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MÁQUINAS TÉRMICAS E DE

FLUXO
- A segunda lei da Termodinâmica

Prof. Guilherme Carvalho


 O que é uma máquina térmica?:

Somente no século passado os cientistas conseguiram


estabelecer definitivamente que o calor é uma forma de energia,
apesar de sua história ter se iniciado com Heron no século I d.C,
que construiu a primeira máquina térmica.
 Em linguagem moderna, dizemos que esse aparelho de Heron é
uma máquina térmica, isto é, um dispositivo que transforma calor
em trabalho mecânico.

 Entretanto, a máquina de Heron não foi usada com objetivo


prático, para produzir grandes quantidades de energia mecânica.

 Somente no século XVIII vieram a ser construídas as primeiras


máquinas térmicas capazes de realizar trabalho em escala
industrial.
 Funcionamento:
 Funcionamento:
 Funcionamento:
 Locomotiva a vapor:
 Turbina a vapor: USINA TERMOELÉTRICA
 Turbina a vapor: USINA TERMONUCLEAR
 O MOTOR DE EXPLOSÃO:
 O MOTOR DE EXPLOSÃO:
 O MOTOR DE EXPLOSÃO:
Rendimento de uma máquina térmica
 Esquema de uma máquina térmica
Rendimento de uma máquina térmica
 Denomina-se rendimento, 𝑹, de uma máquina térmica a razão
entre o trabalho, 𝝉, que ela realiza e o calor, 𝑸𝟏, absorvido da
fonte quente, isto é:

𝝉
𝑹=
𝑸𝟏
Rendimento de uma máquina térmica
 Logo, o rendimento de uma máquina térmica será tanto maior
quanto maior for o trabalho que ela realiza para determinada
quantidade de calor absorvido.

 Assim, se o rendimento de uma máquina for 𝑹 = 0,50 (ou 𝑹 =


50%), isso significa que essa máquina transforma em trabalho a
metade do calor que ela recebe da fonte quente.

 Note que o rendimento de qualquer máquina térmica é sempre


menor do que 100%, pois uma parte do calor é dissipada para a
fonte fria.
Rendimento de uma máquina térmica
 Podemos também calcular o trabalho por meio da dedução da
seguintes formulas:

𝑸𝟏 = 𝝉 + 𝑸𝟐

𝝉 = 𝑸𝟏 − 𝑸𝟐

𝝉 𝑸𝟏 − 𝑸𝟐 𝑸𝟐
𝑹= = ∴ 𝑹= 𝟏−
𝑸𝟏 𝑸𝟏 𝑸𝟏
A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA
 Da expressão anterior, podemos concluir que, se Q2 = 0 , isto é,
se a máquina térmica, ao realizar um ciclo, não cedesse nenhum
calor para a fonte fria, seu rendimento seria R = 1 (ou R = 100%).

 Portanto, uma máquina como essa transformaria em trabalho todo


o calor absorvido da fonte quente.

 Entretanto, sabemos que é impossível construir uma máquina


como esta. Em outras palavras, qualquer dispositivo existente na
natureza, ao efetuar um ciclo, nunca conseguirá transformar
integralmente em trabalho todo o calor que ele absorve de uma
fonte quente (o moto-perpétuo). Para completar o ciclo, o
dispositivo deverá sempre ceder parte do calor absorvido para
uma fonte fria, isto é, tem-se sempre, em qualquer máquina
térmica, Q2 > 0.
A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA
 Essa conclusão constitui a segunda lei da Termodinâmica, que foi
enunciada por Kelvin, da seguinte maneira:

É impossível construir uma máquina térmica


que, operando em ciclo, transforme em
trabalho todo o calor a ela fornecido.

 Na realidade, os rendimentos das máquinas térmicas mais


comumente usadas estão situados muito abaixo desse limite. Por
exemplo: nas locomotivas a vapor o rendimento é cerca de
apenas 10%, nos motores a gasolina nunca ultrapassa 30% e nos
motores a diesel, que estão entre as máquinas mais eficientes, o
rendimento situa-se em torno de 40%.
A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA
 A segunda lei da Termodinâmica também foi enunciada por
Clausius e diz que “o calor não pode fluir espontaneamente de
um corpo com temperatura menor para um corpo com
temperatura maior”.

 Nessa outra forma de expressar a segunda lei, o sentido natural


do fluxo de calor ocorre da fonte quente para a fonte fria e, com
isso, a situação contrária só seria possível se existisse um agente
externo que realizasse trabalho sobre o sistema (no caso do
refrigerador, máquina que retira calor de uma fonte fria levando-a
para uma fonte quente mediante consumo de energia externa, no
caso a energia elétrica.
Exercícios
1) Observe o esquema de uma máquina térmica qualquer,
mostrado na abaixo. Suponha que, em uma máquina a vapor
com esse esquema, em cada ciclo a fonte quente ceda uma
quantidade de calor igual a 100 calorias à máquina e esta realize
um trabalho de 84J. Considerando 1 cal = 4,2 J, determine:

a) o rendimento da máquina térmica.

b) a quantidade de calor que ela rejeita em cada ciclo para a fonte


fria.
Exercícios
2) Um motor a diesel apresenta um rendimento de 40%, realizando
em cada ciclo um trabalho de 1 000 J. Calcule, em calorias, a
quantidade de calor que, em cada ciclo, o motor:
(considere 1 cal = 4 J):

a) recebe da fonte quente.

b) rejeita para a fonte fria.


Exercícios
3) Sabe-se que o calor de combustão do óleo diesel é de 45.103J/g,
isto é, cada 1 g desse óleo libera 45. 103J de energia térmica, ao
ser totalmente queimado. Considerando essa informação e
supondo que o motor a diesel, referido no exercício anterior,
consuma 10 g/s de combustível, determine a potência
desenvolvida por esse motor.
Exercícios
4) Suponha que uma pessoa lhe informou que construiu uma
máquina térmica, a qual, em cada ciclo, recebe 100 cal da fonte
quente e realiza um trabalho de 418 J. Sabendo que 1cal =
4,18J, argumente se essa máquina contraria a segunda lei da
Termodinâmica.
Exercícios
5) Um técnico de manutenção de máquinas pôs para funcionar um
motor térmico que executa 20 ciclos por segundo. Considerando-
se que, em cada ciclo, o motor retira uma quantidade de calor de
1 200 J de uma fonte quente e cede 800 J a uma fonte fria, é
correto afirmar que o rendimento de cada ciclo é:
Ciclo de Carnot
 O ciclo de Carnot, que foi descrito e analisado por um jovem
engenheiro francês, Sadi Carnot, em 1824.

 Quando um dispositivo opera segundo esse ciclo, dizemos que


ele é uma máquina de Carnot, ou seja, dizemos que é válido o
teorema de Carnot, que afirma:

Nenhuma máquina térmica que opere entre duas


dadas fontes, às temperaturas T1 e T2, pode ter maior
rendimento que uma máquina de Carnot operando
entre essas mesmas fontes.
Ciclo de Carnot
 Em outras palavras, o ciclo de Carnot corresponde ao rendimento
máximo que podemos obter com duas fontes térmicas.

 O rendimento de uma máquina de Carnot pode ser calculado,


teoricamente, por:

𝑻𝟐
𝑹=𝟏−
𝑻𝟏
 Em que:
 T2 e T1 são as temperaturas em Kelvin da fonte fria e
da fonte quente, respectivamente.
Ciclo de Carnot
 Se um sistema pudesse atingir naturalmente o zero absoluto,
temperatura que faria com que todas as moléculas parassem de
se mover, ele poderia ser usado como a fonte fria de uma
máquina de Carnot.

 Como T2 = 0, o rendimento da máquina seria R = 1 = 100%, o


que contraria a segunda lei.

 O Rendimento de Carnot (RC) também é conhecido como:

 Rendimento Máximo (RM) ou


 Rendimento Limite (RL).
Exemplo:
1) Considere uma máquina de Carnot que opera entre duas fontes,
tais que T1 = 800 K e T2 = 200 K. Qual seria o seu rendimento?

𝑇2
𝑅 =1−
𝑇1

200
𝑅 =1−
800

𝑅 = 1 − 0,25

𝑅 = 0,75

𝑹 = 𝟕𝟓%
Exercícios
1) Qual o valor das temperaturas do exemplo anterior convertidos
em ºC? Seria possível realizar o cálculo do rendimento utilizando
essa temperaturas em ºC e chegar ao mesmo resultado?
Exercícios
2) Um inventor afirma que criou uma máquina que extrai 25.106 cal
de uma fonte à temperatura de 400 K e rejeita 10.106 cal para
uma fonte a 200 K, entregando-nos um trabalho de 54.106 J.
Você investiria dinheiro na fabricação dessa máquina? Justifique
sua resposta.
Refrigerador
 O refrigerador é um aparelho que reduz a temperatura dos
materiais colocados no seu interior e mantém nesse ambiente
uma temperatura inferior à de suas vizinhanças.

 Para isso, o refrigerador funciona como uma máquina térmica


operando em sentido contrário, isto é, o refrigerador retira calor
(Q2) de uma fonte fria, à temperatura T2, e, a partir do trabalho (𝝉)
realizado sobre ele, cede uma quantidade de calor (Q1) para o
ambiente (fonte quente) a uma temperatura T1 tal que T1 > T2.

 Como o refrigerador cede para o ambiente uma quantidade de


calor Q1, maior do que a quantidade de calor Q2, que ele retira do
seu interior (fonte fria), temos que:

𝑸𝟏 = 𝑸𝟐 + 𝝉
Refrigerador

𝑸𝟏 = 𝑸𝟐 + 𝝉
Refrigerador
 Na serpentina (B), o fluido refrigerante que
circula no refrigerador está liquefeito sob a
pressão produzida pelo compressor (A).

 Em geral, o compressor localiza-se na


parte inferior dos refrigeradores domésticos
e são acionados por um motor elétrico.

 Nos refrigeradores modernos, o


monoclorodifluormetano, conhecido como
fréon R-22, deixou de ser empregado como
fluido refrigerante por ter efeitos nocivos ao
meio ambiente, em particular à camada de
ozônio, e está sendo substituído pelo
tetrafluoretano, ou R-134a.
Refrigerador
 Esse líquido, passando por um
estrangulamento em C, sofre uma
expansão ao penetrar na tubulação do
refrigerador, onde ele se apresenta como
uma mistura de líquido e vapor a uma
temperatura relativamente baixa.

 Esse resfriamento ocorre em virtude da


expansão brusca (mudança de fase) na
qual o gás realiza trabalho utilizando sua
própria energia interna.

 A tubulação, em contato com o ambiente do


congelador (D), absorve calor deste, o que
leva o restante do líquido a se evaporar.
Refrigerador
 O gás passa de D para o compressor, onde
é novamente liquefeito pelo trabalho da
força de pressão que o pistão realiza sobre
ele.

 Ao ser liquefeito, o gás libera calor, que é


transferido para o ar ambiente na
serpentina (B).

 É por esse motivo que a parte posterior do


refrigerador, onde está situada a
serpentina, deve estar voltada para um
local onde haja circulação do ar, a fim de
facilitar a transferência de calor da
serpentina para o ambiente.
Refrigerador
 Em resumo, o refrigerador funciona retirando calor (Q2) do
congelador em D, recebendo um trabalho (𝝉) no compressor em A
e cedendo uma quantidade de calor (Q1) para o ambiente, em B.

𝑸𝟏 = 𝑸𝟐 + 𝝉
Eficiência de um refrigerador (𝜼)
 A eficiência de um refrigerador é a razão entre a energia útil (Q2)
retirada da fonte fria e a energia consumida na forma de trabalho
(𝝉).

 Assim, um refrigerador mais eficiente seria aquele que retirasse o


máximo possível de calor, Q2, da fonte fria, exigindo que o
mínimo de trabalho, 𝝉, fosse realizado sobre ele.

 A eficiência do refrigerador (𝜼) é dada por:


𝑸𝟐
𝜼= 𝒄𝒐𝒎𝒐 𝑸𝟏 = 𝑸𝟐 + 𝝉
𝝉
𝑸𝟐 𝑸𝟐
𝜼= ∴ 𝜼= −𝟏
𝑸𝟏 − 𝑸𝟐 𝑸𝟏
𝑻𝟐 𝑻𝟐
𝜼= ∴ 𝜼= −𝟏
𝑻𝟏 − 𝑻𝟐 𝑻𝟏
Exercícios
3) Certa máquina térmica absorve, em cada ciclo, uma quantidade
de calor Q1=500 cal e realiza um trabalho 𝝉 =200 cal.

a) Determine o rendimento dessa máquina térmica.

b) Suponha que a máquina mencionada operasse entre duas


temperaturas constantes, de 27 °C e 227 °C. Essa máquina
contraria o teorema de Carnot? Explique.
Exercícios
4) Uma máquina de Carnot apresenta um rendimento de 30% e a
temperatura de sua fonte quente é 400 K.

a) Calcule a temperatura da fonte fria dessa máquina.

b) Quais as quantidades de calor Q1 e Q2 que a máquina absorve


e rejeita, sabendo que o trabalho realizado é de 504 J?
(Considerar 1 cal = 4,2J).
Exercícios
5) Uma máquina de Carnot que opera entre duas fontes T1 e T2,
tem um rendimento de 70%. Sabendo que a temperatura da
fonte fria é de T2 = -153ºC, qual a temperatura da fonte quente
T1, em ºC?