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DIREITO CIVIL

Personalidade e capacidade

Direito Civil
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O tema “personalidade e capacidade” é um tema
* De OLHO recorrente no Exame de Ordem. As questões

na PROVA costumam abordar as capacidades de direito e de


gozo, as formas de incapacidade e a emancipação.

§ REVISA
Personalidade
Personalidade jurídica é a aptidão do sujeito para ser titular de direitos e deveres. A persona-
lidade jurídica da pessoa natural começa a partir do nascimento com vida (art. 2o, Código Civil).
Mesmo que o bebê venha a falecer minutos depois do seu nascimento, adquire personalidade
jurídica, recaindo sobre ele todos os efeitos jurídicos (por exemplo, terá direito à propriedade cujo
bens serão partilhados entre os seus herdeiros).

Capacidade de direito e capacidade


de fato ou exercício
Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. Essa capacidade denomina-se “ca-
pacidade de direito”. Essa espécie de capacidade é inerente ao ser humano que nasceu com vida,
ou seja, não faz distinção de pessoas, todas possuem, pouco importando a idade ou qualquer
outra característica.
Uma outra espécie de capacidade é a “capacidade de fato ou exercício”, que é atribuída à pes-
soa que pode agir sozinha na defesa dos seus direitos e na aquisição de obrigações.
Ambas as capacidades (direito + exercício) formam a capacidade civil plena.

Incapacidades
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Quando a pessoa está impedida legalmente de agir por si mesma na prática dos atos da vida
civil ela é chamada de “incapaz” e deve ser representada ou assistida por seus pais, tutores ou
curadores. Há duas formas de incapacidade:

• Incapacidade absoluta (art. 3o, Código Civil):


<right> Menores de 16 anos.

• Incapacidade relativa (art. 4o Código Civil):


<right> Maiores de 16 e menores de 18 anos.
<right> Ébrios habituais e os viciados em tóxico.
<right> Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade.
<right> Pródigos.
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Importante!
Os artigos 3o e 4o do Código Civil foram alterados recentemente pela Lei Lei relacionada

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13.146/2015, denominada “Estatuto da Pessoa com Deficiência”. A pessoa com defi-
ciência ( art. 2º do Estatuto ), com fulcro no princípio da dignidade da pessoa huma- Estatuto da Pessoa
na, deixou de ser considerada incapaz, tornando-se legalmente capaz de praticar os com Deficiência (Lei n.
atos da vida civil ( art. 84 do Estatuto ), até que se prove o contrário. 13.146/2015)
Art. 2o.
Maioridade civil Considera-se pessoa com deficiência
aquela que tem impedimento de lon-
A maioridade civil é alcançada aos 18 anos de idade. A partir de então a pessoa
go prazo de natureza física, mental,
torna-se plenamente capaz de exercer os atos da vida civil (exceto se portadora de
intelectual ou sensorial, o qual, em
uma das causas de incapacidade). interação com uma ou mais barreiras,
pode obstruir sua participação plena
Emancipação e efetiva na sociedade em igualdade
de condições com as demais pessoas.
Emancipação é a antecipação do término da incapacidade. E a emancipação pode
se dar das seguintes formas: Art. 84.
A pessoa com deficiência tem asse-
• Voluntária: pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, me-
gurado o direito ao exercício de sua
diante instrumento público, independentemente de homologação judicial.
capacidade legal em igualdade de
• Judicial: em caso de tutela, após sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor condições com as demais pessoas.
tiver dezesseis anos completos.

• Legal: pelo casamento, pelo exercício de emprego público efetivo, pela cola-
ção de grau em curso de ensino superior, se o menor tiver “economia própria”
(pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de
emprego), se o menor tiver com dezesseis anos completos).

Questão comentada
(OAB–FGV – XVI Exame de Ordem) Os tutores de José consideram que o rapaz,
aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários para praticar os atos
da vida civil. Por isso, decidem conferir-lhe sua emancipação. Consultam, para
tanto, um advogado, que os aconselha corretamente no seguinte sentido:
A) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do
tutor sobre as condições do tutelado.
B) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessá-
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ria a homologação judicial.


C) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo
necessário procedimento judicial.
D) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no
/Referências
registro de pessoas naturais.
bibliográficas
Gabarito: A A
 questão aborda a emancipação judicial, que é aquela con-
cedida pelo juiz nos casos de tutela. A lei não permite que o LÔBO, Paulo. Direito Civil: parte geral. 5. ed.
São Paulo: Saraiva, 2015.
tutor emancipe voluntariamente o tutelado, motivo pelo qual
STOLZE, Pablo. Estatuto da Pessoa com
as demais alternativas estão incorretas. Deficiência e sistema de incapacidade
civil. Jus Navigandi, Teresina, ano 20, n.
4411, 30 jul. 2015. Disponível em: <https://
jus.com.br/artigos/41381>. Acesso em: 5
ago. 2016.