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OS SEIS PILARES DA AUTOESTIMA

RESUMO: Esse artigo propõe refletir sobre a importância do trabalho


com a autoestima como recurso de cuidado terapêutico e transformação
na vida pessoal e profissional dos indivíduos. O conceito de autoestima
que orienta essa proposta segue os pressupostos de Branden (2002) que
apresenta seis atitudes fundamentais que necessitam ser desenvolvidas:
viver conscientemente, autoaceitação, autorresponsabilidade,
autoafirmação, intencionalidade e integridade pessoal. Se propõe
também a oferecer uma proposta de cuidado corporal para o alívio do
estresse e de tensões, favorecendo o autoconhecimento e a integração
corpo e mente.

PALAVRAS CHAVE: Autoestima. Cuidados terapêuticos. Autoconheci-


mento.

Nesse mundo inquieto, diante de tantos chamados, da busca perma- nente


por algo permanente e de equilibrar os anseios da alma, um quadro alarmante
se apresenta para o ser humano: o risco de perder o contato consigo mesmo e
com o mundo, de não saber mais quem “EU” sou e não confiar mais em si e
nas relações. Muitas vezes o medo e a ansiedade se apresentam como aliados e
acabamos nos isolando, fugimos de tudo e de todos, não conseguindo mais
pensar e refletir. Esse distanciamento interno sobre quem somos e sobre o
que sentimos leva a vários tipos de fuga relacionados aos excessos de comida,
bebida, trabalho, sexo, drogas, dentre outros.
Segundo Barreto (2010), todo sofrimento é uma construção huma- na, e
cabe a cada um de nós encontrarmos saídas, desde que tenhamos cuidados
conosco, não distanciando da nossa história e nos livrarmos do sentimento de
impotência que nos paralisa, por não compreendermos o que está
acontecendo.
O caminho está em descobrir formas de resistir ou ceder a um proble- ma,
sem paralisar em uma polaridade ou em outra, permitir a pulsação, o
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movimento e aprender a acolher as dificuldades.
A autoestima é a chave que nos possibilita sair destas situações aparen-
temente sem solução, ela nos encoraja ou desencoraja em nossos pensa-
mentos e sentimentos.
Para Branden (2002), a autoestima quando plenamente internalizada é
vivência de que somos adequados para a vida e suas exigências, assim
autoestima é:

1. Confiança em nossa capacidade de pensar; confiança em nossa


habilidade de dar conta dos desafios básicos da vida; e 2. Confiança em
nosso direito de vencer e sermos felizes; a sensação de que temos valor e
de que merecemos e podemos afirmar nossas necessidades e aquilo que
queremos alcançar nossas metas e colher os frutos de nos- sos esforços.
(BRANDEN, 2002, p.22).

Barreto (2010) refere que a autoestima se constrói nas relações fami-


liares e se consolida através do estabelecimento ou ampliação de relações
sociais saudáveis. Uma educação baseada no amor, no respeito, na valori-
zação, na competência e bondade do indivíduo são adubos essenciais para
o seu desenvolvimento.
No manual do Cuidando do Cuidador - Resgate da Autoestima na
Comunidade, Barreto (2010) reforça que a autoestima passa pela rede
relacional e contextual. Assim, a consciência e a construção de identidade
de si nascem de uma relação de comunicação com o outro. O outro fun-
ciona como espelho: a partir de como o outro me vê, eu construo a minha
própria imagem e a minha autoestima. Dessa forma agimos de forma ade-
quada e aberta para as relações, pois, consideramos que o que pensamos
tem valor de reconhecimento para o outro e criamos relacionamentos sau-
dáveis, onde o semelhante atrai semelhante e o saudável é atraído pelo
saudável.
Branden (2002) descreve que autoestima correlaciona-se com racio-
nalidade, realismo, intuição, criatividade, independência, flexibilidade,
habilidade para lidar com mudanças, disponibilidade para admitir e corri-
gir erros, benevolência e cooperação.
Ainda para esse autor, autoestima baixa correlaciona-se com irracio-
nalidade, cegueira diante da realidade, rigidez, medo do novo e não fami-
liar, conformismo por demais submisso ou supercontrolador e medo dos
outros ou hostilidade em relação a eles.
Quanto mais baixa for a sua autoestima, mais propenso estaremos a
esquecer quem somos e maior a necessidade de provar quem somos. As
relações serão mais impróprias, doentias, com dificuldades na comunica-
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ção e sentimentos de inferioridade diante do outro. A autoestima é
uma consequência de atitudes geradas internamente. Precisamos entender
essas atitudes para conscientemente integrá-las em nossa vida e colocá-
-las em prática conosco e com os outros. Desenvolvendo algumas atitu-
des podemos ter autoestima e ajudar a incentivar a autoestima das outras
pessoas.
Branden (2002) cita 06 atitudes fundamentais as quais denominou
“os seis pilares da autoestima” que devemos desenvolver.

1º pilar: “A atitude de viver conscientemente”

Branden (2002) discute que é muito importante ter consciência do que


está por trás dos nossos atos. Quanto mais elevada for a forma de
consciência, que é um recurso de sobrevivência, mais avançada será a relação
com a vida. Isso nos leva à maturidade, sair do estado de nevoei- ro mental.
Viver conscientemente significa querer estar ciente de tudo o que diz respeito a
nossas ações, nossos propósitos, valores e objetivos, ao máximo de nossa
capacidade, qualquer que seja ela e comportarmo-nos de acordo com aquilo
que vemos e conhecemos. Viver conscientemente é viver responsavelmente
perante a realidade, ter a mente ativa em vez de passiva, ter uma inteligência que
deriva bem-estar, estar no momento sem perder o contexto amplo, distinguir a
relação entre os fatos, sua interpre- tação e as emoções. É ter discernimento e
coragem.

2º pilar: “A atitude da autoaceitação”

Sem autoaceitação, a autoestima é impossível. Enquanto a autoestima é algo


que experimentamos, a autoaceitação é algo que fazemos: valorizo “a mim
mesmo”, tratando-me com respeito e lutando por meu direito de ser e a
disposição de dizer sobre qualquer emoção ou comportamento.
Barreto (2010) comenta que autoaceitação envolve se perceber com valor
próprio, poder dizer que “tenho valor”, “que sou capaz” e poder me afirmar e
de dizer não, é estar a meu favor, ser coerente com o que sinto. Quando
calamos, com certeza o corpo vai falar através de vários sinto- mas: gastrites,
úlceras, etc. Quem se rejeita e não se aceita não tem futuro promissor. Todo ser
humano é imperfeito, todos cometemos erros, e mui- tas vezes somos
possuídos por sentimentos negativos. Se desejarmos nos livrar deles temos que
primeiro aceitar que erramos. Se tenho raiva, aceito ter raiva, se tenho medo,
aceito que tenho medo.
A autoaceitação envolve a ideia de ser amigo de si mesmo, aceitando as
imperfeições, os conflitos e até mesmo a nossa grandeza.

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3º pilar- “A atitude da autorresponsabilidade”

Branden (2002) refere que a atitude de autorresponsabilidade envol- ve:


ser responsável pela realização de meus desejos, por minhas escolhas e meus
atos, pelo nível de consciência com que trabalho e vivo meus rela-
cionamentos, por meu comportamento com os outros, pela qualidade das
minhas comunicações, por aceitar e escolher os valores que vivo pela minha
própria felicidade e pela minha própria autoestima.
Se errei, reconheço que errei, peço perdão, me desculpo, me corrijo, tiro as
lições e sigo em frente. Jamais culparei os outros por meus próprios erros e nem
muito menos procurarei álibis para justificar meus deslizes. Diz um filosofo
alemão: “Não me envergonho de mudar porque não me envergonho de
pensar.” (BARRETO, 2010, p.11).

4º pilar: “A atitude da autoafirmação”

Segundo Branden (2002), esse pilar é a disposição para honrar minhas


vontades, meus desejos, necessidades e valores e tratar a mim com respei-
to. Sem a autoafirmação agimos como meros expectadores e não partici-
pantes. É necessário sermos atores de nossas próprias vidas.
A autoafirmação é aceitar ser o que se é com suas qualidades e defei-
tos, sem precisar esconder ou falsificar a si mesmo para poder ser acei-
to pelos outros. Precisamos agir sem agressividade, prestando atenção ao
contexto, nutrindo em nós a confiança e a segurança naquilo que se é,
sem medo de represálias.

5º- Pilar: “A atitude da Intencionalidade”

É necessário estarmos atentos, estabelecendo metas e objetivos produ-


tivos. É viver de forma intencional, assumindo as escolhas com responsa-
bilidade e de forma consciente.
Para viver de forma intencional e produtiva, segundo Branden (2002)
é necessário desenvolver dentro de nós a capacidade da autodisciplina,
que é uma virtude de sobrevivência.
Essa atitude envolve os seguintes aspectos: preocupar-se em identificar
os atos necessários para alcançar os objetivos estabelecidos, monitorar o
comportamento para que ele esteja em sintonia com esses objetivos, pres-
tar atenção aos resultados dos próprios atos, para saber se eles levam ao
que se quer chegar e estar conectado com o nosso presente, pois assim
estaremos olhando para o futuro.

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6º- Pilar- “A atitude da integridade pessoal”

Integridade é a integração dos ideais, das convicções, dos critérios, das


crenças e dos comportamentos.
Integridade é a congruência dos nossos atos, dos nossos valores, com-
promissos e prioridades. É ter autoconsciência e autorresponsabilidade. É
ser integro consigo mesmo, admitir nossas falhas sem culpar os outros,
entender o porquê daquilo que fazemos, reconhecer nossos erros e pedir
perdão, reparar os danos causados e se comprometer intencionalmente a
agir de forma diferente. É agirmos com os demais de forma como gostarí-
amos que agissem conosco, de forma gentil, delicada e justa.

REFERÊNCIAS

BRANDEN, N. Autoestima e os seus seis pilares. Tradução de Vera


Caputo. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2002.

BARRETO, A. Manual: cuidando do cuidador-resgate da autoestima na


comunidade. Fortaleza: [s.n.], 2010.

BARRETO, A. Terapia comunitária passo a passo. 3. ed. Fortaleza:


LCR, 2008.

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