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Anatomia Humana

Aplicada à Fisioterapia
Material Teórico
Introdução ao Estudo da Anatomia e aos Sistemas do Corpo Humano

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Drª Lilian Cristina Gomes do Nascimento

Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Selma Aparecida Cesarin
Introdução ao Estudo da Anatomia
e aos Sistemas do Corpo Humano

• Introdução ao Estudo da Anatomia;


• Princípios Gerais de Construção do Corpo Humano;
• Divisão do Corpo Humano.

OBJETIVOS DE APRENDIZADO
• Proporcionar o conhecimento da terminologia anatômica geral e suas posições no espaço;
• Reconhecer elementos descritivos e funcionais dos Sistemas Cardiovascular e Respiratório.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você tam-
bém encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de
aprendizagem.
UNIDADE Introdução ao Estudo da Anatomia
e aos Sistemas do Corpo Humano

Introdução ao Estudo da Anatomia


A Anatomia Humana é um campo da Biologia que estuda o funcionamento do
corpo e de seus Sistemas. Não é uma Ciência recente; existem relatos do estudo do
“mapa” do corpo humano de 4.000 anos atrás, na Mesopotâmia e no Egito.

Que tal conhecer um pouco sobre a história da Anatomia e fazer uma reflexão acerca da
Explor

utilização dos cadáveres como ferramenta de aprendizagem?


Disponível em: https://bit.ly/2VuMwBh.

O termo Anatomia é de origem grega e significa “cortar em partes”, mas apren-


der Anatomia é mais do que apenas memorizar uma longa lista de nomes de estru-
turas morfológicas e de Sistemas do Corpo Humano. É compreender suas funções
e relacioná-las em termos de espaço e interações com as demais estruturas do
corpo (MOORE; AGUR; DALLEY, 2010).

O estudante de Fisioterapia deve sempre tentar fazer a projeção dos achados


anatômicos para a importância do quadro clínico.

Ciência no Esporte
Explor

Assista ao vídeo disponível no link a seguir. Ele aborda a utilização do corpo humano em
atividades esportivas, disponível em: https://youtu.be/8yworuMIJfs

Ramos da Anatomia
Em função da complexidade do corpo humano, para fins de estudos, a Anato-
mia Humana é dividida em vários ramos (áreas) para tornar mais didático o estudo
dos órgãos, sistemas, funcionamentos e interações com o meio ambiente.

Embora sejam ramos separados, existe uma forte integração entre todos eles
para poder gerar os conhecimentos necessários, dentre os quais citamos:
Anatomia sistemática ou descritiva: aborda de modo analítico/descri-
tivo as estruturas constituintes dos sistemas do corpo humano que apre-
sentam funções relacionadas, como o sistema esquelético, o sistema arti-
cular, sistema muscular, o respiratório etc.;
Anatomia topográfica ou regional: estuda de maneira específica a re-
lação entre as estruturas de determinadas regiões do corpo, reunindo
elementos diferentes como um todo;
Anatomia de superfície: estuda o contorno e a forma de órgãos e estru-
turas da superfície do corpo. É de grande importância para a semiologia
clínica, pois viabiliza a interpretação correta dos sinais e sintomas obser-
vados no exame clínico de um paciente;

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Anatomia radiológica: estuda as estruturas internas do corpo mediante
raios X e, associada à Anatomia de superfície, oferece os fundamentos
morfológicos para o exame clínico;
Anatomia funcional: aborda segmentos funcionais do corpo, estabelecen-
do relações funcionais entre as várias estruturas dos diferentes sistemas;
Anatomia aplicada: destaca a importância dos conhecimentos anatômi-
cos para as atividades clínicas e/ou cirúrgicas;
Anatomia comparada: estuda a Anatomia de diferentes espécies de
animais comparando o desenvolvimento filogenético e ontogenético dos
diferentes órgãos. (CARIA, 2014, p. 14-15)

Níveis de organização do corpo humano


A Anatomia Humana pode ser estudada em vários níveis de organização estru-
tural, desde o nível microscópico até o macroscópico. Nela, as estruturas básicas
são subdivididas e vão desde átomos, moléculas, células, tecidos, órgãos, até os
Sistemas que compõem todo o corpo humano (Figura 1).

O corpo humano de um adulto é composto por, aproximadamente, 48 trilhões de células.


Explor

Saiba mais curiosidades sobre o corpo humano, disponível em: https://bit.ly/2VGrD6l

Conceitos básicos de Anatomia


No que tange à normalidade do aspecto anatômico, é visível que os seres
humanos são diferentes entre si. “Considerados os padrões de normalidade, há
diversas diferenças morfológicas (de forma) internas e externas que não trazem
prejuízo para o funcionamento do corpo.” Em Anatomia, utiliza-se um  padrão
de referência, que corresponde às formas que ocorrem com maior frequência
(KAWAMOTO, 2018).

Além das variações ditas individuais, o corpo humano apresenta variações devi-
das a diversos fatores, dentre os quais podemos citar a idade dos indivíduos, o sexo,
a etnia e o biótipo entre outros.

Importante! Importante!

Quando essa variação anatômica acarreta prejuízos ao indivíduo, essa alteração recebe o
nome de anomalia. Entretanto, se a variação acarretar uma alteração incompatível com
a vida, ela passa a ser caracterizada como uma anomalia/monstruosidade.

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Conceitos básicos de orientação


A “posição anatômica” é uma posição de referência padrão, independentemen-
te da posição em que o corpo se encontra. Esta posição é caracterizada com o
indivíduo com o “corpo ereto, pés juntos e paralelos, braços pendentes ao longo do
corpo e palmas das mãos voltadas para a frente”.

É uma posição pouco usual, mas é muito importante para a menção da reali-
zação dos movimentos: “Exemplo: a flexão do punho é um movimento que leva a
mão para a frente, com base na posição anatômica” (CALAIS-GERMAIN, 2010).

Planos
Planos são superfícies planas imaginárias que transpassam o corpo, ou partes
dele, e auxiliam a tornar mais precisas as referências anatômicas (Figura 1), sendo
esses planos classificados em:
Plano mediano: É um plano vertical que corta o corpo longitudinalmen-
te, dividindo-o em metade direita e metade esquerda. Este é o plano
que marca a linha mediana da cabeça, do tronco e do abdome;
Planos sagitais: São planos paralelos ao plano mediano e atravessam
verticalmente o corpo;
Planos frontais: Estes planos, também chamados de coronais, são pla-
nos que dividem o corpo com cortes verticais e perpendiculares ao plano
mediano, definindo as partes ventral (anterior) e dorsal (posterior);
Planos transversos: Planos horizontais que atravessam o corpo em ân-
gulo de 90º em relação aos planos mediano e frontal, dividindo-o em
partes superior e inferior. (KAWAMOTO, 2018)

Eixos
Os eixos anatômicos são formados pelo encontro de dois planos:
• O eixo sagital ou anteroposterior: é formado pela intersecção do plano sagi-
tal com o plano transversal;
• O eixo longitudinal ou crânio-sacral: é formado pela intersecção do plano
coronal com o plano sagital;
• O eixo transversal ou latero-lateral: é formado pela intersecção do plano
transversal com o plano coronal.
Explor

Explore mais detalhes sobre nomenclatura anatômica. Disponível em: https://bit.ly/2UINJjS

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Figura 1 – Representação esquemática dos Planos Anatômicos
Fonte: Wikimedia Commons

Princípios Gerais de Construção


do Corpo Humano
A constituição do corpo humano é fundamentada por quatro princípios: anti-
meria, metameria, paquimeria e estratificação:
• Antimeria baseia-se no princípio de que o corpo humano é construído por
duas metades aparentemente simétricas;
• Metameria o corpo humano seria construído por meio de peças sobrepostas
no sentido longitudinal, separadas por planos transversais;
• Paquimeria baseia-se na construção por dois tubos, um dorsal (neural) e outro
ventral (visceral);
• Estratimeria é o princípio pelo qual o corpo humano é construído por cama-
das sobrepostas que, da superfície corpórea para a profundidade, são: pele,
tela subcutânea, tecido adiposo, fáscia muscular, músculos e ossos.

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Divisão do Corpo Humano


Classicamente, o corpo humano é dividido externamente em cabeça (crânio e
face), pescoço, tronco (tórax, abdômen e pelve), membros inferiores (coxas, pernas
e pés) e membros superiores (ombros, braços, antebraços e mãos) (Figura 2).

Figura 2 – Divisão clássica do corpo humano


Fonte: Wikimedia Commons

Sistemas do corpo humano


A Anatomia sistêmica é o estudo dos Sistemas que atuam em conjunto para
realizar funções complexas.

Os Sistemas do corpo humano são capazes de regular as funções vitais de cada


organismo, mas nenhum sistema funciona sozinho.

Para fins didáticos e funcionais, esses sistemas podem ser denominados pri-
mordialmente como: Sistema Tegumentar (Dermatologia), Sistema Esquelético

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(Miologia), Sistema Articular (Artrologia), Sistema Muscular (Miologia), Sistema
Nervoso (Neurologia), Sistema Circulatório (Angiologia), Sistema Cardiovascular
(Cardiologia), Sistema Linfático, Sistema Digestório (Gastrenterologia), Sistema
Respiratório (Pneumologia), Sistema Urinário (Urologia), Sistema Genital (Gineco-
logia para mulheres e Andrologia para homens), Sistema Endócrino (Endocrinolo-
gia) (MOORE; DALLEY; AGUR, 2018).

O Sistema Cardiovascular
O corpo deve fornecer energia suficiente para que possa ser gasta por seus
tecidos vivos, sendo o Sistema Cardiovascular (Figura 3) o conjunto de órgãos que
tem como principal função a responsabilidade de transportar o oxigênio e esses
nutrientes a todas as células do corpo.

Esses elementos são direcionados para os tecidos corporais por um Sistema


Circulatório. O Sistema Circulatório é impulsionado por uma bomba muscular,
pelo Sistema Cardíaco, muito esforçado – o coração – e atinge os tecidos por
meio de canais que se estreitam continuamente, chamados de vasos sanguíneos
(HARTWIG, 2008).

Figura 3 – Coração humano e sistema cardiovascular


Fonte: Getty Images

Por normatização, os vasos em azul representam as veias e os vasos em verme-


lho representam as artérias

Veja a seguir quais são os principais órgãos do Sistema Cardiovascular e algu-


mas de suas características (HARTWIG, 2008; RIZZO, 2012; MOORE; DALLEY;
AGUR, 2018; KAWAMOTO, 2018):

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Sangue
Sangue é um material líquido que transporta os nutrientes e a oxigenação para
as células e os tecidos do corpo. É bombeado para o corpo em um Sistema fecha-
do, dentro de vasos, bombeado pelo coração, e é amplamente rico em nutrientes.
Ele é um tecido conjuntivo altamente especializado, constituído por dois compo-
nentes: “Os elementos figurados do sangue, ou células sanguíneas, e a parte líquida
do sangue ou plasma. Os elementos figurados do sangue são os glóbulos vermelhos
(eritrócitos), os glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas”.

O coração
O coração é o “motor” do Sistema Circulatório. Sua função é bombear o sangue,
de forma que chegue a todo corpo. Com isso, o sangue, que é rico em oxigênio e
nutrientes, pode atingir as células do corpo. Uma circulação completa inclui duas
passagens pelo coração: uma em direção ao corpo (grande circulação) e a outra em
direção ao pulmão (pequena circulação).

O tecido muscular que forma o coração é de um tipo de tecido muscular estriado


especial (presente apenas no coração), chamado de tecido muscular estriado cardí-
aco, o qual tem como principal característica a capacidade de autoestimulação, não
dependendo de um estímulo nervoso para iniciar a contração.

Em relação à classificação de camadas musculares, o coração é classificado como:


• A camada mais externa recebe o nome de: epicárdio;
• A camada média recebe o nome de: miocárdio;
• A camada mais interna recebe o nome de: endocárdio;
• Existe, ainda, uma membrana que envolve o coração, chamada: pericárdio.

O coração é dividido em quatro câmaras, duas superiormente (átrios) e duas


inferiormente (ventrículos):
• O átrio direito: recebe o sangue pobre em oxigênio através da veia cava supe-
rior, da veia cava inferior e da veia coronária;
• O ventrículo direito: encaminha o sangue pobre em oxigênio para o pulmão
através da artéria do tronco pulmonar;
• O átrio esquerdo: recebe o sangue rico em oxigênio por meio das veias pulmonares;
• Ventrículo esquerdo: encaminha o sangue rico em oxigênio para todo o or-
ganismo, por meio da artéria aorta.

A valvas cardíacas (ou válvulas cardíacas) têm a função de impedir o retorno do


sangue. Essas estruturas fecham-se e se abrem passivamente por uma diferença
pressórica que ocorre durante a contração.
• Estrutura: composta por cúspides (válvulas), cordas tendíneas e músculos pa-
pilares (os músculos papilares contraem-se junto com os ventrículos, puxando

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as cúspides em direção a eles, evitando prolapso valvar). A comissura é o pon-
to de união das cúspides;
• A valva atrioventricular direita (ou tricúspide): permite a passagem do san-
gue venoso do átrio direito para o ventrículo direito;
• A valva do tronco pulmonar: permite a passagem do sangue venoso do ven-
trículo direito para a artéria pulmonar;
• A valva atrioventricular esquerda (ou mitral): permite a passagem do san-
gue arterial do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo;
• A valva aórtica: permite a saída do sangue arterial do ventrículo esquerdo
para a artéria aorta.

Vasos Capilares
São as veias, artérias e capilares, sendo que as artérias são mais largas e fle-
xíveis, as veias são mais finas, mas igualmente resistentes (isso porque as veias
circulam sangue em locais de baixa pressão, portanto precisam ser resistentes), e
os capilares são os menores vasos sanguíneos e servem de canal de transição das
artérias para as veias.

Vasos sanguíneos
• Artérias: são vasos que, predominantemente, transportam sangue rico em
oxigênio que saem do coração;
• Arteríola: ramificação da artéria;
• Capilar arterial: ramificação mais fina de uma artéria, local em que se realiza
a a troca gasosa e de nutrientes do sangue para os tecidos;
• Capilar venoso: ramificação mais fina do que uma veia;
• Vênula: continuação do capilar arterial;
• Veia: vasos que, predominantemente, transportam sangue pobre em oxigênio
e rico em metabólitos, vasos que chegam ao coração (Figura 4).

Sistema da Circulação Sanguínea


Ciclo cardíaco
• Sístole: é a contração do músculo cardíaco. Temos a sístole atrial, que impul-
siona sangue para os ventrículos. Assim as valvas atrioventriculares estão aber-
tas à passagem de sangue e a pulmonar e a aórtica estão fechadas. Na sístole
ventricular, as valvas atrioventriculares estão fechadas e as semilunares abertas
à passagem de sangue;
• Diástole: é o relaxamento do músculo cardíaco; é quando os ventrículos se
enchem de sangue. Nesse momento, as valvas atrioventriculares estão abertas
e as semilunares estão fechadas.

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e aos Sistemas do Corpo Humano

Explor
Veja uma animação sobre o fluxo sanguíneo: https://youtu.be/svAZ6m1DEVA

Inervação cardíaca
• Simpático: acelera o batimento cardíaco e aumenta a força de contração do
miocárdio;
• Parassimpático: diminui o batimento cardíaco.

Complexo estimulante do coração


• Nó sinoatrial: gera o impulso cardíaco;
• Nó atrioventricular: recebe o impulso cardíaco do nó sinoatrial;
• Fascículo atrioventricular: propaga os estímulos aos ventrículos através dos
ramos subendocárdicos.

Fatores cardíacos que permitem ao sangue circular pelo organismo


• Inervação
»» Simpático: vasoconstritor;
»» Parassimpático: vasodilatador.
• Anastomose
»» Comunicação entre ramos de artérias ou veias entre si;
• Artérias
• Coronárias: irriga o músculo cardíaco;
• Arco da aorta;
»» Tronco braquiocefálico: carótida comum direita (irriga cabeça e pescoço) e
subclávia direita (irriga membro superior direito);
»» Carótida esquerda: irriga pescoço e cabeça;
»» Subclávia esquerda: irriga membro superior esquerdo;
»» Subclávia, axilar, braquial, radial e ulnar são ramificações nos mem-
bros superiores;
• Aorta abdominal;
»» Tronco celíaco: gástrica (irriga estômago e o esôfago), hepática (irriga fíga-
do, vesícula, pâncreas e estômago), esplênica (irriga baço e estômago);
»» Mesentérica superior e inferior: irriga o intestino;
»» Renais direita e esquerda: irrigam os rins;
»» Femoral, poplítea, tibial anterior e posterior e dorsal do pé são ramificações
nos membros inferiores;

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• Veias
»» Fatores que facilitam o retorno venoso: pressão residual do capilar veno-

so, respiração torácica, ação muscular e valvular, acoplamento arteriovenoso,


esponja plantar;
»» Fatores que dificultam o retorno venoso: efeito da gravidade, pressão in-

tra-abdominal e viscosidade sanguínea;


• Veia cava superior: da junção da subclávia (intermédia do cotovelo + cefálica

+ basílica + braquial) com a jugular resulta a braquiocefálica; da junção das


duas braquiocefálicas origina-se a veia cava superior. Antes de desembocar no
átrio direito, recebe sangue venoso da veia ázigo. Recebe sangue dos membros
superiores, cabeça, pescoço, parede e órgãos do tórax;
• Veia cava inferior: a femoral e a safena (dos membros inferiores) formam as ilíacas,

que originam a veia cava inferior, que recebe sangue das veias renais e hepáticas;
• Veia porta: formada pelas veias gástrica (do estômago e do esôfago), esplênica

(do baço) e mesentéricas (do intestino);


»» Veias cardíacas: transportam o sangue do músculo cardíaco;

• Capilares;

»» Local da troca de nutrientes e oxigênio por dióxido de carbono e catabólitos.

Circulação sanguínea
A circulação sanguínea é dividida em pequena e grande circulação (Figura 4):
• Circulação pulmonar ou pequena circulação: leva o sangue venoso do ven-
trículo direito, pela artéria tronco pulmonar, aos pulmões e retorna como san-
gue arterial, pelas veias pulmonares, ao átrio esquerdo, tendo como função
oxigenar o sangue;
• Circulação sistêmica ou grande circulação: leva o sangue arterial do ven-
trículo esquerdo, pela artéria aorta, a todos os tecidos, e retorna como sangue
venoso, pelas veias cavas superior e inferior, ao átrio direito.

Fluxo Sanguíneo do Coração Humano

sangue oxigenado para


a parte superior do corpo
sangue desoxigenado para
a parte superior do corpo
sangue desoxigenado
para os pulmões

sangue desoxigenado
para os pulmões

sangue oxigenado
para os pulmões

sangue oxigenado
para os pulmões

sangue desoxigenado para


a parte inferior do corpo sangue oxigenado para
a parte inferior do corpo

Figura 4 – Modelo Esquemático da Circulação Sanguínea


Fonte: Adaptado de Getty Images

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e aos Sistemas do Corpo Humano

Explore nos Capítulos 9 e 10 do Livro de Anatomia, de Harley Francisco de Oliveira, informa-


Explor

ções adicionais referentes ao Sistema Cardíaco. Disponível em: https://bit.ly/2GRKaEs

Sistema linfático
É uma rede complexa de órgãos linfoides, linfonodos, ductos linfáticos, tecidos
linfáticos, capilares linfáticos e vasos linfáticos que produzem e transportam o fluido
linfático (linfa) dos tecidos para o Sistema Circulatório, ou seja, é constituído por
uma vasta rede de vasos semelhantes às veias (vasos linfáticos), que se distribuem
por todo o corpo e recolhem o líquido tissular que não retornou aos capilares san-
guíneos, filtrando-o e o reconduzindo à circulação sanguínea.

Esse sistema também é um importante componente do Sistema Imunológico,


pois colabora com glóbulos brancos para proteção contra bactérias e outros pató-
ginos invasores.

Esse Sistema é constituído basicamente por (Figura 5):

Figura 5 – Representação dos órgãos e vasos linfáticos


Fonte: Getty Images

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Explor
Uma obstrução no Sistema Linfático pode acarretar um acúmulo de quantidades anormais
de líquido intersticial nos compartimentos extracelulares ou nas cavidades corporais, conhe-
cido como edema. Esse edema apresenta-se como um aumento de volume dos tecidos, o
qual cede à pressão localizada. Clique no link a seguir e saiba mais sobre a atuação do fisiote-
rapeuta na Drenagem Linfática referente ao Sistema Único de Saúde: https://bit.ly/2DF8Qhn

• Linfa: líquido transportado pelos vasos linfáticos, rico em leucócitos;


• Vasos linfáticos: ducto torácico e ducto linfático direito;
• Órgãos linfoides primários: timo e medula óssea;
• Órgãos linfoides secundários: baço e linfonodos (Quadro 1).

Quadro 1 – Função e localização dos órgãos linfoides


Órgão Local Função
Em agrupamentos ou cadeias ao longo Locais de produção de linfócitos; aloja lin-
do trajeto de grandes vasos linfáticos fócitos T e linfócitos B que são responsáveis
Linfonodos por imunidade; fagócitos filtram partículas
estranhas e resíduos celulares da linfa
Em um anel na junção da cavidade oral Protege contra a invasão de substâncias es-
Tonsilas e faringe tranhas que são ingeridas ou inaladas
Porção esquerda superior da cavida- Atua como reservatório de sangue; fagocita
Baço de abdominal, abaixo do diafragma e e filtra partículas estranhas, restos celula-
apoiada ao estômago res; produção de linfócitos
Interior do mediastino, atrás do manú- Importante local imunológico em uma
Timo brio do esterno criança; produção de linfócitos; modifica
linfócitos indiferenciados em linfócitos T
Fonte: GRAAFF, 2003

Já que falamos de sistema linfático, que tal explorar mais sobre a função imunológica desse
Explor

sistema? Confira mais informações na cartilha da Camila Lopes e do Fernando Amaral!


Disponível em: https://bit.ly/2PAO5rP

Sistema Respiratório
As principais funções das vias respiratórias são conduzir, filtrar, pré-aquecer e
umedecer o ar inspirado e realizar as trocas gasosas. Esse sistema é composto por
órgãos responsáveis pela respiração, por meio do intercâmbio entre o ar e o sangue,
consistindo na absorção de oxigênio (O2) e na eliminação de gás carbônico (CO2).

Antes de iniciarmos o aprendizado de cada um desses órgão, que tal conhecer um pouco
Explor

sobre eles? Assista ao vídeo disponível no link a seguir: https://youtu.be/sqSRSgcgkok

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e aos Sistemas do Corpo Humano

O Sistema Respiratório, em termos de funcionalidade, pode ser dividido em por-


ção de condução e de respiração. As principais estruturas que compõem a porção
de condução são o nariz, a cavidade nasal, a faringe, a laringe, a traqueia e os
brônquios, e as estruturas da porção de respiração: bronquíolos respiratórios, duc-
tos alveolares e alvéolos pulmonares (Figura 6).
• Cavidade nasal:
»» Septo nasal: divide a cavidade em direita
e esquerda;
»» Orifícios nasais: comunicação com os seios
paranasais e o ducto lacrimal;
»» Função: filtrar, aquecer e umidificar o ar, se-
cretar o muco e perceber os odores.
• Faringe: é um canal comum aos Sistemas
Digestório e Respiratório e se comunica com
a boca e com as fossas nasais. Conduz o ar
para a laringe e possui orifícios que a colocam
em contato com a tuba auditiva;
• Laringe (situado na parte superior do pes- Figura 6 – Sistema Respiratório
coço, em continuação à faringe): Fonte: Getty Images

»» Secretar o muco que umedece, aquece e retém substâncias;


»» Impedir a penetração de substâncias pelo fechamento da laringe por meio
da epiglote;
»» Responder pela fonação por meio das cordas vocais;
• Traqueia (é um tubo de aproximadamente 1,5cm de diâmetro por 10-12 centí-
metros de comprimento, cujas paredes são reforçadas por anéis cartilaginosos):
»» Secreta o muco, possui anéis cartilaginosos e mobilidade elástica;
»» Bifurca-se na sua região inferior, originando os brônquios, que penetram
nos pulmões.
• Brônquios: Cada brônquio penetra no pulmão e se ramifica, formando o
bronquíolo que termina nos alvéolos;
• Pulmões:
»» Pulmão direito: divide-se em lobos superior, inferior e médio;
»» Pulmão esquerdo: divide-se em lobos superior e inferior;
»» Pleura parietal reveste o tórax; pleura visceral reveste o pulmão;
»» Cavidade pleural: não tem ar ou líquido e tem pressão negativa:
• Troca gasosa: O oxigênio dos alvéolos passa para o sangue, e o dióxido de
carbono do sangue para os alvéolos (Figura 7).

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Pulmão
Veias pulmonares
e artérias

A principal função dos pulmões é ajudar o oxigênio do ar que


respiramos a entrar nos glóbulos vermelhos do sangue. Os
glóbulos vermelhos transportam oxigênio (O2) pelo corpo para
serem usados nas células encontradas em nosso corpo. Os
Pulmão direito Pulmão esquerdo pulmões também ajudam o corpo a se livrar do gás de dióxido de
carbono (CO2) quando expiramos.

1. Traquéia 15. artéria pulmonar esquerda Entrada de sangue


CO2
Saída de ar O2
2. Bronco principal direito 16. Brônquio lobar superior esquerdo desoxigenado Entrada de ar
3. Brônquio lobar superior direito 17. Veia pulmonar superior esquerda
4. Artéria pulmonar direita 18. Bronco lobar inferior esquerdo Saída de sangue
5. Veia pulmonar superior direita 19. Veia pulmonar inferior esquerda Glóbulos vermelhos oxigenado
6. Brônquio lobar médio 20. Tronco pulmonar em capilar
CO2 Alvéolos
7. Veia cava superior 21. Aorta Ascendente Saída de ar
8. Veia pulmonar inferior direita 22. ventrículo esquerdo
O2
9. Brinchus lobar inferior direito 23. ventrículo direito Entrada de ar
10. Átrio direito 24. Veia
11. Inferior cena cava 25. artéria
12. Aorta 26. Brônquio
Sangue desoxigenado
13. Arco da aorta 27. Alvéolos
14. Brônquio principal esquerdo

Figura 7 – Anatomia dos vasos sanguíneos pulmonares e representação da troca gasosa


Fonte: Adaptado de Getty Images

• Mecânica respiratória:
»» Inspiração: a cavidade torácica se distende para a entrada do ar;
»» Expiração: o tórax diminui de tamanho para a saída do ar;
»» Fatores atuantes na respiração: ação dos músculos torácicos e do diafrag-
ma, pressão negativa na cavidade pleural e estímulo nervoso.

Vamos visualizar uma animação 3D sobre o processo de respiração? Confira no disponível


Explor

em: https://youtu.be/G5tTlA6CfEc

• Controle da respiração
»» Centro respiratório automático, o qual sofre influências, como por exemplo,
dos níveis de concentração sanguíneo do dióxido de carbono;
»» Simpático: estimula a frequência respiratória;
»» Parassimpático: inibe a frequência respiratória.

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UNIDADE Introdução ao Estudo da Anatomia
e aos Sistemas do Corpo Humano

Assista ao vídeo "Aula 3 Respiração" sobre o controle da mecânica respiratória,


Explor

disponível em: https://youtu.be/GsbSi3vJy5k

Que tal realizar questões de múltipla escolha e estudos de caso extras gratuitos? Acesse o
Explor

material suplementar do e-book Moore – Anatomia Orientada para a Clínica. Basta você
se cadastrar e fazer login no site da Editora <grupogen.com.br>, clicando no menu superior
do lado direito.

Após a leitura e o estudo do seu livro-texto e de consultar o Material Comple-


mentar, chegou a hora de você ir para o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem e
acessar a Videoaula referente à Aula.

Bons estudos!

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

  Sites
Guia de Anatomia Asclépio
https://bit.ly/2GGlBsI
Todo Biologia
https://bit.ly/2PDicPg

 Livros
Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar
DANGELO, J. G., FATTINI, C. A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar.
3.ed. São Paulo: Atheneu, 2007.
Anatomia e Fisiologia Humana: uma abordagem visual
FREDERIC, H. Martini et al. Anatomia e Fisiologia Humana: uma abordagem visual.
7.ed. São Paulo: Pearson, 2015. (E-book).

 Vídeos
Sistema Cardiovascular
https://youtu.be/PtlI0icorQE
Sistema Imunológico
https://youtu.be/5ILG3gbAzlM
Sistema Respiratório
https://youtu.be/vlY3AOnqLtk

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UNIDADE Introdução ao Estudo da Anatomia
e aos Sistemas do Corpo Humano

Referências
CALAIS-GERMAIN, B. Anatomia para o movimento: Introdução à análise das
técnicas corporais. 4.ed. Barueri: Manole, 2010. v.1.

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gica. São Paulo: Artes Médicas, 2014. p. 14-5.

GRAAFF, K. M. V. Anatomia Humana. 6.ed. Barueri: Manole, 2003.

HARTWIG, Walter C. Fundamentos em Anatomia. Porto Alegre: Artmed, 2008.


(E-book)

KAWAMOTO, E. E. Anatomia e fisiologia para enfermagem. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2018. (E-book)

MOORE K. L., AGUR A. M. R., DALLEY A. F. Clinically Oriented Anatomy.


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RIZZO, D. C. Fundamentos da Anatomia e Fisiologia. 3.ed. São Paulo: Cenga-


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