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Comentário crítico ao filme A Onda

Magnus Keli Rodrigues da Silva Junior

A Onda, filme alemão de 2008, conta a história do professor Rainer Wenger que foi designado a
dar uma matéria sobre autocracia, mesmo com resistência por parte dele, que desejava anarquia
como tema da sua matéria. “Acha que outra ditadura na Alemanha seria impossível? – De jeito
nenhum. Estamos além disso” A partir de um diálogo entre o professor e seu aluno Jens o
professo começa a ter atitudes totalitárias e semelhantes fascistas, como forma de provar aos
alunos que a sociedade não está além disso, sendo ainda possível uma ditadura nos tempos
atuais.
Utilizando o texto de Adorno “Antissemitismo e propaganda fascista”, algumas semelhanças e
analogias foram feitas do filma ao sistema Fascista. A característica de massa, identidade,
insinuação e totalitarismos são pontos observados.
Adorno elenca três características de abordagem psicológica Fascista, é formado um
grupo/seita na qual quem participa tem acesso a todas as informações que não tem quem está
fora, são convidadas a participar e lá recebem confiança como se fosse elite, formando uma
massa. Algo facilmente visto na sala de aula do Professor Rainer Wenger no qual só que fazia
parte da sua disciplina tinha acesso a informações e conhecimento ali passados e mais à frente
quando a Onda tomar uma proporção maior apenas os que participam tem o acesso a
arquibancada do jogo de polo aquático.
A insinuação “Uma das características do ritual fascista é a insinuação, que apenas algumas
vezes é seguida pela revelação concreta dos fatos aludidos.” Karo, namorada do Marco, ao ver
que aquilo tudo estava indo longa demais, abandonando a disciplina. Não lhe foi poupado
insinuações, e um adentro é o fato de ela ter usado uma blusa vermelha na última aula que
participou, blusa vermelha em referência ao comunismo principal inimigo do Fascismo.
Mediante a isso, outro aspecto que sugue é a perseguição ao “inimigo”. Segundo Adorno, o
totalitarismo desconhece limites, impõem dominação absoluta e como objetivo exterminar o
inimigo escolhido. Os participantes da Onda chegam no filme a comprar briga com outras
tribos, a exemplos os anarquistas. As pessoas se tornam meros objetos no qual o objetivo é
administrativo, sendo ensinados a se auto se anular e a obedecer a ordens.
Ademais, a identidade. Ao longo do filme podemos ver o desenvolvimento de Tim Stoltefuss
advindo de uma família comum e o que podemos considerar “nerd”. Ele se envolve
completamente na Onda, ao ponto de chegar a queimar todas as suas roupas em pro da
organização. “A onda era minha vida” afirmou antes de tirar sua própria vida, Tim achou na
Onda a união e um espirito de identidade que não tinha antes. A gratificação obtida pela Onda
demonstra uma identidade, não importando quão longe ela vá.
Por fim, tanto os textos de Adorno como a obra A Onda nas mostras que ainda é possível um
regime fascista. Em respostas a pergunta do professor no inicio do filme, se ainda seria possível
uma ditadura na Alemanha. Sim, é possível uma nova ditadura na Alemanha, assim também em
todo o mundo e não estamos além disso.

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