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AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DE SISTEMAS DE DRENAGEM EM

MEIO URBANO: CENTRO HISTÓRICO DE LEIRIA


Ricardo GOMES1,3; Wilson MARTINS2
1Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico de Leiria, email: ricardo.gomes@ipleiria.pt
2Escola Superior de Tecnologia e Gestão, Instituto Politécnico de Leiria, email: willsonxavy@hotmail.com
3 MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Resumo
A crescente pressão urbanística, o envelhecimento das infraestruturas e as mudanças
climáticas, têm vindo a afetar significativamente o desempenho dos sistemas públicos de
drenagem urbana. Com o objetivo de mitigar os fenómenos recorrentes de inundações
urbanas, vários estudo têm vindo a ser divulgados na literatura da especialidade. Além da
reabilitação das infraestruturas, as boas práticas apontam para a implementação de
sistemas de drenagem urbana sustentáveis e o controlo do caudal de ponta de cheia ao
longo da rede de drenagem. Por outro lado, as cidades são espaços urbanos bastante
consolidados pelo que qualquer intervenção ao nível das infraestruturas terá sempre custos
elevados. É neste enquadramento que se destacam os modelos dinâmicos de simulação
hidrológica e hidráulica que, nos últimos anos, têm vindo a ser utilizados como uma
ferramenta de apoio ao planeamento, projeto e gestão e exploração das redes públicas de
drenagem urbana. Estes constituem um instrumento com um vasto domínio de
aplicabilidade que pode ser usado tanto por projetistas e consultores como em entidades
gestoras dos serviços de águas.
A cidade de Leiria beneficia de uma vasta rede de drenagem, embora apresente zonas com
índices de desempenho reduzidos, quer devido à degradação da infraestrutura quer às
sucessivas intervenções na rede durante as últimas décadas. Um dos problemas mais
prementes refere-se às inundações recorrentes na zona do Centro Histórico durante os
períodos de maior pluviosidade pelo que, torna-se necessário perceber o modo de
funcionamento global do sistema, por forma a identificar as zonas críticas e,
consequentemente, adotar as medidas corretivas mais adequadas que permitam melhorar o
seu desempenho. Para esse fim, foi desenvolvido o modelo da rede no Storm Water
Management Model (SWMM), cuja análise dos resultados para chuvadas com diferentes
períodos de retorno permite perceber quais as “falhas” do sistema e elencar um conjunto de
medidas corretivas que tendencialmente poderão melhorar o seu desempenho.
Palavras-chave: Drenagem urbana, Modelação hidrológica e hidráulica, SWMM
Tema: Água, território e adaptação à variabilidade climática

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1. INTRODUÇÃO
As áreas urbanas são particularmente vulneráveis à ocorrência de inundações pelo facto de
serem zonas com elevadas áreas impermeabilizadas (Hammond et al., 2015; Tucci, 2007).
Assim, aquando da ocorrência de precipitações de curta duração e elevada intensidade, as
águas da chuva, ao invés de se infiltrarem no solo, provocam um acréscimo do escoamento
superficial que rapidamente se acumula nos pontos de cota mais baixos da bacia de
drenagem, logo causando inundações. Obviamente, o desempenho dos sistemas de
drenagem pluvial destas zonas urbanas tem um papel fundamental na maior ou menor
probabilidade de ocorrência de inundações, pelo que importa ter o conhecimento adequado
do seu modo de funcionamento. Estes sistemas são constituídos por um conjunto de
coletores enterrados que asseguram o transporte das águas pluviais afluentes, desde os
dispositivos de entrada (sarjetas de passeio e sumidouros) até ao ponto de descarga nos
meios recetores (linhas de água, lagos, naturais ou artificiais, e oceanos). Ao longo da rede
de coletores existem caixas de visita para observação e execução de operações de limpeza
e de manutenção. Por princípio, estes sistemas de drenagem são dimensionados para
períodos de retorno relativamente reduzidos (geralmente, inferiores a 10 anos), o que na
prática significa que há sempre um risco associado ao projeto e que se traduz na
probabilidade de ocorrência de inundações ao longo dos arruamentos por falta de
capacidade do sistema. É justamente no âmbito do desempenho destes sistemas que é
possível elencar um conjunto de causas potenciadoras da ocorrência de inundações em
áreas urbanas, e que podem estar relacionadas com: 1) Obstrução/degradação dos
coletores e dispositivos de entrada; 2) Subdimensionamento dos coletores e dispositivos de
entrada; 3) Aumento das áreas impermeáveis, não previstas na conceção do projeto; 4)
Ligação de novos sistemas de drenagem aos sistemas existentes; e 5) Aumento da
frequência dos eventos meteorológicos extremos. No entanto, e para cada caso de estudo
específico, só um estudo aprofundado permitirá identificar qual ou quais das causas acima
identificadas concorrem para a ocorrência das referidas inundações.
Dada a impossibilidade de conceber um sistema de drenagem pluvial que nunca cause
inundações (já que os custos de investimento associados seriam economicamente
proibitivos), o paradigma atual passa por estabelecer soluções de compromisso entre o
custo de implementação e o risco considerado aceitável para novos sistemas, melhorar o
desempenho dos sistemas existentes (reabilitação de infraestruturas), controlar as águas
pluviais na origem (implementação de sistemas de drenagem sustentáveis, reduzindo o
escoamento superficial) e ainda controlar o caudal de ponta de cheia ao longo do sistema de
drenagem (construção de bacias de retenção). Por outro lado, as cidades são espaços
urbanos bastante consolidados pelo que qualquer intervenção ao nível das infraestruturas
de drenagem terá sempre custos elevados. É neste enquadramento que se destacam os
modelos dinâmicos de simulação hidrológica e hidráulica que, nos últimos anos, têm vindo a
ser utilizados como uma ferramenta de apoio ao planeamento, projeto e gestão e exploração
das redes públicas de drenagem urbana.
A cidade de Leiria beneficia de uma vasta rede de drenagem, embora apresente zonas com
índices de desempenho reduzidos, quer devido à degradação da infraestrutura quer às
sucessivas intervenções na rede durante as últimas décadas. Um dos problemas mais
prementes, e que importa estudar, refere-se às inundações recorrentes na zona do Centro
Histórico durante os períodos de maior pluviosidade. Com o objetivo de estudar a
capacidade de drenagem na zona do Centro Histórico, foi desenvolvido o modelo da rede no

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Storm Water Management Model (SWMM), cuja análise dos resultados para chuvadas com
diferentes períodos de retorno permite perceber quais as “falhas” do sistema e elencar um
conjunto de medidas corretivas que tendencialmente poderão melhorar o seu desempenho.

2. CARACTERIZAÇÃO DA ZONA DE ESTUDO


Leiria (Portugal) cresceu em torno das muralhas do castelo, que foi mandado construir pelo
rei D. Afonso Henriques na primeira metade do século XII. Com uma área de 565 km2, o
concelho de Leiria é sede de distrito e tem, atualmente, mais de 126 000 habitantes (ver
Figura 1). Faz parte de uma das regiões portuguesas com maior dinamismo empresarial e
tem no comércio, agropecuária e indústrias de cerâmica, plásticos, moldes e cimento a sua
principal sustentabilidade. Dada a sua localização geográfica, a região de Leiria apresenta
um clima mediterrânico com influência oceânica. Durante o inverno as temperaturas médias
variam entre os 15°C e os 7°C e no verão entre os 27°C e os 15°C. A precipitação média
anual é de aproximadamente 1000 mm (em média, 140 dias de chuva por ano), sendo que
os meses de abril e maio são bastante chuvosos.

Coordenadas GPS: 39° 44'49.19 "N / 8° 48'33.94" W

Figura 1. Cidade de Leiria; vista a partir do miradouro junto ao Castelo. (Fonte: Autor)

Com o aumento da população nas últimas décadas, houve uma grande expansão da área
urbana de Leiria, o que teve um grande impacto ao nível da impermeabilização do solo e no
desempenho das infraestruturas de drenagem – com especial destaque para a zona do
Centro Histórico, onde se verificam inundações recorrentes durante os períodos de maior
pluviosidade. O Centro Histórico localiza-se junto às encostas rochosas do Castelo, e no
que diz respeito a infraestruturas, é uma zona urbana bastante consolidada, onde
predominam construções antigas e arruamentos estreitos. A cota altimétrica varia entre os
29 e 30 metros, nos pontos de cota mais baixos, sendo que na zona na encosta do Castelo,
este valor pode ser superior a 60 metros.
O sistema de drenagem do Centro Histórico é das infraestruturas mais antigas da cidade e
foi construído em meados do século XIX. Desde então tem vindo a ser progressivamente
acrescentado e remodelado em resultado do rápido crescimento da área urbana.

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Atualmente, o Centro Histórico beneficia de uma rede independente para a drenagem das
águas pluviais e outra para as águas residuais domésticas, no entanto, algumas partes da
rede são ainda do tipo unitário e pseudo-separativo. A rede de drenagem que serve o
Centro Histórico abrange uma área superior a 27 hectares, sendo que o comprimento da
rede de coletores principal de águas pluviais tem mais de 3,0 km e o diâmetro dos coletores
pode chegar aos 1000 mm – tubagens em Betão, Policloreto de Vinila (PVC) e alguns
coletores em Grés. As águas da chuva recolhidas ao nível das coberturas dos edifícios são
lançadas sobre o pavimento ou, ainda, encaminhadas diretamente para a rede de
drenagem. As águas da chuva que se acumulam sobre o pavimento são conduzidas até às
sarjetas de passeio e/ou sumidouros e por fim, lançadas no rio Lis, a jusante do açude do
Arrabalde (onde o desnível altimétrico entre o Centro Histórico e o ponto de descarga no
meio recetor permite o escoamento das águas pluviais por gravidade). No que se refere às
águas residuais domésticas, estas são recolhidas e encaminhadas até ao emissário da
estação de tratamento de águas residuais da empresa Águas do Centro Litoral (ETAR
Norte), a jusante do açude do Arrabalde.

3. METODOLOGIA
3.1 Software

O modelo da rede foi desenvolvido no Storm Water Management Model (SWMM), que está
disponível no site da United States Environmental Protection Agency. O SWMM é um
modelo dinâmico de simulação hidrológica e hidráulica que tem vindo a ser muito utilizado
quer em entidades gestoras dos serviços de águas quer por projetistas e consultores para
planear, projetar e analisar o funcionamento e operação dos sistemas de drenagem urbana
(EPA, 2017).
3.2 Construção do modelo

Com o objetivo de estudar a capacidade de drenagem da rede na zona do Centro Histórico


de Leiria, onde há registos de fenómenos de inundações recorrentes, foi desenvolvido o
modelo da rede no SWMM (ver Figura 2). O cadastro da rede inclui o layout da rede, a
localização dos dispositivos de entrada, a localização e a profundidade das caixas de visita,
o comprimento dos coletores e o diâmetro e o material das tubagens. A definição das sub-
bacias de drenagem teve em consideração a localização dos dispositivos de entrada na
rede e as características altimétricas e planimétricas da zona de estudo. As águas residuais
domésticas não foram tidas em consideração neste estudo pois, durante os períodos de
maior precipitação, a sua contribuição para o caudal de ponta de cheia é insignificante.
Assim, o desempenho hidráulico da rede de drenagem está relacionado com a Intensidade,
Duração e Frequência dos eventos pluviométricos (curvas IDF) e ainda, com as
características fisiográficas de cada sub-bacia de drenagem. O método dos Blocos
Alternados foi usado para definir os hietogramas de precipitação para chuvadas com
diferentes períodos de retorno (Chow et al., 1988).
O modelo hidráulico de Onda Dinâmica foi designado para avaliar a propagação do caudal
em toda a rede de drenagem e o método Green-Ampt foi usado para modelar a infiltração de
precipitação no solo. Utilizou-se uma análise de 5,0 segundos por passo de cálculo, durante
um período de simulação de 6 horas, o que nos permite obter o hidrograma de cheia na
rede de drenagem a jusante.

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Ponto de descarga no rio Lis

Castelo de Leiria Vala de drenagem


enterrada “caneiro”

Seção de referência
Ponto de interface com o “caneiro”

Centro Histórico

Rio Lena

Figura 2. Modelo da rede de drenagem do Centro Histórico de Leiria.

4. ANÁLISE DE RESULTADOS DE SIMULAÇÃO


De seguida são apresentados os resultados da análise do modelo da rede desenvolvido no
SWMM (ver Figura 2). O objetivo é identificar as possíveis causas das inundações
recorrentes durante os períodos de maior precipitação no Centro Histórico e, caso seja
necessário, indicar algumas medidas corretivas que permitam melhorar o seu desempenho.
4.1 Influência da intensidade, duração e frequência da precipitação

Para uma determinada chuvada, o tempo de concentração de uma bacia de drenagem está
relacionado com o tempo necessário para obter o caudal de ponta de cheia na seção a
jusante (seção de referência), e que resulta da contribuição de todas as águas de
escoamento superficial e subterrâneo para a seção considerada. Sabendo que uma
chuvada de intensidade uniforme e duração infinita (chuvada crítica) permite obter o caudal
máximo de ponta de cheia para essa bacia, foram consideradas chuvadas com diferentes
intensidades de precipitação para analisar o tempo de concentração da bacia de drenagem
do Centro Histórico. Os resultados do modelo de simulação (ver Figura 3) mostram que para
diferentes períodos de retorno (Tr = 5, 10 e 20 anos) e intensidades de precipitação
(duração da chuvada = 15, 20 e 30 minutos), o caudal de ponta de cheia ocorre
aproximadamente ao fim de 15 minutos após o início da chuvada sendo que, para chuvadas
com maior intensidade, o tempo de concentração diminui ligeiramente.
Comparando os valores dos caudais de ponta de cheia calculados a partir da Legislação
Portuguesa (Decreto Regulamentar nº 23/95, 1995) com os mesmos valores simulados
através do SWMM (ver Tabela 1), verifica-se que a diferença é maior para intensidades de
precipitação mais elevadas. Essa diferença deve-se ao facto da Legislação Portuguesa
indicar um método simplificado para estimativa do caudal de ponta de cheia (Método

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Racional), enquanto o SWMM considera vários parâmetros para definir as características
fisiográficas da bacia de drenagem e usa as equações unidimensionais de Saint Venant
para analisar a propagação do caudal ao longo da rede de drenagem e, portanto, permite
obter teoricamente os resultados mais precisos.

3000
Tr=5anos; I=56,59mm/h (Δt=15min)
CAUDAL (L/S)

2500
2000 Tr=5 anos; I=48,15mm/h (Δt=20min)
1500 Tr=5 anos; I=38,33 mm/h (Δt=30min)
1000
500
0
00:01:00
00:10:00
00:19:00
00:28:00
00:37:00
00:46:00
00:55:00
01:04:00
01:13:00
01:22:00
01:31:00
01:40:00
01:49:00
01:58:00
02:07:00
02:16:00
02:25:00
02:34:00
02:43:00
02:52:00
03:01:00
03:10:00
03:19:00
03:28:00
03:37:00
03:46:00
03:55:00
04:04:00
04:13:00
04:22:00
04:31:00
04:40:00
04:49:00
04:58:00
TEMPO (HORAS)

Figura 3. Tempo de concentração da bacia para Tr=5 anos.

Tabela 1. Influência de uma chuvada uniforme no desenvolvimento do caudal de ponta de cheia.


Tr Duração da Curvas IDF Decreto Regulamentar Nº23/95 SWMM
(anos) chuvada I (mm/h) Qmax (L/s) Qmax (L/s)
5 56,59 4044 2746
10 15 minutos 65,73 4697 3186
20 74,02 5289 3418
I (mm/h) Qmax (L/s) Qmax (L/s)
5 48,15 3441 2454
10 20 minutos 56,12 4011 2740
20 63,40 4531 3027
I (mm/h) Qmax (L/s) Qmax (L/s)
5 38,33 2739 2087
10 30 minutos 44,92 3210 2400
20 50,98 3643 2565

No entanto, chuvadas com intensidade uniforme ocorrem durante períodos de tempo


relativamente reduzidos. Sabendo que a discretização dos eventos pluviométricos em
intervalos de tempo mais reduzidos permite aferir melhor a distribuição das intensidades de
precipitação ao longo do tempo, foram criados diferentes hietogramas de projeto para
estudar a influência da duração da chuvada (T), da discretização dos eventos pluviométricos
(∆t) e da disposição da intensidade máxima de precipitação durante a chuvada (Imax) no
desenvolvimento do caudal de ponta de cheia. As Tabelas 2 e 3 e a Figura 4 mostram os
resultados obtidos a partir do modelo de simulação. Verifica-se que para o mesmo período
de retorno (Tr), quanto maior a duração da chuvada (T) e/ou menor o número de incremento
da precipitação (∆t), maior é o caudal de ponta de cheia. No que se refere à influência da
disposição da intensidade máxima de precipitação no hietograma de projeto, constata-se
que o caudal de ponta de cheia aumenta (ligeiramente) quando a intensidade máxima da
precipitação se localiza mais próximo do final da chuvada, já que as perdas iniciais devido à
retenção superficial e infiltração tendem a diminuir com o aumento da duração da chuvada.
O mesmo se verifica em relação ao tempo de concentração (tc).

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Tabela 2. Influência da duração da chuvada e da discretização dos eventos pluviométricos no
desenvolvimento do caudal de ponta de cheia.
T = 2 horas T = 1 hora
Tr ∆t = 10 minutos ∆t = 5 minutos ∆t = 5 minutos
h (mm) Qmax (L/s) h (mm) Qmax (L/s) h (mm) Qmax (L/s)
5 35,18 586 (tc= 75 minutos) 35,18 296 (tc=70 minutos) 25,97 275 (tc =41 minutos)
10 41,97 766 (tc=74 minutos) 41,97 361 (tc=70 minutos) 30,71 341 (tc = 40 minutos)
20 48,36 855 (tc= 74 minutos) 48,36 426 (tc= 69 minutos) 35,11 401 (tc =39 minutos)

Tabela 3. Influência da disposição da intensidade máxima de precipitação durante a chuvada, no


desenvolvimento do caudal de ponta de cheia.
T = 2 horas; ∆t = 5 minutos
Tr Imax (t= 30 minutos) Imax (t= 60 minutos) Imax (t= 90 minutos)
h (mm)
Qmax (L/s) Qmax (L/s) Qmax (L/s)
5 35,18 275 (tc= 40 minutos) 296 (tc=70 minutos) 301 (tc=100 minutos)
10 41,97 341 (tc= 40 minutos) 361 (tc=70 minutos) 366 (tc=100 minutos)
20 48,36 401 (tc=39 minutos) 426 (tc= 69 minutos) 431 (tc=99 minutos)

1000 Tr=10 anos; T=2horas; ∆t=10min 500 Tr=10 anos; T=2horas; ∆t=5min; Imax=60min
Tr=10 anos; T=2horas; ∆t=5min Tr=10 anos; T=2horas; ∆t=5min; Imax=30min
800 Tr=10 anos; T=1hora; ∆t=5min 400 Tr=10 anos; T=2horas; ∆t=5min; Imax=90min
CAUDAL (L/S)
CAUDAL (L/S)

600 300

400 200

200 100

0 0
00:01:00
00:18:00
00:35:00
00:52:00
01:09:00
01:26:00
01:43:00
02:00:00
02:17:00
02:34:00
02:51:00
03:08:00
03:25:00
03:42:00
03:59:00
04:16:00
04:33:00
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00:01:00
00:18:00
00:35:00
00:52:00
01:09:00
01:26:00
01:43:00
02:00:00
02:17:00
02:34:00
02:51:00
03:08:00
03:25:00
03:42:00
03:59:00
04:16:00
04:33:00
04:50:00

TEMPO (HORAS) TEMPO (HORAS)

Figura 4 – Hidrogramas de cheia a jusante da bacia de drenagem para Tr= 10 anos.

4.2 Análise da capacidade de drenagem

O tempo de concentração está relacionado com a intensidade de precipitação e com as


características fisiográficas da bacia de drenagem. Os resultados apresentados na seção
4.1 mostram que o tempo de concentração da bacia de drenagem do Centro Histórico é
relativamente reduzido, cerca de 15 minutos, e neste caso deve-se à dimensão da bacia, às
áreas impermeabilizadas (> 90%) e ao declive da bacia a montante (> 10%). A montante da
bacia verifica-se que a velocidade do escoamento é elevada e as águas da chuva
acumulam-se rapidamente nos pontos de cota mais baixos do Centro Histórico, onde o
declive da superfície é menor (< 1%). Para compensar a redução da velocidade do
escoamento na rede de drenagem a jusante da bacia, o diâmetro dos coletores chega aos

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1000 mm. Neste caso, os diâmetros elevados acabam por permitir a acumulação da água
da chuva na rede, devido à reduzida capacidade de transporte para jusante, fazendo com
que esta zona da rede funcione como uma pequena bacia de retenção. Assim, as
inundações nessas áreas ocorrem quando a capacidade da rede é excedida e essa situação
ocorre para chuvas com períodos de retorno relativamente elevados (Tr> 10 anos). No
entanto, chuvadas com períodos de retorno elevado têm vindo a ocorrer cada vez com mais
frequência e, provavelmente, esta é uma das principais causas das inundações no Centro
Histórico. Por outro lado, nesta zona da rede há sempre uma acumulação de sedimentos
devido à baixa velocidade do escoamento, o que reduz a capacidade para retenção da água
da chuva. Se não for limpo com frequência, existe o risco das inundações serem causadas
por chuvas com períodos de retorno reduzidos. Para chuvadas com diferentes períodos de
retorno, identificam-se como zonas de maior risco de inundações o Largo Marechal Gomes
da Costa, Rua João de Deus, Praça Rodrigues Lobo, Largo de Santana e Praça Doutor
Correia Mateus.
Tendo como referência uma chuvada com um período de retorno de 20 anos e incrementos
de precipitação de 10 minutos, as Figuras 5 e 6 mostram duas das seções críticas da rede
com maior risco de inundações devido à diminuição da inclinação dos coletores. As Figuras
7 e 8 mostram duas das seções críticas da rede com maior risco de inundações no caso de
se verificar a acumulação de sedimentos ao longo do “caneiro”, onde as inclinações da vala
de drenagem também são reduzidas (< 1%). A Figura 9 mostra os hidrogramas de cheia
para as seções representadas nas Figuras 5 a 8.

Cx48-Cx51
Zona da rede com maior risco de inundações
(influência da diminuição da inclinação dos coletores)

Figura 5. Influência da diminuição da inclinação dos coletores para a ocorrência de inundações.

8
Zona da rede com maior risco de inundações
(influência da diminuição da inclinação dos coletores)
Cx30-Cx31

Figura 6. Influência da diminuição da inclinação dos coletores para a ocorrência de inundações.

Cx48-Cx51
Zona da rede com maior risco de inundações
(influência da acumulação de sedimentos)

Figura 7. Influência da acumulação de sedimentos para a ocorrência de inundações.

9
Cx48-Cx51
Zona da rede com maior risco de inundações
(influência da acumulação de sedimentos)

Cx30-Cx31

Figura 8. Influência da acumulação de sedimentos para a ocorrência de inundações.

800 Influência da diminuição da inclinação dos 1000 Influência da acumulação de sedimentos


coletores para a ocorrência de inundações para a ocorrência de inundações

800
600 Coletor Cx48-Cx51 Coletor Cx48-Cx51
Coletor Cx30-Cx31 Coletor Cx30-Cx31
600
Caneiro Caneiro
CAUDAL (L/S)

CAUDAL (L/S)

400
400

200
200

0 0
00:01:00
00:17:00
00:33:00
00:49:00
01:05:00
01:21:00
01:37:00
01:53:00
02:09:00
02:25:00
02:41:00
02:57:00
03:13:00
03:29:00
03:45:00
04:01:00
04:17:00
04:33:00
04:49:00

00:01:00
00:18:00
00:35:00
00:52:00
01:09:00
01:26:00
01:43:00
02:00:00
02:17:00
02:34:00
02:51:00
03:08:00
03:25:00
03:42:00
03:59:00
04:16:00
04:33:00
04:50:00

-200
TEMPO (HORAS) TEMPO (HORAS)

Figura 9. Hidrogramas de cheia para as seções representadas nas Figuras 5 a 8.

5. CONCLUSÃO
As inundações repentinas assumem particular importância nas zonas urbanas ou edificadas,
devido à rapidez com que o fenómeno ocorre e aos elevados caudais de ponta de cheia a
que lhe podem corresponder. Para a bacia de drenagem do Centro Histórico, verifica-se que

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o tempo de concentração é relativamente reduzido, cerca de 15 minutos, e neste caso deve-
se à dimensão reduzida da bacia, às elevadas áreas impermeabilizadas e ao declive
acentuado da bacia a montante. As zonas com maior risco de inundações encontram-se nos
pontos de cota mais baixos do Centro Histórico e estão relacionadas com a diminuição da
inclinação dos coletores (incluindo “caneiro”) e a acumulação de sedimentos. Assim, as
inundações nessas áreas irão continuar a ocorrer sempre que a capacidade da rede for
excedida. Para reduzir o risco de inundações, deve ser assegurada uma manutenção
periódica da rede, que inclua a limpeza e a remoção dos sedimentos que se venham a
acumular na rede. Além disso, verifica-se que a redução da área impermeabilizada e,
possivelmente, a área da bacia de drenagem pode ajudar a reduzir o caudal de ponta de
cheia e minimizar o risco de ocorrência de inundações devido à inclinação reduzida dos
coletores. Esses assuntos serão estudados em trabalhos futuros.

AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Diretor do Departamento de Infraestrutura e Manutenção da
Câmara Municipal de Leiria, por ter facultado o cadastro da rede de drenagem.
Este estudo teve o apoio da Fundação para Ciência e Tecnologia (FCT), através do projeto
estratégico UID/MAR/04292/2013 concedido ao MARE.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Decreto Regulamentar nº 23/95 (1995). Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e
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Regulamentar nº 23/95, de 23 de Agosto
EPA (2010). Storm Water Management Model – User’s Manual, United States Environmental
Protection Agency
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