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Unidade de Aprendizagem: Conceitos, Princípios e Procedimentos para Intervenção

em Processos Psicoterapêuticos II
Acadêmica: Martielle Rosa Bastos
Profª. Kenny Secchi

RESENHA: DOCUMENTÁRIO ESTAMIRA COM PROPOSTA DE


INTERVENÇÃO EM PSICOLOGIA CLÍNICA

O documentário de Estamira é retrata a vida de uma senhora de 63 que vive


diversos de sofrimentos e além disso sofre de Esquizofrenia, vive em ‘‘ lixão’’ e narra
sua trajetória de vida. E é através desse documentário, que a possiblidade de pensar a
história da personagem e o contexto que ela está inserida, a partir de diferentes olhares,
uns dos possíveis, é olha-la sob ‘’olhar’’ da Psicologia, e o mais interessante, sob suas
diversas áreas de estudo. Pode-se refletir e ligar Estamira com a saúde mental, por
exemplo, ao refletir sobre o diagnóstico de esquizofrenia que a paciente tem. Mais,
além, é possível pensar e propor intervenção clinica para o caso, sob a perspectiva
psicoterapêutica de inúmeras abordagens psicológicas, que nesse estudo a da Gestalt
terapia.
Que de inicio já se mostra como um desafio, pensar na visão de homem que a
Gestalt possui e pensar em psicopatologia, no caso de Estamira a Esquizofrenia, visto
que Gestalt-terapia, propõe uma percepção do homem na sua originalidade, a
experiência subjetiva e única. Ou seja, a Gestalt terapia percebe o sujeito para além de
sua patologia, mas seu ser no mundo, sua integralidade e subjetividade. Nesse sentido,
pode-se pensar a história de vida da personagem, suas dores, seus pensamentos e
reflexões, seu meio e sua maneira de ver sua psicopatologia, visto que Estamira faz
colocações interessantes acerca de como enxerga sua vida no lixo. Sua subjetividade
além de sua patologia, ‘‘A proposta de se discutir as intervenções da abordagem
gestáltica em saúde mental enfatizando a potencialidade do ser humano mesmo nos
casos em que há um grave acometimento psíquico e existencial’’( VIEIRA,2010,p. 67 ).
Mas em relação às psicopatologias, incluindo a Esquizofrenia, a Gestalt entende
que há um estreitamento da relação do sujeito com ele mesmo e com seu ambiente,
anulando o contato e, por conseguinte, e sua ampliação saudável. “a psicopatologia é
resultado de um „precoce diálogo abortado‟.

A esquizofrenia é um transtorno que envolve comportamento psicótico. De


acordo com estes autores o termo psicótico tem sido empregado para
caracterizar muitos comportamentos incomuns, mais particularmente os
delírios, conceituados como crenças irracionais e as alucinações: percepções
sensoriais na ausência de eventos externos. Apresenta-se como uma visão
alternativa o diagnóstico colaborativo e interventivo, que busca compreender
o cliente por meio da ação conjunta da díade terapêutica. Esta compreensão
consiste em verificar como a pessoa está num dado momento e o que ela
poderá vir a ser. Trata-se de um exercício por si só terapêutico, por fazer com
que o cliente entre em contato com suas vivências (FILHO;COSTA,
2016,p.30).

Nesse entendimento, portanto o processo de diagnóstico dentro da Gestalt-


terapia não a busca por uma rotulação especial, mas o contato mais saudável do sujeito
consigo mesmo e com o seu meio, mesmo sendo sujeitos com transtornos mentais
severos.
A partir do exposto acima, sobre a visão da Gestalt em relação à
psicodiagnóstico e psicopatologia é possível pensar intervenções no cenário do
documentário Estamira, pensando na personagem.
As intervenções seriam voltadas para a ampliação da consciência da paciente
acerca do seu próprio funcionamento, levando em consideração os sintomas existentes,
com objetivo de diminuir o sofrimento diante das possíveis crises, a conscientizando e o
conhecimento de si. De acordo com Vieira (2010), nas intervenções com
esquizofrênicos é preciso pensar na sintomatologia dessa psicopatologia, que são a falta
de contato com a realidade, com alucinações e delírios, com isso pensar que não será
provável uma intervenção no momento em que estas vivências acontecem para a
paciente.
Além disso, é preciso identificar quais são os mecanismos de defesa que esta
paciente usa em sua relação com o ela e com os outros, a fim de entende-la melhor e
auxiliá-la no processo de psicoterapia e para ver qual é a melhor forma de dialogar com
a paciente, a despeito de todas as possibilidades de intervenção para pacientes
esquizofrênicos, é necessário olhar para suas limitações e suas dificuldades de
estabelecimento de contato em determinados momentos, pois de acordo com Vieira
(2010) o contato que este tipo de paciente faz com o mundo está alterada, não
permitindo uma abertura global para o diálogo. Com base nisso, portanto as
intervenções de uma pessoa diagnosticada como esquizofrênica, devem ser inicialmente
na compreensão dessa psicopatologia como uma forma de ser, mas que acontece em
uma pessoa que está inserida em algum contexto.

REFERÊNCIAS

SANTOS FILHO, Júlio Manoel dos; COSTA, Virgínia Elizabeth Suassuna Martins.
Encontrando um modo de ser esquizofrênico: arte e técnica na gestalt-terapia. Rev.
abordagem gestalt., Goiânia , v. 22, n. 1, p. 27-36, jun. 2016 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S180968672016000100005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em 11
set 2018.

VIEIRA, Ludmila. Reflexões acerca da esquizofrenia na abordagem gestáltica. Revista


IGT na Rede, v. 7, nº 12, 2010. Disponível em:
<http://132.248.9.34/hevila/IGTnarede/2010/vol7/no12/5.pdf>.Acesso em: 11 set 2018.