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SUMÁRIO DE ANEXOS – parte 2

ANEXO XXIX – Parecer Técnico nº 001/CIAPMB/SESP/2017 ........................................ 02 a 37

ANEXO XXX – Portaria Conjunta nº 003/2017/SESP/PM/PJC/POLITEC ............................... 38

ANEXO XXXI – Portaria Conjunta nº 004/2018/SESP/PM/PJC/POLITEC .............................. 39

ANEXO XXXII – Parecer Técnico nº 002/CIAPMB/SESP/2017 ..................................... 40 a 116

ANEXO XXXIII – Ofício nº 1277/2019 ............................................................................ 117 a 120

ANEXO XXXIV – Parecer Técnico nº004/SALP/GMB/2016 ........................................ 121 a 134

ANEXO XXXV – Laudo Técnico nº 006/GMB/2016 ..................................................... 135 a 155

ANEXO XXXVI – Ação Civil Pública nº 04/2017-MPF/PRSE/LNT .............................. 156 a 329

ANEXO XXXVII – Ofício nº 2047/2017/GMB-SALP ...................................................... 330 a 334

ANEXO XXXVIII – Protocolo nº 210674/2019 .............................................................. 335 a 481

ANEXO XXXIX – Ofício nº 1367/2019/GMB-SALP ....................................................... 482 a 484

ANEXO XL – Ofício nº 2829/2017/GMB-SALP ............................................................. 485 a 486

ANEXO XLI – Relatório Técnico nº 003/SALP/GMB/2017 .......................................... 487 a 496

ANEXO XLII – Ofício nº 2872/2017/GMB-SALP ........................................................... 497 a 499

ANEXO XLIII – Relatório Fiplan – FIP701 – 2018 ........................................................ 500 a 501

ANEXO XLV – Ofício nº 2570/GCEM/CMMCE/DGP/PMMT ......................................... 502 a 503

ANEXO XLVI – Regulamento Geral da PMMT............................................................. 504 a 635

ANEXO XLVII – Portaria nº 194/QCG/DGP .................................................................. 636 a 637

ANEXO XLVIII – Portaria nº 195/QCG/DGP ................................................................. 638 a 652

ANEXO XLIX – Ofício nº 973/2019GAB/SESP ............................................................. 653 a 655

ANEXO L – Ofício CGE/GAB nº 809/2019 .................................................................... 656 a 662


ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA

PARECER TÉCNICO N.001/CIAPMB/SESP/2017 DA COMISSÃO


INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT

1. REFERÊNCIA
PORTARIA CONJUNTA N.003/2017/SESP/PM/PJC/POLITEC

DATA DA PUBLICAÇÃO: DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO EM


23/02/2017

DATA DO PARECER: 20/04/2017

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS PELO PARECER:


 MARCOS EDUARDO TICIANEL PACCOLA – MAJOR PM-MT
 FERNANDO RAPHAEL PEREIRA DE OLIVEIRA – CABO PM-MT
 EMIVAN BATISTA DE OLIVEIRA – PERITO OFICIAL POLITEC-MT
 ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA – PERITO OFICIAL POLITEC-MT
 WLADIMIR FRANSOSI – DELEGADO PJC-MT
 REGINALDO ZEFERINO DA ROSA – INVESTIGADOR PJC-MT
 MAYCON RODRIGUES - ESCRIVÃO PJC-MT

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2. DOS FATOS APRESENTADOS
CONSIDERANDO a necessidade de uniformizar os
modelos de armamentos e calibre das armas de porte utilizadas
pelas Forças de Segurança no âmbito da SESP/MT, com fulcro no
princípio da padronização previsto no art. 15, I da Lei Federal nº
8.666/93 que tem por objetivo geral garantir o respeito ao princípios
da administração pública e a disponibilização de materiais bélicos
de excelência com o menor custo;
CONSIDERANDO que tal padronização estabelecerá
especificações e requisitos mínimos a serem utilizadas como
fundamento para o planejamento das futuras aquisições de
equipamentos bélicos por parte da SESP/MT e respectivas
unidades desconcentradas;
CONSIDERANDO a necessidade de se instituir nas
Organizações de Segurança Pública (OSP) política que vise a
descrever adequadamente os requisitos específicos para armas de
fogo de uso policial no tocante a seu pronto emprego e segurança,
uma vez que a Norma NEB/T E-267, utilizada como referência para
inspeção de armas pelo Exército Brasileiro possui finalidade
exclusivamente comercial, nos termos dos Ofícios expedido pelo
General Comandante do Comando Logístico do Exército Brasileiro,
encaminhados para todas as Secretarias de Segurança Pública dos
Estados da Federação, datado em 13 de setembro de 2016;
No dia 23 de Fevereiro de 2017, O SECRETÁRIO DE
ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA, no uso de suas atribuições
legais que lhe conferem os incisos I, II e IV do art. 71 da
Constituição Estadual, e em conjunto o COMANDANTE-GERAL DA
POLÍCIA MILITAR, o DELEGADO GERAL DA POLÍCIA
JUDICIÁRIA CIVIL e o DIRETOR GERAL DA PERÍCIA OFICIAL E

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IDENTIFICAÇÃO TÉCNICA instituíram a criação por meio da
Portaria acima citada a comissão interinstitucional com a finalidade
de disciplinar e uniformizar os requisitos operacionais de material
bélico para padronização de armas de porte no Sistema de
Segurança Pública de Mato Grosso quanto ao calibre e ao modelo
de armamento utilizado no âmbito da SESP/MT e respectivas
unidades desconcentradas
Desta feita, coube a comissão reunir e iniciar os trabalhos
para cumprimento da missão designada pelos respectivos gestores,
e assim sendo de imediato formou-se uma equipe técnica para
trabalho com membros nomeados e por técnicos convidados pelos
integrantes designados pela portaria.
Inicialmente, dois pontos foram convergentes e de unânime
decisão dos técnicos, sendo o primeiro a realização de um estudo
mais aprofundado sobre o calibre mais adequado para ser utilizado
pelas Forças de Segurança Pública diante do cenário atual de
crescente confrontos armados, e o segundo ponto trata-se da
transparente necessidade de padronização quanto ao modelo e
sistema de funcionamento das armas, já que a diversidade de
modelos existentes hoje gera aumento de riscos, aumento de
custos e caminha na contramão dos bons preceitos da
administração pública.
Assim sendo, foi decidido que o primeiro estudo a ser
realizado pela equipe técnica formada para iniciar o
encaminhamento dos trabalhos seria de estudar e avaliar
comparativamente o desempenho dos calibres .40SW e 9x19mm no
emprego operacional dos agentes de segurança pública.

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3. DA ANÁLISE E SUGESTÃO
Antes de se iniciar qualquer discussão, análise ou
apontamento sobre assunto efetividade de calibres de arma de
fogo, é de extrema importância deixar claro que a efetividade
analisada trata-se, exclusivamente, da capacidade que um projétil
tem de produzir o efeito desejado, e que alguns pontos comuns
precisam ser esclarecidos, uma vez que acabam causando
confusão e mau uso por parte de um grande número de
profissionais, principalmente, entre aqueles que não se
aprofundaram no assunto, limitando-se aos ao domínio superficial
ou assimilando crenças culturais.

3.1 - CALIBRES E PROJÉTEIS


Quando se coloca comparação entre calibres é de extrema
importância que se entenda que só existe avaliação plausível, se os
parâmetros estabelecidos estiverem muito bem definidos, por
exemplo: Quais são os resultados esperados? Quais são as
amostras disponíveis para realização dos testes? Quais são os
parâmetros a serem analisados?
Assim sendo, este estudo tem por objetivo realizar
comparação analisando três pontos chaves para uma munição de
defesa:
1. Poder de transfixação que se mede por meio de distância
total percorrida dentro da massa balística;
2. Capacidade de destruição de massa que é analisado
pela avaliação da cavidade temporária criada no maior
diâmetro dentro do trajeto na massa balística;

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3. Poder de incapacitação por transferência de energia que
é analisado comparando a energia acumulado no projétil
(medida na boca do cano) e energia transferida para corpo.

Logo, quando se fala em comparação entre os calibres .40SW


e 9x19mm, é preciso estar muito atento, uma vez que não há o que
se comparar para efeito de análise de efetividade dos calibres se for
usado um projétil .40SW Hollow Point Jacket (Ponta Oca
Jaquetada) e 9x19mm Full Metal Jacket (Ogival Totalmente
Jaquetada). Se assim fizer, certamente a ausência de parâmetros
induzirá a acreditar e colocar mais pessoas na crença popular de
que o calibre nove milímetros Luger é muito mais transfixante. Logo,
se o inverso for utilizado para realização disparos em massa
balística, usado um projétil .40SW Full Metal Jacket (Ogival
Totalmente Jaquetada) e uma 9x19mm Hollow Point Jacket (Ponta
Oca Jaquetada), certamente, irá induzir que o calibre .40SW é mais
transfixante.
Para melhor compreensão do assunto em tela, necessário se
faz regressar à origem histórica e os fatos resumidos que
constroem a gênese do calibre .40SW SMITH WESSON e 9x19mm
LUGER para que a discussão seja a mais técnica, e para que tenha
a maior propriedade das possíveis distorções atuais sobre o
assunto.

3.2 CALIBRE .40SW- SMITH & WESSON


É intitulado de “UM CALIBRE DA POLÍCIA PARA A
POLÍCIA”, e de fato tal afirmação é correta, contudo, não se pode
desconsiderar que foi fruto de uma estratégia de marketing para
“justificar” erros trágicos técnicos e táticos de uma unidade

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americana de polícia muito conceituada que é o FBI (Federal
Bureau of Investigation – Agência Federal de Investigação).
É sabido por todos que a criação deste calibre está ligada
diretamente ao famoso “Tiroteio de Miami” (Miami Shootout), que
pode ser encontrado por inúmeros relatos, documentários e até
filmes, e que, de fato, foi o precursor do calibre 40.SW.
Resumidamente, trata- se de uma perseguição em 1986 após
um roubo, de dois criminosos armados, cada um com um revólver
.357 Magnum, um com uma espingarda calibre 12 e o outro com um
Fuzil RUGER MINI-14 calibre .223, foram perseguidos por 08 (oito)
agentes do FBI. A perseguição terminou com a colisão de viaturas e
veículos civis, dentre os quais o dos meliantes, o que possibilitou
que os agentes os interceptassem.
Alguns agentes do FBI, segundo afirmam os especialistas,
traziam seus revólveres presos entre o banco do carro e suas
pernas (primeiro erro - tático), acreditando que portando assim,
poderiam empunhá-los mais rapidamente. Contudo, com o choque
das viaturas, as armas que estavam fora dos coldres foram jogadas
longe, e muito tempo foi perdido para apanhá-las.
O fato é, as armas de porte dos agentes dos agentes do FBI,
cinco delas, eram revólveres de calibre .357 Magnum, e três deles,
eram pistolas de calibre 9 mm Parabellum (9x19mm). Ao final do
confronto, o saldo foi de dois agentes mortos e seis feridos, dois
dos quais ficaram neurologicamente sequelados, e a resposta
institucional do FBI foi encobrir os erros técnicos e táticos dos
agentes, passando a atribuir a culpa do fracasso da operação sobre
um dos projéteis utilizados, calibre 9 mm Parabellum, peso de 115
grains, tipo Hollow Point, que não chegou até o coração dos
oponentes, nos tiros que penetraram lateralmente o tórax, depois de

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atingir o braço, os apontamentos foram de que se a munição tivesse
maior poder de penetração, poderia ter incapacitado os agressores.
O que dizer então aos que falam que o problema do calibre
9x19mm é ser muito perfurante ou transfixante?
As falhas apontadas no incidente revelaram que os
revólveres, todos de calibre .357Mag, estavam sendo usados com
munição calibre .38 SPL, peso de 158 Grains, modelo SWC Hollow
Point, de chumbo, e não como deveria, com as munições .357
Magnum padrão FBI (segundo erro - técnico). Testemunhas
afirmaram que foram disparados aproximadamente 140 tiros em
menos de quatro minutos, tendo como resultado final a morte dos
marginais, sendo um deles morto com um projétil calibre 9 mm
Parabellum, peso de 115 grains, tipo Hollow Point que atingiu a
menos de meia polegada do coração, lesionando uma artéria
pulmonar. Mesmo ferido no tórax um dos agressores continuou
disparando com seu Rifle Ruger MINI-14, matando e ferindo vários
agentes, por este fato vale ressaltar que serão feitos apontamentos
mais a frente sobre a importante diferença entres incapacitação
imediata e incapacitação instantânea.
Toda essa história lamentável foi exposta simplesmente para
entender que a partir de então o FBI iniciou um estudo para
estruturar a defesa da responsabilização da tragédia por conta dos
calibres utilizados pelos agentes, passou então a ser analisado os
vários calibres nas mais diferentes situações de confronto. Assim,
inicialmente o FBI optou por utilizar uma munição recém lançada na
época, a 10 mm, em pistolas de grande porte que se mostraram
exageradamente potente e com recuo muito forte, além de serem
muito grande para serem portadas diuturnamente. Como resultado
do “fracasso” inicial do calibre 10 mm, houve uma tentativa de

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diminuir a potência sem alterar o diâmetro do projétil, diminuindo
assim também o tamanho e peso das armas. Assim que nasceu o
calibre .40SW - SMITH & WESSON que foi a fabricante de armas e
munição que apoiou o desenvolvimento do calibre e o lançou no
mercado.
O calibre mais popular dentre as polícias brasileiras, fruto de
uma vertente norte americana que a criou para “maquiar” os
resultados trágicos do Tiroteio de Miami, contudo, acabou sendo um
respeitável calibre, mas o que sempre teve como principal fator de
sucesso foi a estratégia de marketing utilizada. Passou-se a difundir
por todo o mundo que pela primeira vez, um calibre foi desenvolvido
baseado em estudos científicos e necessidades operacionais
policiais.
Observem que em 1986 apenas se usavam projéteis ogivais e
semi canto vivos na atividade policial, e ao invés de direcionarem a
pesquisa na melhoria dos projéteis e propelente, acabaram não
explorando a indústria de armamentos e suas infinitas
possibilidades de trabalho com alteração de cargas e de pontas de
projéteis que poderiam em muito alterar o entendimento naquele
momento.
Por fim, como os americanos dedicam-se muito à construção
do conhecimento científico e realização de testes para
aprimoramento e avaliação, hoje o FBI sabe que apesar de um bom
calibre, o .40SW não é a melhor opção, prova disto que usa para
seus times de intervenção tática pistolas calibre .45ACP, modelo
COLT 1911, customizadas e carregador monofilar. E para os
demais agentes do órgão, assim como, maioria absoluta das
polícias americanas, dos policiais e dos praticantes de tiro.

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3.3 CALIBRE 9x19mm (9mm LUGER)
O calibre 9x19mm foi no criado no início do Século XX, e no
ano 1902 introduzido pelo alemão, George Luger, da famosa fábrica
de armas Deutsche Waffen-und Munitionsfabriken (DWM) para a
utilização nas épicas pistolas militares modelo LUGER, e por isso
até hoje o calibre é conhecido como 9mm LUGER.
Como já exposto e sabido por todos, foi um calibre criado para
a Guerra, e por isso, visava que as munições fossem utilizadas por
armas curtas oferecendo o máximo de capacidade, peso e tamanho
reduzidos, e que seus disparos arremessassem um projétil com o
maior alcance útil e estabilidade aceitável, que fosse capaz de
operar o máximo sem falhas de funcionamento e com o mínimo de
manutenção possível, que tivesse um bom desempenho para tiros
diretos, sendo capaz de transfixar o máximo de inimigos, ferindo-os
sem morte imediata para ocupar outros combatentes para socorro,
e deveria também ter bons resultados em disparos indiretos, com
capacidade de acertar alvos encobertos atrás de objetos não
blindados, tipo madeira e chapas metálicas tipo de capacetes da
época. Em pouco tempo, o nome o calibre passou a ser chamado
de 9mm PARABELLUM. O termo Parabellum é derivado do latim da
frase: Si vis pacem, Para Bellum ("Se você procurar a paz, prepara
a guerra"), que foi o lema da fábrica DWM que criou o calibre.
A OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO
(North Atlantic Treaty Organization) por meio de seus países
membros, resolveram adotar o 9mm Parabellum como calibre
padrão de suas forças simplesmente por ter muita infraestrutura
para a produção deste calibre. Esta decisão fez com que o 9mm
fosse adotado rapidamente por quase todas as forças militares do

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mundo. Principalmente nos países membros da OTAN, passou-se a
chamar o calibre de 9mm NATO.
Portanto, 9x19mm, 9mm NATO, 9mm LUGER, 9mm PARA,
9MM PARABELLUM, atualmente, são as nomenclaturas utilizadas
para identificar as armas e munições que utilizam o projétil de 9mm
de diâmetro e o estojo com altura de 19mm. O termo técnico
comercial mais utilizado é o 9mm LUGER por ser o utilizado como
referência pelos dois maiores órgãos de regulamentação de
munições do mundo a SAAMI (Sporting Arms and Ammunition
Manufacturers' Institute) e a CIP (Commission Internationale
Permanente).
O calibre 9mm teve outros diversos nomes, foi chamado na
Europa por 9mm Bayard, 9mm Glisenti e 9mm Steyr. Nos EUA é
mais conhecido como 9mm Luger, a OTAN entrou neste cenário e
esclareceu que todos estes nomes se referiam, na verdade se
referem ao mesmo calibre, o 9x19mm ou 9mm Parabellum (9mmP).

Contudo, existem diversas variações calibres que utilizam


projéteis de 9mm de diâmetro que, apesar mesma dimensão,
utilizam estojos e projéteis com padrões diferentes, dentre eles o
9x17mm, também conhecido como .380 ACP/9mm Kurtz/9mm
Browning; 9x18mm, também conhecido como 9mm Makarov;
9x23mm, conhecido como 9mm Largo. Existem outras variações,
algumas obsoletas outras ainda em uso, mas não são o objetivo
desta análise técnica.

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De acordo com a edição de 2006 da famosa revista
publicação Cartuchos do Mundo (Cartridges of the World), a
9x19mm Parabellum é "cartucho mais popular de uso militar para
armas curtas e amplamente utilizadas em todo o mundo." Além das
Forças Armadas, o calibre é usado por mais de 60% das polícias
nos Estados Unidos da América, assim como é o calibre mais
comercializado para defesa e prática esportiva no território
americano, o que faz do calibre 9×19mm o mais popular dos
calibres para armas curtas. A popularidade deste calibre pode ser
atribuída à convicção generalizada de que se ele é eficaz na polícia,
certamente, é o melhor para utilização de autodefesa, associado a
seu baixo custo e ampla disponibilidade que contribui
significativamente para a contínua notoriedade do calibre, sendo
que atualmente, o calibre 9x19mm é adotado por mais de 80% das
Forças de Segurança Pública do Mundo.
Feito uma imersão histórica e retrospectiva sobre cada um
dos calibres objeto deste estudo, passamos a analisar a Teoria do
Confronto Armado para melhor compreender a análise quanto a
efetividade do emprego destes calibre nas armas destinadas ao
cumprimento da missão usadas pelos agentes de segurança
pública do Brasil.

4 - O CONFRONTO ARMADO
O confronto armado é uma questão sempre muito complexa e
difícil de analisar, especialmente diante da letalidade das armas
modernas e da imprevisibilidade da reação do agressor. Todavia,
inúmeros estudos vêm sendo apresentados em todo o mundo, em
regra, nos países mais desenvolvidos, o que é algo ainda mais
preocupante, pois os dados já não são favoráveis fora do Brasil,

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logo, realizando uma comparação associativa utilizando como
referência a realidade e padrões do Brasil, sem sombra alguma de
dúvidas, os resultados são assustadores, uma vez que o padrão
técnico é resultante das horas de treinamento e reciclagem
periódico, quantidade de disparos realizados em formação e
treinamentos, estrutura de apoio para treinamentos e capacitações,
bem como, qualidade e quantidade dos equipamentos e insumos
disponibilizados.
Em todos os estudos encontrados pode ser notado que o
principal ponto abordado não é o calibre ou tipo de arma, mas
sim, os aspectos psicotécnicos, uma equação entre a qualidade
do preparo psicológico e o nível técnico dos agentes que
vivenciaram o confronto. Vontade de vencer e vantagens
técnicas para superar a injusta agressão, como se vê no estudo
recente do próprio FBI, publicado em 180 páginas ("Violent
Encounters: A Study of Felonious Assaults on Our Nation's Law
Enforcement Officers.") que é o terceiro de uma série de longas
investigações sobre ataques fatais e não fatais analisadas a
partir de um conjunto de mais de 800 incidentes, onde os
pesquisadores selecionaram 40 (quarenta), envolvendo 43
(quarenta) infratores, sendo 13 (treze) deles integrantes de
gangues ligadas ao tráfico de drogas e 50 (cinquenta) agentes de
segurança.
Para exploração em profundidade, os pesquisadores
visitaram cenas de crime e entrevistaram extensivamente
sobreviventes oficiais e agressores da mesma forma, a maior
parte dos últimos, ainda na prisão, e dentre várias constatações,
consolidaram cientificamente o seguinte:

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1. 40% dos policiais mortos em serviço não tiveram reciclagem
ou prática de tiro durante três anos após terem efetuado o
último disparo em treinamento. Muitos dos que tombaram em
serviço eram atiradores precisos em alvos de papel no
estande, mas praticavam treinamentos inadequados.
2. 60% dos casos de morte de policiais, estes se encontravam
tão despreparados para a situação que morreram sem sequer
retirar suas armas dos coldres e 40% morreram mesmo
sacando suas armas. Dos policiais mortos, somente 27%
conseguiram reagir atirando de volta e destes últimos, menos
de 50% conseguiram atingir seus agressores e apenas 30%
dos agressores atingidos foram neutralizados. Ou seja, do
universo de policiais mortos, menos de 30% chegaram a
disparar e apenas cerca de 10% conseguiram acertar seus
agressores, sendo que no máximo 3% dos casos, os
agressores foram neutralizados.
3. 20% dos policiais mortos casos acabaram sendo executados
mortos com suas próprias armas, tomadas de suas mãos ou
de seus coldres.
4. 85% dos confrontos armados acontecem em distâncias de no
máximo seis metros e o tempo médio dos confrontos armados
não ultrapassam três segundos e são disparados mais de dez
tiros até que o confronto acabasse.
5. Mais de 60% dos agressores neutralizados conseguem
descarregar totalmente suas armas até que sejam
neutralizados, e dos disparos realizados por ambos os lados,
a cada seis tiros que são efetuados durante o confronto,
somente um projétil acerta o corpo do oponente, mas na
maioria dos casos não neutralizam o agressor.

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6. Aproximadamente 80% dos casos de confrontos armados
foram vencidos por quem atirou primeiro, e destes, quase a
totalidade foi consequência de já estar com arma na
empunhada antes mesmo de visualizar o agressor.
7. 98% dos policiais que sobreviveram disseram não ter utilizado
o aparelho de pontaria da arma durante o confronto.
8. 84% dos tiros disparados no confronto armado, independente
de calibre, não atingem nem de raspão os alvos desejados.
Destes, apenas 8% causam ferimentos ou morte (disparos
acertados em regiões que causam destruição de órgãos ou
tecidos vitais), os outros 8% restantes são aqueles que
mesmo atingindo o alvo não causam danos de acordo com a
realidade do fato.
9. Pesquisas médicas comprovam que cerca de 20% dos
indivíduos atingidos por um único disparo em áreas vitais não
causam incapacitação instantaneamente do agressor, mesmo
que na prática, seja uma questão de pouco tempo para que
estejam mortos. Cerca de 13% deles resistem
conscientemente por até 3 minutos, e 7% resistem por mais
tempo, isso se deve às condições psicofísicas do agressor.
10. Dos casos de confrontos analisados em que houve a
incapacitação imediata, ou seja, o agressor para de atirar e foi
rendido pela polícia, ultrapassou o índice de 80%, e destes
menos de 5% o agressor foi a óbito.
Dos dados obtidos, percebe-se nitidamente, que não se faz
menções ao calibre, e que a segurança relativa dos operadores
está diretamente ligada a qualidade técnica e preparação
psicológica dos mesmos, condições de treinamento e reciclagem,
disponibilidade de equipamentos e insumos adequados. Será

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abordado em seguida os estudos que deram origem a teoria do
STOPPING POWER, e que também foram estudos mais
direcionados para análise em confrontos armados, porém com foco
no calibre.
Como o objeto do presente artigo é analisar a efetividade dos
calibres, serão analisadas mais à frente apenas as informações que
podem ter ligação com o calibre das armas utilizadas para
segurança e defesa, ou seja, as que permitam:
a. Treinar com menor custo para melhoria da qualidade técnica
b. Atirar o mais rápido possível o primeiro disparo;
c. Atirar repetidamente com maior velocidade;
d. Atirar com maior precisão repetidamente;
e. Atirar sem realização de visada;
f. Ter a maior capacidade de munições em cada carregador;
g. Gerar o máximo de autoconfiança no operador;
h. Engajar alvos múltiplos;
i. Atirar movimentando-se;
j. Desgastar o mínimo possível a arma para treinar e operar;
k. Realizar disparos indiretos nos alvos.
A conclusão que se tira é que um confronto armado não é
determinado somente por quem atirou com calibre maior ou mais
potente e sim quem acertou primeiro com melhor qualidade, e
certamente, independente do calibre (9x19mm ou .40sw) que o
operador usar, o mais importante é a qualidade e preparo do
operador.
Partindo destes princípios, foi organizado pela Comissão duas
baterias de testes com diversos operacionais da Polícia Militar,
Polícia Judiciária Civil e Polícia Técnica Científica do Estado de
Mato Grosso. Participaram dos testes policiais do sexo masculino e

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feminino, de altura e estrutura física diferentes, bem como, níveis
técnicos do básico (recém formados) até especialistas (Operadores
de Tropas Especiais).
O resultado dos testes (vide ANEXO I) realizados deixou claro
que para operadores treinados pouco se diferencia a questão do
calibre no resultado dos testes, contudo, no resultado final foi
bastante significativo, como se vê na tabela abaixo.

RESULTADO: Quando analisado o número total de acertos que impactaram na


região letal (tórax e cabeça), o calibre 9x19mm superou em 17% o calibre
.40SW. Considerando os disparos que acertaram em qualquer outra parte da
silhueta (não letal), o calibre 9x19mm foi 244% mais eficiente do que o calibre
.40SW, totalizando acerto de 22 (vinte e dois) disparos a mais. Em se tratando
de disparos perdidos que passaram próximos da silhueta atingindo a parte
branca do alvo, o calibre .40SW projetou 32% mais disparos aleatórios do que
o calibre 9x19mm. Dos disparos perdidos que sequer atingiram qualquer parte
visível, o calibre .40SW projetou 33% mais disparos aleatórios do que o calibre
9x19mm. Ao analisar o número absoluto de disparos realizado pelos
operadores, o calibre 9x19mm foi 21% superior ao calibre .40SW, no total 20
(vinte) disparos a mais. Ao analisar a dispersão máxima entre os disparos
mensuráveis, aqueles que atingiram o papel em algum ponto, o calibre .40SW
dispersou entre seus impactos 36% mais do que o calibre .40SW.

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RESULTADO: Quando analisado o número total de acertos que
impactaram na região letal (tórax e cabeça), o calibre 9x19mm superou em
65% o calibre .40SW. Considerando os disparos que acertaram em qualquer
outra parte da silhueta (não letal), o calibre 9x19mm foi 54% mais eficiente do
que o calibre .40SW, totalizando acerto de 7 (sete) disparos a mais. Em se
tratando de disparos perdidos que passaram próximos da silhueta atingindo a
parte branca do alvo, o calibre .40SW projetou 44% mais disparos aleatórios do
que o calibre 9x19mm. Dos disparos perdidos que sequer atingiram qualquer
parte visível, houve exatamente o mesmo número de disparos aleatórios de
ambos os calibres. Ao analisar o número absoluto de disparos realizado pelos
operadores, o calibre 9x19mm foi 17% superior ao calibre .40SW, no total 15
(quinze) disparos a mais. Ao analisar a dispersão máxima entre os disparos
mensuráveis, aqueles que atingiram o papel em algum ponto, o calibre .40SW
dispersou entre seus impactos 17% mais do que o calibre .40SW.

5 - INCAPACITAÇÃO IMEDIATA E INSTANTÂNEA


Não se pode deixar de compreender que incapacitação
imediata não é a mesma coisa de incapacitação instantânea. A
primeira está muito mais ligada às questões psicofísicas do
agressor, já a segunda com questões fisiológicas do ponto de
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impacto do projétil e a destruição causada nos órgãos ligados às
questões motoras do agressor. Os exemplos abaixo são para deixar
um pouco mais claro a diferença entre incapacitação imediata e
incapacitação instantânea.
Incapacitação imediata - Importante saber que mesmo
atingido no coração, independentemente do calibre, o agressor
pode ter condições físicas e motoras por alguns segundos, sendo
capaz de disparar inúmeras vezes com uma arma até que perca
suas forças e/ou consciência, por outro lado, outro agressor pode
ser alvejado de raspão, ou nem sequer ser atingido, e ficar
totalmente neutralizado sem conseguir nem ao mesmo caminhar só
pelo barulho dos disparos.
Incapacitação instantânea - Se uma pessoa for atingida por
um disparo de qualquer calibre ou até mesmo um forte golpe com
objeto perfuro contundente que atinja a medula oblongada (bulbo –
centro motor), certamente, causar a incapacitação instantânea do
agressor.
Como fatores que determinam a eficiência de um determinado
tipo de projétil, temos, relembrando, os efeitos da ação direta, pelo
choque provocado, e em seguida, da ação indireta, que dependerá
dos fatores biológicos ou psicológicos do alvo atingido. A ação
direta manifesta-se pelos mecanismos de martelo e cunha,
provocados pelo impacto do projétil, onde este empurra e afasta os
tecidos, deslocando-os. Já a ação indireta, ou expansiva, é causada
pelo choque hidrostático (onda de energia) sobre os tecidos e
órgãos, que causa transmissão da energia cinética do projétil ao
corpo, causando lesões em estruturas não atingidas diretamente
pelo projétil. Ambas as ações são responsáveis pelos efeitos dos
projéteis em alvo humano.

18
Os fatores intrínsecos dos projéteis, que determinam os
efeitos da ação direta, como a inércia do projétil, a configuração do
tipo de ponta, o fendilhamento da jaqueta, se esta existir, o nível de
dureza e material do projétil, a massa (peso), e a velocidade do
projétil.
Portanto, a incapacitação tem relação direta com o tipo de
projétil empregado, mas depende também, e muito de cada
oponente, pela já citada influência da individualidade biológica e
psicofísica. Assim sendo, um mesmo tipo de munição certamente
provocará diferentes resultados de incapacitação quando
analisados diferentes agressores, exceto nos casos em o disparo
atingir região de controle motor que cause a incapacitação
instantânea.
Quando um projétil de arma de fogo atinge o cérebro ou o
tronco cerebral e destrói estruturas responsáveis pela consciência
ou o tônus muscular dos músculos que mantém o corpo ereto, ou
quando o tiro atinge a medula espinhal e interrompe o comando
nervoso das pernas ou mesmo dos braços e das pernas,
dependendo da altura da medula atingida, ou, ainda, em algumas
pessoas, quando atingido um vaso calibroso importante,
provocando o chamado choque hipovolêmico, ou seja, a rápida
perda de grande quantidade de sangue há grande probabilidade de
que ele cesse suas ações. Nesses casos, o agressor deve deixar
de agredir o policial mais rapidamente.
A questão do choque hipovolêmico é um tanto controversa,
pois pode levar algum tempo, entre o atingir do projétil e a
interrupção das funções motoras do oponente: o agressor pode
seguir em ação por tempo suficiente para concretizar o ato
agressivo. Mesmo com o coração ou a aorta, por exemplo,

19
seriamente comprometidos, um indivíduo pode não cair
instantaneamente. Somente há parada instantânea em cem por
cento dos casos (ou o mais próximo deste valor) quando aquelas
estruturas nervosas mencionadas - cérebro e medula - são
atingidas.
Outro mecanismo, chamado de choque neurogênico é citado
por médicos especialistas como sendo um dos responsáveis pela
queda imediata de um oponente. Sua ocorrência é fácil de ser
observada, por exemplo, nas lutas de boxe ou de vale-tudo, onde
um lutador é posto fora de combate por um soco ou pontapé na
altura do fígado, na ponta do queixo ou no lado da cabeça. Esse
desfalecimento pode se dar por alguns minutos ou mesmo por
alguns segundos, seguido de uma sensação de desorientação e de
dificuldade em manter o equilíbrio.
Isto ocorre porque o golpe atingiu áreas do corpo, embora
superficialmente, que transmitem impulsos nervosos ao sistema
nervoso central e que chegam áreas que governam a consciência e
o tônus dos músculos antigravitacionais das pernas, os extensores,
músculos que permitem ao corpo se manter em pé.
Não se sabe com certeza, mas este pode ser o mecanismo
que faz com que uma pessoa atingida por um projétil em área não
vital, desfaleça imediatamente. A cavidade temporária parece ser a
responsável pela ocorrência deste choque e pela perda da
consciência. Segundo os médicos, estruturas como vísceras e
ramificações nervosas podem, se atingidas, provocar o fenômeno.
A zona do corpo humano limitada pela bacia pélvica, por onde
transitam nervos importantes para a sustentação das pernas e pela
proximidade de plexos nervosos, como o plexo solar, é um local de
alta ocorrência do choque neurogênico.

20
Outro fenômeno incerto e também muito difícil de ser
estudado é o choque emocional que incapacita a pessoa pela
simples ação de ser surpreendido com violência que a coloca em
Estado de Choque bloqueando sua capacidade de agir ou reagir,
contudo, os dois últimos fenômenos, são quase impossíveis de
ocorrer quando agressores estão sob efeito de drogas.
Então, o policial conta somente com três possibilidades de
parar um agressor instantaneamente com vínculo ao calibre e tipo
de projétil: um tiro que atinja a cabeça e acerte principalmente a
estrutura do tronco cerebral; um tiro que seccione a medula; e o tiro
com um projétil de alta velocidade, que gere uma cavidade
temporária capaz de produzir o citado choque neurogênico.
Assim, a maior certeza de parar imediatamente um agressor é
acertá-lo com disparos múltiplos, uma vez que os estímulos
gerados por várias cavidades temporárias se somam, e resultam
em um poder de parada muito maior.
Pode afirmar então que mais importante que o tipo de
munição utilizada, é o local onde o corpo do oponente é atingido
pelos disparos do policial. Os efeitos das ações direta e indireta do
impacto causado pelo projétil se fazem sentir, principalmente, se
atingirem a zona da cabeça (cérebro) e o centro da caixa torácica
(onde o projétil pode atingir o coração e a medula, está no interior
da coluna vertebral). Nestes locais, a ocorrência da incapacitação é
quase 100% dos casos, se utiliza a munição com bom índice
relativo de incapacitação.
Se o atirador atingir o alvo com dois disparos no mesmo local,
os efeitos de cavidade temporária e choque hidrostático e os
traumatismos decorrentes serão ampliados, sendo mais provável a
ocorrência do poder de parada. Daí a necessidade de treinamento e

21
de um calibre que lhe permita atirar com qualidade e velocidade,
pois mesmo um calibre aparentemente ineficiente, utilizado
corretamente pode fazer mais efeito do que errar o disparo de uma
excelente munição.
Ainda, para que hajam maiores probabilidades de ocorrer a
incapacitação imediata do agressor, é necessário que o projétil
tenha a forma da ponta adequada, permitindo expansão no corpo
do oponente quando do impacto, bem como uma blindagem que
permita esta expansão. É importante, também, que o conjunto
arma/munição possibilite um segundo disparo imediato ao primeiro;
daí a necessidade de munições mais controláveis.

6 - O MITO E AS DISTORÇÕES DO STOPPING POWER

22
Se o termo STOPPING POWER for traduzido para o
português, dizer poder de parada está perfeitamente correto,
contudo, se o termo estiver se relacionando com armamento e tiro,
precisamos usá-lo como Poder de Incapacitação. Por isso, é
necessário ter muita cautela e antes qualquer coisa compreender
de onde surgiu e o que realmente é o estudo do Stopping Power,
bem como, distinguir o poder de parar o oponente do poder do
projétil de parar no corpo do agressor.
Grupos de estudiosos atribuem mais importância à penetração
dos projéteis, enquanto outro julga que a velocidade dos mesmos é
mais importante. São duas correntes que até há pouco tempo
causavam grandes e intermináveis discussões, que ficaram mais
intensas após o lançamento do livro de nome já polêmico,
"Handgun stopping power - A definitive study" (Poder de parada das
armas de porte – Um estudo definitivo), escrito por Evan Marshall,
um ex-policial e Edwin Sanow, policial em atividade. Esses autores
de fato, realizaram o maior estudo já hoje publicado sobre o tema,
que durou muitos anos, onde foram colhidas informações de
tiroteios entre policiais e meliantes ou entre civis atacados por
marginais, relacionando os casos em que um tiro acertado
interrompeu uma agressão de imediato.
Marshall e Sanow viajaram por todos os Estados Unidos e por
alguns países da Europa, buscando subsídios, inclusive nos
resultados das necropsias, para sua pesquisa. O resultado desses
estudos foi o referido livro, que analisa calibre por calibre o
desempenho das diferentes munições, relacionadas com o peso do
projétil e com sua forma. A análise de casos reais, e não apenas o
raciocínio teórico, mostrou que os projéteis mais leves, portanto
com maior velocidade, e a configuração desses projéteis,

23
essencialmente, em pontas ocas, têm melhor desempenho de
poder de incapacitação.
Marshall e Sanow atribuem um índice de incapacitação
baseado nas estatísticas dos casos reais observados. Se,
estatisticamente, temos o relato de 100 (cem) casos de disparos
com determinado calibre e em 50 (cinquenta) casos o agressor foi
posto fora de combate com um único tiro, o poder de parada desse
projétil será de 50%, logo, pode se deduzir que é um parâmetro
relativo, e não absoluto, tanto que alguns autores norte-americanos
utilizam o termo "Relative Incapacitation Index", ou índice relativo de
incapacitação (RII) para expressá-lo.
Considerando que o critério adotado na pesquisa era o de
considerar, única e exclusivamente, os casos em que era
empregado um único tiro que atingisse a região do tronco do
agressor/vítima, descartando-se os múltiplos ferimentos, tiros em
membros ou na cabeça, Marshall definiu incapacitação da seguinte
maneira (para os fins da pesquisa): se a vítima, quando atingida,
entra em colapso antes de fazer algum disparo ou expressar uma
outra reação de ataque ou fuga; a vítima/oponente, quando
atingido, não poderia se deslocar mais do que três metros antes de
entrar em colapso.
É importantíssimo atentar que não foi por acaso que os mitos
e as distorções que surgiram e se alastraram com a “febre” do
STOPPING POWER. Ocorre que o livro de Evan Marsahall e Edwin
Sanow autores do livro que recebeu o nome de STOPPING
POWER foi publicado exatamente em 1992, seis anos após o
incidente do “Miami Shootout), e veio para consagrar o estudo do
FBI e apresentar o calibre .40SW como mais um sucesso
americano.

24
Se for observado atentamente o trabalho de Evan Marshall, é
notório que em relação de efetividade entre diferentes calibres de
uso defensivo/policial, destaca-se a eficiência do calibre .357
Magnum, que era o calibre da maior parte das armas utilizadas no
trágico confronto dos agentes do FBI no Tiroteio de Miami em 1986.
Um excelente texto do médico Sydney Vail1 para
esclarecimento do exposto está disponível na
páginahttp://www.policemag.com/channel/weapons/articles/2013/01/
stopping-power-myths-legends-and-realities.aspx, sendo que o
autor finaliza com a seguinte colocação:
Stopping power is a marketing tool and should
be dropped from our discussions of ballistic
performance until such time as ammunition
effectiveness is measured by more means
than just the results of gelatin and barrier tests.
When ammunition companies or regulatory
agencies begin to use computer simulations,
simulant tests, animal models, autopsy results,
and trauma surgeon operation reports with
hospital summaries to determine the
effectiveness of their products, then we will
know which ammunition can be labeled as
having the "best stopping power." And this
claim will be based on scientific data rather
than incomplete ballistic testing.

Tradução: Stopping Power é uma ferramenta


de marketing e deve ser descartada de nossas
discussões sobre o desempenho balístico
enquanto a eficácia da munição for

1
Sydney Vail MD, FACS, é professor associado de cirurgia na faculdade trauma na Penn State Milton S.
Hershey Medical Center e Penn State College of Medicine, em Hershey, Pa. Atua também como diretor
de programas de medicina táticos para o Departamento de Arizona Segurança Pública e Maricopa County
equipes da SWAT Escritório (Ariz.) do xerife.

25
mensurada por mais meios do que apenas os
resultados dos testes de gelatina e de
barreira. Quando as empresas de munições
ou agências reguladoras começarem a usar
simulações de computador, testes de
simuladores, modelos animais, os resultados
da autópsia e relatórios de operação trauma
cirurgião com resumos do hospital para
determinar a eficácia de seus produtos, então
saberemos que a munição pode ser rotulada
como tendo o " melhor poder de parada. " E
esse conhecimento será baseado em dados
científicos, ao invés de testes balísticos
incompletos.

7 – ANÁLISE TÉCNICA
Até o final do século XIX, quando se desejava um aumento no
poder de destruição de um projétil de arma de fogo, era necessário
aumentar o peso deste projétil e a quantidade da carga de
propelente. Como a pólvora empregada era a pólvora negra, de
baixo conteúdo energético e baixas pressões geradas com sua
queima, a variável formato do projétil quase não era levado em
conta. Os projetistas de armas e munições se preocupavam apenas
em construir conjuntos arma/munição precisos e confiáveis, sem se
preocuparem muito com a qualidade dos efeitos lesivos causados
no alvo. Com a descoberta da pólvora sem fumaça, foi possível
aumentar o alcance e a precisão dos projéteis, com a redução de
peso dos mesmos, permitindo a construção de armas menores e
mais potentes. Isto começou a exigir estudos mais aprofundados
sobre as munições e seus componentes, de modo a permitir uma
maior eficácia destes conjuntos em situação de combate.
26
Se for observado os estudos apresentados como
complementares é possível concluir que, tão importante quanto a
arma e o calibre utilizados, o ponto atingido no alvo e a
possibilidade de múltiplos disparos garantem a ocorrência de
melhor índice relativo de incapacitação. A melhor munição do
mundo de nada servirá se o usuário errar o tiro ou não conseguir
repeti-lo dado o excessivo recuo da arma.
Outra condicionante na ocorrência da incapacitação é a
expansão do projétil, que, necessariamente, deverá ocorrer. Armas
curtas costumam apresentar problemas na expansão de projéteis
tipo ponta oca. Atingir altas velocidades depende de um cano mais
longo e propelentes de queima mais rápida, mas para que isto
ocorra em projéteis disparados de armas curtas, é necessário
armas e munições sejam especialmente construídos para este fim.
Ou seja, não adianta acreditar que uma excelente munição vai ter o
mesmo desempenho em armas com diferentes tamanhos de cano.
Reforça mais uma vez que o chamado STOPPING POWER é
um fenômeno relativo, que não pode ser calculado com uma
certeza matemática (apesar das várias fórmulas para seu cálculo
apresentadas por diversos estudiosos do assunto), pois dependem
de muitas variáveis, entre elas, a individualidade biológica do
oponente.
Outra consideração referente a análise que se inicia é que
frente aos inúmeros exemplares existentes de munições de cada
calibre (nacionais e estrangeiras), necessário se fez limitar mais
uma vez para viabilizar e validar a análise. Assim sendo, foi
escolhida as munições da linha Premium da CBC (Companhia
Brasileira de Cartuchos), comercialmente chamada de Linha GOLD,
que é a mais utilizada pelas Forças Policiais do Brasil.

27
Contudo, se a discussão de calibre ideal fosse
OBSERVANDO, única e exclusivamente número de tabela,
certamente, a análise estaria entre .357Mag ou .45ACP que são as
munições com maior energia acumulada. Porém, como já exposto
exaustivamente, é preciso que outros fatores igualmente
importantes sejam observados.
Existem grandezas que são matemáticas, que de fato, quando
isoladas, depõe a favor do calibre .40SW como o exposto na tabela
a seguir, extraída do informativo no website da CBC.

Direcionando a análise para os disparos diretos (tão somente)


que é a energia carregada por um projétil após ser disparado e sua
dissipação no espaço com a trajetória do projétil, pode-se afirmar
que energia cinética é calculada por uma simples fórmula
(Ec=mv /2) onde as grandezas devem ser imperiais. Em stand foi
2

aferido a velocidade média das munições 9x19mm e .40SW, ambas


modelo GOLD da fabricante CBC com armas de mesmo modelo e
igual tamanho de cano, tendo os resultados que adiante se vê.

28
MUNIÇÃO CBC CALIBRE .40SW GOLD HEX

Velocidade 1 Velocidade 2 Velocidade 3 Velocidade 4 Velocidade média Peso do projétil

1236 1210 1256 1225 1232 155Grains

MUNIÇÃO CBC CALIBRE 9MM GOLD +P+

Velocidade 1 Velocidade 2 Velocidade 3 Velocidade 4 Velocidade média Peso do projétil

1241 1245 1252 1261 1250 115Grains

As medidas dos projéteis, quando convertidos (já que se trata


de medidas de diferentes padrões) não são tão elásticas. Observem
que o calibre 9mm possui dimensões de .354/.356” polegadas e o
.40 polegadas de 10mm. Assim, já que trabalhamos praticamente
com as mesmas medidas não existe segredo, pouca diferença de
peso e tendo as mesmas características de projéteis, terá mais
rendimento a ponta que acelerar às maiores velocidades possíveis
já que para cálculo de energia a velocidade é elevada ao quadrado.

Os testes realizados em gelatina balística de 38 centímetros,


que é bem diferente de plastilina (massa balística). Permitem uma
comparação das performances apresentadas pelas munições
9x19mm GOLD +P+ e .40SW GOLD. A 9x19mm é uma munição
com comportamento mais agressivo em seu conjunto, tanto em
penetração quanto em ondas de pressão transferidas para o alvo. É
uma munição que se expande mais percentualmente em relação ao
seu tamanho original, porque tem mais velocidade. Penetra 12
polegadas na gelatina balística, assim como a .40SW, porém com
excepcional comportamento agressivo de onda de choque, maior do
que o do calibre .40SW. Esse melhor desenho de ondas de choque
nada mais é do que transferência de energia no meio. Assim
podemos concluir que a munição 9x19mm GOLD tem melhor
29
transferência de energia no corpo humano em relação à .40SW.
Quanto a disparos com roupa de algodão na frente da gelatina
balística (simulando uma roupa utilizada pelo agressor) o
comportamento ainda melhora, porque o algodão entra no Hollow
Point e protege o chumbo, e a expansão do projétil é muito mais
homogênea.
Os números não são absolutos quando analisados os fatores
que circundam o assunto em tela, como visto nos resultados
apresentados pela própria CBC, estudos realizados por meio de
uma compilação de dados frutos de diversos disparos de diversos
calibres em gelatina balística em laboratório, em diversas situações
(passando por vidro temperado, vidros blindados, chapas de aço de
diferentes espessuras, disparos diretos...) e materializado isso em
documento que futuramente desejam ter como o “GPS matemático”
das munições. São trechos deartigos publicados como informativos
da fabricante nacional.
Os testes realizados pela comissão em massa balística tipo
plastilina com densidade de 3,06 g/cm³, trouxeram dados ainda
mais certeiros quanto a igualdade de efeitos comparando os
calibres analisados nesta pesquisa. Perfuração da massa balística
dos projéteis, ambas as modelo GOLD HEX da CBC, da parede de
entrada até o núcleo duro do projétil, 9x19mm penetrou 17,5cm e a
.40SW penetrou 18cm, já o maior diâmetro na cavidade no disparo
de 9x19mm foi de oito centímetros e de .40SW foi nove
centímetros.
As diferentes combinações entre massa (peso) de projéteis e
quantidade de propelente no momento do disparo geram uma
quantidade maior ou menor de pressão na câmara da arma. Estes
valores de pressão são medidos por uma unidade internacional

30
padronizada que é a “Cooper Units of Pressure” que determina a
unidade de medida padrão para índices de pressão em cartuchos
de armas de fogo. A pressão padrão para armas e munições é
determinada pela SAAMI (Sporting Arms and Ammunition
Manufactures Industries), órgão normativo civil dos EUA que serve
de referência para fabricantes do mundo inteiro. Segundo as
normas técnicas deste órgão, as armas em geral devem ser
resistentes o suficiente para suportarem a sobrecarga de 20% na
pressão. Quando você fabrica uma arma nos EUA ela tem que ser
testada com 30 % a mais, ou seja, para 9 mm com pressões que
vão até 40 mil CUP, é exigido que a arma seja testada para
suportar disparos com 52 mil cups. Isso significa que quando se faz
um projeto de arma ela tem que operar dentro de uma norma, no
caso dos EUA é a SAAMI.
Militarmente falando o mundo inteiro usa 9x19mm. Não existe
.40SW nas Forças Armadas. Então, é por isso que também não
existe norma NATO MIL SPEC para .40SW. Só existe norma
SAAMI ou CIP que são destinadas ao mercado civil. Embora a
GOLD trabalhe dentro de normas civis e atenda as desprezíveis
normas brasileiras que regulam “padrões mínimos de qualidade”
das armas e munições, falta uma atenção especial do Ministério da
Justiça, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública
regulamentar padrões mínimos para armas, munições,
equipamentos e veículos de uso policial, motivo pelo qual esta
comissão apresenta o presente trabalho.
Um outroproblema que pesa fortemente em desfavor da
.40SW é decorrente das chamadas panes (interrupção abrupta no
funcionamento da arma). Armas de porte são mais suscetíveis de
panes, tendo em vista que à medida que as munições de maior

31
pressão são disparadas, acabam golpeando o ferrolho com mais
força a retaguarda, mesmo com sistema de recuo retardado. E isso
tem um preço. A massa de ferrolho, quando golpeia o final com
muita força, a munição no carregador é desalinhada, não se
identificando nas armas de calibre 9x19mm, já que se encontram
em uma zona de trabalho que não promovem esse desarranjo de
munição. Nos calibres .40SW e .45ACP isso se identifica. A
munição bate um pouco de lado, promovendo panes de
alimentação algumas vezes. Para minimizar o problema tendem a
minimizar a velocidade que o ferrolho vai para trás, aumentando
sua massa. Por isso, as que têm melhor qualidade e garantem
mais tempo de vida útil acabam sendo armas mais pesadas e com
menor capacidade.
A densidade seccional da .40SW é um pouco maior, o que a
torna um pouco melhor para tiros indiretos (em se tratando de
munição CBC GOLD), mas seu coeficiente balístico (capacidade de
manter energia ao longo de sua trajetória) é inferior ao do calibre
9X19mm, já o momento (instantaneidade da geração de energia) da
nove é mais rápido, e consequentemente, o momento de
transferência é mais rápido também.
Tudo isso aliado ao fato de que o calibre 9x19mm é
significativamente menor quando comparado os custos dos insumos
para recarga e as munições, tanto para treinar e como para operar,
sendo que em simulação realizada para troca de calibre da PMMT e
PJC, passando da .40SW para a 9x19mm para armas de porte e
submetralhadora, a economia sobre a necessidade de compra
ultrapassa um milhão de reais. E vale ressaltar ainda que as armas
curtas no calibre 9x19mm acabando tendo uma vida útil bem maior
que as de calibre .40SW.

32
Quanto a necessidade de se realizar o primeiro disparo o mais
rápido possível, está muito mais ligada ao sistema da arma e ao
treinamento do policial, assim como atirar sem a realização de
visada, independentemente do calibre da mesma. Já o fato de ter
de atirar com maior precisão e maior velocidade repetidamente não
há o que se discutir da superioridade do calibre 9x19mm já que a
administração do recuo neste calibre é muito mais tranqüila,
possibilitando também engajar com menor dificuldade os alvos
múltiplos, isto porque os meliantes estão quase sempre em
superioridade numérica
A vantagem tática de ter a maior capacidade de munições em
cada carregador é, talvez, a principal vantagem tática para a
atividade policial no Brasil, junto com uma característica do calibre
9x19mm que baixa quantidade de panes na arma. É esta
característica que permite isolar o policial de uma das causas de
morte que é cessar a agressão armada quando o oponente ainda
não foi incapacitado.
Por fim, jamais se deve esquecer que o preparo psicológico
está ligado ao treinamento e a capacidade técnica dos operadores,
assim sendo, lembrar que é muito mais interessante ter um projétil
não adequado no lugar certo do que ter um projétil adequado no
local errado.

8 – CONCLUSÃO E PARECER
Veja que a análise realizada foi, incontestavelmente, entre
dois respeitáveis calibres, contudo, no caminho da busca pela
perfeição e excelência, classificando-os por questão de efetividade
para uso dos agentes de segurança pública, não restam dúvidas

33
que o calibre 9x19mm é o melhor dos calibres para a missão a ser
desempenhada.
O principal motivo que fez com que o calibre 9x19mm
chegasse a este nível de aprimoramento está ligado ao fato de ser
o calibre mais usado no mundo para armas de porte, o que o fez
naturalmente ter uma progressão significativa de performance das
munições, e atualmente, continua se apresentando como o melhor
e o mais utilizado ao longo dos anos por todo o mundo na atividade
de Segurança e Defesa.

Atividade realizada para avaliação de vantagem 9x19mm .40SW

Treinar com menor custo para melhoria da qualidade x


técnica

Atirar repetidamente com maior velocidade x

Atirar com maior precisão repetidamente x

Ter a maior capacidade de munições em cada carregador x

Gerar o máximo de autoconfiança no operador x

Engajar alvos múltiplos x

Atirar movimentando-se x

Desgastar o mínimo possível a arma para treinar e operar x

Realizar disparos indiretos nos alvos. x

Menor ângulo de inclinação durante efeitos do disparo x

Menor peso para porte quando avaliada mesmo modelo x

34
Incrivelmente. Isso tudo nos leva a crer que a ciência
matemática, o desempenho, e conseqüentemente a efetividade
do calibre 9x19mm é indiscutivelmente superior ao do .40SW,
já que as munições do calibre atingiu um nível de
desenvolvimento em que faz todo o trabalho necessário melhor
que o calibre .40SW e ainda apresenta menor custo de
treinamento, maior durabilidade das armas, menor risco de
disparos com trajetos indesejados ("balas perdidas"), bem
como, as principais vantagens táticas que decidem um
confronto armado, que são elas: maior capacidade de tiro,
melhor administração do recuo, melhor controlabilidade da
arma e capacidade de tiros sequenciais sem perda da visada.
O fato é que, exceto a Polícia Federal que conseguiu se
esquivar, talvez pelos contatos e aproximações com os Órgãos
Federais dos Estados Unidos e de outros países mais
desenvolvidos ou pelos estudos realizados internamente, contudo,
as polícias estaduais, por vários fatores, entre eles, a falta de
contato com outras forças estrangeiras, ausência de centros e
institutos de pesquisa voltados para atividade policial, acabaram,
todas, embarcando no “fenômeno .40SW”, e quando eram
apresentados os dados dos calibres, comparava-se sempre a
munição .40SW Hollow Point (Ponta Oca) com a munição 9x19mm
FMJ (Ogival) que acabou conquistando os decisores para entrarem
seduzidos pela estória do calibre desenvolvido pelo FBI, “de Polícia
para Polícia”, e adotaram o calibre .40SW acreditando estarem
avançando grandemente, no entanto, ficou claro neste trabalho que
não resta dúvida alguma em afirmar que a 9x19mm é superior e o
calibre ideal para atividade de Segurança Pública.

35
Desta feita, esta Comissão é pelo parecer técnico de adoção
como calibre padrão para as armas curtas e submetralhadoras a
serem utilizadas pelas Forças de Segurança Pública do Estado de
Mato Grosso o calibre 9x19mm, sendo que o modelo de munição
para emprego operacional será sempre a munição Expansiva Ponta
Oca com energia mínima de 600 joules.

Marcos Eduardo Ticianel Paccola


Major PMMT

Fernando Raphael P. de Oliveira


Cabo PMMT

Emivan Batista de Oliveira


Perito Oficial Politec MT

Antônio Carlos de Oliveira


Perito Oficial Politec MT

Wladimir Fransosi
Delegado PJCMT

Reginaldo Zaferino da Rosa


Investigador PJCMT

Maycon Ropdrigues
Escrivão PJCMT
36
Quinta-Feira, 23 de Fevereiro de 2017 Diário Oficial Nº 26968
90 (noventa) dias, contados a partir da data de sua publicação, podendo ser
Página 21
SESP prorrogado uma única vez, mediante justificativa fundamentada, por até 30
SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA (trinta) dias.

<BEGIN:895799:21>
Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
PORTARIA CONJUNTA Nº 003/2017/SESP/PM/PJC/POLITEC
PUBLIQUE-SE. REGISTRE-SE. CUMPRA-SE.
Cria comissão interinstitucional com a finalidade de
disciplinar e uniformizar os requisitos operacionais Cuiabá/MT, 16 de fevereiro de 2017.
de material bélico para padronização de armas de
porte no Sistema de Segurança Pública de Mato (documento original assinado)
Grosso quanto ao calibre e ao modelo de armamento Rogers Elizandro Jarbas
utilizado no âmbito da Sesp/MT e respectivas Secretário de Estado de Segurança Pública
unidades desconcentradas e dá outras providências.
(documento original assinado)
O SECRETÁRIO DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA, no uso de Jorge Luiz de Magalhães - Cel PM
suas atribuições legais que lhe conferem os incisos I, II e IV do art. 71 Comandante-Geral da Polícia Militar
da Constituição Estadual, e em conjunto o COMANDANTE-GERAL DA
POLÍCIA MILITAR, o DELEGADO GERAL DA POLÍCIA JUDICIÁRIA (documento original assinado)
CIVIL e O DIRETOR GERAL DA PERÍCIA OFICIAL E IDENTIFICAÇÃO Fernando Vasco Spinelli Pigozzi
TÉCNICA: Delegado Geral da Polícia Judiciária Civil

CONSIDERANDO a necessidade de uniformizar os modelos de armamentos (documento original assinado)


e calibre das armas de porte utilizadas pelas Forças de Segurança no Reginaldo Rossi do Carmo
âmbito da SESP/MT, com fulcro no princípio da padronização previsto no Diretor Geral da Perícia Oficial e Identificação Técnica
art. 15, I da Lei Federal nº 8.666/93;
<END:895799:21>

CONSIDERANDO que tal padronização estabelecerá especificações PMMT


e requisitos mínimos a serem utilizadas como fundamento para o
planejamento das futuras aquisições de equipamentos bélicos por parte da
POLÍCIA MILITAR
SESP/MT e respectivas unidades desconcentradas; <BEGIN:895774:21>

E, por fim, CONSIDERANDO a necessidade de se instituir nas Organizações PORTARIA Nº 145/QCG/DGP, DE 08 DE FEVEREIRO 2017
de Segurança Pública (OSP) política que vise a descrever adequadamente
os requisitos específicos para armas de fogo de uso policial no tocante a Reverte militar estadual e dá outras providências.
seu pronto emprego e segurança, uma vez que a Norma NEB/T E-267,
utilizada como referência para inspeção de armas pelo Exército Brasileiro O COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MATO
possui finalidade exclusivamente comercial, nos termos do Ofício nº 4029/ GROSSO, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 6º, incisos XII e
GabDir/DFPC, de 13 de setembro de 2016; XIII, da Lei Complementar nº 386 de 05 de março de 2010, bem como o
artigo 172, parágrafo único, da Lei Complementar 555/14, resolve:
RESOLVEM:
Art. 1.º Reverter à atividade fim da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso,
Art. 1º Criar comissão interinstitucional composta por representantes da a policial militar: o TEN CEL PM VICTOR PAULO FORTES PEREIRA-
Polícia Militar (PM), da Polícia Judiciária Civil (PJC) e da Perícia Oficial e RGPMMT 879.370 por ter cessado o motivo de sua permanência junto ao
Identificação Técnica do Estado de Mato Grosso (Politec), sendo: GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL CONTRA O CRIME ORGANIZADO/
GAECO, a contar de 01/02/2017, razão pela qual transfiro o policial militar
do Efetivo do GAECO para o efetivo do QCG/DACI.
I - Polícia Militar: Art. 2º Registre-se, publique-se e cumpra-se.
Marcos Eduardo Ticianel Paccola - Major PM
Fernando Raphael Pereira De Oliveira - Cabo PM (Solução conforme Mem.228/GCGA/PMMT e protocolo n° 50280/2017)

(Original Assinado)
II - Polícia Judiciária Civil: Jorge Luiz de Magalhães - CEL PM
Wladimir Fransosi - Delegado de Polícia <END:895774:21>
Comandante-Geral da PMMT
Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz - Delegado de Polícia
SEDUC
III - Perícia Oficial e Identificação Técnica SECRETARIA DE ESTADO DE EDUCAÇÃO, ESPORTE E LAZER
Antônio Carlos de Oliveira - Perito Oficial Criminal
Emivan Batista de Oliveira - Perito Oficial Criminal
<BEGIN:895803:21>

EXTRATO DO 5º TERMO ADITIVO AO CONTRATO Nº 142/2014 - DE


PRAZO DE EXECUÇÃO E VIGÊNCIA
Art. 2º A referida comissão deverá realizar estudos e elaborar trabalho
conclusivo definindo o calibre padrão para uso das Instituições que compõe Origem: Tomada de Preço nº 016/2014.
a SESP/MT, bem como estabelecer os requisitos mínimos de qualidade Contratante: Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer/Seduc.
dos armamentos de porte utilizados pelos integrantes desta Secretaria e Contratada: Construtora e Locadora Duarte Eirelli - EPP.
respectivas unidades desconcentradas. Objeto: Aditar as Cláusulas OITAVA - Da Execução e NONA - Da Vigência.
Prazo de Execução: O prazo para execução dos serviços terá o acréscimo
Parágrafo único - Toda aquisição e recebimento de armas de porte de 150 (cento e cinquenta) dias com início em 18/02/2017 e término em
adquiridas afim de serem utilizadas pelas Forças de Segurança vinculadas 17/07/2017.
à SESP/MT deverão atender às exigências estabelecidas no Requisito Prazo de Vigência: O prazo de vigência dos serviços terá o acréscimo
Operacional, após submetido à análise e homologação do Secretário de de 150 (cento e cinquenta) dias com início em 01/05/2017 e término em
Estado de Segurança Pública, em conjunto com o Comandante Geral da 27/09/2017.
Polícia Militar, Delegado Geral da Polícia Judiciária Civil e Diretor Geral da
Perícia Oficial e Identificação Técnica. Fundamento Legal: Art. 57 §1º da Lei nº 8.666/93 e suas alterações e
Parecer Jurídico n°.163/2017/UNIJ/SEDUC/MT/AD117.
Art. 3º As especificações mínimas que serão definidas por esta comissão
após a conclusão dos trabalhos deverão ser utilizadas no estabelecimento Cuiabá/MT, 13 de fevereiro de 2017.
de plano de aquisições a ser seguido pela SESP/MT e unidades
desconcentradas, sendo objeto desta Portaria as armas de porte.

Art. 4º O prazo para conclusão dos trabalhos definidos nesta Portaria é de <END:895803:21>

GOVERNO DO ESTADO DE MATO GROSSO Secretaria de Estado de Gestão - Imprensa Oficial


27/06/2019 Print canvas

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ESTADO DE MATO GROSSO
SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA

PARECER TÉCNICO N.002​/​CIAPMB​/​SESP​/​2017 DA


COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT

1. REFERÊNCIA
PORTARIA CONJUNTA N.003/2017/SESP/PM/PJC/POLITEC

DATA DA PUBLICAÇÃO: DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO EM


23/02/2017

DATA DO PARECER:​ 30/05/2017

RESPONSÁVEIS TÉCNICOS PELO PARECER:


● MARCOS EDUARDO TICIANEL PACCOLA – MAJOR PM-MT
● FERNANDO RAPHAEL PEREIRA DE OLIVEIRA – CABO PM-MT
● EMIVAN BATISTA DE OLIVEIRA – PERITO OFICIAL POLITEC-MT
● ANTONIO CARLOS DE OLIVEIRA – PERITO OFICIAL POLITEC-MT
● WLADIMIR FRANSOSI – DELEGADO PJC-MT
● RAMIRO MATHIAS RIBEIRO​ ​QUEIROZ– DELEGADO PJC-MT
● REGINALDO ZEFERINO DA ROSA – INVESTIGADOR PJC-MT
● MARIVALDO FRANCE DE LARA - INVESTIGADOR PJC-MT
● MAYCON RODRIGUES - ESCRIVÃO PJC-MT

1
2. DOS FATOS APRESENTADOS
CONSIDERANDO a necessidade de uniformizar os modelos
de armamentos e calibre das armas de porte utilizadas pelas Forças
de Segurança no âmbito da SESP/MT, com fulcro no princípio da
padronização previsto no art. 15, I da Lei Federal nº 8.666/93 que
tem por objetivo geral garantir o respeito ao princípios da
administração pública e a disponibilização de materiais bélicos de
excelência com o menor custo;
CONSIDERANDO que tal padronização estabelecerá
especificações e requisitos mínimos a serem utilizadas como
fundamento para o planejamento das futuras aquisições de
equipamentos bélicos por parte da SESP/MT e respectivas unidades
desconcentradas;
CONSIDERANDO a necessidade de se instituir nas
Organizações de Segurança Pública (OSP) política que vise a
descrever adequadamente os requisitos específicos para armas de
fogo de uso policial no tocante a seu pronto emprego e segurança,
uma vez que a Norma NEB/T E-267, utilizada como referência para
inspeção de armas pelo Exército Brasileiro possui finalidade
exclusivamente comercial, nos termos dos Ofícios expedido pelo
General Comandante do Comando Logístico do Exército Brasileiro,
encaminhados para todas as Secretarias de Segurança Pública dos
Estados da Federação, datado em 13 de setembro de 2016;
CONSIDERANDO os apontamentos realizados pelo Tribunal
de Contas do Estado de Mato Grosso por meio do RELATÓRIO
PRELIMINAR SOBRE AS CONTAS ANUAIS DE GESTÃO SECRETARIA
DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA ATOS DE GESTÃO

2
PRATICADOS PELOS ADMINISTRADORES E DEMAIS RESPONSÁVEIS
POR BENS, DINHEIROS E VALORES PÚBLICOS, ano 2015, que
ressaltou todos os procedimentos de aquisição de armas a ausência
de competitividade e de cumprimento de rito formal para
padronização, como se vê em transcrição de parte do relatório.
(...) alegando que sobre o pretexto de pretensão de padronização
das armas utilizadas pelo policiamento do estado, a empresa
Taurus está sendo indicada como a única fabricante nacional que
atende a essas exigências. Ocorre que essa informação não é uma
verdade pacificamente aceita, já tem um bom tempo em que se
discute sobre o monopólio da empresa Taurus no Brasil, os Estados
estão adquirindo armas desta empresa, apresentando-a como
sendo fabricante exclusiva, o que não é verdade, existem duas
empresas nacionais e outras internacionais atuando no mercado.
Foi observado que na descrição dos armamentos a se adquirir e
nos termos de referência, consta na descrição o calibre das armas
e especificações extremamente detalhadas, inclusive com indicação
dos modelos comercializados pela empresa Taurus. Ou seja, os
termos de referência não se limitam ao calibre e descrições
técnicas, o excesso de especificações restringe o caráter
competitivo da licitação. Quanto à alegação do princípio da
padronização, o art. 15 da Lei nº 8666/93, diz que as compras,
sempre que possível deverão atender ao princípio da padronização,
que imponha compatibilidade de especificações técnicas e de
desempenho. Destaca-se que a padronização citada no artigo é
quanto às especificações técnicas e de desempenho e não a
modelos fabricados por uma determinada empresa.
Responsabilização: 1. Secretário de Estado de Segurança Pública:
Senhor Mauro Zaque de Jesus (período de 01/01/2015 a
22/12/2015) Conduta: Autorizar a realização de procedimento de
inexigibilidade de licitação sem amparo legal. Nexo de Causalidade:
A autorização da realização de procedimento de inexigibilidade de
licitação sem amparo legal, resultou na ausência de
competitividade, impossibilitando a escolha de melhores propostas
para o fornecimento dos bens contratados pela Secretaria,
mediante competição entre os interessados do mesmo ramo de
negócio. Culpabilidade: A infringência à Lei de Licitações e
Contratos
Com base no acima exposto, dia 23 de Fevereiro de 2017, O
SECRETÁRIO DE ESTADO DE SEGURANÇA PÚBLICA, no uso de suas
atribuições legais que lhe conferem os incisos I, II e IV do art. 71 da
Constituição Estadual, e em conjunto o COMANDANTE-GERAL DA

3
POLÍCIA MILITAR, o DELEGADO GERAL DA POLÍCIA JUDICIÁRIA
CIVIL e o DIRETOR GERAL DA PERÍCIA OFICIAL E IDENTIFICAÇÃO
TÉCNICA instituíram a criação por meio da Portaria acima citada a
comissão interinstitucional com a finalidade de disciplinar e
uniformizar os requisitos operacionais de material bélico para
padronização de armas de porte no Sistema de Segurança Pública
de Mato Grosso quanto ao calibre e ao modelo de armamento
utilizado no âmbito da SESP/MT e respectivas unidades
desconcentradas
Desta feita, coube a comissão reunir e iniciar os trabalhos
para cumprimento da missão designada pelos respectivos gestores,
e assim sendo de imediato formou-se uma equipe técnica para
trabalho com membros nomeados e por técnicos convidados pelos
integrantes designados pela portaria.
Inicialmente, dois pontos foram convergentes e de unânime
decisão dos técnicos, sendo o primeiro a realização de um estudo
mais aprofundado sobre o calibre mais adequado para ser utilizado
pelas Forças de Segurança Pública diante do cenário atual de
crescente confrontos armados, e o segundo ponto trata-se da
transparente necessidade de padronização quanto ao modelo e
sistema de funcionamento das armas, já que a diversidade de
modelos existentes hoje gera aumento de riscos, aumento de custos
e caminha na contramão dos bons preceitos da administração
pública.
Após findado o trabalho de estudo para avaliação de
desempenho dos calibres .40 S&W e 9x19mm no emprego
operacional dos agentes de segurança pública, iniciou-se o segundo

4
trabalho para definição de requisitos mínimos operacionais para
arma de porte dos integrantes das Instituições que atuam na
atividade de Segurança Pública.

3. DA ANÁLISE E SUGESTÃO
As Informações a seguir foram preparadas pela COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT, de modo que sirvam de referência
não somente para as Instituições de Segurança Pública do Estado
de Mato Grosso, como também, para as demais Instituições que
entendam viável a aceitação reconhecendo os requisitos como
mínimos para armas de porte destinada ao emprego operacional dos
agentes que atuam na segurança pública.
O objetivo principal do presente trabalho é elencar todas as
qualidades desejáveis e as mínimas exigíveis para as armas de porte
utilizadas pelos agentes da lei, portanto, o resultado final esperado
do processo que utilizará as especificações que abaixo seguem é
que um modelo de arma de porte seja padrão, assim sendo, será
possível não só gerar economia, como também melhor a eficiência,
facilitar treinamento, e principalmente, reduzir o índice de falhas e
resultados indesejados quando necessário uso do armamento.
O trabalho não visa realizar a escolha final de marca,
modelo e fabricante, mas tem por finalidade definir estratégias de
compra, especificações e avaliações das pistolas com a finalidade de
realizar a padronização.

5
3.1 - DA PADRONIZAÇÃO
Ao estabelecer os requisitos mínimos para as armas de
porte a serem utilizadas pelo integrantes da Instituições de
Segurança Pública do Estado de Mato Grosso, o alvo desejado não é
tão somente adquirir armas com qualidade, mas garantir também a
livre concorrência para que as fabricantes de armas que atendam os
requisitos possam competir de forma isonômica e, assim sendo,
garantir o melhor custo-benefício para que possa ser realizada a tal
almejada padronização.
Durante as buscas para agregar o conhecimento da
viabilidade, necessidade e legalidade da realizar a PADRONIZAÇÃO
das armas de porte para emprego na atividade de Segurança
Pública, fora encontrado um artigo do Exmo Procurador do Tribunal
de Contas do RJ, Professor da EMERJ e da UFRJ, Eduardo Azeredo
Rodrigues, com o título: O Princípio da Padronização. Segue abaixo
a transcrição de alguns trechos do artigo citado que encaixa
perfeitamente com os anseios que deram origem a nomeação da
comissão, bem como, de todo trabalho realizado.
"O princípio da padronização, insculpido no inciso I do art. 15 da Lei
nº 8.666/93, que deverá ser observado pela Administração sempre
que possível, tem o fito de compatibilizar especificações técnicas e de
desempenho...
Tal princípio visa a propiciar à Administração uma consecução mais
econômica e vantajosa de seus fins, servindo como “instrumento de
racionalização da atividade administrativa, com redução de custos e
otimização da aplicação de recursos. Significa que a padronização
elimina variações tanto no tocante à seleção de produtos no momento
da contratação como também na sua utilização, conservação, etc”.
Não se pode olvidar que, a despeito de inúmeras vantagens
propiciadas pela padronização, que deve ser alvo permanente da
intenção da Administração, não poderá haver
direcionamento que contorne os princípios da igualdade e da
competitividade , em afronta ao dever de licitar. A padronização deve
ser resultado da experiência da Administração nas aquisições de
produtos e utilização de serviços, com vistas a repercutir nas futuras

6
contratações, que deverão ser pautadas pelas constatações
predeterminadas.
Deve-se destacar, entretanto, que padronização não se confunde com
escolha de marca demais de que se admite apenas excepcionalmente
a exclusividade de marca, quando for tecnicamente justificável. A
padronização tem o objetivo de definir características referentes às
especificações técnicas e de desempenho de determinado gênero de
produtos que são almejadas pela Administração Pública, o que pode
resultar na conclusão de que determinadas marcas atendem ao tipo
de padronização adotado ou, até mesmo, apenas determinado
fabricante oferece o produto que se coaduna com os padrões
pretendidos (grifo nosso).
Todavia, não se pode perder de vista que o princípio da padronização
deve ser compatibilizado com os demais que norteiam a matéria,
especialmente os da competitividade e da isonomia (grifo nosso). Por
essa razão, só em circunstâncias especiais, precedida de estudo
técnico em que se afira que apenas determinada marca ou grupo de
produtos se amoldam às características necessárias, e que os demais
(ou a coexistência de uma heterogeneidade de fabricantes) não
atenderão, a Administração Pública poderá, em nome da padronização
adotada, prescindir da realização do certame, por se tratar de
hipótese de inexigibilidade de licitação.
[...]Deve-se ressalvar que à decisão administrativa no sentido da
padronização de determinado produto ou serviço impõe-se
procedimento especial , mesmo porque estão potencialmente
envolvidos outros princípios que regem a matéria e podem, em tese,
atritar com tal providência, na medida em que, em decorrência da
padronização, poderá haver casos nos quais as futuras compras ou
serviços serão contratados diretamente, sem a realização do certame
(grifo nosso). Nesse sentido, há que serem detectadas quais as
características técnicas e operacionais que atendem satisfatoriamente
aos interesses da Administração Pública, por meio de pareceres,
estudos e justificativas técnicas, nos quais sejam identificadas as
vantagens da medida, bem como os produtos que ostentam tais
qualidades.
Apenas eventualmente poderá se chegar à conclusão de que a
padronização aponta para determinada marca. Preceitua a melhor
doutrina que a competência para decretar a padronização é da
autoridade de mais elevada hierarquia, ultimada por procedimento
administrativo complexo através do qual fique constatada a utilidade e
o cabimento da padronização, e que possibilite o acesso a eventuais
interessados, já que futuramente poderão ocorrer, em decorrência da
mesma, contratações diretas.
MARÇAL JUSTEN FILHO preleciona que, para a concretização da
padronização, será adequado constituir uma comissão especial que
deverá “apurar as necessidades administrativas, formular previsão
acerca do montante econômico dos contratos futuros e examinar as
alternativas disponíveis para a padronização. Se for o caso, deverão
ser ouvidas autoridades acerca do assunto.(...) Poderão ser realizados
testes das mais diversas naturezas... É indispensável dar ao
conhecimento público a existência de um procedimento destinado a

7
promover a padronização”.
O referido procedimento, entretanto, não necessita ser revestido do
mesmo formalismo do certame licitatório. Os particulares interessados
não apresentam proposta, mas devem ter a oportunidade de
demonstrar à Administração Pública as vantagens de seus produtos.
Deverá, ainda, ser fixado um prazo dentro do qual se imporá a
padronização (grifo nosso).
Nesse sentido, indagada a Procuradoria-Geral do Tribunal de Contas
do Estado do Rio de Janeiro acerca da possibilidade de
padronização[...] recomendou aquele órgão consultivo o seguinte
procedimento:
“[...] 1.1. constituição de uma comissão especial para realizar estudo
técnico no qual sejam aferidos:
1.1.1. os requisitos técnicos e as características que atendem
satisfatoriamente aos interesses da Administração;
1.1.2. quais os fabricantes que disponibilizam no mercado
equipamentos com tais características;
[...] 1.1.4. estipular o prazo dentro do qual será conveniente a
padronização, bem como formular a previsão do quantitativo de
equipamentos que serão adquiridos por esta Corte no
futuro, especialmente dentro do prazo fixado.
1.2. seja dada publicidade ao referido procedimento, para
manifestação de eventuais interessados, bem como para que possam
apresentar, caso queiram, as vantagens de seus produtos;
1.3. seja, ao fim do estudo realizado, submetido o processo em
epígrafe à autoridade competente para autorizar a adoção da
padronização ora requerida.”
[...] As conclusões a que se chegou por meio do presente estudo
podem ser sintetizadas nas seguintes proposições:
1) a padronização, que é um princípio a ser observado, sempre que
possível, nas compras feitas pela Administração Pública, visa a
assegurar a compatibilidade de especificações técnicas e de
desempenho, proporcionando maior economia e uma consecução
mais vantajosa dos fins colimados pela mesma;
2) o princípio da padronização deve se compatibilizar com os demais
que presidem o instituto das licitações, especialmente os da
competitividade e da isonomia;
3) a padronização não implica necessariamente na escolha de marca,
mas na definição de características e especificações técnicas
pertencentes a um gênero de produtos que atendem às necessidades
da Administração Pública;
4) a padronização deve ser precedida de procedimento especial, com
a devida publicidade, no qual reste demonstrada a vantagem da
providência, bem como as características e padrões que atendem
satisfatoriamente às expectativas e os produtos que se inserem nesse
contexto;
5) a padronização, por si só, não importa na contratação direta, ainda
que implique na escolha de marca, muito embora possa ser
constatada excepcionalmente a inviabilidade de competição, a ensejar
a inexigibilidade de licitação, em razão da mesma.

8
Não restam dúvidas que o procedimento adotado pelo
Secretário de Segurança Pública, juntamente com os Comandantes
das Instituições que compõem o Sistema de Segurança Pública, por
meio da nomeação de COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT,
iniciando pelas armas de porte não só atendem plenamente as
legislações vigentes e orientações dos órgãos de controle, como
também demonstra ser o melhor caminho para gestão racional dos
recursos públicos ofertando melhores condições estruturais para os
agentes da lei que dependem destes equipamentos para se
proteger, salvar vidas e aplicar a lei.

4 - O CONFRONTO ARMADO
O confronto armado é uma questão sempre muito complexa
e difícil de se analisar, especialmente diante da letalidade das armas
modernas e da imprevisibilidade da reação do agressor. Todavia,
inúmeros estudos vêm sendo apresentados em todo o mundo, em
regra, nos países mais desenvolvidos, o que é algo ainda mais
preocupante, pois os dados já não são favoráveis fora do Brasil,
logo, realizando uma comparação associativa utilizando como
referência a realidade e padrões do Brasil, sem sombra alguma de
dúvidas, os resultados são assustadores, uma vez que o padrão
técnico é resultante das horas de treinamento e reciclagem
periódico, quantidade de disparos realizados em formação e
treinamentos, estrutura de apoio para treinamentos e capacitações,
bem como, qualidade e quantidade dos equipamentos e insumos
disponibilizados.

9
Em todos os estudos encontrados pode ser notado que o
principal ponto abordado não é o calibre ou tipo de arma, mas
sim, os aspectos psicotécnicos, uma equação entre a qualidade
do preparo psicológico e o nível técnico dos agentes que
vivenciaram o confronto. Vontade de vencer e vantagens técnicas
para superar a injusta agressão, como se vê no estudo recente
do próprio FBI, publicado em 180 páginas (​"Violent Encounters: A
Study of Felonious Assaults on Our Nation's Law Enforcement
Officers."​) que é o terceiro de uma série de longas investigações
sobre ataques fatais e não fatais analisadas a partir de um
conjunto de mais de 800 incidentes, onde os pesquisadores
selecionaram 40 (quarenta), envolvendo 43 (quarenta) infratores,
sendo 13 (treze) deles integrantes de gangues ligadas ao tráfico
de drogas e 50 (cinquenta) agentes de segurança.
Para exploração em profundidade, os pesquisadores
visitaram cenas de crime e entrevistaram extensivamente
sobreviventes oficiais e agressores da mesma forma, a maior
parte dos últimos, ainda na prisão, e dentre várias constatações,
consolidaram cientificamente o seguinte:
● 40% dos policiais mortos em serviço não tiveram reciclagem ou prática de tiro durante

três anos após terem efetuado o último disparo em treinamento. Muitos dos que
tombaram em serviço eram atiradores precisos em alvos de papel no estande, mas
praticavam treinamentos inadequados.

● 60% dos casos de morte de policiais, estes se encontravam tão despreparados para a

situação que morreram sem sequer retirar suas armas dos coldres e 40% morreram
mesmo sacando suas armas. Dos policiais mortos, somente 27% conseguiram reagir
atirando de volta e destes últimos, menos de 50% conseguiram atingir seus agressores
e apenas 30% dos agressores atingidos foram neutralizados. Ou seja, do universo de
policiais mortos, menos de 30% chegaram a disparar e apenas cerca de 10%
conseguiram acertar seus agressores, sendo que no máximo 3% dos casos, os

10
agressores foram neutralizados.

● 20% dos policiais mortos casos acabaram sendo executados mortos com suas próprias

armas, tomadas de suas mãos ou de seus coldres.

● 85% dos confrontos armados acontecem em distâncias de no máximo seis metros e o

tempo médio dos confrontos armados não ultrapassam três segundos e são disparados
mais de dez tiros até que o confronto acabasse.

● Mais de 60% dos agressores neutralizados conseguem descarregar totalmente suas

armas até que sejam neutralizados, e dos disparos realizados por ambos os lados, a
cada seis tiros que são efetuados durante o confronto, somente um projétil acerta o
corpo do oponente, mas na maioria dos casos não neutralizam o agressor.

● Aproximadamente 80% dos casos de confrontos armados foram vencidos por quem

atirou primeiro, e destes, quase a totalidade foi consequência de já estar com arma na
empunhada antes mesmo de visualizar o agressor.

● 98% dos policiais que sobreviveram disseram não ter utilizado o aparelho de pontaria

da arma durante o confronto.

● 84% dos tiros disparados no confronto armado, independente de calibre, não atingem

nem de raspão os alvos desejados. Destes, apenas 8% causam ferimentos ou morte


(disparos acertados em regiões que causam destruição de órgãos ou tecidos vitais), os
outros 8% restantes são aqueles que mesmo atingindo o alvo não causam danos de
acordo com a realidade do fato.

● Pesquisas médicas comprovam que cerca de 20% dos indivíduos atingidos por um

único disparo em áreas vitais não causam incapacitação instantaneamente do agressor,


mesmo que na prática, seja uma questão de pouco tempo para que estejam mortos.
Cerca de 13% deles resistem conscientemente por até 3 minutos, e 7% resistem por
mais tempo, isso se deve às condições psicofísicas do agressor.

● Dos casos de confrontos analisados em que houve a incapacitação imediata, ou seja, o

agressor para de atirar e foi rendido pela polícia, ultrapassou o índice de 80%, e destes
menos de 5% o agressor foi a óbito.

Dos dados obtidos, percebe-se nitidamente, que não se faz


menções ao calibre ou modelo de arma, e que a segurança relativa
dos operadores está diretamente ligada a qualidade técnica e
preparação psicológica dos mesmos, condições de treinamento e
reciclagem, disponibilidade de equipamentos e insumos adequados.

11
Como o objeto do presente artigo é analisar os requisitos
mínimos desejáveis e aceitáveis para as armas de porte a serem
utilizadas pelos integrantes das Instituições de Segurança Pública,
os analisados mais à frente apenas as informações que podem ter
ligação com o calibre das armas utilizadas para segurança e defesa,
ou seja, as que permitam:
a. Treinar com menor custo para melhoria da qualidade técnica;
b. Atirar o mais rápido possível o primeiro disparo;
c. Atirar repetidamente com maior velocidade;
d. Atirar com maior precisão repetidamente;
e. Atirar sem realização de visada;
f. Ter a maior capacidade de munições em cada carregador;
g. Gerar o máximo de autoconfiança no operador;
h. Engajar alvos múltiplos;
i. Atirar movimentando-se;
j. Resistir ao máximo possível a arma para treinar e operar;
k. Possibilitar emprego e atuação entre diferentes operadores.
A conclusão que se tira é que um confronto armado não é
determinado pelo tipo de arma utilizada ou tão somente por quem
atirou com calibre maior, ou ainda mais potente, mas sim quem
acertou primeiro com melhor qualidade, e certamente, o mais
importante é a qualidade e preparo do operador.

5 – ANÁLISE TÉCNICA
Partindo das observações já realizadas, o modelo de arma
de porte para atividade de segurança pública deverá atender aos
princípios da ​S​implicidade, ​A​plicabilidade, ​P​raticidade, ​O​bjetividade

12
e ​S​egurança, ou seja, independentemente da fabricante e modelos,
o primeiro critério é de que a arma deve ficar em pronto emprego
após o carregamento, não sendo necessário qualquer outra ação
para que arma seja colocada no coldre em total segurança, e da
mesma forma não exigir nenhuma outra ação para atirar, senão tão
somente o acionamento do gatilho para execução do disparo, isto
porque, comprovadamente quanto menor o número de ações para
colocar a arma no coldre ou deixá-la em pronto emprego, reduz-se
sobremaneira o risco da ocorrência de disparos acidentais, e
principalmente, porque no confronto armado cada milésimo de
segundo no momento da reação pode ser o diferencial entre
permanecer vivo ou morrer, já que mais de 60% dos confrontos
vence quem consegue atirar primeiro com acerto.

Este fato da necessidade de acertar com capacidade de


neutralizar também está diretamente ligado com peso e arrasto
único de gatilho do primeiro ao último disparo, fundamental para
acerto de qualidade logo nos primeiros disparos. A simplicidade e
praticidade deverá ser característico dos projetos das fabricantes, a
fim de que as armas possam ser desmontadas e montadas, inclusive
mecanismo de disparo com uso apenas de ferramenta enviada junto
com cada arma pela fabricante, sendo desnecessário uso de chaves
tipo fenda ou Philips para tal.

Visando garantir a qualidade, confiabilidade e segurança do


armamento a ser empregado pelos integrantes das Instituições de
Segurança Pública, será aceitável que os modelos de armas
apresentados pelos fabricantes tenham no mínimo três anos de

13
comercialização no mercado internacional, sendo desejável que os
modelos estejam sendo comercializados por mais de cinco anos,
evitando assim que projetos recém-criados, porém ainda não
consolidados no mercado, possam ganhar a concorrência e
apresentar problemas futuros durante o emprego operacional
causando assim transtornos para a Instituição com realização de
Recall, e ainda danos irreparáveis como lesão à integridade física ou
à vida de operadores ou terceiros. Assim sendo, o objetivo desta
exigência é garantir que os agentes da lei não sejam utilizados como
laboratório pelas fabricantes como já ocorrera no Brasil.

Os modelos apresentados pelas fabricantes deverão estar


acompanhados de certificação de que a arma já esteja sendo
utilizada por alguma força de defesa ou segurança pública mundial
de fora do Brasil. A plataforma das armas deverão ser a mesma
para todos os tipos de emprego, portanto, o modelo de pistola
deverá ter no mínimo dois padrões de tamanho, uma para uso da
Atividade de Policiamento Ostensivo (full size) e outra para
Atividades Investigativas (compact) que permita o porte
dissimulado. Assim sendo, para atender o acima especificado, faz-se
necessário observar o seguinte:

A. CARACTERÍSTICAS GERAIS
A.1. CALIBRE: CARTUCHO 9x19mm
A.1.1. A câmara da pistola deve suportar o cartucho de
calibre 9mm LUGER1. Todas as especificações de tamanho e

1
​Nota​: A terminología cartucho de calibre 9mm LUGER ou 9x19mm é simplesmente uma descrição
padrão da indústria e não significa restrição comercial. Vide anexo 1 para os padrões recomendados do
SAAMI.

14
limitações de pressão da câmara e cano devem estar de acordo com
os padrões recomendados por Institutos internacionais SAAMI ou
CIP, exceto o passo de raiamento à esquerda de 1:16 polegadas
recomendada pela SAAMI que não será obrigatória.
A.1.2 As munições a serem utilizada para a bateria de
testes, inclusive provas de precisão e resistência, serão as munições
de serviço utilizadas pelo Órgãos da SESP-MT (CBC Expansiva Ponta
GOLD HEX +P+ 115grains) e munição para treinamento (CBC FMJ
TREINA 124grains).
A.1.3 As munições descritas no item 1.2 serão fornecidas
pela SESP-MT, ficando autorizado que as fabricantes por opção
tragam munições de outras fabricantes para realização dos testes,
desde que tenham as mesmas configurações de peso e formato,
bem como apresente fator igual o maior das munições de fabricação
nacional. Na opção de fazer utilização das munições CBC de
fabricação nacional a fabricante não poderá alegar que possíveis
problemas ocorridos na execução dos testes foram provenientes de
causa relacionadas com a qualidade das munições.
A.1.4 Cada fabricante de armas deverá encaminhar,
juntamente com as armas um kit de peças para certificação de
medidas do headspace, conhecido comercialmente como GO-NOGO
que ficarão com a SESP-MT, fins de verificação das armas entregues
pelo ganhador do certame.

A.2 DIMENSÕES FÍSICAS DA PISTOLA:

A.2.1 Para o Policiamento Ostensivo Geral – arma deve


possuir cano acima de 4”/100mm e no máximo 6”/150mm; trilho

15
para acoplagem de acessórios como lanterna/laser; tamanho total
máximo de comprimento da arma de 210mm e altura máxima de
150mm, peso máximo de 1kg com carregador vazio inserido,
capacidade mínima do carregador de 17+1(sem uso de
prolongador), com quatro carregadores.
A.2.2 ​Para o Policiamento Velado/Investigativo –
arma de conter cano de no mínimo 3,5”/89 mm e no máximo
4,5”/114mm, tamanho total máximo de comprimento da arma de
190mm e altura máxima de 140mm, peso máximo de 800g com
carregador vazio inserido, capacidade mínima do carregador de
14+1 (sem prolongador) com quatro carregadores, sendo
obrigatório que a arma de uso velado tenha condições de aceitar os
carregadores com capacidade maior.

B. CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DA PISTOLA


B.1 CONCEITUAÇÃO
B.1.1 As armas deverão passar também pelo teste ou prova
de assimilação de munição com munição comercialmente disponível
cartucho 9mm LUGER, nos padrões recomendados da SAAMI ou CIP
ter projéteis de configurações e pesos variados.
B.1.2 As pistolas devem ser entregues com no mínimo
quatro carregadores cada, sendo três com a arma e um
sobressalente para ficar armazenado junto ao Departamento de
Logística. As especificações dos carregadores estará descrita mais à
frente.
B.1.3 Todas as armas deverão estar acondicionadas em
case rígido plástico resistente com travas pressão e dispositivo que

16
possibilite trancamento com cadeado pequeno, além de
acompanhadas de manual de uso em idioma Português (Gramática
Brasileira), ferramenta para desmontagem e kit de limpeza básica.
B.1.4 Todos os modelos de armas deverão permitir a
intercambialidade de 100% das peças entre armas do mesmo
modelo e no mínimo 70% dentre os modelos de uso ostensivo ou
dissimulado, além da possibilidade de utilização de carregadores de
maior capacidade, em todas as armas de menor tamanho.
B.1.5 Os carregadores, independentemente do modelo,
deverão apresentar marcação visual pela soltura parcial com a arma
empunhada que permitirá a verificação da quantidade de munição
armazenada, desejável que seja unitária e aceitável que seja de no
mínimo a cada cinco unidades.
B.1.6 Os modelos de pistolas para atividade de segurança
pública deverão ter único ângulo de empunhadura,
independentemente do modelo e atividade a ser empregada, desta
forma facilitando treinamento e adaptação do policial fim de gerar
economia de tempo e redução de custo. Obrigatório a
disponibilidade de adequação por backstrap para empunhaduras de
tamanho pequeno, médio e grande, sendo desejável que se possa
trocar o grip, alterando tanto a circunferência da empunhadura
quanto a distância entre da parte final da empunhadura e o gatilho.
A empunhadura da arma deverá ter ressalto lateral ou longitudinal
que permita contato dos dedos com o carregador que propicie
empunhadura positiva da base, mesmo com uso de luvas táticas.

17
B.1.7 Ambos os modelos , de uso ostensivo e dissimulado,
deverão possuir o mesmo peso de gatilho do primeiro ao último
disparo sem a necessidade de acionamento de trava alguma, sendo
permitido no máximo uma trava que esteja na tecla do gatilho,
podendo ter arrasto com peso máximo 3,5kg e mínimo de 2,5kg.
B.1.8 O sistema de segurança contra disparos acidentais
deverá garantir que não haja liberação do percussor, evitando assim
disparos que não sejam exclusivamente provocados pelo
acionamento da tecla do gatilho, como por exemplo, queda ou
choque da arma.
B.1.9 É desejável que a arma tenha resistência à execução
de no mínimo 60.000 (sessenta mil) disparos a seco e 20.000 (vinte
mil) disparos com munição real no padrão da utilizada na atividade
operacional sem que haja necessidades de trocas temporárias de
peças ou que haja quebra nem comprometimento de funcionamento

18
da arma, sendo esse quantitativo o total indicado a ser realizado por
policial anualmente durante seu tempo de serviço na Instituição e
tempo formação e treinamento.
B.1.10 As armas de precursor lançado que não permitem o
treinamento a seco (reset de gatilho) para condicionamento neuro
positivo, deverão fornecer armas de treinamento no quantitativo de
10% do total de armas adquiridas sem custo adicional.
B.1.11 É desejável que a fabricante tenha disponibilidade de
coldres para uso ostensivo, pélvico e tático (de perna) com retenção
automática com inserção da arma e liberação mediante pressão de
botão lateral pressionando com o dedo polegar já com arma
empunhada para ser fornecido com a arma.
B.2 MARCAÇÃO SERIAL
B.2.1 As numerações das armas deverão obedecer ao
descrito na legislação brasileira em vigor de marcação no cano,
ferrolho e armação, e deverão conter, obrigatoriamente, no mínimo
uma gravação "segredo" interna em local não visível ou RFID
injetado no chassi da arma. Toda marcação deverá ser realizada por
micro-punção ou outro sistema permanente (indelével), não será
aceito gravação de numeração a laser.
B.3 MECANISMO
B.3.1 Gatilho
B.3.1.1 O peso de puxar o gatilho não deve ser menor que
2,5kg nem maior que 3,5Kg.
B.3.1.2 Tipo do Mecanismo do Gatilho - O mecanismo do
gatilho deve ter características de operação que mantenha mesmo
peso de tração de gatilho do primeiro ao último disparo, podendo

19
ser de percussor lançado ou DAO (Double Action Only). O
mecanismo do gatilho deve movimentar o sistema até uma posição
completamente armada e ser liberado ao final do curso para que
ocorra o disparo, mesmo sem carregador inserido na alojamento da
arma, sendo permitido que as armas de percussor lançado, este
fique semi tensionado após a liberação do percussor. Não deve
haver nenhum método ou possibilidade de realizar o disparo além
do que com o próprio gatilho. O gatilho deverá manter-se calibrado
tanto no comprimento quanto na peso no momento da execução do
primeiro e de todos os outros disparos, inclusive ao final dos testes.
B.3.1.3 Deslocamento do Gatilho - o deslocamento do
gatilho é livre, desde que seja o mesmo do primeiro ao último
disparo.
B.3.2 Força de Resistência do Ferrolho - uma força máxima
de 10kg deve ser necessária para mover o ferrolho (slide) da
posição inicial até o limite máximo de movimento para o conjunto
do ferrolho.
B.3.3 Percussor - o percussor deverá ser de material
resistente e fabricado em peça integra, preferencialmente cônico,
sem reduções bruscas de dimensão no corpo, especialmente na
parte final que entra em contato com a espoleta do cartucho.
Deverá retornar a posição de bloqueio somente por força da mola
após o lançamento para disparo.
B.3.4 Retém do Ferrolho - o retém do ferrolho deve ser
ambidestro e travar o ferrolho na posição traseira quando o último
disparo for executado na pistola. Usando a alavanca do retém do
ferrolho, é possível que o atirador manualmente trave o ferrolho

20
para trás. Deve ser possível liberar o ferrolho da posição travada
usando o retém ou tração no ferrolho.
B.3.5 Trava Manual Externa de Segurança - é desejável que
os modelos de armas com percussor lançado tenha opção de
produção com e sem trava externa, sendo permitido apenas na
parte traseira próxima ao ferrolho para ser acionada com o dedo
polegar da mão forte sem movimentação de empunhadura, não será
aceitável travas em qualquer outra parte da armação, sendo
aceitável somente outra trava de segurança externa, desde que esta
seja liberada pela pressão do dedo na tração correta do gatilho.
B.3.6 Registro de desarmar ou armar o cão (martelo) - tecla
para armar ou desarmar o cão não é permitido.
B.3.7 Trava de punho - esse sistema de segurança do
punho não é permitido.
B.3.8 Desconector do carregador - somente será aceito
modelo de arma que permitir a realização de disparo, mesmo com o
carregador removido.
B.3.9 Conjunto do carregador - as bordas da entrada do
carregador devem ser chanfradas, facilitando a inserção. É desejável
que haja bandeja de transporte em cor de fácil visualização e que o
fundo do carregador seja visível quando inserido.
B.3.10 Bloqueio de queda - A pistola deve ter,
obrigatoriamente, mecanismo que evite com que ela realize disparos
inoportunos, impossibilitando que o percussor seja liberado sem que
o gatilho seja puxado corretamente para execução do disparo.
B.3.11 Trava do percussor - A pistola deve ter um
mecanismo que evite que o percussor toque a espoleta do cartuchos

21
sem ativação do gatilho.
B.4 MIRAS
B.4.1 Miras noturnas (ou com baixo nível de iluminação) -
massa e alça de mira devem ser equipadas com sistema de
iluminação própria que permita ao atirador rapidamente e
efetivamente visualizar o alvo com baixo nível de iluminação. O
alinhamento adequado de mira noturna deve estar de acordo com o
alinhamento adequado da mira. As miras com baixo nível de
iluminação devem contar um material feito de trítio ou outro
equivalente com iluminação própria. A mira deve ter uma
visibilidade pronta para uso garantida pelo contratado no período
mínimo de três anos. A mira de baixo nível de iluminação deve ser
resistente a danos causados por solventes de limpeza e lubrificantes
comercialmente disponíveis durante a manutenção rotineira. A parte
luminosa das miras não deve ser visível a partir da boca do cano da
arma.
B.4.2 Material - na cor preto fosco, anti reflexo, feito com
aço ou material similar durável o suficiente para suportar os rigores
dos testes sem descascar ou apresentar alteração de cor. É
desejável que a mira tenha acabamento antirreflexo pelos métodos
e com os equipamentos comumente disponíveis no comércio aos
instrutores armeiros treinados nas corporações.
B.4.3 Características do aparelho de pontaria - as dimensões
da massa e alça de mira devem permitir ao atirador que consiga
alinhar a mira rapidamente. Miras discretas são necessárias para
reduzir a interferência no momento de colocar e tirar a pistola do
coldre disponível comercialmente. A massa de mira deve ser feita a

22
fim de evitar ofuscar a visão em qualquer condição de luz. Qualquer
mecanismo ou elemento de ajuste considerado aqui deve receber
proteção no caso da arma cair ou sofrer uma pancada inesperada.
B.4.4 Requisitos de Ação Imediata - é desejável que seja
fácil ciclar o ferrolho usando somente a mão que executará o
disparo, ao colocar a parte dianteira da alça de mira sobre um
objeto disponível (por exemplo, o cinto do atirador, a ponta de um
colete à prova de munição etc.) no caso de haver pane ou que seja
necessário recarregar.
B.4.5 Ajuste de elevação/redirecionamento
B.4.5.1 As miras devem ser ajustadas para aguentar a força
do evento e/ou elevação. Isto pode ser feito modificando,
movimentando ou substituindo a massa de mira, a alça de mira, ou
ambas.
B.4.5.2 O ajuste da mira permite que o centro de massa
seja movido em cinco centímetros a 15 metros do alvo, no sentido
radial a partir do alvo quando o disparo é feito com munição de
serviço operacional.
B.4.5.3 É desejável que a arma tenha condições de
acoplagem de mira de emprego tático tipo holográfica, bem como,
disponibilidade de ser fornecido de fábrica.

23
B.4.6 Massa de Mira - deve ser fixa, lâmina simples,
substituível; deve ter largura suficiente para permitir a rápida
visualização da mira, mas nem tão larga a ponto de preencher todo
o campo da alça de mira, conforme observado por vários atiradores
agentes. A massa de mira deve ser simétrica ao atirador.

B.4.7 Substituição do aparelho de pontaria

B.4.7.1 A massa e a alça de mira devem ser facilmente


removidas e substituídas por instrutores armeiros das corporações.
É desejável que a massa de mira seja mecanicamente fixada
utilizando uma chave de boca, pino, ou chave de fixação a fim de
evitar um movimento inesperado da mira ou perda da mira. Se o
instrumento especial da instalação ou ajuste da mira for necessário
para ajustar a alça de mira e/ou a massa de mira, o contratado
deverá fornecer tal instrumento com cada arma encaminhada.
Depois da decisão da licitação, tais instrumentos serão fornecidos na

24
proporção de 1 para cada 50 pistolas entregues. Se uma
ferramenta/instrumento de ajuste (isto é, chave de fenda ou chave
allen) for necessária para a elevação da mira ficar completamente
ajustada, uma ferramenta deste tipo deve ser fornecida para cada
pistola.

B.4.7.2 O contratado pode escolher enviar uma amostra de


teste equipada tanto com as alças de mira “completamente
ajustadas” e alças de miras “fixas”. Metade dos testes feitos com as
amostras devem ser feitos com cada tipo de alça de mira.

B.4.7.3 Se as pistolas com alça de mira “completamente


ajustável” e “fixas” forem encaminhadas e a alça de mira
completamente ajustável não se encaixar durante as provas
realizadas (sem afetar a habilidade do resto do que a pistola pode
fazer de acordo com os requisitos da prova), somente a mira
completamente ajustável será considerada como não tendo passado
na prova. Se as pistolas com miras “fixas” da prova da amostragem
passarem por todos os requisitos do teste, a amostra do teste será
considerada tendo sido aprovada na prova de amostragem para
miras “Fixas”.

B.4.8 Mira Zero - sem ajuste fora da caixa (off box), um


grupo de cinco disparos será realizado usando munição de serviço
operacional em um alvo limpo a uma distância de 20 metros. O alvo
será uma circunferência de 10 centímetros de diâmetro e todos os
disparos deverão tocar o referido círculo, mantendo a visada no
centro do círculo.

25
B.5 PUNHOS

B.5.1 Os rasgos externos frontal, traseiro e laterais do


punho devem fornecer uma superfície não deslizante da área de
contato com a mão e a pistola durante o disparo.

B.5.2 O punho deve ser feito de modo que caiba em


diversos tamanhos de mãos, sendo desejável a disponibilidade de
grips com tamanhos variados, e aceitável a possibilidade de
backstraps, deverá permite ao mesmo tempo facilidade de ocultação
da arma quando utilizada sem coldre e presa em roupas comuns.

B.5.3 Altura do guarda-mato - o espaço no guarda-mato


deverá permitir uso de luvas táticas e dispor de espaço a frente do
gatilho de no mínimo 25mm de diâmetro e máximo de 35mm.

26
B.6. CARREGADORES

B.6.1 Deve travar de modo positivo no conjunto do


carregador.

B.6.2 Deve liberar e cair facilmente da arma o carregador,


sem necessidade de movimento adicional, quando o retém do
carregador estiver completamente pressionado, esteja o carregador
completamente cheio, parcialmente cheio ou vazio.

B.6.3 Deve ser construído de um material resistente à


ferrugem e a corrosão, podendo ser totalmente em metal ou
injetado com polímero de alta qualidade.

B.6.4 Deve haver liberdade de movimentos das munições


dentro do corpo do carregador sem que ocorra travamento das
munições ao subir, e a cada disparo, as munições devem ser
posicionadas positivamente.

B.6.5 O corpo do carregador deve possuir “orifícios para

27
visualização” que permitam a visualização traseira ou lateral do
número de munições com o carregador cheio ou não. É necessário
que os orifícios estejam localizados pelo menos a cada cinco
disparo.

B.6.6 Fundo do Carregador

B.6.6.1 O fundo do carregador deve ser removível para


desmontagem do carregador sem nenhuma ferramenta especial tipo
chaves fenda, phillips ou saca-pinos.

B.6.6.2 Se o carregador estiver cheio, o fundo do


carregador deve permanecer seguramente preso ao corpo e evitar
desmontagem involuntária quando o carregador cair em uma
superfície rígida de concreto a uma altura de 1,20 metros, sendo
desejável que suporte a queda de 2,70 metros.

B.6.6.3 É desejável que o fundo do carregador realize as


seguintes funções:

a) facilite a penetração firme e positiva do carregador


durante o carregamento.

b) amorteça o impacto e evite danos ao carregador


quando cair em superfícies rígidas.

c) permita empunhadura positiva e extração manual


rápida do carregador se o carregador estiver travado para
alimentação dupla, outra pane, ainda que o atirador estiver usando
luvas. A arma deverá ter ressalto lateral ou longitudinal que permita
contato dos dedos com o carregador.

28
B.7. RETÉM DO CARREGADOR

B.7.1 O retém do carregador deve estar localizado na


armação perto da junção inferior do guarda-mato. É preferível que a
pistola tenha disposto dispositivo que permita que o retém do
carregador seja facilmente modificado para acionamento do lado
direito ou esquerdo da armação do retém do carregador. Esta
preferência também pode ser atingida com a presença do
dispositivo em ambos os lados da armação (ambidestro).

B.7.2 O retém do carregador deve ser feito de modo que


permita liberação positiva do carregador quando for pressionado por
completo pelo atirador, sendo que o retém do carregador deverá
liberar com um mínimo de 1,5kg de pressão e exigir não mais do
que 3,5kg de pressão para liberar.

B.7.3 O retém do carregador deve ser projetado e


posicionado a fim de reduzir a chance de uma liberação do
carregador sem aviso prévio durante o uso.

B.8. TRAVA DO FERROLHO

B.8.1 Deve ser possível travar o ferrolho manualmente para


trás para inspeção visual e física da pistola sem que haja nenhum
carregador inserido.

B.8.2 O ferrolho automaticamente ficará travado para trás


durante a operação normal depois que o último disparo for
disparado ou o ferrolho for puxado para a posição máxima para trás
com o carregador vazio inserido.

29
B.8.3 A trava do ferrolho deve ser ambidestra facilmente
manipulada tanto com a mão direita quanto com a mão esquerda
quando se empunhadura dupla.

B.8.4 A trava do ferrolho tem um controle que deve ser feito


de tal maneira que o atirador não a acione sem querer ou que
atrapalhe o controle durante os disparos normalmente feitos.

B.9. FERROLHO

B.9.1 As superfícies de empunhadura do ferrolho devem


permitir que seja puxado com firmeza e operado de modo confiável
pelo atirador sob todas as condições.

B.9.2 As superfícies de empunhadura deverão estar


localizadas no lado direito e esquerdo do ferrolho, perto da posição
mais traseira do ferrolho quando pronto para ser acessível ao
atirador. A localização destas superfícies devem ser tais que durante
a operação do ferrolho, a mão do atirador não cubra nem obstrua o
extrator e ejeção do estojo/munição.

B.10. ACABAMENTO EXTERNO

B.10.1 O acabamento externo da armação, o ferrolho e os


carregadores (enquanto travados na pistola) deve ser antirreflexo.

B.10.2 Todas as peças externas devem estar livres de


riscos, pontas, ou áreas ásperas que poderiam se prender no coldre,
nas roupas ou causar lesões ou desconforto para o atirador.

B.10.3 O acabamento deve ser durável, resistente à


ferrugem e resistente a corrosão pela maresia.

30
B.11. ACABAMENTO INTERNO

B.11.1 Todas as superfícies internas devem estar livres de


superfícies ásperas em regiões cruciais para movimentação e devem
ser polidas conforme necessário a fim de fornecer menor grau de
atrito e desgaste e fornecer confiabilidade funcional.

B.11.2 O acabamento das peças internas deve ser resistente


à ferrugem e à corrosão por intempéries tipo maresia.

C. QUALIDADE DO ACABAMENTO – TODAS AS PEÇAS

C.12.1 Limalhas metálicas - nenhuma que possa causar


falha durante o processo e/ou falha funcional das partes que devem
se mover no interior ou exterior da arma.

C.12.2 Não são permitidas partes que possam prender a


arma nas roupas ou no coldre, ou que causam lesões ou
desconforto ao atirador.

C.13 DEFEITOS DE FABRICAÇÃO/DESIGN

C.13.1 Não deve haver qualquer anomalia ou defeito de


fabricação das peças nem defeitos no design que possam causar o
comprometimento da confiabilidade funcional (isto é, falha no
disparo) ou causar risco para a segurança do atirador.

D.14 CONTROLE DA QUALIDADE/INSPEÇÃO, TESTE E


ACEITAÇÃO

D.14.1 O fabricante deve se certificar por escrito sobre a


qualidade, durabilidade e confiabilidade das amostras enviadas para
as provas como sendo representativas de todas as armas

31
disponíveis para o contrato.

D.14.2 A COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO


E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT conduzirá
testes de garantia de qualidade aleatórios a qualquer momento
durante o período deste contrato. A não-manutenção da qualidade,
durabilidade e padrões de confiabilidade estabelecidos durante os
testes podem levar a COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
a impetrar uma ação legal e inclusive até a rescindir o processo da
causa, se for o caso.

D.14.3 Os critérios de teste de aceitação e inspeção para o


calibre 9mm LUGER, pistola semi automáticas serão os mesmo já
previstos neste protocolo. Além disso, o governo se reserva o direito
de periodicamente desenvolver procedimentos de testes conforme
desejar com o contratado. Avaliação de Adaptação no Campo, dos
Itens Comerciais; de Inspeção técnica e física; de Precisão da
dispersão; e de Estresse/resistência/confiabilidade funcional.

D.14.3 Embora não seja necessário, é preferível que o


contratante seja certificado por um registrador autorizado que
oferece serviços de auditoria de terceiros com as normas ISO 9001
série, ou seja, as Normas Internacionais de Controle de Qualidade,
conforme descrito na norma internacional ISO 9001 (Sistemas de
Qualidade - modelo para garantia da qualidade em projeto,
desenvolvimento, produção, instalação e manutenção). Em tais
casos, o licitante deve fornecer uma prova da certificação para a
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E

32
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT no momento
ou antes do início dos testes com as amostras. A fonte do padrão
internacional ISO 9001 será fornecida junto com o pedido da
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT.

E.15 VIDA ÚTIL

E.15.1 O contratado deve fornecer certificação por escrito à


COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT dos modelos
das pistolas, assim como os pedidos, deve ter realizado testes com
disparos cumulativos com no mínimo 20.000 munições com munição
9mm LUGER sem falha estrutural das principais partes ou
componentes, inclusive a armação, o ferrolho, ou canos e paredes
do carregador.

F.16. OBSTRUÇÃO DO CANO

F.16.1 A pistola deve suportar um disparo, mesmo com um


projétil armazenado do cano, a 2,5 centímetros à frente da munição
inserida na câmara sem que haja fragmentação do ferrolho, cano ou
armação.

G.17. DANO/QUEBRA DE PEÇAS

G.17.1 A COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO


E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT se reserva o
direito de rejeitar, como falha, qualquer das armas as quais mais de
duas armas de teste tenham sofrido quebra ou várias ocorrências de
dano em suas peças (na mesma arma). A quebra é definida como

33
qualquer peça que se torne inapta para o uso devido à quebra,
deformação ou deterioração e torne a pistola inoperante ou afete a
integridade estrutural, comprometendo a segurança do operador.

G.17.2 Deterioração que comprometa a integridade


estrutural da pistola ou evite com que o disparo de arma seja feito é
considerada pane. Deterioração da integridade estrutural da pistola
que não afete o disparo da pistola durante o teste de confiabilidade
funcional para resistência será examinado detalhadamente e
monitorado por um representante da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT.

G.17.3 Para resolver as questões relacionadas à integridade


estrutural da arma, a COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
se reserva o direito de requerer ao licitante o disparo de mais 5.000
munições no teste de resistência para que possa avaliar o
desempenho da arma. O protocolo de substituição recomendado
para a manutenção da fábrica será observado durante este teste
adicional de resistência.

G.17.4 Os procedimentos de substituição/manutenção das


partes encomendadas pela fábrica serão avaliados para identificar
as que oferecem maior durabilidade e exigem o menor grau de
manutenção.

34
H.18 MONTAGEM E DESMONTAGEM DA PISTOLA E
DO CARREGADOR

H.18.1 É necessário que a pistola e os carregadores sejam


compostos de peças que impeça de ser desmontadas de modo
incorreto de tal maneira que tornem a pistola ou carregador
inoperantes ou de outra forma comprometam a confiabilidade.

H.18.2 A pistola e os carregadores devem ser feitos de


maneira que permitam a desmontagem-montagem para
limpeza/manutenção rotineiras sem o uso de ferramentas especiais,
além das fornecidas com a arma no case enviado pelo fabricante.

19. TREINAMENTO

19.1 O contratado deve fornecer treinamento de instrutor


armeiro. Este treinamento deve ser fornecido para no mínimo vinte
e cinco armeiros escolhidos pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL
DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA
SESP-MT, dentro de trinta dias da entrega das pistolas à Secretaria
de Estado de Segurança Pública.

19.2 Especificamente, o treinamento deve incluir o seguinte:

● Desmontagem e remontagem detalhada


(completa) das pistolas.
● Limpeza e lubrificação da pistola.
● Regime de manutenção preventiva recomendada
para substituição ou ajuste das peças.
● Diagnóstico e resolução de panes efetivas ou a
ocorrer.

35
● Adaptação das peças.
● Treinamento do funcionamento e engenharia do
design da arma.
● Ferramentas necessárias especializadas e seu uso
adequado.
● Dimensões e tolerâncias necessárias.

19.3 o contratado deverá fornecer quatro pistolas de cada


modelo cortadas e 12 pares de diagramação com vista explodida,
para fins de treinamento.

19.4 Se o contratado incorporar quaisquer características ou


mudanças no design do modelo e/ou no protocolo de manutenção
da pistola durante o curso do contrato, o treinamento deverá ser
fornecido para no mínimo 25 instrutores armeiros indicados pela
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT. O treinamento
deve começar dentro de trinta dias após a mudança ter sido
implementada.

19.5 O contratado deverá fornecer as seguintes informações


ao usuário de cada pistola:

● Desmontagem e remontagem em campo,


diagramas com vista explodida identificando todas as peças.
● Descrição de limpeza, inclusive lubrificação
recomendada.
● Descrição da segurança como funciona.
● Declaração contendo os tipos de munição que

36
devem ser utilizadas, incluindo qualquer munição que cause pane ou
danos à pistola ou coloque o atirador em perigo.

19.6 Todo o treinamento e instruções deverão ser feitos em


Português (Gramática Brasileira) com exposição das nomenclaturas
em Português/Inglês para possível consulta bibliográficas em
materiais disponíveis.

20. AVALIAÇÃO – ITENS COMERCIAIS

Como resultado desta solicitação o Governo concederá um


contrato ao licitante responsável cuja oferta, de acordo com a
solicitação, demonstre ser a mais vantajosa para o Governo,
levando em consideração o preço e outros fatores. Os seguintes
itens deverão ser usados na avaliação de ofertas:

Desempenho técnico e em situações anteriores, quando


combinados, são significativamente mais importantes do que o
custo/preço.”

Os critérios Técnicos, os critérios de Desempenho em


Situações Anteriores e os critérios de Custo/Preço são listados em
ordem de importância descendente:

a.1 Revisão de Certificação

a.2 Avaliação de Adaptação no Campo

a.3 Desempenho em Situações Anteriores

a.4 Custo/Preço

Para fins de concessão, o Governo avaliará as ofertas

37
através da adição do preço total de todas as opções ao preço total
da requisição básica. O Governo pode determinar que uma oferta é
inaceitável se as opções de preços apresentarem discrepâncias
significativas. O processo de avaliação não obriga o Governo a
aceitar a(s) opção(ões).

Após a escolha do modelo e fabricante a ser recepcionado


como padrão para emprego na atividade de Segurança Pública, a
administração pública deverá, dentro da disponibilidade financeira,
realizar aquisições para suprir 100% do efetivo previsto das
Instituições que compõem a SESP.

21. CERTIFICAÇÃO DO FABRICANTE

Antes que seja feita a Avaliação de Adaptação no Campo, os


documentos fornecidos pelo fabricante serão revisados e as
informações constantes nos mesmos serão avaliados a fim de
identificar a arma, ou armas, mais satisfatórias ao propósito das
especificações.

A documentação que acompanha a arma do fabricante


deverá incluir, no mínimo, os seguintes aspectos: Dois alvos
representativos para cada arma, identificado por um número de
série, carregada com munição estabelecidas para teste da
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT

A COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E


PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT irá realizar a
prova de Calibre 9mm LUGER, para pistolas semiautomáticas, em

38
Cuiabá-MT. A prova será realizada em etapas e conforme as
especificações desta Seção. Antes que seja realizada a Avaliação de
Adaptação no Campo cada arma deverá satisfazer plenamente todos
os critérios de avaliação, conforme especificado neste protocolo.

Caso alguma fase das provas não seja completada


satisfatoriamente, o Licitante receberá uma notificação por escrito
informando as deficiências identificadas. O Licitante não terá a
oportunidade de remediar as deficiências apresentadas. Será
realizada a verificação de ação corretiva antes de iniciar a Avaliação
de Adaptação no Campo.

Cada licitante deverá apresentar oito pistolas que serão


testadas seguindo o seguintes procedimentos:

1 - Todas as armas serão inspecionadas por instrutores


armeiros e membros da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
a fim de garantir a adequação às especificações estabelecidas.

2 - Três armas serão sujeitas à prova de estresse


composta pelas seguintes etapas:

A. Prova de Troca das Peças (as três pistolas),


B. Prova de Temperatura extrema (duas das três
pistolas),
C. Prova de Queda (duas das três pistolas),
D. Prova de Lançamento (duas das três pistolas),
E. Prova de Corrosão (uma das três pistolas) e
F. Prova de Obstrução do Cano (uma das três

39
pistolas).

Caso o Licitante submeta versões de alça de mira tanto


“fixa” quanto “completamente ajustável”, a amostra a ser utilizada
na prova de estresse será composta de duas pistolas equipadas com
alça de mira fixa e uma pistola equipada com alça de mira
completamente ajustável.

Duas armas serão usadas durante a Avaliação de Adaptação


no Campo. Caso o Licitante submeta tanto as versões de alça de
mira “fixa” quanto as de alça de mira “completamente ajustável”, a
amostra a ser utilizada na prova de avaliação da Adaptação no
Campo será composta de uma pistola equipada com alça de mira
fixa e uma pistola equipada com alça de mira completamente
ajustável. Serão utilizadas três armas para as provas de precisão e
resistência. Caso o Licitante submeta tanto as versões de alça de
mira “fixa” quanto as de alça de mira “completamente ajustável”, a
amostra a ser utilizada na prova de Avaliação de Adaptação no
Campo será composta de uma pistola equipada com alça de mira
fixa e duas pistolas equipadas com alça de mira completamente
ajustável. O Licitante deverá estar apto a disponibilizar uma equipe
de atiradores para conduzir pessoalmente a Prova de Precisão e
Resistência sob a supervisão de um representante da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT. O representante designado pelo
Licitante será informado da data em que a prova será realizada. O
período de prova não deverá ser superior a sete dias úteis. O
Licitante deverá arcar com as despesas de viagem, acomodação,

40
refeições e outros gastos adicionais da equipe de atiradores e/ou do
representante. A equipe de atiradores deverá prover os
equipamentos de segurança pessoal necessários (tais como
proteção para os olhos e ouvidos) e as ferramentas adequadas para
a manutenção da pistola.

NOTA​: A COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E


PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT não se
responsabiliza por danos causados às armas submetidas pelo
licitante ou por lesões sofridas pelos membros da equipe de
atiradores. Os Licitantes deverão assinar o procedimento de
renúncia de responsabilidade por parte da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT antes do início do procedimento da
prova.

3. FATORES CONSIDERADOS NA AVALIAÇÃO TÉCNICA –


Com relação à adequação aos requerimentos técnicos constantes
desta solicitação, as propostas técnicas aprovadas, ou aquelas que
mediante revisão de menor grau possam vir a satisfazer os
requerimentos técnicos desta solicitação, serão avaliadas
comparativamente com base nos fatores técnicos. Os Contratados
devem estar cientes de que as propostas de qualidade superior
terão pontuação mais alta na classificação do que as propostas que
satisfazem, mas que não excedem os requerimentos obrigatórios
desta solicitação. A correção de deficiências e a freqüência com que
as mesmas ocorreram serão consideradas na avaliação geral antes
da divulgação de um candidato com potencial de vencedor(es).

41
(i) Todas as garantias, especialmente para a vida útil da
armação e do ferrolho são aplicáveis a arma.

(ii) Todos os procedimentos de manutenção, incluindo a


recomendação para substituição de peças e os intervalos
subsequentes.

(iii) Certificação de que a amostra satisfaz todas as


especificações e requerimentos estabelecidos no presente protocolo.

(iv) Se o Contratado responder satisfatoriamente aos


requerimentos acima, a arma estará qualificada para participar da
Avaliação de Adaptação no Campo.

21. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Todas as armas serão avaliadas de acordo com o seguinte


formato:

● Revisão das Certificações do Fabricante


● Avaliação de Adaptação no Campo
● Inspeção Física e Técnica
● Precisão/Dispersão
● Estresse
● Revisão do Desempenho em Situações Anteriores
● Análise de Custo/Preço
● Requisição do Melhor e Final
● Declaração da Análise de Melhor Valor
● Identificação do Vencedor Aparente
● Avaliação do Vencedor(es) Aparente(es) de acordo
com o seguinte formato:

42
● Revisão das Certificações do fabricante
● Prova de Resistência/Confiabilidade Funcional
● Identificação do Vencedor(es)

22. AVALIAÇÃO DE ADAPTAÇÃO NO CAMPO

Uma vez terminada a revisão dos Requerimentos para as


Certificações do Fabricante, os membros da Equipe de Avaliação de
Adaptação no Campo irão atirar com duas das pistolas submetidas,
uma de cada modelo.

A Equipe de Avaliação de Adaptação no Campo avaliará


todas as amostras de acordo com o disposto abaixo:

(i) 250 unidades de munição autorizadas pela


COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT serão
disparadas durante o curso da avaliação conforme delineado daqui
por diante.

(ii) A Avaliação de Adaptação no Campo e as rodadas de


disparos feitos por cada avaliador serão assim constituídas:

a) Três grupos de dez tiros serão disparados a partir


de uma posição de disparo com empunhadura dupla em um alvo de
silhueta da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT, a uma
distância de 10 metros, sem limite de tempo.

Os alvos dos avaliadores serão pontuados e

43
mensurados a fim de chegar à distribuição mais significativa do
grupo.

b) Uma rodada de 30 munições disparadas a partir


de uma posição de disparo com empunhadura dupla em um alvo de
silhueta da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT, conforme
descrito abaixo:

10 metros – (2) duas sequências de cinco munições


cada, disparo visado sem tempo.

10 metros – (2) duas sequências de cinco munições


cada, disparo visado cronometrado, em 15 segundos.

10 metros – (2) duas sequências de cinco munições


cada, disparo rápido semi-visado, em 10 segundos.

Os alvos dos avaliadores serão pontuados e


mensurados a fim de chegar à distribuição mais significativa do
grupo.

c) Dez grupos de dois tiros (2x2) serão disparados


em um alvo da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT a uma
distância de 7 metros.

i) O atirador irá sacar a arma do coldre para


disparar o primeiro grupo de dez munições.

ii) Dois serão disparados após o comando.

O tempo total e o intervalo de tempo (entre os

44
tiros) serão medidos para cada dois tiros com um cronômetro
eletrônico.

A distribuição mais significativa do grupo será


mensurada e os tempos serão registrados para obtenção das
médias.

iii) O segundo grupo de dez munições serão


disparadas com o avaliador em posição de “prontidão”.

iv) Dois tiros serão disparados após o comando.

v) O tempo total e o intervalo de tempo (entre os


tiros) serão medidos para cada dois tiros com um cronômetro
eletrônico.

A distribuição mais significativa do grupo será


mensurada e os tempos serão registrados para obtenção das
médias.

Este procedimento permitirá avaliar a distância de


reposicionamento do gatilho, a suavidade da operação, o
comprimento da arrancada e com que facilidade o atirador terá
proficiência no manuseio da arma. Sacar a arma do coldre permite
testar a empunhadura da pistola e facilidade na obtenção do
sistema de mira.

d) Cinco grupos de dez tiros serão disparados em


um alvo da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT a uma
distância de 7 metros. Os procedimentos serão listados abaixo:

45
i) Os grupos de dez tiros serão disparados o mais
rápido possível, de acordo com o tempo que o avaliador levar para
disparar e recarregar usando dois carregadores. (Isto permite
avaliar a função de liberação do ferrolho e as trocas de carregador.)

ii) O tempo total de cada grupo de dez tiros será


medido com um cronômetro eletrônico e será registrado para
obtenção da média.

iii) Este procedimento permitirá avaliar o gatilho da


pistola, o retém do ferrolho, o sistema de recuo e demais
características operacionais relativas aos efeitos percebidos na
velocidade, precisão e eficiência do atirador.

e) Dois Cursos de Qualificação de Pistola da


COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT, conforme
descrito abaixo.

Teste de Qualificação de Pistola

Fase I Tempo

20 metros Sacar, assumir a posição apropriada e


disparar

6 munições, inclinado

3 munições, ajoelhando do lado forte da barricada

6 munições, ajoelhando do lado forte da barricada

6 munições, na parte superior

46
3 munições, ajoelhando do lado fraco da barricada

Fase II

10 metros Deslocar-se da linha 20 metros para a


linha de 10 metros, sacar e disparar 2 munições, a partir da posição
em “prontidão”, sacar e disparar 2 munições (4 vezes).

Fase III

5 metros Deslocar-se da linha 10 metros para a


linha de 5 metros, sacar e disparar 12 munições.

Fase IV

3 metros Deslocar-se da linha 5 metros para a linha


de 3 jardas, sacar e disparar 5 tiros, apenas com a mão forte,
mudar o carregador e disparar 5 munições apenas com a mão fraca.

Pontuação: curso de 50 munições

Número total de acertos pontuados x 2 pontos

100 pontos possíveis

Uma vez terminada essa avaliação de 250


munições, cada atirador irá desmontar, limpar e montar novamente
a arma utilizada.

b) O objetivo desta prova é fazer uma avaliação


subjetiva da arma com base nos itens 1 a 13 dos critérios de
avaliação listados abaixo. As armas submetidas que sejam

47
consideradas adequadas serão avaliadas comparativamente com
base nos seguintes fatores e de acordo com a ordem de importância
relativa conforme descrito abaixo:

1. Segurança na Utilização

No curso da prova com munição real, as armas serão


avaliadas pelos avaliadores que participam da Avaliação de
Adaptação no Campo em relação à segurança na utilização, com
base na experiência dos mesmos no uso de armas de campo, e não
em relação ao uso em ambiente com variáveis controladas.

2. Confiabilidade

A confiabilidade no desempenho da arma, ausência de pane


durante todo o processo de provas.

3. Durabilidade

Ausência de ruptura nas peças, comprometimento da


integridade estrutural e outros fatores que possam afetar a
segurança do operador.

4. Precisão

A capacidade das armas de serem agrupadas de acordo


com parâmetros de precisão especificados conforme estabelecido
nas especificações.

5. Ergonomia, Adaptabilidade

Aspectos ergonômicos da arma e a sua adaptabilidade à


variabilidade no tamanho das mãos dos atiradores, assim como a

48
indivíduos destros ou canhotos (pistola ambidestra).

6. Simplicidade Operacional

A facilidade com que o atirador pode utilizar a arma com


segurança utilizando o mínimo de equipamentos de controle.

7. Acabamento e Aparência

O revestimento externo da arma ou o tratamento de


superfícies expostas a fim de prevenir ferrugem, corrosão ou a
deterioração destas superfícies. Ausência de manchas indesejáveis
e/ou de extremidades afiadas.

9. Melhorias

Melhorias relacionadas à redução da percepção do recuo e


adaptabilidade a acessórios de otimização.

10. Potencial de Assimilação

Habilidade de facilmente incorporar a arma nas Instituições


de Segurança Pública e a compatibilidade da mesma com as práticas
de treinamento em vigor.

As seguintes áreas serão avaliadas de acordo com


“Descrição/Especificação/Declaração de Serviço”.

11. Desmontar a Arma em Campo

A pistola será desmontada em campo e as seguintes peças


serão inspecionadas para assegurar a qualidade e adequação com
as especificações do contratante.

49
- Ferrolho

- Extrator/Mola do Extrator

- Ejetor

- Pino do engate do percussor/mola do pino do engate


do percussor

- Cano

- Guia da mola recuperadora

- Armação

- Retém do ferrolho

- Punhos

- Gatilho e peso da arrancada

- Miras/miras luminosas

- Carregador

- Sistemas de Segurança (desconector, segurança do


pino do engate do percussor etc.)

A “Lista de Checagem de Pistola Semiautomática da


COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT” será utilizada
pelos instrutores armeiros das Instituições que integram a SESP
para registrar os resultados das inspeções feitas na arma.

12. Prova de função - a prova da função da pistola será

50
realizada da seguinte maneira:

- Ciclar a função e a suavidade.

- Checar dispositivos de segurança para função e


visualização.

- Checar trava.

- Checar o desconector para garantir que a pistola não


irá disparar sem bateria.

- Secar arma de fogo.

- Ciclar a ação.

- Checar o percussor/pino de engate, se existentes.

- Checar o arranque, retorno e reposicionamento do


gatilho.

- Prova de alimentação (projéteis inertes).

13. SEQUÊNCIA DE DISPARO

Cada carregador será alimentado com cinco munições de


munição autorizada pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
e serão disparadas pela pistola. Durante o curso do disparo, as
seguintes funções serão observadas e avaliadas:

- Mira

51
- Alimentação

- Disparo

- Extração

- Ejeção

- Retém do ferrolho (último disparo no carregador)

a) Obstrução do Cano – a pistola deverá apresentar


resistência ao disparo de um disparo de munição de teste fornecida
pelo COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT dentro do cano
no qual um disparo tenha sido carregada no calibre, 2,5 centímetros
a frente do corpo da câmara. Ao término do disparo, os dois
projéteis devem sair do cano e não deverá ocorrer fragmentação do
ferrolho, do cano ou da armação.

b) Uma vez terminada esta avaliação os resultados


registrados pelos avaliadores serão analisados de acordo com a
revisão das Certificações do Fabricante, e o vencedor(es)
aparente(s) será identificado. Em seguida as armas do vencedor(es)
aparente(s) serão testadas a fim de verificar as Certificações do
Fabricante conforme listadas na documentação requerida com a
arma.

Após declarado o vencedor aparente, a arma(s) do


Contratado passará pelas seguintes provas a fim de verificar as
especificações do fabricante.

52
23. INSPEÇÃO FÍSICA E TÉCNICA

As pistolas serão medidas e devem estar de acordo com as


especificações listadas nesta solicitação.

Após a identificação do vencedor(es), todo lote de armas


passará pela inspeção Física e Técnica e pela prova de disparo por
parte dos instrutores armeiros, antes que se dê continuidade à
avaliação.

Toda inspeção e teste serão conduzidos de acordo com o


procedimento padrão de inspeção a ser estabelecido pela
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT.

24. PRECISÃO/DISPERSÃO (antes e após os testes)

Antes de iniciar o teste de precisão, o potencial de precisão


da munição será verificado. Esta verificação ocorre conforme
descrito abaixo:

Os números de série das oito pistolas submetidas serão


registrados e as duas pistolas usadas da prova de Adequação de
Campo serão excluídas de provas adicionais. Três pistolas
selecionadas aleatoriamente passarão pela seguinte prova:

Um conjunto de peças para reposição deverá ser fornecido


pelo Contratado para as amostras submetidas. Quaisquer
modificações feitas no conjunto de reposição, a fim de garantir
adaptação adequada, deverá ser feita pelo Contratado antes, uma

53
das pistolas deverá ter as peças substituídas pelo conjunto de
reposição.

Cinco grupos de dez munições serão disparados de cada


pistola utilizando munição de treinamento aprovada pela COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT, respectivamente, em distâncias de
5 de 25 metros.

Com uso de apoio e estativa serão realizadas cinco séries de


dez tiros: Numa série de 10 tiros à 05 (cinco) metros do alvo que
deverá ser um círculo de 5cm com referência central para visada, e
todos os tiros deverão estar agrupados dentro do círculo de 5 cm de
diâmetro, podendo tocar o limite.
Numa série de 10 tiros a 10 (dez) metros do alvo que
deverá ser um círculo de 10 cm com referência central para visada,
e todos os tiros deverão tocar o perímetro.
Numa série de 10 tiros à 15 (quinze) metros do alvo que
deverá ser um círculo de 15cm com referência central para visada, e
todos os tiros deverão tocar o perímetro.

Numa série de 10 tiros à 20 (vinte) metros do alvo que


deverá ser um círculo de 20cm com referência central para visada, e
todos os tiros deverão tocar o perímetro.

Numa série de 10 tiros à 25 (vinte e cinco) metros do alvo


que deverá ser um círculo de 25cm com referência central para
visada, e todos os tiros deverão tocar o perímetro.

Uma vez terminada a prova de precisão, o fabricante será

54
pontuado com a média mais exata dos três grupos. Não será
permitido combinar os grupos de disparos do conjunto de peças
para reposição e do Apoio de Bancada.

Os resultados dos grupos serão ponderados e comparados


com os alvos submetidos pelo licitante. As médias resultantes não
devem exceder os alvos do licitante em mais de 10 centímetros.

A média da distribuição mais significativa do grupo será


mensurada de centro a centro para fins de comparação do potencial
de precisão da pistola quando disparada com os mesmos lotes de
munição.

Os grupos serão mensurados de centro a centro para a


distribuição mais significativa do grupo para calcular a média que
determina o grau geral de aceitabilidade.

25. ESTRESSE

a) As amostras devem estar de acordo com os fatores de


estresse abaixo:

(i) Prova de Troca de Peças – Três das pistolas serão


desmontadas em campo. As peças dos componentes principais (ex.
armação, ferrolho, cano, guia da mola recuperadora e carregador)
das três pistolas serão trocadas aleatoriamente e remontadas. Cada
pistola deverá ser carregada com um total de 10 munições de
serviço operacional aprovada pela COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT e 10 munições de treinamento
aprovadas pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E

55
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT em dois
carregadores. A munição será disparada nas três pistolas sem
ocorrência de pane.

(ii) Prova de Temperatura Extrema – Fica isento a


comissão de realizar os teste de temperaturas, porém, deverão as
fabricantes deverão apresentar as condições de temperatura mínima
e máxima de garantia para pleno funcionamento.

(iii) Prova de Queda – Duas das pistolas submetidas ao


teste serão carregadas com um cartucho recarregado somente com
espoleta de teste da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
(com pólvora e o projétil removidos). Se o Licitante submeter
versões de alça de mira “fixa” e “completamente ajustável”, a
amostra representativa fornecida para a Prova de Queda será
composta de uma pistola equipada com alça de mira fixa e uma
pistola equipada com alça de mira ajustável. Um carregador
alimentado com munição de teste inerte será inserido no conjunto
do carregador da pistola. A pistola será derrubada em uma
superfície de concreto de uma altura de 2,70 metros, caindo duas
vezes em cada uma das seguintes localidades:

● miras para baixo (de cabeça para baixo);


● boca do cano para baixo;
● boca do cano para cima;
● do lado direito;
● do lado esquerdo, e;
● em forma de esquadro na extremidade mais

56
grossa da arma a partir de uma posição de disparo. Após cada
queda, deverá ser observado se o cartucho foi danificado ou
disparado. Caso o cartucho tenha sido danificado ou disparado, a
empresa será desclassificada do processo. Uma segunda chance
após disparo do teste de queda não será permitido. Uma vez
terminada a prova de segurança de queda, o cartucho recarregado
será disparado. A pistola não deverá descarregar acidentalmente, ou
suportar uma degradação da função ou segurança, quando lançada
de cada uma das posições da prova. Após concluída a prova de
segurança de queda, a pistola deverá disparar 20 munições de teste
aprovadas pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT sem nenhuma
pane mecânica. Para passar nesta prova a pistola deverá disparar
com segurança o número de munições requerido.

(iv) Prova de Lançamento – As pistolas serão carregadas


com uma estojo vazio com espoleta “viva” e um carregador pleno
com munições será alimentado com munição de teste. Se o Licitante
submeter versões de alça de mira “fixa” e “completamente
ajustável”, a amostra representativa fornecida para a Prova de
Lançamento será composta de uma pistola equipada com alça de
mira fixa e uma pistola equipada com alça de mira ajustável. Cada
pistola será lançada manualmente de uma altura entre 1 e 1,5
metros a uma distância superior a 4,5 metros de modo a causar dois
impactos no lado direito e dois impactos no lado esquerdo. A pistola
não deverá disparar durante a prova, sendo desejável que o
carregador não deverá ser deslocado. Após concluída a prova de
lançamento, a pistola deverá disparar com segurança 20 munições

57
de teste do COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT sem apresentar
pane.

(v) Prova de Queda do Carregador – dois carregadores


deverão ser selecionados aleatoriamente e completamente
carregados com munição de teste. Eles deverão ser derrubados
duas vezes de uma altura de 2,70 metros a fim de cair com o fundo.
Em seguida eles deverão ser derrubados duas vezes da mesma
altura a fim de cair com a janela de municiamento para baixo. A
superfície de impacto será de concreto. A munição da parte superior
será reassentada após cada queda, sendo aceitável que seja
expelido a munição do carregador durante a queda. A pistola deverá
disparar com os mesmos carregadores do usados no teste
segurança 20 munições de munição de teste da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT sem apresentar pane.

(vi) Prova de Imersão em Água Salina e Prova de


Corrosão (opcional) – Antes de iniciar a prova, a pistola será
lubrificada de acordo com as especificações do fabricante. A pistola
descarregada será imersa em um preparado de solução salina por
cinco minutos. Em seguida a pistola será retirada da solução salina e
será sacudida por um período inferior a 15 segundos a fim de retirar
o máximo de água possível da arma. Depois de duas horas, a pistola
será desmontada, será enxaguada com água da torneira e sacudida
para secar a água conforme descrito acima. Depois de 24 horas, a
pistola deverá ser carregada e deverá estar apta a disparar 20

58
munições de teste da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
sem apresentar pane, excluindo-se munição defeituosa ou erro do
atirador. Quando não estiver imersa na solução de água salina, a
pistola submetida a esta prova será mantida na Gerência de Material
Bélico de uma das Instituições que integram a SESP. Neste local a
temperatura será mantida entre 20-25 graus Celsius, e a umidade
relativa é mantida entre 30 e 50 por cento. A solução salina será
preparada em um recipiente. A água será desclorificada com um
neutralizador de cloro disponível no mercado. Em seguida será
adicionado sal sintético do tipo “InstantOcean”, ou outro sal
comercializado equivalente, a fim de obter o grau de salinidade
ajustado para uma faixa de gravidade específica entre 1.020 e 1.023
conforme medido por um hidrômetro. A Água da torneira que
recebe este tratamento contém todos os elementos mais
importantes e menores encontrados em água salina natural e é
capaz de sustentar vida marinha e vida vegetal.

(vii) Prova de Exposição à Areia – Uma das três pistolas


será limpa e lubrificada de acordo com as especificações do
fabricante antes desta prova. A pistola será completamente
carregada com munição de teste da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT e será colocada virada com o lado
esquerdo na parte superior de uma camada de areia, no interior de
uma caixa. A mistura de areia é composta de 50% de areia áspera
usada para pavimentação (tipo de areia utilizado durante condições
climáticas adversas e com presença de gelo) e 50% de areia fina. A

59
areia será colocada em cima da pistola até que ela esteja
completamente coberta. A pistola será removida e a areia não
poderá ser sacudida, devendo ser efetuado dois disparos, em
seguida enterrada novamente virado com o lado direito na parte
superior de uma camada de areia, no interior de uma caixa, ems
seguida a pistola será removida e a areia não poderá ser sacudida,
devendo ser efetuado dois disparos. A cada dois disparos ela será
enterrada novamente e a pistola deverá disparar todas as munições.
As falhas serão anotadas e avaliadas de acordo com o mérito
técnico. O atirador não irá desmontar a pistola durante este disparo,
nem tampouco poderá remover o carregador para utilizar técnicas
imediatas para solucionar panes.

(viii) Obstrução do Cano – Uma das três pistolas será


submetida a esta prova. Um projétil deverá ser alojado no cano a
uma polegada adiante do corpo da câmara. A pistola deverá ser
carregada com um disparo real de munição operacional aprovada
pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT e deverá ser
disparada. Além da projeção dos dois projéteis desobstruindo
totalmente o cano, este disparo não deverá resultar em
fragmentação do ferrolho, do cano ou da armação.

26. DESEMPENHO EM SITUAÇÕES ANTERIORES

A COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E


PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT poderá usar
informações relativas ao desempenho em situações anteriores por
meio de fontes diferentes daquelas identificadas pelo licitante. As

60
informações obtidas serão usadas tanto para a determinação de
responsabilidade quanto para decisão de melhor valor.

27. PREÇO

O preço total avaliado deverá ser o total dos preços


unitários de acordo com o conteúdo.

28. RESISTÊNCIA/CONFIABILIDADE FUNCIONAL

Após concluídas satisfatoriamente as provas de inspeção


Física, de Precisão e de Estresse, as armas do vencedor(es)
aparente(s) passarão pela Prova de Resistência/Confiabilidade
Funcional. Caso a arma do vencedor(es) aparente(s) não seja
aprovada na Prova de Resistência/Confiabilidade Funcional, as
armas serão testadas de acordo com a ordem determinada pelo
desempenho técnico e em situações anteriores, e de acordo com a
avaliação de custo/preço até que um licitante vitorioso seja
identificado.

(a) Os procedimentos para as provas de


Resistência/Confiabilidade Funcional da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT são os seguintes:

(i) Três armas serão utilizadas na Prova de


Resistência/Confiabilidade Funcional.

(ii) A COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE


AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
fornecerá munição de uso operacional e munição de treinamento,

61
ficando a critério do fabricante enviar munições de outra fabricante,
desde que tenham mesmo peso e formato de projétil, e apresentar
fator maior ou igual das munições de fabricação nacional.

(iii) O Licitante disponibilizará uma equipe de


atiradores. Esta equipe será responsável pelos disparos na prova de
Resistência/Confiabilidade Funcional. Esta parte do teste será
conduzida na presença e sob a supervisão de um representante da
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT.

(iv) Será designado um observador para cada


atirador. Este observador manterá um registro das munições
disparadas e de qualquer pane ou ruptura de peças ocorrida
durante o teste.

(v) O Licitante deverá fornecer documentação


relativa aos procedimentos de manutenção recomendados pelo
fabricante de acordo com a previsão da vida útil das armas. Os
procedimentos recomendados serão observados durante a prova de
Resistência/Confiabilidade Funcional.

(vi) A substituição de peças não é desejável, ainda


que estejam previstos nos procedimentos de manutenção
recomendados pelo fabricante para situação de prova. As armas
fornecidas poderão ser resfriadas, limpas e inspecionadas em
intervalos de disparo de 500 projéteis. Não será permitida a
substituição de peças dos componentes principais (ex. armação,
ferrolho, cano ou corpo do carregador), as demais peças se forem

62
substituídas contaram de forma negativa, e de possível exclusão no
processo de escolha.

(vii) As posições de disparo utilizadas pelos


atiradores estarão sujeitas à discrição do atirador. A posição
escolhida não deverá violar quaisquer regras ou procedimentos de
segurança estabelecidas pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT.
Será fornecida uma cópia destas regras.

(viii) A prova de Resistência/Confiabilidade


Funcional é composta de 20,000 disparos.

(ix) Durante esta prova as armas fornecidas deverão


completar de forma cumulativa 10,000 disparos. O desempenho da
pistola para um valor superior a 10,000 projéteis será avaliado para
identificar durabilidade superior. O número de rupturas, falhas e
defeitos estruturais que possam ocorrer deverá ser registrado e
avaliado.

(x) cada pistola será inspecionada a fim de


identificar as áreas de ocorrência de fadiga e/ou deterioração
prematura, ao término de 10,000 e 20,000 disparos de munições
cumulativos. (Esta inspeção também avaliará a integridade dos
componentes que poderiam afetar a segurança ou a confiabilidade
da arma).

63
(b) Prova de Precisão/Dispersão

(i) A Prova de Precisão/Dispersão, conforme descrita


neste norma, será conduzida ao término de 10,000 e 20,000
disparos de munições cumulativos.

(ii) A deterioração da precisão será avaliada para


fins de mérito técnico com base na comparação com a média de
disparos do grupo original (conforme descrito nesta solicitação).

(iii) A taxa de pane, uma pane para 2,000 projéteis


disparados, servirá como o padrão desejado para a Prova de
Resistência/Confiabilidade Funcional. Esta taxa deverá ser aplicada
para cada arma considerada individualmente e não deverá ser
ponderada entre todas as armas.

(Entretanto, qualquer arma que exceda a taxa de


pane especificada será desqualificada dos testes como um todo).

(iv) As panes que ocorrerem durante qualquer outra


fase da prova não será aplicada à taxa de pane da Prova de
Resistência/Confiabilidade Funcional.

(Entretanto, elas serão registradas e consideradas


quando a confiabilidade geral da arma for avaliada).

c) Prova de capacidade de Assimilação de Munição

(i) Até Três das armas poderão submetidas para


completar satisfatoriamente a prova de capacidade de assimilação
de munição limitada com munição 9x19mm disponível no mercado,
carregada de acordo com as especificações do SAAMI e com

64
projéteis de configuração variada e pesos variados

(ii) As pistolas deverão disparar dez (10) munições


para cada munição alternada, cujo valor é representativo da
variedade de munição fabricada de acordo com as recomendações
da SAAMI (além da munição de teste da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT especificada na Seção 1.2.

(d) Panes/Falhas.

(i) A pane é definida como qualquer falha ou


problema cuja ocorrência impede que a pistola continue disparando,
independentemente da causa, ou qualquer condição que afete uma
função ou a segurança. Situações de pane incluem as falhas
rastreáveis ou provocadas por uma parte que não está pronta para
uso. Para complementar a definição, as descrições de pane podem
incluir os seguintes fatores, embora não estejam limitados aos
mesmos: a) Falha na alimentação, b) Falha na câmara, c) Falha em
travar (se aplicável), d) Falha no disparo, e) Falha em destravar (se
aplicável), f) Falha em extrair, g) Falha em ejetar, h) Falha em
armar ou desarmar i) Falha do retém do carregador ou do ferrolho.

(ii) Panes relacionadas e atribuídas à munição,


conforme determinado pela análise de falha conduzida pelo
representante da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO
E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT, estas
deverão ser registradas e apropriadamente identificadas com
análises de apoio. Panes relacionadas à munição são definidas por,

65
mas não limitadas a:

a) Espoleta Invertido

b) Espoleta Inerte

c) Deformação na cápsula do cartucho

d) Projétil invertido

e) Projétil deformado

f) Ruptura na cápsula do cartucho

O Licitante terá permissão para examinar a munição


antes de carregar os carregadores e para rejeitar quaisquer
projéteis duvidosos.

(iii) Erro do operador somente não pontuará contra


a arma se o operador for membro da COMISSÃO
INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE
MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT e puder identificar e explicar o erro.

(iv) A taxa de pane para cada pistola será


computada como descrito abaixo:

a) Dividir o número de panes (falhas) no número


total de munições disparadas pela pistola durante a Prova de
Resistência/Confiabilidade Funcional.

b) A taxa de pane igual ou inferior a uma falha para


2,000 munições é o resultado desejável. Uma taxa de pane maior do
que 1 falha para 2,000 munições , mas igual ou menor do que uma

66
falha para 1,000 munições , é o mínimo aceitável.

c) A taxa de pane igual a ou maior do que uma


falha para 999 munições significa uma Falha da pistola assim como
do lote como um todo.

d) A média da taxa de pane para as três pistolas, se


satisfizerem o requerimento acima, será computada pela divisão do
número total de falhas pelo número total de munições disparadas.

(v) A média do número de panes para cada arma


será listada e classificada do menor para o maior.

(vi) Panes dos carregadores serão atribuídas ao


sistema da arma. Panes que ocorram durante prova com munição
real (outra que não seja a Prova de Resistência/Confiabilidade
Funcional) serão reportadas nos critérios de avaliação.

(vii) Embora subsídios dados pelo Licitante possam


ser apropriadamente considerados durante a resolução de quaisquer
pane questionável, a responsabilidade final do diagnóstico da pane é
da COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT.

e) Resolução de Panes Questionáveis

(i) Caso ocorra uma pane que não possa ser


claramente identificada como uma pane de munição, pane da arma,
ou erro do operador, a COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
se reserva o direito de requerer que o licitante dispare 500

67
munições adicionais a fim de determinar se a pane ocorre
novamente. Caso não haja reincidência da pane, esta será
desconsiderada e não será pontuada contra a arma. Caso haja
reincidência da pane, a prova será interrompida até que a causa
seja identificada. A arma será pontuada com uma pane.

f) Limpeza

(i) O Licitante pode desmontar, limpar e lubrificar as


armas no início da Prova de Resistência/Confiabilidade Funcional.
Cada arma pode ser limpa, lubrificada e inspecionada após
intervalos de 500 munições durante o processo de teste. (A opção
de exceder o mínimo de 500 munições é deixada à discrição do
Licitante e afetará favoravelmente a avaliação da arma.)

(ii) Serão disponibilizados solventes de limpeza e


lubrificantes aos Licitantes. (Qualquer licitante pode utilizar os seus
próprios produtos; entretanto, todos os produtos utilizados para
limpeza e lubrificação deverão obrigatoriamente estar disponíveis no
comércio.) O funcionamento da arma não deverá depender do uso
de lubrificantes exclusivos e especiais. Os solventes e lubrificantes
usados atualmente pela COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE
AVALIAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT
são os da fabricante LH.

OS TESTES DE RECEBIMENTO QUE SERÃO


REALIZADO EM FÁBRICA, TERÃO TODOS OS CUSTOS DE
TRANSLADO, HOSPEDAGEM E ALIMENTAÇÃO CUSTEADOS
PELA FABRICANTE VENCEDORA DO CERTAME, E DEVERÃO

68
SER REALIZADOS POR NO MÍNIMO DOIS INTEGRANTES DA
COMISSÃO INTERINSTITUCIONAL DE AVALIAÇÃO E
PADRONIZAÇÃO DE MATERIAL BÉLICO DA SESP-MT POR
AMOSTRAGEM DE NO MÍNIMO 2% E MÁXIMO 5%,
SELECIONADAS ALEATORIAMENTE DO TOTAL DE ARMAS
ANTES DO ENVIO PARA O BRASIL FINS DE FAZER
RECEBIMENTO DOS LOTES DE ARMAS FORNECIDAS PELA
EMPRESA GANHADORA DO CERTAME.

1) Inspeção visual, manual e metrológica ​-


Armas do mesmo modelo passarão por desmontagem total com
vista explodida em último escalão para identificar possíveis defeitos
visuais e dimensionais, (necessidade de intercambialidade de 100%
de peças de. Teste a ser realizado Off Box antes dos disparos e
também após o término de todas os testes com disparos.

Resultado Esperado – que não seja identificado


nenhum tipo de aresta por falha de acabamento ou qualquer outro
defeito visual antes do início do teste e após o término de todos os
disparos a realizados, bem como, a desmontagem de todas as
armas em último escalão com mistura de todas as peças e posterior
montagem, sendo que todas as armas deverão apresentar perfeito
funcionamento de 100% das peças com execução de disparos com
dois carregadores plenos para conferência de funcionamento.

2) Segurança e resistência a quedas ​(antes e


após os testes) - as armas deverão ser submetidas a queda livre

69
em seis posições com estojo espoletado de uma altura mínima de
2,70m em solo rígido tipo piso ou cimento, simulando arma ao cair
de um coldre do operador saltando um muro.

Resultado Esperado – que não haja ocorrência


de disparos e/ou quaisquer danos que comprometam o
funcionamento do armamento, inclusive aparelho de pontaria,
travas e/ou reténs por ocasião das quedas nas seis posições
requeridas.

3) Resistência​– a primeira série deste teste será a


execução de 600 (seiscentos) disparos seqüenciais ininterruptos
para testar a qualidade da forja do material que é produzido o
armamento e sua capacidade de resistir aos picos de pressão e
continuar operando sem panes de funcionamento durante toda
seqüência de disparos, bem como suas peças móveis ou ajustáveis
devem se manter no local. Após o término da seqüência de
disparos, a arma deverá ser resfriada bruscamente com imersão
total em água.

Resultado Esperado – que não haja


apresentação de trincas, deformações ou outras quebras devido aos
disparos, nem tampouco soltura de parafusos, pinos ou miras,
mecanismos emperrados ou funcionamento defeituoso, alterações
dimensionais na câmara ou na alma do cano, sendo que todas as
armas deverão apresentar perfeito funcionamento de 100% das
peças com execução de disparos com dois carregadores plenos para
conferência de funcionamento.

70
4) Funcionamento em diversas posições para o
tiro – as armas deverão ter dois carregadores plenos disparados em
cada uma das quatro angulações girando as armas em posições a
cada 90 graus.
Resultado Esperado – que não haja ocorrência
de incidentes ou defeitos durante os disparos realizados em cada
uma das quatro posições requeridas.
5) Super Pressão​– as armas deverão ser
submetidas à obstrução total do cano com um projétil na primeira
metade após a câmara e ser submetida a outro tiro com munição de
uso operacional devendo haver a desobstrução total do cano sem
danos que impeçam o funcionamento da arma que será comprovado
com a execução de tiros de dois carregadores plenos.
Resultado Esperado – que haja a desobstrução
total do cano sem danos que comprometam o funcionamento da
arma e que permita a continuidade da produção de tiros
subseqüentes.
6) Precisão e justeza (antes a após o teste de
Resistência) – Com uso de apoio e estativa serão realizadas cinco
séries de dez tiros:
6.1 - Numa série de 10 tiros à 05 (cinco) metros
do alvo que deverá ser um círculo de 5cm com referência central
para visada;
Resultado Esperado – todos os tiros deverão
estar agrupados dentro do círculo de 5 cm de diâmetro, podendo
tocar o limite.

6.2 - Numa série de 10 tiros a 10 (dez) metros do

71
alvo que deverá ser um círculo de 10 cm com referência central
para visada;

Resultado Esperado – todos os tiros deverão


tocar o perímetro.

6.3 - Numa série de 10 tiros à 15 (quinze) metros


do alvo que deverá ser um círculo de 15cm com referência central
para visada;

Resultado Esperado – todos os tiros deverão


tocar o perímetro.

6.4 - Numa série de 10 tiros à 20 (vinte) metros


do alvo que deverá ser um círculo de 20cm com referência central
para visada;

Resultado Esperado – todos os tiros deverão


tocar o perímetro.

6.5 - Numa série de 10 tiros à 25 (vinte e cinco)


metros do alvo que deverá ser um círculo de 25cm com referência
central para visada;

Resultado Esperado – todos os tiros deverão


tocar o perímetro.

7) Exposição a Sujeira – a arma deverá ser imersa


por completo em água, em lama e em areia lavada sendo retirada
para produção de tiros de dois carregadores plenos.
Resultado Esperado – que não haja ocorrência
de incidentes ou defeitos durante os disparos realizados após a

72
imersão das armas nos meios especificados.
8) Resistência I (munição real) – será realizado
um total de quarenta séries de 500 tiros com munições diversas, de
treinamento e de emprego operacional de modelos diversos
utilizados pelos OSP, totalizando 20.000 (vinte mil) tiros com arma,
sendo manutenida e resfriada a cada 500 (quinhentos) tiros
realizados de maneira cadenciada com manutenção de visada e
troca de carregadores seqüenciais.
Resultado Esperado – que não haja ocorrência
de falhas, quebras e/ou outros defeitos em nenhuma das séries de
tiro realizada.

Observação - AS MANUTENÇÕES PARA LIMPEZA


DEVERÁ SER REALIZADA APÓS A PRIMEIRA SÉRIE DO TESTE DE
SUPERPRESSÃO QUE SERÁ SEQUÊNCIA DE 600 (SEISCENTOS)
DISPAROS. EM SEGUIDAS AS MANUTENÇÕES DE LIMPEZA E
VERIFICAÇÃO SERÃO REALIZADAS A CADA 500 DISPAROS.

São consideradas de extrema importância que seja


adicionado ao contrato no processo de aquisição as seguintes
considerações dos itens abaixo descritos que garante a manutenção
constante dos equipamentos durante seu período de utilização, a
qualificação dos usuários e principalmente o compromisso da
empresa em fornecer um equipamento de qualidade e confiança
para os operadores de segurança pública do estado de Mato Grosso;

1) A fabricante deverá realizar sem custo adicional o


fornecimento de no mínimo 2% do valor total da compra em peças
de reposição para manutenções corretivas pela própria Instituição

73
adquirente para que não haja dependência de disponibilidade de
envio de peças pelo fabricante se necessário.
2) No caso das armas não permitirem o treinamento
a seco, deverão fornecer sem custo adicional as armas de
treinamento no quantitativo pré-estabelecido.
3) A fabricante deverá fornecer treinamento e
credenciar instrutores de manutenção e manuseio com certificação
do fabricante para 5% de armas número de policiais equivalente ao
número de armas adquiridas.
4) A fabricante deverá dar garantia ilimitada quanto
ao tempo, ficando a garantia vinculado aos 20 mil disparos como
vida útil da arma, e compromisso contratual de fornecimento de
peças para manutenção corretiva por 30 anos, a partir da assinatura
dos contratos.
5) A fabricante deverá pagar indenização contra
danos, lesões ou mortes causadas por falha do armamento
pericialmente comprovada, desde que as peças e especificações
originais não tenham sido alteradas. Sendo U$150.000,00 (cento e
cinquenta mil dólares) para a vítima com lesões que causem
incapacitações parciais/temporárias, U$250.000,00 (duzentos e
cinqüenta mil dólares) para as vítimas de lesões que causem
incapacitações permanentes, U$500.000,00 (quinhentos mil dólares)
para as famílias das vítimas de lesões que causem resultado morte.

8 – CONCLUSÃO E PARECER
A conclusão da equipe de técnicos especialistas é de que
após a constituição de uma comissão especial para realizar estudo
técnico foi realizada com sucesso e que foram estabelecidos os

74
requisitos técnicos e as características que atendem
satisfatoriamente aos interesses da Instituições que compõem a
SESP.

Cabe agora dar publicidade aos estudos dando prazo para


manifestações por parte de interessados para avaliação das
sugestões e apontamentos, bem como, notificar os f​ abricantes que
disponibilizam no mercado equipamentos que possam atender com
as características estabelecidas, fins de analisar referido
procedimento, para manifestação de eventuais interessados, bem
como para que possam apresentar sugestão de alteração
devidamente fundamentada, e quando as manifestações se
encerrarem, o sugerido é que a SESP possa publicar a NT/SESP-MT
(Norma Técnica da Secretaria de Segurança Pública de Mato
Grosso) que poderá ser exigida em certames pelas Instituições que
integram a SESP-MT, inclusive por outros Estados da federação.

Estabelecer o prazo dentro de oito meses para finalizar o


processo de padronização, prorrogável por mais quatro meses, e
fixar o compromisso de aquisição no primeiro ano de no mínimo
10% do efetivo total existente nas Instituições que integram a SESP
e o prazo máximo de dez anos para aquisição de 100% do efetivo
total existente.

Ao final do processo de padronização que seja, ao fim do


estudo realizado, submetido o processo em epígrafe às autoridades
competente fins de homologar a adoção da padronização ora
requerida.

75
Por fim, ressaltamos a importância da continuidade de
construção dos requisitos operacionais relacionados aos produtos
controlados, especialmente os materiais bélicos, a serem adquiridos
e empregados pelo operadores de Segurança Pública. A sugestão
desta comissão é de o próximo trabalho a ser realizado por esta
comissão interinstitucional seja para análise de padrões e requisitos
operacionais mínimos das munições letais destinadas ao
treinamento e as de uso operacional, bem como, os requisitos
operacionais mínimos para as armas portáteis, submetralhadora
9mm LUGER, fuzil de assalto 5,56 NATO, fuzil de combate 7,62
NATO e Espingardas GA12 com prazo de 180 dias para finalização.

Certo de que todos os esforços foram em busca de dar


melhor condições de trabalho e melhor aproveitamento dos recursos
públicos, reforçamos nossos protestos de estima e confiança.

Marcos Eduardo Ticianel Paccola Emivan Batista de Oliveira


Major PMMT Perito Oficial – POLITEC

Fernando Raphael P. de Oliveira Antônio Carlos de Oliveira


Cabo PMMT Perito Oficial – POLITEC

Wladimir Fransosi Reginaldo Zeferino da Rosa


Delegado PJCMT Investigador PJCMT

Ramiro Mathias Ribeiro Queiroz Maycon Rodrigues


Delegado PJCMT Escrivão PJCMT

76
77
H O M O LO G AÇÃO

José Carlos de M orais - Ten Cel PM


Superintendente da SALP
ESTADO DE MATO GROSSO
POLÍCIA MILITAR
CORDENADORIA DE APOIO LOGÍSTICO E PATRIMÔNIO

PARECER TÉCNICO DA GERÊNCIA DE MATERIAL BÉLICO

N.004/SALP/GMB/2016

1. REFERÊNCIA
RELATÓRIO DE PERIGO 001/GMB/2016.

DATA DE RECEBIMENTO : 10/06/2016

RESPONSÁVEL PELO PARECER: Maj Paccola - Gerente de Material Bélico

DATA DO PARECER: 27/06/2016

2. DOS FATOS APRESENTADOS

O relatório que abaixo segue transcrito na íntegra foi produzido


pelo Cb PM Fernando Raphael P de Oliveira da Gerência de Material
Bélico da PMMT, Instrutor e Multiplicador de habilitação para uso de
arma de energia conduzida SPARK-COIMDOR.

(Transcrição de Relatório-grifo nosso)


Relatório de Perigo 001/GMB/2016

Material: Arma de Energia Conduzida SPARK 802 Z2.0


Fabricante: Condor Indústria Não Letal.

1. Finalidade.
O presente documento tem por finalidade analisar o armamento
descrito acima que foi entregue a PMMT em abril de 2016, e após ser
colocado em operação vem apresentando defeitos.
2. Dos Fatos.
Os equipamentos em tela foram enviados para analise na Gerência
de Material Bélico sob a alagação dos operadores de que:
• Não estão carregando as baterias;
• Que aparece no display aparece como bateria carregada e no
primeiro disparo a mesma descarrega e não volta a funcionar;
• Equipamento não liga;
• Display queimado.

3. Dos Testes
Foi realizada inspeção externa de todos os equipamentos para
observar se houve indícios de queda ou mau uso do mesmo, por se tratar
que equipamento eletrônico mais sensível e menos rústico que uma arma
de fogo. Em todas as inspeções não foi localizado qualquer sinal de
queda, exposição à água ou qualquer outro tipo de dano que possa
comprometer o funcionamento dos dispositivos.
Foram conferidos todos os defeitos reclamados pelos operadores e
após confirmação dos relatos constatamos que se trata de problemas
eletrônicos não sendo possível determinar, no âmbito da PMMT, a causa
ou solução imediata que o caso requer sem que haja prejuízo no emprego
dos equipamentos no serviço operacional.

4. Conclusão.
Com os fatos acima expostos informo que o total de equipamentos
adquiridos pela PMMT foi de 250 e em menos de 60 dias de operação 15
unidades apresentaram problemas que pode colocar em risco a
integridade física do operador, vitima e até de perpetradores de crise em
ocorrências de maior complexidade. Com isso segue sugestões para que
possamos evitar tais transtornos com nossos policiais.
• Posicionamento imediato do fabricante sobre o problema
apresentado pelos equipamentos apresentando solução em curto prazo
para que não haja prejuízo ao serviço operacional e nem ônus para
• Recolhimento imediato de todos os equipamentos já
distribuídos para que o fabricante solucione o problema ou providencie a
troca imediata de forma que não haja prejuízo ao serviço policial.
• Medidas jurídicas iunto ao fabricante oara dar amoaro ao
policial que, por ventura sofra alguma lesão física ou qualquer transtorno
ocorrido em ocorrência aonde o equipamento venha a falhar durante o
uso.
Informo que já entramos em contato com o fabricante que efetuou
a coleta de armas pra manutenção, porém até o momento não se
pronunciou sobre prazos de devolução ou solução para os novos casos.
Informo ainda que temos armas com defeito que foram enviadas
recentemente para SALP para que o fabricante efetue a coleta e resolva
os defeitos.

3. ANÁLISE DA SUGESTÃO APRESENTADA:


Os fatos narrados no Relatório de Perigo acima citado são de extrema
gravidade, ainda mais por se tratar de assunto recorrente, uma vez que das 200
(duzentas) unidades de armas de energia conduzida (dispositivo eletrônico
incapacitante) recebidas da SENASP, diversos problemas foram constatados, sendo
que 25 (vinte e cinco) SPARKs DSK-700 foram encaminhadas a mais de um ano
para a fabricante não tendo retorno de solução.
Ainda deste primeiro lote os suporte das pilhas foram subistituídos,
contudo, continuam sem a mínima condição de dar segurança de funcionamento
diante da complexidade das atividades policiais que necessitam o emprego das
mesmas.
As novas armas SPARKs 802 Z/2 são tão péssimas quanto as primeiras, e
não apresentam a mínima possibilidade de serrem utilizadas na atividade
operacional, já que o policiai passa a ter que contar com a sorte par que seu
equipamento não falhe.
Nos últimos dias, conforme relatado por várias unidades, as armas novas
modelo 802 Z/2 apresentaram os mais variados problemas, em destaque, o relato
formal feito pelo Cb PM Botelho do BOPE no qual informa a infeciência do
dispositivo em ocorrência de alta complexidade envolvendo suicida.
Diante dos fato narrados e da responsabilidade deste Gerente de
Material Bélico em propiciar o mínimo de segurança para o exercício do sen/iço aos
Policiais Militares do Estado de Mato Grosso, coloco-me favorável que sejam
tomadas as sugestões providências:
1. Supensão de pagamento do último lote adquirido pela PMMT até que os
problemas com os dois lotes sejam 100% solucionados.
2. Recolhimento imediato de todos os equipamentos já distribuídos para que o
fabricante solucione o problema ou providencie a troca imediata de todas as
armas dos dois lotes por armas que tenham garantia de bom funcionamento.
3. Medidas jurídicas junto ao fabricante para indenizar os policias que foram
e/ou forem prejudicados pela ineficácia do equipamento, fins de que seja
dado amparo ao policial que, por ventura sofra alguma lesão física ou
qualquer transtorno ocorrido em ocorrência aonde o equipamento venha a
falhar durante o uso.

4. CONCLUSÃO E PARECER:
Nota-se que o desrespeito com os agentes de segurança pública vem
sendo prática recorrente das Indústrias Nacionais de Matérial Bélico e Equipamento

menos letal.
Se isso não bastasse, com a alegação de preferência de aquisição da
indústria nacional, nota-se que mesmo com a qualidade muito inferior aos produtos
internacionais e preço consideravelmente maiores, a busca pela blindagem do
mercado tem causado sérios prejuízos e riscos incalculáveis aos agentes de
Segurança Pública de todo Brasil.
O parecer é de que todas as 450 (quatrocentos e cinquenta) unidades de
dispositivo elétrico incapacitante, 200 (duzentas) unidades do primeiro lote e 250
(duzentos e cinquenta) unidades do segundo lote, sejam todas recolhidas pela
fabricante e que o pagamento somente seja realizado quando o problema das
armas estiverem 100% solucionados, caso contrário, sou de parecer que seja
5
Governo do Estado de Mato Grosso

Polícia Militar do Estado de Mato Grosso

Comando Geral / Seção de Apoio Logístico e Patrimônio - SALP

Gerência de Material Bélico

Relatório de Perigo 001 /GMB/2016

Material: Arma de Energia Conduzida SPARK 802 Z2.0

Fabricante: Condor Indústria Não Letal.

1. Finalidade,

O presente documento tem por finalidade analisar o armamento descrito


acima que foi entregue a PMMT em abri! de 2016, e após ser colocado em
operação vem apresentando defeitos.

2. Dos Fatos.

Os equipamentos em tela foram enviados para analise na Gerência de


Material Bélico sob a alagação dos operadores de que:

• Não estão carregando as baterias;


• Que aparece no display aparece como bateria carregada e no
primeiro disparo a mesma descarrega e não volta a funcionar;
• Equipamento não liga;
• Display queimado.

3. Dos Testes

Foi realizada inspeção externa de todos os equipamentos para observar


se houve indícios de queda ou mau uso do mesmo, por se tratar que
equipamento eletrônico mais sensível e menos rústico que uma arma de fogo.
Em todas as inspeções não foi localizado qualquer sinal de queda, exposição à
água ou qualquer outro tipo de dano que possa comprometer o funcionamento
dos dispositivos.

Foram conferidos todos os defeitos reclamados pelos operadores e após


confirmação dos relatos constatamos que se trata de problemas eletrônicos não
sendo possível determinar, no âmbito da PMMT, a causa ou solução imediata
que o caso requer sem que haja prejuízo no emprego dos equipamentos no
serviço operacional. A
4. Conclusão.

Com os fatos acima expostos informo que o total de equipamentos


adquiridos pela PMMT foi de 250 e em menos de 60 dias de operação 15
unidades apresentaram problemas que pode colocar em risco a integridade
física do operador, vitima e até de perpetradores de crise em ocorrências de
maior complexidade. Com isso segue sugestões para que possamos evitar tais
transtornos com nossos policiais.
• Posicionamento imediato do fabricante sobre o problema
apresentado pelos equipamentos apresentando solução em curto prazo para
que não haja prejuízo ao serviço operacional e nem ônus para PMMT.
• Recolhimento imediato de todos os equipamentos já distribuídos
para que o fabricante solucione o problema ou providencie a troca imediata de
forma que não haja prejuízo ao serviço policial.
• Medidas jurídicas iunto ao fabricante para dar amparo ao policial
que, por ventura sofra alguma lesão física ou qualquer transtorno ocorrido em
ocorrência aonde o equipamento venha a falhar durante o uso.

Informo que já entramos em contato com o fabricante que efetuou a


coleta de armas pra manutenção, porém até o momento não se pronunciou
sobre prazos de devolução ou solução para os novos casos.
Informo ainda que temos armas com defeito que foram enviadas
recentemente para SALP para que o fabricante efetue a coleta e resolva os
defeitos.

Cuiabá 06 Junho 2016

Fernando Ri
Gerência
1

ESTADO DE MATO GROSSO


POLÍCIA MILITAR

LAUDO TÉCNICO
006/GMB/2016

Cuiabá-MT, 18 de Agosto de 2016.

Após solicitação do Gerente de Material Bélico para produção de um relatório sobre


os defeitos apresentados nas armas utilizadas na PMMT, foram realizados os devidos
estudos e constatado as seguintes situações abaixo relacionadas de acordo com modelo e
fabricante de armas.
1. Armas Imbel
s Pistolas modelo MD5GC
Principais defeitos: teclas do registro de segurança ADC que se
quebram com facilidade, cabeça-apoio do dispositivo de segurança da tecla e cabeça-apoio
da chaveta de fixação do cano que são muito justas e acabam juntando ferrugem e sujeira
com facilidade impossibilitando a operação da arma.

Teclas registro de segurança quebrada.

Av. Hist. Rubens de Mendonça, 6.135 - Morada da Serra - Cuiabá - MT, CEP: 78055-50'
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POLÍCIA MILITAR

Pino quebrado.
á1

Encaixes quebrados.

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3

ESTADO DE MATO GROSSO


POLÍCIA MILITAR

Principais reclamações dos operadores: peso da arma, acabamento com


cantos vivos que impossibilita o porte velado e a dificuldade de manuseio devido fato da
arma funcionar somente em ação simples ou com sistema ADC (desenvolvido pela Imbel) e
armamento com acabamento e oxidação que não resiste ao tempo enferrujando com
extrema facilidade ou sua tinta epóxi descascando, suas peças moveis são muito justas e
não suportam exposição poeira causando travamento de seu mecanismo e operadores que
trabalham em ambiente rural ou operações que requeiram maior tempo de exposição a
ambientes inóspitos.
Incidentes possíveis durante operação: travamento completo do
equipamento durante operação impossibilitando o operador de efetuar disparos ou o não
funcionamento do sistema ADC devido à fragilidade ou queda da trava de segurança.

^Pistolas modelo MD6GC


Principais defeitos: Retém do carregador se solta da armação devido à
mesma ser fabricada em polímero e o mesmo não resistir pressão e uso continuo do botão
do retém do carregador. Teclas do registro de segurança ADC que se quebram com f\
facilidade, cabeça-apoio do dispositivo de segurança da tecla e cabeça-apoio da chavet^de

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POLÍCIA MILITAR
fixação do cano que são muito justas e acabam juntando ferrugem e sujeira com facilidade
impossibilitando a operação da arma.

Retém do carregador solto.

Armação em polímero não resiste e não segura a peça.

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POLÍCIA MILITAR
Principais reclamações dos operadores: acabamento com cantos vivos
que impossibilita o porte velado e a dificuldade de manuseio devido fato da arma funcionar
somente em ação simples ou com sistema ADC (desenvolvido pela Imbel) e armamento com
acabamento e oxidação que não resiste ao tempo enferrujando com extrema facilidade ou
sua tinta epóxi descascando e suas partes moveis são muito justas e não suportam
exposição à poeira causando travamento de seu mecanismo e operadores que trabalham
em ambiente rural ou operações que requeiram maior tempo de exposição a ambientes
inóspitos.
Incidentes possíveis durante operação: queda do carregador da arma
sem que operador perceba e travamento completo do equipamento.

S Carabinas MD97
Principais defeitos: nos primeiros lotes de fabricação armas
apresentaram disparos acidentais ou a mesma dava rajada quando seu seletor estava na
posição de tiro intermitente. Após recall e retirada à função de rajada das mesmas tivemos
problemas ainda mais inacreditáveis como: o cano da arma simplesmente cair ou sua
coronha quebrar durante operação conforme imagem abaixo.

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Coronha quebrada

Coronha Quebrada

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Cano que se soltou

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Cano caiu

Principais reclamações dos operadores: falta de confiança no


armamento que tem histórico de disparos acidentais e peças funcionais que se quebram
com extrema facilidade.
Incidentes possíveis durante operação: no caso de coronha cair o
operador tem a funcionalidade da arma reduzida para disparos de média e longa distância e
no caso do cano cair além de inoperância total da arma se o mesmo se soltar durante
disparo pode causa lesão no operador ou a terceiros.

^Fuzis M964 e MD2


Principais defeitos: rosca do cilindro de gazes que se espana com o
tempo deixando o embolo solto.

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Arma inoperante.

Cilindro de gases com rosca espanada.

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POLÍCIA MILITAR
Principais reclamações dos operadores: falta de confiança no sistema de
aproveitamento de gazes para funcionamento da arma.
Incidentes possíveis durante operação: pane de extração de capsula
deflagrada ou a “degola” da mesma dentro da câmara impossibilitando a realimentação e
deixando a inoperante.

2. Armas CBC
v' Espingarda 586T.
Principais defeitos: logo em seu lançamento houve problemas em sua
coronha (que era para ser rebatível e telescópica), porém a função rebatível rebatia sozinha
durante o disparo e a função telescópica não funcionava devido ao mecanismo de ferro
muito justo e com a mínima sujeira o mesmo se trava. A oxidação/pintura da arma descasca
com uma facilidade impressionante fazendo com que a arma enferruje. Outro defeito é haste
de manobra da telha que se solta com facilidade conforme imagem a baixo.

Arma com coronha danificada

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Haste da telha quebrada, oxidação descascada.

Suporte de munição quebrado.

^ Principais reclamações dos operadores: peso da arma que impossibilita


o porte da mesma por grandes períodos de serviço e a falta de confiança num equipamentoo
i\
A
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que pode se quebrar com facilidade durante operação pondo em risco a integridade física do
operador.
^ Incidentes possíveis durante operação: deslocamento involuntário da
coronha durante disparo e inoperância total da arma no caso de quebra da haste de
manobra da telha.

3. Armas Taurus.
^ Pistolas Taurus PT100/ PT100P/PT940/PT98/PT99

Principais defeitos: quebra de peças moveis e funcionais com facilidade.


As peças de reposição deste modelo de arma ultimamente não resistem por muito tempo a
operação diária da arma, peças imprescindíveis ao funcionamento como mola de gatilho e
percussor vem apresentado um alto número de quebra.

Percussores quebrados.

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Molas de Gatilho quebradas.


Principais reclamações dos operadores: quebra constante de peças.
Incidentes possíveis durante operação: inoperância total da arma devido
à quebra de peças essenciais para operação do equipamento.

^Pistolas PT840/809.

Principais defeitos: logo na primeira aquisição destes modelos de armas


foram detectadas falhas de controle de qualidade das armas tais como aparelho de pontaria
solta ou totalmente desalinhada, após testes foram detectados defeitos no funcionamento da
arma como: percussor que se quebrava com facilidade devido o alojamento do mesmo no
ferrolho da arma não estar nas medidas corretas ocasionado o travamento do mesmo e
frente vindo a causar sua quebra. Foi observada também a queda de um anel de fixação do
eixo do desarmador do cão que deixava o mesmo flutuante dentro da arma causando seu
travamento total. O tirante do gatilho da arma não segue um padrão de tamanho para que
possa fazer sua função dentro do mecanismo de disparo ocasionado pane ou e muitas
vezes impossibilitando arma de efetuar um segundo disparo.

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POLÍCIA MILITAR
Além dos apontamentos acima identificamos nas pistolas 809 uma falha
nos carregadores que começaram a se desmontar durante o disparo, bem como seus
aparelhos de pontaria também costumam cair durante o uso.
A mola do gatilho destes modelos também se quebrava com extrema
facilidade e foram trocadas, após reclamação dos defeitos, por mola do mesmo padrão,
porém com uma volta a mais dando, mas resistência à mesma.

Percussores quebrados e trocados por recall

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POLÍCIA MILITAR
*

Anel Seeguer que se solta do eixo.

Tirantes de gatilho. Esquerda antigo / direita novo.

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Diferença nas peças antigas e novas.

Molas de gatilho. Esquerda a antiga com duas voltas. Direita a nova reforçada com três voltas

Principais reclamações dos operadores: falta total de confiança nc


armamento, pois peças caem ou a falta de padronização das mesmas pode causar defeitos.

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Incidentes possíveis durante a operação: como todas as possibilidades
expostas acima têm uma chance muito grande de pane que impossibilite o emprego do
armamento causando risco à integridade física do operador ou mesmo ceifando sua vida.

^SMT40
Principais defeitos: seu seletor de tiros que possui três posições,
intermitente, tiro duplo e rajada, não funciona corretamente, pois quando na posição
intermitente a arma da disparos e quando na posição dois disparos ela da rajada total. Outro
defeito e quanto a sua mola recuperadora do ferrolho que e fixada por um anel seeguer que
não aguenta o funcionamento e se quebra deixando a arma inoperante. A coronha na função
telescópica também apresenta defeito quando e ajustada e sai do trilho deixando a arma
totalmente desregulada para o operador, o aparelho de pontaria costuma de soltar com o
tempo de operação ficando totalmente desregulado.
A alavanca de manejo da arma se quebra com facilidade deixando a arma inoperante no
cenário de operações.

Mola recuperadora fixada por um anel seeguer.

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Guia nova fixada com parafuso.

Guia após recall.

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Alça de mira solta.

Alça de mira quebrada

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Te.: (Oxx) 65 3613-88.4,Fax: (Oxx) 65 36,3-8830,Ema.,: d a . p g m b ® « “
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Alça de fixação da bandoleira e junto a alavanca de manejo, que atrapalha o manejo durante a
operação de emergência.

Principais reclamações dos operadores: panes nos carregadores e


dificuldades de manobrar a alavanca de manejo devido à alça de a bandoleira ser junto a
alavanca de manejo.
Possíveis incidentes durante a operação: falha na alimentação devido ao
rompimento do anel seeguer causando inoperância da arma.

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MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPÚBLICA EM SERGIPE
1º Ofício da Tutela Coletiva

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(ÍZA) FEDERAL DA _ VARA DA


SEÇÃO JUDICIÁRIA DE SERGIPE.

Inquérito Civil Público nº 1.35.000.001312/2016-35


ACP nº 04/2017-MPF/PRSE/LNT

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pessoa jurídica de direito público,


com CNPJ já informado junto ao Sistema PJE, por intermédio da Procuradora da República
infra-assinada, e-mail prse-listajuridica@mpf.mp.br, vem, à honrada presença de Vossa
Excelência, com fundamento na Constituição da República, na Lei Complementar nº 75/93 e na
Lei nº 7.347/85, propor a presente

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

em face da

UNIÃO (Exército Brasileiro), pessoa jurídica de direito público,


representada pela Procuradoria da União no Estado de Sergipe, com sede
na Avenida Beira Mar, nº 53, bairro 13 de Julho, CEP 49.020-010, nesta
Capital, detendo seu Procurador-Geral o e-mail institucional
miguel.melo@agu.gov.br; e da

FORJAS TAURUS S.A., pessoa jurídica de direito privado (companhia


de capital aberto), situada à Av. São Borja, 2181 - Fazenda São Borja,
São Leopoldo - RS, CEP 93032-000, CNPJ/MF Nº 92.781.335/0001-02,
Fone: (51) 3021.3000 – Fax: (51) 3021.3110, com os endereços
eletrônicos: ri@taurus.com.br, thiago.piovesan@taurus.com.br,
taurus@fsb.com.br.

tendo por base o quanto apurado no Inquérito Civil nº


1.35.000.000268/2010-51, em anexo, e as razões de fato e de direito a seguir expostas.

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1º Ofício da Tutela Coletiva

I – OBJETO DA AÇÃO

A presente ação tem como pretensão a quebra do monopólio e


retirada de inconstitucionais obstáculos à importação de armamentos e munições
adequados ao uso dos órgãos de segurança pública, às autoridades públicas com porte
legal de arma, e cidadãos em geral, no Brasil, o recolhimento de armamentos de baixa
qualidade, produzidos pela empresa nacional Forjas Taurus S.A. e fornecidas à
administração pública e à população, para reparo, substituição desses equipamentos
e/ou indenização pelo valor pago, bem como a condenação dos autores ao pagamento de
dano moral coletivo, pelas violações à ordem econômica, os direitos do consumidor, a
segurança pública e o patrimônio público.

O móvel da ação funda-se em material probatório colhido no


inquérito civil público nº 1.35.000.000268/2010-51, instaurado para apurar a
deficiência da atuação do Exército Brasileiro na regulamentação e fiscalização da
qualidade dos armamentos e munições produzidos pela indústria nacional, assim como a
criação de uma inconstitucional reserva de mercado para a indústria nacional de
armamentos.

Conforme restou demonstrado na referida investigação, por sua


baixa qualidade, tais armas e munições tem causado danos físicos, perdas de vidas
humanas e prejuízos materiais nas forças policiais e na sociedade em geral, em
decorrência da criação de um sistema protecionista, pelo Exército Brasileiro, aos
interesses de mercado da indústria nacional de armamentos, no qual a posição
dominante é exercida pela empresas Forjas Taurus.

A ação visa, em última análise, por meio da efetivação dos


princípios constitucionais da livre concorrência e da defesa do consumidor: a)
resguardar a vida e integridade física dos policiais, agentes públicos e demais usuários
de armamentos disponibilizados à venda no Brasil; b) proteger o erário dos constantes
danos que tem sofrido em razão da má qualidade dos armamentos que tem sido
obrigados a adquirir; c) e garantir a segurança pública.

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II – DOS FATOS

A) O INÍCIO DO INQUÉRITO CIVIL E AS INFORMAÇÕES FORNECIDAS


PELOS ÓRGÃOS DE SEGURANÇA PÚBLICA E PELO EXÉRCITO BRASILEIRO

O Ministério Público Federal instaurou Inquérito Civil Público n.


1.35.000.001312/2016-35 em 15/07/2016 com o objetivo de apurar eventual
deficiência da atuação do Exército Brasileiro na fiscalização da qualidade dos
armamentos e munições produzidas pela indústria nacional e consumidos
obrigatoriamente pelos órgãos de segurança pública brasileiros e a incompatibilidade
com o ordenamento jurídico nacional, da criação de uma reserva de mercado a
empresas nacionais na venda de armamentos e munições no Brasil.

O início desse procedimento se deu em razão do recebimento de


Justificativa Técnica elaborada pelo Grupo Especial de Repressão e Busca – GERB,
unidade de operações táticas especiais da Superintendência da Polícia Civil do
Estado de Sergipe (fls. 30/37), que informou ao Ministério Público Federal a
existência de graves circunstâncias que justificavam preocupação com a qualidade dos
armamentos adquiridos pela administração pública para uso de seus agentes policiais.

No referido documento destacou-se a total falta de confiança do


grupo tático nas armas produzidas pela FORJAS TAURUS, em razão de diversos
problemas encontrados nas pistolas de fabricação da empresa ré, especificamente as
do modelo PT 24/7 PRO TACTICAL LS DS no calibre .40, que apresentaram incidentes
insanáveis do ponto de vista operacional, conforme Parecer Técnico n. 001/2016 (fls.
98/102 – Vol. I), emitido pelos professores instrutores do Setor de Treinamentos
Especializados -STE e Laudo Pericial nº 1666/2016 (fls. 12/29 do Vol. I).

Salientou, o citado relatório, que testes realizados por seus


atiradores especializados, demonstraram claramente a baixa qualidade no que se
refere ao aço utilizado na manufatura das armas avaliadas, a falta de resistência e de
desempenho do armamento nacional e o não atendimento às necessidades do cotidiano
do GERB e do Centro de Operações Policiais - COPE, ambos do Estado de Sergipe. As
armas tiveram que ser retiradas de utilização para que fossem substituídas por
modelos que oferecessem total confiabilidade e segurança para seus operadores (fls.

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30/33).

O referido Laudo Pericial n. 1666/2016, de 20 de maio de 2016,


elaborado pelo Instituto de Criminalística da Secretaria de Segurança Pública do
Estado de Sergipe, juntado às fls. 12/37, concluiu que as pistolas do modelo PT 24/7
PRO LS DS TACTICAL .40, números de séries SE091170, SE091184 e SE091185
apresentaram os seguintes problemas:

1. Durante a primeira série de 15 disparos realizados, a pistola


número de série SE 091184 parou aberta, com o ferrolho à
retaguarda, ainda com munição no carregador e sem acionamento
do retém do ferrolho, a partir do oitavo disparo, até o décimo
quarto disparo (fl. 24).

Durante a segunda série de 15 disparos, a arma apresentou o


mesmo problema apresentado na primeira série, a partir do
segundo disparo, até o quarto disparo. No sexto disparo, a arma
apresentou o mesmo problema. Após sanado o problema, o ferrolho
não fechou completamente e a arma não produziu disparos com o
acionamento da tecla do gatilho. Com o ferrolho não fechou
completamente, poderia ocasionar problema na percussão, pois o
pino percussor poderia não percutir a espoleta.

No décimo disparo, a arma apresentou o mesmo problema, que não


foi sando pelas técnicas normais de tiro, sendo necessário o
emprego de ferramenta. Em face do problema, a série de disparos
foi interrompida, sendo contatadas deformações no terço anterior
superior externo da câmara de combustão e no termo anterior
superior da janela de ejeção proveniente dos choques da câmara
de combustão com a janela de ejeção.

2. Durante a primeira série de 15 disparos realizados, a pistola


número de série SE 091185 apresentou problema de extração,
causando dupla alimentação, a partir do quarto disparo. Na
segunda série de 15 disparos, a arma não apresentou problema.

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Tais incidentes não constituem fato isolado, conforme apurado no


IC anexo. Um levantamento nacional realizado pelo MPF revelou ser generalizado no
país o quadro de falhas nos armamentos fornecidos com exclusividade pela Forjas
Taurus, conforme se verá mais adiante.

Uma Nota Técnica emitida pela Coordenadoria de Operações da


Secretaria de Segurança Institucional da Procuradoria Geral da República, (fls. 05/09
do Vol I), nas suas conclusões, em que pese ter se pronunciado favoravelmente à
aquisição de dois modelos da marca Taurus (PT 709 Slim e/ou PT 609 PRO e/ou PT
809C), concluiu por descartar a indicação de aquisição dos demais modelos disponíveis
pela empresa, em razão de falhas apresentadas e que ali foram descritas.

O referido documento destacou, ainda, que o mercado de armas e


munições no Brasil é restrito a um pequeno número de fabricantes, por motivos de
concentração de mercado e monopólio, no que tange à comercialização de aramas e
munições.

Com base nos diversos problemas apresentados em vários modelos,


tanto da fabricante Taurus quanto da fabricante Imbel, o documento sugeriu ações de
gestão da Associação Nacional dos Procuradores da República junto ao Exército
Brasileiro no sentido de que fossem implementadas mudanças legislativas e
regulamentares para permitir a importação, pelos membros do Ministério Público e
pelos Magistrados, de armas de fogo nos calibres autorizados pela Portaria COLOG n.
25/16 (fls. 04/09).

Com base nessas informações preliminares, o MPF determinou que


se oficiasse a diversas instituições ligadas à segurança pública em todo o país com o
objetivo de traçar um amplo quadro fático relativo aos defeitos estruturais nos
equipamentos fornecidos pela empresa acionada.

Das respostas advindas de tais requisições, constatou-se a


existência de um quadro generalizado de falhas e deficiências estruturais nas armas e
munições fabricadas pela empresa ré e, em consequência, a ocorrência de variados
acidentes advindos desses defeitos estruturais nas armas produzidas, ocasionando
diversas mortes e danos físicos graves a seus usuários e autoridades policiais, pondo

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em risco a vida e a integridade física de grande parte das autoridades brasileiras, no


âmbito dos diversos poderes do Estado, que hoje se veem obrigadas pelo Exército
Brasileiro a manusear tais armas;

Com efeito, o MPF recebeu diversos documentos e relatos, a


maioria deles embasada em laudos técnicos produzidos por profissionais
especializados, confirmando diversos acidentes ocasionados por defeitos de
fabricação e pela baixa qualidade dos armamentos Taurus no Brasil e no exterior.

Confiram-se os dados colhidos no inquérito civil público:

1. O ofício n. 468/2016/GAB/SSP, oriundo da Secretaria de


Segurança Pública do Estado de Sergipe, (fls. 96/97 do vol I), dá conta de que
inspeção realizada por experts em lote de Pistolas Forjas Taurus, modelo PT 24/7 PRO
TACTICAL LS DS, calibre .40, adquirido com recursos do Programa Brasil Mais
Seguro, constatou graves irregularidades estruturais e disparos acidentais:

“Cumpre esclarecer, por oportuno, que os equipamentos foram, à


exaustão, submetidos aos mais diversos testes de aptidão, de
modo que ficou mais do que demonstrada a sua inadequação para o
desiderato a que se propõe. (…)

Nessa perspectiva, e tendo por balizamento as análises


alinhavadas pelos servidores dotados das expertises necessárias
para tanto, fica evidenciado que temos, sem rodeios ou
tergiversações, dois caminhos a seguir, leiam-se, 1) ou esta
respeitável empresa providencia a substituição do material bélico
defeituoso, ou 2) faz o imediato reembolso da quantia despendida
por esta SSP para o investimento em tais objetos.

Por óbvio, e dada a sensibilidade da matéria aqui ventilada, não há


que se cogitar, em hipótese alguma, em recall, porquanto a vida
dos operadores de segurança pública, sobretudo daqueles que
integram times táticos, não pode ser vulnerada nem por um
milímetro que seja.”

6
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Acompanha o referido ofício o Parecer n. 001/2016 (fls.


98/105), por meio do qual se registrou que as falhas, panes e incidentes apresentados
nas pistolas TAURUS modelo 24/7 PRO TATICAL PRO LS DS, no calibre .40, são
extremamente graves, podendo ocasionar até mesmo a morte de qualquer operacional
que esteja fazendo uso da mesma, “haja vista alguns desses acidentes serem
considerados insanáveis, ou seja, nenhum meio ou manobra conhecida ou tradicional em
todas as correntes doutrinárias, até mesmo nos melhores centros de pesquisa de
operações especiais são capazes de solucionar de forma eficaz a pane ocasionada pela
falha na estrutura da arma em tela. Podemos citar como exemplo de pane insanável, o
que ocorreu com a PISTOLA DE N. 03, conforme discorrido nos problemas abaixo
discriminados no item 13.”

Concluiu no sentido de que “se recolha todo o lote de pistolas das


FORJAS TAURUS, do modelo PT 24/7 PRO TACTICAL LS DS, no calibre .40
atualmente pertencentes à Secretaria Pública do Estado de Sergipe e provenientes do
convênio BRASIL MAIS SEGURO, não somente do Grupo Especial de Repressão e
Busca – GERB, como de qualquer unidade especializada que tenha adquirido as mesmas
armas através do mesmo instrumento, haja vista, por analogia, pertencerem ao mesmo
lote de fabricação e, dessa forma, as estruturas metálicas poderem estar
comprometidas e não sendo razoável esperar a prova da morte de nenhum operacional
para a comprovação dos problemas levantados pelos pareceristas que subscrevem
acerca das armas alvo de avaliações e testes.”

2. Do mesmo modo, o Governo do Estado do Mato Grosso do


Sul, por meio da sua Secretaria de Justiça e Segurança Pública, detectou defeitos
nos lotes de armamentos e munições adquiridos até o ano de 2014, conforme relatórios
anexados ao ofício n. 893/2016/ASSGAB/SEJUSP/MS, fls. 155/175 do vol I.

Os defeitos estruturais constatados pela referida instituição


pública, vão desde deformação no cano (culatra), passando por quebra do tirante do
gatilho, falta de padrão na fabricação do carregador e folga excessiva, com quebra do
retém e de componentes plásticos, até quebra do percursor e do extrator, que
permanecia preso ao ferrolho da arma.

O Despacho 010/MATBEL/2016, de fl. 180/181 do vol I, bem

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esclarece o quadro fático delineado, caracterizador de elevado risco para os usuários


desses armamentos, na medida em que descreve várias ocorrências de panes de
disparo, necessidade de ajustes da trava do retém do carregador, procedimento de
recall de lotes de pistola para troca da trava da empunhadura, quebra da trava de
segurança, troca da esfera do amortecedor do percursor (de uma de silicone por uma
de metal) etc.

3. O Ofício n. 381/2016 – DAL – 4, oriundo da Polícia Militar


do Estado de Pernambuco também noticia o registro de disparo acidental de armas de
fogo, sendo 09 pistolas PT modelo PT 840, calibre .40, 06 do modelo PT 100 .40, 06 do
modelo AF .40, 02 SUBMETRALHADORAS MT .40, 01 PT 640 .40, todas da marca
TAURUS, conforme relatórios anexos (fls. 210/262, vol II).

4. A Polícia Civil do Estado de Goiás, ao seu turno, noticiou a


aquisição junto a Taurus de armas de fogo com peças danificadas, a exemplo do
carregador, com o encaminhamento para manutenção e troca (Memorando n.
0103/2016-NAPC, de fls. 264/266, vol II).

5. A Polícia Civil do Estado do Amapá, por meio do Memo n.


089/16-SAME-DPA/DGPC, fls. 278/279, vol II, informa que 98% do seu
armamento é da fábrica TAURUS SA e os outros 2% estão divididos entre as
fábricas CBC e IMBEL, tendo sido observado nos últimos 08 anos inúmeros casos
de armas Taurus com problemas em seu funcionamento.

6. No mesmo sentido foram prestadas informações pelo


Governo do Estado de Pernambuco, por meio do ofício n. 087/16-RMB/DA, de fl.
260, vol II. O ente político registrou a constatação pelos instrutores de armamentos
e munições de que alguns armamentos apresentaram diversos tipos de avarias,
envolvendo pistolas e submetralhadoras da marca Taurus.

7. A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso encaminhou o


Relatório Técnico n. 007/SALP/GMB/2016 (fls. 317/365 vol II), no qual demonstra
de forma detalhada a prática de cartelização imposta por um grupo de empresas.
Nessa peça técnica, confirma-se o quadro estarrecedor objeto da presente ação, uma
vez que o documento descreve sérios prejuízos decorrentes de aquisições de

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armamento nacional e munições de fabricação nacional.

Confiram-se os dados expostos de forma minuciosa no referido


documento pela Coordenadoria de Apoio Logístico e Patrimônio da Polícia Militar do
Estado do Mato Grosso, em resposta aos questionamentos formulados pelo MPF:

Questionamento 1 do MPF: eventuais laudos ou informações


técnicas sobre prejuízos causados ao erário, decorrentes do
investimento em armamento nacional e munições de baixa
qualidade e com problemas de funcionamento, que tenham ou
não gerado devolução de armas e munições:

Resposta da SSP-MT: o prejuízo mais significativo ao erário se dá


justamente pelo absoluto monopólio de mercado das indústrias de
armas e munições de uso letal e menos letal TAURUS, IMBEL,
CONDOR e CBC Cia Brasileira de Cartuchos. Não se faz
necessário muito esforço para identificar uma eventual prática de
preços, no mínimo incompreensíveis, principalmente para as vendas
realizadas às Instituições que são isentas da maior parte dos
impostos. Contudo, somente a quebra de sigilo fiscal das
Indústrias Nacionais acima citadas que permitirá uma análise
capaz de comprovar a existência ou ausência de prática dos preços
abusivos em virtude do monopólio de mercado.

Nota-se claramente, por meio de pesquisa em fontes abertas ou


visitação às lojas dos Estados Unidos da América que os preços
praticados pela indústria nacional são no mínimo surpreendentes
quando comparados com o preço de vendas praticado pelos lojistas
americanos, ainda que no varejo, das mesmas armas (modelo e
fabricante) adquiridas quase que obrigatoriamente pela maioria
das Instituições e Policiais no Brasil.

(…)

É possível verificar que nas lojas dos EUA o valor da arma,


produzida no Brasil, TAURUS, modelo PT840, calibre .40SW,

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capacidade de carregador 15+1 é vendida por menos de


R$1.000,00 (mil reais), e para esta operação vale salientar que
existem custos de frete até a região de embarque portuário ou
aeroportuário, custos de permanência e desembaraço
alfandegário, taxas de entrada em território americano, bem
como, obviamente, o lucro do lojista na comercialização.

Ora pois, as próprias fabricantes nacionais fazem questão de


enfatizar que a matéria-prima, processos e o controle de
qualidade das armas nacionais e tipo exportação são os mesmos. A
partir desse pressuposto, por meio da quebra de sigilo fiscal será
possível analisar, por meio dos documentos oficiais emitidos, os
preços praticados nestas operações de vendas nacionais para
Instituições com os preços das armas de exportações já que
ambas são isentas de IPI, qual seria a justificativa do preço
praticado senão o proveito no monopólio de mercado para ganhos
vultuosos.

E quando analisamos os valores de venda da Indústria Nacional


diretamente para o Policial, ou seja, sem intermediários tipo
lojista, chega a ser assustador a diferença do preço praticado,
mesmo sabendo da incidência de alguns impostos que são
anistiados nas operações de exportação é um tanto quanto difícil
de acreditar a discrepância de um percentual de chega próximo
500%.

(…)

As solicitações de compras por meio de importação são


constantemente impedidas em virtude do indeferimento da
autorização de compra do Exército Brasileiro sob alegação de que
existe similar nacional, contudo, há de se admitir que tal prática
tem mudado nos últimos anos, principalmente, no que se refere a
aquisições para Unidades de Operações Especiais.

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O Exército Brasileiro por meio da Diretoria de Fiscalização de


Produtos Controlados assume uma postura que aparenta ser
equivocada de atestar impedimento de compra de arma importada
alegando similaridade de produto nacional, fazendo, talvez, uma
interpretação antagônica da lei de licitações, impedindo assim que
as Instituições e Policiais façam compra de armas de produção
internacional sob alegação de defesa da Indústria Nacional,
quando deveria priorizar defender os interesses relacionados à
boa gestão do dinheiro público e a proteção da integridade física
dos agentes de Segurança Pública do Brasil, devendo sim então,
manter o controle das dotações (quantidades e calibres de armas
e munições) que cada Instituição pode manter sob seu
gerenciamento para emprego na atividade fim, independentemente
da origem de fabricação.

A proteção da Indústria Nacional feita pelo Exército Brasileiro ao


impedir a compra de armas e munições de fabricação estrangeira
pelas Forças de Segurança Pública e pelos Agentes de Segurança
Pública, vem dissecando os cofres municipais, estaduais e federal,
já que esta proteção permite que as fabricantes de armas e
munições cheguem a praticar no Brasil os preços sem concorrência
alguma. Desta feita, observa-se que tal prática vai totalmente de
encontro com os preceitos da administração pública e da própria
lei de licitação, em especial a economicidade, eficiência e a livre
concorrência.

O quesito similaridade deve ser utilizado apenas como critério de


desempate, ou seja, durante o processo licitatório, se houver
empate entre os participantes do certame, tanto no quesito preço
quanto qualidade, deverá a administração pública contratar o
participante que ofertar o produto de fabricação nacional.

Aparentemente essa transferência quase que obrigatória dos


recursos públicos para o setor monopolizado de armas e munições

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do Brasil que já era extremamente nocivo, e agora com TAURUS


pertencendo ao mesmo grupo da CBC, certamente, se não houver
uma ação imediata para abertura deste mercado, inúmeras vidas
inocentes continuarão sendo perdidas pela falta de qualidade dos
materiais e bilhões de reais serão direcionados para os mesmos
destinos.

No caso das munições, a arrecadação anual é muito mais


significativa já que o volume de compra de munições é muito maior
em volume financeiro médio do que o de compra de armas. O
exemplo acima exposto, deixa claro que aparentemente existe uma
prática abusiva de preço, já que para a operação de venda nas lojas
americanas incidem os mesmos custos das armas exportadas,
frete até região de embarque portuário ou aeroportuário, custos
de permanência e desembaraço alfandegário, taxas de entrada em
território americano, bem como, obviamente, o lucro do lojista na
comercialização. Ainda assim, o que se nota é que o preço da
mesma munição, produzida pelo mesmo fabricante e na mesma
planta industrial, quando comparada com o valor praticado na
venda direta para a Secretaria de Estado de Segurança Pública,
mesmo isenta 100% de IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), e recolhendo apenas 7% de ICMS (Imposto
sobre Comércio de Mercadorias e Serviços) do Estado de origem,
o preço praticado para Órgãos Governamentais chega a ser quase
300% do praticado no varejo americano.

Quanto aos danos materiais causados pela baixa qualidade


destes materiais pode-se afirmar que são consideráveis, e que
podem ser calculados através de levantamento junto às
reservas de material bélico do quantitativo de armas
inutilizadas e descarregadas por estarem inservíveis
conseqüência de quebra ou dano por baixa qualidade ou defeito de
fabricação. Já o dano ao erário é quase incalculável já que todos,
absolutamente todos os Órgãos de Segurança e Defesa

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(Guardas Municipais, Policiais Estaduais, Polícias Federais e Forças


Armadas), bem como seus integrantes, são obrigados a se
abastecer de armas e munições nacionais com aquisições sem
concorrência, as quais são praticadas com preços que aparentam
ser abusivos.

Quanto aos danos psicológicos, estes sim, não resta dúvidas que
são imensuráveis. Mesmo não havendo registros nos arquivos da
Polícia Militar do Estado de Mato Grosso de acidente que
vitimaram policiais ou terceiros por problemas mecânicos nos
armamentos, não se pode afirmar que não ocorreram já que a
apuração destes não ficam a cargo da Gerência de Material Bélico,
contudo, diante do que está sendo publicado pelos meios de
comunicação existe uma evidente insegurança por parte dos
policiais ao fazer a utilização dessas armas.

Para uma melhor mensuração dos danos psicológicos, a maneira


mais sensata seria de fazer um chamamento público para que as
pessoas que tiveram contato com acidentes provocados por
falhas em armamentos de fabricação nacional, e a estes
perguntar quais foram os danos para os filhos ou mães que não
tem mais seus Heróis Anônimos no seio familiar pela falha do
equipamento, ou mesmo, para aqueles que ficaram vivos, mas estão
parcialmente inutilizados por uma lesão permanente causada por
estes materiais de baixa qualidade.

Questionamento 2 do MPF: documentos relativos a acidentes


que tenham vitimado policiais ou civis em razão do mão
funcionamento de armamentos nacionais ou munições:

Resposta da SSP-MT: destacamos que o trabalho da Gerência de


Material Bélico tem sido de minimizar os problemas por meio de
orientações de checagens de funcionamento e manutenção
preventiva dos equipamentos.

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Por meio de controle sistêmico foram levantados os problemas que


foram registrados quando apresentados em armas da Polícia
Militar do Estado de Mato Grosso, de Janeiro de 2013 até 10 de
Agosto de 2016, sendo selecionados, apenas os casos de trocas de
peças que impediriam o armamento de funcionar caso fosse
necessário seu emprego para defesa própria do policial ou de
terceiros.

Nota-se que não são raros os casos de quebras de peças, contudo,


os casos em que ocorrem lesões ou morte de policiais ou terceiros
são apurados por meio de Inquérito, sendo os laudos produzidos
pela Perícia Oficial do Estado e não pela Gerência de Material
Bélico.

Vale ressaltar que das fabricantes nacionais, a TAURUS é a que


vem apresentando um serviço regular no que tange assistência
e reposição de peças, inclusive, em virtude do conhecimento do
alto índice de quebras de peças das pistolas modelo PT840, já
está em fase de execução um ação de recall pela fabricante para
troca de conjunto de peças das armas modelo 800 pertencentes a
PMMT.

Tanto a fabricante IMBEL e a fabricante CONDOR, além de


equipamentos de baixa qualidade executam péssimo serviço de
assistência e um pós-venda incompatível com o volume
financeiro arrecado com as compras governamentais. Destaque
especial para as armas de energia conduzida SPARK da fabricante
Condor que estão aguardando recolhimento para Recall de dois
lotes adquiridos para a Polícia Militar do Estado de Mato Grosso.

Foram anexados dois documentos referentes aos problemas


encontrados em armas da PMMT, de uso letal e menos letal, ambos
produzidos pela Gerência de Material Bélico da SALP/PMMT,
sendo Parecer Técnico da Gerência De Material Bélico
N.004/SALP/GMB/2016 e Laudo Técnico 006/GMB/2016.

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Contudo, as fabricantes "entendem" os problemas relatados como


ajustes e não como defeitos de fabricação ou falha de projeto.

Questionamento 3 do MPF: documentos abordando, também, a


questão da existência de similaridade de armamentos e
munições nacionais com os importados que poderiam suprir as
necessidades táticas das forças policiais.

Resposta da SSP-MT: segue abaixo informações para comparação


da aquisição de Pistolas Glock que estão sendo realizadas para
atender demanda do Batalhão de Operações Policiais Especiais da
Polícia Militar de Mato Grosso e a proposta de fornecimento em
quantitativo dez vez maior da fabricante TAURUS. para
atendimento da demanda convencional.

Não existe lógica alguma ao se observar que as armas curtas para


atividade convencional, as quais o DFPC do Exército Brasileiro não
autoriza compra para atividades rotineiras de polícia senão as
oferecidas pelas fabricantes nacionais, sendo que estas chegam a
custar mais de 60% do valor cobrado pela fabricante estrangeira
para fornecimento de armas curtas com qualidade para atender as
demandas mais complexas da atividade policial, armas estas que
foram selecionadas após profundo estudo, testes e visitações de
grupo de especialistas em diversas fábricas de armas, inclusive em
território estrangeiro.

No quesito qualidade dos materiais empregados na atividade de


Segurança Pública, a sugestão é que seja transferido para o
Ministério da Justiça, por meio de órgão da Secretaria Nacional
de Segurança Pública, a competência de estabelecer normas e
parâmetros de qualidade dos equipamentos a serem empregados
pelos agentes de Segurança Pública do Brasil.

Ao Governo Federal a sugestão é de abertura de incentivos fiscais


e atrativos para implantação de fábricas de armas e munições

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letais e não-letais para que, além de proporcionar a livre


concorrência, certamente irá trazer economia ao erário e maior
segurança para o trabalho daqueles que fazem a Segurança Pública
e Defesa do Brasil, sem contar que a implantação de novas
fábricas irá gerar inúmeros empregos diretos e indiretos no País.

A cargo do Exército o ideal seria que se mantivesse o controle


sobre a dotação das Instituições e a emissão de autorizações para
produção por parte das fabricantes nacionais, bem como, a
emissão dos Certificados de Importação quando os Órgãos de
Segurança e Defesa entenderem que a melhor opção econômica ou
operacional seja a arma de produção em território estrangeiro,
não colocando impedimento quanto à origem do fornecedor.

CONCLUSÃO:

Não resta dúvidas de que se faz urgente e necessário uma


modificação no estado de coisas que se encontra instalado. O
interesse particular privado, das fábricas de armas e munições
letais e menos letais no Brasil, jamais poderão estar acima dos
preceitos legais, dos princípios da administração pública, da
responsabilidade da excelência na aplicação dos recursos públicos
e da valorização da integridade física e da vida dos operadores de
Segurança e Defesa do Brasil.

Uma chama de esperança se acende com a presente ação do


Ministério Público Federal, já que pelas vias administrativas
regulares, a barreira criada pela indústria nacional, juntamento
com o Exército Brasileiro, ficou intransponível para aquisição de
armas e munições importadas com o fito de atendimento da
demanda rotineira dos Órgãos de Segurança Pública, que merece
destaque porque são as que mais se deparam com enfrentamentos
desta “Guerra Velada” que no ano de 2016 deve levar a quase mil
agentes de segurança pública à morte.

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A continuidade desta prática está ficando cada dia mais onerosa


para os cofres públicos, incompreensível pelos agentes da lei e
insustentável para as instituições de Segurança Pública.

Ressalte-se que o referido relatório traz cópias de documentos e


impressão de telas de pesquisas em sites de compra americanos e no site institucional
da Taurus, onde a discrepância de preços é demonstrada, alcançando-se, de fato,
a diferença de 500% (fls. 319, 320, 323 e 323/333 vol II).

Com efeito, enquanto no mercado americano o modelo Taurus


Model 840 .40, SW 4” tem um custo de U$ 287,89 (equivalente a R$ 932,77, com
cotação em 19/08/2016), no Brasil é fornecido (em regime de monopólio – travestido
de reserva técnica em favor da indústria nacional) às Polícias Civil, Militar, Rodoviária
Federal e Federal, e à Brigada e aos Bombeiros Militares, bem como aos agentes
prisionais e aos magistrados, ao preço de R$ 4.813,56, mesmo sendo concedida isenção
da quase totalidade de impostos e sem intermediação de lojistas.

De forma similar, a munição usada para esse armamento –


MUNIÇÃO CBC 40SW TREINA EOPP 180GR – tem preço unitário no Brasil fixado em
R$ 2,92, enquanto é comercializada em sites americanos pela ré ao preço de R$ 1,05
(U$ 323,39, por um lote de mil unidades). Ressalte-se, como delineado no referido
relatório, que os ganhos relacionados à venda de munição são ainda mais exacerbados
quando comparados às armas, cuja unidade requer a compra concomitante de um
grande lote de munições.

Por fim, o mesmo relatório técnico demonstra que, entre


07/01/2013 e 29/07/2016 foram registrados 261 casos de defeitos envolvendo armas
Taurus, inclusive com a troca de peças que impediriam o armamento de funcionar caso
fosse necessário seu emprego para defesa própria do policial ou de terceiros.

A referida instituição enviou ainda o Laudo Técnico n.


006/GMB/2016 (fls. 336/357 vol II), no qual registrou detalhes de estudos dos
defeitos apresentados nas armas utilizadas na Polícia Militar do Estado do Mato
Grosso, e que abrangem armas Imbel (Pistolas MD5GC, MD6GC, Carabina MD97 e
Fuzis M964 e MD2), CBC (Espingarda 586T) e Taurus (Pistolas PT100, PT100P, PT940,

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PT98 e PT99, Pistolas PT840/809 e SMT40), todas elas apresentando prolemas


estruturais que as tornam inoperáveis em curto espaço de tempo.

O Ofício n. 4423/2016, de fls. 358/365 vol II, oriundo da


Gerência de Armas da SSP/MT, registra depoimentos de operadores de armamentos
da marca Taurus, plataforma PT24/7 nos quais relatam disparo sem acionamento do
gatilho, rajadas plenas segurando o gatilho, disparos acionando a trava de segurança,
incidentes que foram devidamente filmados pela Polícia Judiciária do Estado.

Além desses incidentes, registrou ainda existir no estoque daquela


Gerência, 10 modelos PT640 que apresentam um tipo de travamento no ferrolho que
impossibilita o funcionamento da arma.

Finalizou registrando ter enviado à Taurus dois ofícios


demonstrando a insatisfação de sua força policial diante desses armamentos,
solicitando urgência na substituição dos modelos PT24/7, ante a total insegurança que
os operadores têm ao portá-los, e também requerendo testes nos modelos PT840 e
PT640, em razão de apresentarem defeitos quanto à eficácia e eficiência de uso (cópia
dos ofícios juntadas às fls. 367 e 370/371 vol II).

Da mesma forma, por meio do ofício n.


4423/2016/GAEM/PJC/MP, de fls. 358/365 vol II, a Gerência de Armas e
Munições da Polícia Judiciária Civil do Estado de Mato Grosso informou que, em
relação a acidentes com armas, apenas há relatos sobre os armamentos da marca
Taurus, plataforma PT24/7, por meio dos quais os seus operadores noticiam disparo
sem o acionamento do gatilho, rajadas plenas segurando o gatilho, disparos acionando a
trava de segurança, entre outros incidentes, muitos dos quais documentados em vídeo.

O ofício 5430/2015, de fls. 370 vol II, noticia que a Polícia


Civil daquele Estado adquiriu 400 pistolas PT24/7/PRO DS, no valor total de R$
752.400,00, conforme processo de Inexigibilidade de Licitação n. 044/2012/SESP.

Todavia, diante de diversos relatos de defeitos e problemas


constantes apresentados em tais armas, e considerando o risco iminente no que tange à
segurança dos policiais civis naquele Estado, 10 desses armamentos, todos dentro do
prazo de garantia, foram submetidos a testes de eficácia e eficiência, o que resultou

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no recolhimento de 7 delas por apresentarem defeitos de fabricação, causando déficit


de armamentos na instituição.

Registrou, ao final, que, por uma questão de segurança


institucional, as armas forma recolhidas, tendo sido solicitada a sua substituição, já
que o procedimento de recall, usualmente imposto pelo fabricante Taurus, tem
provocado um sentimento generalizado de insegurança junto aos profissionais.

8. O Estado de Goiás encaminhou extensa documentação,


digitalizada na mídia de fl. 381 vol II, relatando os problemas constatados de mau
funcionamento das armas da fabricante Taurus, adquiridas pela Polícia Militar de
Goiás, durante vários anos e com fonte de recursos variadas.

9. O Ministério Público do Estado do Mato Grosso do Sul


encaminhou notícia de fato ali instaurada, cuidando dos mesmos fatos aqui tratados,
quais sejam, os incidentes causados por defeitos de fabricação nas armas Taurus.

Informou ter instaurado procedimento administrativo, a partir de


denúncia de particular, fazendo acompanhar a documentação de relatório de testes
(Relatório Final do Grupo de Trabalho, instituído pela Portaria n. 91, de
08/08/2013 ,fls. 411/465 vol III), elaborado pela Secretaria Nacional de
Segurança Pública – SENASP - do Ministério da Justiça, dando conta de que as armas
da marca Taurus apresentam um índice de 28,57% de defeitos.

Nas conclusão do mencionado documento fica claro que “foi


diagnosticado no presente trabalho o não atendimento a finalidade e a qualidade
não equivalente dos produtos nacionais, portanto em patamares inadequados e
inferiores, as demandas operacionais, doutrinas e logísticas que se impõem pelo
dever às Forças Regulares de Segurança e Instituições responsáveis pelo suporte,
controle externo e interno, na consolidação de uma política e sensação de
Segurança Pública, para garantia da tranquilidade e diminuição de riscos a
Sociedade” (fls. 464, vol II).

10. A Polícia Civil do Estado de Pernambuco, por meio do seu


Comando de Operações e Recursos Especiais – CORE, apresentou relatório técnico às
fls. 480/483 vol III, por meio do qual constatou 08 classes de defeitos em diversas

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armas, todas da marca Taurus, demonstrando a necessidade de diversos


procedimentos não usuais para que tais equipamentos funcionassem a contento.

Observou-se, ainda, clara deficiência na fabricação dessas armas,


suprida por reparos dos próprios agentes que as operam, tais como desbaste de
componentes, colocação de flanelas para destrave de peças e confecção de peças
extras para permitir uma boa operação dos armamentos, com a recorrente
remontagem dos equipamentos na fábrica.

Diante da resignação quanto ao monopólio estabelecido pelas rés,


os signatários da peça técnica chegaram até a sugerir, diante do fato de que os testes
das armas são feitos num laboratório da Taurus em Porto Alegre/RS, a implantação de
uma assistência técnica presencial e permanente nas capitais do país (fls. 482 vol III).

11. A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de


Janeiro encaminhou parecer técnico referente aos testes de disparos para a
qualificação de armas de fogo – Pistolas Taurus PT 840 P (fls. 487/504 vol III),
realizado em sua sede em 1º de abril de 2015, fls. 487/504, ratificando ainda mais as
constatações já explicitadas anteriormente.

Conforme esse estudo, das 20 armas testadas, 16 apresentaram


falhas de disparo, ejeção e/ou alimentação, sendo que em cinco delas, houve mais de 5
incidentes, o que, apenas segundo os critérios utilizados, reprovariam a arma.

12. A 7a. Câmara de Coordenação e Revisão – 7ª CCR/MPF,


órgão responsável pela Coordenação e Revisão da matéria relativa ao Controle Externo
da Atividade Policial e do Sistema Prisional no Ministério Público Federal, inserida na
estrutura da Procuradoria Geral da República, encaminhou cópia do Procedimento
Administrativo n. 1.00.000.009195/2016-73 (fls. 634/795 vol IV)), que apura o mau
funcionamento de armas de fogo utilizadas pela Força Nacional de Segurança Pública.

O referido procedimento se originou de voto proferido em outro


PA (1.25.000.003447/2011-77), por meio do qual o Subprocurador-Geral da República
e Relator Mario Bonsaglia, afastando o interesse do MPF na apuração de diversas
condutas disciplinares imputadas a militares, destacou a relevância de ocorrência
envolvendo falha de arma utilizada por um soldado (CARABINA IMBEL MD 97 JCA

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00107) e a necessidade de apuração do mau funcionamento do equipamento. A Ementa


e voto se encontram acostados às fls. 733/738 do vol IV.

Na oportunidade, foi juntada ao referido procedimento a


Informação Policial n. 185, de fls. 752/753 vol IV, que constatou de forma
evidente a baixa qualidade do armamento nacional fornecido aos órgãos de segurança
pública:

“O que se pode registrar do incidente é o bom preparo dos


policiais que obedeceram todas as regras de segurança no emprego
do armamento; já o mesmo não se pode dizer da arma
empregada que mesmo travada disparou, deixando cabal a
baixa qualidade do equipamento e do risco de seu emprego em
locais de grande aglomeração de pessoas, como são as ações do
GPFAZ.

A doutrina de emprego de armas da FNSP, com a utilização


permanente de carabinas com munições na câmara de disparo, o
que não viola nenhuma regra de emprego de armamento, causa
temeridade, tendo em vista a natureza do policiamento aqui
realizado, sempre em meio a grandes aglomerações de pessoas,
pode vir a causar danos patrimoniais ou mesmo causar ferimentos
graves em cidadãos em razão da péssima qualidade do
armamento utilizado pela FNSP.

Seria de bom alvitre a realização de reunião com a FNSP sobre o


assunto aqui relatado, visando sugerir a mudança da forma de
emprego do armamento, de armas municiadas e carregadas, para
armas municiadas e de carregamento tácito, visto que esse já é o
segundo incidente nas dependências do aeroporto de São
Miguel do Iguaçu/PR, que levou ao ferimento de um membro da
FNSP e outros incidentes de maior seriedade podem vir a ocorrer
em razão dos problemas aqui relatados.

Tais incidentes podem vir a comprometer os brilhantes resultados

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alcançados até o momento e devem ser estudados, inclusive


levando-se em conta a possibilidade do recolhimento de todo o
armamento do mesmo tipo em uso pela FNSP visando a
segurança dos policiais e da cidadania em geral.”

A documentação juntada pela 7ª CCR inclui, ainda, cópia do


procedimento n. 1.34.010.000109/2016-60 (fls. 762/782 vol IV), instaurado pela
Procuradoria da República do Estado de São Paulo no âmbito da Tutela Coletiva,
visando apurar conduta caracterizadora de improbidade administrativa imputada à
Polícia Militar consistente no fornecimento de armas defeituosas, com criação de risco
à segurança dos cidadãos em geral e policiais.

Tal conduta foi ainda mais agravada pelo fato de que houve o
recolhimento de tais armas para manutenção, sem que outras fossem disponibilizadas,
importando em policiais desguarnecidos de armas em pleno exercício de suas funções.

Aquela Procuradoria, então, declinou de suas atribuições em favor


do MPE daquele Estado, submetendo a questão à 7ª CCR/MPF, que destacou, por meio
do despacho de fls. 783/785 e a partir da leitura do aludido procedimento
administrativo n. 1.25.000.003447/2011-77 (que, conforme já relatado, foi instaurado
para apurar condutas dos integrantes da Força Nacional de Segurança Pública), a
existência de inúmeros casos de disparo acidental de armas de fogo utilizadas
pelos integrantes da Força Nacional, salientando que “ainda que não se possa
presumir que todos decorram de mau funcionamento das armas, é um dado que chama
a atenção”.

13. O Governo do Estado do Ceará (fls. 797/802 vol IV), por


meio do ofício de fls. 798/799, noticiou o recolhimento de armas IMBEL para fins de
averiguação de incidentes, ao tempo em que sugeriu opções de aquisição de armas
importadas que pudessem suprir as necessidades táticas das forças policiais, de
marcas diversas como Glock e Sig Sauer,.

Por sua vez, o ofício de fls. 801/802 vol IV, do Gabinete do


Delegado Geral da Policia Civil daquele Estado, registrou que algumas pistolas da marca
TAURUS, modelo PT 840, apresentaram problemas de funcionamento, o que gerou

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relatório técnico, por meio do qual se verificou que, das sessenta pistolas desse
modelo testadas, dezessete apresentaram problemas de funcionamento, relacionados a
erro de projeto.

14. A Divisão de Controle de Armas, Munições e Explosivos da


Polícia Civil do Distrito Federal encaminhou o ofício de 809/812 vol IV, no qual
descreveu 03 incidentes de disparos acidentais com pistolas Taurus, que vitimou três
agentes policiais, com danos físicos na orelha, barriga e pernas, conforme detalhado no
laudo de exame e documentos juntados às fls. 813/828 vol IV.

15. De igual modo, o Gabinete do Comando Geral da Polícia


Militar do Estado de Santa Catarina juntou aos autos o ofício de fl. 867/869 vol V
demonstrando o grande número de incidentes envolvendo os armamentos nacionais em
uso na corporação.

Dentre os acidentes relatados, consta acidente ocorrido na


Guarnição Especial de Laguna/SC, vitimando o Sd PM Josué da Rosa Soares, cuja
Pistola Taurus PT100 Plus, calibre .40 encontrava-se travada e acondicionada no coldre
do colete tático e, ao cair, disparou contra a perna do usuário. Após o disparo, a arma
permaneceu travada e fechada, sem ejetar o estojo deflagrado, sendo os fatos
apurados em inquérito policial militar.

Um número significativo de incidentes foi registrado ainda nas


cidades de Joinville, Canoinhas, Lages, Balneário Camboriú, São Miguel d'Oeste,
Palhoça, Rio do Sul e Biguaçu, a maioria envolvendo armas Taurus em uso na corporação.

Destaque-se que, dentre os aludidos incidentes, registrou-se que,


no município de Canoinhas/SC, houve disparo acidental de carabina Taurus CT40 no
interior da sala de rádio patrulha do 3º BPM e, no município de Rio do Sul/SC, outra
pistola Taurus, modelo PT100, disparou após queda, mesmo travada, atingindo o
assoalho da viatura.

O documento ressaltou, por fim, que o mercado nacional dispõe de


equipamento não-letal Spark, da fabricante Condor que, embora figure como
alternativa às pistolas Taser, mostra qualidade bastante inferior, gerando uma série
de demandas de manutenção e substituição junto ao fornecedor.

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Registrou-se ainda ter sido desencadeada uma operação de recall


de canos de pistolas Taurus, nos modelos PT100 Plus e PT 740, ambas de calibre .40, as
quais apresentaram problemas de compatibilidade com a munição CBC Gold Hex EXPO,
de mesmo calibre, o que, após notificação das empresas, motivou proposta de
substituição da munição e recondicionamento dos canos.

A Academia da Polícia Civil de Santa Catarina, às fls. 872 vol


V, relatou quatro situações envolvendo armas Taurus de uso das corporações de
segurança pública, nos quais houve falhas de funcionamento e redirecionamento dos
armamentos à Taurus, conforme relatórios técnicos que acompanham a comunicação
enviada.

No primeiro dos casos, narraram-se incidentes ocorridos durante


a realização de curso de capacitação ministrado em 03/06/2016 pelo Agente de Polícia
Edson Volpato e pelo Delegado João da Cunha Neto, durante o qual duas carabinas
Taurus CT30 novas não dispararam, constatando-se ainda, em outra, que o guarda-mão
instalado na arma era de outro modelo (MT-40), o que fazia a peça se soltar durante a
série de disparos. O mesmo documento narra que duas outras armas não percutiam a
munição enquanto o ferrolho de duas outras CT30 não paravam aberto após o último
disparo.

Às fls. 879/884 vol V foram juntadas diversas comunicações


internas de agentes e delegados de polícia, informando problemas de segurança nas
armas Taurus utilizadas na corporação, seguidas, às fls. 886/887, de relatório de
verificação com as seguintes conclusões:

“Concluindo o trabalho, observo que fatos como o acima narrado


não são isolados e tampouco mera coincidência, sendo que como
responsável técnico não posso me furtar de apontar esses
defeitos como de extremo perigo para todos os operadores da
Polícia Civil. Com isso busco, de forma impessoal e profissional,
sem sensacionalismos que assolam a mídia sobre os fatos ocorridos
com esse fabricante de armas, que as armas sejam funcionais e
seguras para todos os operadores da PC.”

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Por fim, juntado aos autos o Laudo Pericial n. 9110.16.00363, de


fls. 892/928, por meio do qual se constatou a existência de defeito de funcionamento
na Pistola Taurus PT 24/7 PRO, calibre .40, número de série SCW14120.

16. Às fls. 943/945 vol V, foi juntado aos autos o Memorando


n. 110 – CMB/2016, oriundo do Centro de Material Bélico do Departamento de Apoio
Logístico da Polícia Militar do Estado da Bahia, que informou diversos acidentes
envolvendo o uso de armas e munições adquiridos pela corporação.

O Memorando n. 110 – CMB/2016, de fl. 943 vol V, informa


que, efetivamente, a Polícia Militar da Bahia, ao longo dos últimos 06 (seis) anos, vem
tomando conhecimento e registrando acidentes e incidentes de tiro durante o uso e
emprego de armas e munições adquiridas pela Corporação junto à Forjas Taurus S. A. e
à Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), respectivamente.

Dentre as informações fornecidas incluem-se diversas falhas


ocorridas em lote de 290 carabinas Taurus, calibre .30, modelo CT30 (que passaram
por 03 recall's consecutivos), incidentes de tiro em 03 carabinas Taurus, calibre .40,
modelo CT40, superposição de elementos identificadores em armas, bem como estouro
de cano de carabinas ocasionados por inclusão indevida pela CBC na embalagem de
munição incompatível com o calibre das armas, além de fissuras em parte interna da
armação em polímero.

17. O ofício de fl. 973 vol V, oriundo da Polícia Militar do


Distrito Federal, ressalta a existência de armas que passaram por manutenção no
Departamento de Logística e Finanças em razão de apresentarem defeitos diversos no
seu mecanismo de funcionamento e estrutura.

Registrou-se que o lote de armas adquiridos pela corporação,


SMT40302CAPP, com 400 unidades, está em fase de reparos, sendo que as tratativas
junto ao fabricante estão sendo realizadas e que os defeitos apresentados nos
armamentos não impedem sua utilização, podendo, no entanto, causar incidentes ou
acidentes caso não sejam devidamente reparados.

O referido documento é acompanhado de extensa lista contendo a


descrição dos modelos e dos defeitos apresentados nas pistolas da marca Taurus

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calibre .40 (fls. 975 vol V), além de detalhado relatório técnico de padronização e
aquisição de sistema de treinamento e sistema de armas, utilizado com o intuito de
instrumentalizar o BOPE-MPDF de capacidade operativa para eventos desportivos
internacionais (fls. 981/1.013).

Esse relatório traz, inclusive, estudo comparativo entre diversas


armas tidas como similares, demonstrando, com detalhes técnicos, a razão da
existência de disparos acidentais nas armas Taurus, decorrente da ausência ou da
deficiência de sistemas de segurança (itens 7.2.2.1, 7.2.6.2 e 11).

18. A Polícia Militar do Maranhão também noticiou defeitos nas


armas adquiridas da empresa Taurus, por meio do Parecer n. 02/2016 (fl. 1.030 vol
V). Salientou ter adquirido um lote de 1.350 pistolas calibre .40, modelo 840, sendo
que 58 Pistolas apresentaram defeitos diversos, tais como problemas na trava de
segurança, no percussor, no gatilho, no ferrolho, no sistema de disparo, pane da
chaminé, retenção de estojo no cano após disparo, dentre outros.

19. A Procuradoria-Geral da República, a pedido da Procuradora


da República signatária encaminhou, por meio do ofício de fl. 1.037 vol V, a tradução
da sentença americana proferida nos autos da ação coletiva (class action) caso n. 1:13-
CV-24586-PAS, a qual viabilizou um acordo judicial na qual a empresa Forjas Taurus
reconheceu problemas de funcionamento em diversos modelos de pistolas que
comercializa nos EUA. Essa sentença será melhor explorada em tópico próprio desta
ação civil pública.

20. Às fls. 1068/1069 vol V, o Governo do Paraná


encaminhou relatório realizado pela Seção de Armas e Munições da sua Polícia Militar,
contendo histórico de acidentes, além de testes e estudos a respeito de problemas de
funcionamento das pistolas Taurus, bem como cópia de informação da Delegacia de
Crimes contra a Economia e Proteção ao Consumidor, versando sobre acidentes
ocorrido por disparo acidental.

21. À fl. 1072 vol V, informação da Secretaria de Segurança


Pública do Maranhão, dando conta de que algumas pistolas adquiridas em 2013 e 2014,
modelos PT840 e PT 24/7 G2, apresentaram defeito na rampa de acesso da munição ao

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cano, tendo sido reparada pela Taurus sem custo ao erário.

22. A Secretaria de Segurança Pública de Minas Gerais


encaminhou o Ofício 033.4A /2016, de fl. 1129 vol VI, subscrito pelo seu Diretor
de Apoio Logístico, informando o registro de casos de disparo acidental por queda ou
falha mecânica nas seguintes armas, com pareceres técnicos elaborados pelo Centro de
Material Bélico (fls. 1127/1146):

- Fuzil Imbel A1 MD3 cal. 7,62mm: arma disparou após uma queda
e alvejou o braço direito de um policial militar. Evidenciado no Processo n. 0001755-
91.2010.4.01.3800, da 18a. Vara da Justiça Federal, que a arma estava com defeito.

- Carabina Imbel MD 97 calibre .5.56mm: disparo acidental


durante o carregamento no interior da viatura, sem vítimas. Parecer Técnico 05/2016
evidenciou a possibilidade de deslocamento do percussor por inércia durante o
carregamento, o que possibilita o disparo acidental;

- Pistola Imbel MD5 calibre .40 com ADC: disparo acidental


durante o carregamento, sem vítimas. O Parecer Técnico 18/2014 evidenciou que a
trava de segurança do percussor estava ineficiente e que no momento do
carregamento o cão acompanhava o ferrolho. A conjugação desses defeitos possibilita
o disparo acidental.

Pontuou o diretor que as inspeções realizadas concluíram pelo


mau funcionamento, com possíveis erros de projetos ou falhas no processo de
fabricação dos seguintes modelos de armas em uso dos seguintes modelos:

- Submetralhadoras MT40 e Carabinas CT40 Taurus FAMAE:


incompatibilidade do sistema blowback (sem trancamento do ferrolho) com esses
modelos de armas. Armas iniciam o recuo do ferrolho com o projétil ainda em curso no
interior do cano, com rompimento do estojo, parada de prejéteis no cano, conforme
Parecer Técnico 051/2010;

- Pistola Imbel MD5 calibre .40 com ADC: ineficiência da trava do


percussor, conforme diversos ofícios enviados e relatório da Imbel, tendo sido
verificado o problema em 720 armas inspecionadas; há desconexão involuntária dos

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registros de segurança do antigo sistema ADC, que equipa 16 mil pistolas da PM/MG e
que estão sendo gradativamente substituídos pelo novo sistema ADC ao serem
encaminhados para a fábrica;

- Carabina Imbel MD 97 calibre .5.56mm: mal acabamento, falhas


na pintura, gravações ilegíveis e falta de peças, problemas detectados durante o
recebimento de armas novas e relatado no Ofício 273/2012-CMB/DAL/2012;

23. Ao seu turno, a Procuradoria Geral da República, por meio


da 7CCR responsável pelo Controle Externo da Atividade Policial e do Sistema
Prisional, encaminhou a cópia integral do Processo Administrativo n.
1.00.000.009195/2016-73 (fls. 1147 e seguintes – volume VI), que acompanha a
questão das falhas de armamentos utilizados pelas Forças de Segurança Pública (parte
do material juntado aos autos, às fls. 635/795 – Vol IV, conforme relatado no item
12, retro).

Foram juntados ao referido PA novos documentos (a partir da fl.


1307), que reafirmam a gravidade da situação descrita inicialmente, demonstrando a
amplitude da distribuição de armas inservíveis aos propósitos das polícias em todos o
país.

24. A Gerência de Projetos de Armamentos Institucionais da


Polícia Rodoviária Federal encaminhou o memorando 27/2016/PE-405/CGO, de fls.
1309/1314 vol V, que lista 248 problemas envolvendo armas de fogo na PRF, além de
destacar a identificação de mais 123 panes durante 02 cursos de formação nos anos de
2015 e 2016 e mais 51 panes informadas pelas Regionais em 2016.

Concluiu que, em que pese o entendimento da necessidade da


valorização da indústria nacional, há problema no conceito de similaridade do
armamento nacional, que muitas vezes é eivado por vícios e interpretações duvidosas,
não existindo critério bem estabelecido do que seria ou não um produto similar.

O memorando de fl. 1319 vol V, oriundo da Polícia Rodoviária


Federal de Florianópolis/SC, noticia dois casos de falhas em armamentos: o primeiro
caso ocorrido em 03/11/2014. Durante o Curso Avançado em Fiscalização de Trânsito –
CAFIT, a pistola Taurus, modelo PT100, número de série SQI24017, caiu ao solo, ainda

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dentro do coldre, e disparou, sem causar danos a pessoa.

O segundo caso ocorreu durante o Curso de Formação Profissional


de 2016, quando a submetralhadora SMT40, número de série FT03712, disparou ao ter
seu ferrolho manejado por um instrutor. Em seguida, o projétil atingiu o solo e
fragmentou-se e um estilhaço da 'jaqueta' de latão que envolve o projétil de chumbo
atingiu a perna direita do aluno Marcos de Jesus Cardoso Júnior.

O ofício n. 662/2016/DG, de fl. 1325 vol V, informou o


falecimento em serviço, na manhã do dia 30/09/2016, do Policial Rodoviário
Federal Ivanaldo Gomes Alves, matrícula n. 1073400, na Unidade Operacional de
Nova Olinda, conhecida como Araguanã, na BR 316, no noroeste do Maranhão,
próximo ao Pará. As primeiras informações dão conta de que o PRF abaixou-se para
pegar um objeto no chão, quando seu armamento institucional pistola Taurus
PT100 .40, que estava no coldre do colete, caiu no chão e disparou
acidentalmente atingindo a cabeça do policial, que morreu instantaneamente.

O memorando de fl. 1340 vol V noticiou que no ano de 2016 a


SENASP/MJ adquiriu cerca de 7.245 (sete mil, duzentas e quarenta e cinco) pistolas
marca Taurus, modelo PT 840, para uso nos Jogos Rio 2016 e destinadas à doações aos
entes federados conveniados através do Termo Aditivo, pactuado em caráter Especial
para as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

Salientou que o Exército Brasileiro é o responsável pelo controle e


salvaguarda de informações relativas ao quantitativo de armas das Unidades
Federadas, consoante a Lei n. 10.826/2003.

25. Em apenso, foi juntada a íntegra dos autos da Notícia de


Fato n. 1.19.000.002182/2016-00, instaurada pela Procuradoria da República no
Maranhão, tratando do processo administrativo n. 9493AD/2016, oriundo da 9ª
Promotoria de Justiça Especializada da capital daquele Estado.

O apuratório foi instaurado a partir de requerimento formulado


por Ary Arsolino Brandão Teixeira de Oliveira. O referido denunciante solicitou
providências no âmbito cível e criminal acerca dos constantes incidentes causados
pelas falhas apresentadas nas pistolas e carabinas de calibre .40 da marca Taurus.

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26. Foi juntado ainda aos autos o Relatório Final do Grupo de


Trabalho da Secretaria de Segurança Pública do Ministério da Justiça, datado de
17/09/2014, que registra a solicitação de levantamentos detalhados elaborados
pelos responsáveis pela Segurança Pública em cada Ente Federativo, acerca de
antecedentes de escolha dos armamentos utilizados e se estes apresentaram
algum tipo de problema em sua operação.

A remessa de material resultou na juntada de diversos


expedientes enviados pela Forças Regulares dos Estados, organizados em 05 volumes,
que totalizaram 863 páginas, incluídos os trabalhos realizados pelo GT e demais
colaboradores.

O item 3.1 já traçava àquela época o quadro estarrecedor que se


configurava em decorrência das inconsistências, não conformidades, inadequações,
incidentes e acidentes ocorridos em diversos pontos do país, envolvendo a fabricação
de armas de fogo.

27. Por meio do declínio de atribuição exarado pelo Procurador


da República Hilton Araújo de Melo, da PR-MA, determinou a remessa dos autos
a esta Procuradoria da República, em razão do procedimento aqui instaurado
possuir objeto mais abrangente, fls. 1355 e segs. vol V. Na oportunidade,
constatou-se a existência de mais 08 procedimentos tratando do tema em âmbito
nacional, oriundos das Procuradorias da República nos Estados do Ceará, Mato Grosso,
Santa Catarina, bem como PRR 1a. Região, e outros da Procuradoria-Geral da República.

Em que pese outras instituições terem declarado não haver


procedimento ou perícias oficiais acerca de incidentes causados por falhas nos
armamentos (declararam não haver registros formais de acidentes, o Estado do
Tocantins, fls. 1.059/1.063 e a Federação Baiana de Tiro, fls. 1064/1064), há
ressalva de que diversos acidentes deixam de ser registrados quando não há
vítimas, em razão do receio dos policiais de sofrerem processos administrativos
disciplinares.

Acrescente-se que algumas instituições utilizaram critérios vagos


quanto ao número de falhas nas armas, para fins de aprovação/reprovação no quesito

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operacionalidade, o que provocou o subdimensionamento dos números declarados. O


material apurado no referido ICP demonstra que os incidentes descritos não
constituem fatos isolados, revelando um quadro generalizado de falhas nos
armamentos fornecidos no país com quase exclusividade pela Taurus, que detém 90%
do mercado nacional.

Restou claramente demonstrado que a grande maioria das


armas defeituosas e geradoras dos acidentes tem como fabricante a empresa
Taurus, que detém o controle do fornecimento de armamentos para os órgãos de
segurança pública, enquanto a CBC, o controle do mercado de munições, figurando
a IMBEL, de modo predominante, como fornecedor de armas para as Forças
Armadas.

Tais circunstâncias revelam a gravidade da situação vivida pelos


agentes de segurança pública no país, pois estão hoje obrigados a lidar com armas de
má qualidade, de forma compulsória, em razão da instituição pelo Exército Brasileiro
de uma reserva de mercado para empresa Forjas Taurus.

Até mesmo uma rápida pesquisa na internet demonstra o quanto é


frequente, na rede e na mídia televisiva, casos de falhas de disparos em armas
produzidas pela Taurus, com registro de danos físicos e mortes a diversas agentes
policiais e a seus familiares, o que motivou inclusive a criação de uma associação de
vítimas, que mantém um site (Vítimas da Taurus) para externar publicamente a revolta
de familiares e de pessoas diretamente atingidas em situações de funcionamento
defeituoso das armas da mencionada marca.1

Foram juntadas aos autos, às fls. 1086/1116 vol VI, diversas


reportagens veiculadas na mídia nacional, noticiando casos de falhas em armas
utilizadas por diversos órgãos públicos, a fim de demonstrar a repercussão pública
negativa dos frequentes acidentes causados pelo funcionamento defeituoso de alguns
modelos de armas nacionais. Verificou-se que tais matérias, a par de revelar o imenso
número de denúncias que atestam a baixa qualidade do armamento fornecido pela
Taurus, ainda estão longe de se esgotarem.

1 https://vitimasdataurus.com/, acessado em 07/12/2016, às 16:33.

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Somente em dezembro de 2016, de forma absolutamente


tardia, o Exército Brasileiro, por meio do ofício de fl. 1118/1119 vol VI,
respondeu aos questionamentos do MPF sobre decisão que determinou a suspensão
da fabricação e comercialização de alguns modelos de pistolas fabricadas pela
empresa Forjas Taurus. Segundo o Exército Brasileiro, a suspensão da
produção/comercialização das pistolas Taurus modelo PT 24/7, calibre .40 S&W,
com a apreensão das pistolas do referido modelo e calibre existentes no depósito
da fabricante, foi decisão tomada em processo administrativo, e além da
suspensão e apreensão, houve determinação de continuidade de investigações
quanto ao modelo PT 840. Informou não deter dados suficientes para determinar
a investigação do fabrico do modelo PT 100.

Aduziu o Exército Brasileiro que recomendou à Diretoria da


Empresa a adoção de uma série de medidas administrativas visando proteger a
incolumidade e segurança dos usuários desses armamentos e que estão sendo
propostos aprimoramentos na legislação que trata da fiscalização de produtos
controlados pelo Exército.

Defendeu ademais, que a importação de produtos controlados


deve ser negada quando existirem similares fabricados nacionalmente, nos termos
da Portaria Normativa 620 – MD, Decreto 3665/00 e R-105, pois a existência de
similaridade constituiria fato limitador à importação.

28. Foram anexados aos autos, ainda, cópia de diversos laudos e


documentos técnicos a respeito de defeitos verificados em armamentos da marca
Taurus, realizados pelo Instituto de Criminalística de São Paulo, pela Polícia
Militar do Estado de São Paulo, pela Polícia Federal do Distrito Federal e pelo
Instituto de Criminalística do Distrito Federal (Volume VI, fls. 1429/1524).

Com efeito, o Laudo Pericial 142.638/2013 versa sobre disparo


acidental de pistola da marca Taurus que vitimou um policial na seguinte situação: “ o Cb
PM Benjamim Monteiro de Souza, pertencente ao efetivo da 3ª cia do 51 BPM,
Ribeirão Preto/SP, após ter cumprido escala de serviço, trocava de roupa no interior
do alojamento e ao colocar na cintura uma pistola marca Taurus, modelo PT 24/7, nº
SDM 10134, pertencente a Polícia Militar do Estado de São Paulo, ocorreu um disparo

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acidental atingindo o escroto direito, que ainda transfixou a parte interna da coxa
direita, disparo que segundo o policial vitimado, ocorreu sem que o gatilho da arma
tivesse sido acionado.”

Após avaliação técnica, foram detectadas as seguintes falhas no


armamento que levaram à conclusão de que o dispositivo não estava apto ao uso
operacional, mesmo estando dentro do período de garantia ofertado pela fabricante
Taurus: desgaste na armadilha; mola da trava do percussor com tamanho menor;
desarme do percussor da ação simples para a ação dupla quando submetida a teste de
queda; percussor com resíduos de graxa e óleo.

De outro turno, o Laudo Pericial 249.912/2014, realizado em


Pistola semi-automática Taurus modelo PT 24/7 Pro LS, atestou que os modelos
semelhantes que não passaram pelo Recall do fabricante apresentavam mola em
tamanho menor (menor quantidade de elos), o que poderia acarretar defeito de
liberação inadequada do pino percussor por ausência de pressão suficiente sobre a
trava do percussor (fls. 1445/1450). O mesmo defeito ocasionou o disparo acidental
objeto da Parte nº 12BPMM-048/02/13, que vitimou o Sd Laerte (fls. 1451/1453).

O Parecer Técnico nº CSMAM-421/20/14 identificou que uma


Pistola Taurus do mesmo modelo acima descrito (PT 24/7 Pro LS), que disparou
acidentalmente ferindo um Policial Militar, apresentava defeito pois poderia disparar
sem o acionamento do gatilho, uma vez que a trava do percussor apresentava
emperramento, mesmo o objeto tendo sido submetido à manutenção da empresa
Taurus (fls. 1460/1463). Situação análoga vitimou outro agente policial, conforme
documentos de fls. 1464/1465.

Constatou-se defeito também no modelo Submetralhadora MT


Famme .40, marca Taurus/Famae, conforme registrado no Parecer Técnico nº
CSM/AM-211/20.2/16 (fl. 1466).

O Laudo Criminal nº 16948/15-IC, do Instituto de Criminalística


do DF, por sua vez, apontou falha em Pistola Taurus, modelo PT 24/7 Police, calibre .
40, consistente no fato de que o mecanismo de segurança interno da arma encontrava-
se em mau estado, o que, em caso de queda, poderia ocasionar um tiro acidental, caso a

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câmara estivesse alimentada (fls. 1467/1473). Igual conclusão foi verificada em


armamentos do mesmo modelo pelo Laudo Pericial Criminal nº 23.259/2016 e Laudo
nº 19010/15, ambos provenientes do mesmo Instituto (fls. 1474/1484).

Às fls. 1485/1499, consta laudo pericial confeccionado no bojo da


Ação de indenização por danos materiais e morais movida por Wilson de Brito contra a
empresa Forjas Taurus S/A perante a 4ª Vara Civil da Comarca de Bragança Paulista,
em que concluiu-se que a pistola, marca Taurus, calibre .40 nº SBP99345, encontrava-
se com várias anomalias – desgaste prematuro das peças biela, armadilha, tirante do
gatilho -, motivo pelo qual não oferecia as mínimas condições satisfatórias de
segurança durante seu manuseio e transporte.

Já por meio do Laudo nº 1585/2016, o Instituto de Criminalística


do DF consignou que nos testes de queda realizados em 12 pistolas Taurus, modelo PT
24/7 PRO DS calibre .40, foi verificado em 10 delas “movimentação da trava de
segurança e/ou deslocamento do percutor, permitindo dizer que estas dez armas
citadas têm baixa confiabilidade para uso, sem contudo representar uma falha
completa no aspecto segurança” (fls. 1500/1505).

No mesmo sentido, o Laudo nº 6.686/08, do Instituto de


Criminalística de Franca/SP, ao analisar uma pistola semi-automática, marca Taurus,
modelo PT 100AF, chegou à conclusão de que houve disparo da arma no interior da
bolsa que a carregava, decorrente de impacto deste conjunto com material rígido,
característico de queda (fls. 1506/1510).

Já o Parecer Técnico nº CSMAM-296/20/13, da Polícia Militar


do Estado de São Paulo constatou diversos problemas técnicos na Pistola 24/7 PRO LS
DS, marca Taurus, apesar do referido armamento ter sido aprovado em revisão
pelos técnicos da empresa fabricante, vejamos (fls. 1511/1515):

“3.2. realizado procedimento de desmontagem da arma, onde foi


constatado que o impulsor da trava do percussor encontrava-se
emperrado em seu alojamento.

3.3. trava manual esquerda com marca de impacto, o que indica


possível disparo com o armamento travado ou queda com a boca

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do cano direcionada para baixo estando com a sua trava manual


acionada, (…)

3.4.2. após a análise do “item 3.4.1” foi substituída a trava manual


esquerda por uma trava nova e realizado o teste no estande do
tiro do CSM/AM, onde o armamento foi carregado com 01 (uma)
munição real e acionado mecanicamente o desarmador de sistema
(deslocando a trava manual esquerda para cima) tendo como
resultado o disparo involuntário da referida pistola,
permanecendo travada e com o estojo no interior da câmara,
resultando também em marca de impacto na trava manual
semelhante ao fato ocorrido na trava do referido armamento.

4. Consultado no Sistema Integrado de Patrimônio e Logística –


SIPL, confirmou-se que o armamento em questão passou por
revisão do fabricante sendo aprovado pelos técnicos da
TAURUS.”

O derradeiro Laudo Pericial 501.880/2013, do Instituto de


Criminalística de São Paulo constatou mais um caso de disparo acidental, envolvendo
uma pistola semi-automática, marca Taurus, modelo PT 640 Police, pertencente à
Polícia Civil do Estado de São Paulo. O Perito assinalou que após os exames restou
comprovado que o disparo ocorreu enquanto a arma ainda estava em seu coldre;
bem como que o coldre é dotado de cobertura que não permite ao usuário alcançar
o gatilho, o que atesta o disparo involuntário e acidental da pistola gerado pelo
contato da arma contra o piso.

29. Apensou-se aos autos a Notícia de Fato nº


1.30.006.000077/2017-91, autuada pelo Ministério Público Federal em Nova
Friburgo/RJ e encaminhada por meio de declínio de atribuição tendo em vista a
conexão existente com o presente apuratório.

Referida Notícia de Fato foi gerada a partir de representação


formulada por Victor Klerk dos Santos noticiando eventuais problemas de qualidade e
segurança em armamentos produzidos pela Taurus, que são utilizadas por servidores

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da segurança pública, somada à possível existência de monopólio da mencionada


empresa diante de normativa do Ministério da Defesa.

30. Por fim, juntou-se ao Inquérito Civil documento denominado


“Bizuário de Armamento, Munição e Tiro”, que discorre, dentre outros temas
relacionados, sobre os conceitos de arma de fogo, as principais marcas de armamentos
e munições, funcionamento e mecanismos de segurança de alguns tipos de armas, além
de técnicas de tiro.

B) DEFEITOS DAS ARMAS TAURUS RECONHECIDOS EM PROCESSO JUDICIAL


NOS EUA

A Forjas Taurus é uma empresa nacional e uma das três maiores


fabricantes de armas leves do mundo. No Brasil, a empresa controla 90% do mercado
de armas curtas, graças à reserva de mercado instituída pelo Exército Brasileiro em
seu favor. Exporta armas e acessórios para mais de 70 países no mundo. E hoje é a 4ª
colocada em venda de armas nos Estados Unidos da América.

A existência de falhas estruturais nas armas produzidas pela


empresa Taurus foi também discutida em procedimento judicial na Justiça americana,
perante a qual a Taurus, reconhecendo as falhas ocorridas em armas por si fabricadas
- falhas inclusive coincidentes com as apresentadas pelos armamentos produzidos no
Brasil - obrigou-se, por acordo, ao pagamento de indenização milionária em uma class
action.

Ao mesmo tempo em que a empresa nega no Brasil a existência de


vícios no processo de fabricação, omite o fato de que os reconheceu judicialmente em
relação aos modelos fornecidos no mercado americano, premida que foi pela
necessidade de firmar acordo judicial, a fim de evitar uma condenação certa.

Trata-se de Class Action movida em Miami, Distrito da Flórida,


Estados Unidos da América, na qual a ré mantém filial. Ali se comprovou a
comercialização de quase um milhão de armas de modelos que se mostraram

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defeituoso, gerando reconhecimento por parte da ré de idênticas falhas que foram


constatadas em armamentos que comercializa no Brasil.

O caso foi registrado sob o número 1:13-CV-24583-PAS (UNITED


STATES DISTRICT COURT – SOUTHERN DISTRICT OF FLORIDA – MIAME
DIVISION). A sentença homologatória de um acordo (visto aqui com adaptações
possíveis entre as realidades procedimentais do Brasil e dos EUA) firmado entre as
partes, cuja íntegra encontra-se em inglês, acompanhada de sua versão traduzida,
encontra-se juntada às fls. 1037/1.058 do volume V do Inquérito Civil anexo.

Confiram-se trechos do referido termo de acordo judicial firmado


entre as partes na Justiça Federal americana, e que bem demonstram a prática
comercial ilegal e criminosa da empresa ré, consistente na presença de vícios de
fabricação em seus produtos, e o reconhecimento judicial dos vícios em seus
armamentos:

“TRIBUNAL FEDERAL DOS ESTADOS UNIDOS,

DISTRITO DO SUL DA FLÓRIDA

DIVISÃO DE MIAMI

Caso N°: 1:13-CV-24586-PAS

CHRIS P. CARTER, individualmente e em nome de todos os


similarmente situados, Autor, AÇÃO COLETIVA versus FORJAS
TAURUS S.A., TAURUS INTERNATIONAL MANUFACTURING,
INC., e TAURUS HOLDINGS, INC., Réus.

ORDEM CONCEDENDO PEDIDO CONJUNTO PARA A


APROVAÇÃO PRELIMINAR DE ACORDO DE AÇÃO CONJUNTA,
PRELIMINARMENTE APROVANDO ACORDO CONJUNTO E
CONCEDENDO CERTIFICAÇÃO CONJUNTA DE ACORDO, E
ESTABELECENDO AUDIÊNCIA DE APROVAÇÃO FINAL

ESTA MATÉRIA é perante o Tribunal sobre o Pedido Conjunto e


Memorando de Suporte para a Aprovação Preliminar do Acordo de

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Ação Conjunta (o “Pedido”) [DE 123] e Notificação Conjunta


Proposta [DE 132] do Autor, Chris P. Carter (“Autor”), por ele
próprio e pelos Membros da Classe de Acordo (conforme definido
abaixo), e Réus, Forjas Taurus, S.A., Taurus International
Manufacturing, Inc. e Taurus Holdings, Inc.’s1 (coletivamente, as
“Partes”).

Após o recebimento do Pedido, o Tribunal direcionou perguntas


detalhadas sobre o acordo proposto às Partes [DE 124, 125]. O
Tribunal então realizou uma audiência sobre o Pedido no dia 23 de
junho de 2015 [ver DE 131 (Transcrição)]. Os Advogados e o
Administrador de Pedidos estavam presentes, endereçaram as
questões do Tribunal, e de outra forma forneceram suporte
factual extenso para o Pedido.

Após cuidadosa consideração do pedido e dos autos, incluindo o


Termo de Acordo e Liberação e seus anexos (o “Termo de
Acordo”) enviado com o Pedido e as matérias endereçadas na
audiência do dia 23 de junho de 2015, o Pedido é DEFERIDO como
segue:

Relatório

Em 2013, o Autor era um delegado no Condado de Scott,


Departamento do Xerife de Iowa. Sua arma de serviço era
uma pistola de propriedade pessoal da marca Taurus, PT140
Millennium PRO2. O Autor alega que no dia 29 de julho de 2013,
enquanto servindo em um setor de narcótico, ele foi obrigado a
perseguir um suspeito em fuga a pé. Durante a perseguição, o
Autor alega que sua pistola Taurus caiu de seu coldre e caiu no
chão. O Autor alega que a pistola descarregou com o impacto,
disparando uma única bala que atingiu um veículo próximo. Após
esse incidente, o Autor entrou em contato com Todd Wheeles, que
é um dos advogados que o representam neste caso.

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O Autor apresentou sua queixa inicial no dia 20 de dezembro de


2013. Após diversos meses da descoberta, o Autor apresentou sua
Primeira Queixa Alterada no dia 22 de setembro de 2014. O
Autor reivindica queixas legais, lícitas e baseadas em garantia
provenientes de supostos defeitos de segurança nas Pistolas da
Classe4.

O Autor alega que as Pistolas da Classe contêm dois defeitos


(coletivamente, os “Defeitos de Segurança”) atribuíveis ao fato
de que em todas as Pistolas da Classe falta uma “trava de
gatilho” [DE 131 (Tr. em 12:19-13:21).] O primeiro é um
“defeito de disparo” que o Autor alega que pode fazer com que
as pistolas disparem quando caem de uma altura normal. O
Autor afirma que o defeito de disparo é um defeito de design
comum. O segundo suposto defeito é um “defeito de falsa
segurança” que o Autor alega que pode permitir que a pistola
dispare não intencionalmente mesmo quando a alavanca de
segurança manual está na posição “ligada” ou “travada” e o
gatilho se move para trás.

As Empresas Taurus reconhecem que as Pistolas da Classe não


têm travas de gatilho, mas negam que isso resulte nos supostos
defeitos comuns, e ainda negam as alegações e queixas dos
Autores. No começo de 2013, as Pistolas da Classe não foram mais
fabricadas e distribuídas nos Estados Unidos. [DE 131 (Tr. 13:13-
18).]

Além do incidente de disparo não intencional alegado pelo


Autor, o Autor alega que outros também experimentaram
disparos acidentais. O Autor afirma ainda que houve processos
individuais quanto a esses incidentes conforme alegado na
Queixa Alterada.

As Partes agressivamente litigaram esse caso e conduziram a


produção de documentação extensa e outra descoberta. Os

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advogados do Autor depuseram ainda três representantes


societários quanto a diversos tópicos designados. Os advogados
dos Réus também depuseram o Autor. Além disso, tanto antes
quanto depois de a ação ser apresentada, ambos os lados
realizaram diversos testes especializados. Enquanto esses testes
permanecem sujeitos ao privilégio do produto de trabalho, sua
extensão foi descrita ao Tribunal durante a audiência do dia 23 de
junho de 2015. [DE 131 (Tr. em 14:23-19:3).] Os peritos do Autor
realizaram aproximadamente 500 horas de teste em todos os
modelos de Pistola da Classe.

(…)

B. O Acordo Proposto.

O acordo proposto fornece aos Membros da Classe do Acordo


três tipos de provimento - uma garantia estendida,
treinamento de segurança e pagamentos em dinheiro.

Garantia Estendida. Primeiro, os Membros da Classe do Acordo


receberão uma garantia estendida cobrindo suas Pistolas da
Classe. As Empresas Taurus concordaram em modificar a
Política de Garantia e Reparo existentes para todas as Pistolas
da Classe de forma a permitir que qualquer proprietário (não
apenas o proprietário atual) envie um pedido de garantia a
qualquer momento (mesmo fora do período de pedidos, durante
toda a existência da pistola, independente de a pessoa
enviando o pedido de garantia ser ou não o proprietário
original) para que a Pistola da Classe seja inspecionada quanto
aos supostos Defeitos de Segurança e reparada, se possível.
Se houver qualquer defeito que não possa ser reparado, as
Empresas Taurus oferecerão a substituição da Pistola da
Classe por uma nova pistola semelhante.

Ainda como parte dos benefícios do acordo da garantia

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estendida, as Empresas Taurus renunciam todas as taxas de


inspeção e encargos de trabalho, incluindo sua cobrança mínima
de aproximadamente $ 35,00, normalmente associada a sua
Política de Garantia e Reparo existente.

As Empresas Taurus também estão pagando os custos de envio


de e para o seu local de garantia; atualmente, a garantia
cobre apenas o envio do local de garantia se forem necessários
reparos. As Partes estimam que os custos de envio fiquem
entre $65,00 e $85,00 em cada trajeto.

Treinamento de Segurança. Segundo, as Empresas Taurus


também produzem e disponibilizam para os Membros da Classe
do Acordo um treinamento de segurança especial e
particularizado endereçando os supostos Defeitos de Segurança
e a operação e manuseio das Pistolas da Classe. Esse
treinamento de segurança endereçará o porte e manuseio
adequados para evitar a queda de uma pistola; educará os
proprietários em relação às características de segurança e aos
sistemas de segurança nas Pistolas da Classe; e fornecerá
informações e instruções sobre como armazenar, embalar e enviar
de forma adequada as Pistolas da Classe para devolver para as
Empresas Taurus (no caso de o Membro da Classe do Acordo optar
por enviar uma Pistola da Classe para reparos de garantia ou
pagamentos conforme descrito abaixo). O treinamento de
segurança estará imediatamente disponível para todos os
Membros da Classe do Acordo online através de vários meios. Um
benefício significante do treinamento de segurança é
conscientizar os Membros da Classe do Acordo sobre os Defeitos
de Segurança específicos alegados.

Pagamentos em Dinheiro. Os Membros da Classe do Acordo


podem optar por enviar suas Pistolas da Classe de volta às
Empresas Taurus em troca de um pagamento em dinheiro com base

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na lista a seguir:

a)se menos de 10.000 Pistolas da Classe forem devolvidas, o


pagamento por cada Pistola da Classe devolvida será de $ 200;

b)se forem devolvidas entre 10.001 e 20.000 Pistolas da Classe, o


pagamento por cada Pistola da Classe devolvida será de $ 175;

c)se forem devolvidas entre 20.001 e 200.000 Pistolas da Classe,


o pagamento por cada Pistola da Classe devolvida será de $ 150;

d)se mais de 200.000 Pistolas da Classe forem devolvidas, o


pagamento por cada Pistola da Classe devolvida será de menos de
$ 150 e será equivalente a $30 Milhões divididos pelo número de
Pistolas da Classe devolvidas.

Esse benefício será pago em uma média ponderada para que


todas as Pistolas da Classe enviadas recebam o mesmo valor. A
indenização máxima para o benefício de pagamentos em
dinheiro é de $ 30.000.000. Os únicos valores incluídos no
cálculo do limite de $ 30.000.000 são os pagamentos em
dinheiro feitos aos Membros da Classe do Acordo, e as Partes
estimam que o limite seja alcançado apenas se mais de 25% de
todos os Membros da Classe do Acordo decidirem receber o
benefício do pagamento em dinheiro. Nenhum dos outros
benefícios do acordo, tarifas e despesas de Advogados da
Classe ou despesas de administração de queixas estão incluídos
no limite de $ 30.000.000.

(…)

Certificação Preliminar da Classe do Acordo

3.“Está bem estabelecido na Décimo Primeira Vara que antes da


certificação de uma classe e antes de realizar qualquer análise nos
termos da Norma 23, o tribunal distrital deve determinar que pelo
menos um representante nomeado da classe tenha o Artigo III

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como base para levantar cada queixa da classe”. In re Terazosin


Hydrochloride, 220 F.R.D. 672, 679 (S.D. Fla 2004) (citando
Prado-Steiman ex rel. Prado v. Bush, 221 F.3d 1266, 1279-80 (11ª
Circ. 2000); Griffin v. Dugger, 823 F.2d 1476, 1482 (11ª Circ.
1987)). Conforme discutido acima, o Autor é o atual
proprietário de uma Pistola da Classe, e todas as Pistolas da
Classe supostamente sofreram dos mesmos Defeitos de
Segurança relacionado à falta de uma trava de gatilho. O
Tribunal assim preliminarmente considera que o Autor tem base
para afirmar as queixas sobre a questão para fins do acordo
desta Ação.

4. Para fins do acordo desta Ação, e de acordo com a Norma


Federal de Processo Civil 23, o Tribunal preliminarmente certifica
a seguinte Classe do Acordo:

Todas as Pessoas ou empresas dos Estados Unidos, Estado Livre


Associado de Porto Rico, Ilhas Virgens dos Estados Unidos, e
Guam que possuam uma ou mais das armas de fogo da marca
Taurus na data da aprovação preliminar: PT-111 Millennium;
PT-132 Millennium; PT-138 Millennium; PT-140 Millennium;
PT-145 Millennium; PT-745 Millennium; PT-609; PT-640 e
PT-24/7.”

Conforme se vê, constitui fato notório até mesmo no exterior a


existência de defeitos de segurança nas armas produzidas pela Taurus, tendo sido
esta circunstância reconhecida judicialmente perante a justiça americana, para efeito
de acordo judicial por meio do qual a ré se obrigou a pagar valores determinados por
arma devolvida justamente em razão desses vícios.

Resta pontuar que o acordo judicial firmado naqueles autos foi


possibilitado pela presença de requisitos próprios da lei americana e que demonstram o
grau de risco apresentado pelos armamentos produzidos pela acionada:

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“5.Para fins do acordo apenas (e sem uma adjudicação dos méritos


ou uma determinação do fato de uma ação dever ou não ser
certificada se o acordo não for aprovado ou de outra forma não se
tornar final), os pré-requisitos para uma ação conjunta de
acordo com a Norma Federal de Processo Civil 23(a) e (b)(3)
foram preliminarmente cumpridos:

(a) Numerosidade. As Partes confirmaram que 966.335 Pistolas


da Classe foram vendidas a distribuidores para venda a varejo
nos Estados Unidos desde, aproximadamente, 1997 até o
começo de 2013. A Classe do Acordo assim parece ser tão
numerosa que a reunião de todos os membros é impraticável. Ver
Fed. R. Civ. P. 23(a)(1); 28 U.S.C. § 1332 (disposições de jurisdição
da Lei de Justiça da Ação Conjunta exigindo que uma classe
proposta tenha não menos de 100 membros); ver também Evans v.
U.S. Pipe & Foundry Co., 696 F.2d 925, 930 (11ª Cir. 1983)
(sustentando que “apesar de meras alegações de numerosidade
serem insuficientes para cumprir com esse pré-requisito, um autor
não precisa mostrar o número exato de membros na classe.”);
Fabricant v. Sears Roebuck, 202 F.R.D. 310, 313 (S.D. Fla. 2001)
(sustentando que a Norma 23(a) exige que a reunião seja
impraticável, não impossível).

(b) Comunhão. Existem questões de lei ou fato comuns à Classe do


Acordo para fins de determinação do fato de o acordo proposto
dever ou não ser aprovado. Ver Fed. R. Civ. P. 23(a)(2); Wal-Mart
Stores, Inc. v. Dukes, 131 S. Ct. 2541, 2551, 2556 (2011)
(sustentando que para cumprir a exigência de comunhão, o autor
deve demonstrar que os membros da classe proposta “sofreram
o mesmo dano” e que as queixas de todos os membros da
classe “dependem de uma argumentação comum”, e “mesmo uma
única questão comum dependerá” (citando Gen. Tel. Co of Sw. v.
Falcon, 457 U.S. 147, 157 (1982))).

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O Autor alega diversas questões comuns conforme indicado na


Queixa Alterada [DE 73], inclusive se o design comum das
Pistolas da Classe é defeituoso e se os Réus sabiam disso mas
deixaram de divulgar os Defeitos de Segurança. Dadas as
queixas em questão e as informações fornecidas ao Tribunal como
base para o acordo proposto, o Tribunal de forma preliminar
considera que a exigência de comunhão é cumprido para fins de
acordo.

(c) Tipicidade. A queixa do Autor parece ser típica das queixas


sendo resolvidas através do acordo proposto. Ver Fed. R. Civ. P.
23(a)(3); Hines v. Widnall, 334 F.3d 1253, 1256 (11ª Cir. 2003)
(grifos intencionalmente omitidos) (considerando que a tipicidade
“mede se existe um nexo relevante entre as queixas do
representante nomeado e as da classe m geral”); Appleyard v.
Wallace, 754 F.2d 955, 958 (11ª Cir. 1985) (observando que “uma
grande similaridade de teorias legais cumprirão com a exigência de
tipicidade apesar de diferenças factuais substanciais”) (reprovado
sobre outros fundamentos por Green v. Mansour, 474 U.S. 64
(1985)); ver também Pop’s Pancakes, Inc. v. NuCO2, Inc., 251
F.R.D. 677, 683 (S.D. Fla. 2008) (sustendando que a exigência de
tipicidade está cumprida quando, ao provar seu próprio caso, “o
autor representante [também] estabelece os elementos
necessários para provar o caso dos membros da classe” (citando
Brooks v. S. Bell Tel. & Tel. Co., 133 F.R.D. 54, 58 (S.D. Fla.
1990))).

Como proprietário de uma Pistola da Classe, o Autor é um


membro da Classe do Acordo, e suas queixas e teorias legais
são típicas das queixas da Classe do Acordo como um todo
para fins de acordo. Apesar de as Pistolas da Classe incluírem
nove modelos diferentes, o Autor reivindica que todas elas
compartilham dos mesmos dois Defeitos de Segurança
alegados. Dessa forma, o Tribunal preliminarmente considerada

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que a exigência de tipicidade está cumprida para fins de


acordo.

O procedimento judicial que tramitou nos Estados Unidos


demonstra, portanto, a efetiva existência dos defeitos encontrados de forma
constante nos produtos produzidos pela Taurus, o que no Brasil é evidenciado pela
multiplicidade de idênticas notícias que aportaram nesta Procuradoria da República,
oriundas de todo o País, conforme relatado acima.

A notícia acerca do acordo nos EUA teve ampla repercussão.


Transcreve-se como exemplo uma matéria em inglês e outra em português:

http://www.grandviewoutdoors.com/guns/taurus-agrees-to-39-
million-settlement-in-defective-pistol-case/

“Taurus Agrees To $39 Million Settlement In Defective Pistol


Case

Brazil-based handgun maker Taurus has agreed to a $39 million


settlement in a class action lawsuit alleging some of the company's
most popular semi-automatic handguns can discharge when
dropped and have a defective safety that allows the gun to fire
even when it's engaged.

SHARE ON:

Christian Lowe — July 27, 2015

Settlement could include as many as 100,000 Taurus semi-autos

Brazil-based handgun maker Forjas Taurus SA has agreed to a


$39 million settlement in a class action lawsuit alleging some of
the company’s most popular semi-automatic handguns can
discharge when dropped and have a defective safety that allows
the gun to fire even when it’s engaged.

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According to court documents filed May 15 in a U.S. District


Court in Florida, the company has agreed to pay up to $30 million
to owners of nine separate handgun models who opt to send their
pistols back, with owners receiving anywhere from $150 to $200
for their pistols depending on how many choose that option.

The agreement also will extend the warranty for the nine handgun
models, allowing gun owners to send the pistols back to have the
handguns inspected by Taurus technicians and address the
“safety defects” alleged in the suit. Documents show the
settlement could include as many as 100,000 handguns.

The settlement also calls for a maximum $9 million in attorney’s


fees.

A Taurus official confirmed the settlement agreement, arguing


the company does not admit any wrongdoing.

“The Taurus Companies do not admit liability in connection with


the settlement,” the official told Grand View Outdoors. “If
anyone has one of these pistols, we are happy to inspect it under
the warranty and suggest that they send it to us so that we can
do so.”

Update: Judge’s Approval Coming ‘Any Day Now’

The settlement stems from a class action lawsuit brought by


Chris Carter, a Scott County, Iowa, sheriff’s deputy who alleges
his Taurus PT-140PRO discharged when it dropped out of his
holster during a pursuit. Court documents say the pistol had the
safety engaged and a round was fired from the gun with the case
remaining in the chamber.

Carter also alleged in his September 2014 class action lawsuit


that Taurus knew about the defect and did nothing to inform the

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public or fix the problem.

“Despite actual knowledge of the Safety Defects, Taurus has


never remedied either Defect, has never issued an effective and
complete warning to the public or recall of the Class Pistols and
Taurus continues to falsely represent to the public that the Class
Pistols are safe and reliable,” the lawsuit says. “In fact, Taurus is
aware that individuals have been seriously injured as a result of
the Safety Defects, and it is only a matter of time before more
individuals are seriously injured or killed.”

Taurus declined further comment on the case or the settlement


pending a judge’s approval of the agreement.

Court documents say Taurus was forced to pay a $1.2 million


judgement when an Alabama man shot himself after his PT-111
dropped to the floor and discharged in 2009. The documents also
say the Sao Paulo, Brazil, police recalled its Taurus .40 caliber
handguns after discovering the pistols could discharge with the
safety engaged.

“Simply stated, the Class Pistols are defective and inherently


dangerous, and Taurus has known about the Defects for years,
but has allowed the Class Pistols to remain in the hands of
unsuspecting gun owners to the imminent risk of harm to the
owners of the Class Pistols and the public,” the court documents
allege.

The settlement agreement covers nine Taurus models, including


the PT-111 Millennium; PT-132 Millennium; PT-138 Millennium; PT-
140 Millennium; PT-145 Millennium; PT-745 Millennium; PT-609;
PT-640 and PT-24/7, Taurus says.

“Neither the settlement nor the allegations in the case include


any of the popular Taurus G2 model pistols,” the company added. “

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Agora a notícia veiculada pela IstoÉ Dinheiro,


http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/negocios/20150417/forjas-taurus-aprova-
acordo-para-acabar-com-acao-judicial-nos-eua/252411:

Negócios

Forjas Taurus aprova acordo para acabar com ação judicial nos
EUA

17.04.15 - 19h29 - Atualizado em 01.12.16 - 02h52

A Forjas Taurus aprovou nesta sexta-feira, 17, a celebração de


um acordo preliminar para pôr fim à ação judicial proposta no U.S.
District Court for the Southern District of Florida contra a
Taurus e suas controladas nos Estados Unidos, Taurus Holdings e
Taurus International Manufacturing. O acordo preliminar diz
respeito à ação judicial Chris Carter versus Forjas Taurus,
relativa a supostos defeitos apresentados em alguns modelos de
pistolas de fabricação das companhias.

Em seus termos preliminares, a proposta de acordo envolve custos


no montante estimado de até US$ 41 milhões, relacionados
principalmente a gastos com divulgação, treinamentos e programas
de orientação, custas processuais e indenizações, e tem até o dia
15 de maio para ser convertida em acordo final.

Efeito no balanço

A Taurus estima que a celebração do acordo definitivo, nos


termos propostos, importará no reconhecimento de um efeito
negativo em suas demonstrações financeiras, podendo afetar o
patrimônio líquido entre US$ 15 milhões e US$ 41 milhões,
aproximadamente. Segundo a empresa, a oscilação entre os valores

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estimados deve-se a variáveis ainda não definidas, especialmente


relacionadas a efeitos tributários e cobertura por seguro.

Após a celebração do acordo final, caso confirmado nos termos


propostos, ele será submetido à homologação pelo juízo
competente em território norte-americano.

“A proposta de acordo aprovada é resultado de uma extensa


negociação e, com base na opinião de seus assessores legais norte-
americanos, a administração da Taurus entende que a sua
celebração é a medida mais eficaz para pôr fim à demanda judicial
em referência, assim como aquela que envolve o menor impacto
financeiro à companhia, evitando os riscos e possíveis efeitos
adversos adicionais a que ela estaria exposta em caso de
continuação do litígio”, informa a empresa em fato relevante.”

Diante do procedimento judicial ocorrido no exterior, dúvida não


há quanto aos riscos a que estão expostos também no Brasil os usuários de alguns
modelos de armamentos Taurus, inclusive com registro da efetivas e variadas
ocorrências de incidentes graves decorrentes desses defeitos, com consequências
graves para os agentes de segurança e/ou particulares que as portavam.

E mais que isso, os documentos encartados nos autos demonstram


que os dirigentes da Forjas Taurus tinham pleno conhecimentos dos problemas e
defeitos apresentados em seus armamentos quando da ação apresentada na Corte da
Flórida, movida pelo agente de segurança americano Chris Carter.

Os fatos aqui demonstrados são gravíssimos, já que não houve – ao


menos ao que se tem conhecimento até o momento – nenhuma informação oficial quanto
a tais fatos por parte da Taurus às Policias Civis e Militares ou ao Ministério da
Defesa, para fins de prevenção dos mesmos acidentes em território nacional.

Da mesma forma a empresa acionada e o Exército Brasileiro


sequer determinaram o recolhimento das armas de fogo cujos defeitos foram e estão

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sendo diuturnamente noticiados, adotando uma postura formal e descompromissada


com a segurança da população e de seus principais clientes institucionais (o Exército
Brasileiro proibiu a fabricação de um dos modelos apenas tardiamente – 30/11/2016,
após instauração do anexo ICP e de ampla divulgação na imprensa, conforme comprova
documento de fl. 118/1120).

Conforme relatado às fls. 1343/1353, a ata de reunião do Conselho


de Administração de 17/04/2015, às 9 horas, registra deliberação da Diretoria da
FORJAS TAURUS S.A. nos seguintes termos: “Deliberar sobre a autorização à
Diretoria para a celebração de um acordo preliminar para pôr fim a ação judicial
proposta no US District Court for the Southern District of Florida contra a Taurus e
suas controladas nos Estados Unidos, Taurus Holdings. Inc. e Taurus International
Manufacturing In. Referido acordo preliminar diz respeito à ação judicial Chris Carter
v. Forjas Taurus, relativa a supostos defeitos apresentados em determinados modelos
de pistolas de fabricação da companhia, cujo valor global da contingência poderia
chegar até o montante de US$ 41 milhões de dólares, que, com a proposta apresentada
nas bases e condições enunciadas pela Diretoria, em especial, a contratação de um
seguro, poderá ficar limitada a US$ 22 milhões de dólares americanos. Após a matéria
ter sido analisada e debatida pelos Senhores Conselheiros, foi deliberado, por
unanimidade de votos, autorizar a Diretoria da Companhia a celebrar um acordo
preliminar…”.

A situação acima mencionada encontra-se devidamente


documentada no Diário Oficial da Indústria e Comércio do Rio Grande do Sul, datado
de 29/06/2015, página 9 e, tendo a referida Deliberação sobre o assunto se dado em
17/04/2015, há certeza que antes dessa data os dirigentes da empresa já tinham
pleno conhecimento das falhas nos mecanismos dessas armas, o que motivou a veicular
em seu site a possibilidade das pistolas das séries “24/7” e “600” dispararem
acidentalmente em caso de queda.

Nesse sentido, o acordo judicial realizado no exterior, e relatado


acima, demonstra a necessidade premente de solução para a situação brasileira,
afastando o impedimento à livre importação de armas adequadas, fazendo cessar o
controle de mercado por parte dos réus, cuja demanda é garantida pela

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inconstitucional reserva de mercado criada pelo Exército por meio de legislação


administrativa interna.

C) DA AUDIÊNCIA PÚBLICA REALIZADA NA CÂMARA DOS DEPUTADOS EM


03/08/2016

No dia 03/08/2016 foi realizada audiência pública da 14 a. Reunião


da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado na Câmara dos
Deputados. O evento foi convocado para debater os defeitos apresentados nas armas
fornecidas aos Órgãos de Segurança Pública da União, dos Estados e do Distrito
Federal, em atendimento a diversos requerimentos de parlamentares federais.

Presentes à mesa, além do seu presidente, Deputado Alexandre


Baldi, o General Robson Santana de Carvalho, chefe do Centro de Avaliações do
Exército Brasileiro, o Coronel Marcelo Muniz Costa, chefe da Assessoria de
Comunicação Institucional da Indústria de Material Bélico do Brasil - IMBEL, Sr.
Salésio Nuz, Vice-Presidente Comercial de Relações Institucionais da Companhia
Brasileira de Cartuchos – CBC, Sr. Rabi Nasser, advogado representante da Forjas
Taurus S.A., bem como diversos agentes de polícia e policiais militares vitimados por
disparos acidentais, integrantes da associação denominada Vítimas da Taurus.

As vítimas, todos experientes profissionais da área de segurança


pública, reafirmaram a notória deficiência das armas Taurus adquiridas pelas suas
corporações, descrevendo em detalhes os acidentes ocorridos, inclusive demonstrando
as graves lesões de que sofrem em decorrência de disparos acidentais, os erros
ocorridos nas perícias realizadas nas armas e a impropriedade do tratamento dado pela
empresa aqui acionada. Abaixo seguem os resumos dos relatos:

1. Patrício Júnior de Oliveira, agente de atividades


penitenciárias (min. 04:10 do vídeo): relatou que se acidentou com a arma
denominada 24/7, nas suas palavras, “uma verdadeira porcaria que quase ceifou a sua
vida”. Narrou que, por conta do acidente, sua vida é completamente diferente pois
trabalha atualmente na área administrativa.”

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2. Eduardo Bruno Alves (min. 05:39 do vídeo), Major da Policial


Militar do Estado de Goiás, relatou que há nove anos sofreu acidente com o mesmo
modelo 24/7, quando sua arma caiu no chão quando estava em seu escritório,
disparando ao bater a culatra no solo, atravessando seu braço, entrando no peito
e saindo pelas costas. Concluiu que o mecanismo de funciona da referida arma não
funciona, circunstância provada pelos diversos casos que acontecem pelo Brasil.
Pontuou que apenas na semana anterior a Taurus incluiu aviso no manual de que essa
arma tem o risco de disparar, além de registar que 'todas as armas disparam'.
Registrou que mesmo deixando uma arma IMBEL cair no chão, suas peças quebram mas
o armamento não dispara e que a qualidade, a feitura e o sistema de segurança das
armas que são vendidas para as polícias do Brasil não condizem com as necessidades do
serviço policial. Noticiou que, em razão da criação do blog relacionado aos acidentes,
recebe contatos semanais com relatos de casos novos e diferentes, relacionados a
disparos acidentais dessas armas.

3. Luciano Gomes Vieira, agente da Polícia Civil do Distrito


Federal (min. 09:40 do vídeo): que ao chegar em casa, sua arma 24/7 caiu e
disparou, atingiu peito e perfurou o pulmão, saindo pelas costas; que devido à
perda de 03 litros de sangue, permaneceu por duas semanas na UTI, com risco de
vida, levando meses para se recuperar completamente. Registrou que, após ter
retirado recentemente a 24/7 da linha de produção, a Taurus lançou manual do modelo
afirmando que a arma pode disparar ao cair no chão; que há problemas com outras
armas utilizadas pela corporação, a exemplo do modelo 640, e que a Taurus tem
procurado minimizar o problema e tentado encerrar as diversas investigações que
tramitam no país, sem dar ampla publicidade para tais acidentes, mesmo após ter
colocado as armas no mercado consumidor, além de não fazer uma política séria de
recall nos armamentos.

4. Cleomar Guimarães de Oliveira, sargento da Polícia Militar do


Estado de Goiás (min. 12:51 do vídeo): relatou que sua arma, mesmo nova, caiu e
disparou; que o tiro atingiu uma terceira pessoa, que teve o dedo do pé amputado.
Afirmou que adquiriu a arma com recursos próprios visando a sua segurança pessoal,
diante da propaganda comercial que afirmava se tratar de armamento moderno e
seguro. Esclareceu que responde na Justiça há mais de cinco anos por crime de

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lesão corporal e disparo de arma de fogo, no qual há provas de que houve um


acidente, inclusive com depoimento da própria vítima.

5. Sr. Leandro Rodrigues Valverde (min 15:44 do vídeo): Cabo


da Polícia Militar do Estado de Goiás, usuário da pistola PT 100: contou que sua
arma caiu e acertou sua esposa, ficando alojado o projétil em sua perna; que a vítima
sofre das sequelas, mancando e usando bota ortopédica, não podendo exercer mais sua
atividade profissional, já que era Professora de Educação Física; que apesar de a
vítima ter caído em solo de concreto, a perícia foi desfavorável, não tendo sido feita
de forma correta, já que feita em solo de borracha.

6. Alexandre Fernandes de Castro, Policial Militar do Estado


de Goiás (min. 17:01 do vídeo): que sofreu acidente no dia 13/02/2013, quando
portava uma Pistola 9mm, modelo 92AF, após 15 dias de formado como 2º
tenente. Que a arma caiu da altura da linha de sua cintura, a 1,20 metro,
disparou atingindo a junção entre o fêmur e a tíbia, tendo o projétil permanecido no
seu corpo; que passou por cinco procedimentos cirúrgicos, tendo ficado aleijado; que
serviu na PM do Estado de Rondônia até 2010 e que a arma foi projetada para só
disparar quando acionado o gatilho; que perdeu a mobilidade da perna direita e terá de
se submeter a outras cirurgias para minimizar outras sequelas desse disparo acidental.
Afirmou que os registros de acidentes acontecem desde 2005,mas há
relatos antes desse ano; que em 2007 o soldado Vargas, de Aquidauana, morreu na
frente dos filhos, além de recordar da ocorrência de outros casos de acidentes, em
2007, 2009 e em 2011.

7. Célia Regina, Policial Militar do Estado de Goiás (min. 23:38


do vídeo): que foi convidada para o recall da arma 24/7 quando ainda estava em
licença maternidade; que se dirigiu para a Academia de Polícia Militar acreditando que
só iria deixar a arma e voltar para casa; que deixou sua filha, que tinha poucos meses
de nascida, com sua sogra, mas voltou apenas 21 dias depois, uma vez que após realizar
os procedimentos de recall ensinados pela PM, a arma disparou atingido sua perna
esquerda, provocando rachaduras até o joelho; que as sequelas são inúmeras
incluindo as físicas e psicológicas; que clama por providências a quem tem
responsabilidade; que responde a processo judicial por disparo de arma de fogo por

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negligência.

8. Crasso Murilo Porto, agente da Polícia Civil do DF (min.


27:11 do vídeo): narra que a arma entrou na corporação em 2004/2005 e uma das
exigências do edital de licitação é que não provocasse disparo acidental; que, na prática
da corporação, ninguém poderia pegar nessa arma sem tomar um curso antes; que
trabalhou na Delegacia de Homicídios onde conheceu o Perito de Criminalística, que
tinha visitado a fábrica onde a arma é montada. Que houve toda uma doutrinação de
que a arma não disparava quando caía; que, no entanto, quando se preparava para
voltar ao trabalho, a arma caiu da jaqueta e disparou passando de raspão na sua
orelha; que a arma se encontrava no coldre, sem acesso ao gatilho e que após o
incidente a perícia foi feita de forma inadequada, sem simulação das condições de
uso; que, tendo em vista que a atividade do policial exige movimentos constantes, a
arma de um policial não pode disparar.

9. Sr. Carlos Vieira Zardo, agente da Polícia Civil do DF


aposentado (min. 31:25 do vídeo): que se recorda de duas situações em que a
arma 24/7 caiu ao solo e disparou, uma no alojamento do Departamento de
Operações Especiais e outra em via pública; que mesmo sabedora dos defeitos da
arma, a Taurus não veio a público alertar para esse erro de projeto e manteve a sua
venda no mercado, provocando um crescente número de acidentes. Salientou que as
armas Taurus têm apresentado evidentes problemas de segurança, ao contrário de
outros armamentos importados, e que as armas continuam sendo usadas mesmo após
terem sido submetidas a condições adversas e terem caído no solo.

Finalizada a primeira etapa e franqueada a palavra aos


parlamentos subscritores do requerimento da referida audiência pública,
manifestou-se o Deputado Major Olímpio (min. 34:45 do vídeo): O Deputado
Federal afirmou que as instituições policiais brasileiras estão sendo enganadas,
comprando armas de péssima qualidade e que, apenas em São Paulo há seis mil armas
vendidas para a PM, submetralhadoras, SMT .40, pelo valor de R$ 23 milhões de reais
em 2013, que não podem ser distribuídas para a tropa, uma vez que não disparam ou
disparam sozinhas. Relatou ainda que averiguou e confirmou o treinamento dado aos
policias quanto ao correto uso das armas em geral e que os defeitos da Taurus são

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evidentes, sendo vergonhoso não reconhecer a responsabilidade pelos erros de


projeto. Aduziu que o Exército Brasileiro faz o seu papel em relação aos
protótipos, mas que não tem acompanhado e fiscalizado as alterações nos projetos e na
fabricação de novos modelos de armamentos e que a moderna visão do Exército
Brasileiro, preconizado pela Gel. Neiva (Divisão de Produtos Controlados) há 15 dias
atrás, requer a quebra desse monopólio, direcionando a concepção do que é indústria
estratégica de defesa para a produção de pistolas.

Outros pontos importantes foram registrados pelo referido


parlamentar: que o próprio Exército Brasileiro comprou recentemente um lote de fuzis
e não quis comprar os fuzis IMBEL. Que houve a quebra do monopólio da indústria
automobilística, da informática, da telecomunicação e que o último a ser revisto é o de
armamentos. Que paga-se muito por armas e munição e temos produtos de péssima
qualidade. Que desde 2007, foram compradas 118 mil armas no Estado de São Paulo.
Que deseja que os produtos sejam fiscalizados e que as polícias paguem o preço justo.
Que pretende instaurar CPI nessa Câmara dos Deputados e que os policiais militares
estão atuando em várias frentes. Que parlamentares estão atuando na revisão da
proposta do novo Estatuto do Desarmamento para que os órgãos de segurança pública
possam comprar o produto que seja melhor, revendo o R-105, cuja proposta de
modificação, na opinião do próprio General Neiva, amarra mais ainda o conceito de
similaridade nacional. Afirma que, se se prosseguir com esse conceito – como está
posto hoje – haverá continuidade da venda de mortes ao invés de se oferecer
segurança para a população. Que o intuito da audiência pública é preparatória de CPI
para apuração de responsabilidades e que o Ministério Público Militar abriu
investigação para apurar o papel do EB na questão da fiscalização. Que não se pode
continuar a pagar muito mais caro e não se ter tratamento de cliente. Que Na Justiça
Americana, onde tem um pouco mais de regra, a Taurus já foi obrigada a pagar
indenizações, o que a Justiça brasileira já deveria ter feito. Que a política de recall é
inadequada e não passa de procedimentos falhos, inclusive batendo armas na mesa para
corrigir defeitos. Que as armas são vergonhosamente mal feitas. Que apesar de todas
as redes estarem reverberando os fatos, não há uma ação legislativa no sentido de se
solucionar o problema e que a Seção de Fiscalização do Exército está deixando a
desejar. Que há receio das pessoas que são abordadas por um policial no Brasil, cientes

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de que a arma que portam pode disparar sozinha. Registra que o objetivo maior de
todos é rever o conceito de produto estratégico de defesa, para que a segurança
pública possa ser melhor – para que os Governadores possam comprar armas mais
adequadas a suas polícias, apenas comunicando ao Exército Brasileiro, que atualmente
tem o controle absoluto dessas aquisições, mantendo deficitária a segurança dos
Estados.

O General Robson Santana de Carvalho (min. 48:47 do vídeo),


Chefe do Centro de Avaliações do Exército, ressaltou que o trabalho no processo de
avaliações dos produtos controlados é subordinado ao Dep. de Ciencia e Tecnologia,
tendo previsão no parágrafo primeiro do art. 57 do R-105 – Regulamento de
Fiscalização. Registrou que o protótipo é avaliado previamente à produção pelo
Centro de Avaliações do Exército - CAEX. Que as empresas requerem a avaliação do
protótipo à diretoria do CAEX, que envia ao laboratório técnico, após avaliação da
documentação. Que após a realização dos testes em laboratório, o parecer emitido é
enviado ao Dep. de Ciência e Tecnologia, a qual expede a autorização do título de
registro ou apostilamento para que o fabricante possa iniciar a fabricação seriada de
um produto.

O Coronel Marcelo Muniz Costa (1:04:12 do vídeo), Chefe da


Assessoria de Comunicação da Indústria de Material Bélico do Brasil – IMBEL,
defendeu não existir monopólio, uma vez que, além da Taurus, a empresa que
representa se constitui em mais uma fabricante de armamentos leves atuante no
Brasil, fornecendo armas para as Forças Armadas, para órgãos de segurança pública e
para clientes privados. Manifestou ainda preocupação com as declarações de acidentes
que carecem de comprovação, salientando que a empresa se submete a quaisquer
testes, desde que realizados na presença de seus engenheiros.

O advogado Rabih Nasser, representando a Taurus (1:10:53


do vídeo), afirmou que uma nova gestão assumiu a direção da empresa, imbuída da
finalidade de fortalecer e corrigir as falhas existentes e que foram realizados
investimentos substanciais no processo de fabricação para maior eficiência e
qualidade. Lamentou qualquer acidente com arma de fogo da empresa, indicando que o
empenho é para diminuir ao máximo o número de acidentes. Asseverou que há um

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melhor relacionamento da empresa com seus clientes e que várias iniciativas estão
sendo tomadas, como a reaproximação com os diversos órgãos públicos envolvidos.
Pontou que a empresa tem uma história de 70 anos e que sua diretoria tomou a decisão
de se abrir ao diálogo, adotando iniciativas como o oferecimento de manutenção
preventiva de armas em todas as forças policiais, com a manutenção de uma unidade de
pronto atendimento. Afirmou ainda a busca do aprimoramento dos manuais, com a
inserção da afirmação de que, ao cair, uma arma dispara, e que esse fato é usual, não
havendo qualquer reconhecimento de defeito. Aduziu que nos Estados Unidos as
vendas da Taurus são direcionadas ao mercado civil, formado por pessoas sem
conhecimento de armas e que o principal mercado da Taurus no Brasil são os órgãos
de segurança pública. Salientou que o contato realizado pela Taurus com os órgãos e
entidades fiscalizatórios e com os Ministérios Públicos não pode ser visto como
manobra, mas como um compromisso permanente da companhia de manter diálogos
institucionais. Sugeriu que o Exército fizesse vistorias nas fábricas da empresa e que
a permanência de simples suspeita constitui fato negativo para a companhia. Registrou
que armamentos são produtos naturalmente perigosos e que a responsabilidade por
atos danosos é compartilhada com o usuário, que deverá valer-se de perícia para
esclarecimento dos casos concretos. Pontuou que, no processo americano, não foi paga
indenização, mas que houve previsão de devolução de valores por entrega voluntária
das armas. Não houve reconhecimento de defeitos nas armas e todos os fabricantes
sofrem questionamento quanto a qualidade dos seus produtos em todo o mundo.

O Sr. Salésio Nuhs (1:28:20 do vídeo), Vice-Presidente


Comercial de Relações Institucionais da Companhia Brasileira de Cartuchos - CBC,
afirmou que a empresa adquiriu em 2014 o controle da Taurus (gestão assumida no
segundo semestre de 2015), em operação que foi avaliada pelo CADE. Pontuou que a
Taurus exporta para mais de 80 países, constituindo-se na quarta marca mais vendida
nos Estados Unidos e fabrica revólveres dos calibre 22 ao calibre .500, pistolas de
variados calibres e modelos, linha de carabinas, submetralhadoras e fuzis, e armas
longas para caça. Salientou que a empresa fabrica 4 mil armas por dia, a maior parte
exportadas para os EUA, em uma planta em São Leopoldo (resultado da unificação de
três fábricas) e que os peritos foram categóricos ao negar a ocorrência de falhas
durante os testes feitos em laboratórios.

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Finalizada a manifestação dos representantes das empresas,


foram ouvidos dois peritos, indicados pelas empresas de armamento, quais sejam,
Domingos Tocchetto e Geraldo Bertolo.

O Sr. Domingos Tocchetto, Perito Criminal (1:39:42 do vídeo),


deu sua opinião sobre os casos descritos na audiência, afirmando que houve falhas das
perícias feitas anteriormente, com descumprimento das normas legais para perícias,
seja a brasileira, NEB-267, para pistolas e revólveres, e a americana, NINGI, para
pistolas de uso policial nos Estados Unidos. Salientou que a perícia realizada pelo seu
departamento não constatou quaisquer defeitos nas armas e que os testes de queda
não lograram confirmar os tiros acidentais. Afirmou que nenhuma arma de fogo dispara
sozinha, sendo necessária a colocação em movimento do mecanismo de disparo e que
qualquer arma de fogo pode provocar tiro acidental por queda, dependendo das
condições de altura, piso e estado de conservação da arma.

O Perito Criminal da Polícia Federal Geraldo Bertolo (1:59:35


do vídeo), analisando os laudos inicialmente elaborados, afirmou que não houve
detecção de acidentes durante os testes realizados posteriormente no laboratório
onde atua. Finalizou destacando que em todos os casos estudados, não houve histórico
de defeitos/falhas anteriores aos fatos, tampouco o registro de manutenções
preventivas realizadas.

O Sr. Ladislau Brito Santos Júnior, Perito Criminal da Polícia


Civil do Amazonas e da Força Nacional de Segurança Pública (2:13:51 do vídeo),
prestou importantes esclarecimentos acerca da problemática vivenciada em relação
aos defeitos das armas.

O Sr. Ladislau Brito Santos Júnior, Perito Criminal da Polícia


Civil do Amazonas e da Força Nacional de Segurança Pública (2:13:51 do vídeo):
pontuou que a ocorrência de falhas em armas pode ocasionar situações em que os
policiais fiquem indefesos em uma situação de confronto e que, por isso, é fundamental
que os policiais possam confiar nas armas que eles portam. Salientou que os
fabricantes têm uma parcialidade natural no que toca às perícias envolvidas nos casos,
uma vez que não tem interesse algum em atribuir as falhas ocorridas à falta de
qualidade dos seus armamentos e que essas análises emitidas pelos fabricantes são

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totalmente comprometidos por parcialidade. Registrou que acidentes ocorridos podem


ser ocasionados por manejo inadequado ou por falhas no armamento, o que só poderá
ser diagnosticado por perícia criminal. Destacou que o grande número de casos
envolvendo acidentes com armas de fogo é apenas parte do problema, uma vez que
existe uma subnotificação no Brasil no que toca aos acidentes envolvendo armas de
fogo. Enfatizou ainda que os policiais apenas registram ocorrências quando há morte,
lesão ou testemunhas, salientando que no caso do tiro acidental não provocar vítimas
ou danos, não há notificação por temor do policial quanto a penalidades no âmbito
administrativo e penal, em face do atraso na legislação. Pontuou que, por conta da
cultura de punição e do medo de responder a processos administrativo e penal, grande
parte dos acidentes com arma de fogo não são registrados oficialmente; em relação
aos casos de particulares e de empresas de segurança privada, aduziu que,
basicamente, não há registros das falhas ocorridas, daí não se ter pleno conhecimento
da realidade, o que é agravado pelo fato de não existir um cadastro nacional que reúna
todas as informações para que se possa ter um panorama completo do que acontece no
Brasil. Confirmou que, de fato, existem muitos erros de procedimentos após a
ocorrência de acidentes envolvendo armas de fogo. Relatou que após os acidentes, a
primeira coisa que tem sido feita é o envio das armas aos armeiros das instituições, e
que o correto seria, após socorrer a vítima, isolar o local, preservar os vestígios e
lacrar a arma, para envio à perícia, sequência de procedimentos que constitui a
cadeia de custódia de uma perícia; que na prática das instituições, a arma vai para o
armeiro, que a desmonta, detecta o problema e o soluciona, enviando-a depois para a
perícia; daí por que a perícia confecciona seu laudo e esse defeito não é
constatado, já que houve a quebra da cadeia de custódia; que os quesitos
formulados nos exames da perícia muitas vezes nada tem a ver com a questão
apresentada. Noticiou que a Força Nacional de Alagoas foi instada a verificar situação
no Estado de Alagoas no ano de 2016, após a Secretaria de Segurança Pública ter
adquirido duas mil pistolas Taurus modelo PT 100 PLUS para a Polícia Militar e 500 PT
940 para a Polícia Civil, nas quais se constataram muitas falhas e incidentes de tiros.
Narrou que o Secretário de Segurança Pública solicitou perícia à Força Nacional de
Segurança Pública, que constatou índice inaceitável de falhas de ejeção, falhas de
extração, dupla alimentação, dentre outros tipos de falhas, que estavam em desacordo
inclusive com normas internacionais, como a adotada pelos Estados Unidos, o que

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motivou a reprovação de todos os lotes pelos peritos da FNSP, que recomendaram o


recolhimento imediato pois as armas eram impróprias para uso na atividade policial.
Observou que, nesses casos, as armas deveriam ser recolhidas pelos fabricantes,
trocadas ou reparadas e posteriormente passados por nova perícia; daí porque, os
lotes foram enviadas para a sede da Taurus no RGS, cujos técnicos acompanharam
todas as etapas dos exames; que após os reparos, as armas retornaram a Alagoas e
foram submetidas a nova perícia para verificar a possibilidade de uso seguro, com
aprovação de 97% das pistolas. Destacou que, de fato, houve uma correção de
problema, cuja comprovação se deu mediante laudo pericial porque os gestores de
segurança pública seguiram todas as recomendações da perícia criminal. Registrou que
além dessa perícia conduzida pelo próprio palestrante, há diversos exemplos pelo
Brasil em que trabalhou pela Força Nacional em quase todos os Estados da
Federação, em que houve perícia comprovando a existência de falhas nos
armamentos fornecidos; que dentre os vários defeitos constatados, há casos
clássicos como o da arma 24/7, principalmente no DF, polícias civil e militar; que
o Estado de São Paulo e grande parte dos Estados adquiriram esse modelo.
Noticiou que efetivamente existem laudos de institutos de criminalística que
comprovam falhas em armamentos, a exemplo do DF, que demonstra o disparo das
armas ao cair em piso de concreto; que não existe uma norma brasileira para a
realização de perícia; que a norma existente no Brasil é do Exército para a qualificação
de um protótipo; que a norma NINGI é uma norma que não é obrigatória nem nos
Estados Unidos, cabendo ao perito fazer as adaptações necessárias para que os
exames sejam realizados o mais próximo da realidade; daí por que os peritos terem
realizado a queda no piso de concreto, pois a arma não caiu em piso de borracha.
Perante a indagação do motivo das armas adquiridas pelas polícias no Brasil
apresentarem tantas falhas, destacou que tais armamentos não passam por testes
prévios de qualificação; que as armas são compradas da mesma forma que
computadores ou cadeiras, apenas seguindo uma especificação técnica e depois é feita
a entrega imediata aos policiais; que os peritos criminais não participam dessa
aquisição e que não são feitos testes de validação das armas antes de serem
colocadas em uso; que a legislação brasileira não prioriza a qualidade das armas por
que restringe sua aquisição àquelas fabricadas nacionalmente; que há um monopólio
nacional da fabricação e comercialização das armas; que existe uma empresa nacional

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fabricando as pistolas, que é a FORJAS TAURUS; que a CBC tem o monopólio de


munições e a IMBEL, que é uma empresa pública; que quando existe um monopólio, a
qualidade não é um diferencial, porque não existe opção. Citou como exemplo os
Estados Unidos que, sendo rigoroso, usa as armas de vários fabricantes. Concluiu
sua fala, apresentando recomendações diversas, tais como a criação de Comissão
Multidisciplinar para Aquisição de Armas de Fogo, com a participação de Peritos
Criminais, criação de um protocolo nacional adaptado às nossas condições, revisão do
Decreto R-105, com a participação dos órgãos de segurança públicas e dos peritos
criminais, mudanças na legislação para permitir a participação de fabricantes de armas
importadas nas licitações, possibilidade de instalação de empresas estrangeiras no
Brasil, isenção fiscal para aquisição de armas nacionais e importadas pelos agentes de
segurança pública, livre acesso dos peritos às instalações fabris, regulamentação da
cadeia de custódia para procedimentos de acidentes envolvendo armas de fogo e a
inclusão da perícia criminal na Constituição Federal.

O Sr. Carlos Frederico de Oliveira Pereira, Sub Procurador da


Justiça Militar (2:30:39 do vídeo) afirmou que, no âmbito do Ministério Público
Militar, existem investigações versando sobre material bélico e que tem recebido um
número excessivo de denúncia envolvendo acidentes com armas de fogo, havendo
preocupação com as providências tomadas pelo Exército Brasileiro junto às fábricas de
armamentos. Reafirmou a necessidade de adoção de procedimento padrão nos casos de
acidentes, além de inclusão de testes de avaliação das armas fornecidas antes da
entrega aos policiais.

Encerrada essa fase de apresentações, foram abertos os


debates, com perguntas formuladas pelos parlamentares:

Questionado sobre o número de ações judicias envolvendo as


empresas fabricantes, o advogado da Taurus (2:51:55 do vídeo) afirmou que
tramitam na Justiça cerca de 35 ações tendo por objeto o disparo acidental de suas
armas. Os parlamentares, então, formularam diversos esclarecimentos, requerendo
providências em relação à apuração de crimes praticados no que toca ao comércio
de armas.

O Major Olímpio (2:57:10 do vídeo) pontuou que os dois

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primeiros peritos foram contratados pela Taurus para se manifestar sobre as


perícias realizadas pelos órgãos de Segurança Pública dos Estados e o Deputado
Bolsononaro (3:01:24 do vídeo) assinalou que a falta de concorrência no Brasil e
que a IMBEL não deveria estar presente na audiência, já que se discute a má
qualidade das armas Taurus. Questionou ainda a perícia realizada em piso de
borracha, já que os incidentes ocorrem em piso de concreto. O parlamentar
registrou, ainda, que a fabricação da 24/7 se deu para que a Taurus tivesse uma
similar nacional e garantisse sua reserva de mercado e que a empresa apresenta um
protótipo para o Exército e, quando da sua fabricação, faz o que bem entende. Afirmou
que o Exército Brasileiro fiscaliza apenas o protótipo mas não faz uma fiscalização no
dia a dia da fábrica. Demonstrou em vídeo que, de fato, a arma 24/7 efetua disparos
acidentais sem o acionamento do gatilho, o que contraria a afirmação do Perito
Torcheto de que a arma só dispara com o dedo no gatilho.

Em resposta, o representante da IMBEL (3:07:52 do vídeo)


afirmou que, de fato, a clientela preferencial da empresa são as Forças Armadas e que
empresa pública não teria condições de suprir o mercado com a eventual falência da
Taurus.

O Perito Domingos Tocchetto (3:09:45 do vídeo) prestou


esclarecimentos finais acerca dos procedimentos prévios de perícia e sobre a
realização dos testes de queda.

O Parlamentar Onix Lorenzeti (3:14:32 do vídeo) pontuou o


respeito pela empresa investigada e peritos, sugerindo a criação de uma Comissão
Especial para modificação da legislação e aperfeiçoamento do sistema de notificações
de falhas de arma.

Encerrados os debates, o Deputado Alexandre Baldy (3:22:52


do vídeo), Presidente da Comissão, concluiu os trabalhos destacando o caso da
Petrobrás, exortando as partes para a construção de uma solução que privilegie a
segurança pública.

Após a análise do ocorrido durante a audiência pública ocorrida na


Câmara do Deputados, observa-se que os responsáveis pelas empresas acionadas não se

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pronunciaram acerca dos defeitos apresentados nos casos concretos ali expostos,
limitando-se a enaltecer o poderio econômico de suas diretorias e a tecnologia
investida em suas plantas, além de negar de forma genérica quaisquer falhas no seu
processo produtivo.

Por outro lado, delineou-se a existência de diversos policiais que


detalham a ocorrência de tiros acidentais nas armas que lhe foram fornecidas para o
desempenho de suas atividades profissionais, com a comprovação das lesões e sequelas
de que são portadores.

Percebe-se daí que há um comportamento empresarial voltado a


evasivas quanto aos acidentes envolvendo as armas de fogo produzidas pelas suas
fábricas, ao tempo em que tentam justificar a existência de uma política de recall, cuja
eficácia foi questionada de forma fundamentada por diversos órgãos públicos.

Assim, os acontecimentos e depoimentos coletados demonstram à


saciedade os riscos a que estão permanentemente expostos os agentes de segurança,
autoridades e a população em geral em decorrência da má qualidade das armas
produzidas pela TAURUS, estimulada que é pela manutenção de normas restritivas da
concorrência por parte do Ministério da Defesa e Exército Brasileiro.

III – DOS FUNDAMENTO JURÍDICOS

A) DA LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E DA


CONSEQUENTE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL.

A Constituição Federal incumbiu ao Ministério Público a defesa da


ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais
indisponíveis, alçando-lhe à condição de instituição permanente, essencial à função
jurisdicional do Estado (art. 127). Estabeleceu, também, ser função institucional do
Ministério Público promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e
coletivos (art. 129, III).

No artigo 129, II, também da Carta Magna, o legislador atribuiu-

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lhe a função de “zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de
relevância pública aos direitos assegurados na Constituição, promovendo as medidas
necessárias à sua garantia”.

A Lei Complementar nº 75/93 dispõe ser função institucional do


Ministério Público da União a defesa da ordem jurídica, do regime democrático, dos
interesses sociais e dos interesses individuais indisponíveis, considerados, dentre
outros, as vedações impostas à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios e a legalidade, a impessoalidade, a moralidade e a publicidade, relativas à
administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União
(art. 5º, I, g e h), bem como zelar pela observância dos princípios constitucionais
relativos à atividade econômica e à segurança pública; (art. 5º, II, c e e).

Em razão do mesmo diploma legal, compete-lhe ainda a defesa do


patrimônio público, bem como zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos da
União e dos serviços de relevância pública quanto aos princípios da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade e da publicidade (art. 5º, III, b, e V, b), sendo-lhe
atribuída a promoção de inquérito civil e ação civil pública para a proteção dos
referidos interesses (art. 6º, VII, b).

Por outro lado, o art. 21 da CF, em seu inciso VI, dispõe ser da
competência exclusiva da União a autorização e fiscalização para produção e comércio
de material bélico:

Art. 21. Compete à União:

VI – Autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material


bélico.

Ao mesmo tempo, dispõe no art. 22, inciso XXI, ser competência


privativa da União a expedição de normas gerais de organização, efetivos e de material
bélico, in verbis:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

XXI – normas gerais de organização, efetivos, material bélico,


garantias, convocação e mobilização das polícias militares e corpos

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de bombeiros militares;

Pela natureza do feito, percebe-se inegável a competência da Justiça


Federal para processar e julgar o presente processo. Primeiro, pela presença do
Ministério Público Federal no polo ativo da demanda; segundo, por ser da União a
competência para legislar sobre material bélico e a atribuição de sua fiscalização e
controle; terceiro, por constar a União no polo passivo da lide. Como se nota esses
fatos são suficientes para atrair a referida competência, no toar do artigo 109, inciso
I, da Constituição Federal:

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar:


I - as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa
pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés,
assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes
de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do
Trabalho.(grifou-se)

Assim, com a harmonização das normas mencionadas, é indubitável que


cabe ao Ministério Público Federal propor a presente ação civil pública e compete à
Justiça Federal processá-la e julgá-la.

B. A LIVRE CONCORRÊNCIA COMO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA ORDEM


ECONÔMICA. PRECEDENTES JUDICIAIS.

A Constituição Federal, já em suas palavras iniciais, estabelece,


em seu art. 1º, que a República Federativa do Brasil tem como fundamentos a
soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e
da livre iniciativa e o pluralismo político.

Com relação aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa,


veja-se que o constituinte quis destacar as duas bases do sistema econômico, de
natureza capitalista, não olvidando sua íntima relação com os objetivos fundamentais
de construir uma sociedade livre, justa e solidária e de garantir o desenvolvimento

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nacional.

Nesse passo, a fim de concretizar tais desideratos, previu o texto


constitucional peculiar tratamento à ordem econômica, estabelecendo seus princípios
gerais, que devem nortear a atuação do poder público e da iniciativa privada no país.

Fixou-se ainda no art. 170, os princípios que dão norte à atividade


econômica, em consonância com o modelo de Estado Democrático de Direito, que situa
a livre iniciativa como um valor social estruturante, constituindo-se um fundamento da
República (art. 1º da CF).

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho


humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos
existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:

(...)

IV - livre concorrência;

V - defesa do consumidor;

Demonstrando a excepcionalidade da atuação do Estado em


determinadas atividades, previu a Constituição Federal, as hipóteses de sua exploração
direta no art. 173:

Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a


exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será
permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional
e a relevante interesse coletivo, conforme definido em lei.

De outro lado, a Constituição se preocupou de tal modo com os


princípios da ordem econômica, que chegou mesmo a indicar a regulamentação legal
para as hipóteses de abuso do poder econômico tendente à dominação de mercados,
que ameaça de modo direto o exercício da livre concorrência, conforme se vê dos
desdobramentos do citado dispositivo constitucional:

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Art. 173…

§ 4º A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à


dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao
aumento arbitrário dos lucros.

§ 5º A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos


dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade
desta, sujeitando-a às punições compatíveis com sua natureza,
nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e
contra a economia popular.

De outro lado, estabeleceu o papel do Estado frente às atividades


do setor privado:

Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade


econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de
fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este
determinante para o setor público e indicativo para o setor
privado.

Finalmente, indicou o constituinte as hipóteses em que a União


exerceria o monopólio das atividades econômicas, em hipóteses taxativas previstas no
art. 177:

Art. 177. Constituem monopólio da União:

I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e


outros hidrocarbonetos fluidos; (Vide Emenda Constitucional nº 9,
de 1995)

II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;

III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos


resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores;

IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional

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ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim


o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus
derivados e gás natural de qualquer origem;

V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a


industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e
seus derivados.

V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a


industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e
seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção,
comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime
de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput
do art. 21 desta Constituição Federal. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 49, de 2006)

Concretizando tais mandamentos constitucionais, foi editada a Lei


n. 12.529/2011, em substituição à Lei 8.884/1994, dispondo sobre a prevenção e a
repressão às infrações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames
constitucionais de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da
propriedade, defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico.

Nesse passo, o art. 36 do referido diploma legal prevê condutas


que se enquadram no conceito de infração à ordem econômica em razão do abuso do
poder econômico.

Estabelecido o quadro constitucional e normativo do tema


investigado, observa-se que apenas excepcionalmente se admite, via previsão
constitucional, a instituição de monopólios de atividades econômicas, que mereçam
proteção especial do Estado, cujas hipóteses estão previstas de forma esparsa no
texto constitucional ou no art. 177.

Ressalvados os monopólios autorizados, vige o princípio da livre


concorrência, que impõe o afastamento de quaisquer condutas do poder pública ou da
iniciativa privada que restrinjam a livre atividade econômica no país, sob pena de
comprometimento do mecanismo básico da economia que garante o equilíbrio de preços

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e a competitividade entre os agentes econômicos.

Tal sistemática tem o nítido objetivo de garantir a qualidade dos


bens e serviços oferecidos no mercado e a segurança dos consumidores de tais bens,
como pressuposto da própria ordem econômica, por meio da qual se pode garantir,
conforme princípios constitucionais, o direito à vida e à segurança.

Nesses termos, as práticas monopolistas violam frontalmente a


Constituição Federal, uma vez que se mostram nefastas à livre concorrência, princípio
constitucional da ordem econômica, com consequências negativas para toda a
sociedade, tais como o domínio de mercados, elevação abusiva de preços e a falta de
qualidade dos produtos ofertados.

Celso Ribeiro Bastos (1990, p. 25-26), citado por Fabiano Del


Masso , ensina sobre o tema:
2

“a livre concorrência é indispensável para o funcionamento do


sistema capitalista. Ela consiste essencialmente na existência de
diversos produtores ou prestadores de serviço. É pela livre
concorrência que se melhoram as condições de competitividade
das empresas, forçando-as a um constante aprimoramento dos
seus métodos tecnológicos, dos seus custos, enfim, na procura
constante de criação de condições mais favoráveis ao
consumidor. Traduz-se, portanto, numa das vigas mestras do êxito
da economia de mercado.”

PAULA A. FORGIONI3 destaca a proteção da livre concorrência,


como uma garantia da defesa do consumidor e contra o abuso do poder econômico:

“4.3 O caso brasileiro: as bases constitucionais e a concorrência-


instrumento

O texto da Constituição de 1988 não deixa dúvidas quanto ao fato


da concorrência ser, entre nós, um meio, um instrumento para

2 Direito Econômico esquematizado. Editora Método, 4a. Edição. Pag. 66/67.


3 Os Fundamentos do Antitruste. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo, 1998, pg. 170.

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o alcance de outro maior, qual seja, “assegurar a todos


existência digna, conforme os ditames da justiça social”. José
Alexandre Tavares Guerreiro, mesmo antes do advento da
Constituição de 1988, já via a proteção da concorrência como
serviçal de um bem maior, o interesse coletivo, de ordem
pública.

O fato é que a disciplina da concorrência, no Brasil, surge, como


anotamos alhures, em um contexto de proteção da economia
popular (cf. Decreto-lei 869, de 1938, e Decreto-lei 7.666, de
1945), o que, sem sombra de dúvidas, já lhe atribui um caráter
instrumental ainda que vinculado à economia popular e ao
consumidor.

O caráter instrumental da proteção da concorrência permanece


na atual Constituição, que manda reprimir o abuso do poder
econômico que vise à dominação dos mercados e à eliminação
da concorrência (art. 173, § 4º.), em atenção ao princípio da
livre concorrência (170, IV). Manda, também, reprimir o aumento
arbitrário de lucros (art. 173, § 4º), conforme o princípio da
defesa do consumidor (art. 170, inciso V). Essa proteção,
entretanto, vai inserta no fim geral e maior, qual seja, ‘assegurar a
todos existência digna, conforme os ditames da justiça social’.

(…)

Feitos esses esclarecimentos, podemos dizer que na tutela da livre


iniciativa (e, portanto, da livre concorrência), encontra-se um dos
principais parâmetros da nossa Lei Antitruste e a pauta de sua
interpretação. Dessa forma, os acordos entre as empresas são
vedados na medida em que configuram um entrave à livre iniciativa
ou à livre concorrência. Ou seja, é no prejuízo à livre
concorrência e à livre iniciativa que se encontra o caráter
ilícito de qualquer prática concertada. Destaque-se, então, a
lição do Ministro Carlos Velloso: “…esclareça-se que a ordem

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econômica, segundo o modelo constitucional brasileiro, fundada na


valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por
finalidade assegurar a todos existência digna, no rumo da justiça
social, objetivos que deverão ser atingidos mediante a observância
dos princípios enumerados nos incisos I a IX do art. 170 da
Constituição. Um desses princípios, por isso mesmo viga mestra
do sistema econômico, é o da livre concorrência. Quer dizer,
tudo aquilo que possa embaraçar ou de qualquer modo impedir o
livre exercício da concorrência é ofensivo à Constituição. Bem
por isso, essa mesma Constituição, no §4º do art. 173, dispõe que
'a lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação
dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento
arbitrário de lucros'.

Assim, qualquer ato praticado por um agente econômico,


individualmente, ainda que não seja detentor de posição
dominante no mercado, poderá ser considerado ilícito se, de
algum modo, prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa
em prática dissociada de sua vantagem competitiva. O mesmo
ocorre em relação à tentativa de monopólio e ao abuso de
posição dominante.”

As consequências da falta de concorrência tem sido estudada por


diversos autores. Nesse sentido, Fabiano Del Masso 4 anota de forma objetiva:

“O mercado sem concorrência geralmente produz, entre outros, os


seguintes efeitos: - imposição de preços; - imposição de produtos;
- despreocupação com os custos de produção; - falta de
investimentos em melhora do produto.

A existência de concorrência, além de impulsionar a eficiência do


mercado, permite ao consumidor a faculdade de comprar aquilo
que melhor lhe convém, o que não ocorre nos mercados

4 Direito Econômico Esquematizado. Ed. Método. 2016. Pag. 67

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concentrados, nos quais resta ao consumidor apenas a alternativa


de não comprar.”

No caso trazido à baila pelo Ministério Público Federal, todas as


características trazidas pelo autor estão presentes:

1) A reserva de mercado criada pelo Exército Brasileiro para a


empresa Taurus gerou a imposição de preço pela mencionada empresa, que por não ter
que concorrer com qualquer outra, fixa os preços dos armamentos como bem lhe
apetece, gerando aos órgãos de segurança pública um maior dispêndio de recursos
públicos para compra de um material bélico que poderia ser adquirido com menor
investimento e maior qualidade;

2) A reserva de mercado criada pelo Exército para a empresa


Taurus gerou a imposição de produtos ao mercado nacional, que fica sem escolha,
gerando a obrigatoriedade de contratações diretas, sem licitação, por inexistência de
concorrência, bem como a impossibilidade das forças policiais selecionarem
tecnicamente as armas que julgam adequadas para o trabalho de seus servidores;

3) A reserva de mercado criada pelo Exército para a empresa


Taurus gerou a despreocupação com os custos de produção, pois como bem
demonstram os levantamentos realizados por diversos órgãos estaduais de segurança
pública, as armas Taurus são vendidas no mercado nacional por preço bastante superior
a armas de melhor qualidade vendidas no exterior;

4) A reserva de mercado criada pelo Exército para a empresa


Taurus gerou a falta de investimentos e melhoria nos produtos ofertados pela
empresa, pois inúmeros são os testes realizados por órgãos policiais que demonstram a
falta de qualidade das armas e os constantes defeitos apresentados por estas, muitas
vezes geradores de acidentes fatais.

Tal situação é ocasionada justamente pela restrição à livre


concorrência, que garante aos fabricantes nacionais uma confortável reserva de
mercado, inibindo a competição no setor.

O site oficial do Conselho Administrativo de Defesa Econômica

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define que o princípio da livre concorrência “está previsto no art. 170, inciso IV, da
Constituição Federal e baseia-se no pressuposto de que a concorrência não pode ser
restringida por agentes econômicos com poder de mercado. Em um mercado em que há
concorrência entre os produtores de um bem ou serviço, os preços praticados tendem
a manter-se nos menores níveis possíveis e as empresas precisam buscar
constantemente formas de se tornarem mais eficientes para que possam aumentar os
seus lucros. À medida que tais ganhos de eficiência são conquistados e difundidos
entre os produtores, ocorre uma readequação dos preços, que beneficia o consumidor.
Assim, a livre concorrência garante, de um lado, os menores preços para os
consumidores e, de outro, o estímulo à criatividade e à inovação das empresas”.

Um caso atual e emblemático sobre a livre iniciativa e a livre


concorrência diz respeito à atividade promovida por meio de aplicativos eletrônicos
para contratação do transporte de passageiros, impactado de forma positiva por
sucessivas decisões judiciais.

É de muita pertinência resgatar o teor da fundamentação da


sentença proferida pela Justiça sergipana, no caso do aplicativo Uber. No
julgado, proferido pelo Juízo da 18 a. Vara Cível de Aracaju, processo n.
201611801493, foi destacada a aplicação dos princípios da livre iniciativa e da
livre concorrência, presente em várias vertentes da atividade econômica:

“Neste ponto, cabe a ponderação sobre o regime econômico e o


princípio constitucional que tutela a liberdade empresarial de
exercer determinada atividade econômica. A Constituição Federal
preleciona que o modelo econômico brasileiro (dentre vários
princípios que tutelam o trabalho e seu caráter social) é o da
livre iniciativa, típico de países com a economia capitalista de
livre mercado.

O mercado, como bem informa Eros Grau e Paula Forgioni,


deve ser compreendido como uma ordem e uma legalidade
racional, a fim de que aos agentes econômicos seja dada
previsibilidade e confiança nas regras que pautarão suas
atividades; afinal, destaco, de incertezas ao empreendedor,

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bastam as de caráter econômico.

Em prosseguimento, a regulação do mercado não é vedada pelo


ordenamento, visto que o próprio mercado interno é um patrimônio
nacional, nos termos do art. 219 da CF/88, e sua proteção impinge
a participação da Administração Pública para garantir tanto sua
saúde quanto a destinação dos fins sociais. Sobre o tema,
interessante é o comentário de Cláudia Lima Marques:

'Como afirma Natalino Irti, regular o mercado é sempre um


ato decisório político, mesmo que seu instrumento seja uma
norma constitucional ou infraconstitucional. O mercado, como
afirma o Supremo Tribunal Federal, 'é uma instituição
jurídica', 'não é espontânea', é um 'locus artificialis' (ADI
3512) de trocas e agentes a ser regulado.'

Em que pese o poder de regulação, reforço, a regra é a livre


iniciativa dos agentes econômicos para empreender. Uma das
facetas deste princípio é dirigida às empresas e é a liberdade
econômica. No dizer de Eros Roberto Grau, a liberdade econômica
é consagrada há séculos. Aduz o citado autor:

'Uma das faces da livre iniciativa se expõe como liberdade


econômica, ou liberdade de iniciativa econômica, cujo titular é
a empresa. O princípio da liberdade de iniciativa econômica —
originariamente postulado no édito de Turgot, de 9 de
fevereiro de 1776 — inscreve-se plenamente no decreto
d’Allarde, de 2-17 de março de 1791, cujo art. 7º determinava
que, a partir de 1º de abril daquele ano, seria livre a qualquer
pessoa a realização de qualquer negócio ou exercício de
qualquer profissão, arte ou ofício que lhe aprouvesse, sendo
contudo ela obrigada a se munir previamente de uma
'patente' (imposto direto), a pagar as taxas exigíveis e a se
sujeitar aos regulamentos de polícia aplicáveis. Meses após,
na chamada Lei Le Chapelier — decreto de 14-17 de junho de

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1791 — que proíbe todas as espécies de corporações, o


princípio é reiterado. [5]

Sobre as decorrências do conceito, prossegue o autor:

'Em sua raiz, o princípio era expressão de uma garantia de


legalidade, o que torna bem explícita a correção da
observação de Galgano, nos termos da qual o conceito de
Estado de Direito exprime, em relação ao burguês
singelamente, aquela mesma exigência — de um limite à ação
pública, para salvaguarda da iniciativa privada — que o
conceito de Estado liberal exprime em relação à burguesia no
seu todo. Inúmeros sentidos, de toda sorte, podem ser
divisados no princípio, em sua dupla face, ou seja, enquanto
liberdade de comércio e indústria e enquanto liberdade de
concorrência. A este critério classificatório acoplando-se
outro, que leva à distinção entre liberdade pública e
liberdade privada, poderemos ter equacionado o seguinte
quadro de exposição de tais sentidos: a) liberdade de
comércio e indústria (não ingerência do Estado no domínio
econômico): a.1) faculdade de criar e explorar uma atividade
econômica a título privado — liberdade pública; a.2) não
sujeição a qualquer restrição estatal senão em virtude de lei
— liberdade pública; b) liberdade de concorrência: b.1)
faculdade de conquistar a clientela, desde que não através de
concorrência desleal — liberdade privada; b.2) proibição de
formas de atuação que deteriam a concorrência — liberdade
privada; b.3) neutralidade do Estado diante do fenômeno
concorrencial, em igualdade de condições dos concorrentes —
liberdade pública.'[6]

O próprio Supremo Tribunal Federal, reconhecendo a força


normativa do princípio, em sua dimensão da livre concorrência,
editou a Súmula Vinculante 49:

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'Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que


impede a instalação de estabelecimentos comerciais do
mesmo ramo em determinada área.'

(…)

Daniel Sarmento, em parecer sobre a licitude do Uber, fez


importantes considerações sobre o princípio debatido e suas
decorrências, analisando a aplicação da norma e sua importância
para o desenvolvimento do mercado, e consequente valorização
social através do trabalho e empreendimento. Segundo o citado
autor, ainda, a intervenção do Estado deve se dar a fim de
favorecer e proteger o consumidor, e não privilegiando empresas
ou grupos específicos que alegadamente se prejudiquem. Cito suas
anotações:

'A importância do princípio da livre iniciativa em nossa


ordem jurídica foi propositadamente realçada pelo
constituinte originário, quando o consagrou, logo no artigo
1º, inciso IV, da Lei Fundamental, como um dos
fundamentos da República Federativa do Brasil, ao lado
da soberania, cidadania, dignidade da pessoa humana,
valor social do trabalho e pluralismo político. A livre
iniciativa, que mantém íntima correlação com a liberdade
profissional, garantida no art. 5º, inciso XIII, da
Constituição, figura também, junto com a valorização do
trabalho humano, como fundamento da ordem econômica
nacional, no art. 170, caput, da Lei Maior.

(…) Ademais, o funcionamento regular de um mercado


competitivo tende a ser instrumento mais eficiente para a
captação e satisfação das necessidades e preferências de
um universo amplo e plural de pessoas do que a atuação
de qualquer autoridade pública. Por isso, o bem-estar
coletivo é promovido quando as instituições asseguram a

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livre iniciativa e preservam as “regras do jogo” em que ela


se desenvolve de modo saudável – o que não exclui, é
claro, a intervenção estatal na economia voltada à
promoção de outros objetivos legítimos que o mercado não
atende bem, como a distribuição de riqueza.

(…) Profundamente ligado à livre iniciativa, o princípio da


liberdade de concorrência, previsto no art. 170, inciso
IV, da Constituição, é outro pilar essencial da ordem
econômica brasileira. Tal princípio se volta, essencialmente, à
proteção da livre competição entre os agentes econômicos no
mercado, em prol do consumidor, da eficiência econômica e
de outros objetivos socialmente importantes. Nas palavras de
Paula Forgioni, a livre concorrência consiste, basicamente, na
'garantia da disputa' no campo econômico

(…) O princípio da livre concorrência tem uma dupla face. Por


um lado, ele limita o Estado, que não pode instituir restrições
excessivas que impeçam os agentes econômicos de ingressar,
atuar e competir livremente no mercado. Por outro, o
princípio impõe que o Poder Público atue sobre o mercado,
para proteger a sua higidez, prevenindo e coibindo abusos do
poder econômico e práticas anticoncorrenciais, como a
formação de monopólios, oligopólios, cartéis etc.

(…) Recorde-se, nesse ponto, que, conquanto a liberdade de


concorrência proteja os agentes econômicos diante de
regulações estatais restritivas, o seu foco principal não é a
proteção desses agentes, mas sim a tutela dos interesses dos
consumidores, que são prejudicados pela imposição de limites
injustificados à sua liberdade de escolha. Portanto, a criação
de embaraços estatais à competição, com a instituição de
reservas e privilégios a empresas ou grupos específicos, viola
não apenas os direitos dos potenciais concorrentes

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prejudicados. Mais que isso, ela ofende os interesses dos


consumidores e da própria sociedade.

(…) Evidentemente, a intervenção indireta do Estado sobre a


atividade econômica em sentido estrito não está livre de
amarras constitucionais. Pelo contrário, além das normas
constitucionais que regem a atividade econômica – dentre os
quais figuram os princípios da livre iniciativa e da livre
concorrência – o desempenho dessa função estatal tem de
observar várias outras limitações importantes, como o
respeito aos princípios da proporcionalidade, da legalidade e
da igualdade. Nessa área, a regra geral, que tem substrato
constitucional – como já se viu nos itens anteriores –, é a
liberdade do particular para atuar no mercado, que é nota
essencial dos regimes capitalistas, como o consagrado pela
Constituição de 88.”

No caso em estudo nesta ação civil pública, a afetação à livre


concorrência detectada não está sendo produzida apenas por ato de agente econômico.
A grande responsabilidade por este estado de coisas é do Exército Brasileiro (União),
pois é ele o artífice de uma legislação infralegal que foi erigida de modo
completamente inconstitucional.

Ao invés da União se abster de instituir restrições excessivas que


impeçam os agentes econômicos de ingressar, atuar e competir livremente no mercado
de armamentos nacional, atuou ela de modo francamente contrário. Pisoteando a
Constituição Federal, o Exército Brasileiro normatizou a importação de armas e vedou
a implantação de novas empresas no país de tal forma que favoreceu uma única
empresa e tornou o país refém desta. Ora, o papel estatal deveria ter sido outro:
atuar sobre o mercado para proteger a sua higidez, prevenindo e coibindo a geração de
uma posição dominante em um mercado relevante.

Em se tratando de material bélico, de uso rotineiro pelos órgãos


de segurança pública e pelos particulares autorizados, a conduta praticada pelo
Exército Brasileiro, de restrição à concorrência, mostra-se ainda mais danosa à

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sociedade, vez que o aparato estatal responsável pela segurança da população se


encontra sujeita ao uso compulsório de armas que vêm se mostrando inadequadas e
ineficazes do ponto de vista operacional, além de letais, em muitas situações, aos seus
usuários.

Do ponto de vista da segurança pública, há aqui um agravante


insuperável: os órgãos de segurança pública em todo o país, para a consecução de suas
atribuições legais de segurança, tornaram-se reféns da regulamentação expedida pelo
Exército Brasileiro, consubstanciada no Regulamento para a Fiscalização de Produtos
Controlados (Regulamento 105), aprovado pelo Decreto n. 3.665/2000, que lhe deu
nova redação, proibindo a importação de armamentos quando existente similar nacional.
Retirou-se, desse modo, a opção de escolha de armamentos mais adequados pelos
órgãos de segurança pública e estes foram sujeitados à compulsória aquisição junto aos
fabricantes nacionais, mesmo quando produzidos armamentos de baixa qualidade.

Nesse passo, observa-se a prática de conduta anticoncorrencial


camuflada – que não se coaduna, por absoluta incompatibilidade, com a livre
concorrência - uma vez que o grupo empresarial formado pela TAURUS-CBC-IMBEL
não se vê pressionado à busca da melhoria dos seus produtos, por terem garantia de
mercado, independentemente da qualidade.

Frise-se que, nesse contexto, a Taurus foi a empresa que mais


apresentou falhas nos armamentos produzidos, na qual se verificou a esmagadora
maioria dos graves defeitos constatados no anexo inquérito civil público.

Por outro lado, a vacilante e omissa fiscalização do Exército faz


com que se forneça à Administração Pública uma grande quantidade de armas que se
transformam em verdadeiro calvário para policiais civis e militares, situação que é
alimentada pela manutenção dos termos do Regulamento 105, verdadeiro entrave ao
acesso a armamento de qualidade por parte dos órgãos policiais. A falta de
concorrência nesse setor criou situação absurda no Brasil, uma vez que o os agentes
criminosos estão melhor aparelhados que a polícia, porque aqueles sim, têm conseguido
importar livremente.

O poder amealhado pela Taurus nesse contexto faz incidir à

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hipótese o art. 36 da Lei n. 12.529/2011, que busca reprimir o abuso do poder


econômico, sendo a estruturação do mercado o bem protegido pelo ordenamento
jurídico, na perspectiva dos mandamentos constitucionais citados:

Art. 36. Constituem infração da ordem econômica, independente


de culpa, os atos sob qualquer forma manifestados, que tenham
por objeto ou possam produzir os seguintes efeitos, ainda que não
sejam alcançados:

I – limitar, falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre


concorrência ou a livre-iniciativa.

A imposição do obstáculo regulamentar (Regulamento 105) à


entrada de produtos que de fato atenderiam às necessidades dos órgãos públicos no
Brasil se constitui, ao mesmo tempo, restrição à livre concorrência e à livre iniciativa,
objeto de tutela pelo direito constitucional e concorrencial brasileiro.

De fato, ao segmentar a produção e definir nichos mercadológicos


em favor das empresas TAURUS/CBC/IMBEL5, que figuram como fornecedoras
exclusivas de tipos diferentes de armamentos, os acionados acabaram por criar uma
estrutura peculiar e deletéria à livre concorrência, estimulando a má qualidade dos
produtos – o que muito se aproxima do oligopólio diferenciado, na linguagem da técnica
antitruste. 6

Assim, resta caracterizada a prática anticoncorrencial em razão


da sistemática comercial chancelada pelo Exército Brasileiro, uma vez que, em
5 Pelo sistema criado no Brasil, a Taurus fornece armas de pistolas e armas de baixo calibre para os órgãos de
segurança pública, autoridades públicas e pessoas físicas, enquanto a IMBEL alimenta a demanda das Forças Armada.
A CBC, ao seu turno, é fabricante de munições para esses armamentos, enquanto a CONDOR figura como
fornecedora de arma não letal. Não há, portanto, concorrência entre tais empresas, de modo que a sistemática
comercial montada, em que pese a falta de qualidade dos produtos, afasta na prática a importação de marcas
notoriamente mais eficazes, em razão da reserva de mercado instituída.

6 Na lição de Fabiano Del Masso, as estruturas de mercado em oligopólio possuem as seguintes características: a
presença de um pequeno número de empresas; a produção de bens padronizados ou diferenciados; devido ao pequeno
número de empresas dominantes, o controle sobre os preços pode dar lugar a inúmeras formas de acordo; o ingresso
de novas empresas geralmente é difícil, principalmente pelos obstáculos impostos pelas empresas já existentes. De
acordo com a substitutividade perfeita ou imperfeita dos produtos, o oligopólio é classificado como perfeito ou
diferenciado. (Direito Econômico Esquematizado, Ed. Método, 2016, pag. 213).

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essência, se trata de evidente tentativa de domínio de mercado, restritiva da


concorrência natural assegurada pela Constituição Federal.

Advertem Eduardo Molan Gaban e Juliana Oliveira Domingues 7, ao


dissertarem acerca da probabilidade de exercício de poder de mercado por meio da
imposição de barreiras comerciais:

“Considera-se como barreira à entrada qualquer fator em um


mercado que ponha um potencial competidor eficiente em
desvantagem com relação aos agentes econômicos estabelecidos.
Entre os fatores que constituem importantes barreiras à entrada,
é importante citar alguns: (a) custos fixos elevados; (b) custos
afundados (ou irrecuperáveis); (c) barreiras legais ou
regulatórias; (d) recursos de propriedade das empresas
instaladas; (e) exigências consideráveis de economias de escala ou
de escopo para o ingresso de um novo competidor; (f) grau de
integração da cadeia produtiva; (g) fidelidade dos consumidores às
marcas estabelecidas; e (h) ameaça de reação dos competidores
instalados.

Como dito, a avaliação da presença de barreiras à entrada


complementa a avaliação da existência de poder de mercado. Isso
porque se há barreiras à entrada elevadas o suficiente no
mercado, verifica-se que o exercício de poder de mercado é
possível e pode causar danos ao setor, como a imposição de
disciplina aos rivais, e/ou a exclusão de concorrentes eficientes
e/ou ainda a limitação à entrada de novos agentes econômicos.

Todavia, se estas forem consideradas baixas, espera-se que não


haja obstáculos à entrada de novos concorrentes no mercado,
porquanto a mera detenção de parcela substancial de mercado não
caracteriza a detenção de posição dominante.

As barreiras de entrada diminuem efetivamente a possibilidade

7 Direito Antitruste. 2012. Editora Saraiva. Pag. 100.

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de concorrência, tornando o agente portador de poder de


mercado apto a abusar de sua posição no caso de não haver
rivalidade suficiente por parte dos seus concorrentes atuais no
mercado, pois que inserido em contexto impenetrável por outros
competidores que possam lhe oferecer rivalidade, ou, noutros
termos, lhe contestar a posição privilegiada. Mais que uma
restrição à livre concorrência, situações como essa
representam restrição à livre-iniciativa, objeto de tutela
primária do direito concorrencial brasileiro (art. 1º da Lei n.
8.884/94 e art. 1º da NLAB).

(…)

Assim, unindo-se poder de mercado, presença de elevadas


barreiras à entrada no mercado e ausência de rivalidade
concorrencial, visualiza-se um contexto desfavorável à entrada no
setor e favorável ao exercício abusivo do agente detentor de
poder de mercado.

É sabido e importante frisar mais uma vez que a posição dominante


não implica, automaticamente, infração à ordem econômica;
todavia, na medida em que esse exercício se dá dentro de um
contexto no qual existem significativas barreiras à entrada que
dificultam o ingresso de outras empresas no setor e tendo em
vista o agente econômico (ou agentes econômicos em conluio)
possuir condições de oferta que lhe confira uma posição de
independência e indiferença no mercado, a sua prática em
abuso gera efeitos negativos na concorrência.”

No caso em tela, tem-se um monopólio à brasileira, vez que o


Exército Brasileiro, vale-se de dispositivos do Regulamento 105, aprovado pelo
Decreto n. 3.665/2000, que dá nova redação ao Regulamento para a Fiscalização de
Produtos Controlados, para impedir a importação de armas mais adequadas ao uso das
corporações de segurança, ao argumento de que há similar nacional, mantendo assim a
empresa Taurus como a principal, senão a única, fornecedora de armas para as

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corporações policiais e militares de todo o território nacional. 8

O grupo econômico que atua no segmento bélico no Brasil


engendrou, assim, mecanismo peculiar, que evoluiu de um modelo característico de
uma concorrência monopolística (acentuada diferenciação dos produtos que, por
apresentar particularidades capazes de distingui-los dos demais e de criar um
mercado próprio para cada um) para um mercado em oligopólio diferenciado
(devido ao pequeno número de empresas dominantes, o controle sobre os preços
pode dar lugar a inúmeras formas de acordos e o ingresso de novas empresas
geralmente é difícil, principalmente pelos obstáculos impostos pelas empresas já
existentes).9

A reserva de mercado instituída pelo Exército Brasileiro, por meio


do Regulamento 105, constitui-se, na prática, uma espécie peculiar de monopólio,
incabível frente ao ordenamento jurídico, principalmente por violar princípios
fundamentais da Constituição Federal.

Para Del Masso, as estruturas de mercado em oligopólio possuem


as seguintes características:

1. a presença de um pequeno número de empresas;

2. a produção de bens padronizados ou diferenciados.

3. devido ao pequeno número de empresas dominantes, o controle

8 Celso Ossamu Shimomura, em interessante monografia de conclusão da graduação de Economia da PUC/São


Paulo, intitulada A Concorrência na Indústria de Armamento Civil, em anexo, traça amplo panorama do setor em
julho de 1992, aduzindo que, naquela época, o Brasil se encontrava em posição privilegiada no panorama mundial
das armas de fogo, pois, além de figurar como o segundo maior mercado de armas do mundo, uma empresa brasileira
era então a segunda maior no mercado americano (Taurus).
O estudioso já tinha registrado que o mercado brasileiro de armamento civil podia ser definido como um
oligopólio diferenciado, havendo na época apenas seis empresas atuando (Taurus, Rossi, CBC, Boito, Imbel e
Urko), e que a concorrência entre elas já se dava, basicamente, através da diferenciação de produtos. Isso porque as
empresas tentavam conquistar nichos de mercado através da introdução de produtos destinados a faixas específicas de
consumidores, utilizando-se para isso de campanhas publicitárias dirigidas e programas de treinamento nos pontos de
venda.
9 Na doutrina de Fabiano Del Masso, “construiu-se uma classificação das estruturas básicas de mercado, que são
divididas em: a) monopólios; b) mercados de concorrência monopolística; mercados de concorrência perfeita; d)
oligopólios. DIREITO ECONÔMICO ESQUEMATIZADO. ED. MÉTODO. Fls. 206/207

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sobre os preços pode dar lugar a inúmeras formas de acordo.

4. o ingresso de novas empresas em geral é difícil, principalmente


pelos obstáculos impostos por empresas já existentes.

Na síntese de Anita Kon (1994, p. 27):

“A característica básica do oligopólio é a presença de poucas


firmas que compõem uma indústria específica e que apresentam
uma interdependência de ações, no sentido de que a sobrevivência
de uma está condicionada às suas reações aos movimentos das
demais e à sua capacidade de prever tais procedimentos das
rivais. A definição da industria no oligopólio abrange um conjunto
de firmas que produzem produtos substitutos perfeitos entre si
(oligopólio puro) ou substitutos próximos (oligopólio diferenciado).
A conceituação do setor como um todo torna-se difícil desde que
as empresas estabeleçam preços diferenciados para seus
produtos, e a substituição de produtos dependa de fatores de
hábitos, preferências e capacidade de gastos dos consumidores.
(...)

Com todos os elementos reunidos, pode-se precisar com maior


clareza quando o oligopólio deve despertar a atenção dos órgãos
antitruste, levando-se em conta elementos jurídicos e econômicos.

O primeiro elemento que se deve considerar é a pouca quantidade


de empresas exploradoras de determinada atividade econômica;
segundo, a não existência entre elas de concorrência efetiva.
Portanto, como ensina Tércio Ferraz Júnior (1995, p. 354):

‘é possível construir um conceito jurídico, entendendo-se que


estamos diante de um oligopólio, quando em relação a um número
restrito de empresas não existam condições de haver entre elas
uma efetiva concorrência num determinado ramo de negócios ou
de prestação de serviços.’”

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Essas características se amoldam à TAURUS no Brasil, que se


destaca como principal fornecedora das armas usadas pelos órgãos de segurança
pública e cujos armamentos tem apresentado sérios defeitos de segurança, seguida da
CBC, empresa estatal de cartuchos e munições, além da IMBEL, que atua no ramo de
armamento próprio para uso das forças armadas.

Por meio da referida legislação, o Exército Brasileiro tem imposto


um sem número de barreiras administrativas para restringir a importação de arma no
Brasil, ao tempo em que atua para que a TAURUS adquira posição de dominância no
mercado de armamentos fornecidos para os diversos órgãos públicos de segurança.

Ocorre que com esse tratamento de todo privilegiado, a ré passou


a não mais se preocupar com a qualidade das armas, já que seu mercado tem sido
garantido pelo EB, que se investiu de um poder próprio do Constituinte originário, o de
instituir, a critério próprio, casos de monopólio, e o de negar, de forma peremptória,
qualquer importação de arma, ainda que mais adequado e mais segura, mesmo diante da
demonstração clara, frente às deficiências técnicas e de qualidade que tem
apresentado as armas fornecidas pela empresa nacional.

As práticas restritivas da livre concorrência – traduzidas em


monopólios, oligopólios e diversas outras práticas anticoncorrenciais, ainda que
travestidas de reserva de mercado direcionada ao incentivo e à proteção da indústria
nacional -, vai de encontro à proteção do consumidor contra a manipulação de preços e
a desestímulos à eficiência e à garantia de qualidade dos produtos colocados no
mercado.

A garantia de livre concorrência na indústria de armas tem o


condão de conferir aos agentes de segurança pública o acesso a armamento adequado,
que tem sido impedido pelas restrições à atividade econômica impostas pelo Exército
Brasileiro.

Essa valorização da livre concorrência no Brasil tem sido a tônica


da discussão econômica, levando o ordenamento jurídico a uma construção
jurisprudencial que efetiva valores constitucionais a ponto de romper com velhas
estruturas que durante décadas impuseram o atraso tecnológico e a deficiência nos

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serviços públicos no Brasil, em detrimento do sofrimento das população.

A restrição à concorrência por meio de recusa peremptória de


importação de produtos adequados ao serviço público de segurança importa em nítida
violação ao ordenamento jurídico brasileiro, uma vez que a oferta legal de armamento
adequado no mercado por parte de empresas submetidas ao regime de livre
concorrência são garantias impostergáveis na sistemática constitucional brasileira.
Nesse prisma, deve-se garantir a liberdade de aquisição de armamentos eficientes à
consecução dos fins estatais ligados à segurança pública, sob pena de se comprometer
o próprio funcionamento do Estado.

Por fim, registre-se que não tendo previsão nos artigos 173 a 177,
não se pode cogitar da possibilidade da restrição aqui imposta, uma vez que aplicável o
princípio constitucional da livre concorrência como imperativo a ser reconhecido pelo
Poder Judiciário.

A jurisprudência tem rechaçado as práticas anticoncorrenciais,


a fim de garantir a livre concorrência como primado do princípio da atividade
econômica. Encontra-se precedentes no sentido de afastar condutas tendentes ao
controle de mercado, mormente quando este tende a diminuir a eficiência dos
produtos e serviços fornecidos no mercado de consumo.

Nesse contexto, é de se ressaltar que os únicos casos de


monopólio estatal são aqueles previstos no quadro constitucional delineado pelo art.
177 da Constituição Federal, atentando-se para o fato de que, à exceção do tema
envolvendo matéria nuclear, todos as atividades ali enumeradas podem ser contratadas
por empresas estatais e privadas, sob regime de concessão, havendo portanto uma
flexibilização na prática restritiva de concorrência, que só pode ser admitida por
norma constitucional.

A exploração de petróleo constituía, assim, exemplo de monopólio


coercivo, que era titularizado pela Petrobrás até 1997. A partir da Emenda
Constitucional nº 9, de 1995, o parágrafo primeiro do artigo 177 da Constituição
Federal, flexibilizou esse monopólio, admitindo que a União pode contratar com
empresas estatais ou privadas a realização das atividades econômicas objeto de

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monopólio (Pesquisa, lavra, refino, importação exportação e transporte), observadas as


condições estabelecidas em lei (Lei do Petróleo nº 9.478/97).

Vale dizer que até mesmo nas hipóteses de exploração de


combustíveis fósseis, uma entre as quatro atividades cujo monopólio previsto no
referido dispositivo constitucional, a reserva de mercado foi quebrada, justamente
com o intuito de garantir a qualidade e a eficiência dos agentes econômicos.

Da mesma forma, é de se salientar o tratamento jurisprudencial


dado ao monopólio da atividade postal, que cedeu lugar para uma racionalização da
disciplina legal de seu exercício, plenamente solucionada pelo Supremo Tribunal
Federal ao ressalvar que qualquer prática restritiva da concorrência – seja de serviço
público ou de atividade econômica no sentido estrito - deve ter base constitucional e
legal, razão pela qual limitando os privilégios em matéria postal apenas às
correspondências pessoais.

Quando do julgamento da ADPF 46, o STF restringiu os privilégios


conferidos ao EBCT, por considerar parte de suas atividades como serviço público. O
Acórdão fixou balizas quanto ao tema da atividade econômica e dos privilégios e
monopólios, repelindo as práticas anti-concorrenciais que não tivessem fincadas em
normas constitucionais e legais, como ocorre no caso em tela.

O inteiro teor do acórdão proferido naquela demanda revela


verdadeiras lições sobre as práticas anticoncorrenciais, apenas admissíveis em função
da proteção dos serviços públicos prestados à população e em defesa do bem estar do
consumidor e dos usuários de tais serviços. No mais, o que vige é a livre concorrência,
até como forma de garantir a qualidade e a eficiência dos produtos oferecidos e dos
serviços prestados pelo mercado.

Vê-se que a livre concorrência e a defesa do consumidor estão


profundamente comprometidos no que toca à produção de armas no Brasil, ocasionado
pelo inconstitucional privilégio dado às empresas acionados, conferindo ao Exército
Brasileiro um poder de estabelecer absurda reserva de mercado e de restringir a
importação de produtos adequados.

Confira-se o entendimento assentado pelo STF:

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“ARGÜIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO


FUNDAMENTAL. EMPRESA PÚBLICA DE CORREIOS E
TELEGRÁFOS. PRIVILÉGIO DE ENTREGA DE
CORRESPONDÊNCIAS. SERVIÇO POSTAL. CONTROVÉRSIA
REFERENTE À LEI FEDERAL 6.538, DE 22 DE JUNHO DE 1978.
ATO NORMATIVO QUE REGULA DIREITOS E OBRIGAÇÕES
CONCERNENTES AO SERVIÇO POSTAL. PREVISÃO DE
SANÇÕES NAS HIPÓTESES DE VIOLAÇÃO DO PRIVILÉGIO
POSTAL. COMPATIBILIDADE COM O SISTEMA
CONSTITUCIONAL VIGENTE. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AO
DISPOSTO NOS ARTIGOS 1º, INCISO IV; 5º, INCISO XIII,
170, CAPUT, INCISO IV E PARÁGRAFO ÚNICO, E 173 DA
CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA
LIVRE CONCORRÊNCIA E LIVRE INICIATIVA. NÃO-
CARACTERIZAÇÃO. ARGUIÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE.
INTERPRETAÇÃO CONFORME À CONSTITUIÇÃO CONFERIDA
AO ARTIGO 42 DA LEI N. 6.538, QUE ESTABELECE SANÇÃO,
SE CONFIGURADA A VIOLAÇÃO DO PRIVILÉGIO POSTAL DA
UNIÃO. APLICAÇÃO ÀS ATIVIDADES POSTAIS DESCRITAS
NO ARTIGO 9º, DA LEI.

1. O serviço postal --- conjunto de atividades que torna possível o


envio de correspondência, ou objeto postal, de um remetente para
endereço final e determinado --- não consubstancia atividade
econômica em sentido estrito. Serviço postal é serviço público.

2. A atividade econômica em sentido amplo é gênero que


compreende duas espécies, o serviço público e a atividade
econômica em sentido estrito. Monopólio é de atividade
econômica em sentido estrito, empreendida por agentes
econômicos privados. A exclusividade da prestação dos serviços
públicos é expressão de uma situação de privilégio. Monopólio e
privilégio são distintos entre si; não se os deve confundir no
âmbito da linguagem jurídica, qual ocorre no vocabulário vulgar.

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3. A Constituição do Brasil confere à União, em caráter exclusivo,


a exploração do serviço postal e o correio aéreo nacional [artigo
20, inciso X].

4. O serviço postal é prestado pela Empresa Brasileira de Correios


e Telégrafos - ECT, empresa pública, entidade da Administração
Indireta da União, criada pelo decreto-lei n. 509, de 10 de março
de 1.969.

5. É imprescindível distinguirmos o regime de privilégio, que diz


com a prestação dos serviços públicos, do regime de monopólio sob
o qual, algumas vezes, a exploração de atividade econômica em
sentido estrito é empreendida pelo Estado.

6. A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos deve atuar em


regime de exclusividade na prestação dos serviços que lhe
incumbem em situação de privilégio, o privilégio postal.

7. Os regimes jurídicos sob os quais em regra são prestados os


serviços públicos importam em que essa atividade seja
desenvolvida sob privilégio, inclusive, em regra, o da exclusividade.

8. Argüição de descumprimento de preceito fundamental julgada


improcedente por maioria. O Tribunal deu interpretação conforme
à Constituição ao artigo 42 da Lei n. 6.538 para restringir a sua
aplicação às atividades postais descritas no artigo 9º desse ato
normativo. “

Uma das linhas mestras do pensamento da corte no que toca às


atividades econômica lato sensu se constitui na divisão do tema em serviços públicos e
atividades econômica em sentido estrito.

Para o STF, apenas no primeiro caso, serviços públicos


constitucionais, se pode admitir privilégios legais, dada a essência da função
exercida pelo Estado, que não pode permitir o exercício livre da atividade, sob
pena de ameaçar a própria soberania do Estado. Nesse sentido a Corte, por maioria,

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limitou as práticas anticoncorrenciais mantidas pela EBCT, dando interpretação


conforme a CF, no sentido de que os privilégios apenas se restringem às
correspondências, dado que seria uma garantia de Estado para a troca de informações
pessoais em todo o território nacional.

Restringiu assim a Suprema Corte o privilégio de prestação


daquele serviço público apenas e tão somente à atividade postal, garantido a todo o
amplo leque de encomendas postais a livre concorrência, nos termos do quanto
delineado na sistemática constitucional.

Assim, ao ressalvar a prestação dos serviços públicos, a ser


prestada exclusivamente pelo Estado, o Tribunal fez valer a regra da livre
concorrência como uma garantia inerente ao nosso modelo de Estado, devendo ser
registado o voto do E. Min. Marco Aurélio nesse sentido:

“As sucessivas emendas demonstraram a necessidade de se rever


o papel que a Constituição de 198, em seu texto primitivo,
reservava ao Estado. A progressiva retirada deste da prestação
direta de serviços públicos e das atividades econômicas – Emendas
Constitucionais ns. 6/95, 8/95 e 9/95 -, aliada à drástica redução
da participação direta do Estado na atividade econômica a partir
do Plano Nacional de Desestatização, fez surgir a correlata
necessidade de monitoramento constante dessas atividades,
visando a evitar práticas abusivas por parte das empresas
privadas, condutas anticoncorrenciais ou concentração
empresarial, além de procurar garantir a qualidade, a
universalidade a continuidade do serviço para os destinatários
finais, proteger o consumidor contra a ineficiência, o domínio de
mercado, a concentração econômica, a concorrência desleal e o
aumento arbitrário dos lucros.”

Ao discorrer acerca da impertinência na manutenção de sistemas


de monopólios estatais, o STF advertiu para a não recepção de tal modelo pela
Constituição Federal fora das hipóteses nela elencadas, uma vez que as práticas
anticoncorrenciais geram uma série de distorções, não compatíveis com a economia de

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mercado e com a proteção do consumidor:

“Nesse teor, bem advertiu o professor da Faculdade de Lisboa


Marcello Caetano, ao afirmar que, em uma sociedade com economia
de mercado, somente se justificaria a assunção, pelo Estado, de
serviços públicos de natureza econômica – com correlata exclusão
da iniciativa privada – se esta tivesse se revelado insuficiente ou
deficiente, ou ainda se, para o interesse jurídico, houvesse se
mostrado deveras perigosa a insegurança na competição entre as
empresas ou a oscilação dos preços, o que simplesmente não é o
caso no contexto postal brasileiro.

Desse modo, faz-se necessário reconhecer que, diante


do texto constitucional de 1988, frente às mutações operadas no
Direito Administrativo brasileiro, de acordo com as inovações
perpetradas no que tange aos limites de participação do Estado na
economia, simplesmente não há mais espaço para se entender
recepcionada a Lei n. 6.538/78, especialmente o texto do artigo
9º, no que disciplina o serviço postal como monopólio a ser
explorado unicamente pela União.

Evidencia a não-recepção do monopólio do serviço


postal pela Carta Política, cumpre analisar, ainda, o enquadramento
do referido serviço nas áreas de atuação estatal. Uma das
classificações da teoria do serviço público procura examiná-lo em
relação aos destinatários finais. Quando se observa que
determinada prestação beneficia a todos, coletivamente, tem-se
que esta é uma atividade de interesse público, sem sentido lato.
Tradicionalmente, vinculava-se a ideia de serviço público à
satisfação de necessidades coletivas pelo Estado. Todavia, nem
sempre essa definição corresponde à melhor forma de atender a
vontade geral.

É preciso destacar que n ão se pode ter tamanho


apego à forma, ou melhor, não se deve desenvolver o fetichismo

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exegético de dar mais importância ao conceito do que à essência


da atividade desempenhada. Em vez de adotar parâmetros
estanques e bitolados, como, por exemplo, o fato de serviço
público necessariamente significar prestação estatal, deve-se ter
o cuidado de analisar a essência da atividade que está sendo
desenvolvida, para, somente a partir desse ponto, classificá-la
como sujeita ao regime de direito público ou de direito privado.”

“A liberdade de iniciativa constitui-se em uma manifestação dos


direitos fundamentais do homem, na medida em que garante o
direito de todos de se lançar ao mercado de produção de bens e
serviços por conta e risco próprios, bem como o direito de fazer
cessar tal atividade. Os agentes econômicos devem ser livres para
produzir e para colocar os produtos no mercado, o que também
implica o respeito à livre concorrência…. Eis uma garantia ao
Estado Democrático de Direito.”

Ao abrir divergência, o Min. Eros Grau, enaltecendo os


fundamentos expostos pelo relator originário, ressaltou que, em pese a assertividade
da sistemática traçada pelo Min. Marco Aurélio, o caso trazia peculiaridade em razão
do fato de a atividade postal se caracterizar como serviço público, o que lhe conferiria
a manutenção de privilégios, adiante restringidos pela Corte, que fixou a interpretação
de que a prestação exclusiva pela União da atividade postal limita-se ao conceito de
carta, cartão-postal e correspondência-agrupada, não abarcando a distribuição de
boletos, jornais, livros, periódicos ou outros tipos de encomendas.

No mais, os fundamentos expostos no voto do relator originário e


no relator para o acórdão, são plenamente aplicáveis, em face da correta
sistematização do tema. Vale destacar que o voto vencido emitido pelo relator
originário não foi aplicado em sua inteireza em razão da distinção da atividade dos
correios – em parte protegida pelos privilégios ínsitos ao serviço público.

Os fundamentos expostos tanto no voto vencido (que diz respeito


à atividade econômica em sentido estrito) quanto nos votos vencedores (que
mantiveram uma parte do regime privilegiado conferido aos Correios pela ordem

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constitucional) são perfeitamente válidos e aplicáveis ao caso em tela, vez que se trata
de atividade econômica em sentido estrito – importação de armamento adequado aos
fins de segurança pública em face da inadequação e insegurança apresentada pelos
fabricantes nacionais, protegidos por inconstitucional sistema de exclusividade
comercial.

Tais considerações, a par de revelar a excepcionalidade do regime


de monopólio e de quaisquer práticas restritivas da livre concorrência reconhecida pelo
STF, aplicam-se à atividade de material bélico, uma vez que realça a importância da
atividade exercida que, no caso em tela, se vincula ao fornecimento de armas
defeituosas para os órgãos de segurança pública por empresas protegidas por
inconstitucional reserva de mercado.

O entendimento do STF quanto à repulsa da ordem jurídica em


relação a atividades tendentes ao controle de mercados restou claramente fixado,
como se observa dos seguintes fundamentos:

No caso concreto, melhor alcança o interesse da coletividade a


garantia de que o serviço postal, em suas diversas
modalidades, possa ser prestado em regime de concorrência
entre as diversas empresas que disputam o mercado
consumidor, portanto tal modelo induz à busca constante de
melhorias tecnológicas, redução dos custos operacionais e
consequente queda dos preços oferecidos pelo serviço. Os
serviços postais enquadram-se, desse modo, no Terceiro Setor,
hipótese em que a atividade pode e deve ser prestada por
particulares, sem que isso signifique a diminuição da alta
relevância social do desempenho de tais misteres. Ao revés,
ocorrerá até uma maior intervenção estatal por meio da regulação,
ao lado dos já regulados serviços de educação, saúde,
telecomunicações, energia elétrica.

É preciso destacar que a defesa de privilégios corporativistas


não pode ser mascarada sob o rótulo de nacionalismo. Tal
observação faço, inclusive, para afastar qualquer tipo de

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interpretação que gere mal-entendidos: na Ação Direta de


Inconstitucionalidade n. 3.273/DF, ao proferir voto vista, entendi
que o monopólio do petróleo não se coaduna com a
transferência de propriedade do bem e que, no caso, era
necessária a intervenção direta do Estado na economia, em
jogo a soberania nacional. O Tribunal concluiu não haver o
monopólio, ficando mitigado o alcance do vocábulo constante do
artigo 177 da Constituição Federal.

(…)

A leitura da Constituição revela que o Legislador constituinte,


quando quis remeter à necessidade de prestação direta da
atividade do Estado, consignou-a expressamente, utilizando-se,
para tanto, de construções como “explorar, diretamente ou
mediante concessão”, para o caso das telecomunicações,
considerado o texto original do inciso XI do artigo 21; ou
“explorar diretamente ou mediante autorização, concessão ou
permissão”, para os casos de radiodifusão sonora, de sons e de
imagens (artigo 21, inciso XII, alínea 'a'); para os serviços e
instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos
cursos de água (artigo 21, inciso XII, alínea 'b'), para a navegação
aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária (alínea 'c');
para os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre
portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os
limites de Estados ou Território (alínea 'd'); para os serviços de
transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros
(alínea 'e') e, ainda quanto aos portos marítimos, fluviais e
lacustres (alínea 'f').”

Atente-se para o fato relevante de que, dentre as hipóteses


justificadoras da intervenção direta do Estado, não se inclui a matéria de material
bélico, o que revela a taxatividade das atividades que podem e devem ser submetidas
ao regime de monopólio, ainda assim motivadas pelo interesse público.

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O comércio de armas, a par da necessidade de natural fiscalização


e controle, não se submete nem goza de privilégios estatais, até por que se deve exigir
a melhor opção de aquisição desses equipamentos. Tal objetivo é perseguido por meio
do estímulo à eficiência dos fornecedores, a fim de que os órgãos públicos melhor
exercitem seu mister, que é o de repressão da atividade criminal e a garantia da
segurança pública, essa sim função inafastável do Estado.

Daí por que se conclui não haver substrato normativo para a


regulamentação e a conduta do Exército Brasileiro, que se auto nomeou como uma
instância única para fins de permissão de importação de armas, frente à completa
deficiência dos produtos fabricados pela Taurus, que figura como fornecedor quase
exclusivo dos órgãos de segurança pública e das autoridades detentoras de porte legal.

Nesse sentido, o STF fixou entendimento de modo claro no


sentido de ser exaustiva a relação de hipóteses de monopólio na ordem constitucional:

“A Constituição Federal é exaustiva, também, no tocante à


instituição do monopólio da atividade econômica – artigos 21, inciso
XXIII, e 177 da Carta, a saber:

Art. 21. Comete à União:

(…)

XXIII – explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer


natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o
enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o
comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os
seguintes princípios e condições;

(…)

XXIII – explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer


natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o
enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o
comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os
seguintes princípios e condições:

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(…)

Art. 177. Constituem monopólio da União:

I – a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e


outros hidrocarbonetos fluidos;

II – a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;

III – a refinação e exportação dos produtos e derivados básicos


resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores;

IV – o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional


ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim
o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus
derivados e gás natural de qualquer origem;

V – a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a


industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e
seus derivados.”

Colho do voto do Ministro Eros Grau, que figurou como relator


para o Acórdão, o entendimento de que o regime de monopólio é empreendido pelo
Estado, de modo excepcional:

“ (…) o que tenho afirmado é que o serviço postal é serviço


público (…)

Isso é muito importante, porque embora a lei em alguns


momentos mencione, de modo equívoco, em termos de técnica – e
isso foi ressaltado da tribuna – 'monopólio', refere-se, de modo
adequado, a violação de privilégio. Pois não se trata de monopólio,
mas de privilégio, como referi no parecer aqui aludido pelo
Ministro Marco Aurélio. Os nomes não alteram a substância da
exclusividade.

Tenho reiteradamente insistido na necessidade de

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apartarmos o regime de privilégio, de que se reveste a prestação


dos serviços públicos, do regime de monopólio sob o qual, algumas
vezes, a exploração de atividade econômica em sentido estrito é
empreendida pelo Estado.

Ao proferir seu voto, o Min. Joaquim Barbosa salientou o objetivo


da Associação Brasileira das Empresas de Distribuição-ABRAED visando coibir a
conduta dos Correios no sentido de impedir o funcionamento das empresas de
distribuição no País, em razão de seu monopólio (o que, conforme lição do relator,
trata-se de privilégio instituído pela Constituição em razão de se tratar de serviço
público, e que deveria ser restringido):

“Trata-se de arguição de preceito fundamental ajuizada pela


ABRAED contra a EBCT, objetivando, em síntese, ver declarada a
não-recepção, pela Constituição de 1988, da Lei 6.538/1978,
especialmente no que tange á existência de monopólio postal no
país em favor da União e executado pela arguida.

Aponta a arguente, como preceitos violados, o art. 1º, IV


(livre iniciativa), o art. 5º, XIII (liberdade do exercício de
qualquer trabalho) e o art. 170, caput, IV e parágrafo único (livre
iniciativa e livre concorrência), todos da Constituição de 1988.

Justifica a propositura da presente ADPF no fato de que a


lei questionada é anterior à Constituição de 1988, bem como na
existência de diversos atos – inclusive medidas judiciais –
perpetradas pela EBCT com o intuito de impedir o funcionamento
de empresas de distribuição no País, em razão de seu monopólio.

(…)

Ademais, como ensina Celso Antônio Bandeira de Mello,

'Se o art. 21 da Constituição disse que compete à União …


manter o serviço postal, (...)é óbvio e da mais fulgurante obviedade
que não se trata de atividade econômica, pois esta última espécie

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de atividade é justamente aquela que não compete ao Estado;


compete, isto si, aos particulares, de tal sorte que, consoante
previsão do art. 173, só excepcionalmente poderá ser explorada
pelo Estado. Donde, se não se trata de atividade econômica, é de
inquestionável evidência que a ela, atividade postal, não se aplicam
os princípios da livre iniciativa e livre concorrência, porquanto
estes, conforme art. 170 da Constituição, são predicados
concernentes à ordem econômica, ali alocados sob o capítulo 'Dos
Princípios Gerais da Atividade Econômica'.”

Ao final das discussões, o plenário do STF se posicionou no sentido


de restringir o monopólio postal apenas no que se refere às correspondências pessoais,
salientando que a criação de qualquer privilégio de mercado teria de ser previsto na
Constituição Federal, sem o que se configuraria a inconstitucionalidade de qualquer
medida infralegal que o instituísse para hipóteses outras que não aquelas previstas no
art. 173 da Constituição Federal.

Pertinente ainda a transcrição de ementa de julgado da relatoria


do Min. Celso de Melo, pelo seu caráter didático quanto à defesa do consumidor, na
perspectiva da segurança da coletividade, já que a exclusividade no fornecimento de
armas inadequadas causa óbvia insegurança para agentes policiais e para a população:

“O estatuto constitucional das franquias individuais e liberdades


públicas, ao delinear o regime jurídico a que estas estão sujeitas –
e considerado o substrato ético que as informa –, permite que
sobre elas incidam limitações de ordem jurídica (RTJ 173/807-
808), destinadas, de um lado, a proteger a integridade do
interesse social e, de outro, a assegurar a coexistência
harmoniosa das liberdades, pois nenhum direito ou garantia pode
ser exercido em detrimento da ordem pública ou com desrespeito
aos direitos e garantias de terceiros. A regulação estatal no
domínio econômico, por isso mesmo, seja no plano normativo,
seja no âmbito administrativo, traduz competência
constitucionalmente assegurada ao Poder Público, cuja atuação

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– destinada a fazer prevalecer os vetores condicionantes da


atividade econômica (CF, art. 170) – é justificada e ditada por
razões de interesse público, especialmente aquelas que visam a
preservar a segurança da coletividade. A obrigação do Estado,
impregnada de qualificação constitucional, de proteger a
integridade de valores fundados na preponderância do interesse
social e na necessidade de defesa da incolumidade pública legitima
medidas governamentais, no domínio econômico, decorrentes do
exercício do poder de polícia, a significar que os princípios que
regem a atividade empresarial autorizam, por efeito das
diretrizes referidas no art. 170 da Carta Política, a incidência das
limitações jurídicas que resultam do modelo constitucional que
conforma a própria estruturação da ordem econômica em nosso
sistema institucional.(...) Diploma legislativo local que condiciona
determinadas atividades empresariais à estrita observância da
cláusula de incolumidade destinada a impedir a exposição da
coletividade a qualquer situação de dano. Vedação da edificação
e instalação "de postos de abastecimento, lavagem e lubrificação
nos estacionamentos de supermercados e hipermercados e
similares, bem como de teatros, cinema, shopping centers, escolas
e hospitais públicos" (Lei Complementar distrital 294/2000, art.
2º, § 3º).

[RE 597.165 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 4-11-2014, 2ª T, DJE


de 9-12-2014.]

De modo análogo, o STF já editou súmula vinculante considerando


violadora da livre concorrrência a fixação de cláusula de raio para o funcionamento de
estabelecimentos comerciais:

Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a


instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área. [Súmula Vinculante 49.]

Também a 3a. Turma do STJ também enfrentou o tema da livre

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concorrência, tecendo ampla fundamentação acerca da ordem econômica no Brasil, no


caso dos charutos cubanos, no qual se assegurou a livre importação dos produtos, à
margem dos contratos mantidos pela Corporación Habanos com distribuidores
exclusivos, conforme fundamentação expendida no Resp 930491, assim ementado:

DIREITO MARCÁRIO. EXAUSTÃO CONFIGURADA. ALEGAÇÃO


DE CONTRAFAÇÃO. CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO
EXCLUSIVA. AUSÊNCIA DE PROVAS DA FALSIFICAÇÃO E DE
OFENSA AO DIREITO DE EXCLUSIVIDADE. EXAUSTÃO DO
DIREITO MARCÁRIO.

I - O contrato de distribuição exclusiva, por si só, não anula a


liberdade de comercializar produtos, decorrentes dos princípios
que fundamentam a ordem econômica, nem afasta as regras de
economia baseada na propriedade privada e na livre
concorrência.

II - Não comprovação, no caso, que a recorrida tenha feito a


introdução, no território nacional, do produto fabricado pelas
recorrentes. Importação operada por terceiros, dos quais a
recorrida adquiriu os bens, cuja circulação no mercado foi por ela
realizada. Uma vez já introduzido o bem no mercado, o produtor
não pode se opor às ulteriores e sucessivas vendas.

III - Caso "Charutos Cubanos", distribuição exclusiva. Ausência de


prova de contrafação no caso de importação regular de
mercadorias estrangeiras, não incide o art. 132, III da lei
9279/96.

Recurso Especial improvido.”

Colhe-se ainda da fundamentação os seguintes trechos que bem


demonstram o pensamento do Tribunal:

“ A Constituição Federal estabelece que há liberdade de


iniciativa [art. 170], estimulando a prática de atividades comercial

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[parágrafo único, do art. 170]. E a própria Carta proíbe a


dominação de mercado e a eliminação da concorrência [§ 4º, do
art. 173]. Esses dois dispositivos permitem afirmar que os poderes
econômicos privados, quando unificados como mecanismo de
política de exclusão de concorrentes, contrariam a livre iniciativa.
O Estado e o judiciário devem atuar para impedir que
comportamentos e ideologias dominem o mercado e prejudiquem o
comerciante de praticar atos que lei não proíbe [art. 5º, II, da
CF].

Apesar da impossibilidade de tipificar a conduta das apelantes


em algum dos dispositivos da Lei Antitruste [arts. 21 e 20, da Lei
8884/94], está nítido que, por detrás da proposta de restringir a
venda de charutos nas prateleiras da loja apelada, está escondida
a intenção de romper as estruturas do livre mercado.

Existem precedentes desse Tribunal contra a tese defendida na


apelação. Isso ocorreu também na venda da vodca “Wyborowa”
[Ap. 90.538-3, da Terceira Câmara de Direito Privado, relator o
Desembargador CARLOS ROBERTO GONÇALVES, integrando a
Turma os Desembargadores Flávio Pinheiro e Ênio Zuliani, in JTJ-
Lex 229/136] e do vinho italiano “Bolla” [Ap 75.002-1,
Desembargador LUIS DE MACEDO, in RJTJSP 106/135], tendo,
nesse último aresto, anotado:

“É verdade que, segundo consta, a apelada é representante


exclusiva dos vinhos “Bolla” no Brasil; mas tal exclusividade não
pode ser oposta a terceiros, tanto mais que a apelante não
importou o produto diretamente junto aos fabricantes, mas de
empresa distribuidora. E, se importou os vinhos, em atividade
evidentemente lícita, é claro que o fez com vistas à sua venda no
Brasil, o que não se reveste de atividade violadora ou de
contrafação à referida marca”.

Nada obsta que as lojas de tabacaria do País exportam,

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para venda, charuto cubanos que são adquiridos legalmente,


pelo regime de importação, porque a lei do comércio não obriga
a que as empresas do ramo adquiram essas mercadorias da
distribuidora autorizada pela Corporación Habanos S/A., pois o
que se admitem, como estratégia da defesa da origem
consagrada do produto, são mecanismos contra a contrafação.
A luta que se dignifica nesse setor visa proteger não somente os
interesses dos fabricantes, mas, especialmente, assegurar o
consumo seguro e honesto aos clientes, exatamente porque a
prática criminosa de adulteração de mercadorias é sempre
acompanhada de contrabando e falsidade, um trio que lesa o
comércio, a marca notória e o gosto dos consumidores.

(...)

A insistência mais parece uma tentativa exagerada de


controle de nosso sistema de importação ou de averiguação da
venda de consumo de produtos estrangeiros, como se as
apelantes pretendessem fiscalizar e restringir, em todo
território nacional, a venda e comercialização de charutos
cubanos legítimos. O que se permite, com razão, já se declarou, é
que as apelantes ajam contra a contrafação, evitando que a
pirataria ou a imitação prejudiquem a credibilidade da marca única
dos produtos cubanos. No caso dos autos, porém, não há prova de
que a requerida exponha à venda charutos fabricados em outros
locais ou países, com a marca dos produtos cubanos, o que impede
que o Judiciário intervenha para proibir que o comerciante exerça
o seu comércio, um direito constitucional [art. 170, da CF].

(…)

E, legalidade porque “a constituição de 1988 e a Lei nº 8.884 de


1994 dão conta dessa tendência, elaborando um verdadeiro código
de conduta para os detentores de posição dominante.

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Assim é que a Constituição tem como ilícito concorrencial


central o abuso de posição dominante (art. 173, § 4º CF). A lei, por
outro lado, estabelece uma série de deveres de comportamento
para o detentor de posição dominante, que vão desde a proibição
da prática de preços abusivos até a proibição da recusa
injustificada de contratar e da interrupção injustificada de
produção (arts. 20 e 21). (Salomão Fº, Calixto. Regulação e
Concorrência-Estudos e Pareceres, SP: Malheiros, 2002, pág. 143).

(…)

9.- Impõe-se ressaltar que o contrato de distribuição


exclusiva, por si só, não anula a incidência dos princípios que
fundamentam a ordem econômica e não atenta contra a
economia baseada na propriedade privada e na livre
concorrência, sendo certo que a dominação de mercado é
prática vedada, de modo que, em regra, a nenhuma pessoa
empresária toca o direito de operar no mercado com
exclusividade sobre determinado bem.

Portanto, em matéria de atividade econômica, na qual se enquadra


o fornecimento remunerado de armamento para os órgãos da Administração, a
Jurisprudência tem rechaçado as práticas anti concorrenciais, de modo a impedir a
formação de monopólios, oligopólios e outras condutas que acabam por comprometer a
eficiência do próprio Estado, com desestímulo ao aprimoramento técnico, ocasionando
danos aos usuários/consumidores e o aumento de custos na aquisição.

C) INADMISSÍVEL PROIBIÇÃO DE IMPORTAÇÃO DE ARMAMENTOS


ADEQUADOS PARA ÓRGÃOS DE SEGURANÇA PÚBLICA, AUTORIDADES E
POPULAÇÃO EM GERAL. DECRETO N. 3.665/2000 (REGULAMENTO 105).
INOVAÇÃO NA ORDEM JURÍDICA. EXORBITÂNCIA DA ATUAÇÃO DO PODER
EXECUTIVO.

Contrariando o quadro jurídico que estrutura a atividade

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econômica – que veda a instituição de práticas restritivas da livre concorrência


tendentes à dominação de mercados, a União, por meio do Ministério da Defesa e do
Exército Brasileiro, tem atuado de forma a impedir a aquisição pelos órgãos públicos
de armas eficientes ao uso das corporações, mesmo diante da notória deficiência das
armas fornecidas pela Taurus.

É que, a pretexto de regulamentar o remoto Decreto n o


24.602, de 6 de julho de 1934, do então Governo Provisório, recepcionado como Lei
pela Constituição Federal de 1934, o Poder Executivo editou o Decreto n. 3.665, de
20 de novembro de 2000, que aprova o Regulamento n. 105 (R-105), com nova
redação para o Regulamento de Fiscalização de Produtos Controlados, prevendo a
proibição de importação de armamentos quando existente similar nacional.

A partir daí, utilizando-se desse precário argumento da


similaridade, e desprezando o critério de qualidade, o Exército Brasileiro tem
impedido que os órgãos de segurança pública possam importar armas cuja
qualidade e eficiência são em muito superiores às produzidas no Brasil pela
Taurus.

Com efeito, confira-se as disposições do referido regulamento,


suscitadas pelo Exército Brasileiro para indeferir de plano os pedidos de importação
de armamentos adequados ao uso dos órgãos de segurança pública no país:

Decreto n. 3.665/2000, que dá nova redação ao Regulamento


para a Fiscalização de Produtos Controlados n. 105 (R-105)

Art. 1. Fica aprovada a nova redação do Regulamento para a


Fiscalização de Produtos Controlados (R-105), na forma do
Anexo a este Decreto.

ANEXO

REGULAMENTO PARA A FISCALIZAÇÃO DE PRODUTOS


CONTROLADOS (R-105)

(…)

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Art. 189. O Exército dará às indústrias nacionais, consideradas


de valor estratégico para a segurança nacional, apoio para
incremento de produção e melhoria de padrões técnicos.

Art. 190. O produto controlado que estiver sendo fabricado no


país, por indústria considerada de valor estratégico pelo
Exército, terá sua importação negada ou restringida, podendo,
entretanto, autorizações especiais ser concedidas, após ser
julgada a sua conveniência.

Art. 191. Para a obtenção da licença prévia para a importação, os


interessados, pessoa física ou jurídica, deverão encaminhar
requerimento ao Diretor de Fiscalização de Produtos Controlados.

§ 2º Para a importação de que trata este artigo devem ser feitos


tantos requerimentos quantos forem os exportadores e as RM de
destino no país.

Art. 192. As licenças prévias para importação serão concedidas


por meio dos CII. (…)

Art. 194. Os procedimentos detalhados para a solicitação de


licença prévia de importação e as formalidades para sua concessão
e utilização serão objeto de normas específicas, a serem baixadas
pela DFPC.

Art. 195. A importação de produtos controlados para venda no


comércio registrado só será autorizada se o país fabricante
permitir a venda de produtos brasileiros similares em seu mercado
interno.

Parágrafo único. Os procedimentos para tais importações serão


regulamentados pelo Exército.

Art. 196. O Exército, a seu critério e em caráter excepcional,


poderá autorizar a importação, por empresas registradas, de
armas, equipamentos e munições de uso restrito, quando

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destinados às Forças Auxiliares e Organizações Policiais, não


podendo esses produtos serem consignados a particulares.

Parágrafo único. A critério do Exército, poderão ser concedidas


licenças prévias para a importação desses produtos a pessoas
físicas, devidamente autorizadas a possuí-los, de acordo com este
Regulamento.

Art. 198. As importações de armas, munições e acessórios


especiais, de uso industrial, poderão ser autorizadas, desde que
seja comprovada a sua necessidade.

Art. 199. Em se tratando de importação de armas, munições,


pólvoras, explosivos e seus elementos e acessórios pouco
conhecidos poderá ser exigida a apresentação, pelo interessado,
de catálogos ou quaisquer outros dados técnicos esclarecedores.

Mesmo com a edição da Lei no 10.826, de 22 de dezembro de


2003, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição,
sobre o Sistema Nacional de Armas - SINARM e define crimes, o legislador nada
estabeleceu acerca da proibição de importação de armas.

Esse diploma legal traz algumas disposições que merecem ser


transcritas para fins de esclarecer os limites de atuação do Estado no que toca à
regulamentação de armas no país:

Lei n. 10.826/2003.

Art. 2o Ao Sinarm compete:

I – identificar as características e a propriedade de armas de


fogo, mediante cadastro;

II – cadastrar as armas de fogo produzidas, importadas e


vendidas no País;

Parágrafo único. As disposições deste artigo não alcançam as

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armas de fogo das Forças Armadas e Auxiliares, bem como as


demais que constem dos seus registros próprios.

(…)

Art. 23. A classificação legal, técnica e geral bem como a


definição das armas de fogo e demais produtos controlados, de
usos proibidos, restritos, permitidos ou obsoletos e de valor
histórico serão disciplinadas em ato do chefe do Poder
Executivo Federal, mediante proposta do Comando do Exército.
(Redação dada pela Lei nº 11.706, de 2008)

§ 1o Todas as munições comercializadas no País deverão estar


acondicionadas em embalagens com sistema de código de barras,
gravado na caixa, visando possibilitar a identificação do fabricante
e do adquirente, entre outras informações definidas pelo
regulamento desta Lei.

§ 2o Para os órgãos referidos no art. 6o, somente serão expedidas


autorizações de compra de munição com identificação do lote e do
adquirente no culote dos projéteis, na forma do regulamento
desta Lei.

§ 3o As armas de fogo fabricadas a partir de 1 (um) ano da data


de publicação desta Lei conterão dispositivo intrínseco de
segurança e de identificação, gravado no corpo da arma, definido
pelo regulamento desta Lei, exclusive para os órgãos previstos no
art. 6o.

§ 4o As instituições de ensino policial e as guardas municipais


referidas nos incisos III e IV do caput do art. 6o desta Lei e no
seu § 7o poderão adquirir insumos e máquinas de recarga de
munição para o fim exclusivo de suprimento de suas atividades,
mediante autorização concedida nos termos definidos em
regulamento. (Incluído pela Lei nº 11.706, de 2008)

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Art. 24. Excetuadas as atribuições a que se refere o art. 2º desta


Lei, compete ao Comando do Exército autorizar e fiscalizar a
produção, exportação, importação, desembaraço alfandegário e o
comércio de armas de fogo e demais produtos controlados,
inclusive o registro e o porte de trânsito de arma de fogo de
colecionadores, atiradores e caçadores.

(…)

Art. 27. Caberá ao Comando do Exército autorizar,


excepcionalmente, a aquisição de armas de fogo de uso restrito.

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às


aquisições dos Comandos Militares.

O Decreto 5.123/2004, que regulamenta a referida lei, trouxe


as seguintes determinações, que corroboram o aspecto meramente fiscalizatório da
autoridade militar:

Art. 49. A classificação legal, técnica e geral e a definição das


armas de fogo e demais produtos controlados, de uso restrito ou
permitido são as constantes do Regulamento para a Fiscalização de
Produtos Controlados e sua legislação complementar.

Parágrafo único. Compete ao Comando do Exército promover a


alteração do Regulamento mencionado no caput, com o fim de
adequá-lo aos termos deste Decreto.

Art. 50. Compete, ainda, ao Comando do Exército:

I - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de armas,


munições e demais produtos controlados, em todo o território
nacional;

II - estabelecer as dotações em armamento e munição das


corporações e órgãos previstos nos incisos II, III, IV, V, VI e
VII do art. 6o da Lei no 10.826, de 2003; e

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III - estabelecer normas, ouvido o Ministério da Justiça, em


cento e oitenta dias:

a) para que todas as munições estejam acondicionadas em


embalagens com sistema de código de barras, gravado na caixa,
visando possibilitar a identificação do fabricante e do adquirente;

b) para que as munições comercializadas para os órgãos referidos


no art. 6o da Lei no 10.826, de 2003, contenham gravação na base
dos estojos que permita identificar o fabricante, o lote de venda e
o adquirente;

c) para definir os dispositivos de segurança e identificação


previstos no §3o do art. 23 da Lei no 10.826, de 2003; e

IV - expedir regulamentação específica para o controle da


fabricação, importação, comércio, trânsito e utilização de
simulacros de armas de fogo, conforme o art. 26 da Lei no
10.826, de 2003.

Art. 51. A importação de armas de fogo, munições e


acessórios de uso restrito está sujeita ao regime de
licenciamento não-automático prévio ao embarque da
mercadoria no exterior e dependerá da anuência do Comando
do Exército.

§ 1o A autorização é concedida por meio do Certificado


Internacional de Importação.

§ 2o A importação desses produtos somente será autorizada


para os órgãos de segurança pública e para colecionadores,
atiradores e caçadores nas condições estabelecidas em normas
específicas.

Art. 52. Os interessados pela importação de armas de fogo,


munições e acessórios, de uso restrito, ao preencherem a Licença
de Importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior -

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SISCOMEX, deverão informar as características específicas dos


produtos importados, ficando o desembaraço aduaneiro sujeito à
satisfação desse requisito.

Art. 53. As importações realizadas pelas Forças Armadas


dependem de autorização prévia do Ministério da Defesa e serão
por este controladas.

Art. 54. A importação de armas de fogo, munições e


acessórios de uso permitido e demais produtos controlados está
sujeita, no que couber, às condições estabelecidas nos arts. 51 e
52 deste Decreto.

Art. 55. A Secretaria da Receita Federal e o Comando do


Exército fornecerão à Polícia Federal, as informações relativas às
importações de que trata o art. 54 e que devam constar do
cadastro de armas do SINARM.

A Portaria Normativa n. 620/2006, expedida pelo Ministério da


Defesa e fazendo remissão à malfadada R-105, se afastou dos preceitos da
referida lei, endossando a ilegal restrição à importação de produtos controlados.

Os artigos 4º e 5º reproduzem a restrição antes descrita:

Art. 4º O Comando do Exército deverá negar, restringir ou


autorizar a importação de produtos controlados, sob regime
definitivo ou temporário, em conformidade com as
competências estabelecidas no Decreto nº 3.665, de 20 de
novembro de 2000, e no Decreto nº 5.123, de 1o de julho de
2004.

Art. 5º A importação de produtos controlados poderá ser


negada, quando existirem similares fabricados por indústria
brasileira do setor de defesa.

Parágrafo único. Os critérios de similaridade serão definidos


em Portaria do Comando do Exército.

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Art. 6º A importação de armas, munições e acessórios de uso


restrito e demais produtos controlados poderá ser autorizada, de
forma restrita e em caráter excepcional, nos seguintes casos
específicos:

I - quando a demanda do mercado interno for superior à


capacidade produtiva da indústria brasileira no momento, no
estrito limite para atender àquela demanda;

II - em caso de emergência ou calamidade pública;

III - no caso de decretação de estado de sítio ou declaração de


guerra;

IV - quando solicitado por indústria brasileira ou centro de


pesquisa, para fins de pesquisa, estudo ou testes; ou

V - quando o produto a ser importado, por questão de ordem


técnica ou operacional, devidamente justificada, apresentar
especificações que não possam ser atendidas pela indústria
brasileira.

Parágrafo único. O exame das características e dos requisitos


técnicos e operacionais deverá ser feito, necessariamente, antes
da fase de abertura do procedimento licitatório correspondente.

Vê-se, portanto, que a proibição à importação de outras armas de


fogo, que não as de fabricantes nacionais, se dá por meio da edição de normas
regulamentares, sem qualquer respaldo em lei e em direta violação à ordem
constitucional.

O Ministério da Defesa, em resposta a requisição expedida pela


Procuradoria da República em Sergipe, encaminhou o ofício de fls. 1118/1127,
confirmando essa sistemática, e referindo-se tão somente a tais normas
regulamentares, por meio das quais defende a inédita prerrogativa do Exército
Brasileiro de negar a importação de armamentos quando existente similar no mercado
nacional.

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Sucede que essa prerrogativa suscitada pelo Poder Executivo viola


os termos da Constituição e das normas infraconstitucionais, como já demonstrado,
desacatando a plena vigência da referida Lei n. 10.826/2003, que dispõe sobre
registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição, definindo ainda a
estrutura do Sistema Nacional de Armas – Sinarm, além dos crimes correlatos.

Os dispositivos da referida lei outorgam ao Comando do Exército


competências específicas ligadas ao controle e à fiscalização da aquisição e do uso de
armas de fogo no país. Tais atribuições estão relacionados à própria natureza dos
armamentos, que naturalmente requerem controle do Estado a fim de evitar o extravio
de produtos perigosos, bem como impedir a disseminação de armas em mãos de
particulares não autorizados.

A Lei n. 10.826/2003 jamais instituiu – e não poderia -


qualquer privilégio relacionado à existência de similar no mercado nacional, o que
entraria em rota de colisão com a sistemática constitucional da atividade
econômica, que está calcada na livre concorrência e na defesa do consumidor.

Daí porque salta aos olhos a impropriedade da regulamentação


defendida pelo Ministério da Defesa, por meio do Exército Brasileiro, uma vez que,
além de frontal violação às normas constitucionais que garantem a livre concorrência
como um dos fundamentos da ordem econômica, conforme amplamente demonstrado no
item anterior, evidencia-se que o referido decreto inova na ordem jurídica, com a
instituição de recusa de importação por existência de similar nacional, critério
inventado e produzido pelo Ministério da Defesa.

Convém ressaltar que essa proibição de importação por decreto


inova a ordem jurídica, violando frontalmente a constituição federal, uma vez que as
normas regulamentares aprovadas por decreto do Presidente da República não se
podem se constituir como atos normativos primários previstos no art. 59 da
Constituição Federal.

Importa registrar que essa inconstitucional e temerária proibição


advém tão somente da regulamentação levada a efeito pelo Decreto n. 3.665, de 20
de novembro de 2000, que aprova o Regulamento n. 105 (R-105) que, como dito

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inicialmente, foi expedido a pretexto de regulamentar o remoto Decreto n o


24.602, de 6 de julho de 1934, do então Governo Provisório, recepcionado como Lei
pela Constituição Federal de 1934, mas de evidente incompatibilidade frente a nova
ordem constitucional.

Observe-se que nem mesmo esse diploma legal originário


impede a importação de armamentos; ao contrário, chega mesmo a dispor sobre os
requisitos de importação de armamentos e munições, o que demonstra que o R-
105 inova em todos os sentidos, seja por que traz limitações não previstas na
norma regulamentada, seja por que viola frontalmente a sistemática constitucional
que fundamenta a ordem econômica no Brasil.

Nesse ponto, é importante nortar que o discurso fácil do risco


de derrame de armas no mercado nacional cai por terra ao se evidenciar a
necessidade de o Estado brasileiro se aparelhar com armamentos de qualidade,
que tragam eficiência no combate ao crime e confiança àos policiais em sua rotina
operacional, bem como as reais atribuições de controle do Exército Brasileiro.

Guilherme Pena de Moraes 10 discorre sobre as limitações do


decreto na regulamentação de lei:

“A faculdade normativa, embora caiba predominantemente ao


Legislativo, nele não se exaure, remanescendo boa parte para o
Executivo, que expede regulamentos e outros atos de caráter
geral e efeitos externos. Assim, o regulamento é um
complemento da lei naquilo que não é privativo da lei.
Entretanto, não se pode confundir lei e regulamento.

Regulamento é ato administrativo geral e normativo, expedido


privativamente pelo Chefe do Executivo (federal, estadual ou
municipal), através de decreto, com o fim de explicar o modo e
forma de execução da lei (regulamento de execução) ou prover
situações não disciplinadas em lei (regulamento autônomo ou
independente).
10 Curso de Direito Constitucional. 9a. Edição. Editora Atlas. Fls. 150/151.

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O regulamento não é lei, embora a ela se assemelhe no conteúdo e


poder normativo. Nem toda lei depende de regulamento para ser
executada, mas toda e qualquer lei pode ser regulamentada se o
Executivo julgar conveniente fazê-lo. Sendo o regulamento, na
hierarquia das normas, ato inferior à lei, não a pode
contrariar, nem restringir ou ampliar suas disposições. Só lhe
cabe explicitar a lei, dentro dos limites por ela traçados, ou
completá-la, fixando critérios técnicos e procedimentos
necessários para sua aplicação. Na omissão da lei, o regulamento
supre a lacuna, até que o legislador complete os claros da
legislação. Enquanto não fizer, vige o regulamento, desde que não
invada matéria reservada à lei.”

“O regulamento, formalizado pelo decreto, compreende normas


jurídicas abstratas e genéricas, embora não autônomas,
produzidas no exercício da competência legislativa privativa do
Chefe do Poder Executivo, com o escopo de uniformizar a
execução da lei, bem assim a organização e funcionamento da
Administração Pública. Por ilação, o regulamento, no ordenamento
jurídico brasileiro, é delimitado pelo princípio da legalidade,
consistindo em ato estritamente subordinado, dependente da
lei que objetiva regulamentar, segundo o art. 84, incs. IV e
VI, da CRB.

(…)

O decreto é sujeito ao controle de legalidade, instrumentalizado


pelos remédios constitucionais, especialmente o mandado de
segurança, desde que a norma regulamentar impugnada seja
caracterizada como concreta. Em outros termos: ‘se o
regulamento de execução vai além do conteúdo da lei e se afasta
dos limites que ela lhe traça, incorre em ilegalidade’, revestindo de
sindicabilidade, pela via jurídico-processual do mandado de
segurança, os atos de efeitos concretos, assim considerados os

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que não veiculam, em seu conteúdo, normas que disciplinam


relações jurídicas em abstrato.

Anomalamente, entretanto, a jurisprudência do Supremo


Tribunal Federal é pacificada no sentido do cabimento da ação
direta de inconstitucionalidade contra decreto autônomo,
naquilo que houver invalidamente inovado a ordem jurídica, com
o fim de coibir ofensa ao princípio da legalidade: somente na
hipótese de não existir lei que preceda o ato regulamentar, é
que poderia este ser acoimado de inconstitucional, assim
sujeito ao controle de constitucionalidade; não se tratando de
decreto autônomo, o ato normativo não pode ser atacado em ação
direta de inconstitucionalidade, que não é via adequada à mera
declaração de ilegalidade de norma regulamentar’.”

Acerca da natureza e dos limites do decreto, confira-se os


seguintes precedentes:

EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.


MEDIDA LIMINAR. DECRETO 1.719/95. TELECOMUNICAÇÕES:
CONCESSÃO OU PERMISSÃO PARA A EXPLORAÇÃO. DECRETO
AUTÔNOMO: POSSIBILIDADE DE CONTROLE CONCENTRADO.
OFENSA AO ARTIGO 84-IV DA CF/88. LIMINAR DEFERIDA. A
ponderabilidade da tese do requerente é segura. Decretos
existem para assegurar a fiel execução das leis (artigo 84-IV
da CF/88). A Emenda Constitucional nº 8, de 1995 - que alterou o
inciso XI e alínea a do inciso XII do artigo 21 da CF - é expressa
ao dizer que compete à União explorar, diretamente ou mediante
autorização, concessão ou permissão, os serviços de
telecomunicações, nos termos da lei. Não havendo lei anterior que
possa ser regulamentada, qualquer disposição sobre o assunto
tende a ser adotada em lei formal. O decreto seria nulo, não por
ilegalidade, mas por inconstitucionalidade, já que supriu a lei onde
a Constituição a exige. A Lei 9.295/96 não sana a deficiência do

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ato impugnado, já que ela é posterior ao decreto. Pela ótica da


maioria, concorre, por igual, o requisito do perigo na demora.
Medida liminar deferida. (ADI 1435 MC, Relator (a): Min.
FRANCISCO REZEK, Tribunal Pleno, julgado em 07/11/1996, DJ
06-08-1999 PP-00005 EMENT VOL-01957-01 PP-00040)

DIREITO ADMINISTRATIVO – AÇÃO CIVIL PÚBLICA -


APELAÇÃO CÍVEL – PROGRAMA NACIONAL DE
DESESTATIZACAO – COMPANHIA NACIONAL DO ÁLCALIS –
AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA A ALIENAÇÃO DE UNIDADES
RESIDENCIAIS NÃO VINCULADAS ÀS ATIVIDADES
OPERACIONAIS DA PESSOA JURÍDICA PRIVATIZADA –
DECRETO FEDERAL IMPONDO PRAZO PARA A ALIENAÇÃO –
DESCUMPRIMENTO, POR PARTE DA ÁLCALIS, DO PRAZO
FIXADO NO DECRETO – INEXISTÊNCIA DE OFENSA AOS
PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE, IMPESSOALIDADE E
MORALIDADE ADMINISTRATIVA – CONSEQÜENTE
INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO ERÁRIO PÚBLICO – DEVER
DE ALIENAR IMPOSTO POR MEIO DE DECRETO – INOVAÇÃO
- PODER REGULAMENTAR EXORBITADO - SENTENÇA
MONOCRÁTICA CONFIRMADA - RECURSO DE APELAÇÃO DO
MPF IMPROVIDO.

1. Cuida-se de Ação Civil Pública ajuizada pelo MPF em face do


Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –BNDES -
e da Companhia Nacional do Álcalis, tendo em vista fatos
ocorridos durante o denominado Programa Nacional de
Desestatizacao.

2. Alega o MPF que a Companhia teria descumprido o prazo


estipulado para a realização da alienação dos bens integrantes de
seu ativo não operacional (imóveis, residências, terrenos),
conforme determinava o Decreto nº 99.209/90, com a redação
determinada pelo Decreto nº 99.665/90, que regulamentou a Lei

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nº 8.011/90.

3. Assevera o Parquet Federal que, como referido decreto fixava


prazo –até o dia 22 de abril de 1991 -, para que fosse realizada a
alienação dos bens componentes do ativo não operacional, a inércia
da Álcalis teria, assim, infringido os princípios constitucionais da
legalidade, impessoalidade e moralidade. Conseqüentemente, aduz
o Autor que teria havido prejuízo ao erário público.

4. Questão em que discute, diante do caso concreto, os limites


do poder regulamentar do Poder Executivo.

5. O decreto deve limitar-se a dar executoriedade à lei, não


podendo dela se afastar, para impor limites não estabelecidos
pelo diploma legal, sob pena de exorbitância do poder
regulamentar.

6. Assim, o Decreto nº 99.209/90, com a redação determinada


pelo Decreto nº 99.665/90, ao fixar prazo para a alienação,
inovou, afastando-se das balizas previstas na Lei nº
8.011/90, havendo, portanto, exorbitância do poder
regulamentar.

7. Consequente inexistência de ofensa aos princípios


constitucionais da legalidade, impessoalidade e moralidade pública.
Ausência, portanto, de qualquer prejuízo ao erário público.

8. Apelação improvida para se manter, in totum, a Sentença


Monocrática. (TRF2 - AC 199451010660211 RJ
1994.51.01.066021-1 - Orgão Julgador SÉTIMA TURMA
ESPECIALIZADA Publicação DJU - Data::21/05/2007 –
Página::313 Julgamento 2 de Maio de 2007 Relator
Desembargador Federal REIS FRIEDE)

DESPACHANTE ADUANEIRO. REGULAMENTAÇÃO DA


PROFISSÃO. DL. 2.472/88. DECRETO 646. PROIBIÇÃO DE

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EXERCÍCIO DE COMÉRCIO EXTERIOR.


INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 5º, II E XIII da
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA 1. Legislação referente aos
despachantes aduaneiros estabelece que o Poder Executivo
disporá sobre a forma de investidura, ingresso e requisitos que
serão exigidos das demais pessoas para serem admitidas como
representantes. 2. Vedação de efetuarem os despachantes
aduaneiros, em nome próprio ou no de terceiro, exportação ou
importação de quaisquer mercadorias ou exercer comércio
interno de mercadorias estrangeiras através de Decreto.
Inconstitucionalidade da proibição. Não se pode proibir alguém
de fazer alguma coisa, em especial, atividade profissional,
senão através de lei em sentido formal. 3. Apelação a que se dá
provimento. (APELAÇÃO , JUIZ FEDERAL CARLOS EDUARDO
CASTRO MARTINS, TRF1 - 7ª TURMA SUPLEMENTAR, e-DJF1
DATA:01/06/2012 PAGINA:578.)

Nesse passo, vê-se que a proibição de importação de armamentos


pelos órgãos de segurança pública encontra óbice no próprio texto constitucional, uma
vez que limita e impede a livre concorrência, com efeito maléfico sobre a eficiência do
serviço público prestado à população. No caso em tela, órgãos do Poder Executivo
usurpam competência do Congresso Nacional, por violação do disposto nos arts. 22,
incisos VIII e XXI, da Constituição Federal, além de violar os princípios
constitucionais da livre concorrência e da defesa do consumidor, previstos no 170,
incisos IV e V.

Assim, a instituição da referida reserva de mercado em favor de


empresas cujos armamentos apresentam qualidade deficitária carece de base
constitucional e legal, uma vez que qualquer obrigação ou impedimento que interfira no
tema relativo à livre concorrência deve ser disciplinados em lei aprovada pelo
Congresso Nacional.

Por conseguinte, regulamentos não criam direitos nem


proibições, em razão do princípio da legalidade, que se constitui uma dos

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fundamentos do Estado Democrático de Direito. As pessoas e instituições são


obrigadas a adotar ou deixar de adotar qualquer conduta em virtude de lei aprovada
pelo Congresso Nacional – ainda assim com obrigatória observância das normas
constitucionais. Por conseguinte, não cabe ao Exército instituir política de mercado a
fim de favorecer empresas nacionais fabricantes de armas com evidentes defeitos de
fabricação, impedindo a importação de armamento adequado à consecução dos fins
relacionados à segurança pública.

Daí porque, à míngua de disposição constitucional nesse sentido,


tal impedimento carece de permissivo constitucional e legal, uma vez que se origina de
órgão que não detém competência para instituir tais políticas, resultando em situação
em que o Exército Brasileiro vai além suas atribuições, limitadas ao mero
controle, classificação e fiscalização de material bélico no país.

Não se pode admitir que o Exército Brasileiro ou qualquer órgão


do Executivo detenha a prerrogativa de interferir no ordenamento jurídico ou na
sistemática econômica que rege as aquisições dos órgãos públicos com a imposição de
regras de monopólio para aquisição de seus suprimentos, uma vez que se trata de
matéria reservada à lei que, por sua vez, há de estar em consonância com as normas
constitucionais.

É que refoge às atribuições da caserna a regulação de


mercados, podendo, quando muito e no máximo, apenas regulamentar o uso e a
classificação das armas de uso permitido, restrito ou proibido no país. A
autorização para a importação de armamentos se dá, naturalmente, com a finalidade de
observância dos requisitos legais quanto à regularidade técnica e de registro do órgão
adquirente.

Com efeito, as atribuições das Forças Armadas estão bem


delineadas no art. 142 da Constituição Federal, no qual não consta qualquer
competência no sentido de regular mercado de armamentos, figurando em lei ordinária
apenas as atribuições de fiscalização e controle dos produtos importados.

É preciso frisar que a competência do Exército Brasileiro, como


órgão das Forças Armadas, se restringe a disciplinar os calibres e tipos de armas de

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uso permitido ou restrito. De maneira alguma essas atribuições se estendem à


definição de sistemas de monopólios, com a proibição do comércio de armas no país, o
que impede a Administração de exercer a opção da melhor escolha por meio dos órgãos
de segurança pública.

Assim, o Exército não pode privilegiar um fabricante, ainda que


nacional, em prejuízo da liberdade de mercado, sendo lícito apenas que discipline os
calibres e tipos de armas autorizados, restritos, permitidos ou proibidos, mas não
influir na liberdade de uma empresa comercializá-las no país, sob a fragilíssima
desculpa de existência de similar nacional.

Tal proceder do Exército Brasileiro ofende diretamente o


princípio da livre concorrência (restringindo não só o direito do consumidor privado,
mas também o da Administração Pública e do particular de adquirir o melhor produto
pelo menor preço), desestimula a evolução tecnológica e os ganhos de produtividade,
além de condenar o usuário/consumidor a se sujeitar aos abusos do fornecedor
monopolista, que se mantém em sua zona de conforto

A competência privativa da União para legislar sobre normas


gerais de organização, efetivos e material bélico, nos termos do art. 22, inciso XXI,
nem de longe autoriza o Ministério da Defesa ou o Exército Brasileiro a instituir
práticas restritivas à importação de armas de outros países, vez que não investe tais
órgãos nas prerrogativas exclusivas do Poder Legislativo, podendo tão somente
regulamentar o que for disposto em lei formal, o que inexiste no caso em tela.

Tal conduta, além de frontalmente ilegal e inconstitucional, figura


como odioso protecionismo, uma vez que a indústria nacional, cuja inovação tecnológica
e eficiência restaram paralisadas por ilegal incentivo, produz e fornece, em regime de
exclusividade, armamentos de baixíssima qualidade.

A aquisição de armamento adequado pelos órgãos de segurança


pública, por se tratar de aquisição de bens operacionais pelo Estado no mercado
privado, está inserida na atividade econômica, configurando a impossibilidade de
instituição de monopólio ou oligopólio para executá-lo, sem expressa previsão
constitucional.

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O R-105 (Decreto n. 3.665/2000 – Regulamento para a


fiscalização de produtos controlados) estabelece em seus artigos 189 e 190, como
função anômala do Exército Brasileiro, em completa violação à legalidade, a função de
blindar a indústria nacional de produtos controlados de desejável concorrência, que
conferiria aos armamentos produzidos no Brasil a necessária qualidade que se espera
dos fabricantes.

No caso em tela, a indústria nacional de armamentos não precisa


de proteção, eis que detentora de grande poder econômico, mas de efetivo controle e
estímulo à qualidade dos seus produtos.

Tal regulamento se encontra, por isso, em absoluto descompasso


com a Constituição Federal da República Federativa do Brasil, a qual atribui ao
Exército Brasileiro, juntamente com as demais Forças, as relevantes funções de
defesa da Pátria e dos poderes constitucionais e, ainda, garantir a lei e a ordem, não
havendo espaço para suportar a proteção de empresa transnacional que destina sua
atividade ao lucro privado e que tem ações negociadas em Bolsa de Valores, tudo em
conformidade com o art. 142 da Carta Constitucional.

A conduta do Exército restringe o direito da administração


pública (que tem o direito/dever de adquirir o melhor produto pelo menor preço),
desestimula a evolução tecnológica e os ganhos de produtividade (por manter o
monopolista na zona de conforto) e condena o usuário/consumidor a se sujeitar aos
abusos do fornecedor monopolista.

Definidos os calibres e tipos de armas pelo Exército, cabem aos


órgãos de segurança pública escolherem de forma justificada, e segundo as regras
comuns de aquisição de bens pela administração, o armamento mais adequado para a
consecução dos seus objetivos.

Conclui-se que a instituição de uma reserva de mercado em


favor de empresas nacionais fabricantes de armamentos se dá no Brasil de forma
precária e inconstitucional, estabelecida por meio de decreto sem base normativa
e contrário à Constituição Federal, ao proibir a importação de material bélico
quando existente similar nacional, conceito que desconsidera diversos importantes

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aspectos, inclusive os relacionados à qualidade e à eficiência do produto.

Da mesma forma, essa regulamentação evidencia que o


Exército Brasileiro excede de suas funções, ao tomar para si atribuições que,
além de violar a Constituição Federal, transborda de suas funções institucionais,
invadindo a seara do legislador.

D. COMPROMETIMENTO DA SEGURANÇA PÚBLICA. OMISSÃO DO EXÉRCITO


NA ATIVIDADE DE FISCALIZAÇÃO E CONTROLE DA FABRICAÇÃO DE ARMAS
NO BRASIL.

A regulamentação forjada pelo Exército Brasileiro acabou por


estabelecer uma situação de ameaça à segurança pública uma vez que, sem a adequada
fiscalização e controle de qualidade dos armamentos produzidos pela indústria
nacional, os órgãos de segurança pública são impedidos de adquirir armas adequadas às
suas atividades.

Submetem-se assim os agentes públicos de segurança ao uso de


armas inadequadas, com a consequente inação frente ao crime organizado e ao
moderno armamento de que dispõe os agentes do crime. De outro lado, os graves
acidentes de disparo ocasionados pelas armas Taurus, acabaram por já vitimar não só
policiais, mas também os cidadãos comuns, provocando assim generalizado temor na
população.

Toda essa situação levou a um crescente questionamento acerca


das consequências para a segurança pública, deste favorecimento instalado em favor
da Taurus no Brasil, já que toda a estrutura de segurança estatal está comprometida
com o fornecimento de armas defeituosas e de baixa qualidade.

Para se ter uma ideia da gravidade das consequências relacionadas


ao fornecimento exclusivo por parte de uma única empresa que produz armamentos
inadequados, é preciso que se relembre a estrutura dos órgãos de segurança pública
delineada na CF.

A segurança pública no país está sistematizada no art. 144 do

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texto constitucional, que a atribui aos órgãos estatais especializados que elenca:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e


responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

§ 1º - A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente,


estruturado em carreira, destina-se a:

§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente,


organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
destina-se a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em


detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras
infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em
lei;

II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e


drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação
fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de
competência;

III - exercer as funções de polícia marítima, aérea e de

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fronteiras;

III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de


fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)

IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária


da União.

Nessa seara, o constituinte delegou ao legislador ordinário a


organização e funcionamento desses órgãos especializados, para tanto inserindo no §
7º do mesmo dispositivo tal circunstância:

§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos


responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a
eficiência de suas atividades.

Veja-se que um número imenso de órgãos públicos restaram reféns


da má qualidade das armas fabricadas em território nacional, não lhes restando outra
alternativa a não ser a aquisição e o recondicionamento de armas junto à empresa ré,
ainda que notória a má qualidade das armas por ela produzidas.

No entanto, a aquisição dos bens materiais necessários à


consecução dos objetivos constitucionais a que estão incumbidos os órgãos de
segurança pública no Brasil está sujeita às mesmas regras constitucionais e legais que
impõem os deveres de probidade, legalidade e economicidade que regem qualquer
contratação da Administração Pública – inclusive às normas relativas à atividade
econômica e financeira – como a Lei de Licitações, a Lei antitruste e o Código de
Defesa do Consumidor.

Resulta daí que a instituição de qualquer monopólio ou prática


restritiva de concorrência compromete a eficiência do sistema de segurança pública no
país além de retirar da administração qualquer poder de escolha no que guarda
pertinência ao objeto da contratação, uma vez que estará sempre adstrita às opções
da empresa nacional protegida pelo Exército, e que já não se preocupa com a qualidade
ou durabilidade do seu produto, diante do conforto que lhe foi conferido pelo Estado

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Brasileiro.

É o caso dos autos, uma vez que se implementou, de forma


inconstitucional e contrária às normas legais, um verdadeiro mercado oligopolizado
e protecionista da indústria de armas no Brasil em favor da Taurus e do seu
grupo econômico, que passou a adotar postura de flagrante despreocupação com a
qualidade dos armamentos produzidos.

Essas circunstâncias têm causado graves danos aos usuários das


armas, cuja aquisição é imposta por esses fornecedores, bem como ao erário, já que os
órgãos de segurança pública sofrem a imposição de preços abusivos para a aquisição de
armas de baixa qualidade, submetidas a uma política de recall, baseada na reciclagem
de armas, com reposição de peças e remontagem ad infinitum.

Apurou-se, no anexo ICP, a clara negligência do Exército Brasileiro


no que toca ao dever de fiscalização da baixa qualidade das armas produzidas. Sob o
declarado argumento de que está protegendo a indústria nacional, o Exército tem
imposto um sem número de obstáculos à importação de armas pelos órgãos de
segurança pública de todo o país, favorecendo assim a livre atuação das empresas
nacionais que, com isso, não se preocupam com a qualidade de sua produção fabril.

Nesse contexto se sobressai a Taurus que, detendo a quase


totalidade do fornecimento de armas aos órgãos de segurança pública, não tem
prezado pela qualidade do que produz, valendo-se da esdrúxula proteção estabelecida
pelo Executivo, que lhe garante o escoamento dos seus produtos, ainda que
imprestáveis e de perigoso manejo.

Milita assim o Exército Brasileiro em prol da empresa ré e em


conflito com o interesse público, uma vez que sua atividade fiscalizatória deveria levar
em conta o pleno funcionamento dos armamentos produzidos, a menor onerosidade e a
eficiência do equipamento a ser adquirido, critérios que devem ser auferidos mediante
processo licitatório.

Não fosse a segmentação do mercado pelas empresas nacionais e o


monopólio exercido pela Taurus no segmento dos órgãos públicos, a administração
poderia já ter considerado a empresa como inidônea, porque, por seguidas vezes,

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entregou aos órgãos de segurança pública estaduais e federais produtos imprestáveis


à consecução das finalidades institucionais, circunstância que autorizaria a aquisição do
melhor produto disponível, via importação.

Nesse contexto, a negativa de aquisição no mercado externo por


simples existência do similar nacional, viola o princípio da eficiência, além de expor a
risco crescente os agentes públicos que atuam nesse segmento, conforme comprovam
as inúmeras denúncias juntadas no inquérito civil que instrui a presente ação.
Outrossim, as informações prestadas nestes autos por diversas autoridades policiais,
especialistas em armas, dão conta de que é falsa a alegada similaridade apontada pelo
Exército Brasileiro para evitar a importação de armas de outras empresas que não a
Taurus. Segundo essas autoridades, muitas armas vendidas por empresas estrangeiras
não possuem similar nacional e não podem ser comparadas em termos de qualidade às
que estão sendo produzidas no Brasil pela Taurus. Ainda assim, sob o argumento da
similaridade, o Exército tem vetado a importação.

Urge, portanto, que o Poder Judiciário contribua para que os


órgãos de segurança pública e os cidadãos brasileiros não permaneçam reféns da
regulamentação ilegal promovida pelo Exército Brasileiro, permitindo que a segurança
pública no país funcione de forma plena, com a liberdade de escolha na aquisição de
armamentos que se prestem à consecução da grave missão institucional de realizar uma
adequada segurança pública no país.

E. A DEFESA DO CONSUMIDOR E O EVIDENTE PREJUÍZO AO ERÁRIO


DECORRENTE DA IMPOSIÇÃO DE PRÁTICAS RESTRITIVAS DA
CONCORRÊNCIA E DE PREÇOS ABUSIVOS

A instituição do regime de oligopólio em favor das empresas


nacionais, que ocasiona a baixa qualidade das armas no Brasil, viola ao mesmo tempo
diversos preceitos constitucionais, entre eles o da defesa do consumidor, que se
constitui salvaguarda em face da imposição de produtos danosos, fornecidos em regime
de exclusividade.

A configuração dos órgãos da administração pública como

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consumidores de material bélico situa a discussão no campo do direito consumerista,


entrelaçando-se com a necessidade de cumprir seu mister de garantir a ordem pública
da coletividade pela regular prestação do serviço de segurança pública – pontuando-se
de logo a própria segurança dos agentes policiais que atuam cotidianamente portando
os armamentos nacionais.

Nesse contexto, é de se pontuar o objetivo que tem o MPF de


garantir a regularidade e a adequação dos procedimentos e dos equipamentos
empregados na execução da atividade policial, para que seja regular não só o serviço
policial, como a própria segurança pública, que deve ser prestada à sociedade de forma
absolutamente eficiente.

A Portaria Interministerial n. 02, de 15/12/2010, da Secretaria de


Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH-MJ), estabelece, dentre as
Diretrizes Nacionais de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos dos Profissionais da
Segurança Pública, a necessidade de proporcionar equipamentos de proteção
individual e coletiva aos profissionais de segurança pública, em quantidade e
qualidade adequadas, garantindo sua reposição permanente, considerando o desgaste
e prazos de validade.

Os itens 8 e 9 da referida Portaria destacam a necessidade de zelar pela


adequação, manutenção e permanente renovação de todos os veículos utilizados no
exercício profissional, bem como assegurar instalações dignas em todas as instituições,
com ênfase para as condições de segurança, higiene, saúde e ambiente de trabalho
e, ainda, considerar, no repasse de verbas federais para os entes federados, a
efetiva disponibilização de equipamentos de proteção individual aos profissionais
de segurança pública.

Nesse ponto, as condições de trabalho a que estão submetidos os


integrantes das polícias devem ser as melhores possíveis, assegurando-lhes, no
exercício da atividade profissional, condições de trabalho seguras e dignas.

As armas de fogo são, por óbvio, instrumento essencial à atividade do


policial e deve guardar condições de emprego eficiente, além de exigência de proto
funcionamento com segurança para o agente policial e para terceiros.

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Portanto, no caso da indústria de armas, essa negligência é ainda mais


desastrosa, uma vez que compromete a segurança pública e acarreta danos à vida e à
integridade não só do cidadão, mas sobretudo dos agentes públicos, usuários naturais
desses equipamentos, conforme se demonstrou no relatório supra.

Daí porque a garantia de livre concorrência no presente caso, como uma


concretização dos princípios da ordem econômica, está intimamente ligada à defesa do
consumidor, uma vez que ordenamento jurídico repele de forma direta a possibilidade
de o usuário permanecer sujeito a riscos relacionados a produtos e serviços oferecidos
no mercado.

Nesse sentido, e considerando os numerosos casos de danos à integridade


física e à vida dos usuários de armamentos defeituosos, demonstrados por perícias
realizados pelos órgãos de segurança pública de praticamente todos os Estados da
Federação, há de se ressaltar o aspecto de qualidade deve ser assegurado pela
presença de concorrência direta entre os fabricantes, o que estimula a natural
melhoria dos processos tecnológicos e exige dos órgãos fiscalizatórios uma atuação
mais eficaz.

Nesse particular, os mesmos autores Eduardo Molan Gaban e Juliana


Oliveira Domingues11 fazem importantes considerações;

“É importante salientar que a resguarda constitucional do


consumidor, ora invocada, não se confunde com as normas
especificamente estabelecidas de proteção ao consumidor no tocante à
relação de consumo, mas, sim, com uma das finalidades últimas da
aplicação conjugada dos princípios da livre-iniciativa e da livre
concorrência.

Trata-se de uma finalidade mais aferível sob a ótica econômica,


tida como o bem-estar do consumidor, expresso, e. g., pelos ganhos
em eficiência, como menores preços, maior qualidade dos produtos e
serviços ofertados no mercado. (…)

11 Direito Antitruste. 2012. Editora Saraiva. Pag. 54/55

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Dessa maneira, a atenção dispensada aos interesses do consumidor


quanto à matéria concorrencial é um dos focos finais da legislação
antitruste uma vez que, aliados ao mercado e à economia como um todo,
estão os consumidores como os destinatários finais dos efeitos benéficos
decorrentes de um regime de livre concorrência no mercado. (…)

Assim, ao apresentar como um dos seus fins o bem-estar do


consumidor, a legislação antitruste também confere aplicação ao princípio
da defesa do consumidor. Nesse sentido, preconiza-se com a tutela
antitruste a consecução de eficiências. E, em complemento às eficiências,
a ampliação ou não restrição da possibilidade de escolha por parte dos
consumidores. Desse modo, o bem-estar do consumidor, posto como um
dos fins da tutela antitruste repousaria no binômio da eficiência
econômica e da liberdade de escolha pelo consumidor.”

Qualquer defeito do produto vulnera o consumidor, resvalando em


inevitável responsabilização do seu fabricante, tanto mais quando este detém a
garantia de demanda, por meio de relações incestuosas com o Estado, que lhe garante
reserva de mercado por meio da instituição de parcerias comerciais e abrandamento
da fiscalização da qualidade e segurança dos produtos.

Não é por outra razão que prevê o Código de Defesa do Consumidor:

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou


estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação,
construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou
acondicionamento de seus produtos, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que


dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - sua apresentação;

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II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

E mais adiante:

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não


duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou
quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que
se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles
decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do
recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária,
respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o
consumidor exigir a substituição das partes viciadas.

§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o


consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em


perfeitas condições de uso;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada,


sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

Como instrumento de defesa do consumidor, consagrador do direito à


informação e segurança, bem como da responsabilidade objetiva do fabricante, o CDC
previu também a possibilidade de chamamento do consumidor para procedimento que
comumente se chama de “recall”.

O “recall” ou chamamento é um procedimento gratuito, mediante o qual


o fornecedor informa o público e o convoca para sanar os defeitos encontrados em
produtos vendidos ou serviços prestados. O objetivo essencial do Recall é proteger e
preservar a vida, a saúde, a integridade e a segurança do consumidor, além de evitar e

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minimizar prejuízos físicos ou morais.

Qualquer prejuízo físico ou moral em virtude do defeito apresentado


no produto/serviço é de inteira responsabilidade do fornecedor. Assim, a prevenção e
a reparação dos danos estão intimamente ligadas, na medida em que o “recall” deve
sanar qualquer defeito que coloque em risco a saúde e a segurança do consumidor. O
recall visa ainda a retirada do mercado, reparação do defeito ou a recompra de
produtos ou serviços defeituosos pelo fornecedor.

Quando um produto ou serviço for considerado defeituoso, de acordo


com a lei de consumo brasileira, o fornecedor deve confirmar o defeito e,
imediatamente, apresentar todas as informações necessárias acerca dos problemas
identificados.

O instituto do recall está previsto no Código de Defesa do Consumidor


(Lei 8078/90) em seu artigo 10, § 1º:

Artigo 10 – O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo


produto ou serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de
nocividade ou periculosidade à saúde ou segurança.

§ 1º - O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua


introdução no mercado de consumo, tiver conhecimento da
periculosidade que apresentem, deverá comunicar o fato imediatamente
às autoridades competentes e aos consumidores, mediante anúncios
publicitários.

§ 2º - Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior


serão veiculados na imprensa, rádio e televisão, às expensas do
fornecedor do produto ou serviço.

Os defeitos apresentados em produtos, derivados de erro no projeto


ou da má-qualidade do material empregado na sua produção são tidos pela legislação e
doutrina consumerista como fato do produto. Uma das consequências do fato do
produto é o vício de qualidade por falta de segurança gerada ao consumidor durante a
utilização do bem.

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Confira-se a jurisprudência nacional acerca do fato do produto:

PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPLOSÃO DE LOJA


DE FOGOS DE ARTIFÍCIO. INTERESSES INDIVIDUAIS
HOMOGÊNIOS. LEGITIMIDADE ATIVA DA PROCURADORIA DE
ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. RESPONSABILIDADE PELO FATO
DO PRODUTO. VÍTIMAS DO EVENTO. EQUIPARAÇÃO A
CONSUMIDORES. I – Procuradoria de assistência judiciária têm
legitimidade ativa para propor ação civil pública objetivando indenização
por danos materiais e morais decorrentes de explosão de
estabelecimento que explorava o comércio de fogos de artifício e
congêneres, porquanto, no que se refere à defesa dos interesses do
consumidor por meio de ações coletivas, a intenção do legislador pátrio
foi ampliar o campo da legitimação ativa, conforme se depreende do
artigo 82 e incisos do CDC, bem assim do artigo 5º, inciso XXXII, da
Constituição Federal, ao dispor expressamente que incumbe ao Estado
“
promover, na forma da lei, a defesa do consumidor.” II –Em consonância
com o artigo 17 do Código de Defesa do Consumidor, equiparam-se aos
consumidores todas as pessoas que, embora não tendo participado
diretamente da relação de consumo, vem a sofrer as conseqüências
do evento danoso, dada a potencial gravidade que pode atingir o
fato do produto ou do serviço, na modalidade vício de qualidade por
insegurança. Recurso especial não conhecido.

(STJ - REsp: 181580 SP 1998/0050249-1, Relator: Ministro CASTRO


FILHO, Data de Julgamento: 09/12/2003, T3 - TERCEIRA TURMA,
Data de Publicação: --> DJ 22/03/2004 p. 292RJADCOAS vol. 55 p.
42RSTJ vol. 180 p. 341)

Além do STJ, os Tribunais de 2º grau, nas diversas unidades da


Federação também tem assinalado a esse respeito:

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DE CONSUMO. DANOS


MORAIS. VALORAÇÃO.

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I - A queda sofrida pelo autor ocorreu devido à quebra do eixo do


skate recém-adquirido. A ré, ao seu turno, importadora do produto, não
provou qualquer causa excludente de responsabilidade. Configurado o
acidente de consumo, decorrente de fato do produto

II - A situação vivenciada pelo apelado-autor extrapolou mero


aborrecimento ou transtorno, pois se tratava de uma criança de oito
anos que sofreu com dores, teve o braço imobilizado por quase dois
meses, retornou ao hospital diversas vezes e ficou com sequela devido
à fratura no braço. Caracterizado o dano moral e o dever de indenizar.

III - A valoração da compensação moral deve observar os princípios da


razoabilidade e da proporcionalidade, a gravidade e a repercussão dos
fatos, a intensidade e os efeitos da lesão. A sanção, por sua vez, deve
observar a finalidade didático-pedagógica, evitar valor excessivo ou
ínfimo, e objetivar sempre o desestímulo à conduta lesiva. Mantido o
valor fixado pela r. sentença.

IV - Apelação desprovida. Agravo retido não conhecido.

(Acórdão n.1024421, 20140710250284APC, Relator: VERA ANDRIGHI


6ª TURMA CÍVEL, Data de Julgamento: 07/06/2017, Publicado no
DJE: 20/06/2017. Pág.: 432/446)

COMPRA E VENDA DE VEÍCULO ZERO QUILÔMETRO – VÍCIOS DE


FABRICAÇÃO – RUÍDO ANORMAL NA CAIXA DE DIREÇÃO,
TROCADA TRÊS VEZES SEM QUE O PROBLEMA TENHA SIDO
SOLUCIONADO – RELAÇÃO DE CONSUMO – RESPONSABILIDADE
OBJETIVA DA FABRICANTE E IMPORTADORA POR VÍCIOS DE
FABRICAÇÃO DO PRODUTO - LAUDO CONCLUSIVO EM RELAÇÃO
AOS PROBLEMAS NA CAIXA DE DIREÇÃO – VÍCIOS NÃO
SANADOS NO PRAZO LEGAL DE 30 DIAS – DETERMINAÇÃO DE
RESOLUÇÃO DO NEGÓCIO E RESTITUIÇÃO DO PREÇO – DANOS
MORAIS RECONHECIDOS, POR SE TRATAR DE VÍCIOS NÃO

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SANADOS, NO PRAZO LEGAL, EM VEÍCULO ZERO KM – VALOR


INDENIZATÓRIO QUE SE REDUZ PARA R$ 10.000,00 -
SUCUMBÊNCIA INTEGRAL DA RÉ. - Recurso provido em parte.

(Relator(a): Edgard Rosa; Comarca: Presidente Prudente; Órgão


julgador: 27ª Câmara Extraordinária de Direito Privado; Data do
julgamento: 03/07/2017; Data de registro: 04/07/2017)

Conjuga-se ainda a defesa do consumidor com a da proteção do


patrimônio público, uma vez que os fatos apurados revelam um quadro de
onerosidade excessiva suportada pela Administração Pública. A empresa Taurus,
em razão de liderar o oligopólio implantado no Brasil, impõe preços elevados em
relação aos armamentos adequados que poderiam ser adquiridos via importação,
além da imposição de sucessivos procedimentos de recall, decorrentes de
constantes falhas apresentadas pelos seus armamentos.

O monopólio exercido pela Taurus garante-lhe a sistemática elevação de


preços impostos aos órgãos de segurança pública que, além de não terem suas
necessidades operacionais atendidas, estão impedidas de efetuarem a aquisição de
produtos melhores no mercado internacional e por preços competitivos, com amplo
prejuízo para o erário.

Com efeito, para efeito de comparação, o material colhido no ICP anexo


dá conta de que a Polícia Civil do Distrito Federal efetuou recentemente a compra de
200 pistolas da marca GLOCK, modelo 22, Gen 4, calibre .40 S&W, marca notória e
mundialmente conhecida pela eficiência, segurança e simplicidade de seu emprego,
utilizada por aproximadamente 65% das forças policiais americanas.

O Diário Oficial do Distrito Federal de 07/04/2016, Seção 3, página 58,


comprova que as 200 pistolas da marca Glock custaram aos cofres do DF o equivalente
a R$ 395.792,00 (trezentos e noventa e cinco mil e setecentos e noventa e dois reais),
o que significa que cada pistola custou R$ 1.978,96 (mil e novecentos e setenta e oito
reais e noventa e seis centavos), sendo que uma pistola “similar” marca TAURUS custa
em média R$ 3.700,00 (três mil e setecentos reais).

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O Núcleo de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial


registrou no memorando de fls. 1340/1353 que, além da Glock, há inúmeras outras
marcas de pistolas importadas que são mundialmente conhecidas pela eficiência e
confiabilidade em seu emprego nas forças de segurança, possuindo preço similar às
nacionais, a exemplo das marcas HECKLER e KOCH (HK).

Registra ainda que uma pistola marca FORJAS TAURUS, modelo PT 709,
subcompacta, acabamento tenox, calibre 9mm, produzida no Rio Grande do Sul tem
custo final de quase R$ 3.000,00 (três mil reais) ou o equivalente, no câmbio de
17/10/2016, há aproximadamente U$ 943,00 (novecentos e quarenta e três dólares),
sendo que a mesma pistola, vendida no mercado americano, pode ser encontrada para
fornecimento ao consumidor final por U$ 199,99 (cento e noventa e nove dólares e
nove centavos de dólar americano) e que não há razoabilidade em tamanha diferença
de preço, o que induz que corporações policiais brasileiras, especialmente a Polícia
Civil do Distrito Federal, podem estar arcando com sobrepreço nas aquisições de
armas da marca FORJAS TAURUS, gerando lucro desmedido e efetivo prejuízo
para os cofres públicos, tudo em franca violação ao princípio da livre concorrência,
insculpido no artigo 170, inciso IV, da Carta Federal de 1988.

As armas de fogo da marca Taurus estão sendo classificadas pelos mais


diversos laudos periciais como inseguras ao uso policial e, diante disso, certamente não
podem continuar sendo utilizadas pelas Polícias Civis e Militares, seja a fim de garantir
a vida e a integridade dos seus usuários e da população em geral, seja porque tal
situação gera considerável prejuízo ao erário nas diversas esferas federativas.

A conduta da empresa ré se enquadra nas hipóteses previstas no art. 1º e


11 da Lei n. 8.429/1992, que considera ato de improbidade administrativa, qualquer
ação ou omissão que viole os princípios da administração pública e que, da mesma
forma, seja por conduta dolosa ou culposa, enseje perda patrimonial, desvio,
apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades
mencionadas no art. 1º daquela lei. Igualmente, constitui improbidade administrativa,
permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço
superior ao de mercado, devendo responder por tais atos não somente servidores
públicos, mas todo aquele que de alguma forma induza ou concorra para a prática do

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ato de improbidade ou dele se beneficie sobre qualquer forma direta ou indireta e que
dentre as sanções previstas na Lei n. 8429/92 está a proibição de contratar com o
Poder Público.

Definidos os calibres e tipos de armas pelo Exército, cabe aos


órgãos de segurança pública escolherem de forma justificada, e segundo as regras
comuns de aquisição de bens pela administração, a melhor adequação técnica ou de
preço. Não pode o Exército Brasileiro atuar de forma a terminar por proteger os
interesses de uma determinada empresa fabricante de armamentos, impedindo a livre
concorrência no comércio de armas no Brasil, como vem sendo feito.

Essas circunstâncias danosas ao patrimônio público já foram plenamente


comprovadas por meio das manifestações trazidas pelas diversas corporações que
responderam ao MPF no presente inquérito civil, a exemplo da Polícia Militar do Estado
do Mato Grosso do Sul, que demonstrou, por meio do Relatório Técnico n.
007/SALP/GMB/2016, de fls. 317/365, de forma clara o sobrepreço das armas
vendidas no Brasil:

“O prejuízo mais significativo ao erário se dá justamente pelo


absoluto monopólio de mercado das indústrias de armas e
munições de uso letal e menos letal TAURUS, IMBEL, CONDOR e
CBC - Cia Brasileira de Cartuchos. Não se faz necessário muito
esforço para identificar uma eventual prática de preços, no
mínimo incompreensíveis, principalmente para as vendas realizadas
às Instituições que são isentas da maior parte dos impostos.
Contudo, somente a quebra de sigilo fiscal das Indústrias
Nacionais acima citadas que permitirá uma análise capaz de
comprovar a existência ou ausência de prática dos preços abusivos
em virtude do monopólio de mercado.

Nota-se claramente, por meio de pesquisa em fontes abertas ou


visitação às lojas dos Estados Unidos da América que os preços
praticados pela indústria nacional são no mínimo surpreendentes
quando comparados com o preço de vendas praticado pelos lojistas
americanos, ainda que no varejo, das mesmas armas (modelo e

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fabricante) adquiridas quase que obrigatoriamente pela maioria


das Instituições e Policiais no Brasil.

(…)

É possível verificar que nas lojas dos EUA o valor da arma,


produzida no Brasil, TAURUS, modelo PT840, calibre .40SW,
capacidade de carregador 15+1 é vendida por menos de
R$1.000,00 (mil reais), e para esta operação vale salientar que
existem custos de frete até a região de embarque portuário ou
aeroportuário, custos de permanência e desembaraço
alfandegário, taxas de entrada em território americano, bem
como, obviamente, o lucro do lojista na comercialização.

Ora pois, as próprias fabricantes nacionais fazem questão de


enfatizar que a matéria-prima, processos e o controle de
qualidade das armas nacionais e tipo exportação são os mesmos. A
partir desse pressuposto, por meio da quebra de sigilo fiscal será
possível analisar, por meio dos documentos oficiais emitidos, os
preços praticados nestas operações de vendas nacionais para
Instituições com os preços das armas de exportações já que
ambas são isentas de IPI, qual seria a justificativa do preço
praticado senão o proveito no monopólio de mercado para ganhos
vultuosos.

E quando analisamos os valores de venda da Indústria Nacional


diretamente para o Policial, ou seja, sem intermediários tipo
lojista, chega a ser assustador a diferença do preço praticado,
mesmo sabendo da incidência de alguns impostos que são
anistiados nas operações de exportação é um tanto quanto difícil
de acreditar a discrepância de um percentual de chega próximo
500%.”

Resultam, portanto, evidentes os diversos prejuízos ao erário em


razão da imposição de preços abusivos pela Taurus que, valendo-se de conhecido

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monopólio sobre as armas produzidas, não se preocupa com a qualidade dos


armamentos produzidos em suas plantas fabris, ocasionando constantes reparos e
trocas de peças por meio de procedimentos de recall pouco eficazes.

Da mesma forma, diversas despesas médicas não tem sido


contabilizadas pelas corporações em favor dos seus agentes de segurança pública, que
poderão, de forma individual, buscar o ressarcimento pelos danos material e moral por
tais acidentes, inutilmente relatados à empresa, que nunca tomou providências efetivas
ao longo dos anos, valendo-se da omissão na fiscalização que deveria ser empreendida
pelo Exército Brasileiro.

Assim, não se pode conceber que armas que apresentam


recorrente falhas sejam recondicionadas e postas a serviço de forças de segurança,
cujos agentes estão fadadas à morte em um eventual tiroteio ou sujeitos a disparos
acidentais, conforme já relatados em diversos documentos já relatados.

Inadmissível também que os procedimentos recorrentes de


remanufatura de armas defeituosas sejam tidas, até mesmo pelos gestores das
unidades de segurança pública, como submetidas a processo de modernização,
conforme se declarou à fl. 509.

Tal proceder revela uso de eufemismo para a atitude de


negligência com que a empresa ré tem tratado os usuários de seus produtos bélicos,
valendo-se de um monopólio instituído pelo EB, cujos egressos figuram nos quadros da
empresa como consultores.

Urge, portanto, que a Justiça Brasileira, ponha termo às práticas


ilegais da empresa ré, com a defesa do patrimônio público e o resgate da
economicidade dos gastos direcionados à ineficaz aquisição de compra de armas
defeituosas, fornecimento das armas Taurus por preços acima do valor de mercado.

Assim, por restar demonstrada também a prática abusiva de


preços, em decorrência da dominação de mercados, com amplo prejuízo para o
patrimônio, deve ser afastada toda e qualquer restrição que se configure atentatória à
livre concorrência, uma vez que o monopólio exercido pela Taurus lesa o erário de
forma evidente, além de perpetuar situação evidentemente danosa aos usuários e à sua

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integridade física.

F – DO DANO MORAL COLETIVO

Todas as lesões causadas pela empresa ré indicam a necessidade


da reparação dos danos causados à coletividade, sejam eles de natureza patrimonial ou
extrapatrimonial.

A indenização por danos morais está prevista no art. 5º, V da


Constituição da República. Não há restrição constitucional quanto à natureza individual
ou coletiva do dano para ser passível de indenização.

Dita o Código Civil Brasileiro:

'Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência


ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.'

As violações ao direito à vida, à integridade física e psicológica, à


saúde e à ordem econômica e, no que diz respeito ao caráter não mensurável
monetariamente, devem ser reparadas. Para isso, tem sido admitido pela doutrina e
jurisprudência pátrias o instituto do dano moral coletivo, previsto no art. 1º da Lei
7.347/85:

Art. 1º - Regem-se pelas disposições desta Lei, sem prejuízo da


ação popular, as ações de responsabilidade por danos morais e
patrimoniais causados:

I - ao meio-ambiente;

II - ao consumidor;

III - a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico,


turístico e paisagístico;

IV - a qualquer outro interesse difuso ou coletivo.

V - por infração da ordem econômica;

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VI - à ordem urbanística.

VII – à honra e à dignidade de grupos raciais, étnicos ou


religiosos.

VIII – ao patrimônio público e social.

Acerca do tema, é precisa a lição de Leonardo Bessa:

A correta compreensão de dano moral coletivo não se deve


vincular a todos elementos e racionalidade próprios da
responsabilidade civil nas relações privadas individuais. Na
verdade, o objetivo de se prever, ao lado da possibilidade de
indenização pelos danos materiais, a condenação por dano moral
coletivo só encontra justificativa pela relevância social e interesse
público inexoravelmente associados à proteção e tutela dos
direitos metaindividuais.

Os direitos coletivos não se enquadram em modelos teóricos dos


ramos tradicionais do ordenamento jurídicos. São uma nova
categoria cuja compreensão exige análise funcional.

Especificamente em relação à positivação do denominado dano


moral coletivo, a função é, mediante a imposição de novas e graves
sanções jurídicas para determinadas condutas, atender ao
princípio da prevenção e precaução, de modo a conferir real e
efetiva tutela ao meio ambiente, patrimônio cultural, ordem
urbanística, relações de consumo e a outros bens que extrapolam o
interesse individual. É evidente, portanto, neste aspecto, a
aproximação com a finalidade do direito penal. 12

Percebe-se que o dano moral coletivo possui caráter punitivo e

12 BESSA, Leonardo Roscoe. Dano Moral Coletivo e Seu Caráter Punitivo. Revista dos Tribunais. vol. 919/2012. p.
515. mai /2012.

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também compensatório, destinando-se a tutelar interesses metaindividuais aos quais


as lesões, em regra, não podem ser aferidas patrimonialmente, assim como ocorre
no caso em análise com relação às ofensas à segurança, à integridade física e à vida
dos usuários das armas produzidas pela empresa Taurus e obrigatoriamente impostas
ao consumo das corporações policiais e cidadãos pelo Exército Brasileiro.

As ações conjuntas dos réus dessa ação foram suficientes para


ceifar dezenas de vidas humanas, causar danos irreversíveis à integridade física de
muitas pessoas, gerar abalos psicológicos a policiais, cidadãos atingidos e suas famílias,
e gerar clima de insegurança na população. Conjuntamente também, as ações dos
demandados geraram o rompimento dos princípios da ordem econômica, da defesa do
consumidor, a vulneração da segurança pública e o dano ao patrimônio público.

Ressalte-se que tais consequências não se deram em apenas uma


cidade, um Estado da Federação, mas espraiou-se por todo o território nacional, e até
mesmo ao exterior, conforme se constata da leitura das respostas encaminhadas pelos
órgãos de segurança pública oficiados, pelo vídeo que retrata a audiência pública
realizada no Congresso Nacional e pela sentença americana juntada nestes autos.

A doutrina também apoia a tese da reparação do dano moral, como


lembra o estudioso Carlos Alberto Bittar Filho 13:

" ...chega-se a conclusão de que o dano moral coletivo é a injusta


lesão da esfera moral de uma dada comunidade, ou seja, é a
violação antijurídica de um determinado circulo de valores
coletivos. Quando se fala em dano moral coletivo, está-se fazendo
menção ao fato de que o patrimônio valorativo de uma certa
comunidade (maior ou menor), idealmente considerado, foi
agredido de maneira absolutamente injustificável do ponto de
vista jurídico: quer isso dizer, em última instância, que se feriu a
própria cultura, em seu aspecto imaterial.”

Para Xisto Tiago de Medeiros Neto (Dano Moral Coletivo. 2004, p.


298), “o dano moral coletivo corresponde à ‘injusta lesão da esfera moral de uma dada

13 Do dano moral coletivo no atual contexto jurídico brasileiro, RT, vol. 12.

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comunidade’, constituindo a ‘violação antijurídica de um determinado círculo de valores


coletivos’”. Os elementos necessários ao surgimento do dever de reparar o dano moral
coletivo não guardam diferenças de relevo em comparação com o dano moral individual.
Para este último autor citado (2004, p. 298), tais elementos são os seguintes: (a) a
conduta antijurídica (ação ou omissão) do agente, pessoa física ou jurídica; (b) a ofensa
significativa e intolerável a interesses extrapatrimoniais, identificados no caso
concreto, reconhecidos e inequivocamente compartilhados por uma determinada
coletividade (comunidade, grupo, categoria ou classe de pessoas titular de tais
interesses protegidos pela ordem jurídica); (c) a percepção do dano causado,
correspondente aos efeitos que, ipso facto, emergem coletivamente, traduzidos pela
sensação de desvalor, de indignação, de menosprezo, de repulsa, de inferioridade, de
descrédito, de desesperança, de aflição, de humilhação, de angústia ou respeitante a
qualquer outra consequência de apreciável conteúdo negativo; (d) o nexo causal
observado entre a conduta ofensiva e a lesão socialmente apreendida e repudiada (In:
Apontamentos Sobre Dano Moral Coletivo. Fausto Kozo Kosaka. Cadernos de Direito,
Piracicaba, v. 9(16- 17): 75-91, jan.-dez. 2009).

Quanto ao cabimento de condenação por danos morais coletivos,


em casos de lesões difusas, vale destacar novamente acórdão exarado pelo TRF 1ª
Região:

[...] III - O dano moral coletivo, em casos que tais, além da


agressão a valores imateriais da coletividade atingida pela
conduta dos promovidos, revela-se, ainda, pela lesão moral
difusa em relação à intranquilidade gerada nos usuários da
rodovia federal pelo aumento da insegurança, como causa
direta do ato ilícito praticado pelo transgressor da norma legal
de regência. IV - Apelação do Ministério Público Federal provida,
para determinar que os recorridos se abstenham de trafegar em
rodovias federais com carga excessiva, sob pena de multa
pecuniária no montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais),
por descumprimento desta ordem judicial, em cada ocorrência
verificada, sem prejuízo das sanções criminais, cabíveis na espécie
(CPC, art. 14, inciso V e respectivo parágrafo único), bem assim

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para condenar os promovidos no pagamento de indenização, a


título de danos materiais (cujo montante deverá ser apurado na
fase de liquidação do julgado) e danos morais coletivos, no
montante de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), a ser revertido ao
fundo previsto no art. 13 da Lei nº. 7.347/85, bem assim no
pagamento das custas processuais devidas.” (AC
8353120124013806, DESEMBARGADOR FEDERAL SOUZA
PRUDENTE, TRF1 - QUINTA TURMA, e-DJF1
DATA:27/11/2014 PAGINA:1286.)

Ressalte-se que a configuração do dano extrapatrimonial difuso


independe da comprovação de dor ou sofrimento, bastando a presença de
sérias lesões aos interesses coletivos, capazes de gerar sensação de intranquilidade
e insegurança na comunidade, como se afigura no presente caso.

Nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça:

ADMINISTRATIVO - TRANSPORTE - PASSE LIVRE -


IDOSOS - DANO MORAL COLETIVO – DESNECESSIDADE DE
COMPROVAÇÃO DA DOR E DE SOFRIMENTO - APLICAÇÃO
EXCLUSIVA AO DANO MORAL INDIVIDUAL -
CADASTRAMENTO DE IDOSOS PARA USUFRUTO DE
DIREITO - ILEGALIDADE DA EXIGÊNCIA PELA EMPRESA
DE TRANSPORTE - ART. 39, § 1º DO ESTATUTO DO IDOSO –
LEI 10741/2003 VIAÇÃO NÃO PREQUESTIONADO. 1. O dano
moral coletivo, assim entendido o que é transindividual e atinge
uma classe específica ou não de pessoas, é passível de
comprovação pela presença de prejuízo à imagem e à moral
coletiva dos indivíduos enquanto síntese das individualidades
percebidas como segmento, derivado de uma mesma relação
jurídica-base. 2. O dano extrapatrimonial coletivo prescinde da
comprovação de dor, de sofrimento e de abalo psicológico,
suscetíveis de apreciação na esfera do indivíduo, mas
inaplicável aos interesses difusos e coletivos. 3. Na espécie, o

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dano coletivo apontado foi a submissão dos idosos a procedimento


de cadastramento para o gozo do benefício do passe livre,
cujo deslocamento foi custeado pelos interessados, quando o
Estatuto do Idoso, art. 39, § 1º exige apenas a apresentação de
documento de identidade. 4. Conduta da empresa de viação
injurídica se considerado o sistema normativo. 5. Afastada a
sanção pecuniária pelo Tribunal que considerou as circunstancias
fáticas e probatória e restando sem prequestionamento o
Estatuto do Idoso, mantém-se a decisão. 5. Recurso especial
parcialmente provido. (RESP 200801044981, ELIANA CALMON,
STJ – SEGUNDA TURMA, DJE DATA:26/02/2010 .DTPB:.)

Observe-se que casos muito menos danosos ao consumidor, como a


simples demora na fila de atendimento de estabelecimento bancário, publicidade
enganosa na bandeira de posto de gasolina ou deficiência na prestação de serviços de
telefonia, tem sido suficientes para o reconhecimento de dano moral coletivo. Vejamos
agora alguns julgados do STJ relativos ao reconhecimento do dano moral coletivo por
lesão aos direitos do consumidor:

1 – Blecaute de energia elétrica

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO
CIVIL PÚBLICA. DANOS MORAIS COLETIVOS. ACÓRDÃO
QUE, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS, CONCLUIU
PELA RESPONSABILIDADE CIVIL DA RECORRENTE.
PRETENDIDA REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO.
IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO, NA VIA ESPECIAL.
SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO.
I. Agravo interno aviado contra decisão publicada em
18/10/2016, que, por sua vez, julgara recurso interposto
contra decisum publicado na vigência do CPC/73. II. Na origem,
trata-se de ação civil pública, proposta pelo Ministério Público do
Estado do Acre em face de Centrais Elétricas do Norte do

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Brasil S.A - Eletronorte, alegando que, entre 21h51min e


23h47min, do dia 06 de julho de 2010, parte do Estado do Acre
experimentou um blecaute de energia elétrica, ocasionado
por problemas na Usina Termelétrica de Energia (UTE)
Termonorte II. O Parquet afirma que a referida interrupção no
fornecimento de energia elétrica ocasionou prejuízos aos
consumidores, gerando-lhes danos de ordem material e moral.
III. O Tribunal de origem, à luz das provas dos autos, afastou a
alegação de ilegitimidade passiva da recorrente, asseverando que
"as provas materiais colhidas durante a investigação civil (...)
inegavelmente apontam para a responsabilização da Ré pela
interrupção da prestação do serviço de energia elétrica no Estado
do Acre no dia 06 de julho de 2010" e que "restou claro
através de relatório elaborado pela ONS, que a perturbação
(interrupção de energia elétrica) teve inicio na UTE
Termonorte I Usina de Propriedade da Ré, quando uma das
unidades geradoras a gás, (Unidade TG01) desligou
automaticamente por perda gradativa de potência".
Concluiu, assim, que a Eletronorte "é responsável pela geração e
transmissão de energia em vários estados, incluindo-se o Estado
do Acre, o que consectariamente impõe sua responsabilidade
quanto ao apagão ocorrido no dia 06 de julho de 2010, objeto da
Ação Civil Pública intentada". A alteração desse entendimento
demandaria incursão no conjunto fático-probatório dos autos, o
que é vedado, no âmbito do Recurso Especial, pela Súmula 7 desta
Corte.
IV. No que tange ao quantum indenizatório, "a jurisprudência
do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a revisão
dos valores fixados a título de danos morais somente é possível
quando exorbitante ou insignificante, em flagrante violação aos
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não é
o caso dos autos. A verificação da razoabilidade do quantum
indenizatório esbarra no óbice da Súmula 7/STJ" (STJ, AgInt no

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AREsp 927.090/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,


SEGUNDA TURMA, DJe de 08/11/2016). No caso, o Tribunal de
origem, à luz das provas dos autos e em vista das circunstâncias
fáticas do caso, manteve a indenização por danos morais
coletivos em R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais),
considerando "que os prejuízos advindos de um black out de
energia elétrica são vultosos, porquanto envolve todo um
sistema de prestação de serviços essenciais à
população, seja a rede hospitalar, doméstica, etc". Tal
contexto não autoriza a redução pretendida, de maneira que não
há como acolher a pretensão do recorrente, em face da Súmula
7/STJ.
V. Agravo interno improvido.
(AgInt no AREsp 855.874/AC, Rel. Ministra ASSUSETE
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/06/2017, DJe
27/06/2017)

2 – Espera em fila para atendimento bancário


PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO MORAL
COLETIVO. SERVIÇO BANCÁRIO. TEMPO DE ESPERA EM FILA
SUPERIOR A 15 OU 30 MINUTOS. DESRESPEITO A DECRETO
MUNICIPAL RECONHECIDO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM.
INTRANQUILIDADE SOCIAL E FALTA DE RAZOABILIDADE
EVIDENCIADAS. DANO MORAL COLETIVO CONFIGURADO.
VIOLAÇÃO AO ART. 6º, VI, DO CÓDIGO DE DEFESA DO
CONSUMIDOR.
1. O Tribunal de origem, embora ateste a recalcitrância da parte
recorrida no cumprimento da legislação local, entendeu que
ultrapassar o tempo máximo para o atendimento ao consumidor,
por si, não provoca danos coletivos, visto que o dano moral
indenizável não se caracteriza pelo desconforto, dissabor ou
aborrecimento advindos das relações intersubjetivas do dia a dia,
porquanto comuns a todos e incapazes de gerar dor ou atingir a

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dignidade da pessoa humana (fl. 709/e-STJ).


2. O STJ já estabeleceu as premissas para o reconhecimento do
dano moral coletivo, não havendo que indagar - para a apreciação
desse dano - sobre a capacidade, ou não, de o fato gerar dor ou
atingir a dignidade da pessoa humana.
3. "O dano extrapatrimonial coletivo prescinde da comprovação
de dor, de sofrimento e de abalo psicológico, suscetíveis de
apreciação na esfera do indivíduo, mas é inaplicável aos
interesses difusos e coletivos". (REsp 1.057.274/RS, Rel.
Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 26.2.2010) 4. "O
dano moral coletivo é a lesão na esfera moral de uma comunidade,
isto é, a violação de direito transindividual de ordem coletiva,
valores de uma sociedade atingidos do ponto de vista jurídico, de
forma a envolver não apenas a dor psíquica, mas qualquer abalo
negativo à moral da coletividade, pois o dano é, na verdade, apenas
a consequência da lesão à esfera extrapatrimonial de uma pessoa."
(REsp 1.397.870/MG, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques,
Segunda Turma, DJe 10.12.2014).
5. Se, diante do caso concreto, for possível identificar
situação que importe lesão à esfera moral de uma comunidade
- isto é, violação de direito transindividual de ordem coletiva,
de valores de uma sociedade atingidos sob o ponto de vista
jurídico, de forma a envolver não apenas a dor psíquica, mas
qualquer abalo negativo à moral da coletividade - exsurge o
dano moral coletivo. Precedentes: EDcl no AgRg no AgRg no REsp
1.440.847/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, julgado em 7.10.2014, DJe 15.10.2014; REsp
1.269.494/MG, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma,
julgado em 24.9.2013, DJe 1º.10.2013; REsp 1.367.923/RJ, Rel.
Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em
27.8.2013, DJe 6.9.2013; REsp 1.197.654/MG, Rel. Ministro
Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 1º.3.2011, DJe
8.3.2012.

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6. Na hipótese dos autos, a intranquilidade social decorrente da


excessiva demora no atendimento ao consumidor dos serviços
bancários é evidente, relevante e intolerável no Município afetado.
Conquanto incontroversa a insatisfação da população local, a parte
recorrida permaneceu - e quiçá ainda permanece - recalcitrante.
Reverbera, por conseguinte, a violação ao art. 6º, VI, da Lei
Consumerista, devendo a parte recorrida ser condenada por dano
moral coletivo.
7. No que diz respeito ao arbitramento dos danos morais, compete
à Corte a quo a sua fixação, observando o contexto fático-
probatório dos autos e os critérios de moderação e
proporcionalidade.
Precedentes: AgRg no REsp 1.488.468/RS, Rel. Ministro Mauro
Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 24.3.2015, DJe
30.3.2015; AgRg no Ag 884.139/SC, Rel. Ministro João Otávio de
Noronha, Quarta Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 11.2.2008, p.
112) 8. Recurso Especial provido, determinando-se a devolução dos
autos à Corte de origem para arbitramento do valor dos danos
morais coletivos.
(REsp 1402475/SE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 09/05/2017, DJe 28/06/2017)

3 – Infidelidade de bandeira em posto de gasolina


RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANOS
MORAIS COLETIVOS CAUSADOS AOS CONSUMIDORES DE
CUIABÁ. INFIDELIDADE DE BANDEIRA. FRAUDE EM
OFERTA OU PUBLICIDADE ENGANOSA PRATICADAS POR
REVENDEDOR DE COMBUSTÍVEL.
1. O dano moral coletivo é aferível in re ipsa, ou seja, sua
configuração decorre da mera constatação da prática de
conduta ilícita que, de maneira injusta e intolerável, viole
direitos de conteúdo extrapatrimonial da coletividade, revelando-
se despicienda a demonstração de prejuízos concretos ou de

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efetivo abalo moral.


2. No caso concreto, o Ministério Público do Estado de Mato
Grosso ajuizou ação civil pública em face de revendedor de
combustível automotivo, que, em 21.01.2004, fora autuado pela
Agência Nacional de Petróleo, pela prática da conduta
denominada "infidelidade de bandeira", ou seja, o ato de
ostentar marca comercial de uma distribuidora (Petrobrás - BR)
e, não obstante, adquirir e revender produtos de outras (artigo
11 da Portaria ANP 116/2000), o que se revelou incontroverso na
origem.
3. Deveras, a conduta ilícita perpetrada pelo réu não se resumiu à
infração administrativa de conteúdo meramente técnico sem
amparo em qualquer valor jurídico fundamental. Ao ostentar a
marca de uma distribuidora e comercializar combustível
adquirido de outra, o revendedor expôs todos os consumidores à
prática comercial ilícita expressamente combatida pelo código
consumerista, consoante se infere dos seus artigos 30, 31 e 37,
que versam sobre a oferta e a publicidade enganosa.
4. A relevância da transparência nas relações de consumo,
observados o princípio da boa-fé objetiva e o necessário
equilíbrio entre consumidores e fornecedores, reclama a inibição
e a repressão dos objetivos mal disfarçados de esperteza, lucro
fácil e imposição de prejuízo à parte vulnerável.
5. Assim, no afã de resguardar os direitos básicos de
informação adequada e de livre escolha dos consumidores,
protegendo-os, de forma efetiva, contra métodos desleais e
práticas comerciais abusivas, é que o Código de Defesa do
Consumidor procedeu à criminalização das condutas
relacionadas à fraude em oferta e à publicidade abusiva ou
enganosa (artigos 66 e 67).
6. Os objetos jurídicos tutelados em ambos os crimes (de
publicidade enganosa ou abusiva e de fraude em oferta) são
os direitos do consumidor, de livre escolha e de informação

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adequada, considerada a relevância social da garantia do


respeito aos princípios da confiança, da boa-fé, da
transparência e da equidade nas relações consumeristas.
Importante destacar, outrossim, que a tipicidade das condutas
não reclama a efetiva indução do consumidor em erro, donde se
extrai a evidente intolerabilidade da lesão ao direito
transindividual da coletividade ludibriada, não informada
adequadamente ou exposta à oferta fraudulenta ou à
publicidade enganosa ou abusiva.
7. Nesse contexto, a infidelidade de bandeira constitui prática
comercial intolerável, consubstanciando, além de infração
administrativa, conduta tipificada como crime à luz do código
consumerista (entre outros), motivo pelo qual a condenação do
ofensor ao pagamento de indenização por dano
extrapatrimonial coletivo é medida de rigor, a fim de evitar a
banalização do ato reprovável e inibir a ocorrência de novas lesões
à coletividade.
8. A intolerabilidade da conduta é extraída, outrossim, da
constatada recalcitrância do fornecedor que, ainda em 2007 (ano
do ajuizamento da ação civil pública), persistia com a conduta
de desrespeito aos direitos de escolha e de adequada
informação do consumidor, ignorando o conteúdo valorativo da
autuação levada a efeito pela agência reguladora em 2004.
9. A quantificação do dano moral coletivo reclama o exame
das peculiaridades de cada caso concreto, observando-se a
relevância do interesse transindividual lesado, a gravidade e a
repercussão da lesão, a situação econômica do ofensor, o
proveito obtido com a conduta ilícita, o grau da culpa ou do
dolo (se presentes), a verificação da reincidência e o grau de
reprovabilidade social (MEDEIROS NETO, Xisto Tiago de.
Dano moral coletivo. 2. ed. São Paulo: LTr, 2007, p. 163/165). O
quantum não deve destoar, contudo, dos postulados da equidade e
da razoabilidade nem olvidar dos fins almejados pelo sistema

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jurídico com a tutela dos interesses injustamente violados.


10. Suprimidas as circunstâncias específicas da lesão a direitos
individuais de conteúdo extrapatrimonial, revela-se possível o
emprego do método bifásico para a quantificação do dano
moral coletivo a fim de garantir o arbitramento equitativo da
quantia indenizatória, valorados o interesse jurídico lesado
e as circunstâncias do caso.
11. Recurso especial parcialmente provido para, reconhecendo
o cabimento do dano moral coletivo, arbitrar a indenização em
R$ 20.000,00 (vinte mil reais), com a incidência de juros de mora,
pela Taxa Selic, desde o evento danoso.
(REsp 1487046/MT, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO,
QUARTA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 16/05/2017)

4 – Prestação de serviços de telefonia de forma deficiente


PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL
PÚBLICA. DEMANDA COLETIVA. DIREITO DO
CONSUMIDOR. SERVIÇO DE TELEFONIA MÓVEL.
PARTICIPAÇÃO DA ANATEL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA
FEDERAL. OAB/PE E ADECCON/PE. PRELIMINARES DE
ILEGITIMIDADE ATIVA, FALTA DE INTERESSE DE AGIR E
IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO AFASTADAS.
QUALIDADE DEFICIENTE DOS SERVIÇOS DE TELEFONIA
MÓVEL COMPROVADA POR RELATÓRIO DA ANATEL E
OUTROS DOCUMENTOS. DANOS MORAIS COLETIVOS
RECONHECIDOS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PEDIDO PARA
QUE O STJ EXAMINE O CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE
FAZER. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME DO
CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ.
1. Na hipótese dos autos, quanto à questão relacionada à
competência, o Superior Tribunal de Justiça possui a orientação
no sentido de que a atividade fiscalizatória exercida por
entidade reguladora, in casu a Anatel, aliada à legitimidade ad

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causam do Ministério Público Federal para figurar no polo ativo


da demanda, define a competência da Justiça Federal para
processamento e julgamento do feito. (REsp 1.479.316/SE,
Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em
20/8/2015, DJe 1/9/2015).
2. A respeito da alegação de divergência jurisprudencial, nota-se
que os acórdãos paradigmas transcritos pela parte recorrente
não possuem similitude com o caso ora em exame. Com efeito, no
primeiro aresto paradigma (fls. 2090 e 2630/e-STJ) a ação
envolve o interesse e participação do Ministério Público
Estadual, e não Federal, enquanto o segundo acórdão paradigma
(fls. 2091 e 2631/e-STJ) não evolve a participação de agência
reguladora.
3. No que se refere à condenação da empresa recorrente em
danos morais coletivos, o acórdão objurgado estabeleceu que os
inúmeros documentos juntados ao processo demonstram os
prejuízos e a lesão causada aos consumidores dos serviços de
telefonia (fls. 2002; 2011;
2030 e 2032). Com efeito, o entendimento do Tribunal de origem
tem por supedâneo diversos documentos, entre eles relatório e
processos administrativos da própria Anatel, que atestam a
deficiência nos serviços prestados (fls. 2014-2017/e-STJ).
Dessarte, o acolhimento da pretensão recursal demanda reexame
do contexto fático-probatório, não admitido ante o óbice da
Súmula 7/STJ. Outrossim, a compreensão do Sodalício a quo está
em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça
de que é cabível a condenação por danos morais em Ação Civil
Pública (AgRg no REsp 1541563/RJ, Rel. Ministro Humberto
Martins, Segunda Turma, julgado em 8/9/2015, DJe
16/09/2015) 4. Também incide a referida Súmula 7/STJ para
avaliar se já houve, ou não, a regularização dos serviços e o
cumprimento da obrigação de fazer (constante de fls. 2040/e-
STJ).

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5. No que diz respeito à alegação de impossibilidade de


cumprimento da obrigação de fazer imposta, foi destacado
pela própria recorrente, em contrarrazões de apelação, que
foi cumprida a obrigação prevista no "Plano de Ampliação de
Rede", e instalados "inúmeros outros elementos de rede além
daqueles pelos quais havia se obrigado" (fl. 2072/e-STJ).
6. A parte recorrente também asseverou que tem como
demonstrar o atingimento dos níveis de qualidade exigidos por
meio de indicadores de qualidade estabelecidos pela Anatel.
Dessarte, é deficiente o argumento de que é impossível
comprovar o cumprimento da obrigação de fazer, uma vez que a
própria recorrente indica como pode atestar o cumprimento da
multicitada obrigação. Por conseguinte, neste ponto, incide o
óbice da Súmula 284/e-STF.
7. Também é improcedente o argumento da parte recorrente de
que não há como obter da Anatel manifestação sobre a
regularização dos serviços, pois aquela agência tem o dever de
fiscalizar, podendo, portanto, fornecer dados que auxiliem o
Juízo a avaliar se já houve o cumprimento da obrigação de fazer.
8. Nos termos do art. 19 da Lei. n. 9.472/97, compete à Anatel
a obrigação de fiscalizar os serviços públicos concedidos, bem
como de reprimir as infrações aos direitos dos usuários. Com
efeito, não há discricionariedade para o administrador público em
realizar, ou não, a fiscalização (REsp 764.085/PR, Rel. Ministro
Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 01/12/2009,
DJe 10/12/2009). Logo, com fundamento no princípio da
publicidade, deve o ente fiscalizador fornecer ou confirmar os
dados fornecidos, especialmente levando-se em conta que, in
casu, a Anatel tem interesse na demanda e está atuando na
qualidade de amicus curiae.
9. Igualmente, não afasta a utilidade o fato de a Anatel já ter
adotado as providências cabíveis para corrigir as irregularidades
nos serviços de telefonia. Deve-se ressaltar que as instâncias

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administrativa e judicial são independentes, além do que há


pedido para condenação em danos morais coletivos, cujo exame é
restrito ao âmbito judicial. Não há impedimento a que uma
mesma conduta se caracterize como ilícito civil, penal e
administrativo, com fixação da sanção conforme previsão legal de
cada esfera. Precedente do STJ.
10. Quanto à alegação de ilegitimidade da Ordem dos
Advogados do Brasil em promover a presente Ação Civil
Pública, por falta de pertinência temática, importante
esclarecer que o STJ possui a orientação no sentido de que a
legitimidade ativa - fixada no art.
54, XIV, da Lei n. 8.906/94 - para propositura de Ações Civis
Públicas por parte da Ordem dos Advogados do Brasil, seja
pelo Conselho Federal, seja pelos conselhos seccionais, deve ser
lida de forma abrangente, em razão das finalidades
outorgadas pelo legislador à entidade - que possui caráter
peculiar no mundo jurídico - por meio do art. 44, I, da mesma
norma; não é possível limitar a atuação da OAB em razão de
pertinência temática, uma vez que a ela corresponde a defesa,
inclusive judicial, da Constituição Federal, do Estado de Direito
e da justiça social, o que, inexoravelmente, inclui todos os
direitos coletivos e difusos. (REsp 1351760/PE, Rel. Ministro
Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 26/11/2013, DJe
09/12/2013).
11. Agravo Regimental não provido.
(AgRg no REsp 1502179/PE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 22/11/2016, DJe 19/12/2016)

5 – Publicidade ilícita de cigarros em rádio e televisão


RECURSO ESPECIAL - AÇÃO CIVIL PÚBLICA - DANO
MORAL COLETIVO - DIVULGAÇÃO DE PUBLICIDADE
ILÍCITA - INDENIZAÇÃO - SENTENÇA QUE ACOLHEU O

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PEDIDO INICIAL DO MPDFT FIXANDO A REPARAÇÃO EM


R$ 14.000.000,00 (QUATORZE MILHÕES DE REAIS) E
DETERMINOU A ELABORAÇÃO DE CONTRAPROPAGANDA,
SOB PENA DE MULTA DIÁRIA - INCONFORMISMOS DAS RÉS
- APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA PARA REDUZIR O
QUANTUM INDENIZATÓRIO E EXCLUIR DA
CONDENAÇÃO OBRIGAÇÃO DE FAZER
CONTRAPROPAGANDA, BEM COMO A MULTA MONITÓRIA
PARA A HIPÓTESE DE DESCUMPRIMENTO.
IRRESIGNAÇÃO DAS RÉS - OGILVY BRASIL COMUNICAÇÃO
LTDA. E DA SOUZA CRUZ S/A - E DO MINISTÉRIO
PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS.
1. DO RECURSO ESPECIAL DA OGILVY BRASIL COMUNICAÇÃO
LTDA.
1.1. Violação ao artigo 535 do Código de Processo Civil.
Inocorrência. Acórdão de origem clara e suficientemente
fundamentado, tendo a Corte local analisado todas as
questões essenciais ao deslinde da controvérsia, ainda que de
forma contrária aos interesses das partes.
1.2. Julgamento antecipado da lide. Possibilidade. Inexistência de
cerceamento do direito de defesa. Produção de prova
documental suficiente. Impossibilidade de revisão. Incidência da
Súmula 7/STJ.
Livre convencimento motivado na apreciação das provas. Regra
basilar do processo civil brasileiro. Precedentes do STJ.
1.3. Irrefutável a legitimidade do Ministério Público para
promover a presente demanda. A veiculação, em caráter
nacional, de propaganda/publicidade atinge número infindável de
pessoas, de forma indistinta, nos mais diversos pontos deste
país de projeção continental, sobretudo quando divulgada por
meio da televisão - dos mais populares meios de comunicação de
massa - gera, portanto, indiscutivelmente, interesse de natureza
difusa, e não individual e disponível. Precedentes do STJ: AgRg

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no AREsp 681111/MS, Rel. Min.


Maria Isabel Gallotti, Dje de 13/08/2013; AgRg no REsp
1038389/MS, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira.
1.4. Os fatos que ensejaram a presente demanda
ocorreram anteriormente à edição e vigência da Lei n°
10.167/2000 que proibiu, de forma definitiva, propaganda de
cigarro por rádio e televisão.
Com efeito, quando da veiculação da propaganda vigorava a Lei
n° 9.294/96, cuja redação original restringia entre 21h00 e
06h00 a publicidade do produto. O texto legal prescrevia,
ainda, que a publicidade deveria ser ajustada a princípios básicos,
não podendo, portanto, ser dirigida a crianças ou adolescentes
nem conter a informação ou sugestão de que o produto pudesse
trazer bem-estar ou benefício à saúde dos seus consumidores.
Isso consta dos incisos II e VI do § 1º, art. 3º da referida lei.
1.5. O direito de informação está fundamentado em outros
dois direitos, um de natureza fundamental, qual seja, a
dignidade da pessoa humana, e outro, de cunho consumerista,
que é o direito de escolha consciente. Dessa forma, a teor dos
artigos 9º e 31 do CDC, todo consumidor deve ser informado
de forma "ostensiva e adequadamente a respeito da
nocividade ou periculosidade do produto".
1.5.1. A teor dos artigos 36 e 37, do CDC, nítida a ilicitude da
propaganda veiculada. A uma, porque feriu o princípio da
identificação da publicidade. A duas, porque revelou-se
enganosa, induzindo o consumidor a erro porquanto se
adotasse a conduta indicada pela publicidade, independente das
conseqüências, teria condições de obter sucesso em sua vida.
1.5.2. Além disso, a modificação do entendimento lançado no v.
acórdão recorrido, o qual concluiu, após realização de
contundente laudo pericial, pela caracterização de publicidade
enganosa e, por conseguinte, identificou a responsabilidade da ora
recorrente pelos danos suportados pela coletividade, sem dúvida

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demandaria a exegese do acervo fático-probatório dos autos, o


que é vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ.
1.5.3. Em razão da inexistência de uma mensagem clara, direta
que pudesse conferir ao consumidor a sua identificação
imediata (no momento da exposição) e fácil (sem esforço ou
capacitação técnica), reputa-se que a publicidade ora em
debate, de fato, malferiu a redação do art 36, do CDC e,
portanto, cabível e devida a reparação dos danos morais coletivos.
1.6. Quanto ao montante da indenização arbitrada pelas
instâncias ordinárias a título de dano moral, não obstante o
grau de subjetivismo que envolve o tema, uma vez que não
existem critérios predeterminados para a quantificação do
dano moral, firmou-se jurisprudência na Corte no sentido de
que a intervenção deste STJ ficaria limitada aos casos em que
o valor da indenização fosse arbitrado em patamar irrisório ou
excessivo. Precedentes do STJ.
1.6.1. Atentando-se para as peculiaridades do caso concreto, deve-
se tanto quanto possível, procurar recompor o dano efetivo
provocado pela ação ilícita, sem desprezar a capacidade econômica
do pagador e as necessidades do seu destinatário, que, no caso, é
toda sociedade, faz-se mister, portanto, a redução da
indenização por danos morais coletivos ao valor de R$
1.000.000,00 (hum milhão de reais), devidamente corrigidos.
2. DO RECURSO ESPECIAL DA SOUZA CRUZ S/A: 2.1. O
conteúdo normativo dos dispositivos legais tidos por violados -
artigos 282, 283, 284, "caput", 295, I, 400 e 515, do CPC, 8º da
Lei de Ação Civil Pública - não foram objeto de exame pelo v.
acórdão recorrido, a despeito da oposição dos embargos de
declaração, razão pela qual incide, no ponto específico, o enunciado
da Súmula 211 desta Corte, de seguinte teor: "Inadmissível
recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de
embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo".
2.1.2. Do dano moral coletivo. Cabimento. Jurisprudência do STJ.

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Inegável a incidência da tese concernente à possibilidade de


condenação por dano moral coletivo, mormente tratando-se,
como se trata, de ação civil pública. Precedentes: EDcl no AgRg
no REsp 1526946/RN, Rel. Min. Humberto Martins, DJe de
13/11/2015; Rel. Min.
Ricardo Villas Bôas Cueva, DJe de 16/03/2015; REsp 1291213/SC,
Rel.
Min. Sidnei Beneti, DJe de 25/09/2012; REsp 1221756/RJ,
Rel.
Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em
02/02/2012, DJe 10/02/2012.
2.1.3. Ação Civil Pública. Inquérito civil. Peça facultativa.
Precedentes do STJ. O inquérito civil, promovido para apurar
indícios que passam dar sustentação a uma eventual ação civil
pública, funciona como espécie de produção antecipada de prova,
a fim de que não ingresse o autor da ação civil em demanda
por denúncia infundada, o que levaria ao manejo de lides com
caráter temerário. Assim tem ele por escopo viabilizar o
ajuizamento da ação civil pública. Escólio jurisprudencial: REsp
448023/SP, Rel. Min.
Eliana Calmon, DJe de 09/06/2003; REsp 644994/MG, Rel. Min.
João Otávio de Noronha, DJe de 21/03/2005.
3. DO RECURSO ESPECIAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO
DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS: 3.1. A
contrapropaganda constitui-se sanção prevista nos arts. 56,
inciso XII e 60 do CDC e aplicável quando caracterizada a
prática de publicidade enganosa ou abusiva, e o seu objetivo é
desfazer os malefícios sociais por ela causados ao mercado
consumidor.
3.1.2. A razão hermenêutica dessa penalidade decorre, sem
dúvida, para conferir proteção aos consumidores, tendo em
conta que o substrato motivador do CDC, inegavelmente, é dar
ampla tutela para a garantia de seus direitos, porquanto o art.

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83, por exemplo, determina: "(...) Para a defesa dos direitos e


interesses protegidos por este Código são admissíveis todas as
espécies de ações capazes de propiciar sua adequada e efetiva
tutela." 3.1.3. A divulgação da contrapropaganda se tornaria ilógica
em razão do advento da Lei 10.167/00, a qual proibiu
propaganda sobre o produto em questão. Sendo assim, é
importante destacar que a suspensão da contrapropaganda -
confirmando-se a compreensão do v.
acórdão recorrido - decorre das circunstâncias do caso concreto,
em virtude do decurso do tempo e da mudança do marco legal a
incidir sobre a matéria, revelando-se inoportuna a
veiculação da contrapropaganda nesse momento processual.
4. Recurso especial da OGILVY Brasil Comunicação Ltda e da
Souza Cruz S/A parcialmente providos e desprovido o recurso
especial do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
(REsp 1101949/DF, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA
TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 30/05/2016)

6- Venda de combustível adulterado


ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO
REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA.
ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 458, II, DO CPC/73.
INEXISTÊNCIA. VENDA DE COMBUSTÍVEL ADULTERADO.
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL COLETIVO. CABIMENTO.
ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A
JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. PRECEDENTES DO STJ.
AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. Agravo Regimental interposto contra decisão publicada na
vigência do CPC/73.
II. Na origem, trata-se de Ação Civil Pública ajuizada pelo
Ministério Público Federal, objetivando a condenação da empresa
ré em medidas de reparação por danos decorrentes da
venda de combustível adulterado.

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III. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 458, II, do


CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida
da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do
acórdão recorrido e do acórdão dos Embargos Declaratórios
apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e
completo, as questões necessárias à solução da controvérsia,
dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida.
IV. Da leitura da exordial e das circunstâncias identificadas pela
Instância de origem, ressaem nítidos a abrangência e o alcance
social dos fatos narrados na Ação Civil Pública proposta pelo
Ministério Público Federal, para defender os interesses da
coletividade, a teor do art. 81 do Código de Defesa do Consumidor.
V. A necessidade de correção das lesões às relações de
consumo transcende os interesses individuais dos
consumidores, havendo interesse público na prevenção da
reincidência da conduta lesiva por parte da empresa ré,
ora agravada, exsurgindo o direito da coletividade a
danos morais coletivos. Com efeito, patente a configuração,
no caso concreto, do dano moral coletivo, consistente na ofensa
ao sentimento da coletividade, caracterizado pela espoliação
sofrida pelos consumidores locais, gravemente maculados em sua
vulnerabilidade, diante da comercialização de combustível
adulterado.
VI. O acórdão recorrido encontra-se em consonância com a
jurisprudência desta Corte, consolidada no sentido de ser possível
a condenação por danos morais coletivos, em sede de Ação
Civil Pública, eis que "a possibilidade de indenização por dano moral
está prevista no art. 5º, inciso V, da Constituição Federal, não
havendo restrição da violação à esfera individual. A evolução da
sociedade e da legislação têm levado a doutrina e a
jurisprudência a entender que, quando são atingidos valores e
interesses fundamentais de um grupo, não há como negar a
essa coletividade a defesa do seu patrimônio imaterial. O dano

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moral coletivo é a lesão na esfera moral de uma comunidade,


isto é, a violação de direito transindividual de ordem
coletiva, valores de uma sociedade atingidos do ponto de vista
jurídico, de forma a envolver não apenas a dor psíquica, mas
qualquer abalo negativo à moral da coletividade, pois o dano é, na
verdade, apenas a consequência da lesão à esfera extrapatrimonial
de uma pessoa". (STJ, REsp 1.397.870/MG, Rel.
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe
de 10/12/2014).
Outros precedentes do STJ: REsp 1.509.923/SP, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de
22/10/2015; AgRg no REsp 1.526.946/RN, Rel. Ministro
HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/09/2015;
AgRg no REsp 1.541.563/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/09/2015; AgRg
no REsp 1.404.305/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 03/09/2015; REsp
1.397.870/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
SEGUNDA TURMA, DJe de 10/12/2014.
VII. Estando o acórdão recorrido em consonância com a
jurisprudência sedimentada nesta Corte, afigura-se acertada a
decisão ora agravada que, com fundamento na Súmula 83 do STJ,
obstou o processamento do Recurso Especial.
VIII. Agravo Regimental improvido.
(AgRg no REsp 1529892/RS, Rel. Ministra ASSUSETE
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/09/2016, DJe
13/10/2016)

7- Insuficiência de sistemas de Call Center


PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. VIOLAÇÃO DO
ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PERDA DO OBJETO DA
AÇÃO. INEXISTÊNCIA. OPERADORA DE SERVIÇO MÓVEL

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PESSOAL. LEI N. 9.472/97. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO.


PONTOS DE ATENDIMENTO PESSOAL AOS USUÁRIOS PARA
FINS DE RECEBIMENTO E PROCESSAMENTO DE PEDIDO DE
RESCISÃO CONTRATUAL. INSTALAÇÃO.
OBRIGAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA. DIREITO DOS
USUÁRIOS AO SERVIÇO DE ATENDIMENTO ADEQUADO E
EFICIENTE. INSUFICIÊNCIA DO SISTEMA DE "CALL
CENTER". DANO MORAL COLETIVO. CONFIGURAÇÃO.
1. Recurso especial em que se discute obrigação de fazer
decorrente de má-prestação de serviço de telefonia e indenização
por danos morais coletivos.
2. Inexiste a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação
jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme
se depreende da análise do acórdão recorrido.
3. A edição da Resolução 477/2007, que regulamenta instalação de
"Postos de Atendimento", não autoriza a conclusão de perda do
objeto. O objeto processual se extingue, em geral, quando um dos
elementos do binômio utilidade - necessidade ofusca-se, atingindo,
portanto, o interesse processual.
4. A prestação de serviços de telefonia, segundo entendimento
pacificado desta Corte Superior, submete-se ao regime de Direito
Público, seguindo as diretrizes das Leis 9.472/1997 e 8.987/1995.
Nesse sentido: REsp 976.836/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira
Seção, DJe 05/10/2010.
5. A alegação de que o acórdão violou os princípios constitucionais
da "ordem econômica", da "livre concorrência", da "defesa do
consumidor" (art. 170 da Constituição Federal) e da "separação de
poderes" não pode ser conhecida, uma vez que seria vitável
usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal. "Nesse
contexto, eventual contrariedade, caso existente, ocorreria
apenas no plano constitucional, de modo que se configura inviável a
rediscussão da matéria pelo STJ, no recurso especial" (AgRg no
AREsp 657.266/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma,

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julgado em 19/05/2015, DJe 05/06/2015.).


6. Reconhece-se que não é nenhum atentado aos interesses
dos consumidores que pode acarretar dano moral difuso, que
dê azo à responsabilidade civil. De fato, nem todo ato ilícito
se revela como afronta aos valores de uma comunidade. Nessa
medida, é preciso que o fato transgressor seja de razoável
significância e desborde os limites da tolerabilidade. Ele deve
ser grave o suficiente para produzir verdadeiros sofrimentos,
intranquilidade social e alterações relevantes na ordem
extrapatrimonial coletiva.
7. A prática de reiterado descumprimento das normas de
proteção ao consumidor por parte de operadora de telefonia é
capaz de romper com os limites da tolerância. No momento em
que se oferece serviço público deficiente e insatisfatório de
forma repetida, realiza-se prática comercial apta a causar
sensação de repulsa coletiva a ato intolerável.
8. "A divergência deve ser comprovada, cabendo a quem recorre
demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os
casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica
entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e
do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o
cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a
interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos
legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255
do RI/STJ) impede o conhecimento do Recurso Especial com base
na alínea "c", III, do art. 105 da Constituição Federal" (REsp
1.517.339/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA
TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 30/06/2015).
Recurso especial improvido.
(REsp 1408397/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,
SEGUNDA TURMA, julgado em 01/09/2015, DJe 14/09/2015)

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Os fatos narrados na presente ação são de incomparável


gravidade quando cotejados com os precedentes aqui colacionados. Estamos diante de
um grande número de perda de vidas humanos, de lesões perpétuas à integridade física
de cidadãos, muitos dos quais servidores públicos que arriscam suas vidas para a
proteção da sociedade. As vidas humanas não tem preço, nenhuma reparação monetária
resgatará sua perda, no entanto, é necessário impor uma sanção às práticas da União e
da Taurus que culminaram nesse quadro narrado no corpo desta Ação Civil Pública.

Também se verifica um grave atentado aos cofres públicos, pois


por anos a fio os órgãos públicos tem sido obrigados a comprar armamentos
defeituosos, mal projetados e mal produzidos por preços muito superiores aos que
poderiam ter dispensado para a compra de armamentos de melhor qualidade, não fosse
a inconstitucional proteção instituída pelo Exército Brasileiro para a Taurus, no
mercado nacional de comercialização de armas.

Nesse sentido, cabe, ainda, citar a doutrina de Emerson Garcia e


Rogério Pacheco Alves14:

“Em rigor técnico, erário e patrimônio público não designam


objetos idênticos, sendo este mais amplo do que aquele,
abrangendo-o. Entende- se por erário o conjunto de bens e
interesses de natureza econômica-financeira pertencentes ao
Poder Público (rectius: União, Distrito Federal, Municípios,
entidades da administração indireta e demais destinatários do
dinheiro público previstos no art. 1° da Lei 8.429/1992).

Patrimônio público, por sua vez, é o conjunto de bens e interesses


de natureza moral, econômica, estética, artística, histórica,
ambiental e turística pertencentes ao Poder Público, conceito
extraído do art. 1° da Lei n°4717/1965 e da dogmática
contemporânea, que identifica a existência de um patrimônio moral
do Poder Público, concepção esta que será melhor analisada no
capítulo relativo à reparabilidade do dano moral.
14 ALVES, Rogério Pacheco; GARCIA, Emerson. Improbidade Administrativa, 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2013,
p.1019/1020.

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Uma primeira leitura do art. 10 da Lei n°8.429/1192 poderia


conduzir à conclusão de que somente os atos causadores de
prejuízo econômico poderiam ser ali enquadrados, pois o
dispositivo é claro ao se referir aos atos que causem “lesão ao
erário”. No entanto, não obstante o aparente êxito da
interpretação literal, deve ser ela preterida pela utilização de
critérios teleológico-sistemáticos de integração da norma.

Nesta linha, observa-se que os conceitos de erário e patrimônio


público não foram aplicados com rigor técnico pelo legislador, o
que exige que seja perquirida a mens legis em razão da utilização
indiscriminada de conceitos distintos e que possuem uma relação
de continência entre si (p. 382/383).”

E ainda:

“Além do dano não patrimonial de natureza objetiva, é importante


perquirir a possibilidade de o ato de improbidade causar um dano
não patrimonial de natureza subjetiva (dor física e moral). Sendo
evidente que a pessoa jurídica não pode sofrer uma dor moral , o
prisme de análise há de ser deslocado para a coletividade, que
efetivamente poderá experimentar um sofrimento com o dano a
bens jurídicos de natureza não econômica. Note- se que estamos
perante um evidente redimensionamento do invidualismo
oitocentista, que estabelecia uma correspondência biunívoca entre
direito e personalidade, sendo ontologicamente refratário à
própria defesa coletiva de direitos alheios.

O reconhecimento do dano moral enquanto dano in actio ipsa, o que


dispensa a demonstração da efetiva dor e sofrimento, exigindo
apenas, a prova da conduta tida como ilícita, é um claro indicativo
da possibilidade de sua defesa no plano transindividual, volvendo o
montante da indenização em benefício de toda a coletividade, que

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é vista em sua inteireza, não dissecada numa visão anatômica,


pulverizada entre os indivíduos que a integram. Como se percebe,
para que seja demonstrada a existência e a possibilidade de
reparação do dano moral coletivo, sequer é preciso recorrer à
figura dos danos punitivos (“punitive damages”).

Na modernidade, o direito deixa de ser visto como panaceia do


indivíduo e assume a funcionalidade de fator de integração e
pacificação social, daí a crescente importância atribuída à tutela
coletiva de interesses patrimoniais ou puramente morais. A Lei
n°8.429/1992, como temos defendido, não se destina unicamente à
proteção do erário, concebido como o patrimônio econômico dos
sujeitos passivos dos atos de improbidade, devendo alcançar,
igualmente, o patrimônio público em sua acepção mais ampla,
incluindo o patrimônio moral.

Danos ao patrimônio histórico e cultural, bem como ao meio


ambiente, afora o prejuízo de ordem econômica, mensurável com a
valoração do custo estimado para a recomposição do status quo,
causam evidente comoção no meio social, sendo passíveis de
caracterizar um dano moral coletivo, o qual encontra previsão
expressa no art. 1° da lei n° 7.347/1985, com a redação dada pela
Lei n° 8.884/1994.”

A condenação por dano moral assume um aspecto diferenciado do


clássico dano moral individual, principalmente no seu caráter educativo, a fim de
impossibilitar a repetição do ato predatório.

Logo, revela-se necessária a condenação da ré pelos danos morais


coletivos decorrentes de sua conduta ilícita, devendo o valor ser fixado a critério
deste juízo federal e revertido ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos, previsto no
art. 13 da Lei 7.347/85.

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IV. DOS PEDIDOS.

A) DO PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA, DE NATUREZA


ANTECIPADA E DE FORMA LIMINAR.

O artigo 12 da Lei de Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85)


estabelece a possibilidade de concessão de mandado liminar, nos casos de possibilidade
de dano irreparável ao direito em conflito, decorrente da natural morosidade na
solução da lide.

A razão da existência da medida liminar cinge-se exclusivamente à


outorga de uma sinérgica garantia de efetividade da própria decisão final de
conhecimento que, muitas das vezes - em face da inerente complexidade da lide (como
bem assim, da excessiva burocracia processual e mesmo procedimental) e da
necessidade imperiosa da observância de todos os mecanismos referentes ao princípio
constitucional do devido processo legal -, demanda uma grande quantidade de tempo
capaz, em última análise, de comprometer a inteireza (efetividade) da decisão
definitiva (sentença).

Tem-se por presentes os requisitos determinados pelo artigo 300


do Novo Código de Processo Civil para a tutela de urgência, de natureza antecipada,
quais sejam, a existência de “elementos que evidenciem a probabilidade do direito ” e o
“perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo ”.

Referidos requisitos são expressões dos já amplamente


consagrados brocardos latinos fumus boni iuris e periculum in mora, respectivamente.

In casu, o fumus boni iuris decorre dos fundamentos legais,


jurisprudenciais e doutrinários largamente esgrimidos nesta petição inicial. A
aparência do bom direito está configurada, já que apontou a necessidade de
cumprimento da Constituição Federal e das leis que protegem a livre concorrência e a
defesa do consumidor, bem como a segurança da sociedade, além da correta atuação
do Poder Público. As provas colacionadas nos autos, bem como o crescente número de
denúncias apresentadas por todo o país, demonstram não só a omissão do poder de

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polícia do Exército Brasileiro, como os riscos de graves danos à segurança da população


e dos agentes públicos, ocasionados pelas falhas em armamentos amplamente
disponibilizados pela Taurus a todos os órgãos de segurança pública do país.

O periculum in mora é igualmente evidente, haja vista que é


imprescindível a concessão de uma medida judicial, de imediato, com o intuito de
permitir avanços na qualidade do armamento em circulação no país, obstando a perda
de vidas humanas nas corporações policiais e na sociedade civil ou o agravo à
integridade física de policiais e não policiais, narrativa tão comum a partir dos
levantamentos feitos e nestes autos apresentados pelo MPF.

A continuidade de graves acidentes causados pelo alto grau de


periculosidade decorrente das falhas estruturais nessas armas precisa ser obstada.
Tudo isso exige uma tutela jurisdicional exemplar a fim de impor ações comissivas de
urgência, por parte da União e da Taurus, aptas a inibir danos futuros.

Há ainda necessidade de impedir a continuidade do dano ao erário,


tanto mais num momento como o atual de grave afetação das finanças da União e dos
Estados. Como visto os preços praticados pela empresa Taurus no Brasil são abusivos,
justamente em razão da proteção que lhe concede o Exército Brasileiro com seu
normativo inconstitucional.

Definidos os calibres e tipos de armas pelo Exército, cabe aos


órgãos de segurança pública escolherem de forma justificada, e segundo as regras
comuns de aquisição de bens pela administração, a melhor adequação técnica ou de
preço.

Não sendo reconhecida a presença da urgência, o que aqui se diz


apenas para argumentar, estão presentes todos os elementos necessários à
configuração da tutela de evidência. Confiram-se as provas já coligidas a estes autos,
com comprovação total dos fatos alegados, aliadas à “fumaça do bom direito”, o que
indica com robustez a alta probabilidade do direito alegado ser reconhecido ao final do
processo, no momento do julgamento do mérito.

Em face do exposto, e pelo que mais contém os documentos


anexos, o Ministério Público Federal requer a Vossa Excelência, com fundamento

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no art. 12 da Lei nº 7.347/85 e no poder geral de cautela deferido ao Juiz pelo


art. 297 do Novo Código de Processo Civil, a expedição de ordem liminar,
obedecendo-se o art. 2º, da Lei 8.437/92, determinando-se a antecipação de
tutela para determinar:

a) que a empresa Taurus seja impedida de comercializar no Brasil,


da data da concessão da liminar até o final da presente ação, os
seguintes modelos de armas, que tem apresentado defeitos
recorrentes:

- pistolas modelo 24/7 PRO TATICAL PRO LS DS, no calibre .40;

- pistolas modelo PT 840, calibre .40;

- pistola modelo PT 740, calibre .40

- pistolas modelo PT 100 calibre .40;

- pistolas modelo AF calibre .40

- pistolas modelo PT 640 calibre .40;

- pistolas PT 100 Plus, calibre .40

- carabinas modelo CT 30 calibre .30

- carabinas modelo CT 40, calibre .40

- submetralhadoras MT calibre .40

b) que a empresa Taurus convoque, com base no artigo 10 do


Código de Defesa do Consumidor, no prazo de 20 (vinte) dias
corridos, um recall nacional, com publicidade por meio de rádio,
TV, jornais impressos e redes sociais na internet, de modo a que
todos os órgãos públicos, federais, estaduais e municipais, e
cidadãos adquirentes possam enviar tais armas, às expensas da
fabricante ré, para reparo, substituição e/ou indenização segundo
o valor de mercado da arma, conforme escolha do consumidor, na

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forma do Código de Defesa do Consumidor, para as seguintes


armas Taurus:

- pistolas modelo 24/7 PRO TATICAL PRO LS DS, no calibre .40;

- pistolas modelo PT 840, calibre .40;

- pistola modelo PT 740, calibre .40

- pistolas modelo PT 100 calibre .40;

- pistolas modelo AF calibre .40

- pistolas modelo PT 640 calibre .40;

- pistolas PT 100 Plus, calibre .40

- carabinas modelo CT 30 calibre .30

- carabinas modelo CT 40, calibre .40

- submetralhadoras MT calibre .40

c) que a União (Exército Brasileiro), seja proibida de aplicar, até o


julgamento final desta ação, a restrição de importação de modelo
que possua similar nacional, imposta pelo Exército Brasileiro no
artigo 5º do R-105, ficando os órgãos públicos e cidadãos livres
para importação de armamentos, desde que cumpram as regras
instituídas pelo Exército quanto a calibres permitidos e restritos.

Deferida a liminar, requer seja cominada multa diária de


R$10.000,00 (dez mil reais), que deverá ser suportada pelos réus, se derem causa ao
descumprimento de qualquer uma das ordens judiciais acima referidas.

B) PEDIDO PRINCIPAL

Ante o exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL requer a au-


tuação, recebimento e processamento desta ação civil pública segundo o rito preconi-
zado em lei. Requer ainda:

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1) a citação dos requeridos para comparecimento à audiência


conciliatória, prevista no inciso VII do art. 319 do CPC, e caso essa
reste infrutífera, para que respondam à vertente demanda no
prazo legal, sob pena de revelia, nos termos dos artigos 297 a 322
do Código de Processo Civil;

2) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos,


inclusive a testemunhal, pericial e documental, as quais serão
especificadas no momento processual próprio, a partir dos pontos
que se tornem controversos com a eventual apresentação de
contestação;

3) ao final, mediante sentença, seja julgado procedente o pedido


autoral, com:

3.1) A condenação da União em obrigação de fazer consistente


em modificar o teor do R-105 ou editar novo regulamento
substitutivo que não crie regime de monopólio ou oligopólio na
venda de armamentos ou munições no Brasil, com privilégios e
proteções a empresas nacionais ou situadas no Brasil, em prejuízo
à livre concorrência.

3.2) A condenação da Taurus à obrigação de fazer consistente em


convocar, com base no artigo 10 do Código de Defesa do
Consumidor, no prazo de 20 (vinte) dias corridos, um recall
nacional, com publicidade por meio de rádio, TV, jornais impressos
e redes sociais na internet, de modo a que todos os órgãos
públicos, federais, estaduais e municipais, e cidadãos adquirentes
possam enviar tais armas, às expensas da fabricante ré, para
reparo, substituição e/ou indenização segundo o valor de mercado
da arma, conforme escolha do consumidor, na forma do Código de
Defesa do Consumidor, para as seguintes armas Taurus:

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- pistolas modelo 24/7 PRO TATICAL PRO LS DS, no calibre .40;

- pistolas modelo PT 840, calibre .40;

- pistola modelo PT 740, calibre .40

- pistolas modelo PT 100 calibre .40;

- pistolas modelo AF calibre .40

- pistolas modelo PT 640 calibre .40;

- pistolas PT 100 Plus, calibre .40

- carabinas modelo CT 30 calibre .30

- carabinas modelo CT 40, calibre .40

- submetralhadoras MT calibre .40

3.3) que a empresa Taurus seja impedida de comercializar no


Brasil os modelos de armas abaixo arrolados, que tem
apresentado defeitos recorrentes, admitindo-se apenas a
possibilidade de continuidade das vendas, caso comprovadas
perante este juízo a tomada de providências que impliquem em
modificação do projeto e/ou melhoramento da qualidade do
material empregado que solucionem os problemas de produção
dos seguintes armamentos:

- pistolas modelo 24/7 PRO TATICAL PRO LS DS, no calibre .40;

- pistolas modelo PT 840, calibre .40;

- pistola modelo PT 740, calibre .40

- pistolas modelo PT 100 calibre .40;

- pistolas modelo AF calibre .40

- pistolas modelo PT 640 calibre .40;

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- pistolas PT 100 Plus, calibre .40

- carabinas modelo CT 30 calibre .30

- carabinas modelo CT 40, calibre .40

- submetralhadoras MT calibre .40

3.4) A condenação da União e da empresa Taurus ao pagamento


de danos morais coletivos, em valor prudentemente estimado por
este juízo, que corresponda à gravidade dos fatos ocorridos, bem
como à capacidade financeira das rés, não sendo inferir ao valor
de 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais), em reparação à
sociedade brasileira, pelas perdas de vidas humanas e agravos à
integridade física de cidadãos, pela lesão permanente à ordem
econômica, pelo abalo aos direitos do consumidor e pelo
atingimento do patrimônio público, durante todo o período em que
a primeira instituiu e a segunda se beneficiou, no Brasil, de um
regime inconstitucional de proteção mercadológica relacionado
com a restrição de importação de armas. O valor do dano moral
deve ser depositado em conta judicial e revertido em favor de
projetos selecionados, apresentados por entidades legitimadas
para tanto.

Dá-se à causa o valor de R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco mi-


lhões de reais), considerando-se o custo estimado do recall, dos danos morais coletivos
e dos prejuízos sofridos pelo erário.

Aracaju/SE, 19 de julho de 2017

LÍVIA NASCIMENTO TINÔCO

Procuradora da República

174
ESTADO DE MATO GROSSO F MMT

POLÍCIA MILITAR
Of. 1047/2017/GMB-SALP

Cuiabá-MT, 01 de Abril de 2017

Ao Senhor
Mauro Zaque de Jesus
Promotor de Justiça
Nesta

Assunto: Informação
Referência: Of. N° 080/2017/11°PJDPP-SIMP010294-001/2016.
Anexo: Ofício 844/2017/GMB/SALP/PMMT, Relatório Técnico
N°008/SALP/GMB/2016, Estudo Técnico para aquisição de Pistolas CPCHQ PMESP)

Senhor Promotor,

Conforme solicitado por Vossa Senhoria no ofício acima referenciado,


e em atendimento à ordem do Sr. Comandante Geral da PMMT, informo que sobre
os questionamentos encaminhados, o que temos a informar é o que abaixo segue.
1. Informar quantas armas pistolas ponto 40 Taurus as
Polícias no Estado de Mato Grosso; Atualmente a PMMT possui em seu banco de
dados um total de 4.663 pistolas, sendo 3.450 armas de modelos variados são da
fabricante TAURUS, sendo as demais da fabricante IMBEL que foram doadas ao
Estado de Mato Grosso peio Ministério da Justiça.
2. Qual o modelo de cada pistola ponto 40 TAURUS que
guarnecem as Polícias e Corpos de Bombeiros do Estado de Mato Grosso; A PMMT
possui pistolas nos mode/os PT100AF, PTlOOPius, PT640, PT840, PT24/7 e PT940, e
no caiibre 9mm PT809, PT92 e PT99.
3. Que informe se há problemas de funcionamento e a
quantidade de ocorrências de falhas no modelo da submetralhadora SMT40
Taurus: Sim houveram vários problemas de funcionamento com quebra de peças
que influenciam diretamente no seu emprego, tipo quebra da alavanca de manejo,
coronha que saem do triiho, queda de aiça de mira, e outras registrada em sistema
de controle de manutenção, aiém de armas que foram recondicionadas em fábrica
recentemente. Esta arma de apoio apresenta número excessivo de panes de /
f\ /
ESTADO DE MATO GROSSO
POLÍCIA MILITAR
alimentação, aparentemente, devido à falta de padronização no tamanho dos
carregadores, e quebra constante do anel seeguer que sustenta a mola recuperadora
do ferrolho e registro de disparos em rajada quando arma em intermitente (tiro a
tiro). As SMT40, em especial da primeira geração apresentaram tais defeitos.
4. Que informe se o Estado de Mato Grosso foi notificado
pela empresa para fazer recall de armas e, em caso positivo, informar
pormenorizadamente em que consistia este recalt, O Estado não foi notificado a
realizar recall, a Gerencia de Material Bélico da PMMT que entrou em contato
informando que as pistolas TAURUS, modelo PT840, estavam apresentando
problemas de desconexão prematura do sistema de disparo, impedindo a realização
do disparo, e a fábrica iniciou uma tratativa para fazer a correção se dispondo a
realizar os "ajustes" (termo usado peta fábrica para ocultar existência de problemas)
nos armamentos na PMMT, porém durante a demonstração do que seria trocado nas
armas (gatilho, cão, tirante do gatilho, aiuste na armação para retirada de acesso de
material e troca da moia do gatilho), logo na primeira arma já não funcionou, com
isso colocamos como condição sine oua non que as armas fossem envidas as fábrica
para que o revisão e recondicionamento de todas as armas deste modelo para que
fosse realizado com totai responsabilidade da Taurus dentro de suas instalações. Foi
informado ao Exército sobre o problema e os procedimentos para que se analisasse a
necessidade de passar por novo RETEX. (vide documentos em anexo)
5. Informar o custo financeiro para a substituição de todo
armamento Taurus que guarnece as Forças de Segurança Pública do Estado de Mato
Grosso e indique outra marca que atenda os padrões de armamento da Polícia do
Estado de Mato Grosso; O custo médio para substituição das armas curtas da Polícia
Militar de Mato Grosso por um modeio de arma padrão, se for da indústria nacional
sairá acima de 20 milhões de reais, já se for adquirir armas de padrão internacional
de qualidade para emprego na atividade de Segurança e Defesa sairá, certamente,
abaixo de 15 milhões de reais. Contudo, este custo é variável, uma vez que as
cotações são em dólares e será necessária uma licitação internacional de armas para
substituição com diversos fornecedores que em via de regra ofertam produtos de
melhor qualidade com menor preço, (vide anexo relatório da PM ESP)
ESTADO DE MATO GROSSO
PMMT i
POLÍCIA MILITAR
6. Informar quanto tempo as armas estão ficando na fábrica;
O primeiro lote de armas, depois de enviado a fábrica e acusado recebimento peia
mesma, demorou cerca de 60 dias para retornar e ser recolocado em operação no
serviço diário, contudo, o recolhimento do próximo lote ainda está em andamento, o
que nos faz estimar que demore mais de um ano para realizar totalmente a revisão e
reparo das armas.

Respeitosamente,
URGENTE

,0 P
ENTE 'S^ysoufii^t
ESTADO DE MATO GROSSO
POLÍCIA MILITAR
r protocolo n°: 210674/201 ® a ta . 08/05/2019 - 14:11
Sistema de Protocolo do Estado de Mato Grosso
POl iC!A MILITAR DO ESTADO DE MATO GROSSO
TE Interessado(a): BRUNO ALBERTO ZYS - AUDITOR PUBLICO EXTE
A s s u n to - ENCAMINHAMENTO DE DOCUMENTOS
Resumo: Solicitação de informações - processo Control
p n° 11.659-9/2019

201996460742

0201996460742

PARTE INTERESSADA:

ASSUNTO:

DATA DESTINO PROVIDÊNCIA (S)


07/05/2019 E-mail de Governo do Estado de Mato Grosso - Fwd: Ofício 24.2019.SCEEDUC

__
MTi
E m p re s a M a ío g r o a s e r s e
i la T ecn o lo g ia d a Inform ação
jagaa Gabinete Comandante Geral <gcg@pm.mt.gov.br5^
j Ass.

Fwd: Ofício 24.2019.SCEEDUC


1 mensagem

Elton APARECIDO VENTURA GONÇALVES <ventura@pm.mt.gov.br> 7 de maio de 2019 16:52


Para: Josadack Valdevino Teixeira <josadack@pm.mt.gov.br>, Gabinete Comandante Geral <gcg@pm.mt.gov.br>

Boa tarde, segue a solicitação do tribunal de contas de Mato Grosso.

Esclarecemos que a SALP é a superintendência que irá responder, visto o teor do documento.

Ressaltamos ainda que há prazo para apresentação das respostas, bem como a forma de envio (endereço
eletrônico no corpo do documento).

Elton Aparecido Ventura ôonçatves - Ten Cel PM


Superintendente de Planejamento Orçamento e Finanças - PMMT
(6 5 ) 9 9 9 8 3 -4 3 1 0

r Forwarded message------
Controladoria Interna <controladoriainterna@sesp.mt.gov.br>
i\
Date: seg, 6 de mai de 2019 às 12:06
Subject: Ofício 24.2019.SCEEDUC
To: Fernando Giroto Santiago <fernandosantiago@pm.mt.gov.br>, Elton APARECIDO VENTURA GONÇALVES
<ventura@pm.mt.gov.br>, NADYA BRUNO MORCELI <nadyamorceli@sesp.mt.gov.br>, Camila Scalabrin da Silva
<camilascalabrin@sesp.mt.gov.br>

Prezados, bom dia!

Segue solicitação encaminhada pela Secretaria de Controle Externo de Educação e


Segurança para elaboração de resposta em um prazo de 10 dias a contar da data de hoje
(recebimento).

Informo que face ao número de questionamentos constantes no Ofício n.°


24/2019/SCEEDUC, que abrange produtos como armamento, munição e colete balístico, a
presente solicitação será encaminhada para vários setores/responsáveis de modo que
caberá a cada um deles encaminhar à resposta, observando o prazo limite que
expirar-se-á em 14/05/2019. ao email da controladoriainterna@sesp.mt.gov.br para
compilação das informações e posterior encaminhamento ao órgão demandante.

Att,

Janayra Campaner

Gestora de Controle Interno - UNISECI/SESP

Unidade Setorial de Controle Interno

https://mail.google.eom/mail/u/1 ?ik=fd4f895787&view=pt&search=all&permthid=thread-f%3A1632904161034803422&simpl=msg-f%3A16329041. 1/2


07/05/2019 E-mail de Governo do Estado de Mato Grosso - Fwd: Ofício 24.2019.SCEEDUC L

Telefone: (65) 3613-5540/8154 f ___ ±

U nidade S etoria l de C on trole In te rn o - U N IS EC I/S ES P


Telefone: (65) 3613-5540/8154

SESP 6 C V EW O C E

06 ESTA OO MATO GROSSO


oea=eua*MÇApübuca S 7 A D O OE TW N9=OÍMA‘ AO

M A T O S R O S S O E S T A D O DE T R A N S F O R M A Ç Ã O .

+55 6S 3613.5520 / 38135502 / 3 0 3 .5 5 2 2 / 3613. S5CO


AV TRANSVERSAL - BLOCOB - ANEXO* - CENTRO POUTCO ADMINSTRATIVO
7 8 0 6 0 - 9 7 0 - CUASÁ. - M A TO GROSSO

ara Ofício 024.2019.SCEEDUC - Solicita informações armamento - PM.pdf


“ 160K

https://mail.google.eom/mail/u/1 ?ik=fd4f895787&view=pt&search=all&permthid=thread-f%3A1632904161034803422&simpl=msg-f%3A16329041. 2 /2
Secretaria de C ontrole E xterno de E ducação e S egurança

Tribunal de Contas Telefone(s): 65 3613-7595 1 7624 / 7185 / 7189 / 2977 / 7113


Mato Grosso
E-mail: secex-educacao@tce.mt.gov.br
TRIBUNAL DO CIDADÃO

Ofício n° 24/2019/SCEEDUC
Cuiabá-MT, 03 de maio de 2019

A Sua Excelência o Senhor


Cel PM Jonildo José de Assis
Comandante Geral da Polícia Militar de Mato Grosso
Cuiabá - MT

Assunto: Solicitação de informações - Processo Control-P n° 11.659-9/2019

Excelentíssimo Senhor Comandante Geral,

Em cumprimento à Ordem de Serviço n° 3071/2019, da Secretaria de Controle Externo


de Educação e Segurança Pública do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, e com a
finalidade de subsidiar os trabalhos da elaboração das Contas Anuais de Gestão da Sesp/MT -
exercício 2018, solicitamos as informações e documentos abaixo especificados, no prazo de 10
dias, contados a partir do recebimento deste Ofício:

1. Qual a quantidade de armas institucionais (por tipo) existente na PMMT?

2. Qual o efetivo de policiais existente na PMMT?

3. O quantitativo de armamento é suficiente para atender todo o efetivo policial


ativo, de acordo com a tabela de dotação de armamento vigente?

4. Em caso de insuficiência de armamento, foi feita demanda perante a Sesp/MT


para aquisição de novos armamentos?

5. De quem é a responsabilidade pela manutenção do armamento? Existe


previsão formalizada em norma quanto a responsabilidade pela manutenção do
armamento? Em caso positivo, enviar a norma regulamentadora.

http://www.tce

Para v erificar sua autenticidade a cesse o site: h ttp://w w w .tce.m tgov.br/assinatura e utilize o código AB7JM
w
S ecretaria de C ontrole E xterno de Educação e S egurança

Tribunal de Contas /
Telefone(s): 65 3613-7595 7624 / 7185 / 7189 / 2977 / 7113
' j , j m
Mato Grosso
i 11 w TRIBUNAL DO CIDADÃO
E-mail: secex-educacao@tce. mt.gov.br

6. São realizados testes periódicos de funcionamento no armamento institucional?


Existem regulamentação quanto a realização de tais testes? Em caso positivo,
enviar a norma regulamentadora.

7. Há registro de casos de acidentes por disparo acidental de arma de fogo


institucional? Em caso positivo, informar as providências adotadas e as
respectivas conclusões.

8. Qual a quantidade de munições (por tipo) existente na PMMT?

9. O quantitativo de munições é suficiente para atender todo o efetivo policial


ativo, de acordo com a tabela de dotação de munições vigente?

10. Em caso de insuficiência de munições, foi feita demanda perante a Sesp/MT


para aquisição de novas munições?

11. Em caso de insuficiência de munições, como é realizada a distribuição das


munições existentes entre o efetivo policial?

12. Como é realizado o controle do prazo de validade das munições distr