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TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO ESPÍRITO SANTO

ACÓRDÃO Nº 61 /2020

RECURSO ELEITORAL (11548) - 0600088-91.2020.6.08.0022 - Itapemirim - ESPÍRITO SANTO


ASSUNTO: [Propaganda Política - Propaganda Eleitoral - Extemporânea/Antecipada, COVID-19]
RECORRENTE: PARTIDO PROGRESSISTA ITAPEMIRIM
ADVOGADO: LARISSA FARIA MELEIP - OAB/ES0007467
RECORRIDO: THIAGO PECANHA LOPES
ADVOGADO: GABRIEL QUINTAO COIMBRA - OAB/ES0012857A
ADVOGADO: JULIA SOBREIRA DOS SANTOS - OAB/ES0028157A
FISCAL DA LEI: PROCURADORIA REGIONAL ELEITORAL

RELATOR: Dr. RODRIGO MARQUES DE ABREU JUDICE


EMENTA
RECURSO ELEITORAL. PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA.
TRANSMISSÕES EM LIVES E PUBLICAÇÕES EM REDES SOCIAIS. PROTAGONISMO DO PREFEITO.
SITUAÇÃO DE ANORMALIDADE. PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID–19). AUSÊNCIA DE
PEDIDO EXPLÍCITO DE VOTO, BEM COMO DE MENÇÃO À PRETENSÃO PRETENSA CANDIDATURA
E AO PLEITO MUNICIPAL VINDOURO. HIPÓTESE ABRIGADA PELO ART. 36–A, DA LEI N.º 9.504/1997.
CIRCUNSTÂNCIAS INSUFICIENTES PARA CONFIGURAR PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA.
MERA PROMOÇÃO PESSOAL. DIREITO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO. DESPROVIMENTO DO
RECURSO. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DE 1º GRAU.
Na espécie, além de não ter havido pedido explícito de votos, restou ausente a violação ao princípio da igualdade de
oportunidades entre os candidatos, uma vez que a realização de postagens em redes sociais, como a realização de
lives/transmissões no Facebook, é instrumento que, hodiernamente, encontra-se ao alcance dos eventuais
interessados em concorrer aos pleitos eleitorais.
A conduta do Recorrido configura divulgação pela mídia social das ações por ele perpetradas, como administrador
público da gestão municipal, conduta que se encontra albergada pelo art. 36-A, § 2º da Lei nº 9.504/97, o qual
permite o pedido de apoio político, a divulgação da pré-candidatura, das ações políticas desenvolvidas e das que se
pretende desenvolver.
A jurisprudência da Corte Superior é no sentido de que "a referência à candidatura e à promoção pessoal dos
pré-candidatos, desde que não haja pedido explícito de voto, não configuram propaganda extemporânea, nos termos
da nova redação dada ao art. 36-A pela Lei 13.165/15. Precedentes: AgR-REspe 12-06/PE, Rel. Min. Admar
Gonzaga, DJe 16.8.2017; REspe 1-94, rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJE de 3.11.2017; AgR–Respe
0604396–07, Min. Sergio Silveira Banhos, DJE de 10.12.2019; Agravo de Instrumento nº 060038926, Acórdão,
Relator(a) Min. Sergio Silveira Banhos, Publicação: DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 130, Data
01/07/2020.
Recurso não provido. Manutenção da sentença de improcedência que afastou a propaganda eleitoral antecipada.

Vistos etc.
Acordam os Membros do Egrégio Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo, de conformidade com a ata e notas taquigráficas
da sessão, que integram este julgado, à unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do eminente
Relator.

Sala das Sessões, 17/09/2020.

Assinado eletronicamente por: RODRIGO MARQUES DE ABREU JUDICE - 03/10/2020 18:24:38 Num. 3722445 - Pág. 1
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Número do documento: 20093012482125600000003393159
DR. RODRIGO MARQUES DE ABREU JUDICE, RELATOR
____________________________________________________________________________________________

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Número do documento: 20093012482125600000003393159
TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO ESPÍRITO SANTO

SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
03-09-2020

PROCESSO Nº 0600088-91.2020.6.08.0022 – RECURSO ELEITORAL


NOTAS TAQUIGRÁFICAS

RELATÓRIO

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU JÚDICE (RELATOR):-


Senhor Presidente: Trata-se de recurso eleitoral interposto pelo DIRETÓRIO MUNICIPAL DO
PARTIDO PROGRESSISTA – PP de Itapemirim/ES em face da r. sentença prolatada pelo Juízo da 22ª
Zona Eleitoral/ES, que julgou improcedente a representação por propaganda eleitoral extemporânea na
internet , na rede social Facebook, em face de Thiago Peçanha Lopes.
Na origem, o Partido Progressistas, ora recorrente, ajuizou representação eleitoral por propaganda
eleitoral extemporânea, em virtude da transmissão realizada por Thiago Peçanha Lopes ao vivo para a
população de Itapemirim, em sua rede social Facebook, dentro das dependências da Prefeitura Municipal
com vistas à divulgação de ação da Municipalidade consistente na distribuição de um kit de
medicamentos contra o Covid 19, batizado pelo recorrido de “Kit Covid”.
Interposto o presente recurso eleitoral de ID 3177195, o Partido recorrente sustentou, em síntese, a
ocorrência de propaganda eleitoral antecipada, alegando que o magistrado não observou elementos visuais
(imagem e slogan) adesivados no propalado “Kit Covid” que fazem alusão à pessoa e à gestão do
recorrido enquanto prefeito municipal.
O Recorrido ofereceu as contrarrazões (ID 3177445), aduzindo que os fatos apresentados não configuram
propaganda eleitoral antecipada, caracterizando-se como informação à população sobre iniciativa do
Governo Municipal de Itapemirim.
A d. Procuradoria Regional Eleitoral teve vista dos autos (ID 3281095), manifestando-se pelo não
provimento do recurso.
É o relatório.
Inclua-se em pauta para julgamento.

SUSTENTAÇÃO ORAL

A Srª ADVOGADA DO RECORRENTE LARISSA FARIA MELEIP:-


Sr. Presidente, egrégia Corte, douto Relator: O PP de Itapemirim ajuizou a presente representação
eleitoral em face do Sr. Thiago Peçanha Lopes, Prefeito interino da cidade, sob o argumento de que este
anunciou publicamente, através de live, a distribuição de medicamentos denominados “kit Covid”,

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acondicionando-os em sacolas personalizadas com a logomarca identificativa de sua gestão, fazendo um
ato típico de propaganda eleitoral e buscando auferir proveito eleitoral e ostensivamente exaltar sua
imagem como gestor em redes sociais.
O Recorrido também fez fotos dos medicamentos com as respectivas embalagens adesivadas com a
referida logomarca e hospedou-as em seu perfil em rede social.
Ao sentenciar, o douto Juiz Eleitoral da Comarca rechaçou a tese do ora Recorrente por entender que o
Recorrido, ao divulgar a referida mensagem ao público, estaria acobertado pelo permissivo do art. 36-A
da Lei das Eleições.
A insurgência do Recorrente, portanto, se deu com relação à divulgação de adesivação das embalagens
com logomarca da gestão, sob forma de propaganda, conforme demonstrado nas fotos acostadas com a
exordial, apontando ainda que o mesmo ato renderia ensejo a responsabilizações múltiplas, ou seja, não só
como propaganda antecipada, mas também abuso de poder e ato de improbidade.
Para registro de Vossas Excelências, o Recorrente não se desincumbiu de provar fartamente que a
distribuição de medicamentos se daria em sacolas adesivadas com logomarca e slogan próprio do
Recorrido, comprovando que tal ato de apresentar o chamado “Kit Covid” à população teve ampla
divulgação através da live, chegando a ser filmado no gabinete do Prefeito, dentro das dependências do
órgão público e, nitidamente, era um ato de propaganda.
Os adesivos apostos nas sacolas plásticas traziam com slogans e logomarca que remontam diretamente à
pessoa do Recorrido e que são largamente utilizados por ele e por seu grupo político em hashtags e em
postagens para identificar simultaneamente o grupo político e a gestão dele. Esses adesivos, por sua vez,
foram custeados pela Administração Pública. Isso significa que, em vez de primar pelo respeito à
impessoalidade e à moralidade, o Recorrido criou uma associação tão forte entre SUA PESSOA E A
ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL, que praticamente personalizou os atos da administrativos. Esses atos
administrativos, por sua vez, devem se revestir de caráter eminentemente pedagógico, educativo,
esclarecendo, informando, orientando a população, sempre com interesse social, sem associar a imagem
de qualquer indivíduo, quiçá de grupo político ou de um gestor, o que não se verificou.
Eminente Julgadores, de forma alguma se está questionando o plano de ação desenvolvido para o
enfrentamento da pandemia. Isso pode ser constatado pela leitura da peça inaugural. O que se busca
assegurar, em verdade, é que tal ação não seja desvirtuada e qualificada como marketing eleitoral,
exatamente como fez o Recorrido, usando adesivos pagos com recursos públicos, com sua logomarca e
seu slogan para auferir benefício eleitoral através do uso da máquina pública e fazendo acintosamente
propaganda.
Quando o Prefeito fez a live, é claro que não houve um pedido explícito de votos. De fato, seria
incompreensível, diante das novas regras de propaganda trazidas com a minirreforma eleitoral de 2015,
buscar essa configuração evidente. Contudo, muito embora não contenha pedido explícito, a divulgação
trouxe em seu bojo expresso apelo eleitoral, foi sim um marketing político ostensivo com vistas à
obtenção de votos, robusto o suficiente para configurar a propaganda eleitoral antecipada.
Entendemos e pontuamos no recurso que a divulgação de uma política pública como no presente caso é
uma forma de propaganda. Ao se divulgar uma ação contaminada pelo malferimento à impessoalidade e à
moralidade, já se tem por si só a propagação de uma atividade da Administração pública que está em
descompasso com o direito e com a legislação eleitoral. Não é porque não houve pedido explícito de
votos que a conduta deixa de ser uma propaganda irregular. O que temos na hipótese é uma questão de
propaganda visual: o eleitor vai visualizar o kit e imediatamente associar ao Recorrido.
Nós queremos fazer uma pequena analogia ao caso dos outdoors. Ainda que não haja pedido explícito, o
meio é vedado e, nesse sentido, o caso guarda uma semelhança, pois a divulgação pessoal em atos
públicos igualmente não é autorizada por violar princípios constitucionais (a moralidade e a
impessoalidade), razão pela qual entendemos que o caso não se enquadraria nas hipóteses permissivas
constantes do rol do art. 36-A, vez que se tratam de EXCEÇÕES, as quais devem ser interpretadas de
forma restritiva e não ampliativa.
Pois bem, eminentes julgadores, ainda na análise do caso concreto, verificamos que o Recorrido não é um
pré-candidato sem mandato, que está se lançando agora na vida pública. O Recorrido atua como gestor, e,
nessa qualidade, deve atuar como mandatário do povo, e não em nome próprio, buscando, através dos
feitos da administração, o seu interesse pessoal na reeleição, ferindo a impessoalidade e a moralidade na
medida em que divulga como seus os atos da Administração, violando a paridade de armas e a isonomia
que deve haver entre os participantes do processo eleitoral.
Não se pode deixar de mencionar também que, recentemente, há poucos meses, o Recorrido chegou a ser
condenado à pena de multa por este Egrégio Tribunal em razão de condutas praticadas para favorecer

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aliado político em 2018, além de recentemente ter sofrido uma condenação pelo Juízo Eleitoral de
Itapemirim também por propaganda antecipada, o que demonstra um comportamento predisposto ao
abuso e à desobediência às normas eleitorais.
Portanto, essa propaganda antecipada irregular com promoção pessoal do Prefeito ora Recorrido oferece
risco indiscutível à lisura e à higidez do pleito, comprometendo a paridade de armas e com capacidade de
influir ilicitamente na vontade do eleitor, razão pela qual rogamos pelo provimento da nossa pretensão
recursal.
Muito Obrigada.

VOTO

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU JÚDICE (RELATOR):-


Senhor Presidente: Conforme esta Corte tem entendido no julgamento dos casos de propaganda eleitoral
antecipada, o art. 36-A da Lei das Eleições traz uma série de permissivos aos candidatos, ao demonstrar
condutas que não são consideradas propaganda eleitoral, desde que não envolvam pedido explícito de
voto, a exemplo da menção à pretensa candidatura e das qualidades pessoais dos pré-candidatos.
Esse abrandamento das regras anteriores acerca do tema acontece a partir da vigência da Lei n°
13.165/2015, que estabeleceu nova redação ao art. 36-A, da Lei n° 9.504/97. Ou seja, considera-se como
propaganda antecipada, em período de pré-campanha, os conteúdos textuais ou de áudio que contenham
pedido explícito de voto. Quando se trata de afastar o exercício de propaganda eleitoral antecipada,
especialmente sob o prisma da ausência de pedido explícito de votos, constata-se que a veiculação da
mensagem discutida carece de elementos informadores exógenos, exteriores para que se possa aferir a sua
vinculação ao pleito ou ao exercício do sufrágio.
Na análise de casos de propaganda eleitoral antecipada que são submetidos a julgamento pelas Cortes
Eleitorais, é necessário perquirir, de início, se a mensagem veiculada tem conteúdo eleitoral, isto é, se está
relacionada à disputa travada no pleito.
Importa destacar que, nos autos do REspe nº 0600227-31/PE, de relatoria do Min. Edson Fachin, julgado
em 09.04.2019, o TSE ressaltou importante premissa quando da análise a ser realizada pela Justiça
Eleitoral nos casos de propaganda eleitoral antecipada, qual seja, a de que o conteúdo da mensagem
veiculada deve ser relacionado à disputa, requisito sem o qual esta seria um “indiferente eleitoral”
(AgR-AI nº 0600501-43/SP, Rel. Min. Sérgio Banhos, j. em 09.04.2019). Reconhecido o conteúdo
eleitoral, necessário partir para a análise dos três parâmetros alternativos: (i) a presença de pedido
explícito de voto; (ii) a utilização de formas proscritas (banidas, proibidas) durante o período oficial de
propaganda; ou (iii) a violação ao princípio da igualdade de oportunidades entre os candidatos
Nesse ponto, destaco que a Corte Superior não considera propaganda eleitoral “manifestações de cunho
político, como elogios, críticas, opiniões ou mera promoção pessoal” (AgR-AI nº 9-24/SP, voto do Min.
Luiz Fux).
Com relação às mensagens que mencionam a candidatura, o cargo eletivo, a disputa eleitoral, as
melhorias que se pretende realizar na circunscrição e/ou a qualificação para exercer o cargo essas têm
conteúdo eleitoral e devem, portanto, ser objeto de análise. É importante considerar, ainda, a condição do
autor da propaganda, se candidato, partido ou cidadão, garantido a esse último a livre manifestação do
pensamento e o direito à informação (AgR-AI nº 9-24 /SP, voto do Min. Admar Gonzaga).
Sobre o aspecto explícito do pedido, confira-se o seguinte excerto do Voto Vista proferido pelo eminente
Min. Luiz Fux, no AgR-Al 9-24/SP, Rel. Min. Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, publicado no DJe de
22.08.2018:

[...]
( ... ) julgo que por 'explícito' deve-se entender, apenas e tão somente, o pedido formulado 'de maneira
clara e não subentendida', e, como consequência, excluo do espectro de alcance do comando proibitivo
toda a sorte de mensagens indiretas ou equívocas, dessa forma admitindo como lícito o uso dos chamados

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símbolos eleitorais distintivos.

Em termos mais claros, considero válida a proscrição de 'expressões semanticamente similares ao pedido
explícito do voto', porquanto certamente compreendidas pelo espírito da norma; entretanto descarto o uso
de 'elementos extrínsecos ao conteúdo' como parâmetro apto à determinação da ilicitude da linguagem
verificada, tendo em vista que a noção de 'pedido explícito' opõe-se, conceitualmente, à lógica das
insinuações, tendo em vista que pressupõe a existência de um ato de comunicação frontal e retilíneo, o
que exclui o sugerido, o denotado, o pressuposto, o indireto, o latente, o sinuoso e o subentendido.

A propósito, com o fim de enriquecer o rol de exemplos trazidos pelo eminente Ministro Admar Gonzaga,
aponto que a diferenciação entre pedido explícito e implícito de votos já foi, mutatis mutandis,
incidentalmente enfrentada pela Suprema Corte norte-americana, entre outros, no paradigmático caso
Buckley vs. Valeo, no qual o tribunal termina por diferenciar a propaganda eleitoral (express advocacy)
das demais mensagens de propagação de ideias políticas (issue advocacy), a partir da clara identificação
da presença de candidatos e, principalmente, do uso de oito expressões veiculantes das denominadas
'palavras mágicas' (magic words), a saber: (1) vote em (vote for); (ii). eleja (elect); (iii) apoie (support);
(iv) marque sua cédula (cast your bailot for); (v) Fulano para o Congresso (Smith for Congress); (vi) vote
contra (vote against); (vii) derrote (defeat) e (viii) rejeite (reject).”

Ainda a respeito da questão do pedido explícito de votos, transcrevo julgado recente do TSE:

ELEIÇÕES 2018. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECEBIMENTO COMO AGRAVO


REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA
ELEITORAL ANTECIPADA. EVENTO. PARTIDO POLÍTICO. APRESENTAÇÃO.
PRÉ–CANDIDATOS. DISCURSO. PEDIDO EXPLÍCITO DE VOTOS. TRANSMISSÃO. REDES
SOCIAIS. MULTA. ART. 36, § 3º, DA LEI 9.504/97.SÍNTESE DO CASO1. Trata–se de embargos de
declaração opostos em face de decisão monocrática por meio da qual foi negado seguimento a agravo em
recurso especial, confirmando–se, assim, o acórdão regional que, com fundamento no art. 36, § 3º, da Lei
9.504/97, condenou o agravante ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00 por propaganda eleitoral
extemporânea, veiculada em discurso proferido durante evento partidário realizado em 12.5.2018 e
transmitido em tempo real pelas redes sociais do pré–candidato.ANÁLISE DOS EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO/AGRAVO REGIMENTAL2. [...]
5. Na linha da jurisprudência deste Tribunal Superior, "o pedido explícito de votos pode ser identificado
pelo uso de determinadas 'palavras mágicas', como, por exemplo, 'apoiem' e 'elejam', que nos levem a
concluir que o emissor está defendendo publicamente a sua vitória" (AgR–AI 29–31, rel. Min. Luís
Roberto Barroso, DJE de 3.12.2018). Ademais, esta Corte já teve a oportunidade de manter a multa
aplicada em face de propaganda eleitoral antecipada quando o pedido de votos foi veiculado em evento
partidário de livre acesso ao público em geral, tal qual ocorreu, no caso, em decorrência da transmissão ao
vivo na internet. Nesse sentido: AgR–REspe 70–65, rel. Min. João Otávio de Noronha, DJE de
15.4.2015.6. Na espécie, o Tribunal Regional Eleitoral concluiu pela configuração de propaganda eleitoral
antecipada por entender que o agravante, de maneira explícita e sem margem de dúvida, pediu votos para
si e para outros pré–candidatos ao pronunciar, em discurso proferido durante evento de apresentação de
pré–candidaturas do partido Solidariedade (SD), os seguintes dizeres, transcritos no aresto recorrido: "(...)
Espero que todos vocês transformem isso em voto, viu? Claro que não só pra Helena... Vocês lembrem do
cristão que tá aqui [apontando para si próprio], também do Aldo e de todo mundo (...)".7. O acórdão
regional está de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, o que atrai a incidência do verbete
sumular 30 do TSE, o qual "pode ser fundamento utilizado para afastar ambas as hipóteses de cabimento
do recurso especial – por afronta à lei e dissídio jurisprudencial" (AgR–AI 152–60, rel. Min. Luciana
Lóssio, DJE de 27.4.2017).CONCLUSÃO: Embargos de declaração recebidos como agravo regimental, a
que se nega provimento.
(Agravo de Instrumento nº 060003326, Acórdão, Relator(a) Min. Sergio Silveira Banhos, Publicação:
DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 28, Data 10/02/2020)

Nessa senda, importa enfatizar o que restou entendido após debates travados no julgamento do
AgR-REspe 85-18, de relatoria do Min. Admar Gonzaga, no qual o plenário reafirma posição que já vinha
consolidada de que “com o advento da Lei 13.165/2015 e a consequente alteração sucedida no âmbito do
art. 36-A da Lei das Eleições, bem como até mesmo já considerando a evolução jurisprudencial do tema,

Assinado eletronicamente por: CILENE REGINA RAMOS DE SANTIS - 07/10/2020 11:25:36 Num. 3721395 - Pág. 4
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a configuração da infração ao art. 36 da Lei 9.504/97, em face de fatos relacionados à propaganda tida por
implícita, ficou substancialmente mitigada, ante a vedação apenas ao pedido explícito de votos e com
permissão da menção à pré-candidatura, exposição de qualidades pessoais e até mesmo alusão à
plataforma e projetos políticos (art. 36-A, I).” Consideram-se, pois, no entender da Corte Superior,
elementos objetivos, nitidamente detectados, não sendo relevante para a caracterização da propaganda
irregular a intenção oculta de quem a promoveu.
Feitas essas considerações iniciais, passo à análise do caso em apreço.
A questão controvertida versa sobre a configuração ou não de propaganda eleitoral antecipada em razão
de transmissão ao vivo, na rede social Facebook de THIAGO PEÇANHA, dentro das dependências da
Prefeitura Municipal, de mensagem dirigida à população de Itapemirim, objetivando com referida
transmissão a divulgação de ação da Municipalidade relativa à distribuição de um kit de medicamentos
contra o novo coronavírus - Covid 19, batizado pelo recorrido de “KIT COVID”.
A propaganda impugnada consta da degravação abaixo transcrita:
“Boa tarde Itapemirim, nós estamos aqui para trazer a vocês uma notícia maravilhosa: os kits que nós
prometemos que iríamos doar diante de prescrição médica chegaram! Estão prontinhos! Com
hidroxicloroquina, zinco, azitromicina, ivermectina, dipirona ou paracetamol, enfim, tudo o necessário
para que vocês diante do covid né, tenham um tratamento adequado. Quero dizer a vocês que isso é uma
grande conquista da nossa administração, porque como médico sempre me preocupei em dar à população
de Itapemirim o melhor, aquilo que realmente fosse de encontro às suas necessidades. Cuidar de gente
não é um slogan, eu tenho falado isso...cuidar de gente é uma opção de vida! Eu escolhi ser médico, eu
escolhi cuidar de pessoas a minha vida inteira, eu escolhi também desafiar, talvez, vários interesses, para
optar cuidar de pessoas. Fomos o primeiro município do Espírito Santo que optou pelo uso da
hidroxicloroquina, nos seus protocolos se eu não me engano e, enfim, uma experiência bem sucedida em
outros países que também tenho certeza que será bem sucedida no município de Itapemirim. Recebemos o
superintendente de saúde do sul do estado, come(inaudível) que Itapemirim tem mais de 71% das pessoas
que contraíram covid curadas. Que hoje nós somos um município com uma experiência exitosa no
combate ao corona vírus. Isso é muito gratificante, gente! Saber que Itapemirim está no caminho certo,
está no caminho do bom cuidado aos munícipes, enfim, o Itapemirim que nós sonhamos, nós estamos
construindo juntos...esse kit, ele será entregue nas unidades sentinelas, na Vila em Itaipava, e todos
aqueles que preencherem os critérios diagnósticos do coronavírus. Estamos disponibilizando mais testes,
também!!! Quero pedir perdão à população de Itapemirim pela pequena demora muitas vezes em chegar
um ou outro produto do combate ao corona vírus...tivemos uma experiência, gente, muito triste, muito
covarde, porque nesse tempo de pandemia, nós temos hoje a chance de comprar vários produtos, para o
combate do coronavírus através da dispensa de licitação. Fizemos, inclusive, algumas compras
inicialmente através dessa modalidade, que o Governo Federal nos possibilitou. Em Itapemirim, nós não
temos o que esconder...nós temos transparência com os atos públicos. Mas a oposição foi lá, fez várias
manobras de fake News, como vocês conhecem, para tentar impedir e constranger a administração em
seguir em frente...Não teve problema: optamos por licitar todos os ingredientes, vamos dizer assim, tudo
aquilo que fosse necessário ao combate do corona vírus. Uma licitação ainda que rápida, com agilidade da
administração, ela tem um tempo previsto...e nós resolvemos licitar os itens, a hidroxicloroquina e dentre
as outras medicações. Então gente, eu quero me dirigir a você, cidadão!! Você pra mim é prioridade!
Você pra mim itapemirinense é prioridade! E eu continuarei fazendo por vocês tudo aquilo que for
necessário para o melhor do nosso povo, o melhor da nossa gente! Fico triste em saber que se não fosse
essa perseguição tão grande da oposição, esse kit já estaria aqui! Eu me preocupo e aí eu
quero...(inaudível) Será que nós poderíamos poupar mais vidas se a oposição não tivesse sido tão leviana
em querer criar fake News com o coronavírus, com o combate ao coronavírus? Não sei a resposta, mas sei
que sou incansável e fui incansável para proporcionar ao povo de Itapemirim o melhor! Aquilo que a
gente realmente tem como missão de vida que é cuidar de gente, cuidar de pessoas! Quero apresentar aí
para vocês, a minha companheira de trabalho, nossa Secretária de Saúde, a Zélia, tá...a Zélia é enfermeira,
uma pessoa que tem todo o entendimento da área...e que é muito fácil se criticar uma secretária, se criticar
a saúde quando se busca politicagem da saúde...Com nós, não há politicagem, com nós há um trabalho
sério, de distribuição de medicamentos, que vão ter, sem dúvida nenhuma, uma boa resposta
terapêutica..nós temos instituições privadas, convênios, que estão utilizando o protocolo que nós estamos
implantando aqui em Itapemirim, eu acredito que, modéstia à parte, o nosso é até um pouco mais
completo que algumas instituições privadas..seguindo, Secretária, eu quero dar os parabéns a você e toda
a equipe da saúde..aquilo que eu sempre falo: gente, seja rico, seja pobre, seja de qualquer classe social,
você terá o melhor tratamento que hoje é disponível na medicina para o combate ao corona vírus. Os kits

Assinado eletronicamente por: CILENE REGINA RAMOS DE SANTIS - 07/10/2020 11:25:36 Num. 3721395 - Pág. 5
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chegaram! A esperança também chegou e se renova nessa tarde! Eu tenho certeza que ainda que venham
dificuldades, ainda que a oposição tenta, tente a impedir que da gente a entregar esses kits, secretária, nós
vamos em frente, e nós vamos continuar todos unidos, sociedade, igrejas, secretarias, prefeituras, pra dar
ao nosso Itapemirim o melhor! Tá certo? Que Deus abençoe Itapemirim, Que Deus abençoe essa
prefeitura, abençoe a vida de cada família, de cada cidadão nessa tarde e um grande abraço e vamos em
frente! Muito Obrigado!”
Com a leitura da degravação da propaganda, percebe-se de forma cristalina que o Recorrido fez promoção
pessoal e divulgou ações políticas de sua administração como Prefeito em exercício da cidade de
Itapemirim. O fato de o Recorrido realizar lives/transmissões, bem como publicações em suas redes
sociais de caráter pessoal não caracteriza, por si só, pedido explícito de votos, situação que, certamente,
acarretaria desequilíbrio da campanha eleitoral, já que todos têm igualmente acesso à mesma ferramenta
para manifestar o seu pensamento, a liberdade de expressão, sem a utilização de verba pública, haja vista
que a transmissão fora realizada em sua conta pessoal do Facebook, a fim de divulgar importante ação
política objetivando prevenção e cura de pessoas acometidas pela doença COVID 19.
Por tal razão, ao ser editada a Resolução TSE nº 23.610/2019, foi previsto o seguinte em seu artigo 38 e
§1º:

Art. 38. A atuação da Justiça Eleitoral em relação a conteúdos divulgados na internet deve ser realizada
com a menor interferência possível no debate democrático (Lei nº 9.504/1997, art. 57-J).
§ 1º Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura, as ordens judiciais de
remoção de conteúdo divulgado na internet serão limitadas às hipóteses em que, mediante decisão
fundamentada, sejam constatadas violações às regras eleitorais ou ofensas a direitos de pessoas que
participam do processo eleitoral. (grifei)

Nesse sentido, entendo que o Recorrido não infringiu o disposto no Art. 37, § 1°, da CF, tampouco o art.
36-A, caput, da Lei nº 9.504/97, uma vez que a autopromoção não foi mediante órgão público oficial,
inexistindo utilização de dinheiro público para a promoção, requisito basilar para a caracterização da
infringência da referida regra constitucional, tampouco pode se caracterizar a divulgação como
propaganda antecipada.
A propósito, releva destacar trecho da sentença proferida pelo juiz da 22ª ZE:

“considerando que propagar nem sempre é propaganda, verifica-se que o pré-candidato, ainda que o
Representado não tenha dito que assim o seria, poderá realizar sua promoção pessoal perante a população
no período anterior à campanha, fazendo menção à pretensa candidatura, exaltando suas qualidades
pessoais e divulgando seu posicionamento pessoal sobre questões políticas, desde que não haja pedido
explícito de voto, quando a Lei nº 13.165/2015 traduziu a opção política de flexibilizar a promoção
pessoal e o proselitismo político dos pré-candidatos no período de pré-campanha, restringindo bastante a
caracterização de atos que configurem propaganda eleitoral antecipada ilícita, consoante a nova redação
do art. 36-A da Lei nº 9.504/97, ora previsto no §2º..."
No caso ora tratado, agiu com acerto o magistrado quando expõe que “as assertivas apontadas pelo
Representante de que o Representado publicou em suas redes sociais sobre distribuição do Kit -Covid na
qualidade de Prefeito Municipal, não configuram como propaganda eleitoral antecipada, eis que os atos
do Representado, na qualidade de Prefeito Municipal, exaltando suas supostas qualidades como gestor
público, ainda que não formalizada sua pré-candidatura, bem como divulgação das suas ações políticas,
estão amparadas no art. 36-A da Lei das Eleições, ora previsto no §2º.”
[...]
É claro que a legislação proíbe gestores de distribuírem bens, valores e benefícios em ano de eleição,
exceto em situação de calamidade pública ou estado de emergência, o que é o preciso caso dos autos, ante
a pandemia em que o povo está vivendo diante do coronavírus e que merece ter plano de ação da
prefeitura para atuar neste combate, o que, aliás, é público e notório que inúmeros prefeitos municipais
deste País tem realizado a distribuição desta medicação, desde que com recomendação médica.
[...]
Vale ressaltar, que a primeira decisão sobre o tema no país, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio
Grande do Norte (RE 060002546) manteve a decisão de aplicar multa de R$ 5 mil a uma vereadora do
município de Parnamirim que distribuiu kits com sabão, álcool gel e panfleto no mês de março deste ano,
ou seja, é diferente no caso em questão, eis que aqui se trata do Prefeito Municipal, que está a frente do

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Poder Executivo Municipal, anunciando a distribuição dos "KIT COVID" e que foram adquiridos pela
própria prefeitura, e não por ele próprio, sendo que as sacolas constavam símbolo da própria Prefeitura o
que é salutar, pois foi quem efetivamente adquiriu.”

A respeito do tema, transcrevo abaixo trecho do voto proferido pelo culto Membro desta Corte, Des.
Carlos Simões, no julgamento do RE 0600064-63, concluído nesta semana, em que as partes são as
mesmas das presentes neste Recursos Eleitoral, quando enfrentou idêntica matéria, embora relativa a
postagens distintas. Sustentou Sua Excelência:

“Com a flexibilização do proselitismo político dos pré-candidatos, consubstanciado no art. 36-A da Lei
das Eleições, o Recorrido está inserto no modal autorizativo para realizar sua promoção pessoal perante a
população no período anterior à campanha, fazendo menção à pretensa candidatura, exaltando suas
qualidades pessoais e divulgando seu posicionamento pessoal sobre questões políticas, desde que não haja
pedido explícito de voto, como é o caso dos presentes autos.
[...]
não há qualquer característica de propaganda eleitoral extemporânea / antecipada, mas apenas atos de
verbalizações sobre os feitos como Prefeito em Itapemirim/ES...”

Julgo oportuno ressaltar o entendimento do órgão ministerial, quando defendeu que:


“Manifestações auto-elogiosas e promocionais, bem como anunciar o desejo e as razões de concorrer, são
subjacentes a toda e qualquer ação político-eleitoral de quem deseja exercer sua capacidade eleitoral
passiva, de modo que sua proibição, como pedido implícito, teria o condão de cercear o direito de
divulgação e exposição de informações sobre candidatos, que constituem atos da vida civil e política
imprescindíveis à participação do cidadão na democracia. Quando um pré-candidato, seja ele um
parlamentar, chefe do poder executivo ou cidadão em busca de ocupar um cargo público eletivo, divulga
suas qualidades pessoais, ações, posicionamentos políticos e ideias, já está implícita nessa mensagem a
intenção de se promover e com isso, ainda que futuramente, angariar votos dos destinatários dessa
mensagem.”
Nesse mesmo entendimento, cito julgados recentes do TSE:

ELEIÇÕES 2018. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.


REPRESENTAÇÃO. PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA. DECISÃO REGIONAL.
IMPROCEDÊNCIA. REEXAME. FATOS E PROVAS. VEDAÇÃO. SÍNTESE DO CASO 1. O Tribunal
de origem assentou que a divulgação de pretensa pré–candidatura em evento gospel não configurou
propaganda eleitoral extemporânea, em virtude da ausência do pedido explícito de voto e por não se
equiparar a evento assemelhado a showmício ou a outra forma proscrita durante o período oficial de
campanha. ANÁLISE DO AGRAVO REGIMENTAL 2. [...]
3. A decisão do Tribunal de origem está alinhada à jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que
"a referência à candidatura e à promoção pessoal dos pré-candidatos, desde que não haja pedido explícito
de voto, não configuram propaganda extemporânea, nos termos da nova redação dada ao art. 36-A pela
Lei 13.165/15. Precedente: AgR-REspe 12-06/PE, Rel. Min. Admar Gonzaga, DJe 16.8.2017" (REspe
1-94, rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJE de 3.11.2017) (AgR–Respe 0604396–07, de minha
relatoria, DJE de 10.12.2019). 4.O acórdão regional está em consonância com a jurisprudência desta
Corte, incidindo na espécie o verbete sumular 30 do TSE. CONCLUSÃO Agravo regimental a que se
nega provimento.
(Agravo de Instrumento nº 060038926, Acórdão, Relator(a) Min. Sergio Silveira Banhos, Publicação:
DJE - Diário de justiça eletrônico, Tomo 130, Data 01/07/2020)

REPRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO DO PEDIDO LIMINAR. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO


REGIMENTAL. ANÁLISE DO MÉRITO. PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA RELATIVA
À ELEIÇÃO DE 2018. CARGO DE PRESIDENTE DA REPÚBLICA. AUSÊNCIA DE PEDIDO DE
VOTO. IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO E AGRAVO REGIMENTAL PREJUDICADO.
1. Narra–se, na petição inicial, suposta prática de propaganda eleitoral antecipada por meio da internet.2.
Segundo a compreensão deste Tribunal, compete ao TSE, originariamente, examinar a alegação de
propaganda eleitoral antecipada relativa à eleição presidencial (R–Rp 1346–31/DF, Rel. Min.
HENRIQUE NEVES DA SILVA, publicado na sessão de 5.8.2010).

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3. Não se identifica do conteúdo dos arquivos audiovisuais que acompanham a peça exordial nenhum
trecho ou mensagem em que haja pedido direto ou indireto de votos. O que há, em verdade, é a exaltação
das eventuais qualidades morais, pessoais, profissionais e ideológicas do Parlamentar representado, o que,
nos termos da orientação prevalecente desta Corte Superior, não configura ilícito eleitoral.4. O TSE
firmou o entendimento de que o mero ato de promoção pessoal não é suficiente para a caracterização da
propaganda eleitoral extemporânea, para a qual se exige pedido de voto ou referência direta ao pleito ou
ao cargo em disputa. Assentou, ainda, que a aferição de propaganda eleitoral antecipada deve ser
realizada a partir de dados e elementos objetivamente considerados, e não conforme intenção oculta de
quem a promoveu. Precedente: AgR–REspe 7–46/DF, Rel. Min. ADMAR GONZAGA, DJe 15.8.2017.
5. O grande lapso temporal existente entre a data da veiculação da suposta publicidade prematura e o
início do período eleitoral – agosto de 2018 – já afastaria, na esteira da jurisprudência desta Corte
Superior, a possibilidade de se enquadrar tal conduta no que prevê o art. 36 da Lei 9.504/97. Precedente:
REC–Rp 572–93/DF, Redatora para o acórdão Min. LUCIANA LÓSSIO, publicado na sessão de
5.8.2014.6. Julga–se improcedente o pedido formulado na Representação Eleitoral. Agravo Regimental
prejudicado.
(Representação nº 060114373, Acórdão, Relator(a) Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Publicação: DJE -
Diário de justiça eletrônico, Tomo 168, Data 21/08/2018)

Na espécie, tenho que, além de não ter havido pedido explícito de votos, restou ausente a violação ao
princípio da igualdade de oportunidades entre os candidatos, uma vez que a realização de postagens em
redes sociais, como a realização de lives/transmissões no Facebook, é instrumento que, hodiernamente,
encontra-se ao alcance dos eventuais interessados em concorrer aos pleitos eleitorais.
A literalidade do art. 36-A e o entendimento do TSE não deixam espaço para que a conduta em análise
seja considerada propaganda irregular, visto que o caput do citado dispositivo torna possível a menção à
pretensa candidatura e à exaltação de qualidades pessoais dos candidatos, inclusive via internet, trazendo
os seus incisos IV e V a possibilidade de divulgação de atos dos parlamentares, bem como do
posicionamento pessoal sobre questões políticas, nas redes sociais, desde que, para todas as hipóteses, não
haja pedido explícito de votos. Vejamos o citado dispositivo legal:
Art. 36-A. Não configuram propaganda eleitoral antecipada, desde que não envolvam pedido explícito de
voto, a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os
seguintes atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet:
I - a participação de filiados a partidos políticos ou de pré-candidatos em entrevistas, programas,
encontros ou debates no rádio, na televisão e na internet, inclusive com a exposição de plataformas e
projetos políticos, observado pelas emissoras de rádio e de televisão o dever de conferir tratamento
isonômico; (grifei)
II - a realização de encontros, seminários ou congressos, em ambiente fechado e a expensas dos partidos
políticos, para tratar da organização dos processos eleitorais, discussão de políticas públicas, planos de
governo ou alianças partidárias visando às eleições, podendo tais atividades ser divulgadas pelos
instrumentos de comunicação intrapartidária;
III - a realização de prévias partidárias e a respectiva distribuição de material informativo, a divulgação
dos nomes dos filiados que participarão da disputa e a realização de debates entre os pré-candidatos;
IV - a divulgação de atos de parlamentares e debates legislativos, desde que não se faça pedido de votos;
(grifei)
V - a divulgação de posicionamento pessoal sobre questões políticas, inclusive nas redes sociais; (grifei)
VI - a realização, a expensas de partido político, de reuniões de iniciativa da sociedade civil, de veículo
ou meio de comunicação ou do próprio partido, em qualquer localidade, para divulgar ideias, objetivos e
propostas partidárias.
VII - campanha de arrecadação prévia de recursos na modalidade prevista no inciso IV do § 4o do art. 23
desta Lei.
[...]
§ 2o Nas hipóteses dos incisos I a VI do caput, são permitidos o pedido de apoio político e a divulgação
da pré-candidatura, das ações políticas desenvolvidas e das que se pretende desenvolver.
(Incluído pela Lei nº 13.165, de 2015)

Reforço que a inclusão desse artigo na legislação eleitoral, bem como sua redação atual, alteraram
substancialmente o entendimento da configuração da propaganda eleitoral antecipada, haja vista que a
norma passou a exigir o pedido expresso de voto para a sua caracterização. A jurisprudência pátria

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considera que esse dispositivo regulamentou a pré-campanha, bem como ampliou o debate político e
restringiu a configuração da propaganda extemporânea.
Penso, assim, que a conduta do Recorrido configura divulgação pela mídia social das ações por ele
perpetradas, como administrador público da gestão municipal, conduta que se encontra albergada pelo art.
36-A, § 2º da Lei nº 9.504/97, o qual permite o pedido de apoio político, a divulgação da pré-candidatura,
das ações políticas desenvolvidas e das que se pretende desenvolver.

Em caso idêntico ao aqui tratado, cito julgado recentíssimo do TRE/MG, publicado em 24.08.2020:
Recurso Eleitoral. Representação por propaganda eleitoral antecipada. Representação provida. Aplicação
de multa.
[...]
Mérito.
Alegação de ausência de configuração de propaganda eleitoral antecipada. Afirmação de inexistência de
pedido explícito de voto. Argumentação de ausência de comprovação de prévio conhecimento e de
potencialidade.
Matérias impugnadas que ressaltam a atuação da Prefeita como gestora municipal. Matérias publicadas no
site da Prefeitura. Promoção pessoal. Ausente pedido explícito de voto. Inexistência de qualquer menção
ao pleito municipal. Possível ofensa ao princípio da impessoalidade deve ser perquirida na seara
administrativa. Suposto uso da máquina pública passível de ser aventado em representação por abuso de
poder político que requer outros requisitos conjugados.
Parecer da Procuradoria Regional Eleitoral no sentido da não configuração da irregularidade apontada.
Propaganda eleitoral antecipada não caracterizada. Recurso provido. Sentença reformada. Sanção
pecuniária imposta afastada.
(TRE/MG, RECURSO ELEITORAL n 060009073, ACÓRDÃO de 17/08/2020, Relator CLÁUDIA
APARECIDA COIMBRA ALVES-, Publicação: DJEMG - Diário de Justiça Eletrônico-TREMG, Data
24/08/2020)

RECURSO ELEITORAL. PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA. SENTENÇA DE


IMPROCEDÊNCIA. PRELIMINAR: INADMISSIBILIDADE DOS DOCUMENTOS JUNTADOS EM
SEDE RECURSAL. ACOLHIDA. SITUAÇÃO NÃO AMPARADA PELA EXCEÇÃO PREVISTA NO
ART. 435, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. VEICULAÇÃO DE NOVAS PRETENSÕES.
MÉRITO: ENTREVISTAS EM LIVES E PUBLICAÇÕES EM REDES SOCIAIS. PROTAGONISMO
DO VIICE–PREFEITO (PRÉ–CANDIDATO) NA COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL DO
MUNICÍPIO. SITUAÇÃO DE ANORMALIDADE (ESTADO DE NECESSIDADE
ADMINISTRATIVA), CAUSADA PELA PANDEMIA DO NOVO CORONAVÍRUS (COVID–19).
AUSÊNCIA DE PEDIDO EXPLÍCITO DE VOTO, BEM COMO DE MENÇÃO À PRETENSÃO
PRETENSA CANDIDATURA E AO PLEITO MUNICIPAL VINDOURO. HIPÓTESE ABRIGADA
PELO ART. 36–A, DA LEI N.º 9.504/1997. CIRCUNSTÂNCIAS INSUFICIENTES PARA
CONFIGURAR PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA. MERA PROMOÇÃO PESSOAL.
DIREITO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO. DESPROVIMENTO DO RECURSO.
(TRE/SP, RECURSO ELEITORAL nº 060001174, Acórdão, Relator(a) Min. Manuel Pacheco Dias
Marcelino, Publicação: DJE - DJE, Tomo 127, Data 07/07/2020)

Entendo, assim, que a mera promoção pessoal de potencial pré-candidato, sem pedido explícito de votos,
está amparada pela exceção prevista no art. 36-A, da Lei n.º 9.504/97, e no art. 3º, da Resolução TSE n.º
23.610/2019, bem como pela liberdade de expressão e comunicação, garantida pelo art. 5º, inciso IV, e
220, da Carta Magna.
Concluo, portanto, que as mensagens veiculadas pelo Recorrido não ultrapassaram os parâmetros
definidos no art. 36-A da Lei nº 9.504/97, tratando-se de ato de promoção pessoal e de exposição de atos
de governo, inexistindo em seu conteúdo pedido explícito de voto.
Ausentes, portanto, os requisitos caracterizadores da propaganda eleitoral antecipada, impõe-se a
manutenção da r. sentença combatida, razão pela qual, na linha da manifestação do Ministério Público
Eleitoral, voto pelo não provimento do Recurso.
É como voto.

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*

INDAGAÇÃO

O Sr. DESEMBARGADOR CARLOS SIMÕES FONSECA:-


Senhor Presidente, egrégia Corte: Ocorreu-me uma dúvida quando a ilustre Advogada pontuou a
distribuição de kits Covid-19 por intermédio da Prefeitura Municipal, com a participação da Secretaria
Municipal de Saúde e utilização de verba pública.
Depois do voto, S.Exa. o eminente Relator fez referência ao artigo 73 da Lei das Eleições, que veda essa
prática por agentes públicos no período pré-eleitoral, exatamente, em tese, o que ocorreu.
Contudo, foi ressaltado que, embora haja essa vedação, estamos vivendo um período de pandemia e que
isso justificaria a ação, e que nada mais seria do que a divulgação de atos da direção do Executivo
Municipal, ainda que com caráter de promoção pessoal e com proselitismo político, exaltando as
qualidades do Chefe do Executivo, em razão dessas questões todas.
Indago ao eminente Relator se foi essa a sua linha de raciocínio.

ESCLARECIMENTO

O Sr. JURISTA RODRIGO MARQUES DE ABREU JÚDICE (RELATOR):-


Senhor Presidente: Compreendo que estamos diante de um momento político decisivo para o país. É
público e notório que a pandemia revelou as atitudes mais honestas e caridosas do povo brasileiro, mas
também atitudes reprováveis. Num momento como este, como bem disse o Desembargador Carlos
Simões Fonseca, é importante as pessoas repensarem suas atitudes. Estamos presenciando as mais
variadas atitudes, seja de administradores ou de pessoas comuns. Pessoas estão revelando o seu caráter de
um espírito bondoso e caridosos e outras estão se aproveitando.
Isso sempre me preocupou muito, e é imperioso que as autoridades públicas se esforcem ao máximo para
diminuir a proliferação do vírus, principalmente por meio de políticas públicas. Isso é inevitável, mas
temos que evitar as distorções desses agentes públicos, dependendo da competência de cada órgão e da
amplitude que a jurisdição brasileira nos permite.
Estamos diante de uma alegação de propaganda antecipada em que o Prefeito, pelo que compreendi,
estaria acobertado pelo parágrafo 10, do artigo 73, da Lei nº 9.504/97, que proíbe a distribuição de bens
e valores pela administração pública, exceto nos casos de calamidade pública e em casos de emergência,
salvo engano, e programas sociais autorizados em lei e execução orçamentárias autorizadas no ano
anterior.
Entendo que estamos diante, sim, desta exceção prevista no artigo 10. Contudo, temos outra questão a
enfrentar: Se por acaso ele estiver praticando outra conduta vedada, ou até mesmo um ato de
improbidade, a pergunta é se nós poderíamos, nesta seara, tendo em vista que a discussão é propaganda
antecipada, admoestá-lo do ponto de vista legal para impor alguma penalidade.
Talvez, se isso for caracterizado, elastecer alguma compreensão do Supremo e da jurisprudência do TSE
sobre as formas proscritas, mas o TSE, a respeito dessas hipóteses, diz que tudo o que é proibido em
época de campanha também é proibido em época de pré-campanha para efeito de divulgar uma futura e
pretensa candidatura.
Muito me chamou a atenção a fala da nobre Advogada quando mencionou o caso famoso referente a uma
demanda do nordeste sobre uso de outdoor. Entendi que não é o caso, estamos falando aqui de uma
política pública em que o Prefeito não usa nenhuma das palavras mágicas, ele não fala “Juntos
chegaremos lá”, ou “Conto com vocês”. Não houve o uso dessas expressões.

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Não há dúvida de que estamos diante de vários casos em que precisamos reafirmar a nossa jurisprudência.
Acho extremamente prudente que o Desembargador Carlos Simões Fonseca peça vista dos autos.

O Sr. JUIZ FEDERAL FERNANDO CÉSAR BAPTISTA DE MATTOS:-


Senhor Presidente, serei sincero sobre o que me preocupa nesse caso.
Em primeiro lugar é o fato em si, a utilização de símbolos da prefeitura dessa maneira, escudado na
pandemia. Não custa nada relembrarmos a decisão recente do Supremo Tribunal Federal a respeito da
responsabilidade do agente público, ou seja, que os atos do agente público durante a pandemia devem
observar critérios técnicos e científicos, a MP 966, sobre a qual o Supremo Tribunal Federal fez uma
interpretação muito importante, conforme voto do Ministro Luiz Roberto Barroso, sobre a
responsabilização do agente público, fazendo referência ao artigo nº 28, na Lei de Introdução às Normas
do Direito Brasileiro. Foi adotado ou não critério científico? Acho isso muito importante; menos, talvez,
para o caso, mas para eventual conhecimento do Ministério Público Eleitoral e da cidade.
Depois, consultei o site da Prefeitura e verifiquei que essas compras foram feitas com dispensa de
licitação. É claro que se trata de uma cadeia mais intrincada, mas isso não levaria a uma conduta vedada,
talvez não para examinarmos nesta seara, por isso queria fazer uma reflexão um pouco maior.

Neste contexto de pandemia, qualquer alegação do agente público no sentido de que fez uma aquisição
com dispensa de licitação mesmo que aquilo, num primeiro momento, não tenha critério científico (
porque não tem critério científico, nem o próprio Ministério da Saúde determina a livre distribuição desse
tipo de medicamento ), então, isso não é utilizado para fazer uma promoção vedada?

Me parece que o Tribunal poderia se debruçar um pouco mais sobre esse assunto, e por isso queria pedir
vista dos autos, mesmo que se entenda que esta não é a seara mais adequada, e que o Ministério Público,
na verdade, participa da sessão, e isso poderia ser encaminhado ao Ministério Público, pois, como bem
salientou o Dr. Rodrigo, nesta pandemia temos visto todo tipo de ação. Não estou antecipando nenhum
tipo de juízo do programa em si, mas penso que o caso deve merecer uma reflexão nossa.

QUESTÃO DE FATO

A Sra. ADVOGADA DO RECORRIDO JÚLIA SOBREIRA DOS SANTOS:-


Sr. Presidente, eu gostaria de esclarecer um ponto acerca da questão referente ao uso dos símbolos da
Prefeitura.
Na verdade, é a maneira como se traz a informação. Na contratação por dispensa de licitação, há sempre
um procedimento pretérito, há autorização ou não da Procuradoria Municipal.
Os símbolos utilizados nos kits são de identificação da própria Prefeitura e aparecem em todos os seus
materiais. Não há nada que faça alusão à campanha ou às futuras eleições; são símbolos da administração.

PEDIDO DE VISTA

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O Sr. DESEMBARGADOR CARLOS SIMÕES FONSECA:-
Senhor Presidente: Respeitosamente, peço vista dos presentes autos.

DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista do Desembargador Carlos Simões Fonseca.

Presidência do Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior.


Presentes o Desembargador Carlos Simões Fonseca e os juízes Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo
Marques de Abreu Júdice, Heloisa Cariello, Ubiratan Almeida Azevedo e Fernando César Baptista de
Mattos.
Presente também o Dr. André Carlos de Amorim Pimentel Filho, Procurador Regional Eleitoral.

cds

CONTINUAÇÃO DE JULGAMENTO

SESSÃO ORDINÁRIA
14-09-2020

PROCESSO Nº 0600088-91.2020.6.08.0022 – RECURSO ELEITORAL


(Continuação do julgamento)
NOTAS TAQUIGRÁFICAS

VOTO-VISTA

O Sr. DESEMBARGADOR CARLOS SIMÕES FONSECA:-


Senhor Presidente: Pedi vista dos autos porque este processo se refere à prática de propaganda
extemporânea levada a efeito por Thiago Peçanha Lopes, Prefeito em exercício de Marataízes. Já
julgamos aqui, anteriormente, situação parecida.
A parte questiona que o Prefeito estaria se utilizando de recursos públicos, materializados na distribuição
de kits Covid-19, como se fosse em proveito próprio, utilizando-se de coisa pública.
Pois bem, se fôssemos tratar deste assunto, isso mereceria um outro tratamento jurídico que não aquele
específico da propaganda eleitoral, e isso ficou muito bem ressaltado no voto do eminente Relator.
Desse modo, eu acompanho integralmente o voto de S.Exa.

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*

VOTO

O Sr. JURISTA ADRIANO ATHAYDE COUTINHO:-


Senhor Presidente, eu também acompanho o voto do eminente Relator.

PEDIDO DE VISTA

A Sra. JUÍZA DE DIREITO HELOISA CARIELLO:-


Senhor Presidente: Respeitosamente, peço vista dos autos.

DECISÃO: Adiada em virtude de pedido de vista formulado pela Dra. Heloisa Cariello.

Presidência do Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior.


Presentes o Desembargador Carlos Simões Fonseca e os juízes Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo
Marques de Abreu Júdice, Heloisa Cariello, Ubiratan Almeida Azevedo e Fernando César Baptista de
Mattos.
Presente também o Dr. André Carlos de Amorim Pimentel Filho, Procurador Regional Eleitoral.

cds

CONTINUAÇÃO DE JULGAMENTO

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SESSÃO EXTRAORDINÁRIA
17-09-2020

PROCESSO Nº 0600088-91.2020.6.08.0022 – RECURSO ELEITORAL – (Continuação do


julgamento)
NOTAS TAQUIGRÁFICAS

VOTO-VISTA

A Srª JUÍZA DE DIREITO HELOISA CARIELLO:-


Senhor Presidente e eminentes Pares, Relembro inicialmente tratar-se do RECURSO ELEITORAL
interposto pelo DIRETÓRIO MUNICIPAL DO PARTIDO PROGRESSISTA de Itapemirim/ES em face
da r. sentença prolatada pelo MM. Juiz da 22ª Zona Eleitoral deste Estado, que julgou IMPROCEDENTE
REPRESENTAÇÃO, por suposta PROPAGANDA ELEITORAL EXTEMPORÂNEA, praticada por
THIAGO PEÇANHA LOPES, Prefeito de Itapemirim/ES, configurada pela realização de transmissão ao
vivo, via página pessoal do FACEBOOK, da distribuição, à população local, de kits de medicamentos
contra a COVID 19, custeados por recursos públicos daquela municipalidade.
Rememoro também que, na Sessão do último dia 14, pedi vista dos presentes autos para refletir melhor
acerca de questão que fora suscita logo após o Voto de seu Eminente Relator, o Dr. Rodrigo Marques de
Abreu Júdice, atinente à possibilidade de se ver configurada, no caso em análise, a prática de conduta
vedada pelo § 10 do art. 73 da Lei n. 9.504/97.
Sobre a suposta prática de propaganda eleitoral extemporânea, tenho que o voto do Eminente Relator
refutou muito bem as alegações do ora Recorrente e representa a decisão mais adequada a ser tomada por
este Tribunal, qual seja, a de negar provimento ao presente Recurso. Inclusive, os demais Membros que
me antecederam trataram de votar, à unanimidade, neste mesmo sentido.
e fato, como bem destacou o eminente Relator, a degravação da transmissão dá conta de que o Recorrido
limitou-se a fazer, em suas redes sociais de caráter pessoal, promoção pessoal e divulgação de ações
políticas de sua administração como Prefeito em exercício da cidade de Itapemirim, o que não caracteriza,
por si só, captação antecipada de votos, e muito menos enseja desequilíbrio da campanha eleitoral, até
mesmo porque a mesma ferramenta, por meio da qual é possível a manifestação de pensamento e de
liberdade de expressão, sem a utilização de verba pública, encontra-se ao alcance dos eventuais
interessados em concorrer aos pleitos eleitorais
Já sobre a possível prática de conduta vedada a agentes públicos, em período eleitoral, considero que as
ponderações feitas pelo Eminente Des. Carlos Simões Fonseca, em seu Voto-vista, refletem o
entendimento que a ela deve ser dado, caso se queira sustentar a sua ocorrência. Como dito na
oportunidade, existe todo um procedimento específico para a análise, processamento e julgamento de
eventuais atos violadores dos princípios que regem a Administração Pública, os quais diferem daqueles
inerentes às representações por propaganda eleitoral. Com efeito, nada impede que os elementos de
informação extraídos da presente representação possam servir de espeque a eventual processamento da
ação de improbidade. Isso, por certo, em havendo justa causa, já que, como consabido, propaganda
institucional, ainda que suspensa por incompatibilidade com o período eleitoral, por si só, não configura
atos de improbidade administrativa capitulados nos arts 10 e 11 da Lei n° 8.429/92.
Sob tais considerações, acompanho o eminente Relator e também voto pelo conhecimento e não
provimento do presente Recurso, para manter in totum a r. sentença ora recorrida.
E é como voto, Senhor Presidente.

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TAMBÉM ACOMPANHARAM O VOTO DO EMINENTE RELATOR:-
O Sr. Juiz de Direito Ubiratan Almeida Azevedo e
O Sr. Juiz Federal Fernando César Baptista de Mattos.

DECISÃO: À unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do eminente
Relator.

Presidência do Desembargador Samuel Meira Brasil Júnior.


Presentes o Desembargador Carlos Simões Fonseca e os juízes Adriano Athayde Coutinho, Rodrigo
Marques de Abreu Júdice, Heloisa Cariello, Ubiratan Almeida Azevedo e Fernando César Baptista de
Mattos.
Presente também o Dr. André Carlos de Amorim Pimentel Filho, Procurador Regional Eleitoral.
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