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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

CURSO DE PEDAGOGIA

A INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL


A INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à


UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, como
requisito parcial para a obtenção do título de licenciado
em Pedagogia.

Orientador:
Tutor Eletrônico:
Tutor de Sala:
CAPÍTULO 1 – HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

1.1 História da Educação Inclusiva no Mundo

Desde muitos anos até os dias atuais as sociedades demonstram


dificuldades em lidar com diferenças entre as pessoas e de aceitar as deficiências.
Isso em todas as culturas, etnias, níveis sociais e econômicos, apenas variando a
forma de conceder a deficiência e lidar com seus portadores.
No século XVIII, os estudos na área da medicina permitiram verificar
que muitas deficiências eram o resultado de lesões e disfunções no organismo.
Segundo Pessotti (1984), a ciência permitiu questionar dogmas religiosos, surgindo
estudo sistemático na área médica com o propósito de explicar os comportamentos
dos deficientes. Isto representou um marco no que se refere às necessidades
básicas de saúde dessas pessoas, mas instituiu uma fase de segregação
institucional, já que, com o objetivo de aliviar a sobrecarga da família e da
sociedade, as pessoas com deficiência foram mandadas para asilos e hospitais,
juntamente com doentes psiquiátricos, delinquentes e prostitutas.
Esse período de transformações econômicas e sociais,
intensificados pela Revolução Industrial levou a uma mudança no quadro da
concepção de deficiência, pois há, de acordo com Pessotti (1984), uma aceleração e
consolidação da produção capitalista, modificando o tipo de capacitação dos
trabalhadores, exigindo uma escolarização em massa da população. Com isso, uma
parte da população considerada produtiva passa a ser classificada como menos
eficiente o que quer dizer, em outras palavras, “deficiente”, já que não eram capazes
de aprender de acordo com as normas estabelecidas pela escola nesta época.
Ainda no inicio do século XIX, o termo “deficiência” relacionava-se
diretamente a um quadro de incapacidade, dependência, inutilidade, que não era
interessante para os governantes ou mesmo para os donos de indústrias, e
abandonar, ignorar, deixar longe do alcance dos olhos eram atitudes naturais, que
não provocavam nenhum tipo de constrangimento ético ou moral devido as leis
sociais da época.
Ao final do século XIX e inicio do século XX, ainda segundo Pessotti
(1984), criam-se instituições para atender os deficientes mentais moderados e
profundos. Mas o foco era diminuir o incomodo causado por esse tipo de população,
e não atender suas especificidade e necessidades. Surgiram espaços específicos
para tal fim, como se fossem asilos, para que os deficientes não causassem
transtorno ao resto da população. Essa fase recebeu o nome de etapa da
Segregação Institucional, escolas, hospitais e residências clinicas foram utilizados
como locais de educação especial.
De acordo com Mazzotta (1996), observando a evolução histórica da
deficiência no que se refere ao atendimento educacional, a área denominada
educação especial expandiu-se, no Brasil, com a criação de entidades filantrópicas
assistenciais e especializadas destinadas a população das classes menos
favorecidas. Ao lado dessas instituições surgiram clinicas e escolas privadas para o
atendimento das necessidades especiais das classes mais altas.
A reação contra a Segregação Institucional dos portadores de
deficiência, que ocorrer entre os anos 60 e 70, fez surgir movimentos a favor da
desinstitucionalização, aparecendo então à ideia de educar em ambientes menos
restritivos.
Começam então a ocorrer encaminhamentos de crianças e jovens
considerados mais aptos a escolas regulares, classes especiais e salas de recursos,
e esse período recebeu o nome de etapas de integração.
Também nesse período, segundo Marchesi e Martin (1995), entre os
anos 60 e 70, o termo deficiência foi substituído pelo conceito de“ necessidade
educativa especiais “, indicando que, se um aluno apresenta algum problema de
aprendizagem ao longo de sua escolarização, isso exige uma atenção mais
especifica e maiores recursos educacionais do que os necessários para sua idade.
Essa mudança acarretou readequações referente a reorganização curricular,
formação dos professores, novos métodos de ensino e outras posturas na atuação
e responsabilidade das administrações educacionais.
Em relação ao atendimento, ainda se observa no período um
numero elevado de profissionais ligados ao modelo medico da deficiência, no qual
ela é vista como um “problema” do individuo e, por isso, o próprio deficiente é que
precisa mudar se adaptar a sociedade ou terá que ser mudado por profissionais por
meio da reabilitação ou cura.
A sociedade não aceita mudar suas estruturas e atitudes em relação
ao deficiente, principalmente impulsionada pelo modelo médico, pois por muito
tempo o tratamento dado a estes indivíduos teve um enfoque medico e clinico, e
não pedagógico.
Cabe registrar que, em 1994 em Salamanca, na Espanha, ocorreu a
Conferência Mundial de Educação Especial, representado 88 governos e 25
organizações internacionais, reafirmando o compromisso para com a educação para
todos e reconhecendo a necessidade e urgência da educação para crianças, jovens
e adultos com necessidades especiais dentro do sistema regular de ensino.

1.2 Historia da Educação Inclusiva no Brasil

A Educação Especial no Brasil inicia-se no século XIX, quando


alguns brasileiros, inspirados por ações de europeus e norte americanos, se
mobilizaram em direção a implementação das ações com o objetivo de atender
pessoas com deficiências físicas, mentais e sensoriais. A elite brasileira, que na
época era representada pelos senhores de engenho e grandes cafeicultores,
buscava no exterior, França e Portugal, educação para seus filhos. Somente no final
do período chamado Brasil Colônia inicia-se a história da Educação Especial no
Brasil, com a criação do Instituto dos Meninos Cegos, atual Instituto Benjamin
Constant. O instituto foi criado no Rio de Janeiro, pelo imperador D. Pedro II, por
meio do Decreto Imperial n. 1.428, de setembro de 1854 (MAZZOTA, 1996).
No período colonial, o descaso com essa população era evidente,
sendo que a prática do favor e da caridade instituiu o caráter assistencialista dado a
pessoa com deficiência.
A história relata que a sociedade brasileira passou até o período
Republicano sem nenhum tipo de atendimento educacional especializado a essa
população, com apenas alguns registros de internamentos em instituições
psiquiátricas (MAZZOTA, 1996).
Em 1889, havia no País seis instituições de ensino atendendo
deficientes físicos, auditivos e visuais, mas os deficientes mentais continuavam
isolados em instituições psiquiátricas.
Somente em 1920, com a criação da primeira instituição de caráter
privado, em canoas (RS), é que se identifica uma preocupação com o deficiente
mental por parte da sociedade Pestalozzi. Aos poucos, movimentos nessa direção
surgem de forma mais intensa, o que resulta no aparecimento de instituições
especializado no atendimento ao portador de deficiência, de forma autônoma e de
caráter filantrópico. Estas são as APAES (Associação de Pais dos Excepcionais),
que se tornam a maior prestadora de serviços e habilitação das pessoas portadoras
de deficiência em todo o País.
O movimento cresceu em 1962 foi criada a Federação Nacional das
APAES, tendo doze instituições existentes, que teve como objetivo articular e
congregar esforços mútuos entre os filiados. Essa federação estimulou e viabilizou
conquistas das pessoas portadoras de deficiência.
Atualmente as APAES representam o maior movimento social do
Brasil e do mundo em sua área de atuação, com mais de duas mil unidades
implantadas.
CAPÍTULO 2 – EDUCAÇÃO INFANTIL INCLUSIVA

2.1 Educação Inclusiva e suas Perspectivas

Educação inclusiva é ter a capacidade de entender o outro e


reconhecê-lo, tendo assim o privilegio de conviver e compartilhar com pessoas
diferentes de nós. A educação inclusiva acolhe todas as pessoas, sem exceção: o
aluno com deficiência física, os que têm comprometimento mental, superdoidos,
todas as crianças que são discriminadas por qualquer outro motivo. Estar junto é se
aglomerar no cinema, no ônibus e até na sala de aula com pessoas que não
conhecemos. Já inclusão é estar com, e interagir com o outro.
A Educação Especial passa a ser compreendida e inserida na
educação geral na quais todos aprendem juntos, convivendo com as diferenças.
Pois o termo inclusão não se aplica somente a criança com
necessidades especiais ou sob algum risco, mas a todas, compreendendo o seu
desenvolvimento e a aprendizagem numa instituição escolar (Stainlack, 1999).
Uma escola inclusiva é uma escola líder em relação às demais. O
seu objetivo é fazer com que as crianças atinjam o seu potencial máximo. O
processo deverá ser administrativo conforme as necessidades de cada criança.
A postura tradicional dos professores e da equipe técnica da escola
é modificada pela escola inclusiva. Os professores ficam mais próximos dos alunos,
observando suas maiores dificuldades.
A escola inclusiva é uma escola integrada a sua comunidade e os
pais são os parceiros nesse processo de inclusão da criança na escola.
Quanto aos ambientes educacionais, precisam visar p processo de
ensino-aprendizagem do aluno e as modificações na escola deverão ser feitas a
partir de discussões com a equipe administrativa, os alunos, os professores e os
pais, e os critérios de avaliação antigos deverão ser mudados para atender as
necessidades especiais dos alunos. O acesso físico a escola devera ser facilitado
aos indivíduos com necessidades especiais. A escola precisa também capacitar
seus professores, preparar-se e buscar adaptar-se para esse fim.
Por isso de acordo com o documento elaborado pelo MEC, a
inclusão não significa apenas matricular os educandos com necessidades espaciais
na classe comum, mas significa dar ao professor e a escola o suporte necessário a
sua ação pedagógica (Brasil 1999).
A constituição federal, em seu art. 208, estabelece o direito de as
pessoas com necessidades especiais receberem educação preferencialmente na
rede regular de ensino (BRASIL 1988). Nela consta que a diretriz atual propõe plena
integração dessas pessoas em todas as áreas da sociedade.
São dois aspectos que se destacam: o direito a educação, comum a
todas as pessoas, e o direito de receber essa educação sempre que possível junto
com as demais pessoas nas escolas regulares.
f) a matricula compulsória, em cursos regulares de estabelecimento
públicos e particulares, de pessoas portadoras de deficiência capazes de se
integrarem no sistema regular de ensino (BRASIL, 1989).
Esses preceitos aparecem em todas as leis orgânicas dos
municípios.
É importante perceber que a legislação determina a preferência para
essa modalidade de atendimento educacional, mas ressalva os casos de
excepcionalidade em que as necessidades do educando exigem outras formas de
atendimento, por exemplo, a participação em sala de recursos, sala especial ou
escola especial. Mas a ênfase dada é que todas essas possibilidades têm por
objetivo a oferta de uma educação de qualidade, direito de todos os cidadãos.
A inclusão da pessoa portadora de necessidade educacionais
especiais na escola tem como objetivo favorecer um ambiente de convívio menos
restritivo possível, que de oportunidade a um processo dinâmico e flexível de
participação em todos os níveis sociais.
Isso inclui a definição de inclusão social, que pressupõe a
possibilidade de se pensar uma sociedade para todos, com respeito à diversidade e
atendimento as necessidades das maiorias e minorias. Assim, por meio da
mediação desse processo, pode-se concretizar a chamada sociedade inclusiva.
A prática da inclusão propõe um modo de interação social, no qual
há uma transformação de valores e atitudes que exige mudanças na estrutura da
sociedade e da escola. De acordo com Jover (1999, p. 13):
Estudantes com deficiência: aprendem a gostar da diversidade;
adquirem experiência direta com as varias capacidades humanas; demonstram
melhor aprendizado através do trabalho em grupo, com outros deficientes ou não;
entendem que são diferentes, mas não inferiores. Estudantes sem deficiência: tem
acesso a vários papeis sociais; perdem o medo e o preconceito em relação ao
diferente; adquirem grande senso de responsabilidade e melhoram o rendimento
escolar; são mais bem preparados para a vida adulta; assimilam que as pessoas, as
famílias e os espaços sociais não são homogêneos e que as diferenças são
enriquecedoras para o ser humano.
Esse olhar aponta para a proposta das escolas inclusivas, que deve
estar focado no desenvolvimento de um sistema que leve em conta a necessidade
de todos os alunos e na busca de se estruturar em função dessas escolas.
Objetivos da Educação Inclusiva
De acordo com Oliveira 92002, P. 76), a educação inclusiva tem
como objetivos:
 Integração das pessoas com deficiência a sociedade;
 expansão do atendimento as pessoas com deficiência na
rede regular de ensino;
 Ingresso em turmas de ensino regular sempre que for
possível;
 Apoio ao sistema de ensino regular para criar condições de
integração;
 Conscientização da comunidade escolar para a importância
da presença do aluno com deficiência em sala regular;
 Integração tecnica-pedagogica entre os educadores que
atuam nas salas de aula do ensino regular e os que atendem em salas de educação
especial;
 Integração das equipes de planejamento da educação
comum com os da educação especial, em todas as instancias administrativas e
pedagogicas do sistema educativo;
 Desenvolvimento de ações integrada nas áreas de ação
social, educação, saúde e trabalho.
Diante desses objetivos, fica claro que um sistema educacional que
oferece a possibilidade de inclusão baseia-se na crença e no principio de que todas
as crianças conseguem aprender, participar de atividades co-curriculares e extras-
curriculares, e precisam receber programas educativos adequados e relevantes as
suas necessidades.
Sob a ótica educacional, a proposta de educação inclusiva produziu
mudanças fundamentais nos valores e normas sociais, trazendo novos desafios as
escolas comuns, especiais e a sociedade como um todo.
Portanto, é possível concluir que a educação inclusiva tem por
princípio a valorização da diversidade humana em seus múltiplos aspectos: culturais,
sensoriais, étnicos, físicos, mentais. Mussi (2008) afirma que a inclusão não deve
ser vista como algo a ser conquistado, mas como direito de todos encontrarem, mas
condições necessárias para seu desenvolvimento.
A educação inclusiva envolve o preparo das instituições para
receber os alunos com necessidades educacionais especiais, revendo metodologias
e recursos didáticos.
O sucesso escolar contribuiu para valorizar o indivíduo aumenta sua
alto-estima, colaborando com a inclusão e a aceitação na sociedade. Pessoas com
deficiência estão presentes em todos os setores da sociedade e necessitamos de
uma reflexão sobre nossas práticas a fim de garantir participação plena e igualdade,
do ponto de vista profissional, pessoal e social. Uma sociedade inclusiva começa
pela educação.

2.2 Educação Infantil Inclusiva

Trazendo a educação para a primeira etapa que é a Educação Infantil,


além de uma necessidade, a educação infantil é um direito de toda e qualquer
criança, independente de classe, gênero, cor ou sexo.
O trabalho dos educadores infantis corresponde à assistência e a
educação, oferecendo um atendimento comprometido com o desenvolvimento da
criança em seus aspectos físicos emocionais e sociais (LOB/1996).
Em creches (crianças de 0 a 3 anos) e pré-escola para (crianças de 4 a 5
anos), o espaço se divide em salas onde cada uma é responsável em atender a
demanda por idade. Num determinado momento de permanência da criança na
creche, ocorre o remanejamento dela para outra turma quando atingida a idade
máxima permitida na sala. Este momento tem grande importância por
corresponder à inclusão ou exclusão da criança no novo grupo.
Não há como agir com crianças mesmo pequenas, sem considerar suas
vontades, suas necessidades, seus medos e seus sentimentos. As mudanças
substanciais em geral despertam ansiedade. Daí a importância de um trabalho
consciente e responsável pela infância nestas instituições.
A inclusão é um processo que se dá no cotidiano e no qual as interações
entre as crianças desempenham um papel fundamental. Os encontros entre as
crianças são revelados de caminhos a serem percorridos.
O ambiente escolar é rico em relações e desde pequenas as crianças
uma com as outras neste ambiente. Na Pré-escola de 0 a 3 anos elas são mais
receptivas, não se empatam com diferenças entre colegas, querem brincar, sujar,
pular, cantar, gritar enfim serem crianças.
Ao longo deste século o estudo da criança e a visão sobre a infância
como processo social e historicamente construída tem alcançado grande
movimento. Os estudos teóricos nesta área e as lutas políticas em defesa das
crianças têm apontado para a construção social destas enquanto sujeitos sociais
de plenos direitos. Contudo, as crianças são sujeitos marcados pelas
contradições da sociedade em que vivemos.
A partir da constituição Federal de 1988, do Estatuto da Criança e do
Adolescente de 1990 e da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de
1996, a criança no Brasil passa a ser objeto da legislação, sob outro enfoque que
o das legislações anteriores.
Assim, os direitos sociais e fundamentais das crianças são reconhecidos
evidenciando que no atual contexto social brasileiro a criança é reconhecida
como um sujeito social de direitos e que a educação infantil devem ser garantida
a todos, enquanto dever do Estado e opção da família.
A Educação Infantil é recente na pratica social, e consiste em educar e
cuidar de crianças de 0 a 5 anos em instituições, portanto pesquisar nesta área
implica em considerar os atuais contextos específicos em que se concretiza a
educação e o cuidado da criança de 0 a 5 anos, na Educação Infantil em creches
e pré-escolas que como instituições sociais, compartilham esta tarefa com a
família e a sociedade.
O Levantamento demográfico de crianças em idade, do nascimento aos 5
anos, indica que há um percentual significativo de alunos com necessidades
educacionais, o que permite antecipar um expressivo contingente de crianças
que precisam usufruir dos direitos assegurados constitucionalmente. Assim há
necessidade de se apoiar as creches e pré-escolas para atender a essa
população, agindo no sentido de:
- disponibilizar recursos humanos capacitados em educação especial/ educação
infantil para suporte e apoio ao docente das creches e pré-escolas, assim como
possibilitar sua capacitação e educação continuada através de cursos ou
estágios em instituições comprometidas com o movimento da inclusão;
- garantir condições de acessibilidade aos recursos materiais e técnicos
apropriados: mobiliário, parques infantis, brinquedos, recursos pedagógicos,
materiais de primeiros socorros, facilidade de acesso e de transporte, assim
como a proximidade dos recursos comunitários de apoio, entre outros
indispensáveis;
- divulgar a visão de educação infantil, na perspectiva da inclusão pelos diversos
meios de comunicação. As escolas especiais e os centros de educação infantil
governamentais ou não e outras entidades congeneres,como também as
instituições de ensino superior, podem constituir-se em efeitos elementos de
cooperação nesse propósito;
- realizar levantamento dos serviços e recursos comunitários institucionais como
maternidades, postos de saúde, hospitais, escolas e unidades de atendimento as
crianças com necessidades educacionais especiais, entre outras, para que
possam constituir-se em recursos de apoio, cooperação e suporte;
- conhecer as informações contidas no documento “Adaptações Curriculares –
uma estratégia para a educação de alunos com necessidades educacionais
especiais” – (MEC/SEF/SEESP/99), com vistas a buscar subsídios para adequar
os conteúdos as necessidades de cada criança;
- Estabelecer parcerias visando ações conjuntas entre a saúde e a assistência
social, garantindo a orientação, o atendimento integral e o encaminhamento
adequado;
- garantir a participação da direção, dos educadores, dos pais e das instituições
especializadas na elaboração do projeto pedagógico que contemple a inclusão;
- promover a sensibilização da comunidade escolar, no que diz respeito à
inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais;
- Promover encontros de professores e outros profissionais com o objetivo de
refletir, analisar e solucionar possíveis dificuldades existentes no processo de
inclusão;
- solicitar consultorias ao órgão responsável pela educação especial no estado,
no Distrito Federal ou no município, como também ao MEC/ SEESP.
- Adaptar o espaço físico interno e externo para atender crianças com
necessidades educacionais especiais conforme normas de acessibilidade.
Desse modo prioriza-se a valorização da dimensão humana, da criança
cidadã com seus direitos fundamentais e deveres garantidos, desde deus
primeiros anos de vida.
Em 1990 surge o movimento em prol da sociedade inclusiva iniciando
pelas Nações Unidas, mediante Resolução desse organismo em defesa de uma
Sociedade para Todos, configurando assim a normativa universal que
fundamenta a implantação da inclusão. Essa abrangência foi definida no âmbito
educacional, em 1994, através do conhecido Encontro de Salamanca (Espanha)
resultando o documento “Declaração de Salamanca”, assinado por diversos
países. Tal documento, que marcou época, determina a transformação das
instituições educacionais em “Escolas para Todos”, que tem como principio
orientar a inclusão de todo aluno, em seu contexto educacional e comunitário.
O modelo anterior propunha uma visão assistencial, de educação
compensatória e preparatória. Contrapondo com esse pensamento, surge a visão
integral do desenvolvimento, na qual o aluno é considerado como pessoas
autônoma, inserida num determinado contexto sócio, histórico e cultural.
Nessa Declaração física presente a necessidade de implantação de uma
Pedagogia voltada para a diversidade e necessidade especificas do aluno em
diferentes contextos, com a adoção de estratégias pedagógicas diferenciadas
que possam beneficiar os alunos.
Quanto ao período da infância, a inclusão escolar é considerada como
alternativa necessária a ser implantada desde os primeiros anos de vida. Para
efetivação desse modelo, requer a positiva participação da Instituição, da família
e também da própria criança, em um esforço conjunto de aprendizagem
compartilhada.
Nessa nova perspectiva, a educação assume as funções: social, cultural
e política, garantindo dessa forma, alem das necessidades básicas (afetivas,
físicas e cognitivas) essências ao processo de desenvolvimento e aprendizagem,
a construção do conhecimento de forma significativa, através das interações que
estabelece com o meio.
A escola inclusiva promove a oportunidade de convívio com a
diversidade e singularidade, a participação de alunos e pais na comunidade de
forma aberta, flexível e acolhedora.
Os dois conceitos que permeiam o cotidiano referem-se a integração e a
inclusão: o primeiro compreende o sentido de incorporação gradativa em escola
regulares, podendo o aluno permanecer parte do tempo em escola ou classes
especiais e sala de recursos. O segundo, da inclusão, é definido por um sistema
educacional modificado, organizado e estruturado para atender as necessidades
especiais, interesses e habilidades de cada aluno. Essa ultima abordagem requer
uma pratica pedagógica dinâmica, com currículo que contemple a criança em
desenvolvimento, os aspectos de ação mediadora nas inter-relações entre a
criança, professores e seus familiares, atendendo as suas especificidades no
contexto de convivência (Mittler, 2003).
Juntamente com a fundamentação legal e as diretrizes gerais da
educação, o atendimento educacional a alunos com necessidades educacionais
especiais, no que se refere ao período compreendido do nascimento aos 5 anos,
deve guiar-se pelos seguintes princípios:
 Garantir o acesso a educação infantil em creches e pré-escolas, respeitando
ao direito do atendimento especializado (LDB 58 e 60).
 A educação especial é modalidade do sistema educacional que deve ser
oferecida e ampliada na rede regular de ensino para alunos com
necessidades educacionais especiais.
 A educação especial articula-se com a educação infantil no seu objetivo de
garantir oportunidades sócio-educacionais a crianças, promovendo o seu
desenvolvimento e aprendizagem, ampliando dessa forma, suas experiências,
conhecimentos e participação social.
 Garantir a avaliação como conjunto de ações que auxiliam o professor a
refletir sobre os processos de desenvolvimento e aprendizagem da criança,
podendo modificar a sua pratica conforma necessidades apresentadas pelas
crianças.
 Incluir conteúdos básicos referentes aos alunos com necessidades
educacionais especiais nos cursos de formação, capacitação e
aperfeiçoamento de professores, entre outros promovidos pelas instituições
formadoras.
 Proporcionar a formação de equipe de profissionais das áreas de educação,
saúde e assistência social para aturem de forma transdiciplinar no processo
de avaliação e para colaborar na elaboração de projetos, programas e
planejamentos educacionais.
 Promover a capacitação de professores com ênfase: no processo de
desenvolvimento e aprendizagem, segundo os princípios da inclusão; nas
relações construtivas professor-aluno-familia; na compreensão da existência
de diferentes níveis, ritmos e formas de aprendizagem; e na busca de novas
situações, procedimentos de ensino e estratégias que promovam o avanço
escolar.
 Garantir direito da família de ter acesso a informação, ao apoio e a orientação
sobre seu filho, participando do processo de desenvolvimento e
aprendizagem e da tomada de decisões quanto ao programa e planejamentos
educacionais.
 Incentivar a participação de pais e profissionais, comprometidos co a
inclusão, nos Conselhos Escolares e Comunitários.
A política nacional para implantação da educação inclusiva vem
sendo construída através de ação compartilhada entre profissionais, pais,
instituições educacionais e comunidade traçando dessa forma, novos rumos
para o ensino especial e regular, que passam a se integrar também no âmbito
da educação infantil. As discussões desenvolvidas no Brasil acerca do papel
que a educação infantil deve exercer no desenvolvimento da criança, tiveram
como resultado o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil-
RCNEI (1998).
A Secretaria de Educação Especial tem participado desse processo,
demonstrando preocupação com a educação da criança com necessidades
educacionais especiais. Nesse contexto, esta Secretaria sugere as
instituições de educação infantil (creches e pré-escolas) algumas ações que
considera importante enquanto recursos de apoio a educação dessas
crianças, ressaltando que o RCNEI apresenta características relevantes e
propiciadoras a pratica de uma educação inclusiva.
A escola enfrenta um desafio: conseguir que todos os alunos tenham
acesso a aprendizagem básica, por meio da inclusão escolar de todas as
crianças, respeitando as diferenças culturais, sociais e individuais, que podem
configurar as chamadas educacionais especiais.
Algumas necessidades educacionais são comuns a todos os alunos,
e os educadores conhecem muitas estratégias para dar-lhes respostas.
Outras necessidades educacionais podem requerer uma serie de recursos e
apoios mais especializados para que o aluno tenha acesso ao currículo. Por
exemplo, uma criança com deficiência visual não teria problemas para
aprender matemática, português, ciências, se a ela fosse ensinado o Braille
ou se fossem proporcionados recursos ópticos e materiais específicos.
Algumas necessidades educacionais precisam que ser de mais tempo para
aprender conteúdos; como as dos surdos, requerem a utilização de outros
recursos (Libras) pra se permitir o acesso aos conteúdo. Há ainda
necessidades educacionais que são transitórias e outras que são
permanentes.
A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na
escola regular parte do pressuposto da própria natureza da escola comum,
onde todos os meninos de uma comunidade têm o direito de estudar juntos
na mesma escola. É importante destacar que a escola não pode pedir
requisitos, não pode selecionar as crianças para realizar a matricula.
Quantos educadores observam seus alunos para descobrirem o que
pensam o que sonham, o que trazem ou o que desejam? Quantos alunos
ficam anos seguidos na escola sem sentirem-se inclusos no sistema ou até
mesmo no grupo? Quantos educadores refletiram durante sua carreira de
magistério sobre o conceito e a compreensão do que vem a ser inclusão
educacional? Onde a inclusão inicia? Na educação infantil? No Ensino
Fundamental? Onde?
A maneira de pensar de cada um é levada adiante através do
convívio. O educador mantém sua postura ideológica muitas vezes
fundamentada num modelo de educar, talvez o educador de sua infância.
Tudo o que sabemos sobre o mundo, os fatos, é suscetível de
expressão acerca de nossas experiências. Só podemos chegar a inclusão de
que esta mesa é azul ou verde consultando nossa experiência sensorial. Pelo
imediato sentimento de convicção que ela nos transmite, podemos distinguir o
enunciado verdadeiro, aquele cujos termos estão em concordância com a
experiência, do enunciado falso, aquele cujos termos não concordam com a
experiência. (Popper, 2000).
Corresponde a nossa cultura, a nossa experiência acreditar que
educação inclusiva se direciona apenas a crianças com alguma síndrome ou
debilitadas fisicamente, as crianças ditas diferentes da maioria padronizada e
homogeneizada superficialmente, sem considerações a subjetividade. Nossa
prática esta alicerçada numa educação para crianças “normais” enquanto que
a própria interpretação de normalidade pode ser contraditória porque é
subjetiva.
Se analisarmos cada criança individualmente, encontraremos
particularidades que jamais poderiam ser desconsideradas tanto para o
processo de ensino aprendizagem bem como para o convívio e bem estar
social ou do grupo.
A proposta de “Inclusão” social, econômica, política, cultural e
educacional deve ser incondicional. Tal inserção, que tem como meta não deixar
nenhum aluno fora do ensino regular, desde o início da escolarização, questiona o
papel do meio social no processo internativo de produção das incapacidades por
que todos têm direito de se desenvolver em ambientes que não discriminem, mas
que procurem ideias trabalhar com as diferenças respeitando as limitações de cada
um. ( MARIA E MARLY)
Trabalhar, inovar e ousar implementar a educação numa perspectiva
inclusiva não é missão impossível. É sim um desafio superável é uma questão de
querer mudar, pensar e construir uma escola que inspire e promova a troca entre os
alunos, que confronte forma desigual de pensamento e de estilo de vida, busque
metodologias interativas e faço do reconhecimento e da convivência com as
diversidades uma alternativa para uma nova aprendizagem, voltada para o
educando. É uma questão de crer na existência possível de uma escola que
reconheça as diferenças e respeitando-as possa conviver com elas.
Engana-se quem pensa a educação inclusiva somente em relação a
criança com deficiência, como se todas as aulas já fizessem parte efetivamente do
processo pedagógico. A política educacional fragmentada, desarticulada e
compartimentada, predominante no País, contribui para a persistência das atuais
formas do analfabetismo, evasão e repetência, da baixa qualidade de ensino, da
exclusão dos que não aprendem no mesmo ritmo e na maneira que os outros.
É pertinente constatar a distinção entre dois sistemas paralelos de
ensino: o regular e o especial. Eles competem entre si não apenas no que se refere
à baixa qualidade do ensino oferecido, mas também em relação a projetos
competitivos, gerando desperdício, ineficácia e desigualdade de oportunidades.
Para que se possa conceber a escola inclusiva é imprescindível que
a instituição escolar acolha os interesses e as dificuldades apresentadas pelos
alunos no dia-a-dia e no decorrer do processo de aprendizagem.

CAPITULO III – PRÁTICAS EDUCACIONAIS

3.1 O Preparo do Docente

A escola inclusiva sempre precisou existir, mas somente a partir da


Constituição Brasileira de 1998 é que os alunos portadores de Necessidades
Educacionais Especiais tiveram garantido seu acesso ao ensino da escola regular. E
os seus direitos ganharam ainda mais esforço a partir dos anos 90, através da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação, LDB, 9394/96. E desde lá, ano após ano, estamos
convivendo com estes educandos em nossas salas de aula. Muitas vezes os
educadores não sabem o que fazer com eles, pois os cursos de formação
profissional não os preparam para esta atuação. As famílias dos outros educandos
questionam e, algumas vezes, mostram-se contrários a esta inclusão, pois pensam
que a mesma poderá prejudicar seus filhos ditos “normais”. Aos gestores escolares
resta aceitar, pois é lei e não a cumprir será crime. Mas afinal, como cada um,
inclusos e os que incluem, poderão se beneficiar com esta troca?
Mantoan (2006, p.53) afirma que “Incluir é necessário,
primordialmente, para melhorar as condições da escola, de modo que nela se
possam formar gerações preparadas para viver a vida na sua plenitude, livremente,
sem preconceitos, sem barreiras”.
Neste sentido, cabe à escola assumir este papel de acolher e
desdobrar-se para tentar saber o que fazer com este educando, pois o fato dele
estar ali poderá mudar a cultura das próximas gerações. Pois a geração atual, ainda
é preconceituosa e se assusta com o diferente, como se todos fossem iguais.
Mantoan (2006, p.52):

Nós professores temos de retornar o poder da escola, que deve ser


exercido pelas mãos dos que fazem, efetivamente, acontecer a educação.
Temos de combater a descrença e o pessimismo dos acomodados e
mostrar que a inclusão é uma grande oportunidade para que alunos, pais e
educadores demonstrem as suas competências, os seus poderes e as suas
responsabilidades educacionais.

Pois o papel do professor no contexto da inclusão é de suma


importância. É através da sua postura e de suas atitudes para com os educandos
com Necessidades Educacionais Especiais que o grupo poderá se guiar. O
professor deve proporcionar este envolvimento grupal que abrange os outros
educadores, coordenadores, demais funcionários da escola e familiares, pois cada
membro tem sua importância para a inclusão.
No entanto, somente defender a idéia de inclusão não é suficiente,
pois ela não garante uma postura prática inclusiva, mas é um grande passo
estarmos discutindo este assunto, pois a inclusão na escola regular é o que pais,
educadores e comunidade em geral almejam.
Carvalho (2005) nos revela que o panorama atual em relação á
inclusão felizmente mostra-se com grandes avanços, porém com muito a ser
melhorado. Atualmente temos mais consciência acerca dos direitos humanos,
entretanto ainda há resistência por parte de alguns professores e familiares, pois
pensam que está muito difícil dar conta dos outros, então que dirá dar conta de
alunos com NEEs, decorrente de alguma deficiência caracterizada de moderada a
grave, em classes regulares.
Para dar continuidade ao foco deste estudo que aborda a percepção
de inclusão na educação infantil por parte da comunidade escolar e a relação de
alteridade observada entre a mesma e as famílias de inclusos e dos que incluem,
podemos considerar muito importante a Resolução do CNE/CEB nº 2, de 11 de
setembro de 2011, que institui as diretrizes pra a Educação Especial na Educação
básica.
A resolução, no artigo 18º resolve que:

Cabe aos sistemas de ensino estabelecer normas para o funcionamento de


suas escolas, a fim e que essas tenham as suficientes condições para
elaborar seu projeto pedagógico e possam contar com os professores
capacitados e especializados, conforme previsto no artigo 59, da LDBEN, e
com bases nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de
Docentes da Educação Infantil e dos Anos iniciais do Ensino Fundamenta,
em nível médio, na modalidade Normal, e nas Diretrizes Curriculares
Nacionais para a formação de Professores da Educação básica, em nível
superior, curso de licenciatura de graduação plena.
Percebe-se assim, que a educação inclusiva se faz em parcerias e
que é fundamental, além da formação do profissional educador, a existência de pelo
menos mis um especialista para dar apoio ao trabalho do professor e deixá-lo mais
seguro de eu suas propostas estão sendo necessárias e importantes para estes
alunos especiais, pois a sua formação, apesar de a Resolução apontar o que lhe
exigido, ainda assim é insuficiente. Aqui, vale lembrar que neste cenário inclusivo os
gestores escolares devem dar suporte para o professor atuar de maneira construtiva
ajudando os alunos e familiares, tanto dos portadores de Necessidades Especiais
quanto dos que não são, pois os que incluem também precisam desenvolver
mecanismos de enfrentamento para aprender a lidar com algumas situações
especificas ligada ao sujeito incluso.
Para dar mais embasamento ao que acredito, faz-se necessário
refletir acerca das reflexões de Carvalho (2005, p.29) que aponta o seguinte:

Pensar na inclusão dos alunos com deficiência (s) nas classes


regulares sem oferecer-lhes a ajuda e apoio de educadores que
acumularam conhecimentos e experiências especificas, podendo dar
suporte ao trabalho dos professores e aos familiares, parece-me o
mesmo que fazê-los constar, seja como número de matrícula, seja
como mais uma carteira na sala de aula.

Acredito que o primordial para o sucesso da educação inclusiva, e


em especial a inclusão de alunos com deficiências, é o trabalho realizado em
parceria entre educadores e especialistas. Os alunos com NEE inclusos na escola
regular compartilham com toda comunidade escolar sua história de vida, e com isso,
aprendemos, crescemos e construímos conhecimentos junto com eles é preciso que
os educadores conheçam as suas necessidades e aprendam como fazer as devidas
intervenções.
Portanto, é preciso prepara-se enquanto profissional da educação e
preparar todo o contexto que receberá este novo. É bom estar sempre atento, pois
nunca se sabe quando um desafio tão grande quanto incluir portadores de
Necessidades Educacionais baterá em nossa porta. Porque não basta apenas
acolher e aceitar o novo, é preciso capacitar-se para recebê-lo.
Carvalho (2005) em seu livro Educação inclusiva: com os pingos nos
‘’is’’ nos remete a refletir sobre o enfrentamento do desafio para conhecer a riqueza
do trabalho com a diversidade. E para isso, todos (comunidade escolar em geral)
deverão se envolver nas discussões acerca da inclusão para saber se posicionar
assumido um papel de alteridade, colocando-se no lugar do outro, este que está
sendo incluso.

3.2 Práticas inclusivas


Além disso, é importante destacar como se faz para receber alunos
com NEE em classes regulares, especialmente os alunos com deficiências
consideradas de moderadas a grave.
Para Thompson, Wickham, Wegner & Ault (1996), apud Mendes,
(2010, p.13), baseados em pesquisas nos EUA, em relação á inclusão na primeira
infância, é pertinente as seguintes recomendações para educadores:

a) A preparação da classe para a chegada de um colega com deficiência


severa, no caso das crianças pequenas, não precisa ser extensa e as
informações devem surgir naturalmente;
b) As crianças sem deficiências seguem o modelo do adulto para se
comunicar com as crianças com deficiências, daí a importância de oferecer
um modelo positivo;
c) Alguns companheiros da mesma idade podem aprender a usar
estratégias de suporte como ajuda física e suporte facilitador;
d) As crianças respondem com medo á criança que é agressiva e aquelas
que apresentam comportamentos de isolamento, mas elas aceitam
explicações na natureza comunicativa e podem aprender estratégias de
enfrentamento;
e) No caso da criança requerer acomodações, é conveniente explicar e
demonstrar o equipamento e /ou dispositivo aos colegas e oferecer
oportunidades para e eles os experimentem, sem desrespeitar a criança
com deficiência.

Desta forma, na primeira infância, aprendem a quebrar o preconceito


ou até mesmo formarem-se indivíduos sociais desprovidos de qualquer tipo de
preconceitos. É o que queremos para as gerações futuras, uma sociedade que
reconheça, somos diferentes, mas que aceita e tolera estas diferenças, e que acima
de tudo, entenda que é possível vivermos juntos uns respeitando os outros.
Nesse sentido, é importante desde muito cedo, já na educação
infantil, a criança ser incentivada a compreender e a tolerar, pois é na primeira
infância que valores tais como respeito ao outro, independente das diversidades, se
consolidam como base a serem fortalecidas no futuro. Aqui no Brasil temos poucos
referenciais literários sobre a inclusão na educação infantil e isso nos faz muita falta.
Considero que seja urgente falar desse tema, pois a educação infantil é a base para
o desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor e se estas crianças forem estimuladas
desde esta etapa da educação, poderão ter mais possibilidades de sucesso em sua
vida estudantil.
Considero muito importante que a escola busque, através de suas
práticas inclusivas, atender a demanda existente em sala de aula, utilizando-se de
uma pedagogia inovadora e atual, que entenda que o aluno com NEE requer uma
proposta especifica para que possa ser significativa sua aprendizagem. Não é
possível fazer à inclusão desconsiderada as diferenças. Portanto, é impossível uma
criança com deficiência comporta-se e aprender conforme a maioria. É inevitável
que se faça uma reformulação dos modos do fazer pedagógico nas escolas e se
criem currículos flexíveis que posam ressignificar ás atitudes destes alunos, para
que consigam aprender e a conviver em grupo, sempre respeitando suas limitações.
Baptista (org), (2006, p.76), também aponta que:

O desafio é construir e pôr em pratica no ambiente escolar uma pedagogia


que consiga ser comum e válida para todos os alunos da classe escolar ,
porém capaz e atender os alunos cujas situações pessoais e
características de aprendizagem requeiram uma pedagogia diferenciada
.Tudo isso em demarcações preconceitos ou atitudes nutridoras dos
indesejável estigmas . Ao contrario, pondo em andamento, na comunidade
escolar, uma conscientização crescente dos direitos de cada um.

É importante destacar que a inclusão é um caminho que estamos


traçando a curtos passos, mas continuamente. É que, pela caminhada traçada, já
sabemos que temos que respeitar o limite de cada um e procurar entender como
cada criança aprende, pois o ser humano é único. Dependendo do caso de inclusão
é necessária uma reformulação na forma de aplicar a proposta para determinadas
situações. Porque existem algumas especificidades comuns apenas aos alunos
portadores de deficiência e por isso requerem uma proposta de educação especial.
Não é fácil convivemos com a diferença, mas diferença, mas
também não é impossível. O enfrentamento e o posicionamento a favor da inclusão
só poderão acontecer , quando todos os indivíduos se propuser a aceitar , a tolerar e
a compreender as diferenças. Esta diferença impostas na face e nas atitudes das
crianças com comprometimentos graves decorrentes de alguma deficiência é mais
difícil de aceitar e de compreender, pois não fomos acostumados a conviver com
pessoas assim e a pergunta inevitável é: o que fazer e como fazer para que esta
criança, ainda tão pequena e com tantas limitações (provadas por síndromes,
transtornos globais do desenvolvimento, deficiência auditiva, visual, mental...), possa
conviver com seus colegas, ser aceita e ser amada tornando-se feliz do jeito que é.
Faz pouco tempo que as crianças com NEES (por apresentarem graves
comprometimentos decorrentes de alguma deficiência) estão aparecendo na
sociedade e consequentemente nas escolas e, isso é muito bom e cada vez mai
comum. Atualmente elas não ficam mais isoladas em suas casas, trancafiadas como
se não fossem merecedoras de exercer seus direitos, os mesmos que as outras
crianças exercem.
No entanto, esta inclusão torna-se difícil, pois os educadores têm
uma formação baseada em um referencial de normalidade e muitas vezes se
assustam quando se deparam com a realidade em sala de aula, onde encontram
alunos com limitações e necessidades próprias.
Macedo (2005, p.17) retrata a realidade dos alunos especiais de
maneira a refletirmos o quanto, todos nós na sociedade em geral, ainda precisamos
aprender sobre aos alunos com NEES.

A maneira como cuidar, integrar, reconhecer, relacionar-se com crianças e


pessoas de um modo geral com necessidades especiais e que por isso,
diferenciam-se ou utilizam recursos diferentes dos normalmente conhecidos
ou utilizados sempre foi um problema social e institucional. Esta tarefa
estava antes, restrita á família ou a alguma pessoas que, por alguma razão,
assumisse este papel, bem como instituições públicas (hospitais, asilos,
escolas especiais) especialmente dedicadas ao problema. Agora, espera-se
que as escolas fundamentais incluam crianças que apresentam limitações.

Mas podemos perceber o grande papel da escola regular, que


precisa incluir essas crianças no mais amplo dos sentidos e não somente aceitá-las
na instituição. Pois este trabalho é coletivo, focado nas necessidades e limitações de
cada aluno e é acima de tudo um trabalho com a parceria da família e dos
profissionais especialistas, que agem diretamente com a escola ajudando a mesma
a conhecer mais sobre este ser único e especial.
A escola precisa construir juntamente com a comunidade um
conceito de inclusão sem preconceitos e demarcações levando em consideração
que todos nós podemos aprender dentro e fora da escola.