..................................................................................................................... 29
5.1.7.1 Terapia Subconjuntival.....................................................................................................30
5.1.7.2 Terapia tópica.................................................................................................................. 30
5.1.7.3 Tratamento sistémico.......................................................................................................31
5.1.8 Prevenção e controle.....................................................................................................31
5.2 Relato de Caso...................................................................................................................... 32
5.2.1 História........................................................................................................................... 32
5.2.2 Exame geral................................................................................................................... 32
5.2.3 Exame geral físico.......................................................................................................... 32
5.2.4 Exame específico........................................................................................................... 33
5.2.5 Diagnóstico.................................................................................................................... 33
5.2.6 Tratamento..................................................................................................................... 34
5.2.7 Discussão....................................................................................................................... 36
5.2.8 Constrangimentos.......................................................................................................... 37
6 CONCLUSÃO GERAL................................................................................................................. 38
7 RECOMENDAÇÕES................................................................................................................... 39
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................................................40

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 ix


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Resumo

Este relatório descreve as actividades realizadas durante o estágio entre os meses de Novembro de
2019 e Fevereiro de 2020, no sector pecuário da empresa Agro-pecuária Alberto Augusto Teixeira.
Pretendeu-se com este, consolidar o conhecimento teórico-prático adquirido ao longo do curso e
desenvolver habilidades profissionais em produção e sanidade animal. O estágio consistiu na
participação, observação e acompanhamento das actividades rotineiras da empresa, nomeadamente:
ordenha das vacas leiteiras, limpeza das instalações, arrolamento dos animais, alimentação dos
animais estabulados, acompanhamento e resolução de casos clínicos. No decorrer deste, foram
observados 169 casos clínicos, dos quais 104 foram de queratoconjuntivite infecciosa bovina (61.5%),
11 de diarreia em vitelos (6.5%), 9 de abcessos cutâneos (5.3%), 8 de dermatofilose (4.7%), 8 de
artrites (4.7%), 7 de feridas (4.1%), 4 de erliquiose bovina (2.3%), 4 de morte devido a seca (2.3%), 3
de papilomatose bovina (1.78 %), 2 de Pododermatite interdigital (1.18%), 2 de poliartrite associada a
onfalite (1.18%), 2 de fractura do metatarso (1.18%), 2 de sarna (1.18%), 1 de edema da glândula
mamária (0.59%), 1 de ataxia cerebelar (0.59%) e 1 de adenoma sebáceo (0.59 %). Realizou-se
também 14 diagnósticos de gestação, 72 desmames, 4 banhos carracicidas, 5 desparasitações, 4
descornas, 1 aparo correctivo de cascos e 14 abates. Neste relatório é apresentado também um caso
de estudo com o título: Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso. O diagnóstico desta
doença baseou-se nos sinais clínicos e na identificação do agente causal, a bactéria Moraxella bovis,
por meio de exames microbiológicos. O estágio contribuiu para o aprofundamento do conhecimento
teórico-prático de interesse pecuário e veterinário.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 1


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

1 Introdução

O presente trabalho relata as actividades realizadas na empresa Agro-pecuária Alberto Augusto


Teixeira, durante o estágio de 3 meses no âmbito do trabalho de culminação de estudos. Esta
empresa dedica-se à criação de bovinos de corte e de leite (em pequena escala) num sistema
extensivo comercial. Dedica-se também à produção de milho, tomate, repolho e outras hortícolas.

Em Moçambique, a criação de bovinos e pequenos ruminantes constitui uma actividade


socioeconómica e cultural praticada por uma grande parte da população. Esta actividade é praticada
por dois sectores: o comercial que contribui com cerca de 14% de bovinos e 5% de pequenos
ruminantes e o familiar que contribui com mais de 85% de bovino e 96% de pequenos ruminantes.
Desde 1992, com assinatura do Acordo Geral de Paz no país, nota-se grande crescimento do efectivo
de ruminantes domésticos (MINAG, 2009; FAO, 2010; MASA, 2015; MASA, 2016).

O Sector comercial embora com menor efectivo é o mais produtivo quando comparado ao sector
familiar. Aquisição de insumos veterinários, suplementação do gado na época seca, pastoreio em
áreas delimitadas, uso de mão-de-obra qualificada e melhoramento genético das raças são factores
que contribuem para essa diferença (MASA, 2015).

Para maximização do rendimento na indústria pecuária torna-se imprescindível a prevenção, controlo


de doenças e outros factores que limitam a expressão do potencial produtivo dos animais (MINAG,
2010; MASA, 2015; Alfieri, 2017). A fraca assistência veterinária em Moçambique é apontada como
um dos factores que contribui para o baixo desenvolvimento pecuário, facto este associado a
insuficiência de mão-de-obra qualificada.

Com o objectivo de consolidar o conhecimento teórico-prático adquirido ao longo do curso,


desenvolver habilidades veterinárias baseado com situações de campo e adquirir experiências em
produção e sanidade animal em bovinicultura, realizou-se o estágio.

Para o alcance dos objectivos, o estagiário acompanhou e participou das actividades de rotina da
unidade. Além disso, acompanhou um caso de estudo como rege o regulamento de redacção de
trabalhos de culminação de estudos em forma de estágio da Faculdade de Veterinária (FAVET,
2007).

1.1 Caracterização do local de estágio

A empresa Agro-pecuária Alberto Augusto Teixeira tem a sua sede também designada por Bloco 7,
localizada na província de Maputo, distrito de Boane, concretamente em Umbelúzi, local onde
realizou-se o estágio. A empresa possui outras unidades nos distritos de Namaacha e Matutuíne.
Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 2
Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

O distrito de Boane localiza-se a sudeste da província de Maputo, limitado a norte pelo distrito de
Moamba, Sul e Este pelo distrito da Namaacha e a Oeste pela Cidade da Matola e distrito de
Matutuíne. O tipo de clima predominante em Boane é o sub-húmido, com pouca chuva na estação fria
(MAE, 2005).

A precipitação média anual é de cerca de 752 mm. O distrito apresenta duas estações a saber, a
húmida que se estende desde o mês de Novembro à Março e a seca entre os meses de Abril à
Outubro. A agricultura constitui a principal actividade económica do distrito. A pecuária do distrito
consiste na criação de bovinos, ovinos, caprinos e aves, destinados ao consumo familiar e
comercialização (MAE, 2005).

1.1.1 Infra-estruturas e efectivo pecuário da unidade

O Bloco 7 abrange cerca de 700 hectares não vedados. As instalações funcionais da unidade
compreendem: um escritório, dois armazéns para suplementos alimentares, uma oficina, uma sala de
ordenha, uma sala de armazenamento de leite fresco, uma manga de tratamento ligada a um sistema
de chuveiro para banho carracicida, tanques de armazenamento de água, um viteleiro, sete currais de
pernoita com bebedouros e comedouros.

A unidade possui cerca de 600 cabeças de bovinos, dos quais 85% destes são de corte, numa
miscelânea de raças, com destaque para as raças Brahman, Landim, Simental e as respectivas
cruzas e 15% são de leite com as raças Holstein-Frísian e Jersey. A alimentação baseia-se no pasto
natural ao longo de todo ano e de uma ração constituída por sêmea, restolhos agrícolas, capim
elefante e sal para os animais estabulados. A cobrição é feita por monta natural, onde os machos
permanecem com as fêmeas durante o ano todo.

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Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

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2 Objectivos

2.1 Objectivo geral

 Consolidar o conhecimento teórico-prático adquirido ao longo do curso e desenvolver


habilidades profissionais em produção e sanidade animal.

2.2 Objectivos específicos

 Acompanhar e participar em actividades de rotina da empresa.


 Acompanhar e descrever um caso de estudo.

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3 Metodologia

O estágio decorreu no período entre 19 de Novembro de 2019 a 19 de Fevereiro de 2020. As


actividades foram desenvolvidas de segunda-feira a sábado, entre às 6:50-17:00 horas. Estas
basearam-se na participação, observação e acompanhamento das actividades de rotina da empresa.
As actividades incluíam a ordenha das vacas leiteiras, observação e selecção de animais doentes
para o tratamento, arrolamento diário do efectivo, alimentação dos animais estabulados, limpeza das
instalações e participação em outras actividades relacionadas com o maneio. Essas actividades,
dependendo da disponibilidade dos funcionários da unidade, ocorriam de forma simultânea ou em
momentos diferentes, obedecendo-se uma ordem de prioridades. A ordenha e o tratamento dos
animais doentes eram sempre feitos nas primeiras horas do dia para permitir que os animais fossem
ao pasto.

Em termos organizacionais o relatório está estruturado em duas partes: na primeira parte descreve-se
o estágio e na segunda parte descreve-se o caso de estudo.

A metodologia de cada parte será descrita ao longo do seu desenvolvimento.

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PARTE I

Descrição das Actividades Realizadas Durante o Estágio

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4 ACTIVIDADES REALIZADAS

As actividades desenvolvidas bem como a participação e observação das mesmas durante o estágio
estão descritas resumidamente na tabela I.

Tabela I. Resumo das actividades realizadas durante o estágio

Actividades Descrição Participação Observação

Ordenha 5 40

Limpeza da sala de ordenha 5 50

Administração de leite aos vitelos 6 20

Limpeza do viteleiro 6 30

Rotineiras Arrolamento dos animais 22 40

Trituração da forragem 18 40

Administração de forragem para animais 30 40


estabulados

Casos clínicos 169 0

Diagnóstico de gestação 6 8

Desmame 72 0

Banhos carracicidas 3 1

Outras Desparasitação 5 0

Descorna 4 0

Aparo correctivo de casco 1 0

Abate de bovinos 4 9
Participação: actividades em que o estagiário participou directamente; Observação: trata-se das
actividades em que o estagiário apenas observou a sua efectivação.

4.1 Actividades de Rotina

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4.1.1 Ordenha

Na unidade pratica-se a ordenha manual. Esta actividade era feita nos períodos mais frescos do dia,
entre às 5-7 h e 15-17 h. As vacas eram contidas imobilizando os membros pélvicos por meio de
cordas. Antes da mungição, os tetos eram lavados com água. Enquanto o processo de ordenha
decorria, as vacas eram alimentadas com sêmea.

Durante o estágio, haviam dez vacas em mungição. A produção média diária de leite por vaca era de
aproximadamente três litros. O leite era recolhido num balde metálico e posteriormente depositado
em bilhas de alumínio. Parte do leite destinava-se à comercialização e a outra servia para a
alimentação dos vitelos.

Depois da ordenha, eram feitas as limpezas da sala e dos meterias usados. A limpeza da sala
consistia na remoção das fezes com auxílio de uma pá seguida de lavagem com água. E a limpeza
do material compreendia a lavagem dos mesmos com detergente em pó diluído em água.

Figura I. Vaca durante a ordenha. Fonte: colecção do autor.

4.1.2 Actividades no viteleiro

O viteleiro era destinado as crias das vacas leiteiras. Os vitelos nascidos das vacas de corte ficavam
com as respectivas matrizes. As actividades neste compartimento consistiam na limpeza e
administração de leite aos vitelos. A limpeza consistia na remoção a seco da cama utilizando uma pá,
seguida de lavagem com água. Depois de seco, colocava-se uma nova cama a base de capim seco.
Os vitelos recebiam o leite por meio de um biberão improvisado com uma garrafa plástica de dois
litros, duas vezes ao dia, depois da ordenha das vacas.

4.1.3 Observação, selecção e tratamento de animais doentes

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Todas as manhãs, os animais eram observados nos currais de pernoita, procurando-se sinais de
doença. Alguns animais doentes eram indicados pelos pastores os quais tê-los-iam observado
durante a pastagem. Os animais doentes eram encaminhados a manga de tratamento para o exame
e intervenção clínica.

4.1.4 Arrolamento dos animais

A manada está dividida em quatro curais, dos quais, três são de reprodutores (constituído por vacas,
touros e crias até ao desmame) e um de novilhos. O efectivo era arrolado duas vezes ao dia, na
saída para a pastagem às 7:00h e ao regresso às 16:00h por meio de contagem física dos animais. O
número do efectivo era registado num caderno para comparar com a contagem seguinte. Registava-
se também os nascimentos, abates e a movimentação dos animais.

4.1.5 Alimentação dos animais estabulados

A empresa possui uma trituradora mecânica de forragem (moagem de capim), onde nela eram
processados forragem de Panicum maximum, Pennisetum purpureum e restolhos de milho, duas
vezes ao dia. A forragem triturada era misturada com sêmea de trigo e administrada em fracções aos
animais estabulados (animais em quarentena, desmamados, doentes, fêmeas parturientes e vitelos
de vacas leiteiras).

A B

Figura II. Preparação e administração da forragem. A-Trituração da forragem e B- administração da forragem aos
animais estabulados. Fonte: colecção do autor

4.2 Casos Clínicos

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Durante o estágio foram observados 169 casos clínicos (tabela II). Em todos casos, era feito o exame
clínico que consistia na resenha, anamnese, exame geral e específico, colheita de amostras para
exames complementares (se necessário), diagnóstico e por fim tratamento.

Tabela II. Resumo de casos clínicos observados durante o estágio

Casos Clínicos No Casos Percentagem (%)

Queratoconjuntivite infecciosa bovina* 104 61.5

Diarreia em vitelos 11 6.5

Abcessos cutâneos 9 5.3

Dermatofilose em vitelos 8 4.7

Artrite 8 4.7

Feridas 7 4.1

Erliquiose bovina 4 2.3

Mortalidade devido a seca 4 2.3

Papilomatose bovina 3 1.78

Pododermatite interdigital 2 1.18

Poliartrite associada a onfalite em vitelos 2 1.18

Fractura do metatarso em novilhos 2 1.18

Sarna em dois touros 2 1.18

Edema da glândula mamária 1 0.59

Ataxia cerebelar em um vitelo 1 0.59

Adenoma sebáceo 1 0.59

Total 169 100%


*Caso de estudo

4.2.1 Diarreia em vitelos

A diarreia em vitelos é uma doença multifactorial, que provoca perdas económicas nos primeiros
meses de vida dos animais. Clinicamente caracteriza-se por fezes aquosas, desidratação

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progressiva, acidose e morte dos vitelos afectados (Schuch, 2001). A etiologia da doença
normalmente está relacionada com a idade do animal. A ocorrência da diarreia em vitelos de até o
quinto dia de idade associa-se a Enterotoxicose (E.coli), Rotavírus e Coronavírus. A diarreia em
vitelos de duas a três semanas de idade associa-se a Cryptosporidium spp., Rotavírus, Coronavirus e
a comida inadequada. Enquanto em vitelos com três a quatro semanas de vida, a diarreia é
associada a infecções por Salmonella spp., Clostridia spp., Campylobacter ssp., e Pseudomonas
(Smith, 2009; Radostitis, 2012). Os factores predisponentes para a ocorrência da diarreia em vitelos
estão relacionados com as condições de maneio, higiénico-sanitário e nutricional. O diagnóstico
baseia-se nos sinais clínicos e exames laboratoriais. O tratamento consistem em repor os líquidos e
electrólitos perdidos no decurso da doença e antibioticoterapia. O seu controle consiste em melhorar
as medidas higiénicas e de maneio nutricional (Schuch, 2001).

Os casos de diarreia na unidade, foram mais frequentes em vitelos das vacas leiteiras entre a
primeira e a sexta semana de vida. Os vitelos afectados apresentavam-se com os seguintes sinais:
fraqueza, desidratação, fezes branco-amareladas e por vezes com sangue. Os factores
predisponentes associados à ocorrência da diarreia na unidade foram: misturas de animais de
diferentes idades, fraca limpeza dos viteleiros e má qualidade de leite. O tratamento consistiu na
administração de antidiarréicos a base de sulfametoxazole e trimetroprim (Alfatrim ® 24%, Alfazam-
Holanda), na dose de 1.3 mg/Kg e 3mg/Kg de P.V. respectivamente por via IM, durante 3 dias. Todos
os animais tratados apresentaram melhoria.

4.2.2 Abcessos cutâneos

Os abcessos ocorreram em 5.9% do total dos casos observados durante o estágio. Estes foram
observados em todas categorias, porém com mais frequência nos adultos, principalmente depois da
chuva. Os abcessos foram observados na região do casco, na mandíbula, na região do úbere, do
joelho e da escápula, estando na maioria das vezes associados à picada de carraças e cornadas.
Para seu diagnóstico palpava-se a tumefação para verificar a flutuação do conteúdo, seguida de
tricotomia e desinfecção do local para posterior punção usando uma agulha e seringa para a
aspiração do conteúdo.

Após a confirmação da presença de pús, fazia-se uma incisão com uma lâmina de bisturi para
drenagem do conteúdo. Depois da drenagem, fazia-se a curetagem da cavidade, seguida de lavagem
com água e desinfecção com povidato de iodo a 10% (Woundine ®, Kyron, RAS) diluída em água, por
fim, aplicava-se repelente para as moscas composto por diclorvos, cipermetrina, sulfadiazina,
piperonill butóxido e pó de alumínio (Supra Sprays Plus®-Ascindis Animal Health, RAS). Em dias
alternados fazia-se a curetagem da cavidade e lavagem com água e iodo diluído até a cicatrização.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 12


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Numa vaca da raça Holstein-Frisian, de 6 anos de idade, com a queixa de claudicação e redução na
produção de leite, foram observados múltiplos abcessos, localizados nos cascos, membro pélvico
direito e no abdómen. Ao exame físico, a vaca apresentava-se também com problemas cardio-
respiratórios (taquicardia, ruídos durante a respiração e tosse) e uma redução dos movimentos
ruminais. O tratamento consistiu na drenagem dos abcessos, antibioticoterapia a base de
oxitetraciclina (Oxitetraciclina® 200 LA, 200mg/ml, Invesa Industrial Veterinaria, Espanha) na dose de
20 mg/kg de P.V. por via IM e administração de dexametasona (Dexamethsone ®, 2mg/ml Alfasim,
Holland) na dose de 10-30 mg/kg de P.V. por via IM.

Figura III. Caso de abcesso na região da escápula, a região encontra-se tumefacta (círculo). Fonte: colecção do
autor

4.2.3 Dermatofilose em vitelos

Dermatofilose é uma doença infecto-contagiosa, de evolução aguda, subaguda ou crónica, causada


pela bactéria Dermatophilus congolensis. Apresenta-se em forma de dermatite exsudativa com
erupções cutâneas crostosas e escamosas (Pereira et al., 2001; Câmera et al., 2017). No estado
avançando da doença, a dermatite cicatriza-se e as crostas desintegram-se da pele, ficando presas
aos pêlos que são facilmente removidas em tufos de pêlos (assemelhando-se a um pincel). A doença
afecta bovinos de todas as idades, porém, os animais mais jovens são mais propensos (Cordeiro,
2011). O Dermatophilus congolensis é uma bactéria oportunista, portanto, o desmame, carência
alimentar e o traumatismo associado a humidade e altas temperaturas predispõem ao desequilíbrio
das barreias superficiais de defesa da pele, favorecendo a invasão da bactéria (Pereira et al., 2001,
Câmera et al., 2017). A transmissão é pelo contacto directo entre os animais e indirecto através de
vectores mecânicos e biológicos (Pereira et al., 2001). O diagnóstico é estabelecido pela
epidemiologia, sinais clínicos e pela confirmação laboratorial. Dermatophilus congolensis é uma
bacteria gram positiva, apresentando-se em formações filamentosas em esfregaços corados pelo

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 13


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

gram ou giemsa (Câmera et al., 2017). O tratamento de eleição para a doença é através de
administração da penicilina procaínica ou estreptomicina (Pereira et al., 2001; Cordeiro, 2011;
Câmera et al., 2017)

Os casos da Dermatofiloses na unidade foram observados em vitelos com idades compreendidas


entre 3-12 semanas. Na inspeção da pele dos animais acometidos, observou-se lesões crostosas
secas associados a tufos de pêlos em forma de pincel, que depois de retiradas deixavam uma lesão
superficial exsudativa húmida, hemorrágica e quando seca de cor amarelo-avermelhado. As lesões
estavam disseminadas pela região dorso-lateral desde a cabeça até a cauda.

Para o diagnóstico desta condição, fez-se a impressão directa em lâminas de microscópia das áreas
com exsudados depois da retirada dos tufos de pêlos. No laboratório da secção de Medicina Interna,
da FAVET procedeu-se a coloração das lâminas pelo método citológico Rapidiff® (Erez Labmed,
RSA) e observou-se ao microscópio óptico (com objectiva de 100 X) para observação do agente
causal. A bactéria Dermatophilus congolensis estava sempre nas lâminas. O tratamento consistiu na
lavagem das áreas afectadas usando povidato de iodo à 10% (Woundine ®, Kyron, RAS) diluída em
água, e administração de uma combinação de benzilpenicilina procaínica e dihidrostreptomicina
(Streptopen® 20/20, Alfazam, Holanda) na dose de 20 mg/kg de P.V. por via IM, durante três dias. Os
animais tratados melhoraram.

A B

Figura IV. A-Vitelo com dermatofilose, lesões na região dorsal do pescoço e tórax (setas); B-observação
microscópica de colónias da bactéria Dermatophilus congolensis, objectiva 100X (setas). Fonte: colecção do
autor

4.2.4 Artrites

Artrite é a inflamação da membrana sinovial e das superfícies articulares. As causas desta patologia
incluem a bacteriemia, brucelose, agentes perfurantes e as infecções pela via hematógena

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 14


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

decorrente de lesões supurativas dos dígitos e as causas idiopáticas. Os sinais clínicos observados
incluem febre, claudicação, dor e calor no local, alargamento da articulação, inapetência e perda de
peso. O tratamento consiste na administração de penicilina ou tetraciclina e de fenilbutazona (Smith,
2009).

Na unidade os casos de artrite ocorreram em animais de várias idades. Ao exame clínico, estes
apresentavam claudicação do membro afectado, inflamação da região articular e dor a palpação. O
tratamento consistiu na administração de dexametasona (Dexamethasone ®, 2mg/ml, Alfasim-
Holanda) na dose de 15-30 mg/kg de P.V. por via IM. Em um caso, foi observada uma artrite séptica,
com presença de pús na articulação afectada. O tratamento consistiu na drenagem do pús, lavagem
com água e povidato de iodo a 10% (Woundine ®, Kyron, RAS) diluída em água, seguida da
administração de oxitetraciclina (Oxitetraciclina ® 200 LA, 200mg/ml, Invesa Industrial Veterinaria,
Espanha) na dose de 20mg/kg de P.V. por via IM. Todos animais tratados melhoraram.

Figura V. Caso de artrite séptica na articulação cárpica de um vitelo. A região encontra-se tumefacta como
indica a seta. Fonte: colecção do autor

4.2.5 Feridas

Os caso de feridas ocorreram em 4.1% dos casos clínicos observados durante o estágio. Assim como
nos casos de abcessos, animais de todas idades e sexo foram acometidos, porém com mais
frequência em adultos. Estas estavam associadas a cornadas, picadas de carraças, abcessos mal
drenados e lacerações. As feridas foram observados na vulva, região da glândula mamária, no
escroto e nas orelhas. O tratamento consistia na lavagem com água, remoção de debris e de larvas
das moscas (caso presentes), desinfecção com povidato de iodo a 10% (Woundine ®, Kyron, RAS)
diluída na água e aplicação de repelente de moscas composto por diclorvos, cipermetrina,

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 15


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

sulfadiazina, piperonill butóxido e pó de alumínio (Supra Sprays Plus ®, Ascindis Animal Health, RAS).
O procedimento era repetido em dias alternados até a cicatrização completa da ferida.

Figura VI. Caso de ferida na vulva de uma vaca (círculo). A mesma resultou de uma perfuração por um corno.
Fonte: colecção do autor

4.2.6 Erliquiose bovina

Erliquiose, também conhecida por Riquetsiose, é uma doença infecciosa, febril, aguda, transmissível
e não contagiosa que afecta ruminantes domésticos e selvagens. O agente etiológico é a bactéria
Ehrlichia ruminantium, uma bactéria cocobacilar gram negativa, de cor que varia de roxo a azul,
intracelular obrigatória, que afecta preferencialmente as células endoteliais. A principal via de
transmissão é através da picada da carraça Amblyoma. Os sinais clínicos da doença incluem febre
súbita, inapetência, depressão, taquipneia, dispneia e sinais nervosos, como movimentos
mastigatórios, incoordenação, protrusão da língua, movimentos circulares e de pedalar. O diagnóstico
baseia-se na epidemiologia, sinais clínicos e testes laboratoriais. O tratamento consiste na
administração da oxitetraciclina (Rovid-Spickler, 2015).

Os casos de suspeita de Erliquiose bovina na unidade, foram observados em dois novilhos e dois
vitelos. Os animais apresentavam-se febris (39 a 42 °C da temperatura rectal), agressivos e isolavam-
se do resto da manada. O tratamento consistiu na administração de oxitetraciclina (Oxitetraciclina ®
200 LA, 200mg/ml, Invesa Industrial Veterinaria, Espanha) na dose de 20 mg/kg de P.V. por via IM. A
confirmação do diagnóstico foi estabelecido pela resposta positiva de todos os animais ao tratamento.

4.2.7 Mortalidade devido a seca

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 16


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Quatro vacas, uma das quais estava gestante, morreram devido escassez de alimentos (pasto)
provocado pela seca. Clinicamente, estes apresentavam-se com uma baixa condição corporal. Os
casos ocorreram no fim do mês de Novembro. Pela história, na unidade já tinham morrido cerca de
14 bovinos, antes destes, pela mesma causa.

4.2.8 Figura VII. Vaca morta devido a escassez de alimento, observa-se a baixa condição corporal do
animal. Fonte: colecção do autor

Pododermatite interdigital

Pododermatite é a inflamação aguda do tecido subcutâneo da região interdigital que evolui para a
região coronária e tecidos adjacentes, causada pela bactéria Fusobacterium necrophorum. As causas
predisponentes incluem, infecções dos cascos, condições do piso (muita humidade), genética e
deficiência do zinco. Os sinais clínicos incluem, dor, desconforto, edema e eritema na região
interdigital, inflamação a volta da região coronária, claudicação severa e necrose. O diagnóstico é
estabelecido pelos sinais clínicos, epidemiologia e exames laboratoriais. O tratamento consiste na
remoção de tecido necrosado, antibioticoterapia local ou sistémico e banhos podais com sulfato de
cobre, sulfato de zinco ou formol (Riet-Correa, 2001a).

Na unidade, os casos da pododermatite interdigital ocorreram em quatro novilhos. As afecções


estavam relacionadas a processos infeccioso e traumático (num dos casos foram retirados pedaços
de vidro na sola do casco). Ao exame clínico, os animais claudicavam e apresentavam feridas no
espaço interdigital do membro afectado e em alguns casos rachadura do casco. O tratamento
consistiu na lavagem com água, remoção de debris e retirada de corpo estranho (caso presente),
aplicação tópica de sulfato de cobre e colocação de uma bota de pano.

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Figura VIII. Caso de pododermatite interdigital, depois de aplicação de sulfato de cobre (círculo). Fonte:
colecção do autor

4.2.9 Papilomatose bovina

Papilomatose bovina é uma doença viral, infectocontagiosa, crônica, de caracter tumoral benigno e
de natureza fibroepitelial. A doença é caracterizada por tumores na pele e mucosa. Ela é causada
pelo vírus do género Papillomavirus, espécie Bovine papillomavirus. O vírus infecta as células basais
do epitélio, formando projecções digitiformes microscópicas e macroscópicas. Os papilomas podem
apesentarem-se em três formas, a saber: a forma típica, que se assemelha a couve-flor, com uma
base de inserção ampla e estreita, ficando com aspecto peduncular e firme; a forma atípica, que tem
um aspecto achatado, plano, com lesões circulares, com uma base de inserção ampla, sem
formações pedunculares e a forma filamentosa que geralmente se localiza na glândula mamária, com
uma implantação basal fina, superfície queratinizada e plumosa. O diagnóstico é realizado pelo
exame clínico, observação física dos papilomas e pela histopatologia (Schuch, 2001; Smith, 2009).

Na unidade a patologia foi observada em três animais, todas com mais de 6 anos de idade, sendo
duas fémeas (uma de Raça Jersey e outra de raça Holstein-Frisian) e um touro de raça Holstein-
Frisian. As lesões estavam localizadas na região da glândula mamária (nas fémeas) e no macho na
região do escroto, estas apresentavam-se em pequenos nódulos em forma de couve-flor. Levou-se a
pele do escroto do macho depois de este ter sido abatido, para o exame histopatológico. O
diagnóstico final da doença foi estabelecida pela confirmação do resultado histopatológica.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 18


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Figura IX. Papilomatose em um touro, observa-se lesões em forma de couve-flor no escroto do animal (seta).
Fonte: coleção do autor

4.2.10 Poliartrite associada a onfalite em vitelos

Onfalite é uma afecção do umbigo que ocorre principalmente nas primeiras semanas de vida em
bovinos (Riet-Correa, 2001b). Onfalite geralmente é causada pelas bactérias oportunistas, que
progridem para além do umbigo, infectam vasos sanguíneos e os órgãos internos, provocando
abcessos no fígado, septicemia, poliartrite, pneumonia, encefalite e endocardite (Smith, 2009). Os
sinais clínicos observados em casos de onfalite são: aumento de volume do umbigo, onde este,
encontra-se edemaciado, com exsudado seroso ou purulento e dor à palpação. Especialmente em
vitelos caracteriza-se por febre, perda de peso, isolamento e quando associado a poliartrite, há uma
marcada depressão, claudicação de um ou mais membros, calor e aumento de volume da articulação
afectada. O tratamento consiste na administração de antibióticos, como tetraciclinas ou penicilinas
(Riet-Correa, 2001b).

Na unidade a poliartrite a foi observado em 2 vitelos com cerca de quatro semanas de vida. Ao
exame clínico apresentavam-se com sinais de claudicação, inflamação do umbigo e das articulações
do cotovelo, tarso, joelho e do carpo. O tratamento instituído na unidade consistiu na administração
de oxitetraciclina (Oxitetraciclina® 200 LA, 200mg/ml, Invesa Industrial Veterinaria, Espanha) na dose
de 20 mg/kg de P.V. por via IM e dexametasona (Dexamethsone ®, 2mg/ml Alfasim-Holland), dose de
10-30 mg/Kg de P.V. por via IM.

4.2.11 Fractura de Metatarso

Fractura é uma quebra ou ruptura de um osso. Esta pode ocorrer na superfície articular ou ao logo do
osso. As fracturas em bovinos geralmente resultam de um evento traumático agudo ou devido
alterações patológicas como neoplasia, osteomielite ou carências de minerais (Smith, 2009). As
Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 19
Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

fracturas nos membros são comuns em animais mais jovens e, é nesta categoria animal que a
resolução da fractura é mais fácil por ter uma rápida capacidade de cicatrização óssea (Anderson et
al., 2008). O tratamento é feito considerando o valor económico ou genético do animal, a idade, a
localização da fractura, o custo do tratamento e o prognóstico (Anderson et al., 2008). Normalmente
em vitelos, quando se trata de uma fractura fechada, o tratamento consiste na imobilização do
membro com gesso e/ou talas. Em caso de uma fractura aberta resolve-se com recurso a um
processo cirúrgico. Em bovinos adultos a eutanásia tem sido a opção mais usada em caso de uma
fractura (Smith, 2009).

Na unidade, os casos de fractura no metatarso ocorreram em dois vitelos, com cerca de oito meses
de idade. Ao exame clínico, observou-se claudicação dos animais, instabilidade, edema e crepitação
do local da fractura. Para o tratamento, colocou-se gesso em um dos vitelos. O animal ficou
engessado durante 30 dias. Para o outro, recomendou-se o seu abate, pois o caso era antigo e com
prognóstico mau, para qualquer que fosse a intervenção a efectuar.

Figura X. Gesso é um vitelo com fractura no metatarso. Fonte: colecção do autor

4.2.12 Sarna em bovinos

Sarna é uma doença causada por ácaros. Em bovino ocorrem com mais frequência a sarna
sarcóptica, demodécica, psoróptica e corióptica. As manifestações da doença incluem prurido, pele
escamosa, espessamento da pele, alopecia, formação de crostas, pápulas, pústulas, vesículas e
queda da produção. O diagnóstico baseia-se nos sinais clínicos e exames laboratoriais. O tratamento
consiste na aplicação de ivermectinas e banhos com acaricidas (Urquhart et al., 1996)

Os casos de suspeita da sarna na unidade ocorreram em dois touros de raças Holstein-Frisian. Estes
apresentavam-se com escamas na pele, alopecia na região do pescoço e do tórax. O tratamento

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 20


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

consistiu em banhos com solução de amitraz a 125g/L (Volmitraz® 12% EC-Arysta Lifescience, África
do Sul) diluído numa proporção de 2 ml para 1 L de água. Também fez-se a administração de
ivermectina, na dosagem de 1 ml/50 Kg de P.V. por via SC, duas vezes, num intervalo de sete dias. A
resposta positiva ao tratamento confirma a suspeita.

Figura XI. Caso de sarna em um bovino, observa-se áreas de alopecia e escamas na pele na região do
pescoço (setas). Fonte: colecção do autor

4.2.13 Edema da glândula mamária

Edema da glândula mamária é o aumento do tamanho da glândula devido ao extravasamento do


plasma para os tecidos. Normalmente é fisiológico no período ante e pós-parto nas novilhas e nas
vacas adultas, esta associada a processo inflamatório (mastite) e dificuldade de retorno venoso
devido a gestação. Os factores predisponentes para sua ocorrência incluem a genética, maneio
nutricional e obesidade. O diagnóstico baseia-se nos sinais e no exame clínico (teste de Godet
positivo) (Malven, et al., 1983; Kojouri et al., 2015)

Na unidade o caso de edema da glândula mamária foi observado em uma vaca de raça Brahman,
com cerca de quatro anos de idade, no início da gestação. Esta tinha a glândula mamária aumentada
de tamanho. À palpação constatou-se que se tratava de edema (teste de Godet positivo), o qual
associou-se a gestação. O tratamento consistiu na administração de dexametasona (Dexamethsone ®,
2mg/ml Alfasim, Holland) na dose 10-30 mg/kg de P.V. por via IM, durante três dias seguidos. Depois
do tratamento, a glândula mamária diminuiu de tamanho, indicando assim uma melhoria.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 21


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Figura XII. Caso de edema da glândula mamária em vaca, observa-se o aumento do tamanho da glândula
(seta). Fonte: colecção do autor

4.2.14 Atáxia cerebelar em um vitelo

Ataxia cerebelar é uma disfunção do cerebelo que provoca o funcionamento anormal de grupos
musculares que normalmente funcionam de modo associado para manter o animal em estação e/ou
para efectuar uma marcha normal. A causa da patologia está relacionada com doenças
degenerativas, anomalias congénitas, traumatismo e intoxicações. Os sinais clínicos observados em
caso da doença incluem incoordenação dos membros (hipermetria e hipometria), aumento de
superfície de apoio, perda de equilíbrio, tremor e oscilação da cabeça. O diagnóstico baseia-se nos
sinais clínicos e pela confirmação laboratorial (Smith, 2009).

Na unidade o caso da suspeita da ataxia cerebelar foi observado em um vitelo de raça Jersey, com
cerca de 2 meses de idade. Pela história, o vitelo tinha incoordenação dos membros, o que o levava
em casos de marcha forçada a perder o equilíbrio e cair. Ao exame clínico observou-se hipometria e
ataxia dos membros torácicos. Com base na idade do animal, associou-se a patologia a desordens
congénitas no cerebelo. Não foi realizado nenhum tratamento e o prognóstico foi considerando
reservado a má.

4.2.15 Adenoma sebáceo em uma vaca

Adenoma sebáceo é um tumor benigno de origem epitelial, comum em cães e raro em outras
espécies domésticas. As lesões podem ser solitárias ou múltiplas e crescem em qualquer lugar do
corpo, principalmente, na cabeça e no tronco. Macroscopicamente podem ser observadas duas
morfologias das lesões: a primeira que se caracteriza por lesões solitárias de alopecia em forma de
couve-flor e a segunda por lesão intradérmica multilobulada, alopécica e por vezes ulcerada. O
tratamento consiste na excisão cirúrgica do tumor (Raminhos, 2011; Mazzocchin, 2013).

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Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Na unidade o caso de adenoma sebáceo foi observado em uma vaca landim com mais de 5 anos de
idade. Ao exame clínico, apresentava lesões em forma de couve-flor na região do períneo, que se
estendiam até a vulva. As lesões também foram observadas, no dorso e na cauda do animal. A
confirmação do diagnóstico foi estabelecido por exame histopatológico.

A B C

Figura XIII. Adenoma sebáceo em uma vaca Landim. A e B lesões múltiplas em formato de couve-flor na vulva
e cauda respectivamente. C-dorso do animal com lesões em forma de crostas múltiplas. Fonte: colecção do
autor.

4.3 Outras Actividades

4.3.1 Banho carracicidas

As carraças são ectoparasitas hematófagos pertencentes a família Ixodidae e Argasidae, que afectam
mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Estas representam um entrave para explorações pecuárias pela
acção traumática, espoliadora e como vetores de doenças. O controlo de carraças baseia-se
principalmente no uso de carracricidas químicos, aplicados por meio de banhos por imersão em
tanque ou por aspersão total dos animais e em forma de spray ou spot on. Outros meios de controlo
de carraças incluem a queimada do pasto antes das chuvas, selecção de bovinos com resistência
natural as infestações e uso de vacinas (Urquhart et al, 1996).

Na unidade para o controlo de caraças os animais eram banhados por aspersão. Durante o período
de estágio foram acompanhados quatro banhos carracicidas. O fármaco utilizado foi o amitraz a
125g/L (Volmitraz® 12% EC, Arysta lifescience, África do Sul), a uma diluição de 2 ml para 1 L de
água. A frequência dos banhos dependia do grau de infestação por carraças.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 23


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Figura XIV. Bovino tomando um banho carracicida por aspersão. Fonte: colecção do autor

4.3.2 Desparasitação

Parasitismo é associação existente entre dois organismos, o parasita e o hospedeiro, onde o primeiro
beneficia desta interacção alimentando-se em detrimento do segundo. Em bovinos, as infecções de
parasitas gástricas causam prejuízos económicos, pela debilidade da saúde do animal e até pela sua
morte (Groenendijk, 2011).

A desparasitação contra parasitas gastrointestinais na unidade é feita de três em três meses. Devido
a suspeita de parasitas gastrointestinais, baseando-se nos sinais clínicos, foram desparasitados cinco
bovinos de diferentes idades, usado Ivermectina na dosagem de 1ml/50Kg de P.V. por via SC fora do
período normal de desparasitação na unidade. Ao exame clínico os animais apresentavam mucosas
pálidas, depressão, baixa condição corporal, diarreias, emaranhamento dos pêlos e fraqueza
progressiva.

4.3.3 Diagnóstico de gestação

O diagnóstico de gestação permite controlar, manter a eficiência reprodutiva e identificar problemas


precoces a nível do animal ou do grupo. Normalmente é realizado com intuito de identificar
precocemente os animais não gestantes (para tratamento ou refugo), em caso de venda de animais,
diminuir os gastos desnecessários em programas reprodutivos e ajudar no maneio económico da
exploração. Em bovinos, usa-se com mais frequência o método de palpação rectal e a ecografia
transrectal para o diagnóstico de gestação (Perdigão, 2017).

Durante o estágio realizou-se o diagnóstico de gestação a catorze vacas, pelo método de palpação
rectal com objectivo de identificar as fêmeas não gestantes para o refugo e a venda. Das catorzes

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 24


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

vacas palpadas, seis estavam vazias e as restantes oito estavam em diferentes fases de gestação.
As vacas vazias eram sinalizadas com o corte dos pêlos terminais da cauda.

4.3.4 Desmame

Foram desmamados setenta e dois vitelos por meio da separação física dos mesmos das matrizes. O
desmame era efectuado com base na estimativa visual de peso vivo, isto é, animais com
aproximadamente 150 kg. Estes eram estabulados longe do contacto físico e visual das mães durante
um mês, onde recebiam forragem duas vezes ao dia e água a vontade. Depois deste período, os
vitelos machos eram introduzidos no curral dos novilhos, enquanto as fêmeas eram reintroduzidas no
grupo dos reprodutores.

4.3.5 Descorna e aparo correctivo dos cascos

Na unidade foi feita a descorna em quatro fêmeas que apresentavam um crescimento anormal dos
cornos, usando para tal um alicate de descorna. Igualmente foram aparados os cascos de uma vaca
que apresentava um crescimento excessivo dos mesmos.

4.3.6 Participação no abate de bovinos

Na unidade os abates são feitos com base na solicitação dos compradores e a escolha do animal
esta ao critério do comprador. Os animais seleccionados (novilhos ou vacas vazias) eram
encaminhados a sala de abate onde eram dessensibilizados (seccionando a medula na região
occipital com recurso a uma faca), seguida da sangria, por fim a esfola e pesagem das carcaças com
recurso a uma balança. O peso variava entre 110 e 160 Kg (média 135 kg).

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 25


Trabalho de Culminação de Estudos-Relatório de Estágio

Parte II

Descrição do caso de Estudo

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 26


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
5 CASO DE ESTUDO: QUERATOCONJUNTIVITE INFECCIOSA BOVINA. RELATO DE CASO

5.1 Revisão Bibliográfica

A Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina (QIB), também conhecida como doença do olho branco, é
uma enfermidade bacteriana, ocular, infecto-contagiosa, comum em bovinos (Senturk, 2007;
Radostits et al., 2012). Esta enfermidade foi identificada pela primeira vez em 1889 nos Estados
Unidos da América (Brown et al., 1998; Arnold, 2012), é caracterizada por alta morbilidade, podendo
abranger cerca de 80% da manada em risco (Radostits et al., 2012).

A doença causa prejuízos económicos pela perda de visão temporária ou definitiva do animal,
afectando negativamente a sua capacidade de se alimentar, consequentemente a redução de peso,
perda de condição corporal e diminuição na produção de leite. Esta doença também é associada a
altos custos relacionadas com as análises laboratoriais, tratamento, dificuldades para o maneio e
desvalorização dos animais (Arnold, 2012; Seid, 2019). Em 1979, na Austrália estimou-se uma perda
de cerca de 22 milhões de dólares pela baixa produção e 1.5 milhões de dólares com o tratamento
(Brown et al., 1998; McConnel et al., 2007).

Vários factores influenciam o desenvolvimento da QIB, destacando-se a estação do ano (verão),


aumento de vectores (mosca), doenças concomitantes, estirpe da bactéria envolvida, a genética e
estado imunológico do animal (Arnold, 2012; Radostits et al., 2012). A doença pode manifestar-se de
várias formas, sendo a forma aguda caracterizada por uma queratoconjuntivite moderada, a sub-
aguda por ulceração da córnea e a forma crónica caracterizada pelos sinais de queratoconjuntivite
grave e em alguns casos ocorre ruptura da córnea (Brown et al., 1998).

A doença dissemina-se rapidamente na manada, em caso da sua ocorrência, imediatamente devem


ser tomadas algumas medidas para o seu controle com vista a reduzir os seus efeitos prejudiciais,
estas medidas incluem o isolamento e o tratamento imediato e eficaz dos animas doentes e o
controle dos factores contribuintes para a sua propagação. A prevenção é baseada na vacinação dos
animais em risco, redução da presença do patogéno e manutenção de um ambiente livre de factores
irritantes sempre que possível (Sllater, 2005; Arnold, 2012).

5.1.1 Etiologia

A QIB é uma doença causada pela Moraxella bovis, uma bactéria gram-negativa, imóvel, aeróbica,
oxidase positiva, variável em catalase e colagenase, não forma esporos, não fermenta carbohidratos
e nem reduz nitratos. É pleómorfica, apresentando-se aos pares ou em cadeias curtas em formato de
cocos, cocobacilos e a forma de bacilos (Quinn et al., 1994; Postma et al., 2007; Arnold, 2012). Em

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 27


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
agar sangue, forma colónias lisas ou rugosas de 1 a 3 mm de diâmetro, circulares, esbranquiçadas e
com um estreito halo de hemólise (Brown et al., 1998; Conceição et al., 2003).

Em bovinos o microrganismo encontra-se na conjuntiva, narinas e em alguns casos na vagina dos


bovinos (Radostits et al., 2012). Os bovinos podem estar infectados por cerca de um ano sem
apresentar problemas oculares, o que contribui para persistência da doença de ano em ano numa
manada (Arnold, 2012; Radostits et al., 2012). Em caso da QIB para além da Moraxella bovis, o
principal agente etiológico da doença pode-se encontrar outros microrganismos associados, como a
Moraxella ovis, Moraxella bovoculi, Neisseria spp. Mycoplasma e Chlamydia (Alexander, 2010).

5.1.2 Patogenia

O período de incubação é de dois a três dias (Arnold, 2012; Radostits et al., 2012), mas em infecções
experimentais o período de incubação pode chegar até às três semanas (Radostits et al., 2007). O
factor primário de patogenicidade da M. bovis são as fímbrias, proteínas de superfície da bactéria
cuja função é de fixação a receptores específicos das células epiteliais da córnea e conjuntiva. Uma
vez fixada a bactéria liberta uma toxina, a β-hemolisina, que destrói as células da córnea resultando
na sua ulceração (Arnold, 2012). A ulceração da córnea é acompanhada pela perda do epitélio
corneal, degeneração dos queratinocitos e invasão do estroma corneal com a destruição fimbrilar. As
lesões só se encontram no olho, sem infecção sistémica (Radostits et al., 2012).

5.1.3 Epidemiologia

A QIB ocorre em todo mundo, porém é comum na Ásia, África e América devido as altas
temperaturas. Esta doença pode ocorrer em qualquer altura do ano, mas é mais comum no verão e
os bovinos são os únicos reservatórios da doença (Postma et al., 2007; Costa et al., 2008; Radostits
et al., 2012). A exposição do olho a radiação ultravioleta, aumento da população de moscas, acúmulo
de poeira, trauma ocular, stress, associação de outros microrganismos ao agente etiológico, são os
factores que predispõem a ocorrência e a propagação da doença (Conceição et al, 2003; Arnold,
2012).

Está doença apresenta uma mortalidade baixa, mas com um índice elevado de morbilidade que pode
chegar aos 80% entre a terceira e quarta semana do surto. A transmissão é através de contacto
directo com as descargas nasais,oculares e indirecto pela via de fomités e vectores biológicos
(moscas) (Postma et al., 2007). As principais moscas associadas são Musca autumnalis, Musca
domestica e Stomoxys calcitrans devido as suas preferências de se alimentarem ao redor dos olhos
(Postma et al., 2007).

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 28


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
A QIB pode afectar animais de todas idades, sexo e raças. Em regiões endémicas, os animais mais
jovens são os mais afectados. Bovinos de raças Zebuínas (Bos indicus) e suas cruzas são os menos
afectados se comparadas com as raças Europeias (Bos taurus) (Postma et al., 2007). A gravidade da
doença e as proporções das infecções bilaterais são maiores nos Bos taurus do que nas raças
mestiças (Alexander, 2007; Radostits et al., 2012). A falta de pigmentação palpebral está associada a
maior incidência e severidade da QIB nas raças Hereford (Postma et al., 2007).

A infecção prévia confere uma imunidade significativa, que pode durar até a próxima estação do ano,
onde esta pode ser aumentada com a reinfecção. As secreções lacrimais contêm anticorpos contra
os antígenos fimbriais da M. bovis, impedindo assim a sua aderência a córnea (Radostits et al.,
2012).

5.1.4 Sinais clínicos

Os sinais clínicos iniciais da QIB incluem a conjuntivite, congestão dos vasos corneais e edema da
conjuntiva. Estes sinais são acompanhados por um lacrimejamento aquoso intenso (epífora),
blefarospasmo, fotofobia e edema da córnea (Costa, 2008; Arnold, 2012; Calheiros, 2019), em alguns
casos, pode haver febre moderada, queda na produção de leite e diminuição de apetite devido a dor
(Postma et al., 2007; Radostits et al., 2012; Arnold, 2012). Segundo Angelos (2015) e Calheiros
(2019) em alguns casos os sinais iniciais da doença não são observados e passam facilmente
despercebidos, detectando-se as lesões em estágios mais avançados da doença. Os sinais clínicos
observados no estado avançado da doença incluem, opacidade da córnea, queratocone e ulceração
da córnea (Radostits et al., 2012; Calheiros, 2019). Em alguns casos, observa-se uma cegueira
temporária ou irreversível com ruptura da córnea (Costa, 2008).

A doença pode ser uni ou bilateral (Arnold, 2012; Radostits et al., 2012). O grau de ulceração é
determinado pela infusão de uma solução de fluoresceína a 2% dentro do saco conjuntival (Radostits
et al., 2012). Após tratamento, a maioria dos animais recuperam completamente, porém alguns
apresentam uma opacidade residual e/ou uma pequena cicatriz branca no olho (Radostits et al.,
2012).

5.1.5 Diagnóstico

O diagnóstico da QIB é baseado nos sinais clínicos, epidemiologia, presença de vectores e pela
confirmação laboratorial (Calheiros, 2019; Seid, 2019). O diagnóstico laboratorial é muito importante
porque permite identificar a estirpe em causa e sua sensibilidade aos antibióticos (Angelos, 2007).

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 29


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
A colheita de amostra para microbiologia deve ser realizada antes da implementação de qualquer
tratamento (Alexander, 2010). A amostra deve ser proveniente do fundo do saco ventral de secreções
lacrimais, utilizando uma zaragatoa estéril (Seid, 2019). O agente está em maior concentração nos
animais com início da doença e recomenda-se a colheita de várias amostras (Turquieto et al., 2008
citado por Calheiros, 2019.)

No laboratório faz-se a cultura, isolamento do microrganismo e a sua identificação a base de


características culturais, morfológicas e testes bioquímicos (Quinn, 1994). A bactéria também pode
ser identificada usando a técnica de PCR, que é extremamente específica, sensível, adequado para o
diagnóstico e estudos epidemiológicos (Seid, 2019). Outros meios de diagnósticos, incluem o teste de
precipitina por difusão em gel e o teste de ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA) para a
detecção de anticorpos (Radostits et al., 2012).

5.1.6 Diagnóstico diferencial

A doença pode ser facilmente confundida com outras patologias que provocam lesões nos olhos,
muitas vezes associadas a processos traumáticos ou infecciosos (Seid, 2019), a considerar:

 Corpo estranho, facilmente diferenciado pelo número de animais afectados e devido a


presença do corpo estranho dentro do saco conjuntival ou observação da lesão física
(Angelos, 2015; Seid, 2019).
 Febre Catarral Maligna provocada por herpesvirus. Esta apresenta descargas
mucopurulentas, conjuntivite e opacidade da córnea. Esta patologia difere-se da QIB pelo
facto de causar linfadenite e necrose nasal e bucal (Alexander, 2010).
 Rinotraqueite Infecciosa Bovina (IBR) provocada pelo herpesvírus bovino tipo 2, caracteriza-
se por descargas oculares mucopurulentas e conjuntivite. Diferencia-se da QIB pelo facto
desta provocar descargas nasais e lesões erosivas na mucosa nasal e bucal. Apresenta sinais
sistémicos e não ocorre ulceração da córnea (Alexander, 2010).

5.1.7 Tratamento

O tratamento da QIB é mais eficaz quando realizado no início da doença (Arnold, 2012). Baseia-se no
uso de antimicrobianos e o isolamento dos animais doentes (Radostits et al., 2012). Existem vários
protocolos antimicrobianos estabelecidos para o tratamento da QIB. Segundo Brown et al., (1998)
nenhum protocolo terapêutico assegura a cura total ou erradicar o estado portador do animal. A
escolha do antimicrobiano deve basear-se no teste de sensibilidade do mesmo (McConnel et al.,
2007). No estudo feito por Costa et al. (2008), no Brasil, observaram a sensibilidade de M. bovis aos

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 30


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
seguintes antibióticos: penicilina, ampicilina, cefalotina, gentamicina, canamicina, sulfametoprin e
tetraciclina e resistência para licomicina e sulfonamidas.

A escolha do fármaco para o tratamento da QIB é influenciado pela via de administração, forma
farmacêutica, a contenção dos animais e custo de aquisição (Radostits et al., 2012). As vias de
administração mais utilizadas para o tratamento da QIB são a subconjuntival, tópica, subcutânea e
intramuscular (Angelos, 2007; McConnel et al., 2007)

5.1.7.1 Terapia Subconjuntival

A injecção subconjuntival de antibiótico é considerada mais eficaz para o tratamento de QIB


(Radostits et al., 2012; Calheiros, 2019). Uma aplicação é suficiente, embora em casos graves seja
necessário repeti-la (Radostits et al., 2012). A aplicação por esta via é vantajosa por reduzir os custos
de tratamento, a quantidade do fármaco e por manter maiores concentrações oculares por um
período mais logo se comparado a via tópica e a sistémica, além de ocorrer uma difusão directa para
esclera e córnea (Seid, 2019; McConnel et al., 2007; Angelos, 2007).

Calheiros (2019), administrou 1 ml de penicilina via subconjuntival, duas vezes, em intervalos de 48


horas para o tratamento da QIB. Rezende et al. (2009) administraram 2 ml (600 mg) de florfenicol via
intrapalpebral na dose única. O tratamento com florfenicol mostrou-se eficiente, com recuperação dos
animais 96 horas após a aplicação. Para além de eficiente, esse método foi vantajoso porque reduziu
a dose utilizada na ordem de onze vezes a menos que a recomendada para aplicações
intramusculares.

As desvantagens de administração subconjuntival residem na dificuldade da sua aplicação, por


precisar de contenção rigorosa do animal, pessoal qualificado e causa dor ao animal. As preparações
a base de penicilina e aminoglicosídeos são as mais usadas em terapia subconjuntival (Radostits et
al., 2012).

5.1.7.2 Terapia tópica

A administração tópica de antimicrobianos (em forma de pó, pomadas e sprays) é um dos métodos
mais praticado em casos iniciais e agudos de QIB (Radostits et al., 2012). Os antimicrobianos devem
ser aplicados nos sacos conjuntivais várias vezes ao dia a intervalos constantes, que na maioria das
vezes torna-se impraticável em condições de campo (Slatter, 2005; Radostits et al., 2012). Arnold
(2012) aponta que o spray tópico permanece nos olhos alguns minutos antes de ser lavado pelas
lágrimas, por isso é necessário aplicar três a quatro vezes ao dia para que este seja eficaz. As
vantagens desta via são aumento da segurança terapêutica, redução dos custos de tratamento,

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 31


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
alcance rápido de concentração terapêutica do fármaco na lágrima,ausência de intervalo de
segurança para o abate e fácildade de aplicação (Angelos, 2015). Alguns antibióticos utilizados neste
protocolo são a penicilina, cloxacilina, oxitetraciclina (McConnel et al., 2007).

5.1.7.3 Tratamento sistémico

É uma das vias mais dispendiosas, pela maior quantidade de fármaco necessário, porém é mais fácil
e oferece segurança no momento da administração. A duração da terapia é superior se comparada
com a terapia tópica ou subconjuntival (Alexander, 2010). Segundo Senturk et al., (2007) alguns
antibióticos administrados por esta via podem não atingir concentrações terapêuticas nas glândulas
lacrimais ou na lágrima. Punch et al. (1985) citado por Angelos (2007) descreve que os fármacos
lipofílicos como o cloranfenicol, eritromicina e a oxitetraciclina têm uma distribuição nas lágrimas em
maiores concentrações do que os não-lipofilicos, como a gentamicina.

Na Austrália foi usada a oxitetraciclina na dose de 20 mg/kg, via IM ou SC, duas vezes, no intervalo
de 72 horas e verificou-se a redução dos sinais clínicos e a incidência da doença (McConnel et al.,
2007). Os antibióticos utilizados por esta via incluem a oxitetraciclina, tilmicosina, ceftiofur,
tulatromicina, penicilina e florfenicol (McConnel et al., 2007).

5.1.8 Prevenção e controle

A forma mais eficiente para a prevenção e/ou controle da QIB é através do controlo dos vectores, a
principal fonte de contágio. Este controlo deve começar no início da estação quente (Baptista, 1979;
Brown et al., 1998). Não se deve adquirir novos animais com sinais da doença. Deve-se manter uma
boa vigilância sanitária aos animais, isto é, isolar o animal e tratá-lo quando se observam os sinais
iniciais da doença (Radostits et al., 2007).

A QIB por ser uma doença causada por uma bactéria oportunista, requer práticas de maneio que
visem diminuir a exposição dos animais aos factores de riscos, estas práticas incluem: boa
alimentação, disposição de resíduos e evitar pastar em locais que possam causar lesões nos olhos
(Baptista 1979; Slatter, 2005). Têm sido desenvolvidas vacinas, embora os resultados sejam
inconsistentes e de eficácia limitada (Slatter, 2005; Angelos et al., 2007).

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 32


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
5.2 Relato de Caso

No decorrer do estágio vários animais foram afectados pela QIB, tornando-a a doença com a maior
frequência de ocorrência na unidade. A época do ano (verão) favoreceu a multiplicação do vector
(Musca domestica), contribuindo para maior propagação da doença. No país, a doença tem sido
diagnosticada baseando-se apenas nos sinais clínicos (Comiche, 2014; Tamela, 2016). Neste caso,
para além do diagnóstico por meio de sinais clínicos, recorreu-se também a exames laboratoriais com
vista a identificação do agente. A descrição do presente caso pretende chamar atenção para o
impacto da doença, em termos da sua incidência na clínica de ruminantes e seu prejuízo aos
produtores.

5.2.1 História

Na unidade a QIB é comum e ocorre ao longo de todo o ano. O recrudescimento do número de casos
e dos sinais clínicos da doença começou a ser observado a partir do início do segundo semestre do
ano 2019, tendo sido observados e tratados durante a vigência do estágio 104 animais. As
manifestações da doença ocorreram em todas as categorias animais e raças da unidade. Porém, os
mais jovens (novilhos e vitelos) e os de raça Holstein-Frisian e Jersey foram os animais mais
afectados. O tratamento de eleição da unidade é a administração do pó oftálmico a base de
doxiciclina, sulfacetamida sódica, e cetrimida (Doxymycin®- Bayer Animal Health, RSA) e o resultado
tem sido satisfatório.

5.2.2 Exame geral

Os animais afectados apresentavam-se em diferentes estágios da doença. Em geral, aqueles no


início da doença eram caracterizadas por conjuntivite, epífora, blefarospasmo e fotofobia. Animais em
estágios mais avançados da doença, para além dos sinais já mencionadas, apresentavam também
dificuldade de enxergar (tornando-os agressivos quando aproximados), redução de apetite e uma
baixa condição corporal se comparados com os animais não doentes. As lesões oculares eram uni ou
bilaterais.

5.2.3 Exame geral físico

Ao exame físico, os animais afectados apresentavam valores normais de referência para a respiração
(10-30 MR/min), pulso (50-80 P/min) e temperatura (38-39 °C), excepto em poucos casos onde se
observava um ligeiro aumento de alguns destes parâmetros.

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Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
5.2.4 Exame específico

Observaram-se dois estágios da doença, o estágio inicial e o estágio avançado. Os animais no


estágio inicial da doença apresentavam os seguintes sinais: conjuntivite, lacrimejamento intenso,
fotofobia, blefarospasmo e opacidade da córnea. Em casos avançados da doença os animais
apresentavam os seguintes sinais: ulceração da córnea (embranquecimento da córnea),
neovascularização, queratocone, cegueira temporária ou permanente. As lesões eram em um ou
ambos os olhos, porém a maioria dos animais apresentaram lesões unilaterais.

A B C
A
Figura XV. Lesões da QIB em diferentes animais e estágios: A- lacrimejamento intenso e úlcera da córnea; B-
Conjuntivite e opacidade da córnea; C- Conjuntivite e queratocone. Fonte: colecção do autor

5.2.5 Diagnóstico

O diagnóstico presuntivo de QIB causada por Moraxela bovis foi feito com base na história, na
epidemiologia da doença (época do ano, condições higiénicas, presença de vectores, número dos
animais afectados) e pelos sinais clínicos.

5.2.5.1 Exames complementares de diagnóstico

Para a confirmação do agente causal foram colectadas amostras em quatro animais utilizando
zaragatoas (Swabs). As amostras foram colhidas nos sacos lacrimais ventrais de bovinos com sinais
iniciais da doença. Estas foram enviadas ao laboratório de Microbiologia da FAVET, onde fez-se a
cultura e exames bioquímicos para a identificação do agente causal e avaliação da sensibilidade do
mesmo aos antibióticos.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 34


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
5.2.5.2 Resultados do exame laboratorial

Os exames microbiológicos confirmaram a suspeita. Estes revelaram que a QIB era causada pela
bactéria Moraxella bovis. Outra bactéria isolada foi o Staphylococcus spp. Em relação a sensibilidade
antibiótica os resultados estão representados na tabela abaixo. A escolha destes antibióticos foi feita
com base na disponibilidade do laboratório.

Tabela III. Resultados da sensibilidade da M. Bovis aos antibióticos

Antibiótico Sensibilidade

Polimixina ++

Cloranfenicol +

Rifampin -

Sulfatoxazol -

Nitrofurantoïna -

Oxaxilina -

Cefazolina -

Fosfomicina -

++ sensível; + pouco sensível; - não sensível

5.2.6 Tratamento

Foram utilizados dois protocolos terapêuticos, o de antibioticoterapia tópica e de aplicação


subconjuntival. A escolha da via de administração fez-se com base na gravidade do caso, facilidade
de aplicação, disponibilidade de meios e experiência do tratador.

Em casos inicias da doença usou-se a via tópica e a via subconjuntival foi usada nos casos mais
avançado da doença. A escolha dos antibióticos usados tanto no tratamento tópico como na
aplicação subconjuntival baseou-se na disponibilidade dos mesmos na unidade e não nos resultados
do antibiograma.

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Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
5.2.6.1 Terapia tópica

Para aplicação tópica, primeiro era feita a contenção do animal na manga de tratamento usando uma
cabeçada (laço usado para conter a cabeça). Antes do tratamento, era feita a lavagem dos olhos com
uma solução salina (diluída) preparada no local. Procedia-se a administração do pó oftálmico a base
de doxiciclina, sulfacetamida sódica e cetrimida (Doxymycin®- Bayer Animal Health, RSA),
depositada na mucosa ocular dos animais, seguida de uma massagem conjuntival. Em casos de
lesões unilaterais, preventivamente eram tratados os dois olhos. O tratamento era feito em dias
alternados, até a melhoria do animal.

5.2.6.2 Terapia Subconjuntival

Na aplicação subconjuntival, primeiro procedia-se a contenção do animal, porém neste protocolo a


contenção era mais rigorosa para evitar acidentes tanto para o animal como para o tratador e seus
ajudantes. Administrava-se de 0.2-0.5 ml da combinação de benzilpenicilina procaínica e
dihidrostreptomicina (Streptopen® 20/20 DS, Alfazam, Holanda) na mucosa subconjuntival superior,
do olho afectado, usando seringa de 2,5 ou 3 ml, acoplada a agulha hipodérmica 23 G, numa única
aplicação. Os animais apresentavam melhorias entre a primeira e a terceira semana depois da
aplicação. Em alguns casos, devido a gravidade dos mesmos, era feita aplicação subconjuntival em
combinação com a aplicação do pó oftálmico no momento e nos dias seguintes à aplicação
subconjuntival até a melhoria do animal. Uma das grandes dificuldades da aplicação da injecção
subconjuntival está na contenção dos animais e no facto das agulhas muitas vezes ficarem entupidas
com a droga.

A B

Figura XVI. Tratamentos de dois Bovinos com QIB. A- Terapia tópica e B- Terapia subconjuntival. Fonte:
colecção do autor

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 36


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
5.2.7 Discussão

A unidade possui cerca de 600 animais dos quais 104 foram diagnosticados e tratados da QIB
durante o período do estágio, representado 17%. Porém, a doença já tinha sido detectada e vinha
sendo tratada muito antes do período do estágio, sem registo de dados. A elevada morbilidade da
doença na unidade corrobora com as observações de Postma et al. (2007) e Radostits et al. (2012)
os quais referem que a doença é altamente contagiosa e pode afectar cerca de 80% da manada.

O recrudescimento dos casos e propagação da QIB na unidade pode estar associada aos factores
como, a época do ano, aumento de moscas, desnutrição e não isolamento de animais doentes.
Postma et al. (2007), Senturk et al. (2007), Radostits et al. (2012), Calheiros (2019), apontam os
mesmos factores acima descritos como predisponentes para a propagação de QIB em uma manada.

Segundo Postma et al. (2007) e Calheiros (2019), a QIB afecta animais de diferentes raças, sexo e
idades. Os bovinos de raças europeias (Bos taurus) e animais jovens são os mais susceptíveis
(Baptista, 1979, Senturk et al., 2007). Estas observações coincidem com os achados no presente
caso, pois os animais da raça Holstein-Frisian e Jersey, bem como os mais jovens foram os mais
afectados.

No estado inicial da doença, os animais apresentavam lesões semelhantes que incluíam a epífora, o
blefarospasmo e a fotofobia. Estes resultados contrariam os achados de Angelos (2015), ao afirmar
que os sinais iniciais da QIB são difíceis de identificar e muitas vezes passam despercebidas. A
observação dos sinais clínicos neste caso pode estar relacionada a observação diária dos animais.
Em estágios avançados da doença, os animais apresentavam queratocone, neovascularização da
córnea e perda de visão temporária. Estas lesões foram também observadas por Calheiros (2019).

A identificação do agente patológico envolvido em caso da QIB é um procedimento muito importante


para um tratamento eficaz (Calheiros, 2019). No presente estudo para além da Moraxella bovis, o
principal agente isolado em casos de QIB, também foi isolado o Staphylococcus spp.. Este facto foi
também descrito por Alexander (2010) e Calheiros (2019), que consideram a QIB uma doença na
qual para além da Moraxella bovis, podem estar evolvidos outros agentes etiológicos.

A Moraxella bovis é sensível a penicilina, ampicilina, cefalotina, gentamicina, canamicina e


tetraciclina, porém, podem existir variações para o perfil da sensibilidade entre amostras da mesma
manada, o que torna importante a realização do antibiograma (Costa et el., 2008). No presente caso
de estudo, a bactéria foi sensível a polimixina e cloranfenicol.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 37


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
Em geral, o tratamento da QIB na unidade é feito pela via tópica, usando pó oftálmico. A terapia pela
via subconjuntival não é um procedimento de rotina, sendo aplicada quando as condições assim o
permitem.

A aplicação de 0.2-0.5 ml da combinação de benzilpenicilina procaínica e dihidrostreptomicina por via


subconjuntival mostrou-se eficaz, embora com uma grande variação no tempo de recuperação dos
animais. Resultados similares são descritos por Slatter (2005) e Angelos (2007), que apontam o uso
de penicilina como um fármaco de eleição para o tratamento da QIB quando administrada pela via
subconjuntival.

A quantidade de fármaco usado na terapia subconjuntival no presente caso é muito menor se


comparada com a descrita por Calheiros (2019) que administrou 1 ml de penicilina duas vezes no
intervalo de 48 horas e Rezende et al. (2009) que utilizaram 2 ml de florfenicol em dose única. Em
todo o caso, a terapia por via subconjuntival utiliza doses muito menores que as recomendadas por
via intramuscular, mostrando-se economicamente vantajosa.

Slatter (2005), considera a terapia tópica como ineficaz porque fornece concentrações
antimicrobianas por um curto período de tempo e por ser irritante para o animal. No presente caso a
via tópica foi eficaz, porém foi necessário várias aplicação. Angelos (2007), aponta a descarga ocular
e o blefarospasmo como factores que dificultam a aplicação tópica. Dificuldades estas também
encontrados neste caso.

Alguns animais após a recuperação da doença, apresentavam sequelas caracterizadas por


opacidade da córnea ou uma cicatriz esbranquiçada, facto também descrito por Radostits et al.
(2012).

5.2.8 Constrangimentos

Não foi possível acompanhar pormenorizadamente o percurso da recuperação de todos os animais


tratados, pois estes eram reintroduzidos nos seus respectivos grupos depois de tratamento e
carecerem de identificação individual (brincos, tatuagens) o que dificultava o seu reconhecimento e
também a comparação entre os procedimentos. Os animais tratados eram identificados com base na
cor da pele, fotografias e corte dos pêlos terminais da cauda.

Ângelo Nhambo Queface Blaunde, 2020 38


Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
6 Conclusão geral

O período de estágio, na empresa Agro-pecuária Alberto Augusto Teixeira, contribuiu bastante para
aquisição de conhecimento teórico-prático e para acúmulo de experiências do dia-a-dia em uma
unidade de bovinicultura e em actividades rotineiras de um profissional veterinário. A redação deste
relatório, também é sem dúvida um instrumento de aprendizagem, pois, permite analisar as diversas
actividades desenvolvidas numa unidade de produção de bovinos.

A QIB é uma doença multifactorial e de rápida disseminação em uma manada. A doença causa
prejuízos ao produtor em gastos com medicamentos, dificuldade de maneio, tempo e mão-de-obra.

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Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
7 Recomendações

Para a Unidade

 Identificação dos animais por meio de brincos;

 Melhorar o sistema de registo de ocorrências (nascimentos, doenças diagnosticadas,


tratamentos efectuados, transferência de animais, mortalidade e abates);
 Realização do teste de copo de fundo escuro antes da mungição;

 Recomendar a pasteurização de leite para compradores;

 Melhorar a higiene nos viteleiros;

 Maior observação dos recém-nascidos;

 Fazer a rega na machamba do capim elefante para garantir alimento na época seca;

 Sempre que possível isolar os animais doentes e tratá-los imediatamente;

 Compra de armadilhas ou insecticidas para moscas.

Para comunidade da FAVET

 Incentivar os estudantes a realizar o trabalho de culminação de estudos em forma de estágio.

 Equipar os laboratórios.

 Realizar estudos com vista a observar e quantificar prejuízos associados a QIB.

 Realizar estudos comparativos dos tratamentos utlizados neste caso.

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Queratoconjuntivite Infecciosa Bovina. Relato de Caso
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