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c) Notícias começam a ser produzidas

Se a generalidade dos jornalistas começa a sua jornada logo pela manhã, é entre as 15h00 e
as 19h00 que se regista o período mais intenso de trabalho dos elementos que compõem a
redacção. De manhã esteve-se na rua, recolheram-se os elementos necessários e agora há
que transformá-los numa notícia, numa reportagem, numa entrevista. Por telefone, ainda se faz
um ou outro contacto com uma fonte e ainda se confirma ou complementa uma ou outra
informação. O editor de secção ou chefe de redacção determina então o tamanho e o
enquadramento a dar aos textos e o jornalista entrega-se à tarefa de ultimar o seu artigo. É
uma verdadeira corrida contra o tempo, porque muitas vezes só se obtêm todos os elementos
necessários à produção noticiosa praticamente em cima da hora a que deve ser “fechada a
página” [expressão do jargão jornalístico que significa que a página está pronta a ir para
impressão] a que o material se destina... E, ainda por cima, é preciso escrever com rigor,
clareza e poder de síntese…

d) O papel dos “copy-desks” ou revisores de texto

Antes de serem lidos pelos leitores, os artigos escritos pelos jornalistas ainda passam, pelo
menos, por dois crivos: o crivo do editor da secção respectiva (que para além de reler o
material que foi escrito define, entre outras coisas, os respectivos título, pós-título e sub-títulos)
e o crivo dos revisores ou “copy-desks” (cujas preocupações podem ir além das meras
correcções ortográficas ou sintácticas, desde logo porque são eles, em última instância, os
guardiões das regras estilísticas do jornal). São também os “copy-desks” ou revisores que são
chamados a intervir depois de uma página estar “fechada” no sector gráfico (ou seja, com a
configuração final que há-de ser posteriormente impressa) para proceder à chamada revisão de
página onde, com alguma frequência, ainda se detectam falhas que passaram despercebidas
nos anteriores processos de filtragem, designadamente palavras repetidas em determinados
títulos...

e) Revelar, escolher fotos e digitalizar

Enquanto o jornalista escreve o seu texto, os repórteres fotográficos têm que tratar das
imagens que vão ilustrar o jornal do dia seguinte. O primeiro passo é revelar os rolos, para que
depois o editor fotográfico — naturalmente considerando as sugestões do próprio repórter —
possa escolher o material mais adequado. Nessa fase, já terá recebido informações sobre o
conteúdo do artigo (para que a fotografia funcione como verdadeiro complemento noticioso e
não como um corpo estranho que “aterrou” no meio de um determinado artigo), mas também
sobre a quantidade de fotos necessárias e se há preferência (do editor de secção e do gráfico)
para que sejam “ao alto” ou “ao baixo”. Segue-se o processo de digitalização — isto é, a
passagem da fotografia impressa num rolo para um ficheiro de computador, já que a
generalidade dos jornais são hoje produzidos em suporte electrónico. E porque os tempos são
de mudanças aceleradas, esta imagem do editor fotográfico a olhar para os negativos está em
vias de se tornar anacrónica, devido à introdução das chamadas máquinas fotográficas digitais.
A título de exemplo, refira-se que um repórter fotográfico pode estar a cobrir um jogo de futebol
e, simultaneamente, a ir enviando as suas fotos digitais — através de um computador portátil
— para a redacção. E quando acabar o jogo, é até provável que o jornal do dia seguinte já
esteja impresso... com uma ou mais fotografias dessa mesma partida de futebol.

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