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Técnico de Apoio à Família e à Comunidade

UFCD 7218
TÉCNICAS DE PRESTAÇÃO
DE CUIDADOS DE HIGIENE,
CONFORTO E ELIMINAÇÃO A
PESSOAS COM
DEPENDÊNCIA PARCIAL
50h

Ana Afonso Guerreiro


Técnicas de prestação de cuidados de
higiene, conforto e eliminação a
pessoas com dependência parcial
UFCD 7218 Carga Horária: 50 horas
Formadora Ana Afonso Guerreiro

1
Objetivos

• Reconhecer o quadro de articulação com o técnico de saúde na prestação


de cuidados de higiene, conforto e eliminação.

• Preparar os materiais, equipamentos e instrumentos utilizados nos


cuidados de higiene, conforto e eliminação.

• Prestar cuidados de higiene, conforto e eliminação através de meios


técnicos auxiliares.

• Aplicar técnicas de transferência, posicionamento e mobilização em


pessoas com dependência parcial.

• Aplicar técnicas de prestação de cuidados de higiene, conforto e


eliminação a pessoa com dependência parcial.

• Efetuar o registo e transmitir ocorrências.

Referenciais de Formação
762319 - Técnico/a de Apoio Familiar e de Apoio à Comunidade

Área de Formação
Trabalho Social e Orientação

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Introdução

Devido a uma crescente preocupação com a qualidade de vida dos cidadãos


surge a necessidade de criação de estruturas de apoio à família e à comunidade.

Assim, revela-se fundamental a formação específica que permita aumentar as


competências nesta área (apoio à comunidade).

Neste contexto o técnico de apoio à família e comunidade assume um papel


essencial na prestação de cuidados humanos básicos, necessários para garantir
a continuidade e qualidade de vida de todos aqueles que necessitam dos seus
serviços.

O técnico de apoio familiar e apoio à comunidade é o profissional qualificado e


apto a cuidar de indivíduos no domicílio ou em contexto institucional,
nomeadamente idosos, pessoas com deficiência e pessoas com outro
tipo de dependência, de acordo com as indicações da equipa técnica e
os princípios deontológicos de atuação.

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1 - Assistamos ao vídeo – material de aula

Âmbito de atuação

• Planeia o serviço relativo aos cuidados a prestar, selecionando,


organizando e preparando os materiais, os produtos e os equipamentos a
utilizar;

• Apoia o indivíduo na realização de atividades quotidianas, nos cuidados


de alimentação e nutrição;

• Presta cuidados básicos de higiene, conforto e eliminação à pessoa;

• Participa no desenvolvimento de atividades de animação/ocupação de


tempos livres do indivíduo;

• Participa na prevenção de acidentes domésticos e na prevenção da


negligência, abusos e maus-tratos sobre o indivíduo.

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O técnico de apoio familiar e comunitário pode trabalhar em
Instituições de solidariedade social; Centros de Terceira Idade; Outras
instituições; Hospitais; Lares e no domicílio do utente.

Podemos considerar, de forma genérica, que o técnico apoio


familiar e comunitário atua em três áreas de competência:

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Colaboração nos cuidados às pessoas;

Limpeza e higienização;

Apoio ao serviço e/ou unidade

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O Técnico de apoio familiar e à comunidade deve realizar as
seguintes tarefas, sempre de acordo com as orientações e
supervisão do técnico especializado:

• Assegurar a recolha, transporte, triagem e acondicionamento de roupa da


unidade do utente, de acordo com normas e/ou procedimentos definidos;

• Efetuar a limpeza e higienização das instalações/ superfícies da unidade


do utente, e de outros espaços específicos, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos;

• Efetuar a lavagem e desinfeção de material hoteleiro, material clínico e


material de apoio clínico em local próprio, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos;

• Assegurar o armazenamento e conservação adequada de material


hoteleiro, material de apoio clínico e clínico de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos;

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• Efetuar a lavagem (manual e mecânica) e desinfeção química, em local
apropriado, de equipamentos do serviço, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos;

• Recolher, lavar e acondicionar os materiais e equipamentos utilizados na


lavagem e desinfeção, de acordo com normas e/ou procedimentos
definidos, para posterior recolha de serviço interna ou externa;

• Assegurar a recolha, triagem, transporte e acondicionamento de resíduos


hospitalares, garantindo o manuseamento e transporte adequado dos
mesmos de acordo com procedimentos definidos;

• Auxiliar o técnico auxiliar de saúde na recolha de amostras biológicas e


transporte para o serviço adequado, de acordo com normas e/ou
procedimentos definidos.

O técnico de apoio familiar e à comunidade, para além das tarefas


anteriormente descritas, possui um conjunto de outras que realiza
sem a supervisão de um profissional de saúde:

- Assegurar atividades de apoio ao funcionamento das diferentes unidades e


serviços de saúde;

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- Efetuar a manutenção preventiva e reposição de material e equipamentos;

- Efetuar o transporte de informação entre as diferentes unidades e serviços de


prestação de cuidados de saúde;

- Encaminhar os contactos telefónicos de acordo com normas e/ ou


procedimentos definidos;

- Encaminhar o utente, familiar e/ou cuidador, de acordo com normas e/ ou


procedimentos definidos.

Equipamentos de proteção individual

Considera-se equipamento de proteção individual (EPI) todo o


equipamento, bem como qualquer complemento ou acessório
destinado a ser utilizado pelo trabalhador para proteger a sua saúde
e prevenir os riscos profissionais, danos por acidente ou doença ligada
ao trabalho. (n.º 1 artigo 3.º DL 348/93 de 1 de outubro).

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Não é considerado EPI o vestuário vulgar de trabalho, o vestuário de
apresentação ou uniforme quando não se destinam à proteção da saúde e
prevenção de riscos profissionais dos trabalhadores.

No setor da saúde, por exemplo, os prestadores de cuidados, nomeadamente


no tratamento e acompanhamento de doentes, usam múltiplos equipamentos,
complementos e acessórios em que o objetivo principal é a proteção da sua
saúde, nomeadamente a prevenção de riscos biológicos. Assim, por regra o
vestuário de médicos, enfermeiros e auxiliares ação médica, bem como todos
aqueles que cuidam e trabalham junto de pessoas eventualmente doentes,
dependentes, é considerado EPI.

Por princípio geral, legal e técnico é obrigação dos empregadores fornecer os


EPI, garantir o seu bom funcionamento a sua higienização e desinfeção, caso
sejam reutilizáveis.

Cabe ao empregador fornecer informação dos riscos profissionais que se


pretende prevenir com cada equipamento, bem como assegurar a formação
sobre a correta utilização dos EPI, incluindo o fardamento dos prestadores de
cuidados de saúde.

Os trabalhadores assim como os seus representantes devem ser consultados


sobre a escolha dos EPI, sua manutenção e limpeza salvaguardando a eficácia da
prevenção relativamente aos riscos profissionais contra os quais visam proteger
os trabalhadores.

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Articulação com o técnico de saúde na prestação dos cuidados

O técnico de apoio à família trabalha em estreita articulação e com orientação


e supervisão do técnico de saúde. É por seu turno, importante estabelecer a
articulação com a equipa técnica responsável reportando a evolução do estado
físico ou psíquico, situações anómalas e/ou agravamento do estado de saúde do
cliente, e acordo com as orientações e procedimentos definidos pela equipa
técnica.

Acompanha o indivíduo na toma de medicamentos e no cumprimento de planos


de cuidados, de acordo com as orientações da equipa de saúde;

Atua em situação de acidente, doença súbita ou agravamento do estado de


saúde.

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Participa no desenvolvimento de atividades de animação/ocupação
de tempos livres do indivíduo.

• Proporcionar momentos de animação, convívio e outras atividades de


caráter lúdico, cultural ou de lazer destinadas a combater a solidão,
monotonia e isolamento;

• Estimular a participação do indivíduo em atividades de lazer em contexto


comunitário, visando a promoção da sua integração social.

Participa na prevenção de acidentes domésticos em contexto


institucional ou domiciliário de acordo com as orientações da equipa
técnica.

• Identificar riscos de acidentes domésticos;

• Propor medidas e adaptações do espaço domiciliário para melhorar a


acessibilidade e segurança.

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Assegura a recolha, triagem, transporte e acondicionamento de
resíduos decorrentes da prestação de cuidados de higienização,
conforto e eliminação ao indivíduo, garantindo o manuseamento
adequado dos mesmos de acordo com procedimentos definidos.

Participa na prevenção da negligência, abusos e maus-tratos sobre


o indivíduo.

• Identificar sinais indiciadores de negligência, abusos e maus-tratos contra


pessoas idosas ou com deficiência;

• Reportar sinais ou situações de negligência, abusos e maus-tratos ao


responsável do serviço ou da instituição.

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Auxilia o profissional de saúde na mobilização, posicionamento,
transferência e transporte do indivíduo.

Instruções da equipa técnica para situações específicas

Com os avanços técnicos e científicos e as melhorias das condições sócio


sanitárias assiste-se a um progressivo envelhecimento demográfico nas últimas
décadas, gerando-se, assim, novas necessidades em saúde para as quais os
serviços de saúde parecem ainda não estar adaptados. Em consequência surge
também o aumento da incidência e prevalência de doenças crónicas,
progressivas e incapacitantes, que culminam em períodos relativamente longos
de dependência.

Deficiência é qualquer tipo de perda ou anormalidade que limite as


funções físicas, sensoriais ou intelectuais de uma pessoa.

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Doença crónica: Doenças que têm uma ou mais das seguintes
características:

São permanentes, produzem incapacidade/deficiências residuais, são


causadas por alterações patológicas irreversíveis, exigem uma
formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir
longos períodos de supervisão, observação ou cuidados.

Doenças incuráveis, ou seja, orienta-se especificamente para a


prestação de cuidados na pessoa que tem uma doença sem cura
conhecida.

Todas as pessoas têm características próprias que as distinguem entre


si. A diferença é, assim, uma característica das pessoas, logo, das
sociedades humanas. O reconhecimento de que todas as pessoas são
iguais em direitos, mas consideradas e respeitadas nas suas
diferenças, é uma condição das sociedades inclusivas, livres e
democráticas, em que Portugal se inclui.

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O aumento das doenças crónicas, as quais conduzem a incapacidade
e, consequentemente, a uma maior dependência dos doentes,
acarreta alterações a vários níveis, não só para o doente como
também para a sua família!

“Without a sense of caring, there can be no sense of community.”


Anthony J. D’Angelo

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O técnico de apoio à família e comunidade recebe formação e orientações
específicas do supervisor técnico para o cuidado das pessoas, atendendo em
concreto ao problema e necessidades de cada um!

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Preparação dos materiais, equipamentos e instrumentos utilizados
nos cuidados de higiene, conforto e eliminação

Para os cuidados de higiene e conforto podem ser usados, entre


outros, os seguintes produtos:

Copo com água

Escova de dentes, espátula ou esponja com cabo

Pasta dentífrica

Solução desinfetante da mucosa oral

Champô ou sabão líquido

Pente ou escova

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Secador

Bolas de algodão ou tampões para os ouvidos

Sabão líquido com emoliente e dermoprotetor

Substância hidratante

Pó de talco

Em pacientes semi-dependentes (dependência parcial), sem alterações da pele


pode-se utilizar sabão, sabonete ou gel de banho convencional, no entanto em
pacientes dependentes deverá ser utilizado sabão hipoalergénico, pois tem
menor potencial de provocar alergias, promove higiene e não carece de passar
por água limpa.

Poder-se-á aplicar cremes ou óleos, dando preferência ao creme hidratante.


Não utilizar pós (talco), pois impedem os poros da pele de respirar.

Verificar alterações de toda a pele, desde feridas por traumatismos ou pressão,


alergias, desidratação, alterações da pigmentação, da temperatura,
sensibilidade, etc.

Descrevem-se algumas atividades dentro deste âmbito, que o


profissional terá que desenvolver:

Colaborar na preparação do material que se mostre necessário à execução de


tratamentos;

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• Colaborar durante o tratamento, mantendo o doente em posição
adequada à execução do mesmo;

• Cedência de urinóis ou arrastadeiras aos doentes, devendo a colocação


da arrastadeira ser efetuada em colaboração com o enfermeiro – ter
atenção à temperatura da arrastadeira e se está seca;

• Só proceder à eliminação da urina ou fezes após confirmação de que não


são necessários para análise, para quantificação ou para observação das
suas características;

• Efetuar a lavagem e desinfeção dos urinóis e arrastadeiras, em máquina


existente para o efeito, na sala de sujos;

• A mudança de sacos coletores de todas as drenagens existentes, é da


única e exclusiva responsabilidade do enfermeiro;

• O despejo dos sacos coletores de urina (Urimeteres), deverá ser efetuado


no final de cada turno ou sempre que se mostre necessário (trocar apenas
se quantidade igual ou superior a 150 ml). Deverá mudar de luvas de
doente para doente;

• A inutilização da urina será efetuada posteriormente para o esgoto ou


colocado o saco de recolha diretamente no saco de cor branca, em caso
de doentes submetidos a isolamento de contacto/respiratório. Excetuam-
se os casos em que exista indicação para o doente guardar a urina para
análise;

• Sempre que o doente urine no urinol ou arrastadeira, toda a urina é


medida em frasco graduado.

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O conforto está interligado com as necessidades básicas do ser
humano que se manifestam pela necessidade de proteção diante
dos perigos físicos, de ameaças psicológicas e de dor

O paciente deverá receber conforto e segurança.

A higiene é importante para a sua saúde, reconhecendo que esta


interfere na qualidade de vida.

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Objetivos dos cuidados aos pacientes:

1. Assegurar limpeza do corpo

2. Assegurar o bem-estar e uma boa autoestima da pessoa cuidada

3. Prevenir a irritação da pele

4. Manter as mãos e unhas limpas e com bom comprimento

5. Favorecer o relaxamento e a comunicação

6. Os cuidados com a higiene são fundamentais para evitar problemas que


podem surgir durante o tratamento.

7. Manter a limpeza do ambiente, da cama e do cuidado nas trocas de


roupas pois devem ser mudadas várias vezes para evitar infeções e
complicações.

8. Observar a singularidade de cada um é o que nos guia


para o conforto do paciente.

Cabe ao profissional estabelecer um canal de comunicação com o


paciente, mantendo um bom vínculo de confiança, para o
estabelecimento de práticas de conforto (medidas reais e concretas).

O mais importante é não ficar pelo cuidado básico; é


necessário a reavaliação diária e constante para que o
conforto impere.

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Cuidados de higiene e conforto a utentes que necessitam de
ajuda parcial ou total

A importância da higiene e do conforto para a saúde do


utente

A higiene é um conjunto de meios e regras que procuram garantir o bem-estar


físico e mental, promovendo a saúde e prevenindo a doença. Na vida quotidiana,
satisfazemos as nossas próprias necessidades, no entanto durante o
envelhecimento e durante a doença, a capacidade de nos auto-cuidarmos
diminui e a carência de cuidados de higiene aumenta.

A higiene pessoal é decisiva no que respeita a fatores pessoais e ambientais que


incidem na saúde física e mental dos clientes. Por este motivo, os cuidados de
higiene exigem uma atitude integral e globalizante que valorize as condições
físicas, psicológicas, sociais e funcionais de cada cliente.

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A falta de higiene não é apenas um problema que pode interferir com
a saúde. Contribui também, e de forma decisiva, para uma diminuição
da autoestima e dificulta a integração social. Sublinhemos que alguns
pacientes podem já sentir-se diminuídos nestas áreas por
negligenciarem habitualmente a sua própria higiene.

A equipa que assiste o paciente e sua família deverá realizar uma análise
sistemática e contínua do plano de cuidados objetivando, sempre, um
planeamento assistencial viável.

Esta realidade faz com que os pacientes, particularmente os mais dependentes,


tenham uma grande necessidade de ajuda, seja parcial ou integral, para a
manutenção da sua higiene corporal, integridade da pele, asseio pessoal e
estética necessária para assegurar a sua dignidade e manutenção de seus papéis
sociais frente a si mesmo e à família.

O conceito de conforto pode ser expresso de várias formas devido à


complexidade da palavra.

De acordo com a teoria holística, os seres humanos têm respostas


globais aos estímulos complexos. Com base nessa compreensão, o
conforto é um objetivo e um resultado desejável e pertinente a
partir dos cuidados de saúde.

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Os seres humanos esforçam-se para satisfazer as suas necessidades
básicas de conforto; os resultados das medidas de conforto são
percebidos pelos sentidos do tato, olfato, paladar, audição, visão. O
conforto é individual, representando mais que ausência de dor.

O conforto pode ter influências com estímulos físicos, psicossociais, ambientais


e psicológicos.

Desta forma, o profissional deve atentar-se para os sinais de


desconforto e também conhecer as intervenções que aliviam ou
dificultam o aumento da intensidade por meio de uma abordagem
sistemática.

Os cuidados devem ser prestados por meio de multiplicidade de ações, com a


comunicação verbal e não-verbal, cuidado, respeito ao paciente e alívio à dor,

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assim como ações para manter a calma, condição que reforça a relevância do
relacionamento entre o cuidador e o ser cuidado.

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Técnica do banho

O banho na cama providencia-se quando o paciente é totalmente dependente


ou quando há uma restrição do exercício.

Se o paciente for semi-dependente e seja necessário o banho no leito, deve-se


providenciar o material e auxiliá-lo na higiene:

1. Reunir todo o material: luvas, bacia, esponjas, toalhas, lençóis,


pijama, camisa, calças, produtos de higiene (sabão, cremes, perfumes,
etc.), fralda, cadeirão, material de higiene parcial, tesoura,
compressas, saco para lixos e roupa suja, etc.;

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2. Dobrar a roupa limpa adequadamente e colocá-la numa cadeira na ordem
pela qual vai ser utilizada;

3. Respeitar todos os aspetos anteriormente referidos;

4. Identificar-se e explicar o procedimento;

5. Desimpedir a área de trabalho e adaptá-la ao procedimento;

6. Lavar as mãos, calçar luvas e avental (mudar de luvas e lavar as mãos sempre
que necessário);

7. Oferecer urinol ou aparadeira;

8. Posicionar o paciente em decúbito dorsal;

9. Preparar a bacia com água morna;

10. Despir o paciente, ocultando as áreas do corpo que não estão a ser
higienizadas (se decidir lavar o cabelo, não deve despir logo o paciente); cobrir
as partes do corpo limpas com roupa limpa;

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11. Utilizando uma esponja com sabão, lavar a cara, as orelhas, o pescoço, o
tórax, os braços (começar pelo membro mais afastado), as mãos, as axilas, a
região infra-mamária, o abdómen (especial atenção ao umbigo), as pernas, os
pés;

12. Trocar a água da bacia;

13. Lavar a região perineal (região de eliminação urinária);

14. Posicionar o paciente em decúbito lateral direito ou esquerdo (de acordo


com a sua preferência);

15. Lavar a região posterior do corpo: a nuca, as costas, as nádegas, a região


perineal (região de eliminação intestinal)

16. Aplicar pomadas na região perineal, se necessário;

17. Desentalar o lençol de baixo sujo, do seu lado e dobra-lo em direção ao


paciente;

18. Colocar o lençol de baixo limpo, realizando metade da cama, efetuando já


os cantos do seu lado;

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19. Colocar resguardos e fralda limpos (se necessário);

20. Posicionar o paciente no decúbito lateral oposto, rolando para o lado em


que já tem roupa limpa;

21. Retirar a roupa suja do lado contrário e fazer a cama desse mesmo lado;

22. Esticar o lençol e resguardo, certificando que não ficam dobras por baixo
do paciente;

23. Fechar a fralda;

24. Aplicar cremes;

25. Vestir o paciente;

26. Posicionar o paciente;

27. Colocar lençol de cima, cobertor e coberta, fazendo os cantos da parte

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inferior da cama;

28. Preparar o cadeirão (se realizar levante não necessita de proceder ao ponto
26 e 27, antes do mesmo);

29. Realizar levante (transferir paciente para cadeira/cadeirão);

30. Realizar os cuidados de higiene parciais necessários;

31. Arrumar e limpar o meio envolvente;

32. Lavar as mãos.

Banho no chuveiro/banheira

O banho no chuveiro pode ser realizado pela pessoa semi-dependente e


independente. O paciente pode deambular até ao WC ou em cadeira de rodas.

Durante o banho pode permanecer sentado em cadeira (ou outro apoio


semelhante) ou apoiado em barras laterais de segurança (na posição vertical).

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O princípio básico consiste em respeitar os aspetos já descritos, somando
alguns: não deixar a pessoa sozinha no WC, nem deixar que tranque a porta e
levar todo o material necessário para o WC;

Auxiliar o paciente a lavar-se e secar-se, a vestir-se no WC ou colocar um roupão


e vestir posteriormente no quarto.

Ajudas técnicas

Assentos para duche


Na sua escolha é importante considerar:
• Equilíbrio sentado
• Movimentos involuntários

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2 - Fixos à parede

3 - Transportáveis: banco sem braços

4 - Banco com braços (reguláveis em altura)

Cadeira sem braços

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5 - Cadeira com braços

Cadeiras de rodas de banho


Facilitam as deslocações
Diminuem a necessidade de transferências
Podem ser adaptadas às sanitas
De fácil limpeza

6 - Com rodas grandes permitindo a condução pelo próprio

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Banho na cadeira de banho assistido

Banho na banheira

O banho na banheira pode ser realizado por pessoas com dependência parcial e
independentes. Existem várias ajudas técnicas.

O princípio básico é promover a higiene, de acordo com todos os aspetos que


já falamos, sendo que neste caso, a questão de segurança deverá ser
reforçada, pois é no banho que ocorrem frequentemente as quedas. Talvez por
esse motivo seja preferido o banho no chuveiro, com auxílio de barras de
proteção e com cadeira

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Assentos e pranchas para banheira
Podem melhorar consideravelmente a segurança, autonomia e
acessibilidade.

Dentro dos tipos de assentos para banheira que a seguir exemplificamos,


podem-se encontrar no mercado em vários materiais e de diversas formas.

Assentos aplicados sobre os bordos da banheira

7 - Sem encosto/ Com encosto

Assentos aplicados sobre o fundo da banheira

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Cadeira rotativa

Permite uma transferência muito mais fácil. Existe no mercado em diferentes


materiais.

Para indivíduos em que não é possível a posição sentada. A prancha adapta-se


à banheira e permite o escoamento da água.

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Banheira suspensa

Existe em várias dimensões, sendo adequada tanto na infância, como na idade


adulta.
Útil para o banho de imersão, elevando a altura da banheira e facilitando a ação
do prestador de cuidados.

Técnicas de substituição de Roupas de cama e macas ocupadas

Procedimento:
• Providenciar os recursos para junto do indivíduo.
• Aprontar uma cadeira aos pés da cama com as costas voltadas para quem
executa

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• Lavar as mãos;

Trocar as roupas de cama segundo a técnica abaixo descrita:


• Posicionar-se de um dos lados da cama;
• Remover a roupa debaixo do colchão de toda a cama, começando pela
cabeceira até aos pés (à esquerda) e continuar a desentalar dos pés para a
cabeceira (à direita), ou vice-versa;
• Executar três dobras na colcha começando de cima para baixo, depois dobrar
outra vez ao meio, no sentido da largura e colocar nas costas da cadeira;
• Executar de igual modo para o cobertor;
• Manter a dobra em cima do lençol que cobre o indivíduo, fazer outra em
baixo, seguida de duas dobras laterais, começando pelo lado oposto;
• Assistir o indivíduo a voltar-se para o lado oposto da cama, ajustando a
almofada;
• Remover o resguardo, enrolando-o ou dobrando-o em leque até ao meio da
cama, encostando-o bem ao indivíduo. Executar do mesmo modo ao lençol de
baixo.
• Posicionar o lençol de baixo limpo a meio da cama, da cabeceira para os pés,
abri-lo e enrolar ou dobrar em leque a metade oposta para dentro até meio da
cama. Entalar a metade da cabeceira e fazer o canto, depois a metade dos pés e
respetivo canto e por fim a parte lateral.

Cantos dos lençóis


• Posicionar o resguardo a meio da cama e enrolar a metade oposta para dentro
até junto do indivíduo, enrolando-o desse lado.

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Aplicação do resguardo

• Virar o indivíduo, ajustando a almofada;


• Posicionar-se do lado oposto;
• Remover o resguardo e o lençol de baixo descartando-os no saco da roupa
suja;
• Tapar o colchão desenrolando e entalando o lençol de baixo, fazendo os
cantos na extremidade superior e inferior. Entalar o resguardo desse lado;
• Posicionar ou assistir o indivíduo a posicionar-se no meio da cama;
• Aprontar o lençol que cobre o indivíduo, desfazendo as dobras laterais;
• Posicionar-se de novo no lado oposto onde iniciou a cama;
• Cobrir o peito do indivíduo com o lençol de cima limpo e dobrado, pedindo-
lhe para o segurar. Se não for possível, entalar sob os ombros.

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Colocação do lençol de cima

• Reunir a extremidade inferior do lençol limpo e a extremidade superior do


que se vai retirar. Remover o lençol sujo, cobrindo simultaneamente o indivíduo
com o limpo. Executar o canto desse lado;

• Aplicar um cobertor ou edredão sobre o lençol de cima;

• Executar o canto do cobertor ou edredão e do lençol em simultâneo, fazendo


uma dobra junto aos pés, depois de entalar a roupa na extremidade inferior da
cama;

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Prega de proteção aos pés

• Aplicar a colcha sobre o cobertor ou edredão e fazer o respetivo canto


• Executar uma dobra para dentro na extremidade superior da colcha, de forma
a envolver o cobertor ou edredão e executar a dobra do lençol sobre ambos

Acabamento da cama

• Posicionar ou assistir o indivíduo a posicionar-se


• Assegurar a recolha do material
 Lavar as mãos.

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Técnicas de vestir e despir o utente

As roupas devem ser confortáveis, simples de se vestir e adequadas ao clima e


aos desejos do paciente; sempre que possível, dê preferência aos tecidos de
algodão por serem macios e permitir uma melhor movimentação.

Resíduos de produtos químicos usados na lavagem das roupas podem ser causa
de irritações na pele. O uso de tecidos sintéticos e inflamáveis e de colchetes,
correntes e alfinetes deve ser abolido, evitando, com isso, possíveis acidentes e
traumatismos.

É importante que, para o paciente impossibilitado de manifestar a sua


sensibilidade à temperatura externa, o profissional esteja atento para a
colocação ou retirada de agasalhos.

Também é importante que os cuidadores mantenham a calma no auxílio do


vestuário. Os pacientes cansam-se com facilidade e, por isso mesmo, é correto
manter roupa simples com aberturas laterais ou frontais e uso de fechos de

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velcro. Aos pacientes limitados a cadeiras de rodas, é bom optar por roupas
confortáveis, largas, especialmente nos quadris.

Resíduos de produtos químicos usados na lavagem das roupas podem ser causa
de irritações na pele.

Para pacientes com lesões extensas de pele, independentemente da causa,


oriente adaptações de roupas e camisolas: as mangas podem ser desmembradas
do corpo da roupa e adaptadas ao corpo do paciente através dos dispositivos
acima citados.

Relativamente a este aspeto, compete ao profissional o seguinte:

 Colaborar no posicionamento dos doentes nos diversos decúbitos (dorsal,


lateral direito, lateral esquerdo, ventral);

 Posicionar os doentes de forma a que a roupa da cama se mantenha sempre


esticada e sem rugas;

 Deixar sempre o doente em posição confortável;

 Colaborar na massagem das principais zonas de pressão (ombros, costas…);

 Manter as regiões mais íntimas do corpo dos doentes sempre cobertas;

 Ajudar na passagem dos doentes da cama para o cadeirão e vice-versa,


aquando do seu levante.

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Outros cuidados básicos de higiene e apresentação

Cabelo

Os cuidados básicos dos cabelos incluem: observar, lavar, escovar, pentear e


cortar. Atender a alguns aspetos importantes:

 Reunir o material necessário: luvas, bacia, caneca, toalhas ou resguardo,


produtos de higiene do paciente, pente, escova, tesoura, secador, etc.;

 Se possível lavar cabelo no chuveiro;

 Observar alterações do couro cabeludo (lesões, parasitas, etc.);

 Aplicar produtos do paciente;

 Respeitar hábitos do paciente (frequência de lavagem, no caso das senhoras


a ida ao cabeleireiro, etc.);

 Massajar couro cabeludo com as pontas dos dedos;

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Unhas

Os objetivos principais da higiene das unhas são: Prevenir a infeção ou


inflamação, evitar traumatismo devido a unhas encravadas, longas ou ásperas,
evitar acumulação de sujidade, etc.

Os cuidados a ter em conta são:

 Preparar material necessário: luvas, bacia, esponja, toalhas, sabão,


tesoura ou corta-unhas, creme, óleo, vaselina, etc.

 Durante o banho, lavar com água e sabão, introduzir as mãos e os pés do


paciente na bacia de água (posteriormente trocar de água), lavando
especialmente as unhas e espaços interdigitais, assim como ter o cuidado
de secar bem os mesmos;

 Hidratar com creme, óleos ou aplicar vaselina nos locais de maior


calosidade (por exemplo os calcanhares);

 Cuidar das unhas, cortá-las ou limá-las se necessário (cortando de forma


reta e não muito próximo da pele), amolecendo-as previamente em água
morna;

 Observar as alterações dos pés, mãos e unhas, verificando presença de


lesões cutâneas;

 Não cortar calosidades (pode provocar hemorragia);

 Considerar micoses (usar instrumentos de uso pessoal ou desinfetá-los).

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Barba

Sendo feita com lâminas comuns, de segurança ou com um barbeador elétrico,


o barbear integra o cuidado normal diário para o paciente do sexo masculino.
Além de reduzir o crescimento de bactérias sobre a face, o barbear melhora o
conforto do paciente ao remover pêlos que poderiam coçar e irritar a pele, bem
como produzir uma aparência descuidada.

Como cortes e arranhões ocorrem com maior frequência ao serem utilizadas


lâminas de barbear, o uso de um barbeador elétrico será indicado para pacientes
com problemas de coagulação ou que estejam em tratamento com
anticoagulantes.

O barbear pode ser contraindicado para pacientes com problemas de pele ou


ferimentos na face.

Higiene oral

A higiene oral deverá ser realizada idealmente após cada refeição e sempre que necessário.

47
Os objetivos da higiene oral centram-se na necessidade de manter a boca limpa
e húmida, ajudar a conservar os dentes e mucosa oral, remover restos
alimentares, massajar as gengivas, estimular a circulação e prevenir
complicações.

Se o paciente for capaz de se auto cuidar, deverá ser realizada supervisão e, se


necessário ensino. Caso contrário, deverão ser seguidas as seguintes instruções:

 Reunir todo o material: luvas, escova de dentes ou espátula com


compressa, pasta dentífrica, antisséptico oral, copo, bacia, toalha,
resguardos, palhinha, vaselina ou pomadas;

 Posicionar o paciente, de preferência sentado, ou em decúbito lateral (de


lado) se inconsciente;

 Associar, no copo, o antisséptico e a água em partes iguais;

 Se possível pedir ao doente para gargarejar com o líquido previamente


preparado (podendo utilizar a palhinha), relembrando que não pode
deglutir;

 Embeber a espátula envolvida com compressa ou escova de dentes na


mesma solução preparada anteriormente;

 Realizar a limpeza da língua do paciente, movendo-a de um lado para o


outro para evitar provocar o vómito. Não esquecer de limpar também as
partes laterais, inferior e palato (céu da boca), além das gengivas;

 No caso de o paciente possuir prótese dentária, esta deve ser retirada e


lavada (água morna), escova e pasta de dentes, devendo-se lavar a boca
normalmente como anteriormente foi referido; colocar prótese dentária
em locais adequados (não embrulhar em lenços ou outro material);

48
 Hidratar os lábios do paciente com vaselina ou outro produto semelhante;

 No caso de pacientes semi-dependentes, promover uma correta higiene


oral, aconselhando escovar os dentes após as refeições, lavando todas as
faces dos dentes, língua, gengivas, palato e parte interna das bochechas,
em movimentos circulares, utilizando uma escova com cerdas suaves.
Pode também ser aconselhada a utilização do fio dentário.

A colaboração em cuidados de higiene a utentes com


sistemas de soros, drenagens, tubagens e/ou outros
dispositivos

As principais tarefas a desenvolver e cuidados a ter relativamente a


este aspeto, são:

1) Preparação do carro de higiene de acordo com lista existente;

2) Preparar material para lavagem da cabeça, caso a mesma se preveja;

3) Ter em atenção a privacidade do doente, tendo o cuidado de manter, por


exemplo, a porta ou os cortinados fechados;

4) Aquando dos cuidados de higiene, não efetuar movimentos bruscos ao


doente;

5) Ter em atenção a correta secagem de zonas como os olhos, orelhas, axilas,


umbigo, região infra-mamária e pregas cutâneas;

49
6) Ter em atenção se todos os sistemas de soros, prolongadores, traqueias
do ventilador e sacos coletores estão livres e permitem acompanhar os
movimentos dos doentes;

7) Nunca colocar roupa suja no chão, devendo colocá-la diretamente no


saco de roupa suja;

8) Arrumar todo o material utilizado, no final dos cuidados de higiene;

9) Proceder à desinfeção do carro de higiene e preparação de novo carro


para outro doente;

10) Ter especial atenção a pacientes com sonda nasogástrica ou


necessidade de aspiração de secreções, pois tendem a apresentar maior
acumulação de sujidade na boca e maior desidratação da mucosa oral.
Pelo que é fundamental a higiene cuidada da mesma.

11) Dever-se-á trocar o adesivo de fixação da sonda nasogástrica


diariamente, após o banho.

50
A Eliminação

Cuidados a ter no antes e após a eliminação

Condições ambientais e de privacidade


A eliminação é um tipo de função com as características específicas:
movimento e evacuação de resíduos sob a forma de excreção.

Uma parte importante dos cuidados prestados pelos auxiliares de


saúde e técnicos de apoio familiar e comunitário ao paciente centra-

51
se em ajudá-lo a superar as dificuldades de eliminação de fezes e
urina.

 A sua atuação pode consistir em ensinar, supervisionar, ajudar ou realizar


procedimentos. Sempre que possível tornar o paciente autónomo,
dando-se especial importância à higiene e ao conforto.

 Antes de se estabelecer qualquer plano de cuidados, deverá ser avaliada


a capacidade do paciente em identificar a localização da casa de banho,
chegar até ela, tirar a roupa, sentar-se na sanita, alcançar e utilizar os
utensílios de higiene, levantar-se, voltar e vestir-se e lavar as mãos.

A autonomia na eliminação é um tipo de autocuidado com as


características específicas:

Levar a cabo as atividades de eliminação, fazendo a sua própria higiene íntima,


limpar-se depois de urinar ou evacuar, deitar fora os produtos de eliminação,
por exemplo puxar o autoclismo de maneira adequada, no sentido de manter o
ambiente limpo e evitar a infeção.

De forma a promover a autonomia do paciente deve-se:


 Explorar os hábitos de eliminação;
 Planear horários de eliminação;

 Ensinar sobre a importância de:


Eliminação regular; Técnicas de relaxamento e privacidade; Identificar
fatores que podem influenciar/modificar a eliminação

52
A limpeza e higiene parcial dos genitais

A higiene perineal refere-se à limpeza dos genitais externos e região


circundante, que normalmente é realizada durante o banho.

No entanto, em pacientes dependentes, há necessidade de realizar os


cuidados perineais várias vezes ao dia. Este facto deve-se a situações como:
infeções geniturinárias, incontinência fecal e urinária, secreções excessivas,
irritações ou escoriações, presença de algália, cirurgia perineal, etc.

O Períneo está localizado entre as coxas e estende-se desde o topo dos ossos
pélvicos até ao ânus, contendo as estruturas anatómicas sensíveis, relacionadas
com a sexualidade, eliminação e reprodução.

Os cuidados perineais são providenciados com a finalidade de prevenir a


infeção, promover a saúde e conforto. Devido a existência de vários orifícios no
períneo, esta é uma área vulnerável a entrada de microrganismos patogénicos.

Para a realização dos cuidados perineais dever-se-á:

1. Reunir material necessário: luvas, bacia, aparadeira, urinol, dispositivo


urinário, saco coletor, esponjas, toalhas, resguardos, cremes, sabão,
fralda, pomadas, etc.;

2. Questionar o paciente se pretende urinar ou evacuar antes de proceder a


higiene perineal. Colocar urinol ou aparadeira, se necessário;

53
3. Colocar o paciente em decúbito dorsal (barriga para cima), se possível
com pernas fletidas, lavar a região de eliminação urinária e
posteriormente, colocar o paciente de decúbito lateral (de lado) para
proceder a higiene da região de eliminação intestinal:

Homem: começar a lavar com movimentos circulares pela ponta do pénis,


puxando o prepúcio para baixo e lavando a glande, posteriormente o pénis e o
escroto (não esquecer de voltar a colocar o prepúcio na sua posição normal,
nomeadamente em caso de Idoso não circuncisado); a estimulação da glande
pode provocar ereção, pelo que este procedimento deverá ser realizado com
respeito pela privacidade do Idoso e num ambiente de descontração;

Mulher: lavar da frente para trás (do meato urinário para orifício vaginal e
posteriormente para a região anal), prestando atenção à sujidade acumulada
entre os lábios, utilizando uma mão para afastar os lábios e outra para lavar;
poder-se-á utilizar uma esponja ou uma caneca de água para conseguir obter
maior eficácia.

4. Lavar da zona limpa para a zona suja;

5. Promover a privacidade do paciente;

6. Observar alterações;

Atender ao paciente algaliado: que apresenta um risco de infeção aumentado,


pelo que devem ser tomadas as devidas precauções, tais como:

 Algaliação deverá ser realizada por Enfermeiro;

 Manter o saco coletor abaixo do nível da bexiga (para a urina não refluir
novamente);

54
 Não desadaptar saco da algália, exceto se o saco se romper e for
necessário substituir;

 Despejar a urina do saco coletor várias vezes ao dia (2 a 3 vezes e sempre


que necessário);

 Observar as características da urina e a quantidade (urina concentrada,


urina com sangue ou coágulos, etc.);

 Verificar se a algália ou tubo do saco coletor não fica dobrada ou a


traumatizar alguma parte do corpo do utente;

 Considerar perdas extra-algália e pacientes que não usam saco coletor;

Materiais e técnicas de apoio à eliminação

Colocação e remoção do urinol

Urinóis e arrastadeiras deveriam ser preferencialmente em inox por permitir


uma melhor desinfeção do dado material. A manipulação destes utensílios
55
deveria ser o mais cuidadosa possível no sentido de evitar focos de infeção, quer
para quem a utiliza (cliente) quer para quem a manipula (cuidador).

O cuidador deveria utilizar material de proteção, nomeadamente luvas,


aquando da sua manipulação e lavar frequentemente as mãos, antes e após, da
manipulação do referido material já que as luvas não substituem a lavagem.

O urinol é um utensílio exclusivo para homens permitindo que estes quando


acamados ou em situações de insuficiente mobilidade possam urinar. É
colocando introduzindo o pénis no urinol.

Colocação e remoção da arrastadeira

Colocação da Arrastadeira

- Se o utente for colaborante devemos pedir que flirta os joelhos e faça


força de modo a levantar o corpo;

- Se o utente não for colaborante, deve colocar-se em decúbito lateral para


aplicação da arrastadeira e após a colocação posicionar a pessoa em
decúbito dorsal (barriga para cima);

56
- A parte achatada da arrastadeira fica posicionada para a parte superior
do corpo;

Colocação da arrastadeira

A arrastadeira deverá ficar corretamente colocada de modo a que o conteúdo


excretado fique no interior da arrastadeira.

A lavagem dos utensílios é fundamental no controlo da infeção.

As Arrastadeiras e urinóis após a utilização deveriam sofrer uma esterilização


em esterilizadores próprios para o efeito, uma vez que as lavagens manuais com
antisséptico não removem todos os microrganismos desejáveis.

57
Colocação e substituição de fraldas

Procedimento:
Limpe a pele do paciente:
Limpe a zona entre as pernas com papel higiénico;
Limpe-a com um toalhete molhado em água morna e sabonete neutro;
Seque muito bem sem friccionar;
Inspecione a pele e veja se esta apresenta quaisquer lesões;
Aplicar pomada com vitamina A para proteger a pele;
Calce as luvas descartáveis;
Coloque um resguardo à prova de água debaixo da pessoa;
Descole a fita em ambos os lados da fralda;
Vire a pessoa de lado, fletindo-lhe o joelho em direção ao peito;
Embrulhe a fralda usada de modo a cobrir a parte suja.

Coloque os seguintes objetos num local de fácil alcance:


Papel higiénico
Água morna
Sabonete com PH neutro
Toalha e toalhetes

58
Luvas descartáveis
Fralda limpa
Pomada com vitamina A

Abra completamente a fralda nova


Coloque metade da fralda limpa debaixo da pessoa
Rode a pessoa na sua direção
Retire a outra metade da fralda limpa de debaixo da pessoa
Deite a pessoa de costas e cole as fitas adesivas em ambos os lados da fralda.

Transferência e posicionamento na cadeira sanitária

Procedimento:

• Providenciar os recursos para junto do paciente;

• Lavar as mãos;

59
• Instruir o paciente sobre o procedimento;

• Instalar a cadeira de rodas ao lado da sanita, fazendo com esta um ângulo de


90º.

Travar a cadeira.

• Remover os pedais da cadeira ou abri-los, se necessário

• Verificar se os pés do paciente estão totalmente apoiados no chão

• Posicionar-se de frente para o paciente a fletir o tronco, segurando-o pelo


cinto, se necessário

• Orientar e/ ou assistir o paciente a fazer o impulso do corpo para a frente e


para cima, assumindo a posição de pé, mantendo as nossas mãos no cinto, se
necessário

• Manter os joelhos bloqueados, virar ou assistir o paciente a virar-se até ficar


enquadrado com a sanita

• Despir calças do pijama/ cuecas, se necessário

• Controlar a flexão do tronco do paciente e sentá-lo progressivamente

• Assegurar que o paciente sinta conforto e segurança

• Lavar as mãos

60
Outros dispositivos de apoio à eliminação - noções básicas

Algálias ou Sondas vesicais

Tubos de consistência variável com, no mínimo, duas pontas, uma das quais é
introduzida na bexiga e a outra, na extremidade oposta, fica ligada a um saco,
no qual se vai depositar a urina e que está marcado com uma escala de modo a
facilitar a medição da diurese.

Pode ser utilizada de modo transitório em pacientes que sofrem de


incontinência não tratável por outros meios, que têm úlceras de pressão,
dermatites importantes, ou em pacientes em estado terminal.

Não é um método recomendável para o controle da incontinência, já que tem


inconvenientes importantes, como o risco de infeções urinárias ou o
desaparecimento do desejo de urinar.

Um dia antes de retirar a sonda vesical, deve-se mantê-la pinçada, despinçando-


a a cada 2 ou 3 horas para a eliminação da urina. Isto tem como objetivo
restaurar o tónus muscular da parede vesical, até regularizar a sua função e
tornar consciente o desejo de urinar.

61
Sonda rectal

A sonda rectal é indicada para aliviar a tensão provocada por gases e líquidos no
intestino grosso. Utilizável também para retirada de conteúdo fecal através do
reto.

Sacos de urostomia

Existem vários tipos de sacos adaptados às diversas necessidades e tamanhos


dos estomas.

Os sacos são normalmente constituídos por:


 Uma peça – Dispositivo constituído por saco e placa (que irá fazer a
aderência à pele).

62
 Duas peças – Dispositivos em que a placa pode permanecer vários dias
(dispositivo que irá fazer a aderência à pele), sendo só substituído o saco,
ou seja, o saco e a placa encontram-se separados.

A substituição do saco deverá ser realizada preferencialmente à hora do banho,


sendo mais fácil descolar o adesivo da placa que se encontra aderente a pele da
pessoa.

Sacos de nefrostomia

O catéter de nefrostomia é um tubo flexível colocado dentro do rim para drenar


urina retida por causa de uma obstrução nos ureteres.

O catéter de nefrostomia tem aproximadamente o mesmo tamanho de um tubo


intravenoso. O cateter será ligado a uma bolsa de drenagem, e a urina será
drenada do organismo para dentro da bolsa.

Uma complicação que pode ocorrer com um catéter de nefrostomia é a infeção


da pele ao redor do local do cateter ou do rim. É importante manter a área limpa
e o curativo intacto.

63
Sacos de colostomia

Regra geral, as colostomias utilizam saco fechado e com filtro. No entanto, as


colostomias com fezes líquidas ou semilíquidas poderão utilizar saco aberto com
ou sem filtro.

Torna-se necessário que o saco adira perfeitamente à pele, evitando qualquer


fuga de fezes.

A remoção do saco faz-se de cima par abaixo, com suavidade. Enquanto uma
mão puxa o saco para descolar, em sentido descendente, a outra ajuda,
segurando a pele repuxada e acompanhando a descolagem até ao fim.

64
Todo o tipo de saco deve ser mudado diariamente, quando se encontre a meio
da sua capacidade e sempre que se verifique infiltração de fezes entre a
superfície de colagem e a pele.

No caso de possuir placa e saco, a placa é trocada de 2/2 ou 3/3 dias. No entanto,
e seja qual for o sistema escolhido, se notar qualquer mau estar (ardor,
humidade), o sistema deve ser trocado de imediato.

Urina: características, alterações e sinais de alerta


Eliminação vesical - é um tipo de eliminação com as características específicas:
fluxo e excreção da urina por meio de micção, habitualmente 4/6 vezes durante
o período diurno, comum à quantidade média excretada de aproximadamente
1000 a 2000 ml nas 24 horas em condições dietéticas normais.

Características da urina
Aspeto:
• Transparente
• Turva em contacto com o ar
• Se a urina fresca se apresenta turva - bactérias, líquido prostático ou esperma
Cheiro:
• Urina fresca - cheiro característico
• Cheiro amoniacal - contacto ar
• Se infetada - cheiro desagradável
• Cheiro adocicado - presença acetona ou corpos cetónicos

65
A urina normal é transparente e de coloração âmbar. Quando se concentra,
parece mais escura e, estando muito diluída, será mais clara. A cor pode ser
afetada por certos fármacos e alimentos. O aspeto turvo indica infeção.

Sendo possível, deve-se coletar uma amostra estéril da primeira urina da manhã,
já que é quando se concentra a maior quantidade de germes. Esta análise é feita
quando há suspeita de infeção.

• Se a amostra é obtida por micção espontânea:


- Lavar a zona genital, secando-a com compressas esterilizadas. o Urinar
diretamente no recipiente estéril, desprezando o início da micção.
- Manipular o frasco com precaução, para evitar a sua contaminação.

• Se o paciente tem sonda vesical, procede-se à coleta da amostra de forma


asséptica:
- Manter a sonda pinçada durante uma hora, com uma pinça ou similar.
- Colocar luvas esterilizadas o Desinfetar com antisséptico o local da sonda,
onde se realizará a punção. o Extrair, com uma seringa e uma agulha, cerca de
10 cc de urina, vertendoos no recipiente estéril.
- Retirar a pinça.
Até ser processada, a amostra deve ser guardada sob refrigeração.

• Urina tipo I – recolhe-se uma pequena quantidade de urina, a primeira da


manhã, num frasco não esterilizado. A amostra pode ser obtida por micção
espontânea ou por sonda vesical.
• Citologia – realiza-se quando há suspeita da formação de um tumor no
aparelho urinário, e exige a coleta de uma amostra fresca de urina.
• Urina de 24 horas – recolhe-se o total de urina eliminada em 24 horas, em
um frasco graduado. Descarta-se a primeira micção da manhã e inclui-se a
primeira micção do dia seguinte. Mede-se o volume total e regista-se no

66
recipiente. Frequentemente, é difícil realizar esta atividade de modo correto,
sobretudo quando o paciente sofre de deterioração mental ou está
incontinente.

Fezes: características, alterações e sinais de alerta

Eliminação intestinal - é um tipo de eliminação com as características


específicas: movimento e evacuação das fezes pela defecação, habitualmente
uma vez por dia e em fezes moles e moldadas.

Exame da eliminação intestinal

Padrão de eliminação: Existem inúmeras variações do normal.

 É fundamental determinar o que é peculiar a cada doente (frequência,


esforço para expelir as fezes, recursos utilizados para a eliminação).

Características das fezes:


•Cor
•Odor
•Consistência
•Formato
•Existência de componentes incomuns

As fezes são analisadas com fins diagnósticos, quando se suspeita da presença


de parasitas, germes ou outras substâncias anormais. Recolhe-se uma pequena

67
amostra com uma espátula ou colher pequena, introduzindo-se no recipiente
adequado.

 Coprocultura – envia-se, quanto antes, a amostra ao laboratório em um


recipiente estéril; até então, deve ser guardada sob refrigeração.

 Parasitas – envia-se a amostra antes de 2 horas após a coleta e nunca se


guarda sob refrigeração. Podem ser necessárias três amostras em dias
sucessivos.

 Sangue nas fezes (hemorragias ocultas) – é necessário fazer uma dieta


especial 3 dias antes e durante os dias em que se colhem as amostras.
Recolhe-se uma pequena quantidade de fezes, 3 dias consecutivos.

68
Conforto
A Organização Mundial de Saúde (1990) e a Associação
Nacional de Cuidados Paliativos (1996), consideram que: “cuidados
paliativos são cuidados globais e ativos prestados aos doentes cuja
doença não responde ao tratamento curativo, com o objetivo de obter
a melhor qualidade de vida possível até que a morte ocorra,
controlando a dor e outros sintomas, integrando aspetos psicológicos,
sociais e espirituais nesses cuidados; é também fundamental a
atenção aos problemas da família durante a doença e após a morte do
doente.”

Tratar é técnico. “Cuidar, é um ato de humanidade, que em contexto


de saúde, inclui o tratamento. Cuidar é olhar o outro como alguém
igual a nós e não como um moribundo que nos faz perder tempo útil
para tratar dos outros doentes ou para preencher mais algum papel.
Cuidar é quando o nosso olhar repousa no olhar do outro, quando a
nossa mão encontra a mão do outro, quando o nosso sorriso abre um
sorriso do outro”. (Raposo, João. P. 95, 2003)

69
Técnicas de transferência e mobilização de
pessoas com dependência parcial

Conceito de transferência
Tipos de transferência
Princípios a aplicar na transferência
Transferência de doentes com sistemas de soros, drenagens e outros
dispositivos
Transferência de doentes com alterações cognitivas ou comportamentais
Conceito de mobilização
Técnicas de mobilização de pessoas com dependência parcial
Técnicas de posicionamento:
Tipos de posicionamento
Técnicas associadas a cada tipo de posicionamento

70
Os efeitos da imobilidade no sistema músculo-esquelético são
nocivos à saúde humana, manifestando declínio a todos os níveis
físico e psicológico. A imobilidade induz a alterações importantes a
nível do ósseo, cartilagíneo, muscular e outros tecidos moles. Os
principais problemas a nível músculo-esquelético são atrofia, fraqueza
muscular, contracturas e a osteoporose.

Técnicas de mobilização - Os aspetos gerais a ter em conta na


mobilização

Modo de proceder na preparação da tarefa com o doente para o levante,


movimentação e transferência do doente:

Verificar o local espaço físico é adequado para restringir os movimentos:

I. Examinar o local e remover os obstáculos;

II. Observar a disposição do mobiliário;

III. Obter condições seguras com relação ao pavimento;

IV. Colocar o suporte do soro ao lado da cama, quando necessário;

V. Elevar ou baixar a cama, para ficar ao mesmo nível do outro


elemento (cama, maca, etc.);

VI. Travar as rodas da cama, maca e cadeira de rodas ou solicitar auxílio


à equipa;

71
VII. Adaptar a altura da cama/maca ao profissional de saúde (quando
possível) e ao tipo de procedimento a realizar;

Devem usar sempre todos os equipamentos de proteção coletiva existentes no


serviço;
VIII. Verificar a capacidade física de colaboração do doente;

IX. Observação de dispositivos médicos (soros, cateteres) e equipamentos


médico (bombas infusoras);

X. Planeamento e explicação ao doente do que se vai executar e como


pode cooperar o motivo da movimentação.

Princípios básicos de mecânica corporal que devem ser utilizadas


pelos profissionais na saúde na tarefa de movimentação e
transferência de doentes:

 Procurar sempre a ajuda de outros profissionais (enfermeiros,


auxiliares de saúde e assistentes operacionais) quando necessário
e sempre que existam a utilização de equipamentos de proteção
coletiva (transfer, tabua deslizante, etc.);

 Antes de iniciar qualquer tipo de tarefa de mobilização ou


transferência, deve posicionar-se o mais perto possível do doente,
colocando o joelho na cama deste, se necessário;

72
 Antes de iniciar qualquer tipo de operação, explique o
procedimento ao doente e incentive-o a cooperar ao máximo. Esta
ação vai promover a capacidade e força do doente ao mesmo
tempo reduz a sobrecarga;

 Manter uma postura correta durante as operações de mobilização de


doentes;

 Trabalhar com segurança e com calma;

 Manter as costas, pescoço, pélvis e os pés alinhados;

 Usar o peso corporal como contrapeso ao doente;

 Fletir os joelhos em vez de curvar a coluna;

 Manter os pés alinhados;

 Baixar a cabeceira da cama ao mover um doente para cima;

 Utilizar movimentos sincronizados;

 Trabalhar o mais próximo possível do corpo do doente que deverá


ser movido;

 Usar farda que permita liberdade de movimentos e calçado


antiderrapante;

 Efetuar o levante, movimentação e transferência do doente com a


ajuda de colegas em função do peso do doente.

73
As Ajudas técnicas

Uma ajuda técnica pode definir-se como um qualquer produto, instrumento,


equipamento ou sistema técnico usado por uma pessoa deficiente,
especialmente produzido ou disponível no mercado que previne, compensa,
atenua ou neutraliza a incapacidade.

A sua utilização pode permitir a realização de múltiplas atividades,


proporcionando maior independência e, em última análise, melhor qualidade de
vida. As ajudas técnicas compreendem atualmente uma vasta gama de
dispositivos, desde simples objetos até sofisticados sistemas eletrónicos.

74
A prescrição duma ajuda técnica deve basear-se na avaliação das
necessidades, aspirações e capacidade funcional do doente, bem como nas
características do seu meio.

Não se deve, por outro lado, esquecer que o treino na utilização das ajudas
técnicas é essencial para que o doente possa beneficiar em pleno das suas
potencialidades.

A prescrição duma ajuda técnica deve ter sempre em conta quatro


parâmetros fundamentais: efetividade, custo, operacionalidade e
fiabilidade.

Técnicas de transferência

A palavra transferência refere-se à movimentação do doente de um


local para outro. Por exemplo, um doente é transferido quando
movido de uma cama para uma cadeira e novamente colocado na
cama, ou quando vai para uma maca ou dela é retirado.
As transferências devem ser sempre efetuadas em equipa.

Neste procedimento devem ser selecionados previamente os equipamentos e


os meios de acordo com as necessidades de cada pessoa, levando em
consideração a promoção de conforto e independência, assim como os
equipamentos auxiliares (andarilhos, canadianas, transfer, elevadores de
doentes, discos giratórios, etc.).

75
Orientações a ter em conta na tarefa de transferência do
doente:

• Utilize a mecânica corporal;

• Coloque equipamentos imobilizadores ou outros recursos de


apoio antes de retirar um doente da cama;

• Certifique-se do estado do doente para garantir segurança


(perna mais forte mais próximo do equipamento a transferir);

• Explique ao doente a tarefa a efetuar e peça, se possível, a sua


colaboração.

76
A transferência da cama para a cadeira

Tarefa prescrita: Transferir o doente da cama para o sofá/cadeira


de rodas/cadeira sem equipamentos de proteção coletiva

1. Colocar a cadeira de rodas, de forma, a que este movimento seja para o lado
em que o doente tem força;

2. A cadeira deve estar a uma distância adequada para permitir a participação


e segurança do doente. Quanto mais forte o doente for maior deve ser a
distância;

3. Remover o braço da cadeira de rodas do lado da cama;

4. Remover ou afastar os pedais da cadeira de rodas;

5. Baixar o mais possível a cama. Baixar as grades laterais da cama e voltar o


doente lateralmente com os joelhos fletidos;

6. Travar a cadeira e a cama;

7. Elevar a cabeceira da cama até posição mais alta;

77
8. Posicionar-se à frente da cadeira, voltado para o doente, rodando ou
ajustando-o a rodar os membros inferiores para fora da cama;

9. Virar ou assistir o doente a virar-se para o lado do enfermeiro, de modo a


que possa elevar o tronco, apoiando-se no cotovelo, se possível, para
assumir a posição de sentado na cama com os pés pendentes;

10.Assistir o doente a deslizar no bordo da cama, segurando-o pela cintura, até


apoiar os pés no chão;

11.Estabilizar os joelhos do doente, com os joelhos do profissional, se


necessário;

12.Virar ou assistir o doente a virar-se segurando-o pela cintura, até ficar


enquadrado com a cadeira de rodas e com a região popliteia encostada ao
assento;

13.Assistir o doente a fletir o tronco e joelhos, suave e


progressivamente, acompanhando-o, até ficar sentado;

14.Instalar os pedais na cadeira de rodas em posição de apoio, ajustando-o ao


doente (flexão 90º coxofemoral e do joelho);

15.Verificar o alinhamento corporal, segundo o eixo sagital, observando de


frente.

78
8 - Assistamos ao vídeo exemplificativo (material de aula)

79
A transferência da cama para a maca

Tarefa prescrita: Transferir o doente da maca para a cama

1. Ajustar a altura da cama e da maca;

2. Posicionar o doente decúbito dorsal;

3. Instalar a maca com a cabeceira junto aos pés da cama fazendo um ângulo
de +- 90º travando as rodas da cama e da maca;

4. Posicionar todos os profissionais do mesmo lado da cama para executar


a transferência;

5. Incline os quadris e os joelhos;

6. Posicionar: 1º enfermeiro na cabeceira da maca, com um braço estabiliza


a região cervical e apoia os ombros e com o outro apoia a região dorso-
lombar cruzando os braços; o 2º enfermeiro no terço médio da maca, com
um braço apoia a região dorsal e com o outro apoia as coxas; 3º
enfermeiro no terço inferior da maca, com um braço apoia a região
nadegueira e com o outro as pernas;

7. Transferir o doente para a cama após a indicação do elemento


coordenador (colocado na cabeceira da maca);

8. Role o doente imóvel na direção do tórax dos enfermeiros;

9. Coloque-se de pé, diante de um sinal combinado, erguendo o doente da


maca de uma vez só;

10.Gire sobre si mesmo e movimente-se na direção da cama; baixe o doente


até a cama de uma vez só, ao mesmo tempo que inclina os quadris e os
joelhos;

11.Posicionar ou assistir o doente a posicionar-se na cama.

80
81
Transferência do utente com sistemas de soros,
drenagens, tubagens ou outros dispositivos

Cuidados específicos - Pacientes com soro:

• Cuidado para não obstruir a agulha ou cateter, mantendo o soro sempre


em altura adequada;

• Evitar que a agulha ou cateter não se desloque;

• Se houver infiltração de soro no tecido subcutâneo), interromper o


gotejamento. Comunicar o responsável pela medicação;

• Caso haja desconexão dos cateteres, procurar o enfermeiro.

82
Paciente com sonda vesical:

1. Verificar se a sonda está corretamente fixada na coxa do paciente,


prevenindo lesões uretrais devido a tração acidental;

2. Manter a bolsa coletora sempre no nível abaixo do paciente, para evitar


o retorno de urina à bexiga. Pode-se também pinçar o prolongamento
para poder elevar o coletor.

Paciente com dreno de tórax:

1. Pinçar o dreno e o prolongamento com pinças próprias;

83
2. O frasco só poderá ser elevado acima do nível do tórax do paciente
quando o dreno e o prolongamento estiverem pinçados;

3. Colocar o frasco entre os pés em transporte de cadeira; e em caso de


maca, colocar entre os membros inferiores;

4. Retirar as pinças imediatamente após a chegada do paciente ao


destino, observando que o frasco esteja em nível mais baixo que o tórax
do paciente.

Paciente com tubo endotraqueal:

1. Transportar sempre com cilindro de oxigénio.

2. O enfermeiro deve acompanhar o transporte;

3. Se o paciente também estiver com sonda nasogástrica e apresentar


náuseas ou sinal de refluxo, abrir imediatamente a sonda.

84
Transferência de utentes com alterações comportamentais:
agitadas ou imobilizadas

Pacientes agitados, confusos:

 Proceder sempre o transporte em maca com grade;


 Restringir o paciente se necessário. Proceder à restrição na cama dos
segmentos corporais na seguinte ordem: ombros, pulsos e tornozelos,
quadril e joelhos.
 Ombros: lençol em diagonal pelas costas, axilas e ombros, cruzando-as na
região cervical;
 Tornozelos e pulsos: proteger com algodão ortopédico, fazer um
movimento circular, amarrar;
 Quadril: colocar um lençol dobrado sobre o quadril e outro sob a região
lombar, torcer as pontas, amarrar;
 Joelhos: com 2 lençóis. Passar a ponta de um lençol sob um dos joelho e
debaixo do outro, e a ponta do outro lençol sob este e debaixo do
primeiro, amarrar.

85
Pacientes anestesiados:

• Proceder sempre o transporte em maca com grade;

• Não movimentar muito o paciente, pois pode provocar vómito. Nestes


casos, lateralizar a cabeça do paciente, para evitar aspiração;

• Se o paciente estiver com sonda nasogástrica abri-la.

As ajudas técnicas de apoio na transferência e suas funções

Guindaste. Tarefa prescrita: Transferir o doente da cama para a


cadeira de rodas com elevador:

1. Trabalho de equipa pelo menos 2 indivíduos, sendo obrigatória a


presença do enfermeiro(a);

2. Deslocar o elevador para junto da cama;

86
3. Colocar uma cadeira confortável com os braços num local pretendido;

4. Levantar a cama até uma altura confortável;

5. Virar o doente de lado e colocar sling de lona por baixo do doente, da


região popliteia até ao pescoço. O buraco da lona é colocado por baixo
das nádegas.

6. Com o doente em decúbito dorsal e com os membros superiores cruzados


sobre o corpo, colocar o elevador com base debaixo da cama e expandi-
la;

7. Ligar as correntes mais pequenas à parte do sling que apoia a região


superior do corpo;

8. Elevar as hastes lentamente e ligar as correntes mais compridas à parte


mais larga do sling, que apoia a bacia e as coxas;

9. Ajustar o sling, se necessário, de modo a que o peso do doente


fique uniformemente distribuído;

10.Mover a alavanca do elevador para o fazer subir, apenas o suficiente para


deixar de haver contacto com a superfície da cama, e rodar os membros
inferiores do doente lateralmente;

11.Explicar ao doente que deve manter os membros superiores cruzados


sobre o corpo, durante a transferência;

12.Verificar a posição e estabilidade da cadeira antes de mover o doente. Ao


mesmo tempo que apoia o doente, guie o elevador até à cadeira, de
forma a que, quando descer o elevador, o doente esteja centrado no
assento;

13.Soltar a válvula do elevador lentamente e descer o doente até à cadeira;

87
14. Proteger a cabeça do doente para não bater no equipamento. Uma vez o
doente sentado em segurança, retirar as correntes e arrumar o elevador
num local próximo.

88
PROCEDIMENTOS DE REGISTOS

Os lares, centros de dia, centros de convívio, residências, entre outros, surgem


como respostas sociais prestadoras de cuidados formais, que apoiam os
familiares do idoso. Na dinâmica dos cuidados formais é fundamental que estas
respostas sociais reúnam um conjunto de características que possam constituir
o ponto de partida para a promoção da qualidade de vida dos seus utentes.

Para concretizar esta diretiva, surgem os registos de procedimentos como


ferramenta essencial para a promoção do trabalho em equipa do staff envolvido
no cuidado do utente.

Estes registos proporcionam a continuidade dos cuidados, a partilha de


informações multidisciplinares e a adequação da intervenção. Sobretudo, eles
compilam todas as mudanças e intervenções que ocorrem no utente.

Estes registos constituem ainda um dos procedimentos a implementar de forma


a obter a certificação de qualidade das instituições, segundo a norma ISO 9001.
Considera-se que os registos de procedimentos são uma mais valia, pois
permitem uma maior eficiência na gestão e controlo de custos (material e
recursos humanos) e um controlo de qualidade dos serviços prestados.

As vantagens desta metodologia de trabalho são:

 Formalização de procedimentos e desenvolvimento de técnicas de


trabalho eficazes;
 Evita a variabilidade da prática profissional;

89
 Fomenta a comunicação entre os diversos profissionais;
 Permite a criação de documentos que possibilitam um seguimento e
adequação dos cuidados prestados ao idoso;
 Fomenta o trabalho interdisciplinar;
 Diminui a redundância de Registos de Atuação de Auxiliares de Ação
Direta em Equipamentos Gerontológicos ;
 Informação (homogeneidade da informação e das anotações de cada
profissional);
 Maior legibilidade e disponibilidade da informação;
 Melhoria da partilha de informação entre serviços e profissionais – maior
multidisciplinariedade;
 Aumento da disseminação da informação importante para determinado
profissional;
 Melhoria no apoio à tomada de decisão;
 Identificação de oportunidades e ameaças do plano de atenção;
 Melhoria do planeamento e gestão estratégica;
 Desenvolvimento de processos de cuidados constantes ao utente
(avaliação inicial aquando do ingresso do utente; análise e avaliação das
suas necessidades; estabelecimento de um plano de atenção
individualizado; planificação de atividades específicas para os diferentes
profissionais, (re) avaliações periódicas da evolução do individuo);

 Todos os dados e informações sobre determinada ação ficam registados


e documentados, levando assim a maior responsabilização do
profissional; maior conhecimento das ações efetuadas; à normalização
dos registos de dados.

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Exemplos

Valência CENTRO DE DIA

a. Registo de Medicação e respetiva folha de observações

b. Registo da Higiene Corporal do Utente e respetiva folha de observações;

c. Registo de Eliminação e respetiva folha de observações;

d. Registo de Nutrição e Hidratação e respetiva folha de observações.

91
92
“O sofrimento só é
intolerável se ninguém
cuida…”
Dame Cicely Saunders

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Bibliografia consultada
AA VV: Manual de normas de enfermagem: procedimentos técnicos, Ministério da saúde, 2008

AA VV: Manual de processos-chave: Lar residencial, Programa de cooperação para o desenvolvimento


da qualidade e segurança das respostas sociais, Instituto da Segurança Social, 2005

Aleixo, Fernando, Manual de Enfermagem, Ed. Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio., EPE, 2007

Aleixo, Fernando, Manual do Assistente Operacional, Ed. Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio.,
EPE, 2008

Sites Consultados

Ordem dos Enfermeiros http://www.ordemenfermeiros.pt/

Portal da saúde http://www.portaldasaude.pt/

https://www.dgs.pt/saude-ocupacional.aspx
https://bicsp.min-
saude.pt/pt/biufs/2/20020/2061051/Documents/Manual%20do%20Cuidar%20UCCNM.pdf
6571 TÉCNICAS DE POSICIONAMENTO, MOBILIZAÇÃO, TRANSFERÊNCIA E TRANSPORTECURSO DE
TÉCNICO AUXILIAR DE SAÚDE (P19TAS40 – EFA NS)729281

Registros de Actuação de Auxiliares de Acção Directa em Equipamentos Gerontológicos , disponível


em:
https://ria.ua.pt/bitstream/10773/6939/1/Registos%20de%20actua%C3%A7%C3%A3o%20de%20au
xiliares%20de%20ac%C3%A7%C3%A3o%20directa%20em%20equipamentos%20gerontol%C3%B3gic
os.pdf

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Obrigada!

Ana Afonso Guerreiro


anaafonsoguerreiro@gmail.com
IEFP Faro, outubro 2020

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