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A REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) NO

TRATAMENTO DA ESCOLIOSE *
Elizandra Conte Bruno

ESCOLIOSE

É um mecanismo de defesa do corpo para manter as hegemonias


(funções: respiratória, alimentar, estática-olhar horizontal, reprodutiva), o
equilíbrio ortostático (posição em pé), e combater processos dolorosos.

É considerada uma deformidade da coluna vertebral, caracterizada


por lateralização, inclinação e rotação das vértebras que estão comprometidas.
Tem como principal fator um componente de “atarrachamento” longitudinal
destas vértebras de forma a diminuir o espaço entre elas como se fossem
“parafuzando” umas nas outras. Manifesta-se claramente pela formação de
curvas na coluna, a qual pode ser única ou várias, levando o organismo a
desenvolver desequilíbrios exportados por todo o corpo, para compensar este
fator de desarmonia. Tem a tendência de piorar de modo natural, por causa da
responsabilidade da musculatura que tornando-se rígida diminui sua
flexibilidade, fixando a anormalidade no posicionamento estrutural das
vértebras.

CLASSIFICAÇÃO
As escolioses podem ser:

- Escoliose de Adaptação = mecanismo automático de adaptação


do organismo a uma nova situação ou de defesa deste.
- Escoliose Malformativa = ocorrem durante a formação do feto,
tem caracter geralmente irreverssível, porém há necessidade de
trabalho para não piorar a deformidade e não haver dores e
complicações viscerais.
- Escoliose Neurológica ou Distrófica = geradas por
acometimentos neurológicos e por patologia muscular.
- Escoliose Antálgica = há uma escoliose verdadeira de uma curva
que piora devido a um processo doloroso qualquer no organismo,
podendo muitas vezes nem ter ligação direta com a coluna.
- Escoliose Idiopática = sem causa aparente, em geral sem
queixas sintomáticas, são as mais encontradas, porém com
aparente deformidade no corpo.
- Atitudes Escolióticas = sem queixas e sem dores, porém durante
o tratamento de RPG, na consulta, há manifestação de dor
escondida pelo mecanismo de defesa.

Muitas vezes estão combinadas a outras deformidades da coluna


como cifose dorsal, retificação ou inversão de curva dorsal , hiperlordose
lombar, hiperlordose ou retifição cervical. Além de poder estar relacionada a
várias outras disfunções do organismo como um membro inferior mais curto

*
Artigo disponível on line via: http://jauinfo.com.br/artigo/ver.asp?id=117
que o outro, um entorse grave mal curado, complicações na última vértebra
lombar, cervicalgias, tensões cervicais de origem musculares, dores de cabeça,
problemas referidos durante o parto ou o crescimento, questões viscerais
(hérnia de hiato / intestino complicado), má postura pelo uso inadequado de
objetos por tempo prolongado, entre outros.

Sua presença e desenvolvimento atinge qualquer idade, sendo que


quanto menor a idade pior é seu prognóstico, atualmente há uma
predominância grande na adolescência. Podem ser sintomáticas com presença
de dor ou assintomática mostrando apenas modificações no corpo, as quais
são notadas por desigualdades no tamanho de membros, um ombro mais
elevado que o outro, um lado da cintura mais afinado enquanto o outro está
mais reto, um lado do quadril mais baixo que o outro, nas mulheres a
impressão de um seio ser maior em relação ao outro, assimetrias na região do
tórax e em costelas. Pode ocorrer o comprometimento de órgãos levando a mal
funcionamento destes, como por exemplo compressão de um lado do pulmão
afetando coração, cólicas intestinais sem outra explicação, cólicas menstruais,
distúrbios digestivos, entre outros.

Uma grande complicação da escoliose está relacionada as fases de


crescimento, mais especificamente ao pico de crescimento. Nos meninos
ocorre em torno dos 13 aos 15 anos e nas meninas dos 11 aos 13 anos,
geralmente um ano e meio antes deles entrarem na puberdade, fase mais
marcante para as mulheres pois o início da puberdade coincide com a primeira
menstruação. Dentro desse período o risco de aumentar a escoliose ou o
começo de um processo escoliótico é extremamente grande, devido ao fato de
haver um crescimento ósseo mais acelerado em relação ao crescimento
muscular. É nessa fase que adolescentes referem muitas dores nas costas e
nos membros, principalmente inferiores, as quais denominam-se “dores de
crescimento”, e tais dores podem estar ou não envolvidas com uma escoliose.

Após esse período o risco de aumentar o grau escoliótico é menor,


onde há um processo de desaceleração do crescimento que terá seu fim aos
18 anos em média. Mesmo assim ainda há uma preocupação em relação à
fixação da escoliose pela responsabilidade muscular, a qual não
acompanhando o crescimento ósseo vai se tornando rígida nas vértebras
acometidas e cada vez mais movimentando-as em direção a escoliose,
agravando o caso. Diante disso torna-se imprescindível o tratamento quanto
antes observada o aparecimento da escoliose.

O diagnóstico clínico é realizado por médico, com preferência um


especialista em ortopedia, após é feito o diagnóstico funcional pelo
fisioterapeuta. O prognóstico vai depender do grau da curvatura escoliótica e
suas complicações, e irá definir qual o melhor tratamento a ser aplicado, se
fisioterápico/ RPG, uso de coletes (bons resultados associado ao RPG) ou
intervenção cirúrgica.

A Reeducação Postural Global (RPG) tem sido uma das melhores


técnicas para a correção de escolioses, mesmo com complicações severas, e
até preparatórias à uma cirurgia. A duração do tratamento varia de 6 meses a 2
anos, dependendo da gravidade do caso, com sessões semanais individuais de
uma hora. Há necessidade de um acompanhamento de manutenção,
principalmente em adolescentes até atingir sua idade adulta.

As vantagens da RPG está em visar restabelecer a funcionalidade e


flexibilidade normais novamente a coluna, tem capacidade de moldar a coluna
em todas as dimensões, tanto na estrutura articular vertebral como na
muscular, reorganizando-a e promovendo uma modelagem estrutural de forma
superficial e eficiente na sua correção.

Possui uma visão global do indivíduo em tratamento corrigindo todas


as exportações e compensações geradas no organismo pela escoliose, fixando
uma nova consciência do esquema corporal normal, redirecionando para a
normalidade, aliviando e eliminando dores com eficácia.

Há também um fator importante que é atuação na ajuda psicológica


e emocional do paciente, minimizando possíveis traumas e danos pela própria
deformidade quanto pelas dores, buscando a cada conquista do tratamento um
organismo saudável na sua amplitude.

A autora é Fisioterapeuta formada pela UNESP, possui Aprimoramento em RPG, é Especialista


em Acupuntura e atualmente esta Cursando Pós-graduação em Ortopedia e Traumatologia
Elizandra Conte Bruno
eli.conte@terra.com.br