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Regra 80/20

Em qualquer grande sistema, uma alta porcentagem de


efeitos é causada por uma baixa porcentagem de variáveis.'

A regra 80/20 afirma que aproximadamente 80% dos efeitos gerados em 1 Também conhecido como Princípio de Pareto,
Princípio de Juran e Regra dos Poucos Vitais e
qualquer grande sistema são causados por 20% das variáveis daquele sistema.
Muitos Triviais.
A regra 80/20 é observada em todos os grandes sistemas, incluindo os da
economia, administração, design de interface do usuário, controle de qualidade
2 O reconhecimento original da regra 80/20 é
e engenharia, para mencionar apenas alguns. As porcentagens específicas não
atribuído a Villredo Pareto, economista italiano
são importantes, pois as medidas dos sistemas reais indicam que a proporção que observou que 20% do povo italiano
de variáveis críticas oscila entre 10 e 30%. A universalidade da regra 80/20 detinha 80% da riqueza do país. A obra
sugere um elo com sistemas de distribuição normal, o que limita sua aplicação a lu nda menta I sobre a regra 80/20 é Quality
Contrai Handbook, de Joseph M. Juran (Ed.),
variáveis influenciadas por inúmeros eventos pequenos e não relacionados - por
McGraw-Hill, 1951.
exemplo, sistemas utilizados por muitas pessoas de maneiras diferentes. Entre os
exemplos da regra 80/20 estão."

80% do uso de um produto envolve 20% de suas funções.


80% do trânsito de uma cidade circula por 20% das ruas.
80% da receita de uma empresa vem de 20% dos produtos.
80% da inovação vem de 20% das pessoas.
80% do progresso vem de 20% do esforço.
80% dos erros são causados por 20% dos componentes.

A regra 80/20 é útil para se focar nos recursos e, com isso, perceber maiores
eficiências no designo Por exemplo, se 20% das funções críticas de um produto
são utilizadas 80% das vezes, os recursos de teste e design devem se concentrar
principalmente nessas características. Os outros 80% das funções devem ser
reavaliados para que seja possível verificar o valor agregado ao designo Do mesmo
modo, ao redesenhar sistemas para aumentar sua eficiência, concentrar-se
em aspectos que estejam fora dos 20% críticos provoca um retorno negativo;
as melhorias além dos 20% críticos produzirão ganhos menores, em geral
compensados pelo surgimento de erros ou novos problemas no sistema.

Nem todos os elementos de um design são iguais. Use a regra 80/20 para
determinar o valor dos elementos, foca r-se nas áreas de redesign e otimização e
concentrar-se nos recursos de maneira eficiente. As funções não essenciais, que
fazem parte dos 80% menos importantes, devem ser minimizadas ou retiradas do
projeto. Quando o tempo e os recursos são limitados, resista à vontade de corrigir
e otimizar além dos 20% críticos, pois esses esforços são menos produtivos. Em
geral, limite a aplicação da regra 80/20 às variáveis em um sistema influenciado
por muitos efeitos pequenos e sem relação entre si.

Ver também Custo/Benefício, Destaque, Distribuição Normal, Forma Segue a


Função e Mais Avançado Embora Aceitável.

14 Princípios Universais do Design


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Acessibilidade
Os objetos e ambientes devem ser projetados para serem
utilizados, sem modificação, pelo maior número de
pessoas possível.'

o princípio da acessibilidade afirma que os projetos devem ser utilizados por 1 Também conhecido como deslgn sem
indivíduos com habilidades diversas, sem a necessidade de modificações ou barreiras e relacionado ao design universal e
ao design inclusivo.
adaptações especiais. A história mostra que a acessibilidade estava concentrada
em acomodar usuários com deficiências. A medida que o conhecimento e a
experiência com o design acessível aumentaram, ficou cada vez mais claro que 2 As quatro características dos designs
acessíveis têm sua origem em W3C Web
muitas "adaptações" obrigatórias poderiam ser projetadas para beneficiar todos
Content Accessibility Guidelines 1.0, 1999;
os usuários. Os designs acessíveis têm quatro características: perceptibilidade, ADA Accessibility Guidelines for Buildings and
operabilidade, simplicidade e condescendência." Facilities, 1998; e Accessible Environments:
Toward Universal Design, de Ronald L. Mace,
A perceptibilidade é obtida quando todos conseguem perceber o design Graeme J. Hardie e Jaine P. Place, The Center
independentemente de suas capacidades sensoriais. As diretrizes básicas For Universal Design, North Carolina staie
University, 1996.
para melhorar essa característica são: apresentar informações com métodos
de codificação redundantes (por exemplo, textual, icônico e tátil); oferecer
compatibilidade com tecnologias de auxílio sensorial (por exemplo, as tags ALT
para as imagens na Internet); e posicionar controles e informações para que
possam ser percebidos por usuários sentados e de pé.

A operabilidade é obtida quando todos conseguem utilizar o design


independentemente de suas capacidades físicas. As diretrizes básicas para melhorar
a operabilidade são: minimizar as ações repetitivas e a necessidade de esforços
físicos prolongados; facilitar o uso de controles por meio de affordances e restrições
de alta qualidade; oferecer compatibilidade com tecnologias de auxílio físico (por
exemplo, acesso para usuários de cadeiras de rodas); e posicionar controles e
informações para que possam ser acessados por usuários sentados e de pé.

A simplicidade é obtida quando todos conseguem compreender e utilizar o design


sem dificuldade, independentemente dos níveis de experiência, alfabetização e
concentração. As diretrizes básicas para melhorar a simplicidade são: remover a
complexidade desnecessária; codificar e rotular os controles e modos de operação
com clareza e consistência; utilizar a revelação progressiva para apresentar
apenas informações e controles relevantes; oferecer solicitações e feedback claros
para todas as ações; e garantir que os padrões de leitura se adaptem a diversos
níveis de alfabetização.

A condescendência é obtida quando os designs diminuem a ocorrência e as


consequências dos erros. As diretrizes básicas para melhorar essa característica
são: utilizar affordances e restrições de alta qualidade (por exemplo, controles que
só podem ser usados da maneira correta) para evitar erros; utilizar confirmações
e avisos para reduzir a ocorrência de falhas; e incluir ações reversíveis e redes de
segurança para minimizar a consequência dos erros (por exemplo, a capacidade
de desfazer uma ação).

Ver também Affordance, Condescendência, Distribuição Normal, Facilidade de


Leitura eLegibilidade.

16 Princípios Universais do Design


Feedbacksonoro

Feedback visual 0------0

Botões com números em relevo e em Braille o-------------------~


o~------------------------------------~

I CD 0 0 @ ®®
o
°B
imO DO
ma ma
Sistema telefônico de emergência
Portas largas o suficiente para cadeiras de rodas ~------------------

Botões em ambos os lados da porta


0----------------
olil _
imO rmO
BO imO
DI m(Ô)
Botões acessíveis para cadeiras de rodas ~---------------------..
Elevador grande o suficiente para cadeiras de rodas ~--------------
Barras de apoio 0--------,.

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I
1
1

o elevador grande apresenta muitas acesso às pessoas sentadas; os


características que o tornam mais controles têm codificação redundante,
acessível do que o pequeno: portas incluindo números, ícones e Braille;
mais largas facilitam a entrada e a o feedback é visual e sonoro; e um
saída; barras de apoio ajudam as sistema telefônico de emergência
pessoas a se manter de pé; os dois permite a comunicação com uma
conjuntos de controles são de fácil central de ajuda especial.

Acessibilidade 17
Organizador Prévio
Técnica de ensino que ajuda a entender informações
novas com base naquilo que já sabemos.

Os organizadores prévios são breves segmentos de informações - faladas, escritas I A obra fundamental sobre organizadores
prévios é The Psychology of Meaningful
ou ilustradas - apresentadas antes de um material novo com o objetivo de facilitar
Verbal Learning, Grune and Stratton, 1963;
a aprendizagem e o entendimento. São diferentes dos resumos e sumários, pois
e Educalional Psychology: A Cognitive View
têm um formato mais abstrato do que o resto das informações, mostrando o (2' ed.), Holt Reinhart, 1978, ambos de
panorama geral antes dos detalhes. Como a técnica depende de um ponto de David P. Ausubel. Ver também "In Delense 01
entrada definido, ela geralmente é aplicada a apresentações lineares (por exemplo, Advanced Organizers: A Reply to the Critics",
de David P. Ausubel, Review of Educalional
instrução em sala de aula tradicional) e não funciona tão bem em contextos de
Research, vaI. 48 (2), p. 251-257.
aprendizagem não lineares e exploratórios (por exemplo, simulações livres).'

2 Um resumo ou sumário, por outro lado,


Existem dois tipos de organizadores prévios: expositivos e comparativos. A decisão
apenas apresentaria as questões principais
de utilizar um ou outro depende de a informação ser nova para os usuários ou sobre como controlar a empilhadeira.
semelhante a materiais conhecidos.

3 Ver, por exemplo, "Twenty Years 01 Research


Os organizadores prévios expositivos são mais úteis quando o público destinatário on Advance Organizers: Assimilalion Theory is
não conhece algo semelhante às informações que estão sendo ensinadas. Por Still the Best Predictor of Effects", de Richard
exemplo, antes de introduzir informações sobre como controlar uma empilhadeira E. Mayer, InslruclionalScience, 1979, vol. 8,
p. 133-167.
a um público que nada sabe sobre a máquina, um organizador prévio expositivo
ofereceria uma breve descrição do equipamento e de suas funções."

Os organizadores prévios comparativos são mais úteis quando o público tem


conhecimento anterior semelhante às informações que estão sendo apresentadas.
Por exemplo, ao ensinar operadores experientes sobre como controlar um novo
tipo de empilhadeira, um organizador prévio expositivo compararia e diferenciaria
as funções e as operações entre a empilhadeira conhecida e a nova.

É difícil validar a eficácia dessa técnica, mas ela parece ter vantagens
mensuráveis. Utilize organizadores prévios em situações de aprendizagem que
começam com uma introdução e apresentam informações em uma sequência
linear. Ao fornecer informações novas, utilize organizadores prévios expositivos.
Ao introduzir informações semelhantes às que os usuários já conhecem, utilize
organizadores prévios comparativos."

Ver também Pedra de Roseta, Pirâmide Invertida e Wayfinding.

18 Principias Universais do Design


Estratégias
instrucionais

/"---~--"
Organizador Pirâmide
Segmentação Narração
prévio invertida
--_/ ._-----"

Expositivo Comparativo
Organizadores prévios expositivos

Conhecimento anterior
Este é um organizador prévio
expositivo para organizadores prévios, A empilhadeira é um pequeno veículo
industrial, com uma plataforma mecânica
Em um nível abstrato, demonstra que
dentada que pode ser levantada e rebaixada
os organizadores prévios são uma
\.... para elevação ou transporte de carga. /
espécie de estratégia de ensino (assim
como a segmentação, a pirâmide Um organizador prévio
expositivo define uma
invertida e a narração) e que são Informações novas
divididos em dois tipos. empilhadeira através de
conceitos conhecidos
Para operar uma empilhadeira com segurança,
(por exemplo, veículo) o operador deve saber:
antes de fornecer 1. Como uma empilhadeira funciona
informações específicas 2. Como inspecionar uma empilhadeira
sobre o funcionamento \ 3. Como operar uma empilhadeira
deste tipo de veículo. '---:==============
í"
Como uma empilhadeira funciona
'-...:=================---=-=,./
( Como inspecionar uma empilhadeira
=========r:========'-/
_ 1.

C~
<;~.

c_o_m_o_o_p_e_ra_r_u_m_a_em_p_ilh_a_d_e_ira
_

Organizadores prévios comparativos

Conhecimento anterior
~----------------~
Informações novas
Um organizador prévio comparativo
utiliza a familiaridade com a
I _'~ empilhadeira modelo 1300A para
( Empilhadeira Acme l300A
,
L
) ,
Empilhadeira Acme 2300A
/
apresentar o modelo 2300A.

!' Empilhadeir~nA~me 1300A "J Empilhadeira Acme 2300A '\


'- Capacidade Nominal ,/ , Capacidade Nominal ,/

r- Empilhadeira Acme l300A' /' Empilhadeira Acme 2300A '


Centro de Carga o----i Centro de Carga
'- / /

"Em'pilhadeira Acme 1300A " /' Empilhadeira Acme 2300A '


Instruções Especiais f---- Instruções Especiais
~---------,/ '- /

Organizador Prévio 19
Efeito Estética/Usabilidade
Os designs estéticos parecem mais fáceis de utilizar do
que os menos estéticos. 1

o efeito estética/usabilidade
descreve um fenômeno em que as pessoas 1 Observe que os autores utilizam o termo efeito
estéticalusabilidade apenas para facilitar a
percebem os designs estéticos como algo de mais fácil utilização do que os
referência. Ele não aparece em obras ou
menos estéticos, sejam eles realmente mais fáceis ou não. O efeito foi observado pesquisas embrionárias sobre o tema.
em diversas experiências e tem implicações significativas para a aceitação, o uso
e o desempenho de um design."
2 A obra inicial sobre o efeito estética/
usabilidade é "Apparent Usability VS. Inherent
Os designs belos parecem simples de manusear e têm maior probabilidade de Usability Experimental Analysis on lhe
utilização, sejam eles realmente menos complexos ou não. Os designs mais Determinanls of the Apparent Usability", de

funcionais, mas menos estéticos, podem acabar sofrendo uma falta de aceitação Masaaki Kúrosu e Kaori Kashimura, CHI '95
Conference Companion, 1995, p. 292-293.
que anula a questão da usabilidade. Essa primeira impressão influencia as
interações subsequentes e é resistente a mudanças. Por exemplo, em um estudo
3 "Forming Impressions of Personality", de
sobre como as pessoas usam computadores, os pesquisadores descobriram
Solomon E. Asch, Journal of Abnormal and
que as percepções iniciais ditavam atitudes de longo prazo sobre qualidade e Social Psychology, 1946, vol. 41, 258-290.
uso. Diversas pesquisas documentaram um fenômeno semelhante no campo
da atração humana: as primeiras impressões sobre indivíduos influenciam a
, "Emotion & Design: Attractive Things Work
formação de atitudes e têm um efeito mensurável sobre como eles são percebidos Better", de Donald Norman, www.jnd.org,
e tratados.' 2002.

A estética desempenha uma função importante no modo como o produto é


utilizado. Os designs estéticos são mais eficazes ao suscitar atitudes positivas do
que os não estéticos e fazem com que as pessoas tolerem melhor os problemas de
um projeto. Por exemplo, é normal que as pessoas deem nomes e desenvolvam
sentimentos com relação a produtos que promovam atitudes positivas (por
exemplo, dar um nome ao carro), mas raro que elas façam o mesmo com os que
promovam atitudes negativas. Essas relações positivas influenciam o modo de
interação dos usuários com os designs, evocando sentimentos de afeição, lealdade
e paciência, fatores significativos na usabilidade de longo prazo e no sucesso geral
do produto. As relações positivas com um design resultam em uma interação que
ajuda a catalisar a criatividade e a solução dos problemas. As relações negativas
produzem interações que estreitam o raciocínio e sufocam a criatividade. Esse
fator é especialmente importante em ambientes estressantes, pois o estresse
aumenta a fadiga e reduz o desempenho cognitivo.'

Sempre aspire a criar designs de alto valor estético. Os designs mais estéticos
são percebidos como simples de manusear, têm rápida aceitação e são mais
utilizados com o tempo, além de estimular a criatividade e a solução dos
problemas. Também promovem relações positivas com as pessoas, o que as
torna mais tolerantes em relação aos problemas do projeto.

Ver também Forma Segue a Função, Lei da Pregnância, Navalha de Occam,


Preferência pelo Contorno, Proporção Áurea, Regra dos Terços e
Viés Estético.

20 Principios Universais do Design


A Nokia foi uma das primeiras
empresas a perceber que a adoção
de telefones celulares exigia mais
do que as funções básicas de
comunicação. Os celulares precisam
ser recarregados com frequência,
levados de um lado para o outro,
e vivem sofrendo perda de sinal
ou interferências. Não são, enfim,
aparelhos perfeitos. Elementos
estéticos como capas coloridas e
toques personalizados são mais do
que ornamentos: criam uma relação
positiva com o usuário, que se
torna mais tolerante aos problemas
e colabora com o sucesso dos
aparelhos.

Enquanto os videocassetes do
mundo seguem piscando 12:00
no visor, porque os usuários não
conseguem entender os mal
concebidos controles de hora
e gravação, o TiVo está Criando
um padrão de conveniência
e usabilidade de gravação.
As funções inteligentes e
automatizadas de gravação, a
navegação simples que usa belos
menus na tela da televisão e o
feedback sonoro agradável e
característico do sistema estão
mudando a forma como as
pessoas gravam e assistem aos
seus programas favoritos.

Efeito Estética!Usabilidade 21
Affordance
Propriedade em que as características físicas de um
objeto ou ambiente influenciam sua função.

Os objetos e ambientes são mais adequados a algumas funções do que a outras. 1 A obra fundamental sobre affordance é "The
Theory of Affordances", de James Gibson,
As rodas circulares são mais bem adaptadas do que as quadradas na hora de
em Perceiving, Acting, and Knowing, de R. E.
girar; logo, dizemos que as circulares têm mais recursos para rolar, ou seja, mais
Shaw & J. Bransford (eds), Lawrence Erlbaum
affordance (adequação). As escadas são mais apropriadas do que as cercas para Associates, 1977; e The Ecological Approach
se subir; logo, têm mais recursos para as subidas. Isso não significa que seja to Visual Perception, de James Gibson,
impossível rolar uma roda quadrada ou subir em uma cerca: significa apenas Houghton Mifflin, 1979. Para conhecer uma
abordagem popular sobre affordances, ver
que as características físicas das rodas circulares e das cercas oferecem mais
The Design of Everyday Things, de Dona Id
recursos para as funções de rolagem e subida.'
Norman, Doubleday, 1990.

Quando a affordance de um objeto ou ambiente corresponde à função para a


2 Observe que o termo affordance se refere
qual foi criado, o design será mais eficiente e mais fácil de utilizar. Por outro apenas às propriedades de um objeto ou
lado, quando a affordance de um objeto ou ambiente entra em conflito com a ambiente físico. Quando são utilizadas imagens
função para a qual foi criado, o design será menos eficiente e de pior utilização. de objetos ou ambientes físicos (por exemplo,

Por exemplo, uma porta com maçaneta oferece recursos para ser puxada. Às a imagem de um botão), as imagens em si
não têm qualquer affordance. O conhecimento
vezes, as portas com maçanetas são projetadaspara serem abertas apenas com
da affordance do botão existe na mente do
empurrões, por isso a affordance da maçaneta entra em conflito com a função da usuário com base na sua experiência com
porta. Ao substituir a maçaneta por uma placa lisa, temos apenas o recurso para botões físicos, mas não é uma propriedade
empurrar a porta: a affordance da placa lisa corresponde ao modo como a porta da imagem. Assim, diz-se que a affordance é
percebida. Ver, por exemplo, "Affordances and
pode ser utilizada. O design melhorou.
Design", de Donald Norman, www.jnd.org.

As imagens de ambientes e objetos físicos comuns podem melhorar a usabilidade


de um designo Por exemplo, o desenho de um botão tridimensional na tela
do computador aproveita nosso conhecimento sobre as características físicas
dos botões, o que parece oferecer o recurso de apertar a imagem. A metáfora
popular da "área de trabalho" nos sistemas opetacionais se baseia nessa
idéia: imagens de itens comuns, como lixeiras e pastas, aproveitam nosso
conhecimento sobre como esses itens funcionam no mundo real e sugerem
sua função no ambiente eletrônico."

Você deve, sempre que possível, projetar objetos e ambientes com affordances
para suas funções pretendidas e affordances negativas para usos inadequados.
Por exemplo, as cadeiras empilháveis só devem ser empilhadas de uma
maneira. Imite os objetos e ambientes familiares em contextos abstratos (por
exemplo, interfaces de software) para deixar implícita a forma com que os novos
sistemas podem ser utilizados. Quando as affordances são bem utilizadas em
um design, parece inconcebível que ele possa funcionar ou ser manuseado de
algum outro jeito.

Ver também Linha do Desejo, Mapeamento, Nudge e Restrição.

22 Princípios Universais do Design


A OXO é conhecida pelo design dos
cabos de seus produtos; forma, cor e
textura criam affordances irresistíveis
para segurar o produto,

Com superfícies masculinas e


femininas opostas e laterais planas, as
peças de Lego oferecem affordances
As estruturas de Iluminação externa
naturais para que sejam encaixadas
costumam oferecer affordances
para que os pássaros pousem e umas nas outras,

se ernpoleirern. Onde os pássaros


pousam, há sujeira, Este "antipoleiro"
foi projetado para ser colocado
em estruturas do tipo e reduzir a
affordance do poleiro,

É comum que as affordances das


portas entrem em conflito, como
vemos na porta da esquerda, A
affordance "empurre" só pode ser
entendida a partir do design, que está
em conflito com a affordance "puxe"
da maçaneta, muito mais forte, Ao As plataformas rebaixadas para os
substituirmos a maçaneta por uma pés e a orientação do guidão em
placa lisa, o conflito é eliminado e a um Segway Hurnan Transporter
placa passa a ser supérflua oferecem affordance para que o
usuário se posicione de apenas
um modo no veículo: o modo

o o
correto,
Alinhamento
Posicionamento de elementos para que as bordas estejam
alinhadas ao longo de fileiras ou colunas, ou para que
suas partes tenham um centro comum.

Os elementos de um design devem estar alinhados com um ou mais I Ver, por exemplo, Elements af Graph Design,
de Stephen M. Kosslyn, W. H. Freeman and
componentes. Essa medida cria unidade e coesão, o que contribui para a estética
Company, 1994, p. 172.
geral e a percepção de estabilidade do designo O alinhamento também pode
ser um modo eficiente de guiar o usuário pelo designo Por exemplo, as linhas e
colunas em um diagrama ou tabela explicitam a ínter-relação dos elementos que
compartilham essas linhas e colunas e direcionam os olhos do leitor da esquerda
para a direita e de cima para baixo. As margens (por exemplo, a margem da
página ou da tela) e as posições naturais da mídia do design (por exemplo, a
linha central) também devem ser consideradas elementos de alinhamento.

Em um parágrafo de texto, os blocos alinhados à esquerda e à direita oferecem


indicações de alinhamento mais fortes do que os blocos de texto centralizados.
A coluna invisível criada pelos textos alinhados à esquerda ou à direita apresenta
uma indicação visual clara à qual se devem alinhar os outros elementos do
designo Os blocos de texto centralizados, por outro lado, oferecem indicações
visualmente ambíguas e são mais difíceis de conectar com outros elementos.
O texto justificado oferece mais indicações de alinhamento do que os textos com
outros tipos de alinhamento e deve ser utilizado em composições complexas
com muitos elementos.

Existem formas mais complexas de alinhamento além das linhas e colunas. Ao


alinhar os elementos em diagonal, por exemplo, os ângulos relativos entre as
linhas devem ser de 30 graus ou mais, pois uma separação com ângulos mais
agudos é sutil demais e difícil de perceber.' Nos alinhamentos circulares ou em
espiral, pode ser necessário aumentar ou realçar as linhas para que a disposição
seja perceptível; caso contrário, os elementos parecerão bagunçados e o design,
desordenado. Assim como em qualquer princípio, há exceções (por exemplo, o
desalinhamento de elementos para chamar a atenção ou criar tensão). No entanto,
essas exceções são raras e o alinhamento deve ser considerado a regra geral.

Na maioria dos designs, disponha os elementos em linhas e colunas ou ao longo


de uma linha central. Quando os elementos não estão organizados no formato
linha/coluna, considere a possibilidade de destacar os caminhos de alinhamento.
Use textos alinhados à esquerda ou à direita para criar melhores indicações de
alinhamento e considere a justificação nas composições complexas.

Ver também Alinhamento de Área, Boa Continuidade e Efeito Estética/


Usabilidade.

24 Princípios Universais do Design


IREPUBLlCANI
GEORGE W. BUSH - PRESIOENT
DlCK CHENEV -VICEPRESIOENT IREFORMI
PAT BUCHANAN 'PRESIDENT
IOEMOCRATlCI EZOLA FOSTER -YICE PAESIOENT
AL GORE'PRESIDENT
JOE lIEBERMAN -VICEPRESIDWT ISOCIALlSTI
OAVIO McREVNOLDS -PRESIDENT
ELECTORS ILlBERTARIANI MARV CAL HOLLlS -YICEPRESIDENT
FORPRESIDENT HARRV BROWNE· PAESIOENT
ANO
VICEPRESIDENT ART OLlVIER -YICE PRESIDENT ICONSTlTUTIONI
HOWARD PHILLlPS -PRESIDENT
!Avoteforthecandidateswill IGREENI J. CURTIS FRAZIER 'YICEPAESIOENT
antuallv be a vote fnr theirelectms.l
RALPH NADER - PRESIDENT
(VoteforGroupl WINONA LaDUKE -VICEPRESIOENT IWORKERS WORLOI
MONICA MOOREHEAD -PRESIOENT
ISOCIALlST WORKERSI GLORIA La R1VA -VICEPRESIOENT
JAMES HARRIS • PRESIDENT
MARGARET TROWE 'YICE PRE$IOENT WRITE-IN CANDIDATE
To vote for a write-in candidate, followthe
INATURAL LAWI directionsonthelongstubofyourballotcard.

JOHN HAGELlN -PRESIOENT


NAT GOLOHABER ·YICEPRESIDENT

I TURN PAGE TO CONTINUE VOTING >

REPUBLlCAN
GEORGE W. BUSH 'PRESIDENT ANO D1CK CHENEV -VICEPRESIOENT
DEMOCRATIC
AL GORE - PRESIDENT ANO JOE LlEBERMAN -YICE PRESIDENT
LlBERTARIAN
HARRY BROWNE - PRESIDENT ANO ART OLlVIER 'VICE PRESIOENT
ELECTORS
GREEN FOR PRESIDENT
RALPH NADER 'PRESIDENT ANO W1NONA LaDUKE -VICEPRESIOENT ANO
SOCIALlST WORKERS VICE PRESIDENT
JAMES HARRIS - PRESIDENT ANO MARGARET TROWE ·VICI: PRESIDENT (Avoteforthecandidateswill
NATURALLAW actuallv be a vote tor theirelecturs.l
JOHN HAGEUN -PRESIOENT ANO NAT GOLOHABER 'VICEPRESIDENT (Vote for Group)
REFORM
PAT BUCHANAN 'PRESIDENT ANO EZOLA FOSTER -VICEPRESIDENT •

SOCIALlST
DAVID McREVNOLDS - PRESIDENT AND MARY CAL HOLLlS 'VICE PRESIDENT
CONSTITUTION
HOWARD PHILLlPS 'PRESIOENT ANO J. CURTlS FRAZIER 'VICEPRESIDENT
WORKERS WORLD
MONICA MOOREHEAD . PRESIOENT ANO GLORIA La RIVA 'VICE PRESIDENT

I TURN PAGE TO CONTINUE VOTING >


Antropomorfismo
Tendência de considerar atraentes as formas de aparência
humanoide ou que demonstrem características humanas.

Os seres humanos estão predispostos a perceber certas formas e padrões como I A literatura empírica sobre o design
humanoides - mais especificamente, as formas e os padrões que lembram rostos antropomórfico é surpreendentemente
recente. Ver, por exemplo, "From Seduction
e proporções corporais. Essa tendência, quando aplicada ao design, é um meio
to Fullillment: The Use 01 Anthropomorphic
eficaz de chamar a atenção, estabelecer um tom afetivo para interações e formar
Form in Design", de Carl DiSalvo e Francine
uma relação baseada, pelo menos em parte, em um apelo emocional. Para saber Gemperle, Proceedings af lhe 2003
como aplicar o antropomorfismo, pense no design de três garrafas.' Inlernatianal Canference on Oesigning
Pleasurable Praducts and Inlerfaces, 2003,
A garrafa clássica de 1915 da Coca-Cola, também conhecida como "Mae p.67-72.

West" por causa de seus contornos e proporções claramente femininas, foi uma
ruptura em relação às garrafas retas e relativamente simplórias da época. Além
dessa novidade, no entanto, o produto se beneficiava de diversas projeções
antropomórficas - como saúde, vitalidade, sexualidade e feminilidade -, atributos
atraentes para as compradoras da época, predominantemente mulheres. A
comparação com Mae West é bastante adequada, pois, assim como a atriz, a
garrafa de Coca exigia (e recebia) a atenção de todos que passavam.

As formas antropomórficas não precisam necessariamente se parecer com rostos


ou corpos para serem atraentes. Pense na mamadeira Adiri Natural Nurser. Ela foi
desenhada para simular um seio humano; portanto, não é surpresa que provoque
associações positivas com a amamentação. O produto estabelece um tom afetivo
de naturalidade e carinho. Que pai escolheria uma mamadeira tradicional e de
aparência artificial quando tem à disposição um substituto tão apetitoso e natural
para o seio de verdade? Isso não significa que o produto seja melhor do que os
designs não antropomórficos: apenas que a maioria das pessoas infere que o
desempenho é superior com base em sua aparência.

Finalmente, a embalagem do Method Dish Soap, apelidada de "mordomo da


louça", apresenta uma forma antropomórfica mais abstrata. Com esse design, a
embalagem de detergente passa de um recipiente utilitário escondido no armário
a uma peça escultural exibida com orgulho em cima do balcão. A cabeça redonda
aciona os mecanismos cognitivos que criam a preferência pelo rosto de bebê,
reforçando sua atração estética e associações como segurança, honestidade e
pureza. O rótulo é aplicado à região do peito, abaixo de um logotipo redondo, o que
lembra um uniforme de super-herói. É mais do que uma embalagem de detergente:
é um item auxiliar, uma obra de arte, um símbolo de sofisticação e limpeza.

Considere as formas antropomórficas para chamar a atenção e estabelecer conexões


emocionais. Dê preferência ao antropomorfismo abstrato, não ao mais realista,
pois as representações do segundo tipo em geral deixam o design menos atraente.
Utilize as proporções do corpo feminino para criar associações com sexualidade e
vitalidade. Use formas antropomórficas redondas para provocar associações com
bebês e as angulares para remeter a características masculinas e agressivas.

Ver também Preferência pelo Contorno, Relação Cintura/Quadril, Uncanny Valley


e Viés do Rosto de Bebê.

26 Princípios Universais do Design


A embalagem do Method Dish
Soap (esquerda), design de Karim
Rashid, colocou a marca Method
no mapa. Apesar de ter deficiências
funcionais (por exemplo, válvula com
vazamento), a forma antropomórfica
abstrata criou uma qualidade
escultura I e afetiva inédita em garrafas
de detergente. Compare a primeira
com sua sucessora, que muito
decepcionou (direita)

Antropomorfismo 27
Arquétipos
Padrões universais de tema e forma resultantes de
tendências ou disposições inatas.

Os arquétipos são encontrados em temas da mitologia (por exemplo, morte e 1 A obra fundamental sobre arquétipos é "The
Archelypes and the Collective Unconscious",
ressurreição), personagens literários (como heróis e vilões) e imagens oníricas
de Carl G. Jung, em Ca!!ecled Warks ot C.
(por exemplo, olhos e dentes). Acredita-se que sejam produtos de tendências e
G. Jung, vaI. 9 Par! 1 (traduzido por R. F. C.
disposições subconscientes "programadas" nos nossos cérebros pela evolução Hull), Princeton University Press, 1981.
humana. Assim, sua existência é deduzida a partir do surgimento de padrões
comuns em diferentes culturas durante longos períodos. A identificação e o 2 Ver The Hera and lhe Outlaw. Bui!ding
alinhamento dos arquétipos adequados aumentam a probabilidade de sucesso Exlraardinary Brands Ihraugh lhe Pawer ot
do design.' Archetypes, de Margaret Mark e Carol S
Pearson, McGraw-Hill Trade, 200l.

A Harley-Davidson alinha o design de seus produtos e de suas marcas com


o arquétipo do fora da lei, enfatizando a liberdade e a vida fora das regras da 3 A obra fundamental sobre arquétipos em
narrações é The Hera with a Thausand Faces,
sociedade. Os produtos têm um visual distinto (por exemplo, motocicletas pretas
de Joseph Campbell, Princeton University
e cromadas com sons altos), e as imagens de marketing mostram homens durões
Press, 1960.
usando couro preto. A Nike (batizada com o nome da deusa grega da vitória),
por outro lado, alinha sua marca com o arquétipo do herói, utilizando atletas para
promover o produto. Em geral, Michael Jordan, Tiger Woods e Lance Armstrong
são mostrados vestindo artigos da marca em poses heroicas. Isso não significa
que a imagem de Michael Jordan em uma Harley não ajudaria a vender motos,
ou que um anúncio com um grupo de foras da lei em jaquetas de couro da Nike
não estimularia a venda de artigos esportivos - no entanto, a probabilidade de
sucesso seria menor, pois os arquétipos não estariam alinhados ao design.'

Na narrativa, os temas arquetípicos são comuns. Por exemplo, é possível resumir


um enredo arquetípico - a Jornada do Herói - da seguinte maneira: um herói em
potencial é chamado para uma aventura, a princípio recusada; ele encontra um
mentor e aceita o chamado; o herói passa por vários testes, em geral, incluindo a
derrota ou a morte do mentor nas mãos do grande inimigo; o herói deve superar
suas dúvidas e enfrentar o vilão; o herói vence e retoma ao lar para uma grande
festa. O tema arquetípico foi utilizado com sucesso por cineastas como George
Lucas e George Miller, mas também está evidente na obra de Steven Spielberg,
John Boorman, Francis Coppola e vários desenhos animados da Disney3

Considere os temas e as formas arquetípicos em todos os aspectos do design -


de forma e função a nome e marca. Como os arquétipos influenciam a percepção
em nível subconsciente e basicamente afetivo, eles são especialmente úteis
quando não há disponíveis métodos de comunicação convencionais (por exemplo,
a linguagem). Tenha em mente que as reações a arquétipos específicos variam
de uma cultura para outra e, portanto, devem ser testadas em públicos-alvos
antes de serem utilizados.

Ver também Affordance, Biofilia, Detecção de Ameaças, Mimetismo e Preferência


pelo Contorno.

28 Princtpios Universais do Design


Esses são os desígns propostos para de aviso claro para que os indivíduos aparentemente impossíveis com a
um sistema de alerta que avisaria as evitassem a área, presumissem que aplicação brilhante de formas e temas
gerações futuras sobre a localização as civilizações futuras não teriam arquetípicos (solo desolado, aterros que
de um depósito de lixo nuclear. A conhecimento sobre o perigo da lembram cobras, garras e espinhos)
especificação do design pedia que os radioatividade e não ralariam uma para avisar os seres humanos do futuro
alertas durassem tanto quanto o perigo língua conhecida hoje. Os designs dos perigos da rad ioatividade de forma
radioativo (10 mil anos), servissem trabalham essas especificações aíetiva e intuitiva.

Arquétipos 29
Alinhamento de Área
Alinhamento com base na área dos elementos em
oposição às suas bordas.

Com o surgimento de programas profissionais para engenharia e design, os


elementos de um projeto podem ser alinhados com níveis de precisão incríveis.
No entanto, o alinhamento por software se baseia nos limites dos elementos,
incluindo o alinhamento centralizado, que calcula o centro com base nas laterais.
O método funciona bem quando todos os elementos são relativamente uniformes
e simétricos, mas nem tanto quando estes são heterogêneos e assimétricos.
No segundo caso, é melhor alinhar com base no peso visual ou na área dos
elementos, uma técnica que depende do olho e do juízo do designer. O uso do
alinhamento pelo limite quando se necessita utilizar o alinhamento de área é um
dos erros mais comuns do design gráfico.

É possível produzir um alinhamento satisfatório pelo centro da área ao posicionar


um objeto ao longo do eixo de alinhamento, de modo a dividir quantidades iguais
de área ou o peso visual entre os dois lados; se o objeto possuir massa, esta
deve ser equilibrada sobre o eixo. Ao contrário do limite plano produzido pelo
alinhamento de elementos semelhantes à esquerda ou à direita, o alinhamento
"com base em área sempre cria limites irregulares, o que faz com que partes
dos elementos sejam deslocadas para as margens internas ou externas quando
alinhadas a elementos de forte caráter retilíneo. No entanto, o processo representa
o maior alinhamento percebido possível para elementos morfologicamente distintos.

Além do texto, o princípio também se aplica a elementos gráficos. Por exemplo,


o centro horizontal de um segmento de texto alinhado à esquerda e irregular à
direita, com base em sua área, estaria à esquerda de um centro horizontal com
base em sua largura, pois o alinhamento da área .calcula o centro horizontal
em consideração à área menor do campo direito irregular, deslocando o centro
horizontal para a esquerda. Já o alinhamento pela margem simplesmente calcula o
centro horizontal como se o segmento de texto fosse um retângulo, com a margem
direita determinada pelo caractere mais à direita. Entre os exemplos textuais
comuns estão as chamadas, que devem ser alinhadas com base na massa do
texto e não nas aspas, e itens numerados ou com marcadores, que devem ser
alinhados com base na borda do texto e não nos números e marcadores (a menos
que a intenção específica seja subordinar os itens enumerados).

Considere o alinhamento de área ao incorporar elementos heterogêneos em uma


composição. Quando os objetos são simples e simétricos, alinhe-os com base
nas bordas; caso contrário, disponha-os com base nas áreas. A menos que haja
alguma consideração maior extraordinária, sempre desloque as chamadas. Mude
de lugar números e marcadores em listas de itens, exceto quando os itens tiverem
que ser subordinados.

Ver também Alinhamento, Boa Continuidade e Conectividade Uniforme.

30 Princípios Universais do Design


A coluna da esquerda está
centralizada com base nas bordas dos
objetos; já a da direita está alinhada
com base nas áreas dos objetos.
Observe a melhoria produzida pelo
uso do alinhamento de área.

Al.nnamento de Área 31
Viés Estético
Tendência de ver as pessoas atraentes como mais
inteligentes, competentes, éticas e sociáveis do que as
não atraentes.'

Em geral, as pessoas atraentes provocam reações mais positivas do que as 1 Também conhecida como preconceito de
menos atraentes. Elas recebem mais atenção do sexo oposto, mais afeto das eperêncie.

mães, mais benevolência de juízes e júris e mais votos nas eleições. Se todas
as outras variáveis forem iguais, os belos têm a preferência nas decisões de 2 A obra lundamental sobre o viés estético é
"What Is Beautilulls Good", de Karen Dion,
contratação e são mais bem remunerados em um mesmo cargo do que os
Ellen Berscheid e Elaine Walster, Journalof
menos atraentes. O viés estético depende de fatores biológicos e arnbientais."
Personality and Social Psychology, 1972,
vol. 24(3), p. 285-290. Uma boa revisão
Em termos biológicos, as pessoas apresentam-se mais atraentes quando contemporânea sobre a pesquisa do viés
transmitem uma mensagem de saúde e fertilidade. Boas medidas biológicas estético é "Maxims ar Myths 01 Beauty?
A Meta-Analytic and Theoretical Review",
dessas características podem ser calculadas pelos traços faciais simétricos
de Judith H. Langlois, et aI., Psychological
e medianos e uma proporção de cintura/quadril ideal (0,7 para mulheres e
Bullelin, 2000, vaI. 126(3), p. 390-423.
0,9 para homens). A ausência desses fatores é considerada um indicador de
desnutrição, doença e maus genes, atributos não desejados em parceiros sexuais
3 Ver, por exemplo, "Baby Beautilul: Adult
em potencial. Os fatores biológicos da atração são inatos e existem em todas as
Atlributions 01 Inlant Competence as a
culturas. Por exemplo, em estudos que apresentavam fotografias de pessoas Function 01 Inlant Atlractiveness", de Cookie
bonitas e não tão atraentes para bebês (dois e seis meses de idade), as crianças W. Stephan e Judith H. Langlois, Child

passavam mais tempo observando os bonitos independentemente de gênero, Develapmenl, 1984, vaI. 55, p. 576-585.

idade ou raça.'
4 Survival ot lhe Prettiesl: The Science ot

Em termos ambientais, os homens se sentem atraídos por mulheres que exageram Beauly, de Nancy Etcoff, Anchor Books, 2000.

as características sexuais socialmente reconhecidas (batons realçam os lábios);


já as mulheres se interessam por homens que parecem possuir riqueza e poder
(como automóveis caros). Por exemplo, em estudos que apresentavam imagens de
pessoas bonitas e menos bonitas a homens e mulheres, junto com descrições de
seus trabalhos, as mulheres preferiam os homens. menos atraentes com profissões
bem pagas e também homens atraentes com salários medianos. No entanto,
os homens nunca escolhiam mulheres não atraentes, seja qual fosse seu status
financeiro. Os fatores ambientais da atração variam significativamente de uma
cultura para outra.'

Considere o viés estético em contextos de design que envolvam imagens de


pessoas, como marketing e publicidade. Quando a apresentação de mulheres
bonitas for um elemento crucial, use desenhos ou imagens de mulheres com
proporção cintura/quadril de aproximadamente 0,7, complementadas por
ampliações culturalmente adequadas de suas características sexuais. Quando a
apresentação de homens atraentes for um elemento importante, utilize desenhos
ou imagens de homens com proporção cintura/quadril de aproximadamente 0,9 e
indicadores visíveis de riqueza ou status (por exemplo, roupas caras).

Ver também Antropomorfismo, Efeito Vermelho, Efeito da Aparência Facial mais


Próxima da Média, Relação Cintura/Quadril e Viés do Rosto de Bebê.

32 Prmc ípios Universais do Design


o primeiro debate presidencial entre
Richard Nixon e John Kennedy (1960)
é uma demonstração clássica do
viés estético. Nixon estava doente
e com febre. Ele vestiu roupas
claras e não usou rnaquíagem, o
que embranqueceu ainda mais sua
palidez e destacou sua barba por
fazer. Kennedy usou roupas escuras e
maquiagem e ensaiou suas falas em
um estúdio antes do debate. Quem
ouviu o confronto no rádio achou
que Nixon vencera o debate, mas
quem o assistiu pela televisão teve a
impressão inversa.

Viés Estético 33