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Introdução

O presente trabalho da cadeira de Habilidades de Vida e HIV&SIDA aborda de uma forma clara,
objectiva e detalhada sobre a temática “Sexualidade na Adolescência”. Tema em si é de bastante
importância social pois Como sabemos a adolescência é uma fase da vida humana em que a
sexualidade se insere como uma redescoberta, trazendo certa vulnerabilidade, principalmente
decorrente de mitos e tabus. A adolescência como sendo um período muito especial no
desenvolvimento humano, considerada a transição entre a infância e a idade adulta, caracterizada
por intenso crescimento e desenvolvimento que se manifesta por marcantes transformações
anatómicas, fisiológicas, psicológicas e sociais.
Portanto com o decorrer do amadurecimento do processo de adolescer, diante do novo corpo que
está surgindo, os adolescentes passam a preocupar-se e valorizá-lo, principalmente na aparência
visual, adoptando comportamentos sociais e sexuais atribuídos a cada sexo.
Quando pensamos em adolescência, facilmente associamos a uma fase da vida repleta de
controvérsias, incertezas e pela incessante procura da própria identidade, enquadrando-a
posteriormente a um grupo homólogo. Associada a uma certa rebeldia típica desta fase onde tudo
parece novidade.
SEXUALIDADE
Segundo os autores Tengler & Laissone (2016,p.28) afirmam que, sexualidade refere-se ao lado
afectivo, psicológico e sexual de uma pessoa do sexo feminino ou masculino, ou transgénero ou
transsexual. Possui uma abrangência muito maior, levando à construção dos papéis sexuais
esperados para cada membro da sociedade (homem / mulher), dentro de um dado grupo social.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, “A sexualidade forma a parte integral da
personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano, que não pode
ser separado de outros aspectos da vida. A sexualidade é a energia que motiva a encontrar o
amor, o contacto e a intimidade, e se expressa, na forma de sentir, na forma de as pessoas se
tocarem e serem tocadas, na busca de prazer”(OMS, 2004) apud Tengler & Laissone
(2016,p.28). Inclui sensualidade, erotismo, desejo de contacto, ternurae amor.
A sexualidade é fundamental, para o desenvolvimento do potencial humano de cada pessoa. A
integridade e dignidade, ao nível da sexualidade, requer o respeito e protecção dos direitos
sexuais de todas as pessoas, o direito de controlo sobre o próprio corpo, e a liberdade de decisão
a ser sexualmente activo, negociar o sexo, praticar o sexo seguro, e prevenir a gravidez não
desejada.

ADOLESCÊNCIA
A fase de maiores transformações corporais e emocionais se estabelece entre a infância e a idade
adulta: A Adolescência. A palavra Adolescer deriva do latino, e significa crescer, desenvolver e
tornar-se jovem. Etimologicamente a palavra adolescência é composta pelos prefixos latinos ad
(para) e olescer (crescer).
É um período privilegiado da existência humana em que se verificam mudanças orgânicas,
cognitivas, sociais e afectivas que interferem intensamente nos relacionamentos interpessoais
quer a nível familiar, escolar e social.
A adolescência está relacionada directamente a puberdade, entretanto, apesar de estarem
relacionados, ambos não devem ser confundidos, pois a puberdade está ligada a mudanças
biológicas que levam à capacidade reprodutiva na adolescência, ou seja, a maturação sexual,
enquanto a adolescência é o período da vida humana que sucede a infância. É nessa fase que
acontece às mudanças corporais tanto nos meninos como às meninas, no entanto para as meninas
esse processo acontece em média, dois anos antes que os meninos, com o aparecimento das
mamas por volta dos 9 anos, crescimento dos pêlos pubianos e a menarca por volta dos 12 anos.

Do ponto de vista etário, aspecto cronológico do ciclo vital, a Organização Mundial de Saúde
considera adolescente o indivíduo entre os 10 e os 19 anos, e jovem aquele entre 15 e 24 anos.
Identificam-se, assim, como adolescentes jovens os indivíduos com idade de 15 a 19 anos, e
adultos jovens aqueles com idade de 20 a 24 anos.

A sexualidade na adolescência

Segundo Tavares (2015,p.40) A Adolescência é caracterizada por ser a fase do ser humano que
marca a transição Entre a infância e a idade adulta.
Contudo deveremos diferenciar este conceito de adolescência e o conceito de puberdade.
A puberdade é a fase inicial dramadolescência caracterizada por alterações acentuadas, (entre os
10 e os 13 anos nas meninas e 12 e 14 anos entre os meninos) a principal alteração é o
desenvolvimento dos órgãos sexuais, que ficam preparados para a reprodução.
Segundo Freud (1981) apud Brilhante et al.(2011,p.506) Com o início da puberdade, o
desenvolvimento da sexualidade começa a tomar sua forma adulta sob a égide da zona genital.

Nessa fase as crianças/ adolescentes se masturbam por sentir prazer nesse ato. É quando ocorre o
início da actividade sexual genital propriamente, a que Freud denominou “fase genital”. A
satisfação por meio da descarga caracterizada pelo orgasmo, única capaz de proporcionar uma
satisfação final ou “prazer final” pode se dar, entretanto, através de prazeres preliminares, ou
seja, prazeres nos quais as zonas genitais não assumiram ainda seu papel preponderante. Assim
sendo, a genitalidade torna-se apenas um dos inúmeros caminhos humanos possíveis de
satisfação sexual.

Ao longo da puberdade ocorrem transformações a nível das características sexuais, com o


aparecimento dos caracteres sexuais secundários, embora o aparelho sexual fundamental esteja
presente desde o nascimento, até mesmo anteriormente na fase pré-natal, pois as hormonas
também se encontram presentes e activas (Spinthall e Collins, 1994, pág. 406). São as rápidas
transformações físicas o que levam o adolescente a tomar consciência das alterações que se
verificam em si e o despertar do interesse pelas experiências ao nível sexual.
Quando um rapaz ou rapariga atinge a capacidade de reprodução apenas uma parte da
sexualidade foi alcançada. O adolescente começa a notar em si as mudanças que se dão no seu
corpo, na maneira de ser e relacionamento com os outros, quer sejam os pais, os coetâneos e
mesmo as pessoas com quem convive habitualmente

Na nossa sociedade o sexo ainda é um tabu e os problemas associados à sexualidade são muito
frequentes. Acompanhar desde cedo o processo de desenvolvimento pode ajudar o adolescente a
prevenir problemas futuros como a gravidez na adolescência as doenças sexualmente
transmissíveis, até mesmo, abuso sexual.
Aida de acordo com Tavares (2015,p.41-42) Podemos classificar a sexualidade na adolescência
em três momentos:

 Adolescência precoce (10 aos 14 anos): Esta é a fase em que ocorre a grande
transformação biológica, em que o comportamento sexual depende destas mudanças
físicas.
Nesta etapa a sexualidade ainda é indiferenciada e a masturbação é a conduta sexual mais
frequente. As mudanças do corpo, neste período, são mais rápidas do que a capacidade dos
adolescentes de assimilarem cada nova imagem que surge. Sintomas hipocondríacos e
psicossomáticos são frequentes, como: bulimia, anorexia, cefaleias, alergias, depressão, etc. É
nesta fase que a sexualidade é auto-erótica, ou seja, o jovem está mais direccionado para si
mesmo e para a autodescoberta, como consequência das alterações do seu corpo.
No entanto, entrar em contacto com o seu próprio corpo modificado é algo que quase sempre
Provoca um certo desconforto no adolescente.

 Adolescência média (15-16 anos): É nesta fase que os adolescentes vão começando a
definir, lentamente a sua orientação sexual. A procura de estabelecer relacionamentos é
um dos desejos sentidos nesta etapa de vida. O relacionamento amoroso geralmente
inicia-se nesta fase. Já há uma aceitação maior das transformações físicas, resultando em
um corpo adulto com capacidade reprodutiva. As meninas tendem a usar roupas que
expõem seu corpo. No namoro as carícias são progressivas até culminar com a relação
sexual genital, que ocorre geralmente nesta fase. A sexualidade contribui com a auto-
estima do jovem e faz parte da formação da identidade do indivíduo. É durante a
adolescência que se define e se consolida a identidade sexual. Pode haver
relacionamentos e fantasias homossexuais que não implicam uma homossexualidade
futura e sim uma experiencia sexual.

 Adolescência tardia (17 a 20 anos): Nesta etapa a identidade sexual já está definida e a
maior estabilidade afectiva favorece a busca de um objecto amoroso único. O namoro
apaixonado é frequente.
À medida que há maior maturidade psicológica e social, os adolescentes evoluem para a
independência económica da família e para um relacionamento afectivo mais duradouro.
No período final da adolescência, o jovem sente-se mais independente, não dependendo Tanto do
grupo de amigos, procurando um(a) parceiro(a), apresentando uma maior capacidade de
desenvolver afectos e manifestando um maior cuidado com o objecto amoroso.
É importante que o adolescente tenha o conceito de sexualidade bem clarificado e definido, não
associando apenas a algo físico, mas sobretudo que este esteja relacionado com sentimentos,
afectos e emoções.
O final da adolescência caracteriza-se essencialmente pela superação do desafio de procurar a
sua identidade e liberdade, conquistas que dependem do afastamento das figuras parentais da
infância vistas como principais cuidadores, e do reconhecimento da sua individualidade. O que
importa, nesse momento, é libertar-se dos pais, construindo caminhos para a vida adulta.

Características dos comportamentos sexuais dos adolescentes


Durante a adolescência uma variedade de práticas sexuais vai concretizar o comportamento
sexual dos adolescentes. De acordo com Miguel (1994) apud Sousa (2000,p.45), neste período de
vida, a sexualidade manifesta-se através de diversas actividades sexuais que podem ser:

 Sonhos sexuais - no início da adolescência é frequente que os adolescentes, de ambos os


sexos, tenham sonhos eróticos Estes são involuntários, considerados normais durante este
período e podem ser acompanhados de excitação sexual. A ocorrência de orgasmo
durante o sono (com ejaculação nos rapazes) é frequente. Embora ter sonhos sexuais e
orgasmos seja normal, há muitos rapazes que têm medo que isso signifique alguma
anomalia e faça mal à saúde. As raparigas receiam que isso signifique uma tendência
demasiada para o sexo.
 Fantasias sexuais- são o resultado de experiências culturais e pessoais, podendo conter
material muito variado. Representam um papel importante na sexualidade, pela
capacidade que têm de nos excitar e dar prazer e pela sua participação na masturbação e
mesmo nas relações sexuais.

 Masturbação - A masturbação é um fenómeno psicofisiológico que acompanha o


indivíduo durante o seu desenvolvimento. Na adolescência a masturbação tem uma
função maturativa e de desenvolvimento das zonas exógenas encaminhando os jovens
para o prazer genital.

Segundo Barroso (1991) apud De Oliveira et al. (2015,p.28) grande parte dos adolescentes tem
exercido a sexualidade com mais frequência e precocidade, sendo que a vivência da prática
sexual precoce pode trazer consequências sociais e psicológicas. Considerando este fato uma
manifestação frequente durante a adolescência, tem-se observado hoje um aumento da frequência
de doenças sexualmente transmissíveis, aumento de gestações indesejadas, abortos, casamentos
forçados (quase sempre fracassados) e toda uma gama de conflitos intrapsíquicos e preconceitos
sociais decorrentes desses fatos.
Um dos factores que influenciam essa iniciação sexual precoce, sem os cuidados necessários, é a
falta de diálogo na relação familiar, pois as marcas culturais perpetuadas através das gerações
têm dificultado o diálogo sobre sexualidade entre pais e filhos, em especial quando se refere à
sexualidade feminina. Na maioria das vezes, quando esse diálogo acontece vem cercado de
“Tabus”, onde o sexo e o prazer principalmente para meninas são considerados como algo
proibido, perigoso e até mesmo pecaminoso, podendo ser realizado só depois do casamento.
Reforçando assim, a ideia de que, a relação sexual na adolescência deve ser algo reprimido e
sigiloso. Essa influência se da muitas vezes por causa da religião, onde o sexo antes do
casamento é visto como algo errado e pecaminoso.
A maioria dos rapazes são pressionados por boa parte da sociedade, a iniciar sua vida sexual logo
cedo, pra mostrar que ele é capaz de exercer seu papel de dominador. Já as moças, muitas vezes,
não recebem uma orientação sexual adequada, devido a uma concepção da maioria dos
familiares de que isso despertaria o desejo sexual nas meninas, uma vez que essa mesma
sociedade patriarcal que julga necessário o rapaz começar sua vida sexual cedo, diz que as moças
devem se resguardar para o marido, e só perder a virgindade após o casamento. Um dos maiores
mitos que caracterizam a sexualidade feminina está vinculado justamente à questão da
virgindade, por isso, os rapazes tendem a começar a praticar relações sexuais antes das moças.
Diferentemente do homem, se a mulher chegar a perder a virgindade sem estar mantendo um
compromisso sério com o parceiro, ela provavelmente será vista por uma camada conservadora
da sociedade, como uma jovem “pervertida” ou “vulgar”

De acordo com o autor Cano (2000, p. 38):


Quando os pais não reconhecem o amadurecimento da sexualidade de
suas filhas desperdiçam a oportunidade de proporcionar espaços para a
discussão sobre suas vivências e o esclarecimento de dúvidas. Além disso,
falar com censura ou ser indiferente à sexualidade pode potencializar uma
prática sexual insegura, desprovida de orientações ou baseada em
informações inadequadas.

A grande maioria dos adolescentes quando não encontram informações sobre sexualidade no seio
familiar, compartilham nas suas relações entre amigos as dúvidas e curiosidades, estando sujeitos
a trocarem informações equivocadas. Em geral o acesso a informações sobre sexualidade para
adolescentes é algo bastante restrito, as Instituições que estão para garantir os direitos, não
desenvolvem acções de prevenção suficientes para informar sobre os riscos e problemas que uma
relação sexual sem responsabilidade pode trazer.
Os meios de comunicação como: televisão, rádios, redes sociais e a internet em geral têm
ganhado um papel fundamental na “educação” sexual dos adolescentes, ou seja, a maioria dos
adolescentes compartilha experiências e trocam informações quase sempre por meio das redes
sociais. Dessa forma, estão vulneráveis a informações positivas ou negativas.

Consequências do comportamento sexual dos adolescentes


Sousa (2000,p.51) Como é do conhecimento geral a saúde não é uma preocupação prioritária
nesta fase do desenvolvimento, embora se saiba que a responsabilidade por um comportamento
favorável à saúde cabe, em grande parte, aos próprios jovens. Os jovens adoptam padrões de
risco cada vez mais precocemente e, na escolha de estilos de vida, o fracasso de negociação dos
obstáculos desenvolvimentais, pode trazer consequências sérias para a saúde: alcoolismo, ou
outras drogas e doenças sexualmente transmissíveis, etc. O comportamento sexual é uma área de
potencial risco para os adolescentes, o que deriva essencialmente duma actividade sexual
precoce, muitas vezes não desejada, ou sem efectiva ponderação dos riscos possíveis (como por
exemplo, contrair doenças sexualmente transmissíveis ou uma gravidez não desejada).
Conclusão

Chegado ao fim do presente trabalho de pesquisa dou a concluir que a adolescência é um período
privilegiado da existência humana em que se verificam mudanças orgânicas, cognitivas, sociais e
afectivas que interferem intensamente nos relacionamentos interpessoais quer a nível familiar,
escolar e social. E É nesta fase que a sexualidade é auto-erótica, ou seja, o jovem está mais
direccionado para si mesmo e para a autodescoberta, como consequência das alterações do seu
corpo.
Assim sendo podemos afirmar que a temática sobre sexualidade na adolescência é de bastante
relevância para a sociedade, no entanto é pouco discutido, deixando os (as) adolescentes
vulneráveis as mudanças físicas e mentais da sua própria fase de desenvolvimento peculiar,
vulneráveis no sentido de não compreender como lhe dar com essas mudanças. Pois
comportamento sexual é uma área de potencial risco para os adolescentes, o que deriva
essencialmente duma actividade sexual precoce, muitas vezes não desejada, ou sem efectiva
ponderação dos riscos possíveis (como por exemplo, contrair doenças sexualmente
transmissíveis ou uma gravidez não desejada).
Referências Bibliográficas

DE OLIVEIRA, Juliete Dutra. Reflectindo sobre a sexualidade na adolescência.2015.disponível


em:

https://periodicos.ufersa.edu.br/index.php/includere/article/download/4577/pdf_2

CANO, M. A.T. A família frente à sexualidade dos adolescentes. Acta Paul Enferm, 2000.

SOUSA, Maria Filomena Grelo. Sexualidade na Adolescência. 2000.disponivel em:

https://bibliotecadigital.ipb.pt/bitstream/10198/5041/2/Sexualidade%20na%20Adolesc
%C3%AAncia.pdf

TAVARES, Gaudêncio Miguel. Sexualidade na adolescência, Portalegre.2015.Disponivel em:

https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/15002/1/ESSTFC573.pdf

TENGLER, Hemma; LAISSONE,Pe Elton. Habilidades de Vida, Saúde Sexual e Reprodutiva,


Género e HIV&SIDA. Beira, Fevereiro 2016