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Comentários Salmo 90 – Jonas

1 Senhor, tu tens sido o nosso refúgio de geração em geração.


2 Antes que nascessem os montes, ou que tivesses formado a terra e o mundo, sim, de eternidade a eternidade tu és ∆.
3 Tu reduzes o homem ao pó, e dizes: Voltai, filhos dos homens!
4 Porque mil anos aos teus olhos são como o dia de ontem que passou, e como uma vigília da noite.
5 Tu os levas como por uma torrente; são como um sono; de manhã são como a erva que cresce;
6 de manhã cresce e floresce; à tarde corta-se e seca.
7 Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos conturbados.
8 Diante de ti puseste as nossas iniquidades, à luz do teu rosto os nossos pecados ocultos.
9 Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; acabam-se os nossos anos como um suspiro.
10 A duração da nossa vida é de setenta anos; e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, a medida deles é
canseira e enfado; pois passa rapidamente, e nós voamos.
11 Quem conhece o poder da tua ira? e a tua cólera, segundo o temor que te é devido?
12 Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.
13 Volta-te para nós, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos.
14 Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias.
15 Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal.
16 Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos.
17 Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso ∆; e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das
nossas mãos.

Contexto: Meditação de Moisés no deserto, ambientado em Nm 14 e Dt 33. Destaque Nm 14.11,20-22. Foi composto
enquanto a velha geração que saiu do Egito estava se extinguindo no deserto. A rebelião tira a promessa do descanso.
Título: Moisés Homem de ∆ (Dt 18.15–22) único que o Senhor conheceu “cara a cara” (Dt 34.10–12). Homem de ∆ (Dt.
33:1), 73 vezes no AT, sempre se refere a alguém que fala da parte de ∆. No NT única citação é Timóteo (1 Ti 6.11).
O sentido desta magnífica oração é pedir a ∆ misericórdia sobre os frágeis seres humanos que vivem afligidos por causa
da maldição do pecado. Moisés começa o salmo com uma reflexão sobre a eternidade de ∆, logo expressa seus
sombrios pensamentos acerca das dores e da brevidade da vida em sua relação com a ira de ∆, e conclui com um rogo
de que ∆ capacite a seu povo para viver uma vida com significância.

1. Nosso refúgio: ∆ é nosso santuário, como proteção, sustento e estabilidade (Dt 33.27; Sl 91:9). Uma referência a que
a vida humana é fixa de geração em geração, e termina com a extensão da vida eterna de Deus de eternidade a
eternidade. Neste contexto de tempo e eternidade tem um endereço fixo. Ele "provou ser a nossa casa." Ligado a ele,
podemos desfrutar de permanência. Com que sentido Moisés poderia ter dito isso!
2. Eternidade a eternidade. A natureza de ∆ ñ tem princípio nem fim, isenta de toda temporalidade e contem em si
mesmo a causa do tempo (Sl 102.27; Is 41.4; 1 Co 2.7; Ef 1.4; 1 Ti 6.16; Ap 1.8).

3. Tu reduz o homem ao pó (daka = esmigalha) e dizes ou “Vuelves al hombre (enos – Gn 4.26) hasta ser quebrantado”:
Palavra não usual para destruição traz a ideia de alguém sendo amassado como barro (Jr 18). Diferente do “pó” de Gn
3.19 (Yaphar), a frase refere-se a esta passagem. Vivemos sobre um soberano decreto de morte e ñ podemos refutá-lo.
3.1. Retornai (reintegrai-vos) filhos de Adão... Trazes o homem a um estado de contrição, dizendo: ‘Arrependa-se,
descendente do homem... e volta ao teu propósito...
Imagina o coração de um pastor... Moisés certamente se sentia cada vez mais isolado em espírito, enquanto aqueles
antigos membros da congregação iam deixando seus ossos no deserto.

4. Porque mil anos adiante, aos teus olhos, são como o dia de ontem, que passou, ou como uma das vigílias da noite.
Uma vigília era um período de 3 ou 4 horas (Ex 14.24; Lm 2.19).

5. Por uma torrente. A humanidade é arrebatada da terra como se fosse varrida pelas águas do dilúvio. Como sonho, a
humanidade vive como se estivesse em coma. As pessoas são insensíveis a brevidade da vida e a realidade da ira de ∆.
Uma voz de sensatez em meio a uma geração que estava sendo exterminada e ainda assim não reconhecia a ∆ em seus
caminhos. São como um sonho, que quando amanhece é dissipado e obscuro.
6. De manhã cresce e floresce; à tarde corta-se e seca. A estabilidade de ∆ e a instabilidade humana. Qual verdejante
erva. Passagem obscura, vertido diversamente, expressa, como todo o contexto, o conceito da fugacidade de nossa
vida.

7. Pois somos consumidos pela tua ira, e pelo teu furor somos conturbados.
8. A luz do teu rosto. Nada fica impune aos olhos de ∆.
9. Pois todos os nossos dias vão passando ... A promessa de nosso ensolarado alvorecer rapidamente descai para a
inevitável melancolia da noite (a palavra hebraica traduzida como vão passando significa "declínio do pôr do sol".
Como um suspiro: Depois de se debater por sua vida de aflição e angústias, a vida do homem acaba com um suspiro de
dor e fadiga. Moisés lamenta o episódio de uma vida desperdiçada – sobre os israelitas no deserto.

10. Ainda que cumpram 70 ou 80 anos (10), fracassará seu empenho, pois não chegarão a contemplar a grande obra de
Deus (16), quando os faça entrar na terra prometida. A ordem de morrer (3) é a sentença ditada contra os rebelde que
morrerão no deserto; a renovação da erva é metáfora da nova geração. Fora do propósito não existe futuro.

11. Poder da tua ira (Af - irritação) ... tua indignação pela qual deves ser temido? Estavam em sério risco, conheciam
pessoalmente o terror de ∆. Não estavam para inocentes. Em vez de ignorar as maldições da vida, o sábio reconhecerá a
ira de ∆ e o temerá por respeito e por medo. “Ao Senhor dos Exércitos, a Ele santificai; seja ele o vosso espanto, seja ele
o vosso temor, seja ele o vosso medo” (Is 8.13). A ira de Deus visa a cura e não a retribuição. Reverência a ∆ (Ec 5.1)

12. Ensina-nos a contar os nossos dias: Avaliemos nossa vida de acordo com tudo o que recebemos do Senhor e o que
temos retornado a Ele, (fala do temor ao Senhor) - ver contexto em que foi escrito o salmo. De tal maneira que
alcancemos corações sábios (Pv 1.7). A sabedoria repudia a autonomia e se concentra na soberania e revelação do
Senhor. Dá aos teus filhos entendimento de cada situação para que pesem suas ações e decidam a favor da vida.

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que nossa mente alcance sabedoria. Que nos mostre o Senhor como ser sábios
cada dia sem desperdiçar o tempo nas coisas que perecem, comportando-nos como se fossemos viver mil anos, mas
enxergando que o tempo é finito, é curto, e que busquemos agradar e honrar a Deus em tudo o que fazemos.

13. “Vuélvete, oh Jehová: ¿hasta cuándo? y aplácate para con tus siervos”. Moisés expõe o nível de intimidade que
tinha com ∆ – Ver Abraão (Gn 18.23). Abandona a ira, segura ai, te arrepende Senhor... Até quando o Senhor vai
demorar em voltar e ser misericordioso para conosco?”. E aplaca-te é uma forma comum da súplica para que ∆ mude
sua maneira de agir com o seu povo arrependido. APLACAR significa mudar da ira para a misericórdia, uma forma de
súplica para que ∆ mude sua maneira de agir com o seu povo arrependido, >>> ∆ sabe que se arrependeu - Verdade no
íntimo (Sl 51.6) <<<. O choro é por ∆ para transformar a sua ira e voltar a ter misericórdia. Deus é retratado como
ausente com o seu povo.

De acordo com G. K. Chesterton, há dois pecados contra a esperança: a presunção e o desespero. A presunção é a
atitude de que nada está sendo feito, a menos que nós mesmos o estejamos fazendo. O desespero é a atitude que sente
que tudo mais falha quando nós falhamos. Precisamos assegurar-nos de que Deus está presente, mesmo quando Ele se
mantém invisível, e de que Ele opera tudo para o bem daqueles que O amam... Até quando? 95 x nos Salmos, 12 x como
uma pergunta direta a Deus – mostra que em todas as situações o salmista, independente da situação, considerava que
o limite para seu término estava em Deus.

14. Sacia-nos de Madrugada (visite-nos tua misericórdia – Lm 3.22) para que nos alegremos todos os dias... De manhã,
uma nova etapa de vida.

15. Alégranos conforme á los días que nos afligiste, y los años que vimos mal. Uma oração pedindo que os dias de gozo
igualem aos dias de aflição. Mostra a humilhação e a prova como lição saudável da qual logo nos alegraremos – para
que eu tenho que passar por isso - (Dt 8.16).
16. Apareça em teus servos, tua obra. Que possamos ver em nós o que ∆ tem feito. Torna-te a alegrar-se em nós para
bem (Dt 8.16 – 30.14). Que possamos entender que tudo isto veio do Senhor e é coisa maravilhosa aos seus olhos. O
paralelismo de «obra» e «gloria» sugere uma poderosa intervenção do Senhor em favor de seu povo.

17. Seja sobre nós a graça ... Implica deleite, aprovação, doçura e favor “favor amoroso” – como um filho após ser
castigado e reconhecer o seu erro... Do Senhor nosso ∆ e ordena sobre nós a obra de nossas mãos. (Se o Senhor se
agradar de nós – Nm 14.8-9) ou conduz tu – Ver a terminante afirmação de Jr 10.23 contra os que tem obrado com
muita atividade porém, sem toma-lo em conta a Ele.

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