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UFCD 6362

Empresa Agrícola
Economia e Fiscalidade

1.
1.1 Definição de Empresa Agrícola
1.2 Tipologia de Empresas Agrícolas
1.3 Formas de Exploração da Empresa Agrícola
1.4 Modalidades da Empresa Agrícola
1.5 Conceito de Contabilidade Agrícola
2. Princípios básicos de Economia
2.1 O fator trabalho
2.2 O fator capital
2.3 Contabilidade da Empresa Agrícola
3. Fiscalidade Agrícola

Introdução
O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de
formação, 6362 – Empresa Agrícola – economia e fiscalidade, de acordo
com o Catálogo Nacional de Qualificações.

Objetivos
 Caracterizar economicamente a empresa agrícola.
 Identificar economicamente a estrutura, o funcionamento e os resultados
de uma empresa.
 Reconhecer as obrigações fiscais de uma empresa agrícola.
 Proceder à recolha e organização documental da empresa para efeitos
de declarações fiscais obrigatórias.

Conteúdos programáticos
 Empresa agrícola
 Definição
 Tipos
 Formas de exploração
 Modalidades de empresa
 Conceito de contabilidade

 Princípios básicos de economia agrícola


 Recursos – escassez e otimização
 Fatores de produção
 Estrutura, funcionamento e resultados da empresa
 Relações económicas e institucionais da empresa e
documentação técnica e comercial
 Contabilidade da empresa agrícola
 Fiscalidade agrícola
 Imposto sobre o valor acrescentado (IVA)
 Imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e coletivas
(IRS e IRC)
 Imposto municipal sobre imóveis (IMI)
Carga horária
 25 horas
1. Empresa Agrícola
1.1. Definição de Empresa Agrícola

Existe uma diversidade muito grande de definições para o termo Gestão. A


mais comum delas, define gestão como “a forma de assegurarmos uma
utilização dos recursos escassos da empresa, no sentido de alcançar os
objetivos previamente fixados”.
Por ser uma definição demasiado generalista e pouco operacional,
apresentamos na Figura 1.1, um esquema que procura retratar, de forma mais
operacional o conteúdo deste termo. De acordo com o esquema, é possível
agrupar as diversas fases retratadas em três grandes funções:
Planeamento – corresponde às fases 1, 2 e 3, devidamente informadas pelas
fases 7/8;
Implementação – corresponde à fase 4;
Controlo – corresponde à sequência das fases 5 e 6, sendo que a fase 6
constitui o ponto de partida para um novo ciclo de planeamento.
De acordo com o esquema apresentado, é possível constatar que o
Planeamento constitui uma função basilar da gestão. Entendido como o
conjunto de procedimentos que visam estabelecer o curso dos módulos, parte
da análise da empresa (meios humanos, materiais organizativos e financeiros),
do contexto económico e social em que esta se insere e da evolução que é
possível estimar para estes fatores, e propõe formas de organização de
recursos (escassos) promissoras para a realização dos objetivos previamente
definidos.

Existem diversas técnicas de planeamento, umas mais estruturadas do que


outras. De entre elas, e quando a preocupação incide fundamentalmente no
curto-prazo, aquela que se baseia na construção de orçamentos é a mais
utilizada. Bastante simples em termos de implementação, consiste
essencialmente numa metodologia de simulação de diferentes opções
produtivas e estruturais, e na medição do seu impacto sobre os resultados e
indicadores associados aos objetivos visados. Tem a grande vantagem de,
para além de permitir o planeamento da atividade, fornecer simultaneamente
uma base operacional para o controle da execução do plano subjacente.

DEFINIÇÃO:
Por empresa agrícola entende-se uma unidade técnico-económica no âmbito
da qual, o respetivo empresário agrícola, utilizando recursos limitados de
trabalho e capital, toma as decisões necessárias à implementação de um
determinado sistema de produção, com o propósito de alcançar
duradouramente um certo conjunto de objetivos – resultados económicos ou
outros.
Hoje em dia, utiliza-se o termo exploração agrícola como sinónimo de empresa
agrícola.

1.2. Tipologia de Empresas Agrícolas


A definição de exploração agrícola adotado pelo INE no âmbito do
Recenseamento Geral da Agricultura de 1999 exprime bem este facto:
“É uma unidade técnico-económica que utiliza mão-de-obra e fatores de
produção próprios e que deve satisfazer as quatro condições seguintes:
 produzir um ou mais produtos agrícolas;
 atingir ou ultrapassar uma certa dimensão mínima (área ou nº de
animais);
 estar sujeita a uma gestão única;
 estar localizada num local bem determinado e identificável.”

Existem diferentes formas de classificar as explorações agrícolas de acordo


com o tipo de critérios utilizados.

1. Quanto à Natureza dos objetivos empresariais visados

Um dos critérios de classificação mais adequados encontra-se, em nosso


entender, relacionado com a natureza dos objetivos empresariais visados e
com o tipo de resultados económicos que melhor sejam capazes de exprimir os
referidos objetivos. Nesta perspetiva devem considerar-se as explorações
agrícolas de tipo familiar e as explorações agrícolas de tipo empresarial.

EXPLORAÇÕES DE TIPO FAMILIAR

As explorações de tipo familiar têm como objetivo principal a manutenção e


melhoria das condições de vida do agregado familiar, cujos membros
asseguram o normal funcionamento da exploração agrícola. Assim sendo, os
resultados económicos a levar em consideração na análise da sua
“performance” num dado período de tempo, deverão ser escolhidos em função
da sua capacidade para medir a remuneração dos fatores de produção que são
pertença da família (recursos próprios), com especial relevo para os fatores
terra e trabalho.

EXPLORAÇÕES DE TIPO EMPRESARIAL

As explorações de tipo empresarial têm como objetivo prioritário assegurar uma


maximização dos resultados líquidos da empresa, devendo os seus resultados
económicos estar relacionados, no essencial, com a remuneração quer dos
capitais próprios investidos, quer da capacidade empresarial demonstrada.

2. Quanto à Natureza jurídica das explorações agrícolas

Do ponto de vista da sua natureza jurídica as explorações agrícolas podem ser


classificadas da seguinte forma:
 explorações de produtores singulares;
 sociedades (de agricultura de grupo, por quotas, anónimas, etc.);
 baldios (terrenos possuídos e geridos por comunidades locais);
 empresas públicas (exploração agrícola cuja gestão está diretamente
subordinada à Administração Central ou Local).

1.3. Formas de Exploração da Empresa Agrícola


Uma outra maneira de caracterizar as estruturas agrárias de uma dada região
ou País está relacionada com as respetivas formas de exploração da área
disponível, ou seja, com as diferentes formas jurídicas pelas quais as empresas
agrícolas dispõem da terra que utilizam.

Superfície Agrícola Utilizada (SAU)


Por superfície agrícola utilizada (SAU) entende-se a área constituída pelas
terras aráveis (limpas ou sob - coberto de matas e florestas), culturas
permanentes e prados e pastagens permanentes.

Dimensão e dispersão das explorações


A dimensão das explorações agrícolas é uma das principais características
estruturais da agricultura de uma dada região ou País e condiciona, de forma
positiva ou negativa, a sua performance económico-financeira.

A dimensão das explorações é usualmente calculada em termos físicos (com


base nos hectares (ha) SAU) e em termos económicos (com base nas Margens
Brutas Padrão - MBP).

A caracterização das estruturas agrárias do ponto de vista da respetiva


dimensão é baseada na dimensão média das explorações agrícolas (SAU ou
UDE por exploração) e nas respetivas classes de dimensão (classes de SAU
ou de UDE).
A margem bruta padrão (MBP) de cada produção da exploração obtém-se pela
diferença entre os respetivos valores da produção e os custos específicos.
A dimensão económica (DE) de cada exploração é dada pela soma das MBP
das respetivas produções, sendo expressa em unidades de dimensão
económica (UDE) cujo valor unitário é de 1 200 Euros (1 UDE = 1200 €).

Exemplo:

Cálculo das Unidades de Dimensão Económica (UDE)


Considerem-se duas explorações, ambas localizadas numa determinada
Região
Agrícola. As atividades desenvolvidas em cada uma delas vêm retratadas no
seguinte quadro:

A Exploração 1, com uma Margem Bruta Padrão Total de 14.550 Euros


apresenta uma Dimensão Económica de 12,125 UDE, resultado do seguinte
cálculo (uma vez que cada UDE vale 1.200 Euros):

- 14.550 : 1.200 = 12,125 UDE


O mesmo cálculo efetuado para a exploração 2
- 17.650 : 1.200 = 14,708 UDE
permite evidenciar que a comparação de explorações baseada na sua
dimensão física pode facilmente induzir em erro.

As classes de SAU mais usualmente consideradas são: < 5 ha, 5 - 20 ha, 20 -


50 ha, 50 - 100 ha, > 100 ha.

As classes de UDE mais utilizadas são: < 4 UDE, 4 - 16 UDE, 16 - 40 UDE, 40


- 100 UDE, > 100 UDE.
A dispersão das explorações agrícolas resulta do facto da sua SAU estar
dividida em blocos, ou seja, parcelas de terra pertencentes à exploração que se
encontram separadas uma das outras em consequência da existência de
obstáculos naturais (declives, cursos de água, parcelas pertencentes a outras
explorações) ou artificiais (caminhos públicos, muros, …)

A dispersão das explorações é, usualmente, caracterizada com base nos


seguintes aspetos:

 nº de blocos por exploração;


 área dos blocos;
 distâncias entre os blocos e o assento da lavoura;
 acesso dos blocos a caminhos.

Orientação técnico-económica das explorações

Uma outra forma de proceder à caracterização da estrutura agrária de uma


dada região ou País consiste em classificar os diferentes tipos de explorações
agrícolas com base nas respetivas orientações técnico-económicas (OTE).
As OTEs que se calculam com base nas MBP das diferentes produções
agrícolas das explorações permitem-nos estabelecer uma tipologia indicativa
do maior ou menor nível de especialização dos sistemas de produção agrícola
em causa e da natureza dessa mesma especialização. É uma classificação
importante, pois permite estabelecer comparações entre diferentes empresas
levando em conta o grau de especialização das mesmas.

As OTEs são calculadas em duas fases:


 primeiro calculam-se as MBP das produções de cada exploração;
 segundo, agrupam-se as explorações em classes de OTE de acordo
com o contributo de cada produção para o valor total da respetiva MBP.

Exemplo:
Distribuição das explorações segundo a OTE

As diferentes classes de OTE utilizadas na análise estrutural das agriculturas


da UE são apresentadas no quadro seguinte, onde se pode analisar a sua
importância relativa em Portugal do ponto de vista do número, SAU e MB das
respetivas explorações agrícolas.

Distribuição do número de explorações, da SAU e da margem bruta total


segundo a orientação técnico-económica em 1999

1.4. Modalidades da Empresa Agrícola

As modalidades a considerar neste âmbito são:

 conta própria - SAU que é propriedade da empresa agrícola ou


relativamente à qual ela é a respetiva usufrutuária ou superficiária;
 arrendamento fixo - SAU de que a exploração dispõe durante um
período superior a uma campanha mediante o pagamento de uma renda
(em dinheiro, géneros ou prestação de serviços) de um montante
previamente estabelecido independentemente dos resultados
económicos da exploração;

 arrendamento de campanha - SAU explorada mediante um contrato de


arrendamento para uma única campanha agrícola;

 arrendamento de parceria (ou variável) - SAU explorada em


associação pela empresa agrícola e o proprietário com base num
contrato de parceria (escrito ou oral) no qual se estabelece a forma de
proceder à repartição dos resultados a obter e dos encargos a suportar;

 outras formas - terras cedidas gratuitamente.

1.5. Conceito de Contabilidade Agrícola

A definição de um sistema contabilístico tem que ter em atenção qual é o


objetivo fundamental em causa. Se o objetivo for o apuramento fiscal então o
sistema contabilístico tem de se basear no Plano Oficial de Contas (POC) e as
opções estão de alguma forma restringidas.

Figura 1.2 – Circuito económico, financeiro e de tesouraria


Tendo por base o lado esquerdo da Figura 1.2 adotaremos as seguintes
definições:

Despesa – falamos em contrair uma despesa quando é criada a obrigação de


pagar; está associada a um período de tempo bem definido (despesa do
período) e a fluxos reais de “matérias primas”.

Pagamento – o pagamento corresponde ao fluxo monetário que contrabalança


o fluxo real de matérias associado à criação de despesa; está igualmente
associado a um período de tempo, que pode, contudo, não coincidir com o
período da despesa, ou seja, o pagamento correspondente a uma determinada
despesa pode ocorrer num período diferente.

Custo – igualmente associado a um período, o custo corresponde ao sacrifício


parcial ou total de um recurso. Atentemos agora no lado direito do esquema,
isto é aos fluxos associados à saída de produtos da empresa, para melhor
definir os conceitos em causa.

Receita – ocorre no momento em que é criado o direito a receber, isto é,


corresponde à emissão da respetiva fatura. É um direito que normalmente
ocorre em simultâneo com o fluxo real de saída de produtos da empresa para o
cliente.

Recebimento - o recebimento corresponde ao fluxo monetário que


contrabalança o fluxo real de produtos associado à criação de receita; está
igualmente associado a um período de tempo, que pode, contudo, não coincidir
com o período da receita, ou seja, o recebimento correspondente a uma
determinada receita pode ocorrer num período diferente.

Proveito - igualmente associado a um período, o proveito corresponde à


criação de um bem ou recurso.
Desta forma, os custos e os proveitos correspondem a factos económicos,
enquanto que as despesas e receitas se referem a factos financeiros.

2. Princípios básicos de economia agrícola

Fatores de Produção

De entre as várias classificações propostas para os fatores de produção


agrícola vamos adotar a seguinte no âmbito deste documento: Trabalho,
Capital.
Só as empresas que forem capazes de remunerar todos os fatores de
produção é que estão a produzir riqueza. De seguida vamos ver que o cálculo
da remuneração do fator empresário só é possível calculando as remunerações
dos outros dois fatores, fi cando o valor residual a designar-se por Lucro -
Remuneração do Empresário. O que vai significar que a remuneração dos
outros fatores será classificada como um custo.

2.1 O fator trabalho

O trabalho desenvolvido no âmbito das explorações agrícolas é da


responsabilidade da mão-de-obra agrícola a qual é, usualmente, subdividida
entre:

 mão-de-obra agrícola familiar (ou não remunerada);


 mão-de-obra agrícola assalariada (ou remunerada).

Os custos associados à utilização de mão-de-obra familiar são custos


atribuídos. São estimados através da utilização alternativa que esses
trabalhadores poderiam fazer do seu tempo fora da empresa - Custo de
Oportunidade.

2.1.1 Mão-de-obra agrícola familiar

Por mão-de-obra familiar entende-se a quantidade de trabalho desenvolvido


por todas as pessoas, que fazendo parte do agregado doméstico do produtor,
trabalham regularmente na respetiva exploração agrícola. Alternativamente
pode-se designar por Mão-de-obra Não Remunerada, já que por definição os
trabalhadores nesta situação não recebem um salário real. É usualmente
classificada nas três seguintes categorias: produtor agrícola, cônjuge do
produtor agrícola e restantes membros do agregado familiar.

Sendo a sua importância relativa uma das características marcantes das


empresas familiares, é um tipo de mão-de-obra à qual não está diretamente
associada uma remuneração salarial.

Existem algumas características que vale a pena considerar na sua


caracterização, uma vez que determinam, em maior ou menor escala, as
características do trabalho desenvolvido, tendo igualmente outras implicações
na forma de funcionamento da própria empresa. De entre elas destacamos as
seguintes:

 idade - uma vez que a capacidade de trabalho e a abertura à


requalificação variam com a idade;
 nível de instrução - uma vez que a qualificação é um fator chave para a
produtividade da mão-de-obra;
 tempo de atividade na exploração - traduzindo se a ocupação na
agricultura é a tempo parcial ou a tempo permanente;
 sector em que trabalham e situação na profissão exterior à exploração
agrícola;
 principais fontes de rendimento (para além da exploração).

Apesar deste tipo de trabalhadores não receber salários, para que se possa
conhecer o custo que representa a remuneração deste fator, muitas vezes
diferenciado dentro das várias atividades da empresa, é necessário atribuir um
valor ao trabalho familiar desenvolvido, devendo para o efeito escolher-se um
valor corrente na região para trabalho assalariado de igual qualificação e
responsabilidade ou, alternativamente, um valor legal em vigor, tal como o
salário mínimo agrícola, por exemplo.

2.1.2 Mão-de-obra agrícola assalariada

Para além da mão-de-obra familiar, a mão-de-obra assalariada completa as


necessidades de trabalho de qualquer empresa agrícola. Alternativamente
pode designar-se por Mão-de-obra Remunerada, já que por definição os
trabalhadores nesta situação recebem um salário real. É usual classificar-se a
mão-de-obra agrícola assalariada nos três seguintes grupos:

Dirigente da exploração - pessoa responsável pela gestão corrente e


quotidiana da exploração agrícola. Na maioria das explorações, o dirigente é o
próprio Empresário, verificando-se, no entanto, que, em alguns casos, o
empresário delega a gestão da exploração a um assalariado. Os custos da sua
remuneração são classificados como fixos não específicos;

Assalariados permanentes - pessoas que fornecem trabalho agrícola com


carácter permanente sendo para o efeito regularmente remuneradas. Os custos
da sua remuneração são classificados como fixos;
Assalariados eventuais - pessoas que prestam trabalho na exploração de
uma forma irregular, isto é, sem carácter de continuidade, e durante uma parte
apenas do ano agrícola.
Os custos da sua remuneração são classificados como variáveis.

Para além dos salários, existem outros encargos suportados pela empresa,
ligados à utilização de mão-de-obra. São os chamados Encargos Sociais, de
entre os quais destacamos a Contribuição para a Segurança Social e o
Subsídio de Férias e 14º mês, sendo que estes últimos só existem para
trabalhadores permanentes. Para além disso é obrigatório um Seguro de
Acidentes de Trabalho, podendo a empresa igualmente constituir Seguros de
Saúde para os seus colaboradores (opcional) e outro tipo de regalias como por
exemplo os prémios de produtividade.

2.2 O Fator Capital

Capital corresponde aos bens disponíveis para uso na produção de outros


bens. A classificação usualmente adotada no âmbito do capital da exploração
agrícola é a que se apresenta na Figura 2.1. Esta classificação é de grande
utilidade para sistematizar os custos associados à utilização do capital na
exploração agrícola e as respetivas formas de cálculo.

De uma forma geral há dois grandes fatores em torno dos quais se


desenvolvem as questões dos custos do capital: a remuneração e a
sustentabilidade do sistema de produção.

A remuneração do capital origina um custo designado de Juro, Renda ou


Empate de Capital. Estes custos tanto podem ser reais ou atribuídos consoante
a propriedade do capital estiver dentro ou fora da empresa. Nos casos em que
o capital não é da própria empresa os custos atribuídos não são mais do que
Custos de Oportunidade.
O Juro é calculado a partir de uma taxa (taxa de juro) e pode corresponder a
um valor real (isto é, efetivamente pago a terceiros) ou meramente atribuído,
dependendo apenas da respetiva propriedade. Se estivermos a falar de Capital
Próprio (isto é, pertencente à empresa, ou ao empresário e à família no caso
das empresas familiares) o seu valor deverá ser calculado com base numa taxa
apropriada para medir o respetivo Custo de Oportunidade. Se estivermos a
falar sobre capitais alheios (provenientes, por exemplo, de empréstimos
bancários ou de suprimentos ao capital por parte dos acionistas ou donos), o
seu valor deverá ser calculado tendo por base as condições estabelecidas no
contrato de financiamento que lhes está subjacente.

A taxa de Juro é o preço do capital e depende essencialmente de dois fatores:


do período de tempo considerado e do nível de risco associado. Quer no
acesso a fontes de capital externos, quer no custo de oportunidade de capitais
próprios, a taxa de juro deve refletir o tempo de empate de capital e a incerteza
associada a esse empate.

Para garantir a sustentabilidade económica dos sistemas de produção torna-se


necessário considerar as Amortizações. Este custo pretende traduzir a
depreciação no valor imobilizado (isto é, o desgaste dos bens de capital em
causa). Corresponde ao montante anual que deverá ser contabilizado por
forma a que no final da vida útil de cada bem de capital fixo, seja possível
efetuar a sua substituição por um bem equivalente.

Algumas vezes as amortizações são também condicionadas pelas condições


de evolução tecnológica. Ao definir o período de vida útil do bem deve ter-se
em conta que o surgimento de determinadas evoluções tecnológicas pode
marcar o fim da vida de determinado bem dentro da exploração de forma a que
possa ser rapidamente substituído pelo seu sucessor tecnológico, se não tiver
havido o cuidado de prever períodos de vida curtos, isso poderá significar a
necessidade de recorrer a fontes externas de financiamento, e a custos
avultados nesse exercício.
Figura 2.1. - Classificação do capital da empresa

2.3. Contabilidade da empresa agrícola

Entende-se por Método Contabilístico, no âmbito deste documento, o conjunto


de procedimentos adotados ao nível da empresa, com o objetivo de fazer o
apuramento real, na empresa em determinado exercício, dos custos, proveitos
e resultados, que possam ter maior utilidade para a tomada de decisões de
gestão. Estamos aqui a restringirmo-nos ao âmbito do controlo de gestão.

2.3.1 Método Tradicional

Este método, é pela sua simplicidade de aplicação muito utilizado pela


generalidade das empresas, fora ou dentro do sector agrícola. Aqueles que
estão familiarizados com o POC e conhecem a sua Classe 9 (Classe de contas
com objetivos analíticos), vão encontrar na descrição deste método a génese
central da prática que aí se realiza. Sinteticamente, no método tradicional, a
regra geral é a classificação dos custos como diretos e indiretos.

Os diretos são aqueles que são específicos de determinado produto ou


atividade, os indiretos são agrupados numa conta genérica e no final do
exercício imputados a cada centro de análise com um qualquer critério de
imputação.

Os custos variáveis são na sua generalidade facilmente classificados como


diretos, o grande problema está relacionado com os custos fixos. Nas
empresas agrícolas que tenham um aparelho produtivo muito reduzido (que se
baseiem muito na contratação de prestadores de serviços, por exemplo) este
sistema pode dar ao gestor uma capacidade de análise bastante interessante.
Já nos, mais habituais, casos de explorações agrícolas com pesos estruturais
maiores este tipo de método pode ser muito perigoso, principalmente em
análises de longo prazo, visto que para o curto prazo as decisões baseiam-se,
fundamentalmente, nos custos variáveis.

Os custos indiretos podem ser distribuídos pelos centros de análise com base
em diferentes critérios (ou chaves de imputação):

 Quantidade de produto;
 Valor do produto faturado;
 Valor do produto produzido.

Nenhum deles pode ser muito correto uma vez que ao ser usado, está a ser
aplicado para um conjunto heterogéneo de custos de diferentes naturezas,
importâncias e origens.

2.3.2. Método das secções


Como já foi referido anteriormente ao longo deste curso, conhecendo as
diferentes áreas que estão na esfera de decisão do gestor, podem se definir os
diferentes Centros de Análise que interessa individualizar. Cada uma das
parcelas de custo pode ser afetada a um determinado centro de análise o
mesmo acontecendo com os proveitos. Estes centros de análise são muitas
vezes designados por Centros de Responsabilidade e dividem-se em três:

 centros de custo;
 centros de resultados;
 centros de investimento.

O Método das Secções define esses centros de custo com base em elementos
estruturais da empresa. Estes centros de custo (que se designam Secções),
permitem um mais fácil controlo e imputação dos diversos custos. Dois motivos
principais tornam útil esta repartição:

 é indispensável a determinação dos custos ocasionados pelo


funcionamento das diversas partes da empresa, para que os respetivos
responsáveis possam tomar as melhores decisões de gestão;

 é ainda necessária para que os custos dos produtos possam ser


determinados com maior precisão, uma vez que determinados custos
são apenas imputáveis a certos produtos; esta necessidade expressa-se
na possibilidade que assim existe de utilizar diferentes bases de
imputação (as mais adequadas para cada caso), o que não aconteceria
caso todos os custos estivessem associados num mesmo centro de
custos.
3. Fiscalidade agrícola

Com as novas regras da fiscalidade, introduzidas em 2013, os agricultores


portugueses foram confrontados com alterações suscetíveis de provocar
graves prejuízos nas economias locais, na pequena agricultura e na agricultura
familiar nacional.

IRS
Deve coletar-se, todo o agricultor que produza bens ou serviços pelos quais
receba o respetivo pagamento, subsídio ou subvenção, previamente,
preenchendo e entregando a declaração do início de atividade.

IRS – ISENÇÕES
Estão isentos desta obrigação os sujeitos passivos que apenas aufiram na
categoria B, subsídios ou subvenções no âmbito da PAC de montante igual ou
inferior a 4 vezes o valor do IAS (Indexante dos Apoios Sociais)
4 X 428.90 = 1 715.60€

Quem não precisa de entregar o IRS em 2018

Estão dispensados de entregar a declaração de IRS em 2018, os sujeitos


passivos que, em 2017, apenas tenham recebido isolada ou cumulativamente:

 rendimentos tributados pelas taxas previstas no artigo 71.º do CIRS


(taxas liberatórias) e não optem, quando legalmente permitido, pelo seu
englobamento;
 rendimentos de trabalho dependente ou pensões de valor igual ou
inferior a €8.500, que não tenham sido sujeitos a retenção na fonte e
que não incluam rendimentos de pensões de alimentos de valor superior
a €4.104.

 tenham passado atos isolados de valor anual inferior a €1.676,88, desde


que não aufiram outros rendimentos ou apenas aufiram rendimentos
tributados por taxas liberatórias.

 subsídios ou subvenções no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC)


de montante anual inferior €1.676,88, ainda que, simultaneamente,
tenham obtido rendimentos tributados por taxas liberatórias e, bem
assim, rendimentos do trabalho dependente ou pensões cujo montante
não exceda, isolada ou cumulativamente, €4.104.

Os contribuintes dispensados de entregar a declaração, e que não a tenham


apresentado, podem pedir a emissão de certidão, gratuitamente, onde se refira
o valor e a natureza dos rendimentos que obtiveram durante o ano e que foram
comunicados à AT.

Entrega do IRS 2017 em 2018

A dispensa de entrega de IRS não se aplica, contudo, a contribuintes que:

 optem pela tributação conjunta;


 recebam rendas temporárias e vitalícias que não se destinam ao
pagamento de pensões enquadráveis nas alíneas a), b) ou c) do n.º 1 do
art.º 11.º do Código do IRS;
 aufiram rendimentos em espécie;
 recebam rendimentos de pensões de alimentos de valor superior a
4.104,00€

Relembre-se que para os restantes casos não se aplica a dispensa de entrega


de declaração, mantendo-se a obrigação de entrega do IRS dentro dos prazos
devidos, para evitar o pagamento de multas por não entregar o IRS a tempo.
Entrega do IRS 2018 em 2019

Em 2019, com o Orçamento do Estado de 2018, haverá mais pessoas


dispensadas de entregar o IRS.

O aumento do mínimo de subsistência em 2018 faz com que o limite para


dispensa de entregar o IRS aumente para 8.847,72€ no IRS a entregar em
2019, ou seja 1.5 x 14 x IAS (Indexante dos Apoios Sociais).

Desta forma, em 2019, ficarão dispensados de entregar IRS, todos os


contribuintes que, no ano a que a entrega de IRS diz respeito (neste caso,
2018), apenas tenham auferido, isolada ou cumulativamente:

 Rendimentos de trabalhadores tributados por taxas liberatórias e que


não optem pelo seu englobamento;
 Rendimentos de trabalhadores dependentes (categoria A) ou
pensionistas (categoria H) cujo valor seja igual ou inferior a 8.847,72€,
que não tenham sido sujeitos a retenção na fonte e não incluam
rendimentos de pensões de alimentos de valor superior a 4.104€.

ENTREGA DE DECLARAÇÃO MODELO 3 DE IRS

Os rendimentos agrícolas são englobados aos demais rendimentos no modelo


3 do IRS e declarados até 31 de maio de cada ano:

 no Anexo B – Regime simplificado;


 no Anexo C – Regime da contabilidade.

Os rendimentos agrícolas são isentos se a totalidade dos rendimentos anuais


brutos do agregado for inferior a 23.160,60 € (= 4,5 x 428,90 x 12).
(n.º 4 do artigo 3.º do CIRS) – “São excluídos de tributação os rendimentos
resultantes de atividades agrícolas, silvícolas e pecuárias quando o valor dos
proveitos ou das receitas, isoladamente ou em cumulação com os rendimentos
ilíquidos sujeitos, ainda que isentos, desta ou de outras categorias que devam
ser ou tenham sido englobados, não exceda por agregado familiar quatro
vezes e meia o valor anual do IAS. (Redação dada pela Lei n.º 64-B/2011, de
30 de Dezembro)”

IVA na Atividade Agrícola

O IVA é um IMPOSTO GERAL SOBRE O CONSUMO que surge em todas as


fases do circuito com o objetivo de recair apenas no consumidor final.

A DEDUÇÃO é o mecanismo fundamental do IVA

IVA a entregar ao estado = IVA liquidado aos clientes – IVA suportado nas
compras e serviços

Embora sendo um imposto que tributa o consumo (IMPOSTO GERAL SOBRE


O CONSUMO) em todas as suas diferentes fases (IMPOSTO PLURIFÁSICO),
por força do método do crédito de imposto ou método subtrativo indireto é um
IMPOSTO NÃO CUMULATIVO.
NOTA: É fundamental para manter este direito à DEDUÇÃO do IVA que existam documentos legais de
suporte às aquisições.

Regime Especial de Isenção de IVA do art. 53.º CIVA

Os agricultores podem ainda beneficiar deste regime desde que sejam:

 Sujeito passivos com a categoria B de IRS enquadrados no regime


simplificado;
 Não pratiquem operações de importação, exportação ou atividades
conexas;
 Não tenham atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios
superior a €10.000.
Conceito volume negócios (artigo 42.º do CIVA)

É constituído pelo valor, com exclusão do imposto, das transmissões de bens e


prestações de serviços efetuadas pelo sujeito passivo.
Os subsídios não estão incluídos no volume de negócios.

Novas Regras de Faturação

Alterações Introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 197/2012, de 24/08

Regime Geral das Infrações Tributárias

Artigo 123.º – Violação do dever de emitir ou exigir recibos ou faturas

A não passagem de recibos ou faturas ou a sua emissão fora dos prazos


legais, nos casos em que a lei o exija, é punível com coima de €150 a €3750
AUTOFACTURAÇÃO

O n.º 14 do artigo 29.º do Código do IVA prevê que as faturas possam ser
elaboradas pelo próprio adquirente dos bens ou serviços ou por um terceiro,
em nome e por conta do sujeito passivo desde que:

• Exista um acordo prévio, na forma escrita, entre o sujeito passivo transmitente


dos bens ou prestador dos serviços e o adquirente ou destinatário dos
mesmos.
• O adquirente possua prova de que o fornecedor dos bens ou prestador de
serviços tomou conhecimento da emissão da fatura e aceitou o seu conteúdo.
• A fatura contenha a menção ‘autofacturação’.

FATURA SIMPLIFICADA – ART.º 40.º DO CIVA

1 – A obrigatoriedade de emissão de fatura prevista na alínea b) do n.º 1 do


artigo 29.º pode ser cumprida através da emissão de uma fatura simplificada
em transmissões de bens e prestações de serviços cujo imposto seja devido
em território nacional, nas seguintes situações:

a) Transmissões de bens efetuadas por retalhistas ou vendedores ambulantes


a não sujeitos passivos, quando o valor da fatura não for superior a (euro)
1000;
b) Outras transmissões de bens e prestações de serviços em que o montante
da fatura não seja superior a (euro) 100.
As faturas simplificadas denominam-se assim pois não apresentam os dados
todos exigidos nas demais faturas, apresentando somente:

ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS PELO DECRETO-LEI n.º 198/2012, de 24/08


(Medidas que entraram em vigor em 01.01.2013)

OBJETO DAS ALTERAÇÕES

 Instituição da obrigatoriedade de comunicação dos elementos das


faturas e outros documentos com relevância fiscal à AT;

 Alteração do regime dos bens em circulação objeto de transações entre


sujeitos passivos de IVA, no sentido de se estabelecerem regras que
assegurem a integridade dos documentos de transporte e que garantam
à AT um controlo mais eficaz destes documentos.

Obrigação de comunicação dos elementos das faturas

Procedimentos de comunicação dos elementos das faturas

Os sujeitos passivos deverão comunicar à AT, até ao dia 20 do mês seguinte


ao da emissão fatura, os elementos das faturas emitidas para todas as
operações sujeitas a IVA. Essa comunicação deverá ser efetuada através de
transmissão eletrónica de dados, pelas seguintes vias:

 Por transmissão online (tempo real) (webservice), efetuado através de


um programa de faturação eletrónica;

 Através de uma aplicação informática que irá extrair os elementos das


faturas do ficheiro SAFT-PT; neste momento, poderá ser efetuado o
envio do ficheiro SAFT-PT global no Portal E-Fatura;

Para os sujeitos passivos que não estejam obrigados a produzir o ficheiro


SAFT-PT dos sistemas informáticos de faturação, a comunicação deverá ser
efetuada pelas seguintes vias:

 Por inserção direta no Portal das Finanças, através do Portal E-fatura;


 Por outra via eletrónica nos termos da Portaria n.º 426-A/2012, de 28 de
dezembro.

Uma vez definido pelo sujeito passivo o sistema de comunicação dos


elementos das faturas, este deverá ser mantido para o mesmo ano civil, para o
mesmo sistema de faturação.

REGIME FORFETÁRIO DOS PRODUTORES AGRÍCOLAS

1. A atividade de produção agrícola, exercida de modo independente e com


carácter de habitualidade, é uma atividade económica sujeita a Imposto sobre o
Valor Acrescentado (IVA).
2. Os sujeitos passivos que, em alternativa ao regime normal de IVA, se
encontrem enquadrados no regime especial de isenção regulado nos artigos
53.º a 59.º do CIVA, estão dispensados de liquidar IVA nas suas transmissões
de bens e prestações de serviços, ficando-lhes vedada, porém, a possibilidade
de deduzir o imposto suportado nas operações necessárias ao exercício da sua
atividade económica.
Os produtores agrícolas que estejam enquadrados no regime especial de
isenção e optem pela aplicação do regime forfetário, podem, ainda, beneficiar
de uma compensação calculada sobre o preço de venda, líquido de IVA, de
determinados bens e serviços, que visa atenuar o impacto do imposto
suportado nas aquisições de bens e serviços necessárias ao exercício da sua
atividade.

Âmbito de aplicação (artigo 59.º-A)

3. O regime forfetário, de cariz optativo, é aplicável aos sujeitos passivos


enquadrados no regime especial de isenção previsto no artigo 53.º do CIVA,
que efetuem:

I) Transmissões de produtos agrícolas, provenientes diretamente das suas


explorações, no âmbito das atividades descritas no anexo F ao CIVA;
II) Prestações de serviços acessórias à produção agrícola, com recurso a mão-
de-obra e equipamentos próprios, referidas no anexo G ao CIVA.
Os anexos F e G, aditados ao CIVA, incluem as listas das atividades de
produção agrícola e das prestações de serviços agrícolas, para efeitos do
regime forfetário dos produtores agrícolas, correspondendo, no essencial, ao
conteúdo dos anteriores anexos A e B ao Código (atualmente revogados) que
estabeleciam o âmbito objetivo de aplicação da isenção prevista na alínea 33)
do artigo 9.º do CIVA, também revogada.

4. Assim, podem optar pela aplicação do regime forfetário os sujeitos passivos


que:

I) não possuam nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada para


efeitos do IRS ou IRC;
II) não pratiquem operações de importação, exportação ou atividades conexas;
III) não exerçam atividades que consistam na transmissão de bens ou
prestações de serviços mencionados no anexo E do CIVA;
IV) não tenham atingido no ano civil anterior, um volume de negócios superior a
10.000€ e que realizem qualquer das seguintes operações:

- transmissões de bens provenientes diretamente da sua exploração, no âmbito


da:
I) cultura propriamente dita: agricultura em geral, incluindo a viticultura;
fruticultura (incluindo a olivicultura) e horticultura floral e ornamental, mesmo
em estufas; produção de cogumelos, de especiarias, de sementes, de material
de propagação vegetativa e exploração de viveiros;
II) criação de animais conexa com a exploração do solo ou em que este tenha
carácter essencial; criação de animais (bovinos, ovinos, caprinos, suínos,
equídeos...); avicultura; cunicultura; sericultura (criação de bichos da seda);
helicicultura; apicultura;
III) culturas aquícolas e piscícolas;
IV) silvicultura ou de produtos provenientes, essencialmente, da respetiva
produção, transformados pelo próprio produtor agrícola, com os meios
normalmente utilizados nas explorações agrícolas e silvícolas.
– prestação de serviços que contribuam normalmente para a realização da
produção agrícola, designadamente:
I) operações de sementeira, plantio, colheita, debulha, enfardação; ceifa e
recolha;
II) operações de embalagem e de acondicionamento, tais como a secagem,
limpeza, trituração, desinfeção e ensilagem de produtos agrícolas;
III) armazenamento de produtos agrícolas;
IV) guarda, criação e engorda de animais;
V) locação, para fins agrícolas, dos meios normalmente utilizados nas
explorações agrícolas e silvícolas;
VI) assistência técnica;
VII) destruição de plantas e animais nocivos e tratamento de plantas e de
terrenos por pulverização;
VIII) exploração de instalações de irrigação e de drenagem;
IX) poda de árvores, corte de madeira e outras operações silvícolas.

5. A realização de atividades económicas de cariz não agrícola não impede o


enquadramento no regime forfetário, desde que, no conjunto, o sujeito passivo
não tenha atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios superior a
10.000€.

Para efeitos de enquadramento no regime, a determinação do volume de


negócios segue o disposto nos n.ºs 3 e 4 do artigo 53.º do CIVA, aplicando-se-
lhe as orientações contidas no Ofício- Circulado n.º 30138, de 2012.12.27.
De notar que, por aplicação do artigo 81.º do CIVA, os sujeitos passivos que
pratiquem operações isentas, sem direito a dedução, e desenvolvam, em
simultâneo e de forma acessória, uma atividade, agrícola, podem calcular o seu
volume de negócios, para efeitos de enquadramento no regime forfetário dos
produtores agrícolas, tomando em consideração apenas os resultados relativos
à atividade acessória.

6. Os sujeitos passivos que iniciem a sua atividade e não disponham de dados


relativos ao seu volume de negócios, devem indicar, na declaração de início de
atividade, a previsão de volume de negócios relativo ao ano civil corrente, a
qual, depois de confirmada pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), é tida
em consideração no enquadramento desse mesmo ano (n.º 3 do artigo 53.º do
CIVA).

Quando o período de referência é inferior ao ano civil, deve converter-se o


volume de negócios relativo a esse período num volume de negócios anual
correspondente (n.º 4 do artigo 53.º do CIVA).

A previsão do volume de negócios releva para efeitos de enquadramento em


IVA no início de atividade. No entanto, é o volume de negócios anual
correspondente, convertido com base no volume de negócios efetivamente
realizado nesse ano, que determina a permanência, ou não, no regime especial
de isenção e, simultaneamente, no regime forfetário, no ano seguinte.

Opção pelo regime (artigo 59.º- C do CIVA)


7. Os sujeitos passivos que efetuem transmissões de bens e prestações de
serviços agrícolas e se encontrem enquadrados no regime normal de tributação
mas reúnam as condições para beneficiar do regime especial de isenção,
podem optar pela aplicação do regime forfetário mediante entrega de uma
declaração de alterações.

Esta opção pressupõe o enquadramento no regime especial de isenção,


acarretando o cumprimento das obrigações previstas no n.º 4 do artigo 54.º do
CIVA, quando aplicável.

A opção só pode ser efetuada durante o mês de Janeiro do ano seguinte


àquele em que se verifiquem as condições de inclusão no regime e produz
efeitos a partir de 1 de Janeiro do ano da apresentação da declaração.

8. Quando os sujeitos passivos que realizem as operações antes mencionadas


se encontrem já enquadrados no regime especial de isenção, podem optar pela
aplicação do regime forfetário, mediante a apresentação da declaração de
alterações, a qual produz efeitos a partir desse momento.

Compensação forfetária (artigo 59.º-B)

9. Os sujeitos passivos que optem pelo regime forfetário podem solicitar à AT


uma compensação calculada sobre o valor semestral de determinadas
transmissões de bens e serviços agrícolas.

10. Operações que conferem direito à compensação forfetária:

I) Transmissão de bens agrícolas, da própria produção do sujeito passivo,


decorrentes do exercício das atividades previstas no Anexo F ao Código,
quando efetuadas a outros sujeitos passivos que não beneficiem, eles próprios,
do regime forfetário da agricultura em território nacional, ou de regime idêntico
no Estado membro para onde os bens são expedidos ou transportados e,
ainda, a pessoas coletivas que, não sendo sujeitos passivos, efetuam
aquisições intracomunitárias de bens sujeitas a IVA, no Estado membro de
destino ou chegada dos bens.

||) Prestações de serviços agrícolas, nos termos do Anexo G, efetuadas a


outros sujeitos passivos que não beneficiem, eles próprios, do regime forfetário
da agricultura em território nacional, ou de regime idêntico no Estado membro
onde a operação se considere localizada.

A título de exemplo, confere o direito à compensação forfetária:

– a venda de peras, provenientes da própria produção a um produtor agrícola


enquadrado no regime normal do imposto;
– a venda de peras, provenientes da própria produção, a um sujeito passivo de
IVA que não seja produtor agrícola, como, por exemplo, uma empresa de
distribuição.
– prestação de serviços de poda de árvores, efetuada a sujeito passivo de IVA
enquadrado no regime especial de isenção.

11. Não conferem direito à compensação forfetária as transmissões de bens e


prestações de serviços agrícolas efetuadas a particulares (consumidores finais)
ou a sujeitos passivos que beneficiem, eles próprios, do regime forfetário dos
produtores agrícolas ou de regime idêntico noutro Estado membro.
Naturalmente, também não conferem direito à compensação forfetária as
transmissões de bens que não decorram das atividades mencionadas no
Anexo F, nem as prestações de serviços que não se enquadrem no Anexo G,
ambos ao CIVA.

12. A compensação forfetária, não revestindo a natureza de imposto, visa


atenuar o impacto do IVA suportado pelo produtor agrícola na aquisição de
bens e serviços necessários ao exercício da sua atividade, relativamente ao
qual não pode exercer o direito à dedução.
O montante compensatório a atribuir ao sujeito passivo que optou pelo regime
corresponde a uma percentagem do total das transmissões de bens e
prestações de serviços agrícolas que conferem direito à compensação,
realizadas em cada semestre.
13. A percentagem forfetária, calculada com base em dados macroeconómicos
relativos à atividade dos produtores agrícolas, é fixada em 6%.

Pedido de compensação

14. A compensação forfetária é solicitada à AT mediante pedido, em modelo


aprovado pela Portaria n.º 19/2015, de 4 de fevereiro, no qual conste:

I) o valor das transmissões de bens e prestações de serviços que conferem o


direito à compensação, efetuadas no semestre anterior.

II) a relação dos números de identificação fiscal dos adquirentes ou


destinatários daquelas operações.

O pedido de compensação deve ser efetuado por via eletrónica no Portal das
Finanças, em www.portaldasfinancas.gov.pt, ou em qualquer serviço de
Finanças, por declaração verbal do sujeito passivo, com os elementos a que se
refere o artigo 59.º-B do CIVA.

Estando previsto em qualquer dos casos o pré-preenchimento do pedido, o


sujeito passivo deve confirmar, antes da sua submissão, todos os elementos do
mesmo.

Prazos

15. O pedido de compensação deve ser efetuado até 20 de julho e 20 de


janeiro de cada ano, relativamente às operações efetuadas no semestre que
antecede cada uma das datas.
O pedido considera-se apresentado na data da sua submissão.
Caso ocorra cessação ou renúncia ao regime, o sujeito passivo pode solicitar a
compensação a que tenha direito a partir do momento da verificação de cada
um desses factos, tendo como limite para a apresentação do pedido os prazos
mencionados acima.
16. A AT procede à análise do pedido, efetuando o pagamento da
compensação que for devida no prazo de 45 dias contados da data da sua
apresentação.
A transferência do referido montante será efetuada para a conta bancária
indicada no pedido de compensação, da qual deve ser titular o sujeito passivo
beneficiário da compensação.

Cessação do regime (artigo 59.º-D)

17. A cessação do regime pode ocorrer por iniciativa do sujeito passivo ou,
oficiosamente, por iniciativa da AT.

Por iniciativa do sujeito passivo

17.1. Quando, no conjunto das suas operações tributáveis, o sujeito passivo


atinja um volume de negócios superior a 10.000€, deve apresentar uma
declaração de alterações, durante o mês de janeiro do ano seguinte à
ocorrência do facto, ficando enquadrado no regime de tributação a partir do
mês seguinte.

17.2. Tendo ocorrido a fixação definitiva de um rendimento tributável em sede


de IRS ou IRC baseado em volume de negócios superior a 10.000€, o sujeito
passivo deve apresentar uma declaração de alterações, no prazo de 15 dias a
contar daquela fixação, ficando enquadrado no regime de tributação a partir do
mês seguinte.
– Na verdade, atingindo um volume de negócios superior a 10.000€, o sujeito
passivo deixa de estar em condições de beneficiar do regime especial de
isenção e, por decorrência, do regime forfetário, pelo que está obrigado a
alterar o seu enquadramento para o regime normal de tributação do imposto.

17.3. Quando se deixe de verificar quaisquer das demais condições de inclusão


no regime, o sujeito passivo deve apresentar uma declaração de alterações, no
prazo de 15 dias a contar do momento em que:
I) passe a possuir contabilidade organizada para efeitos de IRS ou IRC;
pratique operações de importação, exportação ou atividades conexas; ou
exerça atividade que consista na transmissão de bens ou prestações de
serviços mencionados no anexo E do Código. Fica enquadrado no regime de
tributação a partir do momento em que estas circunstâncias se verifiquem;

II) deixe de praticar transmissões de bens efetuadas no âmbito do Anexo F ou


prestações de serviços referidas no Anexo G. Não obstante a cessação no
regime forfetário, o sujeito passivo mantém-se enquadrado no regime especial
de isenção enquanto se mantiverem as condições para tal.

Por iniciativa da AT

17.4. Sempre que se verifique que o sujeito passivo não exerce uma atividade
agrícola, a AT pode declarar oficiosamente a sua cessação no regime, com
efeitos imediatos.

A cessação oficiosa pode, ainda, ocorrer caso a AT disponha de fundados


indícios de que o sujeito passivo utilizou o regime de forma indevida ou
fraudulenta.
Renúncia (n.º 4 do artigo 59.º-C)

18. Os sujeitos passivos que tenham optado pelo regime forfetário podem a ele
renunciar mediante a apresentação de uma declaração de alterações a qual
produz efeitos no momento da sua entrega.

19. Tendo renunciado ao regime, o sujeito passivo fica impedido de regressar


ao mesmo durante um período de, pelo menos, cinco anos, mantendo, no
entanto, o enquadramento no regime especial de isenção do artigo 53.º,
enquanto reunir as condições para tal.

Caso tenha renunciado a ambos, fica enquadrado no regime de tributação,


devendo permanecer neste regime durante um período de, pelo menos, cinco
anos, por força do artigo 55.º do Código.

Obrigações

20. Resulta do próprio regime especial de isenção a dispensa da generalidade


das obrigações que impendem sobre os sujeitos passivos enquadrados no
regime normal de IVA, com exceção das obrigações referidas no artigo 58.º do
Código. Destas, destaca-se a obrigação de faturação, prevista na alínea b) do
n.º 1 do artigo 29.º do CIVA.

A opção pelo regime forfetário dos produtores agrícolas impõe que as faturas
emitidas por estes sujeitos passivos, que titulem as operações abrangidas pelo
regime, contenham a menção “IVA – regime forfetário”.
As faturas que titulem operações efetuadas fora do âmbito da atividade
agrícola, devem conter a menção “IVA – regime de isenção”.
Regime subsidiário (artigo 59.º-E)
21. Em tudo o que não se mostre contrário ao regime forfetário dos produtores
agrícolas, aplica-se, com as devidas adaptações, o regime especial de isenção.
Disposições transitórias (artigo 200.º da Lei n.º 82-B/2014)

Opção pelo regime

22. Os sujeitos passivos que efetuem transmissões de bens e prestações de


serviços agrícolas e se encontrem enquadrados no regime normal de tributação
mas reúnam as condições para beneficiar do regime especial de isenção,
podem optar pela aplicação do regime forfetário mediante entrega de uma
declaração de alterações.

Esta opção pressupõe o enquadramento no regime especial de isenção,


acarretando o cumprimento das obrigações previstas no n.º 4 do artigo 54.º do
CIVA, quando aplicável.

A opção só pode ser efetuada durante o mês de janeiro do ano seguinte àquele
em que se verifiquem as condições de inclusão no regime e produz efeitos a
partir de 1 de janeiro do ano da apresentação da declaração.

Entrega de declarações de cadastro

23. De acordo com o artigo 35.º do Código, as declarações de início, alterações


ou de cessação de atividade devem ser enviadas por transmissão eletrónica de
dados ou apresentadas em qualquer serviço de finanças ou noutro local
legalmente autorizado, por declaração verbal efetuada pelo sujeito passivo de
todos os elementos necessários, sendo estes imediatamente introduzidos no
sistema informático e confirmados pelo declarante, após a sua impressão em
documento tipificado.
Prevendo-se que a possibilidade de opção pelo regime por transmissão
eletrónica de dados não seja disponibilizada em tempo útil, os sujeitos passivos
podem apresentar as referidas declarações em qualquer serviço de Finanças.
Os elementos declarados serão inseridos no sistema informático assim que o
mesmo se encontrar operacional.

Obrigação de faturação

24. O n.º 5 do artigo 36.º do CIVA determina que as faturas, pré impressas
tipograficamente, em tipografias autorizadas pelo Ministro das Finanças ou
processadas através de sistema informático, devem ser datadas, numeradas
sequencialmente e conter determinadas menções obrigatórias, nomeadamente,
o motivo justificativo da não aplicação do imposto, quando aplicável.

Com a introdução do regime forfetário dos produtores agrícolas em 1 de janeiro


de 2015 e no que respeita à obrigação de faturação, estabelece-se um período
transitório até final do presente ano, durante o qual os sujeitos passivos que
tenham optado pelo mesmo podem adicionar às faturas que titulem as
correspondentes operações a menção “IVA – regime forfetário”.

Regime Forfetário em sede de IVA

Uma das alterações da Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro (Orçamento de


Estado para 2015) é a criação de um regime forfetário para os pequenos
produtores agrícolas (abrangendo também a atividade silvícola), desde que
estes preencham os requisitos de aplicação do regime especial de isenção,
previsto no artigo 53.º do CIVA.
Mais concretamente, o regime forfetário encontra-se regulado nos
(recentemente aditados) artigos 59.º-A, B, C, D e E do CIVA.
Permite-se, assim, que este tipo de sujeitos passivos possa solicitar à AT uma
compensação, em sede de IVA, relacionada com a atividade agrícola que
desenvolvem, compensação essa destinada a atenuar o impacto do imposto
suportado nas aquisições de bens e serviços para o exercício da atividade
económica do produtor que se encontre isento do imposto, as quais não
conferem o direito à dedução (cfr. Ofício-Circulado n.º 30169, de 5 de fevereiro
de 2015 – Área de Gestão Tributária/IVA).

O valor da compensação acima referida corresponderá a 6% das vendas e


prestações de serviços a seguir elencadas:

a) Produtos agrícolas transmitidos a outros sujeitos passivos que não


beneficiem do presente regime ou de regime idêntico no Estado membro onde
se encontrem estabelecidos;

b) Produtos agrícolas expedidos ou transportados com destino a outro Estado


membro, cujo adquirente seja uma pessoa coletiva não sujeito passivo, mas
que realize no Estado membro de destino ou chegada dos bens aquisições
intracomunitárias sujeitas a IVA;

c) Serviços agrícolas prestados a outros sujeitos passivos que não beneficiem


do presente regime ou de regime idêntico no Estado membro onde se
localizem as operações.

A Portaria n.º 19/2015, de 04 de fevereiro vem aprovar o modelo de pedido de


compensação forfetária do IVA e respetivas instruções de preenchimento,
sendo que, em termos práticos, a compensação forfetária é solicitada à AT até
20 de julho e 20 de janeiro de cada ano, mediante pedido a efetuar por
transmissão eletrónica de dados no Portal das Finanças, ou presencialmente
junto de um Serviço de Finanças.

IMPLICAÇÕES DAS ALTERAÇÕES DA FISCALIDADE NA VIDA DOS


AGRICULTORES

Considerandos:

– Considerando que as alterações da Fiscalidade na Agricultura introduzidas


no Orçamento do Estado de 2013 vieram trazer graves problemas aos
Pequenos e Médios Agricultores. Desde logo a obrigatoriedade de inscrição
nas Finanças teve como resultado a perda de pensões de invalidez, a perda de
subsídios de desemprego, o aumento das contribuições para a Segurança
Social;

– Considerando que os custos de fatores de produção nomeadamente os


energéticos têm aumentado nos últimos anos sem que isso se tenha refletido
nos preços pagos à Produção, o que agrava a já débil situação financeira de
milhares de Explorações Familiares;

– Considerando que os Agricultores Familiares são de extrema importância no


combate à desertificação do Mundo Rural, e desempenham uma função
Económica, Social e Ambiental vital para o desenvolvimento das localidades
onde exercem a sua atividade;

– Considerando que devido à já referida grave situação financeira os


Agricultores Familiares não conseguem pagar as contribuições para a
Segurança Social. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) propõe:

A criação de um Regime Fiscal próprio que discrimine positivamente a


Agricultura Familiar, nomeadamente:
 a eliminação da obrigatoriedade de inscrição nas Finanças, dos

Agricultores com menos de 10.000€ de vendas anuais;

 a redução das taxas de IVA e IRS;

 a redução do IMI, para as pequenas propriedades;

 a redução dos impostos sobre os custos energéticos;

 a redução das taxas dos recursos hídricos;

 a simplificação do sistema de faturação das vendas diretas efetuadas,

com a eliminação da obrigatoriedade da sua emissão para agricultores

com volume bruto de vendas anual inferior a 10.000€.

 o estabelecimento de um regime próprio de contribuições da Agricultura

Familiar para a Segurança Social, que garanta níveis de prestações

compatíveis com o rendimento líquido, sem perda de direitos.

Bibliografia e Fontes

www.dgadr.gov.pt/
www.portaldasfinancas.pt/
www.gpp.p

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