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DIREITO

DISCIPLINA​: Língua Portuguesa


GRADUANDO (A):​ Elizia Mayara Oliveira Da Silva ​TURMA:​ DI01B

A linguagem no exercício do Direito 


Português jurídico: da adequação à formalidade 

Tratando-se de linguagem e vocabulário, com os avanços dos sistemas de


informatização, a rapidez da transmissão de mensagens, a globalização das
redes interpessoais e a relativização de distâncias regionais, cada vez fala-se
menos em ​linguagem correta/incorreta​, valendo-se mais de
sua ​adequação​. A linguagem adequada é aquela em que o transmissor
propaga a informação “objeto”, enquanto o receptor a capta, atingindo assim
o escopo da comunicação.
Não caberia a um artigo com a finalidade deste em questão valer-se de poesia
para a transmissão de informações. Assim como não caberia a utilização de
termos complexos e de difícil acesso, considerando sua finalidade de
discussão com pessoas de diferentes capacitações. É por este motivo, a
existência de situações específicas para cada linguagem, que ​o mundo
jurídico se mantém formalmente conservador​; esta característica se
faz necessária para o seu fim.
Miguel Reale, em “Lições Preliminares de Direito”, aponta a existência de
uma linguagem específica para cada ciência. Assim como a Física têm sua
própria característica de expressão, da mesma forma é com o Direito. E isto é
extremamente necessário para, além de haver uma comunicação interna
entre os praticantes desta ciência, dilacerar os possíveis conflitos que
inexistiriam em qualquer outro enquadramento senão o jurídico. “É
necessário, pois, que dediquem a maior atenção à terminologia jurídica, sem
a qual não poderão penetrar no mundo do Direito”, aponta.

Dos conflitos existentes entre palavras surge a necessidade de utilização de


vocábulos pouco utilizados no cotidiano interpessoal. Configura-se uma
máxima do direito a inexistência de palavras inúteis. Esta máxima faz alusão
ao ato do legislador de pensar, refletir e escolher cada palavra incluída na
norma positivada sem qualquer imprecisão ou arbitrariedade. Assim sendo,
por equiparação, valerá a inexistência de palavras ou expressões sinônimas
para todas as peças processuais, pareceres, manifestações jurisdicionais e
demais atos existentes no Direito. Na verificação de duas
palavras/expressões com significados semelhantes, a carga persuasiva
implícita ou até a intensidade nelas incluídas será diferencial.

Estas carga implícita e intensidade vocabular supracitadas existem


pela ​função conativa da linguagem​ jurídica, predominante nas diversas
manifestações vocabulares desta ciência estudada. Na linguagem cotidiana é
sanada a comunicação quando há o entendimento simples da informação
pelo receptor. Já no âmbito jurídico, mais do que o entendimento, se busca a
persuasão, por isso o nome “conativo”, do verbo em latim “conari”, cujo
significado é suscitar; promover.
Os Autores Regina Toledo Damião e Antonio Henriques, na oitava edição do
livro ​Curso de Português Jurídico ​expressam o entendimento de que “No
Direito, é ainda mais importante o sentido das palavras porque qualquer
sistema jurídico, para atingir plenamente seus fins, deve cuidar do valor
nocional do vocábulo técnico e estabelecer relações semântico-sintáticas
harmônicas e seguras na organização do pensamento”.
Tratou-se até o presente momento da exteriorização da informação que o
jurista transmite, mas não se poderá olvidar da tecnicidade que ambos os
participantes da comunicação jurídica devem gozar.

É por este motivo que nos livros consagrados de Introdução ao Estudo de


Direito tanto se discuta o vocabulário empregado neste ramo: é intrínseco ao
transmissor e ao receptor ser técnico em linguagem jurídica.

Norberto Bobbio, em “​Teoria della Scienza Giuridica​” sugere que “O jurista


não observa fatos, mas estuda o significado de determinadas palavras por
meio das quais deve reconstruir os fatos”. A citação do respeitável jurista
italiano corrobora com a importância da linguagem no ambiente jurídico,
tanto para o receptor quanto para o transmissor.
Via de regra, o direito será exercido mediante processos, pareceres, livros e
discussões, que embora tenham uma linha tênue com a realidade nunca
terão a mesma validade. Bobbio apontou a necessidade de teorização do
mundo real, das ​manifestações fáticas, para a visão da realidade​.
Como já apontado anteriormente, as palavras e expressões não são inúteis.
Servirão tanto como meio de persuasão, como, agora em relação ao receptor,
forma pela qual será interpretada a realidade. Da mesma forma que não
haverá comunicação sem juízo de valor do transmissor, caberá ao receptor o
sopesamento das alegações feitas para que seja encontrada a justiça real
(este é um dos motivos pelos quais é garantido, constitucionalmente, o
princípio do contraditório e ampla defesa)

Da mesma forma que um bom jurista, seja ele de carreira pública, advogado
ou estudioso em direito, valerá de seu conhecimento técnico em linguagem
para atingir seus fins de convencimento do receptor, ele está extremamente
aprisionado à formalidade existente.

Em uma comparação simples e infantil, não será bem visto um senhor de


sunga em um baile de casamento formal, ou um jovem de terno na praia. A
impressão que se irradia nestes exemplos é a da inadequação. Por
conseguinte, a formalidade na linguagem jurídica é o molde pelo qual ela
deve se manifestar nas diversas ocasiões, considerando sempre a adequação.
Adequação esta que respeita a ciência do Direito, a forma conativa pela qual
se buscam os interesses implícitos e explícitos, e a efetividade da teorização
das manifestações fáticas.

Por: Leonardo Castro, bacharelando em Direito na Faculdade de Direito da


U. P. Mackenzie;
Marcelo Castro Almeida Prado de Siqueira, bacharelando em Direito na U. P.
Mackenzie.

Referências:
REALE, Miguel. ​Lições preliminares de Direito​. 27º. Ed. São Paulo.
Saraiva, 2002.
DAMIÃO, Regina Toledo; HENRIQUES, Antonio. ​Curso de Português
Jurídico​). 8º. Ed. São Paulo. Editora Atlas, 2000.
NASCIMENTO, Edmundo Dantès. ​Linguagem Forense:​ A língua
portuguesa aplicada à Linguagem de Foro 4º. Ed. São Paulo. Saraiva, 1980.

Atividade
Com base na leitura do texto “A linguagem no exercício do Direito”, responda às
questões propostas.
1. Por que, do ponto de vista da linguagem, “o mundo jurídico se mantém formalmente
conservador”? R=Porque com a existência de situações específicas para cada
linguagem, o mundo jurídico sabe se sobressair. sabe articular, usa a rica linguagem ao
seu favor, o significado real delas.

2. Em que se configura “a inexistência de palavras inúteis”?

R= Dos conflitos existentes entre palavras, que é aí que vai surgir a necessidade de
utilização de vocábulos pouco utilizados no cotidiano interpessoal, que as pessoas irão
ter um vocabulário cheio de variedades, uma pessoa rica de conhecimento .

3. Comente a afirmação de Noberto Bobbio: “O jurista não observa fatos, mas estuda o
significado de determinadas palavras por meio das quais deve reconstruir os fatos”.

R=O jurista estuda o significado das palavras para que elas com elas se possa construir
argumentos concretos e de defender os mais fracos, para dar ênfase da linguagem para
o ambiente jurídico.

4. Qual o fim do conhecimento técnico em linguagem para o operador do Direito?

R=Para o mesmo atingir seus fins de convencimento do receptor, com a linguagem o


operador de direito irá saber quais técnicas, linguagens irá usar como estratégia para
convencer o receptor.

5. O que você entende por adequação da linguagem?

R= A adequação de linguagem se dá por meio de uma pessoa, que saiba se comunicar,


manifestar em diversas ocasiões, alguém que saiba usar a linguagem em várias formas,
em casos distintos, e de maneira correta para cada tipo de linguagem e pessoa.