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A HOMEOPATIA

CONCEITOS E FARMACOTÉCNICA APLICADA NOS DIAS ATUAIS

Giancarlo Geremias

Formado em Farmácia pela UFPR em 1996.


Pós graduação em Gestão Empresarial pela Unoesc – Videira
Especialização em Farmacotécnica Homeopática pelo Colégio Brasileiro
Constantine Hering – Curitiba – PR
Título de Especialista em Manipulação Magistral Alopática pela Anfarmag-SC/CFF
Livre docência em Fitomedicina pela Fundação Herbarium
Pós Graduação em Farmacologia pela UFLA – Lavras- MG
Professor da UNOESC – Campus Videira desde 2000.

Giancarlo Geremias
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SUMÁRIO
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1. GLOSSÁRIO DE HOMEOPATIA

BIOPATOGRÁFICO, diagnóstico (história biopatográfica) - as doenças do indivíduo


ao longo de sua vida, com repercussões em sua doença crônica.
E também seu primeiro adoecer (nunca mais foi o mesmo depois de ...). As
mudanças do organismo pós-enfermidade.

BIOTERÁPICOS - produtos quimicamente não definidos (secreções, excreções


patológicas ou não, certos produtos de origem microbiana e alérgenos) que servem
de matéria prima para as preparações homeopáticas bioterápicas (Farmacopéia
Francesa décima edição, 1985).

CURAS - níveis de.

a) curas de primeiro nível - implica na cura dos sintomas individualmente e na cura


da entidade clínica como um todo. Cura clínica.

b) curas de segundo nível - implica na cura da predisposição a adoecer. Cura


miasmática. A doença pré-definida.

c) curas de terceiro nível - implica na cura das pessoas, promovendo o pleno


desenvolvimento de suas potencialidades existenciais. Cura pessoal ou existencial.
( fonte : Dr. Aldo Farias Dias - mensagem de INTERNET - A lógica da
repertorização.)

DIÁTESE - maneira de o organismo responder a uma mudança do meio ambiente.


As alterações promovidas pelo meio. (Dr. Diniz da Gama).
Condição permanente (hereditária ou adquirida) do corpo, que se torna suscetível a
certas doenças ou afecções em especial.

DINAMIZAÇÃO - preparação de uma droga pelo procedimento de diluição +


sucussão (no caso de substâncias solúveis) ou diluição + trituração (no caso de
substâncias insolúveis).
O termo vem do grego "dynamis" (potência, força) e qualificam substâncias que
adquiriram "força" medicamentosa.
A quantidade de vezes que o medicamento foi dinamizado designa-se POTÊNCIA.

DOENÇA - Qualquer alteração da Força Vital (Dr. Diniz da Gama).


O que antecedeu a MOLÉSTIA, alteração da força vital. Vem em primeiro lugar
(definição segundo Hahnemann, pela visão do Dr. Galvão)
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DOSE - quantidade de medicamento ingerida de cada vez. Pode ser única ou


repetida.

ENERGIA VITAL - para Hahnemann seria uma mistura de "maestro" e "piloto


automático" de nosso corpo.

Tanto seria o responsável pelo harmonioso funcionamento de todas suas partes,


possibilitando ele ser considerado um todo, como possibilitaria não termos que
"pensar" para fazer acontecer todas as funções, reações, etc. do nosso corpo para
que ele possa funcionar, realizando as funções "automáticas e vitais" ditadas pelas
partes do cérebro responsáveis por isso.
Sua natureza é desconhecida (já existem diversas hipóteses em discussão), embora
pelo tipo de ação realizada pelo medicamento homeopático seja impossível
descartar sua existência.

ENFERMIDADE - Alterações funcionais do corpo. ( Dr. Diniz da Gama ).

Ela é igual a noxa mais suscetibilidade ( E = N + S )

ESCALAS - indicam a razão da diluição empregada no preparo de medicamentos


homeopáticos. As mais comuns são as Centesimal (utilizada por Hahnamann), e a
decimal (preconizada por Hering).

forma de preparo exemplo de potencias


Centesimal Hahnemanniana - CH 6 CH
Decimal - D 8 DH
Fluxo Contínuo - FC 1000 FC
Cinquenta Milasimal - LM 9 LM
Korsakov - K 200 K
Super diluição (???) 12 SD
fonte : Manual do consumidor de Homeopatia - AFHERJ/ABFH

FITOTERAPIA - forma de tratamento terapêutico que usa medicamentos de origem


vegetal de comprovada atuação medicamentosa, em forma de cápsulas, tinturas,
chás, etc. Sua técnica de preparo é fundamentalmente extrativa. Atenção : Não é
sinônimo de Homeopatia.
A grande maioria das drogas sintéticas atuais se originaram de plantas medicinais,
mas não tem a mesma ação, já que isolam determinados componentes das plantas
e os sintetizam artificialmente ou os purificam. E a ação medicinal de uma planta se
deve não só a soma de seus componentes mas também à interação entre eles.

FLORAIS - substâncias medicamentosas que extraem a força medicamentosa de


flores, a partir de um método próprio criadas originalmente por Edward Bach (florais
de Bach), um médico de formação homeopática.
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Tem uma ação predominantemente mental e não é Homeopatia.


Atualmente há inúmeros grupamentos de florais, todos preparados com a técnica
original, de diversas partes do mundo, inclusive brasileiros.

IATROQUÍMICA - corrente da medicina que prescrevia o uso de remédios de origem


química e pretendia explicar todos os fenômenos do cosmo valendo-se da analogia
com os processos químicos.

IATROMECÂNICA -corrente da medicina que pretendia explicar todos os


fenômenos do cosmo (e do corpo humano) valendo-se da analogia com a mecânica
do século XVIII - XIX.

IDIOSSINCRASIA - [ do grego idios, pessoal, privado + sunkrasis, temperamento]


- Casos envolvendo um indivíduo com peculiaridades fisiológicas ou de
temperamento; indivíduos que tem uma reação mórbida incomum a substâncias
particulares.(§ 117).Um tipo especial de suscetibilidade.

ISOPATIA - [do grego isos , igual + pathos , sofrimento ] - Um método de


tratamento da doença usando o produtor ou um produto da doença preparados
como medicamentos homeopáticos.
Não usa os sintomas de experimentação ( se a substancia for experimentada) ou
não usa substâncias em que foi feita experimentação.
E não leva em conta a individualização do paciente, só o que está causando sua
doença . Tanto a Isopatia quanto a Isoterapia não agem no mesmo nível dos
medicamentos homeopáticos, por não usarem o princípio da semelhança e sim da
analogia.

ISOTERAPIA OU TAUTOTERAPIA - tratamento pelo mesmo, independentemente


da natureza orgânica ou não da substância empregada, desde que vinculada como
causa.
Não necessáriamente é feita com medicamentos homeopáticos.
Emprego de produtos não patológicos de qualquer origem.

LAPSO – Período de inércia entre o reconhecimento da doença, o estimulo


medicamentoso e os sintomas e agravações. É a defasagem entre o início do
tratamento e a resposta.

MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO - é aquele medicamento ( dinamizado ou não)


utilizado no indivíduo segundo dois princípios da Doutrina Homeopática : Similitude
e Experimentação no homem são. Ou seja, é o usado no curso de uma intervenção
homeopática (consulta ou experimentação).
Medicamentos não experimentados, para ser coerente com a definição e com os
princípios que ela encerra, seriam medicamentos em "stand by", a espera de
comprovação. Ou talvez a espera da criação de um outro tipo de experimentação.

MEDICAMENTO ISOPÁTICO - elaborado com o produto patológico do próprio


organismo, e sua preparação é feita de acordo com a Farmacopéia Homeopática.
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MEDICAMENTO ISOTERÁPICO - é aquele preparado de acordo com a


Farmacopéia Homeopática mas usado segundo uma similitude etiológica, do que
está causando a doença.

MODALIZAR- É, num sintoma, avaliar condições de melhoria, piora, horários em


que ocorrem, a influência das posições do corpo, os fatores meteorológicos, as
modalidades pelas comidas, pelas menstruações (cios ??), pelo sono, por fatores
psíquicos e as modalidades por caracteres próprios ou intrínsecos dos sintomas
(dor- transpiração- secreções- etc). De que "modos" o sintoma varia. A grande
dificuldade é a correta visualização dos sintomas pelo clínico baseado normalmente,
somente na descrição dos mesmos pelo paciente.

MOLÉSTIA - Complexo de alterações mentais, funcionais e morfológicas, de caráter


evolutivo, que se estabelece no organismo submetido a fatores frente aos quais ele
responde.
É quando a força vital alterada causa uma reação no corpo modificando-o (alteração
orgânica-funcional). (Definição Hahnemanniana pelo Dr. Galvão).

MATÉRIA MÉDICA - Conjunto de sintomas e sinais relatados pelos


experimentadores durante a experimentação, em sua própria linguagem = matéria
médica pura:
Ex. "Matéria Médica Pura" - Samuel Hahanemann
Cyclopedia of Drug Pathogenesy – Hughes
Hahnemann Provings – Stephenson

estes mais sintomas colhidos em doentes, além dos sãos =matéria médica
semipura:
Ex: Doenças Crônicas - Samuel Hahnemann
Boeninghausen's Charac. and Repertory – Boger
Manual de Matéria Médica – Jahr
The Encyclopedy of Materia Medica - T. F. Allen
The Guinding Symptons of our Materia Medica - C. Hering
Psichisme et Homeopatie, Pathogenesies des substances medicamentoses –
Gallavardin
Homeopathic Drugs Pictures - Margareth Tyler

esta mais os sintomas colhidos na prática clínica do profissional = matérias


médicas clínicas:
Matéria Médica Homeopática - C. Dunham
Indicações Características em Terapêutica Homeopática – Nash
Dictionary of Materia Medica – Clarke
Lectures on Homeophatic Materia Medica - J. T. Kent
Tratado de Matéria Médica – Vijinosky
Matéria Médica Homeopática – Lathoud

matérias médicas interpretativas:


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Le Typologie - Les temperaments, prototypes et metatypes- Vannier


Psique e Substância – Whitmont
Matéria Médica Comparada - E. Candegabe
Teses de estudiosos sobre o assunto

e as onde o efeito fisiológico das substâncias é dado, seriam mais sobre os efeitos
de intoxicação pelas substâncias estudadas = matérias médicas explicativas:

Homeopathic Materia Medica - O. Lesser


Homeopathie et Phisiologie – Hodiamont
Physiological Materia Medica - W. Burt

NOXA - fator necessário, mas não suficiente, para produzir uma enfermidade. Seria
o fator desencadeante da enfermidade. Pode ser físico (queimadura, um
atropelamento), emocional (uma decepção, uma bronca), químico ou biológico,
externo ou interno.

POLICRESTOS - medicamentos em que a maioria de seus sintomas correspondem


em similitude aos sintomas das mais comuns doenças da humanidade, e portanto
tem um uso homeopático frequente e eficaz. Com a evolução dos tratamentos e
matérias-médicas perdeu um pouco do sentido para o farmacêutico esta
classificação.

POTÊNCIA - a) como quantidade de vezes que o medicamento foi dinamizado. É


indicada por um número (número de vezes) e por uma letras - ou letras ( forma de
preparo)

b) como capacidade medicamentosa, curativa, de um determinado


medicamento frente a um determinado enfermo, não dependendo, portanto, de um
número.
Por exemplo, uma dose de Arsenicum album C 1000 pode ser uma potência alta,
média ou baixa, conforme o paciente Arsenicum a que se destina. Ou mesmo nula,
se o paciente não apresentar similitude nenhuma com Arsenicum.

Uma chinelada para um ser humano adulto não é o mesmo que é para uma barata.
Então não haveria como dizer, de uma maneira absoluta, se a potencia da chinelada
é alta, média ou baixa, depende do que vai ser atingido. Pode inclusive ser nula se
não atingir nada.

PSORA – Base comum para todas as doenças. Origem genética. É a pré-disposição


primária. Levando-se para o lado religioso seria o Pecado Original.

REPERTÓRIO - enquanto na matéria médica se tem os medicamentos seguidos


pelo sintoma, aqui se tem o sintoma seguido pelo(s) medicamento(s).
Ele tem uma linguagem própria, atemporal, como Hahnemann queria que fossem a
linguagem dos sintomas em Homeopatia.
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Requer o entendimento da exata ou bem próxima significância do que aquele


sintoma quer dizer.

SAÚDE - A HARMONIA do homem com a natureza, a HARMONIA entre os diversos


componentes do organismo entre si e com o meio ambiente.

Equilíbrio é entropia zero, que é a morte .( Dr. J. C. F. Diniz da Gama ).


Aparentemente Hahnemann relacionava muito a saúde com música. Não teríamos
que estar equilibrados, teríamos que estar harmônicos.

SIMILLIMUM - é o medicamento que cobre a sintomatologia da entidade clínica e da


entidade individual nos seus mais amplos e completos aspectos, seja a longo ou
curto prazo.
Seria o medicamento, dentre os medicamentos, que mais similitude teria com o ser
tratado.

É o medicamento ideal, por excelência, quando possível de se obter e que deve


ser buscado para se conseguir os melhores benefícios no tratamento e
consequentemente, na vida do ser tratado.

SINTOMAS PSIQUIÁTRICOS - indicam lesão no cérebro.


Devem ser diferenciados dos chamados 'sintomas mentais.

SUCUSSÃO - ato de agitar violentamente uma solução. Está intimamente ligada ao


processo das diluições e pela transferência do poder farmacodinâmico ao solvente.

TINTURA-MÃE - São preparações básicas, resultantes de extração, por maceração


ou percolação (operação de passar um líquido através de um meio para filtrá-lo ou
para extrair substâncias desse meio), de drogas animais ou vegetais, em diferentes
graduações alcoólicas.

Hahnemann, em sua sexta edição do Organon, preconiza que todas as substâncias-


origem dos medicamentos deveriam ser trituradas, mesmo as solúveis. Para ele,
aumentaria o poder medicamentoso das substâncias. Esta observação deve ser
seguida pelos farmacêuticos empenhados no sucesso do tratamento do paciente.

TRITURAÇÕES - forma de tornar solúveis as substâncias insolúveis, sendo feita


geralmente até a 3CH. Nessas substâncias, a partir de 3 CH poderia ser pós,
tabletes ou comprimidos; a partir de 4 CH , em gotas com álcool de baixa
graduação; a partir de 5 CH em qualquer prescrição.

Hahnemann, em sua sexta edição do Organon, preconiza que todas as substâncias-


origem dos medicamentos deveriam ser trituradas, mesmo as solúveis. Para ele,
aumentaria o poder medicamentoso dos substâncias.
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VARIANTES REATIVAS - Segundo o Dr. Renan Ruiz, médico , são reações que
podem incluir sintomas exonerativos ( vômito, diarréia, sudorese ); episódios agudos
( episódios febris); erupções de pele; retorno de sintomas antigos;
mas sempre concomitantes com a "sensação de bem estar geral", e sempre
centrífugos (do centro para a periferia) e de ação hiperérgica, que ocorrem entre o 8°
e 14 ° dia;e por volta do 100° dia em casos muito crônicos ou muito profundos.

2. A HOMEOPATIA

Homeopatia é uma palavra de origem grega que quer dizer


doença semelhante. Em homeopatia trata – se as doenças por meio de substâncias
que, quando utilizadas em pessoas sadias produzem sintomas semelhantes os da
doença a ser tratada. Apesar do conceito ser um pouco mais amplo nos dias atuais
a base de seu estudo permanece inalterada por conta dos anos. Para a homeopatia,
a doença aparece por conta de um desequilíbrio da energia vital, que é responsável
pelo funcionamento do nosso organismo. O clinico homeopata não investiga
somente os sintomas isolados, ele procura tratar o paciente como uma unidade
formada de corpo e mente, que sofre a influência do meio externo (social e
ambiental). É daí que vem a afirmativa que “a homeopatia trata o doente e não a
doença” – quer dizer que o paciente é mais importante que a doença. Os
profissionais que atuam na homeopatia buscam o equilíbrio do organismo, mente e
corpo para uma vida mais harmoniosa e saudável (SOARES, 1997).

A homeopatia, modalidade terapêutica cujo pilar


encontra – se na lei dos semelhantes, anunciada por Hipócrates na antiga Grécia, foi
viabilizada na prática por um médico alemão chamado Christian Samuel
Hahnemann que insatisfeito com a medicina tradicional de sua época, abandonou
sua profissão e conhecendo diversos idiomas passou a dedicar – se a traduções de
livros editados em outros idiomas. Foi em 1790, ao traduzir matéria médica do
médico William Cullen, teve o estalo que mudaria sua forma de pensar. Em 1790,
publica a obra Fragmenta de viribus medicamentorum positivis in sano corpore
humano observatis (Ensaios sobre um novo princípio para descobrir as virtudes
curativas das substâncias medicamentosas) onde expõe os fundamentos dessa
nova terapêutica e então é considerado o marco da fundação da homeopatia. De
1790 a 1796, Hahnemann experimentou numerosas substâncias, sempre em
pessoas sadias, além de realizar extensas pesquisas na literatura médica sobre
sinais e sintomas provocados por drogas tóxicas, com isso em 1805 publicou a
primeira matéria médica homeopática, com 27 substâncias ensaiadas, em 1810
editou a primeira edição do Organon da arte de curar, onde detalha os fundamentos
desta nova terapêutica, entre 1810 e 1826, publicou os seis volumes da Matéria
Médica pura, com 1777 páginas e 64 medicamentos experimentados. Hoje a
homeopatia é praticada em diversos países, muito bem representada na Alemanha.
Argentina, Bélgica, França, Índia e Inglaterra (FONTES, 2001).
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2.1 O PAI DA HOMEOPATIA


(Christian Friedrich Samuel Hahnemann - 1755-1843)

O fundador-pai-criador da HOMEOPATIA, foi o


médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755 - 1843), filho de um
pintor das famosas cerâmicas de Meissen. Formado em medicina pela Universidade
de Erlandgen, em 1779, exerceu a profissão por vários anos, antes de desiludir-se
com os tratamentos médicos brutais e duvidosos daqueles tempos. Comenta-se a
morte de um amigo como principal fator para a desilusão com a Medicina. Em
função disso desistiu de praticar a medicina, começou a estudar química e
sustentava-se modestamente com seus escritos e traduções. Até voltar à prática da
medicina, já com o enfoque homeopático. Em 1790, quando traduziu um livro escrito
pelo médico escocês Cullen, Hahenmann deparou com uma seção que indicava o
tratamento da malária com quininos. Embora fosse (e ainda seja) um tratamento
adequado para a doença, ele não se convenceu da explicação do autor, que atribuía
a eficácia do remédio e eventuais efeitos tônicos sobre o estômago.

Raciocinou que deveria ser outro o mecanismo de


interação daquela substância com o organismo, uma vez que tantos "tônicos"
poderosos não surtiam efeitos sobre a malária. Para comprovar suas idéias,
seguindo sua convicção na experiência, medicou a si próprio com quinino durante
vários dias e, como resultado, começou a ter os sintomas da malária.

Esta foi a idéia-chave: A DROGA QUE PRODUZ OS SINTOMAS DE UMA


DOENÇA EM PESSOA SADIA PODIA SER USADA PARA TRATAR DOENÇAS
COM AS MESMAS CARACTERÍSTICAS.

Nos anos seguintes Hahnemann retornou à prática


médica, experimentando em si próprio, sua família e amigos com diferentes
substâncias para estudar os sintomas que produziam quando tomados por pessoas
saudáveis. Estes experimentos culminaram na publicação em 1810, de seu livro,
que estabelece as idéias da medicina homeopática.

Hahnemann prescrevia nas dosagens padrões da


época. Todavia, embora os resultados fossem animadores, descobriu que muitos
dos seus pacientes sofriam um agravamento inicial dos sintomas, antes de
começar a melhorar. Então ele diluiu estes medicamentos, e na tentativa de eliminar
os agravamentos foi diluindo, mas assim também foi desaparecendo os efeitos
benéficos do remédio.

A homeopatia poderia ter parado aqui, mas este homem estudioso e observador
descobriu um incrível fenômeno. Verificou que chacoalhando vigorosamente cada
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dose diluída, o remédio resultante não só produzia menores agravamentos como


tornara-se mais potente. Isto foi chamado de POTENCIALIZAÇÃO. Esta
descoberta, conta a história ocorreu por acaso, ao perceber o melhor resultado nos
pacientes atendidos fora do seu consultório, assim associou o transporte na carroça
com a conseqüente “chacoalhada” ao melhor efeito e criou outros dos princípios dos
medicamentos homeopáticos. Também o conceito de FORÇA VITAL foi
fundamental para a teoria da homeopatia:

PARA HAHNEMANN, O MEDICAMENTO NÃO ATUAVA SOBRE A DOENÇA,


MAS SOBRE A FORÇA VITAL DO PACIENTE, RESTAURANDO-LHE O
EQUILÍBRIO INTERNO.

2.2 HOMEOPATIA NO BRASIL

As primeiras informações que se tem sobre a


Homeopatia no Brasil datam de 1811. O Prof. Dr. Antônio Ferreira França, que
ministrava aulas na Faculdade de Medicina e Cirurgia da Bahia, tecia, por essa
época, considerações descabidas e maliciosas sobre esta nova terapêutica,
desestimulando os novos alunos a terem contato com o conhecimento homeopático.

Por volta de 1836, surgiram os primeiros fatos oficiais


em relação à Homeopatia. Neste ano, a Academia Imperial de Medicina publicou
artigos que tratavam sobre a doutrina homeopática falseando e deturpando as
colocações feitas por Samuel Hahnemann, no Organon da Arte de Curar, editado
em 1826. Frederico Emílio Jahr, cidadão suíço imigrado, neste mesmo ano,
defendeu tese em medicina, no Rio de Janeiro, sobre a proposta Terapêutica de
Hahnemann. Esta tese, feita por um médico que não exerceu a Homeopatia, serviu,
posteriormente, de base para o aprendizado do primeiro médico homeopata do
Brasil, que foi o Dr. Duque-Estrada (Domingos de Azeredo Coutinho de Duque-
Estrada).

Antes, porém, desta data, ainda no ano de 1810, José


Bonifácio de Andrada e Silva (o Patriarca da Independência) conheceu a teoria
homeopática através de contatos feitos, por cartas, com Samuel Hahnemann. José
Bonifácio era um grande naturalista e desenvolvia a arte da mineralogia. Sendo
Hahnemann, o maior químico da época, detinha grande conhecimento naquela área,
o que aproximou os dois. Hahnemann, através de suas cartas a José Bonifácio,
apresentou-lhe a Homeopatia, como fazia habitualmente a seus correspondentes,
ansiando que esta ciência ganhasse o máximo de terreno possível no mundo.

Em 1840, aportou, no Rio de Janeiro, a barca


francesa Eole, a bordo da qual estava Benoit Jules Mure e mais de cem famílias
francesas. Bento Mure, como ficou conhecido, veio ao Brasil implantar uma colônia
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societária que fazia parte de um plano - "phalanstero" para formar a base de uma
comunidade industrial de máquinas a vapor. Em sua curta estada no Rio, mais
propriamente na Lapa, o Dr. Mure clinicou e difundiu a Homeopatia através de suas
curas "miraculosas". Neste período, conheceu o Dr. Souto Amaral, célebre cirurgião
brasileiro, que veio a abraçar a homeopatia através de seus ensinamentos. Após ter
recebido licença do Governo Imperial e ter escolhido o local para a implantação de
sua colônia, Benoit Mure partiu, com as cem famílias, a bordo do navio Caroline para
colonizar a península do Sahy, na divisa do Paraná com Santa Catarina, no encontro
dos rios São Francisco e Sahy, onde chegou no dia 21 de novembro, data escolhida
para a comemoração da Homeopatia no Brasil.

Bento Mure não permaneceu no Sahy (vale do


Itajaí/SC). A proposta de implantação da colônia não surtiu os resultados almejados
e ele partiu, de volta para o Rio de Janeiro, não sem antes ter deixado a Homeopatia
implantada nesta região através da "conversão" do Dr. Thomaz da Silveira, médico
militar, e da instalação de uma Escola Suplementar de Medicina, com o objetivo de
preparar médicos, já diplomados na arte homeopática. Deixou, também, ali,
organizado o Instituto Homeopático do Sahy.

De volta ao Rio de Janeiro, teve, o homeopata


francês, a felicidade do encontro com João Vicente Martins, diplomado em Lisboa, e
que tomara contato com a Homeopatia, pela primeira vez, a bordo do navio Corveta,
quando de seu naufrágio na costa do Peru: o Dr. Thomaz, médico do navio,
entregou a João Vicente Martins, uma botica homeopática. Naquela ocasião, porém,
João Vicente, que veio a ser o propagandista maior da Homeopatia, durante a sua
introdução no Brasil, não se interessou, profundamente, pela nova ciência, o que
veio a ocorrer, mais tarde, por influência de Benoit Mure.

Muita polêmica se formou ao redor do nome e da


conduta do Dr. Mure. Alguns o elogiavam e outros, como o Dr. Emílio Germon
(protegido de José Bonifácio, na ocasião, Ministro do Império), acusavam-no por não
concordarem com seus métodos. Revisando, porém, sua história de vida, nos
deparamos com uma pessoa incansável no cumprimento de sua promessa ao curar-
se de tuberculose, (a difusão, pelo mundo, do sistema que o havia restabelecido).
Além disso, tinha ele uma grande capacidade de trabalho centrada, exclusivamente,
em seus objetivos humanitários e científicos.

Em 1843, ainda no Rio de Janeiro, Bento Mure junto


com Vicente Martins e outros criou o Instituto Homeopático do Brasil, que foi
instalado em sua residência, onde existiam consultórios médicos destinados à
propagação da nova ciência através de atendimento a pacientes, além da
preparação dos medicamentos homeopáticos. Este instituto foi aberto em 10 de
março de 1844. Além destes postos de atendimento, Bento Mure e João Vicente
Martins criaram mais 26 locais de assistência ambulatorial.

No período posterior a 1840, a Homeopatia foi


largamente discutida pela imprensa, principalmente no jornal do Comércio. Sua
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imagem era denegrida através dos professores e grandes doutores em medicina, da


Bahia e do Rio de Janeiro, e arduamente defendida pelo próprio editor do jornal, o
Dr. José da Gama e Castro, que abria espaço permanente para as matérias
polêmicas de João Vicente Martins e para os homeopatas da época.

Em 12 de janeiro de 1845, foi fundada e inaugurada a


Escola Homeopática do Brasil (primeira escola de formação homeopática), que
funcionava com autorização do Governo Imperial, mas que não permitia aos seus
diplomados o exercício da clínica. Alguns anos depois, por divergências entre o Dr.
Duque Estrada, bem como, entre os companheiros que lhe eram afins, houve uma
ruptura e a formação de duas novas instituições: o primeiro Instituto
Hahnemanniano do Brasil e a Congregação Médico-Homeopática Fluminense, que
enfraquecidas, sucumbiram.

No dia 1 de julho de 1847, uma matéria publicada no


jornal do Comércio transcreveu as palavras de despedida do Dr. Mure que partiu,
doente e aniquilado, de volta à França, após ter sido acusado de ter envenenado
uma menina doente com duas doses de Ignatia amara 5CH e uma dose de
Argentum nitricum 5CH.

A Ciência Homeopática seguiu galgando espaço junto


à sociedade e aos médicos da época, através da publicação de grandes curas e
feitos homeopáticos, sempre documentados pelo jornal acima citado, e atravessou
fronteiras regionais, através do argumento astuto e polemizador do Dr. João Vicente
Martins, que, viajando à Bahia, lá deixou fortemente semeada a doutrina
Hahnemanniana na mente culta do notável jornalista e cientista, Dr. Alexandre José
de Mello Moraes. Nesta viajem de divulgação, João Vicente Martins pretendia
estender-se até o norte do país mas, problemas o retiveram na Bahia, por quase
dois anos. Da cidade do Senhor do Bonfim, partiu para Pernambuco, onde
conseguiu a adesão do Dr. Sabino Olegário Ludgelo Pinho e de Carlos Chidloe que
foram os iniciadores da Homeopatia naquele Estado. A difusão pelo norte e
nordeste ficou a encargo dos Drs. Alexandre de M. Moraes e Sabino Olegário Pinho.
No extremo Sul, a Homeopatia ganhou forte adesão e muitos foram os grandes
vultos que a disseminaram por todo interior do Rio Grande do Sul, e Porto Alegre
chegou a ser sede de uma Faculdade de Medicina Homeopática criada por Ignatio
Capistrano, em 1914.

Em São Paulo, a Homeopatia foi introduzida em


Lorena pelo Dr. Joaquim José de Mello, antes de 1845, e sua difusão ocorreu
através das missões homeopáticas (cruzadas promovidas pelos diplomados da
Escola Homeopática do Brasil), por várias cidades do interior. Os homeopatas de
então, munidos de uma botica e imbuídos da solidariedade, da consciência médica e
dos conhecimentos recebidos, saiam a enfrentar as pestes que dizimavam as
populações dos confins do Brasil. A Homeopatia ganhou força, em São Paulo,
somente após 1890, e os grandes nomes deste Estado foram: Alberto Seabra,
Antônio Murtinho de Souza Nobre, Affonso de Azevedo e Magalhães Castro.
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Em 1878, Saturnino de Meirelles e outros


reconstituíram o antigo Instituto Homeopático do Brasil que recebeu o nome de
Instituto Hahnemanniano Fluminense, primeiramente, presidido pelo Dr. Duque-
Estrada. Em1880, por decreto do Governo Imperial, esta instituição passou a
denominar-se Instituto Hahnemanniano do Brasil - IHB. O Instituto criou o Hospital
Homeopático e, sob a lei Rivadávia, a Faculdade Hahnemanniana com ensino
integral de medicina, sob a presidência do ilustre e eminente homeopata gaúcho, Dr.
Licínio Cardoso, em 1912, a quem a homeopatia brasileira deve inúmeros feitos. Em
1918, o instituto Hahnemanniano do Brasil foi autorizado a diplomar médicos
e farmacêuticos homeopatas. Logo após, em 1921, a Faculdade Hahnemanniana foi
equiparada às Faculdades Oficiais da Republica. Em 1924, o Conselho Superior de
Ensino exigiu a mudança do nome de Faculdade Hahnemanniana para Escola de
Medicina e Cirurgia do Instituto Hahnemanniano e, em 1932, o Conselho de
Educação desferiu o golpe final no ensino homeopático, determinando que este
fosse facultativo na referida Escola Universitária que contava na época, com
aproximadamente 1000 alunos, o que veio a enfraquecer, definitivamente, o
movimento homeopático desta faculdade que hoje faz parte da UNIRIO.

Após a I Guerra Mundial, as fundações ligadas às


grandes corporações passaram, por interesse de mercado, a direcionar, através da
distribuição de verbas, os rumos da geração de conhecimentos e do emprego destes
no desenvolvimento. Neste período, no qual a industrialização direcionou a evolução
sócio-politico-cultural, o espaço para o desenvolvimento das ciências
individualizadoras foi muito restringido, e com isso, o período áureo da
homeopatia entrou em decadência: primeiramente, nos Estados Unidos da América
e, posteriormente, no Brasil. A Ciência Homeopática que vinha , desde a metade do
século passado, ganhando força e se expandindo no cenário mundial, foi duramente
abalada em sua evolução, por ter sido afastada das Universidades (pólos de
irradiação do conhecimento e formadores da opinião social).

Em 30 de dezembro de 1975, o Prof. Antar Padilha


Gonçalves propõe a exclusão da Homeopatia como disciplina optativa do currículo
médico e a sua inclusão no curso de pós graduação da faculdade de Medicina e
Cirurgia do Rio de Janeiro. Sob a lúcida e emocionada manifestação contrária do
prof. Dr. Camil Kuri, a patética proposta foi aprovada, o que resultou na perda
completa de contato do estudante de medicina daquela faculdade, com a teoria
homeopática.

No final da década de 1970, a consciência sobre as


questões relacionadas com os ecossistemas e com a valorização do ser, se
estendeu para além dos homens de ciência e atingiu a população em geral,
produzindo , com isto, um movimento holístico que atingiu a classe médica. Esta
passou a buscar formas de entendimento do processo de doença que se
distanciassem da compartimentalização apresentada pela visão do especialismo
médico. Neste cenário, a Homeopatia, no Brasil, recebeu novo impulso, a partir de
São Paulo, que passou a ser o centro de difusão dos novos núcleos, para outros
estados da nação. Das discussões encabeçadas pelos dois grandes pólos
15

homeopáticos do país, Rio de Janeiro e São Paulo, nasceu na data de 24 de


Novembro de 1979 a Associação Médica Homeopática Brasileira - AMHB que é a
atual representante de todos os médicos homeopatas do país.

No ano de 1980, houve uma grande conquista da Homeopatia brasileira, que foi o
reconhecimento pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) da Homeopatia como
Especialidade Médica. Figura importante desta articulação coube ao Dr. Alberto
Soares de Meirelles.

Em 1990, a AMHB passa a ser reconhecida oficialmente pela Associação Médica


Brasileira (AMB) e a fazer parte do Conselho de Especialidades Médicas da AMB.
Desde então, a AMHB realiza anualmente prova para o Título de Especialista em
Homeopatia em convênio com a AMB/CFM. Ela tem atuado ao discutir e buscar
soluções para o ensino médico da Homeopatia, bem como para o atendimento da
população carente de nosso país. Para isso, vem promovendo o incremento do
espírito associativo dos médicos homeopatas e estimulando o seu desenvolvimento
científico.

2.3 OS PRINCÍPIOS DA HOMEOPATIA

Os quatro princípios são:

1) Lei dos semelhantes (Similia similibus curantur ou carentur): Hahnemann


retomou o princípio da semelhança de Hipócrates (460 - 377 a.C.), quando realizou
a primeira experiência como químico em si mesmo e sentiu que havia encontrado a
resposta à sua procura de uma arte de curar lógica e realmente eficaz. Realizou
suas experiências com metodologia científica, obtendo resultados que podem ser
reproduzidos quantas vezes se desejar. Para melhor compreensão da diferença
entre o princípio dos semelhantes e o princípio dos contrários usa - se uma imagem
criada pelo homeopata americano Dr. Herbert A. Roberts. Imagina – se um trem,
representando a enfermidade, que corre a uma determinada velocidade. Para
aniquilar essa enfermidade pode-se enviar um trem em sentido contrário
(medicamento alopático), ou pode-se modificá-la enviando um trem no mesmo
sentido (medicamento homeopático), mas numa velocidade maior e que, após
encontrá-lo, imprime ao conjunto uma nova velocidade. É assim que age o
medicamento homeopático: imprime à Energia Vital um padrão vibratório
semelhante e mais forte que o preexistente. Pela Lei dos Semelhantes, as
substâncias existentes na natureza (de origem mineral, vegetal e animal) têm a
potencialidade de curar os mesmos sintomas que são capazes de produzir.
Exemplificando de uma maneira bem simples: se uma pessoa ingerir doses tóxicas
de uma substância chamada Arsenicum album, irá apresentar sintomas tais como
dores gástricas, vômitos e diarréia; se, por outro lado, se for administrado essa
mesma substância, preparada homeopaticamente, a um enfermo que apresenta
dores gástricas, vômitos e diarréia com características semelhantes àquelas
16

causadas pela substância em questão, terá como resultado a cura desses sintomas
(CALLINAN, 1999).

2) Experimentação no homem são (Experientia in homine sano): As


experimentações com substâncias preparadas homeopaticamente, devem ser
realizadas em homens sãos para que possam ser usados para curar homens
doentes. Por que em homens sãos e não em animais? A doença se manifesta não
só por sinais objetivos observáveis pelos sentidos, mas também por sintomas e
sensações subjetivas. Não seria possível registrar completa e fielmente as
sensações subjetivas de cães, ratos ou gatos, pois estes não poderiam comunicá-
los durante as experimentações. Não existem dois seres humanos exatamente
iguais na saúde ou na doença; cada um tem sua individualidade, sua impressão
digital. Poderiam os animais assemelharem-se aos seres humanos mais do que os
próprios seres humanos entre si? Para tratamento dos animais ou das plantas usa-
se os resultados das experimentações nos seres humanos, por analogia de
sintomas, até que sejam realizadas experimentações específicas para cada espécie.
As experimentações são realizadas pela administração de uma determinada
substância a um grupo de indivíduos (chamados de experimentadores),
considerados saudáveis após passarem por exames clínico e laboratorial, e que não
sabem que substância estão experimentando. Em cada experimentação, os
sintomas físicos, mentais, emocionais, as sensações e alterações no modo de ser e
estar, de reagir e interagir com o meio, que vão surgindo nos experimentadores, vão
sendo cuidadosamente anotados e, posteriormente, classificados e analisados,
dando origem a patogenesia. Muitos medicamentos foram experimentados e
reexperimentados várias vezes e por muitos autores. Outros medicamentos foram
menos estudados e necessitam de novas experimentações para ampliar o
conhecimento com relação ao seu campo de atuação ou potencialidade curativa. É a
esses conjuntos de sintomas de um determinado medicamento registrados em livros
específicos, isto é, às patogenesias, que o médico homeopata recorre a fim de
encontrar o medicamento mais semelhante a cada caso, o medicamento Simillimum.
Assim é fácil entender a impropriedade e erro do conceito que "se o medicamento
homeopático não faz bem, mal não faz", o medicamento homeopático pode,
potencialmente, provocar os mesmos sintomas que é capaz de curar (id.,ibidem).

3) Doses mínimas e dinamizadas (Doses minimae): No início de suas


experiências, Hahnemann usava medicamentos diluídos, porém ainda contendo
matéria. Com o tempo foi percebendo que essas diluições ainda eram fortes por
causarem, às vezes, sérias agravações quando os medicamentos eram
administrados aos pacientes. Devido a essas reações indesejáveis, passou a diluir
cada vez mais os medicamentos, percebendo que obtinha melhores resultados
quando eram também agitados. Assim que chegou às doses infinitesimais
(extremamente diluídas) e dinamizadas. Observou que à medida em que a massa ia
sendo diluída, mais energia as substâncias pareciam desprender pelo processo de
agitação. Não era a quantidade de substância que importava, ao contrário, quanto
menor a quantidade presente e quanto mais agitada era a diluição, maior potencial
de energia curativa possuíam. O medicamento homeopático é uma forma de energia
que atua sobre a Energia Vital dos seres vivos. A dose diminuta prescrita pelo
17

homeopata, não é mera diluição ou atenuação da droga forte é o que se chama


potência, isto é, algo que possui poder. As doses mínimas e dinamizadas, que
sempre foram e continuam sendo inseparáveis da prática homeopática, têm sido
com certeza o maior obstáculo à aceitação e adoção desse método terapêutico com
maior amplitude pelos médicos em geral (id.,ibidem).
Hahnemann revolucionou a ciência com a aplicação experimental na medicina para
conhecer com detalhes a farmacodinâmica de uma droga antes de utiliza – la no ser
humano. Preocupava – se com a intensidade das reações iniciais que uma droga
provocava ao ser ingerida, dependendo da natureza do paciente, poderiam ser muito
violentas, pois no inicio da sua carreira como homeopata não utilizava doses diluídas
e potencializada pela dinamização, usava doses elevadas de medicamentos na
forma de tintura, sendo assim antes que o organismo começasse a reagir ocorria
uma agravação inicial de sintomas, isso era muito desagradável para o paciente,
levando muitos deles a abandonar a terapêutica homeopática. Por isso, Hahnemann
realizou uma série de experiências, chegando a resultados interessantes, empregou
doses pequenas, diluindo os medicamentos em água ou álcool, de acordo com
determinadas proporções, verificou que o medicamento não causava o efeito
desejado e então continuou as experimentações. Além de diluir os medicamentos
passou a fazer agitações violentas, chamadas por ele de sucussões, notou que além
da diminuição da agravação dos sintomas e dos efeitos tóxicos das altas doses,
ocorria um aumento da reação orgânica, os conhecimentos que tinha de alquimia da
essência das substâncias, contribuíram muito para que chegasse a esses
resultados, a partir daí passou a utilizar diluições infinitesimais e potencializadas
pelas fortes agitações que imprimia na manipulação dos medicamentos
homeopáticos. Esse processo farmacotécnico, conhecido como dinamização
promove curas rápidas e suaves (FONTES, 2001).
As diluições do ativo sempre são seguidas de sucussões e obedecem uma
progressão geométrica, promovendo uma diminuição de sua concentração química
e um aumento de sua ação dinâmica. Para a explanação da preparação do
medicamento homeopático tem – se o seguinte esquema:
* Uma parte do insumo ativo + 99 partes do insumo inerte + sucussões é igual a
primeira dinamização centesimal hahnemanniana classificada como 1 CH;
* Uma parte da 1CH + 99 partes do insumo inerte + sucussões é igual a segunda
dinamização centesimal hahnemanniana (2CH); E assim vai se dinamizando até
chegar no centesimal desejado. Sendo assim quanto maior a potência ou
dinamização do medicamento, menor a probabilidade de encontrarmos moléculas da
droga original na solução (id.,ibidem).

4) Medicamento único (Unitas remedi): Hahnemann recomendava o uso de apenas


um medicamento por vez, ou seja, o medicamento que contivesse o maior número
de sintomas que o paciente apresenta. Existem divergências, como em todos as
especialidades médicas e em todas as áreas do conhecimento humano, entre as
várias escolas homeopáticas em todo mundo. Todas têm suas razões e
ponderações. Tem - se basicamente duas tendências: a unicista, que usa apenas
um medicamento para tratar todos os sintomas de um determinado paciente, e a
pluralista, que usa vários medicamentos, um para cada grupo de sintomas do
18

paciente, como é feito na alopatia. A Homeopatia é uma opção terapêutica que tem
um embasamento filosófico e um corpo de conhecimentos e experiências,
acumulados ao longo de dois séculos, que permitem o acompanhamento da
evolução dos pacientes com parâmetros precisos de cura. Não deve – se confundir
homeopatia com as várias formas de medicina alternativa existentes, algumas muito
em moda, usadas indiscriminadamente por pacientes e prescritas por leigos, sem a
devida compreensão, em alguns casos, de seus princípios terapêuticos e
indicações. Por outro lado, a homeopatia foi reconhecida como Especialidade
Médica em 1979 pela Associação Médica Brasileira e, em 1980, pelo Conselho
Federal de Medicina, deixando assim de ser considerada uma medicina alternativa
para se tornar oficial (id.,ibidem).
O medicamento homeopático único quer dizer que ele deve ser feito a partir de um
único medicamento isso porque segundo os clínicos homeopatas, sempre que
possível, procura – se individualizar o quadro sintomático do paciente para encontrar
o simillimun, se utilizar em um mesmo paciente , de uma só vez, mais de um
medicamento, estes podem possivelmente mobilizar os mecanismos de defesa do
organismo, numa competição. Pelo princípio da similitude apenas um medicamento
deve cobrir a totalidade dos sintomas apresentados pelo paciente. O remédio único
constitui um dos fundamentos mais importantes da homeopatia sob o ponto de vista
médico – científico e o mais difícil de ser realizado na prática, pois exige do clínico
conhecimentos bastante profundos da matéria médica homeopática (FONTES,
2001).

2.4 PROCESSO DE CURA

Sintomas como diarréia, vômito e febre são tentativas


do organismo de eliminar toxinas. Na visão dos homeopatas cortar a febre por meio
de antitérmicos é dificultar o trabalho orgânico de cura, os homeopatas em vez de
impedir a elevação da temperatura corporal, procuram atuar na causa que originou o
problema e para tanto estimulam os mecanismos de defesa do organismo, apenas o
suficiente para a cura, ela desaparece por não ser mais necessária. Não existe
nenhum caso de dano cerebral na literatura médica exclusivo a febre a não ser
causados por doenças que se manifestam por febre, como meningite e encefalite.
Assim alguns médicos homeopatas preferem indicar antitérmicos quando a febre
ultrapassa 39 °C, apenas para tranqüilizar o paciente e seus familiares, o clínico
sempre procura reforçar os mecanismos de defesa natural ao agir na mesma
direção da força vital, ou seja, o homeopata procura não suprir sintomas (FONTES,
2001).

Segundo, este mesmo autor as leis de cura são: os


sintomas devem desaparecer na ordem inversa do seu aparecimento; a cura
progride do alto do corpo para baixo; o corpo procura exteriorizar os sintomas,
mantendo – os em suas partes mais exteriores (mucosa e pele); a cura progride dos
órgãos mais nobres para os menos nobres; antigos sintomas podem reaparecer. A
constatação de uma dessas eventualidades auxilia o médico homeopata na
19

elucidação do seu diagnóstico e posterior tratamento, podendo substituir o


medicamento ou suspende – lo. (FONTES, 2001; SOARES, 1997).

Importa salientarmos que o modelo homeopático é


fundamentalmente experimental, fruto da observação cuidadosa do efeito das
drogas no organismo humano. Apoiado nestas evidências, SAMUEL HAHNEMANN
desenvolveu o tratamento pela similitude. Nos parágrafos 63 e 64 de sua obra
máxima, Organon da arte de curar, HAHNEMANN estipula o mecanismo de ação
das drogas, sistematizando-o: "toda droga causa uma certa alteração no estado de
saúde humano pela sua ação primária; a esta ação primária do medicamento, o
organismo opõe sua força de conservação, chamada ação secundária ou reação,
no sentido de neutralizar o distúrbio inicial".

Observando que esta "ação secundária" poderia ser


empregada como reação curativa, desde que direcionada no sentido correto,
HAHNEMANN propôs um modelo terapêutico que se utilizaria de medicamentos que
produzissem, em sua ação primária no organismo, sintomas semelhantes à doença
natural, no intuito de despertar uma reação orgânica para anular esta doença
artificial e, conseqüentemente à semelhança de sintomas com a doença original,
neutralizaria também esta última. Daí surgiu o princípio terapêutico pela similitude:
"todo medicamento capaz de despertar determinados sintomas no indivíduo
sadio, é capaz de curar estes mesmos sintomas no indivíduo doente".

Assim fundamentado, HAHNEMANN passou a


experimentar uma série de substâncias em indivíduos considerados "sadios",
anotando todos os sintomas (primários) que neles surgissem, confeccionando com
isto a Matéria Médica Homeopática. À medida que defrontava pacientes com
sintomas semelhantes às drogas experimentadas, aplicava-as a estes enfermos, no
sentido de despertar a reação secundária e curativa do organismo, obtendo com isto
a cura dos mesmos.

Deste modo, a aplicação do princípio terapêutico


homeopático implica no estimular uma reação homeostática e curativa, direcionada
pela ação primária da droga que causou no experimentador "sadio" sintomas muito
semelhantes aos sintomas da doença original. Realizando a ponte com o
cientificismo atual, utilizando-nos da Farmacologia Moderna, encontramos uma
infinidade de relatos, tanto em compêndios farmacológicos como em publicações
científicas, que descrevem uma reação secundária do organismo a um estímulo
primário drogal, confirmando o citado por HAHNEMANN. Esta ação secundária do
organismo, no sentido de manter a homeostase orgânica, é denominada de efeito
rebote ou reação paradoxal, segundo a racionalidade científica atual.
Ilustrando o acima exposto, teríamos que drogas utilizadas classicamente para o
tratamento da angina de peito, promovendo, inicialmente, melhora da dor como
efeito primário, despertam, como ação secundária ou efeito rebote, após a
suspensão da medicação ou tratamento irregular, exacerbação da dor torácica, tanto
na freqüência como na intensidade, em alguns casos não respondendo a qualquer
terapêutica. Drogas utilizadas no controle da hipertensão arterial podem provocar
20

uma hipertensão arterial de rebote, como reação secundária ao estímulo primário.


Agentes cardiotônicos, empregados no tratamento da insuficiência cardíaca,
promoveram, após a interrupção da administração, rebote hemodinâmico, com
riscos de desencadear severos problemas cardíacos. Fármacos empregados para
diminuir o colesterol, despertaram um aumento rebote e significante do colesterol
sanguíneo. No emprego de drogas psiquiátricas (ansiolíticas, sedantes ou
hipnóticas, antidepressivas, antipsicóticas, etc.), observou-se uma reação do
organismo no sentido de manter a homeostase orgânica, promovendo sintomas
opostos aos esperados na sua utilização terapêutica primária. Medicamentos
neurológicos, utilizados em sua ação primária para evitar convulsões, movimentos
discinéticos ou contrações musculares, apresentam como reação secundária ou
efeito rebote, após a suspensão da medicação, exacerbação destes mesmos
sintomas. Drogas antiinflamatórias, utilizadas primariamente para suprimir a
inflamação, desencadeiam respostas secundárias no organismo aumentando a
concentração sangüínea dos mediadores da inflamação. Drogas anticoagulantes,
empregadas por seu efeito primário na profilaxia da trombose sangüínea, promovem
complicações trombóticas como efeito secundário ou rebote. Diuréticos, utilizados
primariamente para diminuir a volemia (edema, hipertensão arterial, ICC, etc.),
causam, como efeito rebote, aumento da retenção de sódio e potássio, com
conseqüente aumento da volemia. Medicamentos empregados para a dispepsia
(gastrites, úlceras gastroduodenais), como antiácidos e antagonistas do receptor H2,
promovem, após o efeito primário de diminuição da acidez, aumento rebote ácido e
piora das úlceras gastroduodenais. Fármacos empregados na asma brônquica,
como os broncodilatadores e corticosteróides inalatórios, desencadeiam piora da
broncoconstrição, como resposta secundária do organismo à suspensão ou
descontinuidade do tratamento. Trazendo algumas das muitas evidências
encontradas no cientificismo moderno sobre os principais fundamentos da
Homeopatia, completemos o relato com o emprego de drogas convencionais
segundo o método homeopático. Utilizando-se da reação secundária do organismo
como forma de tratamento (princípio homeopático), administrou-se um contraceptivo
bifásico (anovulatório) para pacientes que apresentavam esterilidade funcional,
incapazes de ovular e engravidar. Após a suspensão da droga, observou-se a
ovulação em aproximadamente 25% das pacientes e, destas, 10% engravidaram.
Outras drogas modernas poderiam ser utilizadas segundo o método homeopático de
tratamento, desde que provocassem no indivíduo "sadio" os mesmos sintomas que
se desejam tratar no indivíduo doente, apesar do emprego de uma "similitude
parcial", diferente da similitude totalizante e individualizadora empregada pela
Homeopatia.

2.5 ORIGEM DO MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO

São oriundos do reino vegetal, animal, mineral,


produtos de origem química, farmacêutica e biológica. Modernamente sabe-se que
21

de qualquer substância por n motivos podem-se fazer um medicamento ou um


tratamento homeopático;

- Reino Vegetal: é o que fornece maior quantidade de drogas para a preparação de


produtos homeopáticos, a planta pode ser usada inteira, partes ou seus extrativos,
seca ou fresca e utilizada na forma de tintura feita conforme os compêndios oficiais.
Só deve ser feita com plantas cujo controle botânico e microbiológico atestem ser a
planta relacionada na literatura.

- Reino Animal: não é tão vasto quanto os do reino vegetal no entanto é muito usado
– também deve seguir a risca a literatura principalmente quanto a espécie, parte
usada, etc,

- Reino Mineral: além dos minerais obtidos em seu estado natural considera – se os
produtos extraídos, purificados e produzidos pelos laboratórios químico –
farmacêuticos;

- Reino fungi: os fungos, cogumelos e leveduras são classificados por alguns


biólogos como pertencentes ao reino vegetal, sendo considerados vegetais
inferiores;

- Reino Monera: bactérias, cianobactérias;

- Reino Protista: oriundos de protozoários como animais e as algas (FONTES,


2001).

2.6. OS INSUMOS E VEÍCULOS EM HOMEOPATIA

Nas preparações homeopáticas são usados veículos


e excipientes chamados de insumos inertes que tem a finalidade de incorporar as
dinamizações e extrair os princípios ativos das drogas na elaboração das tinturas
homeopáticos. A característica do insumo inerte e ser desprovido de atividade
farmacológica ou terapêutica e que não interfira no medicamento homeopático em
si. Os veículos e excipientes utilizados em homeopatia são água, álcool etílico,
glicerina, lactose e sacarose, bem como glóbulos, microglobulos, comprimidos e
tabletes inertes produzidos com os excipientes já mencionados. Também considera
– se ainda formas farmacêuticas homeopáticas de uso externo como inertes o
algodão, gaze para apósitos medicinais; amidos, carbonatos, e mais recentemente
shampoos, cremes, pomadas, géis, loções e toda forma neutra de veículo externo e
consequentemente.

a)Água
22

A água pura é usada para preparações homeopáticas


e obtida por meio de destilação, bidestilação, deionização com filtração esterilizante
ou osmose reversa, deve ser límpida, incolor, e isenta de impurezas, deve ser
armazenada em recipientes fechados, feito seus controles microbiológico e físico-
quimico trimestralmente conforme preconiza a RDC 33/00. Apesar das literaturas
oficiais aceitarem os outros métodos, os homeopatas mais tradicionais sugerem a
água destilada como a mais propícia para o trabalho com a Homeopatia.

b)Álcool

O álcool mais utilizado é o álcool etílico bidestilado,


devendo ser límpido, incolor, com odor característico, sabor ardente e sem
impurezas. Pode ser proveniente de cana-de-açúcar ou cereais, mas é mais
indicado o uso do Álcool de cereais por ser mais fácil compra-lo isento de metais
pesados e contaminantes diversos. Em ambos os casos devem atender aos
requisitos de qualidade de um álcool para uso interno. O álcool é empregado nas
mais diversas graduações conforme receita ou processo. Alguns exemplos de
graduação alcoólica e seus usos:
* Álcool 20%: usado na passagem da forma sólida para líquida;
* Álcool 4% a 70%: usado na dispensação de medicamentos homeopáticos,
administrado na forma de gotas;
* Álcool 70%: usado nas dinamizações intermediárias;
* Álcool igual ou superior a 70%: é usado nas impregnações a lactose, glóbulos,
comprimidos e tabletes, bem como na modelagem de tabletes; Para essa e todas as
outras preparações usa – se o método v/v (volume de álcool, volume de água),
ainda p/p (peso de álcool, peso de água) sendo o método conhecido como ponderal
e o mais indicado.
O cálculo ponderal, apesar de não ser o método mais preciso para ser utilizado na
preparação do álcool é amplamente aceito pelas literaturas oficiais.
Seu cálculo é realizado da seguinte forma:
Q=AxB
C

Onde:

Q = Quantidade de álcool a diluir com água


A = Quantidade desejada de álcool na nova concentração
B = Teor alcoólico desejado
C = Teor alcoólico de partida

Recomenda-se sempre filtrar o álcool em papel-filtro analítico antes da utilização.

c) Glicerina
23

Deve ser clara, incolor, consistência de xarope, com


odor característico e sabor doce, seguido de sensação de calor. Empregado em
preparações homeopáticas preparadas a partir de órgãos e glândulas de animais
superiores nas três primeiras dinamizações. Pode ser utilizado como veículo
também. Pode ser anidra ou bi-destilada.

d)Lactose/Sacarose

Obtida a partir do leite da vaca, deve ser usada pura,


livre de impurezas como amido, sacarose e glicose, usada nas dinamizações feitas a
partir de substâncias insolúveis e na produção de comprimidos, tabletes e glóbulos
inertes e nos pós.
- Sacarose: utilizada na fabricação de glóbulos inertes;

PRINCIPAIS VEÍCULOS:

Glóbulos inertes: esferas compostas de sacarose, obtidos industrialmente a partir


de grânulos de açúcar mediante drageamentos múltiplos. São impregnados com
dinamizações liquidas, para obtenção de forma farmacêutica sólida chamada
glóbulo. Apresentam pesos médios de acordo com sua numeração: n º 3 = 30mg –
nº 5 = 50mg e nº 7 = 70mg

Cremes, Géis, Géis-Cremes, Shampoos, Pomadas, Condicionadores(?), loções

Óvulos e Supositórios

Pós

Linimentos

Tabletes Inertes: Constituídos de lactose moldada, com peso entre 100 e 300mg.

3.0 MÉTODOS DE PREPARAÇÃO DOS MEDICAMENTOS


HOMEOPÁTICOS

A preparação em si é muito simples, mas


extremamente trabalhosa e exige muitos cuidados. É necessário usar um frasco
separado para cada diluição e, após cada diluição, o medicamento é agitado por
cem vezes. O processo de agitação chama-se sucussão, uma agitação vertical forte
e vigorosa contra um anteparo de consistência firme. Esse processo de diluições e
sucussões sucessivas, quando realizado manualmente é chamado de Método
Hahnemaniano.
24

Existem outros métodos menos precisos de


preparo de medicamentos, como o Método Korsakov que utiliza um único frasco
para todas as diluições e dinamizações, e o Método de Fluxo Contínuo, onde o
medicamento é preparado por um aparelho que faz a diluição e a agitação ao
mesmo tempo . Este último também é usado para o preparo de altas diluições,
geralmente acima de 1000. Tem - se três escalas diferentes de diluição: a
Centesimal Hahnemaniana (CH), a Decimal (D ou X) e a Cinquenta Milesimal (LM ).
Método Hahnemanniano: Escalas Centesimal e Decimal.

Em drogas solúveis:

a. ponto de partida - forma farmacêutica básica (tintura mãe), dinamização anterior


ou droga solúvel em insumo inerte hidroalcoólico a 20%, no mínimo, sendo
obedecidas as escalas centesimal e decimal respectivamente.

b. insumo inerte - etanol nas diferentes graduações. Nas três primeiras


dinamizações para a escala centesimal e nas seis primeiras para a escala decimal,
será empregado etanol com o mesmo título etanólico da tintura mãe. No caso
específico de drogas de origem mineral, ou químico-farmacêutica, será empregado
etanol, no mesmo título etanólico de seus dissolventes iniciais. Nas preparações
intermediárias, como para as de estoque, será empregado etanol 70%. Para a
dispensação, quer na escala centesimal ou decimal, será utilizado etanol 30%, ou
outro álcool conforme a prescrição médica ou ainda água destilada.

c. número de frascos - tantos quantos forem as dinamizações a serem preparadas.

d. volume - o líquido a ser dinamizado deverá ocupar 2/3 da capacidade do frasco


utilizado na preparação.

e. número de sucuções: 100

O processo: Diluição e sucussão, manual ou mecânico.

a. manual - a sucussão será executada através de movimento contínuo e ritmado,


no sentido vertical, com antebraço, de modo que produza choque do fundo do frasco
contra um anteparo semi-rígido.

b. mecânico - a sucussão será feita em máquina que mantenha as características do


processo manual.

Técnica:
a. dispor sobre a bancada todos os frascos necessários para atingir a dinamização
desejada.
25

b. colocar em cada frasco o volume de insumo inerte na proporção indicada


respectivamente nas escalas centesimal e decimal.

c. acrescentar no primeiro frasco uma parte do ponto de partida e sucussionar 100


vezes. Obtêm-se assim 1 CH ou 1 DH.

d. transferir para o segundo frasco uma parte da 1 CH ou 1 DH e sucussionar 100


vezes. Obtêm-se assim a 2 CH ou 2 DH.

e. transferir para o terceiro frasco uma parte da 2 CH ou 2 DH e sucussionar 100


vezes. Obtêm-se assim a 3 CH ou 3 DH.

f. proceder de forma idêntica para as preparações subseqüentes até atingir a


dinamização desejada.

Conservação: recipiente de vidro âmbar bem fechado, protegido do calor e da luz


direta.

Prazo de validade: determinado dependendo do caso.

Em drogas insolúveis

Ponto de partida:

Quando sua solubilidade for inferior a 10% no insumo inerte líquido e qualquer droga
na preparação LM.

Insumo inerte: lactose para fase sólida e etanol em diferentes graduações para a
fase líquida.

Processo: trituração para fase sólida, diluição e sucussão para a fase líquida
(manual ou mecânica).

Técnica:

a. dividir a quantidade total de lactose a ser utilizada em três partes iguais. Uma
parte da primeira terça parte de lactose será colocada em gral de porcelana e
triturada para tapar os poros do gral. Sobre este coloca-se o insumo ativo a ser
triturado, obedecendo a escala centesimal ou decimal e o restante da primeira parte
da lactose.

b. homogeneizar com espátula de porcelana ou de aço inox .

c. triturar vigorosamente durante 6 minutos.


26

d. raspar, com espátula de porcelana ou de aço inox, o triturado aderido ao gral e ao


pistilo, durante 4 minutos, homogenizando-o.

e. triturar vigorosamente o resultante durante 6 minutos, sem o acréscimo de


lactose.

f. raspar o triturado durante 4 minutos.

g. acrescentar a segunda terça parte de lactose.

h. triturar vigorosamente durante 6 minutos.

i. raspar o triturado durante 4 minutos.

j. triturar vigorosamente durante 6 minutos, sem acréscimo de lactose.

k. raspar o triturado durante 4 minutos.

l. acrescentar o último terço de lactose.

m. triturar vigorosamente o resultante, durante 6 minutos.

n. raspar o triturado durante 4 minutos.

o. triturar vigorosamente o resultante, durante 6 minutos.

p. raspar o triturado durante 4 minutos.

q. esse triturado será acondicionado em frasco bem fechado e protegido da luz solar
direta, recebendo o nome da substância medicinal e a designação do primeiro
triturado: 1/100 ou 1/10.

Exemplo: Petroleum 1 CH trit. ou Petroleum 1 DH trit.

r. para a obtenção do segundo triturado, 1/10.000 ou 1/100, usar como insumo ativo
uma parte do primeiro triturado, para cem ou dez partes de lactose (respectivamente
na escala centesimal ou decimal), repetindo-se o procedimento anterior (itens “c” a
“p”).

s. esse triturado será acondicionado em frasco bem fechado e protegido da luz solar
direta, recebendo nome da substância medicinal e a designação de segundo
triturado 1/10.000 ou 1/100.

Exemplo: Petroleum 2 CH trit. ou Petroleum 2 DH trit.


27

t. para a obtenção do terceiro triturado, 1/1.000.000 ou 1/1000, usar como insumo


ativo uma parte do segundo triturado, para cem ou dez partes de lactose
(respectivamente na escala centesimal ou decimal), repetindo-se o procedimento
anterior (itens “c” a “p”).

u. esse triturado será acondicionado em frasco bem fechado e protegido da luz solar
direta, recebendo nome da substância medicinal e a designação de terceiro triturado
1/1.000.000 ou 1/1.000.

Exemplo: Petroleum 3 CH trit. ou Petroleum 3 DH trit.

v. no caso de trituração na escala decimal (DH), para a obtenção das triturações


subseqüentes, repetir o procedimento anterior até a obtenção da sexta trituração
(itens “c” a “p”).

w. para solubilizar a terceira trituração CH ou a sexta trituração DH, dissolver uma


parte da trituração em 80 partes de água destilada. Completar com 20 partes de
álcool 96% e sucussionar 100 vezes, obtendo assim a 4 CH ou 7 DH em solução
hidroalcoólica 20. A preparação com este grau de dinamização não será estocada.
As demais dinamizações serão preparadas em solução hidroalcoólica a 70%, para
estocar, e solução hidroalcoólica a 30%, para dispensar. Conservação: recipiente de
vidro âmbar, bem fechado, protegido do calor, da umidade e da luz direta.

Prazo de validade: a ser determinado dependendo do caso.

Escala Cinqüenta Milesimal

a. Ponto de partida: droga mineral ou biológica, vegetal ou animal, sempre que


possível no estado fresco. Excepcionalmente, poderá ser utilizada a tintura mãe,
tendo sua força medicamentosa corrigida.

Exemplo: uma TM (tintura mãe) a 10% tem força medicamentosa de 1/10, ou seja,
uma parte da droga está contida em 10 partes de TM. Para a primeira trituração
centesimal, colocar 10 partes da TM para 100 partes de lactose.

b. Insumo inerte: lactose para a fase sólida e etanol em diferentes graduações para
a fase líquida.

c. Número de frascos: para a fase líquida, tantos frascos quantas forem as


dinamizações a serem preparadas.

d. Volume: para a fase líquida, o líquido a ser dinamizado deverá ocupar 2/3 da
capacidade do frasco utilizado na preparação.
28

e. Número de sucussões: 100.


Processo: para a fase sólida, trituração; para a fase líquida, diluição e sucussão
(manual ou mecânica).

Técnica:
a. Primeira etapa: trituração da droga até 3 CH trit, conforme técnica já explicada.

Observação: caso a substância seja a tintura mãe, fazer a correção da força


medicamentosa e evaporar em temperatura inferior a 50 graus Celsius. Se a
substância a ser titulada for líquida, usar uma gota da sustância ( parágrafo 270 da
sexta edição do Organon).

b. Segunda etapa: dissolução do terceiro triturado (1/1.000.000). 63 mg do terceiro


triturado, 1/1.000.000, são dissolvidos em 500 gotas, medidas com cânula
padronizada, de uma mistura contendo uma parte de álcool 96% e quatro partes de
água destilada.

c. Terceira Etapa: preparação do primeiro grau de potência LM (1 LM) Colocar uma


gota da solução anterior em frasco de capacidade adequada. Acrescentar 100 gotas
de álcool 96%. Aplicar 100 sucussões. O frasco para potencialização será
preenchido com 2/3 do seu volume. O produto dessa operação corresponde ao
medicamento no primeiro grau de dinamização. Umedecer com uma gota do
primeiro grau de dinamização 500 microglóbulos (100 microglóbulos devem
corresponder a 63 mg). Separá-los rapidamente sobre papel de filtro e deixar secar
à temperatura ambiente. Este é um medicamento na 1 LM.

d. Quarta etapa: preparação do segundo grau de potência LM (2 LM). Dissolver um


microglóbulo da 1 LM em uma gota de água destilada. Acrescentar 100 gotas de
álcool 96%. Aplicar 100 sucussões. O frasco para potencialização será preenchido
com 2/3 do seu volume. O produto dessa operação corresponde ao medicamento no
segundo grau de dinamização. Umedecer com uma gota do segundo grau de
dinamização 500 microglóbulos (100 microglóbulos devem corresponder a 63 mg).
Separá-los, rapidamente, sobre papel de filtro e deixar secar à temperatura
ambiente. Este é um medicamento na 2 LM.

e. Quinta etapa: preparação dos demais graus de potência LM. Dissolver um


microglóbulo da LM imediatamente anterior em uma gota de água destilada.
Acrescentar 100 gotas de álcool 96%. Aplicar 100 sucussões. O frasco para
potencialização será preenchido com 2/3 do seu volume. O produto dessa operação
será o medicamento de grau de dinamização imediatamente superior. Umedecer
com uma gota do segundo grau de dinamização 500 microglóbulos (100
microglóbulos devem corresponder a 63 mg). Separá-los, rapidamente, sobre papel
de filtro e deixar secar à temperatura ambiente. Este será o medicamento na LM
correspondente.
29

Conservação: recipiente de vidro âmbar, bem fechado, protegido do calor, da


umidade e da luz direta.

Prazo de validade: a ser determinado dependendo do caso.

Método Korsakoviano (desenvolvido em situação de guerra):


Ponto de partida: medicamento na 30 CH em etanol 70%.
Insumo inerte: etanol 70% nas preparações intermediárias e etanol 30% na
dispensação.
Número de frascos: frasco único.

Volume: o líquido a ser dinamizado deverá ocupar 2/3 da capacidade do frasco


utilizado na preparação.

Escala: não definida.

Número de sucussões: 100

Processo: diluição e sucussão, manual ou mecânico.


Técnica: colocar num frasco a quantidade suficiente de medicamento na 30 CH, de
modo que ocupe 2/3 de sua respectiva capacidade. Emborcar o frasco, deixando o
líquido escorrer livremente por 5 segundos. Adicionar o insumo inerte na quantidade
previamente estabelecida e sucussionar por 100 vezes. O líquido resultante desta
seqüência de operações corresponde a 31 K. Repetir este procedimento para obter
dinamizações subseqüentes. A dispensação do medicamento preparado, segundo o
método korsakoviano, deve se dar a partir de 31 K até 100.000 K, como limite
máximo. É vedada a estocagem de medicamentos preparados por este método.

Conservação: recipiente de vidro âmbar, bem fechado, protegido do calor e da luz


direta.
Prazo de validade: a ser determinado, dependendo do caso.

Método de Fluxo Contínuo:

Ponto de partida: medicamento na 30 CH, em etanol 70%.

Insumo inerte: água obtida por destilação, bidestilação, desionização, filtração


esterilizante ou osmose reversa.

Número de frascos: câmara de dinamização única.


Controle de vazão: fluxo contínuo e constante que garanta a obtenção da
preparação.
Escala: não definida.
30

Número de sucuções: 100 sucussões, correspondentes a 100 rotações. Processo:


diluição e turbilhonamento mecânico.

Características obrigatórias do equipamento:

a. a câmara de dinamização deve possuir características que garantam a qualidade


da preparação, de acordo com o manual do equipamento.

b. a entrada de água deve ocorrer junto ao centro do vértice do líquido em


dinamização, de forma que a água que entra na câmara seja turbilhonada antes de
ser expulsa.

c. o grau de dinamização desejado será função do tempo necessário para a sua


obtenção. Alcançado o tempo definido, desligar simultaneamente a entrada de água
e o motor do aparelho.

d. todo o dinamizado será retirado da câmara para que sejam feitas, a seguir, duas
dinamizações hahnemannianas em álcool a 70%, para estocagem.

e. Interromper o processo sempre duas dinamizações anteriores das citadas a


seguir: 200 FC, 500 FC, 1 MFC, 5 MFC, 10 MFC, 50 MFC e 100 MFC.

Técnica:
a. adicionar o volume do medicamento de partida equivalente à capacidade total da
câmara do aparelho, respeitando a proporção 1:100. A entrada de água e a rotação
do motor serão acionados simultaneamente.

b. a dinamização inicia-se sempre com a câmara cheia. c. o processo será reiniciado


com a última dinamização hahnemanniana em que ele foi interrompido, em água,
respeitando a proporção 1:100, no volume correspondente à capacidade total da
câmara. d. acionar então a água e o motor simultaneamente. A dispensação do
medicamento preparado segundo o método de fluxo contínuo deve-se dar a partir de
200 FC até 100.000 FC como limite máximo. Conservação: recipiente de vidro
âmbar, bem fechado, protegido do calor e da luz direta.

Prazo de validade: a ser determinado dependente do caso.

3.1 FORMAS FARMACÊUTICAS EM HOMEOPATIA:

De Uso Interno
31

Formas Farmacêuticas Líquidas

Dose Única Líquida

Quantidade limitada de medicamento líquido a ser tomado de uma só vez.

-Veículo: normalmente água podendo a critério médico ser em graduação alcoólica


baixa.

-Volume: de acordo com o desejado.Quando não especificado, serão dispensadas 2


gotas do medicamento, na dinamização desejada, em 1ml do insumo inerte.

Preparação Líquida Administrada sob a forma de gotas

São preparações hidroalcoólicas de diferentes graduações a ser administrado sob a


forma de gotas.

-Veículo:água a álcool de diferentes graduações.

-Volume: de acordo com o desejado

Formas Farmacêuticas Sólidas

Comprimidos
Os comprimidos se apresentam com peso compreendido entre 100 e 300mg.

-Impregnação:
-Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em solução
hidroalcoólica com graduação igual ou superior a 70%(p/p).
-Impregnar os comprimidos inertes com insumo ativo líquido, na proporção de 10%
(v/p).

-Secagem: a secagem será executada separadamente, medicamento a


medicamento, em T < 50° C.

Dose Única Sólida

Quantidade : conforme receita


-Preparação: a dose única sólida será impregnada com 2 gotas de insumo ativo.

-Dispensação:
. comprimidos: 1 comprimido
. glóbulos: 5 glóbulos
32

. pó: 1 papel (0,5g)


. tablete: 1 tablete

Glóbulos
Os glóbulos se apresentam sob a forma de pequenas esferas com pesos de
30mg(nº 3), 50mg(nº 5) e 70mg(nº 7), constituídos de sacarose ou mistura de
sacarose e lactose.

-Preparação:
-Impregnação:
.Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h. com graduação
igual ou superior a 70%(p/p).

.Impregnar pelo método da tríplice impregnação, com o insumo ativo, os glóbulos


inertes, na proporção de 10%(v/p).

-Secagem: a secagem será executada separadamente, medicamento a


medicamento, em T < 50° C.

Pós(papéis)
Os pós de uso interno serão constituídos de insumo ativo, na dinamização desejada,
veiculadas em lactose, com peso unitário de 300 a 500mg.

-Preparação: Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h.


com graduação igual ou superior a 70%(p/p).

-Impregnar a lactose com insumo ativo líquido, na proporção de 10%(v/p).

Tabletes

Os tabletes se apresentam com peso compreendido entre 100 e 300mg, sendo


preparados por moldagem da lactose em tableteiro, sem a adição de coadjuvantes.

Preparação:
-Impregnação:
.Preparar tabletes inertes, por moldagem da lactose, em tableteiro, dando o ponto de
moldagem com quantidade suficiente de solução hidroalcóolica a 70%(p/p).

.Preparar o insumo ativo líquido, na dinamização desejada, em s.h. com graduação


igual ou superior a 70%(p/p).

.Impregnar estes tabletes com insumo ativo,na proporção de 10%(v/p).


33

Secagem: a secagem será executada separadamente, medicamento a


medicamento, em T < 50° C.

De uso Externo:

Linimentos:

Insumo ativo: TM ou matriz a 10%(v/v)


Insumo inerte: Soluções hidroalcoólicas , óleos e bases emulsionáveis

Gliceróleo

Insumo ativo: TM ou matriz(10% v/v)


Insumo inerte: Solução glicerinada (50% glicerina e 50% Água destilada)

Pseudo-hidrolatos:

Insumo ativo: TM ou matriz(10% v/v)


Insumo inerte: Solução glicerinada (5% glicerina e 95% Solução hidroalcoólica a
10%)

Solução oftálmica(somente as farmácias com área de manipulação estéril)

Insumo ativo: TM ou matriz(1% v/v)


Insumo inerte: Soro fisiológico

Soluções otológicas:

Insumo ativo: TM ou matriz(10% v/v)


Insumo inerte: Solução glicerinada, hidroalcoólicas e outras

Solução Nasal

Insumo ativo: TM ou matriz(5% v/v)


Insumo inerte: Solução glicerinada obedecendo aos critérios de pH e tonicidade

Cremes, géis, pomadas e loções

Insumo ativo: TM ou matriz(10% v/v)


Insumo inerte: conforme o caso acima formulas padrões neutras dos veículos acima

Óvulos e supositórios

Insumo ativo: TM ou matriz(10% v/p)


34

Insumo inerte: Gelatina glicerinada e manteiga de cacau preferentemente. Nos


supositórios preferentemente a manteiga de cacau

Pós para uso externo

Insumo ativo: TM ou matriz(10% v/p)


Insumo inerte: Amidos, carbonatos, silicatos

Sabonetes, Condicionadores e Shampoos

Insumo ativo: TM ou matriz(2 a 5% v/p)


Insumo inerte: fórmulas padrões de sabonetes líquidos, barras, condicionadores e
shampoos

3.2 APRESENTAÇÃO DOS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS E


SEUS RECIPIENTES

Os medicamentos homeopáticos geralmente


são apresentados em glóbulos, comprimidos, em líquido(gotas ou doses únicas), ou
em tabletes, mas também podem ser prescritos em pó (papéis), sob a forma de
pomadas ou cremes, e até mesmo sob a forma injetável. Os glóbulos e os
comprimidos devem ser dissolvidos na boca como bala; devem ser passados do
frasco para a tampa e desta diretamente para a boca, sem contato com as mãos.
Nas preparações líquidas, as gotas podem ser pingadas diretamente na língua ou
podem ser diluídas em um pouco de água filtrada. As preparações em forma de
papéis também devem ser diluídas em um pouco de água filtrada. A dose, o
intervalo entre as doses e a potência do medicamento prescrito, independem da
idade, sexo, peso corpóreo, etc., e sua definição é de competência médica.

Recipientes

Tradicionalmente a forma de dispensar os


medicamentos homeopáticos é o vidro âmbar, podendo ser também vidro
Transparente COM PROTEÇÃO CONTRA LUZ OU PLÁSTICO DESDE QUE DE
POLIETILENO DE ALTA DENSIDADE, POLIPROPILENO OU POLICARBONATO.
Outros materiais:
Papel : branco impermeável, tipo perola
Tampas: polietileno ou polipropileno
Batoques: mesmo material da tampas.
Cânulas: padrão de vidro ou plásticos conforme o descrito nas embalagens
Bulbos: látex, silicone ou polietileno, não deve ser usado a borracha.
35

Lavagem, secagem e inativação:

O ideal na homeopatia é a utilização de materiais


virgens caso isto não seja possível segue algumas dicas:

Vidros(desde que não usados para tinturas): Lavar em água corrente –


inativar(esterilizar??) em autoclave a 120° C e 1 atm por 30 min ou em estufa seca
por 30min a 180° C ou 1hora a 140° C.

3.3 NOMENCLATURA EM HOMEOPATIA

O nome do medicamento deve ser escrito em latim


conforme a nomenclatura botânica. Primeira letra maiúscula e as demais
minúsculas.
Ex.: Platina 200FC.......................Dose Única 10 glóbulos

No caso de medicamentos que não possuem somente mais de uma espécie ou tipo,
não há necessidade de se especificar o segundo nome.
Ex.1: Lycopodium clavatum = Lycopodium
Ex.2: Calcarea carbonica, Calcarea phosphorica, Calcarea sulphurica,

2)Abreviações:
São permitidas as abreviações desde que não levem a interpretação errônea do
medicamento.
Ex.1: Natrum mur. (muriaticum) T.K.(Tubercullinum Koch)
Ex.2: Bell (Belladonna)
Bellis (Bellis perenis)

3)Sinônimos:
É fundamental que a farmácia possua para consultas diárias um ou mais dicionários
de sinônimos, lembrando que muitas vezes o médico lança mão da sinonímia para
poder usar o mesmo medicamento sem que o paciente perceba.
Nestes casos a farmácia em hipótese alguma deverá fazer comentários com o
paciente sobre o medicamento, levando o paciente a inseguranças em relação ao
seu tratamento
.
Ex.: Lachesis mutus = Mutus
Sepia succus = Sepia officinalis
Silicea = Silicea terra
Narduus celtica = Arnica montana
Colubrina = Nux vomica
Pes leoninus = Lycopodium
36

Herba venti = Pulsatilla nigricans


Depuratum = Sulphur
Oophorinum = Ovarium
Ovarinum = Ovarium

4)Como Deve Ser A Receita Homeopática:


A receita deverá conter:
-Nome completo do medicamento, - Potência desejada,
- Escala, -Quantidade, - Forma farmacêutica, - Posologia, - Tempo de uso,
- Caso o medicamento precise de algum cuidado especial e relação à conservação,
horário para ser usado, dieta a ser seguida, etc, deverá constar de forma clara,
cabendo a farmácia salientar o que foi escrito.
- Dados do médico.

3.4 A CONSULTA HOMEOPÁTICA

Em uma consulta homeopática o homeopata


escuta, interroga, observa e examina o paciente, para obter a totalidade dos
sintomas, por isso o médico homeopata deve conhecer a fundo a matéria médica
homeopática e as técnicas que permitem obter do paciente todos os sintomas. As
sensações de dor, por exemplo, devem ser qualificadas quanto a sua natureza
(pulsátil, ardente, lancinante) quanto a sua intensidade, espécie e hora do
surgimento. É feito fichas clinicas nas quais são anotados os sintomas clínicos de
cada paciente. Na semiologia homeopática evita – se perguntas que induzem
respostas de opção. A totalidade dos sintomas traduz o modo como cada doente se
manifesta diante das sugestões independente do diagnóstico patológico (SOARES,
1997).

Para o médico homeopata, a clínica é soberana,


antes de ser homeopata tem de ser Clínico Geral, que se utiliza de sua experiência e
conhecimento para detectar sintomas pela ausculta, tato, visão e etc. Assim localizar
o fator desencadeante do estado atual de seu paciente e a gravidade deste estado,
através de história clínica detalhada, exame físico e laboratoriais, se forem
necessários. O homeopata sabe, antes de tudo, que sempre ocorre em primeiro
lugar, o desequilíbrio do ser como um todo, a pessoa perdeu sua sintonia fina com a
vida, a harmonia do funcionamento dos órgãos, se debilitou, a saúde ficou
prejudicada, o mal se instalou e a dor chegou. Nesta perda de sintonia, então o
início da enfermidade, manifestada em cada um de forma peculiar, da mesma forma
que não há um ser humano sequer, integralmente igual a outro.

Na Homeopatia não existe um remédio específico para alergias, asma, infecções,


etc. O que existe é o tratamento para o “paciente” alérgico, para o “paciente”
asmático. Identificando sua maneira peculiar e especial de sofrer.

Características do Atendimento Homeopático:


37

1. O paciente é considerado em sua Totalidade, ou seja: A Homeopatia trata o


doente para que a doença seja curada ou melhorada.

2. A Homeopatia resgata a figura do médico clínico geral, e do médico de família.

3. Mesmo um especialista-homeopata (pediatra, ginecologista, p.ex.), não perde a


visão de conjunto para medicar.

4. A Relação médico-paciente é forte na Homeopatia, porque o médico se abre para


ouvir o sofrimento humano e não apenas os sintomas da doença.

5. As medicações homeopáticas podem provocar mudanças radicais nos sintomas,


são drogas poderosas dependendo da suscetibilidade ou idiossincrasia do paciente,
portanto devem ser tomadas com critério e acompanhamento médico.

6. A Homeopatia tem princípios teóricos e científicos próprios baseados na


experimentação e não deve ser confundida com outras áreas como Fitoterapia,
Acupuntura, Florais, Cromoterapia, etc....

3.5 CUIDADOS COM O MEDICAMENTO HOMEOPÁTICO

Os medicamentos homeopáticos devem ser


conservados ao abrigo do calor, umidade, energia eletro-magnética de qualquer
natureza emitidas por aparelhos eletro-domésticos, radiações, odores fortes. Por
isso os medicamentos não devem ser guardados junto com medicamentos
alopáticos, principalmente os que contenham cânfora (a cânfora pode inativar o
medicamento) em sua composição, nem devem ser colocados na frente da
televisão, nem guardados em bolsas com perfume ou cigarros, ou deixados nos
carros. Esses cuidados devem ser tomados pelos pacientes que fazem uso desses
medicamentos e esses cuidados devem ser esclarecidos pelo farmacêutico no ato
da dispensação do medicamento pronto, aí se da a importância da atenção
farmacêutica na homeopatia

3.6 ATENÇÃO FARMACÊUTICA

A atenção farmacêutica consiste na provisão


responsável da farmacoterapia com o propósito de alcançar resultados concretos
que melhorem a qualidade de vida do paciente, busca encontrar e resolver de
maneira sistematizada e documentada todos os problemas relacionados com os
medicamentos que apareçam no transcorrer do tratamento do paciente, compreende
a realização do acompanhamento farmacológico do paciente, com dois objetivos
principais: responsabilizar-se com o paciente para que o medicamento prescrito pelo
médico tenha o efeito desejado e estar atento para que ao longo do tratamento as
38

reações adversas aos medicamentos sejam as mínimas possíveis, e no caso de


surgirem, que se possa resolvê-las imediatamente (PERETTA, 1998).
É um conceito de prática profissional em que o paciente é o mais importante
beneficiado das ações do farmacêutico. A atenção farmacêutica, mais proativa,
rejeita uma terapêutica de sistemas, busca a qualidade de vida, e demanda que o
farmacêutico seja um generalista. O exercício profissional do farmacêutico passa
hoje pela concepção clínica de sua atividade, sua integração e colaboração com o
restante da equipe de saúde e o cuidado direto com o paciente; o que então vem a
ser chamado de cuidado, assistência ou Atenção Farmacêutica (id.,ibidem).
A Atenção Farmacêutica constitui uma nova filosofia de exercício profissional
farmacêutico. Não existe, porém, uma concepção concreta da prática de tal
conceito, isso então permite a cada farmacêutico uma certa flexibilidade para
adaptar a provisão da Atenção Farmacêutica à sua realidade, seus próprios recursos
e habilidades, procurando sempre uma farmacoterapia racional, segura e custo-
efetiva para o cuidado do paciente. Além disso, a variabilidade enorme de
patologias, unido à ampla disponibilidade terapêutica, oferece múltiplas
possibilidades de abordagem e resolução de um mesmo caso (id.,ibidem).

O que se deve ter em mente quanto a este modo de


exercício profissional, é que a qualidade dos resultados se mede diretamente pela
melhora da qualidade de vida oferecida ao paciente. E essa melhora deve ser obtida
pela otimização da terapia medicamentosa e resolução dos problemas relacionados
aos medicamentos. O que se propõe não é o exercício do diagnóstico ou da
prescrição de medicamentos considerados de responsabilidade médica, mas a
garantia de que esses medicamentos venham a ser úteis na solução ou alívio dos
problemas do paciente (id.,ibidem).

As fases do processo de atenção farmacêutica,


segundo Peretta, 1998, são: estabelecer a relação farmacêutico-paciente; recolher,
sintetizar e analisar a informação relevante; listar e classificar os problemas
relatados pelo paciente e identificados na anamnese; estabelecer o resultado
farmacoterapêutico desejado para cada problema relacionado com o medicamento;
determinar as alternativas terapêuticas disponíveis; eleger a melhor solução
farmacoterapêutica e individualizar o regime posológico; desenvolver um plano de
monitorização terapêutica; Iniciar o tratamento individualizado e o plano de
monitorização; realizar o seguimento para medir o resultado.

4.0 FORMAS DE PRESCRIÇÃO EM HOMEOPATIA

A seguir relatamos exemplos de prescrições em


homeopatia.

Arnica Montana 6CH .........20mL álcool 5%

Belladona 6C Phytolacca decandra 7C ãã 20mL


39

Lycopodium clavatum 6LM 1 vidro

Pulsatilla nigricans 2LM 150ml

Nux vomica 0/1 30ml

Nux vomica 4CH p/60ml

Nux vomica 11D 0/30 30mL

Nux vomica 200CH dose única

Pulsatilla 30CH XX/30ml Álcool 30%

Aconitum nap 24CH X/X/20

Aconitum nap 15CH 1% - 30 mL Álcool a 30%

Ferrum phosp 3 CH + Natrum muriaticum 30CH aa 1% - 30ml - alcool 15%

4.1 CONTROLE DE QUALIDADE EM FARMACIA HOMEOPÁTICA

1. Insumos inertes
2. Insumos ativos
3. Formas farmacêuticas derivadas – Produto acabado
4. Embalagens

1- INSUMOS INERTES

A- Controle Físico – químico


∙ Descrição
∙ Teor
∙ PH
∙ Solubilidade
∙ P.E/P.F.
∙ Densidade
∙ Acidez ou alcalinidade
∙ Presença de cloretos, sulfatos, nitratos, subs. Oxidáveis, etc

B- Controle microbiológico: bactérias patogênicas, fungos, leveduras

2- INSUMOS ATIVOS
40

Matéria-prima de origem vegetal

- Identificação botânica(comparação com espécies do herbário)


- Caracteres macroscópicos e microscópios
- Parte utilizada de acordo com a farmacopéia empregada
- Época do ano, estado da planta, condições atmosféricas de coleta
- Material fresco ou seco
- Lugar da coleta
- Droga nativa ou aclimatada
- Identificação e doseamento dos principais princípios ativos

Matéria- prima de origem animal

- Identificação zoológica
- Parte utilizada de acordo com a farmacopéia empregada
- Época do ano, estado do animal, idade e condições de coleta
- Animal vivo ou morto, fresco ou dessecado
- Local de coleta
- Animal silvestre ou de cativeiro
- Identificação e doseamento dos principais ativos

Matéria- prima de origem animal ou química

- Identificação química e doseamento


- Determinação de constantes físicas
- Identificação de possíveis impurezas

Tintura – mãe

- Características organolépticas
- Reações de identificação
- Ensaios: resíduo seco
- Título etanólico
- Cromatografia em camada delgada
- Dosagem de princípios ativos
- Análise capilar
-Controle Microbiológico

5.0 ADMINISTRAÇÃO DE FARMÁCIA HOMEOPATICA


41

Da Abertura:
- Escolha do imóvel com orientação da Vigilância Sanitária
- Consulta na prefeitura sob condições do imóvel
- Contratação de um contador
- Realização do Contrato Social e encaminhamento à Junta Comercial
- Reformas necessárias(linha telefônica)
- Após a liberação na JC, encaminhamento à Prefeitura e VS
- Expedição de Alvarás da PM e VS
- Complementação da documentação
- Abertura

2. Da Estruturação:

2.1)A Farmácia como um todo:

 Papel do administrador:

- Definição das características da farmácia: número de funcionários por setor, tipos


de produtos a serem comercializados,dinâmica do atendimento e laboratório, perfil
dos fornecedores, controle de caixa, etc.
 Atividades a serem executadas:

- Como atender, como manipular, como comprar e vender, como limpar e manter,
como resolver as dificuldades surgidas, como trabalhar com o médico homeopata,
como lidar com os clientes, etc.

 Planejamento das ações: curto, médio e longo prazo.

- As ações de curto prazo são aquelas realizadas de imediato ligadas


exclusivamente à rotina, como abertura e fechamento de loja, emissão de notas
fiscais, documentação fiscal, horários dos funcionários, que em parte serão
previamente programadas, e em parte serão estruturadas com o dia da farmácia. As
compras iniciais e lay out da loja, entre outras.

- Já as de médio prazo, envolvem um maior detalhamento e conhecimento, como


reposição de estoques, visitação médica, desenvolvimento de novos produtos,
compra de equipamentos, marketing, entre outras.

- As ações de longo prazo vão incluir a metas desejadas tais como o quanto se
pretende crescer e em quanto tempo, abertura de filiais, extensão da linha de
produtos, marketing institucional e promocional (participação em eventos),
publicações para médicos e clientes, ações da qualidade(técnicas e administrativas).

 Formação de equipe:
42

- Definição dos cargos a serem preenchidos com os requisitos necessários a cada


um.
- Definição de salário e horário. Grau de compremetimento.
- Contratação.
- Treinamentos individuais e de equipe.

 Objetivos:

- A farmácia deve se estruturar para cumprir seu papel social de prestação de


serviços de boa qualidade à comunidade em que atua, não abrindo mão das metas
traçadas e nem se esquecendo de que é um estabelecimento comercial, e como tal,
deve ter lucro.

2.2)A Farmácia vista por setores:

 Atendimento/Balcão

- De acordo com a descrição de cargos, foi realizada a contratação e dado o


treinamento necessário para o exercício da atividade. Orientações sobre aparência e
conduta junto aos médicos e clientes é fundamental. Uniforme.

- Deve-se também observar a dinâmica entre o atendimento e laboratório evitando


assim a marcação de receitas para horários inadequados.

- Cordialidade, educação, conhecimento dos "produtos de prateleira", para a devida


orientação ao cliente.

- Orientações sobre como lidar com os médicos e o esclarecimento de dúvidas tanto


quanto a receita quanto ao medicamento.( Previamente definidas pelo
Farmacêutico)

 Escritório/Administração

- Deverá ser reservado um pequeno ambiente para as tarefas mais discretas tais
como: conferência de caixa, contatos telefônicos com fornecedores, ligações para
clientes e médicos quando necessário, etc.
- É muito importante também a distribuição de NF de entrada e saída, além de uma
pasta que reúna os documentos a serem enviados ao contador. Uma gaveta
com chave é interessante.

 Laboratório de Manipulação

- Apesar da disposição interna ficar totalmente à vontade do


farmacêutico/proprietário, toda a montagem deve ser orientada pela VS, para evitar
problemas na hora da vistoria. Importante também são os cuidados hoje exigidos
43

pela Medicina Ocupacional através de programas do tipo PCMSO, Prevenção de


Acidentes, e outros. Procure planejar um ambiente que disponha de cadeiras ou
bancos, bancadas em altura padrão, quinas arredondadas, ambiente claro e
ventilado, com temperatura controlada.
- Dê preferência a armários de portas, não muito altos, de fórmica para facilitar a
limpeza. Piso lavável é imprescindível.

 Almoxarifado

- À medida que a farmácia cresce surge o problema de estocagem. Previne-se já


reservando um ambiente exclusivo ao armazenamento de embalagens, materiais de
uso em geral(materiais de papelaria, de limpeza) tudo de forma separada e
organizada. A limpeza deste setor deve ser rigorosa. Instale um extintor de incêndios
e cuidado com a estocagem do álcool.
- Adote um sistema de etiquetas do lado de fora das caixas, com a quantidade inicial
e a data. Sempre que retirar alguma unidade, anote a data e o novo total. Assim,
rapidamente você terá um controle de estoque.

 Setor de Limpeza e Esterelização

- Além das exigências da VS lembre-se que vai precisar de lavar os frascos virgens
o que ocupa um bom espaço. A vidraria de uso também cresce rapidamente.
Escolha uma pia grande, fechada embaixo, com gavetas para guardar pipetas,
provetas, espátulas, etc., tudo forrado e limpo.
- A estufa também deverá prever um crescimento, portanto escolha um modelo
maior, de alta potência.

 Anexos

- Aqui pensamos em banheiros, que no caso de equipe mista, necessitará de


2(masculino e feminino). Área de descarte(caixas, vasilhames). Se o ambiente
permitir, monte uma pequena cozinha, é muito útil.

3)Ferramentas para a Administração:

 Programa de Qualidade Total: por quê adotar?

 Treinamentos de equipe: depois do cliente, é o mais importante para a empresa.

 Indicadores: acompanhamento de todos os passos.

 Suporte de Informática: coleta e avaliação de dados, literaturas médicas, folhetos


para clientes, controle de produção e estoque, controle de caixa, etc.
44

 ISO 9002: ao alcançe de todos.

4)Papel do Farmacêutico

 Estabelecer o perfil do negócio: "empreendedor"

 Definir estratégias de mercado: para crescer

 Conscientizar a equipe: atuar lado a lado, sem perder o perfil empreendedor.

6 . HOMEOPATIA - A MEDICINA BIOENERGÉTICA?

Como tudo, no Universo, o Campo Bioenergético


sempre está sujeito às mais diversas situações e interações - influências exteriores a
ele, de qualquer natureza - o que, às vezes, faz com que funcione mal ou apresente
anomalias. Essas situações anômalas refletir-se-ão, como é fácil de se perceber, no
funcionamento da parte psico-fisiológica do organismo - o corpo e a mente - o que,
em outras palavras, de uma maneira mais popular, chamamos de doenças ou
enfermidades e, em termos técnicos, de patologias.

Como já vimos no início, a Medicina Alopática propõe-


se a tratar apenas da parte material, ou seja, do órgão afetado. Mais uma vez, a
Alopatia volta-se para os efeitos, talvez por fazer questão cerrada de desconhecer
as causas. Trata - ou procura tratar - do órgão, mas não trata da causa primária de
tudo, ou seja, da anomalia existente no Campo Bioenergético, anomalia essa, que,
em última análise, é a causa primeira do estado patológico, qualquer que seja ele.

A Medicina Homeopática é justamente aquela que


busca tratar da causa primeira, ou seja, do Campo Bioenergético, sendo, por este
motivo, por mim chamada de Medicina Bioenergética.

De acordo com o que preconiza a Medicina Homeopática, toda e qualquer doença


tem as seguintes fases:

a. Bioenergética
b. Biológica
c. Funcional
d. Lesional (lesão)
e. Morte

a. FASE BIOENERGÉTICA:
45

O ser humano, no seu dia-a-dia, recebe energia de


diversas fontes - alimentação, respiração, luz solar, energia cósmica, etc - para
manter-se vivo. Além de receber energias de diversas origens, recebe, também,
diversas agressões, provenientes do próprio relacionamento social, da poluição
ambiental - em todos os níveis - das alterações alimentares, climáticas, cósmicas,
etc. Por esse motivo, o ser humano entra numa fase de choque e o seu campo
bioenergético é perturbado, provocando um desequilíbrio psico-emocional, como
conseqüência dessa perturbação. Em razão disso, surgem diversas situações
mórbidas, tais como, raiva, revolta, ansiedade, fobias, histeria, insônia, depressão,
etc.

É aí, então, nesta situação de desequilíbrio e de perturbação do campo


bioenergético, que vamos encontrar a causa primeira de todos os futuros males de
que sofrem os seres humanos - se a este nível de manifestação não forem tratados,
no momento oportuno.Em outras palavras, o desequilíbrio, por perturbação do
campo bioenergético é a causa primeira de todas as doenças.

Nesta fase, o desequilíbrio do campo bioenergético


provoca, no organismo, a desorganização psico-neuro-hormonal. Esta
desorganização provocará a emissão de ordens erradas às células dos diversos
órgãos-alvo.

A potência biopsicoenergética diminuiu,


desvitalizando, assim, as funções do comando cerebral. A partir do comando
cerebral desvitalizado, surgem alterações nos impulsos eletronervosos e na
segregação hormonal das glândulas endócrinas.

O cérebro e as glândulas endócrinas são, em última


análise, a nível fisiológico, os órgãos de comando do organismo.
Estando em disfunção (agindo de maneira errada), os órgãos de comando enviam
para as células dos órgãos-alvo (por eles regulados) informações erradas.
Nesta fase de perturbação bioenergética, os órgão de comando e os órgãos-alvo
entram numa hipofunção (função abaixo do normal) e ficam, assim, criadas as
condições propícias para as perturbações biológicas, tanto internas quanto externas.

Nesta fase, surge o impetigo, eczema, febre de feno e alergias, nas crianças e nos
adolescentes. Chegada à idade adulta, surgem as bronquites, as pleurisias, as
pneumonias e a fraqueza do aparelho respiratório ao bacilo da tuberculose.
Surge, assim, aquilo que Hahnemann batizou de diátase tuberculínica, uma
conseqüência da supressão da psora (reação orgânica que evita e combate às
doenças - imunologia - fase da "doença latente") no adulto. Pode, também, surgir na
criança, em alguns casos. É a fase de desindução, conforme prefere nomeá-la o Dr.
Roberto Costa, médico homeopata brasileiro, residente em Curitiba.
É a fase da "doença latente".
46

b. FASE BIOLÓGICA:

É a fase de hipofunção bioenergética provocando as


alterações biológicas nas células. Como todas as células são compostas por uma
mistura de água, fluidos orgânicos, sais minerais, proteínas, lipídios, enzimas, etc,
este "caldo" nada mais é do que um fabuloso líquido eletrolítico (bom condutor de
eletricidade). Em virtude disso, ocorrem passagens iônicas no próprio interior da
célula, bem como do exterior para o interior e vice-versa.

As informações (e/ou instruções) que os órgãos de


comando enviam aos órgãos-alvo, são enviadas através dessas correntes iônicas,
ou, em outras palavras, essas informações, na realidade, nada mais são do que
impulsos elétricos - já medidos e fartamente comprovados - e são transmitidos de
célula para célula, através desse fabuloso líquido eletrolítico.

Uma das correntes iônicas mais importantes no


contexto celular é a chamada bomba sódio-potássio que é responsável pelo efeito
osmótico da célula.
As alterações iônicas da bomba sódio-potássio provocam o desequilíbrio elétrico na
passagem dos impulsos elétricos e, como conseqüência imediata, surge um
desequilíbrio biológico nas células e, por esse motivo, é alterado o anabolismo
celular, ou seja, a célula não é devidamente alimentada e, em conseqüência,
enfraquece por perda de potencial bioenergético.

Em outras palavras, há uma materialização (passagem da fase energética para a


fase orgânica) da perda psicobioenergética.

c. FUNCIONAL:

A célula entra numa fase de desorganização de suas


funções, não realizando a contento sua função anabólica, ou seja, perde a
capacidade de nutrir-se, de transformar os nutrientes provenientes da alimentação
em energia e libertar-se das substâncias não nutritivas (catabolismo), o que provoca
uma intoxicação. Assim, a célula começa a ficar sobrecarregada de substâncias
nocivas - ou seja, fica intoxicada - e, em conseqüência, começa a ficar incapacitada
para desenvolver as suas funções metabólicas e para cumprir as suas tarefas vitais,
a contento.

Nesta fase, a bioenergia entra em hiperfunção


(função acima do normal). É a resposta da capacidade vital diminuída da célula para
libertar-se das substâncias que lhe são estranhas e/ou nocivas - desintoxicação.
As pessoas, nesta fase de desequilíbrio, apresentam, muitas vezes, condilomas
(hiperplasias) de que são exemplo os furúnculos, verrugas e qualquer saliência na
superfície da pele.Isto significa que a força curativa da bioenergia está a defender o
47

equilíbrio vital dos órgãos internos e importantes para a vida.


Caso esta ação bioenergética curadora, que sempre se inicia de dentro para fora -
segundo a Lei de Hering - seja suprimida, pode resultar, nesta fase, em processos
reumatológicos, alterações genitais, anais, congestões circulatórias, incapacidade
dos emuctórios (órgãos de libertação, tais como, rins, intestinos, pulmão, etc.),
infecção e intumescimento do sistema retículo-endotelial (sistema imunitário) que
fica bastante debilitado.

Histórica e homeopaticamente, segundo Hahnemann,


corresponde à fase sicótica que é uma diátase, ou seja, fraqueza orgânica
hereditária ou congênita, que predispõe o indivíduo a contrair doenças. Segundo o
Dr. Roberto Costa, é a fase da hiperindução.
Nesta fase, já encontramos a doença crônica materializada.

d. LESIONAL:
Lesão significa doença instalada. Nesta fase,
encontramos graves alterações histológicas (no tecido do órgão).

Ocorre a morte de inúmeras células e, por conseguinte, de algumas partes do órgão


afetado. Por esse motivo, o órgão fica parcialmente inapto para realizar suas
funções vitais.
Muitas vezes, quando já existem tumores e estes vão aumentando de tamanho,
começam a comprimir outros órgãos adjacentes, afetando suas funções normais.
Perante tal condição, torna-se necessária a intervenção cirúrgica, ocorrendo, assim,
a necessidade de se apelar para a Medicina Alopática - recurso extremo, para se
salvar uma vida.

Mas nunca devemos esquecer o fato de que a


essência do ser humano é bioenergética. Assim sendo, em última análise, toda e
qualquer lesão (doença já instalada e manifestada) é apenas a conseqüência da
falta de tratamento em qualquer uma das fases anteriores.
Exatamente por esse motivo, após a cirurgia, as perturbações preexistentes no
campo bioenergético podem continuar - e habitualmente continuam - manifestando-
se como dores e/ou disfunções diversas. Este fato pode também ser comprovado,
por mecanismos bioenergéticos. Isso, além de comprovar tudo o que já temos
afirmado até o presente, indica que as metástases continuam ativas, mesmo após a
cirurgia. Eliminou-se o efeito e não a causa.
Depois do "caldo entornado", só nos resta mesmo a cirurgia.
Mas, logo após essa medida extrema, a homeopatia (ou medicina bioenergética)
tem um grande papel a desempenhar no integral restabelecimento da saúde do
convalescente.
No entanto, a homeopatia poderia ter sido utilizada bem antes da cirurgia e até
mesmo tê-la evitado.
Mas teria que ser aplicada antes de que se tivesse chegado a tal estado de
agravamento da situação, pois, depois de certa fase, não há mais jeito.
Depois que o "caldo já entornou", paciência...
Nesta fase evolutiva da doença, encontramo-nos naquilo que, em homeopatia é
48

conhecido como diátase sifilítica (destrutiva - cancerígena).


Nesta condição patológica, não há órgãos completos e em perfeito funcionamento,
isto é, órgãos intactos, que não estejam lesionados.
Desta diátase suprimida surge a diátase destrutiva (câncer).
A existência do câncer também pode estar relacionada com a diátase sicótica.
Aquele que está com a diátase sifilítica tem medo da noite.
É justamente na hora de ir para a cama que ele mais sofre.
É durante a noite que todos os sofrimentos lhe aparecem. Ele sofre com as
sudações, chegando mesmo a piorar com ela.
Nele, tudo é fétido e em decomposição. É um debilitado intelectual, um agligofrênico
(que perde a inteligência), vai-se imbecilizando aos poucos, sem o perceber.
Nesta fase, o potencial bioenergético diminuiu bastante ou está quase ausente.
Daí, ser esta fase chamada de anérgica (sem energia).
O Dr. Roberto Costa chamou-a de desindução.

e. MORTE:
Acabada a psicobioenergia, cessa a bioenergia,
cessa a vibração celular, entra em colapso a estrutura biológica, cessa a auto-
regulação, cessa a função, a dinâmica da vida e o corpo, então, começa a entrar em
decomposição, enfim, sobrevem a morte.

7.0 CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS:

POLICRESTOS:

São os remédios mais utilizados em homeopatia pela abrangência de seus efeitos,


aconselhados habitualmente para efeitos de excitação e suporte do órgão em
potências baixas (4ª, 7ª centesimal), para efeitos de drenagem e exsudação (30ª
centesimal) e para as perturbações bioenergéticas e psíquicas (200ª, 500ª, 1.000ª
centesimal) para efeitos de evolução.

ORGANOTERÁPICOS:

São os remédios homeopáticos feitos da substância do órgão, dinamizada, por


exemplo, tecido do fígado, do rim, da supra-renal, dinamizados e aconselhados,
habitualmente, em potências baixas para excitação do órgão (4ª e 5ª centesimal),
em potências médias para equilíbrio do órgão (7ª centesimal) e em potências altas
para freiar o órgão (9ª a 12ª centesimal).

NOSÓDIOS :

São os remédios feitos da substância do agente patogênico dinamizados, por


49

exemplo, bactérias, vírus, colhidos dentre um milhão a três milhões, dinamizados e


são aconselhados, correntemente, à 30ª centesimal.

Aplicabilidade em casos agudos e crônicos

Definição de doenças agudas e crônicas em Homeopatia

a. Agudas: são aquelas que se desenvolvem em um prazo


mais ou menos determinado. Sua evolução é para cura
ou óbito.
b. Crônicas: são aquelas que se estendem por prazo
indefinido. Tendo os seguintes tipos principais:
Doenças medicamentosas
Doenças crônicas falsas
Doenças crônicas verdadeiras ou miasma. De acordo
com Hahnemann: “As verdadeiras doenças crônicas naturais
são as oriundas de um miasma crônico, que quando
entregues à própria sorte, e não combatidas pelo emprego
de remédios específicos para elas, continuam sempre
aumentando e piorando, não obstante os melhores regimes
mentais e físicos, e atormentam o paciente até o fim de sua
vida, com sofrimentos sempre crescentes. Esses, exceto os
produzidos por tratamento médico errôneo (parágrafo 74,
Organon), são os mais numerosos em maiores flagelos da
raça humana. Mesmo numa constituição física muito robusta,
o modo de vida mais normal e a energia mais vigorosa de
força vital são insuficientes para sua irradiação.”

A compreensão do miasma nos faz chegar ao


prognóstico da evolução do paciente, graças à montagem de seus sintomas dentro
de uma ordem hierárquica, para compreendermos sua dinâmica miasmática (modo
de sentir, agir, viver e adoecer) para então medicarmos de maneira correta,
lembrando que esses miasmas foram uma unidade trimiasmática (psora, sicose e
sífilis). A psora é algo superficial e característico de cada pessoa, ao manifestar seus
desequilíbrios peculiares. A sicose é algo como uma introjeção ou recolhimento das
peculiaridades, violentando seus próprios impulsos. A sífilis, algo destrutivo, onde há
perda da vontade de viver. Há sempre uma moléstia interna antes do aparecimento
dos sintomas locais externos.

A psora identifica-se com o “mal pensar”, a sicose e a


sífilis com o mal agir. Assim, como antes de agir é necessário pensar, a psora é
quem acaba conduzindo aos quadros de sicose e sífilis.Segundo Elizaldi, o
sofrimento do ser humano é endógeno, pois a mesma agressão (noxa) que a um
traumatiza, a outro não altera. É a susceptibilidade em sua forma patológica. As
doenças (patogenesias) então se remeteriam a um conflito espiritual do homem, que
é individual a cada paciente. As doenças são caracterizadas por sintomas relatados.
São relacionados com os sintomas do repertório onde estão os medicamentos da
50

matéria médica nas pequenas rubricas, como por exemplo imaginação, sonhos e
ilusões, representando o núcleo problemático do paciente.

Deve-se procurar sempre a relação dele com o outro,


com um deus ou o substituto. Ex: justiça (Nux Vomica); amor (Pulsatilla); proteção
(Veratrum); liberdade (Conium); segurança (Calcárea); perfeição (Mercurius). As
doenças crônicas não desaparecem instantaneamente, devendo-se cumprir com
toda uma reorganização do organismo adoecido, obedecendo uma seqüência lógica
de reequilíbrio energético, chamada de as leis da cura, ou as leis de Hering: do
centro para periferia, do alto para baixo, dos órgãos mais vitais para os menos vitais,
ou finalmente na ordem inversa da aparição dos sintomas (os mais recentes
desaparecerão primeiro e os mais antigos por último).
Para que se dê a cura, deve haver um movimento centrífugo, exonerativo e curativo.

7.1 O PLACEBO

Derivado do verbo latino Placere, significa “eu


agradarei”. Na farmacologia é definido como o efeito resultante da terapêutica
medicamentosa, somado a efeitos não específicos, associados ao esforço
terapêutico. Resultam da relação médico-paciente, provocando efeitos subjetivos ou
objetivos, que atuam no controle voluntário ou involuntário. Podem suplementar os
efeitos farmacológicos e às vezes representam o sucesso ou o fracasso terapêutico.
O alívio dos sintomas com a administração do placebo não significa origem
psicológica ou somática dos sintomas. Os placebos podem ser puros (como cápsula
de lactose ou solução salina) ou impuros (como vitaminas).

Histórico:

Em 1940, são iniciadas as pesquisas de duplo cego,


que inauguram a era contemporânea do placebo, surgindo a seguinte constatação:
Sempre que um suposto medicamento inerte é usado em uma situação
experimental, de 30% a 40% dos experimentados podem apresentar algum
benefício do tratamento placebo. O padrão de resposta ao placebo assemelha-se
aos achados farmacológicos de drogas com respostas ativas. O placebo tem um uso
difundido na homeopatia, por exemplo a Avena Sativa (aveia). É usado
principalmente quando temos um paciente em tratamento, onde não é necessário
medicá-lo e, no retorno da consulta, ele mantém a queixa, porém no decorrer da
mesma observa-se que ele está no caminho de cura. O placebo tem um efeito
importante, decorrente da relação médico-paciente, despertando o curador interno
de cada um, mas com risco de romper o relacionamento se houver a descoberta
pelo paciente, dando idéia de traição. Existem conclusões de alguns trabalhos
sugerindo que o medicamento homeopático teria apenas um efeito placebo. Isso
entra em contradição com a efetividade do tratamento homeopático, verificada em
51

recém-nascidos e outras crianças que não sabem que estão tomando medicamento.
A ação neutra medicinal do placebo é uma ferramenta que os médicos possuem
para trazer conforto a pacientes que demandam voluntariamente medicamentos sem
que haja necessidade do mesmo.

7.2 APLICAÇÃO DA HOMEOPATIA EM PRÉS E PÓS-OPERATÓRIO

O ato cirúrgico não é clínica, nem alopatia, o


sofrimento que advém desse ato não é considerado doença aguda ou crônica.

Pré-operatório:
Inicia-se quatro dias antes da cirurgia, com doses repetidas, aumentando-se o
número de repetições com a proximidade do ato cirúrgico.
Exemplo 1: Phosphorus CH 18 indicado nas hemorragias (fatores ligados à
coagulação). De acordo Goodman e Gilman, o fósforo ocorre no plasma e nos
líquidos extracelulares, na membrana celular, nos líquidos celulares, no colágeno, no
tecido ósseo, desempenhando o principal papel nas atividades osteoblásticas e
osteoclásticas.
Exemplo 2: Arnica CH 18 indicado para ajudar na reabsorção do sangue
extravasado, hematomas e redução da dor. A Arnica é uma planta que, uma vez
colocada em contato com os músculos e o tecido celular, é capaz de determinar
transtornos circulatórios nas artérias e capilares, causando extravasamento de
sangue, semelhante à contusão e traumatismos, por causa das discrasias.
Exemplo 3: Gelsemium CH 18 indicado nos transtornos por antecipação cirúrgica. O
remédio é extraído de uma planta extremamente venenosa, que leva à paralisia dos
centros motores, com ação seletiva sobre os centros nervosos, acarretando
estupefação mental.

Pós-operatório:
Exemplo 1: China CH 18 indicado no pós-operatório, diminuindo as hemorragias e a
perda de líquidos. Melhora a coagulação e diminui a dor. A China é um alcalóide
também chamado de “árvore da febre”. No sistema nervoso central, suas doses
tóxicas são provavelmente de caráter asfíxico e desencadeiam convulsões. Ainda
segundo Goodman e Gilman, atuam sobre os eritrócitos, desencadeando hemólise,
levando à hemoglobinúria, hipoprotrombinemia, alongando o tempo de protrombina,
em pequenas doses. Têm ação analgésica e antipirética.
Exemplo 2: Belladona CH 18 indicado quando é usado atropina como pré-
anestésico, para delírio, febre, midríase, vasodilatação periférica, torpor, alteração
na consciência e agitação intensa pós-operatória.
Exemplo 3: Opium indicado para livrar o paciente dos maus efeitos constituídos pelo
torpor geral, trazendo lucidez e liberando a retenção vesical e intestinal.

Outros problemas que podem ocorrer no pós-operatório e o medicamento


recomendado:

Náuseas e vômitos: Ipeca CH 6.


52

Maus efeitos do bisturi: palidez, depressão, esgotamento, inflamações de ossos,


periósteo e sistema linfático Staphysagria CH 6.
Cicatrização lenta de ferida: Calêndula CH 1 a CH 4. Ou Hamamélis para feridas
não supuradas nem necrosadas.
Lesão nos tecidos nervosos: Hypericum perforatum CH 6.
Parestesia (formigamento): Opium.
Úlcera de decúbito: Calêndula CH 1 a CH 4.
Tosse produtiva, com dificuldade para expectorar, levando à insuficiência
respiratória: Antimonium tartaricum CH 6 a CH 12 (fluidifica).
Insuficiência cardíaca: Digitalis CH 6.
Infecções Hepar sulphur
 quando há corpo estranho: Silicea;
 quando há septicemia: Pirogenium.

8.0 A EXPERIÊNCIA INDIANA NA HOMEOPATIA


Jugal Kishore
A homeopatia chegou à Índia à época de Hahnemann
e criou raízes profundas. Em pouco tempo, a Índia tornou-se o país com a maior
concentração de médicos homeopatas, com a maior clientela. Naqueles tempos, a
Índia contava com quatro sistemas de medicina: Ayurveda, Unani, Siddha (no sul) e
a alopatia, recém-introduzida pelos colonizadores britânicos. Os sistemas indianos
eram muito populares, gozando de elevado prestígio entre os soberanos e a elite do
país, enquanto o sistema alopático começava a dominar os círculos governamentais
graças à influência britânica.

A homeopatia e a medicina hindu

Um verso, escrito em sânscrito há muitos séculos, faz


a seguinte pergunta: “Você não sabe que uma substância, que causa a doença,
também pode curá-la quando preparada de maneira especial?” Sabe-se, desde
tempos imemoriais, que “veneno cura veneno”. Esse é um dos preceitos da antiga
medicina hindu (Ayurveda). Portanto, a homeopatia não foi considerada um sistema
estrangeiro, mas foi aceita como forma de tratamento similar ao sistema Ayurveda,
que já desenvolvera oito especialidades: clínica médica, pediatria, psicologia,
otorrinolaringologia, cirurgia, toxicologia, geriatria e eugenia.
No sistema Ayurveda, os indianos estavam
habituados a serem tratados como “pessoas” doentes, com constituição individual e
reações individuais à doença: duas pessoas com tosse não receberiam o mesmo
remédio — haveria diferença na medicação e até mesmo na alimentação
53

recomendada. Como essa forma de tratamento é característica também da


homeopatia, o povo não teve dúvidas em adotá-la. Além do sistema Ayurveda,
originado na Índia há cerca de três mil anos, havia o sistema de medicina Unani,
introduzido na Índia por árabes e persas por volta do século XI. Desenvolvido na
Grécia, as bases do Unani haviam sido estabelecidas por Hipócrates. Tanto
Ayurveda como Unani se baseiam no conceito de distúrbios dos humores e ambos
os sistemas, assim como a homeopatia, tratam o paciente como indivíduo doente.
Os três sistemas adotam o enfoque integral.
As doses homeopáticas também foram aceitas sem
dificuldades, pois certos medicamentos ayurvédicos eram ministrados em doses
mínimas. Alguns preparados continham metais, como ouro e prata, e vários tipos de
minerais.

Introdução da homeopatia

A homeopatia foi introduzida na Índia por volta de


1835 pelo Dr. John Martin Honigberger, que curou o Rei do Punjab. O rei ficou tão
satisfeito com o tratamento que o nomeou responsável por um hospital do governo
onde trabalhavam médicos em Ayurveda e Unani. Assim, a homeopatia ganhou
reconhecimento oficial.
A medicina homeopática passou a ser praticada por
leigos, principalmente pelos membros mais instruídos da sociedade de Bengala.
Naquele estado, o Dr. Mohendra Lal Sarkar foi o primeiro médico a usar a
homeopatia, apesar da oposição da Universidade de Calcutá, de cuja faculdade de
medicina ele foi posteriormente expulso. O Dr. Sarkar foi também o primeiro a
publicar um jornal sobre homeopatia, The Calcutta Journal of Medicine. Dois outros
pioneiros, formados por uma faculdade de medicina homeopática nos Estados
Unidos, fundaram a primeira faculdade de homeopatia da Índia, a Escola de
Medicina Homeopática de Calcutá, em 1881. Essa instituição ainda existe e,
atualmente, é administrada pelo governo estadual.
O governo federal da Índia reconheceu as medicinas
indianas e a homeopatia instituindo o Conselho Central de Sistemas Indianos de
Medicina em 1971 e o Conselho Central de Medicina Homeopática em 1973. O
sistema alopático já havia sido reconhecido anteriormente pelo Conselho de
Medicina da Índia. Todos os conselhos gozam da mesma autonomia e têm funções
semelhantes em suas áreas de atividade. Os conselhos estabelecem padrões de
ensino, mantêm um Registro Central de seus médicos e procuram assegurar
elevados padrões de ensino e exame nas faculdades.
Formação em medicina homeopática
Desde o início, os alunos estudavam homeopatia em
faculdades separadas, seguindo o exemplo das primeiras faculdades de medicina
homeopática dos Estados Unidos. As faculdades que ensinavam os sistemas
indianos já eram separadas — com exceção de algumas instituições que
54

ministravam cursos integrados de medicina ayurvédica e alopática. Mais tarde, o


Conselho Central de Medicina Indiana suspendeu os cursos integrados, ao constatar
que os formandos praticavam somente a medicina alopática, ignorando a
ayurvédica.
Os requisitos básicos para admissão em todas as
faculdades de homeopatia são os mesmos requeridos pelas faculdades de medicina
alopática. Existem 94 Faculdades de Medicina Homeopática. Em 52 delas, o curso
tem duração de 5 anos e meio e estão afiliadas às Universidades. As 42 restantes
ainda ministram cursos de apenas 4 anos, mas o governo está muito interessado em
prolongá-los para assegurar a uniformidade. Isso permitirá integrar os médicos
formados em homeopatia nos programas de saúde do país, onde é possível que
venham a trabalhar, lado a lado, com médicos formados pelos outros sistemas.
Foram criados cursos de pós-graduação financiados pelo governo, um curso de
formação de professores e um outro para formandos em alopatia.
Atitude dos alopatas
De modo geral, a homeopatia é bem aceita pelos
alopatas e na clínica particular há freqüente encaminhamento de casos. Às vezes,
os próprios familiares de médicos alopatas recorrem à homeopatia. Em nível
acadêmico, o preconceito contra a homeopatia desapareceu.
O número de postos de saúde ou ambulatórios
homeopáticos gira em torno de 3.000. Existem 127 hospitais homeopáticos e 130
hospitais-escola. Existem 588 farmácias homeopáticas e 3.699 farmácias
ayurvédicas. Por ocasião de grandes festividades religiosas, o governo instala
postos de saúde temporários de homeopatia e de outros sistemas.
Os agentes de saúde dos povoados receberam kits
contendo medicamentos importantes de todos os sistemas para atender as doenças
comuns. Os kits contêm instruções precisas sobre a aplicação dos medicamentos a
áreas específicas de enfermidade.
Pesquisa clínica
Iniciamos uma pesquisa para avaliar o uso de
medicamentos homeopáticos contra doenças do trato respiratório superior e alergias
(rinite, amigdalite, sinusite, otite média, etc.) bem como doenças da pele. Os
parâmetros foram fixados por alopatas otorrinolaringologistas e dermatologistas.
Queríamos demonstrar que — para diversos problemas comuns — podemos usar
medicamentos homeopáticos simples em vez de antibióticos ou outros
medicamentos (potencialmente tóxicos). Os resultados foram considerados
satisfatórios.
Em outra pesquisa, o Departamento de Odontologia usou arnica nas potências 200
e 1000 após a extração de dentes. Os resultados foram excelentes, pois os
pacientes não precisaram de analgésicos, antibióticos ou anti-hemorrágicos.
O Conselho de Pesquisa Homeopática instalou 22 postos em regiões carentes. Os
pesquisadores coletam dados sobre doenças, hábitos alimentares, costumes locais
55

e crenças, dando especial atenção às ervas medicinais. Ervas e remédios caseiros


são estudados para analisar suas propriedades homeopáticas.
A medicina homeopática obteve grande progresso na Índia com o estabelecimento
de uma comissão e de um laboratório de Farmacopéia Homeopática. Esse
laboratório foi o primeiro no gênero e é o maior do mundo. Foram publicados seis
volumes contendo informação sobre mais de 700 medicamentos.
Pluralidade de sistemas — entrave ou bênção?
Observadores de outros países ficam confusos com a
diversidade de sistemas de medicina que prevalece na Índia. Para o governo e os
órgãos administrativos, é tarefa difícil satisfazer financeira e administrativamente a
demanda dos diferentes sistemas. No entanto, uma análise mais profunda mostra
que, na realidade, essa pluralidade é uma bênção.
Temos à nossa disposição um arsenal mais rico e mais amplo para aliviar ou evitar o
sofrimento humano. Nenhum sistema médico é — ou pode ser — perfeito, pois a
doença é muito complexa.
Hoje, a alopatia domina nas áreas urbanas. Entretanto, mesmo nas grandes
cidades, as pessoas estão buscando a homeopatia por temerem os efeitos
colaterais de certos medicamentos modernos. A homeopatia não é associada a
efeitos colaterais. É comum as pessoas passarem de um sistema de medicina para
outro na busca de alívio e cura. Estima-se que 75% da população tenham alguma
vez procurado tanto alopatas quanto homeopatas.
Existe um vasto campo, que está crescendo constantemente: trata-se das alergias
que a alopatia não é capaz de curar, oferecendo apenas paliativos ou suprimindo os
sintomas. Aqui, os outros sistemas de medicina — principalmente a homeopatia —
conseguem oferecer melhores possibilidades de cura. Fontes confiáveis apontam
alguns casos de câncer que foram curados por médicos ayurvedas e homeopatas.
Pacientes com câncer voltam-se na fase terminal para a homeopatia em busca de
alívio para a dor.
Nos casos de origem psicossomática, a homeopatia também exerce um papel muito
importante na Índia. Da mesma forma, no caso de infecções — quando ocorrem
recaídas constantes e o sistema imunológico do paciente ficou enfraquecido devido
ao uso freqüente e indiscriminado de antibióticos — a homeopatia tem-se mostrado
de grande utilidade. Em diversas dessas áreas, os médicos alopatas aceitam a
contribuição da homeopatia e até encaminham seus pacientes aos homeopatas.
Segunda a Política Nacional de Saúde da Índia podemos afirmar:
“Este país possui ampla mão-de-obra na área da saúde, que inclui médicos de
vários sistemas: Ayurveda, Unani, Siddha, Homeopatia, Yoga, Naturopatia, etc. Até
o momento, esses recursos não têm sido bem utilizados. Esses médicos são muito
respeitados e, conseqüentemente, exercem considerável influência sobre as
práticas e crenças na área da saúde. É necessário tomar medidas, permitindo que
cada um desses sistemas de medicina e de cuidados de saúde se desenvolva de
acordo com seu dom, integrando os sistemas indianos, a homeopatia e a alopatia
em um sistema global.”
56

__________
O Dr. Kishore é presidente do Conselho Central de Homeopatia da Índia e da Liga
de Medicina Homeopática da Ásia, apresentou esta palestra no Brasil em 1991
Veja também http://www.hsf-france.com/ (homeopathies Sans Frontières)

9.0 ENFERMO, ENFERMIDADES E SINTOMAS

Vitor Menescal

O Apanhador no Campo de Sintomas

O difícil exercício da homeopatia é virtualmente o exercício de um artesanato


médico, tais a atenção e a delicadeza com que cada uma de suas etapas deve ser
manejada, e o equilíbrio entre técnica e arte que dele se exige. Erros na condução
da anamnese, na identificação de sintomas, em sua transposição ao repertório, na
escolha de uma estratégia repertorial adequada, no estudo de matéria médica
comparada - muitas são as armadilhas no caminho da prescrição-similimum,
independentemente do que se considere como digno de curar no enfermo.

Um erro comum que cometemos é o que se pode chamar de 'vício repertorial',


quando, mimetizando a construção do repertório, recortamos a fala do enfermo em
'sintomas' - refiro-me aqui a sintomas representados em repertório. Estaríamos
tomando como missão máxima, no momento da anamnese, a descoberta de
sintomas próprios à repertorização, por entendermos que, sendo 'repertorizáveis',
praticamente garantiriam a prescrição-similimum.

Não há neste comentário nenhuma crítica à repertorização ou ao emprego dos


repertórios. Todos os homeopatas devem conhecer muitíssimo bem o repertório, a
lógica de sua estrutura, e ser hábeis na localização dos sintomas e sua justa
equalização. Não há homeopata sensato que recrimine seu uso judicioso. Quero
apontar aqui para uma deformação na escuta da fala do paciente que leva o
homeopata a focar sua atenção mais em sintomas que na história que contam.
Expressando de outro modo, o "vício repertorial" deve sua origem mais à má
educação dos sentidos que a um apego indevido ao repertório.

Malcomparando, seria como o caso de um ouvinte que desse atenção mais às notas
musicais que à música em si, incapacitando-se para reconhecer seu encadeamento
harmônico, seu sentido melódico, sua ênfase rítmica. Para a fruição da música é
inútil a identificação de notas, é fundamental o reconhecimento de como se
combinam, se integram, se sucedem e variam no tempo. No nosso caso temos de
educar nossa escuta tanto para "ouvir" sintomas quanto para "ouvir" a história do
paciente.

Os sintomas, como as notas musicais, entoam a "música" do enfermo, nem sempre


constituindo - do ponto de vista do homeopata que os colhe - um fim em si mesmos.
57

Eles contam uma história, quase sempre cifrada, e a geografia corporal - isto é, o
variado complexo de acidentes orgânicos que lhe corresponde - inflamações,
ulcerações, tumorações, etc. -, conta idêntica história. Se aceitamos a idéia de um
enfermo unitário - afinal, como delimitamos precisamente as instâncias da "mente" e
do "corpo"? -, segue-se que não pode haver ambigüidade entre mental e orgânico.
Os sintomas, assim, não devem ser apenas colhidos, mas integrados. Seu arranjo
de modo algum é casual; há nele uma nem sempre aparente lógica de organização.

Ao verificarmos que inúmeros sintomas são compartilhados por muitos


medicamentos, somos obrigados a supor que cada um deles - embora idênticos à
primeira vista - represente algo diferenciado na história particular de cada
medicamento ou enfermo, o que os torna absolutamente distintos, e mais que isto:
exclusivos. A 'ilusão de ser insultado' de Palladium, por exemplo, é inteiramente
diferente da de Alcoholus. A 'sensação de leveza' de Ginseng é inteiramente
diferente da de Hydrogenium. Ou, voltando ao nosso exemplo, o mi menor da Quinta
Sinfonia de Beethoven, por estar integrado numa rede singular de notas, apresenta
um efeito ou expressa algo bastante distinto do mi menor encontrado no Samba do
Avião. Isto equivale a dizer que não existem dois sintomas rigorosamente idênticos
quando contemplados desde a perspectiva da totalidade. A rigor todo sintoma é
exclusivo.

Há algo anterior aos sintomas, algo que determina seu caráter próprio - a
singularidade do enfermo. A singularidade do enfermo se representa por sintomas.
Conceitos como 'totalidade de sintomas', "síndrome mínima de valor máximo", o
"sistema de sintomas-chave" de Guernsey, o sistema de pontuação repertorial,
enfim, as várias modalidades de valoração de sintomas e métodos de prescrição são
de fato artifícios técnicos a serviço da identificação da singularidade do enfermo.

Repito: sintomas expressam a singularidade do enfermo. Há muito sabemos disso. E


é esta a razão para atribuírmos a sintomas que consideramos raros, característicos
e peculiares um valor maior: eles mais explicitamente revelam tal singularidade.
Entretanto, se pudéssemos entender uma lesão óssea tão prontamente como
entendemos um sintoma mental, verificaríamos que ambos estariam transmitindo a
mesma mensagem reveladora da singularidade do enfermo, e seríamos capazes de
tomá-los não apenas como elementos de uma comunicação aparentemente
truncada, mas como signos de uma linguagem inteligível em sua sintaxe e
gramática. (Talvez cheguemos um dia a estabelecer o diagnóstico medicamentoso
via histopatologia, identificando um melanona de Ambra grisea, uma pancreatite de
Cuprum metallicum...)

Um problema adicional em relação à inteligibilidade do sintoma orgânico: ele


normalmente não é auto-explicativo. Se um paciente, como um que acompanhei, fita
o sol até à cegueira, qual o sintoma? E mesmo diante de certos sintomas mentais,
somos imediatamente levados a interrogar os seus porquês. Se um paciente tenta
suicídio, qual o sintoma? Assim, quando nos restringimos a colher o sintoma isolado
do contexto próprio da totalidade, podemos estar perdendo o principal - sua
motivação.
58

Um sintoma é um sintoma é um sintoma?

Como não há indivíduos sãos miasmaticamente, devemos alterar o aforismo


"tratemos o enfermo, não a enfermidade" para "tratemos o indivíduo, não a
enfermidade", por um duplo motivo: primeiro, para que lembremos que não é
obrigatório que o indivíduo apresente sintomatologia clínica para que seja possível
seu diagnóstico medicamentoso; segundo, para que lembremos que o tratamento
deve fundamentalmente visar a originalidade do indivíduo, esteja ela representada
numa patologia ou não. Idealmente o princípio da semelhança deve ser aplicado ao
que o enfermo "é", não ao que o enfermo "apresenta".

O materialismo que nos foi infundido nas escolas médicas ainda nos faz pensar que
como clínicos somente podemos oferecer uma terapêutica que confronte o
patológico, enquanto que como homeopatas podemos balizar nossa conduta pela
"excentricidade" do enfermo. O sintoma, assim, deve ser redefinido para incluir
qualquer categoria em que as peculiaridades do indivíduo estejam representadas. A
ocupação do enfermo, por exemplo, deve chamar nossa atenção, não apenas por
apontar a possibilidade diagnóstica de uma doença profissional, mas também por
ser um possível indicativo de sua conformação psórica. Um diplomata de carreira
pode revelar um Natrum carbonicum; um aviador, Aquila chrysaetos; um escultor,
Alumina; um assistente social, Drosera; um acrobata, Aranea diadema, um
relojoeiro, Argentum nitricum; etc. (Lembro que certa vez, tentando encontrar uma
peça para um relógio de pulso antigo, fui encaminhado a uma loja no centro da
cidade, que, me garantiram, certamente teria a tal peça. Não era preciso ser
homeopata para se impactar com o ambiente que encontrei: todas as paredes da
loja, o teto inclusive, eram cobertas por relógios de todos os tipos - ampulhetas,
cuco, mecânicos, de corda, a bateria, solares, grandes, minúsculos, antigos,
modernos, de bolso; o dono da loja usava três relógios em cada punho, e se ouvia
em alto e bom som a rádio relógio, anunciando a hora a cada 15 segundos! Não era
uma relojoaria comum, igual a tantas outras. Era possível sentir-se ali a obsessão
pelo tempo.) Um passatempo, como o de colecionar borboletas pode sinalizar a
marca psórica do indivíduo. Ou seu interesse por polvos. Ou por plantas carnívoras.
Ou seu modo de vestir - que cores prefere? que adornos usa? (Acompanhei mais de
uma vez mulheres em boa evolução com Lachesis cujos adornos - braceletes, tiaras,
pulseiras, brincos - tinham todos o mesmo motivo: cobras.) Ou seu modo de falar.
Ou seu modo de decorar a casa. Ou sua identificação com personagens literários ou
figuras políticas ou mitológicas ou mesmo animais. (Certa vez me senti autorizado a
prescrever Formica rufa, em razão de o paciente haver afirmado categoricamente
que "vivia como uma formiga".) Tudo, enfim, que seja revelador de sua conformação
psórica pode ser considerado sintoma. Esta é a razão que me faz preferir chamar de
"excêntricos" os sintomas que normalmente chamamos de "raros, peculiares e
característicos", porque, tomado em sua dupla acepção, o termo dá idéia tanto do
"que se desvia do centro ou está fora de proporção" quanto de "original,
extravagante". O sintoma - seja característico, raro ou peculiar - pode não ser
considerado rigorosamente como "patológico", enquanto que jamais deixa de ser
"excêntrico".
59

Pratico homeopatia seguindo algumas "crenças". Acredito, por exemplo, que o


enfermo é único. Apenas em razão de despropósitos conceituais podemos conceber
que o enfermo "tenha-se tornado" Bryonia; ou que tenha sido ontem Bryonia, e hoje
é Silicea. Ou que sua pneumonia "seja" Bryonia, e sua artrite, Silicea. Nenhum
enfermo é Nux moschata da cintura para baixo, e Opium da cintura para cima.
Nenhum enfermo é metade Cubeba, metade Heloderma. Isto me obriga a pensar
que o similimum é único, invariável. O indivíduo será Bryonia na infância, na vida
adulta, na velhice. Apenas variando, segundo as limitações e possibilidades de
expressão em cada etapa de vida, o modo como indicará que é Bryonia. Este será
sempre o similimum do indivíduo, e apresentará uma ação resolutiva tão absoluta
quanto possível tanto em quadros crônicos quanto agudos. Acredito, como Kent, que
"é incongruente e irracional pensar que há várias doenças ativas no organismo ao
mesmo tempo". Quando o suposto similimum não atua satisfatoriamente em um
quadro agudo, mesmo havendo produzido uma aparente boa evolução do quadro
crônico, tornam-se obrigatórios o reestudo do caso e a troca de medicamento.

Acredito também que o paciente pode ser entendido. Assim, evito apenas
"reconhecer" os sintomas; evito montar equações simplificadoras como: "sintoma 1 +
sintoma 2 + sintoma 3 = medicamento X. Os sintomas são peças móveis, podendo
se encaixar no quebra-cabeças que é o enfermo em posições, perspectivas e por
motivos diferentes. Para mim, o paciente sempre se apresenta como um enigma,
mais que como portador de um problema. Ou, visto de outra forma, o problema é o
enigma. E não devemos atender à sua demanda por tratar tal e tal queixa, sem pelo
menos tentar desvendar - na medida do possível - o enigma que ele é. Não
devemos ceder ao enfermo a prerrogativa de julgar o que seria digno de nossa
atenção de "curadores". Em geral o enfermo pretende uma solução imediata para
um problema remoto, uma solução local para um problema incircunscrito. O enfermo
vê apenas o aparente, enquanto nós podemos nos colocar na privilegiada posição
de contemplar o íntimo - no nosso caso, o miasmático. Devemos, sempre que
possível, pensar globalmente e atuar globalmente. Esta é em geral a postura que
adoto frente a meus pacientes. Por mais banal que seja a queixa, sempre os vejo
como grandes enigmas, e me dedico a decifrá-los. Tento vislumbrar o fio da meada
da complexa rede de sintomas que o paciente tece. O importante é reconhecer o
"enredo" dos sintomas, independentemente da idade, cultura, sexo e religião do
paciente. Diferentes conjuntos de sintomas podem conter - e contar - o mesmo
"enredo".

Uma das primeiras providências que considero nesse sentido - identificar o "enredo"
dos sintomas - é a de tentar reconhecer "temas" no paciente. A alusão a "temas"
mais antiga que conheço data de 1901 e encontra-se na 2a edição do Guia
Terapêutico Homeopático de Nash, no relato de um caso de Stramonium, mas o
conceito foi estruturado modernamente por Masi-Elizalde, e desde então aparece
sendo aplicado com sentidos e em contextos diversos. "Tema" é por ele definido
como uma "constante de vulnerabilidade ou de reatividade", ou seja, tudo que
indique um padrão de sofrimento ou de reação contra tal sofrimento constitui um
"tema". Uma modalidade pode constituir um tema. Assim, "tema do crepúsculo",
caso o enfermo apresente sintomas que agravem no crepúsculo.
60

Um "argumento" reconhecido na história do paciente pode constituir um tema. O


paciente sente-se "inválido", "um aleijão", "um torto": "tema da invalidez".Se o
paciente se compadece do sofrimento dos animais e apresenta ilusões com animais,
constituímos o "tema dos animais", que incluirá não apenas os medicamentos das
rubricas repertoriais correspondentes,

MIND; DELUSIONS, imaginations; animals, of /


MIND; SYMPATHETIC, compassionate; animals; only for,
mas também os presentes em rubricas que compartilham o mesmo "mote", por
exemplo:
MIND; CARES, worries; full of; nature, for, animals, plants etc. /
MIND; CRUELTY, brutality, inhumanity; animals, to /
MIND; DREAMS; animals, of /
MIND; FEAR; animals, of /
MIND; IMITATION, mimicry; voices, motions and gestures of different animals, of /
MIND; JEALOUSY; animals and objects, of /
MIND; LOVE; animals, for /
GENERALITIES; FOOD and drinks; feces, desires; animal.

Qual a vantagem disto? Contornar as limitações dos sintomas como se apresentam


à matéria médica e se representam no repertório. O tema, ao valorizar o "enredo"
dos sintomas (em detrimento de sua forma estrita de expressão) cria um conjunto de
referências cruzadas automáticas entre eles, que reduz o risco de se tomá-los
literalmente.

Em nosso exemplo o tema prevê a possibilidade de um paciente que, em certo


momento miasmástico, ame animais, em outro, seja cruel com eles. Importa pouco
que o paciente apenas relate 'compaixão' e 'ilusões' com animais, já que é possível,
é provável, que ele em algum ponto de sua existência apresente ou tenha
apresentado também 'sonhos' ou 'medo' ou 'inveja' ou 'aversão' ou 'cuidados' em
relação a eles.

O tema, portanto, é uma dado informativo mais abrangente que o sintoma. Se o


paciente apresenta um anseio por luz, em mais um exemplo, o "tema da luz" incluirá
não apenas os medicamentos que figurem na rubrica específica

MIND; LIGHT; desire for, e nas imediatamente associadas,


MIND; DELIRIUM; light, with desire for /
MIND; INSANITY, madness; company, with desire for light and /
MIND; LONGING; sunshine, light and society, for /
MIND; LIGHT; desire for; company, and /
MIND; LIGHT; desire for; menses; during /
MIND; LIGHT; desire for; menses; after /
MIND; LIGHT; desire for; sunlight /
MIND; MANIA, madness; desire for light and company, with /
EYE; PHOTOMANIA /
EYE; PHOTOPHOBIA; daylight; desires lamp light,
61

mas os de todas aquelas em que a temática da luz - e de sua falta - esteja


representada. Assim, cobrimos a escuridão, os objetos brilhantes, a luz de velas, a
luz do sol, a aurora boreal, etc.

Há pacientes em que o tema argumental se desdobra em tantos sintomas que fica


evidente a correção de enfatizar-se o conteúdo em detrimento da forma que o
conceito de tema encerra. Gostaria de tomar como exemplo uma paciente que
acompanho há 17 anos. Alguns trechos de seu relato em momentos distintos do
tratamento:

Sente-se suja, repulsiva.


Sente-se fedorenta.
Sente um gosto na boca que lhe dá nojo.
Sensação de merda pelo corpo.
Sensação de cocô na garganta.
Sonha que está em uma banheira cheia de merda.
Sonha que tem de acomodar visitas em casa, mas há bosta de vaca debaixo dos
colchões.
Sensação como se espalhasse pedacinhos de merda.
Nojo do chefe. (Sonhos eróticos com o chefe.)
Nojo do dedo do padre que lhe dava a hóstia em criança.
Nojo de si própria.
Sensação de não ser digna de ser amada por ser repulsiva.
Sensação de podridão interna.
Decepção ao constatar a banda "podre" da terapeuta que a acompanha.
Sensação de estar "estragada".
Sonha com coisas estragadas.
Sonha que a mãe tem um carnegão.
Sonha com vermes.
Sonha que saem vermes dos cravos que espreme.
Sente-se feliz quando espreme cravos.
Sonha que há uma minhoca em seu prato.
Sente-se suja quando menstrua pouco.
Sempre se relaciona com homens "meio apodrecidos".
Evita sexo oral para não "sujar" a garganta.
Sente nojo, repugnância do hospital psiquiátrico, uma "pocilga". (" Se tratasse de
loucos, vomitaria o tempo todo.")
Teme morrer e que demorem a achá-la, já que vive só; mas lembra que a
empregada vem toda semana, e que por isto vai "ficar podre só por sete dias".
Adora jejuar e ter diarréia porque "parece uma faxina".

Trata-se claramente de um mesmo tema, presente em sensações, sonhos, ilusões,


atitudes e linguajar.Provérbios, máximas, aforismos, adágios, ditados populares,
expressões em sentido figurado, gírias, termos pejorativos, palavras que o paciente
utilize muito freqüentemente ou que sejam incomuns, pitorescos, podem constituir
temas - são os chamados temas-palavra. Cito o caso de uma paciente que a
62

propósito das coisas mais díspares usava a palavra "elo" uma dezena de vezes a
cada consulta: "tema do elo". Ou o paciente que adorava repetir que se devia
"separar o joio do trigo". Ou o que empregava a expressão "calcanhar de Aquiles"
para indicar a debilidade da relação amorosa, do vínculo com o trabalho, do país,
etc.

Para reconhecer certas associações entre linguajar e medicamento, utilizo com certa
freqüência um índice por mim compilado que atualmente conta com cerca de 3000
expressões, e também um banco de temas de aproximadamente 300
medicamentos. Sempre que os consulto com proveito fico com a impressão de que o
repertório do futuro adotará em alguma medida a estrutura de um "thesaurus",
mesmo mantendo os sintomas do repertório como o conhecemos hoje.Regiões
corporais, órgãos e tecidos eletivamente acometidos ou tipos de alterações morfo-
funcionais preferenciais podem igualmente constituir temas. Assim, o "tema do
hipocôndrio direito", o "tema do baço", o "tema das verrugas", o "tema das
hemorragias", o "tema das articulações", o "tema da peristalse reversa", o "tema da
afonia", etc.A seguir tento evidenciar alguma relação de sentido entre os temas, isto
é, agrupo temas. É o que chamamos de "agrupamento temático". Por exemplo,
podemos agrupar os temas das "dores em queimação" e do "fogo", em vista de sua
evidente conotação.A seguir distribuo os sintomas presentes entre sintomalogia de
"sofrimento" e de "defesa". Assim, "medo de animais", por exemplo, figurará como
sintoma de sofrimento, e "cruel com animais", como sintoma de defesa.

Deus no Laboratório

A idéia subjacente a este modelo de abordagem do


paciente homeopático é bastante simples: há no enfermo um sofrimento original,
endógeno, essencial - uma "úlcera vital", como expresso por Kent -, que é o pivô de
toda a sintomatologia e responsável por ela se constituir numa rede complexíssima,
mas congruente e inteligível de sinais. A investigação - que se inicia pela colheita de
sintomas, passa por sua conversão a temas e de temas a agrupamentos temáticos,
pela identificação dos conjuntos de sofrimento e reatividade, entre outras etapas -
objetiva a revelação deste sintoma-fonte. A concepção, que exporei apenas
brevemente, é de Masi-Elizalde, e desde sempre causou polêmica entre os
homeopatas. Não é de fato científica, e não vejo como possa algum dia sê-lo em
vista da improbabilidade de se consubstanciá-la "in toto", mas considero isto
absolutamente irrelevante, e como prático, não esperarei que a ciência examine
Deus em laboratório para confirmar ou desatourizar minhas condutas clínicas. O
curioso é que tal condição, a de não ser "científica", justifique a reprovação a um
modelo teórico-prático - que deveria impor-se por sua coerência interna e por prover
respostas lógicas a problemas doutrinários e técnicos até então insolúveis - num
saber, o homeopático, repleto de categorias e conceitos não considerados ou
simplesmente rejeitados pela ciência, como os de "força vital", "supressão",
"metástase mórbida", "doses infinitesimais", "miasmas", entre outros. (E o
lamentável, o patético, é que muitíssimas vezes a concepção não é confrontada
como deveria ser, com argumentos, para que todos - defensores e oponentes -
pudessem tirar alguma vantagem do debate, mas com a mais rala intolerância, que
63

costuma variar da xenofobia ao nonsense: já ouvi da boca de alguns colegas que


tais idéias não deveriam merecer consideração, porque o autor é "um argentino", ou
porque se trata de um "fumante inveterado"! Em geral, e não por acaso, são os que
praticam a homeopatia com mentalidade de cirurgião.)Para que seja possível a
compreensão do enfermo, devemos integrar todos os planos de expressão de sua
sintomatologia, e reconhecer neles o fio condutor que lhes dá sentido e justifica
doença clínica, sensações, desejos, sonhos, atitudes. Quando compreendemos que
Eryngium aquaticum, diagnóstico diferencial de Natrum muriaticum, sofre por
perceber que não é possível conservar perpetuamente a vida, entendemos que
deteste a idéia de envelhecer, a idéia do decaimento, da decrepitude, que sonhe
com múmias, e que melhore próximo ao mar - símbolo da vida. Esta é a sua
enfermidade, o que chamamos de psora primária. Quando compreendemos que
Arnica montana sofre por sentir-se vulnerável - e esta é a sua enfermidade -,
entendemos a razão dos transtornos por traumatismo, do temor a ferir-se, dos
sonhos com acidentes, da recusa à ajuda médica, já que "está bem", e até do seu
organotropismo - não casualmente Arnica é um vulnerário. Ou seja, identificamos o
mesmo estigma "essencial" - em oposição a acidental - tanto na natureza do
indivíduo quanto no da substância-similimum, o que denota a legitimidade do
princípio da semelhança. Quando compreendemos que Natrum carbonicum sofre
pela existência da desarmonia - e esta é a sua enfermidade - , elucidamos não
apenas suas atitudes de arbitragem, mediação e conciliação, que compõem uma
modalidade possível de defesa contra o sofrimento - no caso objetivando a
instauração da harmonia -, o que chamamos de psora terciária, mas também sua
agravação pela música - entendida como combinação harmônica de tons - e até sua
deselegância. O mau gosto no vestir de Natrum carbonicum é uma determinação
miasmática, não cultural, e denota uma aceitação da desarmonia.

A enfermidade, assim, é única, acomete toda a economia, e se revela nos diversos


planos orgânicos segundo suas respectivas capacidades de expressão. (Como
disse, um sintoma orgânico é tão revelador, embora não tão imediatamente
inteligível, quanto um sintoma mental, e muitas vezes temos de apelar a disciplinas
como a simbologia para entender seu significado.) O caráter que a enfermidade
miasmática assume depende das determinações que o paciente imprime à sua
conduta. Resumidamente, o paciente em sofrimento "puro" encontra-se em psora
primária, isto é, não há um cenário definido, um contexto, para o sofrimento -
"medo"; o paciente que projeta seu sofrimento no meio - "medo de sofrer um
acidente" - se desloca à psora secundária; e o que interage com o meio visando
proteger-se do sofrimento - "cautela para não sofrer acidentes" - passa à psora
terciária. A psora terciária admite duas modalidades principais de defesa, que
apenas mencionarei: a egotrófica, de negação do sofrimento - "nada pode me afetar,
sou invulnerável" -, e a lítica, de resignação frente ao sofrimento - "por mais que me
acautele, vou sofrer um acidente e me ferir - ou destruição - "vou ferir para não ser
ferido". O importante é que se trata, na verdade, de um único e mesmo processo: a
enfermidade-sofrimento, que se desdobra na enfermidade-defesa, ou seja, a
enfermidade é unimiasmática. O enfermo, tendo sucesso em proteger-se do
sofrimento, fixa-se numa atitude de defesa ou noutra, ou no caso de fracassar,
vivencia uma crise psórica, em que o sofrimento eclode, ou altera a defesa. Isto é o
64

que Masi-Elizalde define como "dinâmica miasmática": o enfermo em geral transita


entre os miasmas, passando do sofrimento à defesa, ou da defesa ao sofrimento, ou
de uma defesa egotrófica a uma lítica ou vice-versa. A implicação semiológica deste
conceito é clara, e justifica sua inclusão como uma etapa de investigação do
enfermo e do estudo da matéria médica: como há coerência entre sofrimento e
defesas, podemos inferir a enfermidade do indivíduo, e portanto estabelecer o
diagnóstico medicamentoso, pelo modo como se defende. E mais, o conceito de
dinâmica miasmática fornece o mais confiável parâmetro para o seguimento do
caso. A vigilância miasmática é fundamental para afirmar-se que o paciente está em
processo de cura ou não. Jamais devemos nos contentar apenas com a suposta
"sensação subjetiva de bem-estar" afirmada pelo enfermo. Um medicamento similar,
portanto inadequado, pode produzir uma acomodação miasmática reativa mais bem-
sucedida que não apenas resulte em melhora clínica, como também em conforto
mental. Assim, sempre acato a norma técnica de interrogar sobre a melhora do
paciente.

Trabalho sempre com a expectativa de que, independentemente do prognóstico


clínico firmado - de funcional a incurável -, o processo de cura homeopático
engendre no paciente uma inquietação de ordem metafísica, que o leve a ocupar-se
da questão transcendente que permeia a sua existência, a mesma que,
negligenciada, enferma-o, e considerada, impele-o vocacionalmente à sua
respectiva felicidade de homem. E "ocupar-se da questão transcendente que
permeia a sua existência" é tarefa mais mundana do que parece. Um indivíduo
Aquila chrysaetos em processo de cura pode indicar a inquietação existencial
própria do processo de cura ao estudar o vôo, ao aderir ao prosaico passatempo do
aeromodelismo ou ao dedicar-se à observação de pássaros. Um Argentum nitricum,
ao interessar-se por relógios. Um Alumina, por escultura em barro.

Muito resumidamente estas são as idéias que tento pôr em prática em meu dia-a-
dia. Não é tarefa fácil, mas mesmo assim me sinto recompensado por dedicar-me a
aplicá-las. Elas compõem uma concepção que contempla o drama do enfermo sem
banalizá-lo, e independentemente de sua correção ou de sua abrangência como
princípio explicativo do fenômeno do adoecimento, certamente faz justiça ao
verdadeiro espírito da homeopatia.

10. OS CAMINHOS DA PRESCRIÇÃO PARA O SUCESSO


TERAPÊUTICO

Dra. Elizabeth Pinto Valente de Souza

Como elementos essenciais para o sucesso de uma prescrição podemos definir:

1.Tomada da história - anamnese - e registro.


2.Entendimento do caso
3.Estratégia da prescrição
a.Definir nível de prescrição possível no caso
65

b.Definição de escala, número de doses, e potência.


4.Definição dos obstáculos e limites do caso e como atuar em relação a eles.

1-Tomada da história - anamnese - e registro.

Na anamnese devemos obter o maior número possível de informações que irão


constituir a totalidade individualizante do paciente. Toda a sintomatologia do quadro
atual deve estar bem definida, como também toda historia patológica pregressa.
O objetivo é conhecer como foi o processo de adoecimento do indivíduo, qualificar e
quantificar este processo. Compreender a forma que ele adoeceu - a que foi
suscetível - e o quanto adoeceu, isto é, a que nível de desestruturação ou não
chegou aquele organismo.

O aspecto clínico - objetivo e o subjetivo - sintoma


gerais e mentais devem ser observados dentro de um único contexto, como uma
única história que acomete o indivíduo concomitantemente.

Todas essas informações devem ser recolhidas e registradas.


A não investigação e observação de algum dos itens semiológicos que constituem o
padrão homeopático de totalidade pode levar a uma anamnese ou registro
incompleto, possibilitando assim o insucesso terapêutico.

2- Entendimento do caso

O conjunto semiológico recolhido deve tomar vida dentro do conceito de


individualidade e unidade, isto é, devemos fazer uma leitura única daquele conjunto,
transformá- lo naquilo que realmente ele é, não vários sintomas ou varias doenças,
mas sim uma coisa única, um único ser, um único doente.
Nessa totalidade buscamos seu sofrimento imaginário individualizado dentro dos
temas principais que ele nos manifeste. A partir do sofrimento primário, Psora
primária, todos os seus sintomas mentais e gerais bem como particulares inclusive
suas entidades clinicas atuais e passadas se enovelam, formando como que um
intrincado novelo de lã. Buscaremos essa correspondência dentro de todos os níveis
de sintomatologia presentes no caso, buscando a forma particular de reação física,
sensorial e mental que está acometida. Compreenderemos então como nosso
doente reage àquele sofrimento imaginário básico, suas reações egotróficas - de
negação ou superposição -, ou ego e alterlíticas - de destruição de tudo que lhe
lembre àquele tema central ou aniquilamento de si mesmo por não suportar a
sensação de falta deste bem tão necessário e que pensa estar irremediavelmente
perdido. Denominamos este movimento de Psora terciária. A partir daí, a leitura de
seus acometimentos gerais e orgânicos se unem pela analogia de seus significados
e a finalidade das funções acometidas nos órgãos ou sistemas alterados e/ou
lesados. Este tipo de prescrição, denomina-se Prescrição Miasmática, onde
procuramos identificar a Dinâmica Miasmática, segundo o conceito proposto por
Masi Elizalde para a compreensão do significado da doença crônica Miasmática
chamada Psora segundo Hahnemann.
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3- Estratégia da prescrição

Definir nível de prescrição possível no caso


Um novo paciente, é uma caixinha de surpresas, não sabemos o que vem, a cada
momento algo novo aparece e aos poucos forma se um quadro.
Este quadro nem sempre se defini claramente da primeira vez, e, às vezes, nem nas
subsequentes, e muitas vezes, temos lacunas que nos dificultam ter uma visão do
quadro por inteiro. É como se nesse caso tivéssemos que supor o que pode estar
contido naquelas lacunas. Muitas vezes isso constitui o trabalho de estabelecer as
hipóteses diagnósticos medicamentosas possíveis e a partir daí traçar um linha de
ação para a abordagem do nosso paciente.
Mas para alcançarmos o sucesso terapêutico devemos tornar objetiva nossa
abordagem, isto é, após as etapas acima, avaliarmos qual quadro temos, ou melhor,
que partes temos do quadro. Isso nos ajudará a definir qual estratégia de prescrição
está mais indicada em um determinado caso.
Não devemos ter a priori, uma metodologia de prescrição para todos os casos pois
isso pode nos levar ao insucesso terapêutico.
É indispensável definir qual das opções temos pela frente:
-O quadro que nos possibilite o entendimento Miasmática do caso como já foi dito
acima.
-Um quadro parcial que nos mostre sintomas de alto valor homeopático mas que não
nos permita estabelecer uma relação entre eles.
-Um quadro com sintomas particulares modalizados

Para cada uma dessas possibilidades faremos um determinado tipo de prescrição.


Prescrição Miasmática onde a totalidade está considerada com o entendimento do
caso. Prescrição parcial, levando em consideração uma parte do quadro sem o
entendimento miasmático desta totalidade sintomática.
Prescrição tomando em consideração uma parte, isto é um órgão, ou sistema
acometido, com alterações de sensação, função ou mesmo de estrutura com lesões
já definidas, porém com modalidades individualizantes.
Muito importante lembrar que tipo de prescrição não significa tipo de ação, isto é,
poderemos alcançar uma ação Miasmática global com uma prescrição parcial ou
mesmo local, ou o contrário também pode ser verdadeiro podemos com uma
prescrição Miasmática alcançar apenas uma ação local ou parcial.
O que difere é que ao evoluirmos nossos paciente, ao não termos o quadro total
Miasmática mais difícil se torna identificar o alcance da prescrição, pois estaremos
lidando com sinais que desconhecemos e isto poderá levar a sérios equívocos, que
terão como conseqüência a mudança errônea de medicamento ou ao contrário,
mantermos a prescrição com medicamentos parciais.

Definição de escala, número de doses, e potência.


Como no item acima, ao considerarmos o paciente devemos pensar também em
individualidade quanto à suscetibilidade ao modo de preparação do medicamento, à
potência, e ao número de doses.
Dependendo desta suscetibilidade, que além de estar relacionada com fatores que
ainda desconhecemos na homeopatia, está com certeza relacionada com o grau de
67

comprometimento, a cronicidade ou agudeza de suas manifestações atuais.


Algumas regras devem ser mantidas quanto a escolha ou prosseguimento da
administração do medicamento, mas as mudanças de escala, a escolha da potência
e suas variações bem como o número de doses, isto é dose única ou repetição e
como fazê-la, devem ser avaliadas individualmente levando em consideração os
fatores já citados acima.

4.Definição dos obstáculos e limites do caso e como atuar em relação à eles.


Hoje nos deparamos com uma realidade sócio cultural que nos traz matizes distintos
de 25, 15 anos até mesmo 10 anos atrás, no campo da medicina e
consequentemente no campo da homeopatia.
Hoje freqüentemente nos deparamos em situações em que a homeopatia é um
agente que "atua com" e não com exclusividade no paciente seja por necessidade
ou por confusão.

Ao recebermos um paciente devemos avaliar a medicação da medicina tradicional


que faz uso rotineiramente, se é possível mantê-la sem que isso prejudique nossa
prescrição ou ao contrário se é indispensável que ela seja retirada.
Isto vale também no que se refere a outras formas de tratamento ditas alternativas
como florais, medicina ortomolecular, nósodios, fitoterápicos, ou mesmo a
homeopatia dentro de um critério organicista com o uso de várias substancias
concomitantemente.
Nesta discussão penso que a possibilidade de risco da vida do paciente e a
dificuldade de avaliação do movimento dos sintomas no caso são fatores absolutos
a serem considerados.

Devemos indagar o que é possível quanto ao que pode ser mantido, o que deve ser
alterado e como devemos fazê-lo. Acho que isso é importante não só para que a
prescrição possa ser bem sucedida como também viável.

Dra. Elizabeth Pinto Valente de Souza


Coordenadora da Escola Kentiana do Rio de Janeiro
Fundadora do Instituto de Homeopatia James Tyler Kent
Trabalho apresentado no III Encontro Sudeste de Homeopatia - 2001

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