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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL

CONFLITO DE COMPETÊNCIA (1326) - 0600213-76.2020.6.17.0000 - Olinda - PERNAMBUCO


RELATOR: Desembargador JOSE ALBERTO DE BARROS FREITAS FILHO
SUSCITANTE: JUÍZO DA 10ª ZONA ELEITORAL - OLINDA
SUSCITADO: JUÍZO DA 117ª ZONA ELEITORAL - OLINDA

EMENTA:

CONFLITO DE COMPETÊNCIA.ELEIÇÕES 2020.MAIS DE UMA ZONA ELEITORAL NO


MUNICÍPIO.CONSULTA FORMULADA PELA PREFEITURA MUNICIPAL.ULTRAPASSAR LIMITE DE
GASTOS COM PROPAGANDA FIXADO NO ART. 73,VII, DA LEI DAS ELEIÇÕES(LEI 9.504/97).CONDUTA
VEDADA.PANDEMIA COVID-19. COMPETÊNCIA DO JUÍZO RESPONSÁVEL PELO CADASTRO DE
CANDIDATURA.

1. Existência de mais de uma Zona Eleitoral na circunscrição territorial do município. Designação de


competências, durante as eleições municipais, por meio da Portaria nº 1.084/2019, na qual coube à 10ª Zona
o registro de candidatos, pesquisas eleitorais, respectivas representações, totalização e diplomação dos
eleitos e à 117ª Zona as Ações de Investigação Judicial Eleitoral e Prestação de Contas.

2. O juízo competente para julgar os registros de candidatura, que também é designado para diplomar os
eleitos, é o competente para julgar representações, que visa à sua desconstituição.

3. Conflito de competência conhecido para firmar a competência do juízo da 10ª Zona Eleitoral para
prosseguir no feito.

ACORDAM os membros do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco, por unanimidade, CONHECER do


presente conflito de competência, para DECLARAR COMPETENTE o juízo da 10ª Zona Eleitoral de Olinda,
ora suscitante, a quem os autos principais devem ser encaminhados, e por consequência, REVOGAR a
designação anteriormente exarada por esta relatoria, em caráter provisório, ao Juízo da 117ª Zona Eleitoral,
para resolver as medidas urgentes a serem eventualmente pleiteadas pela parte autora.

Recife, 19/06/2020

Relator JOSE ALBERTO DE BARROS FREITAS FILHO

Assinado eletronicamente por: JOSE ALBERTO DE BARROS FREITAS FILHO - 23/06/2020 16:17:49 Num. 5071011 - Pág. 1
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Número do documento: 20062215441026900000004809028
RELATÓRIO

Trata-se de conflito negativo de competência tendo


como suscitante o Juízo da 10ª Zona Eleitoral de Olinda e como
suscitado o Juízo da 117ª Zona Eleitoral do mesmo município,
oriundo do pedido de autorização formulado pela Prefeitura
Municipal de Olinda (ID 468221) para que os gastos totais com
publicidade no combate à pandemia do novo coronavírus
(covid-19), não necessitem obedecer ao limite de despesas
fixado no art. 73, VII, da Lei das Eleições (Lei 9.504, de30
de setembro de 1997).(Os presentes autos vieram para esta
relatoria por redistribuição, tendo em vista prevenção ao CC
nº 0600008-84.2020.6.17.0117).

Nos autos do processo supramencionado, esta relatoria


exarou despacho (ID 4760461) nos seguintes termos:

"(...) feita uma análise perfunctória dos autos e com


fulcro no art. 955 do CPC, aplicável subsidiariamente
à espécie, DESIGNO, em caráter provisório, o Juízo da
117ª Zona Eleitoral, para resolver as medidas urgentes
a serem eventualmente pleiteadas pela parte autora, a
quem deverá ser dado ciência da presente designação.
Outrossim, DETERMINO a oitiva dos Juízes em conflito,
no prazo comum de 05 (cinco) dias(...) ".

Em atenção à determinação supramencionada, através do


ofício nº 3209/2020/ZE010 (ID 4763011) o juízo da 10ª Zona
Eleitoral, manteve o posicionamento de julgar-se incompetente
para apreciar o pedido formulado pela Prefeitura de Olinda,
nos mesmos moldes da Decisão Interlocutória nos autos da
PET-ADM (12562)Nº 0600008-84.2020.6.17.0117.

A suscitante (10ª ZE), por seu turno, argumentou que


"as condutas vedadas são consideradas uma espécie do gênero de
abuso de autoridade, sendo assim, pode ser caracterizada de
forma simples (artigos 73 e 74 da Lei no 9.504/97) ou de forma
qualificada (abuso de poder político), podendo ensejar
inelegibilidade do candidato, quando tal conduta afetar a
normalidade da eleição”(ID 476236).

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Número do documento: 20061909290221000000004712478
Relatou ainda que a competência não seria privativa da
10ª Zona Eleitoral de Olinda, pois deveria ser apreciada pelo
juízo para onde foi inicialmente distribuída.

Aduz que as condutas vedadas também poderiam ensejar


cassação de registro do candidato ou de diploma do eleito
beneficiado, sendo ele, agente público ou não, sem prejuízo de
outras sanções, por meio de representação eleitoral ou de ação
de investigação judicial eleitoral, caso restasse configurado
abuso de poder político ou econômico no ato.

Já o juízo da 117ª Zona Eleitoral, em sua decisão de


remessa, argumentou, com base na Portaria nº 1.084, de 19 de
dezembro de 2019 do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco,
que, se a 10ª ZE de Olinda é competente para processar e
julgar representações por condutas vedadas, também lhe
competiria autorizar excesso de gasto com publicidade que
pudesse infringir o art. 73, VII, da Lei 9.504/1997.

Aduziu ainda, que tendo em vista ser dela a


atribuição quanto ao registro de candidaturas, também é de
processar e julgar representação por conduta
vedada aos agentes públicos, como a prevista no artigo 73,
inciso VII, da Lei no 9.504/97(ID. 4762361).

Instado a se pronunciar, o Procurador Regional


Eleitoral opinou pela competência do Juízo da 10ª Zona Eleitoral
de Olinda, tendo em vista que o entendimento preponderante desta
corte é no sentido que cabe ao juízo eleitoral competente para o
julgamento do registro de candidatos a apreciação das
representações que versarem sobre a cassação do registro ou do
diploma, conforme restou disciplinado na Resolução nº
23.462/2015, que vigorou para as eleições municipais de 2016,
muito embora tal norma não ter sido reproduzida na resolução que
disciplina as eleições municipais de 2020. Embora a falta de
norma expressa, acredita que por uma questão de coerência
sistêmica e segurança jurídica, forçoso reconhecer que o
fundamento jurídico permanece válido.

É o relatório.

Recife, 19 de junho de 2020.

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JOSÉ ALBERTO DE BARROS FREITAS FILHO
Relator

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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL

GABINETE DO DESEMBARGADOR JOSE ALBERTO DE BARROS FREITAS


FILHO

REFERÊNCIA-TRE : 0600213-76.2020.6.17.0000

PROCEDÊNCIA : Olinda - PERNAMBUCO

RELATOR : JOSE ALBERTO DE BARROS FREITAS FILHO

SUSCITANTE: JUÍZO DA 10ª ZONA ELEITORAL - OLINDA


SUSCITADO: JUÍZO DA 117ª ZONA ELEITORAL - OLINDA

VOTO

Conforme relatado, cuida-se de Conflito negativo de competência


instaurado em sede de pedido de autorização formulado pela
Prefeitura Municipal de Olinda para que os gastos totais com
publicidade no combate à pandemia do novo coronavírus
(covid-19), não necessitem obedecer ao limite de despesas
fixado no art. 73, VII, da Lei das Eleições (Lei 9.504, de 30
de setembro de 1997).

O juízo da 117ª Zona Eleitoral, a quem o processo foi


inicialmente distribuído, declinou a competência para 10ª Zona
Eleitoral, por entender que a competência é desta, pelo fato de
ser responsável pelo registro de candidaturas, processar e
julgar representação de conduta vedada por agentes públicos.

Determina o §2º do art. 96, da Lei nº 9.504/97, que o Tribunal


Regional respectivo designará, nos municípios os quais houver
mais de uma Zona Eleitoral, o juízo competente para apreciar as
reclamações ou representações nas eleições municipais.

Diante disso, e do disposto no Calendário Eleitoral, o


Presidente deste Regional editou a Portaria nº 1.084 de 19 de
dezembro de 2019, dispondo acerca dos juízos Eleitorais:

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"Art. 1º Ficam designados os juízos relacionados nos
anexos para exercerem as seguintes atribuições nos
municípios com mais de uma zona eleitoral, nas
eleições municipais de 2020:

I - Registro de Candidatos e de Pesquisas Eleitorais,


com as respectivas reclamações e representações,
Totalização dos Resultados e Diplomação dos Eleitos;

II - Propaganda Eleitoral, sua fiscalização e


respectivas reclamações e representações;

III - Exame das Prestações de Contas;

IV - Investigações Judiciais Eleitorais."

"(...)(O ANEXO II da Portaria n° 1.084, de 19/12/2019)

10ª Zona Eleitoral

- REGISTRO DE PESQUISAS/CANDIDATOS/
TOTALIZAÇÃO/DIPLOMAÇÃO.

100ª Zona Eleitoral

- PROPAGANDA ELEITORAL.

117ª Zona Eleitoral

-INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL/PRESTAÇÃO DE CONTAS."

No caso do Município de Olinda, segundo o anexo II da referida


Portaria, coube à 10ª Zona o registro de candidatos, pesquisas
eleitorais, respectivas representações, totalização e
diplomação dos eleitos, já para a 117ª Zona, Ações de
Investigação Judicial Eleitoral e Prestação de Contas.

No passado recente, a Resolução TSE n.° 23.462/15, que tratou


sobre representações, reclamações e pedidos de direito de
resposta para as eleições de 2016, determinou em seu §2° do
artigo 2º que as representações que versassem sobre cassação do
registro ou do diploma deveriam ser apreciadas pelo Juízo
competente para processar e julgar o registro de candidatos.

Já a Resolução 23.608, de 18 de dezembro de 2019, do TSE, que


disciplina as representações, reclamações e pedidos de direito

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Número do documento: 20061715542029600000004736378
de resposta previstos na Lei 9.504/1997 para as eleições de
2020, não reproduziu artigo semelhante, deixando a critério do
Regional a designação.

No caso, observa-se que a consulta formulada pela Prefeitura de


Olinda tem por objetivo afastar a caracterização de prática de
conduta vedada prevista no art. 73, VII, da Lei n° 9.504/1997,
por excesso de gastos de publicidade em "campanha eleitoral".
Ainda que tal proceder possa também se enquadrar, dependendo da
circunstâncias, em abuso de poder político a ensejar a futura
propositura de investigação judicial Eleitoral, o que se
percebe é que o pedido formulado visa apenas uma autorização
para exceder o limite de gastos com publicidade sem que esteja
sujeito à caracterização da conduta vedada já citada, a qual
inevitavelmente daria ensejo à representação por prática de
conduta vedada, já que por esta via pleiteia-se cassação do
registro de candidatura.

O juízo da 117ªZona Eleitoral afirmou que não seria competente


para apreciar o pedido porque a prática da conduta vedada
poderia ensejar tanto a representação (de sua competência)
quanto a investigação judicial eleitoral (de competência da 10ª
ZE), de modo que a ação deveria permanecer no juízo em que foi
inicialmente distribuído. Ocorre que a consequência pela
prática da conduta vedada será necessariamente a propositura da
REPRESENTAÇÃO eleitoral, visando a cassação do registro de
candidatura e, portanto, encontra-se na competência do juízo da
10ª Zona Eleitoral, a quem cabe o registro de candidaturas e
representações eleitorais. Tal competência não se afasta em
razão da mera possibilidade de o mesmo fato dar ensejo a
propositura de INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL, cuja
competência é da 117ª Zona Eleitoral, caso a conduta vedada
também se enquadre como abuso de poder político.

Ademais, a jurisprudência do TSE admite a possibilidade de


cumulação da Representação Eleitoral por conduta vedada com a
Investigação Judicial Eleitoral por abuso de poder político
decorrente do mesmo fato, pois nada impede que o fato descrito
como conduta vedada, nos termos do art. 73 da Lei nº 9.504/97,
seja também apurado em AIJE sob a perspectiva do abuso,
hipótese em que, se provada a gravidade das circunstâncias, é
de rigor a aplicação da sanção de inelegibilidade por oito
anos, nos termos do art. 22, XIV, da LC nº 64/90. Nos termos da
jurisprudência do TSE, "não ocorre bis in idem se um mesmo fato
é analisado e sancionado por fundamentos diferentes (RO nº
6432-57/SP, Rel. Min. Fátima Nancy Andrighi, DJe de 2.5.2012).

Por fim, deve-se observar que o §12, do art. 73 da Lei nº


9.504/1997 é claro ao determinar que a prática das condutas

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Número do documento: 20061715542029600000004736378
vedadas elencadas deverá ser apurada por meio de REPRESENTAÇÃO,
não obstante adote o rito das investigações judiciais
eleitorais, in verbis:

§12. A representação contra a não observância do


disposto neste artigo observará o rito do art. 22. da
Lei Complementar nº 64, de 18 de maio de 1990, e
poderá ser ajuizada até a data da diplomação.

Sendo assim, diante da Portaria TRE-PE nº 1.084/2019 e do


disposto no §12, da Lei nº 9.504/1997, a conclusão que se impõe
é a que o julgamento da possível representação eleitoral é de
competência do Juízo da 10ª Zona Eleitoral de Olinda,
responsável pelo registro de candidatura e representações.

Desta feita, em consonância com o parecer do nobre


representante da Procuradoria Regional Eleitoral, VOTO PELO
CONHECIMENTO do presente conflito de competência, para DECLARAR
COMPETENTE o juízo da 10ª Zona Eleitoral de Olinda, ora
suscitante, a quem os autos principais devem ser encaminhados,
e por consequência, revogo a designação anteriormente exarada
por esta relatoria, em caráter provisório, ao Juízo da 117ª
Zona Eleitoral, para resolver as medidas urgentes a serem
eventualmente pleiteadas pela parte autora.

É como voto, Senhor Presidente.

Recife, 19 de junho de 2019.

JOSÉ ALBERTO DE BARROS FREITAS FILHO


Relator

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