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Tal teoria tem como destaque a valorização do sujeito como principal produtor do
conhecimento humano. Por esse fato, pode-se inferir que abordagem Humanista difere tanto
do behaviorismo, que enfatiza os estímulos como sendo fundamentais à aprendizagem, quanto
em relação à abordagem cognitivista, que valoriza a cognição como responsável pela
formação de modelos que são exteriorizadas pelo educando (LEFRANÇOIS, 2008;
MOREIRA, 1999).

Carl Rogers e a Abordagem Rogeriana, Gowin e o Modelo de Gowin e Paulo


Freire e a Pedagogia Libertadora podem ser considerados como principais pensadores e
referências da abordagem Humanista. Para melhor entendimento das concepções pedagógicas
da abordagem humanista de aprendizagem, nós nos dedicaremos agora a apresentar e discutir
os referidos pensadores e suas teorias.

3.4.1 Carl Rogers e a Abordagem Rogeriana

Diferentemente de outras teorias que tinham uma abordagem do homem como


objeto, Carls Rogers trata o homem como sujeito, como pessoa: para ele os seres humanos
têm uma potencialidade natural para aprender. A proposta Humanista de Rogers compreende
que a aprendizagem ocorre em vários níveis - aprendizagem afetiva, cognitiva e psicomotora;
assim o sujeito é visto como um todo e não há como compreender o desenvolvimento
comportamental e cognitivo sem se considerar o domínio afetivo.
A aprendizagem significante envolve a pessoa como um todo - os sentimentos, o
intelecto; assim, a ênfase da aprendizagem deve ser dada à aprendizagem numa perspectiva de
desenvolvimento da pessoa humana e não ao ensino propriamente dito. Deve-se fomentar um
espírito de aprendizagem autônomo, bem como um a responsabilidade pela autoavaliação,
centrando a aprendizagem em atividade e experiências significativas para o sujeito.
(ROGERS, 1977).
Dessa forma, a pedagogia Rogeriana propõe uma abordagem com ênfase na
pessoa e em sua autonomia no processo de aprendizagem. Assim, o estudante é livre e
responsável pela escolha de caminhos que o possam levar à construção e consolidação do
conhecimento, tornando-se um sujeito ativo no processo de ensino e aprendizagem, tendo no
professor um facilitador desse processo (MOREIRA, 1999, ROGERS, 1977).
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3.4.1.1 Implicações Educacionais da Abordagem Rogeriana

A Abordagem Rogeriana apresenta de forma pontual várias aplicações e


implicações educacionais. Uma delas se refere ao papel docente perante o processo de ensino
e aprendizagem. Segundo essa abordagem, o professor assume o papel de facilitador da
aprendizagem, respeitando a personalidade do aluno, motivando-o e evitando padronizações,
com o intuito de respeitar as individualidades dos estudantes (MOREIRA, 1999). Em relação
ao processo de ensino, Rogers (1972, p. 152) postula que:

Se as experiências dos outros forem iguais às minhas, e nelas de descobrirem


significados idênticos, daí decorreriam muitas consequências: 1. Tal
experiência implica que deveria abolir o ensino. As pessoas que quisessem
aprender se reuniriam umas com as outras; 2. Abolir-se-iam os exames.
Estes só podem dar a medida de um tipo de aprendizagem inconseqüente; 3.
Pela mesma razão abolir-se-iam notas e créditos; 4. Em parte, pela mesma
razão, abolir-se-iam os diplomas dados como títulos de competência. Outra
razão está em que o diploma assinala o fim ou conclusão de alguma coisa e o
aprendiz só se interessa por um processo continuado de aprendizagem;5.
Abolir-se-ia o sistema de expor conclusões, pois se verificaria que ninguém
adquire conhecimentos significativos através de conclusões.
Tal posição evidência a crítica de Rogers à generalização dos indivíduos e à
tendência da padronização de produtos e técnicas de aprendizagem. A pedagogia Rogeriana
acredita que o processo de ensino e a efetiva aprendizagem dependem, sobretudo, da
capacidade do docente enquanto mediador, bem como na aceitação e compreensão da
personalidade de seus alunos, uma vez a responsabilidade da aprendizagem (objetivos) fica
também ligada ao aluno e àquilo que é mais significativo para ele.

A abordagem rogeriana implica que o ensino seja centrado no aluno, que


atmosfera da sala de aula tenha o estudante como centro; implica confiar na
potencialidade do aluno para aprender, em deixá-lo livre para aprender,
escolher seus caminhos, seus problemas, suas aprendizagens. O importante
não é aprender certos conteúdos, mas sim a auto-realização e o aprender a
aprender (MOREIRA, 1999, p. 56).
Percebe-se, portanto, que, segundo a abordagem rogeriana, o estudante deve ser o
protagonista no processo de ensino e aprendizagem. A abordagem Humanista, propõe um
ensino não-diretivo, critica as tendências de padronização fechadas dentro das metodologias e
avaliações. Assim, nesta concepção valoriza-se o subjetivo e a autoavaliação.

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