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FILOSOFIA DO DIREITO

FI
Direito e ciência

FILOSOFIA
001-V1
Assunto recorrente no Exame
Questão comentada
* De OLHO de Ordem, no qual a banca
examina se o candidato
na PROVA conhece os aspectos que
distinguem o conhecimento
(OAB–FGV – XI Exame de Ordem) Boa parte da
doutrina jusfilosófica contemporânea associa a
ideia de Direito ao conceito de razão prática ou sa-
científico (episteme) do conhecimento prático bedoria prática.
(phronesis). O assunto foi objeto XI Exame de
Assinale a alternativa que apresenta o conceito cor-
Ordem (OAB–FGV).
reto de razão prática.

A) Uma forma de conhecimento científico (episteme)

§ REVISA
capaz de distinguir entre o verdadeiro e o falso.

B) Uma técnica (techne) capaz de produzir resultados


universalmente corretos e desejados.
RAZÃO PRÁTICA E RAZÃO TEÓRICA
C) A manifestação de uma opinião (doxa) qualificada
• Razão prática é o ramo da Filosofia que investiga as condi- ou ponto de vista específico de um agente diante
ções de possibilidade de a ação humana realizar a justiça. de um tema específico.
Avalia a ação humana dos pontos de vista ético/moral, polí-
tico e jurídico. Trata-se de Juízos de valor, âmbito do dever- D) A capacidade de bem deliberar (phronesis) a res-
-ser (o que deve ser). Dimensão social (político-jurídico) peito de bens ou questões humanas.

• Razão teórica é o ramo da Filosofia que investiga as condi-


Gabarito: D A) A distinção do verdadeiro e do
ções de possibilidade de o conhecimento humano alcançar
falso é competência da epistemologia, que dis-
a verdade. Aproxima-se do conhecimento científico. Trata-
cute as condições de a razão humana alcançar
-se de Juízos de fato, âmbito do ser (o que é). Dimensão na-
a verdade e, também, os critérios pelos quais
tural (determinismo causal).
a verdade se impõe sobre outras formas de co-

Texto relacionado nhecimento. B) A razão prática não é uma téc-


nica (techne), e sim uma ação (praxis). Em razão
da indeterminabilidade da ação humana, não
Aspecto crítico: o direito entre razão haveria uma técnica que permitisse ao homem
prática e razão teórica
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realizar fins universalmente dados. C) A opinião


“O direito produz, assim, um corte no seio da própria razão (doxa) não é uma questão que envolve a sabe-
prática. Desprende-se da ética/moral e da política para arro- doria prática. É, antes, uma forma mitigada e
gar-se no campo da epistemologia cientificista, de que ele é insuficiente de conhecimento que se aproxima
capaz de ser ciência, porém no termo mais reducionista pos- da razão teórica. D) A razão prática diz respeito
sível do positivismo. Enfim, o direito, ao mudar do plano da à capacidade de reflexão acerca da ação huma-
razão prática para o da razão teórica – esta muito mais pró- na e dos procedimentos de tomada de decisão,
xima a uma teoria cientificista do que propriamente à episte- visando à realização da justiça. A ação humana
mologia filosófica –, cria um reducionismo interno que o faz é avaliada sob a ótica individual, social e nor-
caminhar míope, de forma unilateral, às reflexões produzidas mativa, respectivamente, sob o enfoque da éti-
pela filosofia (fundamentos normativos) e pela sociologia
ca/moral, da política e do direito.
(compreensão da interação da normatividade social).”
(BANNWART JÚNIOR, Clodomiro José; CACHICHI, Rogério Cangussu
Dantas (Org.) Sociologia jurídica. Belo Horizonte: Arraes, 2015. p. 2-3.)