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AULA 1

NOÇÕES DO HEBRAICO BÍBLICO


Ênio Caldeira Pinto
Seja bem vindo à nossa primeira aula!
Estamos iniciando um curso e para isso sua dedicação será requisitada.

O objetivo dessa aula é:


(1) introduzir o(a) aluno(a) ao estudo do hebraico,
particularmente ao hebraico bíblico;
(2) situar lingüística e historicamente o estudo do hebraico bíblico

Como já disse nas Orientações, a língua hebraica está “distante” de nós


tanto culturalmente como geograficamente.

O hebraico é membro de uma extensa família denominada “semíticas”.


Uma divisão mais simples, porém bastante informativa, é composta de
quatro grupos familiares:
(1) semítico nor-oriental: babilônico e assírio (acádio);
(2) semítico sul-oriental: antigo árabe meridional e as línguas
modernas aparentadas do sul da Arábia e Etiópia;
(3) semítico sul-ocidental: árabe clássico e inúmeros dialetos
modernos com ele aparentados;
(4) semítico nor-ocidental, que inclui
(a) aramaico
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(b) cananeu (ugarítico, fenício, hebraico)

Veja nos mapas a


região que
compreende as
línguas semitas.

A origem do hebraico, portanto, se dá a partir do semítico cananeu na


parte norte-ocidental. A região semita compreendia o Antigo Oriente
Próximo, com exceção do Egito, ou seja, a antiga Mesopotâmia e a
Palestina.
Para uma compreensão histórica sobre o antigo oriente
proximo, sugiro o livro de

CARDOSO, Ciro Flamarion. Sociedades do Antigo


Oriente Próximo. São Paulo: Ática, 1995, 96 páginas
(Série Princípios).

Os eruditos reconhecem a origem dessa língua através das coleções de


textos, principalmente os do Antigo Testamento, durante o período
monárquico, cuja edição pode referir-se a aproximadamente um milênio.
Sofreu, obviamente, alterações nos períodos exílicos (babilônico) e pós-
exílicos, principalmente quando retornam. No entanto, nenhuma delas é
tão catastrófica quando a região da Judéia é destruída pelo império
romano, inclusive fazendo com que o hebraixo deixasse de ser falado.
Certamente, o hebraico moderno não é o hebraico bíblico. Há diferenças
quanto à forma e fonética, mas a origem, a raíz, é a mesma.
Como as demais línguas semitas, o hebraico não possui vogais. Isso
mesmo! Não possui vogais! O hebraico possui apenas 22 consoantes. Os
textos antigos não tinham nenhum sinal vocalizado. Somente os
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“alfabetizados” é que conseguiam ler e entender e, conseqüentemente,
ensinar o povo. Você pode até imaginar como se dava a leitura e, mais
ainda, o processo de alfabetização.
Imagina você ler as seguintes palavras:
Hrvtaski Entschuldigung Lebensverhältnisse
Certamente nós teríamos dificuldades imensas para enrolar e encontrar
o ponto de articulação exata de cada uma das consoantes bem como
das vogais. Pior ainda seria se fosse sem nenhuma vogal. Vejamos:

Hrvtsky Ntschldgng Lbnsvrhltnss


Ufa! Você conseguiu? Se conseguiu, parabéns. Se não, não fique
desesperançado. O hebraico era assim, no entanto, no século V d.C. um
grupo de eruditos judeus muito ligado à tradição solucionaram esse
dificultoso problema. Eles inventaram o sinais massoréticos também
chamados de sinais vocálicos. Portanto, as vogais não fazem parte do
alfabeto hebraico bíblico. Os sinais são apenas “marcas” para que nós
possamos reconhecer, ler e interpretar. Veja um exemplo abaixo:

Esse é o nome sagrado de Deus. Ao transcrevê-lo em português às


letras correspondentes, temos: YHWH. Todas são consoantes, embora
o “Y” tenha som de vogal. Por isso, a pronúncia do nome sagrado de
Deus é muito difícil (é impronunciável).
Uma noção ortográfica que você deverá ter a respeito do hebraico é que
ele deve-se escrever da direita para a esquerda. Isso mesmo, do fim
para o começo (em nossa mentalidade). Sendo assim, o livro de Gênesis
está no fim do livro. Quando se pega o livro na mão, temos de abrir a

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palma da mão esquerda e colocar o livro com a capa voltada para baixo
e da contra-capa é que iremos começar a ler.

.esquerda a para direita da escreve-se hebraico O

A
Cada consoante também é chamada de caracter. Os caracteres
(tipos) são chamados quadráticos porque são “imaginados”
dentro de um quadrado. Então, a escrita que vamos aprender é
a “quadrática”. Existe a forma “cursiva”, mas nós não iremos aprender
devido o tempo e a intenção do curso. O texto bíblico foi escrito em
forma quadrática e o texto que vocês terão acesso também é
quadrático. O quadrático corresponderia à forma impressa que nós
temos, e a cursiva à mão.
Não existe letras maísculas e ou minúsculas. Existe apenas uma forma
que serve para ambas. Para se fazer a leitura, deve-se reconhecer
primeiro a consoante e depois o sinal massorético (vocálicos). Esses
sinais podem vir acima, abaixo e ao lado das consoantes.

ALGUMAS INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS


(a) Introdução ao estudo do hebraico
LAMBDIN, Thomas O. Gramática do Hebraico Bíblico.
São Paulo: Paulus, 2003, 398 páginas.

MENDES, Paulo. Noções do hebraico bíblico. São Paulo:


Vida Nova, 2004, 232 páginas.

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(b) dicionários

SCHÖKEL, Luís Alonso. Dicionário bíblico hebraico-


português. São Paulo: Paulus, 1997, 798 páginas.

DICIONÁRIO HEBRAICO-PORTUGUÊS E ARAMAICO-PORTUGUÊS


Vários Autores
Editora Sinodal

Acesse agora a tarefa 01 referente a essa aula.

Um abraço,
Fraternalmente
Prof. Ênio

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