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Indice

Introdução..........................................................................................................................2
Objectivo...........................................................................................................................3
Geral..................................................................................................................................3
Específicos:........................................................................................................................3
Metodologia.......................................................................................................................3
1.Aspectos Sociolinguisticos como Objecto de Estudo na Sociedade..............................4
1.1.Surgimento da Sociolinguistica como ciência.............................................................4
1.2.Conceito e Objecto de estudo da sociolinguística.......................................................5
1.3.Fases da Evoulção da Língua Portuguesa...................................................................7
1.3.1.Origem da Língua Portuguesa..................................................................................7
1.3.2.Principais Fases de Evolução da Língua Portuguesa...............................................7
1.4.Relação entre Sociedade, Língua e Cultura.................................................................8
Conclusão........................................................................................................................13
Bibliografia......................................................................................................................14
Introdução
Estudos linguísticos se verificam desde a Antiguidade, no entanto, como área científica,
com objectivo, unidade e método próprios, tenham sido propostos somente no início do
século XX (1916), com o advento do Curso de Linguística Geral, ministrado por
Ferdinand de Saussure, conferindo, então, à Linguística o status de autonomia em meio
às ciências sócio-humanas.
Portanto, a partir de meados do século XX, a área da Linguística sofre mudanças
significativas. É nesse momento que ocorre a chamada virada paradigmática. Isto é, os
estudos linguísticos passam a se interessar não pelo sistema da língua em si, mas
também pelo seu uso. Assim, surgem diversos campos de investigação que promovem
uma relação interdisciplinar. Assim, a Linguística articula-se com a filosofia e com
outras ciências humanas como a sociologia, a antropologia, a psicologia, a neurociência,
a semiótica etc.
Para nós nesta disciplina interessa a articulação dos estudos da língua com os estudos
sobre a sociedade. Tal junção permitiu o surgimento da Sociolinguística. Esta disciplina
estuda as línguas na sua relação com as sociedades que as usam. Ela procura responder
a questões do tipo “quem diz o quê?, onde?, quando?, como? e por quê?” Busca mostrar
que toda e qualquer língua é constituída de diversas formas de uso, a depender de quem
usa a língua, sua idade, o contexto social, etc.
Na perspectiva da Sociolinguística, o ser humano é por natureza plurilingue. E mesmo
quando usamos nossa língua, esta se apresenta de diversos modos de uso a cada situação
ou contexto de comunicação.
Objectivo
Geral
 Compreender o surgimento da Sociolinguística e da Língua Portuguesa;

Específicos:
 Descrever o surgimento da sociolinguistica como ciencia;
 Identificar os precursores da sociolínguista;
 Destacar as fases de evolição da Língua Portuguesa.
Metodologia
Para o desenvolvimento do presente trabalho recorreu-se ao método bibliográfico, que
consistiu na leitura e diversas obras e artigos referente ao tema em estudo.

1.Aspectos Sociolinguisticos como Objecto de Estudo na Sociedade


1.1.Surgimento da Sociolinguistica como ciência
As primeiras investigações acerca de estudos sociolinguísticos surgiram a partir de
William Bright (1966) e Fishman (1972), os quais passaram a incorporar os aspectos
sociais nas descrições linguísticas. Bright afirmava que "a diversidade linguística" é
precisamente a matéria de que trata a Sociolinguística, (Monteiro, 2000, p.12). Segundo
ele, as dimensões desse estudo estão condicionadas a vários factores sociais, com os
quais a diversidade linguística se encontra relacionada nas identidades sociais do
emissor e receptor e na situação comunicativa. Essa nova área de estudo linguístico,
denominada sociolinguística, surge confusa e desprovida de um grande marco teórico.

Dando prosseguimento aos estudos de Bright, Labov (1972), passa a descrever a


heterogeneidade linguística, pois para ele, todo fato linguístico relaciona-se a um fato
social, e que a língua sofre implicações de ordem fisiológica e psicológica. Labov ficou
conhecido por ser o representante da teoria da variação linguística, (Monteiro, 2000,
p.12).
Já na perspectiva de Vunguire (2012, p.9) os estudos linguísticos começam a ser
trilhados em uma perspectiva diacrónica. Na busca de comprovação do parentesco
linguitico entre as línguas chamadas de indo-europeias, surge, no Século XIX, o estudo
histórico – comparativo das Línguas através da Filologia, ciência cujo objecto são as
Línguas e textos estudados a partir do método histórico – comparativo.
Por sua vez, Gorski et al (2010) afirma que não se pode tratar de aspectos da
sociolinguística, sem tecer aspectos ligados aos estudos da linguagem no século XX,
falando sobretudo do linguista suico Ferdinand de Saussure e do linguista americano
Noam Chomsky.
A atribuição de estatuto cientifico a linguística costuma ser creditada a Saussure, no
inicio do século XX. De fato, com seu Curso de linguística geral, Saussure inaugura a
linguística moderna, delimitando e definindo seu objecto de estudo, estabelecendo seus
princípios gerais e seu método de abordagem.
Saussure e um marco da corrente linguística denominada estruturalismo, segundo a qual
a língua (i) e tomada em si mesma, separada de factores externos; (ii) e vista como uma
estrutura autónoma, valendo pelas relações de natureza essencialmente linguística que
se estabelecem entre seus elementos. Ou seja, para Saussure, a linguística tem por único
e verdadeiro objecto a língua considerada em si mesma e por si mesma.
Gorski et al (2010, p.78) realça que desde os estudos feitos acerca da linguagem
buscou-se encontrar respostas para entender a relação linguagem e sociedade, haja vista
que esses elementos estão intimamente ligados, pois em qualquer período o homem
sempre utilizou uma forma de comunicação: nos primórdios a comunicação oral e em
seguida, a escrita. Essas duas modalidades fazem parte de um sistema linguístico de
uma comunidade linguística, o qual permite ao ser humano estabelecer contacto com o
outro e interagir.
Saussure, precursor da corrente estruturalista, reconhecia a importância de natureza
etnológica, histórica e política, porém seus estudos voltaram-se essencialmente para o
organismo linguístico interno, uma vez que ele concebia a língua como um produto
homogéneo e sua análise partia da observação como comportamento linguístico de um
indivíduo. O princípio da homogeneidade linguística foi adoptada pelos estudiosos da
glossemática e do gerativismo.
Nos Estados Unidos, a visão formal da língua ganha destaque, a partir da década de 60,
com Noam Chomsky e a corrente denominada gerativismo, segundo a qual a língua (i) e
concebida como um sistema de princípios universais; (ii) e vista como o conhecimento
mental que um falante tem de sua língua a partir do estado inicial da faculdade da
linguagem, ou seja, a competência. O que interessa ao gerativista e o sistema abstrato de
regras de formação de sentenças gramaticais, (Gorski et al 2010, p.84).
Dessa forma, a Sociolinguística é uma área da linguística que estudará a língua através
de factores externos, os quais caracterizarão a diversidade e a heterogeneidade
linguística.

1.2.Conceito e Objecto de estudo da sociolinguística


A ponto de partida da sociolinguística será a comunidade linguística, ou seja, um
conjunto de pessoas que interagem verbalmente e que compartilham um conjunto de
normas com respeito aos usos linguísticos a que vai caracterizar uma comunidade
linguística, não será o facto de ser constituída por pessoas que falam da mesma maneira,
mas por pessoas que se relacionam por diversas redes comunicativas e que utilizam as
mesma regras para o seu comportamento verbal, (Vunguire, 2012, p.11).
Contudo, considera-se sociolinguística ao ramo da linguística que estuda a relação entre
a língua e a sociedade. É o estudo descritivo do efeito de qualquer e todos os aspectos
da sociedade, incluindo as normas culturais, expectativas e contexto, na maneira como a
língua é usada, e os efeitos do uso da língua na sociedade, (Monteiro, 2000, p. 29).

Porém, delimitar o campo de pesquisa da sociolinguística não foi tarefa fácil, já que
muitos teóricos do assunto levantavam questões envolvendo a linguagem humana e
todas as hipóteses possíveis de formulação para o estudo da Sociolinguística eram
rejeitadas. Mas foi Bright (1966) um dos pioneiros na definição do objecto de estudo do
sociolinguista definiu que a diversidade linguística era o foco principal de estudo dessa
nova disciplina, a Sociolinguística. Indo além, delimitando três ângulos fundamentais
para esse estudo: a identidade social do emissor, a identidade social do receptor e as
condições comunicativas. (Monteiro. 2000, p.15).
Na perspectiva de Vunguire (2012, p.12) em 1966, William Bright publicou os
trabalhos apresentados no referido Congresso sob título Sociolinguistics, e escreveu um
texto introdutório que define e caracteriza a nova ciência: as dimensões da
Sociolinguística. A proposta de Bright para a Sociolinguística é relacionar as variações
linguísticas observáveis em uma comunidade com as diferenciações existentes na
estrutura social desta mesma sociedade. Assim, o objecto de estudo da sociolinguística
será a diversidade linguística.
Preti (1987), afirma que a Sociolinguística pode desempenhar um papel de
investigadora e fornecer uma excelente metodologia para os estudos da oralidade em
diferentes locais. Com esse método de investigação é possível registrar diversos tipos de
falas em diversas localidades na mesma região, traçando o perfil sociológico,
econômico e cultural desse falante.
Em Gadet (1987, p.4) consta que a Sociolinguística estuda as relações entre as variações
linguísticas e sociológicas e o sociolinguista tenta mostrar a variação da linguagem de
um falante para outro, como e porque esta assim determinada. Desde então, estudos
foram avançando, novos teóricos descrevem essa ciência nova, Sociolinguística,
conquistando uma visão mais ampla acerca da linguagem.

Para Baylon (2000, p.26) a sociolinguística se preocupava essencialmente em descrever


as diferentes variedades coexistentes dentro de uma comunidade de fala, hoje ela
engloba praticamente tudo o que diz respeito ao estudo da linguagem em seu contexto
sociocultural.

"Se se entende por sociolinguística o estudo sistemático do uso da


língua na vida social, não há como deixar de considerar a etnografia da
comunicação como uma subdisciplina da sociolingüística" (Monteiro,
2000, p. 29).

Delineando e revelando a língua viva capaz de sofrer todas as modificações possíveis,


indo da política ao campo educacional, envolvendo todas as ciências pré-existentes,
descrevendo minuciosamente cada palavra gesticulada, expondo os pormenores por
mais imperceptível possa parecer.

Nesta ordem de ideias, pode-se perceber que o “objeto da Sociolinguística é a língua


falada/sinalizada, observada, descrita e analisada em seu contexto social, isto é, em
situações reais de uso.” Ou seja, a  Sociolinguística ocupa-se da língua não somente por
si, mas como esta se modifica para adequar-se aos seus falantes.

1.3.Fases da Evoulção da Língua Portuguesa


1.3.1.Origem da Língua Portuguesa
A língua portuguesa está intimamente relacionada com os acontecimentos históricos que
se sucederam na Península Ibérica. Pouco se sabe acerca dos povos que teriam habitado
o solo peninsular antes da chegada dos romanos (séc. III a. C.). De entre esses faz-se
referência aos iberos, aos celtas, aos fenícios, aos gregos e aos cartagineses. A Península
Hispânica fora habitada, em tempos muito remotos, pelos Iberos, povo agrícola e
pacífico, (Monteiro, 2000, p.30).
Por volta do século VI antes de Cristo, este território fora invadido pelos Celtas, um
povo turbulento e guerreiro. E a prolongada permanência provocou o cruzamento entre
estes dois povos, dando origem à denominação de Celtiberos. Depois, os Fenícios, os
Gregos e os Cartagineses estabeleceram colónias comerciais em vários pontos da
Península. Como estes últimos pretendiam apoderar-se de todo o solo peninsular, os
Celtiberos pediram socorro aos Romanos.
Contudo, pode-se afirmar que a língua portuguesa pertence ao grupo das línguas
românicas também chamadas de neolatinas, resultqqdo das transformações que
aconteceram no latim vulgar levado à pensinsula Ibérica. O Latim nasceu na Itália numa
região chamada Lácio, pequeno distrito a margem do rio Tibre e foi levado ao território
ibérico pelas legiões romanas, (Foucault, 2000, p.45).

1.3.2.Principais Fases de Evolução da Língua Portuguesa


Segundo Monteiro (2000, p.30), há a considerar na evolução da língua portuguesa três
fases: pré-histórica, proto-histórica e histórica.
 Fase Pré-Histórica: começa com as origens da língua e vai até ao século IX.
Entre o século V e o século IX temos o que geralmente se denomina romance
lusitânico. Ao longo deste período encontramos somente documentação em
Latim Vulgar.
 Fase Proto-histórica: estende-se do século IX ao século XIII. Nesta fase
encontram-se já, nos documentos redigidos em Latim Bárbaro (o Latim dos
notários e tabeliães da Idade Média), palavras e expressões originárias dos
romances locais, entre os quais aquele que dera origem ao Português. Donde se
deduz que a língua já era falada, mas não escrita.
 Fase Histórica: inicia-se no século XII e estende-se até aos nossos dias. Esta
fase compreende dois períodos:
a) Período do Português Arcaico: vai do século XII ao século XV. O primeiro texto
inteiramente redigido em português data do século XII.
Por sua vez, Foucault, (2000, p. 53) acrescenta que a partir dessa altura, aparecem
outros textos de poesia e, mais tarde, surgem os primeiros textos em prosa. As poesias
reunidas nos "Cancioneiros" e as "Crónicas" de Fernão Lopes, Gomes Eanes de Zurara
e Rui de Pina são textos que documentam este período arcaico. Em 1290, D. Dinis, o rei
'Trovador', torna obrigatório o uso da língua portuguesa e funda, em Coimbra, a
primeira Universidade.
b) Período do Português Moderno: do século XVI até aos nossos dias. Por
influência dos humanistas do Renascimento, o século XV ficou marcado por um
aperfeiçoamento e enriquecimento linguísticos. Ao mesmo tempo que se
procurava, ao nível das artes e das Letras, imitar os modelos latinos, tentava-se
igualmente aproximar a Língua Portuguesa da língua-mãe.
A partir do século XV, através da expansão marítima, os portugueses descobrem novas
terras e a elas levam a sua língua, estendendo deste modo o espaço geográfico em que a
Língua Portuguesa serve, com mais ou menos alterações relativamente à do povo que a
divulgou, de língua de comunicação em várias nações do mundo, Monteiro (2000,
p.32).

1.4.Relação entre Sociedade, Língua e Cultura


De acordo com Vunguire (2012, p.13) a língua é um produto social e o sistema
linguístico influencia, de certa forma, na nossa maneira de abordar e interpretar o
mundo. Porém, a relação entre a língua e a cultura já não é biunívoca, pois que a língua
evolui mais devagar que a cultura.
Por sua vez, Bagno (1997, p.57) uma língua, seja ela qual for, tem a função de permitir
a comunicação entre os indivíduos. Essa é sua função primordial. Há uma relação
directa e indissolúvel entre sociedade, língua e cultura ou língua, cultura e sociedade,
que não permite que se pense em indivíduos vivendo conjuntamente sem o
estabelecimento de comunicação entre si e, da mesma forma, não é possível a
comunicação sem que haja uma convenção social a respeito dessa comunicação, o que
chamamos de língua.
Neste sentido, língua nada mais é que um conjunto de convenções sociais
historicamente constituídas, que permite que os seres humanos se comuniquem entre si.
Somente os seres humanos têm essa capacidade, uma capacidade relacionada talvez
com algum dispositivo biológico, que permite que se formule e se entenda um conjunto
de sons e a eles se associe um sentido. É possível que outros seres vivos se comuniquem
como é o caso, por exemplo, das abelhas, que, com um conjunto de movimentos
(danças) são capazes de transmitir informações a respeito da localização de alimento ou
mesmo do risco iminente à colmeia, porém não se pode confundir esse tipo de
comunicação, de propósito restrito, com linguagem ou mesmo língua.
A língua é um código que se materializa na fala e na escrita, tanto uma como a outra se
inserem num sistema linguístico, porém esse sistema não pode ser considerado em si
mesmo, porque em si mesmo ele não existe. Ele só existe em função de uma realidade
sociocultural na qual o falante da língua está inserido, Monteiro (2000, p.32).
No entanto, não se pode dissociar a língua do falante que a utiliza, como não se pode
deslocar o falante de seu contexto de vida. Um está no outro de uma forma
indissociável: língua e falante, falante e contexto de vida. Dessa forma, a língua se
relaciona com o contexto de vida do falante com todas suas nuances (sociais, culturais,
económicas, históricas, artísticas, religiosas etc). Assim, a língua não pode ser analisada
como um sistema formal isolado de significações socioculturais.
Segundo Paraquett (2000, p.118) cultura é “o conjunto de tradições, de estilo de vida,
de formas de pensar, sentir e atuar de um povo”. A partir dessa definição, o professor de
línguas deve ter consciência de que, na sala de aula, ele é um representante da cultura de
um povo. Pois, o professor de línguas é um difusor de uma dada cultura, visto que a
língua é um dos aspectos culturais da sociedade. Portanto, a língua não está dissociada
da cultura, ou seja, uma não existe sem a outra, não é mais importante, apenas se
complementam.
Por outro lado, a sociedade é um conjunto de indivíduos que partilham uma cultura com
as suas maneiras de estar na vida e os seus fins, e que interagem entre si para formar
uma comunidade, (Foucault, 2000, p. 53). As sociedades humanas são formadas por
entidades populacionais cujos habitantes e o seu entorno se inter-relacionam num
projecto comum que lhes outorga uma identidade de pertença. O conceito também
implica que o grupo partilhe laços ideológicos, económicos, políticos e linguísticos.
Dessa forma, ao ministrar aulas de LM ou LE, o professor deve destacar os aspectos
semelhantes e distintos entre as línguas, sempre ratificando que cada grupo social tem
seus hábitos e costumes e assim cada qual vê o mundo de uma forma. Não podemos
exigir que o outro, no caso o estrangeiro, perceba o mundo da mesma forma que a nossa
e vice-versa.
Para Foucault, (2000, p. 54) a língua não se realiza num vácuo social. Ela não existe
fora da sociedade, da mesma forma que a sociedade não existe sem ela. A relação entre
língua e sociedade não é uma relação em que uma determina a outra, mas de interacção
entre elas, em que uma se refrata na outra, num sistema de influências.
Numa sociedade estratificada, a língua não foge à estratificação. Ela não é um corpo à
parte, ela refrata a estrutura estratificada da sociedade, pois “correlacionando-se o
complexo padrão linguístico com diferenças concomitantes na estrutura social, será
possível isolar os factores sociais que incidem directamente sobre o processo
linguístico” (Labov, 2008, p. 19). Para este autor, a língua é um espelho pelo qual se
pode observar o desenho da sociedade. Esta não é estática, da mesma forma que a
língua não o é, ambas evoluem constantemente num processo de interacção.
A evolução linguística não ocorre por si só. A mudança linguística não é autónoma, ela
não engendra a si mesma, ela faz parte de um processo de interacção social. “Sabemos
que cada palavra se apresenta como uma arena em miniatura onde se entrecruzam e
lutam os valores sociais de orientação contraditória. A palavra revela-se no momento de
sua expressão, como um produto da interacção viva das forças sociais” (Bakhitin, 2009,
p. 67).
A palavra é a materialidade da língua, é nela que a língua se realiza, mas não só na
palavra em si, mas em todo um contexto no qual está envolto o falante. O contexto de
fala não pode ser excluído da significação linguística e é em decorrência desse contexto
que a língua evolui, transforma-se.
[...] não se pode entender o desenvolvimento de uma mudança
linguística sem levar em conta a vida social da comunidade em
que ela ocorre. Ou, dizendo de outro modo, as pressões sociais
estão operando continuamente sobre a língua, não de algum
ponto remoto no passado, mas como uma força social imanente
agindo no presente vivo (Labov, 2008, p. 21).

O desenvolvimento linguístico de uma comunidade tem relação com a sua vida social,
as pressões sociais operam também sobre a língua.
Toda mudança social se propaga também na língua da comunidade, há uma inter-
relação entre uma e outra, sendo que tanto uma como a outra vivem continuamente em
processo de transformação, que não são autónomos, mas interdependentes. Se a língua
muda, não pode ser por si só. Se ela surge por necessidade social, também é necessário
que ela se transforme em decorrência dela, (Foucault, 2000, p. 57).
Assim, o desenvolvimento linguístico de um falante não é um processo centrado na sua
individualidade. O falante em si não é o senhor de sua língua, ele não fala a língua que
deseja, mas a língua que lhe é possível falar, com as formas verbais próprias de sua
comunidade linguística, que também é social, cultural e económica. A língua só se
constitui como tal devido às necessidades sociais, económicas e culturais, é só em
decorrência dessas necessidades que ela existe, e é em decorrência delas que ela se
desenvolve, sendo que não se pode deslocá-la de seu contexto de realização sem que ela
perca significação.
A linguagem não é objectiva. Deve-se considerar a posição do sujeito em relação ao
tempo e ao espaço. Ela não visa à tradução objectiva das coisas, mas também não é
produto de um subjectivismo fundamentado na consciência de um sujeito deslocado do
tempo e do espaço. Em todo discurso está presente o sujeito que o produz, mas não é
um sujeito que fala por si mesmo, ele fala a partir de uma determinada posição social, o
seu discurso ultrapassa a sua individualidade para se tornar voz de uma colectividade,
ou melhor, de um grupo social, (Bakhitin, 2009, p. 69).
O sujeito não se sobrepõe ao tempo e ao espaço, mas ele é o que é em decorrência
desses factores e de outros mais, por isso que em um discurso encontra-se a presença do
sujeito que fala, mas também do contexto sociocultural no qual ele está inserido, o qual
é parte constitutiva do próprio sujeito. Assim, através do discurso, o sujeito não só
revela algo, como também a si mesmo e ao contexto sociocultural no qual ocupa
determinadas posições sociais.
Renunciaremos, pois, a ver no discurso um fenómeno de
expressão – a tradução verbal de uma síntese realizada em
algum outro lugar; nele buscaremos antes um campo de
regularidade para diversas posições de subjectividade. O
discurso, assim concebido, não é a manifestação,
majestosamente desenvolvida, de um sujeito que pensa, que
conhece, e que o diz: é, ao contrário, um conjunto em que
podem ser determinadas a dispersão do sujeito e sua
descontinuidade em relação a si mesmo. É um espaço de
exterioridade em que se desenvolve uma rede de lugares
distintos (Foucault, 2000, p. 61-62).
O contexto espacial no qual está inserido o sujeito representa a influência que o espaço
exerce sobre ele. O desenvolvimento linguístico de um falante é influenciado pelos
factores sociais. Foucault diz que a linguagem mantém relação estreita com o espaço.
Ela não é desenvolvida no interior de cada ser humano, mas influenciada pelo meio
exterior a si mesma, “desde o fundo dos tempos, a linguagem se entrecruza com o
espaço” (Foucault, 2000, p. XII). Da mesma forma, Labov diz que toda mudança
linguística é influenciada pelo contexto em que o falante vive, sendo que “nenhuma
mudança ocorre num vácuo social.
Conclusão
O ano-chave para o surgimento da Sociolinguística nos Estados Unidos é 1964, com a
publicação de livros de Gumperz, Labov, Hymes e a conferência de William Bright em
Los Angeles.
A Sociolinguística enfrenta o desafio de tentar processar, analisar e sistematizar o
universo aparentemente caótico da língua na sua modalidade oral e/ou gestual. Podem
ser chamados de sociolinguistas todos aqueles que entendem por língua um sistema de
comunicação, de informação e de expressão entre os indivíduos da espécie humana.
Entre sociedade e língua não há uma relação de mera casualidade. Desde que nascemos,
um mundo de signos linguísticos nos cerca, e suas inúmeras possibilidades
comunicativas começam a tornar-se reais a partir do momento em que, pela imitação ou
associação, começamos a formular nossas mensagens. Sons, gestos e imagens cercam a
vida do homem moderno, compondo mensagens de toda ordem, transmitidas pelos mais
diferentes canais. Em todos, a língua desempenha um papel fundamental, seja ela visual,
oral ou escrita.
A língua então funciona como elemento de interacção entre o indivíduo e a sociedade
em que ele actua. É através dela que a realidade se transforma em signo, pela associação
de significantes sonoros e significados arbitrários, processando, assim, a comunicação
Linguística.
Assim, atribui-se à Sociolinguística o estudo das relações entre língua e sociedade.
Aqui, língua deve ser entendida como um sistema de vários níveis integrados num todo
historicamente estruturado. A Sociolinguística se ocupa, do estudo da possível
incidência das forças sociais sobre os estratos fonológicos, morfológicos, sintácticos e
semânticos das línguas.

Bibliografia
Gorski, Edair Maria et al. (2010). Sociolinguística. Florianopolis: Universidade Federal
de Santa Catarina.
Bakhtin, Mikhail Mikhailovitch. (2009). Marxismo e fi losofi a da linguagem:
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Lahud e Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec.
Foucault, Michel. (2000). A arqueologia do saber. Trad. Luiz Felipe Baeta
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Labov, William. (2008). Padrões sociolinguísticos. Tradução de Marcos Bagno,
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