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Relatório do Software Anti-plágio CopySpider


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Instruções
Este relatório apresenta na próxima página uma tabela na qual cada linha associa o conteúdo do arquivo
de entrada com um documento encontrado na internet (para "Busca em arquivos da internet") ou do
arquivo de entrada com outro arquivo em seu computador (para "Pesquisa em arquivos locais"). A
quantidade de termos comuns representa um fator utilizado no cálculo de Similaridade dos arquivos sendo
comparados. Quanto maior a quantidade de termos comuns, maior a similaridade entre os arquivos. É
importante destacar que o limite de 3% representa uma estatística de semelhança e não um "índice de
plágio". Por exemplo, documentos que citam de forma direta (transcrição) outros documentos, podem ter
uma similaridade maior do que 3% e ainda assim não podem ser caracterizados como plágio. Há sempre a
necessidade do avaliador fazer uma análise para decidir se as semelhanças encontradas caracterizam ou
não o problema de plágio ou mesmo de erro de formatação ou adequação às normas de referências
bibliográficas. Para cada par de arquivos, apresenta-se uma comparação dos termos semelhantes, os
quais aparecem em vermelho.
Veja também:
Analisando o resultado do CopySpider
Qual o percentual aceitável para ser considerado plágio?

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Relatório gerado por: vivianrocha3@hotmail.com

Arquivos Termos comuns Similaridade


PROJETO LANIELLE.doc X 279 1,94
http://www.revistas.uniube.br/index.php/anais/article/download/
684/981
PROJETO LANIELLE.doc X 271 1,82
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/217
2-6
PROJETO LANIELLE.doc X 221 1,7
https://www.oeducador.com/download.php?arquivo=287533479
p.pdf
PROJETO LANIELLE.doc X 149 1,2
http://www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/pages/arqui
vos/anais/2009/062.pdf
PROJETO LANIELLE.doc X 197 1,2
https://www.scielo.br/pdf/ccedes/v21n55/5541.pdf
PROJETO LANIELLE.doc X 149 1,2
https://silo.tips/download/a-motivaao-nos-professores-da-eja-o-
desafio-de-ensinar
PROJETO LANIELLE.doc X 117 1,01
http://www.smeduquedecaxias.rj.gov.br/nead/Biblioteca/Formaç
ão Continuada/_04 _EJA/saltofuturo_eja_set2004_progr2.pdf
PROJETO LANIELLE.doc X 92 0,7
http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/417/o-
brincar-e-a-aprendizagem--concepcoes-de-professores-da-
educacao-infantil-e-do-ensino-fundamental
PROJETO LANIELLE.doc X 70 0,65
https://www.passeidireto.com/arquivo/68177988/os-impasses-
e-desafios-dos-professores-da-eja/5
PROJETO LANIELLE.doc X 682 0,5
http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3234/1/Livro_Que
stao_Social.pdf

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: http://www.revistas.uniube.br/index.php/anais/article/download/684/981 (5083 termos)
Termos comuns: 279
Similaridade: 1,94%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento http://www.revistas.uniube.br/index.php/anais/article/download/684/981
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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de
alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas

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bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo
em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano

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escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,
.... (ANO, p. 177).

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As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele
alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.
Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi

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instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.
Conforme Soares (2002a, p.73):

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Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua
prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro

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educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso
era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo

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de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.
As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como

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os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este
permanece apenas como observador.
Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente

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. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas
histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

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[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo
descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,

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as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas
escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.

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As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa
com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.

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A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.
Como ressalta Irene Fuck:

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(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de
pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles

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apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do


mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos
alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a

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aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.


A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens
“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.
Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho

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competitivo e por necessidades pessoais.


Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível

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em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www.
tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2172-6 (5526 termos)
Termos comuns: 271
Similaridade: 1,82%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2172-6
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de
alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas

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bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo
em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano

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escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,
.... (ANO, p. 177).

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As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele
alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.
Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi

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instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.
Conforme Soares (2002a, p.73):

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Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua
prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro

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educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso
era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo

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de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.
As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como

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os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este
permanece apenas como observador.
Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente

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. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas
histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

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[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo
descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,

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as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas
escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.

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As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa
com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.

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A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.
Como ressalta Irene Fuck:

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(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de
pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles

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apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do


mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos
alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a

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aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.


A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens
“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.
Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho

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competitivo e por necessidades pessoais.


Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível

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em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www.
tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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=================================================================================
Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: https://www.oeducador.com/download.php?arquivo=287533479p.pdf (3620 termos)
Termos comuns: 221
Similaridade: 1,7%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento https://www.oeducador.com/download.php?arquivo=287533479p.pdf
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de
alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas

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bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo
em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano

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escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,
.... (ANO, p. 177).

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As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele
alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.
Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi

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instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.
Conforme Soares (2002a, p.73):

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Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua
prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro

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educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso
era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo

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de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.
As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como

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os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este
permanece apenas como observador.
Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente

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. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas
histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

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[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo
descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,

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as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas
escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.

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As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa
com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.

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A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.
Como ressalta Irene Fuck:

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(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de
pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles

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apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do


mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos
alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a

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aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.


A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens
“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.
Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho

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competitivo e por necessidades pessoais.


Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível

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em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www.
tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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=================================================================================
Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: http://www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/pages/arquivos/anais/2009/062.pdf (2958
termos)
Termos comuns: 149
Similaridade: 1,2%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento
http://www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/pages/arquivos/anais/2009/062.pdf
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de

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alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas
bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo

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em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano
escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,

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.... (ANO, p. 177).

As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele

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alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.


Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi
instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.

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Conforme Soares (2002a, p.73):

Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua

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prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro
educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso

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era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo
de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.

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As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como
os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este

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permanece apenas como observador.


Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente
. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas

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histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo

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descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,
as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas

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escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.
As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa

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com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.
A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.

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Como ressalta Irene Fuck:

(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de

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pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles
apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do
mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos

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alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a
aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.
A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens

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“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.


Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho
competitivo e por necessidades pessoais.
Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

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JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível
em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
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Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www.
tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
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RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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=================================================================================
Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: https://www.scielo.br/pdf/ccedes/v21n55/5541.pdf (6998 termos)
Termos comuns: 197
Similaridade: 1,2%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento https://www.scielo.br/pdf/ccedes/v21n55/5541.pdf
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de
alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas

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bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo
em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano

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escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,
.... (ANO, p. 177).

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As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele
alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.
Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi

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instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.
Conforme Soares (2002a, p.73):

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Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua
prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro

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educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso
era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo

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de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.
As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como

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os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este
permanece apenas como observador.
Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente

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. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas
histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

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[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo
descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,

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as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas
escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.

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As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa
com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.

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A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.
Como ressalta Irene Fuck:

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(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de
pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles

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apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do


mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos
alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a

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aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.


A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens
“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.
Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho

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competitivo e por necessidades pessoais.


Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível

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em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www
.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: https://silo.tips/download/a-motivaao-nos-professores-da-eja-o-desafio-de-ensinar (2919
termos)
Termos comuns: 149
Similaridade: 1,2%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento https://silo.tips/download/a-motivaao-nos-professores-da-eja-o-desafio-de-
ensinar
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de

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alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas
bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo

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em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano
escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,

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.... (ANO, p. 177).

As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele

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alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.


Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi
instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.

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Conforme Soares (2002a, p.73):

Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua

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prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro
educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso

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era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo
de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.

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As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como
os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este

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permanece apenas como observador.


Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente
. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas

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histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo

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descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,
as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas

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escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.
As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa

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com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.
A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.

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Como ressalta Irene Fuck:

(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de

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pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles
apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do
mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos

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alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a
aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.
A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens

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“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.


Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho
competitivo e por necessidades pessoais.
Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

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JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível
em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www
.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: http://www.smeduquedecaxias.rj.gov.br/nead/Biblioteca/Formação Continuada/_04
_EJA/saltofuturo_eja_set2004_progr2.pdf (2096 termos)
Termos comuns: 117
Similaridade: 1,01%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento http://www.smeduquedecaxias.rj.gov.br/nead/Biblioteca/Formação
Continuada/_04 _EJA/saltofuturo_eja_set2004_progr2.pdf
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de

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alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas
bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo

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em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano
escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,

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.... (ANO, p. 177).

As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele

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alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.


Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi
instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.

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Conforme Soares (2002a, p.73):

Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua

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prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro
educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso

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era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo
de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.

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As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como
os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este

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permanece apenas como observador.


Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente
. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas

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histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo

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descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,
as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas

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escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.
As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa

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com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.
A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.

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Como ressalta Irene Fuck:

(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de

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pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles
apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do
mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos

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alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a
aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.
A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens

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“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.


Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho
competitivo e por necessidades pessoais.
Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com
.br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

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JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível
em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www.
tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/417/o-brincar-e-a-aprendizagem--
concepcoes-de-professores-da-educacao-infantil-e-do-ensino-fundamental (3634 termos)
Termos comuns: 92
Similaridade: 0,7%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/417/o-brincar-e-a-
aprendizagem--concepcoes-de-professores-da-educacao-infantil-e-do-ensino-fundamental
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de

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alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas
bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo

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em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano
escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,

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.... (ANO, p. 177).

As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele

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alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.


Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi
instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.

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Conforme Soares (2002a, p.73):

Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua

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prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro
educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso

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era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo
de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.

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As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como
os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este

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permanece apenas como observador.


Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente
. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas

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histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo

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descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,
as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas

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escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.
As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa

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com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.
A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.

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Como ressalta Irene Fuck:

(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de

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pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles
apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do
mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos

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alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a
aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.
A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens

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“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.


Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho
competitivo e por necessidades pessoais.
Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
Campinas, SP; Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil- ALB: São Paulo: Ação Educativa,
2001: Coleção Leitura no Brasil, pgs. 223.

CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
07-2008. Disponível em www.google.com.br.
Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
tratadas na escola? Psicopedagogia on-line – portal da educação e saúde mental. Disponível em:
HYPERLINK "http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=932"www.psicopedagogia.com.
br/artigos/artigo.asp?entrID=932. Acesso em 11 de março de 2009.

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JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível
em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

OLIVEIRA, Inês Barbosa de, (orgs) Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.

EUGÊNIO, Benedito G. REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens e Adultos –v.2 n.1 p.1-115, abr. 2008.
O Currículo no cotidiano de uma escola de educação de jovens e adultos. Disponível em HYPERLINK
"http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 25 de fevereiro de 2009.

ANDRADE, Eliane Ribeiro, Os sujeitos Educandos na EJA. In: TV Escola, Salto para o Futuro. Educação
de Jovens e Adultos: continuar... e aprender por toda a vida. Boletim, 20 a 29 set.2004.
Disponível em HYPERLINK "http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm"http://www
.tvebrasil.com.br/salto/boletins2004/eja/index.htm.

TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
Adultos no Seminário de Educação Popular, 2002.

RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: https://www.passeidireto.com/arquivo/68177988/os-impasses-e-desafios-dos-professores-da-
eja/5 (1247 termos)
Termos comuns: 70
Similaridade: 0,65%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento https://www.passeidireto.com/arquivo/68177988/os-impasses-e-desafios-
dos-professores-da-eja/5
=================================================================================

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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de

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alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas
bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo

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em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano
escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,

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.... (ANO, p. 177).

As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele

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alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.


Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi
instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.

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Conforme Soares (2002a, p.73):

Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua

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prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro
educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso

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era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo
de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.

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As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como
os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este

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permanece apenas como observador.


Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente
. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas

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histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo

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descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,
as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas

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escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.
As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos
(Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa

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com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.
A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.

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Como ressalta Irene Fuck:

(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de

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pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles
apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do
mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos

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alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a
aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.
A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens

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“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.


Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho
competitivo e por necessidades pessoais.
Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FUCK, Irene Terezinha. Alfabetização de Adultos – Relato de uma Experiência Construtivista. 5°ed.
Petrópolis: Vozes, 1999.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 39 ed. São Paulo, Cortez,
2000.

PARREIRAS, Patrícia. Jovens e Adultos na escola: aprendizagens diferenciadas. Presença Pedagógica.


São Paulo, V.8, N.47, P. 57-67, set./ out./2002.

RIBEIRO, Vera Masagão (ORG): Educação de Jovens e Adultos- Novos Leitores Novas Leituras,
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CARNEIRO, Neri de Paula. A vitória de um fracasso e a Educação e Jovens e Adultos- publicado em: 01-
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Acesso em 09 de março de 2009.

SOUZA, Lucia Helena Pazzine. Educação de Jovens e Adultos: como as diferenças individuais são
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JOSGRILBERT, Profª Drª Maria de Fátima V. Paulo Freire e a educação de jovens e adultos. Disponível
em HYPERLINK "http://www.google.com.br/"www.google.com.br. Acesso em 02 de março de 2009.

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TORRES, Juan. Dois modelos em jogo. NE- Nova Escola, São Paulo, N. 206, p – 72-75, outubro de 2007.

BORGES, Liana & DI PIERRO, Maria Clara. Sistematização do Encontro de Educação de Jovens e
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RIBEIRO, Vera Masagão et al: Educação para Jovens e Adultos: ensino fundamental: proposta curricular –
1º segmento, São Paulo: Ação educativa; Brasília: MEC, 2001. 239p

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Arquivo 1: PROJETO LANIELLE.doc (9566 termos)
Arquivo 2: http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3234/1/Livro_Questao_Social.pdf (126816
termos)
Termos comuns: 682
Similaridade: 0,5%
O texto abaixo é o conteúdo do documento PROJETO LANIELLE.doc. Os termos em vermelho foram
encontrados no documento
http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/3234/1/Livro_Questao_Social.pdf
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Oliveira, Patrícia. educação de jovens e adultos: Currículo em foco. 2017. 37 páginas. Projeto de ensino
(Pedagogia) – Centro de Ciências Exatas e Tecnologia. Universidade Norte do Paraná, Santa Luzia, MG,
2017.
RESUMO

Este trabalho apresenta como temática central a Educação de Jovens e Adultos “Currículo em foco”
procurando explicitar os conteúdos curriculares e práxis pedagógica desenvolvida nas séries iniciais da
EJA e a importância do papel que o educador deve exercer no cotidiano escolar para proporcionar a
construção de competências significativas que possam fazer com que o aluno interaja significativamente
na prática social. Os jovens e adultos que iniciam ou estão reiniciando na EJA possuem uma visão de
mundo diferente, porque são sujeitos ricos em experiência de vida com crenças e valores constituídos. Os
Jovens e Adultos analfabetos adquirem ao longo da vida representações sociais sobre o processo de
aquisição da leitura e da escrita, mas, não fazem parte do mundo letrado. Partindo deste princípio esta
pesquisa realiza algumas reflexões a cerca dessas representações, baseado nos depoimentos de

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alfabetizando atendidos pela EJA, realizada no segundo semestre do ano de 2016 em uma instituição
Municipal de Santa Luzia. A metodologia utilizada para este trabalho fundou-se em pesquisas
bibliográficas e em um estudo de caso.

Palavras-chave: Aluno; professor; currículo; escola.

SUMÁRIO
1 - INTRODUÇÃO05
2 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS07
3 - CURRÍCULO E SABERES DA PRÁTICA NA EJA15
3.1 – Aprendizagem na EJA e a questão do currículo15
3.2 – Saberes necessários ao professor da EJA18
4 - A REALIDADE CURRICULAR DA EJA22

4.1 - A EJA em Santa Luzia22

4.2 - A escola pesquisada24

4.3 - A turma da EJA e as questões de ensinoaprenizagem27

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS33

REFERÊNCIAS36

INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta a conclusão de curso com o tema Educação de Jovens e Adultos “Currículo

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em foco” e surgiu como interesse a partir de observações realizados no ano de 2016, em que fiz trabalhos
na disciplina da EJA; em uma escola do município. Nesta prática, vivenciei a realidade do cotidiano
escolar no processo de ensino-aprendizagem, em uma turma das séries iniciais do Ensino Fundamental
da modalidade EJA de uma Escola Municipal da cidade de Santa Luzia, na qual pude perceber que em
algumas atividades aplicadas em sala de aula, não havia interesse em serem realizadas pelos alunos. No
decorrer dessa experiência, senti a necessidade de verificar, com alguns alunos da turma, se de fato as
atividades realizadas pela professora estavam de acordo com seus anseios e, ao mesmo tempo, buscar
informações sobre o que seria uma formação que atendesse aos seus objetivos.
É preciso considerar que os alunos de EJA vivenciam problemas como preconceito, vergonha,
discriminação, críticas dentre tantos outros que marcam a sua história de vida e o seu retorno à escola e
que tais questões são vivenciadas tanto no cotidiano familiar como na vida em comunidade de forma geral
. Desta forma, é preciso identificar fundamental importância do docente no processo de reingresso do
aluno às turmas de EJA e mesmo de sua permanência. Este docente, que em muito contribui com o
sucesso da aprendizagem do aluno, é um ser especial que deve ser capaz de identificar o potencial de
cada aluno.
Foi a partir destas considerações que tivemos por objetivo pesquisar os conteúdos e atividades
trabalhadas em sala de aula e analisar se elas realmente são significativas e, principalmente, se estão de
acordo com a realidade dos alunos. Também foi do meu interesse saber se os conhecimentos adquiridos
em sala de aula estão sendo significativos para sua vida cotidiana.
Para o desenvolvimento desse trabalho utilizei como metodologia as pesquisas bibliográficas tendo por
base autores como Jane Paiva (2004), Vera Masagão (2001), Paulo Freire (2000), entre outros tantos, que
nos possibilitou um direcionamento para o desenvolvimento do projeto. Entretanto, foi também de grande
valia o estudo de caso para a construção do TCC e neste sentido, utilizei as experiências feitas para que
pudesse apresentar algumas questões por mim observada e trabalhada com os alunos.
A pesquisa foi divida em três partes. Na primeira, fiz uma breve contextualização da História da Educação
de Jovens e Adultos desde o início da colonização com os jesuítas até os dias de hoje. Em seguida,
apresentei os Conteúdos da Educação de Jovens e Adultos, e discuti a forma que devem ser orientados
na prática pedagógica de acordo com a realidade social dos alunos. Posteriormente, no quarto capítulo,
descreve as diretrizes e ações metodológicas da Educação de Jovens e Adultos na cidade de Santa Luzia
, por meio de um estudo de caso feito com dados coletados na observação do trabalho realizado na
instituição.

2 - HISTÓRIAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

Muitas pesquisas como as de Freire (2000), Vera Masagão (2001), Jane Paiva (2004), Parreiras (2002)
entre outros/as, vêm demonstrando que a educação de adultos no Brasil não resulta de um processo
localizado, monovalente e total, ao contrário, de acordo com Carlos (2006):

Esse processo foi forjado em diversos lugares discursivos, a partir de séries enunciativas distintas e a
partir de uma gradação não linear, plural e parcial, alimentada pelas múltiplas relações e ramificações
estabelecidas pelos e entre os discursos correlacionados. Graças a esse feixe de relações, a educação de
adultos emergiu na esfera do discurso como uma prática educativa determinada, destinada a um tipo de
sujeito específico, com tempo e lugar peculiares, com conteúdo e programa diferenciados e um tipo de
finalidade social distinta daquela descrita para a educação infantil. (p. 03)

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De acordo com Gomes e Soares (2005) a história da educação do público de jovens e adultos inicia-se
desde a colonização do Brasil. Neste período, conhecido como colonial, a educação se baseava na
catequese e atendia a população indígena que tinham como orientadores os Jesuítas. Eles aqui chegaram
com o propósito de educar os adultos indígenas como também as crianças. Os jesuítas viam na educação
uma maneira de unificar os pensamentos, tendo a religião como o centro do processo. Para a realização
deste ensino, usavam-se as orações, cartilhas, gramáticas e livretos tendo por método de ensino a
memorização, um processo mecânico.
Posteriormente, o processo de ensino se estendeu aos escravos com o mesmo objetivo. Este processo
exigiu que os jesuítas aprendessem a comunicar com este público alvo, tendo a necessidade de falar a
mesma linguagem. A coroa portuguesa exigia que a língua portuguesa fosse instituída para todos
garantindo os interesses da mesma. O foco deste processo educativo estava no ler e escrever e contar,
porém, a Coroa deixava claro que somente para alguns estes ensinos seria efetivado. Para a grande
maioria da população bastaria saber fazer as orações, o catecismo. Quanto à educação das mulheres no
período colonial, eram poucas que tiveram a experiência de uma educação escolarizada. Os
ensinamentos voltados para o belo sexo eram definidos por afazeres domésticos que ajudariam a mulher
desenvolver suas habilidades no lar.
Gomes e Soares, afirmam que o início do período imperial é marcado pela nova exigência para o processo
de alfabetização de jovens e adultos. Aparecem as primeiras ideias de uma educação formal, ou seja,
propiciar um espaço e tempo onde às instruções seriam repassadas de acordo com o contexto político da
época.
Os adultos das camadas populares urbanas tinham uma educação como fonte de busca de aprendizado
voltado para sua inserção na sociedade atendendo a demanda da época. Seria necessário o saber ler e
escrever para ter o direito ao voto. Mas uma vez, uma educação voltada para as exigências da prática
social, baseada na instrumentalização dos sujeitos considerados analfabetos. Os programas e políticas
educacionais de combate ao analfabetismo não possuíam uma conotação cívica.
Pelo fato de haver uma discussão sobre a Lei Saraiva de 1881, o analfabeto foi visto como ignorante e
incapaz, impossibilitando-o de terem uma renda e votarem. A partir da República, o problema do
analfabetismo tornou-se uma preocupação nacional, pois 80% da população era composta por analfabetos
, isso significa que numa média de dez brasileiros apenas dois tinham habilidades para fazer uso da leitura
de um documento, jornal, carta, o restante da população dependia de outra pessoa para fazer a leitura do
mesmo.
Mas foi nas primeiras décadas do século XX, que se notou, de acordo com Gomes e Soares, a
constatação da primeira campanha nacional de combate ao analfabetismo para inserir a massa de pobres
analfabetos com intuito de elevar a essa classe o conhecimento para que houvesse progresso. Desta
forma, os estados e municípios procuram construir uma estrutura para atender a educação de Jovens e
Adultos.
Como relata Regina Sales:

... ao longo da história do nosso país estiveram intimamente relacionados à lógica do capital e à lógica do
mercado, com o intuito de formar mão de obra que atendessem à as demandas impostas pelo processo de
industrialização. [...] a lógica neoliberal que orienta as atuais políticas do estado talvez seja a mais cruel,
visto que aumenta o contingente de população excluída dos direitos básicos necessários à sobrevivência,

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.... (ANO, p. 177).

As campanhas alertavam para a reflexão e o debate em torno do analfabetismo no nosso país. Sendo
assim, a educação de jovens e adultos foi dividida em etapas. A primeira etapa desta campanha voltada a
alfabetização para um processo a ser realizado em três meses. Já a segunda etapa estendia a educação
para a capacitação profissional e comunitária. Essa campanha foi uma ação de emergência em curto
prazo com intenção de erradicar o analfabetismo que era visto como mal. No final dos anos 50 esta
campanha recebeu muitas críticas, como é explicado nas Diretrizes Curriculares da EJA:

Dirigiam-se tanto à suas deficiências administrativas e financeiras quanto à sua orientação pedagógica.
Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que se efetivava em um curto período da alfabetização
, à inadequação do método para a população adulta e para as diferentes regiões do Brasil. Convergiam
para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo todas essas críticas e também para a
consolidação de um novo modelo pedagógico para a educação de adultos, cuja a principal referência foi o
educador Pernambucano Paulo Freire, .... (1996, p. 10)

Paulo Freire (1958) indicava cursos que deveriam ter por base a realidade dos alunos, a identidade
cultural do alfabetizado, e que os materiais usados com os adultos não poderiam ser iguais ou
semelhantes aos utilizados por crianças. Nesse contexto, a sua proposta fundamenta-se numa educação
libertadora, inovadora, conscientizada, para que com isso homens e mulheres não fossem mais vistos
como ignorantes, sem cultura e sim como um produtor de cultura e saber, minimizando a violência cultural
da exclusão, da discriminação, da opressão.
Segundo Paulo Freire (2000, p. 9):

A educação deve procura desenvolver a tomada de consciência e a atitude crítica, graças à qual o homem
aprende a escolher e a decidir, libertando-o em lugar de submetê-lo, de domesticá-lo, de adaptá-lo, como
ainda faz com muita frequência a educação em vigor em um grande número de países do mundo.

Com o golpe militar de 1964, muitos movimentos foram extintos, entre eles a Campanha Nacional de
Alfabetização e a elaboração do Plano Nacional de Alfabetização elaborado por Paulo Freire, com isso
muitos participantes dos movimentos foram exilados e perseguidos. Desta forma, foi criado, em 1967, o
Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL) que de acordo com Gomes e Soares retomava a ideia
de uma campanha em âmbito nacional, produzindo material padronizado a ser utilizado em todo o país
baseado na realidade do alfabetizado.
Nesta época, não era necessário ter a formação para realizar a tarefa de docência, pois eram poucas as
pessoas que tinham acesso à leitura e a escrita. Ficando os monitores com a responsabilidade de orientar
o seu grupo de alunos, formando sucessivamente vários discípulos para a continuidade de alfabetização
de jovens e adultos. É importante destacar que o educador sofria vários tipos de repressões quando
tentava inserir em suas aulas questionamentos sobre o que acontecia no país.
Nos últimos anos, o movimento passou por um momento muito delicado, sendo envolvido na CPI que
buscava apurar os destinos dos recursos financeiros e medir o índice de analfabetismo no país. Pelo lado
pedagógico, o MOBRAL também foi bastante criticado, pois, constatou que vários adultos por ele

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alfabetizados desaprenderam a ler e escrever.


Foi assim que no ano de 1985, com o fim do Regime Militar, este movimento foi extinto e em seu lugar foi
instaurada a Fundação Educar, ligada ao Ministério da Educação. Sua função era de supervisionar e
acompanhar junto às instituições e as secretárias os recursos transferidos para a execução do programa.
De acordo com Leôncio José Gomes Soares, a Ação Educativa/MEC, em 1988, com a promulgação da
nova Constituição Federal, estabelece:

A constituição de 1988 representou algumas conquistas legais para o campo das políticas públicas entre
as quais a educação. O Estado passou a ter o dever de garantir a educação para todos aqueles que à ela
não tiveram acesso, independentemente da faixa etária. [... ] de fato, houve, a partir de 1988, uma
expansão significativa e uma institucionalização das redes públicas de ensino quanto ao atendimento aos
jovens e adultos que se encontravam sem acesso à educação. (p. 203).

Uma ação que levaria em consideração o direito daqueles que por algum motivo não frequentaram em
idade regular a educação e poderiam agora fazer uso deste direito. Este programa também extinto em
1990, pois no Ano Internacional de Alfabetização, o governo Collor encerrou a fundação, ausentando
como articulador e indutor da alfabetização de jovens e adultos.
Podemos afirmar que a educação de jovens e adultos ganhou uma definição no âmbito legal e mais bem
estruturada a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996, promulgada em
20/12/1996, que além de garantir esta educação ainda indica de quem é a sua responsabilidade e as
diretrizes que devem ser observadas para que o jovem e o adulto tenham a educação de que precisam.
De acordo com seu artigo 37 “A educação de jovens e adultos será destinada aqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria”. No primeiro
parágrafo, define-se claramente que é de direito de todos os jovens e adultos, a escolarização gratuita,
dirigidas a aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular, sendo elas apropriadas com sua
realidade seus interesses, condições de vida e de trabalho.
Já no segundo parágrafo da Lei de Diretrizes e Bases, afirma que o Poder Público irá proporcionar ações
integradas para desenvolver e estimular o interesse do aluno, que na maioria das vezes é caracterizado
por uma classe trabalhadora, na escola. A partir da inclusão do terceiro parágrafo da Lei nº. 11.741 de
16/07/2008 foi estabelecido uma articulação entre a educação de jovens e adultos e a educação
profissionalizante integrando ao diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho
, da ciência e da tecnologia.
Desse modo, o Plano Nacional de Educação, Lei nº. 10.172/2001, não só contempla a EJA com um
capítulo próprio sob a rubrica de Modalidades de Ensino como já em seu texto introdutório dispõe, no
tópico de nº. 2, que, entre as prioridades das prioridades, está a garantia de ensino fundamental a todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria ou que não o concluíram.
Como diz o Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH) de 2003 da Secretaria Especial
de Direitos Humanos a educação básica, como um primeiro momento do processo educativo ao longo de
toda a vida, é um direito social inalienável da pessoa humana e dos grupos socioculturais.
É possível perceber que lentamente, a EJA vem ampliando um espaço legal que deveria ter tido desde a
Constituição Federal de 1988 e, consequente a isso, ter fontes de meios e recursos para dar conta de
suas finalidades, metas e objetivos.
Segundo Gadotti (1998) educação se faz com amor e também traçando estratégias e táticas para que nas
brechas, ou não, do sistema se possa intervir nas políticas públicas da Educação de Jovens e Adultos.

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Conforme Soares (2002a, p.73):

Primeiramente a escola precisa estar comprometida com a luta contra as desigualdades para assim
garantir a aquisição dos conhecimentos e habilidades que possam instrumentalizar as classes populares
para que elas participem no processo de transformação social, ou seja, uma escola transformadora, que
dê aos alunos condições de reivindicação social.

A educação de jovens e adultos deve ser sempre uma educação multicultural, desenvolvendo
conhecimentos prévios e fazendo sempre a integração na diversidade cultural, a qual leva o educador a
conhecer bem o seu campo de trabalho, pois assim terá o conhecimento necessário para desenvolver
projetos relacionados à educação de qualidade (GADOTTI, 1979). Portanto, algumas das qualidades
essenciais do educador de jovens e adultos são a capacidades de solidarizar-se com os educandos, a
disposições de encarar dificuldade como desafios como estimulantes, a confiança na capacidade de todos
de aprender e ensinar. Coerentemente com essa postura, é fundamental que esse educador antes de
iniciar as atividades de ensino, conheça o grupo na sua totalidade, procurando posteriormente conhecê-los
nas suas especificidades.
No século XXI, chega com um número alarmante de brasileiros sem domínio da leitura e escrita bem
como a sua utilização no cotidiano. Segundo as autoras Gomes e Soares (2005): “São produto de uma
nova exclusão: mesmo tendo se escolarizado, não conseguem ler e interpretar um simples bilhete ou texto
. Esse novo contingente estará fazendo parte do público de mandatário da Educação de Jovens e Adultos
.”
O aluno pode mostrar ao professor que através de suas expectativas, sua cultura, suas necessidades de
aprendizagem, e de várias formas de expressão que tipo de cidadão ele é contribuindo para o processo de
aquisição de conhecimento do qual ele é participante ativo. A intenção é tornar o processo de
alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de conhecimentos entre educandos e docentes
torna-se recíproco, compreendendo o seu próprio processo de aprendizagem.
Com clareza e segurança quanto aos objetivos e conteúdos educativos que integram um projeto
pedagógico, o professor deve estar em condições de definir para cada caso específico, as melhores
estratégias para prestar uma ajuda eficaz ao aluno em seu processo de aprendizagem.
Tendo em vista esta proposta Cláudia Lemos Vóvio afirma:

... Afirmamos que a educação de pessoas jovens e adultos, em nível de educação básica, são processos e
experiências de ressocialização (recognição e reinvenção) de jovens, adolescentes e adultos, orientados
para aumentar e consolidar capacidades individuais e coletivas desses sujeitos populares mediante a
recuperação e recreação de valores, a produção, apropriação e aplicação de saberes que permitem o
desenvolvimento de propostas mobilizadoras que contribuam para a transformação da realidade desse
sujeito...(ANO, p.142)

A partir dessa concepção, é necessário que o professor estabeleça diálogos com os alunos para
discutirem os conceitos a serem abordados suprindo as necessidades destes sujeitos.
É especialmente importante no trabalho com jovens e adultos, favorecer a autonomia dos educandos,
estimulá-los a avaliar constantemente seus progressos e suas carências, e ajudá-los a tornar consciência
de como a aprendizagem se realiza. É preciso também que o educador reflita permanentemente sobre sua

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prática, buscando os meios de aperfeiçoá-la. Que atendem para o fator de que o processo educativo não
se encerra no espaço e no período da aula propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro
educativo para além da assistência a aula pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e
cultural.
Segundo Aguiar (2008/2009) o educador de jovens e adultos precisa ter presente que está trabalhando
com pessoas que tem uma história de vida diferenciada são portadoras e produtoras de conhecimentos
específicos.

O educador tem de considerar o educando como um ser pensante. É um portador de ideias e um produtor
de ideias dotado frequentemente de alta capacidade intelectual, que se revela espontaneamente em sua
conversação, em sua crítica aos fatos, em sua literatura oral. (PINTO, 2003, p.83)

No ano de 2003, foi anunciado pelo Ministério da Educação e da Cultura que a alfabetização de jovens e
adultos se tornariam uma prioridade do governo federal com a meta de erradicar completamente o
analfabetismo. Para cumprir essa meta foi lançado o Programa Brasil Alfabetizado, por meio do qual o
MEC contribuirá com os órgãos públicos estaduais e municipais, instituições de ensino superior e
organizações sem fins lucrativos que desenvolvam ações de alfabetização.
Portanto, a intenção é tornar o processo de alfabetização participativo e democrático. Onde a troca de
conhecimentos entre educandos e docentes seja recíproco, compreendendo o seu próprio processo de
aprendizagem.
Sendo assim, fica claro que o processo educativo não se encerra no espaço e no período da aula
propriamente dita. O convívio numa escola ou no outro centro educativo para além da assistência a aula
pode ser uma importante fonte de desenvolvimento social e cultural. A Educação de Jovens e Adultos tem
como objetivo de realmente permitir o acesso de todos à educação, independentemente da idade. Desta
forma, fica claro o caminho que a EJA percorreu em nosso país até chegar aos dias de hoje. Muito já foi
feito, mas ainda há o que se fazer.

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3 - CURRÍCULOS E SABERES DA PRÁTICA DOCENTE NA EJA

Ao refletir sobre a história da Educação no país deparamos com a modalidade de ensino: Educação para
Jovens e Adultos a EJA, que tem como objetivo atender e buscar propostas educativas voltadas para
demanda destes sujeitos. Um público que, ao retornar para a escola, almeja um aprendizado que satisfaça
as necessidades. Muitas destas questões são colocadas pelo mundo globalizado e chama atenção da
forma de como a escola precisa atentar para conteúdos e exercícios que reflitam as necessidades
particularidades dos alunos da EJA. Conforme Aguiar (2009, p. 47):

Não cabe pensar a modalidade Educação de jovens e adultos (EJA) como uma questão a ser resolvida em
si mesma, ainda que verdadeiramente as particularidades da educação de jovens e adultos mereçam uma
atenção singular. [...] eles são membros atuantes na sociedade não só por se constituírem como
trabalhadores, mas também pelo conjunto das ações que desempenham sobre um círculo de existência.

3.1 Aprendizagens na EJA e a questão do currículo

As formas mais tradicionais de seleção e abordagem dos conteúdos encontrados no ensino regular,
principalmente os conteúdos e exercícios direcionados para os alunos da EJA que estão na primeira fase
do processo de alfabetização, devem dar lugar a formas alternativas e significativas que possam favorecer
a escolarização de jovens e adultos anteriormente excluídos desse processo.
Muitos professores associam os conteúdos curriculares com conceitos a serem memorizados e
procedimentos a serem reproduzidos. De acordo com Paulo Freire (2000, p. 16-17):

A regência verbal, a sintaxe de concordância, o problema da crase, o sinclitismo pronominal, nada disso

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era reduzido por mim a tabletes de conhecimentos que devessem ser engolidos pelos estudantes. Tudo
isso, pelo contrário, era proposto à curiosidade dos alunos de maneira dinâmica e viva, no corpo mesmo
de textos, ora de autores que estudávamos, ora deles próprios, como objetos a serem desvelados e não
como algo parado, cujo perfil eu descrevesse. Os alunos não tinham que memorizar mecanicamente a
descrição do objeto, mas apreender a sua significação profunda. Só a apreendendo seriam capazes de
saber, por isso, de memorizá-la, de fixá-la. A memorização mecânica da descrição do objeto não se
constitui em conhecimento do objeto. Por isso é que a leitura de um texto, tomado como pura descrição de
um objeto é feita no sentido de memorizá-la, nem é real leitura, nem dela, portanto resulta o conhecimento
do objeto de que o texto fala.

A origem da palavra currículo segundo dicionário Aurélio (2005) - currere (do latim) – significa carreira,
documentação (diplomas, títulos, trabalhos) das atividades de alguém. O currículo escolar reflete todas as
experiências em termos de conhecimento que serão proporcionados aos alunos de um determinado curso
. Assim, o mesmo representa a caminhada que os alunos fazem ao longo de seus estudos, implicando
tanto conteúdos estudados quanto atividades realizadas sob a vida escolar.
Gomes (2005), ao refletir sobre o conceito currículo apresenta quatro características que são parte deste
campo que são: informação, conhecimento, habilidades e valores questões essenciais que estão ligadas
diretamente aos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Já Silvia e Monteiro (p. 2)
afirmam que um currículo não pode ser pensado sem que haja um questionamento sobre as relações
internas e externas de sua produção “organizar um currículo implica num processo que se realiza entre
lutas, conflitos de posições e relações de poder. ”.
É desta forma que este saber pode relacionar-se não somente aos conteúdos formais, mais naqueles
conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento da consciência crítica e para a capacitação do
sujeito. Não se trata de reduzir conteúdos para facilitar, mas de adequar os mesmos aos objetivos mais
conscientes do que o da mera repetição de supostas verdades universais desvinculada do mundo da vida.
Esta situação ressalta o grande desafio pedagógico, em termos de seriedade e criatividade, que a
educação de jovens e adultos impõe: Como garantir propostas curriculares que possibilite aos alunos
acesso à cultura letrada seja de forma mais significativa. ·.
O currículo não deve estar voltado exclusivamente para as questões técnicas e metodológicas, mas que
também para as questões de convivência, valores, que não estão ditos claramente para a sua socialização
e seu desenvolvimento como ser humano.
Baseado na Declaração de Jomtien (apud OLIVEIRA; PAIVA, 2004, p. 9), entende-se que:
A escola deverá ser incorporada efetivamente os conhecimentos-conteúdos e competências-necessárias
para que o indivíduo possa desenvolver-se física, afetiva, intelectual e moralmente, a fim desempenhar-se
com anatomia no âmbito político econômico e social no seu contexto de vida.

Isso significa que alguns conteúdos formais clássicos convêm ser abandonados em prol de outros que
sejam operacionais, ou seja, que possam contribuir para uma capacitação da ação social dos alunos.
De acordo com as Diretrizes Curriculares da EJA (1996), as relações entre cultura, conhecimento e
currículo, oportunizam uma proposta pedagógica pensada e estabelecida a partir de reflexões sobre a
diversidade cultural, tornando-a mais próxima da realidade. Com isso a proposta pedagógica e juntamente
com o currículo apresenta a ação dialógica, reflexiva, sendo também voltada às questões sociais, culturais
e políticas no processo educativo.

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As práticas pedagógicas privilegiam estratégias que contemplem as diferentes linguagens verbais ou não
verbais, para que o educando reconheça as diferentes formas de falar, escrever e interpretar, bem como
os efeitos dessas linguagens. As articulações dos conteúdos devem ser de forma interdisciplinar, onde a
prática pedagógica facilita a integração entre os diferentes saberes. As atividades desenvolvidas a partir
da leitura e análise de cada área do conhecimento culminarão com uma produção oral ou escrita que
revele o posicionamento a respeito do assunto, bem como o nível de aprendizagem do educando.
Mesmo sendo os conteúdos e os objetivos desdobrados em tópicos, a ordenação em que eles aparecem
não pode ser interpretada com indicação de uma sequência rígida. Diversas combinações entre os
conteúdos são possíveis, dependendo do problema que levará a uma situação de aprendizagem.
A elaboração dos conteúdos exigirá dos educadores o esforço de complementá-las com análises de seus
contextos específicos, a partir dos quais poderão formular de modo mais preciso os objetivos de seus
programas. Para Grossi (1988, p. 11)

[...] o papel de quem é professor não é o de fornecer esta resposta imediata, pois todo o saber tem que ser
reestruturado pelo próprio sujeito que aprende e a resposta imediata é já estruturada e não tem condições
de assimilação como tal, a não ser que este sujeito esteja num estágio muito elevado no tratamento
desses problemas.

Assim, a seleção de conteúdos como também as metodologias definem previamente e coletivamente,


envolvendo alunos e professores tornando-se um instrumento valioso para o trabalho na EJA. Os
professores da Educação de Jovens e Adultos têm como responsabilidade peculiar além daquela relativa à
Educação, a de não aumentar os índices do analfabetismo e da evasão escolar de jovens e adultos.

3.2 Saberes necessários aos professores da EJA

Umas das principais consequências que induz à evasão escolar é a prática de alguns professores que
tornam os alunos passivos, meros observadores distantes da aprendizagem devido à sua falta de
sensibilidade.

(...) uma das grandes causas da evasão se deve ao fato de a escola não conseguir penetrar no mundo do
aluno, e que para se proteger dessa culpa, transfere-lhe a responsabilidade do fracasso, taxando-o de
desnutrido, pobre, sujo, de baixo QI, e consequentemente expulsando-o da escola (...)” (FUCK, 1999, p.
34)

É de fundamental importância que o educador ajude aos educandos a reconstruir sua imagem da escola,
das aprendizagens escolares e de si próprios e de alguns conhecimentos sobre a natureza e a sociedade
que compõem as disciplinas curriculares, propiciando aos educandos a ampliação de suas formas de
expressão, possibilitando-lhes o uso de modos de falar adequados a diferentes situações e intenções
comunicativas.
Ao iniciarem as aulas nas turmas da EJA, os professores precisam ser dinâmicos, ativos e voltados para a
compreensão do universo dos alunos; a metodologia utilizada deve envolver o aluno durante o processo,
tornando-o participante, porque não há educação se o aluno não participa do processo, se este

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permanece apenas como observador.


Eles precisam saber motivar os alunos para que eles tenham interesse em frequentar as aulas diariamente
. As atividades desenvolvidas em sala de aula precisam ser práticas e relacionadas com a vida diária dos
alunos; suas experiências são de grande valia para os professores, de modo que o aluno se sinta
valorizado entre os colegas; os exemplos utilizados pelos professores durante a aula podem ser
elaborados no planejamento, para que os mesmos sejam adequados para os alunos da EJA.
Sendo assim, a didática deveria estar de acordo como:

A didática é o campo do conhecimento que busca, entre outras coisas, dar condições para esta
reestruturação se efetive. Compete também à didática criar espaço para novas reestruturações, isto é,
saber abrir lacunas cognitivas. A didática é o ramo dos conhecimentos que estuda os processos de
transmissão e de aquisição de diferentes conteúdos das diversas ciências, particularmente em situação
escolar. Ela tem por objetivo descrever e explicar os fenômenos relativos às vinculações entre ensino e
sua aprendizagem (GROSSI, 1985, p.1,27).

Outra competência necessária para o professor é compreender a Educação de Jovens e Adultos como
um instrumento social capaz de desenvolver a cidadania nos aluno, pois a permanência destes na escola
contribui para a aquisição de conhecimentos necessários à inserção na sociedade, além disso é relevante
que o professor deixe claro para os alunos que a EJA também pode proporcionar a preparação para
concorrer a uma vaga no mercado de trabalho, torna-se sujeitos críticos, participativos e atuantes para
uma possível formação continuada.
Talvez uma boa prática a ser desenvolvida pelos professores em sala de aula seja a solicitação de algum
tipo de material pertencente ao cotidiano de cada aluno para ser trazido na “próxima aula”, a fim de se
realizarem tarefas criativas e orientadas pelo professor. É um tipo de sensibilização que faz com que o
aluno queira retornar na próxima aula, tanto pela responsabilidade de levar algo para a sala de aula, como
para mostrar que é capaz de realizar a tal tarefa, etc., mas esse tipo de técnica deve ser muito bem
planejado, para que seja realizada uma prática que possa reverter em conhecimento para os alunos.
E, finalmente, pode-se nomear ainda como saber necessário ao professor, a identificação das atividades
profissionais e interesses pessoais, para que os alunos desenvolvem na vida diária para sobreviver,
porque somente assim os professores compreenderão melhor as diferenças existentes entre os alunos,
para que possam utilizar determinadas técnicas metodológicas adequadas a uma melhoria do nível de
aprendizagem dos alunos.
Para isto, é necessária uma relação dialógica, em que os significados sejam compartilhados por todos.
Neste sentido, a proposta curricular deverá viabilizar o processo de construção ativa, pensando nos
conteúdos como o conjunto de saberes ou formas culturais, objetivando identificar e analisar os critérios
utilizados para a seleção e organização dos conteúdos escolares. Assim, estaremos discutindo não
apenas as opções, mas as concepções acerca da sociedade, pois o currículo é uma construção social e
desta forma ligado diretamente a um momento histórico, a uma sociedade específica e as relações que ela
estabelece com o conhecimento. Por isso, qualquer proposta curricular discutida, problematizada pelos
docentes, pois são eles que diariamente dão materialidade (ou não às propostas oficiais).
É a realidade dos alunos da EJA que exige dos educadores a busca de novas metodologias e estratégias
para que os alunos construam suas ideias a partir de suas experiências de forma crítica, participativa e
autônoma de forma que estejam aptos a conhecerem diferentes épocas e lugares e comparar com suas

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histórias de vida. Irene Terezinha Fuck (1999, p. 26) relata o ato de aprender como:

[...]. Aprender é passar por etapas sucessivas. Em cada uma delas já se sabe algo sobre o assunto e este
algo, embora incompleto, está organizado em nós de maneira a resolver, provisoriamente, os problemas
que envolvem o assunto em questão, ou melhor, os conceitos nele imbricados. (...). Aprender significa,
portanto, reorganizar a minha forma de pensar sobre um certo campo de conhecimento, incorporando
novos elementos para, com este novo esquema cognitivo, poder responder a perguntas mais complexas,
que antes nem sequer podiam ser abordadas ou formuladas.

A prática educativa baseada nas necessidades dos alunos, levando-os a atuarem ativamente neste
processo de aquisição e troca de conhecimentos. Assim, o educando assume o papel de elemento central
do processo de ensino-aprendizagem pretendido, participando ativamente no diagnóstico dos problemas
e busca de soluções, sendo preparado como agente transformador, através do desenvolvimento de
habilidades e formação de atitudes, através de uma conduta ética, condizentes ao exercício da cidadania.
Os objetivos para serem alcançados precisam ser traçados claramente. Não esquecendo de dinamizar as
atividades dando um verdadeiro sentido para elas. As estratégias a serem utilizadas podem proporcionar
aulas interessantes e prazerosas para os alunos, tendo uma aprendizagem significativa.
Os educadores de jovens e adultos precisam identificar com esses princípios e procurarem reformular
suas práticas pedagógicas, atualizando as novas exigências culturais e novas contribuições das teorias
educacionais. É neste sentido que vemos sentido na fala de Paulo Freire quando ele relata que o ato de
educar é criar situações de aprendizagem nas quais todos os educandos possam despertar para a sua
dignidade de sujeitos do seu futuro, onde o mesmo pode propiciar da dignidade de cidadão, sendo
conhecida e reconhecida perante a sociedade.
Para que sejam efetivadas as práticas na EJA, faz necessário que os educadores estejam empenhados
cada vez a buscarem meios que ofereçam condições para que o sujeito e a sociedade descubram em um
todo que são capazes e confiantes na reconstrução de uma nova era.
Segundo Paulo Freire (2000, p 85):

Estudar, como um dever revolucionário, pensar certo, desenvolver a curiosidade diante da realidade a ser
melhor conhecida, criar e recriar, criticar com justeza a aceitar as críticas construtivas, combater as
atividades antipopulares são características do homem novo e da mulher nova.

Sabemos que a construção da identidade da Educação de Jovens e Adultos concretiza-se na organização


curricular, pois é neste momento que marcamos os tempos e os espaços de ensinar e aprender, em que a
diversidade apresentada por este grupo aponta-nos à construção de um currículo flexível, mas com a
garantia de qualidade pedagógica que assegure a articulação entre os saberes vividos e os escolares.

4 – A REALIDADE CURRICULAR DA EJA

Apresentarei neste capítulo um pequeno histórico da EJA de Santa Luzia e farei um relato de como as
aulas da EJA são organizadas e vivenciadas pelos sujeitos escolares. Esta análise foi feita tendo por base
as observações coletadas no período do Segundo Semestre de 2016 vivenciado por mim.
A princípio iremos utilizar um estudo de caso que focalize uma Escola Municipal de Santa Luzia. De
acordo com André (2005) o estudo de caso consiste em uma concepção bastante estrita, ou seja, o estudo

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descritivo de uma unidade seja uma escola, um professor, um aluno ou uma sala de aula. Sendo um
acontecimento individual ou coletivo dentro de um determinado contexto ou situação social. Neste sentido,
as observações realizadas bem como os documentos analisados nos levam a confirmar que este
instrumento é importante para fundamentar o trabalho de pesquisa.
Outro método utilizado foi à observação participante em que o observador participa da vida diária das
pessoas em estudo, tanto abertamente no papel de pesquisador, como assumindo papéis disfarçados,
observando fatos que acontecem, escutando o que é dito e questionando as pessoas ao longo de um
período de tempo.
Não posso deixar de citar a colaboração da Secretaria de Educação do Município de Santa Luzia, sendo
acolhidas pela Secretária do Município e também a Coordenadora da EJA do Município, que disponibilizou
documentos e registros desta modalidade que foram fundamentais para a elaboração deste capítulo.

4.1 – A EJA em Santa Luzia

A Secretaria Municipal de Educação de Santa Luzia, através da coordenação pedagógica apresenta uma
versão preliminar do referencial Curricular da EJA – Educação de Jovens e Adultos, elaborado por uma
comissão de supervisores e coordenadores pedagógicos de escolas municipais e Secretaria Municipal.
O documento presente foi elaborado respeitando as especificidades da EJA, ressaltando que os
conteúdos apresentados são um meio para uma interação plena e satisfatória, oportunizando a
valorização dos saberes tecidos nas suas práticas sociais em articulação com saberem formais.
É com esta iniciativa que a Secretaria Municipal de Educação, oferece uma proposta curricular como
subsídio ao trabalho dos educadores das escolas municipais, possibilitando um diálogo entre professores,
escolas e SME, e não com o intuito de estabelecer um “currículo” que deve ser simplesmente aplicado.
A partir de 2000, as municipalidades, em sua maioria, assim como o município de Santa Luzia, têm
tentado corresponder às necessidades da educação de jovens e adultos. Portanto, os objetivos gerais da
EJA – Educação de Jovens e adultos da cidade de Santa Luzia são:
Dominar instrumentos básicos da cultura letrada, que lhes permitam melhor compreender e atuar no
mundo em que vivem.
Ter acesso a outros graus ou modalidades de ensino básico e profissionalizante, assim como outras
oportunidades de desenvolvimento cultural.
Incorporar-se ao mundo do trabalho com melhores condições de desempenho e participação na
distribuição da riqueza produzida.
Valorizar a democracia, desenvolvendo atitudes participativas e conhecer direitos e deveres da cidadania.
Desempenhar de modo consciente e responsável seu papel no cuidado e na educação das crianças, no
âmbito da família e da comunidade.
Conhecer e valorizar a diversidade cultural. Respeitar as diferenças de gênero, geração, raça e credo,
exercitando atitudes de não discriminação.
Aumentar a autoestima, fortalecer a confiança na sua capacidade de aprendizagem, valorizando a
educação como meio de desenvolvimento pessoal e social.
Reconhecer e valorizar os conhecimentos científicos e históricos, assim como a produção literária e
artística como patrimônios culturais da humanidade.
Exercitar sua autonomia pessoal com responsabilidade, aperfeiçoando a convivência em diferentes
espaços sociais.
O trabalho da EJA em Santa Luzia tem como objetivo incorporar a educação de jovens e adultos nas

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escolas municipais. Hoje a educação de jovens e adultos do ensino regular funciona em algumas escolas
em pontos estratégicos do município.
As escolas que hoje ministram a EJA são Escola Municipal “Santa Luzia”, Escola Municipal “Síria Thebit”,
Escola Municipal “Jaime Avelar” e Escola Municipal e as turmas estão divididas em etapas: 1ª e 2ª etapa
correspondente a 1ª e 2ª série do ensino regular, 3ª e 4ª etapa correspondente a 3ª e 4ª série do ensino
regular.
Podemos dizer que, com relação à seleção dos conteúdos, cabe ressaltar a necessidade de uma lógica
que os compreenda não como uma finalidade em si, mas como meio para uma interação plena e
satisfatória do aluno, com o mundo físico e social à sua volta. Nesse sentido, a definição prévia e coletiva
de princípios norteadores do trabalho de seleção e organização dos conteúdos, torna-se um instrumento
valioso para o trabalho da EJA, na medida em que incorporam essas prioridades.

4.2 – A escola pesquisada

A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Santa Luzia, é uma escola que está integrada à rede pública
de ensino desta cidade. A história desta escola começou há 80 anos, quando ela iniciou as suas
atividades escolares num pequeno prédio localizado no Bairro Ponte.
Atualmente, ela encontra-se situada no Bairro Nossa Senhora das Graças e atende não só os moradores
do bairro em que está localizada, mas também os bairros adjacentes. O público que ela atende, são
alunos na sua grande maioria de classe média alta e poucos de periferia.
A escola possui 15 salas de aula, uma biblioteca, uma sala de supervisão, uma sala de direção, uma
secretaria ampla, uma cantina com refeitório, uma sala de professores com banheiro, banheiros masculino
e feminino para alunos, banheiro para os Auxiliares de Serviços, almoxarifado, uma sala recurso e um
espaço significativo para recreação. Todas as salas de aula possuem quadro branco para pincel,
flanelógrafo, televisão e vídeo/DVD, ventilador, armários individuais para o professor e bancada para o
cantinho de leitura. A escola possui máquina fotográfica digital, máquina filmadora de CD e um Data Show
. Possui uma biblioteca contendo acervo de livros didáticos, literários, enciclopédias, dicionários,
gramáticas, atlas, revistas em quadrinhos e de apoio ao professor. A biblioteca armazena também CDs,
fitas de vídeo, jogos, mapas, cartazes e esculturas do corpo humano, recipientes com animais para análise
, onde os alunos uma vez na semana, possuem uma aula com atividades diversificadas.
No que se refere ao uso da tecnologia da informática, a instituição possui 6 computadores, sendo que dois
ficam na secretaria com acesso a internet para funcionários da escola. Os demais ficam na sala da
supervisão para uso da supervisora e outro na sala de professores.
A Escola oferece no período diurno o Ensino Fundamental organizados em dois ciclos sendo o I Ciclo
(Ciclo Inicial de Alfabetização) com turmas da 1º, 2º e 3º Ano; o II Ciclo (Ciclo Complementar de
Alfabetização) com turmas de 4º e 5º Ano e no período noturno oferece a Educação de Jovens e Adultos (
Ensino Fundamental em 3 anos 1ª e 2ª etapas anual e 3ª e 4ª etapas semestral) e também recebe
merenda pronta do Centro de Processamento de Merenda Escolar, da Prefeitura de Santa Luzia, para
todos os alunos.
Esta instituição também busca manter uma boa política de relacionamento com os familiares dos alunos e
com a comunidade em geral. Sempre que ocorre problema de disciplina, a escola entra em contato com os
pais e/ou responsáveis, onde são chamados na escola para conversar com a supervisora, professora e às
vezes até a própria diretora.
Uma destas parcerias pode ser vista nos projetos desenvolvidos pela escola, dentre eles, a parceria ativa

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com a “Empresa Açoforja”. Esta parceria disponibiliza recursos financeiros e humanos, para que os
projetos se realizem.
A Escola Municipal tem como objetivos gerais promover os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos e sociais, numa busca gradativa de autonomia e construção de identidade, desenvolver uma
imagem positiva de si, atuando de forma cada vez mais independente, com confiança em suas
capacidades e percepção de suas limitações, estabelecer vínculos afetivos e de troca com jovens e
adultos, fortalecendo sua autoestima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e
interação social.
Observei também de uma forma geral o funcionamento da escola e da área pedagógica. O coordenador
pedagógico que oferece atendimento a esta modalidade de ensino observada é o mesmo que realiza
atendimento no período diurno. Porém, na EJA é oferecido atendimento pedagógico uma vez por semana.
Seu papel é de articular o trabalho pedagógico da escola, coordenando e integrando o trabalho dos
docentes e dos alunos em torno de um eixo comum: processo ensino-aprendizagem, pelo qual perpassam
as questões do professor e do aluno.Como também, identificar com os professores as dificuldades de
aprendizagem dos alunos, orientando-os sobre estratégias mediante a estas dificuldades que possam ser
trabalhadas em nível pedagógico.
O Projeto Pedagógico da escola está sendo construído em conjunto com a escola e uma equipe de
consultoria. A proposta tem como objetivo garantir o domínio dos instrumentos essenciais à aprendizagem
para toda a vida – a leitura, a escrita, a expressão oral, o cálculo, a capacidade de solucionar problemas e
elaborar projetos de intervenção na realidade. E também favorecer o domínio dos conteúdos básicos de
aprendizagem – conhecimentos conceituais essenciais dos vários campos do saber, capacidades
cognitivas e sociais amplas e procedimentos gerais e específicos dos diversos campos do conhecimento,
bem como os valores e atitudes fundamentais à vida pessoal e à convivência social.
Na escola, a avaliação do aproveitamento do aluno será diagnóstica, processual e contínua e de forma
dinâmica e participativa, mediante verificação de competência e de aprendizagem de conhecimentos, em
atividades de classe e extraclasse, incluídos os procedimentos próprios de recuperação paralela. Esta
unidade de ensino adota conceito descritivo (PM – Progrediu muito, P – Progrediu, PP – Progrediu pouco,
NA – Não atingiu os objetivos propostos e NPA – Não foi possível), o qual adota alguns parâmetros.
A escola também possui seu Regimento escolar atendendo as exigências para o funcionamento da EJA.
Para esta modalidade de ensino, não há livro didático adotado. Apresenta um acervo menor de materiais
didáticos disponíveis para as professoras.
Tanto a escola, como o seu corpo docente, quando percebem alguma necessidade de um determinado
aluno, fazem uma investigação para que possa detectar o que de fato está acontecendo com este aluno
(questões familiares, aprendizagem, relacionamentos...). Detectado o problema, a escola intervém para
encontrar soluções, no sentido de ajudá-lo.
Previamente, o aluno responde a um conjunto de questões organizadas pelo grupo docente e equipe
pedagógica, com o intuito de apontar, quais os desejos, anseios e preocupações que estes jovens e
adultos têm ao retornar aos bancos escolares, bem como para verificar os conhecimentos adquiridos
objetivando o perfil da turma que possibilitará a organização de um planejamento coerente a este aluno
que é um adolescente ou um adulto comprometido pela repetência e/ou evasão.
Esta estratégia faz parte do Plano de Intervenção Pedagógica (2008) construído na escola com objetivo de
melhorar a EJA. Proporcionando ações para que as professoras pudessem rever suas práticas educativas
e também resgatar estes jovens e adultos para uma aprendizagem significativa sem a concepção de
infantilizar.

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Como ressalta Irene Fuck:

(...) não é possível mudar o rumo da educação sem envolver com ela; não basta saber pensar, é preciso
recriar, repensar, reaprender, reelaborar o pensar, porém aprender a partir dos e na prática, implica estar
continuamente refletindo e refazendo a ação, os pressupostos e mesmo o próprio processo de
conhecimento. (1999, p. 41)

4.3 – A turma da EJA e as questões de ensino aprendizagem

As turmas da EJA possuem apenas uma professora regente, mesmo tendo as diferentes etapas numa
mesma sala. Os alunos se organizam em sala de aula de maneira integrada, não havendo divisão de
grupos por etapas. São turmas multisseriadas, com alunos jovens e idosos, além de receber alunos
Portadores de Necessidades Especiais.
O relacionamento aluno-professor não demonstra nenhum problema, pois há diálogo com a turma e
sempre que possível há atendimento individualizado. As atividades não proporcionam o envolvimento de
toda a turma, pois são diferenciadas.
As turmas são bastante diversificadas no seu âmbito cultural, moral e religioso. São alunos que na maioria
das vezes sabem lidar com situações conflituosas, um ajudando o outro.
Quanto ao relacionamento aluno-aluno há poucas divergências. Alguns alunos são mais agitados, ou seja
, levantam das carteiras sucessivamente, pedindo permissão constantemente para saírem de sala de aula
, pois, não atentam para determinadas atividades que são propostas pela professora.
Observei que as aulas são iniciadas com a transcrição da rotina no quadro. E de acordo com a disciplina é
passada a matéria ou a atividade a ser realizada. Na maioria das vezes foi observado atividades
xerocadas ou escritas no quadro. As atividades são diversificadas para cada série e como também para os
alunos Portadores de Necessidades Especiais. Os alunos realizam as atividades sozinhas e na medida do
possível há atendimento individualizado para correção e/ou explicação. Quando não ocorrem no coletivo.
Desta forma, os alunos estão integrados a turma e aos colegas da outra sala, mas não inclusos em todas
as atividades diárias, mesmo sendo elas dirigidas ou livres. São integrados no sentido de que eles
encontram o apoio de seus companheiros buscando uma boa convivência. Já no sentido de inclusão, as
atividades são diferentes como também para as aulas expositivas.
Observei também que as atividades, na maioria das vezes não são realizadas, devido à falta de interesse
dos alunos pelas propostas, pois, em sua maioria não estão de acordo com o que eles observam
diariamente. Essas atividades são baseadas no Ensino Fundamental, mas não na modalidade EJA, e sim
no Ensino Regular. No decorrer da observação percebi que não há uma contextualização propriamente
dita com as vivências dos alunos. Alguns alunos faltam muito às aulas, não levando o estudo a sério e
também muito atividades enviadas para casa não são feitas, prejudicando assim a aprendizagem.
Tornando a aula seguinte cansativa pelo fato de revisar a matéria anterior.
Mesmo a escola disponibilizando vários materiais e recursos didáticos, não percebi o seu uso nas práticas
diária do professor. Como também não notei a utilização da biblioteca por estes alunos ou mesmo em
atividades escolares.
Segundo André (2005) existe um momento na pesquisa que deixamos de ser apenas observadoras e
procuramos entender uma realidade estudada por meio de observação, identificar um problema de

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pesquisa, planejar uma intervenção e depois avaliar todo o processo. É a pesquisa ação que entra em
foco. Desta forma, tanto nas observações, quanto nas conversas que tive com estes alunos, notei que eles
apenas aprenderam a codificar e decodificar, não chegaram a conhecer o verdadeiro significado do
mundo letrado uma vez que os assuntos ensinados não têm significado para eles. Mesmo tendo à
proposta pedagógica da escola a discussão de um currículo que atenda a esta necessidade.
Assim, buscamos saber dos alunos os motivos pelos quais voltaram para a escola e a partir destas
questões buscar os conteúdos que para eles teriam um significado em sua aprendizagem. E então
percebemos o quanto as questões sociais estavam impregnadas em seus relatos. Os alunos procuram a
modalidade de ensino da EJA para suprir os desafios encontrados em sua vida cotidiana, como se pode
perceber nos relatos que serão apresentados a seguir.
Os motivos que levaram um dos alunos da 3° e 4° Etapa estão ligadas ao conhecimento para o mundo do
trabalho. Em sua fala percebi as estratégias que ele utilizava, quando não sabia ler para evitar
constrangimentos: “Há eu viajava bastante de ônibus. Nas paradas tinha que identificar o meu ônibus.
Como não sabia ler, sempre andava com chicletes no bolso. Mascava e colocava em alguma parte do lado
de fora do ônibus. Assim eu conseguia voltar para o mesmo ônibus. Foi aí que tive que aprender a lê e
escrevi. ”
Já no relato da aluna da 3ª e 4ª Etapa foi o fator econômico, mexer diretamente com dinheiro, suas
economia e pagamento, que lhe fez procurar a EJA: “Eu tive que aprender a ler e escrever, pois estava
cansada de ser passada para trás no banco. Quando eu ia tirar o meu dinheiro da caderneta de poupança
, o moço dizia que não tinha aquele valor que eu sabia e assim foi por um bom tempo. Eu percebi que
estava acontecendo alguma coisa. Aí resolvi estudar para que eu pudesse questionar com o rapaz do
banco. De lá pra cá graças a Deus eu posso olhar minha conta sem nenhum problema. ”
No relato de outro aluno da 3ª e 4ª Etapa percebemos que mesmo usando estratégias que possam vir a
enganar o sistema de forma geral, os anseios pelos conhecimentos marcaram a sua procura a esta
modalidade. Não basta apenas saber o que é preciso saber fazer uso social da escrita e da leitura: “Eu
não sabia nem ler nem escrever e não podia fazer o curso para tirar a carteira. Vendo que estava
precisando, tive que comprar a carteira de motorista. Aí vejo a necessidade de todos procurarem uma
escola para estudar. Depois que vim do Nordeste estudei e tirei a minha verdadeira carteira. ”
A partir destes relatos, desenvolvi uma atividade interativa entre as turmas das séries iniciais da EJA. A
ideia em passar o filme “Escritores da Liberdade” teve o intuito de mostrar a realidade de uma classe a
qual se identificava com a turma da EJA. Nesse filme existem várias cenas de violências, preconceitos
raciais, discriminação com a própria professora e entre eles, a questão da indisciplina é bastante marcante
.
Após, ter vivenciado várias questões sociais nestas turmas percebi que este filme trazia em seu roteiro
assuntos a serem discutidos, trazendo para eles reflexões sobre a própria trajetória de vida escolar. Nós
idealizamos e concretizamos esta proposta de atividade. A exibição do filme foi realizada na sala de aula,
com a presença e participação ativa de todos e teve como objetivo o reconhecimento e interação do grupo
, desenvolvendo um pensamento crítico fazendo-os reconhecer, sentir e pensar sobre a realidade criada
por eles próprios. Na ficção, a professora da turma tem o objetivo de educar e civilizar a turma que para
muitos seriam considerados alunos sem futuros.
Durante a exibição do filme, um dos alunos da 2ª Etapa diz: “Há, não preciso ver esta parte do filme, pois
isto já acontece na minha família”. A cena que chamou a atenção deste aluno foi a de um assassinato
envolvendo amigos.
Com isso pude ver a necessidade de uma ação pedagógica inovadora, que desperte motivação nos

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alunos para que possam expressar seus sentimentos, ler, pensar, escrever, criar, modificar e que possam
ter como base principal os quatros pilares da educação que segundo a UNESCO (1999) aprender a
aprender, aprender a fazer, aprender a conhecer e aprender a ser.
A partir das observações, percebi que houve interesse na aula diferenciada (exibição do filme) que o
mesmo não existe nas aulas atuais, pois, a professora usa o método tradicional e a maioria de suas aulas
sempre é realizada com atividades em folha xerocadas e no quadro negro. Como consequência das tão
tradicionais aulas um aluno relatou: “Hoje não vai ter aula? Não vou usar o caderno? Não tem nada escrito
no quadro. ”
Através de depoimentos, citados anteriormente, foi observado o objetivo de muitos estarem ali em busca
de uma formação que permita sua atuação no mundo globalizado. Foram vários relatos os quais a
necessidade da leitura e escrita se empunham na vida diária destes sujeitos. E desta forma cabe a escola
identificar os anseios deste aluno por meio de um currículo que possa trazer conhecimento, informação,
habilidades e valores para estes jovens e adultos. O currículo refletido nos conteúdos e nas atividades
pedagógicas precisam incitar nos alunos o desejo pelo aprender e de acreditar que o conteúdo aprendido
terá significado na sua prática cotidiana.
A Educação de Jovens e Adultos é uma oportunidade para que o sujeito que não teve acesso à escola em
idade regular por terem enfrentado muitos desafios ao longo de suas vidas, possam se adaptar ao mundo
com intuito de ter uma formação continuada e novas perspectivas de vida. Todavia, não basta definir um
currículo burocrático que vise as questões políticas da educação, mas sim aquele que parte de um
contexto real das vivências dos sujeitos desta modalidade de ensino.
O currículo vivenciado nestas turmas não é democrático, pois não condiz com as verdadeiras
necessidades deste público. Assim, a prática educativa resulta de aulas teóricas com abordagem
contundistes levando a uma aprendizagem distante da tão almejada destes alunos.
Também observei que os alunos não apresentam voz ativa neste processo, o que circula entre os alunos
nos corredores, pátios, sala de aula, roda de amigos; abordagem de diversos assuntos significativos para
os mesmos, não é ouvido e nem percebido pela professora. Tendo uma contribuição de grande valia a
qual não é aproveitada nos planejamentos diários dos docentes.
Atualmente, ainda “os mestres” continuam se caracterizando como os detentores do saber, perdendo
assim grandes oportunidades de mudarem suas posturas de acordo com as exigências de propiciar uma
educação de qualidade e contextualizada.
Uma outra percepção constatada é que a professora enfoca a importância de ensinar à decodificação e
codificação, ou seja, leitura e escrita. Esquece que os alunos têm outras habilidades e competências a
serem desenvolvidas que é tão rica nas diversidades de seus alunos. Ela poderia focar em atividades mais
livres voltadas para o artístico para prender a atenção da turma, acaba esquecendo de trabalhar outros
conceitos prazerosos e essenciais para o desenvolvimento do aluno.
A prática educativa não apresentou trabalhos abordando outras questões como valores, preconceitos,
diferenças, no decorrer das aulas. A professora estava centrada em passar atividades elaboradas de seu
plano de aula e esses assuntos tão constantes nas vidas pessoais dos alunos não eram trazidas para a
sala de aula. Com isso, esses podem ser um dos motivos de tantas desavenças em sala de aula como
brigas, xingos (palavras de baixo escalão) gerando até mesmo distanciamento entre alunos da sala.
Enfim, há um grande distanciamento entre a prática educativa vivenciada e aquela que se propõem nas
teorias, relatos de experiências coerentes com resultados satisfatórios. Como também, em relação a
proposta curricular desta modalidade.

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5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando a importância do trabalho de conclusão de curso para o desenvolvimento do trabalho


pedagógico, percebemos que a Educação de Jovens e Adultos é um processo de construção que precisa
estender-se para vencer resistências e preconceitos.
Tive como objetivo descobrir e pesquisar os conteúdos e atividades trabalhadas em sala de aula se
realmente são significativas e contextualizadas com as necessidades e identidade destes sujeitos, através
da observação participante.
A experiência observada no estudo de caso mostrou-me uma realidade totalmente antagônica, os
trabalhos e atividades que são propostos pela professora não condiz com o significado necessário para o
conhecimento dos alunos, pois são atividades voltadas para alunos das séries iniciais do ensino regular e
não para o público alvo da EJA. Eles requerem atividades com significados que proporcionem mudanças
em seu cotidiano.
Saliento, portanto, que o ensino não tem sido significativo para os educandos e os conteúdos não estão
sendo relacionados à suas vidas cotidianas, pois, o que já sabe, sobretudo está em decorrência de suas
particularidades, experiências ao longo de suas vidas ou informações vinculadas pela TV, rádio entre
outros meios de comunicação.
Visto assim, o currículo não condiz segundo a teoria de BORGES & DI PIERRO (2002) que relata sobre a
Política Pública da EJA para as escolas da rede pública que aponta alguns compromissos para a
construção de um currículo que atenda às necessidades e expectativas dos jovens e adultos:
1- Compromisso com a vida, com a realidade e com os interesses dos/as educandos/as;
2- Compromisso com a justiça social e com o respeito às diferenças;
3- Compromisso com a transformação da realidade;
4- Compromisso com um currículo crítico, democrático e transformador, que parte da realidade dos/as
educandos/as;
5- Compromisso com a construção da identidade da EJA.
De acordo com a experiência observada não constatamos um currículo crítico, democrático e
transformador, que abrangesse a realidade dos alunos para a construção de suas próprias identidades.
É preciso mudar a concepção de educação como oferta de um serviço para exigi-la como um direito a todo
ser humano, respeitando o desenvolvimento sócio cognitivo de cada indivíduo, possibilitando-lhe não só o
acesso a ela, mas também sua permanência com sucesso.
Em geral a escola não atende a diversidade da comunidade escolar, não possui uma organização para
que dê uma melhor condição de trabalho para os funcionários, pois os materiais oferecidos para turma da
EJA não condizem com sua identidade, cultura, ética e meio social.
Os professores devem mostrar novas práticas educativas que agregam a língua escrita e que tem como
pontos de partida questões sociais, culturais e econômicas, considerando a identidade, a profissão, o lazer
e a saúde presentes na vida do aluno.
Apesar das diferentes dificuldades dos alunos em aprender e de possuírem outro tipo de educação, não só
apenas de sua vida cotidiana, grande parcela deles apresentam dificuldades de aprendizagem,
principalmente, referente à leitura e a escrita.
Os alunos da EJA são indivíduos com certas especificidades sócio-culturais que expressam suas origens

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“grupos populares”, sujeitos que já estão inseridos no mundo do trabalho.


Muitos alunos dessa turma retornaram a escola pela dificuldade em manter-se no mercado de trabalho
competitivo e por necessidades pessoais.
Não posso deixar de defrontar com problemas vivenciados típicos de turmas regulares como autoestima,
pouca participação, atrasos, indisciplina, evasão escolar, como também o local onde é oferecido a EJA
não atende a todos os bairros, tendo os alunos que se deslocarem a uma distância muito grande de suas
residências.
Posso perceber com mais clareza as diversas dificuldades encontradas tanto por professor quanto pelo
aluno no percurso da modalidade. Com isso, os alunos negligenciam as aulas fazendo com que o
educador tenha dificuldades de exercer um ensino de qualidade.
É preciso adotar uma proposta adequada para EJA, a fim de melhor capacitar o aluno para as exigências
do mundo que os rodeia e dar suporte necessário para que ele se aproprie dos conhecimentos básicos à
sua formação como cidadão transformador da realidade.
A pesquisa me oportunizou muitas descobertas acerca da realidade dos educandos da EJA. Foi
constatado que os sujeitos vêm para a sala de aula com sentimentos de medo, ansiedade, inferioridade,
envergonhados, esses conjuntos de sentimentos fazem com que eles se sintam constrangidos por não
terem conseguido se alfabetizar no período regular prejudicando sua aprendizagem.
Ao se propor uma prática educativa que promova efetivamente a socialização do saber há de considerar
uma reformulação do currículo a ser trabalhado em função de uma nova metodologia que assegure os
resultados que a EJA deseja alcançar.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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