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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM

ENSINO DE GEOGRAFIA

1º Ano

Disciplina: FUNAMENTOS DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA

Código:

Total Horas/1o Semestre:


Créditos (SNATCA):
Número de Temas:

INSTITUTO SUPER

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED


ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e


contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total
deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto
Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED).

A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais


em vigor na República de Moçambique.

Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)


Direcção Académica
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Beira - Moçambique
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Website: www.isced.ac.mz

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Agradecimentos

O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual


agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual:

Pela Coordenação Direcção Académica do ISCED

Pelo design Direcção de Qualidade e Avaliação do ISCED

Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da Educação


a Distancia (IAPED)

Pela Revisão: Luísa Luís Jemuce

Elaborado Por: Pedro Herculano Arrone

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Índice

Visão geral
Benvindo ao Módulo de Fundamentos da ciência Geográfica ..........................................
Objectivos do Módulo.........................................................................................................
Quem deveria estudar este módulo? .................................................................................
Como está estruturado este módulo? ................................................................................
Ícones de actividade ...........................................................................................................
Habilidades de estudo ........................................................................................................
Precisa de apoio? ................................................................................................................
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ..................................................................................
Avaliação .............................................................................................................................

TEMA I: Geografia: conceito, objecto de estudo, principios e metodos


Unidade 1.1. Conceito de Geografia………………………………………………….
Unidade 1.2. Objecto de estudo de Geografia ………………………………………….….
Unidade 1.3. Princípios da Geografia ……………
Unidade 1.4. Métodos e técnicas de pesquisa em Geografia ………….
Unidade 1.5- Os conceitos fundamentais da Geografia: lugar, região, território, paisagem,
espaço………………….
unidade 1.5- Importância e aplicações da Geografia

TEMA II: O desenvolvimento da ciência geográfica


unidade 2.1- Geografia do seculo XIX…………………………………………………………………………………..
Unidade 2.2- Geografia do seculo XX……………………………………………………………………………………

Unidade: 2.3- Pós-modernidade e a Geografia

TEMA III- O Universo e sua estrutura…………………………………………………………………………


Unidade 3.1- Composicao do univero e a Via Láctea e outras Galáxias……………………
Unidade 3.2- Sistema solar…………………………………………………………………………………………..
Unidade 3.3- Teorias sobre origem da terra………………………………………………

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Unidade 3.4-A terra e os seus movimentos………………………………………………

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Visão geral

Benvindo ao Módulo de Fundamentos Da Ciência Geografica

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de Fundamentos da ciência Geográfica


deverá ser capaz de:

 Compreender a ciência geográfica como um instrumento


proporcionador de leitura do mundo contemporâneo
 Conhecer os fundamentos teóricos da geografia
 Conhecer os conceitos básicos das ciências geográficas
 Identificar os elementos básicos do universo
Objectivos  Reconhecer a terra como um sistema aberto
Específicos
 Desenvolver capacidades de análise, síntese e relação entre
factos e fenómenos

Quem deveria estudar este Módulo

Este Módulo, Fundamentos da ciência Geográfica, foi concebido para


estudantes do 1º ano do curso de Licenciatura em Ensino de Geografia.
Contudo, poderá ocorrer, que haja leitores que queiram se actualizar e
consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem-vindos,
não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual.

Como está estruturado este módulo

Este módulo, Fundamentos da ciência Geográfica, para estudantes do 1º


ano do curso de Licenciatura em Ensino de Geografia, à semelhança dos
restantes do ISCED, está estruturado como se segue:
Páginas introdutórias

Um índice completo.
Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo
os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor
estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com
atenção antes de começar o seu estudo, como componente de
habilidades de estudos.

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Conteúdo deste módulo

Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez
comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente
unidades, cada unidade temática se caracteriza por conter uma
introdução, objectivos, conteúdos.
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só
depois é que aparecem os exercícios de avaliação.
Os exercícios de avaliação têm as seguintes características: puros
exercícios teóricos/práticos e actividades práticas.
Outros recursos

A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si,


num cantinho, recóndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de
dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta
uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você
explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro
de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso
como: Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste
material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter
acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as
possibilidades dos seus estudos.
Auto-avaliação e Tarefas de avaliação

As Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no


final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos
exercícios de auto-avaliação apresentam duas características:
primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo,
exercícios que mostram apenas respostas.
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação
mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de
dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras.
Parte das tarefas de avaliação será objecto dos trabalhos de campo
a serem entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção
e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do
módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exercícios de
avaliação é uma grande vantagem.

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Geográfica

Comentários e sugestões

Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados


aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza didáctico-
Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas.
Pode ser que graças as suas observações que, em gozo de
confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser
melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes ícones servem para identificar diferentes partes do processo
de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova
actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender.


Aprender aprende-se.

Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a


aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho,
dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se
conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante
saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com
as quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado
aos estudos, procedendo como se segue:

1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura.

2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).

3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica


dos conteúdos (ESTUDAR).

4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua


aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão.

5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de


estudo de caso se existirem.

IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo,


respectivamente como, onde e
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quando...estudar, como foi referido no início deste item, antes de organizar


os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria
ideal para si: Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo
melhor à noite/de manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana?
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!?
Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada hora, etc.

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante
um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em
profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o
anterior.

Privilegia-se saber bem (com profundidade), o pouco que puder ler e


estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o
útil ao agradável: saber com profundidade todos conteúdos de cada tema,
no módulo.

Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo


superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10
(dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-se descanso à mudança de
actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos
mesmos assuntos das actividades obrigatórias.

Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual obrigatório,


pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem.
Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos
de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos,
perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não
aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar
injustamente incapaz!

Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação.


Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistematicamente),
não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas
sim estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade como
futuro profissional, na área em que está a se formar.

Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias
deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir
como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao
estudo e a outras actividades.

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É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma


necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A
colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de
modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e pode
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode
também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados com
o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à
compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o
dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou
não lhe é familiar;

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material
de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como falta de
clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, falta de
clareza, fraca visibilidade, página trocada ou invertidas, etc.). Nestes casos,
contacte os serviços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de
Recursos (CR), via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma
carta participando a preocupação.
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e
Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com
qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância
(EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes,
estudante – Tutor, estudante – CR, etc.
As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem
a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou
com parte da equipa central do ISCED indigetada para acompanhar as sua
sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos
de natureza pedagógica e/ou administrativa.
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do
tempo de estudos a distância, é de muita importância, na medida em que
permite lhe situar, em termos do grau de aprendizagem com relação aos
outros colegas. Desta maneira ficará a saber se precisa de apoio ou precisa
de apoiar aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos
relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos diferentes
temas e unidade temática, no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e


autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas
semanas antes das sessões presenciais seguintes.

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Geográfica

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não


cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta
e é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo.
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos
devem ser dirigidos ao tutor/docente.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os
mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do
autor.
O plágio 1 é uma violação do direito intelectual do (s) autor(es). Uma
transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do texto de um autor, sem o
citar é considerada plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito
pelos direitos autoriais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu
autor (estudante do ISCED).

Avaliação

Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, estando


eles fisicamente separados e muito distantes do docente/turor!? Nós
dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e
consistente.
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um
mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do
seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo
de 10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta
detalhada do regulamento de avaliação.
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e aprendizagem
no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos
exames.
Os exames são realizados no final da cadeira/disciplina ou modulo e
decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo 75%,
o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final
com a qual o estudante conclui a cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1
(um) (exame).
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como
ferramentas de avaliação formativa.

1
Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade
intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.

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Geográfica

Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em


consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a
forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das
referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre
outros.
Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de
Avaliação do ISCED.

TEMA – I: Geografia: conceito, objecto de estudo, principios e metodos

UNIDADE Temática 1.1. Conceito de Geografia

Introução

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Definir Geografia;

Objectivos
Específicos

Conceito da Geografia

A geografia é uma ciência que estuda os padrões de distribuição dos


fenómenos naturais e humanos pela superfície terrestre, as causas e as leis da
distribuição, a regularidades, particularidades, interacções ou influências
recíprocas dos fenómenos naturais e humanos. A geografia estuda a
diversidade dos seres vivos, as populações, os ecossistemas, à diferentes

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escalas de análise (escalas global e local). Estuda também a diversidade de


países com seus sistemas políticos, a diversidade de sistemas económicos,
das culturas, das raças, etc.

A abordagem da distribuição é feita duma forma dinâmica, isto é, a


geografia estuda processos e resultados. Estuda o espaço produzido,
resultante da interacção entre o Homem, as comunidades, a sociedade e o
meio biofísico. Tenta esclarecer as origens das localizações dos fenómenos.
Ao conhecer a origem, a Geografia, pode prever o futuro. Este prognóstico
está baseado no conhecimento dos processos e sua interacção.

Para explicar a origem dos fenómenos, sua distribuição e prever a sua


evolução, a geografia serve-se de um servo de conceitos que representam
diferentes fenómenos. Utiliza uma certa linguagem que representa os
factores naturais e humanos. Desenvolve teorias que geralmente explicam
fenómenos complexos. Utiliza modelos para explicar e representar
fenómenos complexos. Exemplo: mapa- o mais usado e que é um modelo
físico, representando a superfície terrestre, permitindo lidar com a realidade
sem sair do lugar e tomar decisões acerca de diferentes aspectos da vida.

A Geografia estuda as relações entre o processo histórico que regula a


formação das sociedades humanas e o funcionamento da natureza, através da
leitura do espaço geográfico e da paisagem.

Sumário

Nesta unidade que terminamos, pudemos perceber que a geografia estuda os


padrões de distribuição dos fenómenos naturais e humanos pela superfície
terrestre; a diversidade dos seres vivos, as populações, os ecossistemas, à
diferentes escalas de análise (escalas global e local); a diversidade de países
com seus sistemas políticos, a diversidade de sistemas económicos, das
culturas, das raças, etc.

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Geográfica

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Defina geografia?
2. Como é feita a abordagem da distribuicao dos fenómenos geográficos?
3. De que serve a geografia para explicar a origem dos fenómenos, sua distribuição
e prever a sua evolução?
4. Quais são modelos que a geografia usa para explicar e representar fenómenos
complexos?

UNIDADE Temática 1.2 – Objecto de estudo da Geografia

Introudução

Nesta unidade iremos abordar sobre o objecto de estudo de


geografia, isto é, a área de estudo ( conteudos ) da geografia.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Identificar o objecto de estudo de geografia;

Objectivos
Específicos

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Objecto de estudo de Geografia

A GEOGRAFIA é uma das ciências humanas que tem por objectivo o estudo
do espaço, é concebida também como o estudo da superfície terrestre e a
distribuição espacial de fenómenos geográficos, frutos da relação recíproca
entre homem e meio ambiente que podemos chamar de ecologia, mas
também pode ser uma prática humana de conhecer o espaço onde se vive
para compreender e planejar onde se vive.

O objecto de estudo da Geografia é o espaço geográfico, o mesmo é divido


em: espaço geográfico natural e espaço geográfico cultural ou construído.
Em suma, pode-se afirmar que o espaço geográfico é o “palco” das relações
humanas, pois o homem habita a superfície e usufrui de tudo que a natureza
fornece.

A partir da noção de espaço como um conjunto indissociável de sistemas de


objectos e sistemas de acções podemos reconhecer suas características
analíticas internas. Entre elas, estão a paisagem, a configuração territorial, a
divisão territorial do trabalho, o espaço produzido ou produtivo, as
rugosidades e as formas-conteúdo. Da mesma maneira e com o mesmo ponto
de partida, levanta-se a questão dos recortes espaciais, propondo debates de
problemas como o da região e o do lugar, o das redes e das escalas.
Paralelamente, impõe-se a realidade do meio com seus diversos conteúdos
em artifício e a complementaridade entre uma tecnosfera e uma psicosfera.
E do mesmo passo podemos propor a questão da racionalidade do espaço
como conceito histórico actual e fruto, ao mesmo tempo, da emergência das
redes do processo de globalização. O conteúdo geográfico do quotidiano
também se inclui entre esses conceitos constitutivos e operacionais, próprios
à realidade do espaço geográfico, junto à questão de uma ordem mundial e
de uma ordem local. (SANTOS, 2004, p. 23).

Para o autor a Geografia é uma ciência que tem por objecto uma categoria,
regida pelas leis de uma formação económica e social. Possui uma ordem de
grande complexidade, porque se refere a movimentos determinados
historicamente. Para Moreira (2007), as categorias espaciais que constroem a

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Geografia das sociedades, é um mesclado entre organização espacial,


tecnificação, diversidade, unidade, contradição, regulação, mobilidade,
hegemonia, recorte do território, escala, regulação, urbanização,
compreensão, a fluidificação, hibridismo e a (re)estruturação permanente do
espaço.

Sumário

Nesta unidade vimos que o objecto de estudo da Geografia é o


espaço geográfico, o mesmo é divido em: espaço geográfico
natural e espaço geográfico cultural ou construído. Vimos
também que o espaço geográfico é o “palco” das relações
humanas, pois, é o homem habita a superfície e usufrui de tudo
que a natureza fornece.

A partir da noção de espaço como um conjunto indissociável de


sistemas de objectos e sistemas de acções podemos reconhecer
suas características analíticas internas. Entre elas, estão a
paisagem, a configuração territorial, a divisão territorial do
trabalho, o espaço produzido ou produtivo, as rugosidades e as
formas-conteúdo.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1- Qual é o objecto de estudo da geografia?

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2- O que é espaço geográfico?

UNIDADE Temática 1.3- Princípios da Geografia

Introudução

Nesta unidade focaremos sobre os principios de geografia

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Destacar os princípios de geografia ;

 Explicar a essência dos princípios de geografia

Objectivos
Específicos

Princípios da Geografia
Princípio da Extensão ou Localização: O geógrafo, ao estudar um fato
geográfico ou área, deve proceder à sua localização e delimitação, utilizando
para tanto os recursos atribuídos pela Cartografia. (Frederich Ratzel)

Princípio da Analogia
Delimitada e observada a área, o geógrafo deve compará-la com outras áreas,
buscando semelhanças e diferenças existentes. (Karl Ritter e Paul Vidal de
La Blache)

Princípio da Causalidade
O geógrafo deve explicar os motivos das ocorrências dos fatos ou
paisagens geográficas, ou seja, buscam as causas e examinam as suas
consequências. É a própria lei de causa e efeito.

Princípio da Actividade

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Estuda as paisagens do ponto de vista dinâmico, verificando as mudanças e


evoluções existentes nas paisagens (Jean Brunhes)

Princípio da Conexão ou Interacção


Estuda o relacionamento recíproco entre os fatos. Os fatos jamais devem ser
estudados isoladamente, sendo sempre correlacionados. Um fato sempre
influencia um outro fato.(Jean Brunhes)

Sumário

Nesta unidade, acabamos de estudar que a geografia usa no seu


estudo cinco (5) principios, nomeadamente: princípio da
extensão ou localização; de analogia; de causalidade; de
actividade e de conexão ou de interacção.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Quantos principios a geografia usa para o seu estudo?
2. Quais são esses principios?

UNIDADE Temática 1.4- Métodos e técnicas de pesquisa em Geografia

Introudução

Nesta unidade iremos aboradar sobre os métodos e técnicas de pesquisa em


geografia.

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Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Descrever os metodos es estudo de geografia

Objectivos
Específicos

Métodos e técnicas de pesquisa em Geografia


Métodos de abordagem
Trata-se de um fundamento do plano geral de trabalho; fala de seus
pressupostos lógicos, do processo de raciocínio escolhido. Enfim, discutir o
método de abordagem é debater um conjunto de procedimento
essencialmente racional, caracterizado basicamente por “uma abordagem
mais ampla, em nível de abstracção mais elevado, dos fenómenos da
natureza e da sociedade” (LAKATOS, 2001, p.106). Em outras palavras, os
métodos de abordagens podem ser entendidos como um conjunto de
procedimentos gerais. Em termos de seu delineamento e conforme
especificamente o tipo de raciocínio empregado, o método de abordagem
pode ser discutido através de quatro maneiras principais: método dedutivo;
método dedutivo; método hipotético-dedutivo e método dialéctico.
Método indutivo
Trata-se de um método que promove uma conexão ascendente, ou seja, tal
raciocínio parte de premissas particulares em direcção às premissas gerais.
Pode ser delineado a partir das seguintes etapas:
Observação: manifestações da realidade, espontânea ou provocadas;
Hipótese (s): tentativa de explicação;
Experimentação: observação da reacção de causa-efeito, imaginada na etapa
anterior;
Comparação: classificação, análise e crítica dos dados recolhidos;
Abstracção: verificação dos pontos de acordo e de desacordo dos dados
recolhidos;

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Generalizações: consiste em estender a outros casos, da mesma espécie, um


conceito obtido com base nos dados observados (ANDRADE, 1993, p. 105)

Método dedutivo
Neste método, ocorre a promoção da conexão descendente, ou seja, os
pressupostos de raciocínio partem de premissas gerais para premissas
particulares. A dedução, enfim, “é a argumentação que torna explicitas
verdades particulares contidas em verdades universais” (CERVO, 1983, p.41)

Método Hipotético-Dedutivo
Caracteriza-se principalmente pelo seu aspecto lógico. Desta forma,
relaciona-se fundamentalmente e historicamente com a questão da
experimentação, facto que lhe dá destaque, sobretudo, nas investigações das
ciências naturais.

Método Dialéctico
Define-se como um método de investigação dos fenómenos em constante
mudança, os quais ocorrem inerentemente, a partir das acções recíprocas e
contraditórias entre natureza e a sociedade (ANDRADE, 1993). O método
dialéctico traz contribuições significativas para o processo de formação do
conhecimento, quando problematiza o processo do conhecimento dentro de
um contínuo de constantes mudanças inacabadas que contém um todo que
abarca contrários em incessantes conflitos. Nesse processo, há sempre algo
que se cria, se desfaz, se agrega, se desagrega. È como se o real, nessa
perspectiva, pudesse ser exemplificado uma massa heterogénea com todos
os contrários em constante luta.

Método de procedimento
Tem um carácter específico, ou seja, apresenta-se menos da perspectiva do
plano geral do trabalho e mais do ponto de vista de suas etapas, ressaltando
suas particularidades. Em outras palavras: Os métodos de procedimentos
seriam etapas mais concretas da investigação, com finalidade mais restrita
em termos de explicação geral dos fenómenos e menos abstractas.

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Método histórico
Investiga os fenómenos sociais e humanos nos seus processos históricos,
averiguando-os junto às instituições do passado a fim de ver os possíveis
graus de influência na sociedade actual.

Método Comparativo
Realiza comparações com a finalidade de verificar semelhanças e explicar
divergências. Usado para comparações de grupos no presente, no passado,
entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento.

Método estatístico
Utiliza-se fundamentalmente da perspectiva estatística, que lida com
probabilidades. Ainda que indique certa margem de erro, suas conclusões
mostram-se com grandes possibilidades de acertos.

Método Funcionalista
É considerado mais um método de interpretação do que de investigação.
Enfatiza as relações e o ajustamento entre os diversos componentes de uma
cultura ou sociedade. Propõe-se a estudar a sociedade, a partir da função de
suas unidades, ou seja, estudá-la como um sistema organizado de actividades.
Considera, de um lado, a sociedade como uma estrutura complexa de
indivíduos reunidos numa trama de acções e reacções sociais; de outro, como
um sistema de instituições correlacionadas entre si, agindo e reagindo umas
em relação às outras.

Técnicas de pesquisa de campo em Geografia

Os estudos geográficos não são feitos de forma isolada, pois apresentam


inter-relações. Por exemplo, não se pode entender a distribuição de solos
numa determinada área sem conhecer um pouco de geologia, relevo, clima e
vegetação. Além disso, o entendimento das complexas relações entre os
elementos e processos físicos é importante para a sobrevivência do próprio

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homem, uma vez que os sistemas físicos da Terra e a sociedade humana são
inter-relacionados e interdependentes.

Em aulas de campo que podem ocorrer em qualquer ambiente (natural,


urbano, rural e até no oceano, a depender da temática envolvida), onde os
alunos praticam a observação orientada por conceitos apreendidos em aula
(erosão, monocultura, densidade populacional etc.), além de usar algumas
técnicas e manusear instrumentos. O trabalho de campo, é complementado
pelo trabalho de laboratório, envolvendo o tratamento dos dados obtidos no
campo, transformando em informações. Por exemplo, as amostras do solo
serão analisados mais precisamente e classificadas, os questionários serão
tabulados, as entrevistas serão transcritas, as fotografias serão melhoradas e
s vídeos editados, etc.

A observação como técnica de recolha de dados reveste-se de grande


importância numa pesquisa de campo. Por exemplo, a observação
sistemática será dirigida ou focada em alguns alvos previamente
determinados pelos objectivos da pesquisa, precisamente pelas hipóteses
levantadas ou pelas variáveis analíticas seleccionadas.

A observação sistemática poderá ser operacionalizada por uma diversa gama


de instrumentos, como os ópticos (binóculo, lupas, lentes e microscópios,
etc). Entre tais instrumentos ainda existem aquelas que possibilitam o
registro da observação, como câmaras fotográficas e câmaras de vídeo. Há
ainda os instrumentos métricos, como o clinómetro, com o qual se obtém
inclinação de vertentes, o termómetro, o heliógrafo, para medir a radiação
solar. Finalmente existem instrumentos de georeferenciamento que nos dão
a posição geográfica e a orientação espacial dos factos observados, como a
bússola GPS e o próprio mapa.

Exemplos de técnicas de pesquisa de campo em Biogeografia

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Observação e análise do comportamento de animais


Essa técnica é importante para a Biogeografia porque procura identificar as
relações entre o comportamento animal e sua distribuição geográfica.
Para a observação dos animais em campo, é necessário conhecer bem o
animal, saber se é de fácil visualização ou não; se é necessário o observador
usar camuflagem ou construir um abrigo camuflado; definir como será feito
o deslocamento do observador para seguir o animal; se será utilizada ceva
ou não, etc. Tudo deve ser feito para que a observação não afecte o
comportamento do animal, justamente o foco da técnica. Se a observação for
invasiva ou perturbatória, alterará o comportamento do animal e será
observada a reacção do animal frente à perturbação e não seu comportamento
habitual e inalterado.

Armadilhas fotográficas
Uma das técnicas menos invasivas para obter informações e registos visuais
de animais é a utilização de armadilhas fotográficas, que são câmaras
fotográficas colocadas em áreas ou trilhas de movimentação potencial de
animais, ligadas a sensores de calor e movimento, que accionam o disparo
da câmara quando os animais passam nas proximidades da armadilha
fotográfica. Com as fotografias obtidas, pode-se fazer a identificação dos
animais presentes na área estudada e obter outras informações.

Visualização e Registo de pegadas e trilhas de animais


As pegadas e as trilhas são indícios, sinais e evidências que os animais
deixam nos locais que ocupam ou nos quais transitam. Para a identificação
das pegadas, é imprescindível conhecimento sobre a morfologia corporal dos
animais, principalmente das extremidades dos diversos grupos e espécies; as
pegadas dos mamíferos são as que produzem melhores resultados na
identificação pelas pegadas. Podem ser registadas por fotografia, desenho e
ou moldes em gesso. Cada animal ou grupo de animais apresentam pegadas
e marchas diferentes, que podem ser feitas por patas ou caudas.

Visualização e registo de locais de repouso, refúgio, pouso, ninhos,


tocas e abrigos de animais
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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Locais de repouso, refúgio e pouso, juntamente com ninhos, tocas e abrigos


de animais podem indicar sua presença e sua área de distribuição, entre
outras informações. Os indícios pegadas, penas, pêlos, pele e dentes, entre
outros, podem resultar numa identificação mais precisa do que ninhos, tocas,
abrigos e esconderijos. Porém, nenhum vestígio ou indício deve ser
menosprezado se for localizado e observado em campo.

Exemplo de técnica pesquisa em Geomorfologia

Em campo, é possível fazer medição da declividade com o uso do


clinómetro, equipamento que possui uma mira e no seu interior uma bolha
que auxilia na definição do ponto de equilíbrio. Quando se atinge o alvo
desejado, ou seja, o topo ou a base da vertente, trava-se o clinómetro fazendo
– se a leitura da declividade em graus ou em percentagem.

Exemplo Experimentos de campo em estudos geomorfológicos

Entre os experimentos mais utilizados em campo estão as parcelas para


medir erosão dos materiais particulados dos solos pela acção mecânica das
águas das chuvas. Esses experimentos devem ser instalados em diferentes
condições de relevo, solos e cobertura vegetal para que os dados possam ser
comparados. Deve-se sempre tomar variáveis fixas e promover a variação
das demais. Por exemplo, toma-se como variáveis fixas a morfologia da
vertente, a declividade uniforme do sector da vertente escolhida e o tipo de
solo, como por exemplo, uma vertente côncava, com declividade de 20% e
solo de textura média. Os experimentos são instalados nos terrenos que
tenham essas características de relevo e solo e os sítios devem variar em
função da cobertura vegetal e do uso da terra. Pode-se instalar uma parcela
sob a mata natural, outra sob um bosque de silvicultura, outra em terrenos
com pastagem, outras com agricultura de ciclo curto (soja, milho, trigo,
algodão etc.), outras com agricultura de ciclo longo (citricultura, café, cacau,
pimenta do reino, frutas arbóreas etc,), essas variações podem ser trabalhadas
em função das estações climáticas ao longo do ano ou dos tipos climáticos
regionais. Enfim, há uma
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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

grande gama de possibilidades para se trabalhar com os experimentos de


campo

Calhas de Gerlarch

Os experimentos com parcelas delimitadas e fechadas com calhas para


colectas de sedimentos e água constituem-se por lâminas ou placas de metal
galvanizado que fecham três lados de um rectângulo com um quarto lado
posicionado na parte mais baixa da área da amostragem, onde se instala a
calha colectora, também construída por lâmina de ferro. A calha por sua vez
é conectada a tambores por saídas laterais de água.

O trabalho do pesquisador e seus auxiliares é Colectar, a cada chuva, o


volume de água e sedimentos armazenados na calha e nos tambores,
medindo-os, secando-os e pesando-os em balança de precisão. Importante
lembrar que ao lado do experimento é preciso instalar um pluviómetro ou
pluviógrafo para se ter simultaneamente os dados sobre o volume das chuvas
que ocorrem no episódio que transportou aquela quantidade de sedimentos
contidos nas águas da calha e dos tambores. Esse procedimento deverá ser
feito permanentemente ao longo de toda fase de experimentação, que poderá
ser de pelo menos um ano, para se ter melhor percepção da dinâmica
processual em função dos períodos chuvosos e secos.

Se ao final de um experimento, constatar-se que a parcela instalada em uma


cultura X acumulou mais sedimentos que a parcela instalada em cultura Y,
Pode-se concluir que a cultura Y protege mais o solo e a cultura X o deixa
mais susceptível à erosão.

Exemplo da análise da consistência em estudo de solos

A consistência corresponde às várias forças de coesão e adesão do solo em


vários graus de humidades, como seco, húmido e molhado. A forca de adesão
refere-se à atracção de partículas sólidas por partículas sólidas e a forca de
adesão refere-se a atracção das moléculas de água pela superfície das
partículas solidas. Ela permite inferir informações sobre o uso e o manejo do
solo.

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Geográfica

A consistência do solo seco é verificada comprimindo-se um torrão do solo


entre o dedo polegar e indicador, que vai indicar a dureza do material,
variando de solta a extremamente dura, conforme os seguintes tipos de
consistência do solo seco:

 Solta: material não coerente entre o polegar e o indicador;


 Macia: fracamente coerente e frágil;
 Ligeiramente dura: fracamente resistente à pressão, quebra
facilmente;
 Dura: moderadamente resistente e dificilmente quebrável entre o
polegar e o indicador;
 Muito dura: muito resistente e quebrável nas mãos com facilidade;
 Extremamente dura: extremamente resistente e não pode ser
quebrado com as mãos.

Exemplo de técnica de estudo de campo em climatologia (estudo de


micro clima)

A temperatura do ar diária representa momentos de máxima (por volta de 14


horas) e mínima (por volta de 5 horas, dependendo da estacão do ano e da
latitude). Para tanto, com um termómetro, o observador teria que ficar
constantemente (em intervalos de no mínimo uma hora) anotando os valores
de temperatura do ar. Ao final do dia, pode calcular o gradiente térmico.

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Sumário

Já vimos que para o estudo de geografia, usam – se métodos de


abordagem e de procedimentos, para além das técnicas de
pesquisa de campo.

Dos métodos de abordagem se destacam: método dedutivo;


método dedutivo; método hipotético-dedutivo e método
dialéctico

Métodos de procedimentos: Método histórico; comparativo;


estatístico e Funcionalista.

Técnicas de pesquisa de campo em geografia variam dos


objectivos que se pretende atingir e do objecto de estudo que se
quer pesquisar, por isso, podemos dividir as técnicas em:
Biogeografia: Observação e análise do comportamento de
animais; armadilhas fotográficas; visualização e Registo de
pegadas e trilhas de animais; visualização e registo de locais de
repouso, refúgio, pouso, ninhos, tocas e abrigos de animais. As
técnicas em Geomorfologia: calhas de Gerlarch; análise da
consistência em estudo de solos.

Técnica de estudo de campo em climatologia (estudo de micro


clima): A temperatura do ar diária representa momentos de
máxima (por volta de 14 horas) e mínima (por volta de 5 horas,
dependendo da estacão do ano e da latitude). Para tanto, com um
termómetro, o observador teria que ficar constantemente (em
intervalos de no mínimo uma hora) anotando os valores de
temperatura do ar. Ao final do dia, pode calcular o gradiente
térmico.

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Quais são os métodos de abordagem que a geografia utiliza no seu
estudo?
2. Menciona os métodos de procedimentos utilizados em geografia.
3. Quais são as técnicas de pesquisa de campo utilizadas no estudo de
geografia?

UNIDADE Temática 1.5- Os conceitos fundamentais da Geografia: lugar, região,


território, paisagem, espaço

Introdução

Nesta unidade que se segue, o foco central serão os conceitos de


lugar, região, território, paisagem e espaço.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

 Definir os conceitos: lugar, região, território, paisagem e espaço

Objectivos
Específicos

Os conceitos fundamentais da Geografia: lugar, região, território,


paisagem e espaço
Conceito de lugar

O conceito de lugar é muito importante para a Geografia, pois representa a


porção do espaço geográfico dotada de significados particulares e relações
humanas. A expressão “lugar” é polissémica, ou seja, possui uma variedade
de significados. Se pesquisarmos no dicionário, por exemplo, veremos
conceitos relacionados a espaço ocupado, pequenas áreas, localidades,
pontos de observação, região de referência, entre outros. No entanto, o
conceito de lugar para a Geografia é alvo de um debate mais específico,
ganhando novos contornos.

Não há entre os geógrafos, um consenso sobre o que seria propriamente o


lugar. Tudo depende da abordagem empregue na utilização do termo, bem
como da corrente de pensamento relacionada com a teoria em questão. Por
isso, ao longo da história do pensamento geográfico, esse conceito foi alvo
de vários debates, ganhando gradativamente novos contornos. Nos estudos
clássicos da Geografia, o estudo tinha uma importância secundária, tendo sua
noção vinculada ao local. Em uma escala de análise, referia-se, dessa forma,
apenas a uma porção mais ou menos definida do espaço. No entanto, essa
ideia foi sendo enriquecida ao longo do tempo e do avanço das discussões.

Atribui-se a Carl Sauer a primeira grande contribuição para a valorização do


conceito de lugar. Para o autor, a paisagem cultural é quem define o estudo
da Geografia e o sentido do lugar estaria vinculado à ideia de significação
dessa paisagem em si. A partir daí, esse importante termo foi sendo
vinculado não ao local, mas ao significado específico, ou seja, aos atributos

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

relativos e únicos de um dado ponto do espaço, transformando suas


impressões em sensações únicas.

Com essa evolução, sobretudo pelas contribuições de autores como Yi-Fu


Tuan e Anne Butiimer, a ideia de lugar passou a associar-se à corrente
filosófica da fenomenologia que, basicamente, trata os fatos como únicos,
partindo da compreensão do ser sobre a realidade e não da realidade em si,
esta tida como inatingível. Por isso, o lugar ganhou a ideia de significação e,
mais do que isso, de afecto e percepção.

Assim, uma rua onde passei a infância pode ser chamada de lugar, ou a região
onde moro, ou até mesmo a minha casa e a fazenda onde gosto de passar os
finais de semana. Tudo isso, de acordo com a Geografia, é um lugar e
apresenta-se como um fenómeno concernente à dinâmica do espaço
geográfico.

Espaços públicos de convivência e lazer são frequentemente abordados e


estudados pela Geografia a partir da ideia de lugar. Em alguns casos, estudos
geográficos com base nessas premissas foram responsáveis pela mudança na
arquitectura de praças e espaços de lazer, sobretudo no sentido de adequar
tais locais à compreensão e percepção das pessoas e à ideia que essas tinham
de como deveria ser o seu lugar.

Segundo SANTOS (2004: 332), o conceito de lugar, entendido como produto


da experiência humana, é definido da seguinte forma: “no lugar – um
quotidiano compartido entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições
– cooperação e conflito são a base da vida em comum”.

Lugar é um determinado espaço no qual o individuo desenvolve para com


ele relação de identidade, afectividade e do bem-estar.

O lugar é o palco onde se manifesta a acção: É onde as relações são tecidas


e partilhadas. É a realidade sensível de carácter emocional e afectivo em
constante transformação, com ligações espaciais próprias que o caracterizam
com uma carga também social, económica, com processos lúdicos, de
crenças e de imaginários.

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Conceito de região

Região é um território que, pelo clima, solo, vegetação, produção económica


e outras características próprias, se diferenciam dos territórios próximos. É
uma área delimitada, demarcada, estabelecida. Região pode ser entendida
como uma parte da superfície da Terra, dimensionada segundo escalas
territoriais diversificadas e caracterizada pela uniformidade resultante da
combinação dos elementos da natureza ou socioeconómicos, como o clima,
o relevo, a vegetação, a geologia, população, indústria, e outros adicionais
que diferenciariam ainda mais cada uma destas partes.
A Região Geográfica é considerada uma entidade concreta, palpável, um
dado com vida, supondo, portanto uma evolução e um estágio de equilíbrio.
Neste raciocínio, chegar-se-ia a conclusão de que uma região poderia
desaparecer. Sendo assim, o papel do geógrafo é o de reconhecê-la, descrevê-
la e explicá-la, isto é, tornar claros seus limites. O que importa é na região
haja uma combinação específica da diversidade, uma paisagem que acabe
conferindo singularidade àquela região, ou seja, onde o geógrafo evidenciava
a individualidade da região, sua personalidade, aquela combinação de
fenómenos naturais e humanos que não se repetiria

Conceito de território

O território se forma a partir do espaço, é o resultado de uma acção conduzida


por um actor sintagmático (actor que realiza um programa) em qualquer
nível. Ao se apropriar de um espaço, concreta ou abstractamente (por
exemplo, pela representação), o actor "territorialização" o espaço

O território é um espaço onde se projectou um trabalho, seja energia e


informação, e que, por consequência, revela relações marcadas pelo poder.
Um território, antes de ser uma fronteira, é um conjunto de lugares
hierárquicos, conectados por uma rede de itinerários. No interior deste
espaço-território, os grupos e as etnias vivem uma certa ligação entre o
enraizamento.

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Geográfica

Território é o espaço das experiências vividas, onde as relações entre os


atores, e destes com a natureza, são relações permeadas pelos sentimentos e
pelos simbolismos atribuídos aos lugares. São espaços apropriados por meio
de práticas que lhes garantem uma certa identidade social e cultural

Conceito de paisagem

A paisagem é considerada, pela maioria das correntes do pensamento


geográfico, um conceito-chave da Geografia. O termo paisagem é
polissémico, ou seja, pode ser utilizado de diferentes maneiras e por várias
ciências. Essa categoria geográfica consiste em tudo aquilo que é perceptível
através de nossos sentidos (visão, olfacto, tato e audição), no entanto, a
análise da paisagem é mais eficaz através da visão. Nesse sentido, a
Geografia moderna, que priorizava os estudos dos lugares e das regiões,
utilizou-se da fisionomia dos lugares para atingir êxito em suas abordagens
geográficas, observando as transformações no espaço geográfico em
decorrência das actividades humanas na natureza. A paisagem é, pois, os
aspectos perceptíveis do espaço geográfico, isto é, a forma como
compreendemos o mundo a partir de nossos sentidos, tais como a visão, o
olfacto, o paladar, entre outros. É claro que a visão é, geralmente, o mais
preponderante dos sentidos quando falamos em compreensão da paisagem,
porém não é o único, de forma que podemos perceber o espaço também pelos
seus cheiros, sons, sabores e aspectos externos.

A paisagem carrega consigo aspectos naturais e também aspectos culturais


ou humanizados. Quando uma determinada área é formada apenas pelos
elementos da natureza, falamos de uma paisagem natural, mas quando ela
apresenta alguma intervenção humana, então falamos de paisagem cultural,
também chamada de “paisagem humanizada” ou de “paisagem geográfica”.

A paisagem é um dos objectos de análise da Geografia, sendo constituída


através das relações do homem com o espaço natural. Sua observação é
muito importante, pois retrata as relações sociais estabelecidas em um
determinado local, onde cada observador selecciona as imagens que achar
mais relevante, portanto, diferentes pessoas enxergam diferentes paisagens.

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

A análise da paisagem permite-nos verificar as diferentes dinâmicas


concernentes ao funcionamento das sociedades, pois ela revela ou omite
informações, de forma a denunciar as características económicas, políticas e
culturais que estruturam o processo de formação e organização do espaço
social. Afinal de contas, o espaço geográfico é o resultado de uma complexa
interacção entre sociedade e a sua paisagem.

Conceito de espaço

O Espaço Geográfico é um importante conceito para a Geografia, haja vista


que ele é o objecto principal de estudo dessa área do conhecimento. Sendo
assim, entender o espaço geográfico significa também compreender o papel
que essa ciência possui no sentido de investigar a realidade tanto em seu
aspecto social quanto em suas premissas naturais, com ênfase nas relações
entre sociedade e natureza.

MOREIRA (1982) entende o espaço geográfico como estrutura de relações


sob determinação do social; é a sociedade vista com sua expressão material
visível, através da socialização da natureza pelo trabalho. É uma “totalidade
estruturada de formas espaciais

O espaço geográfico é o contínuo resultado da s relações sócio espaciais.


Tais relações são económicas (relação sociedade-espaço mediatizada pelo
trabalho), políticas (relação sociedade-Estado ou entre Estados-Nação) e
simbólico-culturais (relação sociedade-espaço via linguagem e imaginário).
A força motriz destas relações é a acção humana e suas práticas espaciais
(LEFÉBVRE, 1991).

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Sumário

Nesta unidade que terminamos, abordamos sobre os princiapis


conceitos da geografia, nomeadamente: lugar, território, região,
paisagem e espaço.

O lugar recebe várias definições em função dos diferentes


autores, tais como Carl Sauer; Yi-Fu Tuan e Anne Butiimer e
Santos. Independentemente das concepções dos autores, o lugar
é considerado o palco onde se manifesta a acção: É onde as
relações são tecidas e partilhadas. É a realidade sensível de
carácter emocional e afectivo em constante transformação, com
ligações espaciais próprias que o caracterizam com uma carga
também social, económica, com processos lúdicos, de crenças e
de imaginários.

Região pode ser entendida como uma parte da superfície da Terra,


dimensionada segundo escalas territoriais diversificadas e
caracterizada pela uniformidade resultante da combinação dos
elementos da natureza ou socioeconómicos, como o clima, o
relevo, a vegetação, a geologia, população, indústria, e outros
adicionais que diferenciariam ainda mais cada uma destas partes.

Território é um conjunto de lugares hierárquicos, conectados por


uma rede de itinerários.

Paisagem é tudo aquilo que é perceptível através de nossos


sentidos (visão, olfacto, tato e audição), no entanto, a análise da
paisagem é mais eficaz através da visão.

O espaço geográfico é o contínuo resultado das relações sócio


espaciais.

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Geográfica

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1- Defina lugar de acordo com a concepção de Santos, 2004.
2- Apresente o conceito de região.
3- O que entende por território.
4- Diferencie paisagem do espaço.

UNIDADE Temática 1.6- importância e aplicações da Geografia

Introdução

Nesta unidade, a abordagem centrar – se- a sobre a importancia


e aplicacoes da geografia

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Explicar a importancia do estudo da geografia

 Destacar as varias aplicacoes da geografia.

Objectivos
Específicos

Importância e aplicações da Geografia

A Geografia é uma das disciplinas escolares inseridas na grade curricular. A


ciência em questão é muito importante para a compreensão do mundo em
que vivemos, o qual está em constante transformação.

É importante que o professor, ao iniciar o ano lectivo, faça uma explicação


direccionada ao conceito de Geografia, isso com o objectivo de levar o aluno
a conhecer e compreender a enorme relevância que a mesma possui no
ambiente escolar e na sociedade. É interessante começar falando sobre as

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

inúmeras intervenções que o homem tem feito nas mais distintas paisagens
do mundo, alertando-os de que todos nós temos responsabilidades nas
alterações. Logo depois, informar para o quê a Geografia direcciona suas
análises. Expondo que essa disciplina busca conhecer e compreender as
mudanças ocorridas no mundo, e por que elas acontecem. Além de
identificar e entender a dinâmica da natureza, tais como a formação e
transformação do relevo, a hidrografia, a atmosfera, a vegetação, a relação
de interdependência que existe entre todos eles e a influência que os mesmos
produzem nas relações humanas.

Quanto ao factor humano, a Geografia procura estabelecer um estudo


sistemático da sociedade, verificando as relações de trabalho, incluindo os
problemas sociais, a cultura, a economia, dentre muitos outros temas. Algo
fundamental e que deve ser apresentado aos alunos é que tudo no mundo está
interligado, desse modo, não é possível estudar aspectos físicos (clima,
relevo, hidrografia etc.) sem acrescentar a sociedade, tendo em vista que ela
está inserida na natureza.

A importância da Geografia, entretanto, não está somente nos conhecimentos


sobre os nomes de países, suas capitais, dados populacionais, moeda, religião
etc., mas também em explicar a dinâmica das acções no espaço, que não
desvinculam do tempo. Por exemplo: a dinâmica da transformação dos
espaços na cidade, a lógica da produção agrária, a distribuição dos
movimentos sociais, a estrutura geomorfológica superficial da Terra, entre
outros

A Geografia tem como objectivo principal entender a dinâmica do espaço


para auxiliar no planeamento das acções do homem sobre ele. Entender as
formas de relevo, os fenómenos climáticos, as composições sociais, os
hábitos humanos nos diferentes lugares são imprescindíveis para a
manutenção da vida em sociedade.

Essa ciência foi – e ainda é – muito utilizada para fins militares, uma vez que
se faz extremamente necessário o conhecimento sobre um determinado
território para a sua ocupação ou para se adquirir vantagens em uma batalha

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Geográfica

ou guerra. Por conta disso, no ano de 1977, o geógrafo Yves Lacoste


escreveu uma obra intitulada A Geografia serve – antes de mais nada – para
fazer a Guerra, reafirmando a utilidade militar e política da Geografia, bem
como o seu carácter extremamente ideológico de manutenção e consolidação
do sistema capitalista.

Entretanto, com a evolução das críticas, conforme destaca Ruy Moreira em


seu livro Pensar e Ser em Geografia, essa ciência também passou a ser
utilizada para desvendar as máscaras sociais, uma vez que ela revela como
os sistemas económicos, políticos, ideológicos e sociais se manifestam sobre
as pessoas e sobre o espaço. Temas como a segregação espacial, o processo
de favelização, a evolução e espacialização da violência e marginalidade são
estudados e explicados em suas raízes pela Geografia, o que pode auxiliar no
planeamento social, bem como nas críticas e acções populares que auxiliem
no combate a este e outros problemas socio - espaciais.

A Geografia torna-se uma importante ferramenta para reflexão, compreensão


dos factos naturais e aqueles provocados pelo homem no espaço em que esta
inserida. É a Geografia uma ciência que nos permite ser um agente de
transformação da sociedade a partir da compreensão da realidade em que
vivemos.

A habilidade de ler e entender um mapa é uma competência geográfica


básica. Hoje em dia, os mapas são mais usados para se deslocar de um lugar
para outro. Para saber como decifrá-lo, é fundamental entender o que
símbolos representam e quais características, tais como água, rodovias
estaduais e interestaduais e estradas de terra. Você precisa entender a escala
do mapa para estimar precisamente quanto tempo uma viagem levará. Além
disso, em um mapa de estradas, você também pode usar suas habilidades
geográficas para localizar nações ou aspectos importantes em um mapa local,
nacional ou internacional.

Além de ler um mapa actual, habilidades geográficas são também


necessárias e úteis para criar mapas mentais do seu entorno. Se você mora
no seu bairro há algum tempo, você sabe onde a mercearia, shopping center

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

e o banco estão em relação a sua casa, como também quais são os caminhos
mais rápidos para ir até eles. Você também pode ter um conhecimento mais
profundo, que vai além do meramente espacial; por exemplo, mesmo que
uma determinada rota seja menor, você pode evitá-la porque sabe que tem
muito trânsito ou porque ela passa em locais perigosos.

Tomar decisões como onde trabalhar e viver requer um profundo


entendimento geográfico, não somente dos lugares e regiões, mas também
do sistema humano. Por exemplo, você pode querer ou não morar em
Nampula porque sabe que é uma região populosa do país. Da mesma forma
que você pode querer ou não morar em Nampula por causa do que você sabe
da "cultura" do estado, ou por saber que lá há muitas oportunidades de
trabalho na sua área de actuação.

As pessoas ouvem novas histórias todos os dias e isso requer habilidades


geográficas tanto simples quanto complexas para entendê-las. Se elas
escutam que o Japão e China estão em conflito, elas precisam de uma noção
básica da localização de cada país para poderem entender completamente o
porquê. Ao mesmo tempo, um completo entendimento da situação pode
também requerer alguns conhecimentos sobre padrões de interdependência
económica, a distribuição de recursos naturais ou as formas como as
percepções humanas podem ser influenciadas pelas noções de lugar.

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Sumário

Nesta unidade acabamos de ver a importância e as plicações da


geografia .

A geografia é muito importante para a compreensão do mundo


em que vivemos, o qual está em constante transformação.

A Geografia procura estabelecer um estudo sistemático da


sociedade, verificando as relações de trabalho, incluindo os
problemas sociais, a cultura, a economia, dentre muitos outros
temas. Algo fundamental e que deve ser apresentado aos alunos
é que tudo no mundo está interligado, desse modo, não é possível
estudar aspectos físicos (clima, relevo, hidrografia etc.) sem
acrescentar a sociedade, tendo em vista que ela está inserida na
natureza.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Explica a importância e aplicações da geografia

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Geográfica

TEMA II- O desenvolvimento da ciência geográfica

UNIDADE Temática 2.1- Geografia do século XIX.

Introdução

Nesta unidade

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Explicar o desenvolvimento da geografia ao longo do tempo

Objectivos
Específicos

O desenvolvimento das ciências geográficas

As pesquisas desenvolvidas permitiram identificar a presença da Geografia,


antes mesmo de ser um conhecimento sistematizado (no sentido académico).
Foi no quotidiano das civilizações que emergiram as primeiras noções
geográficas. Esse período pode ser denominado de Geografia pré-científica
(COSTA & ROCHA, 2010, p. 26), que surgiu nas apreciações do senso-
comum, na pré-história até as dos primeiros filósofos.

Para ANDRADE (2008) até mesmo na pré-história, os povos desta época,


mesmo sem possuírem escrita, já desenvolviam conhecimentos que se
aproximam de uma ideia de Geografia. Vivendo do contacto directo com a
natureza, os povos indígenas viviam das migrações para garantir terras mais
produtivas, pois praticavam das

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

actividades como a caça a pesca ou a agricultura, para isso desenvolviam os


conhecimentos básicos para se localizarem.

A Geografia é uma das mais antigas ciências desenvolvidas pela civilização


ocidental, tendo seus conceitos básicos delineados na Grécia Antiga, onde
esta se desenvolveu como ciência e método de pensamento filosófico. No
início era conhecida como História Natural ou Filosofia Natural. Como
maiores contribuintes deste início do desenvolvimento desta disciplina
podemos citar Tales de Mileto, Heródoto, Eratóstenes, Hiparco, Aristóteles,
Estrabão e Ptolomeu. Com a expansão grega promovida por Alexandre da
Macedónia (Alexandre, o Grande), o interesse pelo estudo das novas terras
colonizadas aumenta consideravelmente, em especial pelos factores práticos
que o conhecimento da matéria proporcionava, como incremento das
técnicas de navegação, que contribuiriam para uma actividade comercial
mais intensa, e bem como os melhoramentos que a geografia adicionava à
agricultura, indicando épocas, climas e solos ideais a um melhor cultivo.

No período de auge do Império Romano, a geografia irá contribuir com mais


uma gama de conhecimentos, como por exemplo o chamado "périplo", ou
seja, a descrição dos portos, rotas e escalas que os navegantes da época
dispunham para realizar o comércio, tão necessário ao funcionamento do
Império, e também, por outro lado, garantindo sua eficaz protecção militar.
Dois exemplos de obras dedicadas a este segmento da matéria geográfica que
sobreviveram aos dias actuais são o "Périplo do cartaginês Hanão, o
navegador", e outra de autor não identificado, e mais amplamente difundida,
o "Périplo do Mar Eritreu" (Mar Eritreu é o antigo nome que os gregos
utilizavam para se referir ao Mar Vermelho).

Com a queda do Império Romano do Ocidente, os árabes irão se destacar no


conhecimento geográfico, através da tradução de muitas das obras chaves da
geografia grega, bem como obras originais de Al Idrisi ou Ibn Batutta, que
percorreu todo o norte da África e Ásia.

As explorações realizadas pelos portugueses no século XVI irão dar novo


impulso à exploração e conhecimento de diferentes regiões do globo. Elas

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

foram em grande parte inspiradas por obras de viajantes como Marco Polo,
que conheceu boa parte do Oriente Médio e Extremo, que causou impressões
fortes em muitos, que apelidarão jocosamente seu trabalho de "Il Millione"
(O Milhão), devido ao exagero que acreditam ali estarem contidos.

É a partir de século XVIII que a geografia foi sendo discretamente


reconhecida como disciplina, recebendo a atenção de grandes intelectuais
como Kant, Montesquieu, Goethe, que desenvolveram a chamada "geografia
social". Cem anos mais tarde, teremos a Escola Alemã, com o conceito de
determinismo, que ligava o clima ao desenvolvimento intelectual do ser
humano. Na década de 30 do século XX, predominariam as ideias da Escola
Francesa e o conceito de possibilismo, que estabelecia que as escolhas feita
pelo ser humano levariam ao seu respectivo desenvolvimento cultural.

A partir de então, a Geografia passa a adoptar conhecimentos acessórios


como a estatística, além de novos equipamentos, como o computador e o
satélite.

A GEOGRAFA NO SÉCULO XIX

É no século XIX que o desenvolvimento do conhecimento geográfico


começa a se tornar muito importante. Foi somente no século XIX que a
geografia passou a ser considerada como uma ciência autónoma, com todas
as suas particularidades, se separando de outras disciplinas tais como a
geologia, e economia e a astronomia que se achavam integrados com ela e,
a partir desse momento também ganharam suas autonomias. A geografia
passa então a se ocupar especificamente do espaço geográfico, ou seja, a
superfície terrestre, que é o lugar onde a humanidade vive e no qual produz
modificações. (COELHO 208).

O conhecimento geográfico, neste mesmo século, onde a percepção a


respeito de sua importância tornou-se mais intensa e valorizada, ganhou
força e se desenvolveu com maior intensidade. Há uma vasta bibliografia
que trata sobre o assunto da génese da Geografia Moderna, podendo se
apontado o século XIX como sendo de sistematização do conhecimento
estratégico relacionado à
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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

geografia. Neste momento os impérios, na busca ampliar seus domínios,


percebendo a importância do espaço, começam á desenvolver estratégias
buscando alcançar o poder mundial.

Dois estudiosos germânicos do século XIX são considerados os criadores da


geografia moderna ou científica: Alexander von Humboldt (importantes
trabalhos em geografia física) e Karl Ritter (importantes trabalhos em
geografia humana). Podemos ainda relacionar o advento da geografia
moderna com seu momento histórico, uma vez que no século XIX a
humanidade já tinha unificado todo o espaço planetário, processo que já
havia começado desde o século XV, com a expansão marítimo-comercial
europeia e foi progredindo no decorrer dos séculos. Não foi por acaso que os
trabalhos de Humboldt e Ritter surgiram desse período. A construção da
geografia moderna só pôde ocorrer num momento em que praticamente toda
a superfície terrestre havia sido conhecida, estudada e mapeada. (COELHO
2008).

O século XIX é marcado pelo surgimento e criação de muitas ideias e


conceitos a respeito da geografia e a forma como o homem se relacionava
com o meio ou o meio se relacionava com homem, propiciando a formação
de muitas teorias e o surgimento de pessoas importantes para o
desenvolvimento da geografia moderna e o debate fundamental na
formulação das teorias evolucionistas, sistematizando a Filosofia e as
Ciências Naturais.

Alexander von Humboldt e Carl Ritter, ambos alemães, forneceram grandes


contribuições à teoria geográfica no início do século XIX. Outro geógrafo
alemão, Friedrich Ratzel, célebre por sua obra Antropogeografia (1882-
1891), tentou demonstrar que as forças naturais determinam a distribuição
das pessoas na Terra, enquanto seus conterrâneos Ferdinand von Richthofen
e Alfred Hettner introduziram as ideias de Humboldt, Ritter e Ratzel em um
sistema coerente. Entre os geógrafos franceses do final do século XIX
destaca-se Paul Vidal de La Blache, que se opôs à idéia de que o meio físico
determina de um modo estrito as actividades humanas. No século XIX, com

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

o desenvolvimento do imperialismo europeu, surgiram muitas sociedades


geográficas. As sociedades mais antigas desse tipo se estabeleceram em Paris,
Berlim e Londres, entre 1820 e 1830. Nos Estados Unidos foi fundada a
American Geographical Society em 1851 e a National Geographic Society
em 1888. (MEDEIROS 2008).

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Geográfica

Sumário

Nesta unidade que terminamos abordamos sobre o


desenvolvimento da geografia ao longo dos tempos

A Geografia é uma das mais antigas ciências desenvolvidas pela


civilização ocidental, tendo seus conceitos básicos delineados na
Grécia Antiga, onde esta se desenvolveu como ciência e método
de pensamento filosófico. No início era conhecida como História
Natural ou Filosofia Natural.

Foi somente no século XIX que a geografia passou a ser


considerada como uma ciência autónoma, com todas as suas
particularidades, se separando de outras disciplinas tais como a
geologia, e economia e a astronomia que se achavam integrados
com ela e, a partir desse momento também ganharam suas
autonomias.

O século XIX é marcado pelo surgimento e criação de muitas


ideias e conceitos a respeito da geografia e a forma como o
homem se relacionava com o meio ou o meio se relacionava com
homem, propiciando a formação de muitas teorias e o surgimento
de pessoas importantes para o desenvolvimento da geografia
moderna e o debate fundamental na formulação das teorias
evolucionistas, sistematizando a Filosofia e as Ciências Naturais.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Explica o desenvolvimento da geografia ao longo dos tempos.

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Geográfica

2. Descreve a geografia antes do século XIX


3. Quais são os principais acontecimentos que marcaram o século XIX no âmbito
do desenvolvimento da geografia?

UNIDADE Temática 2.2 - Geografia do século XX

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Geográfica

Introdução

Nesta unidade iremos abordar sobre a geografia no século XX

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Explicar os pricipais marcos que caracterizaram a geografia no


século XX

Objectivos
Específicos

Geografia do século XX
No século XX a geografia continua a evoluir e novos pensadores trazem seus
conhecimentos, pesquisas e teorias a respeito do mundo, sociedade e
desenvolvimento. Muitas ideias novas surgem, novos conceitos e novas
ramificações, propiciando novos campos de pesquisas e estudos. Começando
com alguns pensadores e se disseminando pelo mundo através da discussão
das ideias e teorias. A Geografia Histórica é resultante da corrente de
pensamento de Auguste Longnon, da França.

No início dos anos vinte do século XX, a Geografia Histórica foi resultante
da produção de intelectuais de origem francesa pertencentes ao Collège de
France. Foram professores desta eminente instituição os seguintes geógrafos:
Auguste Longnon (1844-1911), Jean Brunhes (1869-1930), Roger Dion
(1896-1981), Pierre Gourou (1900-1999), Maurice Le Lannou (1906-1992)
e André Siegfried (1875-1959). Mas foi com Auguste Longnon e Roger Dion
que esta corrente do
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Geográfica

pensamento geográfico alcançou mais projecção. Auguste Longnon é


reconhecido como o fundador da Geografia Histórica, geógrafo e historiador,
foi responsável, no Collège de France, pela disciplina Geografia Histórica de
1892 até 1911. Já Roger Dion, além de ter sido professor do Collège de
France de 1948 a 1968, foi também professor das Universidades de Lille e
Sorbonne por um longo período. Profundo conhecedor das paisagens rurais
da França, escreveu, em 1933, sua tese de doutoramento sobre o Vale de
Loire e adquiriu reconhecimento pela grande contribuição que deixou sobre
a história das videiras e a Geografia dos vinhos. Em seus estudos, procurou
relacionar a influência do clima, do solo e das tradições de cultivo na história
da produção francesa de vinhos e champagnes. (PIRES 2008).

Outra corrente de pensamento surgida no século XX, sendo desenvolvida a


traves da discussão da geografia Histórica e na busca por renovações é a
Geografia Cultural, ganhando notoriedade através de Carl Sauer,
direccionando seus estudos aos impactos causados pela acção humana na
paisagem.

A geografia cultural ganha notoriedade a partir da obra de Carl Sauer,


baseada no historicismo e dando uma grande importância à diversidade
cultural. A obra de Sauer valoriza o passado, focalizando principalmente as
sociedades tradicionais. O principal conceito utilizado pela geografia
cultural é o conceito de paisagem, ela deve ser estudada enquanto o conjunto
das construções humanas sob a natureza. A paisagem é o objecto de estudo
da geografia cultural. Ou seja, geografia cultural nasce sendo alvo de crítica
tanto da geografia tradicional quanto da geografia crítica. Contudo, o
conceito de cultura utilizado por Sauer, definido simplesmente como "modo
de vida", também vai ser alvo de crítica dos próprios seguidores da geografia
cultural. (PIRES 2008).

Seguindo o processo de evolução, relacionado à busca de uma melhor


definição a respeito da geografia, voltada também a busca de
aperfeiçoamento e desenvolvimento, para a melhor aplicação e utilização dos
métodos criados e desenvolvidos. Novos métodos e formas de utilização

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Geográfica

começam a surgir, criando assim novas ramificações de estudos e definições


para a geografia, por parte dos geógrafos. Propiciando assim novos campos
de estudos e uma melhor definição para os campos de estudos.

No início da década de 1950, os geógrafos começaram a utilizar cada vez


mais os métodos quantitativos, que tiveram grande utilidade ao serem
aplicados à teoria da localização; Walter Christaller deu importantes
contribuições a essa teoria. Na década de 1960, a geografia foi dividida em
diferentes escolas: por um lado, as que apoiavam os métodos quantitativos e
por outro, as que defendiam um enfoque descritivo. Contudo, desde a década
de 1970, os diferentes métodos são utilizados em conjunto e aplicados a
novas áreas do estudo geográfico. Os computadores se transformaram em
um instrumento de grande utilidade na geografia. Actualmente, com o
Sistema de Informação Geográfica, ou SIG, é possível criar imagens de uma
área em duas ou três dimensões e utilizá-las como modelos em estudos
geográficos. (MEDEIROS 2008).

A geografia passou e ainda passa por mudanças, ajustes e adaptações, ainda


nos dias de hoje, pelo fato de as linhas de pensamentos dos geógrafos não
serem unânimes desde o início do pensamento geográfico e a busca por uma
melhor explicação das actividades do homem na terra e da terra sobre o
homem. O pensamento diversificado propiciou a abrangência do campo de
actuação dos geógrafos, sempre voltada para o campo da geografia. As linhas
de pensamento e pesquisa no campo da geografia possibilitam uma melhor
compreensão e desenvolvimento, propiciando a sociedade um vasto campo
de pesquisa, estudo e aprendizado. Sendo o processo apresentado somente
parte de como a geografia se desenvolveu no mundo, alguns pensadores e
criadores do pensamento geográfico, ramificações criadas a partir das
divergências de pensamento, possibilitando a geografia, ser pensada, vista e
estudada como ciência.

No entanto, apesar de todas as subdivisões, existe uma unidade da geografia:


é o estudo do espaço geográfico na inter-relação entre a humanidade e seu
meio ambiente...Sua actuação está normalmente ligada a questões de

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Geográfica

planeamento e meio ambiente, além da formulação de mapas geográficos.


Recentemente, os geógrafos ganharam um novo campo de actuação: a
apreensão e utilização de dados geográficos através dos SIGs (Sistemas de
Informações Geográficas). Os SIG são tecnologias de processamento de
informações geográficas, normalmente sob a forma de softwares, que
sistematizam dados geográficos sobre inúmeros fenómenos de uma área ou
região. (COELHO 2008).

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ISCED CURSO: LIENCIATURA EM Ensino de Geografia ; 1º Ano Módulo: Fundamentos da Ciência
Geográfica

Sumário

O estudo da geografia passou por varias modificações e


adaptações. Esse processo pode ser considerado muito
importante para o aperfeiçoamento do pensamento geográfico,
pois possibilitou à geografia passar a ser estudada e
compreendida como ciência. Tendo a geografia, ganho essa
definição, devido ao esforço de muitos pensadores que
buscavam explorar, desvendar, estudar e compreender o
mundo em que viviam e como o homem interferia no meio e o
meio interferia na vida humana e a formação do planeta.

Muitas outras perguntas surgiram para esses pensadores,


desenvolvendo assim o pensamento geográfico, surgindo
também pensadores que buscavam explicar e responder a essas
perguntas de forma a rebater as respostas e tórias
apresentadas. Essas diferenças de idéias e pensamentos
possibilitaram a geografia ganhar ramificações para estudos
mais específicos de determinadas áreas. Com essas
ramificações a geografia passa a possibilitar ao geógrafo a busca
pela formação especifica que melhor lhe estimule a estudar a
geografia e a contribuir para o desenvolvimento de nosso
mundo.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Quais são os principais marcos que caracterizaram o seculo XX?

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Geográfica

UNIDADE Temática 2.3 - Pós modernidade e a Geografia

rodução

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Caracterizar a geografia na pós – modernidade

Objectivos
Específicos

Pós-modernidade e a Geografia
A reafirmação do espaço na teoria social crítica indica que o aparecimento das primeiras
vozes da Geografia Pós- Moderna ocorreu no final da década de sessenta, porém “...mal se
fizeram ouvir no alarido temporal vigente. A reafirmação da primazia da História sobre a
Geografia destacava uma característica historicista no interior do pensamento social crítico,
e veio obscurecer e periferizar “a imaginação geográfica ou espacial.”

A partir da Segunda Guerra Mundial a ciência e a tecnologia passaram a constituir o


fundamento do poder valorizando o espaço a partir de suas diferenças. Este processo,
representado pelas redes transnacionais de circulação e comunicação, permite tanto a
globalização quanto a diferenciação espacial, induzidas tanto pela lógica da acumulação
como pela lógica cultural.

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Geográfica

Pela lógica de acumulação, há a internacionalização da economia com um mercado


unificado, e um espaço de fluxos financeiros, mercantis e informacionais que supera os
Estados e respectivas fronteiras, delineando uma nova divisão territorial de trabalho e uma
nova geopolítica, pois a globalização, não sendo homogénea, permite um resgate da
dimensão política do espaço pela valorização da diferença. Se, por um lado, a aceleração
do ritmo dos processos económicos e da vida social, encolhe o espaço, derrubando barreiras
espaciais, por outro lado, é alta a selectividade.

A lógica cultural, por sua vez, é marcada pela actuação de movimentos sociais diversos
convergindo para a diferenciação de áreas e valorização de determinados territórios. Logo,
frente à reorganização espacial empreendida pelas corporações empresariais, há o
surgimento de diversos projectos alternativos vindos da sociedade; estes projectos, no
entanto, não têm por marca o de serem próprios de movimentos que não se organizam em
escala global, eles se organizam, mas têm na escala local, no território, o seu de ponto de
referência na luta empreendida.

HAESBAERT (1995:166) em desterritorialização: entre as redes e os aglomerados de


exclusão chama atenção para vastas áreas do globo terrestre que apresentam sérias sequelas
deste processo modernizador sob a forma de “...uma massa de despossuídos sem as
menores condições de acesso a essas redes e sem a menor autonomia para definir seus
‘circuitos de vida.

HARVEY ( 1993:265 )observa que, a partir da década de setenta, vem sendo acentuada a
compressão do tempo-espaço tendo em vista a transição do fordismo em favor da
acumulação flexível. (1993:257)28 O grau de competitividade entre os agentes económicos
vem imprimindo em suas iniciativas um forte apelo às particularidades espaciais, pois a
diminuição das barreiras espaciais possibilita um poder de exploração muito acentuado de
modo que a maximização das vantagens proporcionadas por este poder pode propiciar a
vitória em dadas concorrências, e este poder tornasse imperativo na luta de classes; a
capacidade de desmobilização de investimentos e reinvestimentos em outras áreas implica
numa mudança da área de luta que não mais ocorre nas fábricas de produção em massa.

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Geográfica

HARVEY além de destacar o controlo do trabalho como sendo central na organização


espacial, destaca novas formas de organização que adquirem relevo com a acumulação
mais flexível. Pela mesma, e a subjacente busca de informações precisas e com facilidade
de transmiti-las, destaca-se o papel das cidades mundiais; estas, a partir de uma infra-
estrutura sofisticada, tais como: teleporto, aeroporto internacional, diversos tipos de
serviços financeiros, etc. correspondem a esta nova face extremamente selectiva do sistema
económico que a partir de alguns pontos cidades localizadas no globo arremata uma série
de informações fundamentais para melhor operar os seus investimentos.

Harvey (1993) assinala ao final do item “A compressão do tempo-espaço e a condição pós-


moderna” que a compressão do espaço-tempo ensejaria uma mudança nos nossos mapas
mentais, nossas atitudes e instituições; porém, esta transformação não ocorre na mesma
velocidade das transformações empreendidas no espaço pelo vector técnico científico de
modo que há uma desfasagem que pode trazer sérias consequências ao nível de decisões
dos mais diversos tipos (ordem financeira, militar, etc.).

már

ercícios de AUTO-AVALSumário

A partir da Segunda Guerra Mundial a ciência e a tecnologia passaram a constituir o


fundamento do poder valorizando o espaço a partir de suas diferenças. Esse processo,
representado pelas redes transnacionais de circulação e comunicação, permite tanto a
globalização quanto a diferenciação espacial, induzidas tanto pela lógica da acumulação
como pela lógica cultural

Exercicio de AUTO - AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Quais são as características da geografia na pós – modernidade?

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Tema 3- O Universo e sua estrutura

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UNIDADE Temática 3.1- Composicao do univero e a Via Láctea e outras Galáxias

Introdução

Nesta unidade iremos abordar sobre a composicao do universo,


via láctea e outras galáxias.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Definir universo

 Explicar a composição do universo

Objectivos  Definir via láctea


Específicos

O universo e a Via Láctea


O Universo e sua estrutura

O avanço científico e tecnológico, especialmente neste último século,


permitiu atingir um conhecimento mais racional do que é o Universo. Com
base nos conhecimentos até agora estudados, podemos afirmar que ele é
composto de matéria e energia, com essa afirmação pode-se dizer também
que o Universo é constituído quase somente de átomos, predominando a
ocorrência de dois elementos: o

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Geográfica

hidrogénio, com uma participação em torno de 60%; e o hélio, que contribui


com quase 36%, ficando a ocorrência de todos os outros elementos em cerca
de 4%.

O universo, como o conjunto de toda matéria e energia existente no espaço.


Por mais conhecimento que o homem tenha, ainda é muito difícil afirmar
precisamente como e quando se deu o surgimento do Universo. O que se
consegue produzir são apenas teorias, algumas com hipóteses muito bem
fundamentadas.

O Universo é formado por milhares de milhão de galáxias. As galáxias são


agrupamentos de muitos milhares de milhão de estrelas, gases e poeiras,
podendo ter vários tamanhos e formas.

Os gregos introduziram métodos racionais nos estudos de Astronomia,


principalmente pela criação de sucessivos modelos teóricos que visavam a
representar o que era o Universo. Um dos seus maiores representantes foi
Cláudio Ptolomeu, responsável pela criação do modelo geocêntrico, com o
surgimento do renascimento, surgiu uma nova explicação para o
funcionamento do Universo, o modelo heliocêntrico, desenvolvido pelo
monge polonês Nicolau Copérnico.

A Via Láctea e outras Galáxias


A Via Láctea é também uma galáxia do tipo espiral, sendo que o Sol - a
estrela central de nosso
Sistema Solar - está situado num de seus braços periféricos. A Via Láctea
possui também um núcleo central, onde aparecem agrupamentos de estrelas
jovens. As galáxias, por sua vez, se agrupam nos assim chamados
aglomerados, que podem conter entre algumas dezenas a alguns milhares de
galáxias. A Via Láctea pertence ao chamado Grupo Local, que inclui
também a galáxia de Andrómeda e as Nuvens de Magalhães.

A Via Láctea é uma galáxia em espiral à qual pertence o Sol e todo o Sistema
Solar. É formada por cerca de cem mil milhões de estrelas, gases e poeiras.
A Via Láctea pertence a um enxame de galáxias que tem cerca de trinta

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Geográfica

galáxias - o Grupo Local. Este enxame é dos mais pequenos do Universo. O


Grupo Local pertence ao Super - enxame Local.

As galáxias que formam o Grupo Local girem, no seu conjunto, em volta do


centro deste enxame de galáxias. As estrelas que formam a Via Láctea giram
em volta do centro da galáxia, mas nem todas as estrelas se movem à mesma
velocidade.
O Sol, que está num dos braços da Via Láctea, gira à velocidade de 600 000
km/h, demorando cerca de 225 milhões de anos para dar uma volta completa
em torno do centro da galáxia.

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Geográfica

Sumário

Nesta unidade que terminamos, abordamos sobre universo e


via láctea.

Universo é definido como sendo o conjunto de toda matéria e


energia existente no espaço. É formado por milhares de milhão
de galáxias. As galáxias são agrupamentos de muitos milhares de
milhão de estrelas, gases e poeiras, podendo ter vários tamanhos
e formas.

A Via Láctea é uma galáxia em espiral à qual pertence o Sol e


todo o Sistema Solar. É formada por cerca de cem mil milhões
de estrelas, gases e poeiras. A Via Láctea pertence a um enxame
de galáxias que tem cerca de trinta galáxias - o Grupo Local. Este
enxame é dos mais pequenos do Universo. O Grupo Local
pertence ao Super - enxame Local.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

1. Defina universo
2. Explica a composição do universo
3. Defina via lactea.

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UNIDADE Temática 3.2- Sistema solar

Introdução

Nesta unidade iremos abordar sobre o sistema solar e sua


composição.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Definir o sistema solar


 Explicar a sua composição
 Descrever a estrutura dos planetas
Objectivos
Específicos

Sistema solar
Segundo os modelos mais aceitos (por exemplo o de Safronov, 1972), a
origem do Sistema Solar remonta a uma nebulosa de gás e poeira cósmica,
com composição química correspondente à abundância solar dos elementos.
A nebulosa tinha forma de um disco achatado, em lenta rotação.

O Sistema Solar foi formado há "apenas" 4,6 bilhões de anos, quando o


Universo já contava de 8 a 10 bilhões de anos de idade. A nebulosa solar
resultou possivelmente da explosão de uma supernova, cuja massa estimada
teria sido de aproximadamente 8 massas solares, e que em sua fase final teria
sintetizado os elementos pesados que hoje constituem o Sol e seus planetas.
Portanto, a matéria constituinte dos corpos planetários do Sistema Solar
possui certa quantidade de elementos pesados, e constituição química
coerente.

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Geográfica

O Sistema solar consiste: de uma estrela média o Sol os planetas, Mercúrio,


Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Nepturno e Plutão. Inclui os
satélites dos planetas, numerosos cometas, asteróides e meteoróides.

Os corpos que pertencem ao Sistema Solar (planetas, satélites, asteróides,


cometas, além de poeira e gás) formaram-se ao mesmo tempo em que sua
estrela central. Isto confere ao sistema uma organização harmónica no
tocante à distribuição de sua massa e às trajectórias orbitais de seus corpos
maiores, os planetas e satélites. A massa do sistema (99,8 %) concentra-se
no Sol, com os planetas girando ao seu redor, em órbitas elípticas de pequena
excentricidade, virtualmente complanares, segundo um plano básico
denominado eclíptica.

Neste plano estão assentadas, com pequenas inclinações, as órbitas de todos


os planetas, e entre Marte e Júpiter orbitam também numerosos asteróides.
Por sua vez, a grande maioria dos cometas parece seguir também órbitas
próximas do plano da eclíptica. O movimento de todos estes corpos ao redor
do Sol concentra praticamente todo o momento angular do sistema.
Fig.1- Estrutura dos planetas

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Geográfica

Mercúrio - é o planeta mais interno do Sistema Solar. Sua massa é apenas


5,5% da Terra, mas sua densidade é apenas pouco inferior à do nosso planeta.
Seu núcleo metálico é, portanto, proporcionalmente muito maior que o
terrestre. Mercúrio tornou-se geologicamente inactivo logo após ter sido
formado. Praticamente não tem atmosfera, e por causa disso sua superfície
não sofreu grandes' transformações, sendo portanto muito antiga.
Observações da sonda Mariner 10 revelaram que a sua superfície é árida e
preserva grande quantidade de crateras de impacto resultantes do
bombardeio ocorrido nos primórdios da evolução do Sistema Solar

Vénus - é o planeta que apresenta maior semelhança com a Terra, em


tamanho, em peso, na sua herança de elementos químicos, e sua massa
equivale a 81,5% da massa desta. Sua aparência externa, observada ao
telescópio, é obscurecida por nuvens, reflectindo a densa atmosfera, que
esconde suas feições topográficas.

Terra - O terceiro planeta do Sistema Solar apresenta massa aproximada de


6x1029g e densidade de 5,52 g/ cm3.O raio equatorial terrestre é de
6.378,2km e o seu volume 1,083x 1012km3E.mbora tenha perdido seus
elementos voláteis na fase de acresção do Sistema Solar, a Terra apresenta
uma atmosfera secundária, formada por emanações gasosas durante toda a
história do planeta, e constituída principalmente por nitrogénio, oxigénio e
argonio. A temperatura de sua superfície é suficientemente baixa para
permitir a existência de água liquida, bem como de vapor de água na
atmosfera, responsável pelo efeito estufa regulador da temperatura, que
permite a existência da biosfera.

A característica principal do planeta Terra é seu conjunto de condições


únicas e extraordinárias que favorecem a existência e a estabilidade de
muitas formas de vida, sendo que evidências de vida bacteriana abundante
foram já encontradas em rochas com idade de 3.500 milhões de anos.

A Terra possui importantes fontes de calor em seu interior, que fornecem


energia para as actividades de sua dinâmica interna e condicionam a
formação de magmas e as demais manifestações da assim chamada tectónica

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Geográfica

global. Este processo conjuga-se aos movimentos de grandes placas rígidas


que constituem a litosfera, a capa mais externa do planeta, que por sua vez
situa-se em todo o globo acima de uma camada mais plástica, a astenosfera.

Marte - O quarto planeta do Sistema Solar é pequeno, com massa total de


cerca de 11% daquela da Terra. Marte contém uma atmosfera ténue (pressão
atmosférica na superfície de apenas 0,007 bar), consistindo principalmente
de CO2, além de quantidades diminutas de nitrogénio e argónio. Os
processos geológicos superficiais do planeta são dominados pela acção do
vento, tendo sido observados enormes campos de dunas, constantemente
modificados por tempestades de areia. Marte também apresenta calotas
polares que incluem gelo, além de gelo seco.

Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno são muito diferentes dos planetas


internos descritos até aqui e correspondem a enormes esferas de gás
comprimido, de baixa densidade. Júpiter e Saturno são gigantes gasosos
formados principalmente por H e He, enquanto que Urano e Neptuno
possuem cerca de 10-20% desses elementos, mas suas massas compreendem
também sólidos, incluindo gelo e materiais rochosos. De qualquer forma, nos
quatro planetas é possível observar directamente apenas as partes mais
externas de suas atmosferas e especular a respeito da natureza e das
condições de seus interiores, onde as pressões existentes são tão grandes que
desconhecemos a física que nelas prevalece.

O Júpiter pelo seu tamanho descomunal, pode ser considerado uma estrela
que falhou. Possivelmente, nos primórdios de sua evolução, ele brilhou tal
como uma estrela, porém com luminosidade muito fraca. Se Júpiter tivesse
massa muito maior, o Sistema Solar teria sido uma estrela dupla, como há
muitas no Universo, e provavelmente a Terra e outros planetas não teriam
sido formados. Júpiter possui alguns anéis e diversos satélites, todos
diferentes entre si e formados por material sólido.

A energia interna de Júpiter é ainda muito elevada, provavelmente suficiente


para manter o material de seu interior inteiramente líquido. Considera-se que
as camadas externas do planeta contenham essencialmente H molecular, Hz,

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enquanto que nas internas predomina H metálico, líquido. Júpiter teria ainda
um núcleo relativamente pequeno de material fundido, possivelmente
silicatos.

Pouco se conhece acerca do interior de Saturno que deve compartilhar muitas


das propriedades de Júpiter. Ainda menos se conhece sobre Urano e Neptuno,
que pelas suas densidades médias devem ter núcleos de material denso. Os
modelos propostos para suas estruturas internas preconizam um núcleo
rochoso, coberto por um "manto" de água líquida, metano, amónia e outros
compostos, formando um oceano com milhares de quilómetros de espessura.
Este oceano seria recoberto por uma atmosfera muito densa formada por H
e He.

Entre as órbitas de Marte e Júpiter ocorre o cinturão de asteróides,


constituído de incontáveis corpos planetários de tamanhos diversos. Como
foi mencionado anteriormente, a grande maioria dos meteoritos que
continuamente caem na superfície da Terra provém desse cinturão. É
provável que os asteróides não puderam se reunir num único planeta, na
época de acresção, devido às perturbações de natureza gravitacional
causadas pela proximidade de Júpiter.

Sumário

Nesta unidade que acabamos de ver, abordamos sobre o conceito


do sistema solar, sua composicao e estrutura dos planetas.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

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Perguntas
1. Defina o sistema solar
2. Explica a composição do sistema solar
3. Descreve a estrutura dos planetas

UNIDADE Temática 3.3- Teorias sobre a origem da terra

Introdução

Nesta unidade iremos abordar as teorias sobre a origem da terra

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Identificar as teorias sobre a origem da terra


 Explicar a essência de cada teroia

Objectivos
Específicos

Teorias sobre origem da terra


Teorias sobre origem da terra

Existem duas teorias para explicar a formação do planeta. A conhecida


discordância entre a teoria criacionista e a evolutiva ainda rende discussão
em todo mundo. O planeta surgiu há bilhões de anos e com isso, sofreu várias
mudanças que deixaram marcas significativas na história do mundo. Para
descobrir, a idade do planeta, é necessário realizar um cálculo a partir de
rochas com elementos radioactivos.

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De acordo com a ciência, a evolução do planeta é resultado de aquecimentos,


explosões, congelamentos e uma reunião de materiais, processo que durou
bilhões de anos para fazê-lo ser o que é actualmente.

Teoria Criacionista
A primeira, a criacionista, crê em um ser superior responsável pela origem
da vida. Para eles Deus fez todo o planeta, assim como as plantas e os corpos
celestes. A Terra, segundo o criacionismo, teria entre 6 a 10 mil anos, sendo
criada num período de 6 dias, segundo o livro de Génesis, no capítulo 1 da
Bíblia. Quanto às formações biológicas da Terra, acredita-se que tenha sido
causada pelo dilúvio ocorrido nela, o qual teria destruído tudo, menos Noé,
sua família e os animais que estavam dentro da arca.
Teoria do Big Bang
A outra versão para a formação da Terra parte de uma possível explosão,
muito potente, há 13 bilhões de anos, apelidada de Big Bang. Essa teoria foi
proposta pelo físico George Gamow e o astrónomo Georges Lemaitre, ambos
baseando-se na Teoria da Relatividade de Albert Einstein e de Melvin
Slipher e Edwin P. Hubble, que observaram o afastamento da galáxia, uma
das outras.

A Terra teria sido formada há, aproximadamente, 4,5 bilhões de anos,


resultante de uma poeira e gases espaciais que sobraram da formação do Sol.
Tendo seu início em estado de fusão, o tempo, e outros factores, fizeram com
que uma parte ficasse seca, separando essa porção da água. Essa porção seca
da terra estava agrupada numa espécie de supercontinente, que mais tarde foi
chamado de “Rodínia”. Depois, com separações e reagrupamentos de terra,
foram formados outros “supercontinentes” chamados de Panótia e depois
Pangeia.

Assim como os demais planetas do Sistema Solar, a Terra foi provavelmente


originada através de uma força gravitacional que condensou diversos
materiais preexistentes no espaço. Tais materiais foram constituídos de
partículas como poeira cósmica e gás. Muitos elementos químicos formados

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entraram nesta composição, sendo que os elementos mais densos tenderam


a permanecer no centro deste redemoinho gravitacional. Por outro lado, os
elementos menos densos, os gases, permaneceram na superfície deste
redemoinho. As temperaturas do núcleo do redemoinho permaneceram
bastante elevadas e baixavam gradualmente nas regiões que se aproximavam
da superfície.

Para alcançar o nível de evolução no qual encontra o planeta hoje, foi preciso
milhões de anos para que esse se configurasse e pudesse oferecer condições
para o desenvolvimento da vida.

Segundo a classe de cientistas a Terra está datada de 4,5 a 5,0 bilhões de


anos.

Ao longo de sua formação o planeta já possuiu diferentes características em


consistência e principalmente em temperatura, houve períodos com
temperaturas extremamente elevadas, e supostamente o planeta passou por
processo de glaciação.

Em forma de retrospectiva, segue os principais eventos que marcaram a


formação do planeta e de seus habitantes, os seres vivos.

1º Evento: Formação da Terra há aproximadamente 4,5 bilhões de anos,


nesse período o planeta era extremamente quente equivalente a uma imensa
bola de fogo, não abrigando nem uma forma de vida.

2º Evento: Passados milhões de anos após a formação do planeta, a Terra


entrou em um processo de resfriamento gradativo, essa alteração originou
uma estreita camada de rocha em toda a Terra.

3º Evento: Com as mudanças ocorridas na temperatura do planeta, que foi se


resfriando, foi expelida do interior da Terra uma imensa quantidade de gases
e vapor de água. Esse processo fez com que os gases formassem a atmosfera
e o vapor de água favoreceu o surgimento das primeiras precipitações, um
longo tempo de chuva ocasionou a formação dos oceanos primitivos, que
possuíam cerca de 20 cm de profundidade.

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4º Evento: A formação dos oceanos foi fundamental para o surgimento da


vida no planeta, pois a origem da vida veio dos seres aquáticos. Dessa forma
surgiram primeiramente no plantae as bactérias e algas, além de
microrganismos, isso há cerca de 3 bilhões e 500 milhões de anos.

5º Evento: Essas primeiras formas de vida foram importantes para o


surgimento de outros seres. Surgiram então, oriundos dos microrganismos,
os invertebrados dentre eles medusas, trilobitas, caracóis e estrela-do-mar,
além disso, desenvolveram plantas tais como as algas verdes, todos os seres
vivos desse momento habitavam ambientes marinhos.

6º Evento: Pouco tempo depois algumas espécies de plantas marinhas


desenvolveram a capacidade de se adaptar fora do ambiente aquático
migrando para áreas continentais, dando origem às primeiras plantas
terrestres.

7º Evento: Os animais terrestres tiveram sua origem a partir do momento que


algumas espécies de peixes saíram da água dando origem aos anfíbios e
posteriormente aos répteis. Houve um tempo no qual o planeta Terra ficou
povoado por grandes répteis denominados de dinossauros, esse ficou
caracterizado como o Período Jurássico. O período permiano deu origem às
plantas com flores e os mamíferos. Os grandes répteis foram extintos há 70
milhões de anos.

8º Evento: Há aproximadamente 65 milhões de anos teve início a formação


das grandes cadeias de montanhas como o Himalaia e os Alpes. Os animais
como os mamíferos e as aves proliferaram por todo o planeta, a atmosfera já
possuía as mesmas características actuais.

9º Evento: Há aproximadamente 4 milhões de anos surgiram os ancestrais


dos seres humanos, o planeta a partir de então entrou em períodos de muito
frio ocasionados pelo crescimento das geleiras, no entanto, há 11 mil anos as
geleiras se fixaram nas zonas polares.

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Sumário

Nesta unidade que terminamos, abordamos as teorias sobre a


origem da terra.

Existem duas teorias para explicar a formação do planeta: a teoria


Criacionista e a teoria do Bing Bang.

Teoria criacionista, crê em um ser superior responsável pela


origem da vida; Deus fez todo o planeta, assim como as plantas
e os corpos celestes. A Terra, segundo o criacionismo, teria entre
6 a 10 mil anos, sendo criada num período de 6 dias, segundo o
livro de Génesis, no capítulo 1 da Bíblia. Quanto às formações
biológicas da Terra, acredita-se que tenha sido causada pelo
dilúvio ocorrido nela, o qual teria destruído tudo, menos Noé, sua
família e os animais que estavam dentro da arca.

Teoria do Big Bang - a formação da Terra parte de uma possível


explosão, muito potente, há 13 bilhões de anos, apelidada de Big
Bang. Essa teoria foi proposta pelo físico George Gamow e o
astrónomo Georges Lemaitre, ambos baseando-se na Teoria da
Relatividade de Albert Einstein e de Melvin Slipher e Edwin P.
Hubble, que observaram o afastamento da galáxia, uma das
outras.

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas

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Geográfica

1. Identifica as teorias sobre a origem da terra

2. Explica a essência de cada teroia

UNIDADE Temática 3.4- Aterra e seus movimentos

Introdução

Nesta unidade iremos abordar sobre a terra e os seus movimentos

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Destacar os movimentos da terra


 Descrever as caracteristicas dos movimentos da terra.

Objectivos
Específicos

A terra e seus movimentos


Movimento de rotação
O movimento de rotação da Terra é o giro que o planeta realiza ao redor de
si mesmo, ou seja, ao redor do seu próprio eixo. Esse movimento se faz no
sentido anti-horário, de oeste para leste, e tem duração aproximada de 24
horas. Graças ao movimento de rotação, a luz solar vai progressivamente
iluminando diferentes áreas, do que resulta a sucessão de dias e noites nos
diversos pontos da superfície terrestre.

Vale lembrar que, durante o ano, a iluminação do Sol não é igual em todos
os lugares da Terra, pois o eixo imaginário, em torno do qual a Terra faz a
sua rotação, tem uma inclinação de 23º 27’, em relação ao plano da órbita
terrestre.

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O movimento aparente do Sol - ou seja, o deslocamento do disco solar tal


como observado a partir da superfície - ocorre do leste para o oeste. É por
isso que, há milhares de anos, o Sol serve como referência de posição: a
direcção onde ele aparece pela manhã é o leste ou nascente - e a direcção
onde ele desaparece no final da tarde é o oeste ou poente.

Movimento de translação

Movimento de translação é aquele que a Terra realiza ao redor do Sol junto


com os outros planetas. Em seu movimento de translação, a Terra percorre
um caminho - ou órbita - que tem a forma de uma elipse.

A velocidade média da Terra ao descrever essa órbita é de 107.000 km por


hora, e o tempo necessário para completar uma volta é de 365 dias, 5 horas
e cerca de 48 minutos.

Esse tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol é
chamado "ano". O ano civil, adoptado por convenção, tem 365 dias. Como
o ano sideral, ou o tempo real do movimento de translação, é de 365 dias e 6
horas, a cada quatro anos temos um ano de 366 dias, que é chamado ano
bissexto.

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A posição mais próxima ao Sol, o periélio ( ), é atingido


aproximadamente em 3 de Janeiro e o ponto mais distante, o afélio

( ), em aproximadamente 4 de Julho.

As estações são causadas pela inclinação do eixo de rotação da Terra em


relação à perpendicular ao plano definido pela órbita da Terra (plano da
eclíptica)

Esta inclinação faz com que a orientação da Terra em relação ao Sol mude
continuamente enquanto a Terra gira em torno do Sol. O Hemisfério Sul se
inclina para longe do Sol durante o nosso inverno e em direcção ao Sol
durante o nosso verão. Isto significa que a altura do Sol, o ângulo de elevação
do Sol acima do horizonte, para uma dada hora do dia (por exemplo, meio
dia) varia no decorrer do ano. No hemisfério de verão as alturas do Sol são
maiores, os dias mais longos e há mais radiação solar. No hemisfério de
inverno as alturas do Sol são menores, os dias mais curtos e há menos
radiação solar.

A quantidade total de radiação solar recebida depende não apenas da duração


do dia como também da altura do Sol. Como a Terra é curva, a altura do Sol
varia com a latitude. A altura do Sol influencia a intensidade de radiação
solar, ou irradiância, que é a quantidade de energia que atinge uma área
unitária por unidade de tempo (também chamada densidade de fluxo), de
duas maneiras. Primeiro, quando os raios solares atingem a Terra
verticalmente, eles são mais concentrados. Quando menor a altura solar,
mais espalhada e menos intensa a radiação. Segundo, a altura do sol
influencia a interacção da radiação solar com atmosfera. Se a altura do sol
decresce, o percurso dos raios solares através da atmosfera cresce e a
radiação solar sofre maior absorção, reflexão ou espalhamento, o que reduz
sua intensidade na superfície.

A incidência de raios verticais do sol, portanto, ocorre entre 23°27’N e


23°27’S. Todos os locais situados na mesma latitude tem idênticas alturas do

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Sol e duração do dia. Se os movimentos relativos Terra-Sol fossem os únicos


controladores da temperatura, estes locais teriam temperaturas idênticas.

Figura 2 – Movimento de translação: equinócios e solstícios

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Sumário

Nesta unidade que terminamos, abordamos sobre os movimentos


da terra. Vimos que a terra realiza dois (2) movimentos:
movimento de rotação da terra e movimento de translação da
terra.

Movimento de rotação da Terra é o giro que o planeta realiza


ao redor de si mesmo, ou seja, ao redor do seu próprio eixo. Esse
movimento se faz no sentido anti-horário, de oeste para leste, e
tem duração aproximada de 24 horas. Graças ao movimento de
rotação, a luz solar vai progressivamente iluminando diferentes
áreas, do que resulta a sucessão de dias e noites nos diversos
pontos da superfície terrestre.

Movimento de translação é aquele que a Terra realiza ao redor


do Sol junto com os outros planetas. Em seu movimento de
translação, a Terra percorre um caminho - ou órbita - que tem a
forma de uma elipse. A velocidade média da Terra ao descrever
essa órbita é de 107.000 km por hora, e o tempo necessário para
completar uma volta é de 365 dias, 5 horas e cerca de 48 minutos

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

Perguntas
1. Destacar os movimentos da terra

2. Descrever as caracteristicas dos movimentos da terra.

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BIBLIOGRAFIA

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