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Antes de abordar o tema principal deste capítulo, que é a exortação a Timóteo para não se envergonhar do

evangelho e, sim, guardá-lo com toda a segurança (vs. 8-14), o apóstolo começa esta sua carta com a
costumeira saudação pessoal (vs. 1, 2). Segue-se uma oração de agradecimento (vs. 3, 5) e uma admoestação
(vs. 6, 8). No parágrafo inicial deparamo-nos, de um modo muito vivido, com Paulo e Timóteo, o autor da
carta e o destinatário, respectivamente. Inteiramo-nos, particularmente, de como cada um deles chegou a ser
o que era. Estes versículos enfocam a providência divina, mostrando como Deus molda os homens, tornando-
os conforme ele quer que sejam.

1. Paulo, apóstolo de Cristo Jesus (v. 1)


Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, pela vontade de Deus, de conformidade com a promessa da vida que
está em Cristo Jesus.
Intitulando-se "apóstolo de Cristo Jesus", Paulo faz uma considerável reivindicação para si mesmo.
Ele se coloca entre os doze que Jesus escolheu pessoalmente, separando-os do vasto círculo de seus
discípulos. A estes Jesus deu o título especial de "apóstolos" (Lc 6: 13), indicando com isso que pretendia
enviá-los com a missão de representá-lo e ensinar em seu nome. A fim de prepará-lo para esta tarefa,
providenciou que ficassem "com ele" (Mc 3: 14). Assim, tendo a oportunidade sem par de ouvir as suas
palavras e ver os seus feitos, estariam, então, aptos para testemunhar dele e de tudo o que vissem e ouvissem
dele (Jo 15: 27). Jesus também lhes prometeu que o Espírito Santo lhes daria uma inspiração de forma
extraordinária, lembrando-os acerca do que ele lhes havia dito e guiando-os em toda a verdade que não
pudera ensinar-lhes (Jo 14:25-26; 16:12-13).
A este grupo selecionado Paulo reivindica ter sido então acrescentado. Ele vira o Senhor ressurreto, no
caminho de Damasco, o que lhe deu a qualificação para ser apóstolo: ser testemunha da ressurreição (Atos 1:
21 -26; 1 Co 9:1; 15:8-9). De fato, sua experiência no caminho de Damasco foi mais do que a sua conversão;
foi também o seu comissionamento ao apostolado. Cristo lhe disse: "Por isto te apareci para te constituir
ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda;
livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, para lhes abrir os olhos. . ." (Atos 26: 16-18). As
palavras do Senhor "eu te envio" foram "egö apostellö se", ou seja, "eu te torno apóstolo", isto é, "eu te
ponho por apóstolo dos gentios" (cf.Rm 11:13; Gl 1:15,16; 2:9).
Paulo jamais poderia esquecer este comissionamento. Ele defendeu sua missão e mensagem apostólica
contra todos os detratores, insistindo que o seu apostolado vinha de Cristo e não de homens (p.ex.:Gl 1: 1,
11, 12). Mesmo agora, ao escrever esta carta, humilhado pelos homens, e esperando pela manifestação do
imperador, este prisioneiro comum é um privilegiado apóstolo de Cristo Jesus, o Rei dos reis.
O apóstolo prossegue, descrevendo dois aspectos do seu apostolado, e lembra a Timóteo a origem e o
objeto do mesmo. A origem do seu apostolado foi "a vontade de Deus". Termos idênticos (dia thelëmatos
theou) são empregados no início das duas cartas aos Coríntios e das duas cartas, escritas na prisão, aos
Efésios e aos Colossenses. Realmente, em nove das suas treze cartas, inclusive na primeira (aos Gaiatas) e na
última (esta, 2 Timóteo), Paulo se refere à "vontade", ou ao "chamado" ou ao "comando" de Deus, pelo qual
se fez apóstolo. Paulo sustentou, desde o começo até o final da sua carreira apostólica, a convicção de que a
sua indicação como apóstolo não procedia nem da igreja, nem de qualquer homem ou grupo de homens.
Nem tampouco se havia indicado a si mesmo. Pelo contrário, o seu apostolado originara-se no desejo divino
e no chamado histórico do Deus todo-poderoso, através de Jesus Cristo.
O alvo do seu apostolado diz respeito à "promessa da vida que está em Cristo Jesus". Isso eqüivale a
dizer que ele foi comissionado como apóstolo, primeiramente para formular, e depois para comunicar, o
evangelho. E o evangelho é a boa nova para os pecadores agonizantes, é a notícia de que Deus lhes promete
vida em Jesus Cristo. É muito interessante que, quando a morte lhe parece mais evidente, o apóstolo define
aqui o evangelho como sendo uma "promessa de vida". E é realmente isso. O evangelho oferece vida aos
homens, vida verdadeira, vida eterna, tanto aqui como depois. Ele declara que a vida está em Cristo Jesus, o
qual não somente afirmou ser ele mesmo a vida (João 14: 6) mas, como Paulo logo adiante revela, "destruiu
a morte e trouxe a luz da vida e a imortalidade mediante o evangelho" (v. 10).
O evangelho vai além de somente oferecer vida; ele promete vida a todos os que estão em Cristo. Ele
afirma dogmaticamente: "quem tem o Filho, tem a vida" (1 Jo 5:12). De fato, poder-se-ia dizer que a Bíblia
inteira pode ser descrita como sendo uma promessa divina de vida, e isto a partir da primeira menção da
"árvore da vida", em Gênesis 3, até o último capítulo do Apocalipse, no qual o povo remido de Deus, de
graça, come da árvore da vida e bebe da água viva. A vida eterna é um presente que Deus, que não pode
mentir, prometeu antes dos tempos eternos; agora o tem revelado mediante a pregação do evangelho (cf. vs.
9, 10; Tt 1: 2-3; Rm 1:1-2).

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