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SÉRIE APOCALIPSE

LEVADOS PARA
FRENTE
EP 01: A VIDA ETERNA

com JB CARVALHO
LEVADOS PARA
FRENTE
A vida eterna
Hoje a principal dor ou doença da sociedade é a ansiedade acerca
do futuro.

Jesus disse que os homens desmaiariam de terror pelo medo das


coisas que estavam por vir (Lucas 21:26). Atualmente textos como
esse estão sendo aproveitados de maneira descontextualizada,
acrescentando dor a pessoas que já estão em sofrimento.

“Des-esperar” é deixar de esperar. Vivemos uma crise de


desesperança no mundo.

Mas nós, discípulos de Jesus, somos profetas da esperança. E


a chamada “Escatologia”, que versa sobre o futuro e as coisas do
porvir, não está ajudando muito. Na verdade, está atrapalhando
bastante.

Filmes e livros como “Deixados para trás” conquistaram


o imaginário popular, fazendo ainda mais adoecedor o nosso
ambiente interno da cristandade.

A verdade é que não foi sempre assim. Na história do


cristianismo tivemos várias e bem diferentes visões escatológicas
sobre os últimos tempos.

A crença verdadeira sobre o futuro sempre foi marcada pela


esperança! O livro de Apocalipse foi escrito para um povo que
estava sofrendo, o objetivo era que tivessem esperança pois sem
esperança para o futuro, não há energia no presente!
Seja bem-vindo ao nosso curso sobre o apocalipse e o fim
de tempos. Isso mesmo, eu disse fim DE tempos e não fim DOS
tempos. Acredito que estamos diante de uma mudança de era,
em que a manifestação dos Céus se fará plena na Terra.

Vamos começar?

Se o Evangelho de Cristo é a boa nova suprema, a maior notícia


de esperança e de redenção de toda a Criação, de onde vem a
ideia escapista e pessimista a respeito do Apocalipse?

Vejamos um pouco de História. Encontrados norte do Egito,


os manuscritos de Nag Hammadi são uma coleção de textos que
impulsionaram a chamada literatura Gnóstica.

Chamados de evangelhos gnósticos de Judas ou Tomé, foram


inspiração para o distorcido filme Noé, de Russel Crowe.

Em síntese, para o gnosticismo, a Terra seria má e o Céu, bom. A


matéria seria má e o espírito, bom. De acordo com essas ideias, o
mundo criado é um lugar perverso e sombrio e as almas imortais
deveriam esperar somente o momento de voltar, através da morte,
ao seu verdadeiro lar. Você conhece algo assim?

Seguindo esta linha, o motivo principal de alguém se tornar


cristão seria ir para o Céu quando morrer. Crendo assim, rejeitamos
o mundo físico e adquirimos uma visão do futuro que apela para
a destruição desta ordem criada.

Nosso destino final seria totalmente espiritual!

É uma visão triste, fatalista, que condena a Terra. É bem


diferente do que as boas novas do Evangelho significam. Por isso,
em contraste a esse viés pessimista, os chamados “Evangelhos
Canônicos” falam do Reino de Deus. Mateus, Marcos, Lucas e
João falam sobre um Rei estabelecendo seu Reino e sujeitando
todos os inimigos possíveis.
Nos diz Isaías 32:1:

“Eis aí está que reinará um rei com justiça, e em retidão governarão


príncipes.”

No Novo Testamento há uma versão desse mesmo versículo em


Apocalipse 5:10:

“e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão


sobre a terra.”

Temos nos Evangelhos a teologia de uma nova Criação onde


todo o poder, toda a autoridade, em todo universo deverá se
sujeitar ao Messias. A morte será vencida pela ressureição. A
entropia, o caos e a dissolução serão transformados.

Acompanhe uma síntese das ideias no quadro abaixo.

Evangelhos Gnósticos Evangelhos Canônicos


Judas e Tomé Mateus, Marcos, Lucas e João

- Dualidade entre espírito e - Somos feitos à imagem


matéria e semelhança do Pai: uma
unidade entre corpo, alma e
- A terra é má, o céu é bom espírito.

- Visão escapista e pessimista - Jesus veio para trazer o Céu


à Terra. Nós somos profetas da
- Foi base para justificar uma esperança, agentes de trans-
série de heresias e propagar formação do mundo.
um comportamento munda-
no nos primeiros séculos. - As Boas Novas de Cristo
pregam a redenção de toda a
- A criação estaria condenada Criação
Mas, infelizmente, a igreja ocidental presumiu que o grande
objetivo da fé cristã é ir para o Céu. Para alguns cristãos, tudo
que as Escrituras parecem dizer é como ir para o Céu.

Mas, preste atenção: Jesus disse “bem-aventurados os mansos


porque herdarão a Terra” (Mateus 5:5). Há algo além de ir para o
Céu, nós somos chamados a transformar a Terra!

A expressão “Reino de Deus” quando empregada no primeiro


século da nossa era, representa o governo de Deus. O governo
de Deus tornando-se realidade na Terra!

Vejamos o que a Bíblia, em Daniel 7:18, diz sobre isso:

“Mas os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para


todo o sempre, e de eternidade em eternidade.”

Entretanto, a doutrina do gnosticismo originou muitas das


crenças atuais e errôneas do nosso mundo. O gnosticismo foi a
principal heresia dos primeiros séculos da fé cristã. Substituiu a
mensagem do Reino de Deus na Terra como no Céu por uma
mensagem dualista, fatalista e plasticista.

Os pais da igreja dos primeiros séculos insistiram no


resgate divino da obra criada. Não somente almas salvas, mas
a restauração completa da ordem criada. Onde tudo isso se
perdeu? Os evangelhos canônicos contam a história do resgate
da Criação e não do seu abandono!

O propósito de Deus para o futuro não era resgatar pessoas do


mundo físico, mas resgatar o próprio mundo!

Gosto quando o teólogo NT Wright diz que Jesus de Nazaré


não apenas nos trouxe uma nova ética, uma nova possibilidade
religiosa, uma nova forma de salvação. Ele inaugurou uma nova
Criação.

A palavra “eternidade” tem sido usada para nos remeter a um


destino celestial. Como se o Céu estivesse de algum modo fora
do tempo e do espaço, fora da matéria.

Foi-nos vendida então uma eternidade desencorpada e


atemporal. Contudo, essa não é uma ideia Bíblica, mas de Platão.
Para Platão ou Buda, nosso mundo – constituído de tempo,
espaço e matéria – é apenas uma ilusão.

A era vindoura não está fora do tempo, do espaço e da matéria.


Isso é Nag Hammadi. É o evangelho segundo Judas e Tomé.

Então Lucas 18:18 começa a contar-nos a história de um jovem


rico que queria saber o que era necessário fazer para conquistar
a “vida eterna”. Mas o que o jovem queria dizer com a expressão
“vida eterna”? É preciso encontrar o Evangelho nos evangelhos.
Para isso temos que tirar os nossos óculos ocidentais e enxergar
como um judeu do primeiro século.

Na visão judaica o que significa herdar a vida eterna?

A expressão é “Zoí Aiónios”, que refere à vida da era vindoura.


A antiga crença judaica dividia o tempo em dois “Aións”: a
presente era (HaOlam Hazéh) e a era vindoura (HaOlam HaBa).
Para entendermos isso, precisamos primeiro compreender o que
significa a expressão bíblica “últimos dias”.

No dia de Pentecostes, Pedro citou a profecia de Joel segundo


a qual nos últimos dias Deus derramaria o Espírito Santo sobre
toda a carne. Os “últimos dias” estavam se cumprindo ali, naquele
momento! Dois mil anos atrás os últimos dias já estavam se
realizando.

Paulo diz a Timóteo (II Timóteo 3) que nos últimos dias virão
tempos difíceis porque os homens serão amantes de si mesmos,
vis, dentre tantas outras coisas. Logo depois ele diz “foge, Timóteo,
também destes”. Ou seja, era algo que já estava acontecendo.
1 João 2:18 diz:

“Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o


anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo
que conhecemos que é a última hora.”

Já estamos na “última hora” há dois mil anos!

Escatologicamente, o que isso nos diz? Diz que a “presente era”


está sendo gradativamente substituída pela era vindoura.

Os fundamentos já foram postos como fermento que leveda


a massa inteira (Mateus 13:33); como a semente de mostarda
que, plantada, cresce até ser um arbusto forte, em que as aves
do céu vem se aninhar (Mateus 13:31 e 32); como a pedra cortada
sem auxílio de mãos (Daniel 2) que faz com que a estátua vire pó
lançado aos quatro ventos e encha toda a terra, essa é a nossa
Rocha Eterna!

Os judeus acreditavam que chegaria um dia que a era


vindoura chegaria trazendo a justiça, a paz, a cura ao mundo
que geme e que sofre nesta presente era. Anuncia-se assim a
chegada de um dia perfeito, a restauração de todas as coisas,
assim como disse Pedro em Atos 3:21.

Jesus veio conectar tudo e todos a Ele. A Criação está tendo


agora o seu próprio Êxodo! Assim como as pragas no Egito, as sete
taças, os sete selos e as sete trombetas do Apocalipse apontam
para o julgamento de todos os faraós e falsos deuses no nosso
tempo.

Nos evangelhos Jesus anunciava que um mundo totalmente


novo estava nascendo e que a finalidade das dores de parto era
justamente o nascimento da nova humanidade, da nova Criação.

Para Jesus, a sua vida agora pode qualificar ou desqualificar


você para essa era vindoura (João 3:16). Somos chamados à
transformação, por meio da qual somos responsáveis por trazer
a esta era a era vindoura.
Em Romanos 12:2 Paulo nos exorta a não nos conformarmos
com este “Aión”, com este século, com a presente era, antes,
devemos nos transformar pela renovação da nossa mente.

Isso significa que devemos nos preparar para viver com os


valores do mundo vindouro já no presente mundo!

Nossa vocação então é viver agora de uma forma que antecipe


a vida eterna porque, segundo João (I João 5:11), nós já temos a
vida eterna em nós:

“E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta


vida está no seu Filho.”

Quem não tem o filho não tem Zoí Aión, a vida de qualidade de
Deus, a vida da era vindoura.

Você foi capacitado por Deus a viver no poder da era do porvir


já agora! A vida da era vindoura de Deus já está em você!

Então, quando o jovem rico chega e diz “bom mestre, é


repreendido porque Jesus conhecia as intenções do seu coração.
O rapaz não estava perguntando a Jesus sobre como ir para o
Céu depois de morrer, mas sobre o novo mundo de justiça, paz e
liberdade que Deus prometera a seu povo no antigo testamento.
Eles esperavam um Messias que os levassem a esse Reino de paz
e justiça, cujo governo seria o aumento da paz sem fim (Isaías 9:7)

Isso significava que o jovem rico tinha em mente algo


diferente do que temos hoje.

No entanto, apesar de querer herdar a vida da era vindoura,


o moço estava preso às posses da era presente. No final da
história, ele se recusa a abrir mão de tudo e Jesus dá aos seus
discípulos uma lição: quem abrir mão de tudo que tem, receberá
no presente e no porvir a vida da era vindoura.

Para finalizarmos, quero ministrar a você agora uma palavra


sobre o poder da era porvir, o qual virá sobre você para te dar
uma vida abundante e poderosa.

Mas para isso, você precisa entregar tudo. Dizem as escrituras


que o reino de Deus é semelhante a um homem que encontrou
no campo uma pérola e vendeu tudo o que tinha para comprar
aquele campo (Mateus 13:45 e 46).

Quando você anda com Jesus, não pode levar consigo muita
bagagem. Você sabe que é um mordomo das coisas que Ele lhe
emprestou a fim de se mostrar fiel para possuir os verdadeiros
tesouros do mundo porvir.

Por isso diz a Bíblia no Salmo 110: “governa no meio dos teus
inimigos”. Deus está te dando poder para dominar e reinar: “pede-
me e eu te darei as nações pote herança, as extremidades da
terra por tua possessão” (Salmo 2).

Desafio você a acreditar que a vida é mais do que uma


experiência voltada para o céu na expectativa de escapar, fugir,
daqui. Antes, é o treinamento para a eternidade, para que
governemos com aquele que é o Rei dos Reis.

Tome posse da palavra contida em Romanos 5:17 e aproprie-


se do dom da justiça – que o faz uma pessoa perdoada e redimida
– e da abundância da graça. Ora, os que receberam a abundância
da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um
só, a saber, Jesus Cristo.

Que você receba o poder da era porvir, do mundo que está


se manifestando, para revelar o domínio e o governo de nosso
Senhor e Salvador, Jesus Cristo.uma vida abundante e poderosa.

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