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Zacarias Inácio Muheia

A Percepção dos estudantes da Faculdade de Economia e Gestão sobre o


distanciamento Social em Períodos de Pandemia de COVID-19, em Moçambique e no
Brasil. Um Estudo Comparativo entre a Universidade Licungo (UL) e Instituto
Federal do Estado do Ceará (IFCE)

Licenciatura em Administração e Gestão da Educação

Universidade Licungo
Quelimane
2020
Zacarias Inácio Muheia
1

A Percepção dos estudantes da Faculdade de Economia e Gestão sobre o


distanciamento Social em Períodos de Pandemia de COVID-19, em Moçambique e no
Brasil. Um Estudo Comparativo entre a Universidade Licungo (UL) e Instituto
Federal do Estado do Ceará (IFCE)

Curso de Administração e Gestão da Educação

Projecto de carácter avaliativo a ser


apresentado ao Departamento de
Ciências de Educação e Psicologia, na
cadeira de, recomendado pelo docente.
Professor Doutor:
Alberto Bive

Universidade Licungo
Quelimane
2020
Índice
2

CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO........................................................................................3
1.1.Introdução....................................................................................................................3
1.2.Problematização..........................................................................................................4
1.3.Justificativa..................................................................................................................5
1.4.Delimitação do Estudo:...............................................................................................6
1.5.Objectivos....................................................................................................................6
1.5.1.Geral.........................................................................................................................6
1.5.2.Específicos:...............................................................................................................6
1.6.Questões de Partida:....................................................................................................7
1.7.Procedimentos Metodológicos....................................................................................8
1.7.1.Tipo de pesquisa.......................................................................................................8
1.7.2.Universo Populacional da Pesquisa..........................................................................9
1.7.3.Amostra....................................................................................................................9
1.7.4.Técnicas e Instrumentos de Colecta de Dados.........................................................9
1.7.5.Métodos de Apresentação e análise de dados.........................................................10
CAPÍTULO II: Revisão da Literatura.............................................................................11
2.1.Contextualização e conceitos....................................................................................11
2.2.Causas da Doenças....................................................................................................13
2.3.Sinais e sintomas.......................................................................................................13
2.4.Epidemiologia............................................................................................................14
2.5.Expansão Global........................................................................................................15
2.6.Prevenção..................................................................................................................17
2.7.Reações......................................................................................................................18
2.7.1.Organizações Internacionais...................................................................................18
2.8.Banimento de viagens e evacuações..........................................................................22
2.8.1.Brasil.......................................................................................................................23
2.8.2.Educação.................................................................................................................24
2.8.3.Sócio-económico....................................................................................................24
2.9.Desinformação...........................................................................................................26
3.Cronograma..................................................................................................................29
3.1. Orçamento................................................................................................................29
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
1.1.Introdução
3

No âmbito da eclosão da pandemia COVID-19 diversos estudos têm sido levados a


cabo, com vista a mitigar ou mesmo acabar com este mal mundial. Muitos estudos são
feitos por profissionais da saúde, com vista a descobrir a cura, a partir de experiências
diversas nos diversos laboratórios pelo mundo fora.
Porém, poucos são os estudos feitos no contexto educacional, sobretudo em áreas que
não têm a ver com a saúde. É nesta senda que se torna fundamental mostrar que existe
muita coisa em diferentes áreas do saber que carecem de estudos, como é o caso da
Percepção dos estudantes da Faculdade de Economia e Gestão sobre o
distanciamento Social em Períodos de Pandemia de COVID-19, em Moçambique e no
Brasil .
Portanto, este estudo destina-se ao aprofundamento dos conhecimentos sobre a COVID-
19, sobretudo conhecendo percepções dos estudantes de formação superior da
Universidade Licungo (UL) em Moçambique e do Instituto Federal do Estado do Ceará
(IFCE) no Brasil, respectivamente
No que concerne a estrutura do trabalho importa referir que o trabalho contém dois (2)
capítulos, dos quais o primeiro refere-se a Introdução, onde constam todos os elementos
descritivos do estudo, incluindo os procedimentos metodológicos a servirem de base
para a realização da pesquisa.
Por sua vez, no segundo capítulo faz referência a revisão da literatura, onde se
descrevem todos os pressupostos básicos sobre a COVID-19 de forma geral, e de forma
peculiar no Brasil e em Moçambique.
Como metodologia usada para o esboço do projecto, importa dizer que este projecto foi
possível o seu esboço através do uso do método bibliográfico, observação directa e
participante, e uma reflexão pessoal e lógica sobre a pandemia COVID-19 no mundo.
4

1.2.Problematização
No âmbito da Pandemia de COVID-19, o mundo ficou todo agitado e preocupado,
sobretudo na busca de soluções para o efeito. Uma das medidas tomadas pelos
diferentes Estados do mundo inteiro foi o distanciamento social, que culmina com a
paralisação parcial de tudo, isto é, suspensão de aulas presenciais, encontros grupais ou
em multidão, reuniões, suspensão de actividades de divertimento (discotecas, bares,
festas), entre outras actividades.
Enquanto, as medidas impostas pela Organização Mundial da Saúde foram as de higiene
total em todos os momentos do quotidiano dos cidadãos, estamos falar da lavagem
frequente ou desinfectar as mãos, o uso das máscaras, a testagem e submissão a
quarentena obrigatória para todos os que chegam de fora do país, sobretudo aqueles que
vêm de um país com casos de COVID-19, entre outras medidas.
Contudo, como se fez menção, uma das medidas foi a suspensão das aulas presenciais,
sendo que actualmente está-se a trabalhar/estudar por via plataformas “online” . Porém,
apesar de todas estas medidas existem ainda pessoas, tanto em Moçambique, como no
Brasil, que nem uma, nem outra medidas acatam para fazer face ao combate contra a
pandemia de Covid-19. Uns por falta de percepção sobre a tomada das tais medidas,
outros por mera ignorância das mesmas.
Diante disso, por um lado, a comunidade estudantil saiu prejudicada, sobretudo àqueles
estudantes que estudavam presencialmente, e agora vêm-se obrigdos a estudar online,
caso dos estudantes da Universidade Licungo (UL) em Moçambque e do Instituto
Federal do Estado do Ceará (IFCE) no Brasil, sendo que alguns deles podem não
possuir boas habilidades em TIC´s, para o manuseio dos plataformas, o que de certa
forma pode concorrer robustamente para o seu fracasso académico no presente ano
lectivo, facto que deixa muitos questionamentos no seio da comunidade estudantil, bem
como a comunidade em geral, sobretudo nestes dois paises lusófonos. Por outro lado,
àqueles que não têm noção sobre o distanciamento social, ou mesmo àqueles que
ignoram as medidas podem piorar ainda mais a situação de contaminação.
Diante desta situação que se vive no quotidiano dos cidadãos, sobretudo dos estudantes
em geral, e da Universidade Licungo (UL) e Instituto Federal do Estado do Ceára
(IFCE) em particular, surge o seguinte questionamento que não quer calar:
 Que nivel de percepção os estudantes da Faculdade de Economia e Gestão têm
sobre o distanciamento Social em Períodos de Pandemia de COVID-19, em
5

Moçambique e no Brasil, caso dos estuantes da Universidade Licungo (UL) e


Instituto Federal do Estado do Ceará (IFCE)?

1.3.Justificativa
A escolha do presente tema é justificada pela situação triste que se vive na actualidade
no mundo inteiro, com enfoque para Moçambique e Brasil. Portanto, vários motivos
estão na ordem da escolha do presente tema, porém descreveremos apenas alguns
achados pertinentes.
Primeiramente, a escolha do tema é justificada pela actualidade e relevância, uma vez
que no mundo todo as atenções estão viradas para COVID-19, sobretudo a procura de
medidas de mitigação, combate ou mesmo a cura total desta pandemia. No entanto,
como intuito de ajudar de alguma forma, procura-se com este estudo analisar a
percepção dos estudantes sobre a pandemia COVID-19.
De seguida, o tema justifica-se um motivo pessoal e social, pois além de estudante, é um
ser social, e está na mesma situação, portanto também está preocupado com a situação
que se vive, assim pretendendo perceber até que ponto os outros estudantes têm
conhecimentos sobre a pandemia COVID-19 e o distanciamento social, com vista a
analisar o nível de conhecimento da comunidade face ao combate deste mal.
Finalmente, a escolha justifica-se por um motivo pedagógico-científico relacionado às
aulas, portanto é uma preocupação geral para todos os estudantes sobre a situação
académica, sobretudo o retorno às aulas. Portanto, com o estudo acredita-se que seja
possível desenhar alguns mecanismos pedagógicos de implementação dos programas de
ensino traçados para o ano lectivo de 2020, pelas instituições de formação superior em
Moçambique e no Brasil; Antever Medidas Pedagógicas para o retorno das aulas
presenciais, bem como identificar os efeitos do isolamento social e do ensino a distancia
na satisfação estudantil em instituições de ensino superior em Moçambique e no Brasil.
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1.4.Delimitação do Estudo:
O presente estudo tem como tema: A Percepção dos estudantes da Faculdade de
Economia e Gestão sobre o distanciamento Social em Períodos de Pandemia de
COVID-19, em Moçambique e no Brasil, que por sua vez fez-se a sua delimitação
espacio-temporalmente, bem como tematicamente.
No que se refere a delimitação espacial o estudo será realizado em dois países:
Moçambique e Brasil, concretamente em duas instituição de formação superior, a
Universidades Licungo (UL) e o Instituto Federal do Estado do Ceará (IFCE).
Quanto a delimitação temporal, o estudo será realizado num período de 2 meses, sendo
Maio e Junho de 2020, por ser neste período em que a situação está a decorrer e o
período de confinamento está proposto para este intervalo.
Contudo, o tema fica:
 A Percepção dos estudantes da Faculdade de Economia e Gestão sobre o
distanciamento Social em Períodos de Pandemia de COVID-19, em
Moçambique e no Brasil. Um Estudo Comparativo entre a Universidade
Licungo (UL) e Instituto Federal do Estado do Ceará (IFCE)

1.5.Objectivos
1.5.1.Geral
 Analisar a percepção dos Estudantes das instituições de formação superior de
Moçambique e Brasil (UL e IFCE), sobre a pandemia da COVID-19, no âmbito
do isolamento social que provocou a suspensão das aulas, para saber as suas
opiniões na antevisão ao retorno das aulas presenciais.

1.5.2.Específicos:
 Compreender a percepção dos estudantes sobre a pandemia da COVID-19;
 Compreender o nível de Percepção dos riscos de contágio da pandemia no seio
da sociedade moçambicana em comparação com a sociedade brasileira;
 Aprofundar conhecimentos científicos sobre a origem, a evolução e os efeitos da
pandemia global nas instituições de formação superior;
 Elaborar estratégias conjuntas de prevenção nas instituições de formação
superior;
7

 Desenhar mecanismos pedagógicos de implementação dos programas de ensino


traçados para o ano lectivo de 2020, pelas instituições de formação superior em
Moçambique e no Brasil;
 Antever Medidas Pedagógicas para o retorno das aulas presenciais;
 Identificar os efeitos do isolamento social e do ensino a distancia na satisfação
estudantil em instituições de ensino superior em Moçambique e no Brasil.

1.6.Questões de Partida:
 Até que ponto os estudantes do ensino superior estão informados sobre o
distanciamento Social em Períodos de Pandemia de COVID-19, em
Moçambique e no Brasil, caso dos estuantes da Universidade Licungo (UL) e
Instituto Federal do Estado do Ceará (IFCE)?
 Que níveis de Percepção dos riscos de contágio da pandemia no seio da
sociedade moçambicana em comparação com a sociedade brasileira?
 Que estratégias de prevenção da COVID-19 as instituições de formação superior
tomaram?
 Que mecanismos didáctico-pedagógicos podem ser eficientes e eficazes na
implementação dos programas de ensino traçados para o ano lectivo de 2020,
pelas instituições de formação superior em Moçambique e no Brasil?
8

1.7.Procedimentos Metodológicos
1.7.1.Tipo de pesquisa
No que concerne a abordagem, este estudo fará uma mistura dos dois tipos de
abordagem, “Mista”, onde uniremos as abordagens qualitativa e quantitativa, com vista
a obter resultados mais credíveis. De acordo com Gerhardit e Silveira (2009, p.31) “é
uma abordagem de investigação que combina ou associa as formas qualitativa e
quantitativa.”
Trata-se de duas abordagens com características antagónicas, na qual combinam-se de
forma que uma prevaleça sobre a outra ao mesmo tempo em que podem se
complementar na apresentação de resultados.
No entanto, a pesquisa quantitativa será usada para quantificar o número de pessoas a
serem envolvidas na pesquisa no âmbito da recolha de dados nas suas instituições de
formação superior. Por outro lado, a mesma informação colectada, será representada em
forma de percentagem, em gráficos ou tabelas com vista a demonstrar o nível de
respostas e a quantidades das pessoas que responderam.
Por sua vez, a pesquisa qualitativa será usada para a obtenção das informações de todos
os envolvidos na pesquisa, analisando as respostas de forma lógica e estudando as suas
particularidades e experiências individuais, entre outros aspectos, através do
questionário que será aplicado aos estudantes de cada instituição de formação superior
referenciadas, dos países e em referência.
No que concerne a classificação da pesquisa quanto aos procedimentos de colecta de
dados, esta pesquisa classifica-se como sendo um estudo de caso, uma vez que se
pretende fazer uma pesquisa particularmente na Universidade Licungo e Instituto
Federal do Estado do Ceará (IFCE). Segundo Gil (1999, p.56), estudo de caso, permite
maior interpretação do problema e parte de princípio de que o estudo de caso pode ser
considerado representativo de muitos outros casos semelhantes.
No entanto, neste estudo faremos uma colecta de dados de um caso particular, neste
caso nas universidades supracitadas, sobretudo em Moçambique e Brasil, a partir de
alguns instrumentos de colecta de dados vigentes neste estudo, que posteriormente serão
interpretados e tirados posteriores conclusões que abarcarão vários casos semelhantes.
9

1.7.2.Universo Populacional da Pesquisa


Esta pesquisa conta com a colaboração de estudantes, Docentes e a Direcção das duas
instituições de formação superior, tanto de Moçambique como do Brasil, numa
estimativa aproximadamente a 600 pessoas envolvidas no estudo.

1.7.3.Amostra
Porém, nesta amostra estimada, pretende-se trabalhar com ¼ do universo, neste caso
150 estudantes, dos quais 75 para cada Instituição de formação superior.

1.7.4.Técnicas e Instrumentos de Colecta de Dados


 Análise Documental e Bibliográfica

Neste trabalho usaremos a pesquisa documental, que ajudará a compreender melhor o


tema, sobretudo na base de documentos já existentes oficialmente nas duas instituições
sobre covid-19, formas de prevenção, combate, expansão pelo mundo e as possíveis
curas no mundo.

Segundo Lakatos e Marconi (1990, p.56), a pesquisa documental tem como fonte os
documentos escritos ou não escritos, podendo ser levantados depois ou no momento que
o fenómeno ocorre. São classificados como fontes primárias de pesquisa.

Tal como a pesquisa documental, a Pesquisa Bibliográfica, também usaremos para


aprimorar o conhecimento sobre a pandemia da covid-19, através de informações
difusas em diferentes fontes. Segundo Gil (1999:76), "pesquisa bibliográfica e
desenvolvida através de material já elaborado constituído principalmente de livros e
artigos científicos".

 Questionário
O questionário é um dos instrumentos de recolha de dados [por meio de um limitado de
perguntas que são Auto preenchidas pelos participantes, (Alves, 2017).
Esta técnica será usada neste trabalho, para colher informações por meio de questões
abertas e fechadas, que serão previamente formuladas e num guião de questionário, a
ser aplicado aos estudantes das duas instituições de formação superior, conforme a
nossa amostra.
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Porém, ciente da quarentena ou do período de distanciamento social, este questionário


pode ser aplicado através dos plataformas online, com apoio dos docentes das duas
universidades em estudo.

1.7.5.Métodos de Apresentação e análise de dados


Os dados, depois de serem recolhidos, serão agrupados e trabalhados em computadores.
Estes serão submetidos à uma análise rigorosa.
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CAPÍTULO II: Revisão da Literatura


2.1.Contextualização e conceitos
A pandemia de COVID-19 é uma pandemia em curso de COVID-19, uma doença
respiratória aguda causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2
(SARS-CoV-2). A doença foi identificada pela primeira vez em Wuhan, na província de
Hubei, República Popular da China, em 1 de dezembro de 2019, mas o primeiro caso
foi reportado em 31 de dezembro do mesmo ano, (Bruno, 2020).
Acredita-se que o vírus tenha uma origem zoonótica, porque os primeiros casos
confirmados tinham principalmente ligações ao Mercado Atacadista de Frutos do Mar
de Huanan, que também vendia animais vivos. Em 11 de março de 2020, a Organização
Mundial da Saúde declarou o surto uma pandemia.
Para Krugman (2020) até 11 de Maio de 2020, pelo menos 4 101 060 casos da doença
foram confirmados em mais de 187 países e territórios, com grandes surtos nos Estados
Unidos (cerca de 1 362 715 casos), Espanha (mais de 224 000 casos), Reino Unido
(mais de 219 200 casos), Itália (mais de 219 000 casos), Rússia (mais de 209 000
casos), Alemanha (mais de 171 000 casos), Brasil (mais de 162 000 casos), França
(mais de 139 000 casos), Turquia (mais de 138 000 casos), Irã (mais de 107 000 casos)
e China continental (mais de 82 900 casos). Pelo menos 282 694 pessoas morreram
(mais de 80 000 nos Estados Unidos, mais de 31 800 no Reino Unido, pelo menos
30 500 em Itália, cerca de 26 600 em Espanha, por volta de 26 300 em França, mais de
11 100 no Brasil e pelo menos 4 600 na China) e 1 402 882 foram curadas.
Os cientistas chineses isolaram um novo coronavírus, o COVID-19, 70% semelhante na
sequência genética ao SARS-CoV, e posteriormente mapearam e disponibilizaram a sua
sequência genética.
Inicialmente, o vírus não mostrou a mesma gravidade do SARS, porém com um
contágio maior. As questões levantadas incluem se o vírus está circulando há mais
tempo do que se pensava anteriormente, se Wuhan é realmente o centro do surto ou
simplesmente o local em que foi identificado pela primeira vez com a vigilância e os
testes em andamento, e se poderia haver uma possibilidade de que Wuhan seja um
evento de superdispersão, (Sirletti, 2020).
Em 22 de janeiro de 2020, foi discutido por um comitê de emergência organizado pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) se o incidente constituía uma Emergência de
Saúde Pública de Âmbito Internacional (PHEIC) sob os Regulamentos Internacionais de
Saúde. A decisão foi adiada por falta de informação. Em 23 de Janeiro de 2020, a OMS
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decidiu não declarar o surto uma PHEIC. Entretanto, em 30 de Janeiro de 2020, a OMS
declarou o surto uma PHEIC, pedindo que "uma acção coordenada de combate à doença
deverá ser traçada entre diferentes autoridades e governos".
A declaração fez com que esta fosse apenas a sexta vez que essa medida foi invocada
pela OMS, desde a pandemia de H1N1 em 2009. Na primeira semana de fevereiro de
2020, o número de mortes causado pelo novo coronavírus ultrapassou 800, superando o
SARS, que matou 774 pessoas em todo o mundo entre 2002 e 2003. Posteriormente, no
mês de fevereiro, o número de mortes subiu para mais de 1 400, e ultrapassou 3 000 em
Março, (Pires, 2020).
De acordo com as pesquisas da Universidade de Agricultura do Sul da China, o
pangolim pode ter sido o hospedeiro intermediário do vírus, enquanto pesquisas do
Centro Chinês para Controle e Prevenção de Doenças, encontraram similaridade com a
genética de morcegos e cobras. Os cientistas estudaram mil amostras de animais
selvagens e determinaram que os genomas das sequências de vírus estudadas no
pangolim eram 99% idênticos aos dos pacientes infectados pelo coronavírus em Wuhan.
Em 11 de fevereiro de 2020, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chefe da OMS, anunciou o
nome oficial da doença, que passaria a ser chamada de COVID-19, porque a palavra
coronavírus refere-se ao grupo que o vírus pertence, e não à última cepa descoberta,
sendo que o vírus em si foi designado por SARS-CoV-2.[30] O epidemiologista
americano e consultor da OMS, Ira Longini, alertou que cerca de dois terços da
população mundial podem ser infectados pelo COVID-19.
No dia 9 de março de 2020, o canal de notícias CNN passou a considerar o surto uma
pandemia, sob justificativa de que o vírus encontrou um ponto de apoio em todos os
continentes, exceto na Antártida, e que em vários países do mundo os casos continuam a
crescer, (Laurence, 2020).
No dia 11 de março de 2020, a OMS declarou o surto como pandemia. Os efeitos
mundiais da pandemia incluem instabilidade social e econômica (queda do mercado
global de acções), corridas às compras, xenofobia e racismo contra pessoas de
descendência chinesa e do leste asiático, a disseminação on-line de informações falsas e
teorias da conspiração sobre o vírus, e o encerramento de escolas e universidades em
pelo menos 115 países, afectando mais de 1.6 bilhão de estudantes. Até ao momento, a
transmissão a animais de companhia como cães e gatos ainda não foi confirmada, sendo
considerado que estes animais não transmitem a doença, embora em um caso raro, um
gato na Bélgica testou positivo.
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2.2.Causas da Doenças
Para Sirletti (2020, p.78) A causa da pandemia é uma doença respiratória denominada
COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019). A doença é causada pela infeção
com o coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2).
O SARS-CoV-2 é um vírus ARN de cadeia simples positiva e pertence a uma grande
família de vírus denominada coronavírus. Os coronavírus causam várias infeções
respiratórias em seres humanos, desde simples constipações até doenças mais graves
como a síndrome respiratória do Médio Oriente (MERS) ou a síndrome respiratória
aguda grave (SARS). O SARS-CoV-2 é o sétimo coronavírus conhecido a poder infetar
seres humanos, sendo os restantes o 229E, NL63, OC43, HKU1, MERS-CoV e o
SARS-CoV original.
O SARS-CoV-2 foi identificado pela primeira vez em seres humanos em dezembro de
2019 na cidade de Wuhan, na China. É provável que o vírus tenha tido origem numa
mutação dos coronavírus de morcegos. Pensa-se que antes de ser transmitido aos seres
humanos tenha passado por um reservatório animal intermédio, como o pangolim.
Estima-se que o número básico de reprodução do vírus seja de entre 1,4 e 3,9. Isto
significa que é esperado que cada infecção pelo vírus resulte em 1,4 a 3,9 novas
infeções quando nenhum membro da comunidade é imune e não é tomada nenhuma
medida preventiva, (Pires, 2020).
Não existem medicamentos antivirais aprovados para o tratamento de COVID-19,
embora estejam vários a ser desenvolvidos e a serem testados medicamentos já
existentes. Em casos ligeiros, o alívio dos sintomas pode ser tentado com os mesmos
medicamentos para o alívio de sintomas da constipação, ingestão de líquidos e repouso.
Em casos mais graves pode ser necessária hospitalização com oxigenoterapia, soro e
ventilação mecânica. A administração de corticosteroides pode agravar o prognóstico.

2.3.Sinais e sintomas
A gravidade dos sintomas varia, desde sintomas ligeiros semelhantes à constipação até
pneumonia viral grave com insuficiência respiratória potencialmente fatal. Em muitos
casos de infecção não se manifestam sintomas. Nos casos sintomáticos, os sintomas
mais comuns são febre, tosse e dificuldade em respirar. Entre outros possíveis sintomas
menos frequentes estão garganta inflamada, corrimento nasal, espirros ou diarreia. Entre
as possíveis complicações estão pneumonia grave, falência de vários órgãos e morte,
(Laurence, 2020).
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Entre os sinais de emergência que indicam a necessidade de procurar imediatamente


cuidados médicos estão a dificuldade em respirar ou falta de ar, dor persistente ou
pressão no peito, confusão, ou tom azul na pele dos lábios ou da cara.
O período de incubação entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas é, em média,
de 5 dias, embora possa variar entre 2 e 14 dias. A doença é contagiosa durante o
período de incubação, pelo que uma pessoa infectada pode contagiar outras antes de
começar a manifestar sintomas.

2.4.Epidemiologia
Os primeiros casos suspeitos foram notificados em 31 de Dezembro de 2019, com os
primeiros sintomas aparecendo algumas semanas antes, em 1 de Dezembro de 2019. O
Mercado foi fechado em 1 de Janeiro de 2020 e as pessoas com os sintomas foram
isoladas, (Lau; Wong e Zhu, 2020, p.78).
Mais de 700 pessoas, incluindo mais de 400 profissionais de saúde, que entraram em
contacto próximo com casos suspeitos, foram posteriormente monitoradas. Com o
desenvolvimento de um teste de PCR de diagnóstico específico para detectar a infecção,
a presença de COVID-19 foi então confirmada em 41 pessoas em Wuhan, das quais
duas foram posteriormente relatadas como sendo um casal, um dos quais não tinha
estado no Mercado e outros três membros da mesma família que trabalhavam nas
bancas de produtos do mar do mesmo Mercado.
A primeira morte decorrente da epidemia ocorreu em 9 de Janeiro de 2020. A Comissão
Nacional de Saúde da China confirmou, em 20 de janeiro de 2020, que o novo
coronavírus pode ser transmitido entre seres humanos. Na altura, vários profissionais de
saúde também foram infectados. A OMS alertou que era possível um surto mais amplo.
Houve também preocupações de se espalhar mais durante a alta temporada de viagens
da China por volta do Ano-Novo Chinês, (Krugman, 2020).
A 20 de janeiro, a China registrou um aumento acentuado nos casos com quase 140
novos pacientes, incluindo duas pessoas em Pequim e uma em Shenzhen. Em 23 de
janeiro de 2020, Wuhan foi colocada em quarentena, no qual todo o transporte público
dentro e fora de Wuhan foi suspenso. Huanggang e Ezhou, adjacentes a Wuhan,
também foram colocadas em quarentena semelhante em 24 de janeiro de 2020. Em 24
de janeiro de 2020, o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado na Europa,
mais precisamente em França.
15

A 13 de fevereiro de 2020, após dois casos confirmados em condomínio, autoridades


investigam transmissão entre pacientes sem qualquer tipo de relação. A suspeita é de
que o vírus tenha se espalhado pela canalização de um edifício. Um prédio de 35
andares foi evacuado e mais de cem pessoas não puderam voltar para casa após a
confirmação de que dois moradores estavam com o vírus: uma mulher de 62 anos, que
mora no 3.º andar, e um vizinho não identificado do 13.º, (Sirletti, 2020).
No mesmo dia, Robert Redfield, diretor do Centros de Controle e Prevenção de
Doenças dos EUA (CDC), disse a CNN que a transmissão assintomática do novo
coronavírus é possível. Redfield disse que uma pessoa infectada que não apresenta
sintomas ainda pode transmitir o vírus a outra pessoa.

2.5.Expansão Global

Segundo, Young (2020) a 15 de fevereiro, foi confirmado o primeiro caso do novo


coronavírus — de uma norte-americana de 83 anos — envolvendo o navio de cruzeiro
Westerdam, que tinha um total de 1455 passageiros e 802 tripulantes a bordo e não
estava em quarentena. Vários países asiáticos recusaram-se a deixar o Westerdam
atracar em seus portos antes de serem autorizados a desembarcar no Camboja no dia 14
de Fevereiro.
Já no dia 26 de fevereiro, uma mulher japonesa pegou o vírus pela segunda vez. A
mulher, que tem por volta de 40 anos, fez o teste pela segunda vez após ter dor de
garganta e no peito. A primeira vez havia sido sido infectada no fim de janeiro, ficou
internada e recebeu alta do hospital em 1 de fevereiro. Embora esse seja o primeiro caso
conhecido no Japão, infecções reincidentes foram relatadas na China.
De seguida, no dia 18 de março de 2020, dado a situação alarmante que a pandemia
chegou, o presidente dos Estados Unidos Donald Trump em entrevista, anunciou que
vai invocar a lei de guerra e comparou esforços à Segunda Guerra Mundial; uma
analogia ao cenário da segunda Guerra.
Por sua vez, Laurence (2020), afirma que a partir de meados de janeiro de 2020,
ocorreram os primeiros casos confirmados fora da China continental. O primeiro caso
confirmado fora da China foi na Tailândia, em 13 de janeiro. Após isso, casos da doença
foram confirmados no Japão (16 de janeiro); Coreia do Sul (20 de janeiro); Taiwan e
Estados Unidos (21 de janeiro); Hong Kong e Macau da China (22 de janeiro);
Cingapura (23 de janeiro); França, Nepal e Vietnã (24 de janeiro); Malásia e Austrália
(25 de janeiro); Canadá (26 de janeiro); Camboja (27 de janeiro); Alemanha (28 de
16

janeiro); Finlândia, Emirados Árabes Unidos e Sri Lanka (29 de janeiro); Itália, Índia e
Filipinas (30 de janeiro); Reino Unido (31 de janeiro).
Durante o mês de fevereiro, o número de países com casos confirmados da doença
aumentou de forma considerável, com primeiros casos sendo confirmados na Bélgica (4
de fevereiro); Egito (14 de fevereiro); Irã (19 de fevereiro); Israel e Líbano (21 de
fevereiro); Afeganistão, Bahrein, Iraque, Kuwait e Omã (24 de fevereiro); Argélia,
Brasil, Croácia, Áustria, Suíça (25 de fevereiro); Geórgia, Grécia, Macedônia do Norte,
Noruega, Paquistão, Romênia (26 de fevereiro); Dinamarca, Estônia, Nigéria, Países
Baixos, San Marino (27 de fevereiro); Azerbaijão, Islândia, Lituânia, México, Mônaco,
Nova Zelândia, Bielorrússia (28 de fevereiro); Equador, Irlanda, Luxemburgo e Catar
(29 de fevereiro), (Laurence, 2020).
Na mesma senda, Lau, Luk, Wong, Li, Zhu , He, et al. (2020) realçam que durante o
mês de março, casos da doença também foram confirmados na Armênia, Guadalupe da
França, República Tcheca, República Dominicana, São Bartolomeu e São Martinho da
França (1 de março); Andorra, Indonésia, Jordânia, Letônia, Marrocos, Portugal,
Senegal (2 de março); Argentina, Chile, Gibraltar do Reino Unido, Liechtenstein,
Ucrânia (3 de março); Guiana Francesa, Ilhas Faroé da Dinamarca, Hungria, Polônia (4
de março); Eslovênia, Bósnia e Herzegovina, Palestina, África do Sul, Martinica da
França (5 de março); Butão, Vaticano, Sérvia, Togo, Camarões, Eslováquia (6 de
março); Maldivas, Colômbia, Peru, Malta, Paraguai, Costa Rica, Moldávia (7 de
março); Bulgária, Bangladesh (8 de março); Albânia, Chipre, Brunei, Burkina Faso,
Guernsey do Reino Unido (9 de março); Mongólia, Chipre do Norte, Panamá, Jamaica,
República Democrática do Congo, Jersey do Reino Unido, Turquia (10 de março);
Bolívia, Guiana, Honduras, Costa do Marfim, Polínesia Francesa, Reunião da França
(11 de março); Gabão, Gana, Guiana, Cuba, São Vicente e Granadinas, Trinidad e
Tobago (12 de março); Antígua e Barbuda, Aruba dos Países Baixos, Burkina Faso,
Cazaquistão, Curação dos Países Baixos, Etiópia, Guatemala, Guiné, Ilhas Cayman do
Reino Unido, Ilhas Virgens Americanas, Mauritânia, Mayotte da França, Kosovo, Porto
Rico, Quênia, Santa Lúcia, Sudão, Suriname, Uruguai, Venezuela (13 de março);
Congo, Guiné Equatorial, Mauritânia, Namíbia, Ruanda, Seychelles, Suazilândia (14 de
março); Bahamas, Guam dos Estados Unidos e Uzbequistão (15 de março); Groenlândia
da Dinamarca, Libéria e Tanzânia (16 de março). Até 11 de maio de 2020, pelo menos
4 101 060 casos foram confirmados globalmente, em mais de 200 países e territórios,
com grandes contágios na Europa, na China continental, nos Estados Unidos, no Irã e na
17

Coreia do Sul. Pelo menos 282 694 mortes foram confirmadas e 1 402 882 pessoas
foram curadas ao redor do mundo.
Por sua vez, no dia 2 de abril de 2020, o número de casos confirmados no mundo
ultrapassou um milhão, com a pandemia na Europa representando mais da metade das
pessoas infectadas. O número de mortes ultrapassou 50 mil. Os dados são da
Universidade Johns Hopkins, uma das mais respeitadas instituições de saúde do mundo.
Até a presente data, o número da universidade é maior do que os contabilizados pela
OMS, que confirmou 896 mil casos em 205 países, (Lau, Luk, Wong, Li, Zhu , He, et
al., 2020).
Seguidamente, no dia 10 de abril, a pandemia atingiu mais de cem mil mortes no
mundo, com o número total de casos ultrapassando 1,6 milhão, de acordo com a
Universidade Johns Hopkins. E no dia 15 de abril, o número de infectados pela doença
ultrapassou dois milhões; no entanto, esse número apenas revela uma parte do total de
contágios, uma vez que as políticas de detecção variam entre os países, alguns contando
apenas os pacientes hospitalizados, (Young, 2020).

2.6.Prevenção

Segundo a OMS, citada em Sirlletti, (2020), existem várias estratégias para controlar
um surto: contenção, mitigação e supressão. As medidas de contenção são realizadas
nas primeiras fases do surto e têm por objetivo localizar e isolar os casos de infeção,
além de vacinação e outras medidas para controlar a infeção para impedir que a doença
se propague para o resto da população. Quando deixa de ser possível conter a
propagação da doença, as medidas passam a estar focadas em atrasar e mitigar os seus
efeitos na sociedade e no sistema de saúde. É possível que medidas de contenção e
mitigação sejam realizadas em simultâneo. As medidas de supressão requerem que
sejam tomadas medidas mais extremas para reverter a pendemia ao diminuir o número
reprodutivo para menos de 1.
Parte da gestão de um surto de uma doença infeciosa consiste em tentar diminuir o pico
epidemiológico, um processo denominado "achatar a curva epidemiológica".Isto
diminui o risco de sobrelotação dos serviços de saúde e dá mais tempo para que possam
ser desenvolvidas novas vacinas e tratamentos. Entre as intervenções não
farmacológicas que permitem controlar o surto estão medidas de prevenção pessoais,
como lavar as mãos, utilizar máscaras faciais e quarentena voluntária, e medidas de
prevenção comunitárias, como encerrar escolas e cancelar eventos que reúnam um
18

grande número de pessoas; medidas ambientais, como limpeza e desinfeção de


superfícies; e medidas que promovam a adesão social nestas intervenções.
Entre algumas medidas de supressão tomadas em alguns países estão a quarentena de
várias cidades, proibição de viagens, rastreio em massa, apoio financeiro para infetados
que se auto-isolem, multas para quem desrespeitar o isolamento, criminalização do
açambarcamento de material médico, e notificação compulsória de sintomas
semelhantes à gripe, (Sirlletti, 2020).
No dia 3 de abril de 2020, o imunologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional
de Doenças Infecciosas e conselheiro do presidente Donald Trump durante a pandemia,
afirmou no canal Fox News que as informações indicam que "o vírus realmente pode
ser transmitido inclusive quando as pessoas simplesmente falam, não apenas quando
tossem ou espirram", e que isso explicaria o alto contágio do vírus, (Laurence, 2020).

2.7.Reações

2.7.1.Organizações Internacionais

 Nações Unidas

No dia 30 de Março, em um relatório publicado pela Conferência das Nações Unidas


sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), órgão da Organização das Nações
Unidas (ONU) para comércio e desenvolvimento, as Nações Unidas pediram um pacote
de 2,5 trilhões de dólares para nações de países em desenvolvimento, de forma a
transformar manifestações de solidariedade internacional em ação global efetiva,
(Laurence, 2020).

Já no dia primeiro de abril de 2020, o Secretário-geral das Nações Unidas, António


Guterres, afirmou que a crise do novo coronavírus é o maior desafio da humanidade
desde a Segunda Guerra Mundial, tanto pela ameaça às vidas quanto pelas
consequências à economia mundial.

 Organização Mundial da Saúde

O objetivo das medidas de mitigação são atrasar o pico epidemiológico e suavizar a


pressão do pico nos sistemas de saúde, um processo denominado "achatar a curva".
19

A 10 de fevereiro, a conselheira sênior do Departamento de Gestão de Contágios da


Organização Mundial da Saúde (OMS), Nahoko Shindo, em entrevista à NHK, na sede
da ONU, em Genebra, afirmou que o novo vírus teria aparecido entre seres humanos
por volta de Novembro do ano passado, embora sua origem continue desconhecida. A
conselheira da OMS disse ser extremamente difícil criar uma vacina que possa prevenir
completamente uma doença contagiosa do sistema respiratório, e acrescentou que será
necessário agregar conhecimentos de todo o mundo para combater o vírus. A 11 de
fevereiro de 2020, cerca de 300 cientistas, representantes de agências de saúde pública,
de ministérios da Saúde e financiadores de pesquisas reuniram-se para um encontro de
dois dias na OMS com o objetivo de compartilhar as informações mais recentes sobre o
vírus e decidir qual a melhor forma de combate-lo, (Zhu, Zhang, Wang, et al, 2020).
Por outro lado, a 15 de fevereiro de 2020, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom,
pediu aos governos que intensifiquem seus esforços para se preparar para o coronavírus
e disse que "é impossível prever que direção essa epidemia tomará". A 23 de fevereiro
de 2020, Tedros Adhanom afirmou que a agência vai investir 675 milhões de dólares
em um plano de resposta à doença para apoiar os países, especialmente os mais
vulneráveis. Adhanom disse que a OMS identificou 13 países prioritários na África por
serem locais com alto número de voos diretos para a China, e que a preocupação da
organização no momento é o aumento no número de casos de COVID-19, sem que a
pessoa infectada tenha viajado à China ou tido contato com alguém que esteve lá.
Segundo Baird, (2020) no dia 24 de fevereiro, Adhanom pediu ao mundo que se prepare
para uma pandemia. "Temos que fazer todo o possível para nos prepararmos para uma
potencial pandemia.", disse o diretor-geral da OMS. O cenário mudou rapidamente em
poucos dias. Passou-se de uma situação com os casos na China contidos e o resto do
mundo as infecções escassas a outra situação com surtos descontrolados na Itália, na
Coreia do Sul e no Irã. No dia 9 de março de 2020, em entrevista coletiva, Tedros
Adhanom Ghebreyesus, abordou o surto em suas observações iniciais, dizendo que é
importante lembrar "de todos os casos relatados globalmente até agora, 93 por cento são
de apenas quatro países".
A OMS elogiou os esforços das autoridades chinesas na gestão e contenção da
epidemia, tendo o diretor-geral Tedros Adhanom expressado confiança na abordagem
da China no controlo da epidemia e apelando ao público para manter a serenidade. A
OMS salientou o contraste entre a epidemia de SARS de 2002-2004, em que as
autoridades chinesas foram acusadas de secretismo que impediu medidas de prevenção
20

e contenção, e a crise atual em que o governo central forneceu atualizações regulares


para evitar o pânico antes do ano novo chinês, (Imperial College COVID-19 Response
Team. 16 de março de 2020).
Em 23 de janeiro, reagindo à decisão das autoridades centrais em impôr uma proibição
de transportes em Wuhan, o representante da OMS Gauden Galea salientou que embora
não tenha sido recomendação da OMS, foi no entanto um sinal muito importante no
compromisso de conter a epidemia no local de maior concentração e sem precedentes na
história da saúde pública. Em 30 de Janeiro, após a confirmação de transmissão
comunitária fora da China e do aumento do número de casos noutros países, a OMS
declarou o surto uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPAI), a
sexta desde que a medida foi invocada pela primeira vez durante Pandemia de gripe de
2009. O diretor-geral clarificou que a ESPAI, neste caso, não representou falta de
confiança na China, mas se deveu ao risco de transmissão global, especialmente em
países com menos recursos e sem sistemas de saúde robustos. Em resposta à
implementação de restrições de viagem, Tedros afirmou que não existiam razões para
medidas que interfiram de forma desnecessária com as viagens e comércio
internacionais e que a OMS não recomendava limitar o comércio e a deslocação de
pessoas.
Em 5 de fevereiro, a OMS fez um apelo à comunidade mundial para que contribuísse
com 657 milhões de dólares para o financiamento de meios de prontidão estratégicos
em países de baixo rendimento, citando a urgência em apoiar países que não têm os
sistemas para detectar pessoas que contraíram o vírus. Tedros declarou em seguida que
"somos apenas tão fortes como o nosso elo mais fraco" e apelou a que a comunidade
internacional investisse hoje ou mais tarde acabaria por pagar as consequências,
(Anderson; Heesterbeek; Klinkenberg; Hollingsworth, 2020).
Em 11 de fevereiro, a OMS anunciou numa conferência de imprensa que COVID-19
seria o nome da doença. No mesmo dia, Tedros anunciou que o secretário-geral da
ONU, António Guterres, concordou em disponibilizar todo o poder da ONU para
responder à epidemia. Consequentemente, a ONU formou uma Equipa de Gestão de
Crise, permitindo a coordenação da resposta das Nações Unidas, que a OMS afirma que
lhe irá permitir focar na resposta de saúde, enquanto outras agências trazem a sua
experiência para lidar com as implicações sociais, económicas e de desenvolvimento do
surto. Em 14 de fevereiro, foi ativada uma missão conjunta entre a OMS e a China, que
disponibilizou no terreno peritos internacionais e da OMS para prestar assistência na
21

gestão doméstica do surto e avaliar a gravidade e transmissão da doença. A equipa


conduziu várias reuniões de trabalho com as principais instituições nacionais de forma a
conduzir visitas ao terreno para avaliar o impacto das medidas de resposta a nível
regional, tanto em contextos urbanos como rurais.
Segundo Pires,( 2020) Em 25 de fevereiro, a OMS declarou que a comunidade
internacional deveria fazer mais para se preparar para uma possível pandemia de
coronavírus, afirmando que embora ainda fosse cedo para ser classificada como
pandemia, os países ainda assim deveriam estar numa fase de preparação. Em resposta
ao surto que se começava a desenvolver no Irão, a OMS enviou no mesmo dia uma
missão conjunta ao terreno para avaliar a situação. Já em 28 de fevereiro, funcionários
da OMS afirmaram que o nível de ameaça global do coronavírus seria aumentado de
"elevado" para "muito elevado", o nível mais alto. Mike Ryan, diretor executivo do
programa de emergências da OMS, apelou novamente à necessidade de preparação por
parte dos governos e que as medidas de resposta correctas poderiam ajudar o mundo a
evitar o pior. Afirmou também que, com base nos dados até à data, não era ainda
possível declarar uma pandemia, já que essa classificação implica uma previsão que
todos os seres humanos no planeta serão potencialmente expostos a esse vírus. Em 11
de março, a OMS classificou oficialmente o surto de coronavírus como pandemia. O
diretor-geral afirmou que a OMS estava profundamente preocupada com os níveis
alarmantes de propagação e gravidade do vírus, e também com os níveis alarmantes de
inação dos governos.
No início de abril de 2020, a OMS anunciou preparar um novo projeto internacional
para mapear a real extensão da COVID-19 pelo mundo, propondo executar testes em
massa para identificar anticorpos contra o vírus na população, contabilizando também
os casos assintomáticos ou leves, que em sua maioria passam em branco.
No dia 11 de abril de 2020, a OMS anunciou que investiga se pessoas que foram
curadas da COVID-19 podem novamente ser infectadas pelo novo coronavírus, após a
Coreia do Sul anunciar que 91 pacientes que tiveram alta voltaram ser diagnosticados
com a doença, (Baird, 2020).
Em 17 de abril, a OMS alertou que muitos países terão que revisar o número de mortos
pelo novo coronavírus. De acordo com Maria Van Kerkhove, a contagem dos mortos
tornou-se difícil por fatores como excesso de trabalho por parte do pessoal de saúde,
que dá prioridade aos doentes, o isolamento dos pacientes em suas casas ou por causa de
processos burocráticos.
22

 Reacções domésticas
Alguns países exigem que as pessoas relatem sintomas semelhantes aos da gripe ao seu
médico, especialmente se estiverem visitado a China continental. Em 20 de janeiro de
2020, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, pediu esforços decisivos e eficazes para
prevenir e controlar a epidemia de pneumonia causada pelo novo coronavírus.
No dia 10 de março de 2020, o Google recomendou que todos os funcionários da
América do Norte trabalhem em casa pelo próximo mês, (Baird, 2020).
No dia 25 de março, o governo de Narendra Modi (Índia), decretou, o confinamento da
população por 21 dias, o maior do mundo, numa tentativa desesperada de conter a
pandemia. Nas ruas, as forças de segurança impõem, por vezes à força, a quarentena.
No dia 27 de março, na África do Sul, entrou em vigor o isolamento obrigatório de 21
dias. O presidente Cyril Ramaphosa convocou o exército para reforçar o confinamento
da população.

2.8.Banimento de viagens e evacuações

Devido à implementação de medidas de quarentena e paralização dos transportes


públicos em Wuhan e Hubei, vários países levaram a cabo evacuações dos respetivos
cidadãos e corpo diplomático na região, principalmente através de voos charter com
autorização especial de circulação pelas autoridades chinesas. Entre os países que
levaram a cabo evacuações dos seus cidadãos estão o Canadá, Estados Unidos, Japão,
Índia, Itália, França, Austrália, Sri Lanca, Alemanha, Tailândia, Brasil. Países como
Estados Unidos, Hong Kong, Canadá e Itália precisaram fazer evacuações no navio de
cruzeiro Diamond Princess atracado em Yokohama, uma cidade portuária a sudoeste de
Tóquio, colocado em quarentena com mais de 3 600 pessoas a bordo, (Laurence, 2020).
Como resultado do surto, muitos países e regiões impuseram quarentenas ou proibições
de entrada a cidadãos ou visitantes das áreas mais afetadas da pandemia. A União
Europeia rejeitou a idéia de suspender a zona de livre circulação do Espaço Schengen e
introduzir controles de fronteira com a Itália, uma decisão que foi criticada por alguns
políticos europeus. Depois que alguns estados membros da UE anunciaram o
fechamento completo de suas fronteiras nacionais para estrangeiros, a presidente da
Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que "certos controles podem ser
justificados, mas as proibições gerais de viagens não são consideradas as mais eficazes
23

pelo Organização Mundial da Saúde." Os Estados Unidos suspenderam as viagens do


Espaço Schengen e, posteriormente, das Ilhas Britânicas.

2.8.1.Brasil

Em 25 de fevereiro, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou o primeiro


caso no Brasil. Trata-se de um paciente de 61 anos que esteve em viagem na Itália do
dia 9 a 21 de fevereiro. O paciente se encontra em quarentena em casa pelos próximos
14 dias. Antes mesmo da confirmação do caso, o Brasil já havia elevado seu alerta para
a doença de nível 2 (perigo iminente) para 3, no qual se declara emergência de saúde
pública de importância nacional. A 5 de março, o Ministério da Saúde confirmou que o
Brasil registrou transmissão local do vírus em São Paulo, (Laurence, 2020). Segundo o
Ministério da Saúde, uma pessoa que esteve na festa de família com o primeiro paciente
confirmado com COVID-19 do Brasil foi infectada com a doença e passou a uma
terceira pessoa, que não esteve na festa. Este processo é chamado de transmissão local.
No dia 17 de março, o Estado de São Paulo registrou a primeira morte no Brasil pelo
novo coronavírus, de um homem de 62 anos que estava internado em um hospital na
cidade de São Paulo. No mesmo dia, uma mulher morreu no Rio de Janeiro, após
contrair o vírus da sua patroa, no Leblon, (Young, 2020).
No dia 10 de fevereiro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro assinou medida provisória
(MP) que destina crédito extraordinário de 11 287 803,00 reais [cerca de 2,3 milhões de
euros ou 2,5 milhões de dólares] ao Ministério da Defesa para combate ao vírus. A MP
foi publicada na edição do Diário Oficial da União (DOU) e, portanto, está em vigor. O
dinheiro foi redirecionado de uma reserva de contingência que consta no orçamento. De
acordo com o texto, o repasse é para custear ações de enfrentamento de "emergência de
saúde pública de importância internacional" provocada pelo coronavírus, (Bruno, 2020).
No dia 24 de fevereiro, o Ministério da Saúde ampliou o número de países em
monitoramento, devido ao surgimento de casos de COVID-19 na Europa, incluindo
Alemanha, França e Itália na lista. Pacientes que passaram por esses países e
apresentem sintomas são tratados como casos suspeitos. Em 1 de abril, o Ministério da
Saúde registrou 6.836 casos, 241 mortes, e uma taxa de letalidade de 3,5 por cento. Os
estados da região Sudeste concentram 62% dos casos.
A epidemia coincidiu com o Ano-Novo Chinês, que marca uma grande temporada de
festivais para a região e o período mais movimentado de viagens na China. Vários
24

eventos envolvendo grandes multidões foram cancelados pelos governos nacionais e


regionais, incluindo o festival anual de Ano Novo em Hong Kong.
Na Itália, o governo decidiu fechar escolas e universidades até 15 de março para tentar
conter o vírus e determinou que todos os principais eventos esportivos do país, sejam
disputados sem a presença de público.
A nível mundial, o medo do surto resulta em pessoas optando por evitar atividades que
poderiam expô-las ao risco de infecção, como sair para fazer compras, por exemplo.
Restaurantes, revendedoras de carros e lojas têm registrado quedas qna demanda
mundial. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), em razão do surto, a economia global pode crescer na taxa mais baixa desde
2009, (Pires, 20202).

2.8.2.Educação

À data de 17 de Março, o encerramento temporário ou por tempo indeterminado de


escolas para controlar a propagação da doença tinha deixado sem aulas mais de 960
milhões de crianças e jovens. 105 países tinham decretado o encerramento de escolas a
nível nacional. Em 15 países foram encerradas escolas a nível local, afetando mais 640
milhões de crianças e jovens, (Pires, 2020).
Mesmo que temporários, os encerramentos têm custos sociais e económicos elevados.
Embora as consequentes perturbações afetem pessoas em toda a comunidade, o impacto
é maior em crianças e famílias desfavorecidas, não só pela interrupção da
aprendizagem, mas também pelo comprometimento da nutrição, pelo potenciamento de
problemas no cuidado infantil e pelo custo económico em famílias que não podem
trabalhar.
Em resposta aos encerramentos de escolas causados pela COVID-10, a UNESCO
recomenda o recurso a programas de ensino à distância e plataformas e recursos
educacionais abertos, de forma a escolas e professores poderem chegar a alunos de
forma remota, diminuindo o impacto do encerramento na aprendizagem, (Sirletti, 2020).

2.8.3.Sócio-económico

A pendemia de coronavírus tem sido associada a vários casos de ruptura de stocks


causados pelo aumento de procura de equipamento para combater o surto, corridas às
compras e perturbações nas operações de produção e logística das empresas. As
25

autoridades de saúde emitiram avisos de possíveis rupturas de stock de medicamentos e


equipamento médico devido ao aumento exponencial de procura e perturbação dos
canais de distribuição. Em vários países ocorreram corridas às compras que levaram a
rupturas de stock de produtos de mercearia essenciais como comida, papel higiénico e
água engarrafada. De acordo com o diretor-geral da OMS, a procura por equipamento
de proteção individual aumentou 100 vezes, o que levou a um aumento de preços, em
alguns casos de vinte vezes o preço normal, e também induziu atrasos de quatro a seis
meses no fornecimento de equipamento médico. A falta de equipamento de proteção
individual em todo o mundo levou a OMS a alertar que a situação colocava em risco os
profissionais de saúde, (Young, 2020).
Uma vez que a China é uma potência económica e um grande centro de produção
industrial, o surto constitui uma ameaça de desestabilização à economia global. Agathe
Demarais da Economist Intelligence Unit prevê que os mercados continuem voláteis até
que haja uma ideia mais clara do desfecho da pandemia. Em janeiro de 2020, alguns
analistas estimaram que as consequências económicas da pandemia de COVID-19 no
crescimento global poderiam ser superiores aos do surto de SARS em 2002-2004. Uma
estimativa calculava que o impacto na cadeia de fornecimento seria superior a 300 mil
milhões de dólares e poder-se-ia prolongar por mais dois anos. A OPEC reportou uma
queda no preço do petróleo devido à diminuição da procura por parte da China. Em 24
de fevereiro os mercados de ações tiveram a primeira queda expressiva devido ao
aumento significativo do número de casos fora da China. Em 27 de fevereiro, devido a
preocupações crescentes com o surto, vários índices norte-americanos, incluindo o
NASDAQ-100, o S&P 500 Index e o Dow Jones Industrial Average, reportaram a maior
queda desde 2008, com o Dow Jones a cair 1191 pontos, a maior queda num dia desde a
crise financeira de 2007–2008. No fim da semana, os três índices tinham caído mais de
10%.Nas semanas seguintes os mercados continuaram a cair, sendo a maior queda
registada no dia 16 de março. Muitos analistas consideram provável uma recessão
económica global.
O turismo é um dos setores mais afetados, devido às restrições de circulação, ao
encerramento de espaços públicos, incluindo monumentos, e às recomendações
governamentais em todo o mundo para não viajar. Consequentemente, várias
companhias aéreas cancelaram voos devido à baixa procura, enquanto outras abriram
falência. Várias estações de comboio e portos de ferries também encerraram. A
epidemia na China ocorreu durante o Chunyun, o feriado de ano novo chinês, durante o
26

qual eram esperados milhões de turistas. Inúmeras atrações e eventos de grande


audiência foram cancelados ou encerrados por governos nacionais e regionais, incluindo
a Disneyland de Hong Kong e Shangai. Diversos navios de cruzeiro fora afetados pelo
novo coronavírus. Dentre eles, os navios Costa Serena, Diamon Princess, World Dream,
MS Westerdam. e Grand Princess, (Lau; Luk, Wong, e Zhu et al, 2020).
Apesar da elevada prevalência de casos de COVID-19 no norte de Itália e na região de
Wuhan, e da consequente elevada procura por produtos alimentares, em nenhuma das
regiões se verificou escassez de alimentos. As medidas implementadas contra a
acumulação e comércio ilegal de bens essenciais evitaram a escassez de alimentos que
tinha sido antecipada. A existência de prateleiras vazias foi apenas temporária, mesmo
na cidade de Wuhan, onde as autoridades libertaram reservas de porco de forma a
assegurar a alimentação da população. Em Itália existem leis semelhantes, que obrigam
os produtores de alimentos a manter reservas para este tipo de emergências.

2.9.Desinformação

Após o surto inicial começaram a circular na internet diversas teorias da conspiração e


desinformação sobre a origem e escala do coronavírus da COVID-19. Várias histórias
nas redes sociais alegavam, entre outras coisas, que o vírus seria uma arma biológica,
um esquema de controlo populacional ou o resultado de uma operação de espionagem.
O Facebook, Google e Twitter anunciaram que tomariam medidas rigorosas contra
possível desinformação. No seu blog, o Facebook afirmou que removeria qualquer
conteúdo assinalado pelas principais organizações de saúde e autoridades locais que
violasse a sua política de conteúdo sobre desinformação e que pudesse levar a
potenciais prejuízos físicos, (Laurence, 2020).
Em 2 de fevereiro, a OMS afirmou existir uma epidemia massiva de desinformação a
acompanhar o surto e a resposta ao surto, citando uma superabundância de informação
sobre o vírus, correta ou falsa, que fazia com que fosse difícil às pessoas encontrar
fontes fidedignas e recomendações confiáveis quando precisavam. A OMS afirmou
ainda que a elevada procura por informação atualizada e de confiança incentivou à
criação de uma linha de apoio permanente para desmistificar mitos, e que as suas
equipas de comunicação e redes sociais têm estado a monitorizar e combater a
desinformação através do seu site e páginas nas redes sociais. A OMS tem
desmascarado diversas falsidades que circulam nas redes sociais, incluindo a alegação
de que uma pessoa pode saber se tem o vírus ou não apenas sustendo a respiração, de
27

que beber bastante água oferece proteção contra o vírus, ou de que gargarejar água com
sal previne a infeção, (Baird, 2020).
As autoridades de Taiwan acusaram os trols de internet ligados ao Partido dos 50
Centavos de espalhar desinformação online para semear o medo e o pânico entre a
população de Taiwan. Circularam também na China várias teorias da conspiração que
alegavam que a COVID-19 seria uma criação da CIA para prejudicar a China. Em 26 de
janeiro, a agência de notícias do exército da China publicou um artigo alegando que o
vírus tinha sido criado artificialmente pelos Estados Unidos de forma a atingir a
população chinesa. Zhao Lijian, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da
China, publicou um tweet em março que alegava que a doença tinha sido introduzida
por membros do exército norte-americano que tinham visitado Wuhan em outubro de
2019. Em 22 de fevereiro, as autoridades norte-americanas afirmaram ter descoberto
várias contas em redes sociais ligadas à Rússia que deliberadamente promoviam
diversas teorias da conspiração anti-americanas que alegavam que o vírus faria parte de
uma "guerra económica" com a China, o que foi negado pela Rússia. O conselheiro
económico de Trump Larry Kudlow e vários membros do Congresso dos Estados
Unidos têm sido acusados de espalhar desinformação sobre o vírus.
Para Pires,(2020) o clérigo iraniano Seyyed Mohammad Saeedi acusou Trump de
atingir a cidade de Qom com coronavírus como forma de cumprir a sua promessa de
retaliação contra os sítios culturais do Irão. O investigador iraniano Ali Akbar Raefipour
alegou que o coronavírus seria parte de um programa de "guerra híbrida" promovido
pelos Estados Unidos contra o Irão e a China. A Press TV iraniana alegou que
elementos "sionistas tinham desenvolvido uma estirpe mais mortífera de coronavírus
contra o Irão. De acordo com o Middle East Media Research Institute, vários escritores
nos meios de comunicação árabes têm promovido a teoria da conspiração de que a
COVID-19 teria sido deliberadamente criada e disseminada pelos Estados Unidos como
parte de uma guerra psicológica e económica por parte dos EUA contra a China, como
forma de enfraquecê-la e apresentá-la como um país atrasado e fonte de doenças.
Por sua vez, Bruno (2020) afirma que numa atitude que vários analistas consideram
propaganda do Estado para desviar as responsabilidades pela má gestão da epidemia,
alguns oficiais chineses, incluindo um porta-voz do ministério dos negócios estrangeiros
e a agência de notícias estatal, protestaram contra uma alegada "politização" do surto
por vários países. Possivelmente motivados por uma conferência de imprensa de 27 de
fevereiro em que Zhong Nanshan, um perito destacado, afirmou que "o coronavírus
28

apareceu primeiro na China, mas pode não ter tido origem na China", vários oficiais têm
feito eco da alegação de Xinhua de que "A OMS tem afirmado várias vezes de que a
COVID-19 é um fenómeno global cuja origem ainda não foi determinada".
29

3.Cronograma

Mês / Actividade Maio Maio Maio Junho Junho Junho


Escolha do tema
Elaboração do
projecto
Entrega do projecto
Recolha dos dados
Análise e
interpretação dos
dados
Elaboração do
relatório do estudo
Entrega da primeira
versão do relatório do
estudo
Entrega da versão
final do relatório do
estudo
Publicação do estudo
Fonte: o autor, 2020

3.1. Orçamento
Item Custo (em meticais)
1 Material bibliográfico 5.000,00
2 Internet 2000,00
3 Passagens Terrestres 4000,00
4 Alimentação 6000,00
5 Impressão da Monografia 5000,00
6 Encadernação 1000,00
7 Serviços de Terceiros 9000,00
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Fonte: O autor, 2020

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