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I.

Introdução

O presente trabalho, surge no âmbito da cadeira de Políticas Públicas e Planificação,


integrante do curso de Licenciatura Profissional em Administração Pública – LPAP,
ministrado pela Universidade Joaquim Chissano (Escola Nacional de Administração Pública),
cujo tema é “Modelos de Governação de Analise de Politicas Públicas”.

Os modelos de análise de políticas públicas contemporâneos, de forma geral, tendem a


enfatizar o papel da racionalidade e o papel das instituições como factor explicativo para o
comportamento dos atores e para os resultados das políticas públicas (RUA, 2013). O
comportamento racional foi relacionado às instituições pelo neo-institucionalismo da Escolha
Racional, que pressupõe que a acção dos actores é balizada pelas regras do jogo político, que
são incorporadas aos cálculos de custo-benefício para tomada de decisões dos indivíduos e
grupos. Desse modo, as instituições oferecem mecanismos que reduzem as incertezas na
interacção estratégica dos atores nas situações políticas, por meio de um “roteiro” de
comportamento que possibilita o reconhecimento dos atores e seus repertórios (HALL;
TAYLOR, 2003).

As instituições incluem, além das regras de comportamento, os sistemas de símbolos,


esquemas cognitivos e modelos morais que guiam a acção humana mediante a formação de
padrões de significação (HALL; TAYLOR, 2003). A abordagem teórica desenvolvida dentro
dessa vertente parte do pressuposto da appropriateness (lógica da conveniência), que
conforma os processos institucionais, uma vez que induz os indivíduos a colocarem o senso
de dever acima do auto-interesse. Com isso, o comportamento dos indivíduos é estruturado
pelas instituições, que definem as formas de acção dentro das organizações.

Um bom sistema de governação é caracterizado pelo seguinte: Participado – estimuladora de


uma ampla participação dos cidadãos na tomada de decisão; Orientado para o consenso –
tenta alcançar decisões com base em acordo generalizado; Transparente – aberta ao escrutínio
nos processos de tomada de decisão; Solícito – escuta e responde às necessidades dos seus
cidadãos; Eficaz e eficiente – presta os serviços básicos; e equitativo e inclusivo – não exclui
sectores da população, especialmente os que são mais vulneráveis ou marginalizados.
1.1.Objectivos:

1.2.1.Geral

Compreender os modelos de governação para as políticas públicas

1.2.2. Específicos

 Analisar os modelos de governação


 Descrever as fases das políticas públicas
 Explicar as fases de políticas de públicas

1.3.I. Metodologia

A metodologia usada para efectivação deste trabalho foi o método científico e a técnica a
revisão bibliográfica.

1.4.Conceitos

Easton (1953, p. 130) considera uma política (policy) uma teia de decisões que alocam valor.
Mais especificamente, Jenkins (1978, p. 15) vê política como um conjunto de decisões inter-
relacionadas, concernindo à selecção de metas e aos meios para alcançá-las, dentro de uma
situação especificada.

Segundo Heclo (1972, p. 84-85), o conceito de política (policy) pode ser considerada como
um curso de uma acção ou inação (ou não-acção), mais do que decisões ou acções
específicas.

Politicas Publicas – e o que os Governos fazem, porque o fazem e que diferença faz a acção
governamental para a sociedade e seus problemas (Pedone, 1986:7).

Políticas Públicas são um conjunto de acções e decisões do governo, voltadas para a solução
(ou não) de problemas da sociedade (...).” Dito de outra maneira, as Políticas Públicas são a
totalidade de acções, metas e planos que os governos (nacionais, estaduais ou municipais)
traçam para alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse público ( Matheus Cotta de
Carvalho - Políticas Públicas Volume 7 ).
O termo “governação” refere-se ao processo de tomada de decisão e às formas como as
decisões são implementadas (ou não). Em qualquer dado sistema, o governo é o principal
actor, mas outros podem influenciar o processo. Os actores não estatais, como os líderes
religiosos ou tribais, sociedade civil, principais proprietários de terras, sindicatos de
trabalhadores, instituições financeiras, o exército e os grupos baseados na comunidade podem
desempenhar papéis importantes.

Governação é o processo através do qual a vida social é coordenada, quer através de


hierarquias e mercados, quer através de redes ou cadeias (Kulipasso apud Heywood 2000:19)

Segundo Gonçalves (2003) a "governação" é um conceito que se contrapõe ao conceito


tradicional de governo. Enquanto o governo diz respeito às instituições formais do poder
legislativo, executivo ou judicial, a "governação" remete para os mecanismos informais de
regulação envolvendo instituições públicas, indivíduos, empresas, organizações não
governamentais e outros grupos da sociedade civil, implicando cooperação e coordenação a
vários níveis.

II. REVISÃO DA LITERATURA


2.1. Modelos de Governação de análise de políticas públicas

2.2 Modelo de Racionalidade Económica

Segundo Pedone (1986), a racionalidade económica aplicada às políticas públicas surge a


adopção de critérios de escolha pública e da economia neoclássica do bem-estar, sem entrar
em julgamento de valor. De entre as características mais importantes encontraram-se:
Racionalidade económica resolve a alocação de recursos, maximizando a satisfação de
preferências individuais; A racionalidade instrumental propõe uma correspondência lógica
entre fins e meios que levam a optimização e a eficiência na alocação de recursos escassos;
Conhecendo-se as leis sociais «causa-efeito» podem ser determinados os meios que
produzem os comportamentos sociais desejados; Consideram-se valores como irracionais, já
que a metodologia básica é individualista por maximizar as utilidades das decisões
individuais;A formulação de políticas públicas prima pela eficiência, uma vez que se usam
instrumento de análise de custo benefício e Teoria da Utilidade Neoclássica que consideram
valores além do escopo de inquérito, sendo portanto um processo apolítico; e finalmente;
Protecção do sistema de mercado, argumentando que existe uma justiça inerente na troca de
equivalentes e que a intervenção estatal é somente justificada quando os indivíduos não
registaram suas preferências pelos bens públicos puros no mercado ou existem externalidade
no processo do funcionamento do mercado (poluição, educação) ou ainda nos casos dos
monopólios «naturais» para manter a eficiência.

2.3 Modelo de Viabilidade Política

Este modelo está virado para o processo político e para o que resulta desse processo em
termos de directrizes, políticas e programas governamentais. Este modelo tem por premissa
que o planeamento seja feito sem desvios ou restrições e que os objectivos estabelecidos
serão atingidos com certeza como se fossem situações e ambientes certos e estáveis
(Pedone, 1986:35).

Wanderley G. dos Santos e Olavo Brasil, mencionam criticando esse modelo voluntarista,
que “uma vez os fins das políticas sejam estabelecidos pelos tomadores de decisão,
praticamente nada que seja importante pesquisar permanece no campo”, e que nota-se pouca
atenção tendo sido dada a análise de conteúdo, pensando que uma vez estabelecido os
objetivos (fins) e os recursos (meios), necessários, pouco mais deveria ser feito para avaliar
os objetivos em comparação com os resultados. Dois extremos restringem essa viabilidade
política limitada, por um lado vários segmentos da sociedade geram demandas de serviços
para certos problemas sociais, sendo ou não atendido conforme a sua maior ou menor
influência sobre órgãos públicos. Por outro lado, as instituições do governo trabalham num
processo de fixação de objectivos e de compatibilização de meios para que tais objetivos
sejam alcançados.

De igual modo o autor cita que este modelo tem por premissa que o planeamento é feito sem
desvios ou restrições, e que os objetivos estabelecidos serão atingidos com clareza, como se
fossem situações em ambientes certos e estáveis. Essa consequência, a análise seria
desnecessária e não teria nenhum acréscimo na compreensão do processo político. Esta visão
é imobilizante na medida em que o “ status quo” é mantido. O que vem sendo feito, continua
ser realizado, sujeito às mesmas pressões do sistema político, mudando incrementalmente,
sem atender às demandas sociais de mudanças estruturais a longo prazo. Portanto, como
resultado, a utilidade desse tipo de análise e avaliação fica restrita não ajudando no processo
de formulação e tomada de decisões nas políticas públicas.

2.4.Modelo de Análise Sistemático

O modelo de análise e avaliação sistemática, preocupa-se com os procedimentos objectivos


que acontecem na burocracia, lidando com questões operacionais da acção das políticas. Um
político é responsável pelo que acontece no processo de formulação e decisão e por grande
parte do que ocorre na implementação de programas públicos. Por este modelo, os atores no “
jogo do poder” do processo de formulação interagem e chegam a um acordo político que
permite, além do exercício do pluralismo, o funcionamento do sistema político sem mudanças
básicas” (Pedone, 1996:16 e 17).

Este modelo, procura defender a necessidade de um maior detalhe das políticas públicas. Isto
é realizado pela análise aplicada por experimentos com políticas públicas, para poder
estabelecer objetivos e custos de cada alternativa. O Mesmo autor refere que esta abordagem
focaliza a “resultante” das políticas públicas, o que sai das instituições do governo (Pedone
1986:37-38).

Deste modo, Pedone (1986:37), reitera que para os seguidores desta vertente, as políticas
públicas originam-se dos centros de pesquisa de governo. Assim, instituições geradoras de
políticas públicas tornam para si a responsabilidade de fornecer algumas alternativas de
políticas públicas aos tomadores de decisão, exactamente porque detêm os dados e as
informações sobre os problemas tais como eles são definidos por grupos específicos. Na
definição dos problemas e dos valores implícitos em programas destinados a resolve-los, são
realizados apenas reajustes nos procedimentos sem maior preocupação com a mudança
substantiva na política pública. O que vem a ser considerada uma “boa política” é aquela que
passa pelo teste inicial das “boas intenções”. O último teste é a sua aceitação pelo seguimento
dos grupos de pressão externos e internos ao governo atingidos pela política pública.

Ao analisar políticas públicas pelo ângulo do processo politico interno e externo focaliza-se
somente parte da questão de políticas públicas. O fascínio que a dinâmica do processo
decisório exerce sobre estes analistas deixa não analisada os efeitos das políticas das
populações alvo. Não se pode saber quais aspectos do processo de políticas públicas que são
realmente importantes até que se conheçam os efeitos dos decretos, leis, portaria, instruções,
resoluções, na sociedade e na economia pela sua efectiva actuação ou apenas existência
formal.

O resultado é frustração da acção governamental. O cepticismo é tanto maior quanto a


incapacidade do processo político de abrir-se para análise substantiva ficando limitado aos
órgãos dentro e fora do governo, que, segundo sua óptica estão elaborando a obra política.

2.4.1.Abordagem sobre Governação, políticas públicas e suas fases

2.4.2 Governação

Governação, tem origem etimológica similar a do termo cibernética, Ambos termos


significam ‘ comando’, ‘controlo’. É por isso que a palavra governar significa reinar
comandar ou controlar outros. Na governação fala se de comando e controlo em termos de
exercício do poder, que se manifesta, em termos de modo de governação por hierarquia, na
relação entre governantes e os governados.
Governação envolve o exercício do poder nas suas variadas formas e nela estão envolvidos os
sectores público e privado, a sociedade civil e outros actores sociais.
Governo refere se aos mecanismos ou instrumentos formais e institucionais do Estado que
operam ao nível nacional para manter a ordem pública e facilitar a acção colectiva. As
funções básicas do governo são: Legislação, Execução e Interpretação de leis. O governo é
um dos actores envolvidos na governação.

2.5.Os seis significados de governação

Rod Rhodes afirma que o conceito de governação tem seis significados diferente:
Governação como mínimo Estado - está relacionada com a retórica neoliberal sobre
necessidade de se reduzir o papel do estado e as despesas públicas e desregularizar a
economia. Esta era a política do Banco Mundial desde os anos 80 para diante. Mínimo estado
significava: redução de funcionários do estado, redução drástica de despesas do estado,
introdução de programas de ajustamento estrutural e maior confiança às forças de mercado.

a) Governação como governação corporativa – refere-se a forma de exercício de poder


em que grupos de interesse organizados são garantidos privilégios institucionais na
formulação de políticas. Esta forma de governação é alcançada dependendo do
relacionamento entre estes grupos e o governo. Todas organizações envolvidas na
prestação de serviços são submetidas aos princípios de responsabilidade e prestação de
contas, controlo e responsabilidade e desempenho na gestão de negócios que vão para
além das fronteiras dos sectores público, privado e corporativo. Implica partilha de
responsabilidades, custos e recursos para o benefício dos consumidores.

b) Governação como nova gestão pública – esta preocupa-se com a medição dos
resultados das actividades públicas, a promoção da responsabilização, a prestação de
contas a promoção de concursos públicos para a realização de várias actividades,
estabelecimento de parcerias entre os sectores público e privado, a devolução do controlo
da gestão, a melhoria de relatórios, monitoria e mecanismos de prestação de contas.

c) Governação como boa governação – é o exercício do poder caracterizado por


transparência, estado de direito, prestação de contas, responsabilização, eficácia e
eficiência no uso e gestão dos recursos públicos, e participação popular. Em termos
administrativos, isto implica uma gestão eficiente do desenvolvimento, boa
administração, responsabilização e boas políticas públicas.
d) Indicadores – Base analítica para a tomada de decisões, Comunicação, pensamento
estratégico e governação, Mediação democrática de interesses, Transparência de partidos
políticos, Responsabilidade do governo, Combinação entre a política, o mercado e a
imprensa entre outros.

e) Governação como sistema sócio-cibernético – é forma de comando e controlo


policêntrico. Os centros de comando, neste tipo de governação não se encontram apenas
no governo, mas num mosaico de organizações. O governo facilita, coordena e estimula
as várias formas de inteiração entre os vários actores de governação

f) Governação como redes ou cadeias auto-organizativas - envolve o exercício do poder


entre actores ou agentes essencialmente iguais. Aqui exercesse o tal poder na troca de
informação no uso de recursos e na prestação de serviços. Esta caracteriza-se por:
interdependência entre as organizações, interacções contínuas entre os membros da rede.

2.5.1.Outros modelos de governação

a) Hierarquias - operam através de mecanismos de cima para baixo ou através de estruturas


hierárquicas bem estabelecidas. Esta inclui o uso legitimado da força e correcção que
normalmente é feito pelos Estados através dos governos.

b) Mercados - coordenam a vida social através de mecanismos de preço em função da Lei de


procura e oferta. Esta forma de governo privilegia a negociação entre vendedores e
compradores ou entre produtores e consumidores ou clientes. Quando surgem conflitos
recorre-se aos tribunais para se determinar as responsabilidades que as partes tem nas
disputas.

c) Redes ou Cadeias - são formas organizacionais de exercício do poder, caracterizados por


relações informais entre entidades ou agentes relativamente iguais. Nestes factores qualquer
organização depende de outras para a obtenção de recursos, necessidade de troca de recursos,
a coligação dominante aplica as regras de jogo conhecidas para regular o processo de troca.
2.6. Factores que elevam a importância de Governação

Os factores que contribuíram e contribuem para a elevação da importância de governação são


diversos.
Adrian Leftwich destaca os seguintes factores: A experiência dos programas de ajustamento
estrutural dos anos 80, influência política do neoliberalismo, o colapso do comunismo na
Europa do Leste, o impacto dos movimentos pro democráticos e a emergência do conceito
Boa Governação entre os doadores

Jon Pierre e Guy Peters identificaram oito factores que contribuíram para elevação da
importância de governação: A crise financeira do Estado, Mudança ideológica em direcção
aos princípios de mercado, globalização, incapacidade do estado para satisfazer as
necessidades cada vez mais crescentes dos cidadãos, emergência de nova gestão pública,
mudanças sociais e crescentes complexidades, novas fontes de governação e herança de
responsabilização política tradicional.

2.7. Níveis de efectivação de Governação

A governação efectiva-se nos níveis familiar, local, nacional, supranacional e global.

2.8. Dimensões funcionais de Governação e respectivas arenas institucionais

A forma como o processo político é estruturado (isto é, como o estado, a sociedade e a


economia interagem) tem grandes implicações na qualidade de governação e
desenvolvimento então torna se imperioso destacar as dimensões funcionais de governação e
arenas em que elas se efectivam.
Dimensão Funcional Arena Institucional Objectivos das normas
Socializante Sociedade Civil Dar forma como os cidadãos se educam e se tornam
cientes dos assuntos públicos
Agregativa Sociedade Politica Dar forma como os assuntos públicos são tornados
em política pelas instituições políticas
Executiva Governo Dar forma como as políticas são feitas pelas
instituições do governo
Gerencial Burocracia Dar forma como as políticas são administradas e
implementadas pelos funcionários públicos
Regulativa Sociedade Económica Dar forma como o estado e o mercado interagem para
promover o desenvolvimento
Adjucativa Sistema judicial Dar forma e contexto de resolução das disputas e dos
conflitos

Políticas Públicas - conjunto de acções do governo, isto é, qualquer coisa que o governo opte
por fazer ou por não fazer ou ainda a soma de todas as actividades desenvolvidas por um
governo, directa ou indirectamente, sobretudo no que diz respeito às grandes questões
públicas e sua (possível) solução. (Souza 2003).

2.9. Fases de Politicas Publicas

- Agenda, em que são seleccionadas as prioridades;

- Formulação, em que são apresentadas soluções ou alternativas;

- Implementação, em que são executadas as políticas;

- Avaliação, em que ocorre a análise das acções tomadas.

2.10. Formação de Agenda

Dada a impossibilidade de que todos os problemas existentes na sociedade sejam atendidos,


pois os recursos necessários para tal acção são escassos em relação à quantidade de
problemas, a primeira fase correspondente à formação de agenda é necessária para que sejam
estipuladas as questões a serem discutidas pelo governo. Portanto, este processo de se
estabelecer uma listagem dos principais problemas da sociedade envolve a emergência, o
reconhecimento e a definição dos problemas em questão e, consequentemente, os que não
serão atendidos (Capella, A. C. N. 2007. p. 87-121.).

O que vai determinar a inserção ou não inserção de um problema público em uma agenda?
Dentre uma série de factores, pode-se citar por exemplo, a existência de indicadores ou
dados, que mostram as condições de uma determinada situação; e o resultado obtido com
acções governamentais anteriores que apresentaram falha nas providências adoptadas. Os
desdobramentos políticos (como por exemplo, as mudanças de governo) também são
poderosos formadores de agenda, pois isso está relacionado à visão dos políticos eleitos sobre
os temas que devem ou não receber prioridade.

Cabe ressaltar que, mesmo que uma questão seja listada na Agenda, isso não significa que
terá prioridade em relação às outras, pois tal prioridade ocorre com a junção de diversos
factores, como a própria vontade política, uma forte mobilização social e a avaliação de
custos para a resolução do problema em questão.
2.11. Formulação de Políticas Públicas

A partir do momento em que os problemas são inseridos na agenda, é preciso planear e


organizar as alternativas que serão colocadas em prática para a solução dos mesmos. É o
instante em que se deve definir os objectivos das políticas públicas, as acções que serão
desenvolvidas e suas metas. Sendo assim, muitas propostas de acção são descartadas, o que
provoca embates políticos, visto que determinados grupos teriam tais acções – que foram
deixadas de lado, favoráveis a eles.

Pode-se definir como necessários a uma boa formulação de políticas os seguintes passos: a
transformação de estatísticas em dados importantes para a solução dos problemas;
identificação dos principais atores envolvidos e a avaliação das preferências dos mesmos; e
acção com base nas informações adquiridas.

A avaliação das alternativas deve acontecer de forma objectiva, levando-se em conta algumas
questões, como viabilidade financeira, legal e política, e também os riscos trazidos pelas
alternativas em estudo. Desta forma, opta-se por aquelas que seriam mais convenientes para o
cumprimento do objectivo (Capella, A. C. N. 2007. p. 87-121.).

2.12. Implementação de Políticas Públicas

É na implementação que os planos e escolhas são convertidos em acções, resultados. Durante


este período, as políticas podem sofrer diversas transformações dependendo da posição do
corpo administrativo, que é o responsável pela execução da política.

Nesta fase, alguns elementos podem prejudicar o processo das políticas, como por exemplo:
disputa pelo poder entre organizações; contexto social, económico e tecnológico das
políticas; recursos políticos e económicos; treinamento do sector administrativo responsável
pela execução e o apoio político à disposição. Embora seja mostrada uma carência de
recursos frente às necessidades públicas, por muitas vezes, os programas governamentais são
falhos, havendo mais deficiência na gestão do que falta de recursos propriamente dita. Dentre
as disputas entre organizações, é interessante dizer que, quanto maior os números de
organizações estiverem envolvidas no processo de implementação das políticas – dependendo
do nível de colaboração entre elas, maior será o número de ordens a serem resolvidas, o que
demanda maior tempo para a realização das tarefas.

Há dois modelos de implementação das Políticas Públicas: o de Cima para Baixo (modelo


centralizado, aplicação do governo para a sociedade) e o de Baixo para Cima (modelo
descentralizado, aplicação da sociedade para o governo). No modelo de Cima para Baixo,
poucos funcionários participam das decisões e formas de implementação. Trata-se de uma
concepção hierárquica da administração pública, sendo tais decisões cumpridas sem
indagações. No modelo de Baixo para Cima, os favorecidos pelas políticas, atores públicos e
privados, são chamados para participar do processo.

Para o desenvolvimento de um bom processo de implementação, é necessário que, dentre


outros factores: o programa disponha de recursos suficientes; a política implementada tenha
um embasamento teórico adequado em relação ao problema e a sua solução; haja uma
só agência implementadora ou baixo nível de dependência entre elas; exista completa
compreensão dos objectivos a serem atingidos, bem como das tarefas a serem realizadas; e
ocorra aprimorada comunicação entre os elementos envolvidos no programa (Capella, A. C.
N. 2007. p. 87-121.).

2.13. Avaliação de Políticas Públicas

Na avaliação ocorre o processo de colecta de dados e análise do programa adoptado, o que


permite a percepção dos erros e pode levar ao aperfeiçoamento posteriormente. Portanto, esta
fase: analisa os impactos, a eficiência, eficácia e sustentabilidade das acções desenvolvidas;
possibilita a correcção, prevenção de erros e a criação de novas informações para futuras
políticas públicas; permite que a administração faça a devida prestação de contas das atitudes
tomadas; responde se os resultados produzidos estão se saindo da maneira esperada e
identifica os obstáculos que dificultam o desenvolvimento do processo; além de fomentar a
comunicação e a cooperação entre os diversos atores.

Para se averiguar uma acção, a Avaliação deve responder se os resultados ocorreram em


tempo viável, se os custos para a produção foram adequados e se o produto corresponde aos
objectivos da política, sendo estes requisitos relacionados à eficácia e eficiência do
desenvolvimento. Quanto ao impacto, deve-se analisar a relevância de tais modificações, as
áreas afectadas e a cooperação dos componentes políticos na obtenção de seus objectivos. Em
relação à sustentabilidade, uma política deve manter seus efeitos positivos após o fim das
acções governamentais direccionadas a tal política.

Em relação aos responsáveis pela avaliação, pode-se dividir de duas formas: avaliação


interna  – feita pelos responsáveis pela gestão do programa, e avaliação externa – feita por
especialistas não participantes do programa. A avaliação interna é vantajosa no sentido de
que, por estarem incorporados ao programa, além de um maior conhecimento sobre tal, terão
também acesso mais facilitado às informações de que precisam. Já a avaliação externa conta
com uma importante imparcialidade, o que gera uma maior credibilidade em relação ao
público externo, mas tem como desvantagem um gasto maior de tempo – e dinheiro, até que
se habituem com o objecto de estudo.

O facto de a Avaliação ser colocada como a última fase, não quer dizer que ela deve ser
utilizada apenas no fim da actuação política. A avaliação pode/deve ser feita em todo o
processo de Políticas Públicas, contribuindo para um bom desenvolvimento das acções
minimizando as chances de insucesso (Capella, A. C. N. 2007. p. 87-121.)

2.14.Fracassos das Políticas Públicas

Oliveira (2006) procura demonstrar os factores do fracasso de políticas públicas socorrendo-


se na análise conceptual de se pensar no planeamento. Para este autor, as políticas públicas
fracassam por causa da dissociação que se faz entre o planeamento e o processo de
implementação, monitoria e avaliação de políticas públicas. O planeamento em políticas
públicas deve ser visto “como um processo e não um produto técnico somente

Polidano (2001) defende que o fracasso de políticas públicas tem a ver com a abrangência das
mesmas. Em muitos países e em particular em Moçambique, as políticas públicas enquadram-
se no âmbito da reforma do sector público. Assim, a tendência dos Governos é tentar
reformar tudo ao mesmo tempo e muitas vezes sem capacidade administrativa e financeira

2.15.Governação versus políticas públicas

A governação e as políticas públicas


• Governação: actores do sistema político e como interagem entre si
• Políticas públicas: o resultado dos processos de governação

III. Conclusão
O grupo entendeu que as variações nas políticas públicas adoptadas podem ser explicadas
mediante o uso de diferentes modelos de análise ou mesmo com a combinação dos mesmos.
Nesse sentido, a investigação sobre as políticas públicas pode ser realizada a partir de várias
perspectivas teóricas, que buscam explicar os processos de tomada de decisão dos actores,
que tendem a apresentar regularidades. Enquanto algumas abordagens enfatizam a
racionalidade como fator explicativo, outras entendem que os processos de decisão não são
lineares, e nesse entremeio também fica destacado o papel das instituições. Mesmo havendo
divergências entre as diferentes possibilidades de análises, as abordagens podem ser
empregadas de forma complementar. Adiante o grupo foi ainda capaz de perceber de existe
uma diferença clara entre governação e governo nos fracassos das politicas públicas através
das analises de Drucker permitiram concluir que o treinamento dos funcionários, as políticas
reguladoras e de controlo devem ser acompanhadas por políticas de redistribuição equitativa
dos recursos. Com o pensamento de Oliveira é possível perceber que o processo de
planificação deve acompanhar todas as fases de políticas públicas. A grande aprendizagem
que se pode extrair de Pedone aponta que as reformas do sector público não devem ser
abrangentes e de curto prazo.

V.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Capella, A. C. N. Perspectivas Teóricas sobre o Processo de Formulação de Políticas
Públicas. In: Hochman, G.; Arretche, M. et al. (Orgs.). Políticas Públicas no Brasil. Rio de
Janeiro: Fiocruz, 2007. p. 87-121.

Kingdon, J. (2003 [1984]), Agendas, alternatives, and public policies. 3 ed. Nova York,
Harper Collins.

Souza, C. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologia, Porto Alegre, n.16, p. 20-
45, 2006.
Inclusive Security: Women Waging Peace cannot vouch for the accuracy of this translation.

Kulipossa, Pius. F: Breves Considerações sobre conceitos e teorias de Governação e


Desenvolvimento, Texto de apoio n° 1, 2006, Maputo

Indice Capa

I. Introdução..........................................................................................................................................1
1.1.Objectivos:.......................................................................................................................................2

1.2.1.Geral.............................................................................................................................................2

1.2.2. Específicos...................................................................................................................................2

1.3.I. Metodologia.................................................................................................................................2

1.4.Conceitos.........................................................................................................................................2

II. REVISÃO DA LITERATURA...................................................................................................................4

2.1. Modelos de Governação de análise de políticas públicas...............................................................4

2.2 Modelo de Racionalidade Económica..............................................................................................4

2.3 Modelo de Viabilidade Política........................................................................................................4

2.4.Modelo de Análise Sistemático.......................................................................................................5

2.4.1.Abordagem sobre Governação, políticas públicas e suas fases....................................................6

2.4.2 Governação..................................................................................................................................6

2.5.Os seis significados de governação..................................................................................................7

2.5.1.Outros modelos de governação....................................................................................................8

2.6. Factores que elevam a importância de Governação.......................................................................9

2.7. Níveis de efectivação de Governação.............................................................................................9

2.8. Dimensões funcionais de Governação e respectivas arenas institucionais.....................................9

2.9. Fases de Politicas Publicas............................................................................................................10

2.10. Formação de Agenda..................................................................................................................10

2.11. Formulação de Políticas Públicas................................................................................................11

2.12. Implementação de Políticas Públicas..........................................................................................11

2.13. Avaliação de Políticas Públicas....................................................................................................12

2.14.Fracassos das Políticas Públicas...................................................................................................13

2.15.Governação versus políticas públicas..........................................................................................13

III. Conclusão.......................................................................................................................................14

V.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................................................15

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