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Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste

ISSN: 1517-3852
rene@ufc.br
Universidade Federal do Ceará
Brasil

TORRES EDUARDO, KYLVIA GARDENIA; MOURA BARBOSA, REGIA CRISTINA; DE ANTERO,


MARÍA FÁTIMA; BEZERRA PINHEIRO, ANA KARINA
Vivenciando o puerpério: depoimento de mulheres
Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, vol. 6, núm. 2, mayo-agosto, 2005, pp. 26-31
Universidade Federal do Ceará
Fortaleza, Brasil

Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=324027951004

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Artigos Originais

VIVENCIANDO o PUERPÉRIO: DEPOIMENTO DE MULHERES

LIVING THE PUERPERIUM: WOMENS' TEST/MONIALS

VIVIENDO EL PUERPERIO: REVELACIONES DE MUJERES

KYLVIA GARD ENIA T ORRES ED UARDO!


R EGIA C IIRISTINA Mo uR.~ B ARROSA2
MARI.~ DE fAT I!lA A NTER0 3
ANA KA RINA BEZ ERM P INIIEIR0 4

Esse estudo objetiva compreender como a mulber vivencia o período puerperal. Trata-se de um estudo descritiuo
exploratorio, do tipo qualitatiuo. Foi realizado com dez puérperas cadastradas 110 Centro de Treinamento em Atenpio
Primtiria em Fortaleza. Os dados foram coletados atratés de visitas domiciliares, senda agrupados nas categorias: Aspectos
Positivos e Aspectos Negativos do Puerperio. A faixa ettiria dasparticipantes uariou entre 15 e 42 anos, senda mais da
metade solteira e primípara. O nire! de escolartdade predominante foi ensino fundamen tal e ensilla médio. Todas
estauam 110 puerp érto tardio. Todos os relatos positivosestauam associados 00 apoio oferecido nesseperíodo, tornando-
O maisfdcil e com menos transtornos. Foram destacados comoaspectos negativos: complicacoes puerperais e dificuldades
em assumir opapelde nuie. Verificamos a importancia da redesocialde apoio, principalmentedo cuidadode enfermagem,
que deue ser oferecido de fOTIIla balística, fornecendo ¿¡ mulber meios para adaptauio eficaz.
UNITERMOS: Puerpério; Mulher; Enfermagem .

Tbat study aims at understanding bou: toomen live tbepuerperaiperiod. JI is (111 exploratory, descriptite, and qualitatiue
stU((Y. JI toas deteloped toitb ten tromen in tbe puerperium registered in tbe Training Center in Primary Attention in
Fortaleza. Tbe collection ofdata teas performed tbrougb bome visils. Tbe data treregrouped into uco categories: Positive
Aspects, and NegativeAspects ofPuerperium. Tbe participants' ages rangedfrom 15 to 42.)'ears-old, beingmore tban bal]'
single and primiparae. Tbe predominant level ofeducation teas primar)' scbool (4 uomen) and bigb scbool (4 uomen).
Al/oftbem Il'ere in tbe latepuerperium. Tbe positice reports uere associated toith tbe supportofferedin tbat period, tcbicb
consequently turned life easier 01111 belpedtbem salve some problems. 71Je participants bigbligbted as negatite aspects o/
tbe puerperium: complications in tbe puerperium 01111 difficulties in assuming tbe role o/ motber. lVe obserued tbe
importance of tbe social support netuork, mainly of tbe nursing cate, tcbicb sbould be bumanized 01111 offered to
wer)'bod)' in arder to giie all uomen conditionsfor an effectice puerperal adaptation.
KEY WORDS : Puerperiurn; Woman; Nursing.

La finalidad de este estudio es entender cómo es que la mujer vive el período pnerperat. E~ UII estudio descriptivo y
exploratorio, del tipo cualitativo. Fue realizado con diez puérperas registradas en el Centro de Entrenamiento en Atención
Primaria en Fortaleza. Los datosfue ron reunidos a tratés de lasvisitasdomiciliares, agmpados en las siguientes categorías:
Aspectos Posititos )' Aspectos Negativos del Puerperio. El rango de edad de las participantes uariá entre 15 y 42 mios,
siendo más de la mitad soltera J' primípara. Al nivel de educación predominó la enseñnnza primaria)' la secundaria.
Todas estaban en puerperio tardío. Todos los relatos positivosestaban asociados alapo)'o ofrecido en eseperiodo, siendo
más fácil y con menos trastornos. Se citaron como siendo aspectos negativos: las complicaciones del puerperio y
dificultades en hacerse cargo delpapel de madre. verificamos la importancia de la red de apoyo socialprincipalmente
del cuidado de enfermería, el cual debe ofrecerse deforma oolitica, proporcionando a la mujer mediospropicios, a fin
de tener una adaptaci ún eficaz.
PALABRAS CLAVES: Puerperio; Mujer; Enfermería.
1 Académica de cnfermagem da Universidade Federal do erará. Bolsista do Programa de EnsinoTtnorlal (PET/Enfermagem).
1 Enfcnneira da Matermdade EscalaAssis Chateuubriand. Mestrandacm Enfermagem daUniversldade Federal doCeanl.
.; Enfermeira. Professora daUniversidade Regional do Cariri. Douloranda cm Enfermagem daUniversidadc Federal doCead.
.¡ Enfcrmeira. Profcssora Adjunta daUn i"crsidade FederaldoCcad.

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Artigas Originais

INTRODUI;:AO familia, pelos amigos, mas principalmente pelos profíssio-


naís de saúde.
Após o parto, a mulhervívencía urna nova fase, perí- Dentro desse contexto, passamos a tracarcomo ob-
odo chamado de puerpério, em que esta mulher terá que jetivo do nosso estudo: - Compreender como a mulher
passar por adaptacóes fisiológicas e psicológicas, momen- vivencia o puerpérío tardío.
to em que ela percebe que toda a atencáo que Ihe era ofe-
recida durante a gestacáo transmitida para a enanca,
é CAMINHO METODOLÓGICO
Conceitua-se puerpérío como sendo um período do
ciclo grávtdo-puerperal em que o organismo materno Pesquisa descrítiva exploratória, do tipo qualítativo,
retorna as suas condicóes pr é-gravídícas e caracterizado
é por melhor se adaptar as índagacóes da nossa ínvestígacáo.
pelas modificacóes locaís e síst érnícas, al ém da regressáo Quanto ao método, a pesquisa qualítatíva responde a ques-
dos órgáos, I toes muito particulares, ela trahalha com o universo de sig-
O puerpérlo inicia-se com a expulsáo da placenta e nificados, motivos, aspíracñes, crencas, valores e atítudes" .
das membranas, o que cornpreende o terceiro período do Realizado no municipio de Fortaleza, capital do Ce-
parto e se estende atéaproximadamenteseissemanas ap ós ará, com a populacáo cadastrada em um Centro de Treína-
o parto, momento em queos órgáos maternos cstáo voltan- mento em Aten ~ao Pr írn áría (CTAP), localizado no bairro
do ao seu estágio pr é-grav ídíco. O término do puerpérío do Mucuripe, baírro pertencente a Secretaria RegionallI.
pode estender-se até um ano ou um ano e meio, engloban- O centro campo de atuacáo dos residentes de enferma-
é

do o período de lactacáo, urna vez que as gIandulas mamá- gem em Saú de da Famílía da Escola de Saúde Pública do
rías sao urna excecáo por entrarem ern franco processo Ceará (ESP-CE) .
funcional de lactacáo, com duracáo ímprevísta.' Os residentes atuam como equipes do Programa
Por conseguinte, o puerpério configura-se como Saúde da Famílla (PSF) , desenvolvendo acó esde prornocáo
urna sítuacáo de delírnitacño entre o perdido: - a gravi- da saúde e prevencáo de doencas. As familias cadastradas
dez- e o adquirido:- o filho s . É nesse dinamismo que se recebematendimento de profíssíonaís enfermeiros e médi-
apresenta as adaptacñes que a mulherse defronta, como cos residentes, o que inclui: Consulta de pre-natal e gine-
o conciliar do papel materno com os demaís que j:í de- cológica, ateudímento ao hípertenso/díahétíco, puericultura
sern penhava anteri ormente (mulher, esposa, máe, e visitas domiciliárias, incluindo nestas a visita da puérpera.
nutriz...), essa adaptacáo ocorre rn esmo que ela já tenha Par ücíparam do estudo dezmulheres, puérpcras, cujos
experencíado o "ser rn áe", pois cada experiencia nova e
é critérios de selecáo foram : estar cadastradas no CTAl', estar
singular para a mulher. entre o primeiroe o quadragésímo quinto dlade puerpério,
Atransicáoa maternídadc, desenvolvímental, con-
é e aceitar participar do estudo. O número de sujeitosfoi deli-
siderado, portante urna críse de descnvolvímemo. Essa tran- mitado segundo o crítério de saturacáo dos dados.
sicáo inicia-se aínda nagravideze termina quando a mulher Acoleta de ínformacñes foi realizada em dois mo-
já estáadaptada as experiencias do novo papeladquirido, o mentos: inicialmente solicitamos aos agentes de sa úde da
de rnáe, área que fornecessem o nome das puérperas, a partir daí
Opuerpériotrazconsigo urna grande carga cultu ral, selecíonamos as mesmas, conío rme critérios já referidos
e ísso se repercute na adaptacáo a matcrn ídade, sendo ne- anteriormente,marcando corn as mulheres, posteríonnen-
cess írío o respelto as crencas, costumes e mitos. te, a visita nos seus domicilios. No segundo momento, ini-
Portanto, o período puerperal, sem d úv ída chelo
é ciamos visitas domiciliarias, no total de duas, com
de peculiaridades, momento de vulnerabíl ídade na vida da periodí cidade semanal. Durante as visitas realizamos en-
mulher, em que a mesma precisa ser orientada quanto as trevista semi-estruturada, quando utilizamos um roteíro com
mudancas e as adaptacñes que esse período imp ñe, Mo- os seguintes tópicos: Aspectos positivos e negativos do
mento em que ela necessita do suporte de apoio, seja pela puerpérío e dífículdades encontradas no puerpérío tardío .

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Após a coleta de dados, os mesmos foram agrupa- anos e rnáes com 16 anos ou menos apresentarn rnaíor
dos de acordo com a técnica de categortzacáo, sendo risco para o parto prematuro, enquanto que aquelas com
primeiramente verificadas as unidades de significado, mais de 3; anos, osseus bebes saomais propensos as anor-
de acordo com a congruencia das falas\:Aspectos posi- malidade congénitas" .
tivos do puerpérto, Aspectos negativos do puerperio. Quanto ao estado civil, observamos que mais da
Após o agrupamento e categorízacáo, analisamos a luz metade daamostraerasolteira (seis) e apenasquatro eram
da literatura. casadas.
Tivemos o cuidado de preservar todos os aspectos Asítuacáo ocupacional predominante estava relacio-
éticos que permeiam a pesquisa com seres humanos, tais nada as atívídades domésticas, sete ínformaram ser donas
como a beneficencia, o respelto 11 dignidade humana e a de casa e tres trabalhavam fora do lar.
[ustíca, Foi solicitada a permíssáo da coordenadora da O nivel de escolarídade variou de analfabetismo ao
residencia de Enfermagem em Saúde da Familia para a ensino rn édío, sendo duas sem escolaridade, quatro com
execucáo do estudo, os participantes tíverarn livre esco- ensino fundamental e as outras quatro cursaram o ensino
lhade serem incluídos, podendo solicitar seu afastamen- médio. É importante se interrogar sobre o estado civil e
to quando desejado, o anonimato foi garantido ao grau de ínstrucáo, urna vez que notória a infl uenciades-
é

atribuirmos o nome Iíctíclo (de fl ores) as participanles. ras condícóes na morbimortalidade materna e fetal".
Al ém disso, cada parti cipante, consentiu sua ínclusño no Participaram do estudo seis primíparas e quatro
estudo por meio de um termo de consentimento livre e multíparas, e todas estavarn no puerp érío tardío, ou seja,
esclarecido. Para as participantes sem escolarídade, o ter- "do 11 0 ao 4;0 día após o parto"!",
mo de consentimento foi lído e sua ínsercáo no estudo Um dos fato res geradores de sentimentos de de-
foi autorizada por rneio de impressáo digital. O estudo samparo e de medo, a primíparidade, quando a mulher
é

foi apreciadoe aprovado pelo Comité de Ética em Pesqui- se ve multas vezes confrontada, pela primeira vez, com
sa do Complexo Hospitalar da Uníversidade Federal do sítuacóes para as quaís nao se sente preparada para dar
Ceará- COMEPE. respostas " .
Aseguir apresentarernos as categorías construídas,
APRESENTAI;:XO E ANÁLlSE DOS DADOS as quais foram subsidiadas pelas falas das puérperas.

Caracterizando as participantes do estudo VIVENCIANDO O PUERPÉRIO

Afaíxa etária das participantes varíou entre 1; e 42 Quando a rnulher está grávida todas as arencóes es-
anos. Vale ressaltarquea metade das puérperas era adoles- taovoltadaspara o binomio rnñe-Iílho, principalmente se é

cente com idade entre 1; e 18 anos, ratíflcando o fato do uma gravidez desojada. Como nascimento do bebe, a aten-
aumento dagravidez na adolescéncía", ~ao 11 mulher muitas vezes esquecída, sendo esta atencáo
é

Aadolescencia inicia-se por volta dos dez anos e dirigida 11 enanca.


caracteriza-sepelo aumento davelocídadedocrescímento, O puerp ério um período emque a mulher necessi-
é

pelo amadurecimento físico e pelos conflitos ernocíonaís", ta de atencáo e apoio por parte da familia, amigos e de
Opuérperio nesse período vívenciando commaiores dífl-
é proñssíonaís, Apóso nascimentodaenanca,a assísténcía 11
culdades em conseqü énctas dos índices elevados de corn- mulher renegada, restando apenas urna consulta de rev í-
é

plícacóes clínicas, obstétricas, psicológicas e soclaís sao de parto, cerca de seis semanas apóso parto, período
causadaspelagestacáo precoce. em que, provavelrnente, muitas das SU:l~ dificuldades já fo-
Em um outro extremo, uma das entrevistadas tinha ram vividas.
42 anos, o que tamhém um quesito paragravidez de alto
é As entrevistadas referiram aspectos positivos e nega-
risco. Aídadeideal paraa procnacáositua-se entre 20e 30 tivos presentes no puerp érío, demonstrados a seguir:

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Aspectos positivos do puerp érío za~ao de grupos, atuar na prornocáo da saúde, tendo um
impacto positivo sobre a qualídade de vida das gestantes.
Dos relatos positivos das entrevistadas, todos es- Destacam-se como atividades que o Eníerrneiro podereali-
ravarn assocíados ao apoio oferecido nesse período, o zar: Orientacóes sobre a hora do pano, enfatizando os si-
que conscqucntcmente o tornou mais fác il e com me- naís e síntomas que caracterízam essa etapa, diminuindo
nos transto rnos. assim, a ansíedade e o medo que leva as parturientes a
temer o parto; deve ainda dar énfase aos cuidados no
Nao tá senda difícil nao. Eu to curtíndo muito, puerpétio; destacar a importancia do aleitamento mater-
curtíndo bastante. Minha sogra, minha rn áe e o no, incentivar essa pr átíca, tirando todas as d úv ídas da
paí da enanca me aíudarn ern tuda. Por isso puérpera, alérn de enfocar o cuidado com o recém-nascído
estou tendo rnaís tempo de curti r meu bebe e e outras, nao esquecendo de englobar o seu contexto mais
nao fico tio preocupada. (Jasmim) próximo na prátíca desse cuidado, que a família 13.
é

Meu parto e agora o resguardo, foi tuda o que


Aspectos negativos do puerperio
eu eslava esperando. Comecararn as comracóes,
depois a bolsa rompeu. Eu já sabia um bocado
Foram destacados pelas participantes, como aspec-
de coísa por causa do curso de gestante. Foi o
tos negativos do puerp érlo: complícacñ espuerperais e difi-
curso que me deixou tranquila. 1I0j e eu nao
tenho um pingo de díficuldade em amamentar, culdades cm assumir o papel de rn áe.
seí direitinho. (Rosa) Relacionada as complícac óes puerperaís, a sttuacño
que receben destaque forarn as complícac óes mamárias e
Observamos na fala de ]asmim, que a mesma nao cirúrgícas, evidenciado nas falas a seguir:
apontou nenbuma dlficuldade no puerpério, e a rnesma
assocía tal fato ao apoio recebido pela sogra, mñe e espo- Esse período foi horrivel, Meus peitos enche-
so, ressaltando a importancia da redesocial de apoio nesse ram dernais, aí feriu o bico, peguei Infeccáo,
volteí para a maternídade, tomei anti biótico e
momento, como senda algo primordial par:! uma adapta-
pareí de dar de mamar. (Adália)
~ao eficaz. Lago de total ímportáncía a partícipacáo fami -
é

liar no puerpétio.
É ruirn porque eu sentía essas crises dos seios
Na fala de Rosa, a mesrna ressalta muíto bern a impor-
encher, febre, esses frios que a a gente fica tre-
tancia do grupode gestantes, tanto na hora do pano, quan- mendo, nao sabia o que fazer. (Arnpola)
to nos cuidados p és-operatéríos e aleitamento materno.
veríñcamos que o apoio 11 mulher no período do (...) a barriga inflamou, quebrou dais pontos,
puerpério de total importancia para urna adaptacño
é
peguei infeccáo e foi horríve/. (Flor)
satisfatória. Ogrupo degestante para essas rnulheres servíu
de apoio através das oríentac óes e troca de experiencias Observamos nas duas primeíras falas, um total des-
vividas no próprio grupo, o que facilitou na hora do parto conhecimento com relacño a prática do aleítamento mater-
e nos cuidados pos-pano. no. Éevidenciadoquando Adálla suspendena amamentacáo
O grupo de gestante oferece um acompanhamento e na fala de Ampola, quando fala "nao sabia o que fazer".
psicológico no período gravídíco, oferece arnulher críen- Portante, faz-se necessário um apoio por parte dos profis-
~I~iies e ínfonnacóes adequadas, alémda qualidade na saúde sionais tanto a gestante no pré-natal, quanto a puérpera e
mental e física a mñe e ao fllho.'! seus familiares.
Diantedesta reflexáo, o enfermeiro deve realizartais É necess ár ío trabalhar junta a rnñe desde a fase do
atívídades como urna f0I111a de estar contribuindo para o pré-natal nosentindo de apoiá-Ia nafutura amamentacño. As
alcance da educacño, como meta maior, e atrav és da reali- a~iies deapoio devem continuar durante os meses seguíntes '.

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Adeíscéncía foi outracausa apontada pelas partici- CONSIDERAf;OES FINAIS


pantes do estudo como umaspecto negativo do puerp ério.
A deísc éncía é urna cornplícacáo pós-operatória, Opuerpério é urn momento difícil para a mulher, é
quepode ocorrer emqualquer procedimento/atocirúrgi- urna fase de adaptacáo, d úvídas, receios equestionamentos.
co. No caso de cesareana, os cuidados com urna paciente Momento em que a mulher vive novas experiencias, como
incluem cuidados pós-operatório e pós- parto, visto quea o ato de amamentar, cuidar da enanca e do lar, ser esposa
paciente foi anestesiada e sofreu urna cirurgia abdomi- e máe, enfim, momento de mudancas.
nal, deve receber os mesmos cuidados de qualquer paci- Logo, as acñes de cuidado nao devem estar voltadas
ente após urna cirurgia. Deve ser observada de perto até apenas para o recém- nascído, mas para a mulher tam-
se recuperar " . bérn, auxiliando a mesma na adaptacáo e na translcáo a
Opuerpério é um período deprofundas adaptat ées, maternidade, como tarn bérn a ultrapassar obstáculosque
no nosso estudo foram evidenciadas, principalmente mu- a mesrna encontre.
dancas que requerem adaptacñes para assumir o novo pa- Assírn, verificamos a importancia da rede social de
pel de rnáe, é o quese destaca nas falas abaixo descritas: apoío que se caracteriza por ser um conjunto de pessoas
capazes de oferecer ajuda a quem precisa. Podem ser des-
É urna fase difícil, a gente se sent éinsegura, flca tacadas como rede socialde apoioo profissional enfermeí-
triste, chora ... acho que é porque nao sei ser ro, a família, que sem dúvida é a unídade primária e
máe ainda. Mas aos poucos vou aprendendo.
respons ável pelo cuidado di reto com o indivíduo, seja ele
(Margarida)
sadio ou doente e ainda uma pessoa próxima, ou seja, o
vizinho, o amigo e outros.
Quando ele chora, flco logo pensando se ele está
scntindo dor de envido, llÍ com cólica e..) aí tern Com isso a enferrnagern assume papel primordial,
urna séríe de dúvídas, vocé fica rnaís preocupada através do seu paradigma que é a atencáo integral ao
com o bebe e esquece de voceo(Girassol) individuo, ou seja, o cuidado holístíco, favo recen do a
mulher no puerpério e a sua fa mília urna assísténcía
Evidenciamos que ambas relataram dificuldades em humanizada e global izada, tornando a sua adaptacáo ao
assumír e adaptar-se ao papel de rnáe. Essas dífículdades pape! de máe eficaz.
sao mais acentuadas com o nascírnento do primeiro fiUIO.
Estudos añrmam que díflculdades emassumir o pa- REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
pel de máe é antecipado pela ansiedade e o medo, mesmo
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antes do parto. Aansiedade é especialmente aguda nos días
que antecedem a data prevista e tende a intensificar-se ain- Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, abor-
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da mais quando a data prevista é ultrapassada. Os sentí-
mentossao contradít órios,avontade de tero filho e terminar Brasília, 2001.
a gravideze ao mesmo tempo de prolonga-la, paraadiar a 2. Barros S MO. Enfermagem obstétrica e ginecológica:
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Cabe a nós, enfermeiros, preparar essa mulher des-
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de o pré-natal para assum ír seu novo papel, discutir junto
com a mesma, suas diflculdades, seus medos, para que 4. Minayo M C. et 1. Pesquisa scial: Teoría, mtodo e
possa se sentir mais a vontade e mais preparada paraassu- ciatividade. 4' ed. Petrópolis: Vozes; 1995.
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pacáo domarido , pois o mesmo necessita de atencáo, para cologia: fundamentos e recursos básicos. 2' ed . Sao
assumir seu papel de pai e redefinir o seu de esposo. Paulo: Moraes; 1994.

Rev, RENE_ Fortaleza, V. 6, n. 2, p. 26-31, maloJagosto 2005


Arligas Origillais

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RECEBmo: 18/08/04
ACEITO: 21/02/05

Rev. RENE. Forta leza, v, 6, n. 2. p. 26·31, malolagoslo 2005

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