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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Factores Que Impulsionam o Desenvolvimento nos Países do Terceiro Mundo,


Analisando Diferentes Vertentes, Os Avanços e Recuos Sobre Gestão dos Seus
Recursos.

Neto João Bernardo Maquina - 708194880

Docente:

Curso: Gestão Ambiental


Disciplina: Desenvolvimento dos Países do 3° Mundo
Ano de frequência: 2º Ano

Beira, Outubro, 2020


ÍNDICE

CAPITULO 1: INTRODUÇÃO........................................................................................3

1.1. Introdução...................................................................................................................3

1.2. Objectivos...................................................................................................................3

1.2.1. Objectivo Geral.......................................................................................................3

1.2.2. Objectivos Específicos............................................................................................3

1.3. Metodologia................................................................................................................4

CAPÍTULO 2: ANÁLISE E DISCUSSÃO......................................................................5

2.1. Histórico da origem dos Países do Terceiro Mundo..................................................5

2.2. Terceiro Mundo..........................................................................................................5

2.3. Características dos países do terceiro mundo: no âmbito sócio-cultural; politico-


económico e ambiental......................................................................................................6

2.3.1. Na economia:...........................................................................................................6

2.3.2. Características Demográficas:.................................................................................6

2.3.3. Sociais:....................................................................................................................6

2.3.4. Politicas:..................................................................................................................6

2.4. Efeitos da Colonização no processo do Desenvolvimento dos Países do Terceiro


Mundo................................................................................................................................7

2.4.1.Nos planos político e cultural:..................................................................................7

2.4.2. Nos planos social e populacional:...........................................................................7

2.4.3. Nos planos económico e ambiental:........................................................................8

2.5. Conceitos....................................................................................................................8

2.5.1. Desenvolvimento.....................................................................................................8

2.5.2. O sentido do desenvolvimento................................................................................8

2.6. Histórico do desenvolvimento....................................................................................9

2.7. Teorias do Desenvolvimento Económico.................................................................11

2.8. A População no Terceiro Mundo.............................................................................13


2.9. Transição Demográfica............................................................................................13

2.10. Factores que Impulsionam o Desenvolvimento nos Países do Terceiro Mundo....15

1.10.1. Factores demográficos:........................................................................................15

2.11. Os Avanços e Recuos Sobre Gestão dos Seus Recursos........................................16

2.11.1. Terceiro mundo- Economias Periféricas.............................................................16

2.11. 2. Países de economias’’ emergentes’’...................................................................17

2.11.2.1. Definição..........................................................................................................17

2.11.2. Economia Débil...................................................................................................17

2.11.3. Os empréstimos e as dívidas Externas.................................................................17

2.11. 4. Consequências do endividamento no Terceiro Mundo......................................18

2.11.5. Consequências no âmbito económico.................................................................18

Conclusão........................................................................................................................19

Referências bibliográficas...............................................................................................20
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CAPITULO 1: INTRODUÇÃO

1.1. Introdução
O presente trabalho enquadrado no curso de Gestão Ambiental, na cadeira de
Desenvolvimento dos Países do 3° Mundo, servirá de exame com o seguinte tema para
o desenvolvimento: Factores Que Impulsionam o Desenvolvimento nos Países do
Terceiro Mundo, Analisando Os Avanços e Recuos Sobre Gestão dos Seus Recursos.
Segundo Escobar (2007, p. 64-65), nos primeiros momentos após a Segunda Guerra, os
países terceiro-mundistas estiveram sobre influência mais direta de ambos os polos de
poder da Guerra Fria. Não obstante, conforme os processos de independentização e
descolonização foram avançando, esses países lograram uma maior articulação entre si.
Assim, paulatinamente os países do Terceiro Mundo lograram construir alianças em
torno de uma participação ativa e propositiva nos grandes foros da política
internacional, trazendo para o debate agendas obliteradas pelas grandes potências da
época (LEITE 2011, p. 56).

1.2. Objectivos

1.2.1. Objectivo Geral


 Conhecer os Factores Que Impulsionam o Desenvolvimento nos Países do
Terceiro Mundo, Analisando Diferentes Vertentes, Os Avanços e Recuos Sobre
Gestão dos Seus Recursos.

1.2.2. Objectivos Específicos

 Conhecer a origem histórica dos países do terceiro mundo;


 Conhecer o conceito desenvolvimento e seu significado no terceiro mundo;
 Conhecer as teorias do desenvolvimento económico;
 Analisar os fatores do desenvolvimento, do Avanços e Recuos Sobre Gestão
dos Seus Recursos e económico do 3º Mundo.
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1.3. Metodologia
Para sua elaboração foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica com a
utilização de livros publicados, artigos, monografias e teses relacionadas ao tema.
5

CAPÍTULO 2: ANÁLISE E DISCUSSÃO

2.1. Histórico da origem dos Países do Terceiro Mundo

Segundo PIRES (S/a, p. 13), os países da África e Ásia que já tinham alcançado as suas
independências, conseguiram representantes na ONU, mas continuavam dependentes
economicamente dos países ricos. Representantes de vários países de todos os
continentes afirmaram em 1955 na Conferencia de Bandung, a existência do Terceiro
Mundo. Os Primeiro Mundo eram os países capitalistas ricos. Os Segundo Mundo eram
os países socialistas.

“O Terceiro Mundo era o resto dos países, que eram todos pobres e
dependentes economicamente. O Terceiro Mundo não queria participar da
Guerra-fria, combatiam o racismo, o subdesenvolvimento e queriam
cooperação internacional. Esses países eram diferentes entre si. Índia e China
já tinham mais autonomia em relação ao resto. Argentina, Brasil, México eram
mais industrializados. Cuba era socialista e tinha um desenvolvimento social
muito bom. Mas todos eram pobres e dependiam economicamente de outros
países. Na África, os colonizadores europeus destruíram a agricultura
tradicional africana para implantar latifúndios ligados à exportação. Com a
descolonização, os latifúndios” (Ibidem, p. 13).

2.2. Terceiro Mundo


A expressão terceiro mundo foi criada para designar um conjunto de países
caracterizados como “sub-desenvolvidos” que apresentavam níveis baixos de
desenvolvimento nas áreas de saúde, habitação e educação, neste conjunto de países
vivem quase dois terços da população mundial.

Assim (Pires, S/a) sustenta que o nome deriva da época da Guerra Fria, em que os
Estados Unidos e a União Soviética eram consideradas as superpotências mundiais. Ao
lado capitalista (EUA) deu-se o nome de Primeiro Mundo e o lado socialista (união
soviética) de Segundo Mundo, aos países pobres ou que não se integravam em nenhum
destes blocos designaram-se por Terceiro Mundo.
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A expressão reflectia o estado de miséria do povo em geral e o da burguesia, que não


participava do poder político, ficando este sob domínio da nobreza e do clero, primeiro
e segundo estado, respectivamente.

2.3. Características dos países do terceiro mundo: no âmbito sócio-cultural;


politico-económico e ambiental

2.3.1. Na economia:
Rendimento é baixo e existem profundas desigualdades na sua repartição;
A mão-de-obra é maioritariamente desqualificada e agrícola;
A estrutura da produção e das exportações é dominada por produtos agrícolas,
matérias-primas e bens de baixo valor acrescentado;
O endividamento externo tem um peso excessivo no PIB.

2.3.2. Características Demográficas:


O crescimento da população é acentuado;
A taxa de mortalidade infantil é elevada;
A esperança média de vida é reduzida.

2.3.3. Sociais:
Taxas de analfabetismo elevadas;
Assistência médica precária;
Situação sanitária deficiente;
As mulheres são discriminadas;
Condições de habitação inadequadas;
Fome e escassez de alimentos são generalizadas.

2.3.4. Politicas:
Instabilidade política e social permanente;
Conflitos étnicos e fronteiriços são frequentes
Governos corruptos e autocráticos;
Direitos humanos não são respeitados.
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2.4. Efeitos da Colonização no processo do Desenvolvimento dos Países do Terceiro


Mundo

2.4.1.Nos planos político e cultural:


Fronteiras desenhadas arbitrariamente pelas potências europeias na Conferência
de Berlim, sem qualquer respeito pelas culturas, línguas e etnias, passando a
constituir focos de instabilidade social e política geradores de conflitos
fronteiriços e guerras civis sangrentas;
Destruição das estruturas sociais e linguísticas dos países colonizados e impostos
novos valores, modos de vida e línguas oficiais aos povos colonizados, o que
tem originado tensões e conflitos, cuja consequência mais grave se traduziu na
eliminação física de povos e sociedades;
Adopção de modelos políticos desenquadrados das tradições sócio culturais das
populações locais, impostos pelas antigas potências colonizadoras, que ajudaram
a promover elites corruptas e que têm sustentado regimes autocráticos e
repressivos.

2.4.2. Nos planos social e populacional:


Ritmo de crescimento demográfico acelerado em resultado da diminuição da
taxa de mortalidade e da manutenção de índices de fecundidade elevados,
contribuindo para aumentar a escassez de alimentos e a fome;
Migrações internas constantes e vagas de refugiados que assumem uma
dimensão de catástrofe humana e ambiental, com milhões de pessoas em fuga
pela sobrevivência, em resultado dos conflitos étnicos e da fome;
Urbanização acelerada e descontrolada em consequência da desintegração das
economias rurais tradicionais e do êxodo rural de populações, muitas vezes em
fuga aos conflitos armados, que afectam sobretudo o interior dos países;
Estrutura urbana construída de forma a servir os interesses das antigas
metrópoles, o que se traduz na existência de gigantescas áreas urbanas e numa
ocupação assimétrica do território.
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2.4.3. Nos planos económico e ambiental:


Destruição das economias tradicionais e especialização na exportação de
produtos primários e de bens manufacturados de baixo valor acrescentado e na
importação de tecnologia, imposta na lógica da DIT e responsável pela
deterioração dos termos de troca e pelo endividamento externo;
Pilhagem dos recursos naturais, o que enfraqueceu estes países;
Dualismo económico, face à existência de duas realidades distintas, uma
moderna e lucrativa, controlada pelas grandes empresas estrangeiras e orientada
para o exterior, outra tradicional e pouco produtiva, voltada para o autoconsumo;
Endividamento externo excessivo, provocado pelas necessidades de
financiamento resultantes de um baixo nível de acumulação de capital;
Desigualdades socioeconómicas profundas entre as elites dirigentes que se
perpetuam no poder, beneficiando do apoio das antigas potências colonizadoras,
e uma vasta população que vive na pobreza (HUGON, P. 2006).

2.5. Conceitos

2.5.1. Desenvolvimento
A capacidade de uma sociedade satisfazer as necessidades da sua população e lhe
permitir alcançar um nível de bem-estar adequado com carácter duradouro da se o nome
de desenvolvimento.

Nesse sentido, o crescimento económico é a medida quantitativa que se traduz na


criação de riqueza. Para haver desenvolvimento é fundamental que haja crescimento
económico para assegurar a aplicação da riqueza nas condições que permitam melhorar
a qualidade de vida da população. Pode-se observar à existência de crescimento
económico sem desenvolvimento.

2.5.2. O sentido do desenvolvimento

Segundo Scatolin (1989, p.24), a discussão acerca do conceito de desenvolvimento é


bastante rico no meio académico, principalmente quanto à distinção entre
desenvolvimento e crescimento económico, pois muitos autores atribuem apenas os
9

incrementos constantes no nível de renda como condição para se chegar ao


desenvolvimento, sem, no entanto, se preocupar como tais incrementos são distribuídos.

Nas avaliações dos autores em alguns pontos, elas se completam, desenvolvimento, em


qualquer concepção, deve resultar do crescimento económico acompanhado de melhoria
na qualidade de vida, ou seja, deve incluir “as alterações da composição do produto e a
locação de recursos pelos diferentes sectores da economia, de forma a melhorar os
indicadores de bem-estar económico e social (pobreza, desemprego, desigualdade,
condições de saúde, alimentação, educação e moradia) ”.

Autores como SUNKELL e PAZ (1988), descrevem que terminado o conflito bélico
todos os países, principalmente os aliados, visavam livrar o mundo, e, obviamente, seus
próprios territórios, dos problemas que os perseguiam (e ainda perseguem) nos períodos
anteriores: guerra, desemprego, miséria, discriminação racial, desigualdades políticas,
económicas e sociais.

Preocupação esse que revelou os desejos de progresso e de melhoria das condições de


vida das nações e regiões, que podem ser vislumbrados tanto na primeira Declaração
Inter-aliada de 1941, como na Carta do Atlântico, do mesmo ano, que expressavam o
desejo de criar condições para que todos os homens possam desfrutar de segurança
económica e social.

2.6. Histórico do desenvolvimento


Nos anos 1940 em plena crise do pensamento neoclássico surge a teoria do
desenvolvimento económico. Também nasce nesta época, o primeiro modelo formal de
desenvolvimento económico de harrod-domar. O pensamento neoclássico, contudo,
fortemente ideológico, não se dava por vencido. ROBERT SOLOW, ficou motivado
pelo objectivo de criticar o modelo keynesiano que não assegurava o equilíbrio através
do mercado, desenvolveu um modelo simples que tornava a análise dinâmica do
crescimento compatível com a análise estática do equilíbrio geral (VASCONCELLOS e
GARCIA (1998, p. 205).
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Na verdade, com o surgimento desses modelos, tornou-se convencional distinguir a


‘teoria económica do desenvolvimento’, que teria bases históricas, da ‘teoria económica
do crescimento’ (growth economics) que teria como base funções de produção
inicialmente exógenas, ou seja, nas quais o progresso técnico ou o capital humano eram
exógenos, e, em um segundo momento, conseguindo endogeneizar matematicamente
essa variável.

Assim, a teoria económica do desenvolvimento seria mais ampla, e incluiria toda a


complexidade do processo do desenvolvimento, enquanto que a ‘teoria do crescimento
económico’ mostraria como ocorre o crescimento da renda per capita a partir de um
número mais limitado e formalizado de variáveis. Essa diferenciação não faz sentido já
que o fenómeno a ser estudado é um só, e que sua principal medida é sempre o
crescimento da renda per capita.

Por outro lado, logo se verificou que o potencial explicativo dos modelos de
crescimento é muito limitado. O modelo de Harroddomar tem a vantagem de supor
uma função de produção muito simples, relacionando o crescimento com a taxa de
investimento, dada uma produtividade do capital ou relação produto capital. Agora o
modelo de Solow usa uma função Cobb-Douglas também simples mas que permite
considerar outros factores além do capital.

A primeira visava mostrar a tese keynesiana de que o desenvolvimento económico não


ocorre com equilíbrio assegurado pelo mercado, enquanto que a segunda, ao prever a
substituição de factores, pretendia demonstrar a tese neoclássica que o mercado
assegura esse equilíbrio. Para pesquisadores neoclássicos, o grande feito do modelo de
Solow teria sido haver demonstrado, através do resíduo das regressões, que a
acumulação de capital sozinha não explica o desenvolvimento económico, e que era
fundamental considerar o progresso técnico. Na verdade, uma lamentável consequência
desse modelo foi haver depreciado a importância da taxa de investimento quando todas
as pesquisas empíricas mostram uma alta relevância dessa taxa na determinação das
taxas de crescimento económico.
11

Assim, as consequências deste modelo foram dar início a uma discussão ociosa sobre as
causas do desenvolvimento – se nele teria maior importância a acumulação de capital ou
nesse caso o desenvolvimento tecnológico. Essa discussão faz pouco sentido não apenas
porque a acumulação de capital vem sempre acompanhada de progresso técnico, como
também porque é óbvio que o conhecimento, seja ele técnico, organizacional, ou
comunicativo, é cada vez mais estratégico para a competitividade das empresas e das
nações. Cada vez é mais importante o conhecimento detido pelos indivíduos com
competência técnica, administrativa, ou comunicativa – os tecnoburocratas ou
profissionais que constituem a classe média profissional.

Entretanto, o desenvolvimento económico decorre tanto da acumulação de capital físico


quanto humano, que mantêm entre si uma certa proporcionalidade técnica: quando um
se torna excessivo em relação ao outro, tende a ocorrer o desemprego.

2.7. Teorias do Desenvolvimento Económico


Como alternativa à crise de 1929, o economista inglês John Maynard Keynes formulou
uma hipótese de que o Estado deveria interferir activamente na economia: seja
regulando o mercado de capitais, seja criando empregos e promovendo obras de infra-
estrutura e fabricando bens de capital.

Nas avaliações dos autores, essa teoria foi muito popular até os anos 1980 quando em
parte devido à crise do petróleo - o sistema monetário internacional entrou em crise.
Tornou-se então evidente a inviabilidade da conversibilidade do dólar em ouro, ruiu o
padrão dólar-ouro, com inflação e o endividamento dos Estados por um lado, e uma
grande acumulação de excedente monetário líquido nas mãos dos países exportadores
de petróleo por outro. Em vista disso, sobreveio uma mudança de enfoque na política
económica.

Assim, surge a escola neoliberal de pensamento económico, baseada na firme crença na


Lei de SAY, e cujos fundamentos já tinham sido esboçados em 1940 pelo economista
austríaco Friedrich August von Hayek. Para corrigir os problemas inerentes à crise, os
neoliberais pregavam a redução dos gastos públicos e a desregulamentação, de modo a
permitir que as empresas com recursos suficientes pudessem investir em praticamente
12

todos os sectores de todos os mercados do planeta: tornar-se-iam empresas


multinacionais ou transnacionais.

Teorias clássicas até as pós-Keynesianas. O enfoque das teorias económicas passa


necessariamente pela ideia de crescimento económico, que significa o aumento do
Produto Nacional Bruto (PNB) per capita. Assim (SANDRONI, 1994) sustenta que,
este crescimento provoca a melhoria do padrão de vida das pessoas e ocasiona
alterações na estrutura económica do país.

Na verdade, na teoria económica clássica, ADAM SMITH pode ser considerado o


fundador do pensamento económico liberal. Os teóricos liberais económicos foram os
primeiros a pesquisar sobre o desenvolvimento.

Neste sentido, este pensamento influencia até hoje as Relações Internacionais no âmbito
do estudo de políticas económicas. Muitas de suas contribuições receberam a
classificação de “teoria da modernização”. Estes teóricos acreditavam que os países
subdesenvolvidos seguiriam os passos das nações desenvolvidas ocidentais, deixando de
ser uma “sociedade agrária, pré-industrial e tradicional em direcção a uma sociedade
moderna, industrial e de consumo em massa” (JACKSON e SORENSEN, 2007) citado
por (PIRES, S/a).

De acordo com (PEET, 1999), SMITH defende que os indivíduos devem agir de
maneira racional para maximizar seus próprios interesses. Esses interesses individuais
livremente desenvolvidos seriam controlados pela chamada “mão invisível”
representada pela acção do mercado. Na concepção de SMITH, o mercado deve
funcionar livremente sem intervenção estatal. Esse pensamento se contrapõe ao
mercantilismo como teoria predominante praticada pelos países europeus do século IX
ao XVIII, com ênfase no controle económico pelo estado. O mercantilismo está ligado
fortemente ao estabelecimento do estado moderno soberano dos séculos XVI e XVII
colocando a actividade económica a serviço da construção de um estado forte, em uma
demonstração clara de construção de poder.

Assim, de acordo com PEET, os economistas neoclássicos consideram que sob perfeitas
condições competitivas, o preço nos mercados se equilibram através da procura e oferta
13

de produtos de uma maneira eficiente e com isso aqueles que produzem recebem de
acordo com o esforço realizado por eles. Capitalismo era, portanto, o melhor cenário
económico possível.

2.8. A População no Terceiro Mundo


Os países do Terceiro Mundo, começaram a transição demográfica. Altas taxas de
natalidade, alta taxa de mortalidade, alta emigração, elevada taxa de mortalidade infantil
são características destes países. Actualmente os países africanos se encontram no
estágio 2 do processo: mantêm a natalidade muito alta mas, em geral, estão reduzindo
consideravelmente a mortalidade. Outros países, especialmente em América Latina, em
Ásia e também algum de África, já se encontram na fase 3 do processo porque
reduziram muitíssimo a mortalidade e, ao mesmo tempo, estão diminuindo
paulatinamente a natalidade.

Os demografo consideram que o actual ritmo de crescimento da população mundial tem


data de caducidade, dado que os países em via de desenvolvimento, completarão a
transição demográfica e acabarão desfrutando de umas taxas de natalidade e
mortalidade semelhantes as que têm os países desenvolvidos. Por esta razão, os
demografo consideram que a catástrofe malthusiana prognosticada por Thomas Malthus
ao princípio do século XIX não acabará produzindo-se. A moderação no crescimento da
população mundial dependerá da velocidade com que os países em via de
desenvolvimento sejam capazes de completar a transição demográfica. Segundo
cálculos da ONU, se os países pobres aceleram o ritmo, no ano 2050 terão no planeta
uns 7,5 bilhões de habitantes (PEET, 1999).

2.9. Transição Demográfica


Segundo Vermelho e Monteiro (2002) citado por Pires (S/A), diz que ressaltam os
autores que o processo de transição demográfica foi descrito pela primeira vez na
década de 1940, em referência aos efeitos das mudanças nos níveis de fecundidade,
natalidade e mortalidade da época.
14

Dessa forma, pode – se identificar quatro (4) estágios da transição demográfica a saber:
 Fase pré-industrial ou primitiva: percebe-se um equilíbrio populacional, onde as
taxas de natalidade e mortalidade, principalmente infantil, são elevadas;
 Fase intermediária: as taxas de natalidade permanecem altas enquanto
decrescem as taxas de mortalidade;
 Fase intermediária (convergência de coeficientes): a taxa de natalidade diminui
em ritmo mais acelerado que a mortalidade, cujo efeito mais notável é um rápido
"envelhecimento" da população;
 Fase moderna ou de pós-transição: retorno ao equilíbrio populacional, com
aproximação dos coeficientes em níveis mais baixos. A população torna-se
estável, onde os valores de fecundidade se aproximam do nível de reposição.
Como consequência, a esperança de vida aumenta, a população envelhece e em
geral, observa-se uma ampliação da proporção de mulheres.

O mundo está passando por um dos melhores momentos demográficos de toda a história
da humanidade. Isso se deve a um dos mais inopinados fenómenos sociais ocorridos na
história da racionalidade humana: a transição demográfica. A transição demográfica, de
modo geral, começa com a queda das taxas de mortalidade e, depois de certo tempo,
prossegue com a queda das taxas de natalidade, o que provoca uma forte mudança na
estrutura etária da pirâmide populacional (ALVES (2008, p.3).

Segundo FERRAZ (1991), o mundo assistiu a uma explosão demográfica. Até o século
XIX, a sociedade assiste a doenças, fome, guerras, condicionando a um nível
populacional relativamente baixo. A partir daí, com o avanço industrial e melhoria
sanitária, a mortalidade se reduz, por outro lado ocorre um aumento na natalidade e na
esperança de vida. Já, o crescimento demográfico atinge de sobremaneira o ambiente
natural.

Para FERRAZ (1991, p.4) a situação demográfica frente ao processo industrial e social,
se converge em: [...] um lado os povos mais adiantados, que lograram nível de
desenvolvimento económico bem mais elevado, e se industrializaram mais
precocemente, viram reduzidos no tempo o seu crescimento demográfico, de outro lado
os povos com desenvolvimento mais tardio, formando a enorme massa concentrada no
chamador terceiro mundo, submeteram-se gradientes demográficos enormes para, no
15

global, a população mundial alcançar nos últimos decénios níveis altamente


preocupantes.

Nas avaliações dos autores, a população do mundo está crescendo e envelhecendo. O


crescimento da população mundial, oriundo especialmente dos países emergentes,
resultará em aumento da demanda mundial por alimentos. Este aspecto oferece aos
países do terceiro mundo um leque de oportunidades, para o seu desenvolvimento
económico.

No âmbito económico, o mundo conhece a ascensão de países emergentes que têm


elevado potencial de ocupar um lugar de liderança no mundo: as chamadas “baleias”,
dentre as quais se destacam China e Índia.

2.10. Factores que Impulsionam o Desenvolvimento nos Países do Terceiro Mundo

1.10.1. Factores demográficos:

Forte crescimento populacional nos países subdesenvolvidos, envelhecimento da


população nos países desenvolvidos, aumento da população urbana e restrições
aos fluxos migratórios;
Redução dos bolsões de pobreza (Ásia) e crescimento das desigualdades (entre
os países e internamente nos vários países); Intensificação da globalização:
aumento dos fluxos comerciais e de serviços, consolidação da “sociedade do
conhecimento”, mudanças no mercado de trabalho;
Deslocamento do eixo da economia mundial para o Pacífico, sobretudo China e
Índia, com forte pressão sobre a demanda por alimentos e energia (petróleo);
Pressões antrópicas provenientes dos países emergentes (principalmente China e
Índia) e desenvolvidos (EUA), com impacto sobre recursos hídricos e mudanças
climáticas;
Consolidação da sociedade de risco: instabilidade financeira e política, economia
da contravenção, riscos relacionados a epidemias, acidentes nucleares e ataques
terroristas;
16

Perda de posição relativa da América Latina frente às outras regiões do globo:


perda de competitividade, queda do ritmo de crescimento, aumento das
desigualdades e tensões sociais.

Entretanto, o crescimento da população mundial, oriundo especialmente dos países


emergentes, resultará em aumento da demanda mundial por alimentos. Este aspecto
oferece aos países do terceiro mundo um leque de oportunidades, para o seu
desenvolvimento económico.

2.11. Os Avanços e Recuos Sobre Gestão dos Seus Recursos

2.11.1. Terceiro mundo- Economias Periféricas


Cada país do terceiro mundo apresenta uma trajectória distinta, podendo ser agrupados
somente pelo termo “emergentes”. Assim como aponta RUBENS SAWAYA, professor
do departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo,
“o único elemento comum é que são países que conseguiram desenvolver certa estrutura
industrial. Mesmo assim, essas estruturas são bastante distintas e foram construídas em
épocas diferentes. Em termos de políticas económicas, todos usaram as tradicionais
políticas económicas: câmbio desvalorizado, política fiscal expansionista e política de
crédito abundante. O mesmo autor ainda afirma que diferença é a estratégia que cada
um adoptou em seu processo de industrialização”.

Além de serem países em desenvolvimento, é importante notar que todos eles possuem
uma grande extensão territorial, abundância em recursos minerais e mão-de-obra (por
conta do tamanho de suas populações).

Além disso, todos têm o Estado como indutor e promotor do desenvolvimento industrial
de maneira bastante expressiva nos últimos cinquenta anos, apesar da China ser
comunista, a Rússia já ter sido socialista e Índia e Brasil serem capitalistas. Outro ponto
em comum é a abertura económica promovida por eles na década de 90. “Nesse
processo de emergência, cada um desses países vai ocupando um certo espaço na
divisão internacional do trabalho, com a China e a Índia ocupando um espaço grande na
economia mundial na produção de bens manufacturados e serviços.
17

2.11. 2. Países de economias’’ emergentes’’

2.11.2.1. Definição
Podemos definir com sendo aqueles países cujas economias partiram de um estágio de
estagnação ou subdesenvolvimento e se encontram em pleno desenvolvimento
económico. São também chamados de "países em desenvolvimento".

2.11.2. Economia Débil


Os países emergentes são países que crescem economicamente em um ritmo frenético,
investe em novas tecnologias, educação, conquistando novos mercados. Apesar de
serem países com economia em desenvolvimento, ainda são muito frágeis com relações
à crises de mercado pelo mundo.

Esses países, contam com muitos investimentos de fora, tendo assim uma certa
fragilidade. A china por exemplo, apresenta um crescimento económico exponencial
nos últimos quinze anos, com taxas médias de 10% do PIB anualmente. Em poucos
anos, sua economia ultrapassou o PIB da Itália, França e Inglaterra, tornando-se a quarta
economia entre as nações, superada apenas pela Alemanha, Japão e os EUA.

Os países emergentes, com essa certa fragilidade económica, vêm conseguindo


desenvolver grande parte dos países, com alto indicie de investimentos em todas as
áreas produtivas da economia. Os governos sabem que as economias desses países é
forte hoje por investimentos externos, devido sua grande capacidade de produção, e com
isso aumentando o número de Mão de- obra qualificada esses países emergentes
poderão, conseguir manter uma economia firme para um pais emergente.
(BAD/OCDE/PNUD, 2015).

2.11.3. Os empréstimos e as dívidas Externas


Segundo BAD/OCDE/PNUD (2015), os países do terceiro mundo dada a sua debilidade
e falta de capital para construir infra- estruturas e ou desenvolver seus países por si sós
recorrem as dívidas externas como forma de catapultar o desenvolvimento dos seus
países. Os empréstimo entre as nações geralmente envolvem bancos e empresas, as
vezes elas são feitas de governo para governo, em regra quer as empresas públicas quer
18

as particular conseguem empréstimos através dos bancos ou instituições financeiras


estrangeiras.

Os empréstimos ajudam a incentivar o comércio mundial e a desenvolver as nações


mais pobres que carecem de capital para investirem nos seus países. Se compararmos as
dividas e empréstimos com os países do sul veremos que a situação dessas nações é
mais preocupante.

2.11. 4. Consequências do endividamento no Terceiro Mundo


Subida das taxas de juro: o que se traduz num agravamento dos encargos com a
dívida, tendo alguns países de recorrer a novos empréstimos para pagar o serviço
da dívida (amortização e juros);
Valorização do dólar: como a maioria dos empréstimos é feita em dólares, a
subida do dólar provoca um agravamento da dívida, pois implica pagar mais
pelos mesmos produtos;
Redução do preço dos produtos primários e manufacturados: com a consequente
deterioração dos termos de troca dos PED e diminuição das receitas das
exportações;
Políticas Internas: baseadas na exportação de matérias-primas valorizadas no
mercado internacional de forma cíclica – como no caso da Nigéria com o
petróleo.

2.11.5. Consequências no âmbito económico

A diminuição do investimento e da capacidade de importação;


Social: o aumento da pobreza e da exclusão social, bem como da degradação do
nível de vida das populações.
19

Conclusão

Este trabalho objetivou entender a Conhecer os Factores Que Impulsionam o


Desenvolvimento nos Países do Terceiro Mundo, Analisando Diferentes Vertentes, Os
Avanços e Recuos Sobre Gestão dos Seus Recursos. A partir de pesquisa em literaturas
fornecidas por base de dados, foi possível concluir que a busca desenfreada pela
industrialização e pelo desenvolvimento económico levou a maioria dos países do
mundo a concentrar seus esforços na promoção do crescimento do Produto Interno
Bruto (PIB), deixando a qualidade de vida em segundo plano.

O crescimento económico era visto como meio e fim do desenvolvimento e as


principais correntes teóricas do desenvolvimento dos países do terceiro mundo assim
como, as questões mais candentes em torno da sustentabilidade. Contudo, o Homem
desde antiguidade procurou sempre melhores condições de vida dais que se preocupou
em desenvolver suas economias. Na actualidade o mesmo cenário se repete Os países de
economias emergentes crescem economicamente em um ritmo frenético, mais
continuam sendo frágeis.
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